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1 O IMPACTO DOS VEÍCULOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS NO MEIO AMBIENTE A LONGO PRAZO Daniel Campos de Meneses1 Daniel Soares Santos Ramos2 Vítor da Rocha Fernandes3 William da Silva Santos4 Orientador: Osvaldo Andrade Souza5 RESUMO Em um cenário cada vez mais com altas tecnologias, velocidade na locomação e muita conectividade, o ser humano ainda se preocupa muito com o desenvolvimento susentável, buscando sempre meios e possibilidades para obedecer os princípios mínimos do meio ambiente. Desta forma, os veículos elétricos e híbridos tem sido exposto como uma propensão futura no ramo automobilístico, onde esta industria vem enfrentado desafios para a concretização desses veículos no Brasil, que assim como qualquer inovação, causará transformações importantes na sociedade e na indústria. Sendo assim, dentre os objetivos dos países para esta finalidade são: promover o uso mais eficiente de energia, reduzir a dependência do petróleo e seus oriundos e causar menos impactos ambientais, com uma atenção maior para a emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE). Por fim, este artigo tem como objetivo apresentar uma revisão da literatura apresentando principalmente que os automóveis híbridos e elétricos não representam uma tecnologia tão recente assim e que ,inclusive, não são insentos de impactos ambientais. Palavras chave:. Automóveis híbridos. Automóveis elétricos. Meio Ambiente 1 INTRODUÇÃO A atividade humana esta alterando a composição da atmosfera em um ritmo bem acelerado. Segundo o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, 2013) a concentração de CO2 passou de 276,7 PPM em 1775 – antes da Revolução Industrial – para 390,5 PPM. Esse e outros gases possuem a característica de reter 1 Bacharelando em Engenharia Mecânica pelo Centro Universitario Jorge Amado. E-mail:campos.meneses@hotmail.com.br 2 Bacharelando em Engenharia Mecânica pelo Centro Universitario Jorge Amado. E-mail: danielsr2008@hotmail.com 3 Bacharelando em Engenharia Mecânica pelo Centro Universitario Jorge Amado. E-mail: vitorfernandes95@hotmail.com 4 Bacharelando em Engenharia Mecânica pelo Centro Universitario Jorge Amado. E-mail: williamrodrigueseng@gmail.com 5 Professor orientador Pós Graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho na UFBA. E-mail: osvaldo.a.s@gmail.com 2 calor, elevando a temperatura global, podendo causar efeitos catastróficos sobre os ecossistemas, as populações humanas e inclusive à atividade econômica global. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Brasil emitiu 1.246.477 Gg de CO2 em 2010. Cerca de 32% dessas emissões foram atribuídas ao setor de energia, com o setor de transporte representando 41,9%, e o transporte rodoviário 38,5% (BRASIL, 2013). Tipicamente, os veículos são movidos por um motor a combustão interna, utilizando em geral a gasolina ou o diesel, que em uma mistura com o ar e o combustível sofre compressão gerando desta forma o movimento do veículo. Estes motores possuem um nível de eficiência de quase 40%, gerando perdas durante esse processo principalmente na forma de energia térmica. A queima na câmara de combustão acarreta a emissão de vários gases prejudiciais, que são lançados pelo escapamento (VASCONCELOS, 2014). Existem diversas tecnologias de veículos atualmente que produzam pouca ou nenhuma emissão de gases do efeito estufa, entre eles esta os carros elétricos, os veículos de combustão de hidrogênio e os veículos a célula de hidrogênio, onde o subproduto não inclui CO2, onde os veículos elétricos superam os demais. Sendo assim, isso não significa que a substituição dos veículos atuais movidos a combustíveis fósseis seja tão simples. Para isso, muitos fatores devem ser levados em consideração como: disponibilidade de energia elétrica e a quantidade de emissões para gerá-las, custo dos automóveis, à segurança dos veículos, relação técnico-operacional e outros aspectos econômicos. A história dos carros elétricos não é recente e está ligada ao surgimento das baterias. A primeira bateria de chumbo-ácido foi desenvolvida em 1859 pelo belga Planté. Esta bateria veio a ser utilizada posteriormente, a partir de 1880, por vários veículos elétricos na França, EUA e Reino Unido (BARAN, 2010). No ano de 1881, Trouvé permitiu que o primeiro carro elétrico fosse alimentado por uma bateria secundária. Somente quatro anos depois, Benz demonstrou o primeiro veículo de motor de combustão interna (VASCONCELOS, 2014). Desta forma, os veículos elétricos não são tecnologias recentes, surgindo bem antes dos veículos movidos a combustíveis fosseis (SILVA, 2014). Todavia, os veículos à combutstão interna predominaram como uma melhor opção de transporte devido a sua maior autonomia em relação a quilômetros por litro de combustível; os 3 baixos preços dos combustíveis naquela epoca; a pouca preocupação com emissão de gases nocivos para a atmosféra; o sistema produtivo elaborado por Henry Ford, que proporcionou o preço dos carros movidos a combustíveis fósseis fossem adquiridos por quase metade do preço pago pelos carros elétricos; e a baixa eficiência das baterias e densidade da carga. Com o passar do tempo, tecnologias foram desenvolvidas para melhorar o desempenho dos carros elétricos e por consequência os hibrídos. Um exmplo dessas melhorias, são os motores elétricos possuirem níveis e eficiência bem superiores. Considerando todo o processo desde a entrada da energia elétrica até a movimentação das rodas, um carro puramente elétrico possui uma eficiência de aproximadamente 59% a 62%. Quando se fala em automóveis à combustão interna, a eficiência gerada pela conversão da energia dentro do combustível para que movimente o carro é de 17% a 21% (US DEPARTMENT OF ENERGY, 2014). Sendo assim, esses veículos elétricos (EV) são divididos entre elétricos (impulsionados apenas por motores elétricos, tendo sua energia armazenada em baterias, vindas da rede de abastecimento de energia elétrica) e os híbridos (junção dos motores elétricos com motores a combustão interna). Os híbridos (HEV), podem ter motores a combustão direcionados exclusivamente a carregar as baterias ou ser responsáveis pela tração dos veículos, repartindo a tarefa de mover com os motores elétricos sendo, ao mesmo tempo, responsáveis por carregar as baterias. Em relação ao desenvolvimento sustentável, entende-se que são atividades humanas que tem como prioridade suprir as necessidades dos seres humanos sem por em risco as gerações futuras. Assim, toda essa tecnologia e melhoras atuais, buscam sempre se relacionar harmonicamente com o desenvolvimento econômico sem agredir o meio ambiente, utilizando recursos mais naturais possíveis, de foma inteligente para que possam se manter no mercado. Ligada diretamente a sustentabilidade, está a responsabilidade social, desde quando as empresas decidem por vontade própria contribuir para uma sociedade mais justa, um meio ambiente mais limpo, o dever não é só fazer lucro, mas sim ajudar socialmente com o meio ambiente envolvido. Dentro destes interesses entra a tecnologia dos automóveis híbridos elétricos que vem se desenvolvendo em longos passos como alternativa para a problemática socioambiental. Desta forma, o presente artigo tem como objetivo analisar os 4 desafios para a implementação desses automóveis como alternativa de responsabilidade e sustentabilidade social, contribuindo assim para um processo que tende a reduzir os impactos ambientais, propondo uma harmonia entre a qualidade de vida da sociedade e os processos da indústria 4.0, gerando cada vez mais importância à sustentabilidade, principalmente no que se refere aos gases poluentes emitidos através dos automóveis movidos somente a combustão. A metodologia utilizada para a elaboração deste artigo, é baseada empesquisas literarias já existentes com avanços qualitativos e quantitativos, com o objetivo de descrever as relações e gerar novos conhecimentos. 2 HISTÓRIA Sendo visto por muitos como uma grande inovação tecnologica, os veículos elétricos (figura 1) e híbridos não são uma novidade no mercado automobilístico. Já foram considerados grandes concorrentes dos veículos movidos a combustíveis fósseis (FEREGUETTI, 2020). Figura 1 – automóvel elétrico antigo. Fonte: Engenharia 360, 2020 O ponto de partida deu-se em 1828, quando o engenheiro físico húngaro Anyos István Jedlik criou o primeiro tipo primitivo de motor elétrico e um modelo pequeno de automóvel nutrido pelo seu novo motor. Todavia, quem recebe o título do primeiro carro elétrico é o americano Thomas Davenport, que foi criado em 1834 instalando seu novo motor a um veículo pequeno, que foi operado pelo próprio em uma pista curta elétrificada circular recebendo, assim, a primeira patente americana 5 do motor elétrico de corrente contínua. Não era, de fato, um carro elétrico, mas ajudou a desenvolver o bonde elétrico (VAZ, 2018). No ano de 1835, o professor Sibrandus Stratingh em Groningen, Holanda e seu assistente Christopher Becker criaram um carro elétrico de pequeno porte, movidos a pilhas não recarregáveis (VAZ, 2018). Entre os anos de 1832 e 1839, um escocês Robert Anderson desenvolveu uma carruagem elétrica (figura 2) que utilizava uma bateria recarregável que era nutrida por um pequeno motor elétrico, tornando assim o veículo pesado, caro e sempre precisando ser recarregado (FEREGUETTI, 2020). Figura 2 – carruagem elétrica. Fonte: Engenharia 360, 2020 Uma contribuição muito importante para que fosse possível o surgimento do carro elétrico, veio da França por Raymond Gaston Planté em 1859 que inventou a primeira bateria recarregável de chumbo ácido, onde foi bastante comercializada e por este motivo, em 1881 Camille Faure aperfeiçoou este modelo de bateria, sendo também implantada em veículos elétricos e utilizada para alimentar submarino e iluminar a cidade de Paris. (COSTA, 2018). Entre os anos de 1880 e 1890, o norte-americano William Morrison, que se esforçou muito e consegui criar modelos diversos de veículos elétricos. Sendo assim, em 1899, Thomas Edison quando começou a trabalhar com materiais, também se envolveu na criação desses carros. Em 1900, nos Estados Unidos, os carros elétricos representavam um terço do total de veículos. Eram automóveis mais 6 silenciosos, fáceis de manusear, todavia, sendo um de seus maiores problemas: a baixa eficiência e capacidade de carga das baterias. Nos Estados Unidos, em 1996, a GM lançou o primeiro carro elétrico com produção em massa, não obtendo muito sucesso e sendo vendidos apenas 1000 exemplares (SILVA, et al, 2011). No Brasil, o primeiro carro elétrico foi desenvolvido em 1965, por um mecânico autodidata de São Paulo chamado Mauricio Lorensini, que não obteve tanto sucesso em sua criação. Contudo, em 1974, o primeiro carro elétrico foi produzido em massa no Brasil e apresentado no Salão do Automóvel e comercializado em 1981 e 1982 (ENOSHITA, et al, 2018). Desta forma, Ferdinand Porsche apresentou ao mundo, em 1899 a 1901, o primeiro modelo de carro híbrido, que seria um marco para a produção dos automóveis movidos a combustíveis fósseis junto aos veículos com motores elétricos, onde este novo modelo traria maior potência e flexibilidade se comparados aos veículos puramente elétricos (FEREGUETTI, 2020). Porém, a produção dos veículos híbridos na época, foi parada pela estrutura precária das cidades que não proviam as necessidades da sociedade, havendo também uma grande descoberta de novos poços de petróleo nos Estados Unidos e que foi decisivo para que os veículos híbridos mantivessem em declínio de produção e comercialização por décadas, acendendo assim uma retomada de sua fabricação somente no final do século XX, sendo um dos principais motivos para esta ascensão foi o apelo da sociedade pelas questões ambientais, que estava cada vez mais firme no final do século XX, onde os veículos convencionais eram vistos como os principais responsáveis pela emissão de gases poluentes (COWAN e HULTÉN, 1996). Contudo, a partir do século XXI, cresce a necessidade de melhorias no que diz respeito às questões ambientais em conjunto com o melhor aproveitamento das fontes de energia renováveis, fazendo com que houvesse a substituição das frotas de automóveis nos Estados Unidos e em vários países europeus, onde alguns governos até levantaram campanhas para incentivar a compra de veículos elétricos pela sociedade, chegando a estipular prazos para a substituição dos veículos convencionais para amenizar os problemas causados por esses veículos à combustão interna, devido aos danos causados ao meio ambiente (IEA, 2013). 7 3 CONCEITO E DEFINIÇÃO Existem atualmente diferentes tipos e métodos da utilização dos motores elétricos em automóveis, gerando assim dois tipos diferentes de veículos: os elétricos e os elétricos híbridos. 3.1 Veículos Elétricos (EV) Os veículos elétricos, na sigla em inglês Electric Vehicles (EV), são definidos como veículos automotores que utilizam no mínimo um motor elétrico para a propulsão, que se diferenciam dos automóveis convencionais que se utilizam de um sistema de combustão interna (INEE, 2013). Por conta de quase não emitir poluentes atmosféricos na sua utilização, os veículos elétricos fazem parte do grupo “emissão zero”. Essa classe usa um conjunto de baterias recarregáveis partindo da rede elétrica ou uma fonte externa de energia que fornece ao motor para a locomoção do veiculo, podendo ser do tipo plugin ou não (INEE, 2013). A capacidade do motor de gerar trabalho pode chegar a 80%, tornando-os muito mais eficientes do que os veículos convencionais à combustão interna, que possui uma eficiência enérgetica entre 12% e 18% (DELGADO, 2017). Uma grande consequência da utilização deste tipo de veículo, é a diminuição na dependência de combustíveis fósseis, que no caso é o petróleo. Em decorrência disso, diversos governos de várias regiões estão investindo muito neste modelo de mobilidade, onde entre 2014 e 2016 a quantidade de EVs duplicou. Este aumento no país deu-se por conta do reflexo da participação no mercado em sete países, onde a Noruega possui 23%, na Holanda 10% e os outros cinco países (Suécia, Dinamarca, França, China e Reino Unido) possui sua participação um pouco acima de 1% (DELGADO, 2017). Atualmente, os EVs tem como principais componentes o motor elétrico, uma bateria e um controlador, também chamado de conversor (figura 3). A bateria dispõe da função de armazenar a energia química convertendo-a posteriormente em energia elétrica, e o motor elétrico por sua vez, transforma em enérgia mecânica, possibilitando o movimento do automóvel. Já o controlador tem a função de regular o fluxo e energia que é enviado para o motor, regulando assim, a velocidade da roda e sua direção (INEE, 2013). 8 Estes veículos puramente elétricos podem adquirir a eletricidade através de células de hidrogênio que são transformados em eletricidade ou diretamente de uma rede elétrica. A vantagem é possuir uma maior autonomia, com menos bateria. Contudo, os veículos que recarregam diretamente na rede elétrica são mais baratos, com menos componentes e um custo mais baixo de recarga.4 Além desses componentes, um EV pode conter um inversor que transforma uma corrente contínua em corrente alternada, pois as maiorias dos EVs possuem as baterias de corrente contínua e os motores de corrente alternada, sendo necessário, assim, um inversor entre esses dois componentes e freio regenerativo que pode resgatar uma parcela daenergia cinética durante o freio e a desaceleração, permitindo seu armazenamento em forma de energia elétrica, que é utilizada para tracionar o veículo pela ação do motor elétrico. O gerador reaproveita a energia que seria dissipada na frenagem na forma de energia elétrica, recarregando a bateria (FARIAS, 2019). Figura 3 – composição básica de um veículo elétrico. Fonte: U.S. Department of Energy, 2015. 3.2 Veículos elétricos híbridos (HEV) O HEV, em inglês Hybrid Electric Vehicle, é uma combinação de duas fontes de energias diferentes com o intuito de mover o sistema de propulsão: uma fonte de combustível para nutrir um motor a combustão interna e um conjunto recarregável de armazenamento de energia que são utilizados por baterias ou ultra capacitores 9 (RESS). Para abastecer o motor elétrico, é importante que o mesmo seja carregado por um sistema de propulsão híbrida, enquanto estiver em movimento ou até mesmo uma fonte externa de energia. O objetivo desta tecnologia é aproveitar o que cada propusor tem de melhor para gerar, no final, uma eficiência melhor no veículo (ESTADÃO, 2020). Contudo, os carros híbridos no Brasil estão ficando cada vez mais acessíveis se comparado aos que são puramente elétricos. Isso ocorre por conta do preço oferecido no mercado automobilístico., fazendo com que as vendas tivesse uma ascenção de 373 unidades para 1,6 mil entre 2019 e 2020 (ESTADÃO, 2020). Os HEVs (figura 4) funcionam com dois tipos de motores: um totalmente elétrico e um segundo movido a combustão, seja a gasolina ou o etanol. As utilizações mais comuns nos híbridos são os motores atuarem no eixo dianteiro, existindo também aqueles que se valem dos motores no eixo traseiro para gerar uma tração integral e dispensar a utilização do cardã, que aumenta a perda mecânica e o consumo (ORÉFICE, 2019). Figura 4 – componentes básicos dos carros híbridos. Fonte: Making in Green. Sendo assim, cada motor trabalha de forma diferente. O que possui como fonte a combustão tem como função movimentar o veículo principalmente quando existe uma elevada solicitação de torque e de potência onde demanda situações de aclives e de altas velocidades (ORÉFICE, 2019). 10 Segundo Orikassa (2019), a combustão entra em atividade até com o carro em movimento ou parado ajudando a recarregar a energia, quando o sistema central do veículo reconhece que as baterias do motor elétrico estão baixas. Um dos principais componentes de um veículo híbrido é o gerador. Este item tem como função transformar a energia cinética proveniente do motor a combustão interna em energia elétrica, que será utilizada pelo segundo motor. Esta transformação ocorre sempre nas frenagens ou quando o carro esta em movimento, porém sem aceleração (ESTADÃO, 2020). Segundo Edson (2019), quando se fala em potência, os veículos híbridos possuem uma condição que os motores não trabalham com potência máxima, ou seja, a força que o HEV pode chegar é simplesmente uma estimativa feita partindo do funcionamento no qual os motores trabalhariam no seu modo máximo de eficiência. Desta forma, os carros híbridos possuem capacidade de rodar na cidade apenas com o motor elétrico, gastando quase nada de combustível, só solicitando a ação do motor a combustão apenas quando o caro acelera ou a bateria termina. 4 TIPOS E CLASSIFICAÇÃO Os EVs podem ser de quatro tipos diferentes. O primeiro refere-se aos puramente elétricos (BEVs, da sigla em inglês para Battery Electric Vehicles), onde sua principal fonte de energia é a eletricidade que vem de fontes externas como uma rede elétrica, por exemplo. A eletricidade que alimenta o automóvel é armazenada em uma bateria interna que por sua vez nutri o motor elétrico fazendo com que o carro de movimente. Estes tipos de veículos que utilizam exclusivamente a eletricidade são considerados veículos all-electric. Todos os BEVs são plug-in electric vehicles (PEV), pois quando a eletricidade fornecida é de uma fonte externa dar-se o nome de plug-in que significa “ligado na tomada” (DELGADO, 2017). Incluso nos chamados PEVs, existem alguns EVs híbridos, que são classificados em série que utiliza apenas o motor elétrico para movimentar o carro, enquanto o motor a combustão tem a função de fornecer eletricidade ou motor elétrico, em paralelo que utiliza os dois motores para a propulsão e o misto (figura 7) que é a combinação do sistema em série e em paralelo (DELGADO, 2017). 11 Desta forma, os elétricos híbridos possuem três tipos: híbrido puro, híbrido plug-in e híbrido de longo alcance. 4.1 Veículos elétricos movidos a célula de hidrogênio (FCEV) O FCEV, Fuel Cell Electric Vehicle, é movido com a combinação de hidrogênio e oxigênio com o objetivo de produzir a eletricidade que fará o motor funcionar. A transformação do hidrogênio em eletricidade produz somente água e calor como produto final, ou seja, não possuem emissão de escape. O FCEV possui uma autonomia similar aos veículos convencionais a combustão interna, superando assim a maioria dos EVs. A vantagem desta maior autonomia gerada pelas células de hidrogênio torna este modelo mais apropriado para utilização em veículos que percorram longas distâncias e para consumidores que não possuem o sistema de plug-in na residência (DELGADO, 2017). 4.2 Híbridos puros (HEV) O HEV, que vem da sigla em inglês Hibrid Electric Vehicle, tem como principal motor o movido a combustão interna (figura 5). O motor elétrico possui a função apenas de melhorar a eficiência do motor que esta sendo utilizado, para fornecer tração de baixa potência, tornando-o um híbrido em paralelo, onde a eletricidade fornecida para o motor elétrico vem de um sistema de frenagem regenerativa do veículo, ou seja, não pode ser carregado por uma rede elétrica externa (THEOTONIO, 2018). Figura 5 – híbrido puro de acordo com sua arquitetura. Fonte: ALPEN,2017 12 4.2 Híbridos Plug-in (PHEV) O PHEV, do inglês Plug-in Hybrid Electric Vehicle, tem o motor principal também à combustão interna, diferenciando do híbrido puro no que diz respeito ao recebimento de eletricidade que pode ser através de uma fonte externa. Assim como o HEV, o PHEV (figura 6) é um híbrido em paralelo utilizando também combustíveis fósseis ou bicombustíveis. Se comparado com o BEV, o PHEV possui uma melhor autonomia (THEOTONIO, 2018). Figura 6 – híbrido plug-in de acordo com sua arquitetura. Fonte: ALPEN,2017 4.3 Híbridos de longo alcance (EREV) O EREV, do inglês Extended Range Electric Vehicle (figura 7), é um híbrido em série onde o motor principal é o elétrico que é nutrido de energia elétrica de fonte externa, onde o motor a combustão interna tem a função de fornecer energia a um gerador que, por sua vez, tem a função de manter um nível mínimo de carga na bateria, tornando-o um veículo de longo alcance (THEOTONIO, 2018). Figura 7 – híbrido de longo alcance de acordo com sua arquitetura. Fonte: ALPEN,2017 13 5 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS EVs e HEVs Apesar de muito confortáveis e extremamente benéficos para o meio ambiente, os veículos elétricos (EVs) possuem uma enorme desvantagem que é o os preços altos no mercado (SOUZA, 2021). Importante não confundi-los com os carros híbridos (HEVs) que possuem dois meios de propulsão, sendo um movido a combustão e o outro elétrico. Sendo assim, o presente item tem como objetivo firmar uma comparação (quadro 1) entre as principais vantagens e desvantagens decorrente da obtenção dos veículos elétricos e híbridos (MAPFRE, 2022) Quadro 1 – vantagens e desvantagens dos veículos elétricos e híbridos Veículos Elétricos (EVs) Veículos Híbridos(HEVs) Vantagens Zero emissão de gases poluentes; Baixo ruído; Desempenho comparado a veículos esportivos; Construção simplificada, pois não tem sistema em paralelo; Alta dedicação das fabricantes para elevar a autonomia das baterias e reduzir tempo de recarga. Maior autonomia que os veículos 100% elétricos: o motor a combustão interna, além de mover o carro, funciona como gerador para as baterias; Dispensa infraestrutura para recarregar as baterias; Gerenciamento da unidade elétrica em conjunto com o motor a combustão interna; Já fabricado no Brasil. Desvantagens Baixa autonomia das baterias. Apenas nos modelos 2020, a autonomia já chega a cerca de 500 km; Dependente da implantação de uma infraestrutura para recarga dos veículos nos prédios, cidades e principalmente nas estradas São veículos mais pesados, em comparação com os convencionais; Preço alto devido à importação; Vida útil das baterias chega há seis anos, mas o custo corresponde a cerca de 30% do valor do veículo. Emite gases poluentes; Maior complexidade de manutenção, por trabalhar com dois sistemas de propulsão; Maior peso do veículo em comparação aos convencionais; Complexo sistema para gerenciar a potência transmitida às rodas. Fonte: Elaboração própria – adaptado de Óleo Certo. 14 6 IMPACTOS AMBIENTAIS As preocupações com a mudança climática e o aquecimento global fez com que grande parte dos países no mundo adotassem a formulação do Acordo de Paris, incluindo os Estados Unidos da América e a China, considerado os principais países em emissão de Gases de Efeito Estufa – GEE (DELGADO, 2017). O que o Acordo de Paris trás é que o mundo esta disposto a transformar a maneira de consumir e transformar a energia, investindo nas fontes renováveis e em tecnologias, transformando a geração e o consumo cada vez mais sustentáveis. Sendo assim, retirar o excesso de carbono do setor de transporte se torna fundamental para atingir o objetivo, já que, como mostra a figura 8, é o setor que mais emite gases de efeito estufa após o setor de Eletricidade/Calefação (DELGADO, 2017). Figura 8 – emissões de GEE por setor no mundo, 2013. Fonte: FGV Energia, 2013. Um relatório do Grupo de Trabalho III, lançado no dia 4 de abril de 2022, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climaticas (IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change), indica que as emissões de gases globais devem atingir o seu pico em 2025 e supostamente cair pela metade em 2030, limitando assim o aquecimento em 1,5°C. Ou seja, tem-se menos de três anos para o mundo reduzir as emissões globais e evitar um aumento significativo da temperatura. De acordo com o secretário-geral nas Nações Unidas, António Guterres, este relatório é 15 veridico e condenatório onde mostra diversas enumerações de promessas climáticas que não foram cumpridas. A emergência climática com qual o mundo se encontra exige uma redução substancial do uso dos combustíveis fósseis, da preservação das florestas, uso de energias renováveis e o uso de combustíveis alternativos, como o hidrogênio. A nova edição do relatório concentra-se em medidas para reduzir os impactos da crise climática, principalmente para os países do sul que já enfrentam riscos extremos. De acordo com o IPCC (2022), a temperatura global estará estabilizada quando as emissões altingirem zero líquido, ou seja, para 1,5°C significa atingir o zero líquido até o início de 2050. Para 2°C no início dos anos 2070. Segundo a diretora de Clima do WRI Brasil, Carolina Genin (2022), não se pode ter um cenário de 1,5°C sem a Amazônia. No Brasil, o desmatamento é a principal causa de emissões de gases de efeito estufa. Para o Brasil, desenvolver soluções tecnológicas para retirar CO2 da atemosfera é algo caro e não faria sentido, pois temos as florestas, a melhor alternativa natural e de baixo custo para a captura e armazenamento de carbono (GENIN, 2022). Sendo assim, dada a extrema importância ao setor de transporte neste relevante passo para a redução na emissão de carbono, é que os carros elétricos e híbridos estão sendo fabricados e a cada dia criando forças no mercado automobilístico. Isso se dá ao seu importante papel na transição energética nesta nova economia (SANCHES, 2021). Para fazer com que a diminuição de carbono seja necessária no setor, para que até o final do século não haja um aumento de temperatura em 2°C, a figura 9 traz projeções da International Energy Agency (IEA), onde o teor de descarbonização do setor de transporte deve ser de 18% até o final de 2050. Dentro deste cenário, existe a participação dos carros elétricos e híbridos necessários para a limitação do aquecimento global (VONBUN, 2015). Análisando de uma forma superficial, acredita-se que os veículos elétricos e híbridos poluem bem menos devido ao menor uso de combustíveis, que por consequência, gera menos emissões de gases poluentes durante o uso. A redução nas emissões de gás carbônico se mostram um benefício incontestável. Porém, uma análise mais abrangente se mostra obrigatória para descobrir se veículos elétricos 16 têm menor impacto ambiental de fato. Ou se o que sabemos se trata apenas de propaganda enganosa (DUARTE, 2022). Uma pesquisa feita aponta que um veículo elétrico com uma bateria de médio porte emite, ao longo de sua vida útil, de 60% a 68% menos carbono se comparado ao motor de combustão interna (FERREIRA, 2022) Figura 9 – redução das emissões por setor até 2050. Fonte: FGV Energia, 2017. Aferir todo o impacto de sua fabricação, operação e descarte, incluindo as emissões de poluentes, a extração das matérias-primas, processos de manufatura, uso de combustíveis fósseis, impactos para a produção de energia elétrica, manutenção e reparação e até o descarte, aferindo todo o ciclo de vida útil do produto. Apenas desta forma pode-se descobrir se os modelos “a bateria” são mesmo ecologicamente corretos, como alardeiam seus defensores (VONBUN, 2015). Acredita-se que esse valor aumente a medida em que mais eletricidade renovável for usada tanto no processo de produção quanto no descarte dos componentes. Este estudo abrange e compara as emissões de carbono, durante toda a sua vida útil, de veículos dos Estados Unidos da América (EUA), China, Índia e Europa dos dias atuais até 2030. Desde os processos de fabricação, reciclagem até o descarte dos componentes utilizados. A pesquisa abrange os seguintes tipos: híbridos plug-in (PHEV), híbridos elétricos (HEV), elétricos com bateria (BEV) e os a 17 hidrogênio, movidos a células de combustível (FCEV), e também as emissões de carbono de diversos tipos de combustíveis fósseis, biocombustíveis, hidrogênio, eletricidade e e-combustíveis. Outros aspectos que compõe este estudo é o consumo de enérgia e combustível real no mundo, sendo de extrema importância para os híbridos plug-in e levando em consideração que a produção de energia deve ser cada vez mais limpa ao longo do tempo (FERREIRA, 2020). Os resultados deste estudo apontam que, considerando todo o processo de vida útil, um elétrico utilizado na Europa emite entre 66% a 69% menos carbono do que um carro movido a gasolina. Já nos EUA, o intervalo é um pouco menor, entre 60% e 66%. A China e a Índia possuem proporções bem menores (37% a 45% e 19% a 34% respectivamente) provando, mesmo assim, que os veículos elétricos são menos poluentes que os de combustão interna. Em relação a 2030, o estudo prevê números ainda mais promissores, onde teremos na Europa diferença de 70%, nos EUA de 62% a 72%, podendo chegar a 64% na China e 56% na Índia, isso se os programas de descarbonização forem cumpridos. Em relação aos veículos movidos a hidrogênio, atualmente possui de 26% a 40% menos emissão de poluentesse comparados aos movidos a gasolina. No que tange os carros híbridos, os números não são muito promissores. De acordo com a análise de Bieker, os híbridos não chegam nem a 20% menos emissão se comparado aos veículos a combustão interna. Na China e na Europa, os híbridos plug-in não chegam a 30%, chegando a ficar entre 42% e 46% nos EUA. Na Índia, a quantidade de carros híbridos plug-in não são expressivos. O autor do estudo ainda diz que para atingir as metas do Acordo de Paris “o registro de novos veículos com motor de combustão deve ser eliminado no período de 2030-2035”. Nem mesmo a introdução de novos biocombustíveis conseguiria manter os motores a combustão vivos (FERREIRA, 2020). Desta forma, diversas montadoras em todo mundo estão investindo em tecnologias para os carros elétricos e híbridos, com a justificativa de serem alternativas mais limpas se comparar aos veículos movidos a combustíveis fósseis. Por muitos ainda se perguntam se realmente os carros elétricos e híbridos são, de fato, a alternativa mais limpa, a Volvo Cars realizou também um estudo com três de seus modelos (C40, modelo 100% elétrico desde seu projeto, o XC40 T5, SUV movido a gasolina, e o XC40 Recharge Pure Electric (figura 10), modelo originário de 18 XC40 a combustão, mas que ganhou versão elétrica) sendo divulgado na Europa. Para realizar a pesquia, a Volvo não analisou as questões voltadas a emissão de derivadas de cada automóvel, ou seja, observando apenas o processo da extração de matéria prima para a fabricação, os métodos de produção, a logística, ciclo de utilização, descartes dos lixos e resíduos. Sendo assim, a Volvo Cars constatou através da pesquisa que para produzir o veículo totalmente elétrico, são emitidos mais de 60% de CO2 se comparado com os movidos a combustão interna. A produção do XC40 T5 , por exemplo, emite mais de 14 toneladas de CO2 enquanto a versão elétrica do mesmo, chega a emitir 24 toneladas de CO2 onde dessas 24 toneladas, 7 delas são provenientes da produção de baterias (SANTANA, 2021). Figuar 10 – Volvo XC40 Recharge puro elétrico. Fonte: Garagem 360, 2021 Para fins de comparação, os materiais que mais poluem na produção de um Volvo XC40 a combustão são: aço e ferro (35%), alumínio (34%), componentes eletrônicos (13%), plásticos (11), fluidos (2%), pneus (1%), outros materiais (2%). Em relação ao seu mesmo modelo, porém elétrico os valores são: alumínio (29%), baterias de íons de lítio (29%), aço e ferro (19%), componentes eletrônicos (9%), plástico (7%), fluidos (2%), pneus (1%) cobre (1%), outros materiais (2%) (SANTANA, 2021). A Volvo também apurou que, se o carro elétrico for carregado por meio de energia limpa, como por exemplo fontes eólicas e solares, o modelo da empresa emitirá apenas 0,4 toneladas de CO2 após 200 mil km rodados. Durante esse 19 mesmo tempo, o carro movido a combustível emite em média 43 mil toneladas de poluentes, ou seja, o estudo da Volvo mostra que, após 49 mil km rodados, o modelo elétrico compensaria as emissões geradas a mais na sua produção. No entanto, caso a fonte de energia de carro elétrico seja mista, ou seja, 60% de fontes como usinas de carvão, gás e petróleo, e apenas 40% de uso de energia limpa, como as hidroelétricas, o modelo compensaria a produção após 109 mil km rodados. 6.1 Produção, descarte e reciclagem das baterias Um dos maiores problemas dos carros elétricos e híbridos são as baterias. O material mais predominante na sua fabricação, atualmente, é o lítio onde esses modelos utilizam uma maior quantidade de cobre se comparado aos modelos convencionais. Já os modelos plug-in, deve ser considerado o impacto ambiental de sua produção e das matrizes do país onde circulam, já que são carros que possuem tomadas de rede elétrica (GUERRA, 2018). A produção das baterias e dos sistemas elétricos dependem muito da mineração. Estes metais são obtidos do meio ambiente através da mineração que gera fortes impactos ambientais: desmatamento, danos a flora e a fauna, desertificação, contaminação do solo com materiais tóxicos, as condições de trabalhos que são insalubres nas mineradoras, construção de barragens, mudança do curso de rios, dentre tantos outros danos. Durante sua fabricação, os materias são submetidos a vários processos químicos, gerando assim, diversos resíduos (GUERRA, 2018) A empresa Tesla, empresa de veículos elétricos de Elon Musk, fechou um acordo com a mineradora brasileira Vale para o fornecimento de uma das matérias- primais mais importantes na fabricação da baterias: o níquel. O contrato será à longo prazo. Para obter exito neste propósito, a empresa Tesla, terá que entrar pro ramo da mineração e refino em alta escala, pois segundo Elon Musk, a cotação para a matéria-prima está fora de controle. De acordo com Musk “não há falta do produto, já que o lítio está em quase todas as partes da Terra, mas o ritmo de extração e refino é lento” (MANEGUETTI, 2022). A maior produção de níquel da mineradora Vale encontra-se no Canadá. Estima-se que a produção da compahnia chega, em média, a 190 quilotoneladas de níquel. Atualmente, em torno de 5% do níquel da mineradora é vendido para o 20 mercado de veículos elétricos, com uma meta de aumento neste valor de 40% em médio prazo (MANEGUETTI, 2022). A preocupação da empresa Tesla no fornecimento do níquel vem desde 2021, visto que, dado a demanda crescente pode ser muito maior que a oferta em um futuro muito próximo, com uma estimativa de crescimento 19 vezes maior até o ano de 2040, porém especialistas já cogitam a escacez do níquel a partir de 2026 (MANEGUETTI, 2022). Mais uma preocupação em relação ao fornecimento do metal, se dá por conta dos conflitos que surgiram no Leste Europeu. A Rússia possui 17% da capacidade de níquel refinado Classe 1 no mundo, que é um níquel de alta pureza e baixo carbono, sendo utilizado nas baterias dos carros. O preço do referido metal já estava alto, porém veio se elevando e passa dos 100 dolares devido ao surgimento da guerra. O preço atual voltou a baixar, porém no primeiro trimestre de 2022 o níquel subiu 60%. Sendo assim, com cenário para a obtenção do metal pouco promissoer, a Tesla quer garantir o seu fornecimento para poder dar impulso e aumentar a produção dos veículos elétricos em 50%, e a Vale pode ser muito importante neste cenário. Em média, 70% da produção de níquel da Vale é do tipo classe 1, deixando em primeiro lugar global na produção deste tipo de metal (MANEGUETTI, 2022). Sendo assim, com a crescente frota de carros elétricos e híbridos, que hoje somam quase 13 milhões e com uma crescente elevada, surgi uma enorme preocupação em relação a como reciclar seus materiais, em especial as baterias sem que afete o meio ambiente (CARDOSO, 2018). Pensando no futuro bem próximo, a Nissan anunciou uma grande fábrica mundial para análisar, reciclar e reutilizar as baterias utilizadas em seus carros elétricos. A fábrica estará localizada no leste do Japão, na cidade de Namie. Esta iniciativa gera grandes oportunidades de emprego, preservará o meio ambiente e irá reerguer também a economia local já que a cidade onde a fábrica sera instalada foi devastada por um tsuname em 2011 (GALVÃO, 2021). Os descartes das baterias funcionará em conjunto, a Nissan com a empresa Sumitomo, que criaram a empresa 4R Energy. As duas empresas, em conjunto, farão com que as baterias cheguem até a fábrica, onde um sistema desenvolvido pela nova empresa, irá medir o desempenho das baterias de um modo geral e dos 21 módulos individuais, podendo assim avaliar quais os componentes e os subcomponentes podem ser reutilizados ou reciclados (GALVÃO, 2021). No Japão, as regras para este tipo de inspeção são muito rigorosas quando os veículos são antigos. A partir de cincoanos de uso, é mais barato descarta-los do que mantê-los nas ruas, ou seja, a frota Leafs (figura 11) veículos elétricos lançados pela Nissan em 2011, em breve serão desmontados (GALVÃO, 2021). Já a Tesla, tem planos de reciclar todas as células de módulos das baterias de seus carros elétricos, evitando assim que as baterias parem em aterros e que haja o desperdicio de materiais valiosos transformando, assim, os componentes e acessórios em novos produtos. Para atingir esse objetivo, a Tesla conta com sua subsidiária Gigafactory que vem fazendo parcerias nos locais onde seus carros são vendidos (GALVÃO, 2021). Figura 11 – carro Leafs lançado pela Nissan em 2011 Fonte: IG Carros 7 IMPACTOS ECONÔMICOS De acordo com Christian Vonbum (2015), existe uma linha de pesquisa que estima a demanda pelos carros elétricos e híbridos e o que motivou o início desta pesquisa é a importância de se ter em mente que fornecendo benefícios melhores e mais claros os consumidores vão migrar para a nova tecnologia, o que deixa ainda mais evidente a busca pelas mesmas, que tragam esses benefícios financeiros para os usuários. 22 Uma pesquisa feita por Zito e Silva (2004) por meio de questionários, foi estimada a demanda dos consumidores italianos pelos carros elétricos, dados os preços e os custos operacionais, colocando em evidência os fatores famíliares, como distância percorrida, número de carros a família, existência de garagens, dentre outros fatores. Ditando suas preferência, constatou-se que o que impede a aquisição dos veículos elétricos é o elevado custo nas baterias, pois, encarece os custos de mautenção que tem sua durabilidade limitada. Os autores salientam que os carros elétricos possuem características que deixam mais adequados o seu uso para áreas urbanas diárias e com trajetos curtos, ou seja, os elétricos podem ser a solução viável em alguns cenários. Contudo, o alto preço e o baixo incentivo que foi percebido na Ítalia inviabiliza muito a estimativa dos EVs. Ainda assim, foi constatado uma grande disposição dos intrevistados em pagar pelos veículos elétricos e pelos benefícios ambientais que os mesmos trazem que é um fator fundamental para sua entrada no mercado. Já para o Brasil, Baran (2012) desenvolveu uma excelente resenha literária sobre a aquisição dos carros elétricos e híbridos plug-in tomando como base modelos de alta tecnologia de saturação de frota, bem como dados referentes a idade da frota e a estimativa de sua expansão. Os resultados referente ao consumo energético dos PHEVs, estima que em 2031 a frota de veículos híbridos estará entre 13,6% e 37,4%. Já, se tratando do consumo de gasolina, estaria entre 59% e 86%, onde os veículos convencionais continuariam a dominar o mercado e oconsumo de enérgia elétrica estaria em um acréscimo entre 14% e 42,1%, dependendo do cenário. Segundo análises da FGV Energia (2017), para os donos dos veículos elétricos há uma dininuição considerável no custos relacionados a manutenção, já que os EVs não possuem muitas partes móveis não havendo também desgastes que ocorrem em carros movidos a combustão interna. O custo de manutenção de um veículo elétrico é 28% mais baixo se comparado a um veículo convencional, devendo assim cair ainda mais com a evolução tecnologica. Os custos para abastecimento (tabela 1) também são menores: o que se gasta abastacendo um veículo elétrico é muito menor do que um carro abastecido com gasolina ou com etanol (NEOCHARGE, 2022). 23 O usuário possue também outras diversas vantagens: o carro elétrico é mais silencioso e possue muito mais torque que um veículo convencional, ofertando uma viagem mais agradável (CHRISPIM, 2017). Tabela 1 – custos de reabastecimento e recarca. CARRO A COMBUSTÃO CARRO ELÉTRICO Distância percorrida 15.000 Km 15.000 Km Consumo 10 Km/ litro 8 Km/ kWh Preço do combustível / energia (março de 2022) R$ 7,10 por litro R$ 0,86 por kWh Gasto Total R$ 10.650,00 R$1.612,50 Fonte: elaboração própria – adaptado de NeoCharge, 2022. 7.1 Comparação de custos entre os EVs e os carros a combustão Para um comparativo mais confiante e próximo da realidade, foi feito um estudo por Santos (2017) onde dois modelos de carro da Renault com estruturas e características semelhantes foram comparados: um modelo Zoe (elétrico) e um modelo Sandero (combustão). A tabela 2 mostra o comparativo de despesas com a manutenção de cada veículo. Tabela 2 – comparativo de custos. Fonte: elaboração própria – adaptado de UFOP,2017. Os preços sugeridos pelos fabricantes (figura 12) isto é, pré-subsídios de obtenção, de alguns modelos nos Estados Unidos mostra uma relação bem positiva entre os preços e a autonomia, onde mostra que nos últimos anos dois modelos elétricos anunciados em 2015 (Chevrolet Bolt e Tesla Model 3) possem autonomia ENERGIA MANUTENÇÃO ALUGUEL DE BATERIA Sandero R$ 4.076,16 R$ 939,96 - Zoe R$ 1.376,52 R$ 610,92 R$ 367,29 Economia / ano R$ 2.699,64 R$ 329,04 - R$ 367,29 Economia total / ano R$ 2.661,39 24 maior e preços reduzidos, o que conclui uma era mais eficiente e acessível dos veículos elétricos (DELGADO, 2017). Figura 12 – relação preço-autonomia de alguns modelos Fonte: FGV Energia, 2017 . 25 CONCLUSÃO Os veículos elétricos e híbridos estão longe de ser uma novidade na indústria automobilística, tonando-se mais forte nos próximos anos. Contudo, a crescente preocupação por parte da sociedade no que diz respeito as pautas no âmbito ambiental, social e econômico gera a necessidade de melhorias em aspectos importantes principalmente dentro do Brasil. Desta forma, um novo mercado se abriu e tem se desenvolvido de forma intensa, e as novas mudanças relacionadas ao novo contexto de mercado, trouxe dentro do cenário automobilístico nacional uma necessidade de suprir as novas demandas dos veículos elétricos e híbridos com relação às tecnologias existentes e aquelas que deverão ser agregadas a esses modelos. Neste cenário, a tecnologia não esta isenta de grandes desafios, como por exemplo os custos das baterias, a sua vida útil e os grandes impactos sobre a elétricidade bem como a sua viabilidade ambiental e econômica depender da geração de energia elétrica e seus preços relativos se comparados com a gasolina. Fica bem claro, assim, a necessidade de melhorias na tecnologia das baterias que são pesadas, caras e de densidade enérgetica baixa, se comparadas aos veículos movidos a gasolina, e com uma segurança e durabilidade instavél. Em relação as recargas dos carros, além de precisar de melhorias e de grandes investimentos nas redes elétricas para prover as demandas, deve-se melhorar também a autonomia e a eficiência das baterias, que segue sendo um grande impecilho para a indústria dos carros elétricos. Fica evidente que, além da questão ambiental que tem como justificativa para incentivar os veículos elétricos, existe também um interesse em realizar a renovação da indústria automobilística, com o intuito de torna-se novamente um segmento global. Todavia, os setores afetados pela criação do carro elétrico - energético, ambiental, automotivo e econômico – possuem diversos impactos, como mostrado nos dados. No setor ambiental, os veículos elétricos traz a questão da descarbonização , sendo a fonte elétrica de abastecimento renovável. Por outro lado, a exploração da matéria-prima, como o lítio, advem da mineração e que precisa ter uma atenção maior no que tange os impactos no meio ambiente. Para o setor automotivo, a volta mais tecnologica dos carros elétricos, representa uma real 26 transformação do produto ofertado por esta indústria. E no setor econômico, mostrou-se ainda mais viável no que diz respeito ao seu reabastecimento,gerando uma economia bastante visível e significativa, se comparado ao veículo a combustão interna. Conforme os dados analisados, em média, um modelo elétrico gera menos emissões do que um veículo movido a combustão interna ao longo se sua vida útil e que se a elétricidade tiver fontes renováveis, os elétricos podem ter um amplo potencial no que diz respeito as mudanças climáticas. De uma forma geral, carros ainda continuarão sendo demandados, seja elétrico ou a combustão interna. Cabe ao setor automobilístico estudar os sinais de sua base consumidora e atender as demandas. Por fim, por todos esses aspectos, pela literatura e os dados mostrados neste trabalho, conclui-se que a expansão da produção de carros elétricos representa uma estratégia firme em relação aos carros convencionais no que diz respeito a redução das mudanças climáticas. Os desafios são grandes e envolve desde as empresas até a população como um todo, porém as soluções devem ser rápidas para que haja o desfrute de todas as vantagens que estes modelos de veículos oferecem, principalmente pelas gerações futuras. 27 BIBLIOGRAFIAS BARAN, Renato. Introdução de veículos elétricos no Brasil: avaliação do impacto no consumo de gasolina e eletricidade. Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e pesquisa de Engenharia.. Rio de Janeiro, setembro 2012. ________. 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