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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 30 72. Univali-SC “As armadilhas da lógica (...) Ele lecionava lógica de segunda a sábado para uma turma, digamos, efervescente. Aborre- cido com o mau desempenho de seus discípulos, um dia perdeu a paciência: “A partir de agora, vocês terão uma prova toda semana”, anunciou peremptoriamente. E ressaltou: “Como na vida o tempo é escasso e bem determinado, eu só avisarei de véspera que o teste será realizado. Assim, os senhores terão no máximo 24 horas para se preparar, e nada mais”. Assustados, os jovens se remexeram em suas carteiras. Um deles, porém, manteve a impassividade de quem tinha a certeza de ter encontrado uma brecha lógica. Depois de esperar que o evidente mau humor do mestre passasse, o jovem ponderou: “Profes- sor, rigoroso, porém justo e lógico como o senhor tem sido, quero acreditar que nunca poderá nos dar tal prova”. Antes que todos saíssem do estado de curiosidade e espanto, emendou. “O se- nhor, para ser coerente, nunca poderá reservar o sábado para nos testar, pois, como ele é o último dia com aulas na semana, ao terminarmos as aulas da quinta-feira e percebermos que não nos avisaram da prova da sexta-feira, então saberemos com 48 horas de antecedência que ela só poderá ser no sábado, contrariando sua própria norma de termos no máximo um dia de preparo”. “Parece-me justo”, afirmou o professor, que podia ser rigoroso mas não impermeável a um bom argumento. O estudante, no entanto, ainda não tinha terminado. “Se o senhor concorda, então, que o sábado está descartado, isso significa que sexta-feira é o último dia para aplicar o teste”, racioci- nou. “Assim, ao terminar a nossa aula de quarta-feira, se o senhor não nos avisar do teste na quinta, logo descobriremos, com 48 horas disponíveis, que a prova será na sexta-feira, contrarian- do mais uma vez a regra imposta”. Não foi necessário prosseguir. O mestre percebeu que havia caído numa armadilha da lógica ao formular uma regra impossível de ser coerentemente seguida. Pelo mesmo critério, ficariam preju- dicados os demais dias da semana. (...)” Luiz Barco. Após a leitura do trecho acima, retirado da revista Superinteressante de maio de 1999, pode-se pressupor que o autor pretende: a) fazer que os professores não se utilizem da “prova” para forçar seus alunos a estudar; b) mostrar que há lógica matemática até em pequenas situações do dia-a-dia; c) reafirmar que o “aluno sempre tem razão”; d) provar que o cálculo realizado pelo aluno está equivocado; e) chamar a atenção para a lógica como armadilha, portanto, não deve ser usada em todos os casos. 73. Unb-DF O texto poético pode servir de base ao texto publicitário; porém, às vezes, é este que fundamenta aquele. Relacionando essa observação ao texto acima, julgue os itens que se seguem. ( ) O texto é uma paródia da embalagem original de um produto. ( ) O modo como foi desenhada a letra inicial de “Clichetes” permite a leitura musi- cal, financeira e política da mensagem. ( ) No texto, “MASCARAR” está para mascar assim como “MENTAL” está para menta. ( ) Esse é um texto característico da literatura que se propagou no Brasil a partir de 1922 como uma espécie de crítica ao imperialismo norte-americano. Língua Portuguesa - Interpretação de texto I IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 31 74. UFGO O poema abaixo é de José Paulo Paes. “À IMPROPRIEDADE De cearense sedentário De carioca cerimonioso baiano lacônico gaúcho modesto mineiro perdulário paulista preguiçoso Deus nos guarde. Deus nos livre e guarde.” Interpretando-se os sentimentos do poema, pode-se afirmar que: ( ) em seu sentido global, o poema reafirma os estereótipos a respeito dos diversos tipos de brasileiro. ( ) o poema construído com antíteses parcialmente implícitas: ao conceito de “cearen- se sedentário”, por exemplo, opõe-se “cearense migrante”. ( ) o poema é bem-humorado por causa das inversões de sentido utilizadas pelo autor. ( ) o título “À impropriedade” funciona como um ornamento dispensável ao texto, sem manter assim relações de sentido com o poema. INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto e julgue os itens das questões de 75 a 77. “UM DIA QUALQUER - 66583624 (Chico Amaral) Na espuma das ondas As meninas se lançam As cadeiras redondas Onde as ondas se amansam Todo dia é na praia Todo minuto é pra um Todo dia é todo o tempo O tempo todo, tempo algum Eu passei lá na vila Ele é de Vila Isabel Meu nego meu jongo Hoje eu chego na barra do céu Você me entenda Dança de Oxum é assim Se joga no mundo Cai nas ondas e volta para mim Hoje é final de século Hoje é um dia qualquer Você vai ao cinema Ou toma um foguete, ou toma um café Hoje bobagem, drama Hoje é um dia comum Você deita na cama Com os pés no século vinte e um Então corre pra ver Então fica para ver Então corre pra ver Beleza do mundo descer Toda rua começa Onde acaba o meu mal De conversa em conversa Eu já passei da capital Era um filme domingo Penas do paraíso Eu só guardo o que me ensinou que tocar é preciso” (CD–SKANK) 75. UFMT ( ) Lendo somente as palavras em negrito, pode-se perceber que a imagem de vida do eu lírico permanece inalterada mesmo com a proximidade do século vinte e um. ( ) No texto, predomina a narração com a manutenção da unidade temática. ( ) A linguagem do texto é marcada pela logicidade e linearidade. ( ) O texto ressalta a uniformidade da formação cultural brasileira: branca, européia e cristã. 76. UFMT ( ) Na primeira estrofe, concretiza-se uma paródia do célebre poema de Bandeira: “a onda anda/aonde anda/a onda?”. ( ) Há também na primeira estrofe um traço erotizante traduzido pela imagem ...ca- deiras... onde as ondas se amansam. ( ) O espraiar das ondas é sugerido pela reiteração de fonemas nasais em toda a estrofe primeira. ( ) A última linha do texto estabelece intertextualidade com os versos “Navegar é preciso/ viver não é preciso”, revelando, assim como estes, o sentido da vida para o eu lírico.