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Aula_03_-_Unicamp_-_Morfologia_II

Aula 04 — Morfologia II: Classes variáveis. Apresenta definição e critérios de classificação das classes morfológicas do português; aborda substantivo, adjetivo, artigo, numeral, pronomes (pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos, indefinidos) e verbo; inclui exercícios, gabarito e questões comentadas.

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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unicamp 
Exasiu 
Exasiu 
EXTENSIVO 
Aula 03 - Morfologia 
- Classes de palavras 
 
- Classes Variáveis 
Prof. Wagner Santos 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 2 
 
Sumário 
INTRODUÇÃO 3 
1 CLASSES MORFOLÓGICAS DO PORTUGUÊS 3 
2 CLASSES VARIÁVEIS 6 
2.1 Substantivo 7 
2.2 Adjetivo 12 
2.3 Artigo 16 
2.4 Numeral 18 
2.5 Pronome 20 
 Pronomes pessoais 21 
 Pronomes possessivos 24 
 Pronomes demonstrativos 25 
 Pronomes relativos 26 
 Pronomes interrogativos 27 
 Pronomes indefinidos 28 
2.6 Verbo 29 
3 EXERCÍCIOS 32 
4 GABARITO 50 
5 QUESTÕES RESOLVIDAS E COMENTADAS 51 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS DAS AULAS 83 
 
 
Prof. Wagner Santos 
27 de abril de 2021 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 3 
Introdução 
E aí, Bolas de Fogo? 
Na aula de hoje, vamos começar a falar sobre a Morfologia do Português, não mais com 
relação à formação das palavras, mas agora com relação ao encaixe dessas palavras nas 
chamadas classes gramaticais. 
Pode ser que, em seu exame, não tenhamos uma cobrança tão profunda com relação à 
classificação morfológica das palavras, contudo, é interessante que tenhamos esse conteúdo 
fixado em nossa cabeça, pois ele é essencial para uma série de outros conteúdos, como a 
análise sintática no período simples e a relação entre as orações, dado que temos conectivos 
e afins que se relacionam com esses outros momentos. 
Na aula de hoje, teremos: 
• Separação morfológica das palavras; 
• Critérios relacionados à variação ou não de uma classe; 
• Classes variáveis. 
Já adianto a vocês que, como veremos os verbos de forma mais profunda na aula 06, 
aqui só falaremos um pouco sobre eles, apresentando as características mais gerais sobre eles, 
deixando a profundidade para a aula específica para essa classe. Não se preocupe que 
veremos tudo o que precisamos. Bora que só bora, bolas de fogo! 
1 Classes morfológicas do português 
A separação em classes morfológicas, também chamadas de classes de palavras, se 
dá por uma necessidade de agruparmos as palavras que apresentam as mesmas 
características e que poderão, de forma geral, desempenhar as mesmas funções sintáticas na 
organização dos enunciados. Por isso, podemos dizer que a relação entre morfologia e sintaxe 
é muito mais profunda do que normalmente pensamos, ainda que não analisemos a ideia de 
morfossintaxe, mas isso é assunto para aulas que ainda virão. Hoje, precisamos entender como 
montamos essas classes. Vamos aos critérios que utilizamos para isso. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 4 
Para que vocês possam entender melhor a arte logo acima, é interessante pensarmos 
da seguinte forma: as palavras de uma determinada classe desempenharão funções sintáticas 
típicas daquela classe. Por exemplo, não poderemos ter um advérbio desempenhando a 
função sintática de sujeito, assim como não teremos um substantivo sendo um adjunto 
adverbial (salvo em uma locução). O segundo critério está relacionado diretamente à 
formação das palavras, por isso que ele fala sobre “forma”, dado que não poderemos ter uma 
palavra terminada em “-eiro”, por exemplo, desempenhando a função de um verbo. Por fim, 
a ideia mais geral dos significados se liga, por exemplo, à necessidade que temos de um 
substantivo nomear elementos e um verbo ter significação de ação ou de estado. 
São critérios simples, mas que nos auxiliam a entender como montaremos essas classes. 
Inclusive, aqui, vale uma relação com a teoria dos conjuntos, da nossa querida Matemática: 
colocaremos, dentro de uma classe, que podemos entender como um conjunto, as palavras 
que apresentarem as mesmas características, como acontece, por exemplo, com o conjunto 
dos números reais. Sacaram a relação, meninos? 
São dez classes de palavras em português e, diferente do que muitas vezes pensamos, 
elas não necessariamente existem em todas as línguas. Os estudiosos indicam, inclusive, que 
somente o substantivo e o verbo são constantes em todas as línguas conhecidas, sendo esse 
um princípio “universal” das línguas naturais. Vejamos, antes de entrarmos nas classes que 
analisaremos nessa aula de forma mais profunda, as dez classes e seus critérios como classes. 
 
 
 
 
 
Ainda temos mais seis classes a serem resumidas para vocês, contudo, sempre acho 
interessante destacar que essa é só uma introdução ao pensamento morfológico com relação 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 5 
aos vocábulos do português. Repare, inclusive, no seguinte: a morfologia, como você já pôde 
perceber, não está ligada somente às palavras, mas à significação delas e suas funções 
sintáticas dentro dos contextos. Sigamos na nossa saga das classes, para podermos entrar 
logo na construção de significados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 6 
Pronto, Bolas de fogo! Fechamos a nossa pequena relação das dez classes gramaticais. 
Reforço que logo as aprofundaremos, mas agora vocês já sabem com o que estão lidando. 
Perceba que tentei construir elementos semânticos, sintáticos e morfológicos. É interessante 
notar, ainda, que temos uma construção de valores muito importantes para as relações 
sintáticas. Saber bem a parte morfológica, assim como saber bem a parte sintática se 
completam. 
Outro conceito interessante e que exploraremos na classificação das classes de 
palavras, é o de classes abertas ou classes fechadas. É um conceito simples, mas que nos 
auxilia muito quando colocado em contato com a relação de formação de palavras. Vamos dar 
uma olhada nesses dois conceitos. 
 
 
 
Agora que entendemos um pouco mais profundamente as relações existentes nas 
classes de palavra, podemos passar para o aprofundamento de cada uma delas. Bora que só 
bora! 
 
2 Classes variáveis 
A noção de classes variáveis ou invariáveis é um pouco diferente da relação de classes 
abertas ou fechadas (que apresentamos anteriormente e classificaremos nas classes quando 
as analisarmos). No caso da variação das palavras, entendemos que temos uma relação de 
modificação das palavras, que poderão variar em gênero, número e grau (ainda que essa 
última seja um problema para a morfologia, mas, como preconiza a norma culta, analisaremos 
como uma variação mesmo). 
Dessa forma, começamos a entender que algumas palavras podem sofrer variação e 
outras não. Para facilitar a sua compreensão imediata, vamos imaginar enunciado a seguir, 
com análise em seguida. 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 7 
 
 
Perceba que, ainda que tenhamos elementos no plural, nem todos os elementos foram 
para o plural junto com ele. No caso, temos a seguinte possibilidade de análise: 
 
• O artigo os apresenta modificação de número, para concordar com o substantivo 
alunos, que também varia em gênero e número. Logo, podemos já entender 
dois elementos: o que significa essa variação e que tanto artigo quanto 
substantivo são classes de palavra variáveis. 
• Nesse caso, podemos também encaixar os verbos entre aquelas classes que 
também variam, mas sem a apresentação de gênero, por exemplo, salvo nos 
casos em que temos uma relação de particípio, que é outro momento de nossa 
vida. Inclusive, já adianto uma relação importante: ainda que os verbos sejam 
variáveis, dada a extensão desse assunto, falaremos profundamente deles na 
aula 06. Nesse momento, somente apresentaremos uma relação mais superficial. 
Não se preocupem, bolas de fogo. 
•Por fim, notem que rápido, que está funcionando como advérbio (é um adjetivo 
adverbiado), não se modifica, ainda que tenhamos o verbo no plural. O mesmo 
ocorrerá com demais, outro advérbio. Logo, já colocamos essa classe dentre 
aquelas que não variam. 
 
Tendo entendido essa parte importante, passemos para as classes variáveis, analisadas 
de forma mais profunda. É importante destacar que me focarei naquelas características que 
são mais cobradas de vocês. Calma que não teremos de ver, de novo, todas aquelas minúcias, 
por exemplo, dos substantivos. Bora que só bora! 
2.1 Substantivo 
Entendemos o substantivo como as palavras que dão nome às coisas e, por isso, 
entendemos que os substantivos são as palavras que representam pessoas, objetos, 
fenômenos, lugares, ações, sentimentos, estados físicos e emocionais e qualidades. São 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 8 
diversas as classificações que podemos encontrar com relação aos substantivos. Vamos às 
mais importantes classificações. 
 
 
 
Essa é uma característica ligada diretamente à morfologia de formação das palavras. 
Note, ainda, que está relacionada diretamente à formação por derivação ou por composição. 
 
 
Relembrando!!! 
 
Caso a palavra tenha dois ou mais radicais, seu processo de formação é, 
obrigatoriamente, composição, que pode ser por aglutinação – com modificação 
fonética em um ou mais radicais – e por justaposição – sem modificação alguma 
de um dos radicais. 
 
 
 
Essa é mais uma das classificações relacionadas à morfologia de formação de palavras. 
É interessante notar que, como eu bato sempre “na tecla”, não temos nada, dentro de 
linguagem, que esteja separado e isolado. Os processos de formação de palavra estão ligados 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 9 
a todos os demais elementos da morfologia e da semântica, dado que, ao criarmos uma 
palavra, colocamos novos elementos de significação em nossos textos. 
 
 
 
 
 
Essas classificações estão ligadas diretamente à significação das palavras. Como já 
dissemos, as palavras apresentam os aspectos morfológicos, sintáticos e semânticos. 
Trazendo mais uma forma de olhar para a morfologia dos substantivos. 
Essa classe morfológica apresenta possibilidade de variação em grau, sendo eles: 
 
• Normal: denota neutralidade, sem indicação de tamanho ou de afetividade. É o 
que ocorre, por exemplo, com nariz, boca e pé. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 10 
• Aumentativo: denota exagero ou tom depreciativo, que também podemos 
chamar de pejorativo. É o que ocorre, por exemplo, com narigão (que pode ser 
pejorativo), bocarra e pezão. 
• Diminutivo: denota, por sua vez, pequenez ou, como é muito comum no 
português, uma relação afetiva, carinhosa. Encontramos, ainda, a possibilidade 
de uso dessa forma como depreciativa. É o que o corre, por exemplo, com 
mãozinha, boquinha e pezinho. 
 
 
 
Os graus dos substantivos, no português, costumam ser utilizados com tons 
pejorativos ou afetivos. Além disso, temos a possibilidade de usar o diminutivo 
com valor de aumentativo. Sim, é possível que isso aconteça. Vejamos: 
 
Tire esse seu narigão das minhas coisas. (Pejorativo) 
Pode ir colocando esse seu carrinho fora da minha reta. (Pejorativo) 
Ela é um amorzinho mesmo, né? (Afetivo) 
Nossa, essa é a sua “casinha”? (Aumentativo) 
 
Além dessas possibilidades de análise e classificação, entendemos que os substantivos 
são uma classe aberta, porque sempre recebe novas palavras (inclusive, a maior parte das 
palavras criadas no português são substantivos); e são uma classe variável, dado que 
podemos usar elementos, as desinências, que fazem variar os substantivos em gênero e 
número. Inclusive, sempre vale a análise: 
 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 11 
Gosto muito dessa análise, porque nos leva a demonstrar algumas coisas: 
• No português, como só temos gêneros masculino e feminino, no sentido 
gramatical, só precisamos marcar o feminino, por isso a diferença entre 
desinência de gênero e vogal temática. 
• As variações de gênero não se aplicam a todos os elementos substantivos, sendo 
divididos, essencialmente, em: palavras com contraparte feminina e palavras 
com gênero gramatical. Ou seja, palavras como garoto/garota (com contraparte 
feminina) e mesa (com gênero gramatical). Essa parte é interessante, porque só 
teremos desinência de gênero quando houver contraparte, por isso, em 
“mesa”, o “a” é uma vogal temática. 
• As marcações de plural não se aplicam a todos os elementos substantivos, dado 
que há aqueles que funcionam essencialmente como plurais, como “costas”, 
“lápis”, entre outros. O que varia, nesse caso, é o artigo e os demais 
determinados. 
 
Bastante coisa, não é mesmo? Mas ainda não acabou, Rá! 
Sintaticamente, os substantivos desempenharão as seguintes funções: 
 
 
 
Vamos dar uma olhada em uma análise mais completa? 
 
 
O diálogo enfadonho daqueles alunos atrapalhava a aula do professor. 
 
Olhando para a palavra “diálogo”, em destaque, podemos analisar que: 
• Designa/nomeia uma ação que necessariamente será praticada por alguém, 
ainda que seja um substantivo. É o ato de dialogar que está em jogo nessa 
construção; 
• Pode variar para a forma plural, forçando tanto o artigo “o” quanto o adjetivo 
“enfadonho” a acompanhá-lo para o plural. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 12 
• É o núcleo do sujeito “O diálogo enfadonho daqueles alunos”, ocupando função 
típica de substantivo. 
 
 
 
Os substantivos podem participar das chamadas locuções, que apresentarão tanto 
valor adjetivo como valor adverbial. São as chamadas locuções adjetivas e 
locuções adverbiais, como veremos nos exemplos. 
 
A doguinha do professor se chama Zeugma. 
Hoje, chegamos atrasados à escola por culpa de mainha. 
 
No primeiro exemplo, temos o elemento em destaque funcionando como uma 
locução adjetiva, dado que modifica um nome e desempenha, claro, função típica 
de adjetivos. No segundo, por sua vez, temos o elemento em destaque 
funcionando como um adjunto adverbial, nesse caso, de lugar. 
 
Essas locuções são formadas, como você pode reparar, por: 
preposição + substantivo 
2.2 Adjetivo 
Do ponto de vista semântico, entendemos o adjetivo como um nome, que tem relação 
direta com outros nomes e com a função de caracterizá-los, apresentando um modo de ser, 
uma qualidade, um aspecto ou um estado. Veja o que acontece a seguir, no par de exemplos 
apresentado. 
 
 
O professor animado entrou em sala e tirou todos da cadeira. 
Aquele menino era extremamente feliz estudando gramática. 
 
Nos dois exemplos, percebe-se uma caracterização típica dessa classe gramatical. No 
primeiro, nota-se a modificação de “professor” e, no segundo, nota-se essa mesma relação de 
caracterização com relação ao núcleo “menino”, do sujeito. Nos dois exemplos, há função 
típica dos adjetivos, a modificação de nomes. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 13 
Do ponto de vista morfológico, por sua vez, podemos entender que a classe dos 
adjetivos é uma classe aberta, recebendo sempre novos vocábulos, com variação em gênero, 
número e grau. Observemos: 
 
 
 
Com relação à sintaxe, os adjetivos são bastante importantes para a construção de 
significados, dado que se ligam diretamente a informações que enriquecem muito os 
enunciados, dado que formam diretamente a descrição e o aprofundamento dos elementos 
nominais. Desempenham as seguintes funções sintáticas: 
 
 
 
Com relação à modificação do adjetivo, temos as seguintes classes como modificáveis 
poreles: 
 
 
Vejamos alguns exemplos dessa utilização: 
 
A gramática e a literatura são disciplinas maravilhosas. 
Elas eram lindas e competentes. 
Os dois eram competentes e estudiosos. 
Comer é muito bom. 
Achamos excelente estudar gramática e literatura. 
Diferente do que ocorre com os substantivos, temos uma quantidade menor de 
classificações dos adjetivos, ainda que possam ser parecidas em alguns pontos com as 
classificações dos substantivos. Antes de adentrarmos na classificação desses adjetivos, 
destacamos que há muitas delas que não são cobradas há anos em vestibulares e, por isso, 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 14 
não serão apresentadas de forma profunda, dando ênfase àquilo que mais aparece no 
vestibular de vocês. 
Vamos observar essas possíveis classificações. 
 
 
Como vimos, os adjetivos variam quanto ao gênero, número e grau. Vejamos essas 
classificações e variações. 
 
Com relação ao grau, temos: 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 15 
 
 
 
Vamos, antes de seguirmos em frente, analisar a utilização de um adjetivo de forma mais 
completa, para que você consiga entender como é que ela é feita. 
 
Meus alunos conseguirão alcançar as vagas concorridíssimas nos Vestibulares. 
 
Concorridíssimas: 
• Modifica o nome “vagas”; 
• Varia em gênero, número e grau (indicando estar no feminino, no plural e no 
superlativo); 
• É classificado como adjunto adnominal, sendo o núcleo dessa função. 
 
 
 
Não se esqueça de que o adjetivo pode qualificar uma oração inteira. Sei que isso 
pode soar estranho, mas pode mesmo. 
 
É interessante que estudemos muita gramática para a prova. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 16 
2.3 Artigo 
Ainda que essa seja uma classe de palavras meio que “maltratada”, dado que é bastante 
comum deixá-la de lado, é uma classe extremamente interessante e importante para a 
construção discursiva em português. Por isso, tentaremos mostrar essa importância e as 
construções possíveis com esse tipo de palavra (ahhh! É chamada de uma palavra mesmo que 
só tenha uma letra!) 
Do ponto de vista semântico, o artigo é uma palavra que não apresenta valores de 
significação próprios, sendo necessário ligar-se a um substantivo, podendo determiná-lo ou 
generalizá-lo, apresentando, em conjunto com o substantivo, inúmeras significações 
interessantes, incluindo a designação de gênero em palavras específicas. Temos, então, uma 
série de possibilidades de significação discursiva (não se esqueça jamais de que sempre 
analisamos a construção de significados dentro de um contexto específico). 
 
 
Os leitores de Machado de Assis não leem somente um escritor... Leem o escritor. 
 
Note que temos três artigos destacados no exemplo acima. Na utilização do discurso, 
entendemos que 
 
• O primeiro serve para individualizar a palavra leitores; 
• O segundo apresenta uma noção mais depreciativa, uma vez que tem a 
significação implícita de “um escritor qualquer”, ressaltando aquilo que será dito 
posteriormente; e 
• O terceiro uso apresenta um valor de valorização da palavra escritor, destacando 
a ideia de que Machado se sobressai dentre os escritores. 
 
Do ponto de vista sintático, podemos fazer uma das poucas generalizações da 
gramática, mas que auxilia, e muito, a construção de saberes de vocês: todo artigo 
desempenhará função sintática de adjunto adnominal. Não há exceções nesse caso, por 
isso pode colocar na cabeça que, apareceu um artigo, independente de ser definido ou 
indefinido, será um adjunto adnominal. 
Do ponto de vista morfológico, entendemos que o artigo é uma classe variável quanto 
ao gênero e ao número, funcionando como um determinante de palavras de valor substantivo, 
sucedendo essa palavra em mais de 99% dos casos. São duas as classificações dessa classe: 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 17 
 
 
Com relação às particularidades, destacam-se alguns elementos interessantes e que 
podem ser cobrados nos vestibulares de visão mais gramatical, como o seu. Essa visão mais 
gramatical é interessante, dado que precisamos realmente compreender o contexto e o 
discurso de forma mais abrangente e determinante. Vejamos algumas dessas ideias. 
 
 
 
Substantivação ou nominalização 
 
Os artigos, quando aparecem diante de palavras de outras classes gramaticais que 
não os substantivos, fazem com que, naquele contexto, as palavras sejam 
entendidas como substantivos. Esse é um processo bastante comum e faz com 
que as palavras sejam formadas pelo processo de derivação imprópria, que já 
entendemos como sendo somente o nome do processo e não como um erro. É 
imprópria, mas não errada. 
 
O amar é uma das melhores experiências da vida. 
O bonito largou tudo aqui em cima e sumiu na vida. 
O porém é que não podemos estudar seletivamente. 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 18 
No processo acima, entendemos que o verbo “amar” passa a funcionar como um 
substantivo dentro do contexto, aplicando-se a mesma ideia para o adjetivo “bonito” e para a 
conjunção “porém”. Nesses casos, dizemos que temos um verbo, um adjetivo e uma 
conjunção substantivadas. Essa é uma relação boa de se prestar atenção, meus Bolas de Fogo! 
 
 
 
Uma das relações que mais gosto quando falo dos artigos é a possibilidade de 
entender que o artigo definido, em casos muitos específicos, serve como forma de 
indeterminação do substantivo, principalmente quando se relaciona com nomes 
próprios, como a seguir. 
 
A Brasília de meus sonhos é aquela da minha infância. 
A Avenida Paulista que me encanta é a da noite, vazia e linda. 
 
No primeiro exemplo, temos claramente a ideia de que não se refere à noção de 
“Brasília” como a cidade. Ainda que você possa pensar que se fala de uma específica, o que 
traz a especificação não é o artigo, mas o “de meus sonhos”. É como se, primeiro, nós 
tornássemos a ideia de Brasília como indeterminada, para depois colocarmos a ideia de que 
ela é específica, com o mesmo fenômeno ocorrendo com “A Avenida Paulista”. 
2.4 Numeral 
Essa é uma das classes gramaticais menos cobradas nos exames vestibulares e, por isso, 
não nos aprofundaremos nela. Contudo, como estamos falando de elementos que auxiliam 
nas construções sintáticas, precisamos, ao menos, saber identificá-los de forma mais eficiente, 
evitando algumas confusões. 
Do ponto de vista semântico, é uma classe em que as palavras apresentarão noção de 
quantidade, dividida da seguinte forma: 
 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 19 
Do ponto de vista morfológico, é considerada uma classe variável, modificando-se em 
gênero e número. É uma relação determinante com os substantivos, passando a ser 
chamados, nesses casos de modificação de substantivo, como um numeral adjetivo, dado 
que passa a modificar um outro elemento, de valor substantivo, claro. Pode, ainda, substituir 
um substantivo, sendo, então, chamado de numeral substantivo. 
 
 
Duas alunas vieram me perguntar sobre os exercícios no fórum. As duas tiveram, 
claro, suas dúvidas tiradas com relação às perguntas. 
 
No exemplo acima, notamos que o primeiro “duas” funciona como um quantificador e, 
essencialmente, um modificador do substantivo “alunas”, variando, por conta desse 
substantivo, em número e gênero. No caso da segunda utilização do “duas”, nota-se 
claramente que ele funciona como uma forma de retomada com relação ao mesmo 
substantivo “alunas”, sendo, portanto, um numeral de valor substantivo. 
Percebam um elemento importante: o numeral não deixa de ser numeral, somente 
apresenta um valor de outra classenaquele determinado contexto, como ocorre nos dois 
exemplos apresentados. 
Do ponto de vista sintático, teremos uma variação importante de se notar: 
• Quando acompanha um substantivo, tem valor de adjunto adnominal; 
• Quando substitui o substantivo, passa a ter os valores típicos dos substantivos, 
podendo ser núcleo do sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto 
indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial e 
aposto. 
 
 
 
Não confunda o artigo um com o numeral um. O artigo denota indefinição 
enquanto o numeral denota uma quantidade precisa. Você saberá quando a 
palavra pertence a cada classe dependendo do contexto. 
Ex.: Um homem ligou e deixou um recado. 
 
No primeiro caso, o um é um artigo indefinido e, no segundo, o um será um 
numeral, dado que apresenta definição de quantidade. No primeiro, temos uma 
indeterminação de quem ligou, como se fosse, “um homem qualquer”. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 20 
2.5 Pronome 
Essa é, sem dúvida, uma das classes mais cobradas de nossos exames vestibulares. São 
muitas as questões acerca dessa utilização, inclusive, com valores muito específicos e 
modificados de contexto a contexto. 
Do ponto de vista semântico, o pronome apresenta muitas possibilidades de sentido, 
sendo sempre importante levar em consideração o contexto, como você já bem sabe. São 
valores como posse, indefinição, generalização, questionamento, dentre tantas outras 
possibilidades que se apresentam no contexto. Não me canso, não é mesmo? Sempre temos 
de levar o contexto em consideração. 
Do ponto de vista morfológico, entendemos os pronomes como uma classe 
essencialmente variável quanto ao gênero e ao número e não aberta, dado que não temos a 
criação de novos elementos para funcionarem como pronomes nos processos de palavras. 
Além disso, funciona como um determinante sempre que acompanha e modifica o nome, 
sendo chamado de pronome adjetivo; e passa a ter valor de substantivo quando substitui 
essa classe de palavras. Nesse caso, é chamado de pronome substantivo. 
Do ponto de vista sintático, variam bastante as classificações possíveis, dado que: 
 
• Se acompanha o substantivo, é classificado como adjunto adnominal, dado que 
modifica o nome a que se refere. 
• Se substitui o substantivo, é classificado com as possibilidades dos substantivos, que já 
apresentamos anteriormente. 
 
Aproveito, inclusive, para destacar que não estou dando ênfase aos valores sintáticos, 
porque teremos aulas específicas sobre isso. Lá, retomarei as ideias morfológicas para auxiliar 
vocês na construção de saberes. Ainda assim, não abrimos mão de falar um tico sobre a parte 
sintática. 
Vamos ver alguns exemplos para ajudar: 
 
 
Alguns alunos simplesmente amam gramática, outros não. 
Eu queria informar-lhe a questão do pagamento do imposto. 
Nos dois exemplos acima, temos a seguinte configuração: 
 
• Alguns está modificando alunos, logo, é um pronome adjetivo com função de adjunto 
adnominal. 
• Outros substitui a ideia de “outros alunos” e, então, passa a ter valor de substantivo. 
• Essa mesma ideia se aplica a “eu” e “lhe” no segundo exemplo. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 21 
 
 
É importante que você saiba essas classificações, porque é normalmente sobre elas que 
versam as questões apresentadas nos exames. Vamos apresentar as classificações de forma 
mais profunda a seguir. 
Pronomes pessoais 
Os pronomes retos e oblíquos variam de acordo com as pessoas do discurso da 
seguinte maneira: 
 
 
 
Nessa configuração, é importante destacar que os pronomes retos e oblíquos 
desempenham a função de pronomes substantivos, contudo, apresentam funções diferentes 
quando assunto é a sintaxe: 
 
• Os retos são utilizados como substituição para o sujeito: 
Eles e eu fomos até a casa de nossos amigos em São Paulo. 
• Os oblíquos, normalmente, desempenham funções de complementos verbais: 
Entregaram-nos os diplomas para que repassássemos aos alunos. 
Perdoei-lhe a dívida, dada a atual situação financeira do país. 
Vou encontrá-la antes da aula para conversarmos. 
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No exemplo dos retos, temos o “eles” e o “eu” funcionando como núcleos do sujeito 
composto do verbo “fomos” (não se assuste que essa concordância será tratada à frente, para 
que tudo fique cristalino para vocês). 
Nos dois primeiros exemplos dos pronomes oblíquos, temos “nos” e “lhe” funcionando 
como objetos indiretos. No terceiro, por sua vez, temos uma construção de objeto direto com 
o “la”, que é o pronome “a”. 
Quando chegarmos na nossa aula de sintaxe, aprofundarei esses usos, contudo, já 
coloque na sua cabeça a seguinte ideia: 
 
 
 
Os pronomes oblíquos, em alguns casos, acabam recebendo valor de posse, como ocorre 
em: 
Roubaram-lhe a carteira e a dignidade naquele dia. 
Pintaram-me a cara durante aquela apresentação. 
 
No primeiro exemplo, temos valor possessivo, dado que temos a reconstrução em 
“Roubaram a carteira e a dignidade dele naquele dia”. 
No segundo exemplo, também temos esse valor, dado que a reconstrução seria “Pintaram a 
minha cada durante aquela apresentação”. 
 
Esse tipo de cobrança é muito interessante e muito comum em alguns exames vestibulares, 
o que nos leva à necessidade de entendermos claramente o contexto como forma de 
entendimento sintático. 
 
 
 
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Por vezes, os pronomes oblíquos o/a, os/as podem sofrer uma modificação em 
função do som: 
- Quando precedidos de verbo terminado em r, s e z se tornam lo/la, los/las: 
amar + o = amá-lo 
vimos + as = vimo-las 
fez + os = fê-los 
 
- Quando precedidos de som nasal, se tornam no/na, nos/nas: 
encontramos + a = encontramo-la 
põe + os = põe-nos 
 
➢ Os pronomes reflexivos podem se referir ao sujeito e ao objeto. 
Eu me amo. 
(Refere-se a quem ama e a quem é amado. Sintaticamente, será classificado como um objeto 
direto reflexivo, uma vez que indica o alvo do amor.) 
 
➢ Já os pronomes de tratamento, representam modos de se dirigir a alguém, seja de 
modo informal ou formal. Eles vêm acompanhados de verbos na 3ª pessoa: 
Você, senhor e senhora, vossa alteza, vossa excelência, vossa majestade etc. 
Quando se refere a alguém na terceira pessoa, o vossa pode ser substituído por sua 
Sua majestade, a rainha Elizabeth II, vem ao Brasil. 
 
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Pronomes possessivos 
Os pronomes possessivos são palavras que acrescentam a ideia de posse de algo por 
alguém: 
 
 
 
Os pronomes possessivos canônicos (aquelas que sempre funcionam como 
possessivos) morfologicamente precisam concordar em número e gênero com o nome a que 
se referem. Vejamos isso: 
 
 
Eu trouxe meus amigos para conhecerem as minhas amigas. 
 
Perceba que, no exemplo acima, temos o “meus”, um possessivo, concordando em 
número e gênero com a palavra a que se refere, no caso, “amigos”. Notem que temos a 
primeira pessoa, porque se refere ao sujeito “eu”. No segundo uso, “minhas” concorda, como 
possessivo que é, com “amigas”. Mais uma vez a referência é o sujeito “eu”, por isso a primeira 
pessoa sendo utilizada. 
Como vimos na seção anterior, em que tratamos dos pronomes pessoais, existem 
outros pronomes que, contextualmente, ganham valor possessivo. A dica que sempre dou é 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 25 
a de olhar com calma essas questões e construir uma substituição viável para o pronome. 
Relendo, fica possível entender. 
Pronomes demonstrativos 
Os pronomesdemonstrativos são palavras responsáveis por posicionar no tempo e no 
espaço o nome a que se referem. Eles podem apresentar formas variáveis ou invariáveis 
(neutras em gênero e número): 
 
 
 
Todos os pronomes demonstrativos podem se combinar com de e em formando, por 
exemplo: 
deste (e variáveis) / disto; desse (e variáveis) / disso; daquele (e variáveis) / daquilo 
neste (e variáveis) / nisto; nesse (e variáveis) / nisso; naquele (e variáveis) / naquilo. 
 
USOS NO TEXTO 
 
Muitos alunos têm dúvida sobre como usar os pronomes demonstrativos na 
produção textual. Vamos ver alguns os principais usos que serão essenciais para 
uma escrita alinhada com a norma culta. 
 
- Este (esta, isto) são usados para chamar a atenção para algo que vamos dizer. 
Ex.: Estes são os meus amigos: Ana, Pedro e Julia. 
 
- Esse (essa, isso) são usados para retomar algo que já dissemos. 
Ex.: Não voltou a sair; isso fazia parte de seu passado. 
 
- Este (esta, isto) são usados para se referir ao texto em si. 
Ex.: Neste capítulo, vamos aprender Classes Gramaticais. 
Esse (essa, isso) são usados para se referir a algo dito pelo interlocutor. 
Ex.: - Vamos sair? 
 - Isso está fora de questão. 
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- Expressões de uso fixado, ou seja, que independem do seu sentido básico: 
Além disso, isso é, isto de, nem por isso, nisso (no sentido de então), por isso. 
 
Não se esqueça de ficar sempre muito atento ao uso desses pronomes, principalmente 
pelas modificações entre o uso do Português europeu e o brasileiro, que modificou foi tudo 
nesse tempo. 
 
Pronomes relativos 
Agora é a hora de falar sobre um dos meus temas preferidos: os pronomes relativos. 
Para começar, é interessante notar que três características importantes desse tipo de 
pronome. Vamos a elas: 
 
Vamos olhar alguns exemplos em que temos pronomes relativos: 
 
 
 
Os pronomes relativos estão destacados nos exemplos e se referem, respectivamente, 
a “exercícios”, no primeiro; “alunos”, no segundo; e “escola”, no terceiro. Vejamos, então, uma 
pequena indicação dos pronomes relativos mais comuns. Não tenha pressa que ainda 
falaremos muito sobre eles. 
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*neste caso, quanto vale para masculino e feminino 
Atenção para algumas questões no pronome relativo: 
• Quanto: se usa no masculino e no feminino. 
Tentou tudo quanto possível; aplicou tanta força quanto pôde. 
• Cujo: concorda com o termo que vem depois, não com o antecedente (como os outros 
relativos). 
O autor cujas obras estudei é simplesmente sensacional. 
• Quem: vem precedido de preposição; e deve ser utilizado somente com referenciais 
humanos. Utilizá-lo antes de elementos não humanos fazem com que se personifique o 
elemento substituído. 
A pessoa a quem me dirijo é você. 
• Onde pode vir na forma preposição a + onde. Isso ocorre quando o verbo da oração 
exige preposição a. O pronome relativo “Onde” só deve ser utilizado com referencial 
de lugar, sem outras utilizações. Exploraremos essa utilização na nossa aula em vídeo. 
Iremos àquela fazenda aonde vão os campeões. (ir exige preposição a) 
Pronomes interrogativos 
Os pronomes interrogativos são aqueles usados para denotar perguntas diretas ou 
indiretas. Os principais pronomes interrogativos são: 
 
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Pronomes indefinidos 
Os pronomes indefinidos são os que possuem significado vago. São sempre 
acompanhados de verbos na 3ª pessoa. 
 
 
 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 29 
 
Locuções pronominais indefinidas 
Locuções que se equivalem a pronome indefinido. 
Ex.: Cada qual, qualquer um, tal e qual, quem quer que seja, cada um, seja quem 
for, etc., todo aquele que. 
 
Chegamos ao fim do nosso momento com os pronomes e faço questão de destacar 
que ainda voltaremos muitas vezes a esse assunto durante as nossas aulas de sintaxe. Como 
vocês perceberão, teremos uma relação muito profunda entre a morfologia e a sintaxe nessas 
aulas, dado que precisaremos caminhar de forma conjunta entre essas duas áreas 
importantíssimas dos pronomes. 
 
 
2.6 Verbo 
Antes de iniciarmos essa análise, é importantíssimo destacar que nossa aula 06 falará 
essencialmente sobre verbos, analisando os elementos mais cobrados de vocês em todos os 
vestibulares, e incluindo, claro, dicas de produção textual, que começaram a aparecer a partir 
dessa aula. De forma geral, aqui traçaremos um, digamos, panorama geral dos verbos como 
classe gramatical importantíssima para o uso social da linguagem. 
Do ponto de vista semântico, o verbo indicará, em essência, uma ação ou um processo, 
podendo, ainda, indicar um estado, ou modificação desse, ou fenômeno da natureza. 
Destacamos que, semanticamente, o verbo tem a necessidade de sempre se encaixar em uma 
perspectiva temporal. Essa noção temporal é essencial quando pensamos, como você já 
percebeu, que os substantivos e adjetivos podem, em muitos momentos, indicar ações, 
estados, fenômenos naturais entre muitas outras significações. 
 
Existem muitos elementos envolvidos nessa relação. (existência/presente) 
Os alunos estudarão nos lugares de seus sonhos. (ação/futuro) 
Hoje choveu como nunca antes aqui em Brasília. (fenômeno da natureza/passado) 
 
Do ponto de vista morfológico, o verbo irá varia de formas diferentes daquelas 
encontradas nos elementos de origem nominal. A variação verbal se dá em tempo, modo, 
número e pessoa. Essa é a variação morfológica dos verbos, apresentada por elementos 
chamados desinências verbais, que são necessariamente partes da palavra, fato que as 
caracteriza como morfológicas realmente. Além disso, mais à frente, falaremos sobre a 
variação em voz e aspecto. 
Do ponto de vista sintático, entendemos que o verbo é essencial. É o centro, 
literalmente, da enunciação em linguagem verbal. Sem o verbo, não temos a possibilidade de 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 30 
analisar sintaticamente um enunciado, dado que há dependências fortíssimas entre os 
elementos de uma oração e um verbo. Inclusive, você já deve ter percebido que, sem um 
verbo, não temos oração. Ele é essencialmente o núcleo do predicado, ainda que possa servir 
somente como uma forma de ligação, como os de estado, que compõem predicados 
nominais. Mas isso é assunto para o futuro. 
Quando estão na sua forma verbal pura, os verbos aparecem no infinitivo e terminam 
na letra r, precedidas de a, e ou i. As vogais caracterizam a conjugação do verbo. 
 
 
Verbos derivados de outros verbos mantém a conjugação, assim: Desencantar tem a 
mesma conjugação de cantar e assim por diante. 
 
 
 
Os principais verbos irregulares que você deve lembrar são: ir, ser, estar, ter, 
haver, fazer, poder, vir. 
 
Um verbo pode ser classificado de acordo com sua transitividade, ou seja, se possui ou 
não complemento para ter seu sentido completo: 
 
Verbos transitivos diretos: Eu comi uma fruta. (“comi” precisa de complemento para fazer 
sentido) 
Verbos transitivos indiretos: Eu andei de avião. (“andei” precisa de complemento com 
preposição) 
Verbos intransitivos: Ele morreu. (“morrer” não precisa de complemento, pois tem sentido 
completo em si) 
 
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Há ainda os verbos de ligação: Eu estou bem (“estar” indica um estado, não uma ação). 
 
Pronto! Chegamos ao fim da nossa parte teórica de hoje. Com relação aos verbos, como 
eu disse a vocês, não se preocupem. Falaremos tudo o que é necessário saber na aula número 
06. Aquié só pra vocês entenderem o básico mesmo. Fiquem na expectativa sim! Bora que só 
bora, bolas de fogo! 
 
 
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3 Exercícios 
1. (UERJ/2016) 
 
O FUTURO ERA LINDO 
A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria compartilhado, bem como a 
música, 2o cinema, a literatura e a ciência. O custo seria zero. O espaço seria infinito. A 
velocidade, 3estonteante. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. A 
criatividade, o único 4poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre os males do capitalismo. O 
sistema de representação se tornaria obsoleto. Todos os seres humanos teriam 
oportunidades iguais em qualquer lugar do 6planeta. Todos seriam empreendedores e 
inventivos. Todos poderiam se expressar livremente. 7Censura, nunca mais. As fronteiras 
deixariam de existir. As distâncias se tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. 
O sonho, qualquer sonho, poderia se tornar realidade. 
Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo que a internet 
inaugurou. Por anos esquecemos que a internet foi uma invenção militar, criada para manter 
o poder de quem já o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em 
produtos virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo que a fabricação de 
computadores e celulares, com a obsolescência embutida em seu DNA, demanda o 
consumo de quantidades vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e de 
água, sem falar no volume assombroso de lixo não reciclado em que resultam, incluindo 
lixo tóxico. 
Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão concentrados em 
megahipercorporações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre 
tantas indústrias e atividades em tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados 
Unidos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, se consolidariam como 
os maiores espiões do mundo, humilhando potências como a Alemanha e também o Brasil, 
impondo os métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, e guiando ao 
arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez em matemática mas ignorantes completos 
em matéria de ética, política e em boas maneiras. 
Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de perfis falsos, as 
enxurradas de vírus, os arrastões de números de cartão de crédito, a empulhação dos 
resultados numéricos falseados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em 
países do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo eletrônico, inclusive de Estado. 
Marion Strecker Adaptado de Folha de São Paulo, 29/07/2014. 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 33 
O termo megahipercorporações é formado por um processo que enfatiza o tamanho e o 
poder das corporações econômicas atuais. 
Essa ênfase é produzida pelo emprego de: 
a) sufixos de caráter aumentativo 
b) prefixos com sentido semelhante 
c) radicais de combinação obrigatória 
d) desinências de significado específico 
 
2. (UNESP/2018) 
 “[...] os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua 
fortuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo) 
Os termos destacados constituem, respectivamente, 
a) um artigo, uma preposição e uma preposição. 
b) uma preposição, um artigo e uma preposição. 
c) um artigo, um pronome e um pronome. 
d) um pronome, uma preposição e um artigo. 
e) uma preposição, um artigo e um pronome. 
 
3. (UNIFESP/2013) 
O Hatha yoga pradipika, sagrada escritura do hatha yoga, escrita no século 15 da era 
atual, diz que, antes de nos aventurarmos na prática de austeridade e códigos morais, 
devemos nos preparar. Autocontrole e disciplina sem preparação adequada ____________ 
criar mais problemas mentais e de personalidade do que paz de espírito. A beleza dessa 
escritura é que ela resolve o grande problema que todo iniciante enfrenta: dominar a 
mente. 
Devido ___________ abordagem corporal, o hatha yoga ficou conhecido – de modo 
equivocado – como uma categoria de ioga ___________ trabalha apenas as valências físicas 
(força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e outras), quase como ginástica oriental. Isso não 
é verdade. 
(Ciência Hoje, julho de 2012. Adaptado.) 
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser 
preenchidas, respectivamente, com 
a) pode – a essa – aonde. 
b) podem – a essa – que. 
c) pode – à essa – o qual. 
d) podem – essa – com que. 
e) pode – essa – onde. 
 
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4. (FAMERP/2020) 
Considere a tirinha Garfield, de Jim Davis. 
 
 
O pronome “este”, no terceiro quadrinho, 
a) refere-se ao presente do personagem, em que não há diversão. 
b) retoma o sentido das palavras “o mundo”. 
c) refere-se ao período em que o mundo diverte o personagem. 
d) aponta para um momento em que o desejo do personagem se realizaria. 
e) retoma o sentido da frase “o mundo existe para me divertir”. 
 
5. (ACAFE – Medicina/2021.1) 
Transforme as locuções adjetivas destacadas em adjetivos, optando por uma das sugestões 
entre parênteses. 
I. Não se impressione, são apenas chuvas de verão. (verânicas, estivais, pluviais) 
II. Faça a catalogação dos livros por faixa de idade, pois isso facilita a consulta. (etária, 
vital, hereditária) 
III. Desculpe, mas seu comportamento foi de criança. (senil, pueril, inadequado) 
IV. Diferentemente de ontem, as águas do rio estão turvas. (hidroviais, rivais, fluviais) 
V. Foram lindos encontros de irmãos motivados pela mesma fé. (irmanados, fraternos, 
magistrais) 
 
A resposta correta, de cima para baixo, é: 
a) estivais, - hereditária - senil - hidroviais - magistrais 
b) verânicas - hereditária - pueril - fluviais - irmanados 
c) estivais - etária - pueril - fluviais - fraternos 
d) pluviais - vital - pueril - rivais – irmanados 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 35 
6. (Mackenzie/2013.2) 
Texto I 
Esses Moços 
 
Esses moços, pobres moços 
Ah! Se soubessem o que eu sei 
Não amavam... 
Não passavam aquilo que eu já passei 
Por meus olhos 
Por meus sonhos 
Por meu sangue, tudo enfim 
É que eu peço a esses moços 
Que acreditem em mim 
Se eles julgam 
Que há um lindo futuro 
Só o amor nesta vida conduz 
Saibam que deixam o céu por ser escuro 
E vão ao inferno 
À procura de luz 
Eu também tive nos meus belos dias 
Essa mania que muito me custou 
E só as mágoas eu trago hoje em dia 
E essas rugas o amor me deixou! 
Lupicínio Rodrigues (1948) 
 
Texto II 
Capítulo LXXIII / O contrarregra 
Ora, o dandy do cavalo baio não passou como os outros; era a trombeta do juízo final 
e soou a tempo; assim faz o Destino, que é o seu próprio contrarregra. O cavaleiro não se 
contentou de ir andando, mas voltou a cabeça para o nosso lado, o lado de Capitu, e olhou 
[5] para Capitu, e Capitu para ele; o cavalo andava, a cabeça do homem deixava-se ir 
voltando para trás. Tal foi o segundo dente de ciúme que me mordeu. A rigor, era natural 
admirar as belas figuras; mas aquele sujeito costumava passar ali, às tardes; morava no 
antigo Campo da Aclamação, e depois... e depois... Vão lá raciocinar com um coração [10] 
de brasa, como era o meu! Nem disse nada a Capitu; saí da rua à pressa, enfiei pelo meu 
corredor, e, quando dei por mim, estava na sala de visitas. 
Machado de Assis, Dom Casmurro (1899) 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 36 
Assinale a alternativa correta. 
a) No texto I, o uso do adjetivo pobres (linha 01) revela a intenção de afirmar que jovens são 
inexperientes no amor. 
b) No texto I, o pronome aquilo (linha 04) é índice de coesãotextual e seu referente está 
estabelecido nas linhas 05 e 06. 
c) No texto I, a interjeição (linha 02) marca a dúvida do eu lírico em seu papel aconselhador. 
d) No texto II, a grafia do vocábulo trás (linha 06) corresponde ao seu uso no século XIX. 
Contemporaneamente, a mesma palavra, com o mesmo sentido, admite duas grafias 
abonadas pela norma culta: trás e traz. 
e) No texto II, o emprego do tempo verbal em costumava e morava (linha 08) denota ações 
pontuais, referentes apenas ao momento narrado. 
 
7. (UNIFOR/2020) 
 
 
O esquema acima representa os vários componentes do desenvolvimento sustentável. 
 
As palavras que melhor substituem os termos Viável e Equitativo, sem que haja alteração 
de sentido, são, respectivamente: 
a) Provável e Digno. 
b) Possível e Igualitário. 
c) Previsível e Isento. 
d) Favorável e Justo. 
e) Praticável e Distributivo. 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 37 
8. (UVV/2019.1) 
 
 
A charge acima nos permite realizar, através de um olhar gramatical, as seguintes 
considerações: 
a) No primeiro quadro, nítido é o sujeito da frase “Hiena, você é o mais infame dos animais!”, 
expresso pela palavra “Hiena”, traduzida por um substantivo próprio simples. 
b) No segundo quadro, na fala “Como a ciência explica isso?”, o deslize do autor foi 
grosseiro, visto que o pronome possessivo correto deveria ser “isto”, já que o mesmo 
ganha, nessa sentença, destaque de sujeito. 
c) Ainda no segundo quadro, na resposta da Hiena “Não sei, sou meigo no assunto!”, a 
palavra em destaque tem a função morfológica de adjetivo e a função sintática de 
predicativo do sujeito. 
d) No quarto quadro, observamos o velho e bom erro de ortografia ao trocar a palavra 
“mau” por “mal”, como na frase do personagem. O correto seria: “E o mau que pode fazer 
para as crianças?!” 
e) Ainda no quarto quadro, observamos, na fala da Hiena, a presença de um adjunto 
adnominal de negação e um pronome substantivo indefinido. 
 
9. (UFRGS/2019) 
– Para mim esta é a melhor hora do dia – Ema disse, voltando do quarto dos meninos. – 
Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada. 
[5] – Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista. Ema agachou-se para 
recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão. 
– É força de expressão, sua boba. O dia [10] acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia 
tem vinte quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? – Descobriu um sapato 
sob a poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou, depois, o par ........ dos outros 
[15] móveis. 
Era bom ter uma amiga experiente. Nem precisa ser da mesma idade – deixou-se cair 
no sofá – Bárbara, muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada [20] 
valorizava o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas 
de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, 
ambas no hospital. A semelhança [25] física teria contribuído para o perfeito entendimento? 
“Imaginava que fossem irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava satisfação. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 38 
– O que está se passando nessa cabecinha? [30] – Bárbara estranhou a amiga, só doente 
pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos ..........., 
azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje seus olhos? [35] 
Ema aprumou o corpo. 
– Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós... 
Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a ideia. – As crianças brigariam o tempo todo. 
[40] Novamente a amiga tinha razão. Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer 
motivo, ciúme doentio de tudo. O que sombreava o relacionamento dos casais. 
– Pelo menos podíamos morar mais perto, [45] então. 
Se o marido estivesse em casa, seria obrigada a assistir à televisão, ........, ele mal 
chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem [50] 
múmia diante do aparelho – levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de 
limonada. ........ todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz 
alta. 
[55] – Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, de 
como se modificam as personalidades longe dos pais. 
 
Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores contos 
brasileiros do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441. 
 
O texto apresenta sentimentos de admiração de Ema por sua amiga Bárbara. Esses 
sentimentos transparecem na relação entre palavras. 
Assinale a alternativa em que a reunião de advérbios e adjetivo expressa esse sentido de 
admiração de Ema por sua amiga. 
a) amiga experiente (l. 16). 
b) muito mais sábia (l. 18). 
c) valorizava o perfil privilegiado (l. 20). 
d) cabelos soltos (l. 31). 
e) Novamente [...] tinha razão (l. 40). 
 
10. (PUC.PR/2018) 
Leia a seguir. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 39 
 
Em ortografia, a noção de certo ou errado é regida por lei, que prescreve a correta escrita 
de nossas palavras. 
Assim, sobre a correção ortográfica do segundo quadrinho da tirinha, assinale a alternativa 
CORRETA. 
a) “Bom” e “bem” são intercambiáveis nesse contexto, já que pertencem à mesma classe 
gramatical e têm o mesmo sentido. No entanto, “mau” seria a escolha certa por se tratar de 
um adjetivo no contexto criado. 
b) O emprego do artigo definido contraído com “em” em “no” substantiva “bom” e “mal”, o 
que implica a opcionalidade da escrita de “mal” ou “mau”, sem alteração semântica ou 
incorreção gramatical. 
c) Se entendermos que “no bom” traz elíptico o substantivo “colesterol”, a ortografia de 
“mal” deveria ser corrigida para “mau”, porque essa palavra seria, assim como “bom”, um 
adjetivo. 
d) Estaria correto o período se “mal” fosse substituído por “mau”, assim haveria dois 
substantivos em perfeito paralelo gramatical e o novo sentido dado pelo personagem à 
“bom” e “mau” seria garantido. 
e) A grafia de “bom” e “mal” está correta, já que aquele funciona como um adjetivo, e este 
funciona como um substantivo no período em questão, não havendo necessidade de 
paralelismo. 
 
11. (UFRR/2018) 
Leia o texto abaixo e responda a questão. 
 
UM APÓLOGO 
 
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: 
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale 
alguma cousa neste mundo? 
— Deixe-me, senhora. 
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? 
Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 40 
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. 
Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida 
e deixe a dos outros. 
— Mas você é orgulhosa. 
— Decerto que sou. 
— Mas por quê? 
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, 
senão eu? 
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou 
eu e muito eu? 
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição 
aos babados... 
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que 
vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando... 
— Também os batedores vão adiante do imperador. 
— Você é imperador? 
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai 
só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, 
ajunto... 
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Nãosei se disse que 
isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar 
atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou 
a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano 
adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos 
de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha: 
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta 
costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, 
furando abaixo e acima... 
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, 
silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A 
agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo 
silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plicplic da agulha no pano. 
Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e 
no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. 
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, 
levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto 
compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou 
dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe: 
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte 
do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto 
você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, 
diga lá. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 41 
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor 
experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da 
vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para 
ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: 
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! 
ASSIS, Machado de. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. São Paulo: Ática, 1984. 
No trecho: ― Esta agora é melhor.", e no trecho ―... um alfinete, de cabeça grande e não 
menor experiência...‖, as palavras destacadas são adjetivos expressos na gradação ou grau: 
a) superlativo absoluto sintético e superlativo absoluto analítico, respectivamente. 
b) comparativo de inferioridade. 
c) comparativo de superioridade e comparativo de inferioridade, respectivamente. 
d) superlativo relativo de superioridade. 
e) comparativo de superioridade 
 
12. (Inédita – Wagner Santos) 
Assinale a alternativa em que o elemento “que” é classificado como um pronome relativo. 
a) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável?” 
b) “Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.” 
c) “Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?” 
d) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o 
caminho (...)” 
e) “Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, 
entre os dedos da costureira (...)” 
 
13. (Inédita – Wagner Santos) 
Em qual das alternativas a seguir o elemento em destaque deve ser classificado como um 
pronome demonstrativo? 
a) “— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?” 
b) “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha (...)” 
c) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante (...)” 
d) “— Também os batedores vão adiante do imperador.” 
e) “Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.” 
 
14. (Inédita – Wagner Santos) 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 42 
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? 
Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. 
 
Os elementos em destaque no trecho acima retomam a ideia de 
a) alfinete, por meio de retomada anafórica. 
b) coisa, por meio de retomada catafórica. 
c) senhora, por meio de retomada catafórica. 
d) linha, por meio de retomada anafórica. 
e) agulha, com uma retomada anafórica. 
 
15. (Inédita – Wagner Santos) 
Em qual das alternativas a seguir o pronome em destaque tem valor de posse? 
a) “Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.” 
b) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que 
me der na cabeça.” 
c) “— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte 
do vestido e da elegância?” 
d) “— Deixe-me, senhora.” 
e) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. 
 
16. (Inédita – Wagner Santos) 
Em qual das alternativas a seguir os elementos em destaque são classificados, todos, como 
pronomes? 
a) “A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar 
algum ponto necessário.” 
b) “Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha 
da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?” 
c) “Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na 
caixinha de costura.” 
d) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. 
e) “— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!” 
 
17. (EFOMM/2019) 
Como Dizia Meu Pai 
(...) Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, 
a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, 
egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 43 
sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos 
guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de 
cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, 
passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com 
algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o 
centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar 
com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer. 
Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de 
descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária 
habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. 
Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos 
um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio 
de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava 
atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o 
trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não 
fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas 
desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje. 
Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de 
paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum 
aborrecimento. 
— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem. 
Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que 
não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade 
não poder prevalecersobre a vontade de Deus – embora jamais fosse assim eloquente em 
suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo 
ante as esperanças vãs: 
— O que não tem solução, solucionado está. 
E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar 
isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para 
melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo 
fazer nada para isso, espere, que mudará por si. [...] 
SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. 
Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado) 
 
Com base no texto, responda à questão que se segue. 
Assinale a opção em que a flexão de grau do substantivo destacado é utilizada 
exclusivamente para pôr em primeiro plano uma linguagem que demonstra valor afetivo. 
a) “Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como 
namorados, trocando notícias do dia.” (9°§) 
b) “Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, 
embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta.” 
(10°§) 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 44 
c) “Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de 
descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado.” (10°§) 
d) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a 
subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde [...].” 
(9°§) 
e) “Se acaso ainda estivermos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que 
o paizinho nunca deixava de trazer.” (9°§) 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 45 
18. (Inédita – Wagner Santos) 
Assinale a alternativa em que há uma locução adjetiva. 
a) “Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não 
se poderia fugir.” 
b) “Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia 
sempre de bonde.” 
c) “O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas.” 
d) “— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.” 
e) “E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.” 
 
19. (Inédita – Wagner Santos) 
No português, é comum encontrarmos elementos que funcionam de formas distintas, ainda 
que com a mesma grafia. Assinale, assim, a alternativa em que o elemento em destaque 
não se apresenta com valor possessivo. 
a) “Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder 
prevalecer sobre a vontade de Deus (...)” 
b) “(...) hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando.” 
c) “Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à 
disposição de cada um (...)” 
d) “(...) a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da 
tarde (...)” 
e) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho (...)” 
 
20. (Unimontes/2019) 
Crianças, crueldade e Justiça 
Bullying é o comportamento agressivo, intencional e repetido contra alguém por conta 
de alguma característica ou situação peculiar. É um desequilíbrio de poder que afeta 
sobretudo crianças e adolescentes em escolas e em outros ambientes de convivência, mas 
que também inferniza a vida de adultos. 
Por alguma razão psicológica, pessoas sentem prazer em humilhar, provocar 
sofrimento. Reunidas, [5] multiplicam agressões verbais ou físicas contra quem se destaca 
pela diferença: obesidade, altura, pele, nariz, timidez, roupa. Filiação, raça, falta de 
habilidade para o esporte, aplicação nos estudos ou dificuldade de aprendizado também 
dão origem a maus-tratos, isolamento e depressão. 
A internet amplia seus efeitos. 
CARVALHO FILHO, Luis Francisco. Crianças, crueldade e Justiça. Folha de S. Paulo. 
Cotidiano, 1.º ago. 2015, B2. Adaptado. 
 
 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 46 
“A internet amplia seus efeitos.” (linha 8) 
Em destaque nesse trecho, o pronome, de acordo com os encadeamentos das ideias no 
texto, reporta-se a 
a) razão psicológica. 
b) Justiça. 
c) internet. 
d) bullying. 
 
21. (Unimontes/2019) 
Breve discurso sobre a cultura 
Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e matizes. Durante 
muitos séculos foi um conceito inseparável da religião e do conhecimento teológico; na 
Grécia, esteve marcada pela Filosofia e, em Roma, pelo Direito, enquanto no Renascimento 
foi conformada sobretudo pela literatura e pelas artes. Em épocas mais recentes, como no 
Iluminismo, foram a ciência e os grandes descobrimentos científicos que deram o principal 
viés à [5] ideia de cultura. Mas, apesar destas variantes e até a nossa época, cultura, segundo 
um amplo consenso social, sempre significou uma soma de fatores e de disciplinas que a 
constituíam e eram por sua vez implicadas por ela; a reivindicação de um patrimônio de 
ideias, valores e obras de arte; de alguns conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e 
científicos em constante evolução; e o incentivo à exploração de novas formas artísticas e 
literárias, e da investigação em todos os campos do saber. 
A cultura estabeleceu sempre uma hierarquia social, distinguindo entre aqueles que a 
cultivavam, enriqueciam com contribuições diversas e faziam progredir, e aqueles que não 
se ocupavam dela, a desprezavam ou a ignoravam, ou estavam excluídos dela por razões 
sociais e econômicas. Em todas as épocas históricas e até a nossa, em qualquer sociedade 
concreta havia pessoas cultas e incultas e, entre esses dois extremos, pessoas mais ou 
menos cultas ou mais ou menos incultas. Ao mesmo tempo, essa classificação estava 
bastante clara para todo o [15] mundo porque valia para todos um mesmo sistema de 
valores, de critérios culturais e de maneiras de pensar, de julgar e de comportar-se. 
Em nosso tempo tudo isso mudou. A noção de cultura estendeu-se tanto que, embora 
ninguém se atreva a reconhecê-la de maneira explícita, se desvaneceu. Transformou-se 
num fantasma inapreensível, multitudinário e metafórico. Porque já ninguém é culto se 
todos creem sê-lo, ou então se o conteúdo daquilo a que chamamos cultura [20] foi de tal 
maneira deformado que todos podem justificadamente crer que o são. 
LLOSA, Mário Vargas. Breve discurso sobre a cultura. In: MACHADO, Cassiano Elek (org.). 
Pensar a cultura. Porto Alegre: Arquipélago, 2013. p. 12-13. 
 
Considerando o trecho “Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados 
e matizes.” (linha 1), esse operador verbal em destaque 
a) pode ser substituído por “teria”, devido ao fato de não se conseguir definir esses “[...] 
significados e matizes [...]”, pela sua variedade. 
b) seria igualmente substituído por “tem”, pelo teor de apresentação histórica de um fato. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 47 
c) propicia ao interlocutor a crença de que a noção de cultura que se tinha ainda se mantém. 
d) representa um fato que pôde ser constatado em relação à cultura, no passado. 
 
22. (UFPR/2018) 
TV a Serviço da Tecnologia e do Racismo 
Os meios de comunicação, todos eles, têm sido braço direito e esquerdo da 
propagação das tecnologias da estrutura racista. Isso é uma verdade que se pode confirmar 
com absoluta facilidade em todos os veículos de comunicação disponíveis, em especial a 
televisão. 
O poderoso e influente jornalista Assis Chateaubriand foi o responsável pela primeira 
transmissão televisiva no Brasil, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi, em São Paulo. 
No ano seguinte, seria a vez de o Rio de Janeiroser contemplado com essa novíssima 
ferramenta, viabilizada por recursos importados dos Estados Unidos. O Brasil, então, 
passou a ser o quarto país do mundo a operar esse tipo de veículo, ficando atrás apenas da 
Inglaterra, França e dos próprios Estados Unidos. O país seguia pouco mais de meio século 
de pós-abolição. Uma pós-abolição que ora tentava se livrar das sobras humanas, cuja 
exploração explícita já não era mais permitida pela lei, ora se valia da fragilidade dessas 
sobras vivas para prosseguir com os acúmulos de riqueza construída à custa da exploração 
histórica e não reparada. [...] 
(Joice Beth, Le Monde Diplomatique Brasil, junho/2017, p. 38. Adaptado.) 
 
Com relação à palavra “sobras” citada na última frase do texto, é correto afirmar que refere: 
a) os recursos humanos da TV. 
b) os negros pós-abolição. 
c) a sociedade manipulada pela TV. 
d) os profissionais da tecnologia televisiva. 
e) os líderes abolicionistas. 
 
23. (IFSulDeMinas/2018.2) 
O gênero da ciência ou sobre silêncios e temores em torno de uma epistemologia 
feminista 
“Elas recebem menos convites para avaliar o trabalho de seus pares. E meninas se veem 
como menos brilhantes desde os 6 anos”. Editoria de Ciências – El País 
[1] A notícia saiu no início de 2017, trazendo dados de duas pesquisas científicas sobre 
o alijamento de mulheres do campo de investigações acadêmicas. A reportagem é ilustrada 
pela foto de divulgação do hollywoodiano "Estrelas além do tempo". Naquele filme, 
racismo, sexismo, machismo e conservadorismo político se juntam à alta tecnologia 
beligerante da Guerra Fria. Nada mais representativo do mundo das ciências. O mundo [5] 
que tem a razão como seu alicerce. A mesma qualidade que sustenta nossas percepções 
vulgares sobre o comportamento masculino. Homem => razão => civilização => 
branquitude => ciência => verdade. Equação que não apareceu nos infindos cálculos das 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 48 
protagonistas do filme, mas que definiu calculadamente o silêncio que se instituiria sobre a 
participação crucial daquelas mulheres na “corrida espacial”. 
Mais de meio século separam "Estrelas além do tempo" e a matéria do jornal El País. 
Neste ínterim, [10] sociedades de matriz ocidental assistiram ao crescimento dos 
movimentos identitários, dentre estes, o movimento feminista, manifestado em diferentes 
correntes políticas e de luta, mas com um elemento em comum: contestar o lugar 
naturalizado de opressão que justificava politicamente a desigualdade entre homens e 
mulheres. Naquele momento ainda não se falava em gênero como categoria de análise 
social. Mesmo no campo dos estudos feministas, trabalhava-se muito mais com a categoria 
“mulher”. 
[15] Mais recentemente [...] as feministas começaram a utilizar a palavra “gênero” mais 
seriamente, no sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da 
relação entre os sexos [...] Historicizar o uso de um termo com a potência política e 
contestatória da categoria gênero é importante para que entendamos por que, no 
presente, estamos assistindo a um recrudescimento conservador que procura realocar no 
campo da natureza as desigualdades sociais. [...] 
[20] Pensar em gênero por esse prisma é ampliar para além do corpo, da anatomia e 
do biológico as experiências femininas e masculinas, percebendo que construímos nosso 
gênero de forma relacional, ou seja, nas relações sociais, as quais abarcam as instituições 
pedagogizantes (família, escola, igrejas), de forma que somos orientadas e orientados pelos 
valores hegemônicos de cada tempo e lugar, sejam para reiterar esses valores ou para 
enfrentá-los. 
[25] Uma das maneiras de se fazer esses enfrentamentos passa, justamente, pela forma 
de se construir conhecimento, quer dizer, propor outras maneiras de se pensar o mundo, 
as relações humanas e, assim, de fazer ciência. Esse lugar assegurado de produção de 
verdades passa a ser contestado pelos discursos feministas. [...] 
O potencial iconoclasta do conceito de gênero se evidencia desde os escritos seminais 
de Simone de [30] Beauvoir, ainda que ela não tenha se valido dele para denunciar a ciência 
como um discurso masculinista. Discurso este que construiu “a representação do mundo, 
como o próprio mundo (…). Eles [os homens] os descrevem do ponto de vista que lhes é 
peculiar e que confundem com a verdade absoluta”. De forma que esses enunciados, de 
verdade, legitimaram posições de senso comum que colocam, até o presente, as mulheres 
como incomensuravelmente distintas dos homens, como seu “outro”, exterior e inferior a 
eles mesmos. [...] 
[35] Os homens criam os mitos da cultura ocidental e, entre estes, está o mito da Mulher, 
acompanhado também pela mitologia comum das “figuras masculinas convencionais”. 
Assim, a humanidade é dividida em duas classes, criando-se, como diz Beauvoir, um tipo 
de “conceito platônico” da noção de Mulher – uma Ideia ou Verdade transcendental 
imutável: “Assim, à existência dispersa, contingente e múltipla das mulheres, o pensamento 
mítico opõe o Eterno Feminino único e cristalizado”. Esse mito é fruto de relações de poder 
e se [40] constrói para servi-las, pois como afirma Beauvoir de forma contundente: “Poucos 
mitos foram mais vantajosos do que esse para a casta dominante: justifica todos os 
privilégios e autoriza mesmo abusar deles”. 
O que os feminismos, em suas distintas expressões políticas, vêm propondo é 
altamente desestabilizador do status quo. Se a ciência tem se constituído como o discurso 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 49 
hegemônico do ocidente para propor soluções, articular análises sobre fenômenos 
diversos e instituir verdades sobre o mundo, entende-se que enfrentar [45] criticamente 
essas verdades, denunciando seus vícios de origem e suas lacunas silenciadoras, 
desestabiliza privilégios, mas, mais que isso, exige que desenvolvamos outro vocabulário 
para falar do presente. 
Fonte: http://www.aulete.com.br/. Acesso em: 02 abr. 2018. 
 
Considerando a leitura integral do texto, assinale a alternativa correta: 
a) Em “[...] somos orientadas e orientados pelos valores hegemônicos de cada tempo e 
lugar, sejam para reiterar esses valores ou para enfrentá-los” [linhas 23 e 24], o pronome 
“los” retoma a expressão “valores hegemônicos”. 
b) No trecho “A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o 
comportamento masculino”, a palavra “qualidade” refere-se ao termo “ciências” [linhas 05 
e 06]. 
c) O trecho “mas com um elemento em comum” [linhas 11 e 12], introduz uma semelhança 
existente entre o filme "Estrelas além do tempo" e a matéria publicada no jornal “El País”. 
d) Em “De forma que esses enunciados, de verdade, legitimaram posições de senso comum 
[...]” [linhas 32 e 33], a expressão “de verdade” poderia ser substituída, sem prejuízo de 
sentido, pelo advérbio “possivelmente”. 
 
24. (CUSC/2018) 
Pronomes relativos são úteis para que se evitem repetições e para tornar o texto mais claro, 
coeso e conciso. Podem vir ou não acompanhados de preposições. Observe a utilização 
dos pronomes relativos sublinhados no texto abaixo: 
“A leitura é muito importante para desenvolver nossas habilidades, em vários aspectos, 
como o aprimoramento da escrita, por exemplo. Ler deve se tornar uma prática agradável, 
na qual devemos mergulhar no decorrer de nossa vida. 
A aquisição deste precioso hábito pode se dar, a princípio, por meio de leituras que nos 
agradem e, a partir de determinado estágio, seremos bons leitores de diversos e variados 
gêneros textuais. 
O hábito de que tratamos pode e deve ser estimulado desde a infância, porém nunca é 
tarde demais para se começar a ler!” 
 
Assinale a alternativa em que os pronomes relativos poderiam substituir os que estão 
sublinhados no texto: 
a) em que, cujas, que. 
b) que, em que, dos quais.c) a qual, a que, onde. 
d) em que, as quais, do qual. 
e) aonde, as quais, do que. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 50 
 
25. (IFRN/2018.2) 
Apesar disso, algumas publicações internacionais começaram o ano do Mundial apontando 
o aumento dos preços de alguns serviços oferecidos pela Rússia durante o evento: o 
próprio jornal "Moscow Times" publicou, em janeiro, que os valores dos hotéis na capital 
podem aumentar em até cinco vezes para hospedagens em junho. Ainda segundo a 
publicação, a Agência Federal de Turismo russa publicou uma lista de 41 estabelecimentos 
QUE já estão praticando preços abusivos. 
 
O uso da expressão verbal “ESTÃO PRATICANDO” indica que a ação está 
a) inviabilizada. 
b) concluída. 
c) em repetição. 
d) em processo. 
 
4 Gabarito 
 
 
1. B 
2. B 
3. B 
4. A 
5. C 
6. A 
7. B 
8. C 
9. B 
10. C 
11. E 
12. E 
13. A 
14. E 
15. B 
16. D 
17. D 
18. A 
19. E 
20. D 
21. D 
22. B 
23. A 
24. D 
25. D 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 51 
5 Questões Resolvidas e Comentadas 
1. (UERJ/2016) 
O FUTURO ERA LINDO 
A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria compartilhado, bem como a 
música, 2o cinema, a literatura e a ciência. O custo seria zero. O espaço seria infinito. A 
velocidade, 3estonteante. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. A 
criatividade, o único 4poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre os males do capitalismo. O 
sistema de representação se tornaria obsoleto. Todos os seres humanos teriam oportunidades 
iguais em qualquer lugar do 6planeta. Todos seriam empreendedores e inventivos. Todos 
poderiam se expressar livremente. 7Censura, nunca mais. As fronteiras deixariam de existir. 
As distâncias se tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. O sonho, qualquer 
sonho, poderia se tornar realidade. 
Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo que a internet 
inaugurou. Por anos esquecemos que a internet foi uma invenção militar, criada para manter 
o poder de quem já o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em produtos 
virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo que a fabricação de computadores e 
celulares, com a obsolescência embutida em seu DNA, demanda o consumo de quantidades 
vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e de água, sem falar no volume 
assombroso de lixo não reciclado em que resultam, incluindo lixo tóxico. 
Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão concentrados em 
megahipercorporações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre 
tantas indústrias e atividades em tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados 
Unidos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, se consolidariam como 
os maiores espiões do mundo, humilhando potências como a Alemanha e também o Brasil, 
impondo os métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, e guiando ao 
arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez em matemática mas ignorantes completos 
em matéria de ética, política e em boas maneiras. 
Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de perfis falsos, as 
enxurradas de vírus, os arrastões de números de cartão de crédito, a empulhação dos 
resultados numéricos falseados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em países 
do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo eletrônico, inclusive de Estado. 
Marion Strecker Adaptado de Folha de São Paulo, 29/07/2014. 
 
O termo megahipercorporações é formado por um processo que enfatiza o tamanho e o 
poder das corporações econômicas atuais. 
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Essa ênfase é produzida pelo emprego de: 
a) sufixos de caráter aumentativo 
b) prefixos com sentido semelhante 
c) radicais de combinação obrigatória 
d) desinências de significado específico 
 
Comentários 
Alternativa A: incorreta. No caso são prefixos, não sufixos. 
Alternativa B: correta – gabarito. O termo “megahipercorporações” é formado pelos 
prefixos de origem grega “mega-“ e “hiper-“ que expressam noção semântica de grande 
quantidade, enfatizando o tamanho e o poder das corporações econômicas atuais. 
Alternativa C: incorreta. No caso não são radicais (parte integrante da palavra), mas sim 
prefixos. 
Alternativa D: incorreta. Desinências ocorrem ao final das palavras, ao passo que o 
prefixo no início. 
Gabarito: B 
2. (UNESP/2018) 
 “[...] os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua 
fortuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo) 
Os termos destacados constituem, respectivamente, 
a) um artigo, uma preposição e uma preposição. 
b) uma preposição, um artigo e uma preposição. 
c) um artigo, um pronome e um pronome. 
d) um pronome, uma preposição e um artigo. 
e) uma preposição, um artigo e um pronome. 
 
Comentários: 
O primeiro “a” é uma preposição, pois se relaciona com o verbo “condenar” que se 
encontra suprimido (a pobreza condenou aos miseráveis); o segundo “a” é um artigo, que 
precede o substantivo “pobreza”; e o terceiro também é preposição pelo mesmo motivo do 
primeiro. Portanto, a alternativa correta é B. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 53 
A alternativa A está incorreta, pois o pronome relativo “quem” não admite artigo”. 
A alternativa C está incorreta pelo mesmo motivo que A: o pronome relativo “quem” 
não admite artigo”. 
A alternativa D está incorreta, pois o pronome demonstrativo “este” também não admite 
artigo. 
A alternativa E está incorreta, pois “a” não é uma opção de pronome neste caso, já que 
não substitui o complemento do verbo. 
Gabarito: B 
3. (UNIFESP/2013) 
O Hatha yoga pradipika, sagrada escritura do hatha yoga, escrita no século 15 da era atual, 
diz que, antes de nos aventurarmos na prática de austeridade e códigos morais, devemos nos 
preparar. Autocontrole e disciplina sem preparação adequada ____________ criar mais 
problemas mentais e de personalidade do que paz de espírito. A beleza dessa escritura é que 
ela resolve o grande problema que todo iniciante enfrenta: dominar a mente. 
Devido ___________ abordagem corporal, o hatha yoga ficou conhecido – de modo 
equivocado – como uma categoria de ioga ___________ trabalha apenas as valências físicas 
(força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e outras), quase como ginástica oriental. Isso não é 
verdade. 
(Ciência Hoje, julho de 2012. Adaptado.) 
 
De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser 
preenchidas, respectivamente, com 
 
a) pode – a essa – aonde. 
b) podem – a essa – que. 
c) pode – à essa – o qual. 
d) podem – essa – com que. 
e) pode – essa – onde. 
 
Comentários: 
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A primeira lacuna deve ser completada com “podem”, pois há dois termos centrais a 
que o verbo se refere: “autocontrole” e “disciplina”. A oração ficaria, então “Autocontrole e 
disciplina sem preparação adequada pode criar mais problemas mentais” 
A segunda lacuna deve ser completada com “a essa”, pois “devido” exige preposição 
“a”, mas como a palavra “essa” não é precedida de artigo, não há uso de crase. A oração ficaria, 
então “Devido a essa abordagem corporal (...)”. 
A terceira lacuna deve ser completada com “que”. É a única alternativa que compreende 
um pronome relativo que pode se referir a um termo feminino (categoria de ioga). A oração 
ficaria, então “como uma categoria de ioga que trabalha apenas as valências físicas”. 
Gabarito: B 
4. (FAMERP/2020) 
Considere a tirinha Garfield,de Jim Davis. 
 
 
O pronome “este”, no terceiro quadrinho, 
a) refere-se ao presente do personagem, em que não há diversão. 
b) retoma o sentido das palavras “o mundo”. 
c) refere-se ao período em que o mundo diverte o personagem. 
d) aponta para um momento em que o desejo do personagem se realizaria. 
e) retoma o sentido da frase “o mundo existe para me divertir”. 
 
Comentário: 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 55 
A alternativa A está correta, porque, como Garfield não está se divertindo quando fala, 
podemos entender que há uma relação clara com o momento de “intervalo” em que sua vida 
se encontra. Não há diversão nesse momento. 
A alternativa B está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da 
fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está 
fosse o intervalo. Não há nenhuma relação com a ideia das palavras mundo, sejam conotativas, 
sejam denotativas. 
A alternativa C está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da 
fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está 
fosse o intervalo. Como ele não está se divertindo, não podemos entender que se relaciona 
com o período em que o mundo lhe serve como divertimento. 
A alternativa D está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da 
fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está 
fosse o intervalo. Como ele não está se divertindo, não podemos entender que se relacione 
com o sonho do personagem. 
A alternativa E está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da 
fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está 
fosse o intervalo. Não se relaciona com o fato do mundo existir para diverti-lo. 
Gabarito: A 
5. (ACAFE – Medicina/2021.1) 
Transforme as locuções adjetivas destacadas em adjetivos, optando por uma das sugestões 
entre parênteses. 
I. Não se impressione, são apenas chuvas de verão. (verânicas, estivais, pluviais) 
II. Faça a catalogação dos livros por faixa de idade, pois isso facilita a consulta. (etária, 
vital, hereditária) 
III. Desculpe, mas seu comportamento foi de criança. (senil, pueril, inadequado) 
IV. Diferentemente de ontem, as águas do rio estão turvas. (hidroviais, rivais, fluviais) 
V. Foram lindos encontros de irmãos motivados pela mesma fé. (irmanados, fraternos, 
magistrais) 
 
A resposta correta, de cima para baixo, é: 
a) estivais, - hereditária - senil - hidroviais - magistrais 
b) verânicas - hereditária - pueril - fluviais - irmanados 
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c) estivais - etária - pueril - fluviais - fraternos 
d) pluviais - vital - pueril - rivais – irmanados 
 
 
Comentário: 
Segundo dicionário Aulete: 
• Estivais são elementos típicos do verão, por isso é perfeitamente possível a troca. A 
palavra “verânicas” não existe na língua portuguesa. Pluviais está relacionado às águas 
da chuva. 
• Etária se refere à noção de idade, normalmente indicando uma faixa de tempo. Vital é 
alguma coisa essencial, sem a qual não se vive. Hereditário é algo que se passa entre 
os pais e os filhos, por meio da genética. 
• Senil indica perda de consciência em idade avançada. Pueril se relaciona à noção 
inocente da criança. Inadequado não se aplica ao caso por representar algo errado. 
• Hidroviais não existe em língua portuguesa (existe a palavra hidrovias, que são vias de 
transporte em rios). Rivais são oponentes em algum aspecto da vida. Fluviais são águas 
dos rios (cuidado com a confusão para pluviais). 
• Irmanados significa o mesmo que aparelhado, podendo significar tornar irmãos, mas 
não com significação de já serem irmãos. Fraternos está relacionado às ações e 
sentimentos entre os irmãos. Magistrais se relaciona diretamente com a ideia de algo 
muito bem feito, ou uma característica sensacional. 
Gabarito: C 
6. (Mackenzie/2013.2) 
Texto I 
Esses Moços 
 
Esses moços, pobres moços 
Ah! Se soubessem o que eu sei 
Não amavam... 
Não passavam aquilo que eu já passei 
Por meus olhos 
Por meus sonhos 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 57 
Por meu sangue, tudo enfim 
É que eu peço a esses moços 
Que acreditem em mim 
Se eles julgam 
Que há um lindo futuro 
Só o amor nesta vida conduz 
Saibam que deixam o céu por ser escuro 
E vão ao inferno 
À procura de luz 
Eu também tive nos meus belos dias 
Essa mania que muito me custou 
E só as mágoas eu trago hoje em dia 
E essas rugas o amor me deixou! 
Lupicínio Rodrigues (1948) 
 
Texto II 
Capítulo LXXIII / O contrarregra 
Ora, o dandy do cavalo baio não passou como os outros; era a trombeta do juízo final 
e soou a tempo; assim faz o Destino, que é o seu próprio contrarregra. O cavaleiro não se 
contentou de ir andando, mas voltou a cabeça para o nosso lado, o lado de Capitu, e olhou 
[5] para Capitu, e Capitu para ele; o cavalo andava, a cabeça do homem deixava-se ir voltando 
para trás. Tal foi o segundo dente de ciúme que me mordeu. A rigor, era natural admirar as 
belas figuras; mas aquele sujeito costumava passar ali, às tardes; morava no antigo Campo da 
Aclamação, e depois... e depois... Vão lá raciocinar com um coração [10] de brasa, como era 
o meu! Nem disse nada a Capitu; saí da rua à pressa, enfiei pelo meu corredor, e, quando dei 
por mim, estava na sala de visitas. 
Machado de Assis, Dom Casmurro (1899) 
Assinale a alternativa correta. 
a) No texto I, o uso do adjetivo pobres (linha 01) revela a intenção de afirmar que jovens são 
inexperientes no amor. 
b) No texto I, o pronome aquilo (linha 04) é índice de coesão textual e seu referente está 
estabelecido nas linhas 05 e 06. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 58 
c) No texto I, a interjeição (linha 02) marca a dúvida do eu lírico em seu papel aconselhador. 
d) No texto II, a grafia do vocábulo trás (linha 06) corresponde ao seu uso no século XIX. 
Contemporaneamente, a mesma palavra, com o mesmo sentido, admite duas grafias 
abonadas pela norma culta: trás e traz. 
e) No texto II, o emprego do tempo verbal em costumava e morava (linha 08) denota ações 
pontuais, referentes apenas ao momento narrado. 
 
Comentário: 
A alternativa A está correta, porque a leitura do texto indica que o eu lírico se coloca em 
comparação com os moços, indicando ser ele mais velho e, consequentemente, mais 
experiente. Temos, então, a significação de pobres sendo ampliada, indicando que o eu lírico 
vê os moços como pessoas ainda sem experiência de vida, inocentes com relação à própria 
vida. 
A alternativa B está incorreta, porque não há referente, no texto, para a construção de 
retomada. Ele faz uma referência a ter passado por momentos não tão bons, mas sem 
especificá-los no poema. Logo, temos uma relação “exofórica”, quando o referencial não está 
presente no texto. 
A alternativa C está incorreta, porque a interjeição “Ah!” não indica dúvida do eu lírico 
com relação a nada, mas somente indica que temos uma relação clara de surpresa. 
A alternativa D está incorreta, porque “trás” e “traz” não mantém relação de significado, 
uma vez que um indica e funciona como um advérbio, enquanto o outro funciona como um 
verbo, denotando uma ação. 
A alternativa E está incorreta, porque o pretérito imperfeito, tempo dos verbos em 
questão, indica uma ação já encerrada, mas que ocorria com frequência no passado. Nesse 
caso, não temos ações pontuais. 
Gabarito: A 
7. (UNIFOR/2020) 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 59 
 
O esquema acima representa os várioscomponentes do desenvolvimento sustentável. 
As palavras que melhor substituem os termos Viável e Equitativo, sem que haja alteração de 
sentido, são, respectivamente: 
a) Provável e Digno. 
b) Possível e Igualitário. 
c) Previsível e Isento. 
d) Favorável e Justo. 
e) Praticável e Distributivo. 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque “provável” é algo que pode acontecer, mas não 
está com a ideia de possibilidade do organograma. Além disso, ainda que uma distribuição 
“digna” seja o objeto da equidade, não podemos colocar como sendo sinônimos. 
A alternativa B está correta, porque “possível” se relaciona diretamente com a ideia de 
“viável”, substituindo-o de forma perfeita. “Igualitário” é exatamente a ideia de equidade, dado 
que temos a noção de uma distribuição justa e igual. 
A alternativa C está incorreta, porque “previsível” é literalmente algo que se pode 
prever. A ideia com que trabalhamos em viável é a construção de uma possibilidade de ser 
realizado, não que é previsto que ocorra. “Isento” também não serviria como resposta, dado 
que temos uma construção de equidade como forma de justiça em termos de distribuição. 
A alternativa D está incorreta, porque “favorável” não estabelece nenhuma relação com 
a ideia veiculada por viável, que significa algo que pode ser executado, que pode ocorrer. No 
caso, favorável está relacionado com a ideia de alguma coisa que se coloca a favor de um 
acontecimento. Por outro lado, “justo” aproxima-se bastante da ideia de equidade, podendo 
ser utilizada no contexto. 
A alternativa E está incorreta, porque “praticável” até poderia substituir a ideia de viável, 
uma vez que é possível realizar determinada ação. Contudo, ainda que “distributivo” se 
aproxime da ideia de “equitativo” em uma determinada forma de pensar, distribuir não 
significa ser de forma igual, como propõe a ideia de equitativo. 
Gabarito: B 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 60 
8. (UVV/2019.1) 
 
 
A charge acima nos permite realizar, através de um olhar gramatical, as seguintes 
considerações: 
a) No primeiro quadro, nítido é o sujeito da frase “Hiena, você é o mais infame dos animais!”, 
expresso pela palavra “Hiena”, traduzida por um substantivo próprio simples. 
b) No segundo quadro, na fala “Como a ciência explica isso?”, o deslize do autor foi grosseiro, 
visto que o pronome possessivo correto deveria ser “isto”, já que o mesmo ganha, nessa 
sentença, destaque de sujeito. 
c) Ainda no segundo quadro, na resposta da Hiena “Não sei, sou meigo no assunto!”, a palavra 
em destaque tem a função morfológica de adjetivo e a função sintática de predicativo do 
sujeito. 
d) No quarto quadro, observamos o velho e bom erro de ortografia ao trocar a palavra “mau” 
por “mal”, como na frase do personagem. O correto seria: “E o mau que pode fazer para as 
crianças?!” 
e) Ainda no quarto quadro, observamos, na fala da Hiena, a presença de um adjunto 
adnominal de negação e um pronome substantivo indefinido. 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque o nominal “Hiena” é uma representação de 
vocativo e não de sujeito. O sujeito é o pronome de tratamento “você”, que retoma Hiena. 
A alternativa B está incorreta, porque, por se referir a elemento anterior, não há 
problema em utilizar o pronome isso. Mesmo que fosse sujeito, não haveria nenhum problema 
em utilizar essa relação pronominal. 
A alternativa C está correta, porque a palavra “meigo” é um adjetivo que modifica o 
sujeito oculto encontrado diante do verbo “sou”. Como é uma característica do sujeito (ainda 
que oculto), é classificado sintaticamente como um predicativo do sujeito. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 61 
A alternativa D está incorreta, porque o uso do advérbio mal está correto, sem nenhuma 
construção de erro de ortografia nesse caso. O adjetivo “mau”, nesse caso, não se encaixa de 
forma correta no contexto. 
A alternativa E está incorreta, porque não existe a relação de adjunto adnominal de 
negação, uma função e significação típica dos adjuntos adverbiais. Além disso, o que temos é 
um pronome indefinido, mas, por estar modificando nome, se classifica como pronome 
adjetivo. 
Gabarito: C 
9. (UFRGS/2019) 
– Para mim esta é a melhor hora do dia – Ema disse, voltando do quarto dos meninos. – 
Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada. 
[5] – Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista. Ema agachou-se 
para recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão. 
– É força de expressão, sua boba. O dia [10] acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia 
tem vinte quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? – Descobriu um sapato sob 
a poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou, depois, o par ........ dos outros [15] 
móveis. 
Era bom ter uma amiga experiente. Nem precisa ser da mesma idade – deixou-se cair 
no sofá – Bárbara, muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada [20] valorizava 
o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas de escritório. 
Até ter filhos juntas conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, ambas no hospital. 
A semelhança [25] física teria contribuído para o perfeito entendimento? “Imaginava que 
fossem irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava satisfação. 
– O que está se passando nessa cabecinha? [30] – Bárbara estranhou a amiga, só doente 
pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos ..........., azuis 
ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje seus olhos? [35] Ema 
aprumou o corpo. 
– Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós... 
Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a ideia. – As crianças brigariam o tempo todo. 
[40] Novamente a amiga tinha razão. Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer 
motivo, ciúme doentio de tudo. O que sombreava o relacionamento dos casais. 
– Pelo menos podíamos morar mais perto, [45] então. 
Se o marido estivesse em casa, seria obrigada a assistir à televisão, ........, ele mal 
chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem [50] 
múmia diante do aparelho – levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 62 
limonada. ........ todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz 
alta. 
[55] – Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, 
de como se modificam as personalidades longe dos pais. 
Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores contos brasileiros 
do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441. 
 
O texto apresenta sentimentos de admiração de Ema por sua amiga Bárbara. Esses 
sentimentos transparecem na relação entre palavras. 
Assinale a alternativa em que a reunião de advérbios e adjetivo expressa esse sentido de 
admiração de Ema por sua amiga. 
a) amiga experiente (l. 16). 
b) muito mais sábia (l. 18). 
c) valorizava o perfil privilegiado (l. 20). 
d) cabelos soltos (l. 31). 
e) Novamente [...] tinha razão (l. 40). 
 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque a relação nessa construção é a de um substantivo, 
“amiga” e um adjetivo “experiente”. Perceba que o enunciado pede um adjetivo que seja 
modificado por um advérbio, como encontramos na alternativa B. 
A alternativa B está correta, porque o vocábulo “muito” e o vocábulo “mais” são 
advérbios que podem modificar advérbios, adjetivos e verbos. Como intensifica o adjetivo 
“sábia”, temos a resposta ao enunciado da questão. 
A alternativa C está incorreta, porque não há relação entre advérbio e adjetivo, possível 
na gramática.O que temos é uma relação de adjetivo e substantivo, privilegiado e perfil, de 
forma respectiva. 
A alternativa D está incorreta, porque, nesse enunciado, temos a relação entre um 
substantivo e um adjetivo. Cabelos é um substantivo e soltos é um adjetivo. Logo, não temos 
a relação pedida no enunciado da questão. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 63 
A alternativa E está incorreta, porque não há conjugação entre adjetivo e advérbio 
nesse trecho. O que temos é um advérbio se relacionando com o próprio verbo, como é 
comum. 
Gabarito: B 
10. (PUC.PR/2018) 
Leia a seguir. 
 
Em ortografia, a noção de certo ou errado é regida por lei, que prescreve a correta escrita de 
nossas palavras. 
Assim, sobre a correção ortográfica do segundo quadrinho da tirinha, assinale a alternativa 
CORRETA. 
a) “Bom” e “bem” são intercambiáveis nesse contexto, já que pertencem à mesma classe 
gramatical e têm o mesmo sentido. No entanto, “mau” seria a escolha certa por se tratar de 
um adjetivo no contexto criado. 
b) O emprego do artigo definido contraído com “em” em “no” substantiva “bom” e “mal”, o 
que implica a opcionalidade da escrita de “mal” ou “mau”, sem alteração semântica ou 
incorreção gramatical. 
c) Se entendermos que “no bom” traz elíptico o substantivo “colesterol”, a ortografia de “mal” 
deveria ser corrigida para “mau”, porque essa palavra seria, assim como “bom”, um adjetivo. 
d) Estaria correto o período se “mal” fosse substituído por “mau”, assim haveria dois 
substantivos em perfeito paralelo gramatical e o novo sentido dado pelo personagem a “bom” 
e “mau” seria garantido. 
e) A grafia de “bom” e “mal” está correta, já que aquele funciona como um adjetivo, e este 
funciona como um substantivo no período em questão, não havendo necessidade de 
paralelismo. 
 
 
 
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Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque não temos uma intercambialidade entre bom e 
bem, dado que o primeiro é um adjetivo e o segundo, um advérbio. Notem que realmente 
“mau” seria a construção correta para o contexto, dado que modifica um nome. 
A alternativa B está incorreta, porque realmente há uma substantivação no caso, 
causada pelo uso do artigo “o” na contração. Essa parte do item está perfeita. Contudo, não 
há opcionalidade nesse caso. Perceba que não é o fato de serem substantivos que fazem com 
que tenhamos a possibilidade de usar qualquer um dos dois. No contexto, teríamos a 
construção bem e mal. 
A alternativa C está correta, porque realmente temos a ideia de que o “bom” refere-se 
a colesterol, forçando a ideia de que há necessidade de construção como um adjetivo “mau”, 
para manter a lógica do trecho, com modificação do substantivo. 
A alternativa D está incorreta, porque a substituição, no contexto, necessitaria ser dupla: 
o colesterol realmente seria bom e mau, mas o dualismo deveria ser bem e mal, dado que 
modificar-se-ia o significado no contexto. Além disso, as palavras “bom” e “mau” são adjetivos 
e não substantivos. 
A alternativa E está incorreta, porque o dualismo seria “bom” e “mau”, uma vez que se 
refere ao colesterol. É interessante notar que temos uma relação de erro comum na ortografia 
desses elementos. Além disso, “mal” não é um substantivo, mas um advérbio. 
Gabarito: C 
11. (UFRR/2018) 
Leia o texto abaixo e responda à questão. 
 
UM APÓLOGO 
Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: 
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale 
alguma cousa neste mundo? 
— Deixe-me, senhora. 
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? 
Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. 
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. 
Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida 
e deixe a dos outros. 
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— Mas você é orgulhosa. 
— Decerto que sou. 
— Mas por quê? 
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, 
senão eu? 
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou 
eu e muito eu? 
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição 
aos babados... 
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que 
vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando... 
— Também os batedores vão adiante do imperador. 
— Você é imperador? 
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai 
só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, 
ajunto... 
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que 
isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar 
atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a 
linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, 
que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — 
para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha: 
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta 
costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, 
furando abaixo e acima... 
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, 
silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, 
vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na 
saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plicplic da agulha no pano. Caindo o sol, 
a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que 
no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. 
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, 
levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto 
compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, 
alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe: 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 66 
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte 
do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você 
volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá. 
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor 
experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da 
vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para 
ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: 
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! 
ASSIS, Machado de. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. São Paulo: Ática, 1984. 
 
No trecho: “Esta agora é melhor”, e no trecho “... um alfinete, de cabeça grande e não menor 
experiência...”, as palavras destacadas são adjetivos expressos na gradação ou grau: 
a) superlativo absoluto sintético e superlativo absoluto analítico, respectivamente. 
b) comparativo de inferioridade. 
c) comparativo de superioridade e comparativo de inferioridade, respectivamente. 
d) superlativo relativo de superioridade. 
e) comparativo de superioridade 
 
Comentário: 
Temos, nesse caso,o uso do comparativo de superioridade. No primeiro caso, essa 
utilização fica clara, dado que utilizamos a fórmula “melhor”, que indica claramente a noção 
de superioridade. No caso do uso de “menor”, nesse caso, apresenta-se também como 
comparativo de superioridade, dado que há a construção com o advérbio “não”, indicando 
que “não menor experiência” terá valor de “maior experiência”. O pega dessa questão está 
exatamente na construção do “menor”, normalmente ligado à inferioridade, como indicação 
de superioridade. Entendemos, assim, que a alternativa C se comporta como a principal 
distratora dessa questão. 
Gabarito: E 
12. (Inédita – Wagner Santos) 
Assinale a alternativa em que o elemento “que” é classificado como um pronome relativo. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 67 
a) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável?” 
b) “Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.” 
c) “Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?” 
d) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o 
caminho (...)” 
e) “Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, 
entre os dedos da costureira (...)” 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque nesse caso o “que” é uma conjunção integrante, 
que introduz uma oração subordinada substantiva (explicaremos melhor na próxima aula). 
Contudo, você já consegue resolver percebendo que não é um pronome, dado que não 
substitui nenhum elemento anterior. 
A alternativa B está incorreta, porque nesse caso o “que” é uma conjunção integrante, 
que introduz uma oração subordinada substantiva (explicaremos melhor na próxima aula). 
Contudo, você já consegue resolver percebendo que não é um pronome, dado que não 
substitui nenhum elemento anterior. 
A alternativa C está incorreta, porque a expressão “é que” é uma expressão expletiva, 
que pode ser retirada sem problemas do enunciado sem que se percam significados ou 
sintaxe. 
A alternativa D está incorreta, porque nesse caso o “que” é uma conjunção integrante, 
que introduz uma oração subordinada substantiva (explicaremos melhor na próxima aula). 
Contudo, você já consegue resolver percebendo que não é um pronome, dado que não 
substitui nenhum elemento anterior. 
A alternativa E está correta, porque o elemento “que” apresenta-se como um pronome 
relativo, dado que substitui a palavra “pano”, que a precede, indicando um comentário acerca 
dessa construção. 
Gabarito: E 
13. (Inédita – Wagner Santos) 
Em qual das alternativas a seguir o elemento em destaque deve ser classificado como um 
pronome demonstrativo? 
a) “— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?” 
b) “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha (...)” 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 68 
c) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante (...)” 
d) “— Também os batedores vão adiante do imperador.” 
e) “Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.” 
 
Comentário: 
A alternativa A está correta, porque o “o” da contração apresenta-se com valor de 
“aquilo”, caracterizando-se, assim, como um pronome demonstrativo. Essa relação é essencial 
para a compreensão dessa diferença: faça a troca entre os elementos para poder saber a 
classificação. 
A alternativa B está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido que 
se relaciona com o substantivo “pano”. Não é um pronome demonstrativo. 
A alternativa C está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido 
que se relaciona com o substantivo “verdade”. Não é um pronome demonstrativo. 
A alternativa D está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido 
que se relaciona com o substantivo “batedores”. Não é um pronome demonstrativo. 
A alternativa E está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido que 
se relaciona com o substantivo “vida”. Não é um pronome demonstrativo. 
Gabarito: A 
14. (Inédita – Wagner Santos) 
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? 
Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. 
 
Os elementos em destaque no trecho acima retomam a ideia de 
a) alfinete, por meio de retomada anafórica. 
b) coisa, por meio de retomada catafórica. 
c) senhora, por meio de retomada catafórica. 
d) linha, por meio de retomada anafórica. 
e) agulha, com uma retomada anafórica. 
 
Comentário: 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 69 
Há, entre os pronomes, duas formas de relação que são necessárias para a resposta de 
muitos exercícios: a relação anafórica, em que o pronome se refere a termo anterior; e a 
catafórica, em que a relação se dá com termo posterior, como em “Nós, os brasileiros, estamos 
fadados ao sofrimento”. No caso da questão, percebe-se que os dois pronomes pessoais se 
referem a termos anteriores a eles, no caso, ao substantivo “agulha”. Essa relação necessita do 
texto para ser composta e resolvida. 
Gabarito: E 
15. (Inédita – Wagner Santos) 
Em qual das alternativas a seguir o pronome em destaque tem valor de posse? 
a) “Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.” 
b) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que 
me der na cabeça.” 
c) “— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do 
vestido e da elegância?” 
d) “— Deixe-me, senhora.” 
e) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque o pronome em destaque apresenta-se como 
referência a “a mim”, funcionando como um modificador do verbo, um complemento, no caso, 
e não com valor de posse, que precisaria se referir a termo substantivo. 
A alternativa B está correta, porque a ideia de “me der na cabeça” tem a significação de 
“der na minha cabeça”, indicando que funciona como modificador do nome cabeça, 
indicando a quem ela pertence. 
A alternativa C está incorreta, porque o pronome em destaque apresenta-se como 
referência a “a mim”, funcionando como um modificador do verbo, um complemento, no caso, 
e não com valor de posse, que precisaria se referir a termo substantivo. 
A alternativa D está incorreta, porque o pronome em destaque é um pronome que faz 
parte do verbo e não apresenta a relação de posse com nenhum nome. É interessante notar 
que a noção de posse se dá em relação, sempre, a um nome e nunca a um verbo. 
A alternativa E está incorreta, porque o pronome em destaque apresenta-se como 
referência a “a mim”, funcionando como um modificador do verbo, um complemento, no caso, 
e não com valor de posse, que precisaria se referir a termo substantivo. 
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Gabarito: B 
 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 71 
16. (Inédita – Wagner Santos) 
Em qual das alternativas a seguir os elementos em destaque são classificados, todos, como 
pronomes? 
a) “A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar 
algum ponto necessário.” 
b) “Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha 
da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?” 
c) “Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na 
caixinha de costura.” 
d) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. 
e) “— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!” 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta,porque, ainda que os elementos “que” e “algum” sejam 
pronomes, o elemento “a” funciona como uma preposição e não como pronome. 
A alternativa B está incorreta, porque, ainda que os elementos “quem” e “você” sejam 
pronomes, o elemento “que” funciona como uma conjunção e não como pronome. 
A alternativa C está incorreta, porque, ainda que o “te” e o “ela” sejam pronomes, o 
elemento “que” não substitui nenhuma palavra, fazendo com que tenhamos a classificação de 
conjunção. Relembro que, mesmo sem termos estudado as conjunções, é importante destacar 
que a substituição é essencial. 
A alternativa D está correta, porque “esta”, “que” e “me” são elementos com valor 
pronominal no trecho. O “que”, que pode causar maiores dificuldades, é classificado como 
um pronome relativo. 
A alternativa E está incorreta, porque, ainda que o elemento “eu” seja pronome, o 
elemento “a” funciona como uma preposição e não como pronome. 
Gabarito: D 
17. (EFOMM/2019) 
Como Dizia Meu Pai 
(...) Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, 
a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, 
egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá 
de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos guardavam 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 72 
zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para 
ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, passava a mão no 
chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. 
Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre 
de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas 
que o paizinho nunca deixava de trazer. 
Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de 
descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária 
habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. 
Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um 
alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de 
parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. 
Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora 
ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio 
passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, aliás, 
acontece até hoje. 
Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de 
paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento. 
— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem. 
Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que 
não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade 
não poder prevalecer sobre a vontade de Deus – embora jamais fosse assim eloquente em 
suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo 
ante as esperanças vãs: 
— O que não tem solução, solucionado está. 
E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar 
isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: 
se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada 
para isso, espere, que mudará por si. [...] 
SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. 
Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado) 
 
Com base no texto, responda à questão que se segue. 
Assinale a opção em que a flexão de grau do substantivo destacado é utilizada exclusivamente 
para pôr em primeiro plano uma linguagem que demonstra valor afetivo. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 73 
a) “Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como 
namorados, trocando notícias do dia.” (9°§) 
b) “Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, 
embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta.” 
(10°§) 
c) “Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, 
a bucha de uma torneira, um fusível queimado.” (10°§) 
d) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir 
pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde [...].” (9°§) 
e) “Se acaso ainda estivermos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o 
paizinho nunca deixava de trazer.” (9°§) 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque “palhinas”, nesse caso, apresenta valor de um 
pequenas palhas mesmo, palhas diminutas. Não temos, assim, relação de afetividade entre o 
emissor e o termo em questão. 
A alternativa B está incorreta, porque “pecinhas”, nesse caso, apresenta valor de um 
pequenas peças mesmo, peças diminutas. Não temos, assim, relação de afetividade entre o 
emissor e o termo em questão. 
A alternativa C está incorreta, porque “pequenos consertos”, nesse caso, apresenta 
valor de pequenos consertos mesmo. Não temos, assim, relação de afetividade entre o 
emissor e o termo em questão. 
A alternativa D está correta, porque “paizinho”, ao lermos o texto, apresenta claro valor 
de afetividade, tanto que o narrador apresenta a noção de que ele era assim chamado por ser 
um homem de quem gostavam. Não temos, então, o valor de um pai pequeno, que poderia 
acontecer em outros contextos. 
A alternativa E está incorreta, porque “saquinho”, nesse caso, apresenta valor de um 
pequeno saco mesmo. Não temos, assim, relação de afetividade entre o emissor e o termo em 
questão. 
Gabarito: D 
18. (Inédita – Wagner Santos) 
Assinale a alternativa em que há uma locução adjetiva. 
a) “Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não 
se poderia fugir.” 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 74 
b) “Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia 
sempre de bonde.” 
c) “O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas.” 
d) “— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.” 
e) “E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.” 
 
Comentário: 
A alternativa A está correta, porque “de uma fatalidade” funciona como locução adjetiva 
que complementa o significado do termo “diante”. Essa é a única construção, dentre os 
trechos, que funciona como uma locução adjetiva. 
A alternativa B está incorreta, porque, ainda que tenhamos duas construções de 
locução, em “a pé” e “até o centro”, ambas se comportam como elementos ligados a verbo e, 
por isso, são locuções adverbiais e não adjetivas. 
A alternativa C está incorreta, porque não há, nessa construção, nenhuma forma de 
construção de locução, nem adjetiva, nem adverbial. 
A alternativa D está incorreta, porque não há, nessa construção, nenhuma forma de 
construção de locução, nem adjetiva, nem adverbial. 
A alternativa E está incorreta, porque não há, nessa construção, nenhuma forma de 
construção de locução, nem adjetiva, nem adverbial. 
Gabarito: A 
19. (Inédita – Wagner Santos) 
No português, é comum encontrarmos elementos que funcionam de formas distintas, ainda 
que com a mesma grafia. Assinale, assim, a alternativa em que o elemento em destaque não 
se apresenta com valor possessivo. 
a) “Queriadizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder 
prevalecer sobre a vontade de Deus (...)” 
b) “(...) hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando.” 
c) “Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à 
disposição de cada um (...)” 
d) “(...) a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da 
tarde (...)” 
e) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho (...)” 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 75 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de 
pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. 
A alternativa B está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de 
pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. 
A alternativa C está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de 
pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. 
A alternativa D está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de 
pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. 
A alternativa E está correta, porque o “seu”, diante do nome “Domingos” apresenta-se 
como uma redução do pronome “senhor”, muito usual no português brasileiro. Poderíamos, 
assim, classificar o termo em destaque como um pronome de tratamento e não possessivo. 
Dessa forma, entendemos que não apresenta valor possessivo, servindo como resposta à 
questão. 
Gabarito: E 
20. (Unimontes/2019) 
Crianças, crueldade e Justiça 
Bullying é o comportamento agressivo, intencional e repetido contra alguém por conta 
de alguma característica ou situação peculiar. É um desequilíbrio de poder que afeta 
sobretudo crianças e adolescentes em escolas e em outros ambientes de convivência, mas 
que também inferniza a vida de adultos. 
Por alguma razão psicológica, pessoas sentem prazer em humilhar, provocar 
sofrimento. Reunidas, [5] multiplicam agressões verbais ou físicas contra quem se destaca pela 
diferença: obesidade, altura, pele, nariz, timidez, roupa. Filiação, raça, falta de habilidade para 
o esporte, aplicação nos estudos ou dificuldade de aprendizado também dão origem a maus-
tratos, isolamento e depressão. 
A internet amplia seus efeitos. 
CARVALHO FILHO, Luis Francisco. Crianças, crueldade e Justiça. Folha de S. Paulo. Cotidiano, 1.º ago. 2015, 
B2. Adaptado. 
 
“A internet amplia seus efeitos.” (linha 8) 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 76 
Em destaque nesse trecho, o pronome, de acordo com os encadeamentos das ideias no texto, 
reporta-se a 
a) razão psicológica. 
b) Justiça. 
c) internet. 
d) bullying. 
 
Comentário: 
A leitura atenta do texto nos leva à percepção de que o pronome em questão se refere 
ao vocábulo “Bullying” e não se refere à palavra “internet”, como poderia parecer a partir de 
uma leitura mais superficial. Dessa forma, a única resposta possível para essa questão é, 
exatamente, a alternativa D. 
Gabarito: D 
21. (Unimontes/2019) 
Breve discurso sobre a cultura 
Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e matizes. Durante 
muitos séculos foi um conceito inseparável da religião e do conhecimento teológico; na 
Grécia, esteve marcada pela Filosofia e, em Roma, pelo Direito, enquanto no Renascimento 
foi conformada sobretudo pela literatura e pelas artes. Em épocas mais recentes, como no 
Iluminismo, foram a ciência e os grandes descobrimentos científicos que deram o principal 
viés à [5] ideia de cultura. Mas, apesar destas variantes e até a nossa época, cultura, segundo 
um amplo consenso social, sempre significou uma soma de fatores e de disciplinas que a 
constituíam e eram por sua vez implicadas por ela; a reivindicação de um patrimônio de ideias, 
valores e obras de arte; de alguns conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos 
em constante evolução; e o incentivo à exploração de novas formas artísticas e literárias, e da 
investigação em todos os campos do saber. 
A cultura estabeleceu sempre uma hierarquia social, distinguindo entre aqueles que a 
cultivavam, enriqueciam com contribuições diversas e faziam progredir, e aqueles que não se 
ocupavam dela, a desprezavam ou a ignoravam, ou estavam excluídos dela por razões sociais 
e econômicas. Em todas as épocas históricas e até a nossa, em qualquer sociedade concreta 
havia pessoas cultas e incultas e, entre esses dois extremos, pessoas mais ou menos cultas ou 
mais ou menos incultas. Ao mesmo tempo, essa classificação estava bastante clara para todo 
o [15] mundo porque valia para todos um mesmo sistema de valores, de critérios culturais e 
de maneiras de pensar, de julgar e de comportar-se. 
ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos 
 
 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 77 
Em nosso tempo tudo isso mudou. A noção de cultura estendeu-se tanto que, embora 
ninguém se atreva a reconhecê-la de maneira explícita, se desvaneceu. Transformou-se num 
fantasma inapreensível, multitudinário e metafórico. Porque já ninguém é culto se todos creem 
sê-lo, ou então se o conteúdo daquilo a que chamamos cultura [20] foi de tal maneira 
deformado que todos podem justificadamente crer que o são. 
LLOSA, Mário Vargas. Breve discurso sobre a cultura. In: MACHADO, Cassiano Elek (org.). Pensar a cultura. 
Porto Alegre: Arquipélago, 2013. p. 12-13. 
 
Considerando o trecho “Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e 
matizes.” (linha 1), esse operador verbal em destaque 
a) pode ser substituído por “teria”, devido ao fato de não se conseguir definir esses “[...] 
significados e matizes [...]”, pela sua variedade. 
b) seria igualmente substituído por “tem”, pelo teor de apresentação histórica de um fato. 
c) propicia ao interlocutor a crença de que a noção de cultura que se tinha ainda se mantém. 
d) representa um fato que pôde ser constatado em relação à cultura, no passado. 
 
Comentário: 
A alternativa A está incorreta, porque a noção de “teria” apresenta uma leitura de 
hipótese, de possibilidade e não de certeza, como ocorre com o uso do “teve”, que indica que 
realmente houve relação diferente no tempo. 
A alternativa B está incorreta, porque o uso do presente demonstraria imutabilidade 
com relação ao que se pensava. Na realidade, como percebemos, houve modificação 
marcada exatamente pelo uso desse tempo verbal. 
A alternativa C está incorreta, porque a noção do pretérito indica que as ideias com 
relação à cultura foram sendo modificadas com o passar do tempo, demonstrando que não 
mais temos a relação do que se pensava no passado. 
A alternativa D está correta, porque o uso do indicativo apresenta a noção de um fato 
certo, que, como afirma a alternativa, pôde ser constatado em relação à cultura, que se 
modifica com o passar do tempo. 
Gabarito: D 
22. (UFPR/2018) 
TV a Serviço da Tecnologia e do Racismo 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 78 
Os meios de comunicação, todos eles, têm sido braço direito e esquerdo da 
propagação das tecnologias da estrutura racista. Isso é uma verdade que se pode confirmar 
com absoluta facilidade em todos os veículos de comunicação disponíveis, em especial a 
televisão. 
O poderoso e influente jornalista Assis Chateaubriand foi o responsável pela primeira 
transmissão televisiva no Brasil, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi, em São Paulo. No 
ano seguinte, seria a vez de o Rio de Janeiro ser contemplado com essa novíssima ferramenta, 
viabilizada por recursos importados dos Estados Unidos. O Brasil, então, passou a ser o quarto 
país do mundo a operar esse tipo de veículo,ficando atrás apenas da Inglaterra, França e dos 
próprios Estados Unidos. O país seguia pouco mais de meio século de pós-abolição. Uma pós-
abolição que ora tentava se livrar das sobras humanas, cuja exploração explícita já não era 
mais permitida pela lei, ora se valia da fragilidade dessas sobras vivas para prosseguir com os 
acúmulos de riqueza construída à custa da exploração histórica e não reparada. [...] 
(Joice Beth, Le Monde Diplomatique Brasil, junho/2017, p. 38. Adaptado.) 
 
Com relação à palavra “sobras” citada na última frase do texto, é correto afirmar que refere: 
a) os recursos humanos da TV. 
b) os negros pós-abolição. 
c) a sociedade manipulada pela TV. 
d) os profissionais da tecnologia televisiva. 
e) os líderes abolicionistas. 
 
Comentário: 
Ao lermos o texto de forma mais atenta, nota-se que o uso do substantivo “sobras”, ao 
ligar-se à noção do adjetivo “humanas”, faz referência clara àqueles que eram tratados de 
forma menos humanas, ou seja, se refere aos negros no momento posterior à abolição. A ideia 
é exatamente a de que, como não houve planejamento suficiente para a libertação dos 
escravos, esses sobraram em meio à sociedade. 
Gabarito: B 
23. (IFSulDeMinas/2018.2) 
O gênero da ciência ou sobre silêncios e temores em torno de uma epistemologia 
feminista 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 79 
“Elas recebem menos convites para avaliar o trabalho de seus pares. E meninas se veem 
como menos brilhantes desde os 6 anos”. Editoria de Ciências – El País 
[1] A notícia saiu no início de 2017, trazendo dados de duas pesquisas científicas sobre 
o alijamento de mulheres do campo de investigações acadêmicas. A reportagem é ilustrada 
pela foto de divulgação do hollywoodiano "Estrelas além do tempo". Naquele filme, racismo, 
sexismo, machismo e conservadorismo político se juntam à alta tecnologia beligerante da 
Guerra Fria. Nada mais representativo do mundo das ciências. O mundo [5] que tem a razão 
como seu alicerce. A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o 
comportamento masculino. Homem => razão => civilização => branquitude => ciência => 
verdade. Equação que não apareceu nos infindos cálculos das protagonistas do filme, mas 
que definiu calculadamente o silêncio que se instituiria sobre a participação crucial daquelas 
mulheres na “corrida espacial”. 
Mais de meio século separam "Estrelas além do tempo" e a matéria do jornal El País. 
Neste ínterim, [10] sociedades de matriz ocidental assistiram ao crescimento dos movimentos 
identitários, dentre estes, o movimento feminista, manifestado em diferentes correntes 
políticas e de luta, mas com um elemento em comum: contestar o lugar naturalizado de 
opressão que justificava politicamente a desigualdade entre homens e mulheres. Naquele 
momento ainda não se falava em gênero como categoria de análise social. Mesmo no campo 
dos estudos feministas, trabalhava-se muito mais com a categoria “mulher”. 
[15] Mais recentemente [...] as feministas começaram a utilizar a palavra “gênero” mais 
seriamente, no sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da 
relação entre os sexos [...] Historicizar o uso de um termo com a potência política e 
contestatória da categoria gênero é importante para que entendamos por que, no presente, 
estamos assistindo a um recrudescimento conservador que procura realocar no campo da 
natureza as desigualdades sociais. [...] 
[20] Pensar em gênero por esse prisma é ampliar para além do corpo, da anatomia e 
do biológico as experiências femininas e masculinas, percebendo que construímos nosso 
gênero de forma relacional, ou seja, nas relações sociais, as quais abarcam as instituições 
pedagogizantes (família, escola, igrejas), de forma que somos orientadas e orientados pelos 
valores hegemônicos de cada tempo e lugar, sejam para reiterar esses valores ou para 
enfrentá-los. 
[25] Uma das maneiras de se fazer esses enfrentamentos passa, justamente, pela forma 
de se construir conhecimento, quer dizer, propor outras maneiras de se pensar o mundo, as 
relações humanas e, assim, de fazer ciência. Esse lugar assegurado de produção de verdades 
passa a ser contestado pelos discursos feministas. [...] 
O potencial iconoclasta do conceito de gênero se evidencia desde os escritos seminais 
de Simone de [30] Beauvoir, ainda que ela não tenha se valido dele para denunciar a ciência 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 80 
como um discurso masculinista. Discurso este que construiu “a representação do mundo, 
como o próprio mundo (…). Eles [os homens] os descrevem do ponto de vista que lhes é 
peculiar e que confundem com a verdade absoluta”. De forma que esses enunciados, de 
verdade, legitimaram posições de senso comum que colocam, até o presente, as mulheres 
como incomensuravelmente distintas dos homens, como seu “outro”, exterior e inferior a eles 
mesmos. [...] 
[35] Os homens criam os mitos da cultura ocidental e, entre estes, está o mito da Mulher, 
acompanhado também pela mitologia comum das “figuras masculinas convencionais”. Assim, 
a humanidade é dividida em duas classes, criando-se, como diz Beauvoir, um tipo de “conceito 
platônico” da noção de Mulher – uma Ideia ou Verdade transcendental imutável: “Assim, à 
existência dispersa, contingente e múltipla das mulheres, o pensamento mítico opõe o Eterno 
Feminino único e cristalizado”. Esse mito é fruto de relações de poder e se [40] constrói para 
servi-las, pois como afirma Beauvoir de forma contundente: “Poucos mitos foram mais 
vantajosos do que esse para a casta dominante: justifica todos os privilégios e autoriza mesmo 
abusar deles”. 
O que os feminismos, em suas distintas expressões políticas, vêm propondo é 
altamente desestabilizador do status quo. Se a ciência tem se constituído como o discurso 
hegemônico do ocidente para propor soluções, articular análises sobre fenômenos diversos 
e instituir verdades sobre o mundo, entende-se que enfrentar [45] criticamente essas 
verdades, denunciando seus vícios de origem e suas lacunas silenciadoras, desestabiliza 
privilégios, mas, mais que isso, exige que desenvolvamos outro vocabulário para falar do 
presente. 
Fonte: http://www.aulete.com.br/. Acesso em: 02 abr. 2018. 
 
Considerando a leitura integral do texto, assinale a alternativa correta: 
a) Em “[...] somos orientadas e orientados pelos valores hegemônicos de cada tempo e lugar, 
sejam para reiterar esses valores ou para enfrentá-los” [linhas 23 e 24], o pronome “los” retoma 
a expressão “valores hegemônicos”. 
b) No trecho “A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o 
comportamento masculino”, a palavra “qualidade” refere-se ao termo “ciências” [linhas 05 e 
06]. 
c) O trecho “mas com um elemento em comum” [linhas 11 e 12], introduz uma semelhança 
existente entre o filme "Estrelas além do tempo" e a matéria publicada no jornal “El País”. 
d) Em “De forma que esses enunciados, de verdade, legitimaram posições de senso comum 
[...]” [linhas 32 e 33], a expressão “de verdade” poderia ser substituída, sem prejuízo de 
sentido, pelo advérbio “possivelmente”. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 81 
 
Comentário: 
A alternativa A está correta, porque, como o texto apresenta-se bastante crítico aos 
pensamentos arraigados na sociedade, percebe-se que os “valores hegemônicos”, aqueles 
que não são abertos à diversidade, segundo o texto. Dessa forma, o enfrentamento, quando 
necessário, é exatamente a esses valores, fazendo com que tenhamos a noção do “los” 
substituindo essa expressão nominal. 
A alternativa B está incorreta, porque a palavra “qualidade” refere-se, de maneira 
anafórica, à noção de razão, a qual aparece no períodoimediatamente anterior. 
A alternativa C está incorreta, porque a ideia é a de que há um elemento em comum 
nas situações abordadas nos dois textos, não entre os dois textos. É uma referência diferente 
do que parece. 
A alternativa D está incorreta, porque a leitura de “possivelmente” apresenta noção de 
possibilidade e não relação com a certeza, como apresenta a expressão adverbial “de 
verdade”. Não se esqueça de que essas relações são significativas dentro de um texto e o 
contexto deve ser considerado. 
Gabarito: A 
24. (CUSC/2018) 
Pronomes relativos são úteis para que se evitem repetições e para tornar o texto mais claro, 
coeso e conciso. Podem vir ou não acompanhados de preposições. Observe a utilização dos 
pronomes relativos sublinhados no texto abaixo: 
“A leitura é muito importante para desenvolver nossas habilidades, em vários aspectos, como 
o aprimoramento da escrita, por exemplo. Ler deve se tornar uma prática agradável, na qual 
devemos mergulhar no decorrer de nossa vida. 
A aquisição deste precioso hábito pode se dar, a princípio, por meio de leituras que nos 
agradem e, a partir de determinado estágio, seremos bons leitores de diversos e variados 
gêneros textuais. 
O hábito de que tratamos pode e deve ser estimulado desde a infância, porém nunca é tarde 
demais para se começar a ler!” 
 
Assinale a alternativa em que os pronomes relativos poderiam substituir os que estão 
sublinhados no texto: 
a) em que, cujas, que. 
b) que, em que, dos quais. 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 82 
c) a qual, a que, onde. 
d) em que, as quais, do qual. 
e) aonde, as quais, do que. 
 
Comentário: 
Essa é uma questão que versa acerca do uso dos pronomes relativos em um 
determinado contexto, sendo possível a substituição por outros elementos. Vamos a eles: 
• O primeiro elemento deve ser substituído por “em que”, elemento neutro que 
consegue se referir a elemento feminino. 
• O segundo elemento, por referir-se a palavra feminina no plural, pode ser 
substituído por “as quais”, mantendo-se concordância necessária. 
• O terceiro elemento, por referir-se a palavra masculina no singular, pode ser 
substituído por “do qual”, mantendo-se concordância necessária. 
Gabarito: D 
25. (IFRN/2018.2) 
Apesar disso, algumas publicações internacionais começaram o ano do Mundial 
apontando o aumento dos preços de alguns serviços oferecidos pela Rússia durante o evento: 
o próprio jornal "Moscow Times" publicou, em janeiro, que os valores dos hotéis na capital 
podem aumentar em até cinco vezes para hospedagens em junho. Ainda segundo a 
publicação, a Agência Federal de Turismo russa publicou uma lista de 41 estabelecimentos 
QUE já estão praticando preços abusivos. 
 
O uso da expressão verbal “ESTÃO PRATICANDO” indica que a ação está 
a) inviabilizada. 
b) concluída. 
c) em repetição. 
d) em processo. 
 
Comentário: 
A relação da locução verbal em questão é a de uma ação que está em processo, dado 
que temos o uso do gerúndio como indicador de ação iniciada no passado, mas que ainda 
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 AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 83 
permanece em processo. Essa, como veremos posteriormente, é uma das formas de uso do 
gerúndio mais comuns no português brasileiro. 
Gabarito: D 
 
6 Considerações Finais das Aulas 
Meus jovens, na próxima aula, teremos a continuidade das classes gramaticais. 
Faça os exercícios e atente-se à necessidade que teremos de colocar em prática esses 
pensamentos com relação à sintaxe. 
Bora que só bora e um excelente estudo para vocês! 
 
 Professor Wagner 
Santos 
@wagnerliteratura 
@profwagnersantos 
 
Folha de versão: 20/12/2021

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