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1 PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERDISCIPLINAR: FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DO ENSINO DE QUÍMICA Maiara Pereira Mendes FACULDADE ÚNICA DE IPATINGA 2 Maiara Pereira Mendes Graduada em Tecnologia em Processos Químicos pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Mestra e doutora em Ciência de Alimentos pela Universidade Estatual de Maringá. Atualmente atua na pesquisa e no ensino superior nas principais áreas: ciência e tecnologia de amidos, cereais e bebidas; química de alimentos, processo de extrusão, química analítica e química orgânica. PRÁTICA PEDAGÓGICA INTERDISCIPLINAR: FUNDAMENTOS E METODOLOGIA DO ENSINO DE QUÍMICA 1ª edição Ipatinga – MG 2022 3 FACULDADE ÚNICA EDITORIAL Diretor Geral: Valdir Henrique Valério Diretor Executivo: William José Ferreira Ger. do Núcleo de Educação a Distância: Cristiane Lelis dos Santos Coord. Pedag. da Equipe Multidisciplinar: Gilvânia Barcelos Dias Teixeira Revisão Gramatical e Ortográfica: Izabel Cristina da Costa Revisão/Diagramação/Estruturação: Bárbara Carla Amorim O. Silva Bruna Luiza Mendes Leite Carla Jordânia G. de Souza Guilherme Prado Salles Rubens Henrique L. de Oliveira Design: Brayan Lazarino Santos Élen Cristina Teixeira Oliveira Maria Eliza Perboyre Campos Taisser Gustavo de Soares Duarte © 2021, Faculdade Única. Este livro ou parte dele não podem ser reproduzidos por qualquer meio sem Autorização escrita do Editor. Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária Melina Lacerda Vaz CRB – 6/2920. NEaD – Núcleo de Educação a Distância FACULDADE ÚNICA Rua Salermo, 299 Anexo 03 – Bairro Bethânia – CEP: 35164-779 – Ipatinga/MG Tel (31) 2109 -2300 – 0800 724 2300 www.faculdadeunica.com.br http://www.faculdadeunica.com.br/ 4 Menu de Ícones Com o intuito de facilitar o seu estudo e uma melhor compreensão do conteúdo aplicado ao longo do livro didático, você irá encontrar ícones ao lado dos textos. Eles são para chamar a sua atenção para determinado trecho do conteúdo, cada um com uma função específica, mostradas a seguir: São sugestões de links para vídeos, documentos científi- cos (artigos, monografias, dissertações e teses), sites ou links das Bibliotecas Virtuais (Minha Biblioteca e Biblioteca Pearson) relacionados com o conteúdo abordado. Trata-se dos conceitos, definições ou afirmações importantes nas quais você deve ter um maior grau de atenção! São exercícios de fixação do conteúdo abordado em cada unidade do livro. São para o esclarecimento do significado de determinados termos/palavras mostradas ao longo do livro. Este espaço é destinado para a reflexão sobre questões citadas em cada unidade, associando-o a suas ações, seja no ambiente profissional ou em seu cotidiano. 5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO A QUÍMICA ANALÍTICA INSTRUMENTAL EXPERIMENTAL . 8 1.1 CLASSIFICAÇÃO DO MÉTODOS ANALÍTICOS ..................................................... 10 1.2 ANÁLISE INSTRUMENTAL ....................................................................................... 12 1.3 SELEÇÃO DE UM MÉTODO ANALÍTICO ................................................................ 13 1.4 CALIBRAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DOS MÉTODOS INSTRUMENTAIS .................. 14 1.5 PROCESSO ANALÍTICO ......................................................................................... 17 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 20 MÉTODOS ELETROQUÍMICOS ................................................................. 25 2.1 MEDIDAS POTENCIOMETRICAS ............................................................................ 27 2.1.1 Eletrodos de Referência ..................................................................... 30 2.1.2 Eletrodos Indicadores ......................................................................... 32 2.1.3 Eletrodos indicadores metálicos ...................................................... 32 2.1.4 Eletrodos de membrana .................................................................... 34 2.1.5 Aplicações Quantitativas .................................................................. 37 2.1.6 Curva de calibração .......................................................................... 37 2.1.7 Método de adições padrão ............................................................. 38 2.1.8 Medição de pH ................................................................................... 39 2.1.9 Titulações potenciométricas ............................................................. 39 2.2 EXPERIMENTOS ...................................................................................................... 41 2.2.1 Potenciometria direta: determinação de pH em amostras líquidas, pastosas, sólidas e suspensões.......................................... 42 2.2.2 Titulações potenciométricas de neutralização ............................ 44 2.3 APLICAÇÕES DE MÉTODOS CONDUTOMÉTRICOS.............................................. 45 2.4 EXPERIMENTOS ...................................................................................................... 48 2.4.1 Determinação da constante de ionização de alguns ácidos .. 48 2.4.2 Titulação condutométrica de ácido forte com base forte ........ 49 2.4.3 Análise condutométrica de vinagre adulterado com HCl ........ 51 2.5 APLICAÇÕES DE MÉTODOS ELETROGRAVIMÉTRICOS ........................................ 52 2.5.1 Eletrogravimetria sem Controle de Potencial ............................... 52 2.5.2 Eletrogravimetria de Potêncial Controlado ................................... 55 2.5.3 Experimento .......................................................................................... 59 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 61 MÉTODOS ESPECTROCÓPICOS .............................................................. 67 3.1 INTRODUÇÃO ÀS TÉCNICAS ANALÍTICAS ÓPTICAS ........................................... 67 3.2 APLICAÇÕES DA ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO MOLECULAR UV-Vis ....... 72 3.2.1 Instrumentação no UV-Visível ........................................................... 74 3.2.2 Aplicações Quantitativas .................................................................. 77 3.2.3 Aplicações Qualitativas ..................................................................... 78 3.3 EXPERIMENTOS ...................................................................................................... 79 3.3.1 Determinação de Nitrato em Água Potável Utilizando a Espectroscopia de Absorção na Região do Ultravioleta ........... 79 3.3.2 Determinação de Hidrocarbonetos Aromáticos em água ........ 81 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................... 84 UNIDADE 01 UNIDADE 02 UNIDADE 03 6 ESPECTROSCOPIA ATÔMICA .................................................................. 89 4.1 APLICAÇÕES DA ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA ....................... 89 4.1.1 Instrumentação.................................................................................... 90 4.2 APLICAÇÕES DA ESPECTROSCOPIA DE EMISSÃO ATÔMICA ............................ 95 4.2.1 Instrumentação.................................................................................... 95 4.3 EXPERIMENTOS ......................................................................................................98 4.3.1 Determinação de Magnésio em Amostras de Água .................. 98 4.3.2 Determinação de Sódio em Substituto de Sal .............................. 99 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................. 101 MÉTODOS CROMATOGRÁFICOS ......................................................... 105 5.1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 105 5.2 CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS CROMATOGRÁFICAS .................................. 106 5.2.1 Princípios das Separações Cromatográficas .............................. 107 5.3 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA ....................... 108 5.4 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA EM PAPEL ............................................... 112 5.5 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA EM COLUNA .......................................... 113 5.6 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA GASOSA ................................................ 117 5.6.1 Análise Qualitativa e Quantitativa ................................................ 123 5.7 EXPERIMENTOS .................................................................................................... 123 5.7.1 Separação de Corantes por Cromatografia em Camada Delgada .............................................................................................. 124 5.7.2 Separação de Extrato de Espinafre por Cromatografia em Coluna ................................................................................................. 124 5.7.3 Análise de Cafeína em Refrigerantes por Cromatografia Gasosa ................................................................................................. 125 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................. 127 OUTROS MÉTODOS DE SEPARAÇÃO .................................................... 131 6.1 APLICAÇÕES DE CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA ............... 131 6.2 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA POR TRONCA IÔNICA ........................... 135 6.3 APLICAÇÕES DA ELETROFORESE ....................................................................... 137 6.3.1 Eletroforese Capilar ........................................................................... 138 6.4 INSTRUMENTAÇÃO ............................................................................................. 139 6.4.1 Métodos de Eletroforese Capilar ................................................... 141 6.5 EXPERIMENTOS .................................................................................................... 142 6.5.1 Análise de Analgésicos por CLAE .................................................. 142 6.5.2 Separação de Cátions em Resina de Troca Catiônica ............ 143 6.5.3 Determinação de um Complexo de vitamina B por Eletroforese ............................................................................................................... 145 FIXANDO O CONTEÚDO ............................................................................................. 147 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO ............................................. 152 REFERÊNCIAS ......................................................................................... 153 UNIDADE 04 UNIDADE 05 UNIDADE 06 7 CONFIRA NO LIVRO Na unidade é realizado inicialmente uma contextualização a respeito da química analítica e introduzido o conceito de análise instrumental. No decorrer da unidade será possível aprender mais sobre como escolher e executar um método analítico. Nesta unidade primeiramente será compreendido de uma forma geral os métodos eletroquímicos. Em seguida será estudado mais a fundo os métodos potenciométricos, condutométricos e eletrogravimétricos, bem como suas práticas. Nessa unidade será iniciado o estudo dos métodos espectroscópicos. Inicialmente é abordado os conceitos gerais dos métodos, em seguida é abordado o conteúdo sobre a espectroscopia de absorção molecular no UV-Vis e experimentos do método. Na Unidade 4 será possível estudar as técnicas de espectroscopia de absorção e emissão atômica, onde será apresentado seus princípios, técnicas, equipamentos experimentos. Nesta unidade se inicia o estudo das técnicas de separação por cromatografia. Inicialmente será apresentado os princípios de cromatografia e em seguida o estudo mais aprofundado das técnicas de camada delgada, papel, coluna e a gás. Na última unidade será dado a continuidade dos estudos das técnicas de separação, onde será possível aprender sobre a cromatografia líquida de alta eficiência e troca iônica e, além disso, a técnica de separação por eletroforese. 8 INTRODUÇÃO A QUÍMICA ANALÍTICA INSTRUMENTAL EXPERIMENTAL A química analítica foi definida por Valcárcel (2012), como “uma ciência metrológica que desenvolve, otimiza e aplica processos de medição, com o objetivo de obter informações (bio)químicas, globais ou parciais, a respeito da qualidade de objetos e/ou sistemas naturais e artificiais, para resolver problemas analíticos de ordem social e econômica”. Com essa definição pode-se notar a dimensão e importância que a química analítica têm para a ciência, natureza, sociedade e economia, podemos considerar essa ciência indispensável para o aprimoramento da qualidade de vida nas sociedades modernas (ARAÚJO; IRIS, 2021). A química analítica consegue se conectar com outras áreas de conhecimento e ciência, o que favorece que avanços científicos e tecnológicos sejam alcançados, contribuindo de maneira positiva para a solução de problemas reais, presentes no dia a dia dos cidadãos. A química analítica pode ser dividida basicamente em três grandes áreas que se comunicam entre si: química analítica qualitativa, química analítica quantitativa e química analítica instrumental. A química analítica qualitativa, estabelece a identidade química das espécies presentes em uma amostra, tem como objetivo uma visão global do comportamento de várias substâncias em diferentes condições. A química analítica quantitativa determina as quantidades relativas das espécies ou analitos que são os componentes de uma amostra a serem determinados, busca definições e expressões matemáticas que possam ser usadas de forma satisfatória para descrever os fenômenos observados. Já a Metrologia: é a ciência da medição que abrange todos os aspectos teóricos e práticos relativos às medições, qualquer que seja a incerteza, em quaisquer campos da ciência ou tecnologia (INMETRO, 2012). UNIDADE 01 9 química analítica instrumental é composta por um conjunto de métodos instrumentais que consistem na medida das propriedades físicas e/ou químicas do analito, como condutividade, potencial de eletrodo, absorção ou emissão de luz, razão massa/carga, fluorescência, entre outros. Métodos esses que utilizam desde equipamentos mais simples até os mais sofisticados, mas que também podem envolver reações químicas em algumas etapas. Com a química analítica instrumental consegue-se realizar a identificação e quantificação de elementos e compostos. A análise química representa uma área da química analítica, onde se aplica um conjunto de técnicas e métodos, com o objetivo de se obter o conhecimento da composição química de uma amostra. É composta de medições de parâmetros de interesse através de instrumentos analíticos. A análise instrumental ganha destaque entre os ramos da análise química, pois o desenvolvimento de novas tecnologias tem possibilitado o aprimoramento de instrumentos e métodos analíticos, possibilitando a solução de problemas cada vez mais complexos e de extrema importância para a sociedade (ARAÚJO; IRIS, 2021). Aanálise química, principalmente a instrumental, precisa da atuação de profissionais responsáveis, que devem estar capacitados, habilitados e preparados, tanto para operar a instrumentação quanto para realizar todas as ações inerentes ao funcionamento de um laboratório. Por isso, nessa disciplina será apresentado os principais temas que contemplam a química analítica instrumental experimental. Antes de seguir com o conteúdo, precisamos nos familiarizar com alguns termos muito utilizados nesta área e que estão descritos do Quadro 1: Quadro 1: Termos mais utilizados em química analítica. Analito Espécie química, bioquímica ou biológica que pode ser identificada Leia o livro Química Analítica e Análise Química de Hage e Carr (2012). Com a leitura desse livro você vai conseguir ter um melhor panorama sobre a química analítica e como as suas três áreas (qualitativa, quantitativa e instrumental) se complementam na análise química. Disponível em: https://bit.ly/3GjXCfN. Acesso em: 06 jun. 2021. https://bit.ly/3GjXCfN 10 e quantificada em um processo de medição. Amostra Parte do material em que se busca uma informação analítica. Deve ser representativa do todo. Matriz Conjunto dos constituintes e veículos que compõem uma amostra (meio). Padrão Porção da matéria com uma quantidade conhecida do analito, cuja matriz deve ser a mais similar possível com a matriz da amostra. É a referência utilizada nos processos de medição e deve apresentar a rastreabilidade necessária para garantir a confiabilidade destas medições. Amostragem Processo de obtenção de uma ou várias porções (alíquotas) do material, que é objeto de análise, a fim de obter uma amostra, que seja representativa do todo. A amostragem pode ser feita no campo e/ou no laboratório. Sinal de trabalho Resposta instrumental relacionada com alguma propriedade do analito. Ruído Variação aleatória do sinal de fundo ou da linha de base do equipamento de medição, geralmente de baixa intensidade, proveniente de oscilações de natureza instrumental ou de outras variáveis. Relação sinal/ruído Indicador da qualidade da medida. Quanto maior for a relação sinal/ruído, menor será a interferência do ruído perante o sinal. Interferente É uma espécie ou uma matriz ou qualquer tipo de perturbação externa que afeta o sinal de trabalho (aumenta ou diminui) provocando erros aleatórios ou sistemáticos na determinação do analito. O interferente pode gerar um sinal próprio ou mudar o comportamento do analito. Fonte: Adaptado de Araújo; Carvalho (2021, p. 29). 1.1 CLASSIFICAÇÃO DO MÉTODOS ANALÍTICOS A análise de uma determinada amostra gera um sinal químico ou físico cuja intensidade do sinal é proporcional à quantidade de analito na amostra. O sinal pode ser qualquer coisa que se possa medir, sendo os exemplos mais comuns: massa, volume, absorbância, entre outros. As técnicas de análise química podem ser classificadas de várias formas, observe o Quadro 2: Quadro 2: Classificação DAS TÉCNICAS DE ANÁLISE QUÍMICA CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS DE ANÁLISE QUÍMICA FINALIDADE REQUERIDA Análise qualitativa - Identificação dos analitos ou grupos químicos presentes na amostra. - Gera uma resposta binária a partir do procedimento investigativo: presente/ausente, maior/menor que..., ocorreu/não ocorreu a reação química esperada, etc. Procura responder principalmente as questões: o que 11 há na amostra? Quais as propriedades da amostra? Análise estrutural Busca estabelecer uma estrutura química e/ou bioquímica do analito, inclusive estereoquímica. Análise quantitativa Busca determinar a quantidade, concentração ou proporção dos analitos da amostra. Resposta numérica de acordo com o objetivo da análise: teor, concentração, proporção relativa, etc. Procura responder quanto do analito há na amostra. DE ACORDO COM A QUANTIDADE DE AMOSTRA Macroanálise > 100mg; geralmente na ordem de gramas. Semimicroanálise Entre 10 e 100mg; geralmente na ordem de centigramas, em uma escala intermediária entre macroanálise e microanálise. Microanálise Entre 0,01 e 10mg; geralmente requer equipamentos especiais, muito sensíveis ou em pequena escala. Ultramicroanálise < 0,01mg; quantidade na ordem de alguns microgramas, em uma escala menor do que a microanálise. DE ACORDO COM O NÍVEL DE CONCENTRAÇÃO DO ANALITO Componentes majoritários > 1%. Componentes minoritários 0,01-1%. Componentes residuais (traços) < 001% ou < 100mg.kg-1 ou μg.g-1, teores na ordem de ppm. Componentes residuais (ultratraços) < 0,0001% ou 1mg.g-1, teores na ordem de ppb e ppt. DE ACORDO COM OS PROCEDIMENTOS DE CALIBRAÇÃO E DE PADRONIZAÇÃO Absolutos Baseados na utilização de padrões básicos de massa, carga ou outras grandezas do sistema internacional de medidas (SI). Não requerem necessariamente um padrão de substância química específica no procedimento de calibração. Relativos ou comparativos Baseados na relação entre o sinal gerado pelo instrumento, a grandeza medida e a concentração ou quantidade de matéria do analito, ou seja, na comparação do analito na amostra desconhecida com padrões do analito. Contempla a maior parte das análises instrumentais. Estequiométricos Baseados na reação estequiométrica do analito com um reagente padrão, onde se produz uma variação no sistema que possa ser detectada de forma clássica (visual) ou instrumental (sensores, eletrodos, etc.). DE ACORDO COM A TÉCNICA E A DESIGNAÇÃO HISTÓRICA Análises clássicas Originárias nos primórdios da química analítica. São baseadas no emprego de reações químicas, extração ou destilação como operações fundamentais do procedimento analítico e dependem bastante da habilidade do analista. As técnicas clássicas mais comuns empregadas até hoje são as de gravimetria e de volumetria. Análises instrumentais Utilizam algum instrumento para monitorar qualquer alteração física ou físico-química nas espécies químicas ou reações estequiométricas. Alterações como: emissão ou absorção de luz, potencial elétrico, temperatura, corrente elétrica, razão massa/carga, entre outras, que geral um sinal elétrico como 12 resposta. Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p. 34-36). 1.2 ANÁLISE INSTRUMENTAL Pode-se considerar, de maneira geral, que uma das principais características da análise instrumental é que nela utiliza-se instrumentos acoplados a sistemas de detecção, compostos por sensores ou detectores, além de que, na maioria dos instrumentos analíticos ainda contém fontes, podendo ser elétricas, eletromagnéticas, térmicas, químicas, radioativas, entre outras. Essas fontes estimulam o analito para que ele gere uma resposta, que, é convertida em sinal elétrico pelo sistema de detecção. Outros acessórios e dispositivos podem compor o instrumento, como: válvulas, fornos, monocromadores, injetores, amostradores, etc. É possível verificar um esquema que ilustra as principais partes e processo de um equipamento para análise instrumental. Figura 1: Esquema De Um Equipamento Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 38). As técnicas analíticas instrumentais são baseadas nas propriedades dos analito, dessa forma podem ser classificadas conforme o Quadro 3: Quadro 3: Técnicas analíticas e suas propriedades Técnicas Propriedades Ópticas Espectrofotometria no UV-Vis Interação da radiação eletromagnética com a matéria Espectrometria atômica Espectrofotometria no IV Fluorimetria Fluorescência de raios X Turbidimetria Refratometria Difratometria de raios X 13 Polarímetria Eletroquímica Potenciometria Interação das espécies com a superfície de eletrodos Coulometria Condutometria AmperometriaEletrogravimetria Voltametria Polarografia Cromatográficas Cromatografia líquida Migração diferencial das substâncias, impulsionadas através de um leito estacionário Cromatografia gasosa Cromatografia com fluido supercrítico Outras Espectrometria de massas Diversas Técnicas radioquímicas Termogravimetria Ressonância magnética nuclear Microscopia eletrônica de varredura Eletroforese capilar Etc. Fonte: Araújo; Iris (2021, p.38). 1.3 SELEÇÃO DE UM MÉTODO ANALÍTICO Um método é a aplicação de uma técnica a um analito específico em uma matriz específica. Os requisitos da análise determinam o melhor método. Na escolha de um método, são levados em consideração os seguintes critérios: exatidão, precisão, limite de detecção, limite de quantificação linearidade, sensibilidade, seletividade. A escala de operação, tempo de análise, disponibilidade de equipamento e custo, também devem ser considerados na escolha. No Quadro 4 pode-se verificar os critérios de seleção de um método analítico e sua respectiva descrição: Quadro 3: Critérios De Seleção De Um Método Analítico Exatidão Grau de concordância entre o valor medido e o valor de referência. Está associada à proximidade do valor verdadeiro e diminui com o aumento dos erros sistemáticos. Precisão Grau de concordância dentro de um grupo de resultados obtidos ao se aplicar o mesmo método analítico. Está associada à dispersão dos valores resultantes de uma série de medidas e aos erros aleatórios ou indeterminados do processo de medição. Limite de detecção Menor nível de concentração (ou quantidade) de analito detectável por um método e que pode ser estatisticamente diferenciado do ruído ou do branco Limite de quantificação Menor nível de concentração (ou quantidade) de analito que pode ser determinado com precisão e exatidão aceitáveis, sob as condições 14 experimentais estabelecidas. Linearidade Capacidade do método de gerar resultados diretamente proporcionais à concentração do analito. Ocorre dentro de uma faixa determinada de concentração. Sensibilidade Capacidade de distinguir entre pequenas diferenças na concentração de um analito. Em métodos mais sensíveis, uma pequena diferença na concentração do analito causa maior variação no valor do sinal analítico medido. Sob o ponto de vista prático, a sensibilidade pode ser expressa pela inclinação da curva de calibração. Quanto mais inclinada a curva, mais sensível é o método. Seletividade Capacidade do método em detectar o analito de interesse na presença de outros componentes da matriz. Um método que tenha capacidade de distinguir um conjunto particular de espécies, dentre elas o analito, é chamado de seletivo. Um método que produz resposta apenas para o analito é chamado de específico. Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 32). O método selecionado deve ser eficiente, simples e rápido; não deve causar danos aos materiais em que as amostras serão tratadas e analisadas; não deverá gerar erros sistemáticos; deve saber sobre sua seletividade; deve ser empregado com mínima manipulação, e os resultados serão obtidos com a máxima segurança operacional. O método estabelece quais os analitos que poderão ser determinados, especificando-se a matriz ou as matrizes e os riscos de interferência, ou seja, fornece as condições apropriadas para a obtenção dos resultados que possibilitem a solução do problema. Para seleção de um método analítico, é essencial definir claramente a natureza do problema analítico. 1.4 CALIBRAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DOS MÉTODOS INSTRUMENTAIS A calibração garante que o equipamento ou instrumento usado para medir o sinal está operando corretamente, para isso utiliza-se um padrão conhecido que Os erros sistemáticos têm valor e causas definidos, identificáveis e são da mesma ordem de grandeza para réplicas de medidas realizadas de maneira semelhante. Os erros sistemáticos são inúmeros e são classificados em quatro grupos: erros pessoais, erros operacionais, erros de método e erros devido a instrumentos e reagentes. Erros indeterminados são consequências dos efeitos de variáveis que talvez não possam ser controladas nas medidas. Esse tipo de erro está sempre presente e não pode ser eliminado, porém pode ser localizado e reduzido em um experimento a partir da sua otimização prévia. 15 produz um sinal exato. A padronização é o processo de determinar experimentalmente a relação entre o sinal e a quantidade de analito (HARVEY, 2000). A curva de calibração é um método de padronização que representa a resposta do instrumento em função da quantidade de matéria do analito, podendo ser expressa em unidades de concentração ou de massa, oriundo de soluções- padrão, sendo que esses padrões podem ser preparados a partir do analito puro no mesmo solvente que será utilizado na análise. Para desenvolver uma curva de calibração, é preciso realizar a medição de soluções ou materiais que contenham concentrações conhecidas do analito (padrões) no determinado instrumento que se deseja calibrar nas mesmas condições operacionais. Assim, a variação de sinal estará associada à variação de quantidade de matéria do analito. Os resultados obtidos são plotados em um gráfico, onde a resposta instrumental é representada no eixo vertical y e a concentração ou massa do analito no padrão é representada no eixo horizontal x, sendo que x é uma variável independente da resposta instrumental. Através de uma mesma curva de calibração é possível determinar a concentração de uma série de amostras, dependendo do método e com cautela. Observe um exemplo de curva de calibração na Erro! Fonte de referência não encontrada.: Figura 2: Curva De Calibração Fonte: Elaborado pela Autora (2021). 16 Para elaborar a curva de calibração deve-se: 1. Preparar uma série de soluções-padrão a partir de diluições de uma solução-estoque; 2. Regular as condições do instrumento e ajustar a escala de medição com o solvente puro, com o branco ou com os próprios padrões; 3. Medir (“ler” no instrumento) os padrões; 4. Construir gráficos que relacionem os sinais lidos no instrumento com as quantidades dos padrões; 5. Traçar a curva de calibração por ajuste da melhor reta por regressão linear, usando calculadora científica ou planilha eletrônica. (Araújo e Iris, 2021, p. 45) A linearidade da curva de calibração ocorre apenas em uma determinada faixa de concentração, dependente das propriedades do analito, da matriz e das condições instrumentais. Essa região linear da curva de calibração é “faixa ótima de trabalho”. Nesta faixa, têm-se os limites inferior (limites de quantificação e de detecção) e superior (de linearidade) da curva de calibração, a correlação entre o sinal da amostra e dos padrões deve ser feita apenas dentro deste intervalo. Os parâmetros da linearidade da curva de calibração são: (1) Sendo: y = a medida do sinal analítico ou um valor proporcional a ele. x = valores associados aos padrões, de conhecimento prévio à medição, podendo ser concentração, massa, volume etc. Em diversos processos analíticos é utilizado a amostra “BRANCO”, você sabe o porquê? A amostra branco é uma amostra que não contém o analito ou que contém o analito como contaminante. Esse tipo de amostra é utilizada normalmente para calibrar o instrumento, para verificar as interferências que possam ser geradas pela matriz ou por reagentes, entre outras funções. Na espectroscopia, pode ser utilizado para “zerar” o equipamento, ou seja, no momento da leitura da amostra com o analito, o equipamento desconsidera a absorbância do branco, que geralmente é o solvente onde o analito está dissolvido e que sua leitura foi realizada previamente.17 Coeficiente angular (a): é a inclinação da curva em relação aos eixos, ele expressa a sensibilidade da medição. Coeficiente linear (b): é a interseção da curva com os eixos das ordenadas (valor de y quando x for zero). Além dos coeficientes da curva, pode-se e deve-se calcular também o coeficiente de determinação (R2), ele expressa a correlação entre x e y. Quanto maior a proximidade de 1 for o seu valor, melhor será a reta descrita pela regressão linear dos pontos, indicando que pontos experimentais estão mais alinhados entre si. 1.5 PROCESSO ANALÍTICO Os problemas analíticos que irão utilizar a química analítica como um todo, principalmente a química analítica instrumental, que atualmente tem bastante destaque pelo avanço das técnicas e equipamentos, são variados e de diferentes naturezas. Podem ser utilizados na determinação de parâmetros de potabilidade da água, para verificar a contaminação de solo e uma consequente contaminação de alimentos, sendo que a necessidade de se avaliar esses três problemas é de resolver questões de saúde pública. Os problemas analíticos podem surgir de uma cena de um crime, uma análise antidoping, até a análise de obras de arte para verificar sua autenticidade, entre outros objetivos. O processo analítico pode ser dividido em cinco etapas: 18 Figura 3: Processo Analítico Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p.30). Planejamento: realizar o levantamento bibliográfico sobre os objetivos da análise e os métodos analíticos que serão utilizados é essencial, dessa forma se obtém informações sobre do problema. A análise pode ser realizada de diversas maneiras, dessa forma é muito importante saber quais técnicas e os métodos que são mais apropriados para a execução da análise química na amostra e diante da realizada do laboratório. Um método analítico inadequado poderá gerar erros, perda de amostra, de tempo, de recursos ou até mesmo danificar um instrumento. Amostragem: é a forma de coleta e modo de transporte da amostra até o laboratório de análise, de forma que não ocorra alteração das suas características originais, preferencialmente. É uma etapa crítica que impacta significativamente na confiabilidade dos resultados. Deve haver um plano de amostragem bem definido e coerente com a amostra, analito, ambiente e análise. Preparação: se refere ao preparo das amostras e padrões, é uma etapa de extrema importância. Essa etapa objetiva submeter a amostra a um procedimento 19 apropriado, adequando a quantidade do analito, à faixa de medição do instrumento e converter a amostra a um estado compatível com o método (ARAÚJO; IRIS, 2021). O preparo também auxilia na eliminação de interferências. Medição: nessa etapa se obtém os dados analíticos que envolvem as medições propriamente ditas. O sinal de trabalho que será gerado a partir de uma propriedade intrínseca do analito, será convertido em uma grandeza, que será processada adequadamente na etapa de tratamento dos dados. As medições das amostras incluem replicatas, calibrações, padronização e controle. Tratamento de dados e emissão de resultados: esta etapa envolve cálculos, análises, comparação com outros resultado e dados da literatura, plotagem de gráficos, discussões, conclusões, relatórios, entre outros. Muitas vezes é necessário realizar tratamento estatístico dos dados experimentais, para que se possa considerar os erros e as incertezas e, os mesmos possam ser expressos corretamente. Todas as etapas do processo analítico têm sua importância e se ocorrer uma falha em qualquer uma delas pode acarretar em uma falha de qualidade e prejudicar a confiabilidade do resultado final. Leia o livro Fundamentos da Metrologia: Científica e Industrial de Albertazzi e Souza (2008). Com este livro você vai poder aprofundar seus conhecimentos a respeito de metrologia, como monitorar, controlar, e investigar suas análises instrumentais, além disso, vai aprender mais sobre calibração e padronização e ainda sobre os erros que podem ocorrer. Conteúdo de fundamental importância para o melhor desempenho em análises instrumentais. Disponível em: https://bit.ly/3AQjNcr. Acesso em: 06 jun. 2021. https://bit.ly/3AQjNcr 20 FIXANDO O CONTEÚDO 1. A química analítica pode ser bastante abrangente, principalmente quando se trata de análise química. Uma das divisões da química analítica é entre a química analítica qualitativa, quantitativa e instrumental. Diante da divisão da química analítica mencionada, associe as duas colunas, relacionando a área da química analítica com seu principal enfoque: I. Química Analítica Qualitativa II. Química Analítica Quantitativa III. Química Analítica Instrumental ( ) Estabelece a identidade química das espécies presentes em uma amostra. ( ) Composta por um conjunto de métodos que consistem na medida das propriedades físicas e/ou químicas do analito. ( ) Determina as quantidades relativas das espécies ou analitos que são os componentes de uma amostra a serem determinados. A sequência correta dessa classificação é: a) 1, 2, 3. b) 1, 3, 2. c) 2, 3, 1. d) 3, 1, 2. e) 3, 2, 1. 2. Na química analítica instrumental experimental utiliza-se vários termos rotineiros de importância, onde saber seu significado é fundamental, pois faz parte da rotina de análise dessa área. Sendo assim, a porção da matéria com uma quantidade conhecida do analito, cuja matriz deve ser a mais similar possível com a matriz da amostra é referente a qual termo? a) Analito. 21 b) Branco. c) Padrão. d) Amostra. e) Amostragem. 3. As análises instrumentais podem ser classificadas em ópticas, eletroquímicas, cromatográficas e outras de acordo com suas propriedades. Diante disso, associe as duas colunas, relacione o tipo de análise instrumental com sua propriedade. I. Óptica II. Eletroquímica III. Cromatográficas ( ) Interação das espécies com a superfície de eletrodos. ( ) Interação da radiação eletromagnética com a matéria. ( ) Migração diferencial das substâncias, impulsionadas através de um leito estacionário. A sequência correta dessa classificação é: a) 1, 2, 3. b) 1, 3, 2. c) 2, 1, 3. d) 2, 3, 1. e) 3, 1, 2. 4. Diante de diversas propriedades das espécies químicas existentes é possível explorá-las com as diversas técnicas dos métodos ópticos, eletroquímicos, cromatográficos e outros que compõem a química analítica instrumental. Diante do exposto, avalie as afirmações a seguir como (V) para verdadeiras e (F) para falsas. I. A refratometria é uma técnica óptica. II. A coulometria é uma técnica eletroquímica. 22 III. A termogravimetria é uma técnica eletroquímica. IV. A eletroforese capilar é técnica de analise instrumental. As afirmações I, II, III e IV, são respectivamente. a) V, V, F, V. b) V, F, F, V. c) F, F, V, F. d) F, V, V, F. e) V, V, V, F. 5. Para a realização da análise química utilizando a química analítica instrumental experimental, é importante que siga algumas etapas para ter um processo analítico eficiente e obter resultados confiáveis. São etapas de um processo analítico: I. Planejamento. II. Preparação. III. Medição. IV. Tratamento de dados. É correto o que se afirma em: a) III e IV, apenas. b) I, II e III, apenas. c) I, III e IV, apenas. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 6. Leia o trecho a seguir: É a forma coleta e modo de transporte da amostra até o laboratório de análise, de forma que não ocorra alteração das suas características originais, preferencialmente. É uma etapa crítica que impacta significativamente na confiabilidade dos resultados. Deve haver um plano debem definido e coerente 23 com a amostra, analito, ambiente e análise. Identifique a seguir a qual etapa do processo analítico o trecho se refere. a) Medição. b) Preparação. c) Planejamento. d) Amostragem. e) Emissão dos resultados. 7. A calibração e padronização são processos dentro da análise química instrumental essencial para se realizar uma análise da melhor maneira possível e se obter resultados confiáveis. A respeito da calibração e padronização, avalie as assertivas a seguir: I. Para a calibração utiliza-se um padrão conhecido que produz um sinal exato. II. Padronização é o processo de determinar experimentalmente a relação entre o sinal e a quantidade de analito. III. Calibração é o que garante que o equipamento ou instrumento usado para medir o sinal está operando corretamente. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas e) I, II e III. 8. A curva de calibração representa a resposta do instrumento em função da quantidade de matéria do analito, podendo ser expressa em unidades de contração ou massa, oriundo de soluções-padrão. A curva de calibração é um processo de: a) Calibração. 24 b) Amostragem. c) Padronização. d) Método de análise. e) Tratamento de resultados. 25 MÉTODOS ELETROQUÍMICOS A eletroquímica estuda a transferência de elétrons entre as espécies e a movimentação das cargas nos meios, a transferência ocorre na célula eletroquímica. Nessa ciência estuda-se processos de conversão de energia química em energia elétrica e vice-versa. As técnicas eletroquímicas baseiam-se nas propriedades elétricas do analito de uma célula eletroquímica. Nessas técnicas utiliza-se eletrodos como sensores diretamente em contato com o analito. Algumas delas utilizam fontes elétricas, outras podem ser acopladas a sistemas de titulação automática. As medidas das propriedades elétricas são: diferença de potencial, corrente, carga, condutância etc. Essas medidas são relativamente simples, com isso, os instrumentos para realizar a medida são mais baratos em comparação com outras técnicas instrumentais, fazendo com que suas técnicas sejam bastante aplicadas. As técnicas eletroquímicas têm bastante evidência, pois têm a capacidade de resolver diversos problemas analíticos, principalmente para na determinação e/ou identificação das atividades das espécies, que representam as concentrações efetivas em um determinado meio (ARAÚJO; IRIS, 2021). Porém, há de se considerar, que os sensores eletroquímicos têm sido utilizados com êxito em sistemas em linha, já que o sinal elétrico é razoavelmente seletivo, facilmente transmissível e responde rapidamente às variações de atividade, sem necessidade de retirar a amostra do meio em que se encontra, facilitando o controle a distância de sistemas de produção (ARAÚJO; IRIS, 2021). O sinal analítico é decorrente de três fontes principais: potencial, corrente e carga. Os métodos eletroquímicos podem ser classificados de diversas formas. Uma divisão simples é entre métodos em massa, que medem propriedades de toda a solução, e métodos interfaciais, nos quais o sinal é uma função de fenômenos que ocorrem na interface entre um eletrodo e a solução em contato com o eletrodo. A medição da condutividade de uma solução, que é proporcional à concentração total de íons dissolvidos, é um exemplo de método eletroquímico em massa. A UNIDADE 02 26 determinação do pH usando um eletrodo de pH é um exemplo de método eletroquímico interfacial. Além dessa classificação pode-se dividir os métodos eletroquímicos relacionando as técnicas, o parâmetro medido e a unidade de medida mais comum, como pode-se observar no Quadro 5: Quadro 4: Técnicas Eletroanalíticas Técnica Parâmetro medido Unidade mais comum Potenciometria Diferença de potencial (d. d. p.) Volt Condutometria Condutância Siemens Voltametria Corrente elétrica com d. d. p. variada Ampère Eletrogravimetria Massa Grama Amperometria Corrente elétrica com d. d.d p. fixa Ampère Coulometria Carga elétrica Coulomb Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 260). As medições eletroquímicas são realizadas em uma célula eletroquímica, composta por dois ou mais eletrodos e componentes eletrônicos associados para controlar e medir a corrente e o potencial. A célula eletroquímica mais simples usa dois eletrodos. O potencial de um dos eletrodos é sensível à concentração do analito e é chamado de eletrodo de trabalho ou indicador. O segundo eletrodo, que é chamado de eletrodo de referência, serve para completar o circuito elétrico e fornece um potencial de referência contra o qual o potencial do eletrodo de trabalho é medido. Idealmente, o potencial do eletrodo de referência permanece constante, de modo que qualquer mudança no potencial geral da célula seja atribuída ao eletrodo de trabalho. Em um método dinâmico, onde a passagem da corrente altera a concentração das espécies na célula eletroquímica, o potencial do eletrodo de referência pode mudar com o tempo. Este problema é eliminado substituindo o eletrodo de referência por dois eletrodos: um eletrodo de referência, através do qual não circula corrente e cujo potencial permanece constante; e um eletrodo auxiliar que completa o circuito elétrico e através do qual a corrente pode fluir. Embora existam muitas técnicas eletroquímicas diferentes de análise, existem apenas três métodos experimentais básicos: (1) medição do potencial sob condições estáticas sem fluxo de corrente; (2) medir o potencial enquanto controla a corrente; e (3) medir a corrente enquanto controla o potencial. Cada um desses projetos experimentais, no entanto, é baseado na lei de Ohm de que uma corrente 27 (i), passando por um circuito elétrico de resistência (R) gera um potencial (E), como pode ser observado na (2 portanto: (2) Cada um desses métodos também usa um tipo diferente de instrumento. Neste capítulo será apresentado três técnicas eletroquímicas: potenciométricas, condutométricas e eletrogravimétricas. 2.1 MEDIDAS POTENCIOMETRICAS A potenciometria é uma técnica onde o analito faz parte de uma célula galvânica ou pilha e que se baseia na medida da diferença de potencial entre um par de eletrodos, sendo eles indicador e referência. Na potenciometria a instrumentação é simples e barata, seus componentes são: Eletrodo que possui seletividade e sensibilidade ao analito, sendo esse eletrodo o indicador; Eletrodo que possui o potencial fixo e constante, que serve de contraponto na medição, esse é o eletrodo de referência; Uma ponte salina que se trata de um dispositivo para separar e conectar as semi- células indicadora e referência, podendo ser chamada também de junção ou diafragma; Instrumento capaz conectar o par de eletrodos e medir a diferença de potencial na ausência de corrente elétrica. Outras características da potenciometria e dos instrumentos utilizados nas medidas potenciométricas são: Compatibilidade com sistemas automáticos de análise como válvulas e tituladores; A medida de diferença de potencial não é destrutiva; Pode-se determinar concentração e a atividade de uma espécie eletroativa; A amostras complexas podem ser aplicadas a técnica, desde com tratamento prévio, diante da sensibilidade e a seletividade na percepção do analito; Resposta rápida do equipamento, podendo ser muitas vezes instantânea. Na potenciometria, o potencial de uma célula eletroquímica é medido em condições estáticas. Como nenhuma corrente, ou apenas uma corrente 28 insignificante, flui durante a medição do potencial de uma solução, sua composiçãopermanece inalterada. Por esse motivo, a potenciometria é um método quantitativo útil. As primeiras aplicações potenciométricas quantitativas surgiram em 1889, logo após a formulação da equação de Nernst relacionando o potencial de uma célula eletroquímica à concentração de espécies eletroativas na célula (HARVEY, 2000). Atualmente as principais aplicações são: determinação do pH; determinação direta e seletiva de diversas espécies eletroativas orgânicas, inorgânicas ou bioquímicas; auxílio na titulação; determinação de constantes como Kps, Ka, Kb etc; monitoramento de processos químicos e bioquímicos; entre outras aplicações. As medições potenciométricas são feitas utilizando um potenciômetro para determinar a diferença de potencial entre o eletrodo indicador e o eletrodo de referência. Na é apresentada uma célula potenciométrica. Observe que a célula é dividida em duas meias-células, cada uma contendo um eletrodo imerso na solução contendo íons cujas concentrações determinam o potencial do eletrodo. Essa separação dos eletrodos é necessária para evitar que a reação redox ocorra espontaneamente na superfície de um dos eletrodos, causando um curto-circuito na célula eletroquímica e impossibilitando a medição do potencial celular. Uma ponte de salina contendo um eletrólito inerte, como KCl, conecta as duas meias- células. As extremidades da ponte salina são fixadas com membranas porosas, permitindo que os íons se movam livremente entre as meias-células e a ponte salina, enquanto evita que o conteúdo da ponte salina drene para as meias-células. Este movimento de íons na ponte de salina completa o circuito elétrico. 29 Figura 4: Célula Para Determinações Potenciométricas. Fonte: Skoog et al. (2014, p. 529). As células eletroquímicas potenciométricas são construídas de modo que uma das meias-células forneça um potencial de referência conhecido e o potencial da outra meia-célula indica a concentração do analito. Por convenção o eletrodo indicador é considerado o cátodo onde ocorre a redução (meia-célula direita) e o eletrodo de referência é considerado o ânodo onde (meia-célula esquerda). Assim, a notação abreviada para uma célula eletroquímica potenciométrica é: Referência║Indicador E o potencial da célula é: Ecél = Eind – Eref + Ejl (3) Ecél =potêncial de célula Eind = potêncial do eletrodo indicador Eref = potêncial do eletrodo de referência Ponte salina: é uma conexão entre duas soluções que permite o movimento da corrente na forma de carga iônica. 30 Ejl = potêncial de junção líquida Um potencial de junção líquida se desenvolve na interface entre duas soluções iônicas que diferem em composição e para as quais a mobilidade dos íons é diferente. A diferença de potencial através da membrana é chamada de potencial de junção líquida, Ejl. A magnitude do potencial de junção líquida de uma ponte de salina pode ser minimizada pelo uso de um sal como KCl, em que as mobilidades do cátion e do ânion são aproximadamente iguais. A magnitude do potencial de junção líquida também pode ser minimizado pela incorporação de uma alta concentração de sal na ponte salina. Por esta razão, as pontes de salinas são normalmente constituídas de soluções saturadas com KCl. O Ejl geralmente é muito baixo, e muitas vezes pode ser desprezível, mas sempre presente e pode afetar a medida potenciométrica. 2.1.1 Eletrodos de Referência O eletrodo de referência ideal deve fornecer um potencial estável de modo que qualquer alteração no Ecél seja atribuída ao eletrodo indicador e, portanto, a uma alteração na concentração do analito. Além disso, o eletrodo de referência ideal deve ser fácil de fazer e usar. Existem três eletrodos de referência comuns: eletrodo-padrão (eletrodo normal de hidrogênio), eletrodo de prata/cloreto de prata, eletrodo de calomelano. O eletrodo-padrão foi utilizado como referência para se obter os valores de potencial-padrão das células galvânicas. É um eletrodo extremamente estável e confiável, porém não é prático, dessa forma, raramente é utilizado em análises de rotina. O eletrodo de referência de prata/cloreto de prata (Ag/AgCl) é constituído de um fio de prata com cloreto de prata aderido ao metal, sendo que ambos devem estar mergulhados em uma solução de cloreto de potássio saturada com Ag+. Assim, o equilíbrio de um afeta o equilíbrio do outro. Na é possível observar um exemplo de eletrodo de Ag/AgCl: 31 Figura 5: Esquemas de célula com eletrodo indicador e eletrodo Ag/AgCl. (1) fio de prata; (2) AgCl sólido depositado no fio; (3) solução de KCl saturada com AgCl; (4) ponte salina; (5) eletrodo indicador e (6) solução contendo o analito, (7) diafragma, fazendo o Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p. 284). O eletrodo de referência de calomelano deve ser utilizado com muito cuidado porque contém mercúrio, podendo gerar problemas ambientais. O eletrodo de calomelano tem princípios de funcionamento similares ao Ag/AgCl. Possui um tubo contendo uma pasta com cloreto mercuroso (Hg2Cl2), mercúrio líquido e solução de KCl (ARAÚJO; IRIRS, 2021). Sendo que esta pasta fica em contato com a solução de KCl (contendo Hg2+2 saturado) através de um pequeno orifício. Um fio de material inerte, normalmente a platina, fica imerso na pasta. Na Erro! Fonte de referência não encontrada. é possível observar um exemplo de eletrodo de referência de calomelano. 32 Figura 6: Esquemas de células com eletrodo indicador e eletrodo de calomelano: (1) solução de KCl contendo Hg2Cl2 saturado; (2) pasta de Hg0, Hg2Cl2 e solução de KCl; (3) diafragma; (4) fio de metal inerte; (5) diafragma (6) solução contendo o analito, (7) eletrodo indicador e (8) orifício para adicionar solução de KIC. Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p. 285). 2.1.2 Eletrodos Indicadores Os eletrodos indicadores idealmente devem gerar uma resposta rápida e resultados reprodutíveis as variações de concentração dos analitos. O potencial do eletrodo indicador em uma célula eletroquímica potenciométrica é proporcional à concentração do analito. Aqui será descrito duas classes de eletrodos indicadores, os eletrodos metálicos e os eletrodos de membrana. 2.1.3 Eletrodos indicadores metálicos O potencial de um eletrodo metálico é determinado pela posição de uma reação redox na interface eletrodo-solução. Três tipos de eletrodos metálicos são comumente usados em potenciometria, os eletrodos de primeiro e segundo tipo, e os eletrodos metálicos redox. Um exemplo de eletrodo de primeiro tipo é o de fio de cobre ligado ao polo positivo. O analito neste tipo de eletrodo ficará em equilíbrio com o metal como mostra a (4 representando a semirreação: 33 (4) Devido a cinética lenta para transferência de elétrons, a presença de óxidos de superfície e reações de interferência e outras razões, os eletrodos do primeiro tipo são limitados a aplicação de Ag/Ag+, Hg/Hg2+2, Cu/Cu+2, Zn/Zn+2, Cd/Cd+2, Bi/Bi+3, Tl/Tl+ e Pb/Pb+2. E ainda assim, alguns desses eletrodos, como o Zn, não podem ser utilizados em soluções ácidas, pois são oxidados pelo H+ (HARVEY, 2000). Os eletrodos de segundo tipo respondem ao analito, que nesse caso é um ânion, onde o íon do metal reage com o analito e forma um complexo ou um precipitado. Um eletrodo comum de segundo tipo é o eletrodo metálico Ag/AgCl que é constituído de um fio de prata recoberto eletrostaticamente com cloreto de prata, a diferença é que, neste caso, o cloreto é o analito (ARAÚJO; IRIS, 2021). Os eletrodos metálicos redox são produzidos com um metal inerte, como ouro, paládio ou platina. Os eletrodos metálicos redox não sãoseletivos, mas são eficientes na medida da variação de potencial no sistema durante titulações redox, por exemplo, além de ter resposta rápida. O potencial de um eletrodo redox geralmente responde à concentração de mais de um íon, limitando sua utilidade para a potenciometria direta. Na Erro! Fonte de referência não encontrada.Erro! Fonte de referência não encontrada. é possível observar exemplos de eletrodos metálicos redox. Figura 7: Eletrodos metálicos redox. Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 317). 34 2.1.4 Eletrodos de membrana Em 1906, descobriu-se que uma fina membrana de vidro desenvolve um potencial quando lados opostos da membrana estão em contato com soluções de diferentes pH. Essa descoberta levou ao desenvolvimento de uma nova classe de eletrodos indicadores, os eletrodos íon-seletivos. Seguindo a descoberta do eletrodo de vidro, os eletrodos íon-seletivos foram desenvolvidos para uma ampla gama de íons. Além disso, os eletrodos de membrana também foram desenvolvidos para responder à concentração de analitos moleculares usando uma reação química para gerar um íon que pode ser monitorado com um eletrodo íon-seletivo (HARVEY, 2000). A membrana do eletrodo é seletiva ao íon que se deseja medir e de forma ideal tem a capacidade de interação físico-química com a espécie iônica de interesse e com nenhuma outra. Idealmente as membranas íon-seletivas devem: possuir solubilidade mínima na amostra, ter condutividade elétrica e interagir seletivamente com o analito (ARAÚJO; IRIS, 2021). Como dito, os eletrodos de membrana, funcionam utilizando uma membrana que reage seletivamente com um único íon, como o eletrodo vidro que determina o pH. Dois eletrodos de referência são utilizados, um posicionado na solução interna e outro na solução de amostra. A célula eletroquímica dos eletrodos de membrana podem ser abreviadas de acordo com a (5: (5) Onde, Ref(amostra): eletrodo de referência da amostra; Ref(int): eletrodo de referência da solução interna; [A]amostra = concentração do analito na amostra; [A]int = concentração do analito na solução interna. A membrana é representada pela barra vertical (|) separando as duas soluções contendo analito. O potencial da célula pode ser descrito pela 35 Equação 6: Equação 6 Onde, Ecél = potencial da célula; ERef(int) = potencial do eletrodo de referência da solução interna; ERef(amostra) = potencial do eletrodo de referência da amostra; Emem = potencial através da membrana; Ejl = potencial de junção líquida. O potencial de junção líquida e os potenciais de eletrodo de referência são constantes, assim, qualquer mudança no potencial da célula é atribuída ao potencial de membrana. A interação do analito com a membrana gera um potencial de membrana se houver uma diferença na concentração do analito em lados opostos da membrana. Um lado da membrana está em contato com uma solução interna contendo uma concentração fixa de analito, enquanto o outro lado da membrana está em contato com a amostra. A corrente é transportada através da membrana pelo movimento do analito ou de um íon presente na matriz da membrana. A membrana seletiva pode ser constituída de diversos materiais, como: A membrana seletiva pode ser um cristal, um sólido amorfo, um sólido cristalino agregado, uma membrana líquida insolúvel em água e imobilizada em um suporte, ou ainda membranas contendo enzimas imobilizadas e que terão a seletividade da própria enzima. A seletividade dos eletrodos se baseia no equilíbrio iônico dos íons das soluções interna e externa com os íons que constituem a membrana (ARAÚJO; IRIS, 2021, p. 320). Na Figura 8 é possível observar um típico esquema de sistema potenciométrico contendo um eletrodo indicador de membrana: 36 Figura 8: Exemplo de eletrodo de membrana: (a) e eletrodo de referência Ag/AgCl (b). O eletrodo indicador é constituído por: (1) fio de prata; (2) solução de KCl contendo AgCl saturado e analito com atividade a2; (3) AgCl aderido eletrostaticamente ao fio de prata; (4) membrana seletiva. A solução externa tem atividade a1. Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 319). Dois tipos comuns de eletrodos indicadores de membrana são o com membranas seletivas cristalinas e o de vidro. Eletrodos indicadores com membranas seletivas cristalinas: possuem uma membrana cristalina selada ao corpo do eletrodo e adicionada na parte inferior. Pode ser constituída de cristais prensados ou por um monocristal. Eletrodos de vidro: a membrana seletiva é um vidro especial que é, seletivo a íons como Ag+, H3O+, Li+, K+, Na+, etc. O vidro é geralmente adicionado em formato de bulbo na parte inferior do eletrodo indicador. Dentro do bulbo e no corpo do eletrodo indicador são adicionados um eletrodo de referência, que pode ser um Ag/AgCl, por exemplo, e uma solução com atividades fixas de Cl- e de H3O+, e o eletrodo indicador é vedado. Como a solução permanece vedada no seu interior, as atividades de Cl- e de H3O+ não são 37 alteradas. O vidro deve possuir uma camada hidratada (gel) muito fina para funcionar. Diante disso, é imprescindível manter a membrana hidratada antes das medições. Na determinação de pH, o eletrodo de vidro mais comum, é o eletrodo combinado, onde o eletrodo de referência externo é adicionado no mesmo corpo do eletrodo indicador, cada um em seu compartimento (ARAÚJO; IRIS, 2021). Na Figura 9 é possível observar um exemplo de eletrodo de vidro: Figura 9: Eletrodo de vidro: (1) membrana seletiva; (2) elemento de referência interno AgCl; (3) solução interna; (4) fio de prata Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 320). 2.1.5 Aplicações Quantitativas A determinação potenciométrica da concentração de um analito é uma das técnicas analíticas quantitativas mais comum. Talvez a medição quantitativa de rotina mais frequentemente empregada seja a determinação potenciométrica do pH de uma solução, medida simples e frequente em instituições de ensino, pesquisa, indústrias, entre outras. Outras áreas nas quais as aplicações potenciométricas são importantes incluem química clínica, química ambiental, titulações potenciométricas, curva de titulação ou potenciometria direta e adição de padrão. 2.1.6 Curva de calibração Na maioria das técnicas instrumentais, é possível medir o sinal analítico (ΔE) de uma série de padrões do analito comparando com o sinal da amostra que 38 contém o analito nos mesmos parâmetros (ARAÚJO; IRIS, 2021). Para isso prepara-se soluções-padrão do analito, mede-se a diferença de potencial produzida por cada padrão utilizando o mesmo par de eletrodos referência/indicador. Com os dados obtidos a curva é plotada e os coeficientes por regressão linear são determinados, como já vimos na Unidade 1. Em seguida, a concentração da amostra é calculada a partir dos coeficientes e do sinal registrado no instrumento. Observe o esquema de um sistema potenciométrico na Figura 10. Figura 10: Sistema potenciométrico Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 292). Na Figura 10 é possível observar que o par de eletrodos fica em contato com uma solução do analito e os eletrodos são conectados aos polos positivo e negativo do milivoltímetro eletrônico que realiza a medida. 2.1.7 Método de adições padrão Devido à dificuldade de manter uma matriz constante para amostras e padrões, muitos métodos potenciométricos quantitativos usam o método de adições de padrões. Uma amostra de volume, VX, e concentração de analito, CX, é transferida para uma célula de amostra e o potencial, (Ecél X), é medido. Uma adição de padrão é feita adicionando um pequeno volume, VP, de um padrão contendo uma concentraçãoconhecida de analito, CP, à amostra, e o potencial, (Ecél P), é medido. Desde que VP seja significativamente menor do que VX, a mudança na matriz da amostra é ignorada e o coeficiente de atividade do analito permanece constante. 39 Quando se deseja determinar a concentração e não a atividade, utiliza-se o método da adição-padrão. Neste método mede-se inicialmente o potencial da solução-amostra a ser analisada, depois realiza as medições constantes a cada incremento conhecido de uma solução-padrão do analito (ARAÚJO; IRIS, 2021). Assim, espera-se que todas as medidas foram realizadas com a mesma força iônica. 2.1.8 Medição de pH Com a disponibilidade de eletrodos de pH de vidro e medidores de pH baratos, a determinação do pH se tornou uma das medições analíticas quantitativas mais frequentes. A determinação potenciométrica do pH, entretanto, não é isenta de complicações. A pH = –log [H+] Equação 7 mostra a representação matemática do pH: pH = –log [H+] Equação 7 onde, pH = potencial hidrogeniônico; [H+] = concentração de íons H+. Calibrar o eletrodo apresenta uma outra complicação, pois um padrão com uma atividade conhecida com precisão para H+ precisa ser usado. Infelizmente, não é possível calcular rigorosamente a atividade de um único íon. Um eletrodo de pH é normalmente padronizado usando dois tampões: um próximo a um pH de 7 e outro que é mais ácido ou básico, dependendo do pH esperado da amostra. O eletrodo de pH é imerso no primeiro tampão, e o controle “calibrar” é ajustado até que o medidor leia o pH correto. O eletrodo é colocado no segundo tampão e o controle “calibrar” é ajustado novamente até que o medidor leia o pH correto do segundo tampão. Alguns medidores de pH são equipados com um recurso de compensação de temperatura, permitindo que o medidor de pH corrija o pH medido para qualquer mudança de temperatura. Neste caso, um termostato é colocado na amostra e conectado ao medidor de pH. 2.1.9 Titulações potenciométricas Um método para determinar o ponto de equivalência de uma titulação 40 ácido-base é acompanhar a mudança no pH com um eletrodo de pH. A determinação potenciométrica de pontos de equivalência é viável para titulações ácido-base, complexação, redox e precipitação, bem como para titulações em solventes aquosos e não aquosos. Titulações ácido-base, complexação e precipitação potenciométrica são geralmente monitoradas com um eletrodo íon seletivo que é seletivo para o analito, embora um eletrodo que é seletivo para o titulante ou um produto de reação também possa ser usado. Um eletrodo redox, como um fio platina, e um eletrodo de referência são utilizados para titulações redox potenciométricas. As titulações potenciométricas geram resultados mais confiáveis do que as titulações que utilizam apenas indicadores químicos, além disso, facilitam muito a execução da técnica quando se tem soluções coloridas ou turvas. Um aparato de titulação potenciométrica pode ser montado utilizando o sistema de medição potenciométrico, um sistema de agitação e uma bureta, porém, atualmente já é possível encontrar tituladores automáticos completos. Na Figura 11 é possível observar um esquema de uma titulação potenciométrica: Figura 11: Esquema de titulação potenciométrica Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 307). Quando se realiza uma titulação potenciométrica, se tem interesse pelas alterações no potencial (E) da célula eletrolítica quando o titulante de concentração conhecida é adicionado a uma solução de concentração desconhecida. Este método pode ser utilizado em a todas as reações de titulação 41 desde que ao menos a concentração de uma das substâncias envolvidas possa ser seguida por meio de um eletrodo indicador adequado. Com os resultados da titulação potenciométrica uma curva de titulação pode ser gerada e pode ser seguida ponto a ponto, traçando no eixo das ordenadas E ou pH versus o volume do titulante adicionado. Observe na Figura 12 curvas de titulação de 1a derivada e 2a derivada. Figura 12: Curvas de titulação. (a) Curva de Titulação (b) 1a derivada da curva de Titulação (c) 2a derivada da curva de titulação Fonte: UFRN (2018, p. 95). 2.2 EXPERIMENTOS O método da primeira derivada consiste na plotagem de ΔE/ΔV contra V. O ponto de equivalência está localizado pelo máximo, que corresponde à inflexão da curva de titulação. O método da segunda derivada consiste na plotagem de Δ2E/ΔV2contra V. A segunda derivada é nula no ponto de inflexão e proporciona uma localização mais exata do ponto de equivalência (PASSOS, 2011). Tente plotar os gráficos através dos dados de seu experimento ou então com valores fictícios. Leia o livro Métodos Instrumentais de Análise Química volume 1 de Ewing (2019). Com este livro você vai conseguir se aprofundar um pouco mais nos métodos eletroquímicos e compreender um pouco mais sobre os equipamentos utilizados nesses métodos. Disponível em: https://bit.ly/3IU3nlR. acesso em: 06 jun. 2021. https://bit.ly/3IU3nlR 42 2.2.1 Potenciometria direta: determinação de pH em amostras líquidas, pastosas, sólidas e suspensões A técnica de medir o pH de determinada amostra utilizando um pHmetro é um método de potenciometria direta. Este experimento foi proposto pela UFRN (2018). Para realizar o experimento serão necessários béqueres de 100mL, um eletrodo de vidro combinado para realizar as medidas de pH (pHmetro). Será necessário também, amostras de água destilada, água potável, água mineral, leite, café, refrigerante, vinagre, polpa de fruta, sabão líquido ou outras amostras que deseja fazer a leitura de pH e as soluções tampão de pH 4 e pH 7 para calibrar o pHmetro. Algumas observações importantes antes de realizar os experimentos com pHmetro: Amostras que contém alto teor alcoólico levam mais tempo para estabilizar a leitura; Quando o eletrodo de vidro não estiver sendo usado ele deve ser mantido em solução de KCl 3mol/L para assegurar a hidratação da membrana eletroativa e conservação do eletrodo; Deve-se lavar o eletrodo com água destilada entre uma amostra e outra para que não haja contaminação e interferência nas leituras. Ligue o pHmetro e realize a calibração com os tampões de pH 4 e 7 de acordo com o que o equipamento solicita. Leitura de pH em amostras líquidas homogêneas: depois da calibração do pHmetro, lave o eletrodo com água destilada e seque-o cuidadosamente com papel macio. As amostras líquidas que são homogêneas, claras e não contêm gás dissolvido, podem ser colocadas em um béquer e o eletrodo do pHmetro mergulhado na amostra, garantindo que a membrana de junção esteja completamente submersa na solução. Aguarde o equipamento estabilizar a leitura e anote o pH medido. As amostras líquidas que contem gás carbônico dissolvido, é necessário desgaseificá-las através da agitação e/ou sonicação, pois o CO2 em solução forma o ácido carbônico, alterando o pH real da amostra, além de desestabilizar a medida. Após desgaseificar a amostra, a leitura pode ser realizada como descrito anteriormente. 43 Leitura de pH em amostras em forma de suspensão: As suspensões estáveis como o leite ou as suspensões instáveis como alguns sucos de frutas devem ser agitadas para que a amostra fique homogênea, garantindo maior confiabilidade dos resultados, pois as partículas em suspensão podem apresentar pH diferente da fase líquida. Adicione a amostra em um béquer garantindo um volume que cubra a membrana de junção. Coloque o béquer em um agitador magnético com uma barra magnética dentro e inicie a agitação para que haja a homogeneização da amostra, em seguida mergulhe o eletrodo de vidro no béquer sob agitaçãode forma que a barra magnética não atinja o eletrodo. Aguarde a estabilização da leitura e anote o valor de pH. Lave bem o eletrodo a fim de garantir a completa remoção dos resíduos da amostra. Leitura de pH em amostras sólidas secas: para medir o pH desse tipo de amostras é necessário preparar um extrato em suspensão aquosa contendo a amostra, sendo que a massa da amostra deve ser conhecida e o volume de água também, para caso seja necessário reproduzir a análise, possa ser feito com os mesmos parâmetros. Para preparar o extrato macere uma porção da amostra com o auxílio de um almofariz e pistilo, em seguida pese 10g da amostra em um béquer e adicione 100mL de água destilada. Essa mistura deve ser submetida à agitação magnética e a leitura do pH pode ser realizada com descrita anteriormente. Leitura de pH em amostras pastosas: as amostras que são pastosas precisam ser homogeneizadas para realizar as leituras de pH. Depois da homogeneização o eletrodo é introduzido na pasta, garantindo que a membrana de junção seja encoberta, aguarde a leitura estabilizar e anote o pH da medido. 44 2.2.2 Titulações potenciométricas de neutralização A titulação potenciométrica é uma análise instrumental volumétrica em que o potencial entre dois eletrodos é medido como função do reagente adicionado. As titulações potenciométricas são mais precisas em relação às titulações manuais, são mais adaptáveis a automação, onde os sistemas de titulação automáticos conseguem processar volumes de amostra maiores com o mínimo de envolvimento humano. Este experimento foi proposto pela UFRN (2018). Para um experimento de titulação potenciométrica é necessário: agitador magnético, barra magnética, béqueres, bureta, eletrodo de vidro combinada para a medida de pH (pHmetro), pipeta graduada, pipeta volumétrica, solução de ácido clorídrico 0,1 mol/L, solução padrão de NaOH 0,1mol/L, soluções tampão de pH 4 e pH 7 para calibrar o pHmetro. Primeiramente é necessário calibrar o eletrodo de vidro do pHmetro com as soluções tampão. Em seguida, é necessário montar o sistema e o procedimento geral para titulação potenciométrica como o apresentado na Figura 13. Posteriormente coloca-se o béquer contendo a barra magnética sobre o agitador magnético, posicione a bureta contendo a solução do titulante sobre o béquer de maneira que o analista consiga ter controle da liberação na solução a ser titulada. Pipete um volume estabelecido da solução a ser titulada no béquer. Figura 13: Aparato de titulação potenciométrica Fonte: UFRN (2018, p. 97). 45 Para a titulação em si, é necessário que se adicione 50 mL de água destilada no béquer, de forma a cobrir a membrana de junção do eletrodo. Utilizando uma pipeta volumétrica, adicione 10mL da solução de HCl 0,1 mol/L que será titulada. Adicione a barra magnética, ligue o agitador e insira o eletrodo previamente calibrado no béquer. Inicia-se a titulação com controle da liberação de titulante ajustando a vazão da torneira da bureta. Anote os valores de pH ou E após a adição de volumes sucessivos de titulante, a cada 0,5mL até pouco antes do provável ponto final da titulação. Próximo ao ponto final, adicione volumes de 0,2mL até ultrapassá- lo e novamente em volumes de 0,5mL até o final da titulação. Conforme for adicionando cada volume do titulante, deve-se esperar estabilizar a medida de pH ou E antes de anotá-la. Recomenda-se repetir a titulação até atingir triplicata, para que seja possível calcular a média e o desvio padrão da concentração do analito. Trace em uma planilha eletrônica com os dados obtidos da titulação os seguintes gráficos: volume do titulante x pH; volume do titulante x primeira derivada e volume do titulante x segunda derivada. Localize o volume do ponto final, com ele calcular a concentração da solução de HCl utilizada. 2.3 APLICAÇÕES DE MÉTODOS CONDUTOMÉTRICOS Os métodos condutométricos são aqueles que se baseiam-se na medida da condutância elétrica de soluções iônicas. A condutância pode ser definida como: [...] uma medida da corrente resultante da aplicação de uma dada força elétrica, é diretamente proporcional ao número de íons presentes na solução. A condutometria direta encontra aplicação limitada na análise quantitativa em virtude do caráter não seletivo da conduta ̂ncia. Entretanto, a titulação condutometria, em que a medida da conduta ̂ncia serve para detectar o ponto final, tem um amplo campo de aplicação (ROSA; GAUTO; GONÇALVES, 2013, p. 106). A condutividade depende da concentração e das características dos íons presentes na solução, além das características do meio, como viscosidade, temperatura, constante dielétrica, entre outras. A condutividade é expressa em siemens por unidade métrica, geralmente centímetros (S cm−1) de acordo com o 46 Sistema Internacional de Unidades (SI). O siemens também pode ser usado por como mho (℧) (inverso de ohm), sendo que 1 S equivale a 1 mho. Em uma solução a condutância é o resultado da soma das atribuições dos íons presentes. Mesmo que todos os íons presentes na solução contribuam para a condução da corrente, a fração da corrente que é transportada por determinada espécie iônica depende de sua concentração relativa e também da facilidade do seu movimento no meio. A concentração varia a condutância especifica de um eletrólito. Um eletrólito forte, aumenta a condutância especifica com sua concentração. Já um eletrólito fraco em soluções, a condutância específica aumenta gradualmente. Nos dois casos, o aumento ocorre aos íons por unidade de volume da solução. No caso de um eletrólito forte, o número de íons por volume aumenta em conformidade com concentração. Já nos eletrólitos fracos, essa variação se deve à ionização parcial do soluto e à diminuição do grau de ionização com o aumento da concentração (ROSA; GAUTO; GONÇALVES, 2013). A conduta ̂ncia específica aumenta proporcionalmente com o aumento da diluição. A condutância equivalente total é a soma das condutâncias equivalentes dos íons individuais em diluição infinita (ROSA; GAUTO; GONÇALVES, 2013). Um bom exemplo do uso da condutometria é para conferir a qualidade da água deionizada, para ela ser considerada do tipo I, que é a de melhor qualidade, a água deionizada deve ter condutividade de ≤ 0,055 μS cm−1. A condutometria pode ser aplicada também para caracterizar uma fonte de água, para determinar a quantidade de sólidos totais dissolvidos e a salinidade da água. Quanto mais salobra for a água, maior será a quantidade de íons totais e, assim, maior será a condutividade (APHA et al., 2012). O instrumento utilizado para medidas condutométricas é o condutivímetro, ele realiza medidas diretas da condutividade e também medidas relativas, como nas titulações condutométricas. O equipamento mede a resistência elétrica entre dois eletrodos de platina em uma célula com geometria bem definida, através de um circuito simples modificado para operar com corrente alternada (ARAÚJO; IRIS, 2021). Na Figura 14 é possível observar um eletrodo de condutividade comum onde a célula é construída com eletrodos de platina platinizada de geometria constante e conhecida. As placas de platina devem estar paralelas e distanciadas, onde 47 entre elas passará uma coluna da solução eletrolítica. As dimensões do eletrodo do condutivímetro devem ser conhecidas, as áreas de cada placa têm aproximadamente 1 cm2 e a distância entre elas é de aproximadamente de 1 cm. A célula possui uma constante e seu valor é dado pela razão das áreas pela distância, assim K = 1 cm−1. Quando a condutividade é maior ou menor, existem células mais apropriadas para cada caso, sendo que para amostras com condutividadesmaiores tem-se célula com K = 10 cm−1 e para condutividades menores tem-se K = 0,1 cm−1. Com a calibração do equipamento é possível determinar o valor mais exato da constante da célula, para isso utiliza-se soluções- padrão com condutividades específicas e bem estabelecidas, normalmente utiliza- se soluções-padrão de KCl. Também é importante realizar o controle de temperatura nesse tipo de análise, sendo a temperatura ideal de 25°C, pois o valor da condutância pode aumentar de 1- 2 % para cada grau de temperatura (ARAÚJO; IRIS, 2021). É possível fazer a correção no valor da condutividade nos equipamentos, em razão das variações térmicas. Figura 14: Eletrodo de platina Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 261). O eletrodo de platina platinizada é aquele que possui um depósito de uma fina cama de negro de platina sobre ele. 48 Na medida condutometrica, ao imergir cela de condutividade na solução iônica, irá ocorrer a condução da eletricidade pela migração dos íons positivos e negativos com a aplicação de um campo eletrostático. A quantidade de íons presentes, as suas cargas e respectivas mobilidades serão determinantes para o valor de condutividade do sistema. Cada íon possui uma condutividade equivalente (λ0+) à diluição infinita (a menor concentração possível do íon em solução) tabelada (ARAÚJO; IRIS, 2021). A medida direta da condutividade não é seletiva, a condutividade total será a soma de todos os íons presentes naquela solução. A célula condutimétrica precisa de alguns cuidados, antes do primeiro uso, deve ser lavada com álcool para uma limpeza rápida, e logo após com água destilada. Quando não estiver sendo usada, a célula deve ser conservada imersa em água destilada. A titulação condutométrica é um uma técnica condutométrica rápida, simples, precisa e bastante utilizada no controle de qualidade nas indústrias em geral. Na técnica, a condutividade da amostra é medida ao longo da titulação. A variação da condutância da solução está relacionada à concentração do analito por meio da reação estequiométrica seletiva com o titulante. Através de retas das curvas de titulação o volume do ponto de equivalência das reações é determinado (JUNIOR; ROEDER; SILVA, 2017). 2.4 EXPERIMENTOS 2.4.1 Determinação da constante de ionização de alguns ácidos A condutividade varia entre um eletrólito forte para um fraco, desta forma é possível comparar a condutância de diferentes eletrólitos através do conceito de condutância equivalente (Λo). A conduta ̂ncia equivalente total é o resultado da soma das condutâncias iônicas em diluição infinita. Essa prática foi proposta por Rosa, Gauto e Gonçalves (2013) e tem como objetivo a determinação da constante de ionização de ácidos, como, por exemplo, o ácido acético. 49 Para executar a prática depois que o eletrodo da célula condutométrica for calibrado, mergulhe a célula na solução, ajustando previamente, quando necessário no aparelho. Realize a leitura da condutância específica (k) e determine a condutância equivalente (Λeq). Determine o grau de ionização através da Equação 8: Equação 8 onde, são tabelados (soma das condutividade do cátion e do ânion). Calcule o Ka do ácido (representado por HA) de acordo com a Equação 9: Equação 9 Onde, HA = representação do ácido; [H+], [A-], [HA]= representação da concentração das espécies envolvidas; (C ) = condutância das concentrações das espécies envolvidas. Compare com o valor teórico de Ka ácido acético que pode ser encontrado na literatura. Os valores tabelados podem ser encontrados em livros de química analítica quantitativa. Outros ácidos podem ser utilizados no experimento. 2.4.2 Titulação condutométrica de ácido forte com base forte Nessa prática será realizada uma titulação de ácido forte com base forte com o auxílio de um condutivímetro. A primeira etapa do experimento é a calibração do equipamento. O eletrodo do condutivímetro deve ser lavado com água destilada e seco com papel cuidadosamente, em seguida o eletrodo deve ser conectado ao condutivímetro e 50 mergulhado em solução de padrão de KCl para ajustar a constante da célula. Se necessário, realize a calibração novamente. Em seguida será realizado o experimento de determinação do ácido forte. Para isso adicione com uma pipeta volumétrica 5mL de ácido clorídrico para um béquer de 100mL. Adicione água destilada até cobrir os eletrodos de platina. Adicione no béquer uma barra magnética e leve-o até um agitador magnético e ligue-o. Adicione o eletrodo no béquer, tome cuidado para que o eletrodo não toque na barra magnética e nas paredes laterais do béquer, ficando totalmente imerso na solução. Leia a condutividade da solução. Em seguida, adicione 10mL de NaOH 0,1mol/L de 0,50mL em 0,50mL. A cada adição meça o novo valor de condutividade. O procedimento deve ser realizado em triplicata. Quando encerrado o experimento, deve-se lavar cuidadosamente o eletrodo com água destilada. Monte uma tabela relacionando o volume adicionado de NaOH e a condutividade obtida como o exemplo da Tabela 1: Tabela 1: Valores de condutividade na titulação condutométrica Volume de NaOH (mL) K/μS cm-1 K/μS cm-1 K/μS cm-1 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50 8,00 8,50 9,00 9,50 10,00 A partir dos resultados obtidos você pode construir a curva de condutividade corrigida em função do volume de titulante adicionado; calcular a concentração de ácido clorídrico na amostra analisada e comparar a concentração de ácido clorídrico com o valor de referência da literatura. 51 2.4.3 Análise condutométrica de vinagre adulterado com HCl Nessa prática será avaliada a adulteração de vinagre por HCl através da análise condutométrica. Primeiramente é necessário realizar a calibração do condutivímetro. O eletrodo do equipamento deve ser lavado com água destilada e seco com papel macio. Conectado ao condutivímetro o eletrodo deve ser posto em contato com uma solução-padrão de KCl para ajuste da constante da célula e o equipamento deve ser calibrado. Caso haja necessidade, repita a operação de calibração. A segunda parte do procedimento é a determinação do ácido forte, para isso, com o auxílio de uma pipeta volumétrica adicione 10mL de uma amostra de vinagre adulterado com HCl em um béquer de 100mL. Adicione água destilada até um volume que cobrirá os eletrodos de platina. Adicione uma barra magnética ao béquer e o leve a um agitador magnético e ligue-o. Introduza o eletrodo no béquer de modo a não tocar na barra magnética e nas paredes laterais do béquer, ficando totalmente imerso na solução. Leia a condutividade da solução. A seguir, adicione 10mL de NaOH 0,1 mol/L de 0,50mL em 0,50mL. Após cada adição de NaOH meça o novo valor de condutividade. Faça o procedimento em triplicata. Após a análise lave cuidadosamente o eletrodo água destilada. Monte uma tabela relacionando o volume adicionado de NaOH e a condutividade obtida como o exemplo da Tabela 2: Tabela 2: Valores de condutividade na titulação condutométrica Volume de NaOH (mL) K/μS cm-1 K/μS cm-1 K/μS cm-1 0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50 52 8,00 8,50 9,00 9,50 10,00 A partir dos dados obtidos você pode construir a curva de condutividade corrigida em função do volume de titulante adicionado; calcular a concentração do ácido acético e ácido clorídrico (em mol/L) na amostra analisada e comparar aconcentração do ácido acético e ácido clorídrico com os valores de referência da literatura. 2.5 APLICAÇÕES DE MÉTODOS ELETROGRAVIMÉTRICOS Há basicamente dois métodos eletrogravimétricos gerais. Em um dos métodos não se exerce controle no potencial do eletrodo de trabalho e no potencial de célula aplicado tenta-se manter um nível mais ou menos constante, fornecendo uma corrente suficientemente alta que completa a eletrólise em um período de tempo razoável. Já o outro método é de potencial controlado, ou como também é conhecido método potenciostático. Nessa técnica tenta-se manter o potencial aplicado à célula mais ou menos constante durante a eletrólise. Para ambos os métodos o objetivo é que ocorra uma deposição eletrolítica para a determinação gravimétrica de metais. Comumente o metal é depositado em um cátodo de platina que foi previamente pesado, que após a eletrólise será pesado novamente, e por diferença, a massa do metal pode ser determinada. Neste tópico será apresentado os dois métodos. 2.5.1 Eletrogravimetria sem Controle de Potencial Na eletrogravimetria sem controle de potencial não é exercido nenhum controle do potencial do eletrodo de trabalho e utiliza-se equipamento simples e barato. O instrumento utilizado nessa técnica consiste em uma célula apropriada e uma bateria de corrente contínua de 6 a 12 V. Na célula é aplicada uma voltagem controlada por um resistor variável, R. Para indicar a corrente aproximada e a tensão aplicada, utiliza-se um medidor de corrente e um voltímetro. Para que seja feita uma eletrólise analítica com esse sistema, a aplicação da tensão é ajustada 53 com o potenciômetro R para que seja fornecido uma corrente de vários décimos de ampère. Desta forma, a voltagem é mantida próxima do nível inicial até que se considere a deposição completa (SKOOG et al., 2014). 54 Figura 15: Equipamento para a eletrodeposição sem controle do potencial Fonte: Skoog et al. (2014, p. 581). Na 55 Figura 15 é possível observar um equipamento de eletrodeposição sem controle de potencial, nela mostra-se uma célula típica para a deposição de um metal em um eletrodo sólido. É comum que o eletrodo de trabalho tenha uma área grande o suficiente no formato de uma rede cilíndrica de platina de 2 ou 3 cm de diâmetro e cerca de 6 cm de comprimento (SKOOG et al., 2014). Também são empregados os cátodos na forma de redes de platina e de várias ligas. O ânodo como mostrado, normalmente toma a forma de uma barra de agitação sólida de platina que fica dentro do cátodo e esse conectado a ele por meio do circuito externo. Os precipitados eletrolíticos, idealmente, um metal depositado eletroliticamente que deve ser fortemente aderente, uniforme e denso, pode ser lavado, seco e pesado sem perda por reação com o ar atmosférico ou mecânica. Os depósitos metálicos que são considerados bons são finamente granulados e possuem um brilho metálico. Já os precipitados esponjosos, na forma de pó́ ou flocos, costumam ser menos puros e menos aderentes que os depósitos finamente granulados (SKOOG et al., 2014). O que mais influencia as características físicas de depósitos são a densidade de corrente, a presença de agentes e complexantes e a temperatura. É comum que os melhores depósitos sejam formados quando submetidos a densidades baixas de corrente, tipicamente menores que 0,1 mA cm-2. Sob agitação suave a qualidade do depósitos normalmente melhora. Já os efeitos da temperatura precisam ser determinados empiricamente, pois são imprevisíveis. Na prática esse tipo de método limita-se à separação de cátions que são de fácil redução daqueles que são mais difíceis de redução que o íon hidrogênio ou o íon nitrato. 2.5.2 Eletrogravimetria de Potêncial Controlado Quando se necessita separar espécies com potenciais de eletrodo que Eletrodo de trabalho: é aquele que no qual a reação analítica ocorre. 56 diferem apenas por muito pouco, as vezes poucos décimos de um volt, precisa-se empregar uma técnica mais sofisticada do que a eletrogravimetria sem controle de potencial, sendo a eletrogravimetria de potencial controlado mais apropriada. O sistema com potencial controlado pode ser observado na 57 Figura 16. O sistema é composto por dois circuitos elétricos independentes que compartilham um mesmo eletrodo, o eletrodo de trabalho onde o analito é depositado. O circuito de eletrólise é formado de uma fonte cc, um potenciômetro (ACB) no qual permite que a tensão aplicada entre o eletrodo de trabalho e o contra-eletrodo varie de forma continua e um medidor de corrente. O circuito de controle é composto de um eletrodo de referência (geralmente o ESC), um voltímetro digital de alta resistência e no eletrodo de trabalho. O circuito de controle possui uma resistência elétrica bastante grande, fazendo com que o circuito de eletrólise forneça essencialmente toda a corrente para a eletrólise. O circuito de controle realiza o monitoramento continuamente da voltagem entre o eletrodo de trabalho e o eletrodo de referência controlando-a (SKOOG et al., 2014). 58 Figura 16: Instrumento para eletrogravimetria de potêncial controlado Fonte: Skoog et al. (2014, p. 584). As célula de eletrólise para eletrogravimetria de potêncial controlado são similares a de sem controle de potencial, mas é comum ser utilizados béqueres mais altos e, além disso, normalmente as soluções são submetidas a agitação para minimizar a polarização de concentração. O eletrodo de trabalho, de maneira geral, consiste em uma malha cilíndrica metálica. Os eletrodos mais comuns são produzidos de platina, porém, pode haver de cobre, latão e outros metais ou ligas metálicas. O eletrodo de platina possui incompatibilidade com alguns metais como o bismuto, o zinco e o gálio, onde os mesmos não podem ser depositados diretamente sobre a platina, assim, é depositada uma camada protetora de cobre no eletrodo de platina antes da eletrólise desses metais, para que não ocorra danos permanentes no eletrodo. O método do potencial controlado é uma aplicação muito útil para a determinação e separação de espécies metálicas que tenham potenciais padrão com pouca diferença, muitas vezes apenas alguns décimos de volt. Tomemos como exemplo, cobre, bismuto, chumbo, cádmio, zinco e estanho que podem ser determinados em misturas por deposições sucessivas dos metais em um cátodo de platina previamente pesado. O cobre, bismuto e o chumbo se depositam a partir de soluções quase neutras contendo íons tartarato para complexar o estanho (IV) prevenindo assim sua deposição. O primeiro a ser reduzido quantitativamente é o cobre, isso pela manutenção do potencial do cátodo em 20,2 V em relação ao ESC. Depois de ser pesado, o cátodo que está recoberto com cobre volta para a 59 solução, nesse momento o bismuto é removido em um potencial de 20,4 V. Em seguida, o chumbo é depositado quantitativamente através do aumento do potencial do cátodo para 20,6 V. Ao completar a deposição do chumbo, um excesso de amônia é adicionado e o cálcio e o zinco são depositados em 21,2 e 21,5 V, respectivamente. Ao final, a solução é acidificada para decompor o complexo estanho/tartarato pelo ácido tartárico que foi formado e não dissociado. Com isso o estanho é depositado em um potencial de 20,65 V. Nesse momento é necessário utilizar um cátodo, pois o zinco redissolve-se nessas condições (SKOOG et al., 2014). 2.5.3 Experimento A eletrogravimetria baseada na determinação da massa de um composto, ou elemento, a ser analisado, que é depositado eletroliticamentesobre um eletrodo, que deve ser previamente pesado. Após a deposição pesa-se novamente o eletrodo e subtraindo-se da massa inicial do eletrodo obtém-se a massa do metal depositado. Para iniciar o experimento de eletrogravimetria deve-se imergir os eletrodos em solução aquosa concentrada de HNO3 sob aquecimento para limpá-los. Em seguida deve lavar com água destilada e acetona, com posterior secagem em estufa. O cátodo limpo e seco deve ser pesado antes do início do experimento. O volume da solução de cobre contida num balão volumétrico deve ser completado com água destilada seguido de homogeneização da solução. Em um béquer de 250mL, pipetar 50mL de solução de cobre e adicionar 10mL de HNO3 8mol/L e 10mL de H2SO4 3mol/L. Diluir com 30mL de água destilada e aquecer a 150ºC. Em seguida, mergulhar os eletrodos de platina na solução aquecida e iniciar a eletrólise com corrente elétrica mínima, aumentando-a gradativamente. Regular a intensidade de corrente entre 3,0 e 4,0 A e a tensão próxima a 3,0 V. Quando a solução que inicialmente é de cor azul se tornar incolor, verificar se a eletrólise foi completa, imergindo um pouco mais o cátodo. A eletrólise deve seguir por mais 5 min e deve verificar se ocorreu deposição do metal na região recém-imersa do cátodo. Caso tenha ocorrido deposição, repetir a verificação até que não seja mais constatada a ocorrência de depósito de cobre. 60 O cátodo deve ser retirado da solução, lavando-o com água destilada à medida que for emergindo, sem desligar a corrente. A corrente só deverá ser desligada quando todo o cátodo tiver emergido da solução. O cátodo deve ser lavado com acetona e seco em estufa por 10 min a 110ºC. Em seguida deixar esfriar, por 5 minutos, em dessecador e pesar. Ao final pode-se calcular a concentração em massa e em quantidade de matéria de cobre na solução a partir da massa de depósito e do volume pipetado. Leia o livro Química Analítica: Práticas de Laboratório de Rosa, Gauto e Gonçalves. Neste livro você verá diversas práticas aplicadas na química analítica instrumental, inclusive práticas de eletroquímica. Disponível em: https://bit.ly/3IXcQsy. Acesso em: 06 jun. 2021. https://bit.ly/3IXcQsy 61 FIXANDO O CONTEÚDO 1. As técnicas eletroquímicas baseiam-se nas propriedades elétricas do analito de uma célula eletroquímica. Nessas técnicas utiliza-se eletrodos como sensores diretamente em contato com o analito. É uma medida das propriedades elétricas: I. Carga. II. Corrente. III. Condutância. IV. Concentração. V. Diferença de potêncial. É correto o que se afirma em: a) I, II e IV, apenas. b) III, IV e V, apenas c) I, II, III e V, apenas. d) II, III, IV e V, apenas. e) I, II, III, IV e V, apenas. 2. As técnicas eletroquímicas têm a capacidade de resolver diversos problemas analíticos, principalmente para na determinação e/ou identificação das atividades das espécies, que representam as concentrações efetivas em um determinado meio. As técnicas eletroquímicas podem ser classificadas de acordo com seu parâmetro medido. Desta forma, associe as duas colunas, relacione a técnica eletroquímica com o seu parâmetro medido: (1) Condutometria (2) Potenciometria (3) Eletrogravimetria ( ) Massa. ( ) Condutância. ( ) Diferença de potencial. 62 A sequência correta dessa classificação é: a) 1, 2, 3. b) 1, 3, 2. c) 2, 1, 3. d) 3, 1, 2. e) 3, 2, 1. 3. A potenciometria é uma técnica onde o analito faz parte de uma célula galvânica ou pilha e que se baseia na medida da diferença de potencial entre um par de eletrodos. Além disso, a potenciometria possui outras características. Avalie as afirmações a seguir sobre características da potenciometria como (V) para verdadeiras e (F) para falsas. I. Compatibilidade com sistemas automáticos. II. A medida de diferença de potencial é destrutiva. III. Amostras complexas podem ser aplicadas a técnica sem tratamento prévio. IV. O equipamento fornece uma resposta rápida. As afirmações I, II, III e IV são, respectivamente: a) IV, apenas. b) I e IV, apenas. c) II e III, apenas. d) III e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 4. Observa a figura a seguir que representa uma célula para determinações potenciométricas: 63 Agora, associe os itens numerados da imagem com sua respectiva descrição: ( ) Ponde salina. ( ) Membrana porosa. ( ) Eletrodo indicador. ( ) Eletrodo de referência. A sequência correta dessa classificação é: a) 1, 2, 3, 4. b) 1, 3, 4, 2. c) 2, 3, 4, 1. d) 3, 2, 4, 1. e) 4, 1, 3, 2. 5. Os métodos condutométricos se baseiam na medida de condutância elétrica de soluções iônicas. A condutividade das soluções a serem analisadas através dos métodos condutométricos podem depender das características de: I. Cor. II. Viscosidade. III. Temperatura. IV. Concentração. É correto o que se afirma em: a) II, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e IV, apenas. e) II, III e IV, apenas. 6. O instrumento utilizado para medidas condutométricas é o __________, ele realiza medidas ________ da condutividade e também medidas ________, como nas __________ condutométricas. Diante do exposto, na sequência, assinale a alternativa que preencha as lacunas corretamente. 64 a) condutivímetro, diretas, relativas, titulações b) potenciômetro, relativas, diretas, concentrações c) pHmetro, qualitativas, relativas, titulações d) amperímetro, diretas, relativas, concentrações e) condutivímetro, diretas, quantitativas, titulações 7. O objetivo da eletrogravimetria é que ocorra uma deposição eletrolítica para a determinação gravimétrica de metais. Comumente o metal é depositado em um cátodo de platina que foi previamente pesado, que após a eletrólise será pesado novamente, e por diferença, a massa do metal pode ser determinada. Na eletrogravimetria sem controle de potêncial, o que mais influencia as características físicas de depósitos são: I. Temperatura. II. Densidade de corrente. III. Concentração de íons. IV. Presença de agentes complexantes. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I, II e III, apenas. e) I, II e IV, apenas. 8. Existem dois métodos eletrogravimétricos gerais. Em um dos métodos não se exerce controle no potencial, já no outro método o potencial é controlado. Porém, ambos os métodos possuem princípios similares. Diante do exposto, associe as duas colunas. (1) Objetivo da eletrogravimetria (2) Parâmetro medido em eletrogravimetria (3) Unidade mais comum do resultado da medida de eletrogravimetria ( ) Massa. ( ) Grama. 65 ( ) Deposição eletrolítica de metais. A sequência correta dessa classificação é: a) 1, 2, 3. b) 1, 3, 2. c) 2, 1, 3. d) 3, 2, 1. e) 3, 1, 2. 66 67 MÉTODOS ESPECTROCÓPICOS 3.1 INTRODUÇÃO ÀS TÉCNICAS ANALÍTICAS ÓPTICAS As técnicas ópticas se baseiam nas propriedades da interação da radiação eletromagnética com a matéria. Essa interação é capaz de gerar diferentes fenômenos, tais como, emissão, absorção, difração, reflexão, entre outros, onde podem ser medidos e explorados com o objetivo de se obter informações analíticas. A espectrometria óptica ou espectroscopia, corresponde a um grupo de técnicas analíticas ópticas instrumentais aplicadas em análises químicas com a finalidade de realizar ensaios qualitativos e/ou quantitativos. Na Figura 17 é possível verificar os fenômenos ópticos que ocorrementre a interação da luz com a matéria. Figura 17: Fenômenos ópticos que ocorrem nos métodos espectroscópicos Fonte: Araújo, Iris (2021, p. 72). Uma das formas de descrever as radiações eletromagnéticas é em relação as suas propriedades ondulatórias e suas propriedades corpusculares. Sobre as propriedades ondulatórias é preciso saber a respeito dos termos comprimento de onda (λ) e frequência (ν) que são utilizados para caracterizar as radiações eletromagnéticas. Já quando falamos sobre as propriedades corpusculares, elas são expressas em fótons que são “pacotes de energia”. É importante aprendermos esses termos, pois são válidos para toda a gama de radiação eletromagnética que compõe o espectro eletromagnético. UNIDADE 03 68 O espectro eletromagnético pode ser definido como: O espectro eletromagnético é um “mapa” dos diferentes tipos de energias radiantes, ordenados de acordo com as suas frequências (ν), energias dos fótons (E) ou comprimentos de onda (λ) característicos (ARAÚJO; IRIS, 2021, p. 88). O espectro eletromagnético é composto de raios γ; raios X, ultravioleta, luz visível, infravermelho, micro-ondas e ondas de rádio. As regiões do espectro podem ser observadas na Figura 18 com ênfase no espectro visível: Figura 18: Espectro eletromagnético Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 88). Inicialmente foi dito que as radiações eletromagnéticas podem ser descritas através das suas propriedades ondulatórias e corpusculares. Foi visto através do espectro eletromagnético um pouco das propriedades ondulatórias, relacionado o tipo de radiação eletromagnética com sua faixa de comprimento de onda. Agora poderá ser compreendido sobre as propriedades corpusculares que são expressas através dos fótons. Um fóton carrega um quantum de energia, sendo que sua absorção pelo material vai depender da sua frequência. Os níveis de energia das espécies, sendo elas moléculas, íons ou átomos, são quantizados, isso significa que só se passa de um nível de energia para outro se for recebida uma quantidade mínima de energia. Assim, quando há absorção de fótons pelas espécies químicas, o estado de energia muda de menor energia para maior energia. Quando essa energia é absorvida, ela é igual ao intervalo de energia entre os níveis. Essa quantidade de energia ou quantum (hν) absorvida é fornecida pelo fóton. Nesse processo de absorção, a 69 espécie X absorve a energia e passa para o seu estado excitado X*. Quando ocorre o inverso espécie passa do seu estado excitado X* para o seu estado fundamental X, emitindo o fóton contendo o quantum (hν) que também correspondente à diferença de energia entre os estados. Este fenômeno é chamado de transição de estado de energia e contempla diversos tipos de radiação eletromagnética (ARAÚJO; IRIS, 2021). A Equação 10 representa os fenômenos de absorção e emissão da radiação eletromagnética e a Tabela 3 apresenta dados relacionando a energia com o tipo de radiação e transições. Equação 10 Tabela 3: Principais tipos de transição energética e as respectivas radiações eletromagnéticas associadas Energia Tipo de radiação eletromagnética Transições Raios γ Nucleares Raios X Elétrons de camadas internas Ultravioleta visível Níveis de energia Infravermelho Vibracionais Micro-ondas Rotacionais Ondas de rádio Spin nuclear magnético Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 90). Na região UV e visível do espectro as transições de elétrons podem ocorrer nos níveis de valência, onde os subníveis vibracionais e rotacionais podem ser alterados ou mantidos constantes, aumentando as possibilidades de transições e gerando o alargamento das bandas espectrais (ARAÚJO; IRIS, 2021). Nessa unidade o estudo será limitado a espectroscopia de absorção molecular na região do ultravioleta-visível (UV-Vis). Para observar os espectros na região do UV-Vis pode-se utilizar um instrumento óptico, que possui a capacidade de separar os comprimentos de onda da fonte, esse tipo de equipamento é chamado de espectroscópio. Na 70 Tabela 4 é possível ver os tipos de espectro e sua descrição: 71 Tabela 4: Tipos de espectros TIPOS DE ESPECTROS DE EMISSÃO OU DE ABSORÇÃO Emissão São obtidos diretamente a partir de uma fonte, que pode ser a radiação proveniente de lâmpadas comerciais (incandescentes, fluorescentes, LED etc.) ou de outras fontes de radiação eletromagnética, como a luz das estrelas, emissores de radiofrequência, materiais radioativos ou, ainda, a luminosidade de uma chama contendo moléculas, íons ou átomos provenientes da queima de substâncias químicas. Dependendo da espécie química emissora (molécula, íons ou átomo), o espectro obtido pode ser de linhas ou de bandas. Nos espectrômetros modernos, os espectros de emissão são registrados graficamente pela intensidade da radiação em função do comprimento de onda ou da frequência da radiação eletromagnética. Absorção São obtidos indiretamente quando uma substância com capacidade de absorção é colocada no caminho da emissão da fonte de radiação eletromagnética. Apresentam os diferentes comprimentos de onda em uma sucessão de faixas sem absorções alternadas com faixas ou linhas cuja intensidade de radiação decresce em relação à intensidade original da fonte. Também podem ser espectros de bandas ou de linhas. O espectro de absorção de uma determinada espécie tem energias iguais às das radiações que constituem o espectro de emissão dessa mesma espécie. O espectro de absorção é como se fosse o “negativo” do espectro de emissão correspondente, exceto quando ocorrem os fenômenos da fluorescência e da fosforescência. Nos espectrômetros modernos, os espectros de absorção são registrados graficamente pela absorbância em função do comprimento de onda ou da frequência. ESPECTROS CONTÍNUOS OU DISCRETOS Contínuos É constituído por uma gama contínua de energia de uma determinada faixa de comprimentos de onda do espectro eletromagnético, como, por exemplo, o espectro da luz branca, na faixa do visível. Fontes incandescentes, como um filamento metálico aquecido ou chamas provenientes de combustíveis orgânicos, emitem espectros contínuos. O início e o fim do intervalo de emissão/absorção são caracterizados por um aumento (no caso do início) ou um gradual desaparecimento da intensidade da emissão ou da absorção, sendo mais difícil precisar os limites do intervalo. Discretos Contém apenas comprimentos de onda em certos valores ou intervalos bem definidos. Na faixa do visível, os espectros apresentarão espaçamento entre as cores. Os exemplos mais comuns são os espectros atômicos, caracterizados pela presença de faixas de comprimento de onda muito estreitas, chamadas de raias ou linhas espectrais, completamente diferentes dos espectros moleculares, geralmente contínuos e caracterizados pela presença de sinais alargados ou bandas. ESPECTROS ATÔMICOS E MOLECULARES Atômicos São obtidos no estado gasoso. Os espectros de átomos (ou de íons livres) no estado gasoso, tanto de absorção quanto de emissão, são descontínuos e caracterizados pelo surgimento de linhas estreitas, correspondentes às energias dos orbitais envolvidos nas transições eletrônicas permitidas; as intensidades relativas das linhas dependem da probabilidade de a transição ocorrer. Moleculares São espectros de bandas ou faixas mais alargadas; podem ser tanto de absorção quanto de emissão. As bandas de absorção são características dos espectros de moléculas ou de íons em meio líquido. O alargamento dos sinais das espécies moleculares pode ser explicado pela contribuição das 72 energias vibracionais e rotacionais das ligações químicas da molécula. Os espectros moleculares geralmentesão obtidos com as amostras dissolvidas em solvente adequado. A interação do solvente com o analito provoca um alargamento ainda maior nas bandas de absorção. Assim, é possível perceber que as possibilidades de absorção de energia de uma molécula são bem maiores que as de um átomo no estado gasoso, gerando um espectro de bandas largas. Um sinal alargado no espectro molecular pode representar diversas transições e, consequentemente, maior possibilidade de interferências espectrais, fato este que ocorre mais raramente em um espectro atômico. Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p. 93-97). 3.2 APLICAÇÕES DA ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO MOLECULAR UV-VIS A absorção por matéria de radiação eletromagnética varia do ultravioleta próximo ao infravermelho muito próximo, entre 180 e 1100nm. Esta parte do espectro eletromagnético, designada como 'UV/Visível', uma vez que inclui radiação perceptível ao olho humano. A origem da absorção neste domínio é a interação dos fótons de uma fonte com os íons ou moléculas da amostra. Quando uma molécula absorve um fóton da região UV-Vis, a energia correspondente é capturada por um (ou vários) de seus elétrons mais externos. Como consequência ocorre uma modificação de sua energia eletrônica, um componente da energia mecânica total da molécula juntamente com sua energia de rotação e sua energia de vibração. Os espectrômetros UV-Vis agrupam os dados ao longo da faixa necessária e geram o espectro do analito como um gráfico que representa a transmitância ou absorbância em função do comprimento de onda ao longo da abcissa, dado em nanômetros, a unidade recomendada nesta região. Em espectroscopia, a transmitância (T) é uma medida da atenuação de um feixe de luz monocromática com base na comparação entre as intensidades da luz transmitida (P) e da luz incidente (P0) de acordo com se a amostra é colocada, ou não, no caminho óptico entre a fonte e o detector. T é expresso como uma fração ou porcentagem: Você sabia que há diferença entre o espectrômetro, espectroscópio e espectrofotômetro? Você sabe qual é a diferença entre eles? 73 Equação 11 ou Equação 12 E a absorbância é definida por: Equação 13 O domínio UV-Vis tem sido amplamente explorado em análises quantitativas. As medições são baseadas na lei de Lambert-Beer que, sob certas condições, relaciona a absorção da luz à concentração de um analito em solução. As origens desta lei encontram-se no trabalho do matemático francês Lambert, que lançou as bases da fotometria no século XVIII. Posteriormente, Beer, um físico alemão do século seguinte, propôs uma lei que levava ao cálculo da quantidade de luz transmitida por uma dada espessura de um composto em solução em uma matriz não absorvente (ROUESSAC; ROUESSAC, 2007). Para determinar a concentração de substâncias por espectrofotometria molecular utilizando a lei de Lambert-Beer, o caminho óptico e a concentração são fatores importantes. Observe a Figura 19: Figura 19: Passagem do feixe de luz através da amostra Fonte: Passos (2011, p. 21). Sabe-se que a absorbância (A) é diretamente proporcional à concentração do analito e também que a absorbância é diretamente proporcional ao caminho óptico (b) e à concentração (C), desta forma tem-se: A ∝ b, C A grandeza que consegue relacionar a absorbância com o caminho óptico 74 e com a concentração é chamada de absortividade (a ou ϵ). Sendo que a absortividade é uma constante de proporcionalidade intrínseca à espécie absorvente e ao meio em que está dissolvida, além de ser constante para um determinado comprimento de onda (ARAÚJO; IRIS, 2021). Equação 14 ou Equação 15 Onde, a (absortividade) = L g-1 cm-1 (absortividade molar) = L mol-1 cm-1 b (caminho óptico) = cm C (concentração) = mol L-1 É importante saber que a concentração é expressa em g L-1 e o caminho óptico em cm, a absortividade é específica e possui unidade de L g-1 cm-1. Mas, se a unidade de concentração é mol L-1, a absortividade passa a ser absortividade molar (ϵ), com unidade igual L mol-1 cm-1. Um método conhecido como colorimetria é bastante empregado para medidas de espectroscopia de absorção molecular em laboratórios. A colorimetria se aplica não apenas a compostos que possuem um espectro de absorção naquela região espectral, mas igualmente a todos aqueles compostos que, após modificação por reagentes específicos, levam a derivados que permitem medições de absorção. 3.2.1 Instrumentação no UV-Visível De maneira geral, os instrumentos ópticos que operam na região UV-VIS, possuem basicamente 5 componentes: fonte estável de energia radiante; seletor O caminho óptico é a distância percorrida pela luz em contato com a solução a ser analisada, que na espectroscopia costuma ser a extensão da cubeta, por isso é importante saber as dimensões da mesma, sendo que a maioria das cubetas possuem caminho óptico de 1cm. 75 de comprimento de onda que realiza o isolamento de uma região limitada do espectro para a medida; recipiente para a amostra podendo ser mais de um; detector de radiação; e uma unidade de processamento e de leitura do sinal. Na Figura 20 é possível verificar o esquema de componentes de um espectrofotômetro de varredura de feixe duplo e Figura 21 é possível observar um espectrofotômetro real. Figura 20: Espectrofotômetro de varredura com feixe duplo Fonte: Passos (2011, p. 25). Figura 21: Espectrofotômetro Fonte: A autora. Todos os espectrômetros requerem uma fonte de luz. Mais de um tipo de fonte pode ser utilizado no mesmo instrumento que troca lâmpadas automaticamente ao fazer a varredura entre as regiões UV e visível: para a região visível do espectro, utiliza-se uma lâmpada incandescente equipada com um filamento de tungstênio alojado em um vidro de sílica; para a região UV, utiliza-se uma lâmpada de arco de deutério trabalhando sob uma leve pressão para manter um contínuo de emissão (<350nm); 76 alternativamente, para toda a região de 200 a 1100nm, utiliza-se uma lâmpada de arco de xenônio em aparelhos de rotina. O recipiente onde se adiciona a amostra que vai ser realizada a leitura no equipamento é a cubeta, alguns tipos de cubetas podem ser observados na Figura 22. A cubeta é o caminho óptico que terá contato com a radiação, desta forma, deve ser capaz de conduzi-la sem gerar interferências, se causar que sejam interferências sistemáticas e controladas. Para a utilização aplicações na região do visível, as cubetas podem ser de vidro silicato comum, que é de baixo custo. Porém, para utilização na região do UV devem ser utilizadas cubetas de quartzo, porque nessa região o vidro começa a absorver radiação. Figura 22: Cubetas Fonte: A autora. O detector possui a função de converter as informações espectroscópicas, como potência radiante transmitida, emitida ou fluorescente em uma quantidade mensurável. Os sistemas de detectores mais utilizados são os detectores de fótons, como os tubos fotomultiplicadores, os fototubos, fotodiodos de silício e o arranjo de fotodiodos. Nos fototubos e nos fotomultiplicadores, uma camada de material fotoemissor emite elétrons quando é irradiado com luz de energia apropriada. Quando na presença de um eletrodo carregado positivamente, estes fotoelétrons produzem uma fotocorrente que pode ser amplificada e medida. Já o detector de arranjo de diodos, pela sua estrutura compacta e miniaturizada, tem a capacidade de analisar de forma simultânea todos os comprimentos de onda incidentes na amostra quando um ou dois arranjos são colocados na extensão do plano focal do monocromador. 77 3.2.2 Aplicações Quantitativas A determinaçãoda concentração de um analito com base em sua absorção de radiação ultravioleta ou visível é um dos métodos analíticos quantitativos mais frequentemente encontrados. Uma razão para sua popularidade é que muitos compostos orgânicos e inorgânicos têm bandas de absorção fortes na região UV-Vis do espectro eletromagnético. Quando um composto não absorve luz, pode, no entanto, tornar-se objeto de uma medição fotométrica se puder ser previamente transformado em um derivado que tenha um cromóforo explorável. Usando este método torna-se possível quantificar todos os tipos de espécies químicas que não têm absorção significativa por serem muito fracas ou porque estão em uma região do espectro onde coexistem outras absorções que interferem. Para resolver essa questão, a medição da absorbância é precedida por uma transformação química que deve ser específica, total, rápida, reproduzível e levar a um derivado estável em solução, que é absorvente de UV-Vis. Este é o princípio dos testes colorimétricos. O termo colorimetria surgiu da afirmação de que as medições iniciais neste campo, antes da invenção do espectrofotômetro, eram realizadas com luz natural (luz branca) e por comparação visual direta da coloração da amostra com a de um controle de concentração. Além do olho, nenhuma outra instrumentação em particular foi usada (ROUESSAC; ROUESSAC, 2007). As duas situações que podem ser encontradas com mais frequência para a aplicação da colirimetria são: O analito a ser medido está presente em uma matriz cujos outros constituintes absorvem também na mesma faixa espectral: a medição direta da absorção devida apenas a este composto é praticamente impossível. Para superar Cromóforo: são grupos orgânicos insaturados que absorvem nas regiões do ultravioleta e visível, são exemplos de grupos cromóforos os alcenos, carbonila, aromáticos, entre outros 78 essa dificuldade, o composto é transformado especificamente em um derivado cuja curva de absorção está situada em uma região livre de interferência da matriz; O analito a ser medido não tem cromóforo explorável: mais uma vez, esse problema é superado pela criação de uma derivada absorvente da espécie inicial seguindo o mesmo princípio. Na colorimetria, é preferível que a medição seja feita em um cromóforo cuja absorbância esteja situada em comprimentos de onda mais longos, pois isso reduz o risco de sobreposição das absorções individuais dos diferentes outros compostos. Agora, quando a medição é precedida por uma reação química, a estrutura exata do derivado colorido, cuja absorbância é medida, raramente é conhecida, no entanto, se for assumido que a reação implicada é estequiométrica, seu coeficiente de absorção molar é acessível a partir da concentração molar do composto que foi derivatizado. Na análise de um único analito e controle de pureza, o primeiro passo é a construção de uma curva de calibração a partir de soluções de concentração conhecida do composto a ser medido, submetidas ao mesmo tratamento da amostra. Esta curva, que na maioria das vezes é uma linha reta para soluções diluídas, permite a determinação da concentração da amostra desconhecida. 3.2.3 Aplicações Qualitativas As bandas de absorção ultravioleta e visível resultam da absorção de radiação eletromagnética por elétrons de valência específicos ou ligações. A energia na qual ocorre a absorção, bem como a intensidade da absorção, é determinada pelo ambiente químico da fração absorvente. Por exemplo, o benzeno tem várias bandas de absorção ultravioleta devido às transições *. A posição e a intensidade de duas dessas bandas, 203,5 nm (e = 7400) e 254 nm (e = 204), são muito sensíveis à substituição (HARVEY, 2000). Para o ácido benzóico, no qual um grupo de ácido carboxílico substitui um dos hidrogênios aromáticos, as duas bandas mudam para 230 nm (e = 11.600) e 273 nm (e = 970). Várias regras foram desenvolvidas para auxiliar na correlação das bandas de absorção de UV-Vis com a estrutura química. Com a disponibilidade de aquisição e armazenamento de dados 79 computadorizados, é possível construir bibliotecas de banco de dados de espectros de referência padrão. Quando um espectro de um composto desconhecido é obtido, sua identidade pode frequentemente ser determinada pesquisando em uma biblioteca de espectros de referência. Este processo é conhecido como pesquisa espectral. As comparações são feitas por um algoritmo que calcula a diferença cumulativa entre as absorbâncias da amostra e os espectros de referência. Outra vantagem da aquisição de dados computadorizada é a capacidade de subtrair um espectro de outro. Quando acoplado à pesquisa espectral, pode ser possível, pesquisando e subtraindo repetidamente os espectros de referência, determinar a identidade de vários componentes em uma amostra sem a necessidade de uma etapa de separação prévia. 3.3 EXPERIMENTOS 3.3.1 Determinação de Nitrato em Água Potável Utilizando a Espectroscopia de Absorção na Região do Ultravioleta Um dos íons mais presentes nas águas de rios, lagos, entre outros, é o íon nitrato (NO3-), sua presença nesses ambientes é devido a sua alta solubilidade em água. Em águas superficiais são encontradas baixas concentrações deste íon, porém, em águas de alta profundidade podem ser observados altos teores de nitratos. O nitrato pode ser oriundo da degradação de matéria orgânica, que pode ser provinda do esgoto, de folhas soltas de árvores, de alguns fertilizantes, adubos, ração animal, entre outros. Ou seja, um alto nível de nitrato na água pode indicar uma falha do saneamento básico. O nitrato é produto final da oxidação da matéria orgânica nitrogenada: matéria orgânica nitrogenada → NH3 → NO2- → NO Para determinar nitrato em água, utiliza-se o método que se baseia na leitura direta da absorbância da amostra de água a 205nm, adicionando ácido clorídrico 1mol/L, para águas de abastecimento e mineral. É importante realizar a varredura no espectrofotômetro de absorção na região do UV-visível para determinar o comprimento de onda () de máxima absorção. Pode haver muitas interferências 80 espectrais na região do espectro eletrônico onde são realizadas essas medidas de absorbância. Por isso, este experimento é aplicável apenas em águas com baixo conteúdo em matéria orgânica. Utiliza-se HCl para prevenir a interferência de concentrações de carbonato ou hidróxido acima de 1000 mg CaCO3/L. Esse experimento foi proposto por UFRN (2018). Para a realização do experimento é necessário: balão volumétrico de 250mL, balões volumétricos de 100mL, bastão de vidro, béqueres de 100mL, funil de vidro pequeno, papel manteiga, pera, pipetador, pipeta graduada de 10mL, amostras de água potável, amostras de água mineral, HCl 1mol/L, nitrato de sódio ou nitrato de potássio padrão analítico. Para o preparo da solução-padrão estoque de nitrato de 100mg/L deve-se pesar 0,0408 g de nitrato de potássio previamente seco a 105°C ou pode-se utilizar 0,0343 g de nitrato de sódio também previamente seco a 105°C. Transfira o sal pesado para um balão volumétrico de 250mL e complete o volume com água deionizada e homogeneíze. O próximo passo é desenvolver a curva padrão, para isso é necessário preparar uma sequência de diluições a partir da solução-padrão estoque. Transfira alíquotas de 1, 2, 3, 4, 5 e 7mL da solução-padrão estoque para balões volumétricos de 100mL. Em cada balão volumétrico adicione 1mL de HCl 1mol/L, complete o volume com água deionizada e homogeneíze. Com isso se tem soluções-padrões concentrações de concentração 1, 2, 3, 4, 5 e 7mg/L de nitrato (NO3-). Para o preparo das amostras para análise transfira quantitativamente as amostras de água mineral e potável para os respectivos balões volumétricosde 100mL. Em seguida, adicione 1mL de HCl 1mol/L e homogeneíze. Depois de tudo preparado é o momento de realizar a leitura no espectrofotômetro UV-Vis no comprimento de onda. Primeiramente é importante ler o manual do equipamento e entender o seu funcionamento e seguir as instruções de procedimento operacional do equipamento. Em seguida identifique o comprimento de onda de máxima absorção utilizando a solução-padrão, nesse caso literatura indica o comprimento de onda de aproximadamente 205nm, porém, é necessário realizar a varredura e para a escolha mais apropriada diante das especificações do equipamento a ser utilizado. O próximo passo é realizar a leitura das absorbâncias das soluções-padrão utilizando uma cubeta de quartzo. Realize a leitura em triplicata e os valores de absorbância obtidos podem ser anotados no 81 anote no Quadro 6. Quadro 6: Absorbâncias das soluções padrão Concentração das soluções padrão (NO3- mg/L) A1 A2 A3 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 7,0 O próximo passo é realizar a leitura das amostras, adicione a amostra preparada com água potável na cubeta de quartzo e realize a leitura da absorbância. Repita o procedimento para a amostra preparada com água mineral. As análises das amostras devem ser realizas em triplicata e os valores de absorbância podem ser anotado no Quadro 7. Uma observação a ser considerada é que caso a absorbância apresente valor acima de 1, é necessário diluir a amostra original e realizar a leitura novamente, e no momento dos cálculos de concentração deve-se considerar a diluição. Quadro 7: Dados da absorbância das amostras Amostras A1 A2 A3 Água potável Água mineral Em seguida determine a quantidade de nitrogênio nítrico correspondente, para isso, utilize a curva-padrão previamente estabelecida. Para construir a curva padrão para o nitrato (NO3-) expresso em NO3- (mg/L) e N (mg/L), utilize uma planilha eletrônica e obtenha os coeficientes linear e angular. Com isso determine as concentrações de nitrato nitrogênio (mg/L) das amostras de água potável e água mineral. 3.3.2 Determinação de Hidrocarbonetos Aromáticos em água O experimento descrito a seguir foi proposto por Rosa, Gauto, Gonçalves (2013), com ele é possível realizar a análise através de espectrofotometria UV de 82 amostra de água possivelmente contaminada por hidrocarbonetos aromáticos. Os reagentes necessários para o experimento são: metanol, benzeno e tolueno, sendo que todos os reagentes devem ser de padrão analítico. Adicione 50μL de benzeno em um balão volumétrico de 25mL e complete o volume do balão com metanol, preparando assim uma solução padrão. A partir desta solução padrão, será realizada diluições em balões volumétricos de 10mL, para isso adicione 0,25; 0,50; 0,75; 1,00 e 1,5mL nos balões e complete o volume com metanol. O metanol deve ser utilizado como branco e a solução mais concentrada da curva para obter o espectro de absorção (máxima absorção). Realize as leituras em comprimentos de onda entre 200-300nm. Anote os valores dos comprimentos de onda de máxima absorção dos picos observados. Utilize cada uma das soluções-teste em seque ̂ncia medindo a absorção para cada concentração no comprimento de onda observado. Verifique a validade da Lei de Beer elaborando uma curva padrão. O procedimento deve ser repetido adicionando 50μL de tolueno em um balão volumétrico e completando o volume com metanol. Com essa solução, prepare diluições adicionando 0,25; 0,50; 0,75; 1,00 e 1,5mL dela em balão volumétrico de 10mL e completando o volume com metanol. O mesmo procedimento deve ser repetido escolhendo o comprimento de onda de 270nm para realizar a leitura da absorção máxima. Verifique a validade da Lei de Beer elaborando uma curva padrão. Em seguida, prepare uma mistura de tolueno e benzeno adicionando 50μL de cada um dos solventes em um balão volumétrico de 25mL e complete o volume do balão com metanol. Transfira 1,5mL desta mistura para balão volumétrico de 10mL e complete o volume do balão com metanol. Realize a leitura da absorbância desta solução nos dois comprimentos de onda escolhidos para a elaboração da curva para verificação da validade da Lei de Beer. Realize a comparação dos resultados obtidos com as soluções individuais de tolueno e benzeno com o resultado obtido para a mistura. 83 Leia o livro Fundamentos de Química Analítica escrito por Skoog et al. (2014). Este livro é a bibliografia básica para química analítica e vai complementar ainda mais os seus conhecimentos a respeito de análise instrumental. Disponível em: https://bit.ly/3oflaMB . Acesso em: 06 jun. 2021. Leia o livro Análise Instrumental – Uma Abordagem Prática de Araújo e Iris (2021). É um livro atual, com um conteúdo muito relevante, de fácil leitura, com imagens incríveis e que vai aperfeiçoar a sua visão prática da química analítica instrumental. Disponível em: https://bit.ly/3GfvVod. Acesso em: 06 jun. 2021. https://bit.ly/3oflaMB https://bit.ly/3GfvVod 84 FIXANDO O CONTEÚDO 1. As técnicas ópticas se baseiam na interação da radiação eletromagnética com a matéria, sendo que essa interação é capaz de gerar diferentes fenômenos, tais como: I. Difração. II. Reflexão. III. Emissão. IV. Absorção. V. Separação. É correto o que se afirma em: a) I, II e IV, apenas. b) II, III e V, apenas. c) I, II, III e IV, apenas. d) II, III, IV e V, apenas. e) I, II, III, IV e V. 2. Uma das formas de descrever as radiações eletromagnéticas é em relação as suas propriedades ondulatórias e suas propriedades corpusculares. Essas propriedades são caracterizadas por alguns termos/medidas. Desta forma, associe as duas colunas, correlacionado as propriedades com seus respectivos termos/medidas. (1) Propriedades ondulatórias (2) Propriedades corpusculares ( ) fótons. ( ) frequência. ( ) pacotes de energia. ( ) comprimento de onda. A sequência correta dessa classificação é: 85 a) 1, 2, 1, 2. b) 2, 1, 2, 1. c) 1, 1, 2, 2. d) 2, 2, 1, 1. e) 1, 2, 2, 1. 3. O espectro eletromagnético pode ser definido como: Conjunto de partículas ou ondas e suas intensidades relativas separadas e ordenadas a partir de suas grandezas (frequência, comprimento de onda, energia ou massa) (ARAÚJO; IRIS, 2021 p. 103). Sabendo que essas partículas ou ondas podem também ser chamadas de radiação eletromagnética, quais são as que compõem o espectro eletromagnético são: I. Fótons. II. Raios X. III. Luz visível. IV. Ultravioleta. V. Raios gama. VI. Micro-ondas. VII. Infravermelho. VIII. Ondas de rádio. É correto o que se afirma em: a) I, III, IV e VII, apenas. b) IV, V, VI, VI e VIII, apenas. c) I, II, III, V, VII e VIII, apenas. d) II, III, IV, V, VI, VII e VIII, apenas. e) I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII. 4. Os níveis de energia das espécies, sendo elas moléculas, íons ou átomos, são quantizados, isso significa que só se passa de um nível de energia para outro se for recebida uma quantidade de energia exata. Sobre essa transição de energia 86 que ocorre, associe as duas colunas, relacionando o tipo de radiação eletromagnética com sua respectiva transição. (1) Raios X (2) Raios gama (3) Micro-ondas (4) Infravermelho (5) Ondas de rádio (6) Ultravioleta-visível ( ) Nucleares. ( ) Elétrons de camadas internas. ( ) Elétrons de camada de valência. ( ) Vibracionais. ( ) Rotacionais. ( ) Spin nuclear magnético. A sequência correta dessa classificação é: a) 2, 1, 6, 4, 3, 5. b) 2, 3, 1, 4, 5, 6. c) 3, 6, 5, 2, 1, 4. d) 4, 1, 3, 6, 5, 2.e) 6, 4, 2, 1, 3, 5. 5. A grandeza que consegue relacionar a absorbância com o caminho óptico e com a concentração é: a) difração. b) emissão. c) radiação. d) transmitância. e) absortividade. 6. Observe a figura a seguir que representa um espectrofotômetro com feixe duplo: 87 Agora, associe os itens numerados da imagem com sua respectiva descrição. ( ) Detector. ( ) Monocromador. ( ) Fonte de radiação. ( ) Cubeta com amostra. ( ) Cubeta de referência. A sequência correta dessa classificação é a) 1, 2, 3, 4, 5. b) 2, 3, 1, 4, 5. c) 3, 5, 4, 1, 2. d) 4, 2, 1, 3, 5. e) 5, 2, 1, 3, 4. 7. Quando um composto não _______ luz, pode, no entanto, tornar-se objeto de uma medição _________ se puder ser previamente transformado em um ________ que tenha um ________ explorável. Diante do exposto, na sequência, assinale a alternativa que preencha as lacunas corretamente. a) emite, eletroquímica, íon, componente. b) reflete, fotométrica, derivado, cromóforo. c) absorve, fotométrica, derivado, cromóforo. d) emite, fotométrica, íon, derivado, componente. 88 e) absorve, condutométrica, derivado, componente. 8. O caminho óptico que terá contato com a radiação, que deve ser capaz de conduzi-la sem gerar interferências é chamado de: a) cubeta. b) detector. c) espelho. d) cromóforo. e) monocromador. 89 ESPECTROSCOPIA ATÔMICA 4.1 APLICAÇÕES DA ESPECTROSCOPIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA A espectroscopia atômica é empregada na determinação quantitativa e qualitativa de mais de 70 elementos. Além de poder qualificar e quantificar inúmeros elementos, os métodos espectroscópicos são rápidos, convenientes e costumam ter alta seletividade. Os átomos livres no seu estado estável, ou seja, não excitado, tem a capacidade de absorver a luz em um determinado comprimento de onda, a espectroscopia de absorção atômica baseia-se nesse princípio. A espectroscopia de absorção atômica pode ser utilizada para a determinação de metais, semi-metais e não metais em diversas amostras, como: alimentos, biológicas, ambientais, etc. (PASSOS, 2011). A espectrometria de absorção atômica com chama é a técnica mais utilizada para analises elementares em níveis de mg L-1, já a espectrometria de absorção atômica com atomização eletrotérmica em forno de grafite é utilizada para determinações de baixas concentrações em níveis de μg L-1. Na determinação de espécies atômicas em espectroscopia de absorção atômica é necessário que o meio seja gasoso, onde os átomos individuais ou íons elementares, como, Mg+, Fe+ ou Al+, estão separados uns dos outros. Desta forma, para alcançar essa característica para a análise, a primeira etapa das análises de Cada elemento tem uma absorção específica, é a identidade de cada um dos elementos, não há nenhum outro elemento que absorve luz no mesmo comprimento de onda. Assim, cada espécie atômica possui um espectro de absorção individual e exclusivo, formado por uma série de estreitas raias características devido a transições eletrônicas envolvendo os elétrons externos (PASSOS, 2011). UNIDADE 04 90 espectroscopia atômica é a atomização (SKOOG et al., 2014). Para alcançar a atomização, a amostra é aquecida a temperatura de pelo menos 2.000 °C, assim, é possível dissociar todas as combinações químicas nas quais o elemento em estudo está envolvido, incluindo o restante da amostra. 4.1.1 Instrumentação Os espectrofotômetros de absorção atômica são projetados usando a óptica de feixe único ou duplo. Um esquema óptico de espectrofotômetro de feixe único é ilustrado na Figura 23. Ele contém quatro componentes principais: o feixe de luz emitido pela fonte (1) passa pelo atomizador (4) no qual o elemento é levado ao seu estado atômico antes de ser focalizado na fenda de entrada do monocromador (5) que seleciona um intervalo de comprimento de onda estreito. O caminho óptico termina na fenda de entrada do detector (6). Figura 23: Esquema de espectrofotômetro de absorção atômica Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 213). Fonte: a fonte deve emitir radiação estável e intensa da espécie atômica de A atomização é um processo em que a amostra é volatilizada e decomposta, atingindo então a fase gasosa de átomos e íons. 91 interesse, não deve gerar radiação de fundo e nem linhas estranhas emitidas dentro da banda do monocromador (SKOOG et al., 2014). As de lâmpadas de cátodo oco e lâmpadas de descarga são as principais fontes utilizadas em espectroscopia de absorção atômica. Sendo que as mais utilizadas são as lâmpadas de cátodo oco, elas são constituídas de um tubo de vidro ou de quartzo com paredes grossas contendo neônio ou argônio sob baixa pressão, contém também um cátodo feito do elemento de interesse ou ao menos recoberto, comumente em forma de cilindro fechado em uma das extremidades, já o ânodo consiste em um fio de tungstênio (SKOOG et al., 2014). Já as lâmpadas de descarga não possuem eletrodo e geram um espectro de raias através da passagem de uma corrente elétrica através de vapor de metal (PASSOS, 2011). Na Figura 24 é possível observar um esquema de uma lâmpada de catodo oco: Figura 24: Lâmpada de catodo oco Fonte: Skoog et al. (2014, p. 787). Sistema modulador de sinal: sistema que permite minimizar ruído do sistema atomizador, minimizando assim, problemas devido à instrumentação. Atomizador: O processo de conversão de um analito na forma sólida, líquida ou de solução em um átomo gasoso livre é chamado de atomização. Costuma-se, na maioria dos casos, preparar a amostra que contém o analito em uma solução orgânica ou aquosa. Dois métodos gerais de atomização são usados: atomização por chama e atomização eletrotérmica. Alguns elementos são atomizados usando outros métodos, como pode ser observado na Tabela 5: Tabela 5: Métodos de atomização Métodos de Atomização Temperatura Típica de Atomização (°C) 92 Plasma acoplado indutivamente 6.000-8.000 Chama 1.700-3.150 Eletrotérmica 1.200-3.000 Plasma de corrente contínua 5.000-10.000 Arco elétrico 3.000-8.000 Centelha elétrica Varia com o tempo e posição Fonte: Adaptado de Skoog et al., (2014, p. 767). Atomizadores de chama: Na atomização por chama, a amostra é primeiramente convertida em uma névoa fina que consiste em pequenas gotas de solução. A amostra é aspirada para uma câmara de pulverização, passando uma corrente de alta pressão que consiste em um ou mais gases de combustão, passando pela extremidade de um tubo capilar imerso na amostra. O impacto da amostra com a esfera de impacto de vidro produz uma névoa de aerossol. A névoa de aerossol se mistura com os gases de combustão na câmara de pulverização antes de passar para o queimador, onde a energia térmica da chama dessolvata a névoa de aerossol em um aerossol seco de pequenas partículas sólidas. Posteriormente, a energia térmica volatiliza as partículas, produzindo um vapor que consiste em espécies moleculares, espécies iônicas e átomos livres. Figura 25: Atomização Fonte: Passos (2021, p. 3). Atomizadores eletrotérmicos: Um atomizador eletrotérmico típico, também conhecido como forno de grafite, consiste em um tubo cilíndrico de grafite. O tubo de grafite está alojado em um conjunto que veda as extremidades do tubo com janelas opticamente transparentes. A montagem também permite a passagem de um fluxo contínuo de gás inerte, protegendo o tubo de grafite da oxidação e retirando os produtos gasosos produzidos durante a atomização. Uma fonte de alimentação é usada para passar uma corrente através do tubo de grafite, resultando em aquecimentoresistivo. Amostras entre 5 e 50 μL são injetadas no tubo de grafite através de um orifício de pequeno diâmetro localizado na parte superior 93 do tubo. A atomização é realizada em três estágios. No primeiro estágio, a amostra é seca usando uma corrente que aumenta a temperatura do tubo de grafite para cerca de 110 °C. A dessolvatação deixa a amostra como um resíduo sólido. No segundo estágio, chamado de incineração, a temperatura é elevada para 350– 1200 °C. Nessas temperaturas, qualquer material orgânico na amostra é convertido em CO2 e H2O, e os materiais inorgânicos voláteis são vaporizados. Esses gases são removidos pelo fluxo de gás inerte. No estágio final, a amostra é atomizada aumentando rapidamente a temperatura para 2.000–3.000 ° C. O resultado é um pico de absorbância transiente cuja altura ou área é proporcional à quantidade absoluta de analito injetado no tubo de grafite. Os três estágios são concluídos em aproximadamente 45–90 s, com a maior parte desse tempo usado para secar e incinerar a amostra (HARVEY, 2000). Monocromador: é um dispositivo que isola a raia analítica e de bloqueia as raias ou bandas da vizinhança, e ainda a radiação de fundo da chama o máximo possível. Um monocromador precisa deixar que a maior quantidade de luz possível passe, para isso as fendas que o constitui devem poder ser ajustadas para que se alcance a abertura necessária para que se consiga uma faixa espectral com estreita amplitude. É preciso que o monocromador do espectrofotômetro seja capaz de isolar mais de um comprimento de onda sem que se precise alterar significativamente sua construção. Para isso, utiliza uma rede de difração empregada como elemento monocromador (SKOOG et al., 2014). As redes de difração podem fornecer excelente resolução espectral, isolando faixas muito estreitas de comprimento de onda. Esta habilidade depende do número de ranhuras por milímetro e também, da construção e características de outros elementos ópticos empregados na construção do espectrofotômetro, como espelhos e fendas de entrada e saída de luz (PASSOS, 2011). Na Figura 26 é possível mostrar um monocromador do tipo Czerny-Turner, que é constituído por uma rede de difração, dois espelhos côncavos e duas fendas. A fenda de entrada isola um comprimento de onda específico. Já a fenda de saída pode ser fixa e a rede de difração ser movimentada, assim, altera-se o ângulo de incidência da luz policromática e dando a possibilidade para que diferentes comprimentos de onda sejam projetados sobre a fenda de saída (SKOOG et al., 2014). 94 Figura 26: Sistema óptico com monocromador tipo Czerny-Turner Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 230). Detectores de radiação: o detector é um dispositivo capaz de converter a energia radiante, que incide um sinal elétrico para o detector, que geralmente é constituído por uma corrente elétrica, sendo que a medida é proporcional a intensidade da radiação monitorada. Existem três principais detectores de espectroscopia de absorção atômica: fototubo a vácuo, tubo fotomultiplicador e fotodiodo de silício (SKOOG et al., 2014). O detector do tipo fototubo a vácuo é composto de um tubo de vidro, que por ser selado gera vácuo em seu interior. Dentro desse tudo de vidro é onde estão contidos dois eletrodos, um catodo revestido por um material fotoemissível e o ânodo que constituído de um fio metálico. É aplicado um potencial entre os eletrodos, assim os elétrons emitidos se desloquem para o ânodo produzindo uma fotocorrente que é amplificada gerando um sinal proporcional à intensidade de luz que incide sobre o fotocátodo (SKOOG et al., 2014). Quando a radiação é de baixa intensidade utiliza-se o detector do tipo tubo fotomultiplicador. Este é formado de eletrodos em que o fluxo de elétrons gerado em um é empregado para se obter uma corrente elétrica maior. Esses eletrodos são chamados de dinodo e entre eles é estabelecida uma diferença de potencial. Esta corrente atinge finalmente o anodo e pode ser ainda mais amplificada (SKOOG et Fotoemissível: que emite elétrons ao ser atingido pela luz. 95 al., 2014). Já o detector do tipo diodo de silício é composto de uma junção pn polarizada reversamente. No escuro, a condutância dessa junção é quase nula, no entanto a incidência de fótons sobre esta junção pode gerar pares de elétrons e “buracos”, gerando uma fotocorrente (SKOOG et al., 2014). 4.2 APLICAÇÕES DA ESPECTROSCOPIA DE EMISSÃO ATÔMICA A análise por espectroscopia de emissão atômica constitui um método geral de medição de elementos no estudo da radiação emitida por seus átomos presentes em estado excitado, normalmente após ionização. Vários procedimentos são usados para decompor as amostras em seus elementos constitutivos, principalmente pelo efeito de plasmas de alta temperatura, descargas luminescentes, entre outros. A emissão atômica ocorre quando um elétron de valência em um orbital atômico de alta energia retorna para um orbital atômico de baixa energia. Assim, um espectro de emissão atômica, consiste em uma série de linhas discretas em comprimentos de onda correspondentes à diferença de energia entre dois orbitais atômicos. 4.2.1 Instrumentação A instrumentação para espectroscopia de emissão atômica é similar a utilizada para absorção atômica. Muitas vezes os espectrômetros de absorção atômica de chama são adaptados para uso como espectrômetros de emissão atômica de chama desligando a lâmpada catódica oca e monitorando a diferença entre a intensidade da radiação emitida ao aspirar a amostra e aquela emitida ao aspirar um branco. Na 96 Figura 27 é possível ver o esquema de um equipamento de espectroscopia de emissão atômica: Figura 27: Espectrofotômetro de emissão atômica Fonte: Skoog et al. (2014, p. 781). Sistema de introdução de amostra: comumente é composto por um nebulizador-câmara de nebulização, tocha de quartzo onde ocorre a geração do plasma e fonte de radiofrequência. Atomização e excitação: a emissão atômica requer um meio para converter um analito na forma sólida, líquida ou de solução em um átomo gasoso livre. A mesma fonte de energia térmica geralmente serve como fonte de excitação. Os métodos mais comuns são chamas e plasmas, ambos úteis para amostras de líquidos ou soluções. As amostras sólidas podem ser analisadas dissolvendo-as em solução e usando um atomizador de chama ou plasma. Sistema óptico: para que ocorra a separação dos diferentes comprimentos 97 de onda de forma eficiente, o espectro de emissão é gerado por átomos, íons excitados ou moléculas que devem estar na sua forma excitada e por processos gerados de recombinação íon-elétron. Para gerar a separação das linhas emitidas é utilizado um policromador composto de uma ou duas redes de difração. Sistema de detecção: é um sistema eletrônico que permite detectar a luz transmitida através do sistema e transformá-la em um sinal capaz de ser medido. Os detectores mais utilizados são fotomultiplicadores e detectores de estado sólido. Os fotomultiplicadores possuem ótima razão sinal/ruído e resposta linear em uma ampla faixa de comprimento de onda. Já os detectores de estado sólido são dispositivos menores, não apresentando uma razão sinal/ruído tão favoráveis quanto os fotomultiplicadores e devem ser operados em baixa temperatura. Fontes de chama: a atomização e a excitação na emissão atômica da chama são realizadas usando o mesmo conjunto de nebulização e câmara de spray usado na absorção atômica. Fontes de plasma: o plasma consiste em um gás quente parcialmente ionizado, contendo uma concentração abundante de cátions e elétrons que tornam oplasma um condutor. Os plasmas usados na emissão atômica são formados pela ionização de um fluxo de argônio, produzindo íons de argônio e elétrons. As altas temperaturas em um plasma resultam do aquecimento resistivo que se desenvolve devido ao movimento dos elétrons e íons de argônio. Como os plasmas operam em temperaturas muito mais altas do que as chamas, eles fornecem melhor atomização e estados excitados mais populosos. Além de átomos neutros, as temperaturas mais altas de um plasma também produzem íons do analito. A espectroscopia de emissão atômica é ideal para análise multielementar porque todos os analitos em uma amostra são excitados simultaneamente. Um monocromador de varredura pode ser programado para se mover rapidamente para o comprimento de onda desejado de um analito, fazendo uma pausa para registrar sua intensidade de emissão antes de passar para o próximo comprimento de onda do analito. Assim, é possível analisar três ou quatro analitos por minuto. Outra abordagem para análise multielemental é usar um instrumento multicanal que permite o monitoramento simultâneo de muitos analitos. 98 4.3 EXPERIMENTOS 4.3.1 Determinação de Magnésio em Amostras de Água A metodologia de determinação de magnésio em água foi proposta por Rosa, Gauto e Gonçalves (2013). Inicialmente prepara-se as soluções padrão: Prepare uma solução estoque de magnésio (1000mg/L) dissolvendo 1g de magnésio na forma de metal em 50mL de HCl 5M. Após o preparo, transfira a solução para um balão volumétrico de 1L e complete o volume com água destilada. Em seguida, prepare 1L de uma solução de trabalho de concentração 50mg/L, pipete 50mL da solução estoque em um balão Depois que você estudou todo o conteúdo sobre espectroscopia de absorção e emissão atômica conseguiu entender as diferenças entre elas? Liste os principais objetivos de ambas, os componentes de seus instrumentos e seus modos de funcionamento para compará-las. Leia o livro Introdução a Espectroscopia de Pavia et al. (2015). Este livro vai te proporcionar as bases teóricas importantes no estudo da espectroscopia, estas bases irão te auxiliar na prática de seus experimentos, na resolução de eventuais problemas e interpretação de resultados. O livro também apresenta outras técnicas que não foram abordadas aqui, complementando ainda mais os seus estudos. Disponível em: https://bit.ly/3rgzSVo. Acesso em: 07 jul. 2021. Leia o livro Métodos Instrumentais de Análise Química volume II de Ewing (2017). Este livro vai complementar os seus estudos a respeito de espectroscopia apresentando as técnicas mais sofisticadas e avançadas de espectrometria de massa e espectrometria de ressonância magnética, além de apresentar conteúdo de outras técnicas instrumentais. Disponível em: https://bit.ly/3IU2kCt. Acesso em: 07 jul. 2021. https://bit.ly/3rgzSVo https://bit.ly/3IU2kCt 99 volumétrico de 1L e complete o volume com água destilada. Prepare quatro soluções padrão de magnésio com concentrações conhecidas, podendo ser de 0,1a 0,5μg/mL. Procedimento de análise: 1) Coloque a lâmpada de cátodo oco de magnésio na posição de operação, em seguida ajuste a corrente entre 2 e 3mA. 2) Selecione a raia do magnésio em 285,2nm com a largura apropriada da fenda do monocromador. 3) Depois do ajuste, ligue os gases apropriados ao queimador e ajuste as condições de operação para obter uma chama de ar-acetileno pobre no combustível. 4) Deixe a chama aspirar, em seguida, as soluções padrão de magnésio, começando com a solução mais diluída. 5) As leituras da absorbância devem ser realizadas em triplicata. Entre uma solução e outra, é necessário deixar o queimador aspirar água deionizada. 6) Leia a absorbância da amostra de água encanada, suficientemente diluída para permitir uma leitura de absorbância dentro da faixa de valores registrados para as soluções padrão. 7) Faça a curva de calibração e use-a para determinar a concentração de magnésio na água encanada. 4.3.2 Determinação de Sódio em Substituto de Sal Os indivíduos que necessitam de dieta com restrição em sódio, costumam substituir o sal de mesa convencional por aquele que contém substitutos, como KCl, ácido fumárico, hidrogenofosfato de cálcio ou tartarato de potássio. Geralmente, a concentração de sódio em um substituto do sal é em torno de 100 ppm. A análise através da espectroscopia de emissão atômica de chama pode determinar a concentração de sódio. Como é difícil combinar a matriz dos padrões com a da amostra, a análise é realizada pelo método de adições de padrões. O experimento descrito foi proposto por Harvey (2000). Procedimento: a amostra deve ser preparada adicionando 10g do substituto do sal em 10mL de HCl 3M e 100mL de água destilada. Após dissolver a amostra, ela 100 deve ser transferida para um balão volumétrico de 250mL e deve-se completar o volume do balão com água destilada. Uma série de padrões para as adições padrão deve ser preparada colocando porções de 25mL da amostra diluída em balões volumétricos de 50mL separados, acrescentando em cada um uma quantidade conhecida de uma solução padrão de Na+ de aproximadamente 10ppm e diluindo até o volume. Depois de zerar o instrumento com um branco apropriado, o instrumento é programado para um comprimento de onda de 589nm enquanto aspira a solução padrão de Na+. A intensidade da emissão é medida para cada uma das amostras de adição padrão e a concentração de sódio no substituto do sal é dada em partes por milhão. 101 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (CESGRANRIO) A ordem correta das partes do diagrama de blocos de um espectrofotômetro de absorção atômica representado a seguir é: a) 1 – fonte; 2 – monocromador; 3 – atomizador; 4 – detector; 5 – sistema de registro. b) 1 – fonte; 2 – atomizador; 3 – monocromador; 4 – detector; 5 – sistema de registro. c) 1 – monocromador; 2 – fonte; 3 – atomizador; 4 – detector; 5 – sistema de registro. d) 1 – atomizador; 2 – monocromador; 3 – fonte; 4 – detector; 5 – sistema de registro. e) 1 – atomizador; 2 – fonte; 3 – monocromador; 4 – detector; 5 – sistema de registro. 2. (CESP/CESBRASP) A espectroscopia de absorção atômica a) tem por princípio de funcionamento a diferença de impedância acústica entre os componentes da amostra. b) utiliza uma coluna cromatográfica como fase estacionária e um gás de arraste, como o argônio, como fase móvel. c) tem por princípio de funcionamento a aceleração dos átomos a uma velocidade próxima à velocidade da luz, com posterior choque em superfície que seja completamente plana e confeccionada de metais pesados, posicionada a 90º em relação à direção de movimento dos átomos da amostra. d) tem por princípio de funcionamento a utilização de um tripolo magnético que alterna o campo magnético no local da análise. e) tem por princípio de funcionamento a gaseificação da amostra com posterior absorção de luz a um determinado comprimento de ondas. 3. (CESGRANRIO) Uma das características da espectroscopia de absorção atômica com chama é que a (o) 102 a) supressor de ionização (KCl) serve para evitar a ionização dos íons na solução. b) pulsação do sinal luminoso da lâmpada de catodo oco minimiza a interferência de matriz causada pela viscosidade da amostra. c) uso da chama de acetileno/óxido nitroso é adequado para a análise de elementos voláteis como o mercúrio. d) lâmpada de catodo oco monoelementar emite um conjunto de comprimentos de onda característico de um determinado elemento. e) célula fotomultiplicadora é uma fonte luminosa muito sensível, cuja função é transformar um sinal elétrico fraco em um sinal elétrico forte. 4. (CESP/CESBRASP)Com relação à espectroscopia de emissão ou de absorção atômica, assinale a opção correta. a) A região de maior temperatura em uma chama é a denominada zona de combustão secundária. b) Métodos de absorção atômica não são seletivos, pois as bandas de absorção atômica são largas. c) O plasma é uma mistura gasosa eletricamente condutora que contém uma significativa concentração de cátions e baixa concentração de elétrons. d) Comparada à espectroscopia de absorção atômica, a espectroscopia de emissão tem a vantagem de ser menos suscetível a interferências químicas. e) Uma vantagem dos métodos espectroscópicos por chama é a possibilidade de a amostra ser introduzida in natura na fonte de excitação. 5. (UFES) Os instrumentos de medida empregados na espectroscopia de absorção atômica utilizam, como fonte de radiação, a lâmpada de catodo oco que emite luz a) que atinge um detector sem passar por uma amostra. b) ultravioleta de banda larga. c) característica de um determinado elemento. d) com aproximadamente a mesma intensidade em todas as frequências do espectro visível. e) monocromática coerente. 103 6. (FUNDEP – adaptado) A espectroscopia de absorção atômica em chama é correntemente o método atômico mais empregado em razão de sua simplicidade, efetividade e custo relativamente baixo. Diante do exposto associe as duas colunas, relacionando os instrumentos empregados na técnica de absorção atômica à sua aplicabilidade. (1) Fonte (2) Célula de absorção (3) Monocromador (4) Detector (5) Registrador ( ) Mede a intensidade de luz e a transforma em sinal elétrico. ( ) Mostra a leitura depois de o sinal ser processado. ( ) Emite o espectro do elemento de interesse. ( ) Seleciona o comprimento de onda a ser utilizado. ( ) Local onde os átomos da amostra são produzidos. A sequência correta dessa classificação é: a) 4, 5, 1, 3, 2. b) 5, 4, 1, 2, 3. c) 3, 2, 4, 5, 1. d) 2, 3, 4, 1, 5. e) 4, 5, 3, 2, 1. 7. (FGV) Espectrometria de absorção atômica é uma técnica analítica aplicada para a determinação quantitativa de analitos em amostras líquidas (soluções) ou sólidas. O princípio fundamental da técnica consiste na medida da absorção da intensidade de radiação eletromagnética, proveniente de uma fonte de radiação primária, por a) cátions metálicos, dispersos em fase aquosa. 104 b) átomos de metais, dispersos em fase aquosa. c) cátions metálicos, dispersos em fase gasosa. d) ânions metálicos, dispersos em fase gasosa. e) átomos dos metais, dispersos em fase gasosa. 8. (FCC) O método mais usual para a determinação e quantificação de metais pesados em amostras de água é a espectrofotometria de absorção atômica por chama, com pré-tratamento das amostras, que consiste em uma digestão química para a remoção de matéria orgânica. A absorção atômica é uma técnica altamente versátil para a determinação de diversos elementos metálicos e alguns não-metálicos. Para a determinação direta da concentração de um elemento por absorção atômica, deve ser considerado o seguinte componente do equipamento e sua respectiva função: a) Fonte luminosa de linhas definidas e intensas, que emita radiação em uma ampla faixa de comprimento de onda. b) Sistema detector, que converta a corrente elétrica em radiação luminosa que, uma vez convenientemente ampliada, pode ser lida no instrumento. c) Cubeta de quartzo, que contenha a amostra e permita sua leitura na região do visível e do ultravioleta. d) Monocromador, que isole a linha espectral do elemento de interesse, das demais linhas espectrais, através da utilização de um prisma ou rede de difração. e) Queimador por mistura prévia, que tenha a função de misturar a amostra e o gás combustível antes de serem introduzidos na chama. 105 MÉTODOS CROMATOGRÁFICOS 5.1 INTRODUÇÃO A cromatografia é o processo em que os componentes de uma mistura podem ser separados, sendo um dos métodos analíticos mais importantes para a identificação e quantificação de compostos no estado gasoso ou líquido. Seu princípio baseia-se no equilíbrio da concentração dos componentes de interesse, entre duas fases imiscíveis, fases estacionária e móvel. As fases são escolhidas de modo que os componentes da amostra tenham diferentes solubilidades em cada fase. A migração diferencial de compostos leva à sua separação. Um processo cromatográfico básico pode ser observado na Figura 28: Fase estacionária: A fase estacionária leva esse nome, porque é imobilizada em uma coluna ou fixada em um suporte, enquanto a fase móvel, é forçada a passar pela fase estacionária. Fase móvel: é uma fase que se move através da fase estacionaria carregando com ela a mistura de analito. A fase móvel pode ser um gás, um líquido ou um fluido supercrítico. UNIDADE 05 106 Figura 28: Experimento básico de cromatografia em coluna. (a) componentes necessários (C, coluna; FE, fase estacionária; FM, fase móvel; e amostra); (b) introdução da amostra; (c) início da eluição; (d) recuperação dos produtos após a separação. Fonte: Adaptada de Rouessac, Rouessac (2007, p. 4). a) A coluna que consiste em um tubo de vidro oco vertical é preenchida com um sólido de pó fino adequado, a fase estacionária; b) No topo desta coluna é colocado um pequeno volume da mistura da amostra a ser separada em componentes individuais. c) e d) amostra é então recolhida por adição contínua da fase móvel, que atravessa a coluna por gravidade, arrastando os vários constituintes da mistura. Este processo é denominado eluição. Se os componentes migrarem em velocidades diferentes, eles se separarão e poderão ser recuperados, misturados com a fase móvel. 5.2 CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS CROMATOGRÁFICAS As técnicas cromatográficas podem ser classificadas de acordo com vários critérios: em função da natureza física das fases; do processo utilizado; ou pelos fenômenos físico-químicos que dão origem ao coeficiente de distribuição de Nernst. No Quadro 8 é possível verificar a classificação das técnicas cromatográficas de acordo com o estado físico da fase móvel: Quadro 8: Técnicas cromatográficas, de acordo com o estado físico da fase móvel Cromatografia Fase móvel Analitos Pré-requisito dos analitos Interação 107 Gasosa (CG) Gás Voláteis e termicamente estáveis nas condições de operação ou de fácil transformação química em derivados voláteis Somente com a fase estacionária Líquida (CL) Líquido Solúveis na fase móvel Com as fases móvel e estacionária Supercrítica (CS) Fluido supercrítico Solúveis na fase móvel Com as fases móvel e estacionária Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 351). No Quadro 9 é possível verificar a classificação das técnicas cromatográficas diante das demais características da cromatografia: Quadro 9: Classificação das técnicas cromatográficas. OUTRAS CLASSIFICAÇÕES De acordo com o modo de separação - Adsorção - Partição - Troca iônica - Exclusão - Afinidade: imunoafinidade, bioafinidade De acordo com o suporte da fase estacionária - Em coluna: gasosa, líquida ou supercrítica - Planar: centrífuga (cromatotron), cromatografia em camada delgada (CCD), cromatografia em papel (CP) De acordo com a instrumentação requerida (cromatografia líquida) - Cromatografia líquida clássica - Cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) - Cromatografia de ultraeficiência (CLUE) De acordo com a pressão (cromatografia líquida em coluna) - Clássica (pressão atmosférica) - Média pressão - “Flash” (saída em vácuo) - De acordo com o fluxo da fase móvel Unidimensional (uma coluna) - Bidimensional (duas colunas)- Radial De acordo com a composição da fase móvel - Isocrática (composição constante) - Gradiente (composição variável) De acordo com as temperaturas das fases - Isotérmica (temperatura constante) - Programação de temperatura (temperatura em elevação durante a corrida) Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p. 351). 5.2.1 Princípios das Separações Cromatográficas Nas técnicas cromatográficas os mecanismos de retenção para os seus diversos tipos de cromatografia se diferem entre si, mas, mesmo assim todos são baseados no estabelecimento do equilíbrio dos compostos presentes em uma 108 amostra, entre a fase estacionária e uma fase móvel. Observe a Figura 29: Figura 29: Exemplo de um experimento de cromatografia líquida em coluna Fonte: Araújo; Iris (2021, p.347). No topo da coluna que está recheada com a fase estacionária é adicionada uma pequena alíquota de amostra, em seguida é adicionado o solvente (fase móvel). Na coluna, a amostra eluída com a fase móvel, desta forma os componentes individuais da amostra irão interagir diferentemente com a fase estacionária e a fase móvel, se separando e suas frações podendo ser coletadas. 5.3 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA EM CAMADA DELGADA A cromatografia em camada delgada é considerada uma técnica de cromatografia de sólidos e líquidos em que a fase estacionária é uma camada fina na superfície de uma placa apropriada. A fase móvel, por ação capilar, eluí os componentes da amostra na superfície da placa. O preparo de uma placa de camada delgada é realizado através do espalhamento de uma suspensão aquosa, que contém um sólido finamente pulverizado, sobre uma superfície de uma placa de vidro ou plástico limpa. Até que a camada seja formada e esteja fortemente aderida à superfície a placa permanece em descanso. É possível comprar placas pré-recobertas de diversos tipos (SKOOG et al., 2014). Após o preparo da placa é o momento da aplicação da amostra. Aplica-se a amostra como um ponto de 1 a 2 cm da borda da placa. Para realiza a aplicação manual, normalmente utiliza-se um tubo capilar contendo a amostra que deve tocar sutilmente a placa. Na Figura 30 é possível observar o modo de aplicação de amostra com o uso de capilar. Figura 30: Aplicação de amostra em placa para cromatografia em camada delgada Fonte: Engel et al. (2012, p. 255). A próxima etapa da cromatografia em camada delgada é o 109 desenvolvimento da placa, que é o processo em que a amostra é arrastada através da fase estacionária pela fase móvel. Depois que se aplica o ponto contendo a amostra a placa é colocada em um recipiente fechado saturado com vapores da fase móvel. A extremidade da placa onde foi aplicada a amostra é imersa na fase móvel, porém não em contato direto com a amostra. Depois que a fase móvel ter atravessado entre metade e dois terços do comprimento da placa, ela deve ser removida e deixada para secar. Na Figura 31 é possível observar a etapa de desenvolvimento da placa: Figura 31: Processo de desenvolvimento da cromatografia em camada delgada Fonte: Engel et al. (2012, p. 256). Após o desenvolvimento da placa é realizado a localização dos componentes. Quando os componentes são coloridos, a visualização é simples e não necessita de aplicação de técnicas de revelação destes. Já, quando os componentes são incolores, pode-se utilizar vários métodos para serem revelados, sendo que existem dois métodos mais comuns: a aspersão com solução de iodo ou ácido sulfúrico. Os dois reagentes irão reagir com os compostos orgânicos separados e irão produzir produtos escuros. Outros reagentes e outros métodos podem ser aplicados, a escolha vai depender do tipo de amostra, dos objetivos da análise e dos recursos disponíveis. Para se alcançar o êxito em cromatografia em camada delgada é necessário levar em consideração as seguintes condições: 1. Sistema de solventes; 2. Adsorvente; 3. Espessura da camada adsorvente; 4. Quantidade relativa de material aplicado. Diante desse conjunto de condições específicas, um determinado composto sempre irá percorrer uma distância fixa relativa à distância que a frente de solvente percorre. A proporção entre a distância que o composto percorre e a distância que a frente do solvente percorre é chamada valor de Rf. O Rf se refere a “retardation factor” (“fator de atraso”) ou “ratio to front” (“razão até a frente”), e é expresso como uma fração decimal como mostrado na 110 Equação 16 (ENGEL et al., 2012): Equação 16 Quando se consegue a reprodutibilidade das condições do desenvolvimento da placa e quando as condições de medição são claras e específicas, o valor de Rf é específico e constante para qualquer composto dado, e corresponde a alguma propriedade física do composto. O valor de Rf é útil na identificação de um composto desconhecido, mas é importante que a identificação não seja baseada em um uma única fonte de dados, é necessário que o valor de Rf seja confirmado com maior precisão com outros dados adicionais, visto que muitos compostos podem ter o mesmo valor de Rf. Para aplicar a Equação 16 e calcular o valor de Rf de determinado composto separado, meça a distância que o composto percorreu a partir do ponto onde a mancha foi aplicada. Quando as manchas não forem muito grandes, a medida deve ser realizada até o seu centro. Quando as manchas forem grandes, deve-se realizar o desenvolvimento de uma nova placa contendo menor quantidade da amostra. Para as manchas que mostram caudas, a medição é feita até o “centro de gravidade” da mancha. Posteriormente, a primeira medição de distância é dividida pela distância que a frente de solvente percorreu a partir da mesma mancha original (ENGEL et al., 2012). Na Figura 32 é possível verificar um exemplo de cálculo dos valores Rf de dois compostos: Figura 32: Exemplo de medida de valores para cálculo de Rf 111 Fonte: Engel et al. (2012, p. 259) 112 5.4 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA EM PAPEL A técnica de cromatografia em papel é realizada deforma similar a em placas de camada delgada, porém a fase estacionária é o papel. Os papéis preferencialmente devem ser fabricados com celulose altamente purificada, com controle de porosidade e espessura. Os papéis utilizados contêm água adsorvida suficiente para formar uma fase aquosa estacionária, assim, a técnica de cromatografia em papel é considerada de particionamento líquido– líquido. Outros líquidos podem substituir a água, assim se pode ter diferentes tipos de fases estacionárias. Na cromatografia em papel, uma mancha da amostra é adicionada próximo da parte inferior de um pedaço de papel de filtro de alta qualidade. Em seguida o papel é colocado em uma câmara de desenvolvimento. A fase móvel sobe pelo papel por capilaridade e move para cima os componentes separados da mancha com taxas diferentes. Conforme a fase móvel sobe através do papel, os compostos são particionados entre a fase estacionária e a fase móvel. Como nesse tipo de cromatografia a fase aquosa é a fase estacionária, os componentes em uma mistura que são mais solúveis em água, ou os que têm a maior capacidade de ligação de hidrogênio, serão aqueles que ficaram retidos e se moverão mais lentamente (ENGEL et al., 2012). É comum aplicar a cromatografia em papel principalmente em compostos altamente polares ou compostos polifuncionais, sendo o uso mais comum para análise de açúcares, pigmentos naturais e aminoácidos. Como o papel de filtro é fabricado de maneira consistente, os valores de Rf são confiáveis nessa técnica. Porém, os valores de Rf devem ser medidos a partir da extremidade superior damancha e não de seu centro, como em cromatografia em camada delgada. Na Figura 33 é possível verificar o desenvolvimento de uma cromatografia em 113 papel. Figura 33: Desenvolvimento de cromatografia em papel Fonte: Brown et al. (2005, p. 11). 5.5 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA EM COLUNA A técnica de cromatografia em coluna pode-se aplicar os métodos cromatográficos líquido-sólido (adsorção), líquido-líquido (partição) e troca iônica utilizando uma coluna recheada. Neste tópico será abordado a cromatografia em que se utiliza uma coluna recheada com um sólido, que é a fase estacionária e utiliza-se uma fase móvel líquida, onde a adsorção refere-se a um aumento da concentração do soluto, entre as superfícies das fases móvel e estacionária. De forma geral, a coluna cromatográfica é composta por um tubo de vidro, em posição vertical; a extremidade superior é aberta e a inferior é afilada composta com uma torneira que permite o controle da vazão da fase móvel. Na parte superior da coluna é onde será adicionada a fase móvel e abaixo da torneira, deve-se colocar frascos coletores para coletar as frações separadas pela cromatografia. O adsorvente, fase que fica no interior da coluna, é suportado na parte inferior por um chumaço de lã de vidro ou por uma placa porosa de vidro (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Na 114 Figura 34 é possível observar um exemplo de cromatografia em coluna: Figura 34: Exemplo de cromatografia em coluna com fase móvel (FM) de éter de petróleo e fase estaci estacionária (FE) de CaCO3 Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 349). Muitos dos adsorventes que se utiliza na cromatografia camada delgada também são utilizados em cromatografia em coluna. Sendo a sílica e alumina as mais empregadas. Porém, o silicato de magnésio, carvão, óxido de magnésio, dextrana e polímeros de estireno, também são comuns nesse tipo de cromatografia (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). 115 Em cromatografia em coluna, as substâncias iluirão da coluna de acordo com suas polaridades. A sílica e a alumina que são adsorventes polares irão reter mais substâncias polares. Na cromatografia em coluna deve-se evitar que seja lento o movimento da substância absorvida e que a banda se torne larga e com tendência de se misturar com outras bandas. É possível evitar essas situações realizando alguns procedimentos, no caso da alumina, pode-se realizar a sua desativação através aquecimento em altas temperaturas ou a umedecendo com água. Em ambos os casos, a finalidade é impedir a ação das partes mais ativas ou obstruir os poros finos do adsorvente. Nesse tipo de cromatografia, a fase móvel tem a função de solvente propriamente dito, para essa função deve-se considerar as relações de solubilidade dos componentes da mistura a ser cromatografada, é necessário que as fases móveis tenham baixo ponto de ebulição para que evaporem facilmente. A segunda função da fase móvel é realizar o desenvolvimento dos componentes da mistura na coluna e remover ou dessorver esses componentes do adsorvente seletivamente, sendo assim, um eluente (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Após a escolha do adsorvente, as fases móveis são escolhidas de acordo com seu poder eluente, ou seja, por sua habilidade de dessorver do adsorvente as substâncias nele fixadas. Com o uso de fases estacionárias polares, a dessorção é favorecida quando se utiliza um eluente polar e dificultada quando se utiliza eluente de polaridade menor, ou seja, um adsorvato estará mais fixado no adsorvente quando o eluente em uso é pouco polar. O contrário ocorre quando se utiliza fases estacionárias apolares. A polaridade do eluente não se deve ser aumentada muito rapidamente para que se evite a sobreposição de bandas. A coluna deve ser enchida da forma mais uniforme possível para maior eficiência, evitando retenção de ar na entre as partículas, secar a coluna durante o enchimento, entre outros problemas. Após a montagem da coluna cromatográfica, a amostra é adicionada no topo da coluna. A adição da amostra na coluna pode ser feita colocando a amostra sólida solubilizada num volume mínimo do solvente, ou amostra líquida, ou extrato, por meio de uma pipeta, na superfície do adsorvente. Além disso, as amostras, sólidas ou líquidas, podem ser misturadas com o adsorvente; após 116 evaporação do solvente, a mistura é colocada no topo da coluna. O eluente deve ultrapassar a superfície do adsorvente, com uma camada de aproximadamente 3 cm de espessura. Após adicionar toda a amostra, adiciona-se a fase móvel, com cuidado, até que se observe a formação de uma coluna líquida incolor e límpida acima do nível superior da amostra (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Quando a fase móvel inicia o seu percurso através do adsorvente na coluna, arrasta junto a si os componentes da amostra. A velocidade desse movimento descendente dos componentes da amostra irá depender de sua afinidade pela fase estacionária, ou seja, pela adsorção na fase estacionária, quanto mais fracamente o componente for adsorvido, mas rápida ele passará pela coluna, e vice-versa. De acordo com Collins, Braga e Bonato (2014), para ocorrer completa separação, a fase móvel precisa: a) Ser fracamente adsorvida pela fase estacionária; b) Não ser afetada quimicamente; c) Possibilitar realmente o desenvolvimento de uma corrida cromatográfica, ocasionado por um determinado grau de adsorção. A separação dos componentes de uma mistura pode ser realizada utilizando uma única fase móvel, desta forma, a separação é chamada de isocrática. Porém, na maioria das vezes, é necessário aumentar a força da fase móvel no decorrer da análise, para que compostos muito retidos possam eluir mais rapidamente e na forma de bandas mais estreitas, quando é este o caso, o processo é chamado eluição por gradiente. Quando as substâncias são coloridas, é fácil visualizar a separação através da coluna, podendo-se coletar a fração de eluente correspondente a cada composto separado na saída da coluna. Quando os componentes separados são incolores, deve-se coletar frações de volume específicas na saída da coluna, posteriormente, o solvente dessas as frações coletadas devem ser evaporadas, se necessário, assim consegue-se concentrar o analito, e, então, podem ser analisadas utilizando outras técnicas. 117 5.6 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA GASOSA Na cromatografia gasosa separação que ocorre é baseada na diferente distribuição das substâncias da amostra entre uma fase estacionária, que nesse tipo de cromatografia pode ser sólida ou líquida e na uma fase móvel, que é gasosa. Nesse tipo de cromatografia utiliza-se um equipamento, o cromatografo. Nele a amostra será introduzida em uma coluna contendo a fase estacionária por meio de um sistema de injeção. No local de injeção da amostra na coluna se aplica o uso de temperaturas para que ocorra a vaporização das substâncias presentes na amostra que, diante suas propriedades e as da fase estacionária, serão retidas por tempos determinados e chegam ao detector em tempos diferentes. A cromatografia gasosa tem excelente poder de resolução, fazendo com que seja possível a análise de dezenas de substâncias da mesma amostra. É uma técnica bastante utilizada devido aos baixos limites de detecção que podem ser conseguidos. O desenvolvimento na cromatografia gasosa ocorre por eluição. Uma corrente de gás passa através da coluna continuamente e, quando a amostra que foi vaporizada é introduzida nessa corrente de gás, ela é arrastada através da coluna. As substâncias presentes na amostra, que foram separadas, chegam até o detector, gerando um sinalpara o sistema de registro e tratamento de dados. Idealmente os picos de um cromatograma apresentam-se separados e simétricos, porém, na prática pode ocorrer sobreposição parcial devido a separação deficiente na coluna, ou a presença de picos com assimetria frontal ou caudas (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Na Figura 35 é possível observar um cromatograma típico gás-sólido: Até agora você aprendeu sobre três tipos de cromatografia onde a fase móvel é um líquido: cromatografia em camada delgada, cromatografia em papel e cromatografia em coluna. Mesmo utilizando a fase móvel no mesmo estado físico, elas apresentam algumas diferenças no modo de separação e também na finalidade de seus objetivos. Pense como profissional da área de química, para quais finalidades você utilizaria cada uma das técnicas? Seria possível você combiná-las em análises? 118 Figura 35: Cromatograma de uma cromatografia gás-sólido. Fonte: Skoog et al. (2014, p. 901) A temperatura da coluna durante a análise pode permanecer constante, assim tem-se a cromatografia gasosa isotérmica, ou pode ser aplicado uma variação de temperatura, linear ou não, assim se tem a cromatografia gasosa com temperatura programada. A programação de temperatura melhora a separação e diminui o tempo de análise. As colunas na cromatografia gasosa podem ser do tipo recheadas ou capilares. As colunas recheadas podem ser constituídas por tubos de vidro, aço inox, ou, raramente de cobre, seus diâmetros internos são em torno de 1 a 4 mm e são recheadas com uma fase estacionária sólida ou líquida, se líquida, está dispersa em um suporte sólido. Já as colunas capilares são constituídas de capilares de sílica fundida, com a fase estacionária espalhada ou imobilizada na parede interna do capilar (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Quando se utiliza a fase estacionária sólida, a cromatografia gasosa é classificada como gás-sólido, quando se utiliza a fase estacionária líquida, a cromatografia gasosa é classificada como gás-líquido. Sendo que na cromatografia gás-sólido, sua fase estacionária é um sólido de grande área superficial e a separação é baseada em mecanismos de adsorção das substâncias no sólido. Já na cromatografia gás-líquido, a fase estacionária é um líquido pouco volátil, este líquido está espalhado ou imobilizado a um suporte sólido ou às paredes das colunas capilares. Neste tipo de cromatografia, a separação é baseada em mecanismos de partição das substâncias entre a fase líquida e a fase gasosa. 119 Na Figura 36 é apresentado um esquema básico de um cromatógrafo a gás: Figura 36: Cromatógrafo a gás com coluna capilar Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 383). Fonte de gás: é um cilindro contendo o gás de arraste sob alta pressão, este gás que arrasta as substâncias presentes na amostra através da coluna até o detector, quando elas não estiverem interagindo com a fase estacionária. Os gases mais utilizados são nitrogênio, hidrogênio, hélio e argônio. Algumas características devem ser levadas em consideração para um bom gás de arraste, ele não deve interagir com o recheio da coluna, deve ser barato, disponível e compatível com o detector utilizado. Além disso, o gás de arraste deve também apresentar alta pureza e, sendo possível, é aconselhável utilizar filtros com sílica gel ou peneira molecular, entre o cilindro e o instrumento, para eliminar traços de água e hidrocarbonetos (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Injeção em colunas recheadas: a injeção da amostra deve ser realizada de forma que se obtenha uma banda única e estreita, sendo que quando ocorre falhas na técnica de injeção podem gerar assimetria nos picos. Na injeção em coluna recheada a quantidade de amostra a ser injetada não deve ultrapassar a capacidade da coluna, que é determinada pela quantidade da fase estacionária. O aquecimento do sistema de injeção deve ocorrer em uma temperatura suficiente para gerar a vaporização total da amostra, porém sem que haja a decomposição dos compostos analisados. Injeção em colunas capilares: nessas colunas a quantidade de fase estacionária presente é muito menor do que nas colunas recheadas, por esse motivo deve-se tomar cuidados especiais para que a quantidade injetada não seja 120 superior ao limite da capacidade da coluna. Desta forma, nesse tipo de coluna, a injeção da amostra pode ser feita empregando o injetor com divisor/sem divisor, vaporizador com programação de temperatura ou injeção em coluna fria, dispositivos que auxiliam na injeção em colunas capilares. Utilizando esse tipo de coluna, a largura da banda da amostra dependerá do tipo de solvente, volume injetado, pressão do gás e temperatura do injetor. Figura 37: Exemplo de injeção manual de um líquido Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 392). Figura 38: Exemplo de um injetor automático Fonte: Adaptado de Araújo; Iris (2021, p. 395). Coluna cromatográfica: consiste em um tubo longo, contendo a fase estacionária. O material deste tubo pode ser de cobre, alumínio, aço inoxidável, 121 vidro, sílica fundida, etc. De maneira ideal, o material que constitui a coluna não deve interagir com o recheio, nem com as substâncias presentes na amostra. Na Figura 39 é possível ver um exemplo de coluna recheada e na Figura 40 é possível verificar o exemplo de uma coluna capilar: Figura 39: Coluna recheada de aço inoxidável Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 404). Figura 40: Coluna capilar Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 404). Sistema de detecção: substâncias presentes na amostra se separam ao 122 passar através da coluna e chegam ao sistema de detecção. A seguir é descrito alguns dos principais detectores de acordo com Collins, Braga e Bonato (2014): Detector por condutividade térmica: possuem resposta universal e são sensíveis à concentração. Para o seu funcionamento, segue o princípio de que um corpo quente perde calor a uma velocidade que depende da composição dos gases que o circundam. Com isso, a velocidade de perda de calor pode ser usada como uma medida da composição do gás. Detector por ionização de chama: possui altos níveis de detectabilidade e resposta quase universal. Sua resposta é de acordo com as propriedades do soluto, porém é sensível ao fluxo de massa que passa por ele em um determinado tempo. O gás de arraste utilizado chega a esse detector e é produzida uma chama pela combustão de ar e hidrogênio presente no detector, queimando e ionizando algumas das moléculas presentes na corrente gasosa, onde se gera íons que produzem uma corrente que é registrada como a linha de base do detector. A corrente gerada é convertida em voltagem, amplificada e captada pelo registrador. Detector de captura de elétrons: é um tipo de detector seletivo que responde muito bem a compostos orgânicos halogenados, nitrilas, nitratos, aldeídos conjugados e organometálicos. Quando o gás de arraste, neste caso o N2 passa pelo detector, é ionizado por partículas beta emitidas por uma fonte de 63Ni, gerando elétrons que se multiplicam dentro do detector. Estes elétrons produzidos neste processo são coletados em um ânodo, gerando uma corrente que é amplificada por um eletrômetro, resultando a linha de base. Detector termiônico: são detectores por ionização, onde se utilizam sais de metais alcalinos em um plasma gerado pela aplicação de um potencial elétrico adequado em um fluxo de ar e hidrogênio. Sistema de registro e tratamento de dados: depois de a amostra eluir através da coluna e separar seus compostos, estes ao passar pelo detector geram um sinal que é registrado graficamente. Atualmente, o processamento dos sinais é realizado em computadores acoplados ao detector. Este sistemafornece os cromatogramas, registram os tempos de retenção e as áreas ou alturas, de cada pico e efetuam os cálculos de concentração. 123 5.6.1 Análise Qualitativa e Quantitativa A cromatografia gasosa permite que ocorra a separação dos componentes presentes na amostra, podendo ser usada também para a identificação dos mesmos. Esta identificação pode ser realizada através da comparação do tempo de retenção de um padrão com o da amostra. Se for observado o mesmo tempo de retenção do composto conhecido que um dado composto na amostra, pode ser a mesma substância, porém este fato não é conclusivo, pois dois compostos podem ter o mesmo tempo de retenção em determinadas condições de análise. Outra forma de realizar a identificação é relacionando o logaritmo de um dado de retenção com uma propriedade da amostra, podendo ser temperatura de ebulição, massa molar, número de átomos de carbono, entre outras. Sendo que este método é empregado quando se deseja identificar um membro de uma série homóloga. Em uma análise quantitativa é necessário que se tome cuidado em todas as etapas, para que se evite erros. Deve-se realizar a análise em uma amostra representativa do total e não se deve haver perdas nem contaminações durante seu preparo. Após a obtenção do cromatograma, integra-se os sinais, com o objetivo de transformar a intensidade do sinal emitido pelo detector em uma medida relacionada com a quantidade da substância analisada na amostra (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2021). A integração dos sinais pode ser realizada usando-se métodos manuais ou eletrônico. Sendo exemplos de medidas manuais análise da altura do pico, área do pico, pesagem do papel. Sendo que os métodos manuais são mais demorados e sujeitos a erros. Em substituição aos métodos manuais, atualmente a integração dos sinais, é realizada utilizando sistemas eletrônicos como computadores. Os sinais gerados pelo detector são digitalizados e armazenados permitindo-se assim, obter-se tempos de retenção, áreas e alturas dos picos. Para objetivos quantitativos, as medidas obtidas na integração são relacionadas com a concentração de uma dada substância na amostra, através de vários métodos como: normalização, fator de resposta, calibração externa, padronização interna e extrapolação linear por adição de analito. 5.7 EXPERIMENTOS 124 5.7.1 Separação de Corantes por Cromatografia em Camada Delgada Esse experimento foi proposto por Collins, Braga e Bonato (2014). Para executar o experimento é preciso: Preparar solução etanólicas 0,1% (m/v): eritrosina, verde de malaquita e azul de metileno. Preparar a fase móvel: acetona:ácido acético:etanol 2:1:1 (v/v/v). Utilizar uma placa de vidro recoberta com sílica gel G. Na cuba cromatográfica adicionar uma quantidade de fase móvel que atinja 1,5cm de altura da cuba. O preparo da placa deve ser realizado colocando uma gota de cada solução amostra separadas e também, uma gota da mistura de todas as substâncias, no ponto de partida da placa. Introduzir a placa na cuba e esperar até que a fase móvel atinja a linha de chegada, ocorrido isto, retire a placa e a deixe secar. Como as substâncias são coloridas, não será faz necessário o uso de reveladores nas placas. As substâncias serão observadas ordem crescente de valores de Rf: azul de metileno, verde malaquita e eritrosina, respectivamente. 5.7.2 Separação de Extrato de Espinafre por Cromatografia em Coluna Esse experimento foi proposto por Collins, Braga e Bonato (2014). A amostra deve ser preparada fervendo 50g de folhas de espinafre sem as nervuras centrais, em 100mL de água destilada, por 1-2 minutos. Resfriar rapidamente e drenar o líquido. As folhas devem ser secas com papel absorvente e colocadas em um almofariz com uma mistura de éter de petróleo e acetona (80:20, v/v), macerando a mistura para obter uma solução verde que deve ser decantada posteriormente em um tubo de ensaio. Como fases móveis da cromatografia deve ser utilizado éter de petróleo e acetona. Como fase estacionária utilizar alumina de malha de 200-400. Utilizar uma coluna de vidro de aproximadamente 0,5 x 15 cm que contenha uma torneira. Preparação da coluna: com a torneira da coluna fechada, coloque em torno de 10mL da fase móvel no tubo e em seguida um pequeno chumaço de lã de vidro, que foi previamente embebido no mesmo solvente. Empurre o chumaço 125 com um bastão de vidro até a conexão do corpo do tubo com a torneira; ele servirá para impedir a saída das partículas. A parte superior desse tampão deve ser a mais plana possível. Com o tubo da coluna contendo em torno de um terço de seu volume de fase móvel, adicione uma suspensão da fase estacionária na fase móvel. Abra a torneira para que o líquido escoe e ao mesmo tempo forme a coluna da fase estacionária. Depois que toda a fase estacionária estiver dentro da coluna, passe de 2 a 3 volumes da fase móvel para acertar o enchimento, deixando sair a fase móvel, até que seu nível atinja o topo da fase estacionária. Utilize éter de petróleo para preparar a suspensão de 2g de alumina. A coluna deverá ter uma altura de aproximadamente 6 cm. Procedimento: Com o auxílio de um conta-gotas transfira uma porção da amostra para o topo da coluna e abra a torneira até que a solução atinja o nível do recheio. Inicia a eluição com éter de petróleo. Colete a banda amarela quando ela começar a sair da coluna. Mudar a fase móvel para acetona e colete a banda verde. Após as eluições, obtenha os espectros de absorção no visível (380-70nm) de ambas as soluções para suas identificações. A solução amarelada contém uma mistura de carotenos, já solução de coloração verde contém uma mistura de clorofilas. 5.7.3 Análise de Cafeína em Refrigerantes por Cromatografia Gasosa Esse experimento foi proposto por Collins, Braga e Bonato (2014). Inicialmente prepare 10mL de uma solução que composta de 1mg mL-1 de cafeína, em metanol. A partir dessa solução, faça diluições em metanol: 1:2, 1:4 e 1:8, que serão as soluções de trabalho. Prepare uma solução de fenacetina, 1mg mL-1, em metanol, que será utilizada como padrão interno. Transfira 100μL da primeira solução de uso (diluição 1:2), juntamente com 50μL da solução do padrão interno, para um tubo de centrífuga com tampa esmerilhada. Repita o procedimento com as outras duas soluções de uso. A cada um dos tubos adicione 1mL de água, 10mL de NaOH 1,5mol L-1 e 5mL de clorofórmio. Agite a mistura com o auxílio mixer por 1min e centrifugue a 3.000 rpm por 4 min. Separe as fases orgânicas e evapore os solventes orgânicos sob fluxo de 126 ar. Adicione 500μL de metanol aos extratos secos, no momento da análise. Em 1 mL de refrigerante (coca ou outro similar), adicione 50μL da solução padrão interno, 100μL de metanol, 10mL de NaOH 1,5mol L-1 e 5mL de clorofórmio. Tratar essa mistura de maneira idêntica às soluções-padrão, obtendo o extrato seco ao qual será adicionado 500μL de metanol, no momento da análise. Utilize nitrogênio como fase móvel e uma coluna capilar com fase estacionária constituída por 5% de fenilmetilsiloxano (0,25mm x 25m, espessura do filme de 0,25 mm). Utilize um cromatógrafo a gás equipado com um programador de temperatura, injetor do tipo “com divisor/sem divisor” e com um detector por ionização em chama. Siga as instruções do fabricante quanto aos ajustes do equipamento nas seguintes condições: Temperatura da coluna = 100 a 270°C a 15°C.min-1; Temperatura do detector = 280°C; Temperatura do injetor = 220°C; Injeção no modo com divisor (razão 1:10); Vazão do gás de arraste = 1,3mL min-1. Injete 2μL de cada solução padrão, bem como do mesmo volume da amostra contendo somente o padrão interno. Após obtenção doscromatogramas relativos a cada diluição da solução- padrão de cafeína, construa uma curva analítica da razão da altura (ou área) do pico da cafeína e altura (ou área) do pico do padrão interno versus a concentração de cafeína. Utilize essa curva para determinar a concentração de cafeína na amostra. 127 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (FGV) Considerando a análise de substâncias orgânicas por cromatografia em camada delgada, assinale a afirmativa correta. a) Duas substâncias orgânicas jamais terão o mesmo RF (índice de retenção). b) Substâncias que não absorvem radiação na região do ultravioleta não podem ser analisadas por esta técnica. c) Por esta técnica não é necessário o uso de padrão para identificação prévia de uma substância orgânica. d) Este método pode ser utilizado para análises quantitativas através do estabelecimento da área da mancha da amostra por densitometria, comparada a um padrão. e) Apenas a mistura de sílica gel e gesso pode ser usada como suporte/fase estacionária em cromatografia em camada delgada. 2. (IESES – adaptada) Um técnico precisa montar um sistema de cromatografia em camada delgada. Para isso na sua lista para o almoxarifado precisa conter: a) Placas de cromatografia, provetas graduadas. b) Coluna de fracionamento, termômetro graduado. c) Solventes para o sistema eluente, placas de cromatografia. d) Bureta de 25mL, erlenmeyer. e) Lâmpada de catodo oco. 3. (FCPC) A figura abaixo representa o resultado de uma cromatografia em papel para uma série de substâncias, usando como fase móvel uma mistura de ácido butanoico/ácido acético. Com base na análise do cromatograma, pode-se afirmar que: a) As interações entre 3 e a fase móvel são mais fortes do que entre 3 e a fase estacionária. 128 b) Nas mesmas condições experimentais, uma mistura de 1 com 2 pode ser separada por esta técnica. c) As interações de 4 com a fase estacionária são mais fracas do que as interações de 3 com a mesma fase. d) O valor do Rf de 1 é maior do que o valor do Rf de 4, que por sua vez, é menor do que o valor do Rf de 6. e) Neste tipo de cromatografia as interações presentes entre os analitos e a fase estacionária são predominantemente iônicas. 4. (IBFC) Embora a cromatografia gasosa e a cromatografia líquida tenham muitas características em comum, há diferenças em relação aos requisitos de amostra e de analito, seus formatos e o papel da fase móvel em ambas. A respeito das especificidades das cromatografias líquida e gasosa, analise as afirmativas abaixo. I. Para compostos termicamente instáveis, a cromatografia gasosa é mais adequada. II. Em cromatografia líquida, a retenção entre os analitos pode ser alterada mudando a fase móvel. III. A retenção de um soluto em cromatografia líquida depende da interação dos componentes da amostra tanto com a fase móvel quanto com a estacionária. É correto o que se afirma em: a) I, II e III. b) I, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas e) I e III, apenas 5. (CCV-UFC) Para a realização da cromatografia em camada delgada e da cromatografia clássica em coluna, o solvente ou sistema de solventes empregado possui um fluxo: a) ascendente e descendente, respectivamente. 129 b) descendente e ascendente, respectivamente. c) totalmente estático. d) apenas descendente. e) apenas ascendente. 6. (UERR-adaptado) Sobre cromatografia gasosa, são realizadas as seguintes afirmações: I. A cromatografia gasosa é uma técnica analítica na qual a fase móvel é um gás. II. A presença da fase móvel gasosa na cromatografia gasosa, é útil para separar, compostos orgânicos voláteis que ocorrem naturalmente como gases ou podem ser colocados com facilidade em fase gasosa. III. A volatilidade e a estabilidade térmica não são requisitos importantes na cromatografia gasosa. IV. Aumentar a temperatura da coluna leva a uma retenção maior, tornando os analitos injetados menos voláteis e passarem menos tempo na fase móvel. É correto o que se afirmar em: a) I e II, apenas. b) I e III, apenas. c) I, II e III, apenas. d) I, II e IV, apenas. e) I, II, III e IV. 7. (FUNDEP - adaptada) O termo cromatografia é difícil de ser definido rigorosamente porque o nome tem sido aplicado a diversos sistemas e técnicas. Todos esses métodos, contudo, apresentam em comum o uso de uma fase estacionária e de uma fase móvel. A cromatografia gasosa é uma das técnicas mais empregadas em análises qualitativas e quantitativas. Sobre a cromatografia gasosa, assinale com V as afirmativas verdadeiras e com F as falsas. 130 ( ) A cromatografia gás–líquido é baseada na partição do analito entre a fase móvel gasosa e uma fase líquida imobilizada na superfície de um material sólido inerte de recheio ou nas paredes de um tubo capilar. ( ) A fase móvel em cromatografia gasosa é denominada gás de arraste e deve ser quimicamente reativa com o analito de interesse. ( ) O sistema de configuração de colunas é composto por seringas calibradas empregadas para configurar o fluxo de gás de arraste e substâncias imóveis. ( ) Nas separações cromatográficas gasosas, dezenas de detectores podem ser empregados, mas o detector de ionização em chama (DIC) é o mais empregado em aplicações da cromatografia gasosa em geral. A sequência correta dessa classificação é: a) V, F, F, V. b) V, V, F, F. c) F, V, V, F. d) F, F, V, V. e) V, F, V, F. 8. (CESGRANRIO) Considere um sistema de cromatografia gasosa, formado por uma fase móvel gasosa e inerte, e uma fase estacionária líquida, imobilizada em um suporte capilar que compõe a coluna. Uma dada análise é conduzida no referido sistema a partir da injeção de uma amostra, que é carreada para a coluna e separada ao longo da passagem por essa coluna. Com relação a potenciais amostras líquidas a serem analisadas nesse sistema, sabe-se que elas são: a) vaporizadas ao longo do seu carreamento pela coluna. b) vaporizadas antes de alcançarem a coluna. c) vaporizadas parcialmente antes de alcançarem a coluna. d) impossíveis de serem analisadas por essa técnica. e) carreadas através da coluna na forma líquida. 131 OUTROS MÉTODOS DE SEPARAÇÃO 6.1 APLICAÇÕES DE CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA EFICIÊNCIA A cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) é uma técnica de cromatografia líquida que utiliza colunas recheadas com materiais especiais e uma fase móvel líquida, eluída sob altas pressões. Na CLAE utiliza-se equipamentos sofisticados que que podem ser totalmente automatizados. É uma importante técnica cromatográfica em que é possível separar misturas que contêm um grande número de compostos similares. Através da CLAE é possível realizar separações e análises quantitativas de uma vasta variedade de compostos presentes nos mais diversos tipos de amostras, em um tempo curto, em torno de poucos minutos, com alta resolução, eficiência e detectabilidade. Para esse tipo de técnica existe uma ampla variedade de cromatógrafos que se diferenciam pelo custo, versatilidade e complexidade. Há sete tipos diferentes de CLAE que variam em relação a fase estacionária e fase móvel, sendo possível utilizar o mesmo equipamento para executar cada uma das técnicas. De acordo com Collins, Braga e Bonato (2014), as sete técnicas de CLAE podem ser descritas como: Cromatografia líquido-sólido ou por adsorção: a técnica é baseada na competição entre as moléculas da amostra e as moléculas da fase móvel para conseguir ocupar os sítios ativos na superfície sólida da fase estacionária. Cromatografia líquido-líquido: a técnica é baseada nas diferentes solubilidades dos componentes da amostra na fase móvel e na fase estacionária,assim os componentes que são mais solúveis na fase estacionária ficam retidos nela e os que são menos solúveis são transportados pela fase móvel. Cromatografia líquida com fase ligada: o principal mecanismo da técnica é baseado na partição, porém, a fase estacionária possui influência de 132 grupos ativos polares da própria fase ou da superfície do suporte, desta forma, também ocorre o mecanismo de adsorção. Cromatografia líquida quiral: essa técnica é utilizada para a separação de enantiômeros, ou seja, são isômeros que suas imagens especulares não se sobrepõem. Enatiômeros são compostos quirais, pois possuem um centro quiral, em sua maioria um átomo de carbono quiral. A separação desses compostos por CLAE pode ser realizado por métodos diretos e indiretos, que envolvem a formação de derivados diastereoisoméricos. Cromatografia por troca iônica: nesta técnica a fase estacionária é uma fase ligada com grupos iônicos, esses grupos possuem contra-íons dissolvidos na fase móvel de cargas que lhe são similares. Cromatografia por bioafinidade: nesta técnica a separação dos componentes é devido as interações bioquímicas específicas. A fase estacionária possui grupos de moléculas específicos que tem a capacidade de adsorver a amostra, possuir condições estéreas e relacionadas a carga. Cromatografia por exclusão: a técnica é baseada no tamanho das moléculas da amostra, devido a isso, não é possível separar moléculas complexas. A fase estacionária para CLAE depende de cada técnica utilizada e precisa de um estudo mais aprofundado quando for ser executada a técnica. Na Figura 41 é apresentado um esquema de um cromatógrafo líquido: Figura 41: Esquema de equipamento para CLAE: (1) reservatórios de fase móvel; (2) desgaseificador; (3) válvula de gradiente; (4) recipiente de mistura da fase móvel; (5) bomba de alta pressão; (6) válvula de injeção; (7) dispositivo de injeção da amostra (loop); (8) coluna de guarda; (9) coluna; (10) detector; (11) sistema de controle e aquisição de dados; (12) coletor de frações ou de resíduos. Fonte: Araújo; Iris (2021, p. 476). O método utilizado na CLAE para o desenvolvimento geralmente é a eluição. 133 A fase móvel é bombeada sob alta pressão antes de se injetar a amostra, e sua vazão é controlada até obter uma linha de base estável. É introduzida no equipamento através de uma válvula de injeção uma pequena quantidade de amostra, sendo arrastada pela fase móvel através da coluna. A velocidade de eluição dos componentes na coluna é inversamente proporcional à interação dos componentes com o material de recheio, além de a separação depender do número de prato. Ao sair da coluna a fase móvel contendo os componentes separados da amostra chega ao detector, gerando assim, um sinal proporcional à concentração do soluto, que é enviado para um sistema de registro e tratamento dos dados, gerando o cromatograma. Reservatório da fase móvel: é o recipiente onde se coloca o solvente ou a mistura de solventes utilizada como fase móvel para conseguir a seletividade esperada em CLAE. O nível da fase móvel no reservatório deve ser controlado permanentemente. Nuca se deve ligar a bomba sem alimentação da fase móvel, o que pode resultar em problemas mecânicos. Bomba de alta pressão: tem por objetivo enviar um fluxo constante e reprodutível de fase móvel para a coluna. As partículas do material de recheio das colunas cromatográficas possuem tamanho reduzido, entre 1 a 10μm, com isso possuem uma certa resistência á passagem da fase móvel através delas, assim as bombas de alta pressão são necessárias para vencer a pressão exercida por esses materiais da coluna, com o auxílio da bomba consegue-se uma vazão razoável de fase móvel, conseguindo-se realizar análises em um tempo curto, a uma vazão constante para não atrapalhar o sistema de detecção. Dois tipos de bombas são utilizadas basicamente, as bombas mecânicas que podem ser recíprocas e de seringa, e as bombas pneumáticas. Programadores de fase móvel: utilizando programadores de fase móvel, consegue-se realizar a eluição por gradiente, ou seja, mudar a composição da fase móvel conforme transcorre a análise. É comum utilizar solventes de diferentes Cromatograma: é um gráfico de resposta do detector em função do tempo de retenção, no qual se obtém uma série de picos. 134 polaridades com variação das porcentagens nas misturas, aumentando a força cromatográfica da fase móvel, assim, consegue-se que os picos mais retidos eluam mais rapidamente. Existem basicamente dois tipos de programadores: a baixa e a alta pressão. Sistema de injeção da amostra: existem duas possibilidades para injeção da amostra em CLAE: 1. Com válvulas manuais para amostragem; 2. Com um sistema de injeção automática (auto-injetor). Colunas: em CLAE pode ser utilizado três tipos de coluna: a coluna de saturação, a coluna de guarda e a coluna de separação. Coluna de saturação ou pré-coluna: é colocada entre a bomba e o injetor e é usada para condicionar a fase móvel. Esse tipo de coluna pode saturar a fase móvel com o líquido estacionário da fase estacionária da coluna de separação para que a fase móvel, ao penetrar na coluna de separação, não ataque a fase estacionária destruindo o recheio (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Coluna de guarda: é adicionada entre o injetor e a coluna de separação. Esse tipo de coluna possui o objetivo de proteger a coluna de separação, aumentando o seu tempo de uso. Deve possuir recheio com a mesma FE ou uma similar à coluna de separação. É utilizada para prevenir que impurezas, como compostos fortemente retidos, contaminem a coluna de separação (COLLINS; BRAGA; BONATO, 2014). Coluna de separação: é responsável pela separação dos componentes presentes na amostra. Essas colunas são compostas de um pedaço de tubo de material inerte, de diâmetro interno uniforme, que seja capaz de resistir às pressões em que serão aplicadas. Detectores: Os detectores medem de forma contínua alguma propriedade física ou físico-química da amostra, e envia um sinal para registro, sendo que esse sinal, normalmente, é diretamente proporcional à concentração do componente na amostra. O sinal detectado é gerado assim que o efluente sai da coluna e chega ao detector. Os detectores em CLAE podem ser universal ou seletivo, de acordo com a sua capacidade de trabalhar com todos os tipos de amostras ou com uma classe ou tipo de substância, respectivamente. Registro de dados: pode-se utilizar um registrador ou de modo mais sofisticado um computador para registrar ou manipular os dados obtidos pelos 135 detectores na CLAE. Quando se utiliza computador é possível processar os dados obtidos pelo detector, armazenando-os, e também as especificações da análise, como: controlar a composição da fase móvel para separações que emprega a eluição por gradiente ou isocrática, a vazão que sai da bomba, a injeção da amostra, a temperatura da coluna, entre outras. 6.2 APLICAÇÕES DA CROMATOGRAFIA POR TRONCA IÔNICA Na cromatografia de troca iônica, a fase estacionária é uma resina de polímero reticulado, geralmente poliestireno reticulado de divinilbenzeno, com grupos funcionais iônicos ligados covalentemente. Os contra-íons para essas cargas fixas são móveis e podem ser substituídos por íons que competem mais favoravelmente pelos locais de troca. As resinas de troca iônica são divididas em quatro categorias: trocadores de cátions de ácidos fortes, trocadores de cátions de ácidos fracos, trocadores de ânions de base forte, e trocadores de ânions de base fraca. As resinas trocadoras de cátions de ácidos fortes incluem um grupo funcional de ácido sulfônico que retém sua forma aniônica e, portanto, sua capacidadede troca iônica em soluções fortemente ácidas. Os grupos funcionais para um trocador de cátions de ácido fraco, no entanto, são totalmente protonados em níveis de pH menores que 4, perdendo assim sua capacidade de troca. Os trocadores de ânions de base forte são modelados usando uma amina quaternária, assim, retém uma carga positiva mesmo em soluções fortemente básicas. Trocadores de ânions de base fraca, permanecem protonados apenas em níveis de pH que são moderadamente básicos. Em condições mais básicas, um trocador de ânions de base fraca perde sua carga positiva e, com isso, sua capacidade de troca (HARVEY, 2000). Figura 42: Representação de fases estacionárias para cromatografia por troca iônica e do deslocamento do ânion da FM na superfície da FE pelo analito aniônico 136 Fonte: Araújo; Irirs (2021, p. 526). As resinas de troca iônica são incorporadas às colunas de CLAE como grânulos de polímero poroso micronizado ou revestindo a resina em partículas de sílica porosas. A seletividade depende um pouco se a resina inclui um local de troca forte ou fraco e da extensão da reticulação. A extensão da reticulação é particularmente importante porque controla a permeabilidade da resina e, com isso, a acessibilidade dos locais de troca. A fase móvel em troca iônica é geralmente um tampão aquoso, cujo pH e composição iônica determinam o tempo de retenção de um soluto. Nesse tipo de cromatografia é possível realizar eluições por gradiente em que a força iônica ou o pH da fase móvel é alterado com o tempo. O detector mais comum para cromatografia por troca ionica mede a condutividade da fase móvel à medida que ela elui da coluna. A alta concentração de eletrólito na fase móvel é um problema porque os íons da fase móvel dominam a condutividade. Para diminuir a contribuição da fase móvel para a condutividade, uma coluna supressora de íons é colocada entre a coluna analítica e o detector. Esta coluna remove seletivamente íons de eletrólito de fase móvel sem remover íons de soluto. A supressão de íons é necessária ao usar uma fase móvel contendo uma alta Em cromatografia por troca iônica de cátions, pode-se usar uma solução diluída de HCl como a fase móvel, por exemplo. Aumentando a concentração de HCl acelera-se a taxa de eluição para cátions mais fortemente retidos, uma vez que a maior concentração de H+ permite que ele compita com mais sucesso pelos locais de troca iônica. Se, por exemplo, uma solução diluída de HCl for usada como fase móvel, a presença de grandes concentrações de H3O+ e Cl– produz uma condutividade de fundo que pode impedir a detecção de analitos eluindo da coluna. 137 concentração de íons. A cromatografia de íons de coluna única, na qual uma coluna supressora de íons não é necessária, é possível se a concentração de íons na fase móvel puder ser minimizada. Normalmente, isso é feito usando uma resina de fase estacionária com uma baixa capacidade de troca iônica e uma fase móvel com uma pequena concentração de íons. Como a condutividade de fundo devido à fase móvel é suficientemente pequena, é possível monitorar uma mudança na condutividade à medida que os analitos são eluídos da coluna. Também pode ser utilizado em cromatografia por troca iônica um detector de absorbância UV/Vis se os íons de soluto absorvem radiação ultravioleta ou visível. As soluções que não absorvem na faixa de UV/Vis, alternativamente podem ser detectadas indiretamente se a fase móvel contiver uma espécie de absorção de UV/Vis. Nesse caso, quando uma banda de soluto passa pelo detector, uma diminuição na absorbância é medida no detector. A cromatografia de troca iônica tem grande importância na análise de água e na bioquímica. Além disso, esse tipo cromatografia tem sido bastante utilizada para a análise de proteínas, aminoácidos, nucleotídeos, açúcares, produtos farmacêuticos, amostras clínicas, entre outros. 6.3 APLICAÇÕES DA ELETROFORESE Até agora, foram abordadas técnicas separação do tipo cromatografia, em que a separação envolve uma fase móvel e uma fase estacionária. A separação de uma mistura complexa de analitos ocorre porque cada substância tem uma capacidade diferente de partição entre as duas fases. Um analito cuja proporção de distribuição favorece a fase estacionária é retido na coluna por mais tempo, eluindo assim com maior tempo de retenção. Mesmo que os métodos descritos nos conteúdos anteriores envolvam diferentes tipos de fases estacionárias e móveis, todas são formas de cromatografia. A eletroforese é outra classe de técnicas de separação em que os analitos são separados com base em sua capacidade de se mover através de um meio condutor, geralmente um tampão aquoso, em resposta a um campo elétrico aplicado. Na ausência de outros efeitos, os cátions migram em direção ao cátodo carregado negativamente do campo elétrico e os ânions migram em direção ao ânodo carregado positivamente. Os íons mais carregados e os íons de tamanho menor, ou seja, aqueles que têm uma relação carga/tamanho mais alta, migram a 138 uma taxa mais rápida do que os íons maiores ou os íons de menor carga. As espécies neutras não experimentam o campo elétrico e permanecem estacionárias. Em condições normais, até mesmo espécies e ânions neutros migram em direção ao cátodo. Em ambos os casos, as diferenças em sua taxa de migração permitem a separação de misturas complexas de analitos. Existem dois tipos principais de eletroforese: eletroforese em gel e eletroforese capilar. Na eletroforese em gel, o tampão condutor é retido dentro de um gel poroso de agarose ou poliacrilamida. As placas são formadas derramando o gel entre duas placas de vidro separadas por espaçadores. A eletroforese em gel é uma técnica importante em bioquímica, na qual é frequentemente utilizada para sequenciamento de DNA. Na eletroforese capilar, o tampão condutor é retido dentro de um tubo capilar cujo diâmetro interno é normalmente de 25–75 mm (HARVEY, 2000). As amostras são injetadas em uma extremidade do tubo capilar. Conforme a amostra migra através do capilar, seus componentes se separam e eluem da coluna em momentos diferentes. O eletroferograma resultante é semelhante aos cromatogramas obtidos em cromatografia gasosa ou CLAE e fornece informações qualitativas e quantitativas. Neste tópico o estudo será limitado a eletroforese capilar. 6.3.1 Eletroforese Capilar Na eletroforese capilar, a amostra é injetada em uma solução tamponada retida em um tubo capilar. Quando um campo elétrico é aplicado ao tubo capilar, os componentes da amostra migram como resultado de dois tipos de mobilidade: mobilidade eletroforética e mobilidade eletro-osmótica. A mobilidade eletroforética é a resposta do soluto ao campo elétrico aplicado. Os cátions se movem em direção ao cátodo carregado negativamente, os ânions se movem em direção ao ânodo carregado positivamente e as espécies neutras, que não respondem ao campo elétrico, permanecem estacionárias. A migração de um soluto por fluxo eletro-osmótico, ocorre quando a solução tampão se move através do capilar em resposta ao campo elétrico aplicado. Em condições normais, a solução tampão se move em direção ao cátodo, varrendo a maioria dos solutos, até mesmo ânions, em direção ao cátodo carregado 139 negativamente. 6.4 INSTRUMENTAÇÃO A instrumentação básica para eletroforese capilar é mostrada na Figura 43. O equipamento é composto de uma fonte de alimentação para aplicar o campo elétrico, compartimentos anódicos e catódicos contendo reservatórios da solução tampão, o tubo capilar e um detector. Figura 43: Diagrama esquemático de um sistema de eletroforese capilar Fonte: Skoog et al. (2014, p. 936) Tuboscapilares: A maior parte dos tubos capilares são feitos de sílica fundida revestida com uma camada de poli-imida proporcionar resistência mecânica. O furo estreito da coluna capilar e a espessura relativa das paredes do capilar são importantes. Quando um campo elétrico é aplicado a um capilar contendo um meio condutor, como uma solução tampão, a corrente flui através do capilar. Esta corrente leva ao aquecimento Joule, cuja extensão é proporcional ao raio do capilar e à magnitude do campo elétrico. O aquecimento Joule é um Mobilidade eletroforética: velocidade com a qual um soluto se move em resposta ao campo elétrico aplicado é chamada de velocidade eletroforética. Mobilidade eletro-osmótica: quando um campo elétrico é aplicado a um capilar preenchido com um tampão aquoso, esperamos que os íons do tampão migrem em resposta à sua mobilidade eletroforética. Como o solvente, H2O, é neutro, podemos razoavelmente esperar que ele permaneça estacionário. O que se observa em condições normais, entretanto, é que a solução tampão se move em direção ao cátodo. Esse fenômeno é denominado fluxo eletro-osmótico. A eletro-osmose ocorre porque as paredes do tubo capilar são eletricamente carregadas. 140 problema porque muda a viscosidade da solução tampão, com a solução no centro do capilar sendo menos viscosa do que perto das paredes capilares. Uma vez que a mobilidade eletroforética do soluto depende da viscosidade do tampão, os solutos no centro do capilar migram a uma taxa mais rápida do que os solutos perto das paredes capilares. O resultado é um alargamento de banda adicional que degrada a separação. Capilares com diâmetros internos menores geram menos aquecimento Joule, e aqueles com diâmetros externos maiores são mais eficazes na dissipação do calor. Tubos capilares podem ser colocados dentro de uma camisa termostatizada para controlar o aquecimento, caso em que diâmetros externos menores permitem uma dissipação mais rápida da energia térmica (HARVEY, 2000). Injeção da amostra: Existem dois tipos principais de injeção, injeção hidrodinâmica e injeção eletrocinética. Nos dois tipos de injeção o tubo capilar é preenchido com solução tampão. Uma extremidade do tubo capilar é colocada no reservatório de destino e a outra é colocada no frasco de amostra. A injeção hidrodinâmica utiliza pressão para forçar uma pequena porção da amostra no tubo capilar. Para injetar uma amostra hidrodinamicamente, uma diferença na pressão é aplicada através do capilar pressurizando o frasco de amostra ou aplicando vácuo ao reservatório de destino. As injeções eletrocinéticas são realizadas colocando o capilar e o ânodo no frasco de amostra e aplicando brevemente um campo elétrico. Aplicação do campo elétrico: A migração na eletroforese ocorre em resposta ao campo elétrico aplicado. A capacidade de aplicar um grande campo elétrico é importante porque tensões mais altas levam a tempos de análise mais, separações mais eficientes e melhor resolução. Como os tubos capilares de diâmetro estreito dissipam o aquecimento Joule de forma tão eficiente. Podem ser aplicadas tensões de até 40 kV. Detectores: Os detectores mais utilizados em eletroforese são aqueles baseados na absorção de radiação UV/Vis, fluorescência, condutividade, amperometria e espectrometria de massa. Na eletroforese, se que possível, a detecção é feita "na coluna", ou seja, no capilar, antes que os solutos sejam eluídos do tubo capilar e ocorra o alargamento adicional da banda. 141 6.4.1 Métodos de Eletroforese Capilar Existem vários métodos de aplicação de eletroforese capilar, como: eletroforese de zona, cromatografia capilar eletrocinética micelar, eletroforese em gel capilar e eletrocromatografia capilar. Eletroforese de zona: é a forma mais simples de eletroforese capilar. Na eletroforese de zona o tubo capilar é preenchido com uma solução tampão e, após o carregamento da amostra, as extremidades do tubo capilar são colocadas em reservatórios contendo solução tampão adicional. Em condições normais, a extremidade do capilar que contém a amostra é o ânodo, e os solutos migram em direção ao cátodo a uma velocidade determinada por sua mobilidade eletroforética e fluxo eletro-osmótico. Os cátions eluem primeiro, com os cátions menores e mais carregados eluindo antes dos cátions maiores com cargas menores. As espécies neutras eluem como uma única banda. Por fim os ânions são a última espécie a eluir, com os ânions menores e mais carregados negativamente sendo os últimos a eluirem. A eletroforese da zona capilar também pode ser realizada sem um fluxo eletro-osmótico, revestindo as paredes do capilar com um reagente não iônico. Na ausência de fluxo eletro-osmótico, apenas os cátions migram do ânodo para o cátodo. Os ânions eluem para o reservatório de origem, enquanto as espécies neutras permanecem estacionárias. A eletroforese de zona capilar realiza separações eficazes de qualquer espécie carregada, incluindo ânions e cátions inorgânicos, ácidos orgânicos e aminas, além de grandes biomoléculas, como proteínas. Cromatografia capilar eletrocinética micelar: a cromatografia de zona tem a limitação de não ser capaz de separar espécies neutras. Assim, a cromatografia eletrocinética micelar supera essa limitação ao adicionar um surfactante, como dodecilsulfato de sódio à solução tampão. O dodecilsulfato de sódio tem uma "cauda" hidrofóbica de cadeia longa e um grupo funcional iônico, fornecendo uma "cabeça" carregada negativamente. Quando a concentração de dodecilsulfato de sódio é suficientemente grande, forma-se uma micela. Como as micelas são carregadas negativamente, elas migram em direção ao cátodo com uma velocidade menor do que a velocidade do fluxo eletro-osmótico. As espécies neutras se dividem entre as micelas e a solução tampão (HARVEY, 2000). 142 A ordem de eluição para espécies neutras nesse tipo de eletroforese depende da extensão em que elas se dividem nas micelas. Os neutros hidrofílicos são insolúveis no ambiente interno hidrofóbico da micela e eluem como uma única banda. Os solutos neutros que são extremamente hidrofóbicos são completamente solúveis na micela, eluindo com as micelas como uma única banda. Essas espécies neutras que existem em um equilíbrio de partição entre a solução tampão e as micelas eluem entre os neutros completamente hidrofílicos e completamente hidrofóbicos. As espécies neutras que favorecem a solução tampão eluem antes das que favorecem as micelas. Este tipo de eletroforese é bastante utilizada na separação de misturas de compostos farmacêuticos e vitaminas. Eletroforese capilar em gel: nesse tipo de eletroforese o tubo capilar é preenchido com um gel polimérico. Como o gel é poroso, os solutos migram através do gel com uma velocidade determinada tanto por sua mobilidade eletroforética quanto por seu tamanho. A capacidade de efetuar uma separação com base no tamanho é útil quando os solutos têm mobilidades eletroforéticas semelhantes. O capilar utilizado nesse tipo de eletroforese é geralmente tratado para eliminar o fluxo eletro-osmótico, evitando assim a extrusão do gel do tubo capilar. As amostras são injetadas eletrocineticamente porque o gel oferece muita resistência para a amostragem hidrodinâmica. Sua principal aplicação é separação de grandes biomoléculas como: fragmentos de DNA, proteínas e oligonucleotídeos. Eletrocromatografia capilar: nesta técnica, o tubo capilar é preenchido com partículas de sílica revestidas com uma fase estacionária não polar ligada. As espécies neutras se separam com base em sua capacidade de partição entre a fase estacionária e a solução tampão. 6.5 EXPERIMENTOS 6.5.1 Análise de Analgésicos por CLAE Esse experimento foi proposto por Collins, Braga e Bonato (2014).Prepare 50mL de uma solução-padrão em metanol contendo ácido acetilsalicílico (86,0mg), salicilamida (87,8mg), cafeína (28,1mg) e fenacetina (11,4mg). Prepare a amostra triturando um comprimido que contenha um ou mais dos compostos descritos anteriormente e adicionando alguns mL de metanol. Filtre a 143 suspensão para um frasco volumétrico de 10mL e complete o volume com metanol. Prepare tampões fosfato 0,025 mol L-1 a pH 5, a pH 7 e a pH 9, dissolvendo quantidades apropriadas de Na2HPO4 e NaH2PO4, utilize um pHmetro. A partir do tampão a pH7, prepare fases móveis contendo 30%, 40%, 50% e 60% (v/v) de metanol. Com os tampões a pH 5 e pH 9, prepare fases móveis com 40% e 50% (v/v) de metanol. Todas as soluções devem ser filtradas antes do uso. Utilize uma coluna de 250 x 4,6 mm contendo um recheio tipo fase reversa (C- 18 ou C-8), partículas de 10μ, ou de 125 x 4,6 mm com partículas de 5μm. Utilize um cromatógrafo a líquido equipado com uma bomba, válvula rotatória para amostragem e detector por absorbância no ultravioleta. As condições de operação do cromatogógrafo são: Vazão da fase móvel = 2 mL.min-1; Comprimento de onda do detector = 254nm; Volume do amostrador = 10μL. Condicione a coluna com a fase móvel contendo 60% de metanol e 40% de tampão fosfato 0,025 mol L-1 a pH 7 (cerca de 15 minutos) e injete 10μL da solução- padrão, obtendo-se um cromatograma. Repita esse procedimento com as outras fases móveis preparadas, lembrando de condicionar a coluna por 15 minutos a cada vez que a fase móvel for trocada. As diferentes composições químicas dos compostos levam a interações diferentes com as fases móvel e estacionária, gerando diferentes cromatogramas. Selecione a fase móvel que proporciona a melhora separação e confirmar a identidade dos picos, injetando os solutos, em metanol, individualmente. Utilizando a fase móvel que deu melhores resultados, injete 10μL da amostra do comprimido, identificando os analgésicos presentes. A quantificação pode ser feita comparando-se as áreas dos picos da amostra e da solução-padrão, corrigindo os volumes utilizados 6.5.2 Separação de Cátions em Resina de Troca Catiônica Esse experimento foi proposto por Collins, Braga e Bonato (2014). Para a análise é necessário preparar três soluções tampão citrato 0,2mol L-1 a pH 3,0, a pH 5,5 e a pH 3,0 contendo também NaCl 0,3mol.L -1. Essas soluções serão preparadas a partir da quantidade necessária de ácido cítrico. Dissolva-o em um 144 volume de 80% do volume final. Titule-o com NaOH concentrado até o pH desejado. Em seguida, transfira quantitativamente o líquido para um balão volumétrico e complete o volume pré-estabelecido, 1L, por exemplo. No caso do tampão contendo NaCl, dissolva o sal com ácido cítrico, ajuste o pH e complete o volume. Preparar a amostra: solução contendo quantidades equimolares (0,5 a 0,8 mol L-1) de CuSO4.4H2O e CoCl2.6H2O, dissolvidos no tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 3,0. Acrescente glicerol para uma concentração final em torno de 15%. O glicerol tem a finalidade de evitar a difusão da amostra ao aplica-la na coluna. Utilize como coluna um tubo de dimensões reduzidas, aproximadamente 12 x 0,4 cm, com torneira na saída. Utilize uma resina trocadora de cátions com matriz de poliestireno- divinilbenzeno e grupo trocador –SO3-H+. Preparação da resina: pese a quantidade necessária de resina para uma coluna (para uma coluna 12 x 0,4cm, utilize 5g) e coloque em um béquer com cinco volumes de água destilada. Agite vigorosamente. Deixe em repouso até que a massa de resina assente e, a seguir, retire do sobrenadante os materiais finamente divididos. Essa operação deve ser repetida cinco vezes. Transfira a resina para um funil de placa de vidro porosa. Lave sucessivamente com 100mL de água destilada, 100mL de ácido clorídrico 1,5mol L-1, 200mL de água destilada, 100mL de NaOH 1,5 mol L-1, 200mL de água destilada e, por fim, 50 mL do tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 3,0. Em seguida, transfira a resina para um frasco contendo o mesmo tampão até o uso. Preparação da coluna: coloque um chumaço de lã de vidro no fundo do tubo (acima da torneira) e encha com tampão citrato 0,2mol L-1 a pH 3,0. Transfira a resina ativada para o tubo, mantendo uma vazão de 1mL min-1 até que a resina atinja a altura desejada (em torno de 20cm), ficando um espaço acima do recheio suficiente para aplicar a amostra e fase móvel. Deixe eluir a coluna com um volume do tampão de pelo menos cinco vezes o volume ocupado pela resina. Procedimento: 1) Utilize um volume de amostra contendo aproximadamente 0,3 mol L-1 dos cátions para cada um dos estudos a serem efetuados, iniciando a eluição tão logo a solução contendo a amostra atinja o topo da coluna. Recolha frações 145 de 1mL com a vazão da fase móvel, de preferência, 1,0mL min-1, à temperatura de cerca de 25°C; 2) No primeiro estudo utilize como fase móvel apenas o citrato 0,2mol L-1 a pH 3,0. Recolha 45 frações; 3) Para o segundo estudo, após nova aplicação da amostra, elua12 frações com o tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 3,0 e, a seguir, trocar para o tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 5,5, recolhendo mais 10 frações; 4) No terceiro estudo, após a aplicação de uma nova amostra, faça a eluição usando somente o tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 5,5. Recolha 10 frações; 5) Antes de iniciar o quarto experimento, troque a fase móvel dentro da coluna, passando 5 volumes do tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 3, contendo NaCl 0,3 mol L-1. Aplique a amostra e elua 12 frações com essa mesma fase móvel. A seguir, troque para o tampão citrato 0,2 mol L-1 a pH 5,5 e recolha 10 frações; 6) Realize a leitura das absorbâncias de todas as frações recolhidas, contra água, a 510 e 680 nm. 7) Trace gráficos para as duas leituras versus o número de frações. A absorção em 510 nm é devido ao íon Co2+ e a absorção em 680 nm é devido ao íon Cu2+. Na análise dos resultados, lembre-se que o ânion citrato tem a capacidade de complexar vários íons metálicos. 6.5.3 Determinação de um Complexo de vitamina B por Eletroforese Esse experimento foi proposto por Harvey (2000). As vitaminas solúveis em água B1 (cloridrato de tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacinamida) e B6 (cloridrato de piridoxina) podem ser determinadas por eletroforese de zona utilizando um tampão de tetraborato de sódio/fosfato monosódico a pH 9 ou por cromatografia capilar eletrocinética micelar utilizando o mesmo tampão com a adição de dodecilsulfato de sódio. A detecção é realiza por absorção de UV a 200 nm. É necessário utilizar um padrão interno de o- etoxibenzamida para padronizar o método. Procedimento: um comprimido de complexo de vitamina B deve ser triturado e colocado em um béquer com 20mL de uma solução de metanolica a 50% v/v que contem 20 mM de tetraborato de sódio e 100ppm de o-etoxibenzamida. Misture a solução por 2 min para garantir que as vitaminas B sejam dissolvidas. Deve- 146 se filtrar a amostra em filtro de 0,45 mm para remover os ligantes insolúveis. Uma alíquota 4 mL da amostra filtrada deve ser adicionada na coluna capilar de 50 mm de diâmetro interno. Para a eletroforese de zona, a coluna capilar contém um tampão de tetraborato de sódio/fosfato monosódico 20 mM pH 9. Para cromatografia capilar eletrocinética micelar, além no tampão tetraborato de sódio/fosfato monosódico 20 mM pH 9 o deve ser acrescido 150 mM de dodecilsulfato de sódio. Em ambas separações deve ser aplicado um campo elétrico de 40 kV/m. 147 FIXANDO O CONTEÚDO 1. (FUNRIO) A cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) é um tipo de cromatografia líquida que emprega pequenas colunas, recheadas de materiais especialmente preparados e uma fase móvelque é eluída sobre altas pressões. Ela tem a capacidade de realizar separações e análises quantitativas de uma grande quantidade de compostos presentes em vários tipos de amostras, em escala de tempo de poucos minutos, com alta resolução, eficiência e sensibilidade. Uma de suas limitações é a) a alta resolução. b) boa sensibilidade. c) automação. d) alto custo da operação. e) menor tempo de análise. 2. (CESPE/CEBRASPE) cromatografia líquida de alta eficiência é um método que a) utiliza as propriedades fluorescentes de um intercalante de DNA para detectar a amplificação de um gene-alvo. b) tem como princípio de funcionamento a diferença de afinidade de diferentes compostos de uma amostra complexa com a fase estacionária para separação desses compostos, quando submetidos a um fluxo de fase móvel líquida. c) tem como princípio de funcionamento a queima da amostra para análise dos compostos por detecção dos átomos constituintes dessa amostra. d) é largamente utilizado para a análise de compostos voláteis complexos, como as vitaminas do leite. e) não pode ser associado a um detector do tipo espectrômetro de massa, pois as amostras submetidas à cromatografia tornam-se líquidas, impossibilitando seu uso no espectrômetro. 3. (SUGEP – UFRPE) Qual parâmetro promove aumento da eficiência de uma coluna de cromatografia líquida de alta eficiência? 148 a) Temperaturas menores que 18ºC. b) Partículas regulares na fase estacionária. c) Difusão molecular na coluna. d) Vazão muito baixa de fase móvel. e) Partículas grandes na fase estacionária. 4. (CESGRANRIO) Na cromatografia líquida de alta eficiência, a resolução entre dois picos depende da diferença nos tempos de retenção e da largura dos picos. O único fator abaixo, cuja alteração não afeta a resolução entre dois picos no cromatograma, é o(a) a) ganho do detector. b) composição da fase móvel. c) modificação química da superfície da fase estacionária. d) homogeneidade do tamanho de partículas da fase estacionária. e) temperatura da coluna. 5. (FGV) O controle do uso de corantes sintéticos e a análise desses aditivos exige métodos rápidos e eficientes para detecção identificação e quantificação. Na análise de corantes artificiais em amostra de leite, a cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE), demostrou ser a mais eficiente. A esse respeito, assinale a afirmativa correta. a) Na CLAE a amostra a ser analisada diretamente por dispensar a fase de extração do corante da matriz alimentar. b) A CLAE é capaz de detectar limites muitos baixos 1-5 mg/kg. c) O uso de coluna de sílica para determinação de corantes por CLAE apresenta melhor resultado por ser rápida. d) As colunas de cromatografia de troca iônica para CLAE são mais demoradas. e) A CLAE oferece vantagens sobre a eletroforese capilar e as outras técnicas cromatográficas devido ao pequeno uso de solventes químicos. 149 6. (IADES) A cromatografia de troca iônica permite a separação de moléculas com base em diferenças de a) peso molecular. b) carga elétrica. c) tamanho e formas. d) pH. e) ponto isoelétrico. 7. (IF-SP) Na purificação de proteínas são empregados métodos que se baseiam nas diferenças de suas propriedades. Algumas propriedades de proteínas e de outras biomoléculas usadas nos vários procedimentos de separação são: solubilidade, carga iônica, volume hidrodinâmico, tamanho molecular e especificidade de ligação com outras moléculas biológicas. Considere a seguinte técnica: As moléculas carregadas ligam-se aos grupos de carga de sinal contrário imobilizados na matriz. Resinas à base de celulose e agarose são as matrizes mais comuns usadas nesta técnica. A concentração de proteínas no efluente da coluna pode ser monitorada por espectroscopia de absorção. As medidas são em geral feitas em comprimento de onda próximo de 280 nm, região em que a maioria das proteínas absorve luz. O nome da técnica de separação descrita e o nome da região do espectro eletromagnético em que as proteínas absorvem luz são, respectivamente: a) eletroforese e infravermelho. b) eletroforese e ultravioleta. c) cromatografia de troca iônica e ultravioleta. d) cromatografia de troca iônica e infravermelho. e) cromatografia por afinidade e infravermelho. 8. (INSTITUTO AOCP) Preencha as lacunas e assinale a alternativa correta. A eletroforese capilar em solução livre é um dos modos de separação eletroforética mais usados na prática, provavelmente em razão da facilidade de sua implementação e otimização das condições experimentais. A separação ocorre como resultado de duas estratégias: ____________ as diferenças entre as 150 mobilidades efetivas dos solutos e _______________ as causas de alargamento das zonas. a) alcalinizar / acidificar b) acidificar / alcalinizar c) minimizar / maximizar d) maximizar / minimizar e) estacionar / maximizar 151 152 RESPOSTAS DO FIXANDO O CONTEÚDO UNIDADE 01 UNIDADE 02 QUESTÃO 1 B QUESTÃO 1 C QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 D QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 C QUESTÃO 5 E QUESTÃO 5 E QUESTÃO 6 D QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 E QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 C QUESTÃO 8 D UNIDADE 03 UNIDADE 04 QUESTÃO 1 C QUESTÃO 1 A QUESTÃO 2 B QUESTÃO 2 E QUESTÃO 3 D QUESTÃO 3 D QUESTÃO 4 A QUESTÃO 4 D QUESTÃO 5 E QUESTÃO 5 C QUESTÃO 6 E QUESTÃO 6 A QUESTÃO 7 C QUESTÃO 7 E QUESTÃO 8 A QUESTÃO 8 D UNIDADE 05 UNIDADE 06 QUESTÃO 1 D QUESTÃO 1 D QUESTÃO 2 C QUESTÃO 2 B QUESTÃO 3 C QUESTÃO 3 B QUESTÃO 4 D QUESTÃO 4 A QUESTÃO 5 A QUESTÃO 5 B QUESTÃO 6 A QUESTÃO 6 B QUESTÃO 7 A QUESTÃO 7 C QUESTÃO 8 B QUESTÃO 8 D 153 REFERÊNCIAS AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION (APHA), AMERICAN WATER WORKS ASSOCIATION (AWWA) & WATER ENVIRONMENT FEDERATION (WEF). Standard methods for the examination of water and wastewater. 22 ed. Baltimore: American Public Health Association, 2012. ARAÚJO, H.; IRIS, A. Análise instrumental: uma abordagem prática. Rio de Janeiro: LTC, 2021. BROWN, T. L.; LEMAY, H. E.; BURSTEN, B. R; BURDGE, J. R. Química a ciência central. 9 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. COLLINS, C. H.; BRAGA, G. L.; BONATO, P. S. Fundamentos de cromatografia. 5 ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2014. ENGEL, R. G.; KRIZ, G. S.; LAMPMAN, G. M.; PAVIA, D.L. Química orgânica experimental: técnicas de escala pequena. São Paulo: Cengage Learning, 2012. INMETRO. INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA. Vocabulário Internacional de Metrologia: Conceitos fundamentais e gerais e termos associados - VIM. Rio de Janeiro: INMETRO, 2012. Disponível em: < http://www.inmetro.gov.br/inovacao/publicacoes/vim_2012.pdf>. Acesso em: 06 jun. 2021. HARVEY, D. Modern analytical chemistry. United States: McGraw Hill, 2000. JUNIOR, E. J. 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