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Sumário 
META 1 .............................................................................................................................................................. 7 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE I) ............................................................................................. 7 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................. 8 
1.1 Acepções da palavra prova ....................................................................................................................................... 8 
1.2 Espécies de prova ..................................................................................................................................................... 9 
1.3 Terminologia da Prova............................................................................................................................................ 13 
1.4 Indícios ................................................................................................................................................................... 14 
2. OBJETO DA PROVA ...................................................................................................................................... 17 
3. PROVA EMPRESTADA .................................................................................................................................. 18 
4. PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO X TEORIA GERAL DA PROVA ..................................................... 20 
4.1 Condução Coercitiva ............................................................................................................................................... 30 
5. PROVAS INADMISSÍVEIS .............................................................................................................................. 33 
5.1 Distinção Entre Prova Ilícita e Prova Ilegítima ........................................................................................................ 34 
5.2 Teoria da Prova Ilícita por Derivação ...................................................................................................................... 38 
5.2.1 Limitações à Teoria da Prova Ilícita por Derivação .......................................................................................... 40 
META 2 ............................................................................................................................................................ 52 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE II) .......................................................................................... 52 
6. ÔNUS DA PROVA ......................................................................................................................................... 52 
6.1 Distribuição do Ônus da Prova ............................................................................................................................... 52 
6.2 Da Iniciativa Probatória do Juiz e o Sistema Acusatório ......................................................................................... 53 
7. SISTEMAS DE AVALIAÇÃO (VALORAÇÃO) DA PROVA: ................................................................................. 53 
8. CADEIA DE CUSTÓDIA DAS PROVAS ............................................................................................................ 58 
8.1 Considerações iniciais ............................................................................................................................................. 61 
8.2 Princípios da mesmidade e desconfiança ............................................................................................................... 62 
8.3 Fases da cadeia de custódia ................................................................................................................................ 63 
8.4 Quebra da Cadeia de Custódia ............................................................................................................................... 71 
9. MEIOS DE PROVA EM ESPÉCIE ..................................................................................................................... 72 
9.1 Exame de Corpo de Delito ...................................................................................................................................... 72 
9.2 Interrogatório Judicial ............................................................................................................................................ 77 
9.3 Confissão ................................................................................................................................................................ 85 
META 3 ............................................................................................................................................................ 90 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE III) ......................................................................................... 90 
9.4 Prova Testemunhal ................................................................................................................................................. 90 
9.5 Reconhecimento de Coisas e Pessoas .................................................................................................................. 106 
9.6 Busca e Apreensão ............................................................................................................................................... 110 
9.6.1. Busca Pessoal ................................................................................................................................................ 111 
9.6.2. Busca Domiciliar ............................................................................................................................................ 113 
META 4 .......................................................................................................................................................... 136 
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CRIMINOLOGIA: CONCEITO, OBJETO, MÉTODO, CLASSIFICAÇÃO DA CRIMINOLOGIA E ESTATÍSTICA CRIMINAL
 ....................................................................................................................................................................... 136 
1. CONCEITO CARACTERÍSTICAS, MÉTODO, FINALIDADE, FUNÇÕES E CLASSIFICAÇÃO DA CRIMINOLOGIA 136 
1.1 Considerações Preliminares ................................................................................................................................. 136 
1.2 Conceito ............................................................................................................................................................... 137 
1.3 Criminologia Crítica .............................................................................................................................................. 138 
1.4 Criminologia x Direito Penal x Política Criminal ................................................................................................... 138 
1.5 Características ...................................................................................................................................................... 140 
1.6 Método ................................................................................................................................................................. 143 
1.7 Funções ................................................................................................................................................................ 145 
1.8 Classificação da Criminologia: Criminologia Geral e Criminologia Clínica ............................................................ 145 
2. OBJETOS DA CRIMINOLOGIA ..................................................................................................................... 145 
2.1 Delito .................................................................................................................................................................... 145 
2.2 Criminoso ............................................................................................................................................................. 147 
2.3 Vítima – E Vitimologia .......................................................................................................................................... 148 
2.4 Controle Social ...................................................................................................................................................... 158 
3. FINALIDADE DA CRIMINOLOGIA ................................................................................................................ 159 
4. ESTATÍSTICA CRIMINAL .............................................................................................................................. 161 
4.1 Cifras ocultas/negras ............................................................................................................................................ 162 
4.2 Cifras Cinzas, Amarelas e Verdes .......................................................................................................................... 162 
4.3 Técnicas de Investigação da Cifra Negra .............................................................................................................. 165 
4.4 Prognóstico Criminológico ................................................................................................................................... 166 
META 5 .......................................................................................................................................................... 169 
DIREITO CONSTITUCIONAL: ORGANIZAÇÃO DO ESTADO .............................................................................. 169 
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 170 
1.1 Aspectos Gerais .................................................................................................................................................... 170 
2. DIVISÃO ESPACIAL DE PODER .................................................................................................................... 171 
2.1 Formas de Estado ................................................................................................................................................. 171 
3. FEDERAÇÃO ............................................................................................................................................... 173 
3.1. Conceito e Origem ............................................................................................................................................... 173 
3.2. Características essenciais .................................................................................................................................... 175 
3.3 Requisitos de manutenção ................................................................................................................................... 175 
3.4 Principais diferenças da federação para a confederação ..................................................................................... 176 
3.5 Tipos de Federalismo ............................................................................................................................................ 176 
3.6 Características do federalismo brasileiro ............................................................................................................. 178 
3.7 Estrutura do Federalismo Brasileiro ..................................................................................................................... 179 
4. ENTES FEDERADOS .................................................................................................................................... 180 
4.1 União .................................................................................................................................................................... 180 
4.2 Estados-Membros ................................................................................................................................................ 182 
4.3 Municípios ............................................................................................................................................................ 184 
5. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIA ................................................................................................................ 190 
5.1. Conceito .............................................................................................................................................................. 190 
5.2 Critérios que norteiam a distribuição de competências na CF ............................................................................. 190 
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5.3 Modelos da Repartição de Competências ............................................................................................................ 191 
6. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA CONSTITUCIONAL ........................................................................................ 191 
6.1. Classificação das competências brasileiras: ........................................................................................................192 
6.2. Requisitos para a delegação da competência legislativa privativa da união ....................................................... 192 
6.3 Alguns precedentes do STF quanto à competência ............................................................................................. 199 
7. INTERVENÇÃO FEDERAL ............................................................................................................................ 207 
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 216 
Direito Processual Penal: Provas ................................................................................................................................ 216 
Direito Constitucional: Organização Do Estado .......................................................................................................... 218 
 
 
 
 
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CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 08 
META DIA ASSUNTO 
1 SEG 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: Provas 2 TER 
3 QUA 
4 QUI 
CRIMINOLOGIA: Conceito, Objeto, Método, Classificação da Criminologia 
e Estatística Criminal 
5 SEX DIREITO CONSTITUCIONAL: Organização do Estado 
6 SÁB/DOM [REVISÃO SEMANAL] 
 
 
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META 1 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE I) 
 
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA 
CF/88 
⦁ Art. 5º, XI e XII 
⦁ Art. 5º, LV e LVI 
⦁ Art. 5º, LXIII 
⦁ Art. 93, IX 
 
CP 
⦁ Art. 65, III 
⦁ Art. 150 
⦁ Art. 342 
 
CPP 
⦁ Art. 3º-A 
⦁ Art. 3º-C, §3º 
⦁ Art. 6º, III 
⦁ Art. 155 a 250 (engloba teoria geral da prova e provas em espécie) 
⦁ Art. 260 
⦁ Art. 366 e 367 
⦁ Art. 400, 401, 406, §2º, 411, §2º 
⦁ Art. 422 
⦁ Art. 474 
⦁ Art. 532 
 
Outros Diplomas Legais 
⦁ Art. 50, §1º, 57 e 54, III, da Lei de Drogas 
⦁ Art. 7º, inc. XIX, da Lei 8.906/94 
⦁ Lei 9296/96 
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER! 
 
CF/88 
⦁ Art. 5º, XI e XII 
⦁ Art. 5º, LV e LVI 
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CPP 
⦁ Art. 3ª-A e 3ª-C, §3º 
⦁ Art. 155 a 157 
⦁ Ar. 158 a 159 
⦁ Art. 167, 168 e 169 
⦁ Art. 182 e 184 
⦁ Art. 185, caput, §§2º, 5º e 10º 
⦁ Art. 187 
⦁ Art. 197 e 200 
⦁ Art. 203, 206 e 207 
⦁ Art. 217 e 221 
⦁ Art. 239 
⦁ Art. 240 a 245 
⦁ Art. 366 
 
Outros Diplomas Legais 
⦁ Lei 9296/96 
 
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA 
Súmula 74-STJ: Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por documento 
hábil. 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
1.1 Acepções da palavra prova 
 
Conforme conceituação apresentada por Renato Brasileiro, o termo “prova” pode ser categorizado 
conforme as seguintes acepções: 
 
I- Prova como atividade probatória: conjunto de atividades de verificação e demonstração, 
mediante as quais se procura chegar à verdade dos fatos relevantes para o julgamento. Nesse sentido, 
identifica-se o conceito de prova com a produção dos meios e atos praticados no processo visando ao 
convencimento do juiz sobre a veracidade (ou não) de uma alegação sobre um fato; 
 
II- Prova como resultado: caracteriza-se pela formação da convicção do órgão julgador no curso do 
processo quanto à existência (ou não) de determinada situação fática, de acordo com os fatos alegados pelas 
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partes; 
 
III- Prova como meio: instrumentos idôneos à formação da convicção do órgão julgador. 
 
Por sua vez, os destinatários da prova, ainda conforme o doutrinador, são todos aqueles que devem 
formar uma convicção. Assim, o destinatário é o órgão jurisdicional sobre o qual recai a competência para 
julgar o delito (LIMA, 2017, p. 583). 
 
1.2 Espécies de prova 
 
a) Provas Cautelares x Antecipadas x Não Repetíveis 
 
● Provas Cautelares: Aquelas em que há um risco de desaparecimento do objeto da prova em razão 
do decurso do tempo, em relação às quais o contraditório será diferido. Podem ser produzidas na 
fase investigatória ou na fase judicial e em regra dependem de autorização judicial. Ex.: 
interceptação telefônica. 
 
● Provas Não Repetíveis: Uma vez produzidas, não podem ser novamente coletadas ou produzidas, 
em virtude do desaparecimento da fonte probatória. Podem ser produzidas na fase investigatória 
e na fase judicial e em regra não dependem de autorização judicial. Ex.: exame de corpo de delito. 
 
● Provas Antecipadas: São as produzidas com a observância do contraditório real, perante a 
autoridade judicial, em momento processual distinto daquele legalmente previsto, ou até mesmo 
antes do início do processo, em virtude de situação de urgência e relevância. É indispensável prévia 
autorização judicial e elas podem ser produzidas na fase investigatória e em juízo. Ex.: depoimento 
ad perpetuam rei memoriam (art. 225, CPP). 
 
Obs.: Não se esqueça que as provas cautelares, antecipadas e irrepetíveis são exceções ao desvalor 
probatório do inquérito policial, de modo que, quando produzidas em sede de investigação criminal, podem 
ser utilizadas para fundamentar uma condenação. 
 
b) Prova Direta x Indireta (LIMA, 2017, p. 591): 
 
● Prova Direta: Permite conhecero fato por meio de uma única operação inferencial. 
 
● Prova Indireta: Para alcançar uma conclusão acerca de um fato a provar, o juiz precisa realizar ao 
menos duas operações inferenciais. Em um primeiro momento, a partir da prova indireta produzida, 
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chega à conclusão sobre a ocorrência de um fato, que ainda não é o fato a ser provado. Conhecido 
esse fato, por meio de um segundo procedimento inferencial, chega ao fato a ser provado. 
 
c) Prova Nominada x Inominada 
 
● Prova Nominada: É aquela que tem previsão legal (o nomen iuris da prova tem previsão no CPP ou 
em legislação especial), com ou sem procedimento probatório previsto em lei. Ex.: hipóteses 
previstas nos art. 155 a 250, CPP. 
 
● Prova Inominada: É aquela que não tem previsão legal. 
 
PROVA NOMINADA PROVA INOMINADA 
É a prova prevista em lei, pouco 
importando se o procedimento está 
previsto em lei. 
 
Ex.: exame de corpo de delito (art. 157, 
CPP). 
É a prova que não possui previsão legal. De 
acordo com a doutrina, vigora no Processo Penal 
o princípio da liberdade quanto aos meios de 
prova. Assim, ainda que o meio de prova não 
tenha previsão legal, será admitido, desde que 
não seja uma prova ilícita, imoral e antiética. 
Ex.: reconhecimento fotográfico por e-mail em 
casos de estupro. 
 
d) Prova Típica x Atípica 
 
● Prova Típica: É aquela cujo procedimento está previsto no texto da lei. 
 
● Prova Atípica: É aquela que não tem procedimento probatório previsto em lei. Ex.: reconhecimento 
de pessoas - é uma prova nominada e típica. 
 
PROVA TÍPICA PROVA ATÍPICA 
É a prova que possui seu procedimento 
probatório previsto em lei. Ex.: 
reconhecimento de pessoas (art. 226 do CPP). 
 
Obs.: o reconhecimento é uma prova nominada 
(previsto em lei) e típica (procedimento 
probatório previsto em lei). 
É a prova que não possui seu procedimento 
previsto em lei. Ex.: reconstituição do crime e 
interceptação ambiental. 
 
Obs.: é prova nominada (prevista em lei) e 
atípica (procedimento não está previsto m lei). 
 
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e) Prova Anômala x Irritual: 
 
PROVA ANÔMALA PROVA IRRITUAL 
É aquela utilizada para fins diversos 
daqueles que lhe são próprios, com 
características de outra prova típica. Logo, 
existe meio de prova legalmente previsto 
para a colheita da prova, porém deixa-se de 
lado esse meio de prova para valer-se de 
outro. É prova obtida por meios ilegítimos, 
podendo caracterizar uma nulidade 
absoluta ou relativa, a depender do caso 
concreto. 
 
Ex.: a testemunha - seu conhecimento deve 
vir aos autos através de um depoimento 
prestado em juízo, e não através de uma 
mera certidão juntada aos autos, sob pena 
de violação aos princípios do contraditório 
e da ampla defesa. 
É aquela produzida sem a observância do 
modelo típico previsto em lei. É prova 
ilegítima. 
 
Ex.: reconhecimento em juízo que não 
segue o procedimento descrito no art. 226 
do CPP. 
 
 
 
Logo, enquanto a prova anômala segue o procedimento previsto em lei, embora não seja o adequado 
caso, a prova irritual é típica e desrespeita o modelo legal para a produção da prova. 
 
CAIU EM PROVA: (Delegado do Estado da Bahia 2022): Prova direta é aquela que demonstra, por si, o fato 
probando; que tem por objeto imediato a coisa que se quer verificar; prova indireta, é aquela que trata 
reflexamente do fato probando ou fato principal, mas guarda com ele estreita relação, e faz chegar a alguma 
conclusão a respeito dele, via raciocínio lógico-dedutivo – item considerado correto. 
 
PROVA DIGITAL (DIGITAL EVIDENCES) 
Atenção! Tema cobrado na prova de Delegado do Estado de São Paulo em 2022. 
 
Segundo a International Organization of Computer Evidence (IOCE), provas digitais são “informações 
transmitidas ou memorizadas em formato binário que pode ser utilizada na justiça”, abrangendo assim outras 
formas de armazenamento de dados. Podem ser classificadas, entre outros, como dados que se localizam 
armazenados em determinado suporte físico - computador, HD, pendrive, celular, entre outros -, podendo ser 
usados para indicar elementos que demonstrem a ocorrência, ou não, de determinado fato. No processo 
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penal, tem-se que as provas digitais podem ser utilizadas como fonte de prova, onde se pode extrair 
informações que venham a ser utilizadas na persecução penal. 
 
E qual a diferença para as fontes de provas tradicionais? 
Gustavo Badaró, ao tratar do tema, ressalta a existência de 2 diferenças, uma de caráter ontológico, visto que 
as provas digitais são caracterizadas pela imaterialidade, isso porque os elementos de provas digitais são 
conservados e transmitidos em linguagem não natural, mas digital; outra de cunho metodológico, pois a 
ausência de materialidade exige uma metodologia especial de produção, admissão e valoração. 
 
Não há disciplina legal específica. A desmaterizalização e a volatilidade dessas provas, atraem a preocupação 
com a possibilidade de destruição e falsificação. Trata-se de fonte de prova que pode ser facilmente 
contaminada, apresentando alto grau de vulnerabilidade a erros. Diante disso, é preciso especial atenção em 
relação à cadeia de custódia das provas digitais. 
 
Como se dá a cadeia de custódia da prova digital? 
Ensina Badaró que a prova digital deve se valer de instrumentos técnicos adequados para os trabalhos de 
investigação de dados digitais de modo a constituir uma prova utilizável em processo judicial. O método 
empregado tem que garantir a integridade do dado digital e, com isso, a força probandi do conteúdo 
probatório por ele representado. Além disso, todo o processo técnico precisa ser documentado e registrado 
em todas as suas etapas, especialmente por envolver dados probatórios voláteis e sujeitos à mutação. A 
documentação da cadeia de custódia é essencial no caso de análise de dados digitais, pois permitirá assegurar 
a autenticidade e a integralidade dos elementos de prova e submeter tal atividade investigativa à posterior 
crítica judiciária das partes,e excluirá que tenha havido alterações indevidas do material digital. 
Gustavo Badaró destaca, ainda, que o laudo técnico deve conter uma completa e exaustiva descrição dos 
sistemas informáticos utilizados, um elenco dos instrumentos utilizados e um detalhado relatório dos 
resultados obtidos. 
 
O que ocorre em caso de quebra da cadeia de custódia da prova digital? 
No âmbito da prova tradicional, há divergência na doutrina acerca das consequências da quebra da cadeia de 
custódia (conforme será visto adiante). No caso da digital evidence, conforme pontua Badaró, a solução deve 
ser diversa da tradicional em razão da desmaterialização dos elementos de prova e a facilidade de mutação 
dos elementos de prova, caso sua obtenção e produção não respeitem os procedimentos técnicos. Se o 
método for inadequado ou se, embora adequado, não houver comprovação de seu emprego por ausência de 
registro da cadeia de custódia, não há como garantir a tutela da genuinidade e não alteração do dado 
informático devido a sua natureza frágil e volátil. 
 
Fonte: BADARÓ, Gustavo. Os Standards Metodológicos de Produção na Prova Digital e a Importância da Cadeia 
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de Custódia. Disponível em: https://www.ibccrim.org.br/js/pdf-
js/web/viewer.html?file=/media/publicacoes/arquivos_pdf/revista-31-05-2021-10-44-29-869137.pdf 
 
Ainda sobre as provas digitais e a cadeia de custódia, cabe destacar decisão do STJ: São inadmissíveis 
as provas digitais sem registro documental acerca dos procedimentos adotados pela polícia para a 
preservação da integridade, autenticidade e confiabilidade dos elementos informáticos. (Processo sob 
segredo de justiça, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Rel. Acd. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por 
maioria, julgado em 7/2/2023) 
Segundo a Corte Superior, em que pese a intrínseca volatilidade dos dados armazenados 
digitalmente, já são relativamente bem delineados os mecanismos necessários para assegurar sua 
integridade, tornando possível verificar se alguma informação foi alterada, suprimida ou adicionada após a 
coleta inicial das fontes de prova pela polícia. 
Conforme o precedente julgado, a autoridade policial que realiza a apreensão de um computador 
(ou outro dispositivo de armazenamento de informações digitais) deve copiar integralmente (bit a bit) o 
conteúdo do dispositivo, gerando uma imagem dos dados: um arquivo que espelha e representa fielmente o 
conteúdo original. Ato contínuo, aplicando-se uma técnica de algoritmo hash, é possível obter uma 
assinatura única para cada arquivo - uma espécie de impressão digital ou DNA, por assim dizer, do arquivo. 
Esse código hash gerado da imagem teria um valor diferente caso um único bit de informação fosse alterado 
em alguma etapa da investigação, quando a fonte de prova já estivesse sob a custódia da polícia. Mesmo 
alterações pontuais e mínimas no arquivo resultariam numa hash totalmente diferente, pelo que se 
denomina em tecnologia da informação de efeito avalanche. Desse modo, comparando as hashes calculadas 
nos momentos da coleta e da perícia (ou de sua repetição em juízo), é possível detectar se o conteúdo 
extraído do dispositivo foi alterado, minimamente que seja. Não havendo alteração (isto é, permanecendo 
íntegro o corpo de delito), as hashes serão idênticas, o que permite atestar com elevadíssimo grau de 
confiabilidade que a fonte de prova permaneceu intacta. 
 
1.3 Terminologia da Prova 
 
Segundo Renato Brasileiro distingue-se: 
 
● Fontes de prova: Derivam do fato delituoso em si, independentemente da existência do processo, 
sendo que sua introdução no feito se dá através dos meios de prova. 
 
● Meios de prova: Dizem respeito a uma atividade endoprocessual que se desenvolve perante o juiz, 
com a participação dialética das partes, cujo objetivo precípuo é a fixação de dados probatórios no 
processo. 
 
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● Meios de obtenção de prova: Referem-se a certos procedimentos extraprocessuais, em regra, que 
têm como objetivo precípuo a identificação de fontes de prova. 
 
FONTE DE PROVA MEIO DE PROVA MEIO DE OBTENÇÃO DE PROVA 
Cometido o fato delituoso, tudo 
aquilo que possa esclarecer 
alguém cerca do crime pode ser 
conceituado como fonte de prova 
(ex.: pessoas, coisas). 
 
Portanto, a fonte de prova deriva 
do fato delituoso em si, 
independentemente da existência 
do processo, sendo que sua 
introdução nos autos do processo 
ocorre através dos meios de 
prova. 
 
Ex.: Renato está com uma arma na 
mão, aponta para alguém, atira e 
a pessoa morre. Após, ele deixa a 
arma em cima da mesa. As 
pessoas na sala de aula que 
presenciaram o crime são fonte 
de prova e, futuramente, serão 
chamadas a depor em juízo. O 
depoimento em juízo será o meio 
de prova. 
São os instrumentos através dos 
quais as fontes de prova são 
introduzidas no processo. 
 
Dizem respeito a uma atividade 
endoprocessual, que se desenvolve 
perante o juiz, com a participação 
das partes, em fiel observância ao 
contraditório e à ampla defesa. 
 
Ex.: A pessoa que presenciou o 
crime praticado por Renato, ao 
prestar o depoimento, passará a ser 
um meio de prova. A arma da 
prática do crime para se tornar um 
meio de prova, deve ser apreendida 
e periciada. 
Refere-se a certos procedimentos, 
em regra extraprocessuais, 
geralmente realizados por outros 
agentes que não o juiz, cujo 
objetivo é a identificação das 
fontes de prova. Nesse caso, o 
contraditório será diferido, ou 
postergado. 
 
Esse é o trabalho da autoridade 
policial. Não se pode dar ciência a 
uma pessoa da investigação, 
senão ela vai tentar dificultar a 
investigação. 
 
Ex.: interceptação telefônica. 
 
1.4 Indícios 
 
Conceito que apresenta duas acepções: 
 
a) Sinônimo de prova indireta 
A prova indireta, conforme já pontuado, é aquela a qual, para chegar a determinada conclusão, o juiz 
é obrigado a realizar pelo menos duas operações inferenciais. Por exemplo, gato e rato em uma caixa 
fechada, só sai o gato, testemunha só vê o gato saindo. Prova-se que saiu apenas o gato de lá, mas não se 
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tem a prova direta que ele comeu o rato, é uma prova indireta, pois o rato não está em nenhum lugar. 
 
Art. 239, CPP - Considera-se indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo 
relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou 
outras circunstâncias. 
 
 É possível condenar alguém com base em indícios (usado como sinônimo de prova indireta)? 
R.: SIM, desde que se trate de indícios plurais, coerentes e coesos, e não de um único indício isolado. 
 
Uma nota importante: A jurisprudência entende que a testemunha de “ouvir dizer” (conhecida no direito 
norte-americano como hearsay rule) não produz um depoimento confiável e, portanto, não serve como 
indício de autoria. 
 
O testemunho por ouvir dizer (hearsay rule), produzido somente na fase 
inquisitorial, não serve como fundamento exclusivo da decisão de pronúncia, que 
submete o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri. STJ. 6ª Turma. REsp 1373356-BA, 
Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017 (Info 603). 
 
b) Sinônimo de prova semiplena 
A prova semiplena possui menor valor persuasivo, razão pela qual não autoriza um juízo de certeza, 
mas de mera probabilidade. 
É considerada relevante quando houver decretação de medidas cautelares (fumus comissi delicti): 
 
Art. 312, CPP - A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem 
pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para 
assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova (juízo de certeza) da 
existência do crime e indício (prova semiplena) suficiente de autoria e de perigo 
gerado pelo estado de liberdade do imputado. 
 
 É possível condenar alguém com base em uma prova semiplena? 
R.: NÃO! 
 
ATENÇÃO: Delegado de polícia trabalha com indícios e não com provas no caso concreto. 
 
 É possível a pronúncia do acusado baseada exclusivamente em indícios derivados do inquérito 
policial? 
● 1ªC - NÃO. Haverá violação ao art. 155 do CPP. Além disso, muito embora a análise aprofundada 
seja feita somente pelo Júri, não se pode admitir, em um Estado Democrático de Direito, a pronúncia 
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sem qualquer lastro probatório colhido sob o contraditório judicial, fundada exclusivamente em 
elementos informativos obtidos na fase inquisitorial. Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. HC 560.552/RS, 
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 23/02/2021. STJ. 6ª Turma. HC 589.270, Rel. Min. Sebastião Reis 
Júnior, julgado em 23/02/2021. 
 
 É a posição que tem prevalecido, devendo ser adotada em 
provas objetivas! 
 
● 2ªC - SIM. É possível admitir a pronúncia do acusado com base em indícios derivados do inquérito 
policial, sem que isso represente afronta ao art. 155. Embora a vedação imposta no art. 155 se 
aplique a qualquer procedimento penal, inclusive dos do Júri, não se pode perder de vista o objetivo 
da decisão de pronúncia não é o de condenar, mas apenas o de encerrar o juízo de admissibilidade 
da acusação (iudicium accusationis). Na pronúncia opera o princípio in dubio pro societate, porque é 
a favor da sociedade que se resolvem as dúvidas quanto à prova, pelo juízo natural da causa. Constitui 
a pronúncia, portanto, juízo fundado de suspeita, que apenas e tão somente admite a acusação. Não 
profere juízo de certeza, necessário para a condenação, motivo pelo qual a vedação expressa do art. 
155 do CPP não se aplica à referida decisão. Nesse sentido: STJ. 5ª Turma. AgRg no AgRg no AREsp 
1702743/GO, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/12/2020. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 
1609833/RS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 06/10/2020. 
 
ATENÇÃO: Termos importantes referentes às provas que não podem ser confundidos. 
Vestígio Todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou recolhido, 
que se relaciona à infração penal (art. 158-A, §3º, CPP). 
Evidência É o vestígio que, após as devidas análises, tem constatada, técnica e 
cientificamente, sua relação com o fato periciado 
Indício Circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, 
por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias (art. 
239 do CPP). 
 
Elementos de informação Colhidos na fase inquisitorial (pré-processual), com a finalidade de embasar a 
opinio delicti do órgão acusador. Também viabilizam a decretação de medidas 
cautelares. Em geral, não autorizam uma condenação, pois não foram 
formados com observância do contraditório e da ampla defesa. 
Prova É o meio de se demonstrar a verdade de um fato, destinando-se à formação 
do livre convencimento motivado do juiz. É produzida sob o crivo do 
contraditório e da ampla defesa (art. 155, caput do CPP). 
 
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2. OBJETO DA PROVA 
 
É tudo o que dever ser demonstrado no processo para comprovar a verdade. Nesse sentido, em 
regra, o objeto da prova são os fatos, dispensando-se a prova do Direito que se presume conhecido pelo 
julgador, salvo exceções. 
 
Vejamos em um quadro comparativo o que precisa e o que não precisa ser provado no Processo Penal, 
para facilitar o aprendizado. 
 
PRECISA SER PROVADO NÃO PRECISA SER PROVADO 
Imputação constante da peça acusatória. 
 
Obs.: Cabe à acusação provar nexo causal, fato típico, 
autoria, participação, dolo e culpa. Cabendo à defesa 
provar os fatos modificativos, extintivos e 
impeditivos. 
 
Costumes 
 
Ex: furto praticado durante o repouso noturno, 
dependerá do lugar onde ocorre - Vigência de 
regulamentos e portarias. 
 
Obs.: Se a portaria é complemento de uma norma 
penal em branco, presume-se que o juiz a conhece. 
Ex: Portaria 344 da ANVISA, complemento da lei de 
drogas. 
 
 
Direito estrangeiro, estadual e municipal, salvo em 
relação à localidade em que exerce jurisdição. 
 
Obs.: O juiz está obrigado a conhecer o direito 
estadual e municipal APENAS da localidade em que 
exerce jurisdição. 
 
Fatos axiomáticos ou intuitivos: são evidentes, de 
acordo com o estágio atual da ciência. 
Ex: cocaína causa dependência, não precisa provar. 
 
Fatos inúteis: não interessam à causa. 
 
Presunções legais: afirmação da lei, de que um fato 
é existente ou verdadeiro, independentemente de 
prova. 
 
Pode ser: 
• Absoluta (iurie et de iure): não admite prova em 
contrário. 
Ex.: inimputabilidade do menor de 18 anos. 
• Relativa(iuris tantum): admite prova em contrário. 
Inverte o ônus da prova 
 
Obs.: A presunção de violência nos crimes sexuais 
não mais subsiste. O simples fato de manter uma 
relação sexual com menor de 14 anos configura uma 
elementar do crime de estupro de vulnerável. Nesse 
sentido: 
 
Súmula 593 STJ: O crime de estupro de vulnerável se 
configura com a conjunção carnal ou prática de ato 
libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante 
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Fatos não contestados ou incontroversos. 
 
Obs.: Diversamente do que ocorre no Processo Civil, 
não existe confissão presumida no Processo Penal. 
Nesse sentido: 
Art. 197, CPP - O valor da confissão se aferirá pelos 
critérios adotados para os outros elementos de prova, 
e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com 
as demais provas do processo, verificando se entre ela 
e esta existe compatibilidade ou concordância. 
 
ATENÇÃO! Em relação ao acusado revel, os fatos NÃO 
se presumem verdadeiros, tendo em vista a regra 
probatória que deriva do princípio da presunção de 
inocência. Logo, o único efeito da revelia no Processo 
Penal é a desnecessidade de intimação do acusado 
para os demais atos processuais, salvo em se tratando 
de sentença condenatória ou absolutória imprópria. 
eventual consentimento da vítima para a prática do 
ato, sua experiência sexual anterior ou existência de 
relacionamento amoroso com o agente. 
 
Fatos notórios: são aqueles que todo mundo 
conhece ou deveria conhecer. 
Ex.: datas históricas, como o Natal (25/12). 
 
 
 
3. PROVA EMPRESTADA 
 
Segundo Renato Brasileiro, “consiste na utilização em um processo de prova que foi produzida em 
outro, sendo que esse “transporte” da prova é feito por meio de certidão extraída daquele”. 
 Nesse sentido, temos que: 
A prova deve ter sido produzida em processo com as mesmas partes que figuram no 2ª processo, ou 
ao menos, no processo em que foi uma das partes quem suportou os efeitos. Nesse ponto, é preciso distinguir 
duas situações, de acordo com quem a prova emprestada beneficia: 
1. Como o MP é uno e indivisível, o acusado sempre poderá se valer de prova emprestada, sem que 
haja prejuízo ao contraditório. 
2. O Ministério Público só poderá se valer da prova emprestada se o acusado figurou como réu no 
processo no qual a prova foi originalmente produzida. 
 
Se a prova foi produzida em processo no qual o acusado não teve participação, não há falar em prova 
emprestada, e sim em mera prova documental ou compartilhamento de prova. 
Cumpre destacar que existem precedentes no âmbito do STJ afirmando que é possível a prova 
emprestada proveniente de ação penal que não participaram as partes. No entanto, trata-se de 
posicionamento minoritário. Vejamos: 
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(...) Consolidou-se a jurisprudência desta Corte Superior de Justiça no sentido da 
admissibilidade, uma vez observado o devido contraditório, de prova emprestada 
(PROVA DOCUMENTAL) proveniente de ação penal da qual não participaram as 
partes do feito para o qual a prova será trasladada. (STJ, 6ª Turma, AgRg no REsp 
1.471.625/SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 10/06/2015). 
 
É necessária a observância do devido processo legal na colheita originária da prova que será emprestada 
e, igualmente, quanto à produção da prova no novo processo. 
 
Consoante ensina Renato Brasileiro: 
 
“(...) a utilização da prova emprestada só é possível se aquele contra quem ela for 
utilizada tiver participado do processo onde essa prova foi produzida, observando-
se, assim, os princípios do contraditório e da ampla defesa. Só se pode considerar 
como prova emprestada, portanto, aquela que foi produzida, no primeiro processo, 
perante aquele que terá que se sujeitar a seus efeitos no segundo, com a 
possibilidade de ter contado, naquele, com todos os meios possíveis de contrariá-
la. (..) (edição 2020, pagina 669). 
 
O STJ, inclusive, possui entendimento sumulado sobre o tema: 
 
Súmula n. 591 do STJ: É permitida a prova emprestada no processo administrativo 
disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados 
o contraditório e a ampla defesa. 
 
Cuidado! Existe parcela minoritária da doutrina (Geraldo Prado e Ada Pelegrini) que agrega mais um 
requisito: para que seja prova emprestada, a prova transladada do processo originário para o segundo 
processo deve ser produzida perante o mesmo juiz natural. 
Ensina Renato Brasileiro que: 
 
“(...) há posição minoritária na doutrina que sustenta que, além da produção da prova em 
contraditório, também se impõe o respeito ao princípio do juiz natural (CF, art. 5º, inciso LIII). 
Na dicção de Grinover, “para o transporte puro e simples de uma prova, de um processo para 
outro, seria necessário que o contraditório no processo originário tivesse sido instituído perante 
o mesmo juiz, que também seja o juiz da segunda causa (entendendo-se, com o termo ‘juiz’, não 
a pessoa física investida na função, mas o órgão jurisdicional constitucionalmente 
competente)”. (in Manual de Processo Penal, edição 2020, página 669) 
 
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No âmbito constitucional, temos que a interceptação telefônica, conforme o texto da Lei Maior, só 
pode ser utilizada em investigação criminal ou no curso da instrução criminal (reserva constitucional 
qualificada). Assim, pelo menos em tese, NÃO é possível interceptação telefônica em processo 
administrativo e em processo cível. Contudo, é perfeitamente possível ser utilizada em processo cível ou 
administrativo a título de prova emprestada, eis que o contraditório já foi exercido no processo criminal. 
Este é o entendimento do STF, vejamos: 
 
Compartilhamento no inquérito civil das provas colhidas em investigação criminal 
mesmo que acobertadas pelo sigilo 
É possível compartilhar as provas colhidas em sede de investigação criminal para 
serem utilizadas, como prova emprestada, em inquérito civil público e em outras 
ações decorrentes do fato investigado. Esse empréstimo é permitido mesmo que 
as provas tenhamsido obtidas por meio do afastamento ("quebra") judicial dos 
sigilos financeiro, fiscal e telefônico. STF. 1ª Turma. Inq 3305 AgR/RS, Rel. Min. 
Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 23/2/2016 (Info 
815). 
 
 
CAIU EM PROVA: 
Foi questionado na 2ª fase de DPC/MS (Banca FAPEC): Cabe utilização como prova emprestada de elementos 
informativos produzidos no inquérito? 
R.: Em regra, como os elementos informativos do inquérito são produzidos sem a observância do princípio 
do contraditório, eles não podem ser utilizados como prova emprestada, ainda que seja processo contra a 
mesma pessoa que figurou como investigada no inquérito. Porém, no caso de provas não repetíveis (ex.: 
exames periciais) é perfeitamente possível falar-se em prova emprestada, já que, em relação a elas, o 
contraditório será respeitado, ainda que de forma diferida. 
 
Existe precedente do STF nesse sentido. No RE 328.138/MG, a 1ª turma admitiu a validade de prova pericial 
produzida em inquérito distinto como prova emprestada. 
 
 Por fim, tem-se que, caso tenha sido declarada nula ou ilegal a prova originária, não se pode admitir 
a mesma como prova emprestada. Lado outro, caso o processo original tenha sido anulado por qualquer 
outro motivo que não a prova, admite-se a prova emprestada. 
 
4. PRINCÍPIO DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO X TEORIA GERAL DA PROVA 
 
a) Conceito 
A garantia da não autoincriminação consiste no direito de não produzir prova contra si próprio, essa 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/229754d7799160502a143a72f6789927?categoria=12&subcategoria=130
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garantia vem sendo muito cobrada em prova no termo em latim “nemo tenetur se detegere”, positivado no 
artigo 8º, g, do Pacto de São José da Costa Rica que garante à pessoa o “direito de não ser obrigado a depor 
contra si mesma, nem a declarar-se culpada”. 
 
b) Previsão Normativa 
Na CF/88 - art. 5º, LXIII, através da menção ao direito ao silêncio, que é um dos desdobramentos do 
princípio do nemo tenetur se detegere. 
 
Art.5º, LXIII, CF - O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de 
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; 
 
Na CADH - art.8º, item 2, alínea “g”: 
 
Artigo 8º, item 2, CADH – (...) Durante o processo, toda pessoa tem direito, em 
plena igualdade, às seguintes garantias mínimas:(...) g) direito de não ser obrigado 
a depor contra si mesma, nem a declarar-se culpada; 
 
c) Desdobramentos do Princípio da Não Autoincriminação: 
 
1 Direito ao silêncio – Consiste no direito de não responder às perguntas formuladas pela autoridade, 
funcionando como espécie de manifestação passiva de defesa. É uma forma de se exercer a 
autodefesa. 
 
2 Direito de não ser constrangido a confessar a prática de ilícito penal 
 
3 Inexigibilidade de dizer a verdade ou direito de mentir – Cuidado! Mentiras defensivas são toleradas 
pelo ordenamento jurídico, porém mentiras agressivas, incriminadoras de 3º não estão sob o manto 
do direito de defesa. 
 
4 Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá-lo – Consiste no direito 
de não adotar comportamentos ativos que colaborem com a atividade persecutória do Estado. 
 
5 Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva - A prova invasiva é aquela que 
envolve penetração no organismo humano, para extração ou utilização de alguma parte dele. Ou 
seja: se a prova for invasiva, a pessoa não precisa fazer. Ex. DNA, esperma, saliva, pele, unha. 
 
Obs.1: A CF/88 prevê que o investigado/acusado seja expressamente informado sobre o direito ao silêncio, 
sob pena de nulidade das provas obtidas. 
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Leading case – Interrogatório sub-reptício: HC 80949 
(...) 3. Ilicitude decorrente - quando não da evidência de estar o suspeito, na 
ocasião, ilegalmente preso ou da falta de prova idônea do seu assentimento à 
gravação ambiental - de constituir, dita "conversa informal", modalidade de 
"interrogatório" sub-reptício, o qual - além de realizar-se sem as formalidades 
legais do interrogatório no inquérito policial (C.Pr.Pen., art. 6º, V) -, se faz sem que 
o indiciado seja advertido do seu direito ao silêncio. 4. O privilégio contra a auto-
incriminação – nemo tenetur se detegere -, erigido em garantia fundamental pela 
Constituição -além da inconstitucionalidade superveniente da parte final do art. 
186 C.Pr.Pen. - importou compelir o inquiridor, na polícia ou em juízo, ao dever de 
advertir o interrogado do seu direito ao silêncio: a falta da advertência - e da sua 
documentação formal -faz ilícita a prova que, contra si mesmo, forneça o indiciado 
ou acusado no interrogatório formal e, com mais razão, em "conversa informal" 
gravada, clandestinamente ou não. (...) (STF, HC 80.949/RJ, rel. Min. Sepúlveda 
Pertence, Primeira Turma, j. 30/10/2001). 
 
Obs.2: Testemunhas também são destinatárias da garantia da não autoincriminação? (Questão prova oral 
Amapá, Delegado, 2017) 
R.: Em regra, as testemunhas são obrigadas a se manifestar, sob pena de praticarem o crime de 
desobediência ou falso testemunho. No entanto, quando a resposta a determinada pergunta puder importar 
em autoincriminação, elas podem sim se valer do direito ao silêncio. Dessa forma, as testemunhas são 
titulares da garantia constitucional ao silêncio (direito à não autoincriminação), mas seu exercício é 
realizado pontualmente em relação a perguntas cujas respostas podem importar autoincriminação. 
 
Veja a jurisprudência sobre o tema: 
 
Inf. 754, STF: Se o indivíduo é convocado para depor como testemunha em uma 
investigação e, durante o seu depoimento, acaba confessando um crime, essa 
confissão não é válida se a autoridade que presidia o ato não o advertiu 
previamente de que ele não era obrigado a produzir prova contra si mesmo, tendo 
o direito de permanecer calado. STF. 2ª Turma, 2014. 
 
Inf. 816, STF: Determinada pessoa foi convocada a depor na condição de 
testemunha. Antes de iniciar o depoimento, ela assinou termo no qual assumiu o 
compromisso de dizer a verdade. O termo dizia que "a depoente compromete-se a 
dizer a verdade, ressalvadas as garantias constitucionais aplicáveis". 
Posteriormente, descobriu-se que essa pessoa também estaria envolvida no 
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esquema criminoso, razão pela qual foi denunciada. O STF entendeu que não houve 
nulidade neste depoimento porque, embora a denunciada tenha sido ouvida na 
condição de testemunha, assumindo o compromisso de dizer a verdade, consta 
do termo de depoimento que ela foi informada de que estavam ressalvadas 
daquele compromisso “as garantias constitucionais aplicáveis”. Logo, foi a ela 
conferido o direito de não responder a perguntas cujas respostas pudessem 
eventualmente acarretar sua autoincriminação. STF. Plenário. 
 
Obs.3: O silêncio do indiciado/acusado é uma garantia constitucional e não pode ser explorado em seu 
desfavor. 
 
O princípio do nemo tenetur se detegere garante ao acusado o direito de não produzir prova contra 
si mesmo sendo inviável que o exercício desse direito lhe resulte em qualquer gravame. Como a Constituição 
Federal assegura ao acusado o direito ao silêncio (art. 5º, LXIII), seu exercício não pode ser interpretado como 
indício de sua culpabilidade. 
Por isso, o art. 186, § único do CPP, após a reforma conferida pela Lei nº 10.792/2003, dispõe que o 
silêncio não pode importar confissão e não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa. 
 
Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da 
acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do 
seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem 
formuladas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) 
 
Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser 
interpretado em prejuízo da defesa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 
1º.12.2003) 
 
Cumpre destacar que, em que pese a reforma produzida pela Lei 10.791/2003, a redação do art. 198 
do CPP ainda dispõe que “o silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento 
para a formação do convencimento do juiz”. A doutrina defende a não recepção da parte final deste 
dispositivo uma vez que o exercício do direito ao silêncio previsto na Carta Magna (art. 5º, LXIII) não pode 
resultar em qualquer prejuízo para o acusado. 
 
Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir 
elemento para a formação do convencimento do juiz. 
 
 
Obs. 4: Direito ao Silêncio Seletivo 
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Qual é a extensão do direito ao silêncio? No âmbito do interrogatório judicial (aplicável, no que 
couber, ao interrogatório em sede policial conforme dispõe o art. 6º, V do CPP), quando incide o direito ao 
silêncio e qual é a sua extensão? 
O interrogatório judicial é bifásico, pois tem-se a fase relativa à qualificação do réu e fase relativa à 
versão dos fatos. 
Prevalece na doutrina e jurisprudência brasileira que o direito ao silêncio não alcança a 1ª fase. O 
réu não pode se negar a responder às perguntas relativas à sua qualificação. 
 
A primeira parte do interrogatório não se relaciona com o direito de não produzir 
prova contra si. O direito a não se autoincriminar diz respeito ao mérito da 
pretensão punitiva, não à identificação do investigado/acusado. STJ. 6ª Turma. RHC 
126.362/BA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe 29/09/2020. 
 
Lado outro, na fase relativa à versão dos fatos (mérito), há plena incidência do direito ao silêncio de 
modo que a autodefesa pode ser exercida de forma livre, desimpedida e voluntária. É nessa seara que surge 
o denominado “direito ao silêncio seletivo”. No legítimo exercício da autodefesa, acobertado pelo direito 
constitucional ao silêncio, ensina Renato Brasileiro que “ao acusado se defere o direito de não responder a 
nenhuma pergunta, como responder a algumas delas e silenciar com relação a outras que entenda que 
possam expô-lo a risco de autoincriminação” (in Manual de Processo Penal, edição 2020, pág. 750). 
Assim, é possível que o acusado (ou investigado) opte por responder, por exemplo, apenas as 
perguntas da defesa, silenciando quando as perguntas forem formuladas pela acusação. 
Nesse panorama, decidiu o STJ: 
 
É ilegal o encerramento do interrogatório do paciente que se nega a responder 
aos questionamentos do juiz instrutor antes de oportunizar as indagações pela 
defesa. 1. O artigo 186 do CPP estipula que, depois de devidamente qualificado e 
cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes 
de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder 
perguntas que lhe forem formuladas 2. O interrogatório, como meio de defesa, 
implica ao imputado a possibilidade de responder a todas, nenhuma ou a apenas 
algumas perguntas direcionadas ao acusado, que tem direito de poder escolher a 
estratégia que melhor lhe aprouver à sua defesa. 3. Verifica-se a ilegalidade diante 
do precoce encerramento do interrogatório do paciente, após manifestação do 
desejo de não responder às perguntas do juízo condutor do processo, senão do seu 
advogado, sendo excluída a possibilidade de ser questionado pelo seu defensor 
técnico (...) (HC n. 703.978/SC, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador 
Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 5/4/2022, DJe de 
7/4/2022.) 
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Obs.5: Dever legal a interrupção imediata do interrogatório quando o imputado optar pelo exercício do 
direito ao silêncio. 
 
Há discussão acerca do procedimento a ser adotado pela autoridade – policial ou judicial – quando 
o imputado, ao iniciar o interrogatório, informa que irá exercer o direito ao silêncio ou mesmo responder 
exclusivamente às perguntas formuladas pelo seu defensor. 
Há o dever de interrupção imediata do ato ou é possível que a autoridade continue formulando as 
perguntas que seriam realizadas, consignando-as em ata? 
A redação original do art. 191 do CPP previa que deveriam ser consignadas as perguntas que o réu 
deixasse de responder e as razões que invocasse para o não fazer. Tal previsão foi suprimida pela reforma 
operada pela Lei n. 10.792/03, que deu nova redação ao dispositivo. Todavia, na prática, ainda é 
relativamente comum em interrogatórios policiais e judiciais o prosseguimento do interrogatório e a 
consignação de todas as perguntas que seriam formuladas ao interrogando. 
E é nesse contexto que deveser compreendido o novo crime de abuso de autoridade previsto no art. 
15, inciso I da Lei 13. 869/19. Trata-se de tipo penal que criminaliza a conduta do agente público que 
“prossegue com o interrogatório de pessoa que tenha decidido exercer o direito ao silêncio.” 
O novo tipo penal esclarece que, uma vez feita a opção livre e voluntária pelo direito ao silêncio, seja 
em relação ao todo, seja de maneira seletiva, impõe-se a imediata interrupção do ato, sem a formulação de 
mais nenhum questionamento. Toda e qualquer tentativa de dar continuidade ao ato poderá atrair a figura 
delituosa em análise, desde que, logicamente, presente o elemento subjetivo especial do art. 1º, §1º, da Lei 
n. 13.869/19 (“finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, 
por mero capricho ou satisfação pessoal”). 
 
d) Dever de Advertência quanto ao Direito à Não Auto-Incriminação 
 
A CF, no art.5º, LXIII, diz que “o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer 
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;”. 
Desse inciso, ensina a doutrina que a Constituição consagra um dever estatal de informar ao acusado 
os seus direitos, sob pena de ilicitude da prova. O objetivo é evitar uma autoincriminação involuntária por 
força do desconhecimento da lei, atraindo o dever de prévia e formal advertência. 
Esse dever de advertência do direito ao silêncio é chamado pelo direito norte-americano de “Avisos 
de Miranda”, “Miranda Rights” ou, ainda, “Miranda Warnings”. Os Avisos de Miranda são três. Assim, 
nenhuma validade pode ser dada às declarações feita à polícia sem que antes seja informado ao declarante 
que: 
1. Tem o direito de não responder; 
2. Tudo que disser pode ser usado contra ele; 
3. Tem o direito à assistência de defensor escolhido ou nomeado. 
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Observações: 
(1) No Brasil, só o primeiro aviso está consagrado na CF. 
(2) No Brasil, a nota de culpa (nota de ciência das garantias constitucionais) é o documento que informa 
à pessoa os seus direitos constitucionais. 
(3) Dever de informação do direito de não autoincriminação e a mídia: O dever de informação do direito 
de não autoincriminação também se aplica à mídia? A mídia, na hora de entrevistar o acusado, tem 
que informá-lo do seu direito ao silêncio? 
Conforme expõe o doutrinador Renato Brasileiro: 
 
“Se o preso deve ser prévia e formalmente advertido quanto ao direito ao silêncio, 
sob pena de se reputar ilícita a prova que contra si produza, também não podem 
ser consideradas válidas entrevistas concedidas por presos à imprensa, antes ou 
após a lavratura do flagrante, sem o conhecimento de seu direito constitucional. 
Com efeito, não raramente a conversa informal entre indiciados presos e 
repórteres, antes ou depois do interrogatório, é gravada sem o conhecimento 
daqueles, e, de igual modo, utilizada, judicialmente, em prejuízo da defesa. Ora, a 
ausência de advertência quanto ao direito ao silêncio macula da ilicitude eventuais 
declarações por ele fornecidas que lhe sejam prejudiciais, porquanto produzidas 
com violação ao preceito constitucional que assegura o direito ao silêncio (CF, art. 
5º, LXIII). 
 
Não foi essa, todavia, a orientação do Supremo Tribunal Federal. Em HC apreciado 
pela 2ª Turma (STF, 2ª Turma, HC 99.558/ES, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 
14/12/2010) , em que se alegava a ilicitude da prova juntada aos autos, consistente 
em entrevista concedida a jornal, na qual o acusado narrara o modus operandi de 
dois homicídios a ele imputados, sem ter sido previamente advertido de seu direito 
ao silêncio, reputou-se que a Constituição teria conferido dignidade constitucional 
ao direito ao silêncio, dispondo expressamente que o preso deve ser informado 
pela autoridade policial ou judicial da faculdade de manter-se calado. Consignou-
se que o dever de advertir os presos e os acusados em geral de seu direito de 
permanecerem calados consubstanciar-se-ia em uma garantia processual penal 
que teria como destinatário precípuo o Poder Público. Concluiu-se, entretanto, não 
haver qualquer nulidade na juntada da prova, entrevista concedida 
espontaneamente a veículo de imprensa. 
 
De todo modo, queremos crer que deve se evitar a concessão de entrevistas por 
presos à imprensa, salvo se, previamente advertido quanto ao direito ao silêncio, e 
devidamente orientado das consequências jurídicas de suas declarações, 
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manifestar o cidadão de maneira voluntária seu interesse em apresentar sua versão 
acerca dos fatos, abrindo mão do direito de se calar” (edição 2020, página 74). 
 
(4) Momento de observância do dever de advertência 
 
O alerta sobre o direito ao silêncio deve ser feito não apenas pelo Delegado, durante o interrogatório 
formal, mas também pelos policiais responsáveis pela voz de prisão em flagrante, pois a todos os órgãos 
estatais impõe-se o dever de zelar pelos direitos fundamentais. 
 
A Constituição Federal impõe ao Estado a obrigação de informar ao preso seu 
direito ao silêncio não apenas no interrogatório formal, mas logo no momento da 
abordagem, quando recebe voz de prisão por policial, em situação de flagrante 
delito. Ademais, na linha de precedentes da Corte, a falta da advertência ao direito 
ao silêncio, no momento em que o dever de informação se impõe, torna ilícita a 
prova. Isso porque o privilégio contra a auto-incriminação (nemo tenetur se 
detegere), erigido em garantia fundamental pela Constituição, importou compelir 
o inquiridor, na polícia ou em juízo, ao dever de advertir o interrogado acerca da 
possibilidade de permanecer calado. Dessa forma, qualquer suposta confissão 
firmada, no momento da abordagem, sem observação ao direito ao silêncio, é 
inteiramente imprestável para fins de condenação e, ainda, invalida demais provas 
obtidas através de tal interrogatório. No caso, a leitura dos depoimentos dos 
policiais responsáveis pela prisão da paciente demonstra que não foi observado o 
citado comando constitucional. (RHC 170843 AgR/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 4/5/2021). 
 
 
e) Repercussões Materiais do Direito à Não Auto-Incriminação 
1º) Crime de Denunciação Caluniosa 
A garantia da não autoincriminação não abarca a possibilidade de incriminação de terceiros 
inocentes, podendo ensejar a responsabilização pelo crime de denunciação caluniosa (art. 339, CP) 
Não se tolera que, no exercício da autodefesa, 3º reconhecidamente inocente seja incriminado, de 
forma que responderá por denunciação caluniosa o imputado que, procurando se esquivar da 
responsabilização penal, venha a praticar a conduta prevista no art. 339 do CP.Quadro diverso se dá em 
casos de incriminação exclusiva dos coautores e partícipes, denunciados conjuntamente com o réu. Isso 
porque o acusado não satisfaz o núcleo verbal do crime de denunciação caluniosa na medida em que não 
dá causa a nada, não provoca a instauração de nenhum procedimento investigatório, existindo, apenas, o 
exercício do direito de defesa. 
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Ex.: Em caso de investigação de crime cometido em concurso de agentes, em que os acusados atribuem a 
culpa totalmente aos demais. 
 
2º) Crime de Uso de Documento Falso (art. 304 do CP): 
A garantia a não autoincriminação não legitima o uso de documento falso porque vulnerada a fé-
pública, extrapolando-se os limites da autodefesa 
3º) Crime de Falsa Identidade (307 do CP) e Contravenção pertinente a recusa no fornecimento de dados 
qualificativos (68 da LCP): 
No crime de atribuir falsa identidade (art. 307 do CP) não há emprego de documento falso, o sujeito 
apenas se declara falsamente ou usa documento verdadeiro, mas que não é dele e sim de um irmão ou amigo 
muito parecido. 
É preciso distinguir as hipóteses conforme a condição do agente que pratica o crime: 
 
a) Testemunha: incorrerá no crime do art. 307 do CP ou no art. 68 da LCP. 
b) Acusado: Divergência. 
1ªC: Tais condutas quando perpetradas pelo imputado são materialmente atípicas porque em verdade 
traduzem exercício de autodefesa. Alguns autores, como Álvaro da Costa, ainda ponderam a existência 
de injusto impossível por absoluta impropriedade do meio, haja vista todos os mecanismos de 
identificação criminal hoje à disposição do estado. 
2ªC – Majoritária e STF: O fornecimento de dados qualificativos corretos não importa 
autoincriminação. Tanto é que, se a qualificação por si só fosse mecanismo de autodefesa, ela seria 
chancelada pela CF e não afastada com a sujeição à identificação criminal. Logo, não os ofertar ou 
atribuir-se falsa identidade configuram os ilícitos penais previstos no artigo 68 da LCP e artigo 307, do 
CP, não se mostrando acobertados pela autodefesa. 
Autores como Nucci ainda ponderam o artigo 186, caput, do CPP, alegando que o direito ao silêncio 
apenas é anunciado depois de obtido os dados qualificativos, logo o direito ao silêncio não 
compreenderia os dados qualificativos. 
 
Súmula 522, STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade 
policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. 
 
STF firmou a seguinte tese em sede de repercussão geral: 
“O princípio constitucional da autodefesa (art. 5º, LXIII, da CF/88) não alcança 
aquele que atribui falsa identidade perante autoridade policial com o intento de 
ocultar maus antecedentes, sendo, portanto, típica a conduta praticada pelo 
agente (art. 307 do CP)” ( RE 640.139) 
 
4º) Crime de Omissão de Socorro no CTB (art. 305): 
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Art. 305, do CTB - “afastar- se o condutor, do veículo do local do acidente, para fugir 
à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída”. 
 
Em que pese existirem posições na doutrina defendendo a incompatibilidade do art. 305 do CTB com 
a garantia nemo tenetur se detegere, o STF, em sede de repercussão geral, fixou a seguinte tese: 
 
“A regra que prevê o crime do art. 305 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é 
constitucional, posto não infirmar o princípio da não incriminação, garantido o 
direito ao silêncio e ressalvadas as hipóteses de exclusão da tipicidade e da 
antijuridicidade.” 
STF. Plenário. RE 971959/RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/11/2018 
(Repercussão Geral – Tema 907) (Info 923). 
 
5º) Crime de Desobediência (art. 330, CP): 
A desobediência à ordem legal de parada, emanada por agentes públicos em contexto de 
policiamento ostensivo, para a prevenção e repressão de crimes, constitui conduta penalmente típica, 
prevista no art. 330 do Código Penal Brasileiro. STJ. 3ª Seção. REsp 1.859.933-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha 
Palheiro, julgado em 09/03/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1060) (Info 732) 
Conforme destaca o informativo 732 do STJ: 
O STJ já decidiu que "os direitos ao silêncio e de não produzir prova contra si 
mesmo não são absolutos, razão pela qual não podem ser invocados para a 
prática de outros delitos. Embora por fatos diversos, aplica-se ao presente caso 
a mesma solução jurídica decidida pela Terceira Seção desta Corte Superior 
quando do julgamento do REsp n. 1.362.524/MG, submetido à sistemática dos 
recursos repetitivos, no qual foi fixada a tese de que 'típica é a conduta de 
atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial, ainda que em situação 
de alegada autodefesa'" (HC 369.082/SC, Rel. Min. Felix Fischer, Quinta Turma, 
julgado em 27/6/2017, DJe 1º/8/2017). 
Conforme apontado pelo Ministério Público Federal em seu parecer, "a 
possibilidade de prisão por outro delito não é suficiente para afastar a incidência 
da norma penal incriminadora, haja vista que a garantia da não autoincriminação 
não pode elidir a necessidade de proteção ao bem jurídico tutelado pelo crime 
de desobediência. [...] O acusado tem direito constitucional de permanecer 
calado, de não produzir prova contra si e, inclusive, de mentir acerca do fato 
criminoso. Contudo, a pretexto de exercer tais prerrogativas, não pode praticar 
condutas consideradas penalmente relevantes pelo ordenamento jurídico, pois 
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tal situação caracteriza abuso do direito, desbordando a respectiva esfera 
protetiva". 
Assim, o entendimento segundo o qual o indivíduo, quando no seu exercício de 
defesa, não teria a obrigação de se submeter à ordem legal oriunda de 
funcionário público pode acarretar o estímulo à impunidade e dificultar, ou até 
mesmo impedir, o exercício da atividade policial e, consequentemente, da 
segurança pública. STJ. 3ª Seção. REsp 1.859.933-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha 
Palheiro, julgado em 09/03/2022. 
 
4.1 Condução Coercitiva 
 
Art. 260, do CPP - “se o acusado não atender a intimidação para o interrogatório, 
reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele,não possa ser realizado, a 
autoridade poderá mandar conduzi-lo a sua presença”. 
 
a) Conceito 
Por meio deste mandado de condução coercitiva, o investigado (ou acusado) é PRIVADO de sua 
liberdade de locomoção pelo lapso temporal necessário para ser levado à presença da Polícia Judiciária (ou 
MP) e participar de ato de investigação preliminar (ou ato processual penal) no qual sua presença seja 
considerada imprescindível. 
 
b) Natureza Jurídica: Há divergência na doutrina. 
 
1ª C (Prof. Marcus Paulo): A condução coercitiva é uma MEDIDA ADMINISTRATIVA e, por isso, pode ser 
determinada não só pelo juiz (medida judicial e não jurisdicional), mas também pelo delegado bem como 
em sede de CPI. 
 
2ª C (Renato Brasileiro): A condução coercitiva MEDIDA CAUTELAR DE NATUREZA PESSOAL DIVERSA DA 
PRISÃO. Conquanto não listada no rol das medidas cautelares diversas da prisão previstas nos artigos 319 e 
320 do CPP, a condução coercitiva do investigado (ou acusado) também funciona como medida cautelar de 
coação pessoal. 
(1) Trata-se de medida de natureza urgente que irá recair sobre a liberdade de locomoção do acusado (ele 
não será preso, mas terá sua liberdade de locomoção cerceada por um determinado período). 
(2) Há restrição na liberdade de locomoção, porém em grau menor que as prisões cautelares, vez que 
adstrita ao tempo necessário para a preservação das fontes de prova. 
(3) Não pode durar mais de 24h, sob pena de assumir as vestes de prisão cautelar. 
 
c) Autoridade Competente: 
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A polícia judiciária e o MP podem expedir os mandados de condução coercitiva de investigado ou 
trata-se de medida que desafia prévia autorização judicial? 
O mandado de condução coercitiva é muito pouco trabalhado pela doutrina processual penal. O 
artigo 260 prevê: “…a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença”. O CPP não diz expressamente 
quem é essa autoridade. Por isso, diante dessa redação dúbia do artigo 260, que o tema provoca tantas 
controvérsias. 
 
1ª C (Prof. Marcus Paulo + Precedente do STF): Dispensa autorização judicial prévia. 
● Por se tratar de medida administrativa, a condução coercitiva pode ser determinada não só pelo 
juiz(medida judicial e não jurisdicional), mas também pelo delegado bem como em sede de CPI. 
● O STF TEM UM PRECEDENTE DE 2011 QUE PERMITE A CONDUÇÃO COERCITIVA DECRETADA PELA 
AUTORIDADE POLICIAL. (HC 107.644/SP: “Legitimidade dos agentes policiais, sob o comando da 
autoridade policial competente (artigo 4º do CPP e artigo 6º do mesmo diploma legal), para tomar 
todas as previdências necessárias à elucidação de um delito”). Trata-se de um precedente isolado. 
 
2ª C (Renato Brasileiro): Desafia prévia autorização judicial vez que se trata de medida que importa em 
restrição à liberdade de locomoção. 
● Mandado de condução coercitiva É MATÉRIA SUJEITA À CLÁUSULA DE RESERVA JURISDICIONAL. 
● O artigo 260, CPP deve ser interpretado de maneira que a autoridade competente é a judiciária (não 
pode o MP e nem a polícia judiciária). Interpretação dos artigos 260 + 282, §2º, ambos do CPP. 
 
d) Mandado de condução coercitiva e o Direito de não produzir prova contra si mesmo 
Pela leitura do art. 260 do CPP, cabe condução coercitiva para a PRÁTICA DE ATOS QUE NÃO PODEM 
SER REALIZADOS SEM A PRESENÇA do acusado/investigado. Ex.: interrogatório, reconhecimento. 
A condução coercitiva é constitucional em face da garantia da não autoincriminação, com assento 
constitucional e na CADH? 
1ª C: Sim. A condução coercitiva em si é perfeitamente constitucional: 
(1) Isoladamente considerada, a condução coercitiva não obriga o imputado a produzir prova contra si 
próprio, este ao chegar ao local a que foi conduzido pode se recusar a se sujeitar ao procedimento 
probatório ao qual está a condução coercitiva atrelada. Assim, o que haverá será a inutilidade desta 
medida. 
(2) Ademais, por vezes a condução coercitiva pode até se mostrar benéfica ao réu, como no caso de 
defensor público que solicita a condução coercitiva de seu assistido com o objetivo de viabilizar a 
possibilidade de suspensão condicional do processo, ponderando-se que o réu não é obrigado a 
conhecer direito processual penal e nem a possibilidade de sursis processual. 
2ª C (Renato Brasileiro): É constitucional, desde que interpretado à luz da garantia a não autoincriminação, 
com assento constitucional e na CADH. 
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Pode ser conduzido coercitivamente para a prática de atos processuais que não estejam protegidos 
pela garantia a não autoincriminação, ou seja, PROCEDIMENTOS PROBATÓRIOS EVASIVOS PASSIVOS, QUE 
EXIGEM APENAS UMA POSTURA PASSIVA, UM TOLERAR do acusado ou investigado. Ex.: reconhecimento 
pessoal. 
Não poderá ser conduzido coercitivamente para A PRÁTICA DE PROCEDIMENTOS PROBATÓRIOS INVASIVOS 
OU EVASIVOS ATIVOS, QUE DEMANDAM UMA COLABORAÇÃO ATIVA, UM AGIR por parte do acusado, pois 
nestes casos, há proteção constitucional. Ex.: interrogatório. 
 
 Em 2018, o STF declarou a condução coercitiva INCOMPATÍVEL com a CF (não recepção) 
QUANDO IMPLEMENTADA PARA FINS DE INTERROGATÓRIO. O argumento base foi a garantia 
da não autoincriminação”. 
 
Na ADPF 444, o Ministro Gilmar Mendes, em 18/12/17, em medida liminar, proibiu a condução coercitiva 
para interrogatório, com base nos seguintes argumentos: 
i. O STF entendeu que a condução coercitiva viola a liberdade de locomoção; 
ii. O STF entendeu que a condução coercitiva viola a dignidade da pessoa humana. 
 
Assim, caso seja determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório, 
tal conduta poderá ensejar: 
⦁ Responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade; 
⦁ Ilicitude das provas obtidas; 
⦁ Responsabilidade civil do Estado. 
 
Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento acima não desconstitui (não invalida) os 
interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento, ainda que os interrogados tenham sido 
coercitivamente conduzidos para o referido ato processual. STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF 444/DF, Rel. 
Min. Gilmar Mendes, julgados em 13 e 14/6/2018 (Info 906). 
 
Segundo Renato Brasileiro, a condução coercitiva continua cabível para outras hipóteses que não 
sejam o interrogatório. 
Insta salientar que, com o advento da Lei 13.869/2019 (Nova Lei de Abuso de Autoridade), conduzir 
coercitivamente investigado ou testemunha, quando manifestamente descabida ou sem prévia intimação, 
configura crime de abuso de autoridade. 
 
Art. 10. Decretar a condução coercitiva de testemunha ou investigado 
manifestamente descabida ou sem prévia intimação de comparecimento ao juízo: 
Pena - detenção,de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 
 
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Embora a norma se refira a “comparecimento ao juízo”, é certo que o instituto da condução 
coercitiva, tradicionalmente, também se aplica em âmbito policial, mormente quando envolve testemunhas, 
ofendidos ou investigados recalcitrantes, tudo isso em analogia aos art. 201, §único, art. 218 e art. 260, o 
CPP. Além disso, o próprio tipo penal também fala em “investigado”. 
No mais, são dois os comportamentos puníveis: “decretar condução coercitiva manifestamente 
descabida” ou “decretar condução coercitiva sem prévia intimação de comparecimento”. 
A condução coercitiva, pelo próprio nome, impõe obrigatoriedade de acatamento e, por senso 
jurídico, pressupõe que a pessoa foi devidamente cientificada e não atendeu ao chamado da autoridade. 
Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que a condução 
coercitiva de réu ou investigado para interrogatório, constante do artigo 260 do CPP, não foi recepcionada 
pela CRFB 88. A decisão foi tomada no julgamento das Arguições de Descumprimento de Preceito 
Fundamental (ADPFs) 395 e 444, ajuizadas, respectivamente, pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pela 
Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O emprego da medida, segundo o entendimento majoritário, 
representa restrição à liberdade de locomoção e viola a presunção de não culpabilidade, sendo, portanto, 
incompatível com a Constituição Federal. 
O que o art. 10 fez foi apenas tipificar a conduta que já era não recepcionada. Agora conduzir 
coercitivamente é crime. Como se não bastasse, foi além do investigado, alcançando a testemunha, pois no 
julgado nas ADPF’s nada disseram sobre as testemunhas. Além disso, o mencionado dispositivo não imputa 
crime no caso de condução de vítima (cuidado!). 
 
ATENÇÃO: O tipo penal usa as expressões investigado e testemunha, portanto à luz do princípio da 
legalidade, nada obsta a condução coercitiva do réu, pois seria analogia in malan partem. 
 
Nesse sentido, o professor Rogério Sanches e Rogério Greco (Abuso de Autoridade, pg. 97): 
 
“Assim, em virtude da redação legal, entendemos que se for decretada a condução 
coercitiva manifestamente descabida do acusado não se poderá falar em abuso de 
autoridade por parte do juiz que a decretou, sendo esta, portanto, uma falha que 
não poderá ser preenchida via analogia”. 
 
CAIU EM PROVA: 
(Delegado do Estado do Espírito Santo 2022): É permitida a condução coercitiva do investigado até a 
delegacia de polícia para submetê-lo ao procedimento de reconhecimento de pessoa, não havendo mácula 
ao preceito nemo tenetur se detegere- item considerado correto. 
 
5. PROVAS INADMISSÍVEIS 
 
a) Considerações iniciais: A vedação de provas ilícitas está amparada no Estado Democrático de Direito. Não 
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é admissível que o Estado tenha uma postura delituosa na produção de provas. Agindo assim, o Estado 
estaria se nivelando ao próprio criminoso. 
 
b) Fundamento: Proteção aos direitos fundamentais. 
 
De nada adiantaria a CF prever a inviolabilidade das ligações telefônicas, por exemplo, se fosse 
permitido ao Estado grampear aparelhos telefônicos sem autorização judicial. Ou, ainda, não faria sentindo 
proteger o domicílio e possibilitar a entrada sem mandado ou flagrante para fazer buscas. 
Como todo e qualquer direito fundamental, o direito à prova não tem natureza absoluta. Está sujeito 
a limitações porque coexiste com outros direitos igualmente protegidos pelo ordenamento jurídico. 
 
● Previsão Legal 
A Constituição Federal, em seu art. 5º, LVI, veda a admissibilidade de provas obtidas por meios 
ilícitos. 
 
CF, art. 5º, LVI: “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios 
ilícitos;”. 
 
 Do mesmo modo, o Código de Processo Penal dispõe no art. 157 acerca da inadmissibilidade das 
provas ilícitas. 
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas 
ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. 
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não 
evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas 
puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. 
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites 
típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de 
conduzir ao fato objeto da prova. 
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta 
será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente. 
§ 4º (VETADO) (Incluído pela Lei n. 11.690, de 2008) 
§ 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não poderá 
proferir a sentença ou acórdão. (Incluído pela Lei n. 13.964, de 2019) 
 
5.1 Distinção Entre Prova Ilícita e Prova Ilegítima 
 
Trata-se de uma distinção doutrinária, trazida para o Brasil por Ada Pellegrini, mas sendo fruto de 
uma criação de Pietro Novolone. 
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PROVA ILÍCITA PROVA ILEGÍTIMA 
É a prova produzida com violação à regra de 
direito material. 
 
Obs.: O art. 157, caput, do CPP conceituou 
“provas ilícitas” como: “obtidas em violação a 
normas constitucionais ou legais”. No entanto, a 
redação não é clara, pois deixa dúvidas se as 
“normas legais” seriam somente de direito 
material ou de direito material e processual. 
 
Há duas correntes: 
1C: Interpretação extensiva - O conceito de prova 
ilícita, a partir da reforma processual de 2008, 
passou a abranger o conceito de prova ilegítima. 
Como a lei não estabeleceu nenhuma distinção, 
a prova ilícita violaria tanto uma norma legal de 
direito material como também uma norma legal 
de direito processual. Assim, a distinção não teria 
mais sentido algum. 
 
2C: Interpretação restritiva - Quando o 
dispositivo faz referência às “normas legais” ele 
estaria fazendo menção apenas às normas legais 
de direito material. 
É a prova produzida com violação à regra de 
direito processual.Ex art. 479, CPP. 
 
Momento: É produzida, em regra, antes do 
processo (extraprocessual). 
Ex: Confissão obtida mediante tortura. 
Obs.: É possível que haja prova ilícita dentro do 
processo, por exemplo, o juiz não adverte o 
acusado que possui direito ao silêncio. 
Momento: É produzida no curso do processo 
(endoprocessual) 
Ex: Exame cadavérico feito por apenas um 
perito não oficial (deveriam ser dois). 
Consequências: Por serem inadmissíveis, 
deverão ser excluídas (desentranhadas) do 
processo, nos termos do art. 157, §3º do CP. 
Consequências: Declaração de nulidade 
(absoluta ou relativa), aplicando-se a Teoria 
das Nulidades. 
 
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O reconhecimento da prova ilícita ou da prova ilegítima que enseja a nulidade absoluta tem como 
consequência imediata o desentranhamento dos autos e a sua inutilização, para que não se possa 
influenciar indevidamente o convencimento do magistrado. 
O desentranhamento é o ato que materializa o que a doutrina chama de DIREITO DE EXCLUSÃO, para 
que não se possa influenciar indevidamente o convencimento do magistrado. 
O artigo 157, §3º, CPP prevê o desentranhamento da prova ilícita: 
 
Art.157, §3º, CPP - Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada 
inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes 
acompanhar o incidente. 
 
Cuidado! O que deve ser desentranhado dos autos é a PROVA, e não os autos processuais que fazem 
menção à prova ilícita. Assim já decidiu o STF: 
 
As peças processuais que fazem referência à prova declarada ilícita não devem 
ser desentranhadas do processo. Se determinada prova é considerada ilícita, ela 
deverá ser desentranhada do processo. Por outro lado, as peças do processo que 
fazem referência a essa prova (exs: denúncia, pronúncia etc.) não devem ser 
desentranhadas e substituídas. A denúncia, a sentença de pronúncia e as demais 
peças judiciais não são "provas" do crime e, por essa razão, estão fora da regra que 
determina a exclusão das provas obtidas por meios ilícitos prevista no art. 157 do 
CPP. Assim, a legislação, ao tratar das provas ilícitas e derivadas, não determina a 
exclusão de "peças processuais" que a elas façam referência. STF. 2ª Turma. RHC 
137368/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/11/2016 (Info 849). 
 
STF determinou o desentranhamento do termo de colaboração premiada de 
Antônio Palocci do processo penal que tramita contra Lula, cuja juntada aos autos 
teria sido promovida indevidamente, de ofício, pelo ex-Juiz Sérgio Moro. A defesa 
do ex-Presidente Lula impetrou habeas corpus no STF pedindo o 
desentranhamento do “Termo de Colaboração de Antônio Palocci Filho”, cuja 
juntada aos autos foi promovida de ofício, pelo então Juiz Federal Sérgio Moro. O 
STF entendeu que essa juntada foi ilícita e determinou o seu desentranhamento. 
Os Ministros apontaram três circunstâncias envolvendo essa conduta que 
revelariam a parcialidade do magistrado na condução do processo: Em primeiro 
lugar, o termo de colaboração foi juntado quando a fase de instrução processual 
havia sido encerrada, de forma que as declarações sequer estariam aptas a 
fundamentar a prolação da sentença. Em segundo, aconteceu cerca de três meses 
após a decisão judicial que o homologara. Para os Ministros, essa demora parece 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/91665c93b72f55b2e4f1048fc8289d04?categoria=12&subcategoria=130
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ter sido cuidadosamente planejada para gerar verdadeiro fato político na semana 
que antecedia o primeiro turno das eleições presidenciais. Ato contínuo à juntada, 
foi determinado o imediato levantamento do sigilo, com clara finalidade de que 
fosse dada publicidade às imputações dirigidas ao réu, sem que as circunstâncias 
narradas no ajuste fossem relevantes para a ação penal em andamento. Em 
terceiro, o fato de a juntada e o levantamento do sigilo terem ocorrido por iniciativa 
do próprio juiz, isto é, sem qualquer provocação do órgão acusatório. A 
determinação da juntada desse termo de delação, nesses moldes, consubstancia 
inequívoca quebra da imparcialidade. STF. 2ª Turma. HC 163943 AgR/PR, rel. orig. 
Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 4/8/2020 
(Info 985). 
 
Contudo, existem hipóteses elencadas pela doutrina em que a prova, em que pese ilícita e, por 
conseguinte, desentranhada dos autos, NÃO será inutilizada: 
 
1) Quando a prova PERTENCER LICITAMENTE a alguém 
− Pode ser que essa prova ilícita que foi desentranhada do processo seja um objeto qualquer que 
pertence de maneira lícita a um terceiro. 
− Ex. alguém viola o domicílio de alguém e pega uma carta. Se essa carta é reconhecida como ilícita 
num futuro processo, ela não precisa ser destruída, pois a carta, em si, é um objeto lícito 
pertencente a alguém. 
 
2) Quando a PROVA ILÍCITA CONSISTIR NO CORPO DE DELITO em relação àquele que praticou um crime 
para obtê-la. 
− A prova ilícita pode ser a prova do crime da pessoa que a produziu. 
− Ex. Caso dos policiais que foram apurar um crime de corrupção supostamente praticado por uma 
escrivã e tiraram a roupa da mulher à força (para pegar o dinheiro de corrupção que ela 
supostamente guardava na calcinha). Os policiais, inclusive, gravaram todo o fato. Se, no processo 
de apuração da corrupção, essa prova for reconhecida como ilícita, não pode ela ser destruída, 
porque ela prova a prática de crime de abuso de autoridade ou constrangimento ilegal por parte dos 
policiais. 
 
Com o advento da Lei 13.964/19 (Pacote Anticrime), foi inserido no CPP o §5º ao art. 157, com a 
seguinte redação: 
 
Art. 157. [...] § 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível 
não poderá proferir a sentença ou acórdão. (NR) 
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 O §5º positivou o que há muito tempo clamava a doutrina1, que sempre afirmou que o mero 
desentranhamento da prova ilícita nãoera a única solução a ser tomada, pois, o juiz que tem contato com a 
prova ilícita, passa a ser impedido para o julgamento. 
 
“Quanto ao problema da contaminação do juiz que teve contato com a prova ilícita 
e que deve(ria) ser impedido de julgar, o veto ao § 4º do art. 157 deve ser analisado 
a partir de seus próprios “fundamentos”, de que a exclusão desse juiz 
comprometeria a “eficácia” do processo penal, gerando tumulto nas comarcas de 
juízo único. Logo, a contrário senso, nas varas em que existam dois ou mais juízes, 
não se justificaria a manutenção do juiz contaminado! Não havendo o motivo 
apontado no veto, não há mais o menor fundamento para – erroneamente – 
manter um juiz contaminado no processo, proferindo sentença a partir da 
convicção formada com base na prova ilícita. É óbvio que o juiz que conheceu a 
prova ilícita não pode julgar, pois está contaminado. Não basta desentranhar a 
prova; deve-se “desentranhar” o juiz!” 
 
Ressalta-se que parte da doutrina afirma que não haveria impedimento se foi o próprio juiz a quo 
que identificou a ilicitude. Isso porque, como ele pode ser tido por impedido se ele se limitou a fazer o que 
manda a Constituição, ou seja, não admitir provas ilícitas? Se ele agiu em conformidade com a Constituição, 
não podemos extrair desse seu comportamento qualquer causa de impedimento. Por outro lado, se o 
reconhecimento da ilicitude proveio de uma instância superior, portanto, esse juiz não pode prosseguir, 
porque além de o juiz já ter assimilado aquela informação, para ele está tudo certo, ou seja, ele vai 
desentranhar aquela prova contra sua vontade, dando cumprimento a uma determinação que proveio de 
órgão jurisdicional de instância superior, e aí sim se justifica o seu afastamento, o seu impedimento (Marcos 
Dutra). 
 Cumpre destacar que essa novidade legislativa se encontra com a eficácia suspensa, em sede de 
medida cautelar, concedida pelo Min. Fux nas ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305. 
 
5.2 Teoria da Prova Ilícita por Derivação 
 
São meios probatórios que, não obstante lícitos em sua essência, em seu momento de produção, por 
decorrem de uma prova anteriormente obtida por meios ilícitos, são contaminados pela ilicitude originária. 
Tal vício da ilicitude originária é transmitida em razão do nexo causal existente entre elas. Ex.: confissão de 
homicídio mediante tortura. 
 
1(Jr, 2016, p. 363) 
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A prova ilícita por derivação é uma aplicação da teoria americana da árvore dos frutos envenenados, 
segundo a qual o defeito existente no tronco contamina os frutos. 
A prova ilícita por derivação surge no Direito Americano, no julgado Silverthorne Lumber Co. X EUA 
(1920) e depois outro julgado em 1939 (Caso Nardone x EUA). A partir desse segundo julgado, começa a ser 
utilizada a chamada Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada (“fruits of poisonous tree theory”). 
No Brasil, ao julgar o HC 80.949, o STF considerou ilícita uma gravação feita por policiais de confissão 
do acusado sem que houvesse advertência formal quanto ao direito ao silêncio. 
Essa teoria era somente adotada pela jurisprudência, mas com a reforma do CPP em 2008, tornou-
se texto legal (art. 157, §1º): 
 
Art. 157, § 1o São também inadmissíveis AS PROVAS DERIVADAS DAS ILÍCITAS, 
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou 
quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das 
primeiras. 
 
Veja uma decisão em que o STJ aborda expressamente a teoria (REsp 1.630.097/RJ – 5ª T. STJ): 
 
O Tribunal de origem considerou que, embora nada de ilícito houvesse sido 
encontrado em poder do acusado, a prova da traficância foi obtida em flagrante 
violação ao direito constitucional à não autoincriminação, uma vez que aquele foi 
compelido a reproduzir, contra si, conversa travada com terceira pessoa pelo 
sistema viva-voz do celular, que conduziu os policiais à sua residência e culminou 
com a arrecadação de todo material estupefaciente em questão. 2. Não se cogita 
estar diante de descoberta inevitável, porquanto este fenômeno ocorre quando a 
prova derivada seria descoberta de qualquer forma, com ou sem a prova ilícita, o 
que não se coaduna com o caso aqui tratado em que a prova do crime dependeu 
da informação obtida pela autoridade policial quando da conversa telefônica 
travada entre o suspeito e terceira pessoa. 3. O relato dos autos demonstra que a 
abordagem feita pelos milicianos foi obtida de forma involuntária e coercitiva, por 
má conduta policial, gerando uma verdadeira autoincriminação. Não se pode 
perder de vista que qualquer tipo de prova contra o réu que dependa dele mesmo 
só vale se o ato for feito de forma voluntária e consciente.4. Está-se diante de 
situação onde a prova está contaminada, diante do disposto na essência da teoria 
dos frutos da árvore envenenada (fruits of the poisonous tree), consagrada no art. 
5º, inciso LVI, da Constituição Federal, que proclama a nódoa de provas, 
supostamente consideradas lícitas e admissíveis, mas obtidas a partir de outras 
declaradas nulas pela forma ilícita de sua colheita. 
 
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5.2.1 Limitações à Teoria da Prova Ilícita por Derivação 
 
Com o passar dos anos, a Suprema Corte Americana entendeu que a Teoria da Prova Ilícita por 
Derivação não poderia ser aplicada de forma ilimitada. Diante disso, surgiram teorias que visam a licitude da 
prova. 
São elas: Teoria da Fonte Independente, Descoberta Inevitável, Nexo Atenuado e Teoria do Encontro 
Fortuito de Prova. 
 
I. TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE 
 
Trata-se da prova obtida de forma independente, não sendo contaminada pelo veneno da prova 
ilícita. Assim, de um lado ela tem relação com a prova ilícita, mas por outro lado tem uma fonte independente 
que a torna lícita. 
Segundo Renato Brasileiro, “se o órgão da persecução penal demonstrar que obteve, legitimamente, 
novos elementos de informação a partir de uma fonte autônoma de prova, que não guarde qualquer relação 
de dependência, nem decorra da prova originariamente ilícita, com esta não mantendo vínculo causal, tais 
dados probatórios são admissíveis, porque não contaminados pela mácula da ilicitude originária”. 
Essa teoria tem origem no direito americano (The Independent Source Limitation) no caso Bynum X 
US, onde o cidadão foi preso ilegalmente e, com essa prisão, fizeram uma identificação datiloscópica. Com a 
identificação (ilegal por derivação) acharam suas digitais na cena do crime. Pela ilegalidade, a Corte exclui 
essa identificação. No entanto, posteriormente, verificaram que já existia uma identificação no sistema do 
FBI, de forma independente, o que possibilitou o processo e acondenação do Bynum. 
A Teoria da Fonte Independente já era adotada pelo STF (RHC 90.376, HC 83921), vindo a ser inserida 
no art. 157, §1º. 
 
Art. 157, § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo 
quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as 
derivadas puderem ser obtidas por uma FONTE INDEPENDENTE das primeiras. 
 
ATENÇÃO: Segundo a doutrina, o legislador teria cometido um equívoco na redação do art. 157, §2º, pois na 
verdade ele conceituou no § 2º não a limitação da fonte independente, mas a teoria da descoberta inevitável 
da prova. 
 
II. TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL 
 
Essa teoria também tem origem no direito norte-americano (The Inevitable Discovery Limitation) no 
julgado Nix X Williams II (1984). O cidadão era suspeito de matar alguém, porém o cadáver não era localizado. 
Ele foi coagido e confessou onde estava o cadáver, que foi apreendido (prova ilícita por derivação). No 
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entanto, no caso concreto, 200 voluntários da cidade já estavam fazendo uma varredura atrás do cadáver. A 
Suprema Corte então decidiu: Realmente o cadáver foi descoberto por meio ilícito, porém na situação 
concreta, como os 200 moradores já estavam nas imediações do cadáver, a descoberta seria inevitável, 
portanto, a apreensão do cadáver foi lícita. 
Segundo Renato Brasileiro, “se restar demonstrado que a prova derivada da ilícita seria produzida de 
qualquer modo, independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida”. 
Cuidado: Não é possível se valer dessa teoria com base em dados meramente especulativos, sendo 
indispensável a existência de dados concretos, que demonstrem que a descoberta seria inevitável. Em outras 
palavras: a descoberta inevitável que conduz à licitude de uma prova colhida de forma irregular está pautada 
em um JUÍZO DE INEVITABILIDADE. Assim, as provas ilícitas podem ser aproveitadas desde que seja 
cabalmente provado que a prova chegaria nos autos de qualquer maneira (juízo de inevitabilidade), 
considerando-se o rumo regular e lícito das investigações, o que tornaria irrelevante a sua obtenção 
primária ilícita. 
O STJ (HC 52.995) foi o primeiro Tribunal Superior a adotar a Limitação da Descoberta Inevitável. O 
STF possui alguns precedentes adotando a referida teoria (HC 91.867). 
 
STJ: “(...) A inviolabilidade dos sigilos é a regra, e a quebra, a exceção. Sendo 
exceção, deve-se observar que a motivação para a quebra dos sigilos seja de tal 
ordem necessária que encontre apoio no princípio da proporcionalidade, sob pena 
de se considerarem ilícitas as provas decorrentes dessa violação. Assim, a par da 
regra da liberdade dos meios de prova, excetua-se a utilização daquelas obtidas por 
meios ilegais, conforme dispõe o inciso LVI do art. 5º da Constituição Federal, 
inserindo-se, nesse contexto, as oriundas da quebra de sigilo sem autorização 
judicial devidamente motivada. Entretanto, no caso, há que se fazer duas 
considerações essenciais que afastam, por completo, a proteção que ora é 
requerida por meio de reconhecimento de nulidade absoluta do feito. A primeira 
diz respeito a própria essência dessa nulidade que, em tese, ter-se-ia originado com 
a publicidade dada pelo banco ao sobrinho da vítima, que também era seu 
herdeiro. (...) Tratou-se toda a operação bancária de um golpe efetivado por meio 
de um engodo. Titularidade solidária que detinha uma das pacientes e que agora é 
reclamada para efeitos de autorização legal, decorreu de ilícito efetivado contra 
vítima. Pretende-se, na verdade, obter benefício com a própria prática criminosa. 
Impossibilidade de se beneficiar da própria torpeza. A segunda consideração, não 
menos importante, é que o extrato ou documento de transferência foi obtido por 
herdeiro da vítima, circunstância que ocorreria de qualquer maneira após a sua 
habilitação em inventário, a ensejar, da mesma maneira, o desenrolar do 
processo tal qual como ocorreu na espécie. Acolhimento da teoria da descoberta 
inevitável; a prova seria necessariamente descoberta por outros meios legais. No 
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caso, repita-se, o sobrinho da vítima, na condição de herdeiro, teria, 
inarredavelmente, após a habilitação no inventário, o conhecimento das 
movimentações financeiras e, certamente, saberia do desfalque que a vítima 
havia sofrido; ou seja, a descoberta era inevitável. Ordem denegada” (STJ, 6ª 
Turma, HC 52.995/AL, Rel. Min. Og Fernandes, Dje 04/10/2010) 
 
Para muitos doutrinadores, essa teoria teria sido adotada pelo legislador no art. 157, §2º, in verbis: 
 
Art. 157, §2o Considera-se fonte independente (descoberta inevitável) aquela que 
por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou 
instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. 
 
 Cuidado para não confundir com a teoria da fonte independente vista acima! Com efeito, quando 
o referido dispositivo faz menção à fonte independente, quis, na verdade, trazer o conceito da limitação da 
descoberta inevitável. 
 
Obs.: Alguns doutrinadores (posição minoritária) afirmam que a adoção desta teoria pelo Brasil seria 
inconstitucional, pois ela estaria limitando excessivamente a vedação da prova ilícita constante da CF. 
 
III. LIMITAÇÃO DA MANCHA PURGADA, NEXO ATENUADO OU TINTA DILUÍDA (TEORIA DOS VÍCIOS 
SANADOS) 
 
Como todas as demais, essa teoria também tem origem no Direito Americano (Teoria dos Vícios 
Sanados ou da Tinta Diluída ou da Mancha Purgada – “Purge Taint Limitation” ou “Atenuated Connection 
Limitation”). 
Ocorre quando um ato posterior, totalmente independente, afasta a ilicitude originária. O vício da 
ilicitude originária é atenuado em virtude do espaço temporal decorrido entre a prova primária e a 
secundária, ou por conta de circunstâncias supervenientes na cadeia probatória ou da vontade de um dos 
envolvidos em colaborar com a persecução criminal. 
Essa teoria foi adotada no caso Wong Sun v. United States (1963). Nesse caso, policiais da 'delegacia 
de entorpecentes' entraram num domicílio sem 'causa provável' (indícios probatórios necessários para tal) e 
prenderam ilegalmente 'A', o qual, quase imediatamente depois, acusou 'B' de ter vendido a droga. Os 
policiais, em seguida, prenderam ilegalmente 'B', o qual, por sua vez, indicou 'C', que também foi preso 
ilegalmente. Vários dias mais tarde, depois de 'C' ter sido libertado, 'C' voluntariamente confessou oralmente 
aos policiais da delegacia de entorpecentes, durante seu interrogatório policial. A Suprema Corte excluiu a 
apreensão da droga encontrada com 'B' e as declarações de 'B' por terem sido 'frutos'da entrada ilegal na 
sua casa e da sua prisão ilegal. 
Entretanto, rejeitou que a confissão de 'C' fosse fruto da sua prisão ilegal, pois, embora 'C' pudesse 
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nunca ter confessado se ele jamais tivesse sido preso ilegalmente, sua ação voluntária de confessar, depois 
de ter sido solto e alertado de seus direitos, tinha tornado a conexão entre a prisão e a declaração tão 
atenuada que a 'nódoa' da ilegalidade tinha se dissipado. 
A prova primária e a secundária, ou por conta de circunstâncias supervenientes na cadeia probatória 
ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução criminal. 
Segundo Renato Brasileiro, “não se aplica a teoria da prova ilícita por derivação se o nexo causal 
entre a prova primária e a secundária for atenuado em virtude do decurso do tempo, de circunstâncias 
supervenientes na cadeia probatória, da menor relevância da ilegalidade ou da vontade de um dos envolvidos 
em colaborar com a persecução criminal. Nesse caso, apesar de já ter havido a contaminação de um 
determinado meio de prova em face da ilicitude ou ilegalidade da situação que o gerou, um acontecimento 
futuro expurga, afasta, elide esse vício, permitindo-se, assim, o aproveitamento da prova inicialmente 
contaminada”. 
Alguns doutrinadores (Andrei Borges de Mendonça e Guilherme Madeira) entendem que essa teoria, 
também, foi colocada no art. 157, §1º, in verbis: 
 
Art. 157, § 1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas (prova 
ilícita por derivação), salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre 
umas e outras (teoria da tinta diluída), ou quando as derivadas puderem ser obtidas 
por uma fonte independente das primeiras (teoria da fonte independente). 
 
 No âmbito dos Tribunais, há precedente do STJ reconhecendo a aplicação da teoria: 
 
AÇÃO PENAL ORIGINÁRIA. COOPERAÇÃO JURÍDICA INTERNACIONAL. PROVA 
PRODUZIDA NO EXTERIOR. PARÂMETRO DE VALIDADE. ADMISSIBILIDADE NO 
PROCESSO. ORDEM PÚBLICA, SOBERANIA NACIONAL E BONS COSTUMES. 
VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PROVAS ILÍCITAS DERIVADAS. FRUTOS DA ÁRVORE 
ENVENENADA. EXCEÇÕES. TEORIA DA MANCHA PURGADA. NEXO DE 
CAUSALIDADE. ATENUAÇÃO.PRERROGATIVA DE FORO. CONEXÃO E CONTINÊNCIA. 
COMPETÊNCIA. DESMEMBRAMENTO. FORO PREVALENTE. ART. 78 DO CPP. 
PREJUÍZO CONCRETO. DEFESA. AUSÊNCIA. CORRUPÇÃO PASSIVA QUALIFICADA. 
APTIDÃO DA DENÚNCIA. LAVAGEM DE DINHEIRO. CONSUNÇÃO. MATÉRIA DE 
PROVA. ATIPICIDADE. INOCORRÊNCIA. RECEBIMENTO. 
(...) 
5. De acordo com a teoria do nexo causal atenuado ou da mancha purgada, i) o 
lapso temporal decorrido entre a prova primária e a secundária; ii) as circunstâncias 
intervenientes na cadeia probatória; iii) a menor relevância da ilegalidade; ou iv) a 
vontade do agente em colaborar com a persecução criminal, entre outros 
elementos, atenuam a ilicitude originária, expurgando qualquer vício que possa 
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recair sobre a prova secundária e afastando a inadmissibilidade de referida prova.6. 
Na presente hipótese, as provas encaminhadas ao MP brasileiro são legítimas, 
segundo o parâmetro de legalidade suíço, e o meio de sua obtenção não ofende a 
ordem pública, a soberania nacional e os bons costumes brasileiros, até porque 
decorreu de circunstância autônoma interveniente na cadeia causal, a qual 
afastaria a mancha da ilegalidade existente no indício primário. Não há, portanto, 
razões para a declaração de sua inadmissibilidade no presente processo. (APn 
856/DF, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/10/2017, 
DJe 06/02/2018; grifou-se). 
 
IV. TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS 
 
A teoria do encontro fortuito ou casual de provas é utilizada nos casos em que, no cumprimento de 
uma diligência relativa a um delito, a autoridade policial casualmente encontra provas pertinentes à outra 
infração penal, que não estavam na linha de desdobramento normal da investigação. 
Fala-se em encontro fortuito de provas ou serendipidade quando a prova de determinada infração 
penal é obtida a partir de diligência regularmente autorizada para a investigação de outro crime. Nesses 
casos, a validade da prova inesperadamente obtida está condicionada à forma como foi realizada a diligência: 
se houve desvio de finalidade, abuso de autoridade, a prova NÃO deve ser considerada válida; se o encontro 
da prova foi casual, fortuito, a prova É válida. 
● Se tais elementos forem obtidos de maneira fortuita, são plenamente válidos; 
● Se tiver ocorrido desvio de finalidade, deve ser reconhecida a ilicitude da prova. 
 
Ex.: Alguém mantém um tigre em casa e o IBAMA descobre, de modo que se solicita ao juiz um 
mandado de busca e apreensão para o tigre. No cumprimento do mandado, a autoridade policial entra na 
casa e começa a abrir gavetas, de modo que encontra documentos que comprovam um crime tributário. 
Pode usar esse documento como prova? Nesse caso, como a autoridade abre gavetas, ele está 
desviando a finalidade de buscar o tigre. Portanto, a prova é ilícita. Se fosse o contrário, ou seja, procurando 
documentos e achasse o tigre por acaso, seria lícito. 
A teoria do encontro fortuito de provas não deve ser trabalhada única e exclusivamente para as 
hipóteses de cumprimento de mandados de busca e apreensão. Sua utilização também se apresenta útil no 
tocante ao cumprimento de interceptações telefônicas. Isso porque é comum que, no curso de uma 
interceptação telefônica regularmente autorizada pelo juiz competente para investigar crime punido com 
pena de reclusão, sejam descobertos elementos probatórios relativos a outros delitos e/ou outros indivíduos. 
Em tais hipóteses, verificando-se que não houve desvio de finalidade no cumprimento da diligência, dúvidas 
não temos quanto à validade dos elementos assim obtidos. 
 
A serendipidade pode ser classificada conforme o grau: 
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▪ Serendipidade ou encontro fortuito de 1º grau: Ocorre quando os encontros fortuitos são de fatos 
conexos ou continentes com os fatos sob investigação. Nesse caso, a prova produzida pode ser 
valorada pelo juiz.▪ Serendipidade ou encontro fortuito de 2º grau: Ocorre quando se trata de fatos não conexos ou 
quando não exista continência com os fatos sob investigação. Nesse caso, a prova produzida vale 
como notitia criminis. 
 
A serendipidade pode, ainda, ser objetiva ou subjetiva: 
 
▪ Serendipidade subjetiva: Ocorre quando, no curso da medida, surgirem indícios do envolvimento 
criminoso de outra pessoa que inicialmente não estava sendo investigada. Ex: durante a interceptação 
telefônica instaurada para investigar João, descobre-se que um de seus comparsas é Pedro (Deputado 
Federal). 
 
▪ Serendipidade objetiva: Ocorre quando, no curso da medida, surgirem indícios da prática de outro 
crime que não estava sendo investigado. 
 
Obs.: Segundo entendimento do STF (HC 129.678), o Crime Achado é a infração penal desconhecida e não 
investigada até o momento em que se descobre o delito. Em caso concreto apreciado pelo referido órgão, 
apesar de ter sido autorizada para investigar um crime de tráfico de drogas, a interceptação telefônica 
acabou por revelar a prática de um delito de homicídio. Nesse caso, presentes os requisitos constitucionais 
e legais, a prova deve ser considerada lícita. 
 
Obs.: Mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia. 
 
De acordo com a Lei 8.906/94, com redação dada pela Lei 11.767/08, o mandado de busca e 
apreensão a ser realizado em escritório de advocacia deve ser ESPECÍFICO e PORMENORIZADO, a ser 
cumprido na presença de representante da OAB, sendo vedada a utilização de documentos e objetos 
pertencentes a clientes do advogado investigado, salvo se tais clientes também estiverem sendo investigados 
como partícipes ou coautores do advogado. 
Ou seja, no cumprimento de mandado de busca e apreensão em escritório de advocacia NÃO se 
aplica a teoria do encontro fortuito quanto a documentos não referentes ao investigado, pois estariam 
protegidos pelo sigilo, não fazendo parte do objeto da diligência. Seria, assim, configurado um desvio de 
finalidade da diligência, ocasionando a ilicitude das provas. 
Ex.: “A” é advogado e seu escritório foi objeto de uma busca e apreensão porque “A” era suspeito de 
ter praticado o crime “X”. Durante a busca e apreensão foram apreendidos documentos relacionados com 
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“B” (cliente de “A”) que não era investigado pelo crime “X” e, por conta desses documentos apreendidos, 
“B” foi denunciado pelo crime “Y”. “B” impetrou habeas corpus no STJ afirmando que a apreensão dos 
documentos foi ilegal. 
 
CAIU EM PROVA: 
(Delegado do Estado do Rio de Janeiro 2022): Uma operação policial foi deflagrada para coibir a atividade 
ilícita de determinados ferros-velhos na região da Baixada Fluminense, onde, segundo as investigações, 
carros, produtos de furto e roubos, eram cortados e suas peças eram vendidas no mercado paralelo em todo 
o estado. Atuaram na operação 80 agentes de polícia e 10 delegados, que, munidos de mandados de busca 
e apreensão e mandados de prisão, prenderam 40 pessoas, recuperaram 120 automóveis furtados e 
roubados e centenas de peças diversas de automóveis, além de terem efetuado a prisão em flagrante de 60 
pessoas. Na operação, também foram apreendidos telefones celulares, chips, documentos de propriedade 
de veículos e diversas placas de identificação veicular. Em um desses ferros-velhos, Orozimbo, advogado, 
encontrava-se ao lado de um automóvel produto de crime. Conforme filmagens apreendidas pela polícia, ele 
havia chegado ao local nesse automóvel, minutos antes da chegada dos policiais. Ainda, um dos presos em 
flagrante disse, no momento da prisão, que grande parte dos documentos dos carros furtados e roubados 
apreendidos estava no escritório do advogado Orozimbo, guardados para serem negociados com integrantes 
de quadrilha que vendia carros no Paraguai. Os celulares apreendidos com quatro dos presos foram 
desbloqueados pelos titulares das linhas, espontânea e consentidamente, e mostravam conversas em grupos 
de aplicativos de mensagem com o chefe de quadrilha, nominado de Thief. Fotos e vídeos de integrantes da 
quadrilha, agindo nas ruas da cidade, também foram encontrados nos celulares. Os documentos pessoais de 
Thief (passaporte, identidade e CPF) ficavam no escritório de Orozimbo, guardados num cofre. 
 
Considerando essa situação hipotética, eventual procedimento de busca e apreensão no escritório do 
advogado Orozimbo será protegido pela inviolabilidade relativa, por existirem indícios da sua participação 
nos crimes objeto da operação – item considerado correto. 
 
Destaques jurisprudenciais sobre o tema Prova Ilícita: 
 
A determinação judicial para identificação dos usuários que operaram em 
determinada área geográfica, suficientemente fundamentada, não ofende a 
proteção à privacidade e à intimidade. A quebra do sigilo de dados armazenados 
não obriga a autoridade judiciária a indicar previamente as pessoas que estão 
sendo investigadas, até porque o objetivo precípuo dessa medida é justamente de 
proporcionar a identificação do usuário do serviço ou do terminal utilizado. Logo, a 
ordem judicial para quebra do sigilo dos registros, delimitada por parâmetros de 
pesquisa em determinada região e por período de tempo, não se mostra medida 
desproporcional, porquanto, tendo como norte a apuração de gravíssimos crimes, 
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não impõe risco desmedido à privacidade e à intimidade dos usuários 
possivelmente atingidos por tal diligência. STJ. 3ª Seção. RMS 61302-RJ, Rel. Min. 
Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/08/2020 (Info 678). 
 
Não é lícita a prova obtida por meio de abertura de carta, telegrama ou qualquer 
encomenda postada nos Correios, ante a inviolabilidade do sigilo das 
correspondências. Sem autorização judicial ou fora das hipóteses legais, é ilícita a 
prova obtida mediante abertura de carta, telegrama, pacote ou meio análogo. STF. 
Plenário. RE 1116949, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Min. Edson Fachin, 
julgado em 18/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 1041) (Info 993). 
 
São inválidas as provas obtidas pela guarda municipal em atividade investigativa, 
iniciada após denúncia anônima, que extrapola a situação de flagrante. Por 
unanimidade, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que são inválidas 
as provas obtidas pela guarda municipal em atividade investigativa, iniciada após 
denúncia anônima, que extrapola a situação de flagrante. Com base nesse 
entendimento, os ministros negaram provimento a recurso do Ministério Público 
que pedia o restabelecimento da sentença que condenou um homem por tráfico 
de drogas. O MP sustentava a validade das provas obtidas pelos guardas municipais 
que efetuarama prisão em flagrante do acusado. Segundo os autos, após denúncia 
anônima, os guardas municipais abordaram o réu e, não encontrando 
entorpecentes com ele, seguiram até um terreno nas proximidades, onde teriam 
apreendido maconha e filme plástico supostamente utilizado para embalar a droga 
(Resp 1.854.065, 6ª T, STJ – 20202). 
 
É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada com base unicamente 
em denúncia anônima. É ilícita a prova obtida por meio de revista íntima realizada 
com base unicamente em denúncia anônima. Caso concreto: a diretora da unidade 
prisional recebeu uma ligação anônima dizendo que Rafaela, que iria visitar seu 
marido João, tentaria entrar no presídio com droga. Diante disso, a diretora 
ordenou que a agente penitenciária fizesse uma revista minuciosa em Rafaela. Na 
revista íntima efetuada, a agente penitenciária encontrou droga escondida na 
vagina da visitante. Rafaela confessou que estava levando a droga para seu marido. 
A prova colhida é ilícita. STJ. 6ª Turma. REsp 1695349-RS, Rel. Min. Rogerio Schietti 
Cruz, julgado em 08/10/2019 (Info 659). 
 
2 Fonte: Leia mais: 
https://delegadoplantonista.webnode.com.br/news/provas-obtidas-por-guarda-municipal-por-meio-de-denuncia-
anonima-sao-invalidas/ 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4e246a381baf2ce038b3b0f82c7d6fb4?categoria=12&subcategoria=130&ano=2019&palavra-chave=il%C3%ADcita+&criterio-pesquisa=texto_literal
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A perícia realizada por perito papiloscopista não pode ser considerada prova 
ilícita nem deve ser excluída do processo. O exame de corpo de delito deve ser 
realizado por perito oficial (art. 159 do CPP). Do ponto de vista estritamente formal, 
o perito papiloscopista não se encontra previsto no art. 5º da Lei nº 12.030/2009, 
que lista os peritos oficiais de natureza criminal. Apesar disso, a perícia realizada 
por perito papiloscopista não pode ser considerada prova ilícita nem deve ser 
excluída do processo. Os peritos papiloscopistas são integrantes de órgão público 
oficial do Estado com diversas atribuições legais, sendo considerados órgão auxiliar 
da Justiça. Não deve ser mantida decisão que determinava que, quando o réu fosse 
levado ao Plenário do Júri, o juiz-presidente deveria esclarecer aos jurados que os 
papiloscopistas – que realizaram o laudo pericial – não são peritos oficiais. Esse 
esclarecimento retiraria a neutralidade do conselho de sentença. Isso porque, para 
o jurado leigo, a afirmação, pelo juiz, no sentido de que o laudo não é oficial 
equivale a tachar de ilícita a prova nele contida. Assim, cabe às partes, respeitado 
o contraditório e a ampla defesa, durante o julgamento pelo tribunal do júri, 
defender a validade do documento ou impugná-lo. STF. 1ª Turma. HC 174400 
AgR/DF, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, 
julgado em 24/9/2019 (Info 953). 
 
É ilícita a prova obtida mediante conduta da autoridade policial que atende, sem 
autorização, o telefone móvel do acusado e se passa pela pessoa sob 
investigação.Não tendo a autoridade policial permissão do titular da linha 
telefônica, ou mesmo da Justiça, para ler mensagens nem para atender ao telefone 
móvel da pessoa sob investigação e travar conversa por meio do aparelho com 
qualquer interlocutor que seja se passando por seu dono, a prova obtida dessa 
maneira arbitrária é ilícita. No caso concreto, o policial atendeu ao telefone do 
condutor, sem autorização para tanto, e passou-se por ele para fazer a negociação 
de drogas e provocar o flagrante. Esse policial também obteve acesso, sem 
autorização pessoal nem judicial, aos dados do aparelho de telefonia móvel em 
questão, lendo as mensagens. STJ. 6ª Turma. HC 511484-RS, Rel. Min. Sebastião 
Reis Júnior, julgado em 15/08/2019 (Info 655). 
 
É ilícita a prova obtida em revista pessoal feita por agentes de segurança 
particular. Caso concreto: o homem passava pela catraca de uma das estações da 
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), com uma mochila nas costas, 
quando foi abordado por dois agentes de segurança privados da empresa. Os 
seguranças acreditavam que se tratava de vendedor ambulante e fizeram uma 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/2ea1202aed1e0ce30d41be4919b0cc99?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f77ecc17109b1b806350eb7e7bbfd861?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4eb0194ddf4d6c7a72dca4fd3149e92e?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
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revista, tendo encontrado dois tabletes de maconha na mochila do passageiro. O 
homem foi condenado pelo TJ/SP por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 
11.343/2006). O STJ, contudo, entendeu que a prova usada na condenação foi ilícita 
considerando que obtida mediante revista pessoal ilegal feita pelos agentes da 
CPTM. Segundo a CF/88 e o CPP, somente as autoridades judiciais, policiais ou seus 
agentes, estão autorizados a realizarem a busca domiciliar ou pessoal. Diante disso, 
a 5ª Turma do STJ concedeu habeas corpus para absolver e mandar soltar um 
homem acusado de tráfico de drogas e condenado pelo Tribunal de Justiça de São 
Paulo com base em prova recolhida em revista pessoal feita por agentes de 
segurança privada da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). STJ. 5ª 
Turma. HC 470.937/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 04/06/2019. 
 
São ilegaisas provas obtidas por policial militar que, designado para coletar dados 
nas ruas como agente de inteligência, passa a atuar, sem autorização judicial, 
como agente infiltrado em grupo criminoso. Determinado policial militar foi 
designado para participar, nas ruas, à paisana, de passeatas e manifestações, a fim 
de coletar dados para subsidiar a Força Nacional de Segurança em atuação 
estratégica diante dos movimentos sociais e dos protestos ocorridos no Brasil em 
2014. Para essa atividade, não se exigia prévia autorização judicial. No curso de sua 
atividade originária, o referido policial, percebendo que algumas pessoas estavam 
se reunindo para planejar a prática de crimes, aproximou-se desses suspeitos, 
ganhou a sua confiança e infiltrou-se no grupo participando das conversas virtuais 
e das reuniões presenciais dos envolvidos. Assim, o policial ultrapassou os limites 
da sua atribuição original e passou a agir como agente infiltrado. Ocorre que a 
infiltração de agentes somente pode acontecer após prévia autorização judicial, o 
que não havia no caso. Diante disso, o STF declarou a ilicitude e determinou o 
desentranhamento da infiltração realizada pelo policial militar e dos depoimentos 
por ele prestados em sede policial e em juízo, nos termos do art. 157, § 3º, do CPP. 
STF. 2ª Turma. HC 147837/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/2/2019 (Info 
932). 
 
É nula decisão judicial que autoriza o espelhamento do WhatsApp via Código QR 
para acesso no WhatsApp Web. Também são nulas todas as provas e atos que dela 
diretamente dependam ou sejam consequência, ressalvadas eventuais fontes 
independentes. Não é possível aplicar a analogia entre o instituto da interceptação 
telefônica e o espelhamento, por meio do WhatsApp Web, das conversas realizadas 
pelo aplicativo WhatsApp. STJ. 6ª Turma. RHC 99735-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, 
julgado em 27/11/2018 (Info 640). 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/5fde40544cff0001484ecae2466ce96e?categoria=12&subcategoria=130&assunto=422&ano=2019
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Sem consentimento do réu ou prévia autorização judicial, é ilícita a prova, colhida 
de forma coercitiva pela polícia, de conversa travada pelo investigado com 
terceira pessoa em telefone celular, por meio do recurso "viva-voz", que conduziu 
ao flagrante do crime de tráfico ilícito de entorpecentes. No julgamento do RHC 
51.531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 5/9/2016, esta Corte teve 
a oportunidade de apreciar matéria semelhante ao caso aqui tratado, considerando 
ilícito o acesso aos dados do celular e das conversas de whatsapp extraídas do 
aparelho celular da acusada, dada a ausência de ordem judicial para tanto, ao 
entendimento de que, no acesso aos dados do aparelho, se tem a devassa de dados 
particulares, com violação à intimidade do agente. No caso presente, embora nada 
de ilícito houvesse sido encontrado em poder do acusado, a prova da traficância foi 
obtida em flagrante violação ao direito constitucional à não autoincriminação, uma 
vez que aquele foi compelido a reproduzir, contra si, conversa travada com terceira 
pessoa pelo sistema viva-voz do celular, que conduziu os policiais à sua residência 
e culminou com a arrecadação de todo material estupefaciente em questão. Desse 
modo, está-se diante de situação onde a prova está contaminada, diante do 
disposto na essência da teoria dos frutos da árvore envenenada (fruit sof the 
poisonous tree), consagrada no art. 5º, inciso LVI, da Constituição Federal, que 
proclama a nódoa de provas, supostamente consideradas lícitas e admissíveis, mas 
obtidas a partir de outras declaradas nulas pela forma ilícita de sua colheita. 5ª 
Turma. REsp 1.630.097-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 18/4/2017 
 
Mesmo sem autorização judicial, polícia pode acessar conversas do Whatsapp da 
vítima morta, cujo celular foi entregue pela sua esposa. Não há ilegalidade na 
perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, 
na hipótese em que seu proprietário - a vítima - foi morto, tendo o referido telefone 
sido entregue à autoridade policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma.RHC 86076-MT, 
Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 
19/10/2017 (Info 617). Cuidado para não confundir: Sem prévia autorização 
judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração de dados e 
de conversas registradas no Whatsapp presentes no celular do suposto autor de 
fato delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão 
em flagrante. STJ. 5ª Turma. RHC 67379-RN, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 
20/10/2016 (Info 593). STJ. 6ª Turma. RHC 51531-RO, Rel. Min. Nefi Cordeiro, 
julgado em 19/4/2016 (Info 583). 
 
 
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META 2 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE II) 
 
6. ÔNUS DA PROVA 
 
O ônus da prova é o encargo (faculdade) que recai sobre a parte de provar a veracidade do fato por 
ela alegado, resultando de sua inatividade uma situação de desvantagem perante o Direito. O que se prova 
na verdade é a afirmativa, porque o fato em si não tem como ser provado. 
 
6.1 Distribuição do Ônus da Prova 
 
O art. 156, CPP, dispõe que a prova da alegação incumbirá a quem a fizer. Nesse contexto, há duas 
correntes que tratam sobre a distribuição do ônus da prova no Processo Penal. Vejamos: 
 
1ª C (minoritária): O acusado não possui nenhumônus da prova do Processo Penal, uma vez que a CF 
consagra o princípio da presunção de inocência. Desta forma, o ônus da prova recai, integralmente, sobre a 
acusação. Para essa corrente, inclusive, o art. 156, CPP seria inconstitucional, por violação ao art. 5, LVIII, CF. 
Nesse sentido Aury Lopes Jr. 
 
2ª C (majoritária): É possível haver distribuição do ônus da prova. Portanto, haverá ônus da prova para 
acusação e para a defesa. Nesse sentido, tem-se: 
 
ÔNUS DA ACUSAÇÃO ÔNUS DA DEFESA 
⦁ Existência de fato típico (1) 
⦁ Autoria/Participação 
⦁ Nexo causal 
⦁ Dolo/Culpa (alguns defendem que 
seriam presumidos) (2) 
 
Obs. deve haver um juízo de certeza. 
⦁ Causas excludentes de ilicitude 
⦁ Causas excludentes de culpabilidade 
⦁ Causas extintivas de punibilidade 
⦁ Álibi (3) 
 
(1) Pela teoria da ratio cognoscendi (ou indiciariedade) se o fato é típico, presume-se que seja ilícito. 
Por isso, a acusação só prova a tipicidade, pois quanto ao resto há uma presunção iuris tantum 
(relativa) da existência. Diante disso, caso provada a tipicidade, mas havendo dúvida no caso da 
excludente da ilicitude, deveria o juiz condenar, pois a tipicidade é indício da ilicitude, mas não foi 
esse o entendimento do CPP. 
(2) Quanto à culpa, a doutrina é pacífica quanto à necessidade de prova da acusação. Já no que se refere 
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ao dolo, muitos autores dizem ser presumido, não precisando de prova, ou seja, cabendo à defesa 
provar sua ausência. No entanto, tal entendimento não procede, principalmente em um Estado onde 
vige o princípio da presunção de inocência do acusado. A prova do dolo é feita a partir da análise dos 
elementos objetivos do caso concreto, até porque não é possível provar um elemento intelectivo. 
Devem ser observados os elementos objetivos para chegar à conclusão da existência do dolo. 
(3) Espécie de prova indireta da defesa. 
 
6.2 Da Iniciativa Probatória do Juiz e o Sistema Acusatório 
 
A principal alteração no capítulo de provas com o advento da Lei 13.964/19, a nosso ver, foi a 
reafirmação do sistema acusatório e a vedação imposta ao juiz de substituir as partes na atividade 
probatória, conforme Art. 3- A do CPP: 
 
Art. 3º-A. O processo penal terá estrutura acusatória, vedada a iniciativa do juiz na 
fase de investigação e a substituição da atuação probatória do órgão de acusação. 
 
Apesar do novo Art. 3-A do CPP, a Lei 13.964/19 NÃO alterou de forma expressa o art. 156 do CPP, 
que positiva a iniciativa probatória do juiz. Dispõe o referido artigo que é facultado ao juiz, de ofício: 
 
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de 
provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação 
e proporcionalidade da medida; 
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização 
de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. 
 
Nesse contexto, parte da doutrina considera que o art. 156 do CPP foi tacitamente revogado. 
Entretanto, é preciso aguardar o posicionamento da jurisprudência a respeito do tema. 
 
 
7. SISTEMAS DE AVALIAÇÃO (VALORAÇÃO) DA PROVA: 
 
a) Sistema das Ordálias (Ordálios) / “Juízos de Deus”: Ordálio ou ordália é um tipo de prova judiciária 
usada para determinar a culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos da natureza 
e cujo resultado é interpretado como um juízo divino. Também é conhecido como juízo de Deus (judicium 
Dei, em latim). 
Atribuía-se uma vontade divina na avaliação das provas. Um exemplo era a chamada prova pelo fogo, 
hipótese na qual, caso o sujeito caminhasse tantos metros sobre a brasa, seria considerado inocente. Assim, 
buscava-se na revelação divina a inocência ou culpabilidade do réu. 
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b) Sistema da Íntima Convicção / da Certeza Moral do Juiz: 
 
Utiliza duas premissas importantes: 
1 O juiz é livre para valorar as provas; 
2 O juiz não é obrigado a fundamentar o seu convencimento. 
Perceba que, como o juiz não é obrigado a fundamentar seu convencimento, nada impede que se 
utilize de provas que não constem dos autos do processo. Além disso, pode empregar conhecimentos 
particulares sobre a demanda. Isso porque, não há como analisar o caminho percorrido pelo juiz para chegar 
à sua conclusão. 
 
ATENÇÃO: Em regra, não é adotado no Brasil, salvo em relação aos jurados no Tribunal do Júri, que possuem 
ampla liberdade para valoração das provas, dispensando-se a fundamentação da decisão, enquanto juízes 
leigos. Essa disciplina não se aplica às decisões do juiz da 1ª fase do procedimento, bem como do juiz-
presidente, que devem ser fundamentadas. 
 
c) Sistema da Verdade Legal / Tarifário de Provas / da Certeza Moral do Legislador: Os meios de 
prova têm valor probatório fixado em abstrato pelo legislador, cabendo ao juiz fazer tão somente um cálculo 
aritmético. 
Era o sistema probatório que vigorava no processo inquisitorial (que se opõe ao sistema acusatório 
adotado pela CF/88). A confissão, por exemplo, tinha valor absoluto, por isso, muitas vezes, utilizava-se a 
tortura para que o suposto acusado confessasse (“rainha das provas”). 
Em regra, não é adotado no Brasil. Há algumas exceções. Vejamos: 
 
1) Prova quanto ao estado das pessoas – Está sujeita às restrições estabelecidas na lei civil. Ex.: certidão 
de casamento, certidão de óbito e certidão de nascimento. 
 
Art. 155, § único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as 
restrições estabelecidas na lei civil. 
 
Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de óbito, 
e depois de ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade. 
 
Súmula. 74 STJ: Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu 
(menor de 21 anos – atenuante) requer prova por documento hábil. 
 
2) Crimes que deixam vestígios – Há necessidade de exame de corpo e delito. 
 
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CPP, Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de 
corpo de delito, direto ou indireto,não podendo supri-lo a confissão do acusado. 
 
d) Sistema do Livre Convencimento Motivado / da Persuasão Racional do Juiz: Alguns 
doutrinadores, sob a ótica do CPC, afirmam que o correto é Sistema do Convencimento Motivado e não mais 
utilizado a expressão “livre”. 
Sobre o tema, ensina Renato Brasileiro: 
 
“De acordo com o sistema do livre convencimento motivado (persuasão racional 
ou livre apreciação judicial da prova), o magistrado tem ampla liberdade na 
valoração das provas constantes dos autos, as quais têm, legal e abstratamente, o 
mesmo valor, porém se vê obrigado a fundamentar sua decisão” 
 
Logo, possui duas principais características: 
1 O juiz possui ampla liberdade na valoração da prova, que tem abstratamente o mesmo valor. Basta 
que a prova seja admitida pela lei e submetida a um prévio juízo de credibilidade, não podendo ser 
ilícita ou ilegítima 
2 O juiz é obrigado a fundamentar. Permite às partes não somente aferir que a convicção foi realmente 
extraída do material probatório constante dos autos, como também analisar os motivos legais que 
levaram o magistrado a firmar sua conclusão, viabilizando o exercício do direito de defesa. 
 
ATENÇÃO: Em regra, é o sistema adotado pelo Brasil. 
 
Encontra-se previsto no art. 93, IX da CF, art. 155 do CPP e 401, §1º, CPP (conforme informativo 918 
do STF) 
 
Art. 93, CF. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá 
sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: 
(...) 
IX- todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
FUNDAMENTADAS TODAS AS DECISÕES, sob pena de nulidade, podendo a lei 
limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, 
ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do 
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; 
 
Art. 155, CPP. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova 
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão 
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exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas 
as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. 
Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as 
restrições estabelecidas na lei civil. 
 
Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo 
de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à 
inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, 
ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como os esclarecimentos dos 
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, 
em seguida, o acusado. 
§1º As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as 
consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. 
 
Efeitos da adoção do Sistema do Convencimento Motivado pelo ordenamento brasileiro: 
 
✔ Não existe prova de valor absoluto → ausência de hierarquia, toda prova tem valor relativo, inclusive a 
confissão (outrora considerada como a rainha das provas) tem valor relativo à luz do art. 197 do CPP. 
✔ Ausência de limitação quanto aos meios de prova, sendo admitidas provas inominadas; 
✔ O juiz deve valorar todas as provas produzidas no processo, mesmo que para afastá-las (ex.: mesmo que 
o juiz não acolha, se ele a afastar, deverá declarar o motivo). Assim, não basta o direito a produzir a 
prova, surge o direito de que a prova seja apreciada pelo juiz (garantia do contraditório). 
✔ Somente são válidas as provas constantes do processo, conhecimentos privados do juiz não tem 
validade. 
 
O direito à produção de provas não é absoluto, haja vista que a própria lei 
processual penal, em seu artigo 400, § 1º, faculta ao julgador, desde que de forma 
fundamentada, indeferir as provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou 
protelatórias. STF. 2ª Turma. HC 191858, 628075, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 
em 30/11/2020. 
 
Explicação via Dizer o Direito: 
O julgador deve realizar um controle de admissibilidade de provas requeridas pelas 
partes, a partir dos critérios de relevância e pertinência. 
Assim, é a doutrina de Gustavo Badaró: “nos sistemas probatórios em que às partes 
é assegurado um verdadeiro direito à prova, os critérios de admissibilidade devem 
ser concebidos a partir de um regime de inclusão: a regra é que os meios de prova 
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requeridos pelas partes devem ser admitidos. Somente haverá exclusão nos casos 
de manifesta irrelevância ou impertinência do meio probatório requerido pelas 
partes”. (Processo Penal. 6ª ed. RT, 2018. p. 409). 
 
A discricionariedade associada ao deferimento da produção probatória decorre 
implicitamente do sistema de persuasão racional, em que o Estado-Juiz figura como 
destinatário do conjunto probatório e atua, mediante critérios de liberdade 
regrada, nas etapas de admissão e valoração da prova (AgR no HC 173.777, Rel. 
Min. Edson Fachin, Segunda Turma, DJe 12.12.2019). 
 
e) Teoria racionalista da prova: O STF, em um julgado da 2ª Turma, publicado no Informativo 935, 
diante da análise da temática do in dubio pro societate no processo penal, propôs a adoção de um novo 
sistema de valoração da prova, o sistema racionalista. 
Saindo de um sistema em que os critérios eram totalmente vinculados, passou-se para um modelo 
de “livre convencimento”, em que uma pretensa liberdade do julgador ocasionou total abertura à 
discricionariedade no juízo de fatos. 
Por isso, é importante que adote uma teoria racionalista da prova segundo a qual: 
● Não deve haver critérios de valoração das provas rigidamente definidos na lei; 
● Por outro lado, o juízo sobre os fatos deve ser pautado por critérios de lógica e racionalidade, podendo 
ser controlado em âmbito recursal ordinário. 
 
A valoração racional da prova é uma imposição constitucional decorrente: 
● Do direito à prova (art. 5º, LV, CF/88); e 
● Do dever de motivação das decisões judiciais (art. 93, IX). 
 
Um pressuposto fundamental para a adoção de uma teoria racionalista da prova é a definição de 
Standards Probatórios, que são denominados “Modelos de Constatação” (KNIJNIK, Danilo. A prova nos 
juízos cível, penal e tributário. Forense, 2007, p. 37). 
Os modelos de constatação são níveis de convencimento ou de certeza, que servem de critério para 
que seja proferida decisão em determinado sentido. Ex.: O modelo de constatação para se condenar alguém 
é baseado em provas concretas produzidas sob o crivo do contraditório e da ampladefesa no processo 
judicial. 
Em resumo, a teoria racionalista da prova propõe a criação de parâmetros para a valoração da prova, 
já que, segundo a teoria, o livre convencimento motivado poderia dar margem ao decisionismo e a 
fundamentações vazias. Como parâmetro de valoração trabalha com a ideia de “standards probatórios” ou 
“modelos de constatação”, que são critérios racionais e objetivos. 
Sobre o tema, ainda, destaca Renato Brasileiro que: 
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“Em razão do influxo do direito material em jogo e da regra probatória do in dubio 
pro reo, não se pode negar que o processo penal adota um standard de prova 
bastante elevado para a desconstituição do estado de inocência do acusado. Esse 
grau de convencimento necessário para a prolação de uma sentença condenatória, 
baseado em provas além de qualquer dúvida razoável, não é o mesmo standard 
necessário, todavia, para outras decisões ao longo da persecução penal. É dizer, os 
standards probatórios podem variar de acordo com as diferentes decisões que 
são proferidas pelo magistrado ao longo do processo. 
 
A título de exemplo, oferecida uma denúncia anônima perante o Ministério Público, 
não se admite, de imediato, a instauração de um inquérito policial. Antes, incumbe 
verificar a procedência das informações. Para a decretação de uma medida 
cautelar, como, por exemplo, a prisão preventiva, o art. 312 do CPP impõe a 
presença de prova da materialidade (juízo de certeza) e indícios de autoria (juízo de 
probabilidade). Oferecida a peça acusatória, incumbe ao magistrado aferir se há 
justa causa para o processo penal (CPP, art. 395, III). A pronúncia, por sua vez, 
demanda não apenas o convencimento quanto à materialidade, mas também a 
presença de indícios suficientes de autoria (CPP, art. 413). Por fim, para que alguém 
seja condenado, é necessário um juízo de certeza acerca da autoria e da 
materialidade além de qualquer dúvida razoável.” 
 
8. CADEIA DE CUSTÓDIA DAS PROVAS 
 
 É preciso conhecer a literalidade dos dispositivos que disciplinam a matéria, cuja regulamentação no 
CPP advém da inclusão pela Lei 13.964/19. 
 
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos 
utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em 
locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu 
reconhecimento até o descarte. 
§ 1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou 
com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de 
vestígio. 
§ 2º O agente público que reconhecer um elemento como de potencial interesse 
para a produção da prova pericial fica responsável por sua preservação. 
§ 3º Vestígio é todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou 
recolhido, que se relaciona à infração penal. 
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Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: 
I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse 
para a produção da prova pericial; 
II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e 
preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de 
crime; 
III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime 
ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada 
por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo 
pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; 
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, 
respeitando suas características e natureza; 
V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é 
embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, 
químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome 
de quem realizou a coleta e o acondicionamento; 
VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as 
condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo 
a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de 
sua posse; 
VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser 
documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de 
procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de 
quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do 
vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu; 
VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com 
a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim 
de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido 
por perito; 
IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, 
do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia, 
descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente; 
X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a 
legislação vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial. 
 
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Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito 
oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo 
quando for necessária a realização de exames complementares. 
§ 1º Todos vestígios coletados no decurso do inquérito ou processo devem ser 
tratados como descrito nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial de 
natureza criminal responsável por detalhar a forma do seu cumprimento. 
§ 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer 
vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito responsável, 
sendo tipificada como fraude processual a sua realização. 
 
Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígioserá determinado pela 
natureza do material. 
§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração 
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio 
durante o transporte. 
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características, 
impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço 
para registro de informações sobre seu conteúdo. 
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e, 
motivadamente, por pessoa autorizada. 
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de 
acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local, 
a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado. 
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente. 
 
Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de custódia 
destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser vinculada 
diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal. 
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para 
conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a 
seleção, a classificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro 
e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do 
vestígio. 
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser 
protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a 
eles se relacionam. 
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser 
identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso. 
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§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser 
registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a 
destinação, a data e horário da ação. 
 
Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central 
de custódia, devendo nela permanecer. 
Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de 
armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária 
determinar as condições de depósito do referido material em local diverso, 
mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza 
criminal. 
 
CAIU EM PROVA: 
(Delegado do Estado de Goiás 2022): Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos 
utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de 
crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte- item considerado 
correto. 
 
8.1 Considerações iniciais 
 
“A cadeia de custódia contribui para a validação da prova pericial e o respectivo 
laudo gerado”. (Ettore Ferrari Júnior) 
 
A cadeia de custódia é um conceito que já era utilizado em todas as disciplinas que integram as 
ciências criminalísticas e consiste, segundo o art. 158-A do CPP, no conjunto de todos os procedimentos 
utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas 
de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte. 
A cadeia de custódia possui a função de garantir a integridade da prova. Nesse contexto, assegura 
a idoneidade e rastreabilidade dos vestígios com a finalidade de preservar a confiabilidade e transparência 
até que o processo seja concluído. 
Sobre o tema, ensina Aury Lopes Jr3: 
 
“A prova serve, a um só tempo, para buscar a reconstituição (aproximativa e 
parcial) de um fato passado, histórico, para um juiz ‘ignorante’ (pois ignora os 
fatos). É a prova que permite a atividade recognitiva (e não cognitiva, pois indireta) 
do juiz em relação ao fato histórico (story of the case) narrado pela acusação. Ao 
 
3 (Jr, A importância da cadeia de custódia para preservar a prova penal, 2015) 
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mesmo tempo tem uma função persuasiva, pois é através dela que se permite a 
construção do convencimento, da decisão. Por isso, as provas servem para obter a 
captura psíquica do julgador, para formar sua convicção. A preservação das fontes 
de prova é, portanto, fundamental, principalmente quando se trata de provas cuja 
produção ocorre fora do processo, como é o caso da coleta de DNA, interceptação 
telefônica, etc. Trata-se de verdadeira condição de validade da prova.” 
 
8.2 Princípios da mesmidade e desconfiança 
 
A discussão acerca da quebra da cadeia de custódia adquire especial relevância nas provas que tem 
pretensão de ‘evidência’, ou seja, aquelas obtidas ‘fora do processo’, sob as quais não há o contraditório. 
Nestas situações, é crucial que se demonstre de forma documentada a cadeia de custódia e toda a 
trajetória feita, da coleta até a inserção no processo e valoração judicial. Isso porque, por exemplo, se um 
acusado reponde pelo crime de tráfico e o laudo pericial definitivo ainda não foi realizado, é imprescindível 
que se tenha a garantia de que a substância apreendida em poder do acusado seja a mesma submetida a 
análise. 
Geraldo Prado traz essa demonstração como exigência dos princípios da “mesmidade”4 e da 
“desconfiança”. 
 
I. Princípio da Mesmidade 
Por “mesmidade” (forma aproximada a empregada na língua espanhola, que não possui 
correspondente em português e não pode ser traduzido como ‘mesmice’), entende-se a garantia de que a 
prova valorada é exatamente e integralmente aquela que foi colhida, correspondendo, portanto, “a 
mesma”. Não raras vezes, por diferentes filtros e manipulações feitas pelas autoridades que 
colhem/custodiam a prova, o que é trazido para o processo não obedece a exigência de “mesmidade”, senão 
que corresponde ao signo de ‘parte do’, que constitui, em última análise, ‘a outro’ e não ‘ao mesmo’. 
Questão recorrente nas interceptações telefônicas está na violação da “mesmidade” e, por via de 
consequência, do direito da defesa de ter acesso a integralidade da prova na sua originalidade (manifestação 
do contraditório = direito à informação e paridade de armas), na medida em que a prova é ‘filtrada’ pela 
autoridade policial ou órgão acusador, que traz para o processo (e submete ao contraditório diferido) apenas 
o que lhe interessa. Não é ‘a mesma’ prova colhida, mas apenas aquela que interessa ao acusador, subtraindo 
o acesso da defesa. A manipulação (e aqui se emprega no sentido físico do vocábulo, sem juízo de desvalor 
ou atribuição de má-fé ao ‘manipulador’) é feita durante a custódia e viola exatamente as regrasde 
preservação da idoneidade. 
 
II. Princípio da Desconfiança 
 
4 (Prado, Ainda sobre a quebra da cadeia de custódia das provas, pp. 16-17) 
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Já a “desconfiança” (decorrência salutar na democracia, onde se desconfia do poder, que precisa ser 
legitimado sempre) consiste na exigência de que as provas (documentos, DNA, áudios etc.) devam ser 
‘acreditadas’, submetidas a um procedimento que demonstre que correspondem ao que a parte alega ser. 
Como explica Geraldo Prado, o tema de provas exige a intervenção de regras de “acreditação”, pois nem 
tudo que ingressa no processo pode ter valor probatório, há que ser “acreditado”, legitimado, valorado desde 
sua coleta até a produção em juízo para ter valor probatório. 
A exigência de proteção da cadeia de custódia da prova, ao fim e ao cabo, impõe um novo olhar, mais 
democrático, que supera a ideia de que a presunção de veracidade dos agentes públicos é verdadeira 
panaceia para nossos problemas. 
Assim, conclui Aury Lopes Jr, citando Geraldo Prado: 
 
“A resposta, para além de tudo o que já se disse sobre o valor e imprescindibilidade 
de estrito respeito às “regras do jogo”, está na necessidade de incorporar um 
“efeito dissuasório” (deterrent effect) que serve de desestímulo às agências 
repressivas quanto à tentação de recorrerem a práticas ilegais para obter a 
punição” (Geraldo Prado).” 
 
ATENÇÃO: Em provas discursivas e orais, ao tratar dos princípios da mesmidade e da desconfiança é 
importante citar o doutrinador Geraldo Prado. 
 
8.3 Fases da cadeia de custódia 
Como forma de facilitar a fixação das diversas fases da cadeia de custódia, vamos trabalhar com a 
divisão em duas grandes fases: a fase interna e fase externa (não vamos adotar necessariamente a ordem 
dos incisos). 
 
a) Fase Externa: 
 A fase externa compreende todos os passos entre a preservação do local de crime ou apreensões 
dos elementos de prova e a chegada do vestígio ao órgão pericial encarregado de processá-lo. 
Compreende, portanto, a preservação do local de crime, a busca do vestígio, seu reconhecimento, 
isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte e recebimento. 
 
I. Do isolamento 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
II - isolamento: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e 
preservar o ambiente imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de 
crime; 
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Antes mesmo de se realizar o reconhecimento, o local deve ser isolado para que, após uma análise 
pelo perito, possa ser identificado o que é relevante ou não na compreensão da cena do crime. 
O isolamento do local deve ser um isolamento físico, através de fitas, cordas ou outros meios, 
abrangendo o local propriamente dito e as vias de acesso. Quando o tiro ocorreu em local fechado, uma 
residência, por exemplo, muitas vezes os familiares da vítima, na tentativa de socorrê-la ou de preservar sua 
imagem, alteram o local. Em locais abertos os populares também podem alterar o local5. É o art. 169 do CPP 
que determina o isolamento, nos seguintes termos: 
 
Art. 169. Para efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a 
autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas 
até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, 
desenhos ou esquema elucidativos. 
 
A atuação da autoridade policial na preservação do local é de vital importância. Essa atuação, por 
vezes, deve ser firme, enérgica, evitando a alteração ou a subtração de vestígios materiais importantes, 
relacionados com o fato. A própria autoridade policial ou seu agente deve respeitar o local evitando o 
deslocamento ou o recolhimento, antes da chegada dos peritos, de qualquer vestígio material. O perito oficial 
deve ser a primeira pessoa a adentrar no local. 
Cabe ressaltar que, segundo o Art. 158-C do CPP, o ingresso em local isolado pode tipificar o crime 
de fraude processual: 
 
Art. 158-C. § 2º É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de 
quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação por parte do perito 
responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização. 
 
II. Do reconhecimento 
 
O reconhecimento da importância de cada elemento deve ser feito pelo perito criminal que analisará 
a cena do crime, NÃO devendo ser feito pelo policial militar ou mesmo pela autoridade policial e seus 
agentes. O próprio CPP estabelece que cabe à Autoridade Policial preservar o local do crime para que o perito 
criminal possa realizar a análise de cada um dos elementos. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: 
 
5 (Baldasso) 
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I - reconhecimento: ato de distinguir um elemento como de potencial interesse 
para a produção da prova pericial; 
 
III. Da fixação (descrição) 
 
A terceira fase do procedimento é a descrição pormenorizada do vestígio e de tudo que o cerca. 
Todos aqueles que tiveram contato com o vestígio serão objeto da descrição, bem como eventual alteração. 
Na prática, ainda é comum um corpo ser fotografado ao lado de objetos pessoais que não são descritos no 
laudo e acabam se perdendo pelos diversos departamentos para os quais são remetidos. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: 
III - fixação: descrição detalhada do vestígio conforme se encontra no local de crime 
ou no corpo de delito, e a sua posição na área de exames, podendo ser ilustrada 
por fotografias, filmagens ou croqui, sendo indispensável a sua descrição no laudo 
pericial produzido pelo perito responsável pelo atendimento; 
 
IV. Da coleta 
 
A coleta ocorre no momento em que o vestígio é retirado do local original. É realizada 
preferencialmente por perito oficial (art. 158-C do CPP) e deve preservar as características originais do 
vestígio. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento dovestígio nas 
seguintes etapas: 
IV - coleta: ato de recolher o vestígio que será submetido à análise pericial, 
respeitando suas características e natureza; 
 
Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por 
perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, 
mesmo quando for necessária a realização de exames complementares. 
 
V. Do acondicionamento 
 
Acondicionar significar “pôr ou guardar em” e, no processo penal, possui o sentido de embalar o 
vestígio de modo que não haja contaminação ou desnaturação do mesmo. Sendo assim, o acondicionamento 
possui a finalidade de manter íntegras as características físicas, químicas e biológicas do vestígio. 
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A alteração legislativa é salutar, entretanto esbarra na falta de estrutura do Estado. Isso porque, na 
maioria dos entes da federação, sequer há disponibilização de recipientes plásticos adequados para o 
acondicionamento de vestígios. 
Importante, ainda, que todo recipiente utilizado para acondicionar o vestígio será selado com lacre 
e, sempre que necessário, os lacres violados serão acondicionados em outro recipiente, mantendo o registro 
da cadeia de custódia. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
V - acondicionamento: procedimento por meio do qual cada vestígio coletado é 
embalado de forma individualizada, de acordo com suas características físicas, 
químicas e biológicas, para posterior análise, com anotação da data, hora e nome 
de quem realizou a coleta e o acondicionamento; 
 
Art. 158-D. O recipiente para acondicionamento do vestígio será determinado pela 
natureza do material. 
§ 1º Todos os recipientes deverão ser selados com lacres, com numeração 
individualizada, de forma a garantir a inviolabilidade e a idoneidade do vestígio 
durante o transporte. 
§ 2º O recipiente deverá individualizar o vestígio, preservar suas características, 
impedir contaminação e vazamento, ter grau de resistência adequado e espaço 
para registro de informações sobre seu conteúdo. 
§ 3º O recipiente só poderá ser aberto pelo perito que vai proceder à análise e, 
motivadamente, por pessoa autorizada. 
§ 4º Após cada rompimento de lacre, deve se fazer constar na ficha de 
acompanhamento de vestígio o nome e a matrícula do responsável, a data, o local, 
a finalidade, bem como as informações referentes ao novo lacre utilizado. 
§ 5º O lacre rompido deverá ser acondicionado no interior do novo recipiente. 
 
Obs.: Em 2017 (Informativo 608), o STJ entendeu que a ausência de lacre em todos os documentos 
e bens apreendidos durante uma busca e apreensão, NÃO torna automaticamente ilegítima a prova obtida. 
 
Inicialmente, consigne-se que a disciplina das nulidades, no processo penal é regida 
pelo art. 563 do CPP, segundo o qual "nenhum ato será declarado nulo, se da 
nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa". É assente, ainda, 
na jurisprudência desta Corte e do STF que a demonstração do prejuízo é essencial 
à alegação de nulidade, seja ela relativa ou absoluta. Ante a presunção de 
validade e legitimidade dos atos praticados por funcionários públicos, compete à 
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defesa demonstrar de forma concreta o descumprimento das formalidades legais 
e essenciais do ato e, especificamente, que o material apreendido e 
eventualmente não lacrado foi corrompido ou adulterado, de forma a causar 
prejuízo à defesa e modificar o conteúdo da prova colhida. Por fim, à mingua de 
exigência legal específica, a ausência de lacre em todos os documentos e bens 
apreendidos – que decorreu da grande quantidade de material – desacompanhada 
de maiores dados concretos sobre efetiva interferência dos agentes públicos ou da 
acusação sobre as provas colhidas –, não tem o condão de nulificar o ato e a ação 
penal. 
 
No entanto, diante da introdução da cadeia de custódia pela ei 13.964/19, é possível identificar 
julgados dispondo em sentido diverso: 
 
(...) Segundo o disposto no art. 158-A do CPP, "Considera-se cadeia de custódia o 
conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a 
história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para 
rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte". 
A autenticação de uma prova é um dos métodos que assegura ser o item 
apresentado aquilo que se afirma ele ser, denominado pela doutrina de princípio 
da mesmidade. 
(...) 
Se é certo que, por um lado, o legislador trouxe, nos arts. 158-A a 158-F do CPP, 
determinações extremamente detalhadas de como se deve preservar a cadeia de 
custódia da prova, também é certo que, por outro, quedou-se silente em relação 
aos critérios objetivos para definir quando ocorre a quebra da cadeia de custódia e 
quais as consequências jurídicas, para o processo penal, dessa quebra ou do 
descumprimento de um desses dispositivos legais. No âmbito da doutrina, as 
soluções apresentadas são as mais diversas. 
(...) 
Mostra-se mais adequada a posição que sustenta que as irregularidades constantes 
da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo magistrado com todos os 
elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é confiável. Assim, à 
míngua de outras provas capazes de dar sustentação à acusação, deve a pretensão 
ser julgada improcedente, por insuficiência probatória, e o réu ser absolvido. 
O fato de a substância haver chegado para perícia em um saco de supermercado, 
fechado por nó e desprovido de lacre, fragiliza, na verdade, a própria pretensão 
acusatória, porquanto não permite identificar, com precisão, se a substância 
apreendida no local dos fatos foi a mesma apresentada para fins de realização de 
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exame pericial e, por conseguinte, a mesma usada pelo Juiz sentenciante para 
lastrear o seu decreto condenatório. Não se garantiu a inviolabilidade e a 
idoneidade dos vestígios coletados (art. 158-D, § 1º, do CPP). A integralidade do 
lacre não é uma medidameramente protocolar; é, antes, a segurança de que o 
material não foi manipulado, adulterado ou substituído, tanto que somente o 
perito poderá realizar seu rompimento para análise, ou outra pessoa autorizada, 
quando houver motivos (art. 158-D, § 3º, do CPP). (HC 653515-RJ, 6ª Turma, Rel. 
Min. Laurita Vaz, DJe 23/11/2021). 
 
 Ressalta-se que, embora o tema ainda não seja uniforme (como será visto detalhadamente adiante), 
o STJ tem entendido, conforme o referido julgado, que as “irregularidades da cadeia de custódia devem ser 
sopesadas pelo magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a prova é 
confiável”. Logo, para a Corte Superior, a inobservância dos procedimentos relativos à cadeia de custódia 
não implica, por si só, na nulidade dos elementos probatórios produzidos. 
 
VI. Do transporte 
 
Como condição de validade da prova, o vestígio coletado e acondicionado deve ser transportado de 
forma adequada. Ganha relevo o transporte dos vestígios biológicos, que devem ser transportados em 
veículo que assegure a manutenção das características originais do vestígio, inclusive quanto à temperatura. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
VI - transporte: ato de transferir o vestígio de um local para o outro, utilizando as 
condições adequadas (embalagens, veículos, temperatura, entre outras), de modo 
a garantir a manutenção de suas características originais, bem como o controle de 
sua posse; 
 
Por fim, a fase externa se encerra com o recebimento do vestígio no órgão responsável pelo 
armazenamento do vestígio. Portanto, a fase de recebimento é, ao mesmo tempo, o momento em que se 
encerra a fase interna e que dá início à fase externa. 
 
b) FASE INTERNA 
 
 A fase interna compreende todas as etapas entre a entrada do vestígio no órgão pericial até sua 
devolução juntamente com o laudo pericial, ao órgão requisitante da perícia. Compreende, portanto, a 
recepção e conferência do vestígio, a classificação, guarda e/ou distribuição do vestígio, análise pericial 
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propriamente dita, guarda e devolução do vestígio de prova, guarda de vestígios para contraperícia, registro 
da cadeia de custódia. 
 
I. Do recebimento 
 
Conforme dito, a fase de recebimento é, ao mesmo tempo, o momento em que se encerra a fase 
interna e que dá início a fase externa. É o momento da transferência da posse do vestígio, que também deve 
guardar o procedimento adequado. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
VII - recebimento: ato formal de transferência da posse do vestígio, que deve ser 
documentado com, no mínimo, informações referentes ao número de 
procedimento e unidade de polícia judiciária relacionada, local de origem, nome de 
quem transportou o vestígio, código de rastreamento, natureza do exame, tipo do 
vestígio, protocolo, assinatura e identificação de quem o recebeu; 
 
II. Do processamento 
 
O processamento do vestígio dá-se durante a manipulação do mesmo para a realização do exame 
pelo perito, com a posterior confecção do laudo. É o momento em que se realiza a perícia propriamente. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
VIII - processamento: exame pericial em si, manipulação do vestígio de acordo com 
a metodologia adequada às suas características biológicas, físicas e químicas, a fim 
de se obter o resultado desejado, que deverá ser formalizado em laudo produzido 
por perito; 
 
III. Do armazenamento 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
IX - armazenamento: procedimento referente à guarda, em condições adequadas, 
do material a ser processado, guardado para realização de contraperícia, 
descartado ou transportado, com vinculação ao número do laudo correspondente; 
 
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O vestígio que serviu de base à perícia deverá ser disponibilizado no ambiente do órgão oficial para 
exame pelo assistente técnico, conforme o CPP: 
 
Art. 159. § 6o. Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu 
de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá 
sempre sua guarda, e na presença de Perito Oficial, para exame pelos Assistentes, 
salvo se for impossível a sua conservação. 
 
Com a Lei 13.964/19, surgiu a imposição aos institutos de criminalística de criar suas respectivas 
centrais de custódia, que serão responsáveis pelo armazenamento e registro da manipulação dos vestígios. 
 
Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de 
custódia destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser 
vinculada diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal. 
§ 1º Toda central de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para 
conferência, recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a 
seleção, a classificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro 
e apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do 
vestígio. 
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser 
protocoladas, consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a 
eles se relacionam. 
§ 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado deverão ser 
identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso. 
§ 4º Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser 
registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a 
destinação, a data e horário da ação.’ 
 
Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central 
de custódia, devendo nela permanecer. 
Parágrafo único. Caso a central de custódia não possua espaço ou condições de 
armazenar determinado material, deverá a autoridade policial ou judiciária 
determinar as condições de depósito do referido material em local diverso, 
mediante requerimento do diretor do órgão central de perícia oficial de natureza 
criminal. 
 
IV. Do descarte 
 
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A Lei 13.964/19 chama de “descarte” a fase de liberação do vestígio. É nessa fase que pode ocorrer 
a restituição do objeto ao proprietário, a destruição propriamente, como no caso das drogas ou ser dada 
outra destinação conforme a lei, dependendo, em alguns casos, de autorização judicial. Perceba que a fase 
do descarte é o momento em que o vestígio sai da guarda da central de custódia. 
 
Art. 158-B. A cadeia de custódia compreende o rastreamento do vestígio nas 
seguintes etapas: [...] 
X - descarte: procedimento referente à liberação do vestígio, respeitando a 
legislação vigente e, quando pertinente, mediante autorização judicial. 
 
8.4 Quebra da Cadeia de Custódia 
 
Trata-se de tema que suscita divergência, merecendo destaque duas correntes: 
 
1ªC: Ilicitude da prova (Aury Lopes Jr. e Geraldo Prado) – A quebra da cadeia de custódia leva a 
declaração de ilicitude da prova e a sua exclusão dos autos, bem como das demais provas dela 
derivadas. 
2ª C: Menor valor probatório (Gustavo Badaró e Renato Brasileiro) – A quebra da cadeia de custódia 
não leva, obrigatoriamente, à ilicitude ou à ilegitimidade da prova, devendo ser analisado o caso 
concreto. 
 
O STJ tem adotado entendimento no sentido da 2ª corrente. Vejamos: 
 
As irregularidades constantes da cadeia de custódia devem ser sopesadas pelo 
magistrado com todos os elementos produzidos na instrução, a fim de aferir se a 
prova é confiável. STJ. 6ª Turma. HC 653.515-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, Rel. Acd. 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 23/11/2021 (Info 720). 
 
CAIU EM PROVA: O tema foi objeto de questionamento na prova discursiva de Delegado de PCMG 2021. 
 
 Sobre o tema, confira a Dica do Professor Tiago Dantas: 
 
https://youtu.be/biTzRlF1TO8 
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9. MEIOS DE PROVA EM ESPÉCIE 
 
9.1 Exame de Corpo de Delito 
 
a) Conceitos 
 
● Corpo de delito: trata-se do conjunto de vestígios materiais deixados pela infração penal. A 
expressão “corpo de delito” não necessariamente significa o corpo de uma pessoa, mas sim os 
vestígios deixados pelo crime, ou seja, diz respeito à materialidade da infração penal. Ex.: Crime de 
Latrocínio (art. 157, §3º, CP) em um apartamento. Nesse caso, o corpo de delito não se resume ao 
cadáver, abrangendo também todos os vestígios perceptíveis pelos sentidos humanos, tais como 
eventuais marcas de sangue deixadas no chão, a arma de fogo utilizada para a prática do delito, 
eventuais sinais de arrombamento da porta do apartamento, etc. 
 
● Exame de corpo de delito: é uma análise feita por pessoas com conhecimentos técnicos ou 
científicos sobre os vestígios deixados pela infração penal, seja para fins de comprovação da 
materialidade do crime, seja para fins de comprovação da autoria. 
 
Renato Brasileiro explica que, como o magistrado não é dotado de conhecimentos enciclopédicos, e 
se vê obrigado a julgar causas das mais variadas espécies, afigura-se necessário recorrer a 
especialistas, os quais, dotados de conhecimentos específicos acerca do assunto, podem auxiliar o 
juiz no esclarecimento do fato delituoso (2017, pág. 654). 
 
Obs.: O exame de corpo de delito NÃO é a única espécie de exame pericial. Ex.: perícia de insanidade mental 
(não é exame de corpo de delito). 
 
● Laudo de exame de corpo de delito: refere-se a uma peça técnica elaborada pelos peritos durante 
ou após a conclusão do exame pericial. 
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Estrutura: 
. Preâmbulo: qualificação do perito oficial ou dos peritos não oficiais e do objeto da perícia; 
. Exposição: narrativa de tudo que é observado pelos experts; 
. Fundamentação: motivos que levaram os experts à conclusão final; 
. Conclusão técnica: resposta aos quesitos. 
 
b) Momento para a juntada do laudo pericial 
 
Pergunta-se: O laudo pericial pode ser juntado a qualquer momento? 
R.: Em regra, o laudo pericial não funciona como condição de procedibilidade. Ou seja, o laudo é 
dispensável quando do oferecimento da denúncia. 
Todavia, temos exceções, hipóteses em que o laudo funcionará como condição de procedibilidade: 
1) Laudo de Constatação na Lei de Drogas: trata-se do laudo provisório previsto na Lei 11.343/06, 
indispensável para o oferecimento da denúncia e a própria lavratura do auto de prisão em flagrante 
(posteriormente há a lavratura do laudo definitivo); 
2) Crimes contra a propriedade imaterial. 
 
LAUDO DE CONSTATAÇÃO DE DROGAS CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE IMATERIAL 
Lei 11.343/06, art. 50, § 1º: Para efeito da lavratura do 
auto de prisão em flagrante e estabelecimento da 
materialidade do delito, é suficiente o laudo de 
constatação da natureza e quantidade da droga, 
firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa 
idônea. 
CPP, art. 525: No caso de haver o crime deixado vestígio, 
a queixa ou a denúncia não será recebida se não for 
instruída com o exame pericial dos objetos que 
constituam o corpo de delito. 
 
Dessa forma, temos que, em regra, o laudo pericial pode ser juntado durante o curso do processo, 
desde que o seja com a antecedência mínima de 10 dias em relação a audiência una de instrução e 
julgamento, pois este é o prazo mínimo exigido para pedir os esclarecimentos. 
 
CPP, art. 400: Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo 
máximo de 60 (sessenta) dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, 
à inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, 
ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos 
peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, 
em seguida, o acusado. 
 
Na AIJ é possível esclarecimentos dos peritos, contudo, para que esses esclarecimentos ocorram é 
necessário que o pedido seja feito com antecedência mínima de 10 dias (CPP, art. 159, § 5º, I). 
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c)Obrigatoriedade de realização do exame de corpo de delito: 
 
Nos moldes do art. 158 do CPP, “quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de 
corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado”. 
A obrigatoriedade da realização do exame pericial é exemplo nítido de resquício do sistema da prova 
tarifada, incidindo quando a infração deixar vestígio, ou seja, quando envolver infrações penais não 
transeuntes, não passageiras ou delito de fato permanente. 
 
● Infração não transeunte: É aquela que deixou vestígios. Portanto, será obrigatória a realização do 
exame de corpo de delito. Ex.: crime de homicídio cujo cadáver foi encontrado. 
● Infrações transeuntes: É aquela que NÃO deixa vestígios. Portanto, não será possível o exame de 
corpo de delito. Ex.: injúria verbal que não tenha sido objeto de captação. 
 
d) Exame de corpo de delito direto e indireto: 
 
● Exame de corpo de delito direto: É aquele realizado diretamente pelo perito oficial (ou por dois 
peritos não oficiais) sobre o próprio corpo de delito. 
● Exame de corpo de delito indireto: Há divergência quanto a sua definição. 
1ªC (minoritária): Trata-se de exame feito por peritos com base no relato de testemunhas ou com 
base na análise de documentos. 
2ªC (majoritária): NÃO é um exame propriamente dito, mas apenas a prova testemunhal ou 
documental suprindo a ausência do exame direto. 
 
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem 
desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta. 
 
Exame de corpo de delito direto Exame de corpo de delito indireto 
O exame de corpo de delito direto é aquele feito por 
perito oficial (ou dois peritos não oficiais) sobre o 
próprio corpo de delito. 
1ª C: É um exame feito por peritos com base no relato de 
testemunhas ou com base na análise de documentos. 
2ª C: É o disposto ao teor do art. 167 do CPP. Não é um 
exame propriamente dito, mas apenas uma espécie de 
prova testemunhal ou documental suprindo a ausência de 
corpo de delito direto. É a posição majoritária. 
 
e) Prioridade na realização do Exame de Corpo de Delito: 
 
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A Lei nº 13.721/2018 acrescentou o §único ao art. 158 do CPP afirmando que deverá ser dada 
prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva: 
i. Violência doméstica e familiar contra mulher; 
ii. Violência contra criança ou adolescente; 
iii. Violência contra idoso; ou 
iv. Violência contra pessoa com deficiência. 
 
f) Peritos: 
 
Segundo Renato Brasileiro, o perito é um auxiliar do juízo, dotado de conhecimentos técnicos ou 
científicos sobre determinada área do conhecimento humano, que tem a função estatal de realizar exames 
periciais, fornecendo dados capazes de auxiliar o magistrado por ocasião da sentença. O perito é pessoa de 
confiança da autoridade (delegado ou juiz), não sendo permitido às partes intervenção na nomeação. 
Contudo as partes podem apresentar quesitos, que são as perguntas a serem respondidas pelos peritos. 
Como decorrência lógica do fato de ser auxiliar do juízo, o perito tem a obrigação/dever de ser 
imparcial (mesmas características do magistrado), podendo ser arguida as mesmas causas de impedimento 
e suspeição do juiz em seu desfavor. 
Além disso, cabe destacar que o perito é considerado funcionário público tanto o oficial, que exerce 
cargo, quanto o não oficial, que desenvolve sua função pública, transitoriamente e sem remuneração. 
Se o perito, no desempenho de seu mister, falsear ou calar a verdade, incorre no crime de falsa 
perícia (art. 342, CP). Ademais, o perito (oficial) não poderá recusar o seu encargo injustificadamente, pois 
tal recusa, por si só, já constitui infração funcional, passível de responsabilização, conforme art. 277 do CPP. 
 
g) Assistente Técnico: 
 
É pessoa dotada de conhecimentos técnicos, científicos ou artísticos, que traz ao processo 
informações especializadas, relacionadas ao objeto da perícia, conforme inclusão pela Lei 11.689/08. O 
assistente é auxiliar das partes e por isso tem atuação parcial. 
 Para fins penais, ele NÃO é considerado funcionário público, pois não exerce cargo, emprego ou 
função. É contratado para descredibilizar o laudo oficial (é parcial). A admissão do assistente é deliberada 
pelo juiz em ato irrecorrível. Contudo, quem se sentir prejudicado poderá manejar mandado de segurança. 
Pergunta-se: O assistente responde por crime de falsa perícia? 
R.: Não, apenas o perito pode praticar esse crime (falsa perícia – art. 342 do CP). Trata-se de crime 
próprio. Contudo, há quem defenda poder responder por falsidade ideológica se inserir informações falsas. 
 
O assistente técnico diferencia-se do perito nos seguintes aspectos: 
 
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ASSISTENTE TÉCNICO PERITO 
É auxiliar das partes. Logo, a sua atuação é 
parcial. 
É auxiliar do juízo. Logo, a sua atuação deve ser 
imparcial. 
Sua atuação ocorre na fase processual. 
 
Sua atuação ocorre na fase investigatória ou 
processual. 
Não é considerado funcionário público. 
 
É considerado funcionário público para fins 
penais, tanto o perito oficial quanto o perito 
não oficial. 
Não responde por falsa perícia. Responde pelo crime de falsa perícia, tipificado 
ao teor do art. 342 do Código Penal (crime de 
mão própria). 
 
O momento da persecução penal em que o assistente técnico pode atuar é tema que sofreu alteração 
pelo Pacote Anticrime (Lei 13. 964/2019). 
● Antes da Lei 13. 964/2019: A atuação do assistente técnico estava restrita à fase judicial e 
condicionada à previa autorização judicial (art. 159, §3º do CPP). Não se admitia a intervenção do 
assistente técnico na fase investigatória. 
● Após a Lei 13. 964/2019: O art. 3º-B, inciso XVI passou a prever a competência do juiz de garantias 
para deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a produção de perícia. 
 Considerando que a atuação do juiz das garantias está restrita à fase investigatória da persecução 
penal, a admissão do assistente técnico indicado pelas partes poderá ocorrer desde a fase de investigação, 
não se limitando à fase processual. 
 Obs. 1: Aplica-se subsidiariamente o art. 474 do CPC, de modo que o juiz das garantias deve dar 
ciência às partes da data e do local por ele designados (ou indicados pelo perito) para ter início a produção 
de prova. 
 Obs.2: A realização de simples perícia na fase investigatória não está condicionada à previa indicação 
de assistente técnico. O inciso XVI autoriza o juiz das garantias a deferir a admissão de assistente técnico para 
acompanhar a produção da perícia já na fase investigatória,mas não transforma essa intervenção em 
requisito para a realização de exames periciais nesse momento da persecução penal. 
Por fim, cumpre destacar que os artigos introduzidos pela Lei 13.964/2019 que dizem respeito ao juiz 
das garantias estão com a eficácia suspensa por força de medida cautelar concedida pelo Min. Fux em sede 
de ADI. 
 
CAIU EM PROVA: 
 
(Delegado do Estado do Amazonas 2022): O Art. 158 do CPP ilustra a importância do exame de corpo de 
delito, necessário nos casos em que a infração deixar vestígios. Sobre o corpo de delito, é correto afirmar 
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que o corpo de delito é a base residual do crime e pode corresponder a pessoas ou coisas – item considerado 
correto. 
 
(Delegado do Estado do Amazonas 2022): De acordo com o Art. 160 do CPP, os peritos elaborarão o laudo 
pericial, no qual deverão descrever minuciosamente o que examinarem e responder aos quesitos formulados 
o laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo ser prorrogado, em casos excepcionais, 
a requerimento dos peritos – item considerado correto. 
 
(Delegado do Estado do Rio de Janeiro 2022): No que se refere à prova pericial no curso do processo judicial, 
é permitido às partes: 
I- requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos. 
II- demandar esclarecimentos dos peritos desde que os quesitos ou questões sejam encaminhados com 
antecedência mínima de 15 dias. 
III- arguir o impedimento legal do perito. 
Itens considerados corretos: I e III. 
 
9.2 Interrogatório Judicial 
 
É o ato processual por meio do qual o juiz ouve o acusado sobre sua pessoa e sobre a imputação que 
lhe é feita. 
Parte da doutrina argumenta que o interrogatório judicial atualmente divide-se em duas fases: a 
primeira fase correspondente aos questionamentos sobre a pessoa e a segunda fase que é o questionamento 
sobre a imputação. 
Nesse sentido, a legislação: 
 
Art. 187. O interrogatório será constituído de duas partes: sobre a pessoa do 
acusado e sobre os fatos. 
§ 1º Na primeira parte o interrogando será perguntado sobre a residência, meios 
de vida ou profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade, vida 
pregressa, notadamente se foi preso ou processado alguma vez e, em caso 
afirmativo, qual o juízo do processo, se houve suspensão condicional ou 
condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e sociais. 
 
Além disso, desde 2016, em decorrência de alteração legislativa ocasionada pelo Estatuto da 1ª 
Infância, exige-se o questionamento a respeito da existência de filhos da pessoa do interrogado. Nessa 
esteira, o art. 185, §10 do CPP. 
 
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Art. 185. § 10. Do interrogatório deverá constar a informação sobre a existência de 
filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de 
eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. 
 
ATENÇÃO: O interrogatório de qualificação NÃO está abrangido pelo nemo tenetur se detegere, podendo 
caracterizar, inclusive, o crime de falsa identidade (Súmula 522 do STJ). 
 
A 2ª parte do interrogatório, por sua vez, diz respeito aos fatos imputados. 
 
Art. 187. § 2º Na segunda parte será perguntado sobre: 
I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita; 
II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum motivo particular a que atribuí-
la, se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática do crime, e 
quais sejam, e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela; 
III - onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta; 
IV - as provas já apuradas; 
V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir, e desde 
quando, e se tem o que alegar contra elas; 
VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto 
que com esta se relacione e tenha sido apreendido; 
VII - todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos 
antecedentes e circunstâncias da infração; 
VIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa. 
 
a) Natureza Jurídica do Interrogatório Judicial: 
 
Há pelo menos três correntes sobre o tema: 
1ªC - MEIO DE PROVA, em decorrência da própria localização topográfica do interrogatório judicial 
no CPP entre os “meios de prova”. Ademais, pelo momento em que este era realizado (antes de 2008 era o 
1º ato da audiência). 
2ªC - MEIO DE DEFESA, visto que consiste na possibilidade de o réu apresentar sua versão dos fatos 
como expressão do exercício da autodefesa. Quem alega ser meio de defesa o faz argumentando que há 
sobre ele o direito ao silêncio (se fosse meio de prova o acusado estaria obrigado a responder as acusações). 
Por fim, a realização do interrogatório que passou a ser o ato final da audiência. 
3ªC - MEIO DE PROVA E DE DEFESA, a natureza dúplice do interrogatório decorre da previsão 
constitucional que assegura ao réu o direito ao silêncio e de não produzir provas contra si (meio de defesa), 
aliado a possibilidade de que o juiz leve em conta as declarações do acusado em sua sentença, seja 
absolutória ou condenatória, estando o ato previsto no capítulo relativo às provas no CPP. 
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Cumpre recordarmos ainda que, a ampla defesa divide-se na defesa técnica (exercida por meio do advogado) 
e autodefesa (exercida pelo acusado), que inclui o direito de presença, direito de audiência e capacidade 
postulatória autônoma. 
 
b) Características do interrogatório: 
 
O interrogatório caracteriza-se por ser um: 
● Ato personalíssimo: o interrogatório necessita ser exercido pessoalmente pelo acusado e, tratando-
se do interrogatório da pessoa jurídica, na pessoa de seu representante legal. 
● Ato assistido tecnicamente: a defesa técnica é obrigatória na realização do interrogatório, sendo a 
sua ausência causa de nulidade absoluta, conferindo-se o direito de entrevista reservada. 
● Ato contraditório: após o advento da Lei nº 10.792/03 o interrogatório passou a ser reconhecido 
como meio de defesa(anteriormente, não havia contraditório e nem ampla defesa no interrogatório 
judicial, sendo um ato privativo do juiz). 
 
Art. 188. Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou 
algum fato para ser esclarecido, formulando as perguntas correspondentes se o 
entender pertinente e relevante. 
 
Em regra, o método de realização do interrogatório é o presidencialista, de modo que o juiz pergunta 
primeiro e, posteriormente, as partes farão suas perguntas por meio do juiz. 
1º) perguntas do juiz 
2º) perguntas das partes, por intermédio do juiz. 
 
Exceção na 2ª fase do procedimento do júri: por força do artigo 474, do CPP, na 2ª fase do júri, as 
perguntas também começam pelo juiz, mas as partes fazem perguntas diretamente. Além disso, depois é 
conferida aos jurados a oportunidade de realizar perguntas por intermédio do juiz. 
1º) perguntas do juiz 
2º) perguntas das partes, diretamente; 
3º) perguntas dos jurados, por intermédio do juiz. 
 
Atente-se à jurisprudência sobre o tema: 
 
Não cabe a pretensão de realizar o interrogatório de forma virtual ao foragido por 
considerável período, pois a situação não se amolda ao art. 220 do CPP. 
O interrogatório é um ato que concretiza o direito de autodefesa do réu, além de 
ser meio de prova. Assim, o juiz deve assegurar ao acusado a possibilidade de ser 
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ouvido. Ao tratar sobre o depoimento das testemunhas, o art. 220 do CPP, permite 
que aquelas impossibilitadas, por enfermidade ou por velhice, de comparecer para 
depor, sejam inquiridas onde estiverem. Mas, no caso do réu que teve sua prisão 
preventiva decretada e se encontra foragido, não é possível que o interrogatório 
seja realizado de forma virtual (por videoconferência ou no local onde estiver). Isso 
porque não há previsão desta circunstância no art. 220 do CPP. STJ. 6ª Turma. HC 
640.770-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/06/2021. 
 
O ato de delegação da condução e direção de produção de prova oral à autoridade 
estrangeira, a fim de que esta proceda diretamente à inquirição da testemunha 
ou do investigado, não encontra qualquer tipo de respaldo constitucional, legal 
ou jurisprudencial. 
Trata-se de ato eivado de nulidade absoluta, por ofensa à soberania nacional, o 
qual não pode produzir efeitos dentro de investigações penais que estejam dentro 
das atribuições das autoridades brasileiras. STJ. 6ª Turma. RHC 102322-RJ, Rel. Min. 
Laurita Vaz, julgado em 12/05/2020 (Info 672). 
 
c) Ausência do interrogatório: 
 
Uma vez caracterizado como meio de defesa, a ausência do interrogatório é causa de nulidade 
absoluta em decorrência da violação ao exercício do direito de defesa, sem prejuízo da opção do próprio 
acusado pelo não exercício do direito de audiência, hipótese em que não haverá nulidade a ser declarada. 
É importante lembrar que trabalhar com nulidade é sempre trabalhar com prejuízo, de modo que, 
com uma sentença absolutória não existe prejuízo, logo, não existe nulidade. Lado outro, haverá prejuízo 
evidente caso haja sentença condenatória. 
 
Ainda que o réu tenha constituído advogado antes do oferecimento da denúncia - 
na data da prisão em flagrante - e o patrono tenha atuado, por determinação do 
Juiz, durante toda a instrução criminal, é nula a ação penal que tenha condenado o 
réu sem a sua presença, o qual não foi citado nem compareceu pessoalmente a 
qualquer ato do processo, inexistindo prova inequívoca de que tomou 
conhecimento da denúncia. (Info 580, STJ, 2016 – 6ª turma) 
 
d) Momento de realização do interrogatório judicial no procedimento comum e no procedimento do Júri: 
 
● Antes de 2008: O interrogatório era o primeiro ato da instrução processual. 
● Com o advento a Lei nº 11.719/2008: Trata-se do último ato da instrução (interrogatório judicial). 
Dessa forma, temos que desde o advento das Leis n. 11.719/08 e 11.689/08, o interrogatório passou 
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a ser o último ato da instrução probatória, reforçando a natureza jurídica de meio de defesa. O art. 
400, CPP é aplicado ao procedimento comum e ao procedimento do júri: 
 
 Inobstante a previsão do CPP, há leis especiais que preveem o interrogatório ainda no início da 
instrução probatória. São elas: 
⦁ Lei de Drogas: art. 57, Lei 11.343/2006; 
⦁ CPPM: art. 302; 
⦁ Procedimento originários dos tribunais: Lei nº 8.038/90. 
 
Diante desse cenário, havia questionamento acerca de qual a regra a aplicar, a norma geral do CPP 
ou as respectivas leis especiais. Contudo, o STF manifestou-se sobre a problemática e pacificou a questão 
entendendo que a mudança introduzida em 2008 não possui somente o status de lei ordinária, mas vem 
ao encontro da ampla defesa, afastando, pois, a regra hermenêutica, a qual preceitua que a lei especial 
prevalece sobre a lei geral. Assim, sob a ótica da ampla defesa é melhor ao acusado ser interrogado ao final. 
Em suma, o STF passou a entender que todas as regras especiais acima perderam a razão de ser: 
 
Decidiu que interrogatório ao final da instrução criminal se aplica a processos 
militares. Por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) 
decidiu que se aplica ao processo penal militar a exigência de realização do 
interrogatório do réu ao final da instrução criminal, conforme previsto no artigo 
400 do Código de Processo Penal (CPP). Na sessão desta quinta-feira (3), os 
ministros negaram o pedido no caso concreto – Habeas Corpus (HC) 127900 [para 
os processos criminais com instrução ainda não encerrada até 10.03.2016 não é 
necessário aplicar tal orientação] – tendo em vista o princípio da segurança jurídica. 
No entanto, fixaram a orientação no sentido de que, a partir da publicação da ata 
do julgamento [10.03.2016], seja aplicável a regra do CPP às instruções não 
encerradas nos processos de natureza penal militar e eleitoral e a todos os 
procedimentos penais regidos por legislação especial. 
 
O STJ já tinha decisão nesse sentido a respeito da Lei de Drogas: 
 
O interrogatório, na Lei de Drogas, é o último ato da instrução. 
O art. 400 do CPP prevê que o interrogatório deverá ser realizado como últimoato 
da instrução criminal. Essa regra deve ser aplicada: • nos processos penais militares; 
• nos processos penais eleitorais e • em todos os procedimentos penais regidos por 
legislação especial (ex: lei de drogas). Essa tese acima exposta (interrogatório como 
último ato da instrução em todos os procedimentos penais) só se tornou 
obrigatória a partir da data de publicação da ata de julgamento do HC 127900/AM 
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pelo STF, ou seja, do dia 11/03/2016 em diante. Os interrogatórios realizados nos 
processos penais militares, eleitorais e da lei de drogas até o dia 10/03/2016 são 
válidos mesmo que tenham sido efetivados como o primeiro ato da instrução. STF. 
Plenário. HC 127900/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2016 (Info 816). 
STJ. 6ª Turma. HC 397382-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
3/8/2017 (Info 609) (Fonte: Dizer o Direito). 
 
Ainda sobre o entendimento jurisprudencial acerca do interrogatório, cabe destacar que o STF 
entende que o acusado não pode assistir interrogatório do corréu mesmo que seja advogado. 
 
Se houver mais de um acusado, cada um dos réus não terá direito de acompanhar 
o interrogatório dos corréus. Segundo o CPP, havendo mais de um acusado, eles 
deverão ser interrogados separadamente (art. 191). Ex.: João e Pedro são réus em 
uma ação penal. No momento em que forem ser interrogados, um não poderá ouvir 
o depoimento do outro. Logo, quando João for ser interrogado, Pedro terá que sair 
da sala, ficando, contudo, seu advogado presente. No instante em que Pedro for 
prestar seus esclarecimentos, será a vez de João deixar o recinto, ficando 
representado por seu advogado. Se o réu for advogado e estiver atuando em causa 
própria, mesmo assim deverá ser aplicada a regra do art. 191 do CPP. Em outras 
palavras, quando o corréu for ser interrogado, o acusado (que atua como 
advogado) terá que sair da sala de audiência. STF. 2ª Turma. HC 101021/SP, Rel. 
Min. Teori Zavascki, julgado em 20/5/2014 (Info 747) (Fonte: Dizer o Direito). 
 
ATENÇÃO! Há exceção quando envolver delação premiada. Nesse caso, de acordo com 
entendimento do STF, o advogado do réu delatado deverá, obrigatoriamente, estar presente no 
interrogatório do corréu delator. 
 
O advogado de um réu deverá, obrigatoriamente, estar presente no interrogatório 
do corréu que com ele responde o mesmo processo criminal? REGRA: não. A 
presença da defesa técnica é imprescindível durante o interrogatório do réu por ela 
representado, não quanto aos demais. Assim, é obrigatória a presença do advogado 
no interrogatório do seu cliente. No interrogatório dos demais réus, essa presença 
é, em regra, facultativa. EXCEÇÃO: se o interrogatório é de um corréu delator, a 
presença do advogado dos réus delatados é indispensável. Neste caso, deve-se 
exigir a presença dos advogados dos réus delatados, pois, na colaboração 
premiada, o delator adere à acusação em troca de um benefício acordado entre as 
partes e homologado pelo julgador natural. Normalmente, o delator presta 
contribuições à persecução penal incriminando eventuais corréus, razão pela qual 
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seus advogados devem acompanhar o ato. Se o advogado do corréu não comparece 
ao interrogatório do réu delator, haverá nulidade? Depende: • Se o corréu foi 
delatado no interrogatório e seu advogado não compareceu: sim, haverá nulidade. 
• Se o corréu não foi delatado no interrogatório: não. Isso porque não houve 
prejuízo. STF. 2ª Turma. AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 
(Info 955) (Fonte: Dizer o Direito). 
 
9.2.1. Interrogatório por Videoconferência: 
 
O interrogatório por videoconferência é regulamentado no art. 185, CPP e tem caráter excepcional, ou 
seja, só ocorre em casos específicos previstos em lei (art. 185, §2º). 
 
Art. 185, § 2º Excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a 
requerimento das partes, poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema 
de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e 
imagens em tempo real, desde que a medida seja necessária para atender a uma 
das seguintes finalidades: 
I – prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o 
preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante 
o deslocamento; 
 
Não pode ser um risco genérico, que é inerente a qualquer transporte de preso. 
Deve ser demonstrada fundada suspeita no sentido de o réu integrar organização 
ou que vá fugir. 
 
II - viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja relevante 
dificuldade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra 
circunstância pessoal; 
 
Seja por enfermidade ou qualquer circunstância pessoal que dificulte sua presença 
na sede do juízo, como localização diversa e longínqua da comarca onde corre a 
causa. 
OBS: Vale lembrar que a videoconferência não serve apenas para interrogatório, 
mas para garantir a presença do acusado em qualquer ato processual. 
 
III – impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que 
não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do 
art. 217 deste Código; 
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IV – responder à gravíssima questão de ordem pública. 
 
Quanto ao procedimento, destaca-se que a sua realização depende de decisão fundamentada da 
autoridade judiciária, devendo as partes serem intimadas com10 dias de antecedência (art. 185, §3º) e é 
obrigatória a presença de advogados do réu no presídio e no fórum (art. 185, §5º). 
 
Art. 185, §3o Da decisão que determinar a realização de interrogatório por 
videoconferência, as partes serão intimadas com 10 (dez) dias de antecedência. 
(...) 
§ 5o Em qualquer modalidade de interrogatório, o juiz garantirá ao réu o direito de 
entrevista prévia e reservada com o seu defensor; se realizado por 
videoconferência, fica também garantido o acesso a canais telefônicos reservados 
para comunicação entre o defensor que esteja no presídio e o advogado presente 
na sala de audiência do Fórum, e entre este e o preso. 
 
Segundo o STJ, é válida a realização do interrogatório por videoconferência no caso de dificuldade 
de deslocamento do acusado até o local da audiência. 
 
Não há ilegalidade ou nulidade na decisão do juiz que opta pela escolha de 
realização do interrogatório do réu por meio de videoconferência em razão da 
dificuldade de deslocamento do acusado até o local da audiência, bem como pelo 
risco à segurança pública, haja vista a insuficiência de agentes para realizar a 
escolta. Em obediência ao princípio pas de nullité sans grief, que vigora plenamente 
no processo penal pátrio (art. 563 do CPP), não se declara nulidade de ato se dele 
não resulta demonstrado efetivo prejuízo para a parte. STJ. 6ª Turma. AgRg no RHC 
125373/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2020. 
 
A escassez de agentes penitenciários para realizar a escolta de detentos é 
argumento válido para justificar a excepcionalidade da audiência por meio remoto. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 587424/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado 
em 06/10/2020. 
 
Outros entendimentos jurisprudenciais sobre o interrogatório: 
 
O simples fato de o juiz ser “duro” no interrogatório não implica quebra da 
imparcialidade. A condução do interrogatório do réu de forma firme e até um tanto 
rude durante o júri não importa, necessariamente, em quebra da imparcialidade do 
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magistrado e em influência negativa nos jurados. STJ. 6ª Turma. HC 410161-PR, Rel. 
Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 17/04/2018 (Info 625). 
 
Há excesso de prazo em caso de réu preso há mais de quatro anos sem ter sido 
sequer realizado seu interrogatório. Em um caso concreto, o réu foi preso 
preventivamente pela suposta prática de delitos previstos na Lei nº 11.343/2006 
(Lei de Drogas). Ocorre que já se passaram mais de quatro anos desde a prisão 
preventiva sem haver, sequer, audiência de interrogatório. Diante disso, o STF 
entendeu que havia flagrante excesso de prazo na segregação cautelar e, por essa 
razão, concedeu habeas corpus para determinar a soltura do paciente. Embora a 
razoável duração do processo não possa ser considerada de maneira isolada e 
descontextualizada das peculiaridades do caso concreto, diante da demora no 
encerramento da instrução criminal, sem que o paciente, preso preventivamente, 
tenha sido interrogado e sem que tenham dado causa à demora, não se sustenta a 
manutenção da constrição cautelar. STF. 2ª Turma. HC 141583/RN, Rel. Min. Edson 
Fachin, julgado em 19/9/2017 (Info 878). 
 
É ilegal o encerramento do interrogatório do paciente que se nega a responder 
aos questionamentos do juiz instrutor antes de oportunizar as indagações pela 
defesa. 1. O artigo 186 do CPP estipula que, depois de devidamente qualificado e 
cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz, antes 
de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer calado e de não responder 
perguntas que lhe forem formuladas 2. O interrogatório, como meio de defesa, 
implica ao imputado a possibilidade de responder a todas, nenhuma ou a apenas 
algumas perguntas direcionadas ao acusado, que tem direito de poder escolher a 
estratégia que melhor lhe aprouver à sua defesa. 3. Verifica-se a ilegalidade diante 
do precoce encerramento do interrogatório do paciente, após manifestação do 
desejo de não responder às perguntas do juízo condutor do processo, senão do seu 
advogado, sendo excluída a possibilidade de ser questionado pelo seu defensor 
técnico (...) (HC n. 703.978/SC, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador 
Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 5/4/2022, DJe de 
7/4/2022.) 
 
9.3 Confissão 
 
Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros 
elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as 
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demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade 
ou concordância. 
 
Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir 
elemento para a formação do convencimento do juiz. (não recepcionado) 
 
Art. 199. A confissão, quando feita fora do interrogatório, será tomada por termo 
nos autos, observado o disposto no art. 195. 
 
a) Conceito: 
 
Ocorre quando o próprio acusado admite a veracidade da imputação, quer perante a autoridade 
policial quer perante a autoridade judiciária. 
Alguns autores afirmam que a confissão é um testemunho duplamente qualificado, uma vez que: 
● Do ponto de vista objetivo, a confissão recai sobre fatos contrários ao interesse de quem confessa; 
● Do ponto de vista subjetivo, a confissão provém do próprio acusado e não de terceiros. 
 
b) Natureza Jurídica: 
 
Configura atenuante genérica, à luz do art. 65, III, do CP. 
 
Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: (Redação dada pela Lei nº 
7.209, de 11.7.1984) 
III - ter o agente 
d) confessado espontaneamente, perantea autoridade, a autoria do crime; 
 
Súmula 545/STJ - Quando a confissão for utilizada para a formação do 
convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no art. 65, III, d, do 
Código Penal. 
 
c) Valor Probatório: 
 
Antigamente, a confissão possuía valor absoluto, por isso era chamada de “rainha das provas”. Assim, 
diante da confissão do réu (que muitas vezes acontecia mediante tortura) sua condenação era imperativa. 
Atualmente, qualquer prova tem valor relativo, inclusive, a confissão, conforme o art. 197: 
 
Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros 
elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as 
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demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade 
ou concordância. 
 
Vale lembrar que é pacífico na jurisprudência a impossibilidade de condenação baseada SOMENTE 
em confissão, sem que seja confrontada com outros meios de prova que a confirmem ou contraditem. 
 
d) Espécies: 
 
I. Confissão extrajudicial: É a confissão feita fora do processo e sem observância do contraditório e da ampla 
defesa. 
 
Pergunta-se: Qual o valor dessa confissão (que, em geral, ocorre no APF)? 
R.: A doutrina entende que a confissão extrajudicial não tem valor probatório. Já a jurisprudência, 
admite sua utilização subsidiária (art. 155). 
 
Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em 
contraditório judicial, NÃO podendo fundamentar sua decisão EXCLUSIVAMENTE 
nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas 
cautelares, não repetíveis e antecipadas. 
 
II. Confissão judicial: É feita no curso do processo penal, perante a autoridade judiciária. Seu valor probatório 
é maior do que o da confissão extrajudicial, pois o acusado está perante o juiz, assistido por um advogado e 
confrontado pela acusação. 
 
Possui duas espécies, quais sejam: 
● Própria: feita perante a autoridade judiciária competente; 
● Imprópria: feita perante a autoridade judiciária incompetente. 
 
III. Confissão explícita: Ocorre quando é feita de maneira clara e inequívoca. 
 
IV. Confissão implícita: Ocorre quando o acusado pratica um ato que importe no reconhecimento da culpa, 
como pagar a indenização a vítima. Não tem valor probatório, não sendo admitida no processo penal. 
 
ATENÇÃO: No JECRIM a composição civil dá ensejo à renúncia ao direito de queixa ou representação da 
vítima. 
 
V. Confissão simples: O acusado confessa a prática do delito sem invocar qualquer tese de defesa. 
 
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VI. Confissão qualificada: O acusado confessa a prática do delito, mas opõe algum fato modificativo, impeditivo 
ou extintivo do direito de punir. Ex.: excludente da ilicitude ou culpabilidade. 
 
VII. Confissão ficta ou presumida: NÃO existe confissão ficta no processo penal, como no processo civil, 
decorrente da revelia. Tal presunção não ocorre, pois vige no processo penal o nemo tenetur se detegere 
(direito ao silêncio). 
 
E existe revelia no Processo Penal? 
Conforme os art. 366 e 367, se o acusado for citado por edital e não comparecer e nem constituir 
advogado, ficam suspensos o processo e o prazo prescricional, não ocorrendo à revelia (art. 366). 
 
Art. 366. Se o acusado, citado por EDITAL, não comparecer, nem constituir 
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo 
o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for 
o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. 
 
Todavia se o acusado foi citado ou intimado pessoalmente e não compareceu, será decretada sua 
revelia (art. 367). 
 
Art. 367. O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado 
PESSOALMENTE para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, 
ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo. 
 
Ou seja, há a possibilidade de revelia no processo penal, contudo, ela não produz a confissão ficta e 
tem como único efeito prático a desnecessidade de intimação do acusado para prática dos atos processuais, 
salvo em relação à sentença condenatória, da qual deve ser cientificado. 
 
VIII. Confissão delatória: Também é conhecida como CHAMAMENTO DE CORRÉU ou DELAÇÃO PREMIADA. 
 
● Materialização da delação premiada: Na prática (de lege ferenda) vem sendo lavrado um acordo 
sigiloso entre a acusação e a defesa (quase um contrato), a ser submetido à homologação do juiz. 
● Valor probatório da delação premiada: Para a jurisprudência do STF, uma delação premiada, por si 
só, NÃO é fundamento idôneo para a condenação, devendo estar respaldada por outros elementos 
probatórios. 
 
e) Características: 
 
● Ato personalíssimo: Não se pode transmitir o poder de confessar, apenas o acusado pode confessar. 
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● Ato livre e espontâneo: O acusado possui direito ao silêncio, irá optar por confessar ou não o ato 
criminoso. 
● Ato retratável: Acusado pode se retratar da confissão a qualquer momento, no todo ou em parte 
(art. 200). 
 
Art. 200. A confissão será divisível e RETRATÁVEL, sem prejuízo do livre 
convencimento do juiz, fundado no exame das provas em conjunto. 
 
● Ato divisível: O acusado pode confessar um delito e negar outros. O juiz pode considerar verdadeira 
apenas uma parte da confissão, não valorando a parte que considerar inverossímil. Ex.: Juiz aceita a 
confissão do ato, mas repudia a alegação de fato impeditivo (excludente de culpabilidade). 
 
Enunciado 13 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ: A inexistência de confissão do 
investigado antes da formação da opinio delicti do Ministério Público não pode ser interpretada como 
desinteresse em entabular eventual acordo de não persecução penal. 
 
 
 
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META 3 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: PROVAS (PARTE III) 
 
9.4 Prova Testemunhal 
 
a) Conceito de Testemunha: 
 
É toda pessoa humana capaz de depor e que seja estranha ao processo, chamada a se manifestar 
sobre fato percebido por seus sentidos e relativos à causa. 
Qualquer pessoa física pode ser testemunha, conforme art. 202 do CPP: 
 
Art. 202. Toda pessoa poderá ser testemunha. 
 
b) Deveres da Testemunha: 
 
I. Dever de Depor: 
 
Em regra, toda pessoa possui a obrigação de depor. Percebe-se que a testemunha, ao contrário do 
acusado, não tem direito ao silêncio, com exceção das hipóteses em que sua manifestação puder lhe 
incriminar (nemo tenetur se detegere). 
No entanto, aqui também existem exceções ao dever de depor. Vejamos: O art. 206 enumera alguns 
parentes do acusado que PODEM SE RECUSAR a prestação de depoimento, salvo quando não existir outros 
meios de comprovar o fato probando. Estão incluídos neste rol o ascendente ou descendente, o afim em 
linha reta, o cônjuge, ainda que separado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado (art. 206) 
 
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, 
entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, 
o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do 
acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a 
prova do fato e de suas circunstâncias. 
 
Conforme o art. 207 do CPP, SÃO PROIBIDAS de depor as pessoas que, em razão de função, 
ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte interessada, 
quiserem dar o seu testemunho. São exemplos o advogado, o padre, o psicólogo, o médico etc. 
 
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Art. 207. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, 
ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte 
interessada, quiserem dar o seu testemunho. 
 
O advogado, mesmo desobrigado pela parte interessada, está proibido de depor (art. 7º, inc. XIX, da 
Lei 8.906/94). 
 
EOAB - Art. 7º São direitos do advogado: 
XIX - recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva 
funcionar, ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou foi advogado, 
mesmo quando autorizado ou solicitado pelo constituinte, bem como sobre fato 
que constitua sigilo profissional; 
 
Veja a jurisprudência sobre o tema: 
 
Advogado que teve seus poderes revogados pela cliente, que pediu de volta os 
documentos do caso, não pode depor como testemunha no processo porque a 
conduta da parte demonstra que ela não liberou o causídico do sigilo profissional 
que ele deve respeitar. STF. 2ª Turma. Rcl 37235/RR. Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 18/2/2020 (Info 967). 
 
II. Dever de Comparecimento: 
 
Uma vez intimada, a testemunha é obrigada a comparecer (na mesma comarca em que reside), sob 
a pena de não o fazendo ser conduzida coercitivamente. 
 
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, 
entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, 
o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do 
acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a 
prova do fato e de suas circunstâncias. 
 
Art. 218. Se, regularmente intimada, a testemunha deixar de comparecer sem 
motivo justificado, o juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação 
ou determinar seja conduzida por oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio da 
força pública. 
 
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Art. 219. O juiz poderá aplicar à testemunha faltosa a multa prevista no art. 453, 
sem prejuízo do processo penal por crime de desobediência, e condená-la ao 
pagamento das custas da diligência. 
 
Veja a jurisprudência sobre o tema: 
 
STJ (RHC 133.829): De acordo com precedentes do Superior Tribunal de Justiça e 
do Supremo Tribunal Federal, as pessoas convocadas como testemunhas por 
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) têm o dever de comparecer aos atos 
para os quais foram chamadas, para que prestem esclarecimentos e contribuam 
com as investigações. O direito ao não comparecimento está restrito aos 
investigados, não se estendendo às testemunhas. O relator lembrou que as CPIs 
possuem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, como previsto 
pelo artigo 58, parágrafo 3º, da Constituição Federal. Ademais, segundo o ministro, 
entre as provas que podem ser produzidas na instrução criminal, está a indagação 
de pessoas capazes de contribuir para o esclarecimento dos fatos. "A essas pessoas 
dá-se o nome de testemunhas, as quais, nos termos do artigo 206 do Código de 
Processo Penal, não podem eximir-se da obrigação de depor, ou seja, trata-se de 
um múnus público", explicou o ministro. Fonte: Conjur. 
 
 Em alguns casos, no entanto, o dever de comparecimento é mitigado. São eles: 
 
1. Pessoas impossibilitadas, por enfermidade ou velhice, serão inquiridas onde estiverem (art. 220); 
 
Art. 220. As pessoas impossibilitadas, por enfermidade ou por velhice, de 
comparecer para depor, serão inquiridas onde estiverem. 
 
2. Pessoas enumeradas no art. 221 serão inquiridas em dia, hora e local previamente ajustados 
entre elas e o juiz. 
 
Art. 221. O Presidente e o Vice-Presidente da República, os senadores e deputados 
federais, os ministros de Estado, os governadores de Estados e Territórios, os 
secretários de Estado, os prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios,os 
deputados às Assembleias Legislativas Estaduais, os membros do Poder Judiciário, 
os ministros e juízes dos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito 
Federal, bem como os do Tribunal Marítimo serão inquiridos em local, dia e hora 
previamente ajustados entre eles e o juiz. 
 
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STF (AP n. 421 - QO) entendeu que a prerrogativa deve ser observada, mas não 
significa que o juiz tenha que ficar indefinidamente aguardando a boa vontade das 
autoridades listadas. 
 
ATENÇÃO: o art. 221 está inserido no Capítulo que disciplina a prova testemunhal. Portanto, o dispositivo 
NÃO se aplica às hipóteses em que essas autoridades figurarem como acusadas no processo, mas sim 
quando forem testemunhas (e o STF admite quando elas forem vítimas). E mais: caso a autoridade não 
utilize a prerrogativa do art. 221 no prazo de 30 dias, o STF entende que esse direito se perde. 
 
Inclusive, em 18/08/2020, reiterando sua jurisprudência consolidada, o STF negou ao Presidente da 
República (Jair Bolsonaro), na qualidade de investigado, que realizasse seu depoimento por escrito. A decisão 
foi tomada no Inquérito 4831/DF, de relatoria do Ministro Celso de Mello, instaurado contra o Presidente da 
República, e o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública. 
 
As autoridades com prerrogativa de foro previstas no art. 221 do CPP, quando 
figurarem na condição de investigados no inquérito policial ou de acusados na ação 
penal, não têm o direito de serem inquiridas em local, dia e hora previamente 
ajustados com a autoridade policial ou com o juiz. Isso porque não há previsão legal 
que assegure essa prerrogativa processual, tendo em vista que o art. 221 do CPP se 
restringe às hipóteses em que as autoridades nele elencadas participem do 
processo na qualidade de testemunhas, e não como investigados ou acusados. STJ. 
5ª Turma. HC 250970-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 23/9/2014 (Info 547). 
 
3. Pessoas residentes em comarcas diversas da que se desenvolva o processo, caso no qual poderão ser 
inquiridas pelo juiz de sua comarca, mediante CARTA PRECATÓRIA, ou pelo meio de 
VIDEOCONFERÊNCIA. 
 
Art. 222. A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz será inquirida pelo juiz 
do lugar de sua residência, expedindo-se, para esse fim, carta precatória, com prazo 
razoável, intimadas as partes. 
§ 1o A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal. 
§ 2o Findo o prazo marcado, poderá realizar-se o julgamento, mas, a todo tempo, a 
precatória, uma vez devolvida, será junta aos autos. 
§ 3o Na hipótese prevista no caput deste artigo, a oitiva de testemunha poderá ser 
realizada por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de 
transmissão de sons e imagens em tempo real, permitida a presença do defensor e 
podendo ser realizada, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e 
julgamento. 
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É indispensável a intimação quanto a expedição da carta precatória, sob pena de nulidade relativa. 
Porém, cabe a parte diligenciar junto ao juízo deprecado para saber a data da oitiva no juízo deprecado 
(Súmula 155 do STF e Súmula 273 do STJ). 
 
Súmula 155/STF - É relativa a nulidade do processo criminal por falta de intimação 
da expedição de precatória para inquirição de testemunha. 
 
Súmula 273/STJ - Intimada a defesa da expedição da carta precatória, torna-se 
desnecessária intimação da data da audiência no juízo deprecado. 
 
Aqui, entra, também, a CARTA ROGATÓRIA, prevista no CPP. O artigo 222-A foi introduzido ao CPP 
pela Lei n. 11.900/09. Na AP. n. 470 – QO n. 4, o Supremo entendeu que o dispositivo seria plenamente 
constitucional em razão da boa-fé. 
 
Art. 222-A. As cartas rogatórias só serão expedidas se demonstrada previamente a 
sua imprescindibilidade, arcando a parte requerente com os custos de envio. 
Parágrafo único. Aplica-se às cartas rogatórias o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 222 
deste Código. 
 
Se for expedida carta rogatória para citar um acusado no exterior, o prazo 
prescricional ficará suspenso até que ela seja cumprida, ou seja, o prazo 
prescricional voltará a correr antes mesmo que a carta seja juntada aos autos. O 
CPP afirma que, se for expedida uma carta rogatória para citar um acusado no 
exterior, o prazo prescricional ficará suspenso até que ela seja cumprida: Art. 368. 
Estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta 
rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. 
Até quando o prazo prescricional fica suspenso? Até o cumprimento da carta ou até 
a sua juntada aos autos? O termo final da suspensão do prazo prescricional pela 
expedição de carta rogatória para citação do acusado no exterior é a data da 
efetivação da comunicação processual no estrangeiro, ainda que haja demora para 
a juntada da carta rogatória cumprida aos autos. STJ. 5ª Turma. REsp 1882330/SP, 
Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 06/04/2021 (Info 691). 
 
III. Dever de Prestar o Compromisso de Dizer a Verdade: 
 
Toda testemunha tem o dever de prestar o compromisso de dizer a verdade (art. 203 do CPP). 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a9b94e2e91ee1dae4106f72c3e48880e?categoria=12
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a9b94e2e91ee1dae4106f72c3e48880e?categoria=12
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Lembrando que, quando o depoimento puder lhe incriminar, a testemunha poderá fazer invocar o 
direito ao silêncio, desdobramento do princípio da não autoincriminação. 
 
Art. 203. A testemunha fará, sob palavra de honra, a promessa de dizer a verdade 
do que souber e lhe for perguntado, devendo declarar seu nome, sua idade, seu 
estado e sua residência, sua profissão, lugar onde exerce sua atividade, se é 
parente,e em que grau, de alguma das partes, ou quais suas relações com qualquer 
delas, e relatar o que souber, explicando sempre as razões de sua ciência ou as 
circunstâncias pelas quais possa avaliar-se de sua credibilidade. 
 
As exceções são: 
1. Parentes próximos do réu (art. 206 c/c 208 do CPP); 
 
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, 
entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, 
o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do 
acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a 
prova do fato e de suas circunstâncias. 
 
Art. 208. Não se deferirá o compromisso a que alude o art. 203 aos doentes e 
deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que se 
refere o art. 206. 
 
2. Menor de 14 anos; 
3. Deficientes mentais (art. 208 do CPP). 
 
OBS: As testemunhas do art. 207 prestam o compromisso. 
 
Art. 207. São proibidas de depor as pessoas que, em razão de função, ministério, 
ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se, desobrigadas pela parte 
interessada, quiserem dar o seu testemunho. 
 
A ausência do compromisso não dá à testemunha o direito de mentir. A testemunha tem o dever de 
dizer a verdade, sob pena de responder por falso testemunho. 
O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se 
retrata ou declara a verdade (art. 342 do CP). 
 
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CP Art. 342. Fazer afirmação falsa, ou negar ou calar a verdade como testemunha, 
perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou administrativo, 
inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena - reclusão, de um a três anos, e multa. 
§ 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu 
o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade. 
 
ATENÇÃO: A doutrina costuma chamar as testemunhas não compromissadas de INFORMANTES. 
 
Pergunta-se: A testemunha que não presta compromisso, chamada de informante, pode praticar o 
delito do art. 342 CP? 
R.: Há divergência de entendimento. 
1ª C: Toda testemunha, compromissada ou não pode ser sujeito ativo do crime do art. 342, a lei não 
diferencia, logo não cabe ao intérprete fazê-lo. Não bastasse, a testemunha não compromissada, pode servir 
como argumento de condenação ou absolvição. Quem falou que o juiz não pode utilizar o testemunho de 
um informante para basear seu julgamento? Em outras palavras: qualquer testemunha poderá praticar o 
crime do art. 342 do CP, pois este tipo penal não traz o compromisso de dizer a verdade como uma elementar 
do crime de falso testemunho. 
2ªC: Se a lei não submete a testemunha informante ao compromisso de dizer a verdade, NÃO pode 
cometer o ilícito do art. 342. Ora, se a própria lei não colhe delas o compromisso de dizer a verdade, a lei 
não pode cobrar. PREVALECE. 
 
Ao final do depoimento, em se convencendo da existência do crime de falso testemunho (que pode 
se configurar até mesmo pelo silêncio da testemunha), o juiz remeterá cópia do depoimento à autoridade 
policial para instauração de inquérito. Se o fato se der em julgamento perante o tribunal do júri, prevê o art. 
211, §único, que a testemunha deverá ser de imediato apresentada à autoridade policial. 
 
IV. Dever de Comunicar Alteração de Endereço: 
 
As testemunhas comunicarão ao juiz, dentro de 1 (um) ano, qualquer mudança de residência, 
sujeitando-se, pela simples omissão, às penas do não comparecimento (art. 224 do CPP). 
 
Art. 224. As testemunhas comunicarão ao juiz, dentro de um ano, qualquer 
mudança de residência, sujeitando-se, pela simples omissão, às penas do não 
comparecimento. 
 
c) Espécies de Testemunhas: 
 
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● Testemunhas Numerárias: São aquelas arroladas pelas partes e que prestam o compromisso legal, sendo 
computadas para efeito de aferição do número máximo de testemunhas legalmente permitido. 
 
Quantidade de testemunhas: Contabilização apenas das testemunhas numerárias. 
RITO ORDINÁRIO 
 
Até 08 testemunhas (art. 401, caput, e §1º, do CPP) 
RITO SUMÁRIO Até 05 testemunhas (art. 532, do CPP) 
RITO SUMARÍSSIMO Até 03 testemunhas (art. 34, Lei 9099/95). 
LEI DE DROGAS 
 
Até 05 testemunhas (art. 54, III, da referida lei) 
1ª FASE DO TRIBUNAL DO JÚRI 
 
Até 08 testemunhas (art. 406, §2º, do CPP) 
2ª FASE DO TRIBUNAL DO JÚRI Até 05 testemunhas (art. 422, do CPP) 
 
● Testemunhas Extranumerárias: São aquelas que não são computadas no número de testemunhas 
legalmente permitido, podendo ser ouvidas em número ilimitado. Incluem-se as testemunhas ouvidas 
por iniciativa do juiz, testemunhas arroladas pelas partes que não prestam compromisso legal e 
testemunhas que nada sabem dos fatos (art. 209 do CPP). 
 
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além 
das indicadas pelas partes. 
§1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas 
se referirem. 
§2o Não será computada como testemunha a pessoa que nada souber que interesse 
à decisão da causa. 
 
● Testemunhas Diretas: São aquelas que depõem sobre fatos que PRESENCIOU. São as chamadas 
testemunhas visuais. 
 
● Testemunhas Indiretas: São aquelas que depõem sobre fatos que OUVIU DIZER (hear say). Seu 
depoimento possui menor valor probatório. 
 
STJ (REsp n. 1.373.356): Apesar do Brasil não ter um regramento proibindo as 
testemunhas indiretas, ao contrário de outros Países, o Superior Tribunal de Justiça 
concluiu ser intolerável que alguém em juízo se limite tão somente a dizer o que 
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ela ouviu falar e que isso seja tido como prova robusta para um decreto 
condenatório. 
 
● Testemunhas Próprias: São aquelas que prestam declarações sobre a infração penal. 
 
● Testemunhas Laudadoras ou de Beatificação: São aquelas que prestam declarações relacionadas aos 
antecedentes do réu. 
 
● Testemunhas Impróprias, Instrumentárias ou Fedatárias: São aquelas que prestam declaraçõessobre a 
regularidade de um ato do processo ou do inquérito policial, e não sobre a própria infração penal. Ex.: 
testemunhas de apresentação que são chamadas para presenciar o auto de prisão em flagrante. 
 
Em juízo, se o acusado se recusar a assinar o termo do interrogatório, não há necessidade de 
testemunhas fedatárias, como ocorre no auto de prisão em flagrante, previsto no art. 304, §§ 2° e 3°, do CPP. 
 
Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e 
colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de 
entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o 
acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita, 
colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, 
afinal, o auto. 
2o A falta de testemunhas da infração não impedirá o auto de prisão em flagrante; 
mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas que 
hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade. 
§ 3o Quando o ACUSADO se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o 
auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas, que tenham 
ouvido sua leitura na presença deste. 
 
● Informantes: São aquelas testemunhas que não prestam o compromisso legal, como por exemplo, o filho 
ou a mãe do réu, que são chamadas para depor (art. 206 CPP). 
 
Art. 206. A testemunha não poderá eximir-se da obrigação de depor. Poderão, 
entretanto, recusar-se a fazê-lo o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, 
o cônjuge, ainda que desquitado, o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do 
acusado, salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a 
prova do fato e de suas circunstâncias. 
 
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● Testemunhas Referidas: São aquelas mencionadas (referidas) por outras testemunhas já ouvidas, não 
entrando no número permitido (art. 209, §1º CPP). 
 
Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além 
das indicadas pelas partes. 
§ 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas 
se referirem. 
 
CAIU EM PROVA: 
(Delegado do Estado de Goiás 2022): As testemunhas referidas não devem ser computadas para fins do 
número máximo de testemunhas a serem ouvidas - item considerado correto. 
 
● Testemunhas Anônimas: São aquelas cuja qualificação não é informada ao acusado. 
 
De acordo com o STF, não há nenhuma inconstitucionalidade, tendo em vista que visa à preservação da 
integridade da testemunha. 
 
● Testemunhas Ausentes: São aquelas que não comparecem para depor em juízo. Assim, elas podem até 
já ter sido ouvidas durante a fase investigatória, mas por algum motivo não compareceram em juízo para 
prestar seu depoimento. Ex.: morreram, estão com medo. 
 
● Testemunhas Remotas: São aquelas ouvidas por videoconferência. 
 
● Testemunhas da Coroa: São aqueles depoimentos prestados pelo agente infiltrado. Esta figura foi 
prevista em alguns diplomas, como a Lei n. 12.850/2013 e a Lei n. 11.343/2006. O agente infiltrado é o 
policial que, mediante autorização judicial, ingressa em uma organização criminosa, colhendo material 
probatório acerca das práticas delitivas. 
 
● Testemunhas Vulneráveis e “depoimento sem dano”: Salienta-se que não são apenas as pessoas do art. 
217-A do CP. Segundo a doutrina, também podem ser incluídas como testemunhas vulneráveis pessoas 
idosas ou em situações de vulnerabilidade, como a de violência doméstica ou familiar contra a mulher. 
 
Durante muitos anos as pessoas vulneráveis eram ouvidas sem nenhum cuidado. Para contornar as 
consequências, como a revitimização, foi construído doutrinariamente o que se chamou de depoimento sem 
dano. Posteriormente, foi positivado, sendo denominado de Depoimento Especial. 
 
Lei 13.431/17: 
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Art. 7º: Escuta especializada é o procedimento de entrevista sobre situação de 
violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção, limitado 
o relato estritamente ao necessário para o cumprimento de sua finalidade. 
Art. 8º: Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou adolescente 
vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária. 
Art. 9º: A criança ou o adolescente será resguardado de qualquer contato, ainda 
que visual, com o suposto autor ou acusado, ou com outra pessoa que represente 
ameaça, coação ou constrangimento. 
Art. 10: A escuta especializada e o depoimento especial serão realizados em local 
apropriado e acolhedor, com infraestrutura e espaço físico que garantam a 
privacidade da criança ou do adolescente vítima ou testemunha de violência. 
Art. 11: O depoimento especial reger-se-á por protocolos e, sempre que possível, 
será realizado uma única vez, em sede de produção antecipada de prova judicial, 
garantida a ampla defesa do investigado. 
§ 1º: O depoimento especial seguirá o rito cautelar de antecipação de prova: 
I - quando a criança ou o adolescente tiver menos de 7 (sete) anos; 
II - em caso de violência sexual. 
 
Veja a jurisprudência sobre o “depoimento sem dano”: 
 
O depoimento sem dano consiste na oitiva judicial de crianças e adolescentes que 
foram supostamente vítimas de crimes contra a dignidade sexual por meio de um 
procedimento especial, que consiste no seguinte: a criança ou o adolescente fica 
em uma sala reservada, sendo o depoimento colhido por um técnico (psicólogo ou 
assistente social), que faz as perguntas de forma indireta, por meio de uma 
conversa em tom mais informal e gradual, à medida que vai se estabelecendo uma 
relação de confiança entre ele e a vítima. O juiz, o Ministério Público, o réu e o 
Advogado/Defensor Público acompanham, em tempo real, o depoimento em outra 
sala por meio de um sistema audiovisual que está gravando a conversa do técnico 
com a vítima. A Lei nº 13.431/2017 trouxe regras para a realização do depoimento 
sem dano. No entanto, mesmo antes desta Lei, o STJ já entendia que era válida, nos 
crimes sexuais contra criança e adolescente, a inquirição da vítima na modalidade 
do “depoimento sem dano”, em respeito à sua condição especial de pessoa em 
desenvolvimento, inclusive antes da deflagração da persecução penal, mediante 
prova antecipada. Assim, mesmo antes da Lei nº 13.431/2017, não configurava 
nulidade por cerceamento de defesa o fato de o defensor e o acusado de crime 
sexual praticado contra criança ou adolescente não estarem presentes na oitiva da 
vítima devido à utilização do método de inquirição denominado “depoimento sem 
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dano”. STJ. 5ª Turma. RHC 45.589-MT, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 
24/2/2015 (Info 556). 
 
Depoimento ad perpetuam rei memoriam: 
Art. 225: Se qualquer testemunha houver de ausentar-se, ou, por enfermidade ou por velhice, inspirar receio de 
que ao tempo da instrução criminal já não exista, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, 
tomar-lhe antecipadamente o depoimento. 
 
e) Método de Inquirição das Testemunhas 
 
Art. 212, do CPP: As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à 
testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não 
tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. 
Parágrafo único. Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz poderá complementar a 
inquirição. 
 
 O art. 212 estabeleceu o método de inquirição direta das testemunhas (sistema de inquirição direta 
ou cross examination). Isso porque, com a reforma do CPP, operada pela Lei nº 11.690/2008, a participação 
do juiz na inquirição das testemunhas foi reduzida ao mínimo possível. A ideia é justamente que o 
depoimento não seja conduzido pelo juiz e sim pelas partes, podendo o juiz intervir apenas excepcionalmente 
a título complementar. Desse modo, as perguntas agora são formuladas diretamente pelas partes (MP e 
defesa) às testemunhas. 
 
Pergunta-se: Quem inicia a inquirição? 
R.: Pela parte que arrolou a testemunha. Ex.: Na denúncia, o MP arrolou duas testemunhas (Carlos e 
Fernando). A defesa, na resposta escrita, também arrolou uma testemunha (André). No momento da 
audiência de instrução, inicia-se ouvindo as testemunhas arroladas pelo MP (Carlos e Fernando). 
 
Pergunta-se: Quem primeiro fará perguntas a essas testemunhas? 
R.: O Ministério Público. Quando o MP acabar de perguntar, a defesa terá direito de formular seus 
questionamentos e, por fim, o juiz poderá complementar a inquirição, se houver pontos não esclarecidos. 
Depois de serem ouvidas todas as testemunhas de acusação, serão inquiridas as testemunhas de 
defesa (no exemplo dado, apenas André). 
 
Pergunta-se: Quem primeiro fará as perguntas a testemunha de defesa? 
R.: A própria defesa. Quando a defesa acabar de perguntar, o Ministério Público terá direito de 
formular questionamentos e, por fim, o juiz poderá complementar a inquirição, se houver pontos não 
esclarecidos. 
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 Assim, em regra, o juiz deverá apenas ficar calado, ouvindo e valorando, em seu íntimo, as perguntas 
e as respostas. O juiz, contudo, deverá intervir e indeferir a pergunta formulada pela parte, antes que a 
testemunha responda, caso se verifique uma das seguintes situações: 
· Quando a pergunta feita pela parte puder induzir a resposta da testemunha; 
· Quando a pergunta não tiver relação com a causa; 
· Quando a pergunta for a repetição de outra já respondida. 
 
Pergunta-se: O que acontece se o juiz não obedecer a esta regra? O que ocorre se o juiz iniciar as 
perguntas, inquirindo a testemunha antes das partes? 
R.: Existem duas correntes sobre o tema. 
1ª C: Se o juiz inicia as perguntas há inobservância do art. 212 do CPP, o que gera a nulidade do ato. É 
como se fosse uma nulidade absoluta. 
 
Não cabe ao juiz, na audiência de instrução e julgamento de processo penal, iniciar 
a inquirição de testemunha, cabendo-lhe, apenas, complementar a inquirição sobre 
os pontos não esclarecidos. STF. 1ª Turma. HC 161658/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgado em 2/6/2020 (Info 980). STF. 1ª Turma. HC 187035/SP, Rel. Min. Marco 
Aurélio, julgado em 6/4/2021 (Info 1012). 
 
2ª C: O fato de o juiz iniciar a inquirição das testemunhas pode gerar, quando muito, nulidade 
relativa, cujo reconhecimento depende da demonstração do prejuízo para a parte que a suscita. Assim, não 
deve ser acolhida a alegação de nulidade em razão da não observância da ordem de formulação de perguntas 
às testemunhas, estabelecida pelo art. 212 do CPP, se a parte não se desincumbiu do ônus de demonstrar o 
prejuízo decorrente da inversão da ordem de inquirição das testemunhas. A demonstração de prejuízo, a 
teor do art. 563 do CPP, é essencial à alegação de nulidade. 
 
A inobservância do procedimento previsto no art. 212 do CPP pode gerar, quando 
muito, nulidade relativa, cujo reconhecimento depende da demonstração do 
prejuízo para a parte que a suscita. A defesa trouxe argumentação genérica, sem 
demonstrar qualquer prejuízo concretamente sofrido, capaz de nulificar o julgado. 
Nesse contexto, incide a regra segundo a qual não haverá declaração de nulidade 
quando não demonstrado o efetivo prejuízo causado à parte (pas de nullité sans 
grief). STF. 1ª Turma. HC 177530 AgR, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 
20/12/2019. 
 
Jurisprudência em Teses (Ed. 69): Tese 12: A inquirição das testemunhas pelo Juiz 
antes que seja oportunizada às partes a formulação das perguntas, com a inversão 
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da ordem prevista no art. 212 do Código de Processo Penal, constitui nulidade 
relativa. 
 
Não é possível anular o processo, por ofensa ao art. 212 do Código de Processo 
Penal, quando não verificado prejuízo concreto advindo da forma como foi 
realizada a inquirição das testemunhas, sendo certo que, segundo entendimento 
consolidado neste Superior Tribunal, o simples advento de sentença condenatória 
não tem o condão, por si só, de cristalizar o prejuízo indispensável para o 
reconhecimento da nulidade. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1493757/SP, Rel. Min. 
Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/04/2020. 
 
A inquirição das testemunhas pelo juiz antes que seja oportunizada a formulação 
das perguntas às partes, com a inversão da ordem prevista no art. 212 do Código 
de Processo Penal, constitui nulidade relativa. Não havendo demonstração do 
prejuízo, nos termos exigidos pelo art. 563 do mesmo estatuto processual, não se 
procede à anulação do ato. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 578.934/SP, Rel. Min. Nefi 
Cordeiro, julgado em 02/06/2020. 
 
Jurisprudências importantes sobre prova testemunhal: 
 
Indeferimento de todas as testemunhas da defesa sob o argumento de queseriam protelatórias: constrangimento ilegal. Na fase de defesa prévia, o réu 
arrolou uma série de testemunhas, mas o juiz negou a oitiva afirmando que o 
requerimento seria protelatório, haja vista que as testemunhas não teriam, em 
tese, vinculação com os fatos criminosos imputados. O STF entendeu que houve 
constrangimento ilegal. O direito à prova é expressão de uma inderrogável 
prerrogativa jurídica, que não pode ser, arbitrariamente, negada ao réu. O princípio 
do livre convencimento motivado (art. 400, § 1º, do CPP) faculta ao juiz o 
indeferimento das provas consideradas irrelevantes, impertinentes ou 
protelatórias. No entanto, no caso concreto houve o indeferimento de todas as 
testemunhas de defesa. Dessa forma, houve ofensa ao devido processo legal, visto 
que frustrou a possibilidade de o acusado produzir as provas que reputava 
necessárias à demonstração de suas alegações. STF. 2ª Turma. HC 155363/RJ, Rel. 
Min. Dias Toffoli, julgado em 8/5/2018 (Info 901). 
 
Depoimento dos policiais pode fundamentar a sentença condenatória. O 
depoimento dos policiais prestado em juízo constitui meio de prova idôneo, 
podendo embasar a condenação do réu. Assim, por exemplo, as declarações dos 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/edea298442a67de045e88dfb6e5ea4a2?categoria=12&subcategoria=130
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/08048a9c5630ccb67789a198f35d30ec?categoria=12&subcategoria=130
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policiais militares responsáveis pela efetivação da prisão em flagrante constituem 
meio válido de prova para condenação, sobretudo quando colhidas no âmbito do 
devido processo legal e sob o crivo do contraditório. A defesa pode demonstrar, no 
caso concreto, que as testemunhas não gozam de imparcialidade, sendo, contudo, 
ônus seu essa prova. STJ. 5ª Turma. HC 395.325/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 
julgado em 18/05/2017. 
 
Antecipação da prova testemunhal pela gravidade do crime e possibilidade 
concreta de perecimento. A antecipação da prova testemunhal prevista no art. 366 
do CPP pode ser justificada como medida necessária pela gravidade do crime 
praticado e possibilidade concreta de perecimento, haja vista que as testemunhas 
poderiam se esquecer de detalhes importantes dos fatos em decorrência do 
decurso do tempo. Além disso, a antecipação da oitiva das testemunhas não traz 
nenhum prejuízo às garantias inerentes à defesa. Isso porque quando o processo 
retomar seu curso, caso haja algum ponto novo a ser esclarecido em favor do réu, 
basta que seja feita nova inquirição. STF. 2ª Turma. HC 135386/DF, rel. orig. Min. 
Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/12/2016 
(Info 851). 
 
IMPORTANTE! 
(1) Por quanto tempo o prazo prescricional ficaria suspenso? 
O tema era alvo de divergência jurisprudencial. No entanto, o STF, aderindo à posição já consolidada e 
sumulada do STJ, passou a entender que, no caso do art. 366 do CPP, o prazo prescricional ficará suspenso 
pelo tempo de prescrição da pena máxima em abstrato cominada ao crime. Veja: 
 
Em caso de inatividade processual decorrente de citação por edital, ressalvados os crimes previstos na 
Constituição Federal como imprescritíveis, é constitucional limitar o período de suspensão do prazo 
prescricional ao tempo de prescrição da pena máxima em abstrato cominada ao crime, a despeito de o 
processo permanecer suspenso. Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir 
advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a 
produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos 
termos do disposto no art. 312. STF. Plenário. STF. Plenário. RE 600851, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 
04/12/2020 (Repercussão Geral – Tema 438) (Info 1001). 
 
No mesmo sentido: Súmula 415-STJ: O período de suspensão do prazo prescricional é regulado pelo máximo 
da pena cominada. 
 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/933596b8ed665b3c5c6ed32079b2d20e?categoria=12&ano=2020
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/933596b8ed665b3c5c6ed32079b2d20e?categoria=12&ano=2020
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/933596b8ed665b3c5c6ed32079b2d20e?categoria=12&ano=2020
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(2) Existe um argumento no sentido de que se as testemunhas forem policiais, deverá ser autorizada a sua 
oitiva como prova antecipada, considerando que os policiais lidam diariamente com inúmeras ocorrências 
e, se houvesse o decurso do tempo, eles poderiam esquecer dos fatos. Esse argumento é aceito pela 
jurisprudência? A oitiva das testemunhas que são policiais é considerada como prova urgente para os fins 
do art. 366 do CPP? 
SIM. É a posição do STJ. 
O fato de o agente de segurança pública atuar constantemente no combate à criminalidade faz com que ele 
presencie crimes diariamente. Em virtude disso, os detalhes de cada uma das ocorrências acabam se 
perdendo em sua memória. Essa peculiaridade justifica que os policiais sejam ouvidos como produção 
antecipada da prova testemunhal, pois além da proximidade temporal com a ocorrência dos fatos 
proporcionar uma maior fidelidade das declarações, possibilita ainda o registro oficial da versão dos fatos 
vivenciados por ele, o que terá grande relevância para a garantia da ampla defesa do acusado, caso a defesa 
técnica repute necessária a repetição do seu depoimento por ocasião da retomada do curso da ação penal. 
Nesse sentido: AgRg no AREsp 1.995.527-SE, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, por 
unanimidade, julgado em 19/12/2022, DJe 21/12/2022. 
 
O STF não tem uma posição consolidada sobre o tema, havendo decisões em ambos os sentidos. Exemplos: 
· Não admitindo: STF. 2ª Turma. HC 130038/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/11/2015; 
· Admitindo: STF. 2ª Turma. HC 135386, Rel. Ricardo Lewandowski, Relator(a) p/ Acórdão: Gilmar Mendes, 
julgado em 13/12/2016. 
 
g) Valor Probatório da Prova Testemunhal 
 
O valor probatório da prova testemunhal é RELATIVO. O juiz deve confiar nos depoimentos, posto 
que prestados sob compromisso, desde que não estejam em desacordo evidente com os demais elementos 
de prova constante nos autos.Sempre houve intensa divergência na doutrina e jurisprudência a respeito da credibilidade do 
depoimento policial enquanto prova testemunhal. Vejamos: 
1ª C (doutrina majoritária / Tribunais Superiores): Não há ressalvas, em princípio, quanto à prova 
policial, porque como se dá credibilidade ao depoimento de qualquer cidadão comum, não há de ser 
diferente com o policial até porque, enquanto agente da administração pública, goza de fé pública 
(presunção relativa de legitimidade dos seus atos). 
Jurisprudência em Teses STJ – Ed. 105, nº 6: É válido e revestido de eficácia 
probatória o testemunho prestado por policiais envolvidos em ação investigativa 
ou responsáveis por prisão em flagrante, quando estiver em harmonia com as 
demais provas dos autos e for colhido sob o crivo do contraditório e da ampla 
defesa. 
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2ª C (Camargo Aranha): Como a investigação foi conduzida pelos policiais é certo que possuem 
interesse na condenação do réu, o que legitimaria toda a investigação realizada, não sendo tais depoimentos, 
portanto, desinteressados. Entendimento que não tem penetração jurisprudencial. 
No informativo 756, a 5ª Turma do STJ trouxe um importante julgado a respeito do tema: 
 
O testemunho prestado em juízo pelo policial deve ser valorado, assim como 
acontece com a prova testemunhal em geral, conforme critérios de coerência 
interna, coerência externa e sintonia com as demais provas dos autos. (5ª T. STJ, 
AREsp 1.936.393-RJ, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, 
julgado em 25/10/2022, DJe 08/11/2022.) 
 
9.5 Reconhecimento de Coisas e Pessoas 
 
 Trata-se do procedimento disciplinado nos art. 226 a art. 228, do CPP e que merece especial destaque 
em razão das diversas discussões jurisprudenciais pelas quais a temática passou nos últimos anos. 
 
Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, 
proceder-se-á pela seguinte forma: 
I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a 
pessoa que deva ser reconhecida; 
Il - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se possível, ao lado 
de outras que com ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se quem tiver de 
fazer o reconhecimento a apontá-la; 
III - se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por 
efeito de intimidação ou outra influência, não diga a verdade em face da pessoa 
que deve ser reconhecida, a autoridade providenciará para que esta não veja 
aquela; 
IV - do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto pormenorizado, subscrito pela 
autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas 
testemunhas presenciais. 
Parágrafo único. O disposto no III deste artigo não terá aplicação na fase da 
instrução criminal ou em plenário de julgamento. 
 
O art. 226 do CPP estabelece formalidades para o reconhecimento de pessoas (reconhecimento 
pessoal). 
Pergunta-se: O descumprimento dessas formalidades enseja a nulidade do reconhecimento? 
 1ª C: NÃO, pois o procedimento constitui mera recomendação legal. Era a posição pacífica da 5ª 
Turma e que prevalecia na jurisprudência até 2020. 
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As disposições contidas no art. 226 do CPP configuram uma recomendação legal, e 
não uma exigência absoluta. Assim, é válido o ato mesmo que realizado de forma 
diversa da prevista em lei. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1665453/SP, Rel. Min. Joel 
Ilan Paciornik, julgado em 02/06/2020. 
 
2ª C: SIM, pois o procedimento constitui garantia mínima ao acusado. Nesse sentido, julgado da 6ª 
Turma do STJ, que promoveu uma virada jurisprudencial e fixou as seguintes conclusões: 
● O reconhecimento de pessoas deve observar o procedimento previsto no art. 226 do Código de 
Processo Penal, cujas formalidades constituem garantia mínima para quem se encontra na 
condição de suspeito da prática de um crime; 
● À vista dos efeitos e dos riscos de um reconhecimento falho, a inobservância do procedimento 
descrito na referida norma processual torna inválido o reconhecimento da pessoa suspeita e não 
poderá servir de lastro a eventual condenação, mesmo se confirmado o reconhecimento em juízo; 
● Pode o magistrado realizar, em juízo, o ato de reconhecimento formal, desde que observado o 
devido procedimento probatório, bem como pode ele se convencer da autoria delitiva a partir do 
exame de outras provas que não guardem relação de causa e efeito com o ato viciado de 
reconhecimento; 
● O reconhecimento do suspeito por simples exibição de fotografia(s) ao reconhecedor, a par de 
dever seguir o mesmo procedimento do reconhecimento pessoal, há de ser visto como etapa 
antecedente a eventual reconhecimento pessoal e, portanto, não pode servir como prova em ação 
penal, ainda que confirmado em juízo. STJ. 6ª Turma. HC 598886-SC, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 
julgado em 27/10/2020 (Info 684). 
 
Ainda, houve decisão do STF sobre o reconhecimento de pessoas no mesmo sentido da 6ª Turma: 
 
A desconformidade ao regime procedimental determinado no art. 226 do CPP deve 
acarretar a nulidade do ato e sua desconsideração para fins decisórios, 
justificando-se eventual condenação somente se houver elementos independentes 
para superar a presunção de inocência. STF. 2ª Turma. RHC 206846/SP, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, julgado em 22/2/2022 (Info 1045). 
 
Nesse sentido, tem-se que o reconhecimento (fotográfico ou presencial) efetuado pela vítima, em 
sede inquisitorial, não constitui evidência segura da autoria do delito, dada a falibilidade da memória 
humana, que se sujeita aos efeitos tanto do esquecimento, quanto de emoções e de sugestões vindas de 
outras pessoas que podem gerar “falsas memórias”, além da influência decorrente de fatores, como, por 
exemplo, o tempo em que a vítima esteve exposta ao delito e ao agressor; o trauma gerado pela gravidade 
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do fato; o tempo decorrido entre o contato com o autor do delito e a realização do reconhecimento; as 
condições ambientais (tais como visibilidade do local no momento dosfatos); estereótipos culturais (como 
cor, classe social, sexo, etnia etc.). 
Note que, acerca da temática de reconhecimento fotográfico, ainda, a 6ª Turma do STJ decidiu que 
“no caso em que o reconhecimento fotográfico na fase inquisitorial não tenha observado o procedimento 
legal, mas a vítima relata o delito de forma que não denota riscos de um reconhecimento falho, dá-se 
ensejo a distinguishing quanto ao acórdão do HC 598.886/SC, que invalida qualquer reconhecimento 
formal - pessoal ou fotográfico - que não siga estritamente o que determina o art. 226 do CPP.” (STJ. 6a 
Turma. REsp 1.969.032-RS, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF da 1ª Região), Sexta 
Turma, por unanimidade, julgado em 17/05/2022, DJe 20/05/2022. - Info 739) 
Note, por oportuno, que o Julgado no informativo 739 não supera o entendimento do Info 684 (O 
art. 226 do CPP estabelece formalidades para o reconhecimento de pessoas - reconhecimento pessoal - e o 
descumprimento dessas formalidades enseja a nulidade do reconhecimento), pois, no julgamento do HC 
598.886/SC, da relatoria do Min. Rogério Schietti Cruz, decidiu a Sexta Turma, revendo anterior 
interpretação, no sentido de que se "determine, doravante, a invalidade de qualquer reconhecimento formal 
- pessoal ou fotográfico - que não siga estritamente o que determina o art. 226 do CPP, sob pena de 
continuar-se a gerar uma instabilidade e insegurança de sentenças judiciais que, sob o pretexto de que outras 
provas produzidas em apoio a tal ato - todas, porém, derivadas de um reconhecimento desconforme ao 
modelo normativo - autorizariam a condenação, potencializando, assim, o concreto risco de graves erros 
judiciários". 
Além disso, importante observar que o entendimento do STF (2ª Turma. RHC 206846/SP) conforme 
exposto acima também é pela nulidade. 
Por fim, a título de complementação, a posição pacífica da 5ª Turma ERA em sentido contrário de 
que as disposições contidas no art. 226 do CPP configuram uma recomendação legal, e não uma exigência 
absoluta. Assim, entendia que era válido o ato mesmo que realizado de forma diversa da prevista em lei (STJ. 
5ª Turma. AgRg no AREsp 1665453/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 02/06/2020). Contudo, a 
Turma se ajustou no HC 694.083/PB, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado 
em 23/11/2021, DJe 29/11/2021: 
O reconhecimento fotográfico serve como prova apenas inicial e deve ser 
ratificado por reconhecimento presencial, assim que possível. E, no caso de uma 
ou ambas as formas de reconhecimento terem sido efetuadas, em sede inquisitorial, 
sem a observância (parcial ou total) dos preceitos do art. 226 do CPP e sem 
justificativa idônea para o descumprimento do rito processual, ainda que 
confirmado em juízo, o reconhecimento falho se revelará incapaz de permitir a 
condenação, como regra objetiva e de critério de prova, sem corroboração do 
restante do conjunto probatório, produzido na fase judicial. 
 
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Ainda que o reconhecimento fotográfico esteja em desacordo com o 
procedimento previsto no art. 226 do CPP, deve ser mantida a condenação quando 
houver outras provas produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, 
independentes e suficientes o bastante, para lastrear o decreto condenatório. 
Se as demais provas que compuseram o acervo fático-probatório amealhado aos 
autos foram produzidas por fonte independente da que culminou com o elemento 
informativo obtido por meio do reconhecimento fotográfico realizado na fase 
inquisitiva, de maneira que, ainda que o reconhecimento haja sido feito em 
desacordo com o modelo legal e, assim, não possa ser sopesado, nem mesmo de 
forma suplementar, para fundamentar a condenação do réu, aquelas provas, 
independentes e suficientes o bastante, produzidas sob o crivo do contraditório e 
da ampla defesa, podem lastrear o decreto condenatório. AgRg nos EDcl no HC 
656.845-PR, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, por unanimidade, julgado 
em 04/10/2022, DJe 17/10/2022 
 
CAIU EM PROVA: 
(Delegado do Estado do Amazonas 2022): Sobre o reconhecimento fotográfico, de acordo com a atual 
orientação do STJ, é correto afirmar que o reconhecimento fotográfico realizado na investigação serve 
apenas como prova inicial, dependendo de posteriormente haver reconhecimento pessoal – item 
considerado correto. 
 
Pergunta-se: E se a nulidade do reconhecimento só foi decretada depois de o réu ter sido 
condenado? Isso significa que ele deverá ser absolvido? Ex: o réu foi condenado pelo juiz; em apelação, o 
TJ decide que o reconhecimento foi nulo porque descumpriu as formalidades. Ele será absolvido? 
R:.Depende. 
● Se a condenação somente se fundamentou no reconhecimento: SIM. O réu deverá ser 
necessariamente absolvido. 
● Se a condenação se baseou também em outros elementos de prova independentes e não 
contaminados: NÃO. Neste caso, a condenação poderá ser mantida. 
 
Desse modo, se declarada a irregularidade do ato, eventual condenação já proferida poderá ser 
mantida, se fundamentada em provas independentes e não contaminadas. 
 
 Ainda sobre a temática, cabe destacar a ressalva trazida pelo STJ: 
 
Se a vítima é capaz de individualizar o autor do fato, é desnecessário instaurar o 
procedimento do art. 226 do CPP. 1. Para a jurisprudência desta Corte Superior, o 
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reconhecimento de pessoa, presencialmente ou por fotografia, realizado na fase 
do inquérito policial, apenas é apto para identificar o réu e fixar a autoria delitiva 
quando observadas as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo 
Penal (HC n. 598.886/SC, Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 
18/12/2020). 2. O art. 226, antes de descrever o procedimento de reconhecimento 
de pessoa, diz em seu caput que o rito terá lugar "quando houver necessidade", ou 
seja, o reconhecimento de pessoas deve seguir o procedimento previsto quando há 
dúvida sobre a identificação do suposto autor. A prova de autoria não é tarifada 
pelo Código de Processo Penal. 4. Antes, esta Corte dizia que o procedimento não 
era vinculante; agora, evoluiu no sentido de exigir sua observância, o que não 
significa que a prova de autoria deverá sempre observar o procedimento do art. 
226 do Código de Processo Penal. O reconhecimento de pessoa continua tendo 
espaço quando há necessidade, ou seja, dúvida quanto à individualização do 
suposto autor do fato. Trata-se do método legalmente previsto para, 
juridicamente, sanar dúvida quanto à autoria. Se a vítima é capaz de individualizar 
o agente, não é necessárioinstaurar a metodologia legal. 5. A nova orientação 
buscou afastar a prática recorrente dos agentes de segurança pública de apresentar 
fotografias às vítimas antes da realização do procedimento de reconhecimento de 
pessoas, induzindo determinada conclusão. 6. A condenação não se amparou, 
exclusivamente, no reconhecimento pessoal realizado na fase do inquérito policial, 
destacando-se, sobretudo, que uma das vítimas reconheceu o agravante em Juízo, 
descrevendo a negociação e a abordagem. A identificação do perfil na rede social 
facebook foi apenas uma das circunstâncias do fato, tendo em conta que a 
negociação deu-se por essa rede social. 7. Agravo regimental improvido. (AgRg no 
AgRg no HC n. 721.963/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, 
julgado em 19/4/2022, DJe de 13/6/2022) 
 
9.6 Busca e Apreensão 
 
● Distinção entre Busca e Apreensão: 
 
 A busca é uma diligência cujo objetivo é encontrar pessoas ou coisas. Por outro lado, apreensão é 
uma medida de constrição, em que a pessoa ou a coisa será colocada sob a custódia do estado. 
 
● Objeto: Podem ser objeto tanto pessoas quanto coisas, nos termos do art. 240 do CPP. 
 
Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal. 
§ 1º Proceder-se-á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para: 
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a) prender criminosos; 
b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos; 
c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados 
ou contrafeitos; 
d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou 
destinados a fim delituoso; 
e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu; 
f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, 
quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à 
elucidação do fato; 
g) apreender pessoas vítimas de crimes; 
h) colher qualquer elemento de convicção. 
§ 2º Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém 
oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do 
parágrafo anterior. 
 
● Espécies de Busca: 
 
9.6.1. Busca Pessoal 
 
● Busca pessoal por razões de segurança: Relacionado ao Poder de Polícia. Cita-se, como exemplo, a 
busca pessoal feita antes de entrar em estádios, em parques, em festas. Não há necessidade de 
fundada suspeita. A pessoa pode se recusar e, com isso, ser impedida de entrar no local. 
 
● Busca pessoal de natureza processual penal: Prevista no §2º do art. 240 do CPP. 
 
Art. 240, § 2º: Proceder-se-á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de 
que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f 
e letra h do parágrafo anterior. 
 
Perceba que, para haver busca pessoal, é necessária a fundada suspeita. Nesse sentido: 
 
STF: “(...) A fundada suspeita prevista no art. 244 do CPP não pode fundar-se em 
parâmetros unicamente subjetivos, exigindo elementos concretos que indiquem a 
necessidade da revista, em face do constrangimento que causa. Ausência, no caso, 
de elementos dessa natureza, que não se pode ter por configurados na alegação de 
que trajava, o paciente, um ‘blusão’ suscetível de esconder uma arma, sob risco de 
referendo a condutas arbitrárias ofensivas a direitos e garantias individuais e 
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caracterizadoras de abuso de poder”. (STF, 1ª Turma, HC 81.305/GO, Rel. Min. Ilmar 
Galvão, DJ 22/02/2002 p. 35). 
 
Além disso, a busca pessoal de natureza processual penal não depende de autorização judicial 
prévia, nos termos do art. 244 do CPP: 
 
Art. 244: A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando 
houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de 
objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for 
determinada no curso de busca domiciliar. 
 
Sobre o tema, dispõe o STF: 
 
Polícia recebeu denúncia anônima contra o suspeito e foi apurar; quando o 
suspeito viu a polícia, ficou nervoso e jogou sacola com drogas no chão; tais 
circunstâncias justificam a busca pessoal realizada no indivíduo. (...) 2. No caso, 
além das informações anônimas recebidas pelos policiais a respeito da traficância 
no local onde estava o paciente, os agentes públicos ressaltaram que ele 
demonstrou nervosismo e dispensou uma sacola no chão quando avistou a 
guarnição. Com efeito, o ato de dispensar uma sacola na rua ao notar a 
aproximação da guarnição, somado ao nervosismo demonstrado e à denúncia 
anônima pretérita de que o acusado estava praticando o crime de tráfico de drogas 
no local, indica a existência de fundada suspeita de que o recipiente contivesse 
substâncias entorpecentes e de que o réu estivesse na posse de mais objetos 
relacionados ao crime. HC n. 742.815/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, 
Sexta Turma, julgado em 23/8/2022, DJe de 31/8/2022. 
 
Em regra, a busca em veículo é equiparada à busca pessoal e não precisa de 
mandado judicial para a sua realização. A apreensão de documentos no interior 
de veículo automotor constitui uma espécie de "busca pessoal" e, portanto, não 
necessita de autorização judicial quando houver fundada suspeita de que em seu 
interior estão escondidos elementos necessários à elucidação dos fatos 
investigados. Exceção: será necessária autorização judicial quando o veículo é 
destinado à habitação do indivíduo, como no caso de trailers, cabines de caminhão, 
barcos, entre outros, quando, então, se inserem no conceito jurídico de domicílio. 
STF. 2ª Turma. RHC 117767/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 11/10/2016 
(Info 843). 
 
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ATENÇÃO: O entendimento do STJ é no sentido de que a realização de busca pessoal só pode ser feita por 
forças policiais,não sendo lícita busca por pessoas que não sejam policiais, pois violaria o princípio da 
legalidade (art. 5º, II, CF/88), ou seja, deve ser dada uma interpretação restritiva. REsp 2.005.007-TO, Dje 
19/09/2022. 
 
Policiais não podem fazer a revista pessoal unicamente pelo fato de acharem que 
o suspeito demonstrou nervosismo ao avistá-los. 1. A percepção de nervosismo 
do averiguado por parte de agentes públicos é dotada de excesso de subjetivismo 
e, por isso, não é suficiente para caracterizar a fundada suspeita para fins de busca 
pessoal, medida invasiva que exige mais do que mera desconfiança fundada em 
elementos intuitivos. 2. À falta de dados concretos indicativos de fundada suspeita, 
deve ser considerada nula a busca pessoal amparada na impressão de nervosismo 
do Acusado por parte dos agentes públicos. 3. Recurso especial provido, a fim de 
anular as provas obtidas ilicitamente, bem como as provas delas decorrentes e, em 
consequência, absolver o Recorrente, nos termos do art. 386, inciso II, do Código 
de Processo Penal. (REsp n. 1.961.459/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta 
Turma, julgado em 5/4/2022, DJe de 8/4/2022.) 
 
É ilícita a revista pessoal realizada por agente de segurança privada e todas as 
provas decorrentes desta. STJ. 5ª Turma. HC 470.937/SP, Rel. Min. Joel Ilan 
Paciornik, julgado em 04/06/2019 (Info 651). 
 
Segundo o inciso II do art. 5º da Constituição Federal “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de 
fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Na hipótese, o agente não tinha a obrigação de se sujeitar à 
revista pessoal. Isso porque não existe lei autorizando que esse ato seja feito pelos seguranças privados do 
metrô. Vale ressaltar que esses agentes de segurança não podem nem sequer ser equiparados a guardas 
municipais, já que são empregados de uma sociedade de economia mista operadora de transporte ferroviário 
no Estado de São Paulo, sendo regidos, portanto, pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. 
 
As guardas municipais não possuem competência para patrulhar supostos pontos 
de tráfico de drogas, realizar abordagens e revistas em indivíduos suspeitos da 
prática de tal crime ou ainda investigar denúncias anônimas relacionadas ao 
tráfico e outros delitos cuja prática não atinja de maneira clara, direta e imediata 
os bens, serviços e instalações municipais. STJ. 6ª Turma. REsp 1.977.119-SP, Rel. 
Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 16/08/2022 (Info 746). 
 
9.6.2. Busca Domiciliar 
 
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Inviolabilidade domiciliar: A CF, em seu art. 5º, XI, prevê que a casa é o asilo inviolável do indivíduo. 
 
Art. 5º, XI: a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar 
sem o consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, 
ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; 
 
ATENÇÃO: 
O simples fato de o acusado ter antecedente por tráfico de drogas não autoriza a 
realização de busca domiciliar, porquanto desacompanhado de outros indícios 
concretos e robustos de que, nesse momento específico, ele guarda drogas em 
sua residência. Mesmo se ausente coação direta e explícita sobre o acusado, as 
circunstâncias de ele já haver sido preso em flagrante pelo porte da arma de fogo 
em via pública e estar detido, sozinho - sem a oportunidade de ser assistido por 
defesa técnica e sem mínimo esclarecimento sobre seus direitos -, diante de dois 
policiais armados, poderiam macular a validade de eventual consentimento para a 
realização de busca domiciliar, em virtude da existência de um constrangimento 
ambiental/circunstancial (HC 762.932-SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta 
Turma, por unanimidade, julgado em 22/11/2022, DJe 30/11/2022). 
 
a) Conceito de casa: 
 
O conceito de “casa” pode ser extraído do art. 150 do CP, que prevê o crime de violação de domicílio. 
 
Art. 150: § 4º: A expressão ‘casa’ compreende: 
I - qualquer compartimento habitado; 
II - aposento ocupado de habitação coletiva; 
III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou 
atividade (por exemplo, escritório de advocacia). 
 
§ 5º - Não se compreendem na expressão "casa": 
I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, 
salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior; 
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. 
 
ATENÇÃO: Salienta-se que, de acordo com o STJ, a habitação em prédio abandonado de escola municipal 
pode caracterizar o conceito de domicílio em que incide a proteção disposta no art. 5º, inciso XI da 
Constituição Federal. 
 
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A habitação em prédio abandonado de escola municipal pode caracterizar o 
conceito de domicílio em que incide a proteção disposta no art. 5º, inciso XI da 
Constituição Federal. 
Não procede o fundamento de que o fato de o agravante habitar o prédio 
abandonado de uma escola municipal descaracterizaria o conceito de domicílio, 
para que haja proteção constitucional. 
Anota-se, por fim, que o Decreto n. 7.053/2009, que instituiu a Política Nacional 
para População em Situação de Rua, reforça a condição de moradia aos habitantes 
de logradouros públicos e áreas degradadas. 
AgRg no HC 712.529-SE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por unanimidade, 
julgado em 25/10/2022, publicado em 04/11/2022 (Info 755). 
 
ATENÇÃO: Salienta-se que, de acordo com o STF, os estabelecimentos empresariais podem ser considerados 
como “casa”, quando não forem abertos ao público. 
 
STF: “(...) Inviolabilidade de domicílio (art. 5º, IX, CF). Busca e apreensão em 
estabelecimento empresarial. Estabelecimentos empresariais estão sujeitos à 
proteção contra o ingresso não consentido. Não verificação das hipóteses que 
dispensam o consentimento. Mandado de busca e apreensão perfeitamente 
delimitado. Diligência estendida para endereço ulterior sem nova autorização 
judicial. Ilicitude do resultado da diligência. Ordem concedida, para determinar a 
inutilização das provas”. (STF, 2ª Turma, HC 106.566/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
j. 16/12/2014, DJe 53 18/03/2015). 
 
STJ: A abordagem policial em estabelecimento comercial, ainda que a diligência 
tenha ocorrido quando não havia mais clientes, é hipótese de local aberto ao 
público, que não recebe a proteção constitucional da inviolabilidade do domicílio. 
Consoante decidido no RE 603.616/RO, pelo Supremo Tribunal Federal, "a entrada 
forçada em domicílio sem mandado judicial é lícita, mesmo em período noturno, 
quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que 
indiquem que, dentro da casa, ocorre situação de flagrante delito, sob pena de 
responsabilidadedisciplinar, civil, e penal do agente ou da autoridade e de nulidade 
dos atos praticados". Todavia, no caso, verifica-se que os policiais afirmaram que 
"havia uma investigação em andamento relativa a um roubo de carga, tendo sido 
veiculada denúncia anônima dando conta de que parte do carregamento subtraído 
estava nas dependências da borracharia pertencente ao réu, diante do que 
procederam à diligência local".Desse modo, como se trata de estabelecimento 
comercial - em funcionamento e aberto ao público - não pode receber a proteção 
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que a Constituição Federal confere à casa. Assim, não há violação à garantia 
constitucional da inviolabilidade do domicílio, a caracterizar a ocorrência de 
constrangimento ilegal (HC 754.789-RS, Rel. Ministro Olindo Menezes 
(Desembargador convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, por unanimidade, 
julgado em 6/12/2022). 
 
ATENÇÃO: Gabinete de Delegado de Polícia e escritório de advocacia são considerados domicílios e se 
sujeitam às normas estudadas. 
 
Configura o crime de violação de domicílio (art. 150 do CP) o ingresso e a 
permanência, sem autorização, em gabinete de Delegado de Polícia, embora faça 
parte de um prédio ou de uma repartição públicos. No caso concreto, dezenas de 
manifestantes foram até a Delegacia de Polícia Federal cobrar agilidade na 
conclusão de um inquérito policial. Como não foram recebidos, decidiram invadir o 
gabinete do Delegado. STJ. 5ª Turma. HC 298.763-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado 
em 7/10/2014. 
 
Busca e apreensão em escritório de advocacia. Os §§ 6º e 7º do art. 7º do Estatuto 
da OAB preveem que documentos, mídias e objetos pertencentes a clientes do 
advogado investigado, bem como demais instrumentos de trabalho que 
contenham informações sobre clientes, somente poderão ser utilizados caso estes 
clientes estejam sendo formalmente investigados como partícipes ou coautores 
pela prática do mesmo crime que deu causa à quebra de inviolabilidade. STJ. 6ª 
Turma. HC 227799-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/4/2012. 
 
ATENÇÃO: NÃO há nulidade na busca e apreensão efetuada por policiais, sem prévio mandado judicial, em 
apartamento que não revela sinais de habitação, nem mesmo de forma transitória ou eventual, se a 
aparente ausência de residentes no local se alia à fundada suspeita de que o imóvel é utilizado para a prática 
de crime permanente. STJ. 5ª Turma. HC 588445-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 
25/08/2020 (Info 678). 
 
CAIU EM PROVA: 
(Delegado do Estado do Espírito Santo 2022): Agente de polícia civil não poderá realizar buscas sem 
mandado judicial em trailer estacionado onde se domicilia pessoa - item considerado correto. 
 
 IMPORTANTE! 
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 Pergunta-se: Na hipótese de suspeita de flagrância delitiva, qual a exigência, em termos de 
standard probatório, para que policiais ingressem no domicílio do suspeito sem mandado judicial? 
 R.: A prova da legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na residência do 
suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser feita com declaração assinada pela pessoa que 
autorizou o ingresso domiciliar, indicando-se, sempre que possível, testemunhas do ato. Em todo caso, a 
operação deve ser registrada em áudio-vídeo e preservada a prova enquanto durar o processo. STJ, 6ª Turma. 
HC 598051/SP, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 02/03/2021 (Info 687). 
 
 A partir da jurisprudência mais recente, podem ser extraídas algumas conclusões: 
● Na hipótese de suspeita de crime em flagrante, exige-se, em termos de standard probatório para 
ingresso no domicílio do suspeito sem mandado judicial, a existência de fundadas razões (justa 
causa), aferidas de modo objetivo e devidamente justificadas, de maneira a indicar que dentro da 
casa ocorre situação de flagrante delito. 
● O tráfico ilícito de entorpecentes, em que pese ser classificado como crime de natureza 
permanente, nem sempre autoriza a entrada sem mandado no domicílio onde supostamente se 
encontra a droga. Apenas será permitido o ingresso em situações de urgência, quando se concluir 
que do atraso decorrente da obtenção de mandado judicial se possa objetiva e concretamente 
inferir que a prova do crime (ou a própria droga) será destruída ou ocultada. 
● O consentimento do morador, para validar o ingresso de agentes estatais em sua casa e a busca e 
apreensão de objetos relacionados ao crime, precisa ser voluntário e livre de qualquer tipo de 
constrangimento ou coação. 
● A prova da legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na residência do 
suspeito incumbe, em caso de dúvida, ao Estado, e deve ser feita com declaração assinada pela 
pessoa que autorizou o ingresso domiciliar, indicando-se, sempre que possível, testemunhas do 
ato. Em todo caso, a operação deve ser registrada em áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto 
durar o processo. 
● A violação a essas regras e condições legais e constitucionais para o ingresso no domicílio alheio 
resulta na ilicitude das provas obtidas em decorrência da medida, bem como das demais provas 
que dela decorrerem em relação de causalidade, sem prejuízo de eventual responsabilização penal 
do(s) agente(s) público(s) que tenha(m) realizado a diligência. 
 
b) Conceito de dia: 
 
Não há na doutrina consenso acerca do que seria dia em virtude das dimensões continentais do 
território brasileiro de modo que o nascer e o pôr do sol ocorrem em horários diversos a depender da região 
do país. 
Parte da doutrina advoga a utilização de um critério cronológico, por ser mais seguro, considerando 
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https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/de5eeca522e12fd5c9ff9077408dcf17?categoria=12&subcategoria=130&criterio-pesquisa=e
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como dia o período compreendido entre às 6h e 18h ou entre às 6h e 20h (pautado no art. 212 do CPC). De 
outro lado, há quem defenda a adoção do critério físico-astronômico, considerando como dia o período 
compreendido entre a aurora e o crepúsculo (enquanto houver luz solar). 
A Lei de Abuso de Autoridade trouxe previsão do prazo de: “III - cumpre mandado de busca e 
apreensão domiciliar após as 21h (vinte e uma horas) ou antes das 5h (cinco horas)”. Positivou, pelo menos 
para fins de tipificação de abuso de autoridade, o conceito de “noite” e, a contrário sensu, também o de “dia” 
– entre 5h e 21h. 
Já existem vozes na doutrina defendendo a inconstitucionalidade do conceito de noite (e de dia) 
constante do art. 22, §1º, III, da Lei n. 13.869/19. Se a Constituição Federal autoriza o ingresso em domicílio 
alheio exclusivamente durante o dia, é inadmissível que o legislador infraconstitucional venha a afirmar que 
um mandado de busca domiciliar possa ser cumprido às 20h59min, quando certamente o sol já terá 
desaparecido no horizonte. (AZEVEDO, André Boiani). 
Em sentido contrário, defende Renato Brasileiro que: 
 
“(...) de modo a superar controvérsias doutrinárias e jurisprudenciais, o legislador 
optou por positivar o conceito de dia (05h-21h) e o de noite (21h-05h), e não o 
condicionou à existência de luminosidade solar. Há de se ter em mente que são 
dois os objetivos da proteção constitucional à inviolabilidade do domicílio durante 
a noite constante do art. 5º, XI, da Constituição Federal: primeiro, não atrapalhar o 
merecido descanso das pessoas; segundo, evitar quaisquer arbitrariedades por 
parte dos agentes públicos em um período de maior precariedade de vigilância e 
defesa decorrente do recolhimento das pessoas para o repouso durante a noite. 
Por mais que se queira argumentar que não há mais luminosidade solar às 
20h59min, trata-se de horário em que as pessoas ainda estão acordadas, pelo 
menos em regra. Portanto, o fato de o legislador autorizar o cumprimento de um 
mandado de busca nesse horário não importa em violação ao núcleo essencial do 
dispositivo constitucional. Pelo contrário. Bem ou mal, agiu dentro de uma margem 
de razoabilidade e proporcionalidade para definir o conceito de noite e, a contrario 
sensu, de dia. A inovação deriva de espaço lídimo de conformação normativa do 
tema pelo legislador ordinário. Não se está a interpretar a Constituição à luz da Lei 
n. 13.869/19, mas sim o oposto: em um país de dimensões continentais como o 
nosso, em que ora se utiliza o denominado horário de verão, ora não, é 
perfeitamente possível que o sol já tenha raiado às 5h e que ainda haja certa 
luminosidade por volta de 20h, 20h30min, a depender, logicamente, da região do 
país e da época do ano em que estivermos. É dizer, à semelhança do art. 2º da Lei 
n. 13.869/19 e do art. 150, §4º, do Código Penal, que definiram, respectivamente, 
os conceitos de agente público e de casa, para fins de interpretação da Constituição 
Federal e aplicação da própria lei penal, por que não se admitir que o legislador 
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ordinário possa, enfim, definir o conceito de noite (e de dia)? Em conclusão, por 
não haver lesão ao núcleo essencial do art. 5º, XI, da Constituição Federal, nem 
tampouco violação da finalidade da proteção constitucional, respeitando-se, 
ademais, o princípio da proporcionalidade, é tempo de abandonarmos critérios 
doutrinários e jurisprudenciais, deixando a sorte ou o azar do agente público 
responsável pelo estrito cumprimento do dever legal condicionados à distribuição 
de seu futuro habeas corpus a este ou àquele Tribunal, para, enfim, trabalharmos 
com um conceito legal, positivo, capaz, portanto, de transmitir maior segurança 
jurídica não apenas aos agentes públicos responsáveis pelo cumprimento de 
mandados de busca domiciliar, mas também a todos os cidadãos, que, doravante, 
saberão antecipadamente o horário em que são obrigados a franquear o acesso ao 
seu domicílio diante da exibição de mandado judicial. Destarte, caso a polícia tenha 
em mãos mandado de busca domiciliar, expedido pela autoridade judiciária 
competente, poderá invadir o domicílio entre as 5h (cinco horas) e 21h (vinte e uma 
horas), pouco importando se já há, ou ainda perdura, respectivamente, a luz solar, 
eis que a lei não fez nenhuma referência ao critério físico-astronômico, hipótese 
em que a prova obtida será considerada lícita. Por outro lado, cumprido o mandado 
antes das 5h (cinco) horas e depois de 21h (vinte e uma horas), para além da 
ilicitude das provas então obtidas, o crime restará caracterizado, mesmo que o sol 
já tenha raiado, naquele caso, ou que ainda perdure a luz do sol, nesta última 
hipótese” (in Manual de Processo Penal, edição 2020, páginas 797 e 798) 
 
De todo modo, o importante é que o início do cumprimento do mandado se dê durante o dia, ainda 
que eventualmente se prolongue por um período durante a noite. 
 
ATENÇÃO: Não confundir com a BUSCA EXPLORATÓRIA ou a EXPLORAÇÃO DE LOCAL, consubstanciada no 
ingresso de agente público em imóvel alheio, ainda que no período noturno, para fins de instalação de 
equipamentos destinados à captação de sinais óticos e acústicos, mediante prévia autorização judicial. Há 
precedente do STF admitindo o ingresso de autoridade policial, mediante prévia autorização judicial, em 
escritório de advocacia no período noturno para instalação de equipamento destinado à captação de sinais 
óticos e acústicos, o que seria justificável sob o argumento de que a natureza da execução de tais medidas 
jamais permitiria que fossem realizadas com publicidade durante o dia, sob pena de absoluta ineficácia: STF, 
Pleno, Inq. 2.424/RJ, Rel. Min. Cezar Peluso, j. 26/11/2008, DJe 55 25/03/2010. 
 
 O mandado de busca e apreensão só pode ser executado durante o dia. Por outro lado, em havendo 
flagrante delito, desastre ou necessidade de prestar socorro, será possível afastar a garantia da 
inviolabilidade domiciliar. 
Veja um dos exemplos fixados em repercussão geral pelo STF: 
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A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em 
período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas 
a posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, 
sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, 
e de nulidade dos atos praticados. (Info 806). 
 
O ingresso regular de domicílio alheio depende, para sua validade e regularidade, 
da existência de fundadas razões (justa causa) que sinalizem para a possibilidade 
de mitigação do direito fundamental em questão.É dizer, somente quando o 
contexto fático anterior à invasão permitir a conclusão acerca da ocorrência de 
crime no interior da residência é que se mostra possível sacrificar o direito à 
inviolabilidade do domicílio. Na hipótese sob exame, o acusado estava em local 
supostamente conhecido como ponto de venda de drogas, quando, ao avistar a 
guarnição de policiais, refugiou-se dentro de sua casa, sendo certo que, após revista 
em seu domicílio, foram encontradas substâncias entorpecentes (18 pedras de 
crack). Havia, consoante se demonstrou, suspeitas vagas sobre eventual tráfico de 
drogas perpetrado pelo réu, em razão, única e exclusivamente, do local em que ele 
estava no momento em que policiais militares realizavam patrulhamento de rotina 
e em virtude de seu comportamento de correr para sua residência, conduta que 
pode explicar-se por diversos motivos, não necessariamente o de que o suspeito 
cometia, no momento, ação caracterizadora de mercancia ilícita de drogas. 12. A 
mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo recorrido, embora 
pudesse autorizar abordagem policial, em via pública, para averiguação, não 
configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o 
consentimento do morador – que deve ser mínima e seguramente comprovado – 
e sem determinação judicial. (REsp 1.574.681) 
 
 Obs.: Destaca-se que o STF entendeu que, excepcionalmente, no caso de Interceptação ambiental, 
seria possível o ingresso no período noturno, justamente para garantir a efetividade da medida. 
 
c) Reserva de jurisdição: 
 
Certos direitos e garantias só podem sofrer restrição com base em ordem de autoridade judiciária 
competente. É o que acontece com a violação do domicílio, sujeita à cláusula de reserva de jurisdição, de 
modo que apenas o juiz pode determinar. 
 
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(1) NÃO podem ser admitidos mandados de busca GENÉRICOS ou COLETIVOS. 
 
 Para o STJ, a ausência de individualização das medidas de busca e apreensão contraria diversos 
dispositivos legais, como os arts. 240, 242, 244, 245, 248 e 249 do CPP, bem como o art. 5º, XI, da CF/88, que 
traz como direito fundamental a inviolabilidade do domicílio. É indispensável que o mandado de busca e 
apreensão tenha objetivo certo e pessoa determinada, não se admitindo ordem judicial genérica. 
 
É ilegal a decisão judicial que autoriza busca e apreensão coletiva em residências, 
feita de forma genérica e indiscriminada. O STJ concedeu habeas corpus) para 
anular decisão que autorizou busca e apreensão em domicílios nas comunidades 
de Jacarezinho e no Conjunto Habitacional Morar Carioca, no Rio de Janeiro (RJ), 
sem identificar o nome de investigados e os endereços a serem objeto da 
abordagem policial. A Defensoria Pública do Rio de Janeiro impetrou o habeas 
corpus coletivo em benefício dos moradores dessas comunidades pobres, 
argumentando que, além de ofender a garantia constitucional que protege o 
domicílio, o ato representou a legitimação de uma série de violações gravíssimas, 
sistemáticas e generalizadas de direitos humanos. A medida foi tomada, em agosto 
de 2017, após a morte de um policial em operação das forças de segurança nas 
favelas de Jacarezinho, Manguinhos, Mandela, Bandeira 2 e Morar Carioca, o que 
levou à concessão da ordem judicial de busca e apreensão domiciliar generalizada 
na região. A ordem era para que a polícia tentasse encontrar armas, documentos, 
celulares e outras provas contra facções criminosas. Na decisão que autorizou a 
revista indiscriminada de residências nas áreas indicadas pela polícia, a juíza 
responsável fez menção à forma desorganizada como as comunidades pobres 
ganham novas casas constantemente, sem registro ou numeração que as 
individualize. Segundo ela, a revista coletiva seria necessária para a própria 
segurança dos moradores da região e dos policiais que ali atuam.. STJ. 6ª Turma. 
AgRg no HC 435.934/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 05/11/2019. 
 
(2) NÃO existe exigência legal de que o mandado de busca e apreensão detalhe o tipo de documento a ser 
apreendido, ainda que de natureza sigilosa. 
 
 Situação hipotética: João, médico, estava sendo investigado por, supostamente, ter adulterado 
prontuários de pacientes internados em clínica psiquiátrica, com o objetivo de camuflar ilicitudes que 
ocorriam no local. A autoridade policial formulou representação ao juiz pedindo a busca e apreensão na 
clínica psiquiátrica e na residência do investigado. O magistrado deferiu a medida e a polícia apreendeu 
diversos prontuários médicos que haviam sido assinados pelo investigado. 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/9cd78264cf2cd821ba651485c111a29a?categoria=12&subcategoria=130
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João impetrou habeas corpus alegando que a apreensão foi ilícita, considerando que na decisão que 
autorizou a medida não existia autorização específica para a apreensão de prontuários médicos. Segundo a 
defesa, os prontuários são documentos sigilosos e, portanto, só poderiam ter sido recolhidos com 
autorização judicial específica. 
 
Embora os prontuários possam conter dados sigilosos, foram apreendidos a partir 
da imprescindível autorização judicial prévia. O fato de o mandado de busca não 
ter feito uma discriminação específica é irrelevante, até porque os prontuários 
médicos encontram-se inseridos na categoria de documentos em geral. 
STJ. 6ª Turma. RHC 141737/PR, Rel. Min. Sebastião Reis Junior, julgado em 
27/04/2021 (Info 694). 
 
CPP, art. 243: O mandado de busca deverá: 
I - indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência e 
o nome do respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o 
nome da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem; 
 
O art. 243 do CPP disciplina os requisitos do mandado de busca e apreensão, 
dentre os quais não se encontra o detalhamento do que pode ou não ser 
arrecadado. STJ. 5ª Turma. HC 524.581/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe 13/2/2020. 
 
Suficiente à delimitação da busca e apreensão é a determinação de que deveriam 
ser apreendidos os materiais que pudessem guardar relação estrita com aqueles 
fatos. STJ. 6ª Turma. HC 537.017/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, DJe 3/2/2020. 
 
Havendo controvérsia entre as declarações dos policiais e do flagranteado, e 
inexistindo a comprovação de que a autorização do morador foi livre e sem vício 
de consentimento, impõe-se o reconhecimento da ilegalidade da busca 
domiciliar. O ingresso regularem domicílio alheio depende, para sua validade e 
regularidade, da existência de fundadas razões que sinalizem a possibilidade de 
mitigação do direito fundamental em questão. É dizer, somente quando o contexto 
fático anterior à invasão permitir a conclusão acerca da ocorrência de crime no 
interior da residência é que se mostra possível sacrificar o direito à inviolabilidade 
do domicílio. Deve-se frisar, ainda, que "a mera denúncia anônima, 
desacompanhada de outros elementos preliminares indicativos de crime, não 
legitima o ingresso de policiais no domicílio indicado, estando, ausente, assim, 
nessas situações, justa causa para a medida." (HC 512.418/RJ, Relator Ministro Nefi 
Cordeiro, Sexta Turma, DJe 3/12/2019) Com efeito, "não se admite que a 
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autoridade policial, apenas com base em delação anônima, sem a produção de 
elementos capazes de evidenciar fundadas suspeitas da prática delitiva, viole o 
direito constitucional à inviolabilidade do domicílio, conduzindo à ilicitude da 
prova colhida, bem como dela derivadas, nos termos do art. 157 do Código de 
Processo Penal (RHC 105.138/MS, Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe 
10/4/2019)" (AgRg no HC 698.199/RS, Relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta 
Turma, DJe de 20/6/2022). Ademais, "havendo controvérsia entre as declarações 
dos policiais e do flagranteado e inexistindo a comprovação de 
que a autorização do morador foi livre e sem vício de consentimento, impõe-se o 
reconhecimento da ilegalidade da busca domiciliar e consequentemente de toda a 
prova dela decorrente (fruits of the poisonous tree)" (AgRg no HC 703.991/RS, 
Relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 16/5/2022). AgRg no HC 
766.654-SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, por 
unanimidade, julgado em 13/09/2022, DJe 19/09/2022.. 
(Fonte: Dizer o Direito) 
 
d) Autorização expressa para busca e apreensão: 
 
Além da ordem judicial, a autorização expressa do morador para a busca e apreensão constitui a 
outra exceção à garantia da inviolabilidade domiciliar. 
 Para ser válido, o consentimento tem que ser dado pela pessoa que tem o poder de disposição da 
intimidade e da vida privada. Entretanto, em havendo divergência entre os moradores presentes, 
prevalecerá sempre o dissenso, pois não se pode dispor da intimidade. 
 Quanto ao tema, o STJ entendeu ser válida a autorização expressa para busca e apreensão em sede 
de empresa investigada dada por pessoa que age como sua representante. 
 Imagine a seguinte situação hipotética: Foi instaurado inquérito policial para apurar crimes contra a 
administração pública que teriam sido praticados pelos sócios de uma sociedade empresária. Após 
representação da autoridade policial, o juiz deferiu medida cautelar de busca e apreensão a ser cumprida na 
sede da empresa. No mandado de busca e apreensão, constou o seguinte endereço: Rua Um, nº 418, Bairro 
Nova Paulista. Os policiais se dirigiram até o local e fizeram o cumprimento do mandado. Ocorre que foram 
informados de que naquele imóvel funciona apenas a filial da empresa e que os documentos contábeis 
(objeto do mandado) ficavam em outra unidade, situada no Centro, esta sim a sede da empresa. O Delegado 
de Polícia foi até a Delegacia para preparar nova representação dirigida ao juiz para estender a autorização 
judicial de busca e apreensão para esse outro local. Enquanto isso, uma equipe da Polícia resolveu se dirigir 
até a sede da empresa, no Centro, a fim de já localizar o imóvel e se preparar para a chegada da ordem 
judicial. Chegando até a sede da empresa no Centro, os policiais foram recebidos por Talita, que se 
apresentou como pessoa responsável pela empresa. Talita concedeu autorização por escrito, assinada por 
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ela e mais duas testemunhas, permitindo a entrada dos policiais e a realização da busca e apreensão no 
interior do imóvel. 
 A medida foi cumprida, tendo sido apreendidos diversos documentos da empresa. Posteriormente, 
alegou-se a nulidade da prova considerando que a mulher que concedeu a autorização não seria mais sócia 
da empresa, sendo mera funcionária, sem poderes para permitir a entrada dos policiais no imóvel. 
 Nesse caso, a autorização foi válida? SIM. A mulher que concedeu a autorização, embora tenha 
deixado de ser formalmente sócia, continuou assinando documentos como representante da empresa. A 
evidência de que ela ainda agia como representante da empresa é reforçada pelo fato de que tinha a chave 
do escritório sede da empresa e livre acesso a ele, não tendo sido barrada por nenhum dos empregados que 
estavam no local, nem mesmo pelo advogado da empresa que acompanhou toda a diligência. 
 
É válida a autorização expressa para busca e apreensão em sede de empresa 
investigada dada por pessoa que age como sua representante. STJ. 5ª Turma. RMS 
57.740-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 23/03/2021 (Info 
690). 
 
(Fonte: Dizer o Direito) 
 
e) Fishing Expedition (Busca Exploratória / Pescaria Probatória) 
 
● Conceito: Fishing expedition consiste em “uma investigação especulativa indiscriminada, sem objetivo 
certo ou declarado, que ‘lança’ suas redes com a esperança de ‘pescar’ qualquer prova, para subsidiar 
uma futura acusação. Ou seja, é uma investigação prévia, realizada de maneira muito ampla e genérica 
para buscar evidências sobre a prática de futuros crimes. Como consequência, não pode ser aceita no 
ordenamento jurídico brasileiro, sob pena de malferimento das balizas de um processo penal 
democrático de índole Constitucional.” (MELO E SILVA, Philipe Benoni. Fishing Expedition: a pesca 
predatória por provas por parte dos órgãos de investigação). 
 
Nas palavras do Min. Gilmar Mendes, a prática da fishing expedition consiste em “investigações genéricas 
para buscar elementos incriminatórios aleatoriamente, sem qualquer embasamento prévio” (HC 163461). 
 
● (In)admissibilidade do fenômeno do Fishing Expedition 
 
Os indícios de autoria antecedem as medidas invasivas, não se admitindo em um 
Estado Democrático de Direito que primeiro sejam violadas as garantias 
constitucionais para só então, em um segundo momento, e eventualmente, se 
justificar a medida anterior, sob pena de se legitimar verdadeira fishing expedition. 
STJ. 5ª Turma. AgRg no RMS 62.562-MT, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador 
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Convocado do TJDFT), Rel. Acd. Min. Reynaldo Soares Da Fonseca, julgado em 
07/12/2021. 
 
Além de violar prerrogativas da advocacia, a deflagração de amplas, inespecíficas 
e desarrazoadas medidas de busca e apreensão em desfavor de advogados pode 
evidenciar a prática de “fishing expedition”. STF. 2ª Turma. Rcl 43479/RJ, Rel. Min. 
Gilmar Mendes, julgado em 10/8/2021 (Info 1025). 
 
Jurisprudências importantes sobre busca e apreensão: 
 
O MP pode escolher quais elementos obtidos na busca e apreensão serão 
utilizados pela acusação; no entanto, o material restante deve permanecer à livre 
consulta do acusado, para o exercício de suas faculdades defensivas. Realizada a 
busca e apreensão, apesar de o relatório sobre o resultado da diligência ficar 
adstrito aos elementos relacionados com os fatos sob apuração, deve ser 
assegurado à defesa acesso à integra dos dados obtidos no cumprimento do 
mandado judicial. STJ. 6ª Turma. RHC 114683/RJ, Rel. Rogério Schietti Cruz, julgado 
em 13/04/2021 (Info 692). 
 
A determinação de busca e apreensão nas dependências da Câmara dos 
Deputados ou do Senado Federal pode ser decretada por juízo de 1ª instância se 
o investigado não for congressista. A determinação de busca e apreensão nas 
dependências da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal pode ser decretada 
por juízo de 1ª instância se o investigado não for congressista A Constituição, ao 
disciplinar as imunidades e prerrogativas dos parlamentares, não conferiu 
exclusividade ao STF para determinar medidas de busca e apreensão nas 
dependências da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. Assim, a 
determinação de busca e apreensão nas dependências do Congresso Nacional, 
desde que não direcionada a apurar conduta de congressista, não se relaciona com 
as imunidades e prerrogativas parlamentares. Isso porque, ao contrário do que 
ocorre com as imunidades diplomáticas, as prerrogativas e imunidades 
parlamentares não se estendem aos locais onde os parlamentares exercem suas 
atividades nem ao corpo auxiliar. O fato de o endereço de cumprimento da medida 
coincidir com as dependências do Congresso Nacional não atrai, de modo 
automático e necessário, a competência do STF. É necessário examinar, no caso 
concreto, se a investigação tinha congressista como alvo. O STF não detém 
competência exclusiva para apreciação de pedido de busca e apreensão a ser 
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cumprida no Congresso Nacional. STF. Plenário. Rcl 25537/DF e AC 4297/DF, Rel. 
Min. Edson Fachin, julgados em 26/6/2019 (Info 945). 
 
Busca e apreensão ordenada contra o marido da Senadora, mas cujo 
cumprimento ocorreu no imóvel funcional onde ambos residem: deve-se 
observar as regras de foro privativo. Paulo Bernardo era investigado e o juiz de 1º 
grau determinou, contra ele, busca e apreensão. Ocorre que Paulo Bernardo residia 
com a sua esposa, a Senadora Gleisi Hoffmann, em um imóvel funcional cedido pelo 
Senado. Desse modo, a busca e apreensão foi realizada neste imóvel funcional. O 
STF entendeu que esta prova foi ilícita (art. 5º, LVI, da CF/88) e determinou a sua 
inutilização e o desentranhamento dos autos de todas as provas obtidas por meio 
da referida diligência. O Supremo entendeu que a ordem judicial de busca e 
apreensão foi ampla e vaga, sem prévia individualização dos bens que seriam de 
titularidade da Senadora e daqueles que pertenciam ao seu marido. Diante disso, 
o STF entendeu que o juiz, ao dar essa ordem genérica, acabou por também 
determinar medida de investigação contra a própria Senadora. Logo, como ela 
tinha foro por prerrogativa de função no STF (art. 102, I, “b”, da CF/88), somente o 
Supremo poderia ter ordenado qualquer medida de investigação contra a 
parlamentar federal. Isso significa que o juiz de 1ª instância usurpou uma 
competência que era do STF. Reconheceu, por conseguinte, a ilicitude da prova 
obtida (art. 5º, LVI, da CF/88) e de outras diretamente dela derivadas. STF. 2ª 
Turma. Rcl 24473/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 26/6/2018 (Info 908). 
 
Policiais militares podem cumprir mandado de busca e apreensão? Embora não 
seja atividade típica da Polícia Militar, não consiste em ilegalidade - muito menos 
nulidade - eventual cumprimento de mandado de busca e apreensão pela 
instituição. Compete à Polícia Federal e à Polícia Civil, com exclusividade, 
unicamente o exercício das funções de polícia judiciária (art. 144 da CF/88). Tal 
exclusividade não se estende à atividade de polícia investigativa. STF. 2ª Turma. RE 
404593, Rel. Min. Cezar Peluso, julgado em 18/08/2009. STJ. RHC 66.450/MG, Rel. 
Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/09/2016. 
 
A busca e apreensão de bens em interior de veículo é legal e inerente ao dever de 
fiscalização regular da Polícia Rodoviária Federal, em se tratando do flagrante de 
transporte de vultosa quantia em dinheiro e não tendo o investigado logrado 
justificar o motivo de tal conduta. STJ. 6ª Turma. RHC 142.250-RS, Rel. Min. 
Sebastião Reis Júnior, julgado em 28/09/2021 (Info 711). 
 
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https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/70a32110fff0f26d301e58ebbca9cb9f?categoria=12&subcategoria=130
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/70a32110fff0f26d301e58ebbca9cb9f?categoria=12&subcategoria=130
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/8074856808ebec0c49403ce3589b28de?categoria=12&subcategoria=130
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A indução do morador a erro na autorização do ingresso em domicílio macula a 
validade da manifestação de vontade e, por consequência, contamina toda a 
busca e apreensão. (HC 674.139/SP, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA 
TURMA, julgado em 15/02/2022, DJe 24/02/2022). 
 
CAIU EM PROVA: 
 
(Delegado do Estado do Rio de Janeiro 2022): De acordo com o entendimento dos tribunais superiores, é 
lícita a prova obtida: 
a) emrevista pessoal feita por agentes de segurança privada que trabalham em estação de metrô. 
b) por busca e apreensão de documento no interior de veículo automotor utilizado para passeio, sem prévia 
autorização judicial. 
c) pela polícia, por meio da extração de conversas do celular apreendido do preso no momento do flagrante, 
sendo desnecessária prévia autorização judicial. 
d) por meio de revista íntima realizada em visitante de estabelecimento prisional, ainda que motivada por 
denúncia anônima. 
e) por meio de abertura de cartas, correspondências ou qualquer encomenda postada nos Correios. 
Gabarito: letra b. 
 
 Sobre o tema de Provas, é importante a leitura ainda de outras decisões: 
 
Não é possível aplicar multa contra o WhatsApp pelo fato de a empresa não 
conseguir interceptar as mensagens trocadas pelo aplicativo e que são protegidas 
por criptografia de ponta a ponta. Caso concreto: o juiz expediu ordem para que o 
WhatsApp interceptasse as mensagens trocadas por determinados investigados, 
suspeitos de integrarem uma organização criminosa que estariam ainda praticando 
crimes. O WhatsApp respondeu que não consegue cumprir a determinação judicial 
por impedimentos de ordem técnica. Isso porque as mensagens trocadas via 
aplicativo são criptografadas de ponta a ponta. O magistrado não concordou com 
o argumento e aplicou multa contra a empresa. Segundo a opinião dos 
especialistas, realmente não é possível a interceptação de mensagens 
criptografadas do WhatsApp devido à adoção de criptografia forte pelo aplicativo. 
Ao utilizar a criptografia de ponta a ponta, a empresa está criando um mecanismo 
de proteção à liberdade de expressão e de comunicação privada, garantia 
reconhecida expressamente na Constituição Federal (art. 5º, IX). A criptografia é, 
portanto, um meio de se assegurar a proteção de direitos que, em uma sociedade 
democrática, são essenciais para a vida pública. A criptografia protege os direitos 
dos usuários da internet, garantindo a privacidade de suas comunicações. Logo, é 
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do interesse do Estado brasileiro encorajar as empresas e as pessoas a utilizarem a 
criptografia e manter o ambiente digital com a maior segurança possível para os 
usuários. Existe, contudo, uma ponderação a ser feita: em alguns casos a 
criptografia é utilizada para acobertar a prática de crimes, como, por exemplo, os 
casos de pornografia infantil e de condutas antidemocráticas, como manifestações 
xenófobas, racistas e intolerantes, que ameaçam o Estado de Direito. 
 
A partir daí, indaga-se: o risco à segurança pública representado pelo uso da 
criptografia justifica restringir ou proibir a sua adoção pelas empresas? O tema está 
sendo apreciado pelo STF na ADPF 403 e na ADI 5527, que foi iniciado com os votos 
dos Ministros Edson Fachin e Rosa Weber, tendo sido suspenso em razão de pedido 
de vista. Apesar de o julgamento dessas ações constitucionais ainda não ter sido 
concluído, a 3ª Seção do STJ, em harmonia com os votos já proferidos pelos 
Ministros do STF, chegou à conclusão de que: O ordenamento jurídico brasileiro 
não autoriza, em detrimento da proteção gerada pela criptografia de ponta a 
ponta, em benefício da liberdade de expressão e do direito à intimidade, sejam 
os desenvolvedores da tecnologia multados por descumprirem ordem judicial 
incompatível com encriptação. Os benefícios advindos da criptografia de ponta a 
ponta se sobrepõem às eventuais perdas pela impossibilidade de se coletar os 
dados das conversas dos usuários da tecnologia. Diante disso, o recurso foi provido 
para afastar a multa aplicada pelo magistrado ante a impossibilidade fática, no 
caso concreto, de cumprimento da ordem judicial, haja vista o emprego da 
criptografia de ponta-a-ponta. STJ. 3ª Seção. RMS 60531-RO, Rel. Min. Nefi 
Cordeiro, Rel. Acd. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 09/12/2020 (Info 684). 
 
Para o acesso a dados telemáticos não é necessário a delimitação temporal para 
fins de investigações criminais. Não é necessário especificar a limitação temporal 
para os acessos requeridos pelo Ministério Público, por se tratar de dados estáticos, 
constantes nas plataformas de dados. Apesar de o art. 22, III, da Lei nº 12.965/2014 
(Marco Civil da Internet) determinar que a requisição judicial de registro deve 
conter o período ao qual se referem, tal quesito só é necessário para o fluxo de 
comunicações, sendo inaplicável nos casos de dados já armazenados que devem 
ser obtidos para fins de investigações criminais. STJ. 6ª Turma. HC 587732-RJ, Rel. 
Min. Nefi Cordeiro, julgado em 20/10/2020 (Info 682). 
 
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Não é necessário especificar a limitação temporal para os acessos requeridos pelo 
Ministério Público, por se tratar de dados estáticos, constantes nas plataformas 
de dados. 
Apesar de o art. 22, III, da Lei nº 12.965/2014 (Marco Civil da Internet) determinar 
que a requisição judicial de registro deve conter o período ao qual se referem, tal 
quesito só é necessário para o fluxo de comunicações, sendo inaplicável nos casos 
de dados já armazenados que devem ser obtidos para fins de investigações 
criminais. 
No caso, não se trata de guarda e disponibilização dos registros de conexão e de 
acesso a aplicações de internet, e, acaso fosse, a autoridade policial ou o 
Ministério Público poderia requerer cautelarmente que o provedor de aplicações 
de internet, por ordem judicial, guardasse os registros de acesso à aplicação de 
internet, para finalidades de investigação criminal. 
 
É lícito o compartilhamento promovido pela Receita Federal dos dados bancários 
por ela obtidos a partir de permissivo legal, com a Polícia e com o Ministério 
Público, ao término do procedimento administrativo fiscal, quando verificada a 
prática, em tese, de infração penal. STF. 1ª Turma. RE 1043002 AgR, Rel. Min. 
Roberto Barroso, julgado em 01/12/2017. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel. Min. 
Dias Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STJ.

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