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Língua Portuguesa - Interpretação de texto II IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 69 Texto para as questões 159 a 162: “Onde a lei não vale É comum que educadores louvem o esporte por uma suposta capacidade de transmitir ao jovem as virtudes da disciplina e do companheirismo, valores úteis para a vida em sociedade. Esse tipo de raciocínio faz com que a prática de esportes nas escolas leve o nome até um pouco pomposo de Educação Física. Mas o educador que parasse para observar um pouco mais de perto o futebol profissional brasileiro provavelmente proibiria os jovens até de pisar num gramado. Uma série de denúncias relativamente recentes escancarou o que muitos já desconfiavam: tráfico de influência, sonegação e formação de quadrilha. Os problemas de jogadores e dirigentes com o Fisco não são novidade. Em 94, dirigentes provi- denciaram para que toneladas de bagagem trazidas pela vitoriosa seleção brasileira não fossem objeto de vistoria alfandegária, o que leva o nome técnico de contrabando. Há pouco, o então treinador da seleção brasileira, Wanderley Luxemburgo, admitiu não ter informado ao Fisco o recebimento de milhares de reais. O técnico inovou outra vez ao tentar criar a figura da sonegação culposa, declarando que não tivera a intenção de burlar a lei. E Luxemburgo confessou seus crimes fiscais para rebater a acusação de que recebia comissão sobre a venda de jogadores. Em termos penais, uma falta bem menos grave do que a sonegação, mas de forte estigma ético no meio futebolístico. Para coroar, tornou-se público que uma asso- ciação de grandes times brasileiros mantinha acordo para, anticonstitucionalmente, boicotar jo- gadores que fossem à Justiça defender seus direitos. A principal queixa relaciona-se ao anacrônico e absurdo instituto do passe, que recende a escravismo. Talvez seja exagero, baseado apenas no futebol, concluir que o esporte não cumpre os propósi- tos apregoados por educadores. Mas, olhando para o futebol, é inescapável a tese de que a prática esportiva não é garantia do exercício da ética.” Editorial da Folha de S. Paulo, 29/8/2000. Com adaptações. Culposo, na linguagem do Direito, por exemplo em “crime culposo”, significa o que é resultante de imprudência, negligência ou imperícia da pessoa, não do seu desejo de praticar um ato não legal. 159. UFSE Considerando-se o primeiro e o segundo parágrafos, é correto afirmar que o autor: a) partilha da crença de que o esporte é comprovadamente útil para desenvolver nos jovens valores como a disciplina e companheirismo. b) demonstra uma certa reserva ao fato de existir nas escolas a disciplina Educação Física. c) deixa transparecer que sua defesa da proibição de os jovens freqüentarem campos de futebol se deve ao fato de o esporte ter sido profissionalizado. d) assinala que os educadores exaltam o valor educativo do esporte baseados numa hipó- tese que nem sempre é comprovada na prática. e) evidencia que os crimes recentemente cometidos no futebol chocam pelo seu inedi- tismo. 160. UFSE Percebe-se o tom irônico do autor quando ele: a) dá uma informação, “o que leva o nome técnico de contrabando”, para indicar que tudo o que veio antes na frase corresponde a um eufemismo para suavizar o significa- do do ato praticado. b) comprova que os “problemas de jogadores e dirigentes com o Fisco não são novida- de”, explicando detalhada e tecnicamente tudo o que ocorreu com a seleção brasileira vitoriosa em 94. c) cita que Wanderley Luxemburgo “admitiu não ter informado ao Fisco o recebimento de milhares de reais”. d) afirma que receber comissão sobre a venda de jogadores é, “em termos penais, uma falta bem menos grave do que a sonegação”. e) avalia que o passe, contrato de vinculação exclusiva de um atleta profissional a um clube, é anacrônico e absurdo. Língua Portuguesa - Interpretação de texto II IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 70 161. UFSE Há pouco, o então treinador da seleção brasileira, Wanderley Luxemburgo, ad- mitiu não ter informado ao Fisco o recebimento de milhares de reais. Está subentendido na frase acima que: a) faz pouco tempo que Wanderley Luxemburgo deixou de reconhecer sua omissão. b) a seleção brasileira não tem mais treinador. c) a seleção brasileira é hoje diferente daquela do tempo de Luxemburgo. d) Wanderley Luxemburgo não é mais treinador da seleção brasileira. e) o Fisco não sabe que Luxemburgo recebeu milhares de reais. 162. UFSE … “olhando para o futebol, é inescapável a tese de que a prática esportiva não é garantia do exercício da ética”. Vista no contexto, esta frase significa que: a) os jogadores de futebol deixam muito a desejar no que se refere a “bom comporta- mento”, exemplificando a tese de que não há ética na vida nacional. b) é inaceitável a tese de que esportistas nem sempre apresentam comportamento ético, apesar do que se vê no futebol. c) a atuação dos profissionais brasileiros do futebol comprova a idéia de que o esporte nem sempre assegura a seus praticantes comportamentos desejáveis de um ponto de vista moral. d) o futebol mostra que a Educação Física defende valores éticos, por isso é inadmissível que os jogadores não os garantam na prática. e) é importante a defesa da idéia de que o esporte desenvolve valores úteis para a cidada- nia, mesmo quando não se pode garantir sua eficácia entre os praticantes de futebol. Texto para as questões 163 e 164: “Bons tempos aqueles em que espadas de pau e pistolas de plástico garantiam uma distância saudável entre a inocência e a malícia. Desde que esses brinquedos foram substituídos por esco- petas eletrônicas e inimigos que sangram, brincar passou a ser uma atividade passiva e solitária. ‘Em um videogame, o jovem vira um autômato que transforma impulsos visuais em movimentos motores limitados’, diz o professor de Ciência da Computação Valdemar Setzer, que pesquisa efeitos da informática no comportamento. Para Setzer, os videogames induzem à passividade porque inibem a vontade: com movimentos repetitivos e predefinidos, não se raciocina. Aliás, usar a cabeça só atrapalharia. É necessário ter rapidez de reflexos para dar conta de atirar primeiro e nunca fazer perguntas. ‘Os videogames são projetados para que o jovem fique excitado a ponto de não ter de esforçar- se para continuar jogando. Na verdade, ele precisa de empenho para parar’, diz o professor. O pior é que isso pode levar a uma espiral sem fim, inclusive com o risco de vício. Ele vai se acostu- mando a um certo padrão de excitação e, para provocar sensações mais intensas, precisa de jogos cada vez mais violentos e cruéis. Assim, o jovem tende ao retraimento, isolando-se e trocando o mundo real pelo virtual. Uma troca perigosa. Atividades físicas e em grupo são um antídoto. As vantagens são tanto físicas quanto emocio- nais. A diversão em grupo ensina o jovem a se relacionar.” Adaptado de Superinteressante, junho/99, p. 32. 163. Unifor-CE De acordo com o texto, os videogames: a) transformaram-se, atualmente, em excelentes meios de controle do comportamento de crianças e jovens muito agitados, estimulando sua atenção. b) podem tornar-se facilmente um vício, tão prejudicial para a formação da criança e do jovem, quanto qualquer outro instrumento. c) constituem-se no melhor exemplo de brincadeiras infantis, numa época caracterizada pelo desenvolvimento tecnológico. d) representam o mais eficiente tipo de exercício para o desenvolvimento da agilidade mental de crianças e jovens. e) podem causar aborrecimentos e frustrações em jovens e crianças que não possuam a necessária rapidez de reflexos para esse divertimento.