Prévia do material em texto
XLI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO “Contribuições da Engenharia de Produção para a Gestão de Operações Energéticas Sustentáveis” Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil, 18 a 21 de outubro de 2021. Planejamento estratégico em uma microempresa do setor de estética e beleza localizada em João Pessoa-PB Yona Petrovina Gonçalves Medvedeff (IFPB) medvedeffyona@gmail.com Tatyana Karla Oliveira Regis (IFPB) tatyana_regis@yahoo.com.br Atualmente vivenciamos um momento no qual a economia atravessa um período de recuperação gradual, onde as empresas têm focado na sobrevivência. O cenário para as Micro e Pequenas Empresas não é distinto, embora tenha ocorrido o aumento da sua participação na economia. Neste contexto as Micro e Pequenas Empresas (MPEs) necessitam cada vez mais adaptar-se ao meio em que estão inseridas visando sobreviver, da mesma forma que desenvolver estratégias objetivando diferenciar-se das demais, neste sentido o planejamento estratégico apresenta-se como uma ferramenta de gestão relevante no auxílio do alcance da vantagem competitiva sustentável. Desta forma, a presente pesquisa tem como objetivo ressaltar a importância do planejamento estratégico nas MPEs, propondo um Planejamento Estratégico para um salão de beleza de pequeno porte situado na cidade de João Pessoa/PB. Para tanto, foi realizado um estudo de caso, no qual foi aplicado o modelo de Escrivão Filho e Terence (2001), constatando- se que este modelo foi factível, útil e relevante, que a empresa não disponha de um plano estratégico, que os gestores também não eram conscientes da importância de se dedicar uma parcela do seu tempo para refletir acerca das questões estratégicas da organização. Foi possível fazer significativas propostas estratégicas para a empresa. Palavras-chave: Estratégia, Planejamento Estratégico, MPEs mailto:medvedeffyona@gmail.com mailto:tatyana_regis@yahoo.com.br 1. Introdução A economia brasileira atualmente vivencia um momento de recuperação gradual. Neste cenário, as empresas necessitam adaptar-se ao ambiente a fim de sobreviver. Uma ferramenta que adquire destaque diante deste contexto é o planejamento estratégico (PE), pois permite que a organização possa alinhar-se ao ambiente e estabelecer um curso de ação, objetivando alcançar a situação futura desejada. Sertek et al. (2011) define o PE como um processo por meio do qual a organização pode chegar onde almeja, bem como identificar quais as ações necessárias para executar seus objetivos, com base em uma análise da organização e do seu ambiente externo. De acordo com Migliato e Escrivão Filho (2003) o PE estimula o pensamento estratégico e aprimora as reflexões do estrategista em relação às possibilidades futuras, prestando apoio a construção de estratégias eficazes para a empresa. O PE apresenta-se como uma ferramenta de destaque não apenas para as grandes organizações, mas também para as MPEs. As MPEs gradativamente estão adquirindo espaço na economia brasileira, seja por meio da sua participação no PIB, ou através da sua capacidade de geração de renda. Segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) em janeiro de 2019 foram gerados 60,7 mil empregos formais celetistas, amparando a geração de empregos na economia, visto que as médias e grandes empresas têm apresentado um movimento contrário (SEBRAE, 2019). O PE tem sido disseminado e alguns pesquisadores se dedicaram a estudar a sua implementação nas MPEs, conforme se pode verificar nos trabalhos de: Silva et al. (2017) , Monteiro, Canto e Silva (2017) e Moura et al (2014). Neste contexto, um segmento que tem adquirido crescimento expressivo no Brasil é o de beleza e estética. Segundo o caderno de tendências 2019 - 2020, elaborado pelo SEBRAE em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC) a indústria brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC) teve um crescimento médio de 10% ao ano. Em contrapartida, o gasto médio das famílias com estes produtos de acordo com as estimativas é de 1,5% do seu orçamento. A pesquisa informa que em 2017 o Brasil encontrava-se na quarta posição no ranking mundial do segmento, consistindo em 6,9% do mercado mundial. O estudo evidenciou que no período entre 2009 e 2016 o segmento de HPPC, que engloba corte, tratamento de cabelo, manicure, pedicure, atividades estéticas, bem como outros serviços, recepcionou aproximadamente mais de 26 mil microempresas e empreendimentos de pequeno porte. Desta forma, diante predominância do setor de serviços, do crescimento das MPEs, inclusive no setor de beleza e estética, e da importância da implementação do planejamento para a competitividade destas, este trabalho se propõe a responder a seguinte pergunta: Como implantar o planejamento estratégico em salão de beleza de pequeno porte? 2. Revisão teórica 2.1 Planejamento Estratégico em MPEs Neste trabalho o PE é definido como um processo contínuo, sistêmico e participativo que visa desenvolver objetivos levando em consideração o ambiente em que a organização está inserida, identificando as oportunidades e ameaças existentes, a fim de estabelecer uma direção a ser seguida pela organização (KOTLER; ARMSTRONG, 2015; OLIVEIRA, 2007). Conforme estudo realizado SEBRAE (2016), as principais causas de mortalidade das empresas em geral a ausência de planejamento. Um outro estudo que ratifica esta ideia foi desenvolvido por Dutra e Previdelli (2003), que argumentam que o planejamento é um fator de sobrevivência para as MPEs, devendo ser realizado desde o processo de abertura da organização, tendo verificado que as empresas que tiveram mais tempo de planejamento passaram mais tempo ativas. De acordo com Fontes Filho (2006) o PE é uma ferramenta útil não apenas no âmbito das grandes organizações, mas também no campo das pequenas empresas, nas quais os seus benefícios apresentam-se de forma mais nítida. Segundo Nakamura e Escrivão Filho (1998) as MPEs possuem características particulares associadas ao seu tamanho, cultura e restrição de recursos, desta forma apresentam dificuldades no planejamento e na formulação de estratégias. Neste sentido, é necessário considerar as particularidades inerentes às MPEs a fim de adequar o PE sua realidade. O PE pode funcionar como um norte para as organizações imersas em um ambiente de incertezas. O resultado obtido no estudo realizado em indústrias sergipanas por Barbosa e Teixeira (2003) indica que as MPEs têm sua gestão concentrada sob a responsabilidade dos empresários empreendedores, deixando o futuro da organização, em muitos casos, baseado apenas na intuição destes que destinam um tempo as pequenas crises do dia-a-dia, o qual deveria ser empregado ao desenvolvimento de estratégias. Diversos autores estudaram a aplicabilidade do PE para as MPEs, como o estudo desenvolvido por Silva et al. (2017) realizou a análise do planejamento estratégica de uma pequena empresa do setor de vestuário, a pesquisa permitiu que houvesse um monitoramento das ações estratégicas viabilizando a identificação de algumas deficiências presentes na estrutura física e operacional que futuramente podem afetar e entravar suas estratégias comprometendo sua eficácia. Já o estudo realizado por Monteiro, Canto e Silva (2017) objetivou construir um PE microempresa formada por uma rede de três lanchonetes e uma cozinha industrial, aplicando as ferramentas de planejamento fazendo uso do Canvas¹. Por meio da pesquisa foi possível identificar os mercados promissores para o crescimento da empresa, parceiros comerciais, fornecedores de mercadorias e equipamentos, bem como enxergar um novo modo de canal com os consumidores, como o Google Adword, outro benefício citado foi o alcance da estrutura de custo que possibilitou a obtenção de centrosde custo, da mesma forma que a fronteira para cada centro de gasto presente na empresa e um plano de expansão factível. Outra pesquisa que tratou do tema PE no setor de serviços foi realizada por Moura et al (2014), a pesquisa investigou o PE enquanto ferramenta de gestão nas MPEs do setor fúnebre, observou- se que a maioria dos empresários não possui um conhecimento completo acerca da ferramenta, detinham apenas um pequeno conhecimento, porém apresentaram interesse após serem apresentadas às vantagens da utilização desta ferramenta. 2.2 Planejamento Estratégico de Escrivão Filho e Terence, 2001 A maioria das metodologias tradicionais encontradas na literatura foram desenvolvidos sob a ótica de grandes empresas, contudo com a realidade da pequena empresa apresenta algumas particularidades. Segundo Escrivão Filho e Terence (2001) as características das MPEs que mais exercem influência sobre o PE são: falta de co3nhecimento acerca da técnica; falta de pessoal qualificado; falta de visão de longo prazo; imediatismo de resultados; dificuldade em aceitar mudanças; restrições de tempo e recursos; dificuldade em definir a missão; dificuldade em analisar as ameaças; dificuldade em analisar os pontos fracos e outras. A metodologia proposta por Escrivão Filho e Terence (2001) atenta para as dificuldades inerentes ao processo de planejamento, buscando superar estas dificuldades e explorar as facilidades associadas ao processo. Desta forma, metodologia é baseada na estrutura das características do PE, características da pequena empresa e características do PE na pequena empresa, incorporando as atividades de desenvolvimento do PE. Na figura 1, apresentada a seguir é possível observarmos cada etapa do roteiro e seus respectivos desdobramentos. A metodologia deve ser introduzida por meio de reuniões com o empresário e os demais membros da organização. Sendo assim, faz-se necessário elaborar previamente uma agenda junto com o empresário, estabelecendo uma periodicidade e duração para as reuniões. Na primeira reunião deve ser eleita a equipe que fará parte do processo (ESCRIVÃO FILHO; TERENCE, 2001). A metodologia abrange das fases da elaboração do PE no contexto da pequena empresa, não incluindo as demais fases de implementação, controle e avaliação. A primeira atividade a ser realizada para desenvolver-se o PE é a conscientização da necessidade de pensar acerca da situação atual da organização e o estabelecimento de planos futuros. De outro modo, somente o roteiro prático não poderá assegurar a continuidade e conclusão do processo (ESCRIVÃO FILHO; TERENCE, 2001). A metodologia apresenta as seguintes etapas: definição da missão, dos valores e da visão da organização; Diagnóstico estratégico; Estabelecimento de objetivos e metas empresariais; Definição da estratégia (ESCRIVÃO FILHO; TERENCE, 2001). Figura 1 - Etapas da metodologia de PE Fonte- Adaptado de Escrivão Filho e Ana Cláudia Terence (2001) A missão corresponde à razão de ser da empresa e os valores consistem no conjunto de crenças e princípios que norteiam as atividades e ações da organização e a visão representa onde a organização pretende chegar. O diagnóstico estratégico será dividido nas seguintes etapas: análise externa, análise interna (identificação de oportunidades e ameaças, forças e fraquezas) e determinação dos fatores críticos de sucesso, nesta fase identificar-se-á com base na análise interna e externa quais os fatores são mais relevantes para a organização (ESCRIVÃO FILHO; TERENCE, 2001). Os objetivos serão estabelecidos em paralelo com a etapa anterior, portanto só poderão ser realizados após o diagnóstico, para que com base neste último possa definir o curso e prazo de suas ações, já as metas serão definidas por produto e dentro de um determinado período de tempo, revisando-as quando necessário, a equipe também deverá desenvolver mecanismos para monitorar estas metas a fim de assegurar seu cumprimento. Na definição da estratégia identificar-se-á a estratégia atual, ainda que esta não seja explícita, uma vez que as ações e decisões passadas repercutem no comportamento estratégico, nesta fase a empresa deve ser pensada de fora para dentro, ou seja, pensar a melhor forma para a organização interagir com o ambiente empresarial (ESCRIVÃO FILHO; TERENCE, 2001). 3. Procedimentos metodológicos Esta seção apresenta as ações que foram realizadas para a operacionalização A Figura 2 apresenta as fases apor meio das quais se desenvolveu a pesquisa. A primeira fase da pesquisa consistiu no desenvolvimento teórico-conceitual, na qual o objetivo da pesquisadora foi buscar na literatura existente a compreensão dos temas relevantes que fundamentariam e direcionariam a execução do estudo empírico e consequentemente a resolução da pergunta de pesquisa. Sendo assim, foram estudados os temas: PE, MPEs e PE para MPEs, por meio de artigos, livros, bem como os congressos como o EGEPE que trabalha a temática de gestão de pequenas empresas e empreendedorismo, o ENANPAD, a Revista de Administração de Empresas (RAE). O estudo empírico foi realizado da seguinte forma: por meio da literatura foi possível identificar métodos diferentes para elaboração de um PE, neste trabalho o método de Escrivão Filho e Terence (2001) foi escolhido pela simplicidade do roteiro e adequação para as MPEs. Figura 2 - Fases da pesquisa Fonte - Elaborada pelas autoras O estudo de caso foi realizado em um Salão de Beleza, situado em João Pessoa, PB, esta empresa foi escolhida por ser de pequeno porte e devido à facilidade de acesso, bem como devido ao crescimento que o segmento de beleza e estética vem apresentando nos últimos anos. O estudo de caso foi realizado no mês novembro de 2019, por meio de uma entrevista com a dirigente do salão de beleza, com duração em média de 1 hora. O instrumento de coleta de dados a ser empregado foi à entrevista e observações in loco, a entrevista corresponde a uma técnica em que o pesquisador se apresenta frente ao investigado e elabora questionamentos a fim de obter dados relevantes à pesquisa (GIL, 2008). O tipo de entrevista a ser utilizada será a entrevista com roteiro semiestruturado, pois permite a adaptação das perguntas pré-estabelecidas, permitindo maior autonomia ao pesquisador, o qual pode aprimorar e elaborar novas perguntas a partir da resposta do entrevistado, e por fim, obter o máximo de informações possíveis sobre o tema investigado. Os fatores de análise estabelecidas que auxiliaram na elaboração do instrumento de pesquisa correspondem as seguintes: características das MPEs; dificuldade das MPEs na elaboração do PE; metodologia de PE para MPEs. Já a terceira fase correspondeu ao desenvolvimento de um PE para o salão de beleza. Nesta fase as informações coletadas por meio do instrumento de pesquisa foram utilizadas para construir o diagnóstico da organização e elaborar a as etapas estabelecidas na metodologia de PE de Escrivão Filho e Terence (2001), bem como foram utilizadas literaturas complementares relacionadas ao segmento estudado. Desta forma, a partir das informações extraídas através dos questionários elaborou-se a análise de ambiente, os objetivos e metas da organização e a estratégia proposta. Para construir a análise de ambiente foram utilizados instrumentos como as cinco forças de Porter, o Checklist e a análise SWOT, já para os objetivos e metas utilizou-se o 5W1H. 4. Resultados 4.1 Identificação da empresa A empresa estudada consiste em uma microempresa do segmento de beleza, situado em frente à praia de Manaíra em João Pessoa, na Avenida João Maurício. A forma jurídica da organização corresponde a uma sociedade empresarial limitada. Os serviços ofertados pela empresa ao mercado são os seguintes: Manicure, pedicure, corte de cabelo femininoe masculino, corte bordado, coloração, 3mechas, botox, selagem, penteados, sobrancelhas, unhas em gel e maquiagem. Em relação à mão-de-obra a empresa possui três funcionários, sendo duas cabeleireiras e uma manicure, além da dirigente (proprietária) e sua sócia. A forma de contratação destes corresponde ao contrato de parceria, disposto na Lei 13.552 de 27 de outubro de 2016 que no Art. I estabelece que os salões de beleza poderão optar por esta forma de contrato, por escrito, nos termos definidos pela lei, para contratação de profissionais como cabeleireiros, manicures, esteticistas, maquiadores e outros. Ademais, a atuação no mercado é recente, a empresa possui cerca de um ano e quatro meses. 4.2 Planejamento estratégico para o salão de beleza em João Pessoa-PB As etapas da metodologia eleita a serem seguidas são as seguintes: I - Definir missão, visão e valores; II - Diagnóstico estratégico; Estabelecer objetivos e metas; IV - Definir a estratégia. Missão proposta: Oferecer serviços de beleza com qualidade ao público de todas as idades e gênero primando pela autoestima e bem estar, contemplando os diversos tipos de beleza e suas necessidades e desejos individuais. Valores propostos: Respeito mútuo; Inclusão e Diversidade; Responsabilidade; Excelência na prestação do serviço e Valorização da equipe. Visão proposta: Ser referência na qualidade em serviços de beleza no mercado local pelos próximos cinco anos. A seguir serão realizadas a análise das cinco forças competitivas de Porter e a análise da cadeia de valor a fim de agregá-las a construção da matriz composta por Strenghts, Weaknesses, Opportunities e Threats (SWOT). A fim de cumprir a segunda fase do modelo adotado na pesquisa. As cinco forças competitivas de Porter abordam a forma como a empresa lida com as forças externas que a afetam, são estas: entrada, ameaça de substituição, poder de negociação dos fornecedores, poder de negociação dos compradores, rivalidade entre os concorrentes atuais (PORTER, 1991). A seguir observa-se a figura 3 que representa de maneira resumida as cinco forças de Porter detalhadas anteriormente. Para auxiliar a identificação das forças e fraquezas que se referem ao ambiente interno na organização, utilizar-se-á como ferramenta o checklist proposto por Kotler e Keller (2012). As forças estão relacionadas à capacidade de empresa de aproveitar de oportunidades de negócio, já as fraquezas são aquelas que empresa necessita aprimorar para aproveitar determinadas oportunidades, não são todas as forças que a empresa utilizará para este fim, bem como não são todas as fraquezas que irão interferir neste processo (KOTLER; KELLER, 2012). A empresa não deve limitar-se apenas as oportunidades que são alcançáveis mediante suas forças, mas também devem analisar aquelas em que será necessário aprimorar-se para alcançá- las (KOTLER; KELLER, 2012). Desta forma, o checklist avalia as forças e fraquezas da empresa nos âmbitos de Marketing, Finanças, Produção e Organização, medindo as forças entre maior e menor, a fim de identificar um grau de desempenho maior ou menor em relação a estas, da mesma forma que o neutro em que indica um desempenho mediano. Figura 3 - Cinco forças de Porter Fonte - Elaborada pelas autoras Já no caso das fraquezas, estas seguem a mesma lógica de avaliação das forças. Por fim, temos o grau de importância atribuído as forças e fraquezas, este último visa medir a relevância de determinado aspecto, seja a reputação da empresa, a satisfação do cliente, como os demais estabelecidos, para o aproveitamento das oportunidades de negócio. O quadro 1 apresenta o checklist dos pontos fortes e fracos da organização. O quadro 2 apresenta a análise SWOT. Por meio da análise SWOT é possível eleger como fatores de sucesso, os seguintes: Fortalecimento da imagem da marca; Qualidade do serviço; Qualidade da matéria-prima para o serviço; Aprimoramento dos processos administrativos; Rapidez no atendimento; Aprimoramento e diversificação da expertise dos funcionários; Diversificação do público alvo. 9 Quadro 1 - Checklist para análise das forças e fraquezas Fonte - Elaborado pelas autoras 10 Quadro 2 - Análise SWOT Fonte - Elaborado pelas autoras Realizada estas etapas, passamos à definição dos objetivos e metas empresariais, que deverão estar alinhados a visão e a missão da empresa. Baseando-se nas respostas obtidas. O quadro 3 apresentado a seguir elenca os objetivos e metas propostos para a organização considerando os fatores levantados na análise SWOT. 11 Quadro 3 - Objetivos e metas Objetivos O que? Por quê? Onde? Quando? Quem? Como? Fortalecer a imagem da marca. A fim de aumentar a visibilidade e atrair novos clientes. Na região de João Pessoa. 2020-2021 A proprietária e sua sócia. Por meio das redes sociais. Aprimorar o atendimento ao cliente. Visando proporcionar uma experiência marcante ao cliente. Na empresa 2020-2021 A proprietária, sua sócia e profissionais capacitados na área. Por meio de treinamento com os funcionários da organização. Expandir o número de clientes nas áreas próximas a empresa. Aumentar a lucratividade do negócio e fazer frente à concorrência. No bairro de Manaíra. 2020-2021 A proprietária e sua sócia. Por meio de ações e eventos para atrair o público local; Aprimorar os processos administrativos. Melhorar a organização e eficiência do negócio, bem como reduzir retrabalho. Na empresa 2020-2021 A proprietária e sua sócia. Por meio da contratação de pessoal competente para desempenhar as funções. Incluir o público masculino. Ampliar o segmento de atuação da empresa e diversificar o portfólio. Na empresa 2020-2021 A proprietária e sua sócia. Por meio da oferta de serviços a este público. Diversificar o portfólio por meio de parcerias Atrair maior número de cliente e diferenciar-se da concorrência. Na empresa 2021-2022 A proprietária e sua sócia Por meio de parcerias com outras empresas que ofertem serviços complementares. Metas O que? Por quê? Onde? Quando? Quem? Como? Aprimorar o engajamento e o alcance em 100% A fim de atrair visibilidade para marca. Nas redes de Sociais. Durante Todo o ano de 2020. A proprietária e sua sócia. Por meio da criação de conteúdo e interatividade, promoções e parcerias com influenciadores digitais. Aumentar em 60% o nível de satisfação dos clientes. Gerar diferenciação e divulgação boca a boca. Na região de João Pessoa Todo o ano de 2020. Os funcionários da empresa. Por meio da realização de cursos com os funcionários por profissionais capacitados. Aumentar em 50% o número de Conquistar os clientes da No bairro de Manaíra. Todo o ano de 2020. A proprietária, sua sócia e a Por meio de parcerias com 12 Fonte - Elaborado pelas autoras Por fim, identificar-se-á a estratégia utilizada pela empresa até o momento e em seguida será sugerida uma estratégia que auxilia na concretização dos objetivos e metas definidos na etapa anterior. A estratégia praticada pela empresa até o momento é a estratégia de diferenciação, em que a empresa buscou diferenciar-se das demais por meio do investimento em produtos qualidade utilizados no serviço. Sugere-se que a empresa opte pela estratégia por diversificação somada a uma estratégia funcional enfatizando a área de marketing da empresa, realizando parcerias com outras empresas para diversificar o portfólio de serviços e oferecer aos clientes uma melhor experiência durante a realização do serviço, por meio de um atendimento diferenciado e de um ambiente confortável na empresa. A nova estratégia Aumentar em 60% o nível de satisfação dos clientes. Gerar diferenciação e divulgação boca a boca.Na região de João Pessoa Todo o ano de 2020. Os funcionários da empresa. Por meio da realização de cursos com os funcionários por profissionais capacitados. Aumentar em 50% o número de clientes que moram, trabalham, hospedam-se em regiões próximas a empresa. Conquistar os clientes da região mais próxima a empresa a fim de fazer frente à concorrência. No bairro de Manaíra. Todo o ano de 2020. A proprietária, sua sócia e a equipe do evento ou ação. Por meio de parcerias com outras empresas, panfletagem, promoções. Reduzir o tempo de execução dos processos em 40% e reduzir o retrabalho em 30%. Objetivando alcançar maior rapidez nos processos e maior organização. Na empresa. Todo o ano de 2020. Os funcionários do setor administrati- vo. Por meio da contratação de pessoal competente para desempenhar as funções. Aumentar em 50% o número de homens que consomem os serviços. Visando ampliar o público alvo da organização. Na região de João Pessoa. Todo o ano de 2020. A proprietária e sua sócia. Por meio da internet, redes sociais, parcerias de divulgação com outras empresas. Atrair 30% de clientes atuais para consumos de novos serviços. A fim de diferenciar-se das demais empresas. Na empresa. Durante todo o ano de 2020. A proprietária e sua sócia. Por meio de e- mails, whatsapp, divulgação na empresa, redes sociais e outros. 13 deverá ser comunicada por meio de reuniões semanais com a equipe de trabalho, a revisão do PE deve ser realizada a mensalmente. 5. Discussão dos resultados A estratégia competitiva foi eleita com base nos objetivos e metas traçados para a organização, estes por sua vez foram produto da análise dos pontos fortes e fracos da empresa, bem como suas oportunidades e ameaças, desta forma a estratégia visa concretizar o que foi estabelecido. A estratégia competitiva objetiva diferenciar o serviço da organização das demais, pois existem muitos concorrentes na região na qual a encontra-se instalada, esta será apoiada na estratégia funcional que se concentra nas funções da organização. Por meio das parcerias estratégicas com outras organizações a empresa poderá oferecer serviços complementares e ampliar o seu portfólio, sem necessidade de realizar grandes gastos. Outra proposta é divulgar a empresa a fim de aumentar o número de clientes, visto que está é uma dificuldade que a organização vem enfrentando. Outra maneira sugerida para diferenciar-se é por meio do atendimento personalizado ao cliente, este visa proporcionar uma experiência marcante durante a realização do serviço, em razão da característica de inseparabilidade do serviço o processo de realização deste é determinante para o retorno do cliente e a recomendação do estabelecimento. Da mesma forma que também foi sugerido o aprimoramento dos processos administrativos internos visando obter maior eficiência, rapidez e organização, bem como ampliar o público alvo, buscando incluir o público masculino a fim de expandir a atuação da empresa. O quadro 4 define as áreas estratégicas e suas competências. Durante a elaboração do planejamento estratégico foi possível observar a presença de algumas das características elencadas por Escrivão Filho e Terence (2001) como fatores que dificultam o processo de PE nas MPEs, tais como: a falta de conhecimento acerca da técnica; falta de pessoal qualificado; falta de visão de longo prazo; imediatismo de resultados; restrições de tempo e recursos. Desta forma foram propostas algumas alternativas para fazer frente as ameaças e aproveitar as oportunidades no ambiente externo, bem como utilizar suas forças e buscar minimizar as fraquezas. 14 Quadro 4 - Áreas estratégicas e suas competências Fonte - Elaborado pelas autoras A pesquisa desenvolvida por Moura et al (2014) que versou sobre o PE como ferramenta de gestão nas MPEs do setor fúnebre, evidenciou que a maioria dos empresários não detinham vasto conhecimento acerca da ferramenta, apenas um conhecimento restrito. Na empresa pesquisada, a proprietária detinha um conhecimento limitado acerca da ferramenta, dedicando maior parte do seu tempo a resolução de problemas no dia-a-dia da empresa. No estudo desenvolvido por Barbosa e Teixeira (2003) em indústrias sergipanas observou-se que as MPEs possuem sua gestão nas mãos dos empresários empreendedores, que em muitos casos destinam o tempo as pequenas crises rotineiras, tempo este que deveria ser empregado para elaboração de estratégias. Contudo, apesar das dificuldades que mínguam a utilização da ferramenta, a construção do PE permite que haja aprendizado para a equipe que conduz o processo de gestão da empresa, sendo esta uma característica presente nas empresas que alcançaram o sucesso (KAPLAN, 2003). Dessa forma, a elaboração do PE contribui para a organização na medida em que consiste em uma metodologia que estimula o pensamento estratégico. A metodologia em questão ainda é capaz de reverter para a organização diversos benefícios, auxiliando no desenvolvimento do pensamento estratégico e aperfeiçoamento das reflexões em relação às possibilidades futuras, bem como na elaboração de estratégias eficazes para empresa (MIGLIATO; ESCRIVÃO FILHO, 2003). Quanto à metodologia utilizada para elaborar o PE para MPEs foi factível, útil e relevante, pois permitiu de maneira simples e adequada a realidade da organização pesquisada realizar Marketing • Fortalecer a imagem da marca; • Realizar pesquisas com os clientes para diversificar o portfólio e o público alvo; • Buscar parceiros de negócio para diversificar o portfólio. Recursos Humanos • Contratar pessoal qualificado para aprimorar os processos administrativos. • Organizar os treinamentos dos funcionários; 15 uma análise interna e do ambiente na qual encontra-se inserida, traçar objetivos e metas, e estabelecer as estratégias a serem utilizadas. 6. Conclusões O objetivo deste artigo foi desenvolver um PE para um salão de beleza. Para tanto, aplicou- se o roteiro de entrevista desenvolvido com base na metodologia de Escrivão Filho e Terence (2001) para MPEs, a partir das informações resultantes da entrevista, foi desenvolvido um PE para um salão de beleza localizado na cidade de João Pessoa, considerando suas peculiaridades e restrições. No que se refere às contribuições teóricas e práticas, observou-se que existem poucos estudos acerca do PE em MPEs do ramo de beleza, no entanto percebeu-se que apesar de uma redução em seu crescimento durante o período de recessão, o setor de beleza não foi fortemente afetado, desta forma o setor constitui-se em uma opção de investimento válida no cenário atual, a presente pesquisa, desta forma contemplou o tema supracitado contribuindo para a literatura da área que até o presente momento encontra-se reduzida em relação a este setor. Já no âmbito prático a pesquisa pode proporcionar suporte aos gestores que desejam adotar o PE como uma ferramenta para auxiliar o processo de criação de estratégias nas MPEs, possibilitando que em um ambiente de incertezas haja uma redução dos riscos no processo de tomada de decisão a partir da análise do ambiente, bem como estabelecimento de norte para o alcance dos objetivos organizacionais. No que se refere às contribuições para empresa objeto da pesquisa, o estudo possibilitou pensar acerca de questões estratégicas para a organização, tais como o seu lugar atualmente no mercado e aonde deseja chegar, quais são as forças que poderão auxiliar a organização nesta trajetória, quais as fraquezas que a empresa necessita atentar-se para que alcance seus objetivos, da mesma forma que buscou-se evidenciar a importância de se analisar o meio no qual a organização está inserida. A aplicação da ferramenta de PE auxiliana construção do pensamento estratégico. No que diz respeito às limitações e sugestões para novas pesquisas, a presente pesquisa apresentou limitações, tais como a não implementação do PE desenvolvido na empresa estudada em razão do tempo limitado para construção do trabalho. Outra limitação encontrada foi à aplicação do roteiro de entrevista com apenas uma das duas sócias, da mesma forma que não foi possível a aplicação com os funcionários da empresa devido as suas atividades laborais. Outra limitação da pesquisa consiste em não abranger a cadeia de suprimentos e não abordar a definição dos indicadores de desempenho. Para pesquisas futuras sugere-se: 16 • Pesquisas que discutam a implementação do PE proposto, • Estudo sobre desenvolvimento de indicadores a fim de acompanhar os resultados derivados do PE em MPEs • Pesquisas que envolvam a elaboração de ações estratégicas para a cadeia de suprimentos de MPEs. • Pesquisas focando estratégia e sustentabilidade ambiental nas MPEs. REFERÊNCIAS BARBOSA, Jenny; TEIXEIRA, Rivanda. Gestão estratégica nas empresas de pequeno e médio porte. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v.10, n. 3, p. 31-42, jul.-set 2003. ESCRIVÃO FILHO, E.; TERENCE, A. C.. As particularidades das pequenas empresas no planejamento estratégico: a elaboração de um roteiro prático. In: Encontro de Estudos sobre Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas, 2., 2001, Londrina. Anais Eletrônicos[...]. Londrina: EGEPE, 2001, p. 592-602. DUTRA, I.S.; PREVIDELLI, J.J. Perfil do empreendedor versus mortalidade de empresas: estudo de caso do perfil do micro e pequeno empreendedor. In: Encontro Nacional dos Programas de Pós-graduação em Administração, 28., 2003, Atibaia-SP. Anais[...] Atibaia: AMPAD, 2003. FONTES FILHO, Joaquim Rubens. Planejamento Estratégico da pequena e média empresa: aplicações no setor turístico. Rio de Janeiro: Publit, 2006. Disponível em: <https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/7C80530126C23DF983 2575EE006D05AD/$File/NT00041B4A.pdf. >Acesso em 21 set. 2019. GIL, Antônio. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6 .ed. São Paulo: Atlas, 2008. KAPLAN, S.; BEINHOCKER, E. D. The real value of strategic planning. In: MIT Sloan Management Review, v. 44, n. 2, winter, 2003. KOTLER, Philip; KELLER, Kevin. Administração de marketing. 14. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. 17 KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. 15. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. MIGLIATO, A. L.; ESCRIVÃO FILHO, E. Metodologias do planejamento estratégico empresarial e do situacional: Deficiências, comparações e contribuições. In: Encontros de Estudos em Estratégia, 1., 2003, Curitiba. Anais[...] Curitiba: AMPAD, 2003. MONTEIRO, A.; CANTO, S.; SILVA, D. Proposta de planejamento estratégico Canvas para expansão de rede de lanchonetes na região metropolitana do Rio de Janeiro. In: Simpósio de engenharia da produção, 2017, Goiás. Anais [...], Goiás: UFG, 2017. MOURA, Alexandre Ramos, et al. A utilização do planejamento estratégico como ferramenta de gestão das micro e pequenas empresas do setor fúnebre. Revista da micro e pequena empresa, v. 8, n. 3, p. 39- 51, 2014. OLIVEIRA, Djalma. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 23. ed. São Paulo: Atlas, 2007. PORTER, Michael. Estratégia competitiva: Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. 7. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1991. SEBRAE – SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Análise do CAGED: Jan/2019. [S. l.]: 2019. Disponível em: <https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/Relatorio%20do%20CAGED%2001%202019 .pdf.> Acesso em 30 nov. 2019. SEBRAE – SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS. Caderno de Tendências: 2019 - 2020. [S.l.: s.n., 20--]. Disponível em: <https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/CADERNO%20DE%20TENDENCIAS%202 019-2020%20Sebrae%20Abihpec%20vs%20final.pdf>. Acesso em 01 dez. 2019. SILVA, Leandro Aparecido, et al. Análise do Planejamento Estratégico de uma MPE do Setor Vestuário: Estudo de Caso na Empresa Galpão Boutique de Caicó- RN. RELISE – Revista Livre de Sustentabilidade e Empreendedorismo, Santa Terezinha, v. 2, n. 4, p. 229-266, out.-dez. 2017. SERTEK, Paulo; GUINDANI, Roberto Ari; MARTINS, Tomas Sparano; Administração e planejamento estratégico. Curitiba: IBPEX, 2 011. XLI ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO “Contribuições da Engenharia de Produção para a Gestão de Operações Energéticas Sustentáveis” Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil, 18 a 21 de outubro de 2021. 1