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COLETÂNEA DE TEXTOS DE APOIO PARA 
ESTUDOS DA DISCIPLINA 
“COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBSERVAÇÃO: A coletânea é composta por artigos científicos, com sua autoria identificada nos 
textos. 
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Apresentação 
Será que a Língua Portuguesa é mesmo difícil? Por que é comum 
ouvir brasileiros dizerem que não sabem falar português? Será que 
a experiência escolar com o ensino de Língua Portuguesa causa 
traumas aos falantes da língua? Estas e outras perguntas nos vêm à 
mente quando buscamos entender o desinteresse que muitos 
falantes expressam pelo nosso idioma. Pensando nisso, este projeto 
surge como uma tentativa de mostrar aos brasileiros algo que até 
então nos parecia óbvio: Português é legal! 
 
 
Por um lado, pretendemos combater o preconceito linguístico, 
mostrando por que a ideia de “falar certo” está imbuída de crenças 
equivocadas. Falar e escrever bem significa conseguir causar o 
efeito desejado, e não seguir esta ou aquela regra. 
 
Por outro lado, achamos necessário popularizar as convenções da 
língua, cuja utilização é comumente vista como um instrumento de 
poder. Nosso plano é falar sobre dúvidas do dia a dia, coisas que 
nos perguntam quando sabem sobre nossa formação. Os falantes 
não querem saber se em português o pronome oblíquo átono tem 
flexão de gênero. O que querem saber é: “às vezes tem crase?”; 
“dia a dia tem hífen?”; “porque tem acento?”. Quem usa a língua 
quer saber se é certo falar gratuíto ou gratuito; pouco importa se 
isso é verbo, adjunto ou adjetivo. 
 
Se enxergarmos a linguagem dos jornais como modelo de 
perfeição, estaremos desconsiderando o fato de que, na vida real, 
ninguém fala como escreve (afinal de contas, a escrita não é 
mesmo a representação da fala, mas algo distinto!). Será que só 
uma variedade da língua tem valor? O que dizer, então, da 
Saudosa Maloca de Adoniran quando ele canta que "o dono 
mandô derrubá / peguemo tudo a nossas coisas / E fumos pro 
meio da rua"? E quem haveria de negar a riqueza da frexada que 
transforma o coração do homem em táubua de tiro ao álvaro? 
 
Como vocês verão ao longo deste projeto, concordamos com o 
professor Evanildo Bechara quando ele afirma que "o sucesso da 
educação linguística é transformar o falante em um 'poliglota' 
dentro de sua própria língua nacional" (BECHARA, 2001, p. 38). Isso 
significa ser capaz de transitar entre diferentes falares, em 
diferentes contextos e com objetivos diversos, e não apenas 
aprender a falar segundo as “normas”. 
 
Nosso objetivo não é ensinar ninguém a “falar direito” ou a “não 
cometer erros”, e tampouco queremos dar a impressão de que as 
pessoas têm obrigação de conhecer a norma-padrão da nossa 
língua. Mas achamos que todo mundo tem o direito de conhecê-la. 
 
Esperamos que este pequeno material seja esclarecedor e que 
possa levar mais gente a se interessar pela língua que falamos. 
 
Carol & Pablo 
 
Sumário 
 
Equívocos que rondam a Língua Portuguesa ........................... 
O que é norma-padrão? ................................................................ 
O que significa variação linguística? ............................................ 
Por que estudar uma língua que eu já domino? ...................... 
Será que eu falo errado? ................................................................ 
O que se espera de um aluno na aula de português? ........... 
Como assim "Português é legal"? ................................................. 
Sobre os autores ............................................................................... 
 
 
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11 
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Equívocos que rondam 
a Língua Portuguesa 
 
1. Português é muito difícil. 
 
Já tem algum tempo que os estudiosos da Linguística concluíram 
que não é possível definir o nível de complexidade ou dificuldade 
de uma língua e que todos os falantes têm a mesma probabilidade 
de aprender latim, japonês ou russo, se assim desejarem. Assim 
como as outras línguas, o português brasileiro tem uma gramática 
própria que é rica e completa. A dificuldade que se tem em 
dominar os conteúdos que a escola define como importantes tem 
levado à falsa ideia de que se trata de uma língua mais difícil que as 
outras. Mito. 
 
2. Eu não sei nada de gramática. 
 
Alguém que não soubesse nada da gramática da nossa língua 
poderia ter dito “gramática eu nada de sei não”, ou talvez “sei de 
não nada gramática eu”, mas nunca “Eu não sei nada de 
gramática”. A ordem das palavras usadas nesta queixa está de 
acordo com as “normas” do português e, portanto, demonstra 
domínio gramatical. O que queremos dizer com esse exemplo é: 
todos nós aprendemos a gramática de forma intuitiva ao usar a 
língua, mesmo sem conhecermos a nomenclatura da área. Por isso, 
qualquer pessoa – desde que não tenha empecilhos físicos – é 
capaz de se comunicar compreendendo e sendo compreendida, 
ainda que não se lembre de conceitos como advérbios ou que não 
saiba identificar uma oração subordinada substantiva objetiva 
direta. Mesmo a língua falada no dia a dia, considerada errada por 
muitos, tem sua gramática. O fato de não corresponder à 
gramática considerada oficial é outra história. 
 
3. Português tem muitas regras. 
Existem vários jeitos de perder a "birra" com as tais regras da nossa 
língua. O primeiro é entender que tudo isso que a gente chama de 
regra não é algo sagrado que deva ser temido e obedecido sem 
restrições, mas sim convenções que acabam facilitando o 
aprendizado da língua. É verdade que o português falado no Brasil 
tem, no seu conjunto de convenções, muita coisa que não é usada 
pelos falantes, o que dificulta o domínio daqueles manuais de 
gramática. Por outro lado, alguns casos práticos mostram que as 
convenções acabam simplificando nossa vida. Um exemplo é 
aquela frase que se aprende na escola desde pequeno: "Antes de P 
e B nunca usamos N, e sim M". Como o M e o N têm som nasal, 
eles poderiam ser confundidos em várias situações, mas 
conhecendo essa formulação fica fácil decidir como se escreve uma 
palavra. A criança que aprende essa "regra" jamais vai escrever 
"comfusão" ou "numca", por exemplo. Mesmo se deparando com 
uma palavra desconhecida ("ronda", "vintém" etc.), poderá acertar 
sua grafia. 
 
O "lado bom" dessas normas também fica evidente para quem 
começa a aprender outro idioma: se a gente memoriza uma 
formulação, não precisa decorar caso a caso, o que tornaria o 
aprendizado bem mais difícil. Quanto mais a gente conhece essas 
convenções, mais fácil fica manejar nossos discursos. 
 
Manuais de gramática gigantescos que raramente são usados na 
prática não é exclusividade do português; trata-se de uma 
característica bastante comum em todas as ínguas. Engana-se 
quem pensa que em países mais desenvolvidos todos os falantes 
dominam tudo aquilo que prega a norma-culta: em qualquer 
língua, o desvio do padrão é NORMAL. Por tudo isso, acreditamos 
na necessidade de equilibrar duas posturas que, com frequência, 
são vistas como excludentes: não tratar nenhuma variedade da 
língua como inferior e, por outro lado, incentivar o aprendizado da 
norma aceita como oficial. 
 
 
O que é norma-padrão? 
 
A norma-padrão é o nome que se dá à variedade da língua usada 
oficialmente e ensinada nas escolas. Trata-se de uma convenção 
que tem por objetivo estabelecer um “modelo” de língua que possa 
ser compreendido por todo o país. O problema é que essa norma 
acaba sendo considerada uma variante de maior prestígio – não 
porque inclua em si algo de especial, mas por ser a norma que, em 
geral, grupos de maior poder aquisitivo dominam. A norma serve 
de referência para que não ocorram desvios muito grandes que 
pudessem descaracterizar a língua, mas isso não significa que deva 
ser seguida à risca. Ela pode ser comparada à caligrafia: ainda que 
se defina um padrão, cada pessoa vai escrever com umaletra 
diferente, já que é impossível reproduzir um modelo com 
perfeição. Vale a mesma ideia para a fala. 
 
 
O que significa 
"variação linguística"? 
 
 
Existem vários tipos de variações: regionais, etárias, de gênero, de 
grupo social... As línguas mudam – não apenas ao longo do tempo, 
mas de uma região para outra, de um grupo de profissionais para 
outro, de um falante para outro. A variação é inerente a todas as 
línguas, razão porque é injustificável esperar que todas as pessoas 
sigam um padrão. 
 
Por que voltar a estudar 
uma língua que já domino? 
 
Estudar é como frequentar uma academia: depois de um tempo 
parados, começamos a perder algumas das (árduas) conquistas 
feitas. Aprender é algo gradual e que nunca vai ser completado 
com totalidade, já que o volume de informações que temos à 
nossa disposição é imenso. Estudar a língua materna segue o 
mesmo raciocínio: mesmo que a usemos diariamente, haverá 
sempre convenções novas, novas e velhas maneiras de dizer, usos 
mais criativos e eficientes e assim por diante. Especialistas de 
qualquer área podem confirmar a necessidade de estudo constante 
e, tão importante quanto isso, o prazer que pode advir do 
conhecimento. Dominar nossa língua materna é algo que extrapola 
os muros da escola e as avaliações escolares: está presente no 
momento de ler um contrato de aluguel, vender um carro, 
entender um guia de instruções, escrever relatórios, fazer exames 
de admissão, divertir-se com livros de gêneros variados... Enfim, é 
preciso encarar nossa língua como parte da vida e não como uma 
disciplina escolar da qual a maioria de nós já se livrou. 
 
 
Será que eu falo errado? 
 
Para os linguistas, é um equívoco considerar que determinada 
maneira de falar é errada. Para entender essa ideia, fica mais fácil 
pensar em outro contexto: imaginem que houvesse regras para 
determinar nosso modo de andar. Modelos poderiam escrever 
manuais indicando o ângulo de flexão dos joelhos, a velocidade, o 
tempo de contato da sola dos pés com o chão. Seria possível até 
mesmo criar um boneco virtual que demonstrasse com exatidão o 
que seria esperado de nós. Entretanto, na prática, NINGUÉM 
conseguiria imitar esse modelo de forma precisa. Mesmo que nos 
esforçássemos, estaríamos reproduzindo algo artificial, que não é 
passível de imitação perfeita. O modelo poderia ser importante, por 
exemplo, para percebermos a diferença entre andar e correr, mas 
nenhuma pessoa andaria como ele. Sendo assim, seria impossível 
dizer que as pessoas andam errado, ou que não sabem andar: o 
que estaria acontecendo, na verdade, seria um desvio em relação 
ao modelo. Oras, se ele é artificial, nada mais natural que isso! É o 
mesmo que acontece com a língua: os manuais de gramática 
sugerem um padrão, mas nenhuma pessoa é capaz de segui-lo à 
risca; nem mesmo o criador do manual! Se acreditamos em tudo 
isso ─ e nós acreditamos─, a ideia de erro cai por terra. 
 
 
O que se espera de um 
aluno na aula de Língua 
Portuguesa? 
 
Aparentemente, muitos alunos se queixam de estudar língua 
portuguesa e não se envolvem com as aulas e o conteúdo 
apresentado. Que pena! Não é novidade dizer que o domínio da 
língua tornaria o estudo de todas as outras disciplinas mais simples 
e prazeroso. Quanto mais a gente conhece nossa própria língua, 
mais fácil fica manejá-la para as diversas finalidades possíveis e 
fazer dela um meio de entretenimento ─ seja por meio de piadas e 
trocadilhos, por meio da literatura, da música, ou de qualquer 
outro uso criativo que se possa fazer da língua. 
 
Aos alunos que não costumam se interessar pelo que lhes é 
apresentado em ambiente escolar, propomos que façam valer sua 
autonomia e que selecionem, mesmo sem supervisão, os livros que 
têm vontade de ler e os conteúdos que têm vontade de aprender. 
Se o recorte feito pelos professores não agrada ─ e, claro, 
raramente conseguirá ter aprovação unânime ─, é preciso que os 
alunos percebam que não há necessidade de se restringir àquilo 
que lhes é ofertado. 
 
 
Como assim 
"Português é legal"? 
 
No início, tivemos a preocupação de que talvez o nome "Português 
é legal" causasse a falsa impressão de que pretendíamos fazer um 
projeto com ares patrióticos ou defender a superioridade da nossa 
língua em detrimento das outras, razão por que fazemos, agora, 
esta ressalva. Português é legal, sim ─ assim como o francês, e 
também o árabe, o alemão, o russo e o latim. Português é legal, 
mas não mais que espanhol, árabe, híndi ou romeno. Foi assistindo 
a brasileiros deslumbrados com outros idiomas (enquanto 
afirmavam não gostar do seu próprio) que chegamos a esta frase 
simples e, pra nós, óbvia. Aprender línguas é legal e isso não muda 
quando se trata da nossa língua materna. 
 
A segunda preocupação com que nos deparamos foi o fato de 
que, não raro, quem gosta de estudar a língua portuguesa tem 
respeito apenas por uma variedade, aquela que denota mais 
prestígio. Em uma cultura na qual criticar o modo como alguém 
fala é algo bem visto, que parece denotar grandes conhecimentos 
ou cultura, acreditamos ser essencial falar sobre o preconceito 
linguístico e chamar atenção para que ninguém se torne um 
"nazista da gramática" sem perceber. 
 
Quando alguma polêmica linguística ou educacional ganha espaço 
na mídia, como foi o caso do material didático que supostamente 
ensinava a "falar errado", em 2011, conseguimos perceber que as 
pessoas têm posições bem distintas em relação a esse assunto: há 
os puristas, que pensam que a língua é uma questão de moral e 
que a gramática normativa deve ser seguida à risca; há quem 
defenda que cada um fala como quiser e viva-a-casa-da-mãe-
Joana e há, no meio desses, quem pense que é importante 
conhecer diferentes variedades da língua e usar a mais adequada 
em cada caso, que é nossa posição. Partimos do princípio de que 
respeitar todas as variedades é essencial, mas isso não pode ser 
usado como desculpa para negligenciar o ensino da norma-
padrão. 
 
Esperamos que essa ideia ajude a mostrar às pessoas que muitos 
conhecimentos não legitimados também têm valor. Esses 
conhecimentos englobam tudo o que costuma ser considerado 
menos sofisticado ou de menor prestígio, como um jeito de falar 
típico de moradores da área rural, um vocabulário conhecido 
apenas em um estado ou um sotaque característico de 
determinada região. 
 
A ideia de propor uma reflexão diferente sobre o português 
brasileiro é pautada na afirmação do linguista Sírio Possenti (1984), 
que defende que “o domínio efetivo e ativo de uma língua 
dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica” e que “não 
faz sentido ensinar nomenclaturas a quem não chegou a dominar 
habilidades de utilização corrente e não traumática da língua 
escrita.”. É com esses pensamentos em mente que esperamos fazer 
ecoar a ideia de que português é, sim, muito legal. 
 
Sobre os autores 
 
 
 
 
Mineira, tem graduação em Letras 
pela Universidade de São Paulo 
(2010). Trabalhou como 
professora, tradutora e revisora de 
português e inglês. Atualmente, é 
editora de livros didáticos de língua 
portuguesa e mestranda da 
Faculdade de Educação da USP. 
carolinajesper@gmail.com 
 
 
Baiano, tem graduação em Letras 
pela Universidade de São Paulo 
(2010). Tem experiência como 
professor de português, inglês e 
espanhol. 
Atualmente, mora em São Paulo e 
é professor de inglês em uma 
escola de idiomas. 
pblmartins@gmail.com 
 
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TIPOS TEXTUAIS 
A produção de textos orais ou escritos, verbais ou não, fazem parte do cotidiano dos usuários da 
linguagem, porém muitos não recorrem a bases científicas acerca da linguagem para 
planejamento e melhor estruturação do enunciado com fins na garantia de cumprimento do 
objetivo comunicativo que desencadeou um determinado ato de linguagem. Nesta unidade, 
exploraremos uma dessas bases teóricas: os tipos textuais. 
Tipo textual refere-se à forma como se apresenta um texto, tendo em vista o propósito para o 
qual foi redigido. Até bem pouco tempo eram considerados 3 tipos textuais: narrativo, descritivo e 
argumentativo. Atualmente, embora não haja consenso entre diferentes teóricos, consideram-se, 
em especial, as seguintes categorias: descrição, narração, exposição, injunção, 
argumentação e o diálogo. 
A tipologia a que recorre o autor na construção de seu texto está diretamente relacionada ao 
propósito de sua redação: dizer como é (descrição), apresentar uma sucessão de acontecimentos 
em que haja relação de anterioridade e posterioridade (narração), apresentar informações sobre 
um objeto ou fato específico (exposição), buscar adesão para um propósito (argumentação), 
orientar sobre como fazer (injunção), estabelecer interlocução em uma relação dialógica 
(diálogo)... 
Passemos ao detalhamento de cada um desses tipos textuais. 
TEXTO DESCRITIVO 
O texto descritivo decorre uma percepção sensorial, já que o autor traduz para seu interlocutor o 
que apreende por meio de um ou mais dos cinco sentidos (visão, tato, paladar, olfato e audição) 
com o objetivo de propiciar-lhe a reconstrução mental do elemento descrito. Quanto maiores os 
detalhes, maior será a proximidade da imagem construída pelo alocutário em relação ao que se 
descreve, como se percebe no exemplo a seguir: 
Situação 1: 
Comprei uma 
caixa para 
colocarmos o 
presente. 
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
Situação 2: 
 
Situação 3: 
 
 
Diferentemente da narração, em que os fatos organizam-se em uma sequência temporal, numa 
relação de anterioridade e posterioridade, a descrição apresenta um elemento estático no tempo, 
e os verbos mais usados são os de ligação, uma vez que indicam o estado em que se encontra 
aquilo ou aquele que se descreve. 
As características apresentadas para o elemento descrito tanto podem ser físicas quanto 
psicológicas, objetivas e subjetivas, como se observa a seguir. 
A flor de laranjeira é branca. 
branca: característica objetiva. 
Ela parece muito delicada. 
delicada: característica subjetiva. 
Comprei uma caixa retangular, 
preta com bolinhas brancas para 
colocarmos o presente. 
Comprei uma caixa retangular, 
preta com pequenas bolinhas 
brancas, tampa e fita pretas. 
colocarmos o presente. 
elemento 
descrito 
elemento 
descrito 
Característica 
apresentada 
Característica 
apresentada 
Verbo de 
ligação 
Verbo de 
ligação 
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
Dentre os traços que distinguem a descrição das demais 
tipologias, ressaltam-se: 
- os articuladores de tipo espacial/situacional;
No centro da flor da laranjeira há um delicado matiz 
amarelado. 
- os adjetivos, em decorrência de sua natureza
caracterizadora:
A flor de laranjeira é branca e muito delicada. 
- simultaneidade: todas as ocorrências são simultâneas,
de forma que, se inverter a ordem da exposição, não há
alterações em relação ao que se relata.
A flor de laranjeira é branca e muito delicada. 
A flor de laranjeira é muito delicada e branca. 
http://sol2611.wordpress.com/2013/11/14/Acesso em 
17 jan. 2014. 
Como dito anteriormente, a descrição pode ser objetiva ou subjetiva, e, na maioria das vezes, 
esses dois subtipos mesclam-se em um mesmo texto. 
 A descrição objetiva tem como finalidade a exposição das características do objeto de modo 
preciso, literal, isento de comentários subjetivos que possamlevar a mais de uma interpretação. 
Um exemplo de desse subtipo descritivo são as descrições técnicas (científicas), cuja finalidade 
limita-se à apresentação de características e funções dos elementos focalizados. 
Exemplo 1: 
Flor de laranjeira: planta medicinal com efeito calmante, ela é utilizada em caso de distúrbios do sono ou tensões 
nervosas e pode ser encontrada em infusão (chá). 
Nomes 
Nome em português: Flor de laranjeira, flor de laranja-amarga 
Nome latim: Citrus aurantium L. 
Nome inglês: orange flower 
Nome francês: Oranger (fleur d'), fleurs de l'orange amère 
Nome alemão: Orangen Blüten 
Nome italiano: arancio 
Família 
Rutaceae 
Constituintes 
Óleos essenciais, princípios amargos, flavonóides. 
Partes utilizadas 
Flores 
Efeitos da flor de laranjeira 
Calmante, sonífero ou sedativo leve (para ajudar na dificuldade para dormir), ansiolítico, apaziguador do sistema 
gastrointestinal. 
http://www.criasaude.com.br/N4231/fitoterapia/flor-de-laranjeira.html. Acesso em 18 jan. 2014. 
http://eusoumaisterapias4.blogspot.com.br/p/flor-de-
laranjeira-para-tranquilizar.html. Acesso em 18 jan. 
2014. 
http://sol2611.wordpress.com/2013/11/14/deus-vem-a-mim-nas-horas-de-silencio-como-a-brisa-matinal-as-flores-do-verao-mechtilde-de-magdeburg/
http://www.creapharma.ch/fleurdoranger.htm
http://www.creafarma.ch/piante/arancio-amaro.htm
http://www.criasaude.com.br/N4231/fitoterapia/flor-de-laranjeira.html
http://www.educarbrasil.org.br
http://eusoumaisterapias4.blogspot.com.br/p/flor-de-laranjeira-para-tranquilizar.html
http://eusoumaisterapias4.blogspot.com.br/p/flor-de-laranjeira-para-tranquilizar.html
http://www.educarbrasil.org.br
Exemplo 2: 
Água de Colônia sem Álcool Flor de Laranjeira 
 
 DESCRIÇÃO 
 
Características: a Colônia sem Álcool Flor de Laranjeira Natura Mamãe 
e Bebê possui uma fragrância suave e delicada, que combina notas 
florais, da flor de laranjeira, e cítricas com musc, transmitindo agradável 
sensação de conforto. Possui embalagem inquebrável especialmente 
desenvolvida para proporcionar maior segurança à mãe e ao bebê. 
http://www.natura.com.br/nossasmarcas/mamae-e-bebe/10252-mamae-e-bebe-flor-de-
laranjeira-agua-de-colonia-sem-alcool. Acesso em 16 jan. 2014. 
A descrição subjetiva, por sua vez, constrói-se a partir da percepção mais pessoal de quem 
descreve, algumas vezes perpassada por emoções. Apresentar como confortável uma 
determinada poltrona é subjetivo, uma vez que, em decorrência de uma constituição física 
diferente da de quem fez a primeira avaliação, outro indivíduo pode considerar a mesma poltrona 
desconfortável, pequena, dura etc. Os textos literários recorrentemente fazem uso da descrição 
subjetiva. 
Exemplo 3: 
FLOR DE LARANJEIRA 
Vista assim, até parece 
flor sem eira nem beira, 
mas o aroma que oferece, 
inebria e que bem cheira! 
Ai que bem cheira 
a flor da laranjeira! 
Parece perfume de rosa, 
de uma frondosa roseira, 
o desta florinha amorosa;
branca flor da laranjeira.
Ai que bem cheira 
a flor da laranjeira! 
Publicada por João de Sousa Teixeira à(s) 08:30 
http://corpodepoema.blogspot.com.br/2011/04/flor--laranjeira.htmlhttp.Acesso em 20 jan. 2014. 
A descrição é um tipo textual que frequentemente permeia outros tipos e é predominante nos 
seguintes gêneros: folheto turístico, anúncio classificado, relatórios científicos, dentre outros. 
http://www.natura.com.br/nossasmarcas/mamae-e-bebe/10252-mamae-e-bebe-flor-de-laranjeira-agua-de-colonia-sem-alcool#tabs-0
http://www.natura.com.br/nossasmarcas/mamae-e-bebe/10252-mamae-e-bebe-flor-de-laranjeira-agua-de-colonia-sem-alcool
http://www.natura.com.br/nossasmarcas/mamae-e-bebe/10252-mamae-e-bebe-flor-de-laranjeira-agua-de-colonia-sem-alcool
http://www.blogger.com/profile/17694815855439672199
http://corpodepoema.blogspot.com.br/2011/04/flor-da-laranjeira.html
http://corpodepoema.blogspot.com.br/2011/04/flor--laranjeira.htmlhttp.Acesso
http://www.educarbrasil.org.br
http://www.educarbrasil.org.br
TEXTO NARRATIVO 
A narração caracteriza-se pelo relato de um determinado acontecimento, a partir da organização 
de elementos, como, narrador, personagens, espaço e tempo. 
 Narrador é aquele que narra ou conta no texto, e não pode ser confundido com o autor, que é
aquele que cria o texto. A narrativa pode ocorrer em 1ª pessoa (eu/nós), e, nesses casos, há o
narrador personagem, que dá conhecimento de algo de que participou (exemplo 1); ou em 3ª
pessoa (ele/eles), quando há o narrador observador, que relata algo que presenciou ou de que
tomou conhecimento, mas não participou (exemplo 2).
Exemplo 1: narração em 1ª pessoa – narrador personagem: 
Inspirado no site I Used to Believe, que descreve crenças e recordações infantis de internautas do 
mundo inteiro, faço a seguir um Top 10 de reminiscências e coisas nas quais (eu) acreditava 
quando (eu) era criança. Algumas lembranças podem soar tolas hoje, mas ao mesmo tempo me 
dão saudades de uma época na qual eu era menos cético e mais inocente. 
* * * * *
1) Quando eu era criança, acreditava que as estrelas eram os olhos de Deus, que piscavam de
vez em quando para a gente apenas para que soubéssemos que havia um cara lá em cima de
olho nas traquinagens que aprontávamos.
2) Quando eu era criança, assistia aos desenhos do Ligeirinho e me encantava ao ver aqueles
feijões mexicanos que pulavam sozinhos. Uma das maiores frustrações de minha infância foi
essa: nunca comi feijões que pulam.
3) Quando eu era criança, meu pai dizia que eu devia cuspir longe as sementes de melancia,
porque se engolisse uma delas por acidente nasceriam outras melancias dentro do meu
estômago. Pensava comigo mesmo: ―ué, será que é assim que as mães ficam grávidas?―.
Poe Alexandre Inagaki – sábado, 24 de dezembro de 2005. 
http://pensarenlouquece.com/quando-eu-era-crianca/ Acesso em 08 jan. 2014. 
As palavras em destaque denunciam que o narrador relata suas próprias experiências, trata-se, 
portanto, de um narrador personagem. 
http://www.iusedtobelieve.com/
http://pensarenlouquece.com/quando-eu-era-crianca/
Exemplo 2: narração em 3ª pessoa – narrador observador 
Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria 
Alcântara Machado 
O trenzinho recebeu em Magoari o pessoal do matadouro e tocou para Belém. Já era noite. 
Só se sentia o cheiro doce do sangue. As manchas na roupa dos passageiros ninguém via 
porque não havia luz. De vez em quando passava uma fagulha que a chaminé da locomotiva 
botava. E os vagões no escuro. 
Trem misterioso. Noite fora, noite dentro. O chefe vinha recolher os bilhetes de cigarro na boca. 
(Ele) Chegava a passagem bem perto da ponta acesa e dava uma chupada para fazer mais luz. 
Via mal e mal a data e ia guardando no bolso. Havia sempre uns que gritavam: 
— Vai pisar no inferno! 
Ele pedia perdão (ou não pedia) e continuava seu caminho. Os vagões sacolejando. 
O trenzinho seguia danado para Belém porque o maquinista não tinha jantado até aquela 
hora. Os que não dormiam aproveitando a escuridão conversavam e até gesticulavam por 
força do hábito brasileiro. Ou então cantavam, assobiavam. Só as mulheres se encolhiam com 
medo de algum desrespeito. 
Noite sem lua nem nada. Os fósforos é que alumiavam um instante as caras cansadas e a 
pretidão feia caía de novo. Ninguém estranhava. Era assim mesmo todos os dias. O pessoal do 
matadouro já estava acostumado. Parecia trem de carga o trem de Magoari. [...] 
Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira (1901-1935) 
As palavras destacadas denunciam que o narrador relata o que observou ou aquilo de que tomou 
conhecimento. Ele não se coloca como um personagem: é um narrador observador. 
 Personagem é cada um daqueles que figuram em uma narrativa, romance, poema ou
acontecimento narrado. Podem ser pessoas ou outros seres personificados. No caso do exemplo
2, os passageiros em geral, o pessoal do matadouro e o chefe são personagens na narrativa
de Alcântara Machado.
 Espaço é o cenário em que os personagens estão ambientados:campo, centro urbano, sala
de aula etc. No texto Apólogo Brasileiro sem Véu de Alegoria, o cenário é o interior do trem que
faz o trajeto Magoari/Belém.
 Tempo é quando ocorre a narrativa. No exemplo 2, o tempo da narrativa é o tempo que
decorre ao longo da viagem, que se inicia após o expediente do trabalho no matadouro de
Magoari e estende-se até a chegada a Belém.
Dentre os aspectos formais que compõem a narrativa, destacam-se:
 predominância de verbos de ação, nos tempos do mundo narrado;
 adverbiais temporais, causais e locativos;
 relação de anterioridade e posterioridade: sempre há mudanças de situações (antes e depois);
na maioria das vezes, a narrativa se desenvolve em prosa.
É o tipo predominante nos gêneros conto, fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, 
relato, etc. 
A descrição muitas vezes é utilizada na estruturação de textos narrativos, com o propósito da 
composição de cenários e personagens. 
TEXTO INJUNTIVO ou INSTRUCIONAL 
A injunção é utilizada com fins de orientar o interlocutor para que este execute algo. Apresentam 
prescrições de comportamentos ou ações sequencialmente ordenados. Também é utilizada para 
a predição de acontecimentos e comportamentos. 
Dentre os aspectos formais que compõem a injunção, destacam-se: 
 predomínio de verbos no infinitivo, imperativo e futuro do presente;
 encadeamento sequencial das ações prescritas;
 linguagem objetiva e simples.
É o tipo predominante nos seguintes gêneros: ordens, pedidos, súplica, desejo, manuais e 
instruções para montagem ou uso de aparelhos e instrumentos, textos com regras de 
comportamento, textos de orientação (ex: recomendações de trânsito), receitas, cartões com 
votos e desejos (de natal, aniversário, etc.), previsões do tempo, bula de remédio, etc. 
Observe como os tipos textuais mesclam-se em um mesmo texto 
O jogo de Damas 
Jogadores - 2. 
Peças - 24 peças, 12 brancas e 12 pretas. 
Tabuleiro - tabuleiro de 64 casas, claras e escuras. 
Distribuição - 12 peças da mesma cor para cada jogador, posicionadas nas casas escuras, ocupando as 
três linhas mais próximas de cada jogador. 
 DESCRIÇÃO
Objetivo - Capturar todas as peças do oponente ou deixá-lo impossibilitado de mover. 
Definições 
Dama - a peça coroada após parar na última linha do tabuleiro. A dama fica com uma peça da mesma cor 
em cima para representá-la. 
Grande diagonal - a maior linha formada diagonalmente pelas casas escuras. 
Lance - o deslocamento de uma peça para outra casa. 
Captura - um lance onde uma peça passa por cima de uma peça adversária que está entre a sua casa e a 
sua casa de destino. 
Tomada em cadeia - um lance onde uma peça captura duas ou mais peças sucessivamente. 
 EXPOSIÇÃO
O Jogo 
O tabuleiro deve ser posicionado de modo que a grande diagonal comece do lado esquerdo de cada 
jogador. Assim, a primeira casa à esquerda de cada jogador será preta. O jogador que estiver jogando 
com as peças brancas começa o jogo, podendo dar o primeiro lance. A seguir, os jogadores alternam 
jogadas até o fim do jogo. As peças comuns só podem se movimentar para a frente, para uma casa preta 
livre na próxima linha, diagonal à sua casa atual. As damas podem ser movimentar em diagonal para 
frente e para trás para qualquer casa livre, desde que o caminho esteja livre. O jogo termina quando todas 
as peças de um jogador forem capturadas ou quando este não puder mais fazer nenhum lance válido. 
Captura 
A captura das peças é obrigatória, ou seja, se na vez de um jogador ele puder capturar uma peça 
adversária, ele deve fazê-lo. Quando tiverem duas ou mais capturas possíveis, o jogador deve realizar o 
lance onde houver o maior número de capturas. Em caso de equivalência, o jogador pode escolher qual 
das capturas vai fazer. As peças comuns só podem capturar para frente e para trás peças adversárias 
adjacentes às suas. As damas podem capturar peças distantes na sua diagonal, desde que o caminho 
entre a dama e a peça capturada esteja livre, e o caminho entre a peça capturada e a casa de destino da 
dama esteja também livre. Quando uma captura é realizada, a peça capturada é removida do tabuleiro, 
ficando em poder do jogador que a capturou. Quando uma peça faz uma captura e fica numa posição 
onde é possível fazer outra captura, ela deve fazê-la na mesma jogada, realizando uma tomada em 
cadeia. A peça deve fazer isso até que não seja mais possível capturar peça alguma neste lance. 
Regra de Empate 
A partir de qualquer ponto da partida se ocorrerem 20 (vinte) lances sucessivos de Damas, sem captura ou 
movimento de peças comuns. 
Se uma mesma posição se produzir pela terceira vez, cabendo ao mesmo jogador o lance será 
considerado um empate. 
Se um jogador possuir três damas contra uma dama do outro jogador, será considerado empate se o 
jogador com o maior número de peças não conseguir obter vitória em vinte lances. 
 INJUNÇÃO
TEXTO EXPOSITIVO 
A exposição tem por objetivo expor conceitos, desenvolver, explicar um assunto ou uma 
determinada situação. Ela deve ser feita de modo que o alocutário seja capaz de significar o 
enunciado e para isso é necessário que: 1) a linguagem seja clara; 2) se considere os 
conhecimentos prévios do alocutário acerca do que se apresenta; 3) o detalhamento minucioso 
acerca do que se expõe, uma vez que texto expositivo deve ser abrangente de modo a ser significado 
por diferentes interlocutores. Para esse detalhamento, o autor pode utilizar-se de recursos, tais 
como instrução, informação, definição, enumeração, comparação e o contraste. Evidencia-se que 
esta tipologia limita-se à apresentação de algo sem que haja a intenção de inserir considerações 
pessoais acerca do que se expõe. 
Dentre os aspectos formais destacam-se 
 os tempos verbais são os do mundo comentado;
 os conectores, predominantemente, do tipo lógico.
É o tipo predominante nos seguintes gêneros: artigo enciclopédico, conferência, palestra, relatório 
científico, textos que compõem os livros escolares, conferência, exposição oral, palestra, relatório 
científico, etc. 
Exemplo 
GÊNERO TEXTUAL E TIPOLOGIA TEXTUAL: COLOCAÇÕES SOB DOIS ENFOQUES TEÓRICOS
Sílvio Ribeiro da Silva
A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu entender, importante para direcionar o 
trabalho do professor de língua na leitura, compreensão e produção de textos[1] . O que pretendemos neste pequeno 
ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero Textual e Tipologia Textual, usando, para isso, as 
considerações feitas por Marcuschi (2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis para o 
termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas considerações a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela 
tipologia.
Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreensão e a produção escrita em Língua 
Materna deve ter como meta primordial o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha 
capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para produzir efeitos de sentido de forma 
adequada a cada situação específica de interação humana.
Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na escola a partir da abordagem do Gênero 
Textual [2] . Marcuschi não demonstra favorabilidade ao trabalho com aTipologia Textual, uma vez que, para ele, o 
trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez que não é possível, por exemplo, ensinar 
narrativa em geral, porque, embora possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se concretizam 
em formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças específicas.
Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG) defendem o trabalho com a Tipologia 
Textual. Para o autor, sendo os textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferentes modos 
de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os diferentes tipos de texto é fundamentalpara o 
desenvolvimento da competência comunicativa. De acordo com as idéias do autor, cada tipo de texto é apropriado 
para um tipo de interação específica. Deixar o aluno restrito a apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só 
tenha recursos para atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se incapaz, ou pouco capaz, em outros. 
Certamente, o professor teria que fazer uma espécie de levantamento de quais tipos seriam mais necessários para 
os alunos, para, a partir daí, iniciar o trabalho com esses tipos mais necessários.
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http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftn2
Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivocada, o termo tipo de texto. Na verdade, 
para ele, não se trata de tipo de texto, mas de gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a carta 
pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual.
O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo, muitas das vezes, o mesmo gênero 
sendo realizado em dois ou mais tipos. Ele apresenta uma carta pessoal [3]como exemplo, e comenta que ela pode 
apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e argumentação. Ele chama essa miscelânea de 
tipos presentes em um gênero de heterogeneidade tipológica.
Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente são encontrados tipos puros. 
Realmente é raro um tipo puro. Num texto como a bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é 
um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descrição, a injunção e a predição [4] . Travaglia 
afirma que um texto se define como de um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de interlocução 
que se pretende estabelecer e que se estabelece, e não em função do espaço ocupado por um tipo na constituição 
desse texto.
Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero mas ter sido construído em outro, 
Marcuschi dá o nome de intertextualidade intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu no 
texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamente híbrida, sendo que um gênero assume a 
função de outro.
Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de um intercâmbio de tipos. Explicando, ele 
afirma que um tipo pode ser usado no lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido impossíveis, na 
opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar, ele fala de descrições e comentários dissertativos feitos por 
meio da narração.
Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teórica:
a) intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro
b) heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários tipos
Travaglia mostra o seguinte:
a) conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos
b) intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro
Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gêneros não são entidades naturais, mas
artefatos culturais construídos historicamente pelo ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma determinada 
propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. Para exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. 
Mesmo que o autor da carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo carta, graças as suas 
propriedades necessárias e suficientes [5] . Ele diz, ainda, que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou 
de uma lista de produtos em oferta. O que importa é que esteja fazendo divulgação de produtos, estimulando a 
compra por parte de clientes ou usuários daquele produto.
Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado para designar uma espécie de seqüência 
teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abrangem as 
categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injunção (Swales, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 
1999). Segundo ele, o termo Tipologia Textual é usado para designar uma espécie de seqüência teoricamente 
definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações 
lógicas) (p. 22).
Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os textos materializados encontrados no dia-
a-dia e que apresentam características sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades funcionais, 
estilo e composição característica.
Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um modo de interação, uma maneira de 
interlocução, segundo perspectivas que podem variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar ligadas ao 
produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao fazer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção 
destes no tempo e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada pela imagem que o 
mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou não com o que ele diz. Surge, assim, o discurso da 
transformação, quando o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com ele. Se o produtor vir o receptor 
como alguém que concorda com ele, surge o discurso da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia, uma 
perspectiva em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer. Da mesma forma, é possível encontrar a 
perspectiva dada pela atitude comunicativa de comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das perspectivas 
apresentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a primeira perspectiva faz surgir os tipos descrição, 
dissertação, injunção e narração. A segunda perspectiva faz com que surja o tipo argumentativo stricto 
sensu [6] e não argumentativo stricto sensu. A perspectiva da antecipação faz surgir o tipo preditivo. A do 
comprometimento dá origem a textos do mundo comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não 
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comprometimento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado seriam enquadrados, de maneira geral, no 
tipo narração. Já os do mundo comentado ficariam no tipo dissertação.
Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma função social específica. Para ele, estas 
funções sociais são pressentidas e vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente, sabemos que 
gênero usar em momentos específicos de interação, de acordo com a função social dele. Quando vamos escrever 
um e-mail, sabemos que ele pode apresentar características que farão com que ele ―funcione‖ de maneira diferente. 
Assim, escrever um e-mail para um amigo não é o mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo 
informações sobre um concurso público, por exemplo.
Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece que ele diferencia Tipologia 
Textual de Gênero Textual a partir dessa ―qualidade‖ que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu 
gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer?
Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta sua função social. Os exemplos que ele 
traz são telefonema, sermão, romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, etc.
Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o que, na sua opinião, seria a função 
social básica comum a cada um: aviso, comunicado, edital, informação, informe, citação (todos com a função social 
de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-mail entrariam nessa lista, levando em 
consideração que o aviso pode ser dado sob a forma de uma carta, e-mail ou ofício. Elecontinua exemplificando 
apresentando a petição, o memorial, o requerimento, o abaixo assinado (com a função social de pedir, solicitar). 
Continuo colocando a carta, o e-mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e voto são exemplos 
com a função de prometer. Para mim o voto não teria essa função de prometer. Mas a função de confirmar a 
promessa de dar o voto a alguém. Quando alguém vota, não promete nada, confirma a promessa de votar que pode 
ter sido feita a um candidato.
Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colocarei todos. É bom notar que os exemplos 
dados por ele, mesmo os que não foram mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele não apresenta 
exemplos de gêneros que tenham uma função social menos rígida, como o bilhete.
Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi [7] é a de Espécie. Para ele, Espécie se 
define e se caracteriza por aspectos formais de estrutura e de superfície lingüística e/ou aspectos de conteúdo. Ele 
exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo narrativo: a história e a não-história. Ainda do 
tipo narrativo, ele apresenta as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele mostra 
as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele 
apresenta a correspondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No gênero romance, ele mostra 
as Espécies romance histórico, regionalista, fantástico, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que 
ponto a Espécie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é possível especificar todas elas? 
Talvez seja difícil até mesmo porque não é fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes.
Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Marcuschi, o oposto também acontece. Este 
autor discute o conceito de Domínio Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes esferas da 
atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo informa, esses domínios não seriam nem textos nem 
discursos, mas dariam origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas dentro das quais seria 
possível a identificação de um conjunto de gêneros que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas 
comunicativas institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso jornalístico, discurso jurídico e discurso 
religioso. Cada uma dessas atividades, jornalística, jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas 
origina vários deles.
Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Marcuschi. Ele cita esses discursos quando 
discute o que é para ele tipologia de discurso. Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as tipologias de 
discurso usarão critérios ligados às condições de produção dos discursos e às diversas formações discursivas em 
que podem estar inseridos (Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que uma tipologia de 
discurso usaria critérios ligados à referência (institucional (discurso político, religioso, jurídico), ideológica (discurso 
petista, de direita, de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso médico, lingüístico, filosófico, etc), à inter-
relação entre elementos da exterioridade (discurso autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma 
tipologia do discurso.
Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando falam que texto e discurso não devem ser 
encarados como iguais. Marcuschi considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente e 
corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). Discurso para ele é aquilo que um texto produz ao se 
manifestar em alguma instância discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera 
o discurso como a própria atividade comunicativa, a própria atividade produtora de sentidos para a interação
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftn7
comunicativa, regulada por uma exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é o resultado dessa atividade 
comunicativa. O texto, para ele, é visto como
uma unidade linguística concreta que é tomada pelos usuários da língua em uma situação de interação comunicativa 
específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e 
reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).
Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que sua preocupação é com a tipologia de 
textos, e não de discursos. Marcuschi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais operacional do 
que formal.
Travaglia faz uma ―tipologização‖ dos termos Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie. Ele chama esses 
elementos de Tipelementos. Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos (Gênero 
Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção das tipologias e talvez dos textos, numa espécie 
de analogia com os elementos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza.
Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões feitas por Marcuschi, em defesa da 
abordagem textual a partir dos Gêneros Textuais, estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho 
com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a língua em seus mais diversos usos autênticos no dia-a-
dia. Cita o PCN, dizendo que ele apresenta a idéia básica de que um maior conhecimento do funcionamento 
dos Gêneros Textuais é importante para a produção e para a compreensão de textos. Travaglia não faz abordagens 
específicas ligadas à questão do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual.
O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipologia Textual, independente de estar 
ligada ao ensino. Sua abordagem parece ser mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que entram na 
composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão dos elementos tipológicos e suas implicações com o 
ensino/aprendizagem merece maiores discussões.
Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais ideais para o ensino de língua. Ele afirma 
que é possível a identificação de gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais formal, do 
mais privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros devem passar por um processo de progressão, 
conforme sugerem Schneuwly & Dolz (2004).
Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com a Tipologia Textual e o ensino. Acredito 
que um trabalho com a tipologia teria que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de texto deve-se 
trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com quais será feito um trabalho mais detido. Acho que a 
escolha pelo tipo, caso seja considerada a ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fatores, porém dois 
são mais pertinentes:
a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composição de quaisquer outros textos (não sei ao certo
se isso é possível. Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê ao aluno o preparo ideal para lidar
com o tipo dissertativo, e vice-versa. Um aluno que para de estudar na 5ª série e não volta mais à escola teria
convivido muito mais com o tipo narrativo, sendo esse o mais trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado
para produzir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com o tipo narrativo, por exemplo, o aluno,
de certa forma, não deixa de trabalhar com os outros tipos?);
b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida.
Acho que vale à pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gênero Textual na escola, embora saiba que 
todo gênero realiza necessariamente uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-se em algum 
gênerotextual.
Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era feito como um procedimento único e 
global, como se todos os tipos de texto fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por isso, 
não exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de redação, ainda hoje muito praticada nas escolas 
brasileiras – que consiste fundamentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por base uma 
concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a formação de escritores literários (caso o aluno se 
aprimore nas duas primeiras modalidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da terceira modalidade) 
(Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda em si uma visão equivocada de que narrar e descrever seriam 
ações mais ―fáceis‖ do que dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual esta última tenha sido 
reservada às séries terminais - tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.
O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto pela perspectiva dos gêneros 
reposiciona o verdadeiro papel do professor de Língua Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em 
textos literários ou científicos, distantes da realidade e da prática textual do aluno, mas como um especialista nas 
diferentes modalidades textuais, orais e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é transformado 
numa verdadeira oficina de textos de ação social, o que é viabilizado e concretizado pela adoção de algumas 
estratégias, como enviar uma carta para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a alguém, enviar uma 
carta de solicitação a um secretário da prefeitura, realizar uma entrevista, etc. Essas atividades, além de diversificar e 
concretizar os leitores das produções (que agora deixam de ser apenas ―leitores visuais‖), permitem também a 
participação direta de todos os alunos e eventualmente de pessoas que fazem parte de suas relações familiares e 
sociais. A avaliação dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literários ou gramaticais e 
desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é aquele que apresenta, ou só apresenta, características 
literárias, mas aquele que é adequado à situação comunicacional para a qual foi produzido, ou seja, se a escolha do 
gênero, se a estrutura, o conteúdo, o estilo e o nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a 
finalidade do texto.
Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a oportunidade de se apropriar 
devidamente de diferentes Gêneros Textuais socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia-a-dia da 
interação humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da sua constituição como sujeito. A 
atividade com a língua, assim, favoreceria o exercício da interação humana, da participação social dentro de uma 
sociedade letrada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ADAM, J. M. (1990). Élements de linguistique textuelle. Theorie et pratique de l’analyse. Liège, Mardaga.
ANTUNES, I. (2004). Aula de português: encontros e interação. São Paulo: Parábola.
BRONCKART, J.-P. (1999). Atividades de linguagem, textos e discursos. Por um interacionismo sócio-discursivo. São 
Paulo: Editora da PUC/SP.
FÁVERO, L. L. & KOCH, I. V. (1987). ―Contribuição a uma tipologia textual‖. In Letras & Letras. Vol. 03, nº 01. 
Uberlândia: Editora da Universidade Federal de Uberlândia. pp. 3-10.
MARCUSCHI, L. A. (2002). ―Gêneros textuais: definição e funcionalidade‖ In DIONÍSIO, Â. et al. Gêneros textuais e 
ensino. Rio de Janeiro: Lucerna.
SCHNEUWLY, B. & DOLZ, J. (2004). Gêneros orais e escritos na escola. Campinas: Mercado de Letras
SWALES, J. M. (1990). Genre analysis. English in academic and research settings. Cambridge: Cambridge University 
Press.
TRAVAGLIA, L. C. (1991). Um estudo textual-discursivo do verbo no português. Campinas, Tese de Doutorado / IEL / 
UNICAMP, 1991. 330 + 124 pp.
___ (2002). Tipelementos e a construção de uma teoria tipológica geral de textos. Mimeo.
WEIRINCH, H. (1968). Estrutura e función de los tiempos em el lenguaje. Madrid: Gredos.
[1] Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gênero ou com o tipo ele acaba não tendo uma
maneira muito clara para selecionar os textos com os quais trabalhará.
[2] Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pouco a diferença entre Gênero Textual e Gênero
Discursivo.
[3] Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente descritiva, ou dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa,
ou argumentativa. Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto, caracterizado como carta, apenas com
descrições, ou apenas com injunções. Por outro lado, meio que contrariando o que acabara de afirmar, ele diz
desconhecer um gênero necessariamente descritivo.
[4] Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem previsão, como o boletim meteorológico e o
horóscopo.
[5] Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma carta.
[6] Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o que faz argumentação explícita.
[7] Pelo menos nos textos aos quais tive acesso.
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm.Acesso em 20 jan. 2014. 
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref1
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref2
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref3
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref4
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref5
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref6
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm#_ftnref7
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003.htm.Acesso
TEXTO ARGUMENTATIVO 
A argumentação é utilizada para que o enunciador expresse o que pensa e os motivos que tem 
para pensar de tal forma, com finalidade de persuadir o alocutário. Este tipo textual decorre da 
análise, interpretação, avaliação de dados da realidade, e a postura crítica em relação ao que se 
discute tem grande importância. Tem por base a argumentação, apresentada de forma lógica e 
coerente a fim de defender um ponto de vista e exige do autor amplo conhecimento de mundo 
como também um bom domínio do registro padrão oral e escrito. 
Estrutura-se da seguinte forma: 
Introdução, em que o leitor é situado quanto à ideia a ser defendida.
Desenvolvimento, no qual se apresentam os argumentos devidamente fundamentados por
meio de comparações, citações, dados estatísticos, alusão histórica, dentre outras estratégias
argumentativas.
Conclusão, em que se reafirma o ponto de vista apresentado na introdução, considerando-se
os argumentos apresentados no desenvolvimento.
Dentre as características do texto argumentativo, destacam-se: 
 uso linguagem predominantemente denotativa;
 ideologia com base em argumentos e/ou contra-argumentos;
 predomínio de operadores argumentativos e modalizadores, que indicam carga ideológica;
 a expressão das ideias, valores, crenças de modo claro;
objetividade, a fim de conferir ao texto um valor universal. Para isso, evita-se o uso da 1ª
pessoa, já que a 3ª confere ao texto maior carga argumentativa, uma vez que, neste foco
narrativo, se passa a ideia de que o ponto de vista defendido não decorre de uma única pessoa,
mas de uma parcela da sociedade;
 o tempo explorado é o presente no seu valor atemporal;
É tipo predominante nos seguintes gêneros: sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, 
ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais e revistas, carta aberta, carta de reclamação, debate 
regrado, discurso de acusação e defesa, editorial, artigo de opinião, resenha, etc. 
Nos exemplos a seguir, destacamos em azul, a introdução, em verde, o desenvolvimento, e em 
preto a conclusão. Identifique,em cada um deles, o ponto de vista enunciado, os argumentos e 
as estratégias argumentativa. Verifique também se a conclusão está coerente ao ponto de vista e 
aos argumentos acionados pelo autor. 
Exemplo 1 
"Rolezinhos" em shoppings devem ser coibidos? Não 
TATIANA IVANOVICI 
ESPECIAL PARA A FOLHA 
18/01/2014 03h00 
UM BOM NEGÓCIO 
No país da ascensão econômica, o "rolezinho" é uma oportunidade de negócios mal aproveitada. 
Enquanto se gasta dinheiro com mídia para atingir consumidores, o "rolezinho", se transformado em um evento 
cultural, economizaria esforços. Seus organizadores nada mais são que formadores de opinião. O público-alvo, os 
participantes, já estão reunidos e, não à toa, durante as férias escolares. O que nos impede de criar ações para 
ensinar esses jovens a produzir um evento, a montar um projeto e apresentar aos donos dos shoppings? 
Se as classes populares são formadas sobretudo por negros, como se pode reprimir a estética dessas pessoas? O 
nosso povo consome, e já faz tempo, a sua própria cultura, criada de dentro para fora das periferias –os saraus, o 
futebol de várzea, o samba, o rap, o funk, etc. 
Os jovens vão ao shopping porque aprenderam que lazer é consumo. Mas um país não sobrevive só de consumo. É 
preciso educação e preparo para lidar com o dinheiro. As quebradas já entenderam isso e estão buscando o estudo, 
os cursinhos. Mas a educação formal não acompanha essas mudanças, não dialoga com o universo dos jovens da 
periferia, não ensina como é gostoso o sentimento de vitória. 
No Brasil da economia emergente, falar de dinheiro é mais tabu do que falar de sexo. 
Uma marca associada ao "rolezinho" conquistaria milhares de pessoas simplesmente por visar o crescimento 
humano, o bem coletivo. Isso é o negócio social, é o progresso compartilhado. Todos ganham: povo, empresas, 
poder público. 
A massa prefere o que exalta a gente renegada. Gosta dos estilos musicais que possuem características negras. O 
funk, por exemplo, estourou no Brasil com o tamborzão: batida eletrônica criada com percussão de candomblé e 
capoeira. 
Mas, infelizmente, o Brasil é o país do racismo velado. Pergunte-se quantos negros trabalham na mesma empresa 
que você. Todos os movimentos culturais negros foram reprimidos. Até 70 anos atrás, um negro que andasse na rua 
com um pandeiro debaixo do braço era preso. 
Existem muitos eventos que podem ser potencializados nas periferias. Atualmente, muitos jovens das classes A e B 
querem ir para a quebrada curtir um samba. A periferia é "hype", lança tendências e gírias que chegam aos Jardins. 
O "rolê" não está ligado apenas à falta de lazer, mas também à falta de mobilidade entre a periferia e o centro 
expandido de São Paulo. 
Só quem vem do sofrimento sabe o que significa não ter opção. Vive-se num limbo. É um esforço quase sobre-
humano se destacar: você começa a vida dez anos atrás de quem teve educação. Quem vem da quebrada não 
ganhou mesada, não foi treinado para se comportar no mundo. A invisibilidade é o motor propulsor do "rolezinho", 
que é um pedido de socorro: estamos aqui e queremos oportunidades. 
A proibição do "rolezinho" só marginaliza nossa juventude. Aliás, quais são os critérios para enquadrar seus 
participantes? A aparência e a cor da pele? E mais, quem será o responsável por definir quem deveria e quem não 
deveria ser barrado nas entradas dos shoppings? E se os encontros fossem marcados por jovens brancos das 
classes A e B? Quais seriam os critérios? A cor da pele? 
A minha atitude tem reflexo na sua vida, caro leitor, e vice-versa, pois nós compartilhamos a cidade, as ruas, os 
shoppings. Precisamos de autoanálise, urgentemente. 
Ser honesto é pressuposto, não é mérito. Precisamos encarar os problemas com tolerância para acharmos soluções 
em conjunto. Essa juventude é, no limite, uma imensa força de trabalho que, se direcionada, vai mudar o Brasil. 
TATIANA IVANOVICI, 35, empreendedora e jornalista, é diretora da rede DoLadodeCá (www.doladodeca.com.br), 
plataforma de comunicação popular 
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao. Acesso em 20 jan. 2014. 
* 
http://www1.folha.uol.com.br/opiniao
Exemplo 2 
"Rolezinhos" em shoppings devem ser coibidos? Sim 
ANDREA MATARAZZO 
ESPECIAL PARA A FOLHA 
18/01/2014 03h00 
O SEU, O MEU, O NOSSO "ROLEZINHO" 
Os "rolezinhos" tornaram-se o assunto deste verão. Os encontros de um número expressivo de jovens em shoppings 
de São Paulo são considerados por muitos como uma espécie de continuação das manifestações de desencanto e 
indignação de junho passado. 
Há, de fato, aspectos em comum. Como as passeatas a céu aberto contra a péssima gestão do Estado brasileiro, os 
"rolezinhos" reúnem participantes que marcam o encontro previamente pelas redes sociais. 
Em ambos, grupos oportunistas de vários matizes ideológicos procuram pegar carona na notoriedade desses 
movimentos. 
No caso dos "rolezinhos", comerciantes e frequentadores dos shoppings e, depois, a sociedade foram pegos de 
surpresa. Pois, assim como as manifestações de inverno, a moda do verão surgiu inesperadamente e se tornou o 
tema predominante das últimas semanas. 
Mas há diferenças que não podem ser desprezadas. O rastilho de pólvora das manifestações foi o aumento do preço 
do transporte urbano e, depois, o movimento ganhou corpo com outras reclamações difusas. Não há, no caso atual, 
um discurso unificado de reivindicações. Não há nem sequer uma reivindicação expressamente declarada. 
Recentemente, jovens marcaram um "rolê" em Itaquera a pretexto de diversão. Houve reação dos proprietários de 
shoppings e das autoridades. Isso acendeu o debate com vezos políticos e ideológicos. 
Muitos a favor, muitos contra. A sensação que fica é que apoiar os "rolês" é de esquerda e condená-los é de direita. 
Isso é ridículo, pois interdita o debate, não traz solução. 
Aliás, é o que vem ocorrendo em diversas frentes: o debate morre, reduzido a ideologia de almanaque ou a meras 
disputas entre quem é o "bonzinho" e quem é o "mauzinho". 
Não faz sentido ideologizar ou politizar os "rolezinhos". Ser ou não ser politicamente correto não é nem deve ser a 
questão. O que temos de defender é a integridade física das pessoas que frequentam locais públicos ou privados de 
uso coletivo. 
Também não se pode deixar de lado evidências como o fato de que grupos de mil jovens ou mais 
(independentemente da classe social, credo ou bairro) em espaços inadequados podem provocar se não 
depredações e agressões, como já ocorreu, sustos, correrias e atropelos. 
A sociedade demanda códigos e padrões de comportamento para que os direitos de todos sejam assegurados. Da 
mesma forma que não se deve andar de skate em hospitais nem conversar durante um espetáculo, não é aceitável 
superlotar casas de eventos para não se repetirem tragédias como a da boate Kiss. Em recintos fechados, não é 
razoável dar margem a tumultos que ponham em risco a segurança das pessoas. 
A liberdade de marcar encontros pela internet é uma novidade que demanda cuidados. Uma chamada pode reunir 20 
ou 20 mil pessoas. Como controlar uma multidão sem um mínimo de planejamento e organização? Em São Paulo, 
qualquer evento que reúna determinada quantidade de pessoas, por lei, exige ação da CET (Companhia de 
Engenharia de Tráfego), do Corpo de Bombeiros, do Samu (Serviço Atendimento Médico de Urgência) e da Polícia 
Militar. 
Eventos sem as medidas de cautela necessárias podem provocar desastres. Como esvaziar um shopping lotado em 
caso de incêndio? Em caso de tumulto, como evitar acidentes com pessoas mais velhas ou com alguma deficiência? 
Como proteger as crianças? Como prevenção, é preciso, com bom senso, coibir aglomerações e correrias em 
qualquer local sem a estrutura necessária. 
Ou seja: seu "rolezinho" termina onde começa o do outro, pois a liberdade de cada cidadão é delimitada pela dos 
demais. 
ANDREA MATARAZZO é vereador (PSDB-SP). Foi secretário municipal de Serviços e de Subprefeituras (gestão José Serra/GilbertoKassab) e secretário estadual da Cultura (gestão Geraldo Alckmin) de SP 
esso em 20 jan. 2014.
DIALOGAL / CONVERSACIONAL 
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. 
É o tipo predominante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc. 
http://www.e17.com.br/conteudo/papoidiota/uma-conversa-de-telefone-mostra-que-tudo-pode-mudar-dependendo-da-ocasiao.html. 
Acesso em 20 dez. 2014. 
http://www.e17.com.br/conteudo/papoidiota/uma-conversa-de-telefone-mostra-que-tudo-pode-mudar-dependendo-da-ocasiao.html
http://www.educarbrasil.org.br
OBSERVAÇÃO 
Dado o caráter dinâmico de que se reveste a linguagem, dificilmente, o texto apresentar-se-á em 
uma tipologia pura: é recorrente a coexistência de tipologias em um mesmo texto. Algumas 
vezes, uma estará a serviço de outra. É recorrente, por exemplo, em textos literários, 
predominantemente narrativos, o uso da descrição na construção do tempo, espaço ou 
personagens; a descrição com fins argumentativos, como ocorre em textos propagandísticos, que 
têm caráter argumentativo; dentre outras possibilidades. 
CONCORDÂNCIA VERBAL E 
CONCORDÂNCIA NOMINAL 
Concordância Verbal 
• Caso Geral: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Os verbos concordam com os sujeitos em número e pessoa. 
Casos especiais: 
 
 
• Sujeito pronome de tratamento – Quando o sujeito for um 
pronome de tratamento, embora todos os pronomes desse tipo 
se refiram à 2ª pessoa, o verbo fica na 3ª pessoa: 
 
 
 
 
 
Sujeito Simples I: 
O verbo ficará no singular nos seguintes casos: 
 Quando o sujeito for representado por um substantivo coletivo. 
O batalhão perfilou-se diante do comandante. (3ª p. s.) 
 
 Se o sujeito for representado pela expressão “mais de um”. 
Mais de um reservou lugar na primeira fila. (3ª p. s.) 
 
Atenção: Se o verbo expressar reciprocidade, ficará no plural. 
Mais de um político cumprimentaram-se. 
 
 Se o sujeito for a locução “um ou outro”. 
Um ou outro fará o levantamento das despesas. (3ª p. s.) 
 
 Se o sujeito for representado pelas locuções partitivas: “a maioria”, “a maior parte”, “o menor número”, “grande 
quantidade”, etc., seguidas de substantivos no plural, o verbo poderá ficar no singular ou plural. 
A maioria das lojas estava fechada. (3ª p. s.) 
A maioria das lojas estavam fechadas. (3ª p. p.) 
Sujeito simples II: 
O verbo irá para o plural nos seguintes casos: 
Se o sujeito for representado pela expressão “um dos que” 
Ele foi um dos colegas que mais me apoiaram. (3ª p. p.) 
 
Atenção: Quando se quer destacar o indivíduo dentro do grupo, emprega-se o 
verbo no singular: 
A professora foi uma das pessoas que me incentivou. (3ª p. s.) 
 
Se o sujeito for representado por nomes próprios no plural, antecedidos de 
artigo. 
Os Estados Unidos investem bastante em tecnologia. (3ª p. p.) 
Minas Gerais produz muita soja no cerrado. (3ª p. s.) (sem artigo) 
 Se o sujeito for representado por pronomes interrogativos ou indefinidos no plural, seguido dos 
pronomes pessoais nós ou vós, a concordância se faz com os pronomes interrogativos ou com os 
pronomes pessoais. 
Quais de nós agiram com justiça. (ou agimos) 
Alguns de vós concluirão o curso. (ou concluireis) 
 
Atenção: o verbo ficará no singular se o pronome estiver no singular. 
Qual de vós deseja um táxi? 
Nenhum de nós acredita em discos voadores. 
 
 
 Se o sujeito for formado por núcleos ligados pela preposição “com”. 
O presidente com os ministros reúnem-se no Palácio da Alvorada. 
 
Atenção: o verbo ficará no singular quando se quiser realçar o primeiro elemento do sujeito. 
O promotor com o advogado dirigiu-se à presença do juiz. 
 
Sujeito Composto I 
Com o sujeito composto, o verbo ficará no plural nos seguintes casos: 
Se o sujeito composto estiver antes do verbo. 
Os jogadores e a torcida abraçaram-se no campo. (3ª p. p.) 
 
Se o sujeito composto vier depois do verbo, este concordará com todos (no plural) ou com o 
núcleo mais próximo (no singular) 
Voltaram ao hotel o turista e a polícia. (3ª p. p.) 
Voltou ao hotel o turista e a polícia. (3ª p. s.) 
 
Caso o sujeito composto seja formado por pessoas gramaticais diferentes, o verbo ficará no 
plural. Se houver 1ª pessoa (eu/nós), ela prevalecerá sobre as outras; havendo 2ª (tu/vós) e 
3ª (ele/eles), o verbo pode ficar na 2ª ou na 3ª pessoa. 
Eu, tu e eles faremos a pesquisa amanhã. (1ª p. p.) 
Tu e ela reivindicais justos direitos. (ou reivindicam – 3ª p. p.)) 
 
 
 
Quando os núcleos do sujeito forem ligados pela conjunção “ou” ou pela conjunção “nem” 
e não houver ideia de exclusão ou isolamento de nenhum dos núcleos. 
Ou eu ou você participaremos da eleição. (1ª p. p.) 
Ou ela ou você organizarão a festa. (3ª p. p) 
Nem eu nem você conseguimos o empréstimo. (1ª p. p.) 
Nem Drummond nem Bandeira perderam seu valor. (3ª p. p.) 
 
Atenção: Com ideia de exclusão o verbo fica no singular. 
Hugo ou Carlos será o orador da turma. (3ª p. s.) 
Ele ou tu carregarás a tocha olímpica. (2ª p. s.) 
Nem um nem outro fez o gol da vitória. (3ª p. s.) 
Nem Júlio nem Cláudia ocupou a chefia. (3ª p. s.) 
 
Quando os núcleos são ligados pelas conjunções: “não só...mas também”, “tanto...como”, 
etc. emprega-se o verbo no plural. 
Não só Lígia mas também Wagner beneficiaram-se com as mudanças. 
Tanto ele como eu nos saímos bem no exame. 
Sujeito composto II 
Com o sujeito composto, o verbo ficará no singular nos seguintes casos: 
 
Se o sujeito for uma sequência de palavras resumidas por pronomes indefinidos 
(tudo, nada, ninguém, etc.), pois concordará com o pronome. 
Casa, água, comida e carinho, nada fez o pardalzinho feliz. 
Prédios, árvores, postes, tudo a tempestade derrubou. 
 
Se o sujeito for formado por palavras sinônimas ou quase sinônimas. 
Muita raiva e indignação dominava seus gestos. 
 
Se o sujeito for representado por verbos no infinitivo, empregados de forma 
genérica. 
Viajar e passear constitui seu ideal de vida. 
 
Atenção: se o infinitivo estiver precedido de artigo (substantivado) o verbo ficará 
no plural. 
O ganhar e o perder fazem parte de nossa vida. 
 
Sujeito composto III 
Quando o sujeito composto é representado por uma gradação de ideias, o verbo poderá ficar 
no singular ou plural. 
Sua desconfiança, seu ciúme, sua mágoa abalou o relacionamento. (ou abalaram) 
 
Sujeito pronome relativo “que” 
Quando o sujeito for o pronome relativo “que”, o verbo concordará com o antecedente desse 
pronome. 
Na verdade sou eu que pago as despesas. 
És tu que pintas estes quadros? 
Serão estes jogadores que receberão a taça. 
 
Atenção: cuidado com a concordância da expressão expletiva (realce) “é que”: se o sujeito 
não aparece entre “é” e “que”, a expressão fica invariável; se o sujeito aparece, ela varia. 
É contra as injustiças que eles se voltam. (fora) 
São eles que se voltam contra as injustiças. (entre) 
Sujeito pronome relativo “quem” 
Quando o sujeito for expresso pelo pronome relativo “quem”, o verbo 
ficará na 3ª p. s., ou concordará com o antecedente desse pronome. 
Fomos nós quem apresentou a proposta. (3ª p. s.) 
Fomos nós quem organizamos a entrevista. (antecedente – 1ª p. p.) 
 
Sujeito numeral fracionário 
 
Quando o sujeito é representado por numeral fracionário, o verbo 
concorda com o numerador. 
Só um quarto dos alunos foi aprovado. 
Quase dois terços da produção serão exportados este ano. 
Sujeito porcentagem 
Quando o sujeito é representado por porcentagem, o verbo concorda com aquilo que é 
expresso pela porcentagem. 
 
Cerca de 50% dos produtos importados ficaram presos na alfândega. 
Cerca de 50% da produção foi despachada. 
 
Atenção: no caso de 1%, o verbo fica sempre no singular. 
Somente 1% dos objetos roubados foi recuperado. 
 
Concordância do verbo parecer 
O verbo parecer seguido do infinitivo admite duas concordâncias – podemos flexioná-lo ou 
flexionar o infinitivo. 
Os turistas pareciam estar encantados com a cidade romana. 
Os jogadores parece driblarem os adversários com dificuldade. 
 
 
 
Concordância dos verboshaver e fazer 
Casos do verbo haver: 
 Com sentido de “existir” é impessoal e conjuga-se somente na 3ª p. s. 
Havia histórias estranhas sobre a mulher do sobrado. (existiam) 
Há pessoas bastante crédulas neste mundo! (existem) 
 
 Com o sentido de existir, formando locução verbal, transmite sua “impessoalidade” ao 
outro verbo, ficando ambos na 3ª pessoa do singular. 
Pode haver propostas mais interessantes. 
Deve haver melhores negociações este mês. 
Penso que vai haver eleições para a direção do clube. 
 
Atenção: o verbo “existir” é pessoal e, portanto, concorda com seu sujeito. Em locução 
verbal, o verbo que o acompanha é que concorda com o sujeito. 
Aqui perto existem bons restaurantes. 
Devem existir mais dois aprovados que não constam da lista. 
 
O verbo haver também é impessoal quando indica tempo decorrido. 
Há vários meses viajou para os exterior. (faz) 
 
O verbo haver, no sentido de ter, é pessoal e concorda com o sujeito. 
Nós havíamos obtido ótimos resultados com a pesquisa. (tínhamos) 
 
Atenção: na linguagem popular, é comum a substituição do verbo haver pelo 
verbo ter. 
Já tem passageiros demais no ônibus. (há) 
Quando saímos, ainda tinha três pessoas naquela sala. (havia) 
 
Nesse caso, o verbo “ter” mantém a impessoalidade do verbo “haver” 
Jamais se deve dizer: “Já tinham passageiros demais no ônibus” ou “ainda 
tinham três pessoas na sala”. 
Casos do verbo fazer: 
O verbo fazer, expressando tempo transcorrido, é impessoal e fica na 3ª p. s. 
Faz alguns anos que o nosso casamento acabou. (há) 
Fazia horas que o congestionamento prejudicava o fluxo. (havia) 
 
Como verbo pessoal, o verbo fazer concorda com o sujeito e significa “executar”. 
Os lavradores fazem muito por todos nós. 
Nas férias, nós fizemos belos passeios pelo lago. 
 
Atenção: os verbos impessoais que exprimem fenômenos da natureza, e são 
conjugados apenas na 3ª pessoa do singular, se empregados com sentido figurado 
tornam-se pessoais e concordam com seu sujeito. 
Choveu dias e dias na fazenda. (literal) 
Já madrugava quando ele chegou. (literal) 
As lojas amanheceram enfeitadas para o Natal. (figurado) 
Choviam insultos entre os torcedores, após o jogo. (figurado) 
Concordância do verbo na voz passiva 
Na voz passiva sintética ou pronominal, que é formada com o 
pronome apassivador “se”, o verbo concorda com o sujeito. 
Aceitam-se terra e tijolos. 
Aguarda-se o resultado do sorteio com ansiedade. 
Oferecem-se vagas para digitadores. 
 
Atenção: não confunda voz passiva sintética com sujeito 
indeterminado. As orações com sujeito indeterminado são formadas 
por verbo de ligação (VL), intransitivo (VI) ou transitivo indireto (VTI) 
+ o pronome “se”; nelas, o verbo fica sempre no singular. 
Era-se feliz com pouco. (VL) 
Nesta cidade vive-se bem. (VI) 
Precisa-se de costureiras. (VTI) 
Concordância dos verbos bater, soar e dar 
Na indicação das horas, esses verbos concordam com o 
numeral. 
Bateu uma hora no relógio da catedral. 
Bateram doze horas no relógio da catedral. 
Soavam cinco badaladas na matriz. 
Deu uma hora ainda há pouco. 
 
Quando o sujeito for determinado, entretanto, esses verbos 
concordam com esse sujeito. 
O relógio bateu doze badaladas. 
Os sinos deram uma hora. 
 
Concordância do verbo “ser” 
O verbo “ser” como verbo de ligação, concorda em geral com o sujeito; todavia, há 
casos em que ele pode concordar com o predicativo. 
 
 Se o sujeito for constituído pelos pronomes “tudo”, “isso”, ou “aquilo” e o predicativo 
estiver no plural, o verbo “ser” concordará normalmente com o predicativo. 
Tudo seriam lembranças passageiras. 
Aquilo eram fantasias da infância. 
 
 O verbo ser concorda com o sujeito quando este for representado por um nome 
próprio. 
Os miseráveis são uma famosa obra do escrito francês Vítor Hugo. 
 
 Se o sujeito se referir a “coisas” ou “objetos”, o verbo “ser” concordará, de 
preferência, com o predicativo. 
A tristeza são os dias perdidos da juventude. 
O banco eram duas tábuas estreitas e ásperas. 
 
 
 
 Quando se usam pronomes retos como sujeito, o verbo ser sempre concorda com 
eles. 
Ele é os pilares da nossa casa. 
O advogado aqui és tu. 
 
Atenção: quando há, na frase, dois pronomes retos, o verbo ser concorda com o 
primeiro. 
Eles não são nós, e nós não somos eles. 
 
 Quando o verbo “ser” expressa quantidade, concorda com o predicativo. 
Quinhentos gramas de azeitona é muito. 
Vinte e duas horas seria o tempo necessário. 
Dois reais era suficiente para a passagem. 
 
 Na indicação de horas, datas e distâncias, o verbo “ser” concorda com o numeral. 
Hoje são treze de maio. 
 
Atenção: pode-se concordar desta forma também – Hoje é dia treze de maio. 
Concordância ideológica ou silepse 
Silepse é a concordância feita com a ideia que está subentendida. A silepse pode ser de 
gênero, de número ou de pessoa. 
 
o Silepse de gênero 
Vossa Majestade é bastante magnânimo. (rei – 3ª p. s.) 
Parati pareceu-nos encantadora. (cidade – 3ª p. s.) 
 
o Silepse de número 
A multidão avançava pela praça, e cantavam o Hino Nacional. 
O sujeito do verbo cantar é o substantivo multidão; o verbo deveria estar no singular, mas, 
para realçar o número de pessoas, usou-se o plural. 
 
o Silepse de pessoa 
Os americanos temos umas das maiores economias do mundo. 
Concorda com o sujeito subentendido “nós”. 
 
 
Concordância Nominal 
• O adjetivo, o pronome, o artigo e o numeral concordam 
com o substantivo a que se referem em gênero e número. 
Trata-se da regra geral de concordância nominal. 
 Casos especiais: 
 
 Adjetivo anteposto – Se o adjetivo vier antes de dois ou mais substantivos, concordará 
com o mais próximo. 
Nova escola e professores terei este ano. 
Novos professores e escola terei este ano. 
 
 Adjetivo posposto – Se o adjetivo vier depois de dois ou mais substantivos, pode-se fazer 
a concordância de duas formas: 
 
I. Se os substantivos forem do mesmo gênero, o adjetivo poderá ficar nesse gênero, no 
plural, ou concordar com o mais próximo. 
 
O presidente recebeu o ministro e o secretário argentinos. (ou argentino) 
Mariana usava saia e blusa estampadas. (ou estampada) 
 
II. Se os substantivos forem de gêneros diferentes, o adjetivo ficará no masculino, 
flexionando-se apenas o número. 
 
Comprou na feira goiaba e caqui maduros. 
O garçom trouxe-nos o vinho e a laranja bem gelados. 
 
 
Adjetivo na função de predicativo do sujeito – Se o sujeito for 
composto, a concordância poderá obedecer duas regras: 
 
I. Quando o adjetivo vier depois dos substantivos, ficará no 
masculino plural, se os substantivos tiverem gêneros diferentes; 
caso contrário, ficará no gênero dos substantivos, no plural. 
A professora e o aluno chegaram apressados. (Gêneros diferentes) 
O dentista e o cliente estavam gripados. (Masculino) 
A telefonista e a secretária foram atenciosas. (Feminino) 
 
II. Quando o adjetivo vier antes de substantivos de gêneros 
diferentes, poderá ficar no masculino plural ou concordar com o 
substantivo mais próximo. 
Preocupados, a mãe e o pai ligaram para o filho. (ou preocupada) 
Satisfeita, a advogada e o réu comemoraram a vitória. (ou satisfeitos) 
 
 Adjetivo na função de predicativo do objeto – Pode concordar das seguintes formas: 
I. Se o núcleo do objeto for constituído por um único substantivo, o adjetivo concorda com 
ele em gênero e número. 
Entregou-me o carro amassado. 
Mantiveram as lojas fechadas durante a passeata. 
 
II. Se o objeto for constituído por dois ou mais núcleos, compostos por substantivos do 
mesmo gênero, o adjetivo vai para o plural, no gênero dos substantivos. 
Julgaram o filme e o ator bem fracos. 
O caseiro encontrou a porta e a janela arrombadas. 
 
III. Se o objeto for composto por dois ou mais núcleos, constituído por substantivos de 
gêneros diferentes, o adjetivo ficará no masculino plural. 
O curso de idiomas tornou João e sua irmã mais desinibidos. 
 
IV. Caso o predicativo venha antes do objeto, poderá concordar com o substantivo mais 
próximo.O anfitrião considerou encantadora a jovem e sua família. (ou encantadoras) 
A prática tornou respeitado o médico e a enfermeira. (respeitados) 
 
 
 
 
 Dois adjetivos e um substantivo – Caso se refiram ao mesmo substantivo, 
determinado por artigo, são possíveis as seguintes concordâncias: 
I. O substantivo fica no singular e coloca-se o artigo também antes do 
segundo adjetivo. 
Meu professor ensina a língua inglesa e a francesa. 
 
II. O substantivo fica no plural e omite-se o artigo antes do segundo adjetivo. 
Meu professor ensina as línguas inglesa e francesa. 
 
Atenção: 
Se o substantivo estiver depois dos adjetivos, também serão possíveis as duas 
concordâncias; contudo, o artigo ficará sempre no singular. 
O primeiro e o quarto andar. 
O primeiro e quarto andares. 
 
 
 
 
Menos, alerta e pseudo – Essas palavras são advérbios; por 
conseguinte, não variam. 
 
Esse contrato oferece menos garantias. 
O grupo de pessoas acompanhava alerta o resgate. (em alerta) 
A polícia prendera a pseudomédica. 
 
 
Atenção: 
I. Há gramáticos que aceitam a flexão de número para o advérbio 
“alerta”, considerando-o um adjetivo equivalente a “atentos”. 
As crianças permaneciam alertas em seus lugares. 
 
II. Alerta pode ser substantivo. Sendo assim, pode ser flexionado. 
Os alertas foram dados aos alunos. 
 
 
 Mesmo, próprio, anexo, incluso, leso, quite, servido e obrigado – São adjetivos, portanto 
concordam com o substantivo ou pronome a que se referem em gênero e número. 
 
Os meninos mesmos fizeram as apostas. 
Elas próprias costuravam suas roupas. 
As explicações estão nas páginas anexas. 
São estes os documentos inclusos no processo. 
Foi acusado de atos de leso-patriotismo. 
Acusaram-no de crime de lesa-pátria. 
Estes sócios estão quites com o clube. 
Ela está servida 
– Obrigado! – agradeceu o jovem. 
– Muito obrigada! – disse a jovem ao professor. 
Elas disseram muito obrigadas. 
 
Atenção: 
I. Quando antecedida da preposição “em”, a palavra “anexo” fica invariável, pois passa a ser 
advérbio. 
Colocamos os recibos em anexo ao contrato. 
Colocamos o recibo em anexo ao contrato. 
 
II. A palavra “mesmo” é advérbio quando empregada com o sentido de “realmente”, “de fato”; nesse 
caso, não varia. 
A recepcionista resolveu mesmo nosso problema. 
Os jogadores ficaram na concentração mesmo. 
Muito, pouco, bastante, meio, caro e barato – Variam se 
forem empregadas como pronomes indefinidos, adjetivos 
ou numerais. Ficam invariáveis se forem advérbios. 
 
 
 
 
 
Dicas práticas: 
 
Meio = Um pouco (advérbio) – Invariável 
Elas estão meio resfriadas. (um pouco) 
 
Meio = Metade (Numeral) – Variável 
Meio dia e meia. Meia dúzia. Meia pizza. (metade) 
 
 
 
Bastante – Singular = Muito/Muita 
Comi bastante hoje. (muito) 
Bastante salada comi ontem. (muita) 
 
Bastantes – Plural = Muitos/Muitas 
Li bastantes livros. (muitos) 
Lá existiam bastantes bolsas. (muitas) 
 
 
Só – Varia quando empregada como adjetivo equivalente a “sozinho(s)”, 
“sozinha(s)”. Como advérbio, equivale a “somente”, “apenas” e não varia. 
Os noivos saíram sós, após a festa. (adjetivo – sozinhos) 
Só seu perdão me trará a paz. (advérbio de exclusão – somente) 
 
Atenção: 
A locução adverbial “a sós” é invariável. (companhia) 
A mãe e o recém-nascido ficaram a sós no quarto. (singular) 
O convidado permaneceu a sós por alguns instantes. (plural) 
 
 
O mais (menos) possível – O adjetivo “possível” varia de acordo com o artigo que 
antecede as palavras “mais” e “menos”, que expressam o grau superlativo. 
 
 
 
 
 
 
 
É bom, é necessário, é proibido, é preciso, etc. – Variam 
quando o substantivo vem regido por um artigo ou qualquer 
determinativo. Permanecem invariáveis se o substantivo 
não estiver determinado por artigo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Flaverlei A. Silva 
 
 
 
 
Prof. Flaverlei A. Silva 
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Referências: 
• Gramática em textos – Leila Lauar 
	capaCOMUNICAÇAO.pdf
	portugueselegal2.pdf
	texo02.pdf
	texto03.pdf
	texto04.pdf
	Concordância verbal e concordância nominal
	Concordância Verbal
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	Concordância Nominal
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	Referências:

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