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FILOSOFIA POLÍTICA 
ORIGENS DA FILOSOFIA POLÍTICA
O surgimento não apenas da ética, mas da filosofia política, ocorre com a transferência 
dos temas da antropologia para a atividade filosófica; o pensamento reflexivo da filosofia 
e o exercício político nascem em conjunto ao trazerem questionamentos do âmbito da 
justiça que coincidem com as investigações de noções do que é o bem, se encaixando 
no campo da ética. Assim, podemos considerar a ética e a política como áreas irmãs, 
sendo que a discussão política é uma discussão filosófica e ética por excelência.
A filosofia política vai se preocupar em estudar os fundamentos e possibilidades do poder 
político nas sociedades humanas, compreendendo diversas questões que vão abordar 
a maneira como surge e se ordena a vida em sociedade através das consequências que 
essa convivência provoca aos indivíduos. 
O termo política é derivado do grego antigo que se refere aos processos relacionados à 
Polis, sendo relativo a cidade-Estado mas também podendo expressar as determinações 
que envolvem a vida urbana.
Nas origens da civilização helênica, além do Antigo 
Oriente, a determinação do poder político se dava 
através de um ideal mitológico, que seria uma 
extensão do governo dos deuses acerca do mundo 
dos homens. Passando para as cidades gregas, 
ocorre um desligamento da relação dessa área com a 
religião, o que traz autonomia para a política enquanto 
prática decisivamente humana, sendo sustentada 
com o debate, a argumentação e a direção das 
decisões públicas pelo corpo cívico. É dessa forma 
que podemos atribuir a política como uma invenção grega.
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ca Temos então como definição da política: “Política: tudo aquilo que diz respeito aos 
cidadãos e ao governo da cidade, aos negócios públicos. A filosofia política é, assim, 
a análise filosófica da relação entre cidadãos e a sociedade, as formas de poder e as 
condições em que este se exerce, os sistemas de governo, e a natureza, validade e a 
justificação das decisões políticas.”
(JAPIASSU, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia).
POLÍTICA NA HISTÓRIA DA FILOSOFIA 
Podemos considerar tanto Sócrates como os sofistas 
tendo papel preponderante na formação da política 
no contexto da pólis grega. Os sofistas, que vão 
desenvolver a arte da argumentação e da retórica, 
contribuem para a formação dos cidadãos a partir 
desse aperfeiçoamento da oratória nos debates, que 
demonstram sua importância na tomada de decisões 
ocorridas nas assembleias, já que o convencimento 
de uma ideia para ser adotada pelos cidadãos poderia 
mudar o curso das questões que envolviam a cidade. 
Sócrates, por sua vez, vai debater a eficácia desse 
método para a política, questionando suas instituições 
e apontando suas falhas, o que o leva a ser condenado pela democracia ateniense. 
PLATÃO E ARISTÓTELES
Assim, é dado continuidade ao pensamento 
político com Platão e Aristóteles. Ambos 
farão suas especulações filosóficas sobre 
a política como objeto de análise especial, 
concentrando-se nas questões que os 
determinaram como filósofos idealistas na 
política, já que buscavam entender quais 
seriam os tipos de sociedade e governo 
ideais para serem seguidos. 
Os pensamentos de Platão, influenciados pela condenação de Sócrates, giram em 
torno de uma crítica à democracia ateniense e buscam o que faria uma cidade ser uma 
polis ideal, como vemos em uma das suas principais obras, A República, trazendo essa 
discussão política acerca também do conhecimento e da educação, lembrando como 
o conhecimento da verdade era extremamente importante para esse filósofo. Desse 
modo, sua discussão chega numa polis ideal na qual a sociedade se divide em:
• Produtores, responsáveis por produzir o necessário para a cidade
• Guerreiros, responsáveis por defender a cidade de qualquer mal 
• Filósofos, conhecedores da verdade responsáveis por guiar e governar as pessoas 
Os pensamentos de Aristóteles tomam um rumo diferente, já que esse pensador 
considerava a política como um aspecto que fazia parte da natureza (essência) humana, 
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case caracterizando por ser sociável e racional; ao considerar o ser humano como esse 
animal político, Aristóteles também o entendia como naturalmente voltado à justiça, ao 
bem comum e à felicidade. É desse modo que esse filósofo compara a organização da 
cidade como um reflexo das pequenas organizações, como a família.
NICOLAU MAQUIAVEL
Apesar de serem áreas compatíveis, nem sempre a ética e a política 
estarão vinculadas nas análises de certos pensadores. Um dos 
exemplos mais notáveis que temos disso são as teorias feitas por 
Nicolau Maquiavel, considerado um teórico realista da política. 
Esse pensamento é demonstrado em sua principal obra, O Príncipe, 
na qual, ao analisar a maneira como se deve conquistar e manter o 
poder e a melhor forma de governar, Maquiavel separa a moralidade 
(especialmente uma moralidade cristã) da atividade política. 
Assim, governantes virtuosos seriam aqueles que conseguem 
manter e ampliar seu poder, contrariamente ao governante que 
fica à mercê das leis da moral, já que estas poderiam comprometer 
seu governo. Para isso o governante deve possuir Virtú, sendo a 
capacidade de alcançar seus objetivos, além de saber lidar com a Fortuna, que seria a 
sorte individual nas circunstâncias que se apresentam à ele. 
Esse pensamento inovador de Maquiavel, ao se desconectar do idealismo e se utilizar 
da realidade para entender e conceber como a política é, vai inaugurar uma ciência 
política, realizando uma análise que servirá de base para diversos outros pensadores 
buscarem soluções mais efetivas nesta área. Com isso, Maquiavel fará uma crítica às 
filosofias políticas antigas idealistas de Platão e de Aristóteles assim como às teorias 
medievais que se apoiavam na moralidade cristã, concretizando seu pensamento como 
o realismo político.
CONTRATUALISMO
Como um dos principais conceitos da política moderna, o contratualismo vem como um 
conjunto de teorias da filosofia política que se baseiam na existência de um “contrato 
social” no qual os indivíduos renunciam da sua vida na natureza ao aceitarem as regras da 
convivência em sociedade. Os principais expoentes dessa corrente de pensamento serão:
Thommas Hobbes (1588-1679): Se baseia na ideia de que o ser humano é mau 
por natureza; seu contrato social traz implicações do absolutismo, necessitando um 
governante absoluto para garantir a ordem.
John Locke (1632-1704): Um dos fundadores do liberalismo político, acredita que o 
poder de influência do Estado deve ser minimizado, garantindo apenas os direitos inatos 
do estado de natureza (direito à vida, à liberdade e à felicidade) e o direito à propriedade 
(conquistado pelo trabalho)
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): Parte do princípio que o homem é bom por 
natureza, a sociedade que o corrompe. O Estado surge para amenizar conflitos advindos 
da desigualdade oriunda da criação da propriedade.
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ca Os filósofos contratualistas, mesmo adotando diferentes concepções sobre o assunto, 
partem do ponto de vista comum que a sociedade política é uma criação artificial dos 
seres humanos perante as complexidades da condição do estado de natureza. 
PROBLEMAS CONTEMPORÂNEOS
A filosofia política contemporânea vai trazer reflexões sobre temas como a desigualdade 
social, os direitos humanos, a cidadania e a democracia, questões que se pautam em 
como o poder político institucionalizado no Estado responde às demandas da sociedade.
Partindo do pensamento do filósofo alemão Friedrich Hegel, que sustentava o argumento 
do filósofo ser influenciado pelo contexto em que vive, necessitando não apenas 
analisar as reflexões do passado mas os problemas que concernem seu atual contexto, 
a filosofia política passa se preocupar, portanto, com as problemáticas vivenciadas que 
se apresentam no presente da contemporaneidade. 
Pensandoa política na contemporaneidade temos nomes como John Rawls, Michel 
Foucault e Hannah Arendt, além de Jürgen Habermas, que traz reflexões principais 
sobre a democracia, objeto de estudo essencial para o último século. 
Assim podemos perceber a importância da filosofia política não apenas como o estudo 
dos questionamentos de grandes filósofos mas também como tema de discussão para 
nossa própria vida em sociedade, abrindo espaço para refletirmos questões essenciais 
que dizem respeito às problemáticas da nossa sociedade e como podemos melhorar 
essa vivência em conjunto. 
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