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Os princípios da Óptica Geométrica 191 4. Fenômenos da Óptica Geométrica Quando a luz, propagando-se num meio 1 , atinge a superfície S, que separa esse meio de outro meio 2 , podem ocorrer dois fenômenos: a) parte da luz volta a se propagar no meio 1 . É a reflexão da luz. b) outra parte passa a se propagar no meio 2 . É a refração da luz (fig. 3). Dependendo da natureza do meio 2 e da superfície S, haverá predominância de um dos fenômenos. Se S for a superfície plana e polida de um corpo metálico opaco (meio 2 ), a um feixe cilíndrico incidente corresponderá um feixe refletido, também cilíndrico (fig. 4). A reflexão é denominada regular. No caso em que S é a superfície áspera e não escura de um corpo opaco (meio 2 ), o feixe cilíndrico retorna, perdendo o paralelismo (fig. 5). É a reflexão difusa ou difusão da luz. Difundir é espalhar e, portanto, no meio 1 ocorre um espalhamento da luz. É através da reflexão difusa que podemos ver os objetos que nos cercam. Em uma sala iluminada, qualquer que seja a posição que tomamos ao observar um objeto, nós o vemos, pois ele reflete difusamente luz para nossas vistas. Quando ocorre refração, a um feixe cilíndrico incidindo em uma superfície pla- na pode corresponder um feixe refratado, também cilíndrico (fig. 6). A refração é, nesse caso, denominada regular. É o que acontece se os meios 1 e 2 forem transparentes, como, por exemplo, o ar e a água de uma piscina. Um raio de luz monocromático, azul, está incidindo numa lâmina prismática de vidro homogêneo e transparente (fig. 7). Esse raio de luz sofre reflexão e refração sucessivamente nas faces A e B. Exemplo 2 luz incidente luz refletida luz refratada S 1 2 Figura 3. S 1 2 Figura 4. Reflexão regular. S 1 2 Figura 5. Reflexão difusa. S 1 2 Figura 6. Refração regular. 1 2 3 4 5 6 lâmina de vidro face A face B Figura 7. Se o feixe refratado perder o paralelismo, a refração será denominada difusa (fig. 8). Isso ocorrerá, por exemplo, se o meio 2 for translúcido, como o vidro fosco e o bulbo leitoso das lâmpadas. A reflexão é um fenômeno que sempre ocorre. A refração, no entanto, não ocorre em todas as situações, como veremos no capítulo 11. Quando a luz atravessa um meio material, ela é gradativamente absorvida. O grau de absorção depende da natureza do meio material e do tipo de luz. Há materiais em que a absorção da luz ocorre num pequeno percurso. É o caso, por exemplo, dos metais. Em outros materiais, a luz percorre grandes distâncias até ser absorvida total- mente. Isso acontece quando a luz atravessa a água. Por exemplo, no fundo do mar, em profundidades superiores a 300 metros, reina completa escuridão. ObsErvE bEm • Na reflexão, a luz “bate” na face da lâmina e volta para o mesmo meio de onde ela provém. • Na refração, a luz atravessa a face da lâmina e muda de meio. • Na incidência da luz contra cada uma das faces da lâmina sempre ocorre reflexão, ainda que parcialmente. S 1 2 Figura 8. Refração difusa. Il U St r A ç õ ES : zA Pt 1 Raio incidente na face A 2 Raio refletido na face A 3 Raio refratado na face A 4 Raio incidente na face B 5 Raio refletido na face B 6 Raio refratado na face B ou ain- da raio emergente do sistema Capítulo 8192 5. A cor de um corpo A cor que um corpo apresenta, por reflexão, ao ser iluminado, depende da consti- tuição da luz que ele reflete difusamente. Um corpo iluminado com luz branca (luz solar) apresenta-se branco quando reflete difusamente as luzes de todas as cores nele incidentes. Se o corpo absorver todas as luzes nele incidentes, vai apresentar-se negro. Um corpo apresenta-se azul, quando iluminado com luz branca, se reflete difusa- mente a luz azul, absorvendo as demais. Observe que um corpo pode refletir difusamente a luz de uma determinada cor e ser transparente ou translúcido para luzes de outras cores. Assim, um corpo, ao ser observado sob efeito da luz que o atravessa, pode ter, por refração difusa, cor diferente daquela apresentada por reflexão difusa. A cor do céu Ao atravessar a atmosfera terrestre, a componente da luz solar que sofre difusão, isto é, espalhamento, de maneira mais acentuada é a luz azul. Por esse motivo, o céu é azul. Se não existisse atmosfera, o céu seria sempre negro, sal- vo na direção do Sol. Esse fato é notado a grandes altitudes, onde a atmosfera é mais rarefeita. Por não haver atmosfera, o céu da lua é negro. As gotas de água que compõem as nuvens espalham, com a mesma intensidade, luzes de todas as cores. Por isso, as nuvens são vistas brancas. No pôr do sol e na alvorada, a luz solar atravessa uma espessura maior de atmosfera antes de atingir a superfície terrestre (fig. 9). Nessas condições, em virtude do maior espalhamento da luz azul e de cores próximas a ela, recebemos a luz solar sub- traída dessas cores numa proporção maior do que ao meio- dia. Desse modo, na luz solar recebida há uma predominân- cia da luz vermelha. Por esse motivo, o Sol e o céu ao seu redor são vistos avermelhados. luz solar atmosfera B C A Figura 9. A, B e C são três observadores no equador. Com relação aos observadores B (pôr do sol) e C (alvorada), a luz solar atravessa espessuras da atmosfera maiores do que em relação a A (meio-dia). Exercícios de Aplicação 1. A lâmpada do escritório estava acesa e iluminava um espelho que refletia luz sobre o livro da mesa. Para um leitor desse livro quais das afirmativas são verdadeiras? I. O leitor recebe luz do livro, o que lhe permite ler o seu conteúdo. II. A lâmpada é a fonte de luz primária nesse escritório. III. O espelho é uma segunda fonte de luz primá- ria, pois reflete luz. Do que se afirmou, estão corretas: a) apenas I e II. d) apenas a III. b) apenas I e III. e) todas as três. c) apenas II e III. Resolu•‹o: I. Verdadeira. Uma condição para que enxer- guemos um objeto é que dele parta a luz para os nossos olhos. As páginas recebem luz do ambiente e refletem para o leitor, funcionando como uma fonte de luz secun- dária. II. Verdadeira. É da lâmpada que vem toda a luz desse escritório. Seja ela uma lâmpada incan- descente ou fluorescente, ela é uma fonte primária. III. Falsa. O espelho é apenas o refletor de luz. Não é no espelho que “nasceu” a luz. Ele é uma fonte secundária. z A P t Os princípios da Óptica Geométrica 193 2. Uma lâmpada incandescente ilumina, à noite, uma grande sala. Para um observador no ambiente, esta lâmpada se comporta como uma fonte de luz: a) secundária e puntiforme. b) secundária e extensa. c) primária e puntiforme. d) primária e extensa. 3. A luz proveniente de uma estrela situada próxima da Terra demora 2 milhões de anos para chegar até nós. Qual é a distância dessa estrela até o nosso planeta? (Dados: c = 3,0 · 105 km/s e 1 ano = 365 dias = 3,1 · 107 s.) Dê a resposta em: a) anos-luz; b) quilômetros. Resolução: a) Ano-luz é uma conveniente unidade de medida de comprimento e de distância muito usada em Astronomia. Equivale à distância percorrida pela luz durante 1 ano no vácuo. A luz proveniente da nossa estrela deve cami- nhar no vácuo durante 2 milhões de anos para chegar até nós. Logo, ela está a 2 milhões de anos-luz da Terra. d = 2 · 106 AL Observação: O ano-luz não é uma unidade do SI, por isso não há uma notação oficial para simbolizá-lo. Adotamos AL. b) Para converter o ano-luz em quilômetro, devemos calcular realmente essa distância. d = c ∙ Δt d = 3,0 · 105 km s · 3,1 · 107 s ⇒ ⇒ d = 9,3 · 1012 km 4. Uma estrela que vemos hoje em nosso céu está situada a uma distância de um milhão de anos- luz da Terra. Podemos afirmar que: a) a estrela que hoje vemos está realmente pre- sente no céu, na posição que a observamos. b) a luz dessa estrela demora 20 anos para che- gar até nós.c) o que vemos hoje é o passado. Essa estrela emi- tiu a luz há um milhão de anos, chegando agora na Terra; talvez ela já tenha desaparecido. d) se viajarmos em uma nave em direção a essa estrela, com uma velocidade próxima da luz, lá chegaremos em um ano. 5. Sabendo-se que c = 3,0 · 108 m/s e que 1 ano tem aproximadamente 3,1 · 107 s, converta em anos-luz as seguintes distâncias: a) 9,3 · 1015 m b) 276 · 1016 m 6. A luz branca pode ser decomposta em sete cores, a saber: vermelho, alaranjado, amarelo, verde, azul, anil e violeta. No vácuo a luz tem velocida- de c. a) Qual das sete cores tem maior velocidade no vácuo? b) Quando a luz branca incide numa lâmina de vidro e a atravessa, qual das sete cores tem maior velocidade? Essa velocidade é maior, menor ou igual a c? Resolução: a) No vácuo as sete cores têm velocidades iguais a c. Portanto, do vermelho ao violeta, todas têm a mesma velocidade. b) Num meio material, ainda que transparente, as sete cores têm velocidades diferentes. A luz vermelha é mais rápida que a alaranjada e assim por diante. A luz violeta é a mais lenta. No entanto, essa diferença é muito pequena. Embora o vermelho seja o mais rápido, sua velocidade é menor que c. 7. Na Lua não existe atmosfera. Quando a luz do Sol incide no nosso satélite, qual das sete cores pos- sui maior velocidade nas proximidades da Lua? 8. Uma camisa apresenta listras nas cores verde e branca, quando iluminada com luz branca. Em um recinto iluminado com luz vermelha monocromá- tica, em que cores se apresentarão as listras? Resolução: A listra verde reflete difusamente a luz verde e absorve as demais. Ao ser iluminada com luz vermelha, ela absorverá essa luz e, portanto, se apresentará preta. A listra branca reflete difusamente bem todas as luzes nela incidentes. Ao ser iluminada com luz vermelha, refletirá essa luz e, portanto, será vista vermelha. 9. O cubo da figura tem suas faces pintadas nas cores verde, vermelha ou amarela. 1 2 3 Qual será a cor das faces 1, 2 e 3 quando o cubo for iluminado com luz monocromática: a) de cor amarela pura? b) de cor vermelha pura? c) de cor azul pura? z A P t