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O marco do surgimento da Sociologia enquanto área do conhecimento é o ano 1933, quando foi inaugurado o curso superior de Sociologia no Brasil (Ciências sociais), na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo. Um ano depois, em 1934, o mesmo curso foi inaugurado na Universidade de São Paulo (USP) contando com um corpo docente altamente especializado nos métodos dessa ciência recém fundada no Brasil.
A palavra sociologia (ou "sociologie") é derivada das origens latina e grega. A palavra latina: socius, "companheiro"; o sufixo -logia, "o estudo da" do grego -λογία de λόγος, logotipos, "palavra", "conhecimento". Foi cunhado pela primeira vez em 1780 pelo ensaísta francês Emmanuel-Joseph Sieyès (1748-1836) em um manuscrito não publicado.[13] A sociologia foi posteriormente definida de forma independente pelo filósofo francês da ciência, Auguste Comte (1798-1857) em 1838[14] como uma nova maneira de encarar a sociedade.[15] 
O surgimento da Sociologia
A Sociologia surge como ciência na França, em meados do século XIX(19). Ela foi nomeada, primeiramente de “física social”, recebendo o nome de Sociologia posteriormente.
O filósofo Augusto Comte (1798-1857) foi o primeiro que sistematizou a Sociologia como ciência específica, utilizando como modelo o método das ciências naturais – química, física e biologia. Comte seguia o pensamento da corrente positivista, defendendo a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro.
Durkheim e a sociologia do Fato Social
Embora Comte tenha “inventado” a Sociologia, foi Émile Durkheim o primeiro grande sociólogo de que temos conhecimento.
Inspirado nas ideias de Comte, Durkheim pensava a sociedade como um grande organismo social, composto por células individuais.
Para compreender o todo (sociedade), era preciso estudar as partes (indivíduos), acreditava Durkheim. Daí surgem os conceitos de “coesão social”, “fato social” e “solidariedade orgânica” que você já deve conhecer.
Torna-se importante salientar que a formação da Sociologia é também resultado do processo de consolidação da sociedade capitalista. Esse campo de estudo só pode se manifestar porque havia um ambiente social favorável ao seu surgimento.
Qual a diferença entre Karl Marx e Max Weber?
Para resumir o posicionamento dos autores clássicos, podemos dizer que Durkheim e Weber são conservadores, defensores do capitalismo, enquanto Marx é favorável a uma revolução para derrubar de vez esse sistema.
Absolutismo é uma teoria política que defende que alguém (em geral, um monarca) deve ter o poder absoluto, isto é, independente de outro órgão. Os teóricos de relevo associados ao absolutismo incluem autores como Nicolau Maquiavel, Jean Bodin, Jaime VI da Escócia e I de Inglaterra, Jacques-Bénigne Bossuet e Thomas Hobbes. Esta ideia tem sido algumas vezes confundida com a doutrina do Direito Divino dos Reis, que defende que a autoridade do governante emana diretamente de Deus, e que não podem ser depostos a não ser por Deus, defendido por alguns absolutistas como Jean Bodin, Jaime I e Jacques Bossuet.
A monarquia absolutista nasce com Luís XIV de França, conhecido como "Rei-Sol", logo após a morte do seu primeiro-ministro, em 9 de março de 1661, o cardeal Jules Mazarin. E que, nessa altura, terá se voltado para o seu chanceler e declarado solenemente:
O que foi o Iluminismo?
 se iniciou como um movimento cultural europeu do século XVII e XVIII que buscava gerar mudanças políticas, econômicas e sociais na sociedade da época. Para isso, os iluministas acreditavam na disseminação do conhecimento, como forma de enaltecer a razão em detrimento do pensamento religioso. Vale ressaltar que os iluministas não eram ateus, porém, eles acreditavam que o homem chegaria a Deus por meio da razão.
Grandes pensadores, de diversas áreas, fizeram parte dessa corrente com o intuito de acelerar o progresso da humanidade. O precursor do iluminismo René Descartes (1596 – 1650), considerado o pai do racionalismo, dissertou em sua obra “Discurso do Método”, que para se compreender o mundo, deve-se questionar tudo. Essa nova forma pensar se opunha ao raciocínio da época, já que naquele período histórico, os governos autoritários e a igreja católica não permitiam questionamentos.
O pensamento iluminista foi importante para o desenvolvimento da ciência e do humanismo – que pregava a centralidade e racionalidade humana. Várias obras foram desenvolvidas nesse período, e uma em especial sintetizava a ideia de disseminação do conhecimento pregada pelos iluministas: a Enciclopédia.
A Enciclopédia, editada por Denis Diderot (1713 – 1784), continha milhares de artigos e ilustrações de diversos cientistas, filósofos e pesquisadores de campos de conhecimentos distintos. Essa obra teve 35 volumes e foi muito importante na exposição dos conhecimentos humanos em um formato ordenado e metódico, com o intuito de apresentar uma alternativa aos ensinamentos impostos pela religião.
Os iluministas também questionavam os poderes absolutistas dos governos, pregando assim maiores liberdades individuais e políticas. Na economia, não foi diferente, nesse período, as ideias desenvolvidas por Adam Smith (1723 – 1790) foram aceitas como uma forma de substituir o modelo mercantilista, pois os iluministas tinham uma crença em que esse novo meio econômico seria ideal para um maior progresso, liberdade e justiça social.  
Resumo das ideias positivistas
Corrente filosófica desenvolvida por Auguste Comte, o Positivismo defendia que apenas os conhecimentos científicos eram verdadeiros. Para a linha de pensamento, as crenças religiosas não eram válidas.
O estilo tem duas linhas de pensamentos principais, sendo elas a orientação científica e a orientação psicológica. A linha de pensamento teve início na França, se expandindo pelos países da Europa e depois, pelo mundo.
O Positivismo pode ser visto do Brasil na frase escrita na Bandeira Nacional, onde se lê "Ordem e Progresso". A frase tem inspiração em um dos lemas do Positivismo de Comte.
Positivismo no Brasil
No Brasil, o Positivismo conquistou espaço a partir do século XX. A frase que aparece na bandeira do país com o lema: “Ordem e Progresso”foi criado com base em ideias positivistas. 
A criação de máquinas movidas à combustão de lenha e combustíveis fósseis durante a Revolução Industrial, deu ao seres humanos a capacidade de transformar o meio. Entretanto, este cenário gerou novas demandas. Tornou-se necessário, principalmente, criar um sistema técnico que desse suporte ao funcionamento dessas máquinas e das novas relações sociais por elas concebidas.
Apesar das cidades já existirem anteriormente, essa estrutura passa a ser transformada pela industrialização. Uma vez que proporcionavam concentração de pessoas, de relações comerciais e de desenvolvimento técnico, as cidades foram locais apropriados para instalação de indústrias.
Porém, a industrialização não só transformou as cidades já existentes como também criou muitas outras, graças à necessidade de criar novos centros de comercialização e produção. Essas atividades se tornavam cada vez mais importantes para caracterizar as cidades. Uma das consequências desses processos foi a alteração dos espaços agrários, que resultou no êxodo rural.O êxodo rural é definido como o deslocamento de pessoas do campo (zona rural) para as cidades (zonas urbanas). Esse processo ocorre desde a antiguidade na história dos povos.O êxodo rural é provocado, em geral, pelo aumento da produtividade do trabalho agrícola, que diminui a necessidade de mão de obra nas áreas rurais e pela criação de fábricas nas cidades, que atraem a população que sai do campo.A presença de um modelo econômico que privilegiava os grandes latifundiários e a mecanização das atividades rurais substituindo a mão de obra, provocou a expulsão dos pequenos produtores dos campos, que não conseguiram mecanizar sua produção e por consequência tinham baixo rendimento de produtividade, ficando em desvantagem no mercado.
Assim sendo, com o surgimento das indústrias durante a RevoluçãoIndustrial, as cidades europeias atraíram grandes quantidades de camponeses, que buscavam empregos nas fábricas, além de melhor qualidade de vida.
Êxodo rural no Brasil
O êxodo rural no Brasil manifestou-se intensamente a partir da década de 1960, no governo de Juscelino Kubitschek, período que foi dominado pelas políticas de industrialização para substituição de importação.
O sucesso dessas políticas criou um poderoso e diversificado mercado urbano de trabalho. Atraídas pelas ofertas deste mercado, as populações rurais migraram para as cidades. Como consequência, houve um grande movimento migratório do Nordeste para o Sudeste do país.
Este processo se estendeu durante as décadas de 70 e 80, provocando grandes problemas sociais. A maior parte dos migrantes eram desprovidos de qualificação profissional, e por este motivo, não eram absorvidos pelo mercado de trabalho, tornando-se desempregados ou em subempregos nas cidades.
Outro fator negativo do êxodo rural é o despreparo das cidades para receber os migrantes e seu crescimento desordenado pela falta de planejamento urbano. O resultado disto é o superpovoamento de bairros pobres, moradias em locais sem estrutura, aumentos de favelas, etc.
Um exemplo de despreparo das cidades para acolher os migrantes no Brasil aconteceu com com a construção de Brasília, no final da década de 50. Muitos habitantes da região Norte e Nordeste foram em busca de trabalho, principalmente na área de construção civil. Como consequência, houve o crescimento desordenado das chamadas cidades satélites, gerando problemas sociais que persistem até hoje.
Nas duas últimas décadas, no entanto, o êxodo rural diminuiu muito, tanto em número de migrante como em termos de sua influência na urbanização. Entre o período de 1990 a 2010, as políticas de substituição de importação deixaram de existir. A industrialização seguiu curso, descentralizando-se para cidades de pequeno e médio porte.Atualmente, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, apenas 15,6% da população brasileira se encontra no meio rural. Para desestimular mais o processo de êxodo rural, são necessárias políticas que subsidiem os pequenos produtores para que eles permaneçam no campo.
Entenda qual é a função social da escola no desenvolvimento dos alunos
A escola é uma instituição social fundamental para a formação dos indivíduos, especialmente no que se refere ao desenvolvimento dos alunos. Mas você sabe qual é a verdadeira função social da escola nesse processo?
Muitas pessoas acreditam que é apenas transmitir conhecimentos acadêmicos aos alunos, preparando-os para o mercado de trabalho ou para o ingresso em uma universidade. No entanto, sua verdadeira função vai bem além disso.
Neste artigo, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre a função social da escola no desenvolvimento dos alunos. Acompanhe a leitura!
Qual é a função social da escola e para que serve?
A função social da escola é fornecer educação e instrução formal para os alunos, permitindo que eles desenvolvam habilidades e conhecimentos que serão úteis para suas vidas pessoais e profissionais. Além disso, a escola tem um papel importante na socialização dos alunos, ensinando-lhes valores éticos e morais, e preparando-os para participar da sociedade de forma ativa e consciente.
A escola também tem como função social promover a igualdade de oportunidades, oferecendo um ensino de qualidade para todos os alunos, independentemente de sua origem social ou econômica. Dessa forma, a escola contribui para a redução das desigualdades sociais e para a construção de uma sociedade mais justa e democrática.
A escola também serve como um espaço para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, cognitivas e culturais, permitindo que os alunos sejam expostos a diferentes ideias, culturas e perspectivas, preparando-os para a convivência em uma sociedade plural.
Qual é a importância da função social da escola para o desenvolvimento dos alunos?
A função social da escola é extremamente importante para o desenvolvimento dos alunos, pois permite que eles adquiram conhecimentos e habilidades que serão fundamentais para suas vidas pessoais e profissionais. Ainda, a escola é responsável por transmitir valores éticos e morais, ajudando os alunos a se tornarem cidadãos conscientes e participativos na sociedade.
Outro ponto importante é que proporciona um ambiente seguro e estruturado para que os alunos possam interagir com seus pares, desenvolver habilidades sociais e emocionais, e aprender a lidar com as diferenças e conflitos que surgem no convívio em sociedade. A função social da escola, portanto, não se resume apenas à transmissão de conhecimentos, mas também à formação integral dos alunos, preparando-os para enfrentar os desafios e oportunidades que surgem ao longo de suas vidas.
Como a escola pode cumprir efetivamente sua função social?
Para cumprir efetivamente sua função social, a escola precisa fornecer educação de qualidade, que seja relevante e atualizada, além de oferecer um ambiente seguro e acolhedor para os alunos. É importante que a escola seja inclusiva e respeite a diversidade cultural e social dos alunos, promovendo a igualdade de oportunidades e o respeito mútuo.
A escola também deve estar engajada com a comunidade, buscando parcerias e projetos que possam enriquecer a experiência dos alunos e contribuir para o desenvolvimento da região. Além disso, é fundamental que a escola conte com uma equipe de profissionais qualificados e comprometidos com a educação, incluindo professores, coordenadores e gestores.
Esses profissionais devem estar atualizados em relação às melhores práticas pedagógicas e métodos de ensino, e ser capazes de estimular o interesse e a participação dos alunos nas atividades escolares.
Cumprir a função social da escola é fundamental para o desenvolvimento dos alunos e para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária. Ao fornecer educação de qualidade, transmitir valores éticos e morais, e promover a inclusão e o respeito mútuo, a escola cumpre sua função social de preparar os alunos para a vida pessoal e profissional, além de contribuir para a formação de uma sociedade mais consciente e engajada.
fUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho tem por objetivo pesquisar e analisar as diversas dimensões políticas, socioculturais e pedagógicos envolvidas nas práticas educacional brasileira, bem como a metodologia utilizada.
O fato de que criamos e vivemos em uma sociedade que se caracteriza fundamentalmente pela função social, em especial, a função social da escola, apesar das transformações sofridas no decorrer da história, a escola representa uma Instituição que a humanidade elegeu para socializar o saber.
Muito se discute a importância da educação no país, pode parecer algo simples de questionamento, mas, é algo complexo de se imaginar, devemos analisar a escola como um todo, ou seja, um processo que envolver todas as partes que integram a sociedade, cada um com a sua determinada função.
Diante desse cenário humanista, há vários autores de diversos campos do conhecimento, que levantam os questionamentos das diversas possibilidades da função social da escola no que tange o sistema educacional aristocrático, poder ser realmente um órgão que cumpra com a sua função. Inicialmente, eles fomentam argumentos que sustentam a tese de que seria possível criarmos novos conceitos de pensarmos a escola, não só pela sua estruturação, mais sim, a sua adequação em transmitir os verdadeiros valores que uma instituição de ensino pode ou deveria passar para um indivíduo no seu ambiente de aprendizagem e que possibilite a participação de todos.
Essa entidade de longas tradições continuará a desempenha a sua função social, que é de transmitir os devidos conhecimentos, para que o homem atual entender as razões das coisas que ele venha a transformar, inclusive o saber da sua existência. Por conta destas indagações e das próprias características psíquicas e físicas humanas dohomem que lhe diferencia das demais espécies, pertencente ao conjunto de forças naturais e sociais que reforçariam essa cultura de ser social, tornando-o uma parte integrante da sociedade que vive.
2. FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA
A função social da escola é o desenvolvimento das potencialidades físicas, cognitivas e afetivas do indivíduo, capacitando-o a tornar um cidadão, participativo na sociedade em que vivem. A função básica da escola é garantir a aprendizagem de conhecimento, habilidades e valores necessários à socialização do individuo sendo necessário que a escola propicie o domínio dos conteúdos culturais básicos da leitura, da escrita, da ciência das artes e das letras, sem estas aprendizagens dificilmente o aluno poderá exercer seus direitos de cidadania.
A função social da escola, ela é muito relativa e complexa, pois há varias formas de pensar a educação, para três grandes sociólogos há diferenças da forma de pensar a função da escola na construção do aluno.
Para DURKHEIN a educação deve formar indivíduos que se adapte a estrutura social vigente instituindo os caminhos e normas que cada um deve seguir, tendo sempre como horizonte a instituição e manutenção da ordem social, a educação é um forte instrumento de coesão social e cabe ao estado ofertá-la e supervisioná-la. Para KARL MARX a educação deve ser vista como um instrumento de transformação social e não uma educação reprodutora dos valores do capital, para MARX a uma necessidade de uma escola politécnica estabelecendo três pontos principais: o ensino geral que é o estudo da literatura, ciências, letras etc.
A educação física que é atividade que promova a saúde do ser e a outra é o estudo tecnológico que visa acabar com a alienação do proletariado perante a classe dominante. Para MAX WEBER a educação é um modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções dentro da sociedade, sendo uma educação racional, a visão de educar está vinculada enquanto formação integral do homem, uma educação para habilitar o indivíduo para a realização de uma determinada tarefa para obtenção de dinheiro dentro de uma sociedade cada vez mais racionalizada e burocrática e estratificada.
Cabe à escola formar alunos com senso crítico, reflexivo, autônomo e conscientes de seus direitos e deveres tendo compreensão da realidade econômica, social e política do país, sendo aptas a construir uma sociedade mais justa, tolerante as diferenças culturais como: orientação sexual, pessoas com necessidades especiais, etnias culturais e religiosas etc. Passando a esse aluno a importância da inclusão e não só no âmbito escolar e sim em toda a sociedade.
Bueno (2010) se posiciona um tanto crítico sobre a realidade da função social da escola, nestas o social é ignorado. A escola torna-se uma instituição abstrata e homogênea, quando na realidade como coloca Bueno, cada escola é ímpar, e não deve ser vista de forma genérica, uma intervenção não funciona em todas as instituições, cada meio tem que ser vista de acordo com a sua história, com a sua cultura, colocando em pauta que cada instituição é única.
Atualmente existem projetos para promover cultura na escola, estes visando que os alunos ampliem sua visão de mundo, valorizando as diferentes manifestações culturais ao seu redor (...) por meio de ações que estimulem práticas culturais e educacionais nas escolas com parcerias com instituições artísticas (museus, parques arqueológicos, etc.). (FONSECA; M. C. G. T. SILVA; M. A. M. SILVA. 2010).
A escola pública nos dias atuais deixa muito a desejar quando se fala de educação e de formar cidadãos para viver numa sociedade tão multicultural e pluriétnicas, como a nossa. A falta de investimentos e de capacitação de professores, escolas sem infraestrutura adequada para o recebimento desse aluno. O modelo segregado e homogêneo que com muito esforço está mudando para o modelo de escola inclusiva, mesmo escolas sem condições adequadas para receber esse aluno. 
As escolas das nossas regiões, na promoção da cidadania não mudam muito nesse contexto generalizado, escolas que entram em reformas mais não terminam, que falta merenda, que faltam professores, que não existem equipes disciplinares qualificados para tais fins, assim, ficando difícil promover a cidadania, cujo, o contexto não sustenta, ou seja, para o estudioso João Batista oliveira a escola perdeu a sua função social," Perdemos a noção da função social da escola. Ela deixou de ser cobrada pelo cumprimento de suas obrigações essenciais e passou a ser cobrada por milhares de coisas que ela não tem condição de fazer, como cuidar da educação sexual, educação para o trânsito, para o consumo etc.", (diz Oliveira, entrevista concedida a Revista Veja “A Escola perdeu sua função social” em 
Émile Durkheim foi um psicólogo e sociólogo francês, considerado o fundador da sociologia, pelo fato de ter sido o primeiro a criar um método sociológico que distinguiu a sociologia das demais ciências humanas. O pensador também ocupa, junto a Karl Marx e Max Weber, a tríade da sociologia clássica. O seu método está baseado no reconhecimento e estudo do que ele chamou de fatos sociais.
Saiba mais: Surgimento da sociologia: conheça a contribuição de Durkheim
Biografia de Émile Durkheim
Nascido em 15 de abril de 1858, em Épinal, cidade da região da Alsácia que correspondia ao território francês, David Émile Durkheim era membro de uma família judaica tradicional. Completou seus estudos básicos no tradicional Liceu Louis-Le-Grand e cursou direito e economia na Escola Normal Superior de Paris.
Durkheim é considerado o fundador da Sociologia como ciência estruturada.
Segundo o sociólogo, as universidades e a educação básica francesas precisavam de uma nova estrutura, pois elas estavam amplamente embasadas na literatura e na filosofia, mas pouco importavam-se com a ciência. Essa ideia de valorização científica esteve com ele em sua trajetória acadêmica pela sociologia, pois o teórico visava, ao criar o método sociológico, a uma ciência humana que, de fato, tivesse o mesmo rigor das ciências da natureza.
No início de sua trajetória acadêmica, o pensador foi influenciado, além do direito da economia, pela filosofia (foi professor de filosofia na educação básica francesa), pelo psicólogo alemão Wilhelm Wundt, que criou um centro de pesquisa psicológica chamado de Laboratório de Psicologia Experimental. Durkheim também foi influenciado pela antropologia, que surgiu na Europa no século XIX por meio das teorias do biólogo inglês Herbert Spencer.
Em 1887, Durkheim entra para a Universidade de Bordéus como encarregado de cursos. Foi nessa instituição que ele criou a primeira cadeira de sociologia no ensino superior. A disciplina era ensinada, inicialmente, como parte do currículo estruturante dos cursos de direito, economia, psicologia e pedagogia. Durkheim produziu toda a sua obra sociológica entre 1887 e 1917.
Em novembro de 1917, o sociólogo morreu na cidade de Paris, vítima de um acidente vascular cerebral.
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Influências de Émile Durkheim
Durkheim foi influenciado por pensadores de sua época, do mesmo modo que influenciou pensadores do círculo intelectual europeu do século XIX e de tempos posteriores. Entre as suas influências, podemos citar o biólogo, téorico liberal e pai da antropologia Herbert Spencer. Também podemos incluir na lista o filósofo liberal positivista Alfred Espinas.
Além de Spencer e Espinas, Durkheim foi influenciado diretamente pelo filósofo francês considerado o “pai” da sociologia, Auguste Comte. De Comte, Durkheim colheu a ideia da criação de uma ciência capaz de estudar a sociedade e reconhecer as suas especificidades. Porém, Durkheim foi além ao produzir uma crítica à teoria de Comte que consolidaria a sociologia como uma ciência bem fundamentada.
Segundo Durkheim, o que Comte fez não fundou a sociologia como uma ciência bem definida e nem ultrapassou a filosofia, pois continuou formulando teorias no campo do ideal metafísico, que eram impossíveis de serem praticadas. Dessa maneira,Durkheim buscou fundar um método baseado no reconhecimento dos fatos sociais para inaugurar uma sociologia bem estruturada.
Durkheim criticou algumas ideias de Comte relacionadas à sociologia, o que demonstra as influências sofridas pelo pensador considerado o criador do método sociológico por aquele que é considerado o “pai” da sociologia (Comte). Para Durkheim, apesar da pretensão oposta, o modelo sociológico comtiano é demasiadamente filosófico, pois a base do positivismo e da sociologia é a Lei dos Três Estados, que não recorre a um método preciso de observação e estudo rigoroso de uma sociedade, mas de uma abstração.
Ao contrário disso, Durkheim desenvolveu o conceito de fatos sociais, que são estruturas que tendem a se repetir em diferentes sociedades, mostrando-se elementos rígidos que podem garantir certo rigor científico ao trabalho sociológico, uma vez que podem ser analisados empiricamente.
Veja também: Empirismo – corrente filosófica que prevê a experiência prática como fonte do saber
Regras do método sociológico de Émile Durkheim
A sociologia deve prezar pelo rigor para consolidar-se enquanto ciência. Assim sendo, é necessário desfazer-se do conhecimento de senso comum e da tradição para poder entender cientificamente as estruturas sociais que ordenam o mundo humano. Segundo Durkheim,
“se existe uma ciência das sociedades, é de desejar que ela não consista simplesmente numa paráfrase dos preconceitos tradicionais, mas nos faça ver as coisas de maneira diferente da sua aparência vulgar; de fato, o objeto de qualquer ciência é fazer descobertas, e toda descoberta desconcerta mais ou menos as opiniões herdadas.”|1|
Dessa maneira, o método científico e o afastamento do senso comum, da opinião e da tradição são essenciais para a consolidação da sociologia. Para que tal distanciamento seja possível, o sociólogo deve afastar-se o tanto quanto puder da sociedade em que ele está estabelecendo o seu estudo de campo. Somente assim é possível que o conhecimento obtido pelo sociólogo seja cientificamente comprovável e confiável.
Afastando-se do seu campo de análise por questões metodológicas, o cientista social deve-se colocar a observar os fatos sociais que moldam uma sociedade. Os fatos sociais são maiores que os indivíduos, que as consciências individuais e que as ações humanas. Eles são exteriores aos indivíduos, coercitivos, porque moldam as ações individuais e independentes. Também tendem a repetir-se mesmo quando comparamos sociedades diferentes.
Um fato social que Durkheim toma como exemplo é a coesão social, que mesmo de forma diferente, repete-se em diferentes sociedades. Temos, com isso, formas de coesão que formam diferentes tipos de solidariedade em sociedades pré-capitalistas e pós-capitalistas.
As sociedades pré-capitalistas são menores e de maior facilidade de controle. Há também um maior contato entre os membros desse tipo sociedade, o que leva ao desenvolvimento de uma forma de solidariedade mecânica, que junta as pessoas em prol de um objetivo comum, pois a noção de comunidade garante uma maior união dos indivíduos.
As sociedades capitalistas da era pós-industrial tendem a comportarem-se como organismos, já que a população não é coesa por inteiro, mas é formada por vários núcleos de indivíduos que estabelecem vínculos solidários entre si. É como se a sociedade capitalista mais complexa fosse composta de diversos mecanismos internos. O conjunto desses mecanismos coesos constitui a chamada solidariedade orgânica.
O suicídio
Assim como as formas de coesão e solidariedade, o suicídio, para Durkheim, também é um fato social. Segundo o sociólogo, o suicídio repete-se em todas as sociedades, sendo modificadas apenas as motivações e os seus índices de uma sociedade para a outra.
Para o sociólogo francês, existem três tipos fundamentais de suicídio e eles estão apresentados nos tópicos a seguir:
· Suicídio egoísta: acontece quando o ego pessoal sobrepõe-se ao ego social, e o indivíduo passa a sofrer por não ver mais sentido em sua própria vida. Essa falta de sentido faz com que o ego individual seja visto como maior que o ego social, de modo que não há sentido em continuar sofrendo por uma sociedade que não o compreende como indivíduo.
· Suicídio altruísta: nesse caso, acontece o inverso do caso apresentado anteriormente, pois o ego social e coletivo é encarado como maior que o ego individual, de modo que a pessoa encontra-se disposta a tirar a sua própria vida em nome de um objetivo que, em seu julgamento, será bom para a coletividade. Podemos citar o exemplo dos pilotos kamikaze japoneses que, na Segunda Guerra Mundial, com a falta de projéteis, lançavam seus próprios aviões nos alvos, causando suas próprias mortes.
· Suicídio anômico: comum em períodos de crise financeira, política e de valores, esse tipo de suicídio é provocado por uma desordem social que leva a uma desordem psíquica no indivíduo. Esse que, muitas vezes, era detentor de muitos bens e de uma estrutura de vida estável até perder toda a ordem financeira e/ou psicológica que possuía. No momento da perda e sem saber lidar com a nova situação, o indivíduo provoca a sua própria morte.
Obras de Émile Durkheim
A seguir, listamos os livros de sociologia escritos por Durkheim. Eles compreendem grande parte do trabalho teórico que compõe a sociologia clássica:
· Elementos de Sociologia (1889)
· A Divisão do Trabalho Social (1893)
· As Regras do Método Sociológico (1895)
· O Suicídio (1897)
· As Formas Elementares da Vida Religiosa (1912)
· Educação e Sociologia (1922 – publicação póstuma)
· Sociologia e Filosofia (1924 – publicação póstuma)
· A Educação Moral (1925 – publicação póstuma)
· O Socialismo (1928 – publicação póstuma)
Frases de Émile Durkheim
· "É fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter."
· "A sociedade e cada meio social particular determinam o ideal que a educação realiza."
· "Se todos os corações vibram em uníssono, não é por causa de uma concordância espontânea e preestabelecida; é que uma mesma força os move no mesmo sentido. Cada um é arrastado por todos."
· "A religião não é somente um sistema de ideias, ela é antes de tudo um sistema de forças."
Maquiavel
Os escritos de Nicolau Maquiavel ainda fascinam e provocam repulsa em muitas pessoas. Visto como defensor de um governante violento, foi um grande apreciador da República.
Nicolau Maquiavel, embora seja muito conhecido por seus pensamentos sobre a dinâmica real do poder, também escreveu comédias e poemas. Uma conhecida pintura de Santi di Tito, finalizada em meados de 1600, muitos anos após a morte desse pensador, apresenta-o ainda jovem e com um sorriso que confirma o tom irônico ou bem-humorado com o qual as biografias recentes retratam-no.
Não elaborou uma teoria política ou uma reflexão profunda sobre a essência do poder, como se poderia esperar de um filósofo em sentido clássico. Em todo caso, suas reflexões são originais e baseadas em uma riqueza de eventos históricos. Seu pensamento político orientou-se pelos fatos que vivenciou e em suas interpretações com base em circunstâncias históricas, afastando-se, assim, de abstrações ou idealizações.
Nicolau Maquiavel é entendido como o inaugurador da vertente realista em política.
Biografia de Nicolau Maquiavel
Nicolau Maquiavel (Niccolò di Bernardo dei Machiavelli) viveu durante o renascimento italiano. Nascido em 1469, na cidade de Florença (Itália), pertenceu a uma família de poucas posses e atuou como um secretário que cuidava dos assuntos externos (serviço equivalente hoje ao de um diplomata). Seu pai, Bernardo di Niccolò di Bouoninsegna, era versado em leis e pouco se sabe sobre sua mãe, Bartolomea di Stefano Nelli. Duas irmãs mais velhas, Primavera e Margherita, e o caçula Totto completavam a família.
Há poucos registros sobre sua juventude, mas é indicado como pessoa bem-humoradae jovial. Casou-se com Marietta Corsini, em 1501, e tiveram quatro filhos e duas filhas. Apesar de suas ausências, em virtude das viagens, provia auxílio por meio de ajudantes. Mesmo sendo indicado como um pai carinhoso, a vida familiar não o satisfazia e frequentava tavernas e festas pela cidade.
Sempre se dedicou, contudo, aos estudos, recomendação que deixou a seu filho Guido em uma carta. As reviravoltas na política e disputas pelo poder que testemunhou nessas missões em sua própria cidade é o que confere aos seus escritos o famoso realismo. É o fim do governo de Lorenzo de Medici que marca o início das missões de Maquiavel a serviço da República, quando já estava com quase 30 anos.
O cargo de secretário é concedido em 1498, por uma indicação do Grande Conselho, e logo depois começa a ser enviado em missões de cunho diplomático. Por meio de suas muitas missões, adquire experiência como estrategista e expressa seminalmente seu pensamento político em relatórios e discursos sobre essas experiências. Em 1505, um problema relacionado aos mercenários, na guerra contra a cidade de Pisa, faz com que as autoridades aceitem a proposta de formar um exército nacional.
Os Medici conseguem retornar ao poder em 1512, e, em fevereiro de 1513, Nicolau Maquiavel é envolvido injustamente em uma tentativa de conspiração, sendo aprisionado em uma cela próxima de onde costumava trabalhar. Recusa a confissão forçada, mesmo sob tortura.
É liberado algumas semanas depois, mas abandona Florença e segue para sua casa em Sant'Andrea em Percussina (local que existe ainda hoje). A perda do cargo e a saída repentina deixam Nicolau Maquiavel desanimado, mas o tempo serve-lhe como oportunidade para escrever suas reflexões sobre a arte de governar.
Os principais escritos em que expõe seu pensamento político — O príncipe e Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio — são publicados postumamente, em torno de 1532, mas chegou a ler trechos deles em ocasiões específicas, e alguns manuscritos circularam logo após serem finalizados. Começa também a escrever suas peças, a mais relevante intitulada A mandrágora, que foi apresentada em Veneza e continuou sendo aplaudida posteriormente.
Em meados de 1520, retomou algumas atividades políticas, mesmo sem o prestígio de outrora, e Júlio de Médici encomenda a História de Florença, que foi concluída cinco anos depois, mas também publicada postumamente. Mesmo com a queda dos Medici e o retorno da República, em 1527, não tem seu desejo de ocupar novamente o cargo para o qual dedicou anos de sua vida satisfeito. Francesco Tarugi é nomeado, e o grande pensador florentino adoece logo em seguida. Seu filho Piero, em carta, comenta que Nicolau Maquiavel faleceu após tomar um remédio que lhe causou fortes dores no estômago, em 21 de junho de 1527.
Saiba mais: Filosofia moderna: período filosófico do qual Maquiavel fez parte
Principais ideias
A obra mais conhecida de Nicolau Maquiavel é certamente O príncipe, que começa a ser escrito em meados de 1512. Nele as ideias são expostas de forma clara, e seu pensamento político entende a política como um fim em si mesma. A avaliação das ações de um governante toma por base os fatos que se apresentam e não valorações de qualquer âmbito.
É direto quanto ao objetivo de seu príncipe: conquistar e manter o poder. É certo que os meios práticos de conseguir êxito dependem de várias circunstâncias, por isso a leitura dessa obra é permeada pelo par conceitual fortuna e virtú. Poucas leituras bastam para perceber que esses termos não são usados em um sentido comum.
Por fortuna, entende-se a indicação dos aspectos circunstanciais e pouco previsíveis que resultam em benefício ou malefício. Não se trata de uma força sobrenatural, mas do próprio desdobramento natural de tudo o que envolve ou afeta o humano (decisões, enfermidades etc.). Já virtú são as características pessoais que auxiliam o governante a garantir seu objetivo. Trata-se, por exemplo, da astúcia, da virilidade e flexibilidade.
Os preceitos estariam entre a lei e a força, já que o governante não deve basear suas decisões no que imagina ser o caso, mas perceber que as pessoas não são essencialmente boas e poderiam adotar meios escusos para seus fins. Nicolau Maquiavel sabia que as decisões dependiam do contexto, por isso suas reflexões são inerentes à dinâmica do poder: é preciso aparentar ser bondoso, mas saber usar de violência.
“A história era para Maquiavel a grande mestra, a fonte mais segura de ensinamentos, pois o que ocorrera no passado tendia inevitavelmente, a seu ver, a repetir-se no presente e no futuro. Todas as coisas do mundo, em todos os tempos, dizia ele, encontram seu paralelo nos tempos antigos. O que resulta do fato de serem elas dirigidas pelos homens, que têm e sempre tiveram as mesmas paixões, de tal modo que necessariamente os efeitos são sempre os mesmos.” |1|
Em Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio, obra também referida simplesmente como Discorsi, o autor propõe comparações de algumas situações políticas de sua época com fatos ocorridos na Antiguidade, a fim de que fossem divulgados bons exemplos de como agir politicamente. Exemplos que não deveriam ser apenas admirados, mas imitados. Embora tenha sido escrito quase ao mesmo tempo que sua obra mais conhecida, não teve a mesma repercussão. É nesse livro, em todo caso, que encontramos a exposição de algumas ideias republicanas, em que se valoriza a Roma antiga.
Em A arte da guerra (1521), Maquiavel apresenta um diálogo entre dois personagens sobre temas de cunho militar: a formação de um exército, seus armamentos etc. Esse escrito pode ser interpretado como uma recomendação à formação de uma força nacional de cidadãos em lugar da contratação de mercenários, que era a prática na Florença de sua época. O objetivo seria não apenas a proteção contra inimigos externos mas também contra os excessos de um eventual governante tirânico
Suas ideias continuam sendo alvo de inúmeras reflexões e formaram a base do pensamento realista em ciência política. É uma interpretação considerada equivocada atribuir certo utilitarismo a Nicolau Maquiavel, já que este não propôs como regra que “os fins justificam os meios”. Pode-se dizer que a imoralidade atribuída a suas reflexões é fruto de uma leitura historicamente descontextualizada e textualmente seletiva.
Principais obras e citações
O príncipe
“Poderia alguém perguntar-se de que forma Agátocles e outros semelhantes, após infinitas traições e crueldades, puderam viver seguros em sua pátria e defenderem-se dos inimigos externos por longo tempo, sem que jamais seus súditos tivessem conspirado contra eles, enquanto muitos outros, empregando a crueldade, não conseguiram manter seus estados, nem nos tempos de paz, nem nos incertos tempos de guerra. Creio que isso resulta da crueldade mal empregada ou bem empregada. São bem empregadas as crueldades (se é legítimo falar bem do mal) que se fazem de uma só vez pela necessidade de garantir-se e depois não se insiste mais em fazer, mas rendem o máximo possível de utilidade para os súditos. Mal empregadas são aquelas que, ainda que de início sejam poucas, crescem com o tempo, ao invés de se extinguirem.” 
Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio
“É evidente que o interesse comum só é respeitado nas Repúblicas: tudo o que pode trazer vantagem geral é nelas conseguido sem obstáculos. Se uma certa medida prejudica um ou outro indivíduo, são tantos os que ela favorece, que se chega sempre a fazê-la prevalecer, a despeito das resistências, devido ao pequeno número de pessoas prejudicadas.” 
"É necessário que um só homem imprima a forma e o espírito do qual depende a organização do Estado. [...] Deste modo, o legislador sábio, animado do desejo exclusivo de servir não os seus interesses pessoais, mas os do público: de trabalhar não em favor dos próprios herdeiros, mas para a pátria comum, não poupará esforços para reter em suas mãos toda a autoridade." 
O Príncipe de Maquiavel explicado
Rebeca Fuks 
Doutora em Estudos da Cultura
O Príncipe,criado em 1513 e publicado em 1532, foi escrito por Nicolau Maquiavel (1469-1527) e é um dos mais importantes ensaios de política do mundo ocidental. A obra é uma referência nas ciências humanas e é muito estudada especialmente nas áreas do direito, da filosofia e da sociologia.
Na obra que se tornou clássica, Maquiavel escreveu não só como um político deveria conquistar o poder, mas sobretudo o que ele deveria fazer para se manter no seu cargo de liderança.
Explicação da obra O Príncipe
Na sua obra mais famosa, Maquiavel, ao longo de 26 capítulos, escreveu sobre a política na prática, como ela é, e não no plano das ideias, na teoria presente nos livros.
O escritor, que viveu durante muitos anos nos bastidores do poder de Florença, teve a coragem de colocar no papel aquilo que considerava ser correto e incorreto, ético e condenável, para um político se estabelecer no poder.
O senso de moralidade de Maquiavel, no que se referia a política, foi delineado com base no que ele assistia no dia a dia da vida pública em Florença. O objetivo maior de Maquiavel ao escrever O Príncipe era demonstrar todo o seu conhecimento político prático para a família Médici, que estava no poder, a fim de conseguir reaver o cargo público que tinha.
Depois que o seu protetor Soderini saiu do poder, Maquiavel ficou cada vez mais distante da vida pública de Florença. Através do seu livro, Nicolau Maquiavel queria mostrar que estava por dentro das questões políticas palacianas florentinas e dos principais centros da Europa.
O destinatário do seu livro era Lorenzo di Piero de Médici (1492-1519), que governou Florença durante três anos e a quem Maquiavel tentou impressionar.
Principais temas discutidos em O Príncipe
Política
Para Maquiavel, em O Príncipe, todas as sociedades precisam de uma estrutura que ordene e domine o coletivo, caso contrário terá lugar a anarquia e o conflito.
A natureza do homem é, para o escritor, egoísta e corruptível, e o ser humano pensa, acima de tudo, no seu próprio prazer. Diante dessa verdade, cabe ao Estado regular as relações entre os homens e cabe ao líder pensar no bem coletivo não permitindo que atitudes egoístas individuais destruam o bem comum.
A política seria justamente essa vocação para organizar a cidade, para impedir que destruidores dominassem o espaço público. Dominar politicamente é, portanto, essencial para o bem coletivo.
Pode-se dizer que a perspectiva de Maquiavel sobre o assunto é pessimista nesse quesito se comparada com a tese dos filósofos gregos, por exemplo, que viam o bem comum e a felicidade como os pilares essenciais para se construir a vida política. Para Maquiavel, a vida política é necessária para que os homens não destruam uns aos outros.
Características de um príncipe
Segundo o Maquiavel, um príncipe deve apresentar cinco características essenciais para ser capaz de governar e se estabelecer no poder: piedade, fidelidade, humanidade, integridade e religiosidade.
Não é preciso que o líder tenha todas essas características, mas é preciso que o povo acredite que o líder as tem, ainda que para isso ele precise agir de modo “falso”. Isto é, o príncipe deve conseguir transparecer para os seus súditos essas cinco características para convencer as pessoas e se manter no cargo, ainda que elas não sejam verdadeiras, genuínas.
Um líder deve manter sempre uma postura de autoridade e confiança, apesar de nunca dever confiar na lealdade dos seus súditos. O ser humano pensa, antes de tudo, no seu próprio bem-estar individual, por isso o líder deve manter uma postura de desconfiança, esperando sempre do outro que ele se torne em algum momento o seu rival.
Como governar
Para governar, um príncipe precisa ter fortuna (palavra que usa como sinônimo de sorte) e virtude (que nesse contexto quer dizer habilidade de governar e negociar).
Esse “jogo de cintura”, que Maquiavel se refere, não tinha uma conotação negativa no sentido do governante ser malicioso ou cruel, o intelectual fala aqui de uma característica diplomática, mediadora, de quem tem habilidade de “saber estar”.
Maquiavel reconhece que a política é dinâmica e muda muito rápido, por isso um príncipe deve estar sempre atento e atuar assim que for necessário. Um príncipe também deve ser firme, capaz de manter a segurança do país que lidera, mesmo que para isso seja preciso entrar em conflitos e guerras.
Idealmente Maquiavel assume que todo político deveria ser, ao mesmo tempo, amado e temido. Mas, no caso de uma das características não existir, o intelectual recomenda que o líder seja antes de tudo temido, ao invés de amado.
Maquiavel também comenta que, às vezes, um político não pode honrar a palavra dada e, quando isso acontecer, não deve ter medo de ser enérgico. O povo deve temer o seu líder, mas um líder jamais deve temer os seus súditos.
Uma das citações mais conhecidas da obra de Maquiavel fala justamente sobre a importância de um político ser, ao mesmo tempo, querido e temido pelo seu povo:
Daí nasce uma controvérsia, qual seja: se é melhor ser amado ou temido. Pode-se responder que todos gostariam de ser ambas as coisas; porém, como é difícil conciliá-las, é bem mais seguro ser temido que amado, caso venha a faltar uma das duas. Porque, de modo geral, pode-se dizer que os homens são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, avessos ao perigo, ávidos de ganhos; assim, enquanto o príncipe agir com benevolência, eles se doarão inteiros, lhe oferecerão o próprio sangue, os bens, a vida e os filhos, mas só nos períodos de bonança, como se disse mais acima; entretanto, quando surgirem as dificuldades, eles passarão à revolta, e o príncipe que confiar inteiramente na palavra deles se arruinará ao ver-se despreparado para os reveses.
A ética do político
Mentir, distorcer os fatos, ameaçar os opositores, tirar dinheiro e poder dos ricos e dar aos pobres, usar de charme, palavras bonitas e de efeito… para manter-se no poder!
Maquiavel sublinha em O Príncipe que um bom político deve ser capaz de manipular a realidade, muitas vezes mentindo ou enganando para se perpetuar no poder.
Interpretado por muitos como um escritor que elogiava o desonesto, Maquiavel quis, através da sua obra, mostrar o funcionamento da máquina política como ela é. O escritor assistiu durante a vida muitos líderes optarem por posturas eticamente questionáveis para conseguirem aquilo que queriam no final: se manter no poder.
Apesar de não ter escrito a frase “os fins justificam os meios”, que foi erroneamente atribuída a Maquiavel, a sentença ajuda a compreender um pouco da essência exposta pelo pensador na sua obra O Príncipe.
O estigma do escritor foi tão forte que a palavra maquiavélico, um substantivo pejorativo, é usado até os dias de hoje para se referir aqueles que manipulam para alcançarem o que desejam.
Contexto histórico
A família Médici era muito poderosa na região, tendo governado Florença durante cerca de 100 anos. A Florença de 1500 era um polo importante: foi o berço do humanismo, a capital do Renascimento, e brilhou durante um período marcado por uma efervescência cultural, social e política.
Por outro lado, havia muita instabilidade na região, muitos conflitos na Itália, que ainda não era unificada e era frequentemente palco de batalhas que geravam enorme derramamento de sangue.
Em termos de sistema político, Florença não era uma monarquia como muitos Estados europeus daquela época. A região era uma República, onde o poder estava concentrado nas mãos de algumas poucas famílias ricas.
Nicolau Maquiavel, que havia nascido em Florença (e morreu na mesma cidade), era um defensor da República, tendo tido alguns altos cargos políticos públicos como chanceler, embaixador e conselheiro.
Maquiavel estava vendo a estrutura política que acreditava ser a ideal ruir. Com os desdobramentos do fim da República, Maquiavel chegou a ser preso, torturado e exilado no campo.
O escritor no final da sua vida achou que Florença ia ser governada por um príncipe e, por isso, resolveu escrever para Lorenzo di Piero de Médici, o maior candidato ao cargo, para conseguira sua função de conselheiro de volta. Maquiavel queria, portanto, através do seu livro, demonstrar de forma clara e didática que tinha muito conhecimento sobre o funcionamento da sociedade.
Maquiavel esteve mergulhado na vida política italiana
O escritor criou O Príncipe em 1513, muitos anos antes de a obra ser publicada (O Príncipe foi publicado em 1532, cinco anos depois da morte do autor). A sua intenção era inicialmente ser lido pelo neto de Lourenço de Médici (o Magnífico), Lorenzo di Piero de Médici (1492-1519), que governava Florença durante aquele período histórico.
Lorenzo esteve no poder por apenas três anos, mas a sua família era influente na região há décadas.
Nicolau Maquiavel testemunhou um momento político importante, entre o século XV e o XVI, quando os governos pós Idade Média começaram a se estabelecer de modo mais estável.
Em 1498, Maquiavel foi nomeado secretário e segundo chanceler da República Florentina tendo sido um nome muito importante da vida pública na região.
Maquiavel foi observador na eleição papal de 1503, por exemplo, e esteve ao lado de Júlio II na sua primeira conquista além de ter organizado uma força de infantaria para capturar Pisa novamente em 1509.
Em 1512, no entanto, Maquiavel perdeu o poder que tinha e chegou a ser torturado e preso, tendo que se refugiar no campo ao lado da mulher e dos seis filhos. Foi durante esse período recluso que mais escreveu tendo criado inclusive O Príncipe.
O Príncipe é uma obra atemporal
Apesar de ter sido escrito num contexto histórico completamente diferente, a obra de Maquiavel dialoga conosco até os dias de hoje exibindo o comportamento típico de muitos indivíduos que optaram pela vida política.
O escritor há mais de 500 anos já resumia a sociedade dividindo-a em dois grupos: os poderosos e os que obedeciam. Mesmo sabendo que governos caem e outros ascendem, porque o sistema político é por natureza dinâmico, a sociedade continua sendo regida a partir dessa divisão básica em dois grupos.
"Para resumir o posicionamento dos autores clássicos, podemos dizer que Durkheim e Weber são conservadores, defensores do capitalismo, enquanto Marx é favorável a uma revolução para derrubar de vez esse sistema. 
Como os autores clássicos da sociologia definem as divisões sociais
Cada autor clássico da sociologia entendia a sociedade com base em uma visão diferente e peculiar. Auguste Comte via-a como uma complexidade que deveria ser abordada pelo positivismo, tendo em mente sempre o progresso e o cientificismo. As classes sociais resultantes do capitalismo seriam menos desiguais com o progresso e o ordenamento geral da sociedade.
Para Karl Marx, a sociedade tinha herdado do capitalismo a divisão em classes sociais, o que resultou numa profunda desigualdade social. Para ele existem duas classes sociais: burguesia e proletariado. A burguesia seria a classe detentora dos meios de produção (fábricas), enquanto o proletariado seria detentor apenas de sua força de trabalho, usurpada pela burguesia via trabalho assalariado.
Para Émile Durkheim, a sociedade é um todo organizado com base em suas funções. O método proposto por ele, o funcionalismo, visa entender as funções de cada indivíduo na sociedade a fim de compreendê-la como um todo.
Émile Durkheim é considerado o primeiro sociólogo.
Max Weber, por sua vez, visou compreender a sociedade como um todo complexo de várias ações sociais diferentes. Cada indivíduo agiria de uma forma diferente, e, para saber como essas ações ordenam-se, seria necessário estabelecer-se um parâmetro. Os parâmetros seriam os tipos ideais.
Principais sociólogos clássicos e suas teorias        
Segue-se um resumo das teorias dos principais teóricos clássicos da sociologia:
Karl Marx 
O materialismo histórico dialético de Marx compreende que a história da humanidade é baseada numa relação dialética entre classes sociais. No caso do capitalismo, a divisão dá-se entre burguesia e proletariado. A produção material, resultado do trabalho, é o principal elemento constitutivo da sociedade.
Para Marx, a relação entre as duas classes é injusta, e é necessário, em sua visão, que haja uma revolução da classe proletária para dominar os meios de produção por meio do estabelecimento de uma ditadura do proletariado. Essa ditadura, de cunho socialista, tenderia a eliminar de vez a diferenciação de classes sociais, resultando no comunismo. Para saber mais sobre esse teórico e sua teoria, acesse: Karl Marx.
Émile Durkheim
A sociedade é um todo complexo ordenado por fatos e regido por funções que são os motes para entendê-la. Segundo Durkheim, além da compreensão das funções, deveria haver, por parte do sociólogo, uma compreensão dos fatos que regem as diferentes sociedades, pois eles são fixos. Nas suas palavras, tais fatos são externos ao indivíduo, coercitivos e generalizantes, o que faz com que sejam a única opção de entendimento concreto e científico da sociedade. Conheça mais sobre esse sociólogo lendo o texto: Émile Durkheim.
Max Weber 
O sociólogo alemão Max Weber discordou de maneira veemente da teoria sociológica de Durkheim. Para aquele, não existem fatos sociais, mas ações sociais que são individuais. O papel do sociólogo é compreender o funcionamento da sociedade pelo entendimento das ações sociais individuais via método compreensivo.
Max Weber desenvolveu o método compreensivo da sociologia.
Para que não houvesse uma falta de rigor científico na análise, seria necessário  compreender uma espécie de padrão esperado de comportamento social. A esses padrões, Weber chamou de tipos ideais, que são o padrão de entendimento social. Aprofunde um pouco mais seus conhecimentos nesse autor e em seus conceitos acessando: Max Weber."
Surgimento da Sociologia
A Sociologia surgiu a partir de uma série de fatores que tornou a política, a economia e a sociedade do século XVIII e XIX mais complexa.
Émile Durkheim foi o fundador do método sociológico.
A Sociologia surgiu na primeira metade do século XIX, a partir das ideias do filósofo francês Auguste Comte. Comte entendeu que a sociedade europeia passava por um turbilhão de transformações desde o renascentismo e que a Revolução Industrial teria coroado o ápice das transformações.
Ademais, a necessária Revolução Francesa teria deixado um cenário caótico e instável, que necessitava de correção para que houvesse uma retomada do crescimento econômico, social, moral, científico e político do mundo. Comte formulou, então, as ideias positivistas, que foram o centro dessa primeira produção sociológica.
Porém, a Sociologia somente tornou-se uma ciência, de fato, com um método bem delimitado, a partir das ideias de Émile Durkheim, que foi considerado o primeiro sociólogo a rigor, enquanto Comte é considerado o “pai” da Sociologia.
Contexto histórico do surgimento da Sociologia
Uma série de fatores modificou a economia, a política e a sociedade europeia como um todo. Essa série de fatores desencadeou uma nova organização social que precisava ser compreendida por meio de um método de análise social. São os principais fatores históricos que influenciaram o surgimento da Sociologia:
1. Renascimento: o renascentismo é o período de transição de uma Europa medieval para uma Europa moderna, que passa a valorizar mais a ciência e as artes, reconhecendo a distinção e a importância da razão e do conhecimento humano, além de separá-los os do conhecimento religioso.
2. Surgimento do capitalismo: o mercantilismo, que consiste na primeira fase do capitalismo moderno, desencadeou uma série de fatores que modificaram o cenário europeu. Um deles foi a expansão marítima e comercial, que possibilitou um desenvolvimento econômico mais complexo e a exploração das colônias situadas nas Américas, na África, na Índia e em parte da Ásia.
3. Iluminismo: uma nova concepção intelectual e política, surgiu com o iluminismo. As ideias de igualdade e de disseminação do conhecimento intelectual propagaram-se e trouxeram à humanidade o entendimento de que a evolução moral e social está diretamente ligada à evolução intelectual.4. Grandes revoluções: as revoluções ocorridas no século XVIII, de inspiração burguesa, como a Revolução Americana e a Revolução Francesa, (essa última inspirada por pensadores iluministas) trouxeram uma nova forma de se pensar no Estado e no governo, afastando o Antigo Regime e dando lugar ao republicanismo, o que alterou a lógica social e governamental.
5. Revolução Industrial: houve uma alteração na configuração populacional devido à Revolução Industrial, pois a Europa, até então sumariamente rural, observava uma explosão demográfica nas cidades devido à abertura de indústrias, principalmente na Inglaterra. Os grandes centros urbanos que surgiram repentinamente não tiveram estrutura para abrigar tantas pessoas, e os postos de trabalho também não foram suficientes para todos, o que desencadeou problemas sociais e sanitários, que deixaram como rastro doenças, fome, miséria, desigualdade social e alta taxa de criminalidade. Concomitantemente com os fatores negativos, a Revolução Industrial promoveu uma série de benefícios ligados ao desenvolvimento tecnológico, que promoveram um maior conhecimento técnico especializado e a capacidade de produção em larga escala, o que propiciou o crescimento populacional.
Diante de tantas mudanças que tornaram a vida nas cidades mais complexa, era necessário estabelecer uma forma de entender essa nova Europa, mais desenvolvida em certos aspectos e problemática em outros.
Como a Revolução Francesa contribuiu para o surgimento da Sociologia?
Diante dos fatores que influenciaram o surgimento da Sociologia, a Revolução Francesa ocupa um papel de destaque. Os revolucionários acabaram com o Antigo Regime francês e abriram os olhos do mundo para a necessidade de uma política menos exclusiva, que não operasse por meio de um sistema estratificado e que não se justificasse na suposta vontade divina.
Houve, com a Revolução Francesa, o estabelecimento de uma política laica. Para dar lugar à justificação divina e fundar um Estado de Direitos, a França passou a pensar em um sistema político baseado em ideais racionais que abarcassem a totalidade da população.
O cenário pós Revolução Francesa, no entanto, ficou caótico. A instabilidade política deixou marcas severas no modo de vida dos franceses, no início do século XIX. Havia a necessidade de uma reordenação que tornasse a vida econômica, política e social mais estável, e esse foi, talvez, o maior motivador da criação do positivismo, por Auguste Comte. Essa teoria deu o impulso inicial para a criação da Sociologia, que no início era chamada por Comte de Física Social.
Segundo Comte, a Física Social deveria ser uma ciência tão rigorosa como as Ciências Naturais, copiando o método delas, que seria capaz de entender a complexa sociedade europeia para reordená-la e colocá-la novamente nos trilhos do desenvolvimento.
O surgimento da Sociologia como ciência
Apesar da intenção de Comte, a Sociologia não se firmou como uma ciência capaz de esgotar os estudos de uma sociedade tão complexa. Émile Durkheim, considerado o primeiro sociólogo, foi o responsável por estabelecer um método preciso e rigoroso que alavancasse os estudos sociológicos e colocasse a nova ciência no rol das ciências autênticas.
Para Durkheim, as ideias de Comte eram muito mais próximas de uma abstração filosófica do que do rigor de uma ciência, o que impossibilitava o crescimento científico da Sociologia. Mediante um método comparativo que visava a buscar os fatos sociais que marcavam as diferentes sociedades e compará-los. Isso a fim de entender os diferentes funcionamentos sociais e compreender os diferentes modos de coesão social, Durkheim fundamentou a Sociologia como um estudo autônomo e rigoroso.
O surgimento da Sociologia no Brasil
Antonio Candido|1|. estabeleceu que houve dois momentos importantes na Sociologia brasileira, um entre 1890 e 1940, e outro a partir de 1940, tendo como intermediária a década de 1930. Segundo Candido, o primeiro período não era movido por sociólogos especialistas, mas por estudiosos diletantes que intentavam conhecer a cultura e a sociedade brasileira de modo global.
A partir de 1933, estudiosos de Sociologia passaram a fomentar uma produção sociológica brasileira mais especializada. Eles eram formados pela Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, instituição mais tarde vinculada à USP, e a própria USP, que em sua fundação no ano de 1934, trouxe ao Brasil diversos professores franceses já habituados à pesquisa sociológica, política e antropológica.
No início, destaca Candido, a Sociologia era estudada por juristas que tinham como objetivo estabelecer novos parâmetros para um Estado brasileiro, pautados pelo Evolucionismo e por uma política democrática.
Depois, estudiosos como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior publicaram obras centrais da Sociologia brasileira, que transitam entre a Sociologia e a História. Florestan Fernandes foi um dos primeiros sociólogos de destaque formados nessa primeira geração de sociólogos brasileiros.
Leia também: O que é Filosofia?
Resumo sobre o surgimento da Sociologia
A Sociologia surgiu na França com as ideias de Auguste Comte para uma reordenação social, devido à instabilidade política deixada pela Revolução Francesa e por fatores que mudaram a configuração social europeia. Apesar de Comte ser o “pai” da Sociologia, foi Durkheim quem criou um método de análise social capaz de estabelecer a Sociologia como ciência autêntica.
No Brasil, a Sociologia adentra no fim do século XIX, mas ganha força no início do século XX, com pensadores como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Jr.
Uma nova geração de sociólogos brasileiros mais especializados no assunto surgiu a partir de 1933, com a fundação da Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, e 1934, com a fundação da USP, que trouxe ao Brasil diversos sociólogos franceses para integrar o corpo docente da universidade. O nome de maior destaque dessa primeira geração de sociólogos da USP é Florestan Fernandes.
Karl Marx
Karl Marx foi um filósofo e sociólogo alemão, fundador do socialismo científico e desenvolvedor de uma teoria comunista que modificou os estudos sociológicos.
Karl Marx foi um filósofo, sociólogo, economista, jornalista e teórico político alemão. Junto a Friedrich Engels, elaborou uma teoria política que embasou o chamado socialismo científico. Suas contribuições para a Filosofia Contemporânea incluem, além da análise social e econômica, um novo conceito de dialética, baseado na produção material da humanidade.
Seu conceito dialético, chamado de materialismo histórico dialético, proporciona uma nova visão para a análise social e científica sobre a história da sociedade. Ao analisar a produção material da Europa, no século XIX, Marx identificou a marcante desigualdade e a exploração de uma classe detentora dos meios de produção (burguesia) sobre a classe explorada (proletariado), o que marcou profundamente a sua carreira.
Tópicos deste artigo
· 1 - Biografia de Karl Marx
· 2 - Teoria de Karl Marx
· 3 - Karl Marx e a Sociologia
· 4 - Obras de Karl Marx
· 5 - Frases
Biografia de Karl Marx
Karl Marx nasceu em 1818, na cidade de Tréveris, então território da Prússia. Apesar de ser um dos maiores críticos do capitalismo e da divisão de classes sociais, ele nasceu no seio de uma família de classe alta alemã. Seu pai foi um bem-sucedido advogado e conselheiro de governo. Marx estudou no Liceu Friedrich Wilhelm, tendo uma formação, desde cedo, condizente com a sua classe social.
Aos dezessete anos de idade, Marx ingressou no curso de Direito da Universidade de Bonn, seguindo os passos do pai. Porém, o jovem universitário encontrou as festas e a vida boêmia. A fim de cortar o estilo de vida que o filho levava, Heinrich Marx, seu pai, transferiu-o para a Universidade de Berlim. Lá, o contestador e desafiador Marx conheceu o curso de Filosofia, área de estudo em que se formaria.
Na Faculdade de Filosofia da Universidade de Berlim, Marx foi aluno e discípulo do grande filósofo alemão GeorgWilhelm Friedrich Hegel, pessoa que influenciou a sua produção teórica, principalmente com o conceito de dialética. Nos seus anos em Berlim, Marx mostrou-se um grande crítico de governos e governantes, com inclinações para a crítica social.
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Aos 23 anos de idade, Marx defendeu sua tese em Filosofia, obtendo o título de doutor, o que lhe proporcionou o ingresso na carreira acadêmica. No entanto, por conta de sua ávida crítica ao governo prussiano, o filósofo foi vetado nas universidades, o que o obrigou a trabalhar como jornalista. Pouco mais de um ano que Marx entrou para a redação de um jornal prussiano, de cunho socialista, a censura fechou a publicação.
No mesmo ano em que Marx perdeu o emprego no jornal, 1843, casou-se em segredo com Jenny von Westphalen. No mesmo ano, mudou-se para Paris, tendo contato com os ideais socialistas que influenciaram fortemente a sua produção intelectual.
O casal Karl Marx e Jenny von Westphalen teve sete filhos e quatro deles morreram ainda na infância, por conta da situação precária em que viveram durante muito tempo, causada pela falta de dinheiro. Com a recusa de empregos para Marx e sua carreira instável no jornalismo, o casal viveu por muito tempo apenas de partes que receberam das heranças de seus pais.
As posições radicais de Marx legaram-lhe diversas expulsões de territórios prussianos, alemães e franceses, sendo expulso de vez de Colônia, na Alemanha, em 1848. Também em 1848, publicou o Manifesto Comunista, junto a Engels, o que deu início à obra marxista, que compôs o que chamamos hoje de socialismo científico. Marx estabeleceu-se na Inglaterra, em 1849. Desde 1843 até o fim de sua vida, Marx sobreviveu dos restos de heranças, da ajuda de Friedrich Engels e de artigos que escrevia vez ou outra para jornais.
A partir de sua estada em Londres, o filósofo passou a desenvolver a sua obra mais importante, O Capital, além de livros que se tornaram referências para os estudos de Sociologia, de Economia e sobre o socialismo. O filósofo faleceu no ano de 1883, dois anos após o falecimento de sua esposa, em virtude de complicações respiratórias causadas pelo uso excessivo de tabaco.
Leia também: Desigualdade social – conceito amplamente discutido por Marx
Teoria de Karl Marx
Marx desenvolveu uma densa e extensa obra que abarca importantes conceitos filosóficos, econômicos e históricos, além de abrir caminho para uma ampliação do método sociológico. Porém, o filósofo ficou mais conhecido por sua teoria de análise e crítica social, que reconhecia uma divisão de classes sociais e a exploração de uma classe privilegiada e detentora dos meios de produção sobre uma classe dominada.
O conjunto de seus conceitos importantes compõe o que Marx denominou de materialismo histórico dialético, um método de análise social e histórica baseado na luta de classes.
Logo no início do Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmam que "a história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes|1|". Essa frase icônica representa o cerne do que é o marxismo: o reconhecimento de que diferentes classes sociais são transpassadas por relações de dominação.
Marx e Engels, os autores do “Manifesto do Partido Comunista”.
Dentro da teoria geral marxista, alguns conceitos sobressaem-se por sua ampla importância dentro do próprio sistema marxista. São eles:
· Infraestrutura: pautada na economia e por sua centralidade na esfera produtiva, que é o principal eixo compositor do materialismo histórico. A infraestrutura envolve a divisão do trabalho, a produção e suas relações, a compra, o comércio etc.
· Superestrutura: é um conjunto de instituições e normas que mantém a ideologia social e a lógica de exploração funcionando. São elementos da superestrutura o Estado, as leis, a religião e a cultura.
· Mais-valia: é a diferença entre o preço de matéria-prima e produção de uma mercadoria e o preço do trabalho e o custo dos meios de produção da mesma mercadoria.
· Alienação: há uma separação evidente entre o trabalhador e o fruto de seu trabalho. A mais-valia, que nos processos de produção manufaturados beneficiava os artesãos, no processo de produção capitalista, beneficia o dono dos meios de produção e tira dos trabalhadores a capacidade de se reconhecer no seu próprio trabalho.
· Burguesia: é a classe detentora dos meios de produção.
· Proletariado: é a classe operária.
Após a constatação do processo de dominação, Marx apresentou como possível solução a Revolução do Proletariado, que seria uma revolta da classe operária que tomaria consciência de sua classe, de sua força e das injustiças vividas. Essa revolução derrubaria o Estado e implantaria uma ditadura do proletariado, que teria como missão acabar com a propriedade privada e minar, aos poucos, a diferença de classes sociais. O fim disso seria, supostamente, o comunismo, ou seja, a forma perfeita do socialismo, de acordo com o teórico.
Jornada de trabalho exaustiva, precária e mal remunerada
Karl Marx e a Sociologia
As contribuições de Marx para a História, para a Filosofia e a formulação de um novo modo de análise social, voltada para a crítica do capitalismo, foram fundamentais para a disseminação da Sociologia e para sustentar um método sociológico mais sólido. A teoria crítica do capitalismo fundada por Marx e Engels esclareceu alguns fatores que a análise de Durkheim (Junto a Karl Marx e Max Weber, Durkheim compõe a tríade dos pensadores clássicos da Sociologia) sobre as sociedades capitalistas industriais não aborda
Darwin, evolução e seleção natural
· Charles Darwin era um naturalista britânico que propôs a teoria da evolução biológica por seleção natural.
· Darwin definiu evolução como "descender com modificações", a ideia de que as espécies mudam ao longo do tempo, dão origem a novas espécies e compartilham um ancestral comum.
· O mecanismo que Darwin propôs para evolução é a seleção natural. Em razão dos recursos limitados, organismos com características hereditárias que favoreçam a sobrevivência e a reprodução tendem a deixar mais descendentes do que os demais, o que faz com que essas características aumentem em frequência ao longo das gerações.
· A seleção natural faz com que as populações se tornem adaptadas, ou cada vez mais bem integradas a seus ambientes ao longo do tempo. A seleção natural depende do ambiente e requer a existência de variações genéticas em um grupo.
O que é evolução?
A ideia básica da evolução biológica é que as populações e espécies de organismos mudam ao longo do tempo. Hoje, quando pensamos em evolução, é provável que lembremos de uma pessoa em específico: o naturalista britânico Charles Darwin.
Em 1850, Darwin escreveu um livro influente e controverso chamado A Origem das Espécies. Nele, Darwin propôs que as espécies evoluem (ou como ele colocou, "descendem com modificações"), e que todas os seres vivos podem ter sua descendência rastreada a um ancestral comum. 
[O que exatamente é uma espécie?]
Darwin também sugeriu um mecanismo para a evolução: a seleção natural, na qual características herdáveis que contribuem para a sobrevivência e reprodução se tornam mais comuns em uma população ao longo do tempo. 
[O que "herdável" significa?]
Nesse artigo, vamos examinar as ideias de Darwin. Vamos ver como elas emergiram em sua viagem ao mundo no navio HMS Beagle, e também um exemplo de como a evolução por seleção natural acontece.
[Ideias iniciais sobre a evolução]
[Influências sobre Darwin]
Darwin e sua viagem no Beagle
O livro seminal de Darwin, A Origem das Espécies, apresentou suas ideias sobre a evolução e a seleção natural. Essas ideias foram amplamente baseadas em observações diretas das viagens de Darwin ao redor do globo. De 1831 a 1836, ele foi parte de uma expedição de levantamento topográfico feita pelo navio HMS Beagle, a qual incluía paradas na América do sul, Austrália e a ponta sul da África. Em cada uma das paradas da expedição, Darwin teve a oportunidade de estudar e catalogar as plantas e os animais locais.
Durante seu percurso,Darwin começou a observar padrões intrigantes na distribuição e características dos organismos. Podemos ver alguns dos padrões mais importantes que Darwin percebeu na distribuição dos organismos ao examinarmos suas observações nas Ilhas Galápagos ao longo da costa do Equador.
Quatro desenhos de cabeças de tentilhões. O desenho 1, identificado como Geospiza magnirostris, tem um bico muito 
grande e largo. O desenho 2, identificado como Geospiza fortis, tem um bico grande que não é tão largo quanto o do desenho 1. O desenho 3, identificado como Geospiza parvula, tem um bico pequeno que não é tão largo quanto o do desenho 2. O desenho 4, identificado como Certhidea olivasea, tem um bico longo e estreito.
_Créditos da imagem: "Darwin's finches," por John Gould (domínio público)._
Darwin descobriu que espécies similares de tentilhões, mas não idênticas, habitavam ilhas próximas a Galápagos . Além disso, ele percebeu que cada espécie de tentilhão estava bem adaptada para seu ambiente e sua função. Por exemplo, espécies que comiam sementes grandes e tendiam a ter bico largo e duro, enquanto aquelas que comiam insetos tinham bico fino e afiado. Finalmente, ele observou que os tentilhões (e outros animais) encontrados nas Ilhas Galápagos eram similares às espécies do vizinho continente do Equador, mas diferentes dos encontrados no resto do mundo.
Darwin não percebeu tudo isso em sua viagem. De fato, ele nem mesmo tinha entendido que tentilhões eram espécies relacionadas, porém distintas, até mostrar os espécimes coletados para um ornitólogo especializado (biólogo de aves) anos mais tarde ! No entanto, gradualmente, ele teve a ideia que poderia explicar o padrão de tentilhões relacionados, mas diferentes.
Segundo a ideia de Darwin, o padrão faria sentido se as Ilhas Galápagos tivessem sido habitadas, muito tempo antes, por aves das terras continentais vizinhas. Em cada ilha, os tentilhões devem ter se adaptado gradualmente às condições locais (por muitas gerações e longos períodos de tempo). Esse processo pode ter levado a formação de uma ou várias espécies em cada ilha.
Se a ideia estava correta, então por que estava correta? Que mecanismos poderiam explicar como cada população adquiriu adaptações, ou características que as tornaram bem adaptadas àquele ambiente, naquele determinado momento? Durante sua viagem e nos anos posteriores, Darwin desenvolveu e aperfeiçoou um conjunto de ideias que poderiam explicar os padrões que ele observou ao longo de sua viagem. Em seu livro, A Origem das Espécies, Darwin ressaltou duas ideias principais: a evolução e a seleção natural.
[Alfred Russel Wallace também não desenvolveu essas ideias?]
Evolução
Um diagrama de especiação com espécies modernas no topo, nível 14, e os ancestrais dos quais eles vieram na parte inferior, nível 0. Há 11 espécies ancestrais no nível 0. Seis das espécies ancestrais se extinguiram antes da chegada dos dias modernos. Uma espécie ancestral não se ramificou de nenhuma maneira antes de chegar aos dias modernos. As 4 espécies ancestrais restantes apresentaram ramificações em muitas etapas, o que resultou em muitas espécies separadas. Há 15 espécies nos dias modernos, nível 14.
As espécies modernas aparecem no topo do diagrama, enquanto os ancestrais dos quais elas surgiram são representados mais abaixo no diagrama. Créditos da imagem: "Darwin's tree of life," por Charles Darwin. Fotografia por A. Kouprianov, domínio público.
Darwin propôs que as espécies podem mudar ao longo do tempo, que novas espécies surgem de espécies pré-existentes, e que todas compartilham um ancestral comum. Nesse modelo, cada espécie tem um conjunto único de diferenças herdáveis (genéticas) comparadas ao ancestral comum, que se acumularam gradualmente ao longo do tempo. Eventos repetidos de diferenciação, nos quais espécies novas divergem a partir de seu ancestral comum, produzem uma "árvore" multinível que conecta todos os seres vivos.
Darwin se refere a esse processo no qual os organismos mudam suas características herdáveis através das gerações como "descendência com modificação". Atualmente, nós chamamos de evolução. Os rascunhos de Darwin vistos acima ilustram suas ideias, mostrando como uma espécie pode se diferenciar em duas com o passar do tempo, e como esse processo pode se repetir muitas e muitas vezes na "árvore genealógica" de um grupo de espécies relacionadas.
Seleção natural
Darwin, é importante notar, não propôs apenas que os organismos evoluíam. Se esse tivesse sido o começo e o fim de sua teoria, ele não estaria em tantos livros didáticos como está hoje! Ao invés, Darwin também propôs um mecanismo para a evolução: seleção natural. Esse mecanismo era elegante e lógico, e explicava como populações podiam evoluir (passar por descendência com modificação) de tal maneira que se tornassem melhor adaptadas aos seus ambientes ao longo do tempo.
O conceito de seleção natural de Darwin foi baseado em algumas observações importantes:
· Características são geralmente herdáveis. Em seres vivos, muitas características são herdadas, ou passadas dos pais para os filhos. (Darwin sabia que era esse o caso, apesar de não saber que as características eram herdadas através de genes.)
Um diagrama com um texto que diz: os progenitores transmitem características hereditárias para seus descendentes. À esquerda, uma borboleta azul-escuro e uma borboleta azul-claro cruzam para produzir descendentes com asas em vários tons de azul. À direita, uma borboleta vermelho-escuro e uma borboleta vermelho-claro cruzam para produzir descendentes com asas em vários tons de vermelho.
· Nem toda a prole é capaz de sobreviver. Os organismos são capazes de produzir uma prole maior do que o ambiente é capaz de suportar. Por isso, há competição por recursos limitados em cada geração.
Um diagrama com uma caixa que diz: recursos limitados. Setas apontam para fora da caixa em direção a balões com os textos: falta de alimentos, falta de habitat e falta de parceiros. O texto abaixo disso diz: …nem todos os indivíduos sobreviverão e se reproduzirão. Há uma imagem de um grupo de 16 borboletas com asas em vários tons de azul e de vermelho. Um balão contém o texto glup! que vem de 4 das borboletas.
· A prole varia quanto às características herdáveis. Os descendentes, em qualquer geração, serão ligeiramente diferentes em suas características (cor, tamanho, forma, etc) e muitas dessas características serão herdáveis.
Uma imagem com um grupo de 16 borboletas com asas em vários tons de azul e de vermelho. Um balão de texto que diz: Ei, vocês são vermelhas? Que legal! vem de uma das borboletas azuis. Um balão de texto que diz: Uau! Adorei essa cor de asa azul! vem de uma das borboletas vermelhas. O texto na parte inferior da imagem diz: Na verdade, as borboletas não falam! Desenho criado apenas para fins de ilustração bonitinha. Um rosto sorridente é mostrado ao lado do texto.
Baseado nessas observações, Darwin concluiu que:
· Em uma população, alguns indivíduos vão herdar características que os ajudam a sobreviver e reproduzir (dadas as condições ambientais, como predadores e fonte de nutrientes disponíveis). Os indivíduos com essas características benéficas vão deixar uma prole maior na próxima geração quando comparados aos demais, já que tais características os tornam mais aptos a sobreviver e reproduzir.
· Como as características úteis são herdáveis, e os organismos com essas vantagens deixam uma prole maior, elas se tornarão mais comuns (presentes em uma fração maior da população) na próxima geração.
· Ao longo das gerações, a população se tornará adaptada ao seu ambiente (visto que indivíduos com características úteis a este ambiente têm, consistentemente, maior sucesso reprodutivo que os seus contemporâneos).
O modelo de evolução de Darwin por seleção natural permitiu-lhe explicar os padrões que ele havia visto durante suas viagens. Por exemplo, se as espécies de tentilhão de Galápagos compartilhassem um ancestral comum, faria sentido que elas se assemelhassem fortemente entre si (e aos tentilhõesdo continente, que provavelmente compartilhavam esse mesmo ancestral comum). Contudo, se grupos de tentilhões tivessem sido isolados em ilhas separadas por muitas gerações, cada grupo teria sido exposto a um ambiente diferente no qual diferentes características herdáveis poderiam ter sido favorecidas, tais como tamanhos e formatos diferentes de bico para a utilização de diferentes fontes de alimento. Esses fatores poderiam ter levado à formação de espécies distintas em cada ilha.
Exemplo: como a seleção natural funciona
Para tornar a seleção natural mais concreta, consideremos um exemplo simplificado, hipotético. Nesse exemplo, um grupo de ratos com variação herdável da cor de pelo (preto vs. amarelo) acabou de se mudar para um nova área onde as rochas são pretas. Esse ambiente apresenta gaviões, que gostam de comer ratos e podem ver os amarelos mais facilmente que os pretos em contraste com a rocha preta.
Já que os gaviões podem ver e pegar os ratos amarelos mais facilmente, uma fração relativamente maior de ratos amarelos são comidos, enquanto uma fração muito menor de ratos pretos serão comidos. Se olharmos para a proporção entre ratos pretos e amarelos dentro do grupo sobrevivente ("não comidos"), ela será maior do que na população inicial.
Uma tirinha de 3 quadrinhos, cada um mostrando um falcão voando acima de um grupo de ratos. No primeiro quadrinho, há 3 ratos pretos e 6 ratos amarelos. Os ratos pretos combinam com o chão preto. A legenda diz: Uma população de ratos se mudou para uma nova área onde as pedras são muito escuras. Devido à variação genética natural, alguns ratos são pretos, mas outros são amarelos. Uma seta aponta do primeiro para o segundo quadrinho com os seguintes dizeres: Alguns ratos são comidos por pássaros. No segundo quadrinho, há 3 ratos pretos e dois ratos amarelos. A legenda diz: Os ratos amarelos são mais facilmente vistos pelos predadores do que os ratos pretos. Sendo assim, os ratos amarelos são comidos com mais frequência do que os pretos. Apenas os ratos sobreviventes atingem a idade reprodutiva e geram descendentes. Uma seta aponta do segundo para o terceiro quadrinho com os seguintes dizeres: Os ratos se reproduzem, criando a próxima geração. No terceiro quadrinho, há 7 ratos pretos e dois ratos amarelos. A legenda diz: Como os ratos pretos tinham mais chances de gerar descendentes que os ratos amarelos, a próxima geração tem uma fração maior de ratos pretos do que a geração anterior.
_Esquema baseado em esquema semelhante de Reece et al.  . Contorno do gavião traçado de "Black and white line art drawing of Swainson hawk bird in flight," por Kerris Paul (domínio público)._
A cor do pelo é uma característica herdável (uma que pode ser passada dos pais ao filho). Então, a fração aumentada de ratos pretos no grupo sobrevivente significa uma fração aumentada de filhotes pretos na próxima geração. Após várias gerações de seleção, a população pode ser composta quase inteiramente de ratos pretos. Essa mudança nas características herdáveis da população é um exemplo de evolução.
[Quais genes e alelos estamos presumindo aqui?]
Pontos principais sobre a seleção natural
Quando eu estava inicialmente aprendendo sobre a seleção natural, eu tinha algumas perguntas (e falsos conceitos!) sobre como ela funcionava. Aqui estão explicações sobre alguns pontos potencialmente confusos, que podem ajudar você a ter um senso melhor de como, quando e por que a seleção natural acontece.
A seleção natural depende do ambiente
A seleção natural não favorece características que são de algum modo inerentemente superiores. Ao invés, ela favorece características que são benéficas (isto é, ajudam um organismo a sobreviver e reproduzir-se mais eficientemente que seus pares) em um ambiente específico. Características que são úteis em um ambiente podem na verdade ser prejudiciais em outro. 
[Exemplo]
A seleção natural age sobre a variação genética
A seleção natural precisa de uma matéria prima, e tal matéria prima é a variação genética. Para que a seleção natural aja sobre uma característica, já deve existir variação (diferenças entre os indivíduos) para aquela característica. Ademais, as características têm que ser herdáveis, determinadas pelos genes do organismo. 
[Exemplo]
A variação genética surge de mutações aleatórias
A fonte original para as novas variantes genéticas que produzem novas características herdáveis, tais como cores de pelo, é a mutação aleatória (mudanças na sequência do DNA). Mutações aleatórias que são passadas à prole tipicamente ocorrem na linhagem de células germinativas (espermatozoides e óvulos) dos organismos. A reprodução sexual "mistura e combina" variantes do gene para fazer mais variações. 
[Os organismos sofrem mutação de propósito?]
Seleção natural e a evolução das espécies
Vamos dar uma passo para trás e considerar como a seleção natural se encaixa na visão mais ampla de Darwin sobre a evolução, na qual todos os seres vivos compartilham um ancestral comum e descendem desse ancestral em uma enorme árvore ramificada. O que está acontecendo em cada um dos pontos de ramificação?
No exemplo dos tentilhões de Darwin, nós vimos que grupos em uma única população podem ficar isolados uns dos outros por barreiras geográficas, como um oceano circundando ilhas, ou por outros mecanismos. Uma vez isolados, os grupos não conseguem mais se reproduzir uns com o outros e são expostos a diferentes ambientes. Em cada ambiente, é provável que a seleção natural favoreça características diferentes (e outras forças evolutivas, como a deriva genética, podem atuar separadamente nos grupos). Ao longo de muitas gerações, diferenças nas características herdáveis podem se acumular entre os grupos até o ponto em que eles sejam considerados espécies distintas.
Baseados nas linhas de evidência, cientistas pensam que esse tipo de processo se repetiu muitas e muitas vezes durante a história da vida na terra. A evolução por seleção natural e outros mecanismos ressalta a incrível diversidade das formas de vida atuais, e a ação da seleção natural pode explicar a combinação entre os organismos atuais e seus ambientes.
Pierre Bourdieu
Pierre Bourdieu foi um dos intelectuais mais influentes do século XX, filósofo, etnólogo e sociólogo. Sua obra repercutiu mundialmente e foi um marco para as ciências humanas.
                                                                                                                  
Pierre Bourdieu foi um dos maiores pensadores das ciências humanas do século XX. Filósofo por formação, desenvolveu importantes trabalhos de etnologia, no campo da antropologia, e conceitos de profunda relevância no campo da sociologia, como habitus, campo e capital social. Sua obra é extensa e abrangente, com contribuição para diversas áreas do conhecimento, especialmente na educação e cultura.
Leia também: Para que serve a sociologia? 
Tópicos deste artigo
· 1 - Biografia de Pierre Bourdieu
· 2 - Teoria de Pierre Bourdieu
· 3 - Conceitos de Pierre Bourdieu
· Habitus
· Campo
· 4 - Pierre Bourdieu e a educação
· 5 - Obras de Pierre Bourdieu
· 6 - Frases de Pierre Bourdieu
Biografia de Pierre Bourdieu
Pierre Félix Bourdieu nasceu em 1º de agosto de 1930, em Béarn, no sudoeste da França. Bourdieu era de família humilde. Filho de um funcionário dos correios, cursou o ensino básico em sua cidade, com filhos de pequenos comerciantes, camponeses e operários. Já no ensino médio, estudou em Pau, cidade vizinha, onde se destacou nos estudos e no esporte, jogava rúgbi e pelota basca. Na juventude mudou-se para Paris para cursar Filosofia na École Normale Supérieure. Concluiu sua graduação em 1954.
Em 1955 foi lecionar filosofia numa cidade francesa da região central, porém foi convocado pelo exército para servir em Versalhes. Teve um comportamento rebelde e foi punido com a convocação para ir à Argélia, até então colônia francesa, participar do serviço militar de pacificação num contexto de lutas por libertação nacional.
Nesse período foi professor-assistente na Universidade de Argel, entre1958 e 1960, e aproximou-se da antropologia ao interessar-se em estudar a sociedade argelina, mais especificamente o choque entre o capitalismo colonial e o desejo de independência. Em 1960 teve de ir embora às pressas porque o grupo argelino havia tomado o poder e os franceses considerados liberais estavam sob ameaça de morte.
Quando retornou a Paris, Bourdieu trabalhou na Universidade de Lille. Em Sorbonne, passou a ler sistematicamente e preparar seminários sobre os autores da sociologia clássica, Durkheim, Marx e Weber. Em 1962, fundou o Centro Europeu de Sociologia e tornou-se diretor de estudos da Escola de Estudos Superiores em Ciências Sociais. Sua intensa produção intelectual e suas pesquisas de etnologia desenvolvidas nas décadas de 1960 e 1970 tiveram profundo impacto na sociologia.
Sua observação e análise dos hábitos culturais, especialmente dos franceses, conduziram-no à conclusão de que os gostos e estilos de vida eram condicionados pela experiência social de cada grupo: classe operária, classe média e burguesia. Sua obra mais importante é A distinção: crítica social do julgamento, lançada em 1979.
Pierre Bourdieu deixou um legado intelectual que alcança diversas áreas do conhecimento humano.
Em 1981, quando já caminhava para o reconhecimento internacional, assumiu a cátedra de Sociologia no Collège de France. Lecionou, também, em renomadas universidades ao redor do mundo, como Instituto Max Planck, na Alemanha, e universidades de Harvard e Chicago, nos EUA. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Livre de Berlim (1989), da Universidade Johann Wolfgang-Goethe de Frankfurt (1996) e da Universidade de Atenas (1996).
Foi um dos mais importantes intelectuais do século XX, sua obra tornou-se referência na antropologia e na sociologia e abarcou uma ampla gama de temas, tais como educação, comunicação, política, cultura, linguística, artes, literatura, entre outros.
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Bourdieu teve como marca intelectual a defesa da interdisciplinaridade nas ciências humanas e sociais e a constante busca por independência intelectual. Lia autores de diferentes correntes teóricas para formar seu pensamento. Destacou-se por fortalecer editorialmente escritores jovens e por apoiar greves de trabalhadores, chegando a ser apelidado de “sociólogo do povo”. Faleceu em Paris, em 23 de janeiro de 2002, vítima de câncer.
Veja também: Zygmunt Bauman – sociólogo que estudou a liquidez das relações humanas
Teoria de Pierre Bourdieu
Para Bourdieu, a estrutura social é um sistema hierárquico em que os diversos arranjos interdependentes de poder material e simbólico determinam a posição social ocupada por cada grupo. O poder tem múltiplas fontes, por isso, a influência que um determinado grupo exerce sobre os demais é fruto da articulação entre elas:
· poder financeiro
· poder cultural
· poder social
· poder simbólico
A cada um desses, Bourdieu chama de capital, pois representam a capitalização de um ativo importante para ter-se uma posição de destaque em determinada sociedade e contexto histórico. A distribuição desigual desses poderes, que também podemos chamar de recursos, consolida e reproduz a hierarquia social ao longo do tempo.
Bourdieu divide os poderes em quatro tipos de capital:
· Capital econômico: abrange os recursos materiais, renda e posses.
· Capital cultural: aglutina o conhecimento formal, isto é, o saber socialmente reconhecido por meio de diplomas.
· Capital social: refere-se às relações sociais que podem ser capitalizadas, ou seja, à rede de relações que propicia algum tipo de ganho, que pode ser prestígio, um bom emprego, aumento de salário, influência política, espaço no mundo cultural; enfim, representa benefícios em qualquer das outras modalidades de poder.
· Capital simbólico: é o que confere status, honra e prestígio, tratamento diferenciado, privilégios sociais. A soma ou a ausência desses recursos de poder, herdados ou adquiridos, determinará o lugar ocupado por grupos e indivíduos na hierárquica estrutura das sociedades e condicionará seu estilo de vida e suas oportunidades de ascensão.
Ao pesquisar as práticas de lazer e consumo cultural da sociedade francesa, Bourdieu chegou à conclusão de que a variedade de gostos e de hábitos era profundamente marcada pela trajetória social dos indivíduos, isto é, pela experiência de socialização em que foram integrados, pela educação que receberam. O gosto por determinado tipo de manifestação artística não é inato ou fruto exclusivo de sensibilidade individual, e sim consequência de um processo educativo encabeçado pela família e pela escola.
Bourdieu questionou a ideia de que o gosto cultural e os hábitos de vida são inclinações pessoais e íntimas. Esse brilhante sociólogo mostrou que, pelo contrário, o repertório de gostos e competências culturais é resultado de relações de força entre os capitais mencionados operadas nas instituições responsáveis pela transmissão cultural na sociedade capitalista moderna, a saber, a família e a escola.
Conceitos de Pierre Bourdieu
A obra de Pierre Bourdieu é extremamente densa e sua leitura é de difícil compreensão. Ao contrário do que se pensa, o autor teve uma educação simples e provinciana nos primeiros anos de vida, e, ao ingressar na Escola Superior para cursar Filosofia em sua juventude, teve dificuldades em face da linguagem fluida e rebuscada dos jovens burgueses provenientes das melhores escolas de Paris. Essa dificuldade de produzir uma linguagem fácil acompanhou-o durante a vida, tanto na obra escrita quanto nas conferências e palestras que realizava.
De sua ampla e imponente produção intelectual, são três os seus principais conceitos: campo, habitus e capital, desenvolvidos em suas pesquisas durante as décadas de 1960 e 1970 sobre a vida cultural da sociedade francesa. Esses três conceitos, conforme enfatizado pelo próprio autor, devem ser estudados em sua conexão e interdependência, e não como ideias separadas. O conceito de capital foi abordado no tópico anterior; aqui trabalharemos com os conceitos de habitus e campo.
· Habitus
O habitus é um sistema de repertórios de modos de pensar, gostos, comportamentos, estilos de vida, herdado da família e reforçado na escola. É a articulação dos capitais econômico, cultural, social e simbólico que confere a determinados grupos alta posição na hierarquia social.
O habitus é simultaneamente individual e social. Bourdieu considerou-o como um mecanismo de mediação entre sociedade e indivíduo. O habitus pertence ao domínio coletivo de um grupo ou classe, mas também é internalizado subjetivamente pelos indivíduos que compõem essa classe e dá a eles uma gama de ações entre as quais eles escolherão e exercerão as que considerarem mais adequadas em suas relações sociais.
O habitus é um capital incorporado, um conhecimento adquirido que se alia à capacidade criativa e volitiva do agente social. Aí vemos que Bourdieu não mais se inclinava à rigidez do estruturalismo preponderante sobre a ação individual, tampouco se inclinava a uma filosofia individualista que delegasse exclusivamente ao indivíduo o monopólio da ação.
Há uma dinâmica entre a estrutura social objetiva e o agente social, cujo percurso de ações individuais baseia-se nessas condições estruturadas, mas é capaz de modificá-las. Bourdieu definiu o habitus como um “sistema de disposições duráveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionarem como estruturas estruturantes”|1|.
· Campo
O campo, por sua vez, é o espaço comum de concorrência entre os agentes sociais que possuem interesses diferentes. Eles estão situados em lugares pré-fixados em função da hierárquica e desigual distribuição dos recursos, que gera diferentes posições na estrutura social. O conceito de campo refere-se a todos os espaços onde se desenvolvem relações de poder. É aplicável a todos os domínios da vida social:
· político
· econômico
· literário
· jurídico
· científico etc.
Cada campo configura-se por meio da distribuição desigual do poder naquele nicho de interesse, portanto,é constituído pelas hierarquias resultantes dessa disputa em que os que possuem maior soma de capital social naquele nicho alcançam as melhores posições. O campo estrutura-se, reproduz-se ou modifica-se conforme modela-se o confronto entre dominantes e dominados.
O polo dominante pretende manter a configuração do campo como está, portanto, tem ação conservadora e ortodoxa, já o polo dominado, que pretende mudar de posição na correlação de forças, tem comportamento reformista ou revolucionário e heterodoxo, tendendo a desacreditar a legitimidade dos atuais detentores do capital social daquele campo.
Acesse também: Classe social – divisão socioeconômica do mundo em um sistema capitalista
Pierre Bourdieu e a educação
Pierre Bourdieu aponta que as duas principais instituições socializadoras são a família e a escola. Para esse autor, as relações educativas nas sociedades capitalistas são essencialmente relações de comunicação. Isso significa que a compreensão do que é comunicado depende de um repertório prévio de conhecimentos, o que podemos constatar, por exemplo, na apreciação das artes eruditas.
A hierarquização da sociedade e a desigualdade na distribuição de recursos materiais e simbólicos fazem com que algumas famílias possuam bagagem cultural para identificar e assimilar os códigos de ensinamento escolares, e que outras não. Assim sendo, estudantes oriundos de famílias abastadas já iniciam sua trajetória escolar em condição de vantagem com relação aos estudantes oriundos de famílias pobres, posto que já receberam em casa elementos que os auxiliarão a decodificar os conteúdos apresentados na escola.
A cultura escolar, para Bourdieu, é similar à cultura dos grupos sociais detentores dos quatro tipos de capitais, que são hegemônicos e dominantes sobre os demais. Esses grupos do topo da hierarquia social acumulam, por gerações, o conhecimento ensinado nas escolas, e estas, por sua vez, legitimam a predominância cultural deles.
Num contexto de rígida hierarquia e desigualdade entre grupos, o tratamento igualitário no ambiente escolar acaba por incorrer em distorções e injustiças, na visão de Bourdieu. Quando a escola cobra de todos a familiaridade com a alta cultura que só uns poucos possuem, sem levar em conta as diferenças de origem social e suas implicações na socialização do conhecimento, ela reforça desigualdades preexistentes.
Bourdieu detectou um descompasso entre as competências culturais exigidas pela escola e as competências culturais desenvolvidas nas famílias da base da pirâmide social. Para ele, o sistema escolar furta-se ao seu papel de oferecer o acesso democrático do conhecimento a todos quando elege como superior uma competência cultural identificada com o pequeno grupo detentor do capital cultural necessário para praticá-la, o que reforça as distinções entre os grupos, relegando os segmentos populares à inadequação ou ao estigma da incompetência.
Essa restrição do acesso ao conhecimento não é prejudicial somente aos estudantes, representa também o desperdício de talentos. A esse processo da exigência escolar de um conhecimento cultural anterior para receber a transmissão do ensino, que implica a negação de outras formas de cultura que não fosse a erudita, Bourdieu denominou violência simbólica.
Bourdieu foi um grande sociólogo do século XX. Sua contribuição abarca a sociologia e o próprio fazer sociológico.[1]
Obras de Pierre Bourdieu
Pierre Bourdieu tem uma vasta obra. Entre seus livros mais importantes, estão:
· A distinção
· O poder simbólico
· A dominação masculina
· Razões práticas sobre a teoria da ação
· A profissão de sociólogo
Destacaremos aqui suas obras que foram publicadas no Brasil:
· Campo econômico
· Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal
· Contrafogos 2: por um movimento social europeu
· Convite à sociologia reflexiva
· O desencantamento do mundo
· A dominação masculina
· Economia das trocas linguísticas
· A economia das trocas simbólicas
· Escritos de educação
· Coisas ditas
· Liber 1
· Lições da aula
· Livre-troca: diálogos entre ciência e arte
· Meditações pascalianas
· A miséria do mundo
· Ontologia política de Martin Heidegger
· Pierre Bourdieu
· O poder simbólico
· A profissão de sociólogo
· Questões de sociologia
· Razões práticas sobre a teoria da ação
· As regras da arte
· A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino
· Sobre a televisão
· O amor pela arte: os museus de arte na Europa e seu público
· As estruturas sociais da economia
· Senso prático
· Os herdeiros: os estudantes e a cultura
Frases de Pierre Bourdieu
“Não há democracia efetiva sem um verdadeiro crítico.”
“Além de permitir à elite se justificar de ser o que é, a ideologia do dom, chave do sistema escolar e do sistema social, contribui para encerrar os membros das classes desfavorecidas no destino que a sociedade lhes assinala, levando-os a perceberem como inaptidões naturais o que não é senão efeito de uma condição inferior, e persuadindo-os de que eles devem o seu destino social (cada vez mais ligado ao seu destino escolar) à sua natureza individual e à sua falta de dom.”
“Com efeito, para que sejam favorecidos os mais favorecidos e desfavorecidos os mais desfavorecidos, é necessário e suficiente que a escola ignore, no âmbito dos conteúdos do ensino que transmite, dos métodos e técnicas de transmissão e dos critérios de avaliação, as desigualdades culturais entre as crianças das diferentes classes sociais. Em outras palavras, tratando todos os educandos, por mais desiguais que sejam eles de fato, como iguais em direitos e deveres, o sistema escolar é levado a dar a sua sanção às desigualdades iniciais diante da cultura.”
“O trabalho dos dominadores é dividir os dominados.”
“O ressentimento ligado ao fracasso só torna quem o experimenta mais lúcido em relação ao mundo social, cegando-o ao mesmo tempo em relação ao próprio princípio dessa lucidez.”
“O campo artístico é lugar de revoluções parciais que alteram a estrutura do campo sem porem em questão o campo enquanto tal e o jogo que nele se joga.”
“As pessoas que se querem à margem, fora do espaço social, se situam no mundo social, como toda a gente.”
“Ethos de classe (para não dizer ‘ética de classe’), quer dizer um sistema de valores implícitos que as pessoas interiorizaram desde a infância e a partir do qual engendram respostas a problemas extremamente diferentes.”
“Toda ordem estabelecida tende a produzir (em graus muito diferentes, com diferentes meios) a naturalização de sua própria arbitrariedade.”
“Nada é mais adequado que o exame para inspirar o reconhecimento dos veredictos escolares e das hierarquias sociais que eles legitimam.”

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