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Yuri Banov Onishi Capt 14 | A orientação e suas alterações | Resumo Dalgalarrondo 1)DEFINIÇÕES BÁSICAS (Autopsíquica e alopsíquica) 1.1)Orientação espacial 1.2)Orientação temporal 2)NEUROPSICOLOGIA DA ORIENTAÇÃO 2.1)Neuropsicologia da orientação espacial ou topográfica 2.2)Neuropsicologia da orientação temporal 3)PSICOPATOLOGIA DA ORIENTAÇÃO (alterações segundo a alteração de base) 3.1)Semiotécnica da orientação 1)DEFINIÇÕES BÁSICAS ● Obs: o capitulo de orientação e vivência de tempo e espaço se sobrepõe ● A capacidade de situar-se quanto a si mesmo e quanto ao ambiente é elemento básico da atividade mental é fundamental para a sobrevivência do indivíduo ● A avaliação da orientação é um instrumento valioso para a verificação das perturbações do nível de ○ consciência, ○ percepção, ○ atenção, ○ memória ○ e de toda a cognição ● As alterações da orientação também podem ser decorrentes de déficits cognitivos graves (como nas demências) e de qualquer transtorno mental grave que desorganize de modo marcante o funcionamento mental global Os distúrbios da orientação na psicopatologia de Carl Wernicke (1900) ● Psiquiatra alemão propôs que, na base de todas as psicoses, sobretudo as agudas, haveria algum grau, mesmo que sutil, de perturbação da orientação. ● Para cada dimensão da vida consciente, a saber, a corporal ou somatopsíquica, a ambiental ou alopsíquica e a referente ao próprio psiquismo e personalidade, a autopsíquica, haveria também um tipo específico de desorientação. ● uma pessoa pode estar desorientada ○ quanto a si mesma (desorientação autopsíquica), ○ quanto ao seu próprio corpo (desorientação somatopsíquica) ○ quanto ao tempo e espaço (desorientação alopsíquica) ● Quando o paciente está desorientado em uma ou em todas essas dimensões da orientação, é frequente surgir concomitantemente um afeto marcante. ● Tal afeto, para Wernicke, é captado pela noção de perplexidade. ● Assim, desorientação e perplexidade seriam dois fenômenos mentais que caminharam juntos. -- voltando pras definições básicas ● Muitas vezes, verifica-se que um paciente com nível de consciência aparentemente normal está, de fato, desorientado ● Ao examinar melhor, percebe que a consciência esta ligeiramente turva e rebaixada, o que se revela pela sua desorientação ● investigar a orientação é também um recurso útil para aferir o nível de consciência dos pacientes @yuri.studies Yuri Banov Onishi ● A capacidade de orientar-se requer, de forma consistente, a integração das capacidades de ○ nível de consciência preservado, ○ atenção, ○ percepção ○ memória. ● Alterações de atenção e retenção (memória imediata e recente), moderadas ou graves, costumam resultar em alterações globais da orientação. ● a orientação é excepcionalmente vulnerável aos efeitos da disfunção ou do dano cerebral ● A desorientação é um dos sintomas mentais mais frequentes e sensíveis das doenças cerebrais ● a orientação preservada não significa necessariamente que o sujeito não apresente qualquer alteração cognitiva ou atencional (Lezak; Howieson; Bigler, 2012 Capacidade de orientação ● orientação autopsíquica: ○ é aquela do indivíduo em relação a si mesmo. ○ Revela se o sujeito sabe quem é: seu nome, idade, profissão, estado civil, com quem mora, etc. ● orientação alopsíquica: ○ capacidade de orientar-se em relação ao mundo, ○ quanto ao espaço (orientação espacial ou topográfica) e quanto ao tempo (orientação temporal). 1.1)Orientação espacial Subtipos de orientação - Lezak; Howieson; Bigler, 2012 ● Quanto ao local: onde o sujeito está no momento (o local específico, o tipo de edifício, distância entre onde está e sua casa, etc.) ● Orientação topográfica: ter a noção do arranjo e da organização de seu quarto, de sua casa, saber se localizar em seu bairro, sua cidade ● Orientação Geográfica: saber onde fica sua cidade, seu país, saber localizar-se em relação a mapas ● Julgamento de distância: quão longe é o hospital de sua casa, sua cidade de outras cidades conhecidas, etc ● Capacidades de navegação: (conseguir seguir caminhos e rotas previamente conhecidos ou com pistas suficientes -- ● a orientação espacial é uma capacidade complexa, constituída por vários componentes: ● reconhecer locais, edifícios e casas, com suas partes (cozinha, quartos, sala, etc.), ● reconhecer cenas, ● perceber de forma acurada relações espaciais entre diferentes locais ● ter habilidade de navegação (locomover-se em distintos caminhos, utilizando distintas pistas) Como investigar A orientação espacial é investigada perguntando-se ao paciente: ● o lugar exato onde ele se encontra, ● a instituição em que está, ● o andar do prédio, ● o bairro, a cidade, o estado e o país. ● Também é investigada a capacidade do indivíduo de identificar a distância entre o local da entrevista e sua residência (em quilômetros ou horas de viagem) Yuri Banov Onishi ● verificar com calma se o paciente sabe o tipo de lugar em que está (p. ex., se está em um hospital, uma unidade básica de saúde, um consultório médico ou psicológico, Centro de Atenção Psicossocial [CAPS], etc.), ● se pode dizer o nome do recinto (Hospital das Clínicas da Unicamp, Consultório da Dra. Raquel, Unidade Básica de Saúde da Vila Carrão, etc.) ● e onde se situa esse estabelecimento (no Distrito de Barão Geraldo, em Campinas, no bairro do Cambuci, em São Paulo, etc.). 1.2)Orientação temporal ● A orientação temporal necessita de uma adequada ○ percepção do tempo e da sequência de intervalos temporais ○ de sua correspondente representação mental e do processamento mental da temporalidade. ● Orientação temporal é, de modo geral, mais sofisticada que a espacial e a autopsíquica. ● indica se o paciente sabe em que momento cronológico está vivendo, a hora do dia, se é de manhã, de tarde ou de noite, o dia da semana, o dia do mês, o mês do ano, a época do ano, bem como o ano corrente ● Também é possível avaliar a noção que o paciente tem da duração dos eventos e da continuidade temporal. Desenvolvimento ● A orientação temporal é adquirida mais tardiamente que a autopsíquica e a espacial na evolução neuropsicológica da criança ● Piaget notou que crianças de 4 a 7 anos, no nível pré-operatório, têm ainda algumas dificuldades com a noção de tempo ● Elas acreditam que pessoas mais altas são sempre mais velhas, que árvores altas, mais largas e com mais frutos são sempre “mais velhas” e que a duração de uma viagem é dada pelos pontos de chegada, sem consideração da velocidade de locomoção (Beard, 1978). ● a temporalidade (timing), em relação à espacialidade, é uma função que exige maior desenvolvimento cognitivo do indivíduo, além da integração de estímulos ambientais de forma mais elaborada. ● Por isso, em relação à orientação espacial, a orientação temporal é mais fácil e rapidamente prejudicada pelos transtornos mentais e distúrbios neuropsicológicos e neurológicos, particularmente pelos que afetam a consciência; ● costuma ser o último aspecto da orientação a se recuperar. Como examinar ● Há quanto tempo o senhor está neste local? ● Há quanto tempo trabalhou (ou se alimentou) pela última vez? ● Faz quanto tempo que o senhor não me vê? 2)NEUROPSICOLOGIA DA ORIENTAÇÃO ● A desorientação temporoespacial ocorre, de modo geral, em quadros psicoorgânicos, quando três áreas encefálicas são comprometidas: (Lezak; Howieson; Bigler, 2012) 1.nas lesões corticais difusas e amplas ou em lesões bilaterais, como na doença de Alzheimer; 2.nas lesões mesotemporais do sistema límbico, como na síndrome de Korsakoff; 3.em patologias que afetam o tronco cerebral e o sistema reticular ativador ascendente (comprometendo o nível de consciência), como no delirium e nas demais síndromes decorrentes de alteração do nível de consciência Yuri Banov Onishi 2.1)Neuropsicologia da orientação espacial ou topográfica ● Vários componentes cerebrais da orientação espacial têm sido estudados pelos neuropsicólogos e neurocientistas (Benton; Tranel, 1993) ● O déficit de orientação espacial ou topográfica parece, demodo geral, depender de lesões ou disfunções bilaterais ou unilaterais à direita nas áreas posteriores do córtex cerebral, ou seja, as regiões retrorolândicas do cérebro (implicando os lobos parietais, occipitais e partes do temporal). ● De modo geral, a capacidade de avaliar corretamente direção e distância, tanto para estímulos visuais como táteis, relaciona-se mais com as estruturas corticais do hemisfério direito do que do esquerdo, sendo, entretanto, as lesões bilaterais as que mais produzem os sintomas. Alterações da orientação espacial e as respectivas áreas cerebrais lesadas ou disfuncionais (Kim et al., 2015). Córtex parietal posterior ● Déficit em representar a localização de objetos em relação a si próprio (ao próprio corpo) Córtex occipitotemporal e/ou córtex parahipocampal ● Dificuldades em navegação por déficit no reconhecimento de localidades previamente familiares, conhecidas Córtex retrosplenial ● córtex imediatamente atrás do splenium do corpo caloso) ● Embora podendo reconhecer localidades familiares, o paciente é incapaz de codificar e aproveitar informações visuoespaciais de tais localidades Estruturas mediais do lobo temporal ● Desorientação espacial devido a incapacidade de representar localidades do ambiente e caminhos aprendidos recentemente -- ● tem sido identificado, em pacientes que tiveram lesões cerebrais e naqueles com doenças neurodegenerativas, que as seguintes estruturas estão também relacionadas à desorientação espacial:(Tae-Sung et al., 2010). ○ regiões do lobo temporal medial, principalmente hipocampo, ○ córtex para-hipocampal e amígdala, ○ regiões cerebrais posteriores, como o giro fusiforme, o giro lingual, a região posterior do giro do cíngulo, o córtex parietal posterior, o giro occipital inferior e o cerebelo -- ● A síntese visual,(a capacidade de integrar diferentes estímulos visuais para a orientação espacial) pode ser afetada por lesões no córtex occipital associativo, produzindo quadros de simultanagnosia ● simultanagnosia: déficit em captar os elementos mais importantes a partir de estímulos visuoespaciais complexos, embora o indivíduo consiga identificar corretamente cada detalhe ● A localização adequada de pontos no espaço depende da integridade do córtex parietoccipital Associação entre desorientação espacial e a prosopagnosia ● prosopagnosia: incapacidade de reconhecer faces conhecidas ● cerca de 30% das pessoas com prosopagnosia adquirida (geralmente após acidente vascular) têm também importante desorientação topográfica (Corrow et al., 2016). ● A principal explicação para tal associação é que as duas alterações são provocadas por lesão ou disfunção em áreas cerebrais posteriores próximas (irrigadas pela artéria cerebral posterior). ● A prosopagnosia ocorre frequentemente como consequência de lesões na área fusiforme (estrategicamente importante para o reconhecimento de faces), ● sendo que a área fusiforme é muito próxima da área espacial do córtex para-hipocampal, importante para a orientação espacial, pois é ativada quando vemos e reconhecemos cenas visuais (Corrow et al., 2016). Yuri Banov Onishi 2.2)Neuropsicologia da orientação temporal ● A orientação temporal depende de uma adequada percepção da: (Damasceno, 1996). ○ passagem do tempo, ○ do registro ○ da discriminação dos intervalos temporais, ○ capacidade de apreender o tempo passado e antever o tempo futuro ● A orientação temporal, a representação e o processamento mental do tempo (timing) foram amplamente revistos por Sundeep Teki (2016). ● Nessa área complexa de estudo, foram constatados alguns dados relevantes, como: 1. a língua nativa das pessoas demarca como elas pensam sobre o tempo ex., falantes de inglês e de mandarim pensam sobre o tempo de formas claramente distintas, e alguns grupos aborígenes australianos usam os pontos cardinais para a percepção temporal 2.as informações espaciais afetam a temporalidade e a percepção do tempo (mas não o contrário) 3.a orientação temporal depende de eventos sensoriais; 4.diferentes áreas cerebrais codificam e processam o tempo no nível abaixo de um segundo ou acima de um segundo; 5.crianças recém-nascidas já têm percepção de batidas rítmicas 6.a dopamina nos circuitos dopaminérgicos modula componentes atencionais de intervalos de tempo 7.a temporalidade motora está alterada em crianças com (TDAH) com impulsividade; 8.áreas corticais relacionadas à emoção influem claramente no processamento do tempo; 9.experiências corporais (embodiment) são importantes na modulação emocional de percepção do tempo. Temporalidade (timing) ● A temporalidade (timing) não é processada em uma área específica do cérebro, sendo sua neuropsicologia extremamente complexa e heterogênea ● Ao que parece, diferentes escalas de tempo (p. ex., abaixo de um segundo e acima de um segundo) são processadas por diferentes estruturas cerebrais. Percepção e o processamento do tempo ● A percepção e o processamento do tempo implicam amplas redes neurais situadas em áreas corticais e subcorticais nos córtices frontal, parietal e temporal (implicando córtices sensoriais e pré-motores) ● na ínsula, nos núcleos da base, no cerebelo e no núcleo olivar inferior. ● Assim, foram propostos por toda uma linha de pesquisa nas últimas décadas alguns centros organizadores da temporalidade (core timer) (revisão em Teki, 2016). Áreas cerebrais e diferentes aspectos da orientação temporal, da percepção do tempo e da temporalidade Teki (2016). Núcleos da base ● Marcador do tempo (timer) para intervalos temporais, sobretudo mais longos. ● Núcleos da base e área motora suplementar medeiam a percepção de batidas rítmicas. ● O striatum é um marcador de tempo (timer), sendo parte de um sistema amplo de temporalidade. ● Gânglios da base são fundamentais para a temporalidade explícita (consciente), e áreas parietais e prémotoras, para a temporalidade implícita Yuri Banov Onishi ● Em tarefa de estimar o tempo, em ressonância magnética funcional, o putame à direita foi marcadamente ativado. Cerebelo ● Marcador do tempo (timer), sobretudo para intervalos temporais mais curtos e precisos. ● Estudos sugerem que o cerebelo pode funcionar como um relógio interno. ● Representação explícita do tempo. ● Pacientes com lesão cerebelar podem produzir movimentos rítmicos contínuos, mas não os descontínuos. ● O cerebelo pode “aprender” respostas temporais adaptativas. ● O cerebelo posterior fornece sinais sobre a temporalidade para circuitos corticais de orientação espacial. Córtex pré-frontal ● O córtex pré-frontal dorsolateral modula tanto a memória de trabalho como a temporalidade e está envolvido na percepção do tempo. ● Os circuitos pré-frontais que incluem o núcleo caudado, o núcleo talâmico dorsolateral e o giro cingulado participam da percepção do tempo, da orientação temporal, da síntese temporal e da noção de duração. ● Pacientes com lesões nas áreas pré-frontais têm suas capacidades de perceber e avaliar intervalos de tempo, tanto do passado como do futuro, comprometidas. ● Devido ao déficit de síntese temporal, seu comportamento é altamente suscetível de perturbação por interferência de estímulos externos ou internos. Sistemas motores automáticos e cognitivos frontais e parietais ● Regulação e mensuração do tempo (timing measurement). ● A escuta passiva de ritmos recruta regiões motoras do cérebro Circuitos corticoestriatal ● Atenção dirigida à temporalidade. ● Esses circuitos são ativados na percepção de intervalos de tempo. ● Circuitos frontoestriatais processam intervalos de tempo. Hipocampo ● Neurônios hipocampais especializados em temporalidade codificam momentos sucessivos em uma sequência de eventos. ● Também participam da temporalidade circuitos hipocampais que incluem, além do hipocampo, os corpos mamilares, os núcleos anteriores e mediais do tálamo e os núcleos septais. Insula ● A ínsula está intimamente envolvida na percepção do próprio corpo, do self corporal, e a percepção do tempoprocessada pela ínsula relaciona-se à mensuração interna e subjetiva do tempo, marcada pelas experiências do self corporal. ● Áreas posteriores da ínsula modulam gratificações atrasadas do sistema de recompensa, enquanto o striatum codifica intervalos de tempo. ● Ínsula é um marcador de tempo (timer) central. ● O operculum é área-chave para mediar aspectos atencionais da estimação do tempo Yuri Banov Onishi 3)PSICOPATOLOGIA DA ORIENTAÇÃO (alterações segundo a alteração de base) Tipos de orientação ● Distinguem-se vários tipos de desorientação, de acordo com a alteração de base que a condiciona. ● É preciso lembrar que geralmente a desorientação ocorre, em primeiro lugar, em relação ao tempo. ● Só após o agravamento do transtorno o indivíduo se desorienta quanto ao espaço e, por fim, quanto a si mesmo. 1)Tempo 2)Espaço 3)Si mesmo Desorientação por redução do nível de consciência Desorientação por déficit de memória imediata e recente Desorientação apática ou abúlica Desorientação delirante. Desorientação por déficit intelectual. Desorientação por dissociação, ou desorientação histérica Desorientação por desagregação. Desorientação quanto à própria idade Desorientação por redução do nível de consciência ● ou desorientação torporosa ou confusa, ● Essa é a forma mais comum de desorientação. ● é aquela na qual o indivíduo está desorientado por rebaixamento ou turvação da consciência ● Tais turvação e rebaixamento do nível de consciência produzem alteração da atenção, da ○ concentração, da memória recente e de trabalho ○ e, consequentemente, da capacidade de percepção e retenção dos estímulos ambientais ● Isso impede que o indivíduo apreenda a realidade de forma clara e precisa e integre, assim, a cronologia dos fatos. ● Portanto, nesse caso, a alteração do nível de consciência é a causa da desorientação. Desorientação por déficit de memória imediata e recente ● ou desorientação amnéstica. ● o indivíduo não consegue reter as informações ambientais básicas em sua memória recente. ● Não conseguindo fixar as informações, perde a noção do fluir do tempo, do deslocamento no espaço, passando a ficar desorientado temporoespacialmente ● A desorientação amnéstica é típica da síndrome de Korsakoff. ● a desorientação demencial é muito próxima à amnéstica. ○ Ocorre não apenas por perda da memória de fixação, mas por déficit de reconhecimento ambiental (agnosias) e por perda e desorganização global das funções cognitivas. ○ Ocorre nos diversos quadros demenciais (doença de Alzheimer, demências vasculares, etc.). Desorientação apática ou abúlica ● Ocorre por apatia marcante e/ou desinteresse profundos. ● o indivíduo torna-se desorientado devido a uma marcante alteração do humor e da volição, comumente em quadro depressivo grave. ● Por falta de motivação e interesse, o paciente, geralmente muito deprimido, não investe sua energia no mundo, não se atém aos estímulos ambientais e, portanto, torna-se desorientado. Desorientação delirante. ● Ocorre em indivíduos que se encontram imersos em profundo estado delirante, ● vivenciando ideias delirantes muito intensas, crendo com convicção plena que estão “habitando” o lugar (e/ou o tempo) de seus delírios. ● Nesses casos, pode-se, eventualmente, observar a chamada dupla orientação, na qual a orientação falsa, delirante, coexiste com a correta. Yuri Banov Onishi ● O paciente afirma que está no inferno, cercado por demônios, mas também pode reconhecer que está em uma enfermaria do hospital ou em um CAPS. ● Pode, ainda, ocorrer de o indivíduo dizer, em um momento, que está na cadeia e que as enfermeiras são carcereiros, e afirmar, logo em seguida, que são enfermeiras do hospital (alternando sequencialmente os dois tipos de orientação). Desorientação por déficit intelectual. ● Ocorre em pessoas com deficiência intelectual (DI) grave ou moderada (eventualmente em DI leve) ● a desorientação ocorre pela incapacidade ou dificuldade em compreender aspectos complexos do ambiente e de reconhecer e interpretar as convenções sociais (horários, calendário, etc.) que padronizam a orientação do indivíduo no mundo Desorientação por dissociação, ou desorientação histérica ● Ocorre em geral em quadros dissociativos graves, normalmente acompanhada de alterações da identidade pessoal (fenômeno do desdobramento da personalidade) ● e de alterações da consciência secundárias à dissociação associada ou não com personalidade histriônica (antigamente chamada de “estado crepuscular histérico” e, na atualidade, de “quadros dissociativos”) Desorientação por desagregação. ● Ocorre em pacientes com psicose, geralmente com esquizofrenia, em estado crônico e avançado da doença, quando o indivíduo, por desagregação profunda do pensamento ● apresenta toda a sua atividade mental gravemente desorganizada, o que o impede de se orientar de forma adequada quanto ao ambiente e quanto a si mesmo Desorientação quanto à própria idade ● discrepância de cinco anos ou mais entre a idade real e aquela que o indivíduo diz ter. ● Tem sido descrita em alguns pacientes com esquizofrenia crônica e parece ser um fiel indicativo clínico de déficit cognitivo na esquizofrenia (Crow; Stevens, 1978). ● em indivíduos com quadros de desorientação por lesão ou disfunção cerebral, o modo de recuperação do paciente, quando há reversão e cura do quadro e a lesão ou disfunção não produz sequelas definitivas, é o seguinte: (Tate; Pfaff; Jurjevic, 2000). 1) inicialmente recupera a orientação quanto a si mesmo; 2) depois recupera a orientação espacial; 3) recupera a orientação temporal Pacientes com Amnésia ● além de desorientação, nos quadros de lesões neuronais leves, a recuperação da orientação tende a ocorrer antes da recuperação da amnésia ● Nos quadros de lesão grave, a recuperação da orientação tende a ocorrer depois da recuperação da amnésia (Tate; Pfaff; Jurjevic, 2000) Outras condições ● Pacientes com doença de Parkinson, doença de Huntington, TDAH e esquizofrenia podem apresentar alterações da percepção, da codificação e do processamento do tempo, independentemente de terem alterações do nível de consciência (Teki, 2016) Yuri Banov Onishi 3.1)Semiotécnica da orientação Orientação temporal ● Que dia é hoje? Qual o dia da semana? Qual o dia do mês? Em que mês estamos? ● Em que ano estamos? Qual a época do ano (começo, meio ou fim do ano)? ● Aproximadamente que horas são agora? ● Lembrar-se de que alguns sujeitos com baixa escolaridade (menos de oito anos) podem, eventualmente, apresentar dificuldades na orientação temporal e, sobretudo, nas noções de duração e continuidade temporal (Anthony; Le Resche; Niaz, 1982) Orientação espacial: ● Onde estamos? Como se chama a cidade em que estamos? E o bairro? ● Qual o caminho e quanto tempo leva para vir de sua casa até aqui? ● Que edifício é este (hospital, ambulatório, consultório, etc.) em que estamos? ● Em que andar estamos? Orientação autopsíquica ● Quem é você? Qual o seu nome? O que faz? ● Qual a sua profissão? Quem são seus pais? ● Qual a sua idade (verificar a idade real do paciente)? ● Qual o seu estado civil? Carlat (2007) ● sugere que se investigue a orientação “do mais fácil para o mais difícil”. ● Se o paciente tiver dificuldade em responder, que se pergunte: ○ Onde fica sua casa? Que lugar é este? Onde estamos agora? ○ Em que ano estamos? Que mês? Que dia da semana? Que dia do mês? Yuri Banov Onishi oii =] Esse resumo foi feito pelo Yuri e foi disponibilizado gratuitamente se quiser, você pode ajudar o estudante a comprar cursos e livros com um pix- yuri.banov@hotmail.com obrigado =) mailto:yuri.banov@hotmail.com