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ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 1 Unicamp Exasiu Exasiu EXTENSIVO Aula 03 - Morfologia - Classes de palavras - Classes Variáveis Prof. Wagner Santos ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 2 Sumário INTRODUÇÃO 3 1 CLASSES MORFOLÓGICAS DO PORTUGUÊS 3 2 CLASSES VARIÁVEIS 6 2.1 Substantivo 7 2.2 Adjetivo 12 2.3 Artigo 16 2.4 Numeral 18 2.5 Pronome 20 Pronomes pessoais 21 Pronomes possessivos 24 Pronomes demonstrativos 25 Pronomes relativos 26 Pronomes interrogativos 27 Pronomes indefinidos 28 2.6 Verbo 29 3 EXERCÍCIOS 32 4 GABARITO 50 5 QUESTÕES RESOLVIDAS E COMENTADAS 51 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS DAS AULAS 83 Prof. Wagner Santos 27 de abril de 2021 ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 3 Introdução E aí, Bolas de Fogo? Na aula de hoje, vamos começar a falar sobre a Morfologia do Português, não mais com relação à formação das palavras, mas agora com relação ao encaixe dessas palavras nas chamadas classes gramaticais. Pode ser que, em seu exame, não tenhamos uma cobrança tão profunda com relação à classificação morfológica das palavras, contudo, é interessante que tenhamos esse conteúdo fixado em nossa cabeça, pois ele é essencial para uma série de outros conteúdos, como a análise sintática no período simples e a relação entre as orações, dado que temos conectivos e afins que se relacionam com esses outros momentos. Na aula de hoje, teremos: • Separação morfológica das palavras; • Critérios relacionados à variação ou não de uma classe; • Classes variáveis. Já adianto a vocês que, como veremos os verbos de forma mais profunda na aula 06, aqui só falaremos um pouco sobre eles, apresentando as características mais gerais sobre eles, deixando a profundidade para a aula específica para essa classe. Não se preocupe que veremos tudo o que precisamos. Bora que só bora, bolas de fogo! 1 Classes morfológicas do português A separação em classes morfológicas, também chamadas de classes de palavras, se dá por uma necessidade de agruparmos as palavras que apresentam as mesmas características e que poderão, de forma geral, desempenhar as mesmas funções sintáticas na organização dos enunciados. Por isso, podemos dizer que a relação entre morfologia e sintaxe é muito mais profunda do que normalmente pensamos, ainda que não analisemos a ideia de morfossintaxe, mas isso é assunto para aulas que ainda virão. Hoje, precisamos entender como montamos essas classes. Vamos aos critérios que utilizamos para isso. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 4 Para que vocês possam entender melhor a arte logo acima, é interessante pensarmos da seguinte forma: as palavras de uma determinada classe desempenharão funções sintáticas típicas daquela classe. Por exemplo, não poderemos ter um advérbio desempenhando a função sintática de sujeito, assim como não teremos um substantivo sendo um adjunto adverbial (salvo em uma locução). O segundo critério está relacionado diretamente à formação das palavras, por isso que ele fala sobre “forma”, dado que não poderemos ter uma palavra terminada em “-eiro”, por exemplo, desempenhando a função de um verbo. Por fim, a ideia mais geral dos significados se liga, por exemplo, à necessidade que temos de um substantivo nomear elementos e um verbo ter significação de ação ou de estado. São critérios simples, mas que nos auxiliam a entender como montaremos essas classes. Inclusive, aqui, vale uma relação com a teoria dos conjuntos, da nossa querida Matemática: colocaremos, dentro de uma classe, que podemos entender como um conjunto, as palavras que apresentarem as mesmas características, como acontece, por exemplo, com o conjunto dos números reais. Sacaram a relação, meninos? São dez classes de palavras em português e, diferente do que muitas vezes pensamos, elas não necessariamente existem em todas as línguas. Os estudiosos indicam, inclusive, que somente o substantivo e o verbo são constantes em todas as línguas conhecidas, sendo esse um princípio “universal” das línguas naturais. Vejamos, antes de entrarmos nas classes que analisaremos nessa aula de forma mais profunda, as dez classes e seus critérios como classes. Ainda temos mais seis classes a serem resumidas para vocês, contudo, sempre acho interessante destacar que essa é só uma introdução ao pensamento morfológico com relação ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 5 aos vocábulos do português. Repare, inclusive, no seguinte: a morfologia, como você já pôde perceber, não está ligada somente às palavras, mas à significação delas e suas funções sintáticas dentro dos contextos. Sigamos na nossa saga das classes, para podermos entrar logo na construção de significados. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 6 Pronto, Bolas de fogo! Fechamos a nossa pequena relação das dez classes gramaticais. Reforço que logo as aprofundaremos, mas agora vocês já sabem com o que estão lidando. Perceba que tentei construir elementos semânticos, sintáticos e morfológicos. É interessante notar, ainda, que temos uma construção de valores muito importantes para as relações sintáticas. Saber bem a parte morfológica, assim como saber bem a parte sintática se completam. Outro conceito interessante e que exploraremos na classificação das classes de palavras, é o de classes abertas ou classes fechadas. É um conceito simples, mas que nos auxilia muito quando colocado em contato com a relação de formação de palavras. Vamos dar uma olhada nesses dois conceitos. Agora que entendemos um pouco mais profundamente as relações existentes nas classes de palavra, podemos passar para o aprofundamento de cada uma delas. Bora que só bora! 2 Classes variáveis A noção de classes variáveis ou invariáveis é um pouco diferente da relação de classes abertas ou fechadas (que apresentamos anteriormente e classificaremos nas classes quando as analisarmos). No caso da variação das palavras, entendemos que temos uma relação de modificação das palavras, que poderão variar em gênero, número e grau (ainda que essa última seja um problema para a morfologia, mas, como preconiza a norma culta, analisaremos como uma variação mesmo). Dessa forma, começamos a entender que algumas palavras podem sofrer variação e outras não. Para facilitar a sua compreensão imediata, vamos imaginar enunciado a seguir, com análise em seguida. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 7 Perceba que, ainda que tenhamos elementos no plural, nem todos os elementos foram para o plural junto com ele. No caso, temos a seguinte possibilidade de análise: • O artigo os apresenta modificação de número, para concordar com o substantivo alunos, que também varia em gênero e número. Logo, podemos já entender dois elementos: o que significa essa variação e que tanto artigo quanto substantivo são classes de palavra variáveis. • Nesse caso, podemos também encaixar os verbos entre aquelas classes que também variam, mas sem a apresentação de gênero, por exemplo, salvo nos casos em que temos uma relação de particípio, que é outro momento de nossa vida. Inclusive, já adianto uma relação importante: ainda que os verbos sejam variáveis, dada a extensão desse assunto, falaremos profundamente deles na aula 06. Nesse momento, somente apresentaremos uma relação mais superficial. Não se preocupem, bolas de fogo. •Por fim, notem que rápido, que está funcionando como advérbio (é um adjetivo adverbiado), não se modifica, ainda que tenhamos o verbo no plural. O mesmo ocorrerá com demais, outro advérbio. Logo, já colocamos essa classe dentre aquelas que não variam. Tendo entendido essa parte importante, passemos para as classes variáveis, analisadas de forma mais profunda. É importante destacar que me focarei naquelas características que são mais cobradas de vocês. Calma que não teremos de ver, de novo, todas aquelas minúcias, por exemplo, dos substantivos. Bora que só bora! 2.1 Substantivo Entendemos o substantivo como as palavras que dão nome às coisas e, por isso, entendemos que os substantivos são as palavras que representam pessoas, objetos, fenômenos, lugares, ações, sentimentos, estados físicos e emocionais e qualidades. São ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 8 diversas as classificações que podemos encontrar com relação aos substantivos. Vamos às mais importantes classificações. Essa é uma característica ligada diretamente à morfologia de formação das palavras. Note, ainda, que está relacionada diretamente à formação por derivação ou por composição. Relembrando!!! Caso a palavra tenha dois ou mais radicais, seu processo de formação é, obrigatoriamente, composição, que pode ser por aglutinação – com modificação fonética em um ou mais radicais – e por justaposição – sem modificação alguma de um dos radicais. Essa é mais uma das classificações relacionadas à morfologia de formação de palavras. É interessante notar que, como eu bato sempre “na tecla”, não temos nada, dentro de linguagem, que esteja separado e isolado. Os processos de formação de palavra estão ligados ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 9 a todos os demais elementos da morfologia e da semântica, dado que, ao criarmos uma palavra, colocamos novos elementos de significação em nossos textos. Essas classificações estão ligadas diretamente à significação das palavras. Como já dissemos, as palavras apresentam os aspectos morfológicos, sintáticos e semânticos. Trazendo mais uma forma de olhar para a morfologia dos substantivos. Essa classe morfológica apresenta possibilidade de variação em grau, sendo eles: • Normal: denota neutralidade, sem indicação de tamanho ou de afetividade. É o que ocorre, por exemplo, com nariz, boca e pé. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 10 • Aumentativo: denota exagero ou tom depreciativo, que também podemos chamar de pejorativo. É o que ocorre, por exemplo, com narigão (que pode ser pejorativo), bocarra e pezão. • Diminutivo: denota, por sua vez, pequenez ou, como é muito comum no português, uma relação afetiva, carinhosa. Encontramos, ainda, a possibilidade de uso dessa forma como depreciativa. É o que o corre, por exemplo, com mãozinha, boquinha e pezinho. Os graus dos substantivos, no português, costumam ser utilizados com tons pejorativos ou afetivos. Além disso, temos a possibilidade de usar o diminutivo com valor de aumentativo. Sim, é possível que isso aconteça. Vejamos: Tire esse seu narigão das minhas coisas. (Pejorativo) Pode ir colocando esse seu carrinho fora da minha reta. (Pejorativo) Ela é um amorzinho mesmo, né? (Afetivo) Nossa, essa é a sua “casinha”? (Aumentativo) Além dessas possibilidades de análise e classificação, entendemos que os substantivos são uma classe aberta, porque sempre recebe novas palavras (inclusive, a maior parte das palavras criadas no português são substantivos); e são uma classe variável, dado que podemos usar elementos, as desinências, que fazem variar os substantivos em gênero e número. Inclusive, sempre vale a análise: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 11 Gosto muito dessa análise, porque nos leva a demonstrar algumas coisas: • No português, como só temos gêneros masculino e feminino, no sentido gramatical, só precisamos marcar o feminino, por isso a diferença entre desinência de gênero e vogal temática. • As variações de gênero não se aplicam a todos os elementos substantivos, sendo divididos, essencialmente, em: palavras com contraparte feminina e palavras com gênero gramatical. Ou seja, palavras como garoto/garota (com contraparte feminina) e mesa (com gênero gramatical). Essa parte é interessante, porque só teremos desinência de gênero quando houver contraparte, por isso, em “mesa”, o “a” é uma vogal temática. • As marcações de plural não se aplicam a todos os elementos substantivos, dado que há aqueles que funcionam essencialmente como plurais, como “costas”, “lápis”, entre outros. O que varia, nesse caso, é o artigo e os demais determinados. Bastante coisa, não é mesmo? Mas ainda não acabou, Rá! Sintaticamente, os substantivos desempenharão as seguintes funções: Vamos dar uma olhada em uma análise mais completa? O diálogo enfadonho daqueles alunos atrapalhava a aula do professor. Olhando para a palavra “diálogo”, em destaque, podemos analisar que: • Designa/nomeia uma ação que necessariamente será praticada por alguém, ainda que seja um substantivo. É o ato de dialogar que está em jogo nessa construção; • Pode variar para a forma plural, forçando tanto o artigo “o” quanto o adjetivo “enfadonho” a acompanhá-lo para o plural. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 12 • É o núcleo do sujeito “O diálogo enfadonho daqueles alunos”, ocupando função típica de substantivo. Os substantivos podem participar das chamadas locuções, que apresentarão tanto valor adjetivo como valor adverbial. São as chamadas locuções adjetivas e locuções adverbiais, como veremos nos exemplos. A doguinha do professor se chama Zeugma. Hoje, chegamos atrasados à escola por culpa de mainha. No primeiro exemplo, temos o elemento em destaque funcionando como uma locução adjetiva, dado que modifica um nome e desempenha, claro, função típica de adjetivos. No segundo, por sua vez, temos o elemento em destaque funcionando como um adjunto adverbial, nesse caso, de lugar. Essas locuções são formadas, como você pode reparar, por: preposição + substantivo 2.2 Adjetivo Do ponto de vista semântico, entendemos o adjetivo como um nome, que tem relação direta com outros nomes e com a função de caracterizá-los, apresentando um modo de ser, uma qualidade, um aspecto ou um estado. Veja o que acontece a seguir, no par de exemplos apresentado. O professor animado entrou em sala e tirou todos da cadeira. Aquele menino era extremamente feliz estudando gramática. Nos dois exemplos, percebe-se uma caracterização típica dessa classe gramatical. No primeiro, nota-se a modificação de “professor” e, no segundo, nota-se essa mesma relação de caracterização com relação ao núcleo “menino”, do sujeito. Nos dois exemplos, há função típica dos adjetivos, a modificação de nomes. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 13 Do ponto de vista morfológico, por sua vez, podemos entender que a classe dos adjetivos é uma classe aberta, recebendo sempre novos vocábulos, com variação em gênero, número e grau. Observemos: Com relação à sintaxe, os adjetivos são bastante importantes para a construção de significados, dado que se ligam diretamente a informações que enriquecem muito os enunciados, dado que formam diretamente a descrição e o aprofundamento dos elementos nominais. Desempenham as seguintes funções sintáticas: Com relação à modificação do adjetivo, temos as seguintes classes como modificáveis poreles: Vejamos alguns exemplos dessa utilização: A gramática e a literatura são disciplinas maravilhosas. Elas eram lindas e competentes. Os dois eram competentes e estudiosos. Comer é muito bom. Achamos excelente estudar gramática e literatura. Diferente do que ocorre com os substantivos, temos uma quantidade menor de classificações dos adjetivos, ainda que possam ser parecidas em alguns pontos com as classificações dos substantivos. Antes de adentrarmos na classificação desses adjetivos, destacamos que há muitas delas que não são cobradas há anos em vestibulares e, por isso, ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 14 não serão apresentadas de forma profunda, dando ênfase àquilo que mais aparece no vestibular de vocês. Vamos observar essas possíveis classificações. Como vimos, os adjetivos variam quanto ao gênero, número e grau. Vejamos essas classificações e variações. Com relação ao grau, temos: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 15 Vamos, antes de seguirmos em frente, analisar a utilização de um adjetivo de forma mais completa, para que você consiga entender como é que ela é feita. Meus alunos conseguirão alcançar as vagas concorridíssimas nos Vestibulares. Concorridíssimas: • Modifica o nome “vagas”; • Varia em gênero, número e grau (indicando estar no feminino, no plural e no superlativo); • É classificado como adjunto adnominal, sendo o núcleo dessa função. Não se esqueça de que o adjetivo pode qualificar uma oração inteira. Sei que isso pode soar estranho, mas pode mesmo. É interessante que estudemos muita gramática para a prova. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 16 2.3 Artigo Ainda que essa seja uma classe de palavras meio que “maltratada”, dado que é bastante comum deixá-la de lado, é uma classe extremamente interessante e importante para a construção discursiva em português. Por isso, tentaremos mostrar essa importância e as construções possíveis com esse tipo de palavra (ahhh! É chamada de uma palavra mesmo que só tenha uma letra!) Do ponto de vista semântico, o artigo é uma palavra que não apresenta valores de significação próprios, sendo necessário ligar-se a um substantivo, podendo determiná-lo ou generalizá-lo, apresentando, em conjunto com o substantivo, inúmeras significações interessantes, incluindo a designação de gênero em palavras específicas. Temos, então, uma série de possibilidades de significação discursiva (não se esqueça jamais de que sempre analisamos a construção de significados dentro de um contexto específico). Os leitores de Machado de Assis não leem somente um escritor... Leem o escritor. Note que temos três artigos destacados no exemplo acima. Na utilização do discurso, entendemos que • O primeiro serve para individualizar a palavra leitores; • O segundo apresenta uma noção mais depreciativa, uma vez que tem a significação implícita de “um escritor qualquer”, ressaltando aquilo que será dito posteriormente; e • O terceiro uso apresenta um valor de valorização da palavra escritor, destacando a ideia de que Machado se sobressai dentre os escritores. Do ponto de vista sintático, podemos fazer uma das poucas generalizações da gramática, mas que auxilia, e muito, a construção de saberes de vocês: todo artigo desempenhará função sintática de adjunto adnominal. Não há exceções nesse caso, por isso pode colocar na cabeça que, apareceu um artigo, independente de ser definido ou indefinido, será um adjunto adnominal. Do ponto de vista morfológico, entendemos que o artigo é uma classe variável quanto ao gênero e ao número, funcionando como um determinante de palavras de valor substantivo, sucedendo essa palavra em mais de 99% dos casos. São duas as classificações dessa classe: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 17 Com relação às particularidades, destacam-se alguns elementos interessantes e que podem ser cobrados nos vestibulares de visão mais gramatical, como o seu. Essa visão mais gramatical é interessante, dado que precisamos realmente compreender o contexto e o discurso de forma mais abrangente e determinante. Vejamos algumas dessas ideias. Substantivação ou nominalização Os artigos, quando aparecem diante de palavras de outras classes gramaticais que não os substantivos, fazem com que, naquele contexto, as palavras sejam entendidas como substantivos. Esse é um processo bastante comum e faz com que as palavras sejam formadas pelo processo de derivação imprópria, que já entendemos como sendo somente o nome do processo e não como um erro. É imprópria, mas não errada. O amar é uma das melhores experiências da vida. O bonito largou tudo aqui em cima e sumiu na vida. O porém é que não podemos estudar seletivamente. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 18 No processo acima, entendemos que o verbo “amar” passa a funcionar como um substantivo dentro do contexto, aplicando-se a mesma ideia para o adjetivo “bonito” e para a conjunção “porém”. Nesses casos, dizemos que temos um verbo, um adjetivo e uma conjunção substantivadas. Essa é uma relação boa de se prestar atenção, meus Bolas de Fogo! Uma das relações que mais gosto quando falo dos artigos é a possibilidade de entender que o artigo definido, em casos muitos específicos, serve como forma de indeterminação do substantivo, principalmente quando se relaciona com nomes próprios, como a seguir. A Brasília de meus sonhos é aquela da minha infância. A Avenida Paulista que me encanta é a da noite, vazia e linda. No primeiro exemplo, temos claramente a ideia de que não se refere à noção de “Brasília” como a cidade. Ainda que você possa pensar que se fala de uma específica, o que traz a especificação não é o artigo, mas o “de meus sonhos”. É como se, primeiro, nós tornássemos a ideia de Brasília como indeterminada, para depois colocarmos a ideia de que ela é específica, com o mesmo fenômeno ocorrendo com “A Avenida Paulista”. 2.4 Numeral Essa é uma das classes gramaticais menos cobradas nos exames vestibulares e, por isso, não nos aprofundaremos nela. Contudo, como estamos falando de elementos que auxiliam nas construções sintáticas, precisamos, ao menos, saber identificá-los de forma mais eficiente, evitando algumas confusões. Do ponto de vista semântico, é uma classe em que as palavras apresentarão noção de quantidade, dividida da seguinte forma: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 19 Do ponto de vista morfológico, é considerada uma classe variável, modificando-se em gênero e número. É uma relação determinante com os substantivos, passando a ser chamados, nesses casos de modificação de substantivo, como um numeral adjetivo, dado que passa a modificar um outro elemento, de valor substantivo, claro. Pode, ainda, substituir um substantivo, sendo, então, chamado de numeral substantivo. Duas alunas vieram me perguntar sobre os exercícios no fórum. As duas tiveram, claro, suas dúvidas tiradas com relação às perguntas. No exemplo acima, notamos que o primeiro “duas” funciona como um quantificador e, essencialmente, um modificador do substantivo “alunas”, variando, por conta desse substantivo, em número e gênero. No caso da segunda utilização do “duas”, nota-se claramente que ele funciona como uma forma de retomada com relação ao mesmo substantivo “alunas”, sendo, portanto, um numeral de valor substantivo. Percebam um elemento importante: o numeral não deixa de ser numeral, somente apresenta um valor de outra classenaquele determinado contexto, como ocorre nos dois exemplos apresentados. Do ponto de vista sintático, teremos uma variação importante de se notar: • Quando acompanha um substantivo, tem valor de adjunto adnominal; • Quando substitui o substantivo, passa a ter os valores típicos dos substantivos, podendo ser núcleo do sujeito, predicativo do sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adverbial e aposto. Não confunda o artigo um com o numeral um. O artigo denota indefinição enquanto o numeral denota uma quantidade precisa. Você saberá quando a palavra pertence a cada classe dependendo do contexto. Ex.: Um homem ligou e deixou um recado. No primeiro caso, o um é um artigo indefinido e, no segundo, o um será um numeral, dado que apresenta definição de quantidade. No primeiro, temos uma indeterminação de quem ligou, como se fosse, “um homem qualquer”. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 20 2.5 Pronome Essa é, sem dúvida, uma das classes mais cobradas de nossos exames vestibulares. São muitas as questões acerca dessa utilização, inclusive, com valores muito específicos e modificados de contexto a contexto. Do ponto de vista semântico, o pronome apresenta muitas possibilidades de sentido, sendo sempre importante levar em consideração o contexto, como você já bem sabe. São valores como posse, indefinição, generalização, questionamento, dentre tantas outras possibilidades que se apresentam no contexto. Não me canso, não é mesmo? Sempre temos de levar o contexto em consideração. Do ponto de vista morfológico, entendemos os pronomes como uma classe essencialmente variável quanto ao gênero e ao número e não aberta, dado que não temos a criação de novos elementos para funcionarem como pronomes nos processos de palavras. Além disso, funciona como um determinante sempre que acompanha e modifica o nome, sendo chamado de pronome adjetivo; e passa a ter valor de substantivo quando substitui essa classe de palavras. Nesse caso, é chamado de pronome substantivo. Do ponto de vista sintático, variam bastante as classificações possíveis, dado que: • Se acompanha o substantivo, é classificado como adjunto adnominal, dado que modifica o nome a que se refere. • Se substitui o substantivo, é classificado com as possibilidades dos substantivos, que já apresentamos anteriormente. Aproveito, inclusive, para destacar que não estou dando ênfase aos valores sintáticos, porque teremos aulas específicas sobre isso. Lá, retomarei as ideias morfológicas para auxiliar vocês na construção de saberes. Ainda assim, não abrimos mão de falar um tico sobre a parte sintática. Vamos ver alguns exemplos para ajudar: Alguns alunos simplesmente amam gramática, outros não. Eu queria informar-lhe a questão do pagamento do imposto. Nos dois exemplos acima, temos a seguinte configuração: • Alguns está modificando alunos, logo, é um pronome adjetivo com função de adjunto adnominal. • Outros substitui a ideia de “outros alunos” e, então, passa a ter valor de substantivo. • Essa mesma ideia se aplica a “eu” e “lhe” no segundo exemplo. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 21 É importante que você saiba essas classificações, porque é normalmente sobre elas que versam as questões apresentadas nos exames. Vamos apresentar as classificações de forma mais profunda a seguir. Pronomes pessoais Os pronomes retos e oblíquos variam de acordo com as pessoas do discurso da seguinte maneira: Nessa configuração, é importante destacar que os pronomes retos e oblíquos desempenham a função de pronomes substantivos, contudo, apresentam funções diferentes quando assunto é a sintaxe: • Os retos são utilizados como substituição para o sujeito: Eles e eu fomos até a casa de nossos amigos em São Paulo. • Os oblíquos, normalmente, desempenham funções de complementos verbais: Entregaram-nos os diplomas para que repassássemos aos alunos. Perdoei-lhe a dívida, dada a atual situação financeira do país. Vou encontrá-la antes da aula para conversarmos. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 22 No exemplo dos retos, temos o “eles” e o “eu” funcionando como núcleos do sujeito composto do verbo “fomos” (não se assuste que essa concordância será tratada à frente, para que tudo fique cristalino para vocês). Nos dois primeiros exemplos dos pronomes oblíquos, temos “nos” e “lhe” funcionando como objetos indiretos. No terceiro, por sua vez, temos uma construção de objeto direto com o “la”, que é o pronome “a”. Quando chegarmos na nossa aula de sintaxe, aprofundarei esses usos, contudo, já coloque na sua cabeça a seguinte ideia: Os pronomes oblíquos, em alguns casos, acabam recebendo valor de posse, como ocorre em: Roubaram-lhe a carteira e a dignidade naquele dia. Pintaram-me a cara durante aquela apresentação. No primeiro exemplo, temos valor possessivo, dado que temos a reconstrução em “Roubaram a carteira e a dignidade dele naquele dia”. No segundo exemplo, também temos esse valor, dado que a reconstrução seria “Pintaram a minha cada durante aquela apresentação”. Esse tipo de cobrança é muito interessante e muito comum em alguns exames vestibulares, o que nos leva à necessidade de entendermos claramente o contexto como forma de entendimento sintático. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 23 Por vezes, os pronomes oblíquos o/a, os/as podem sofrer uma modificação em função do som: - Quando precedidos de verbo terminado em r, s e z se tornam lo/la, los/las: amar + o = amá-lo vimos + as = vimo-las fez + os = fê-los - Quando precedidos de som nasal, se tornam no/na, nos/nas: encontramos + a = encontramo-la põe + os = põe-nos ➢ Os pronomes reflexivos podem se referir ao sujeito e ao objeto. Eu me amo. (Refere-se a quem ama e a quem é amado. Sintaticamente, será classificado como um objeto direto reflexivo, uma vez que indica o alvo do amor.) ➢ Já os pronomes de tratamento, representam modos de se dirigir a alguém, seja de modo informal ou formal. Eles vêm acompanhados de verbos na 3ª pessoa: Você, senhor e senhora, vossa alteza, vossa excelência, vossa majestade etc. Quando se refere a alguém na terceira pessoa, o vossa pode ser substituído por sua Sua majestade, a rainha Elizabeth II, vem ao Brasil. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 24 Pronomes possessivos Os pronomes possessivos são palavras que acrescentam a ideia de posse de algo por alguém: Os pronomes possessivos canônicos (aquelas que sempre funcionam como possessivos) morfologicamente precisam concordar em número e gênero com o nome a que se referem. Vejamos isso: Eu trouxe meus amigos para conhecerem as minhas amigas. Perceba que, no exemplo acima, temos o “meus”, um possessivo, concordando em número e gênero com a palavra a que se refere, no caso, “amigos”. Notem que temos a primeira pessoa, porque se refere ao sujeito “eu”. No segundo uso, “minhas” concorda, como possessivo que é, com “amigas”. Mais uma vez a referência é o sujeito “eu”, por isso a primeira pessoa sendo utilizada. Como vimos na seção anterior, em que tratamos dos pronomes pessoais, existem outros pronomes que, contextualmente, ganham valor possessivo. A dica que sempre dou é ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 25 a de olhar com calma essas questões e construir uma substituição viável para o pronome. Relendo, fica possível entender. Pronomes demonstrativos Os pronomesdemonstrativos são palavras responsáveis por posicionar no tempo e no espaço o nome a que se referem. Eles podem apresentar formas variáveis ou invariáveis (neutras em gênero e número): Todos os pronomes demonstrativos podem se combinar com de e em formando, por exemplo: deste (e variáveis) / disto; desse (e variáveis) / disso; daquele (e variáveis) / daquilo neste (e variáveis) / nisto; nesse (e variáveis) / nisso; naquele (e variáveis) / naquilo. USOS NO TEXTO Muitos alunos têm dúvida sobre como usar os pronomes demonstrativos na produção textual. Vamos ver alguns os principais usos que serão essenciais para uma escrita alinhada com a norma culta. - Este (esta, isto) são usados para chamar a atenção para algo que vamos dizer. Ex.: Estes são os meus amigos: Ana, Pedro e Julia. - Esse (essa, isso) são usados para retomar algo que já dissemos. Ex.: Não voltou a sair; isso fazia parte de seu passado. - Este (esta, isto) são usados para se referir ao texto em si. Ex.: Neste capítulo, vamos aprender Classes Gramaticais. Esse (essa, isso) são usados para se referir a algo dito pelo interlocutor. Ex.: - Vamos sair? - Isso está fora de questão. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 26 - Expressões de uso fixado, ou seja, que independem do seu sentido básico: Além disso, isso é, isto de, nem por isso, nisso (no sentido de então), por isso. Não se esqueça de ficar sempre muito atento ao uso desses pronomes, principalmente pelas modificações entre o uso do Português europeu e o brasileiro, que modificou foi tudo nesse tempo. Pronomes relativos Agora é a hora de falar sobre um dos meus temas preferidos: os pronomes relativos. Para começar, é interessante notar que três características importantes desse tipo de pronome. Vamos a elas: Vamos olhar alguns exemplos em que temos pronomes relativos: Os pronomes relativos estão destacados nos exemplos e se referem, respectivamente, a “exercícios”, no primeiro; “alunos”, no segundo; e “escola”, no terceiro. Vejamos, então, uma pequena indicação dos pronomes relativos mais comuns. Não tenha pressa que ainda falaremos muito sobre eles. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 27 *neste caso, quanto vale para masculino e feminino Atenção para algumas questões no pronome relativo: • Quanto: se usa no masculino e no feminino. Tentou tudo quanto possível; aplicou tanta força quanto pôde. • Cujo: concorda com o termo que vem depois, não com o antecedente (como os outros relativos). O autor cujas obras estudei é simplesmente sensacional. • Quem: vem precedido de preposição; e deve ser utilizado somente com referenciais humanos. Utilizá-lo antes de elementos não humanos fazem com que se personifique o elemento substituído. A pessoa a quem me dirijo é você. • Onde pode vir na forma preposição a + onde. Isso ocorre quando o verbo da oração exige preposição a. O pronome relativo “Onde” só deve ser utilizado com referencial de lugar, sem outras utilizações. Exploraremos essa utilização na nossa aula em vídeo. Iremos àquela fazenda aonde vão os campeões. (ir exige preposição a) Pronomes interrogativos Os pronomes interrogativos são aqueles usados para denotar perguntas diretas ou indiretas. Os principais pronomes interrogativos são: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 28 Pronomes indefinidos Os pronomes indefinidos são os que possuem significado vago. São sempre acompanhados de verbos na 3ª pessoa. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 29 Locuções pronominais indefinidas Locuções que se equivalem a pronome indefinido. Ex.: Cada qual, qualquer um, tal e qual, quem quer que seja, cada um, seja quem for, etc., todo aquele que. Chegamos ao fim do nosso momento com os pronomes e faço questão de destacar que ainda voltaremos muitas vezes a esse assunto durante as nossas aulas de sintaxe. Como vocês perceberão, teremos uma relação muito profunda entre a morfologia e a sintaxe nessas aulas, dado que precisaremos caminhar de forma conjunta entre essas duas áreas importantíssimas dos pronomes. 2.6 Verbo Antes de iniciarmos essa análise, é importantíssimo destacar que nossa aula 06 falará essencialmente sobre verbos, analisando os elementos mais cobrados de vocês em todos os vestibulares, e incluindo, claro, dicas de produção textual, que começaram a aparecer a partir dessa aula. De forma geral, aqui traçaremos um, digamos, panorama geral dos verbos como classe gramatical importantíssima para o uso social da linguagem. Do ponto de vista semântico, o verbo indicará, em essência, uma ação ou um processo, podendo, ainda, indicar um estado, ou modificação desse, ou fenômeno da natureza. Destacamos que, semanticamente, o verbo tem a necessidade de sempre se encaixar em uma perspectiva temporal. Essa noção temporal é essencial quando pensamos, como você já percebeu, que os substantivos e adjetivos podem, em muitos momentos, indicar ações, estados, fenômenos naturais entre muitas outras significações. Existem muitos elementos envolvidos nessa relação. (existência/presente) Os alunos estudarão nos lugares de seus sonhos. (ação/futuro) Hoje choveu como nunca antes aqui em Brasília. (fenômeno da natureza/passado) Do ponto de vista morfológico, o verbo irá varia de formas diferentes daquelas encontradas nos elementos de origem nominal. A variação verbal se dá em tempo, modo, número e pessoa. Essa é a variação morfológica dos verbos, apresentada por elementos chamados desinências verbais, que são necessariamente partes da palavra, fato que as caracteriza como morfológicas realmente. Além disso, mais à frente, falaremos sobre a variação em voz e aspecto. Do ponto de vista sintático, entendemos que o verbo é essencial. É o centro, literalmente, da enunciação em linguagem verbal. Sem o verbo, não temos a possibilidade de ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 30 analisar sintaticamente um enunciado, dado que há dependências fortíssimas entre os elementos de uma oração e um verbo. Inclusive, você já deve ter percebido que, sem um verbo, não temos oração. Ele é essencialmente o núcleo do predicado, ainda que possa servir somente como uma forma de ligação, como os de estado, que compõem predicados nominais. Mas isso é assunto para o futuro. Quando estão na sua forma verbal pura, os verbos aparecem no infinitivo e terminam na letra r, precedidas de a, e ou i. As vogais caracterizam a conjugação do verbo. Verbos derivados de outros verbos mantém a conjugação, assim: Desencantar tem a mesma conjugação de cantar e assim por diante. Os principais verbos irregulares que você deve lembrar são: ir, ser, estar, ter, haver, fazer, poder, vir. Um verbo pode ser classificado de acordo com sua transitividade, ou seja, se possui ou não complemento para ter seu sentido completo: Verbos transitivos diretos: Eu comi uma fruta. (“comi” precisa de complemento para fazer sentido) Verbos transitivos indiretos: Eu andei de avião. (“andei” precisa de complemento com preposição) Verbos intransitivos: Ele morreu. (“morrer” não precisa de complemento, pois tem sentido completo em si) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 31 Há ainda os verbos de ligação: Eu estou bem (“estar” indica um estado, não uma ação). Pronto! Chegamos ao fim da nossa parte teórica de hoje. Com relação aos verbos, como eu disse a vocês, não se preocupem. Falaremos tudo o que é necessário saber na aula número 06. Aquié só pra vocês entenderem o básico mesmo. Fiquem na expectativa sim! Bora que só bora, bolas de fogo! ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 32 3 Exercícios 1. (UERJ/2016) O FUTURO ERA LINDO A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria compartilhado, bem como a música, 2o cinema, a literatura e a ciência. O custo seria zero. O espaço seria infinito. A velocidade, 3estonteante. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. A criatividade, o único 4poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre os males do capitalismo. O sistema de representação se tornaria obsoleto. Todos os seres humanos teriam oportunidades iguais em qualquer lugar do 6planeta. Todos seriam empreendedores e inventivos. Todos poderiam se expressar livremente. 7Censura, nunca mais. As fronteiras deixariam de existir. As distâncias se tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. O sonho, qualquer sonho, poderia se tornar realidade. Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo que a internet inaugurou. Por anos esquecemos que a internet foi uma invenção militar, criada para manter o poder de quem já o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em produtos virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo que a fabricação de computadores e celulares, com a obsolescência embutida em seu DNA, demanda o consumo de quantidades vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e de água, sem falar no volume assombroso de lixo não reciclado em que resultam, incluindo lixo tóxico. Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão concentrados em megahipercorporações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre tantas indústrias e atividades em tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados Unidos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, se consolidariam como os maiores espiões do mundo, humilhando potências como a Alemanha e também o Brasil, impondo os métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, e guiando ao arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez em matemática mas ignorantes completos em matéria de ética, política e em boas maneiras. Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de perfis falsos, as enxurradas de vírus, os arrastões de números de cartão de crédito, a empulhação dos resultados numéricos falseados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em países do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo eletrônico, inclusive de Estado. Marion Strecker Adaptado de Folha de São Paulo, 29/07/2014. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 33 O termo megahipercorporações é formado por um processo que enfatiza o tamanho e o poder das corporações econômicas atuais. Essa ênfase é produzida pelo emprego de: a) sufixos de caráter aumentativo b) prefixos com sentido semelhante c) radicais de combinação obrigatória d) desinências de significado específico 2. (UNESP/2018) “[...] os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo) Os termos destacados constituem, respectivamente, a) um artigo, uma preposição e uma preposição. b) uma preposição, um artigo e uma preposição. c) um artigo, um pronome e um pronome. d) um pronome, uma preposição e um artigo. e) uma preposição, um artigo e um pronome. 3. (UNIFESP/2013) O Hatha yoga pradipika, sagrada escritura do hatha yoga, escrita no século 15 da era atual, diz que, antes de nos aventurarmos na prática de austeridade e códigos morais, devemos nos preparar. Autocontrole e disciplina sem preparação adequada ____________ criar mais problemas mentais e de personalidade do que paz de espírito. A beleza dessa escritura é que ela resolve o grande problema que todo iniciante enfrenta: dominar a mente. Devido ___________ abordagem corporal, o hatha yoga ficou conhecido – de modo equivocado – como uma categoria de ioga ___________ trabalha apenas as valências físicas (força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e outras), quase como ginástica oriental. Isso não é verdade. (Ciência Hoje, julho de 2012. Adaptado.) De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com a) pode – a essa – aonde. b) podem – a essa – que. c) pode – à essa – o qual. d) podem – essa – com que. e) pode – essa – onde. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 34 4. (FAMERP/2020) Considere a tirinha Garfield, de Jim Davis. O pronome “este”, no terceiro quadrinho, a) refere-se ao presente do personagem, em que não há diversão. b) retoma o sentido das palavras “o mundo”. c) refere-se ao período em que o mundo diverte o personagem. d) aponta para um momento em que o desejo do personagem se realizaria. e) retoma o sentido da frase “o mundo existe para me divertir”. 5. (ACAFE – Medicina/2021.1) Transforme as locuções adjetivas destacadas em adjetivos, optando por uma das sugestões entre parênteses. I. Não se impressione, são apenas chuvas de verão. (verânicas, estivais, pluviais) II. Faça a catalogação dos livros por faixa de idade, pois isso facilita a consulta. (etária, vital, hereditária) III. Desculpe, mas seu comportamento foi de criança. (senil, pueril, inadequado) IV. Diferentemente de ontem, as águas do rio estão turvas. (hidroviais, rivais, fluviais) V. Foram lindos encontros de irmãos motivados pela mesma fé. (irmanados, fraternos, magistrais) A resposta correta, de cima para baixo, é: a) estivais, - hereditária - senil - hidroviais - magistrais b) verânicas - hereditária - pueril - fluviais - irmanados c) estivais - etária - pueril - fluviais - fraternos d) pluviais - vital - pueril - rivais – irmanados ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 35 6. (Mackenzie/2013.2) Texto I Esses Moços Esses moços, pobres moços Ah! Se soubessem o que eu sei Não amavam... Não passavam aquilo que eu já passei Por meus olhos Por meus sonhos Por meu sangue, tudo enfim É que eu peço a esses moços Que acreditem em mim Se eles julgam Que há um lindo futuro Só o amor nesta vida conduz Saibam que deixam o céu por ser escuro E vão ao inferno À procura de luz Eu também tive nos meus belos dias Essa mania que muito me custou E só as mágoas eu trago hoje em dia E essas rugas o amor me deixou! Lupicínio Rodrigues (1948) Texto II Capítulo LXXIII / O contrarregra Ora, o dandy do cavalo baio não passou como os outros; era a trombeta do juízo final e soou a tempo; assim faz o Destino, que é o seu próprio contrarregra. O cavaleiro não se contentou de ir andando, mas voltou a cabeça para o nosso lado, o lado de Capitu, e olhou [5] para Capitu, e Capitu para ele; o cavalo andava, a cabeça do homem deixava-se ir voltando para trás. Tal foi o segundo dente de ciúme que me mordeu. A rigor, era natural admirar as belas figuras; mas aquele sujeito costumava passar ali, às tardes; morava no antigo Campo da Aclamação, e depois... e depois... Vão lá raciocinar com um coração [10] de brasa, como era o meu! Nem disse nada a Capitu; saí da rua à pressa, enfiei pelo meu corredor, e, quando dei por mim, estava na sala de visitas. Machado de Assis, Dom Casmurro (1899) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 36 Assinale a alternativa correta. a) No texto I, o uso do adjetivo pobres (linha 01) revela a intenção de afirmar que jovens são inexperientes no amor. b) No texto I, o pronome aquilo (linha 04) é índice de coesãotextual e seu referente está estabelecido nas linhas 05 e 06. c) No texto I, a interjeição (linha 02) marca a dúvida do eu lírico em seu papel aconselhador. d) No texto II, a grafia do vocábulo trás (linha 06) corresponde ao seu uso no século XIX. Contemporaneamente, a mesma palavra, com o mesmo sentido, admite duas grafias abonadas pela norma culta: trás e traz. e) No texto II, o emprego do tempo verbal em costumava e morava (linha 08) denota ações pontuais, referentes apenas ao momento narrado. 7. (UNIFOR/2020) O esquema acima representa os vários componentes do desenvolvimento sustentável. As palavras que melhor substituem os termos Viável e Equitativo, sem que haja alteração de sentido, são, respectivamente: a) Provável e Digno. b) Possível e Igualitário. c) Previsível e Isento. d) Favorável e Justo. e) Praticável e Distributivo. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 37 8. (UVV/2019.1) A charge acima nos permite realizar, através de um olhar gramatical, as seguintes considerações: a) No primeiro quadro, nítido é o sujeito da frase “Hiena, você é o mais infame dos animais!”, expresso pela palavra “Hiena”, traduzida por um substantivo próprio simples. b) No segundo quadro, na fala “Como a ciência explica isso?”, o deslize do autor foi grosseiro, visto que o pronome possessivo correto deveria ser “isto”, já que o mesmo ganha, nessa sentença, destaque de sujeito. c) Ainda no segundo quadro, na resposta da Hiena “Não sei, sou meigo no assunto!”, a palavra em destaque tem a função morfológica de adjetivo e a função sintática de predicativo do sujeito. d) No quarto quadro, observamos o velho e bom erro de ortografia ao trocar a palavra “mau” por “mal”, como na frase do personagem. O correto seria: “E o mau que pode fazer para as crianças?!” e) Ainda no quarto quadro, observamos, na fala da Hiena, a presença de um adjunto adnominal de negação e um pronome substantivo indefinido. 9. (UFRGS/2019) – Para mim esta é a melhor hora do dia – Ema disse, voltando do quarto dos meninos. – Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada. [5] – Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista. Ema agachou-se para recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão. – É força de expressão, sua boba. O dia [10] acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia tem vinte quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? – Descobriu um sapato sob a poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou, depois, o par ........ dos outros [15] móveis. Era bom ter uma amiga experiente. Nem precisa ser da mesma idade – deixou-se cair no sofá – Bárbara, muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada [20] valorizava o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, ambas no hospital. A semelhança [25] física teria contribuído para o perfeito entendimento? “Imaginava que fossem irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava satisfação. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 38 – O que está se passando nessa cabecinha? [30] – Bárbara estranhou a amiga, só doente pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos ..........., azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje seus olhos? [35] Ema aprumou o corpo. – Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós... Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a ideia. – As crianças brigariam o tempo todo. [40] Novamente a amiga tinha razão. Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer motivo, ciúme doentio de tudo. O que sombreava o relacionamento dos casais. – Pelo menos podíamos morar mais perto, [45] então. Se o marido estivesse em casa, seria obrigada a assistir à televisão, ........, ele mal chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem [50] múmia diante do aparelho – levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de limonada. ........ todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz alta. [55] – Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, de como se modificam as personalidades longe dos pais. Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441. O texto apresenta sentimentos de admiração de Ema por sua amiga Bárbara. Esses sentimentos transparecem na relação entre palavras. Assinale a alternativa em que a reunião de advérbios e adjetivo expressa esse sentido de admiração de Ema por sua amiga. a) amiga experiente (l. 16). b) muito mais sábia (l. 18). c) valorizava o perfil privilegiado (l. 20). d) cabelos soltos (l. 31). e) Novamente [...] tinha razão (l. 40). 10. (PUC.PR/2018) Leia a seguir. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 39 Em ortografia, a noção de certo ou errado é regida por lei, que prescreve a correta escrita de nossas palavras. Assim, sobre a correção ortográfica do segundo quadrinho da tirinha, assinale a alternativa CORRETA. a) “Bom” e “bem” são intercambiáveis nesse contexto, já que pertencem à mesma classe gramatical e têm o mesmo sentido. No entanto, “mau” seria a escolha certa por se tratar de um adjetivo no contexto criado. b) O emprego do artigo definido contraído com “em” em “no” substantiva “bom” e “mal”, o que implica a opcionalidade da escrita de “mal” ou “mau”, sem alteração semântica ou incorreção gramatical. c) Se entendermos que “no bom” traz elíptico o substantivo “colesterol”, a ortografia de “mal” deveria ser corrigida para “mau”, porque essa palavra seria, assim como “bom”, um adjetivo. d) Estaria correto o período se “mal” fosse substituído por “mau”, assim haveria dois substantivos em perfeito paralelo gramatical e o novo sentido dado pelo personagem à “bom” e “mau” seria garantido. e) A grafia de “bom” e “mal” está correta, já que aquele funciona como um adjetivo, e este funciona como um substantivo no período em questão, não havendo necessidade de paralelismo. 11. (UFRR/2018) Leia o texto abaixo e responda a questão. UM APÓLOGO Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: — Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo? — Deixe-me, senhora. — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 40 — Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. — Mas você é orgulhosa. — Decerto que sou. — Mas por quê? — É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu? — Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu? — Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados... — Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando... — Também os batedores vão adiante do imperador. — Você é imperador? — Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto... Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Nãosei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha: — Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima... A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plicplic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe: — Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 41 Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! ASSIS, Machado de. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. São Paulo: Ática, 1984. No trecho: ― Esta agora é melhor.", e no trecho ―... um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência...‖, as palavras destacadas são adjetivos expressos na gradação ou grau: a) superlativo absoluto sintético e superlativo absoluto analítico, respectivamente. b) comparativo de inferioridade. c) comparativo de superioridade e comparativo de inferioridade, respectivamente. d) superlativo relativo de superioridade. e) comparativo de superioridade 12. (Inédita – Wagner Santos) Assinale a alternativa em que o elemento “que” é classificado como um pronome relativo. a) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável?” b) “Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.” c) “Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?” d) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho (...)” e) “Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira (...)” 13. (Inédita – Wagner Santos) Em qual das alternativas a seguir o elemento em destaque deve ser classificado como um pronome demonstrativo? a) “— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?” b) “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha (...)” c) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante (...)” d) “— Também os batedores vão adiante do imperador.” e) “Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.” 14. (Inédita – Wagner Santos) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 42 — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. Os elementos em destaque no trecho acima retomam a ideia de a) alfinete, por meio de retomada anafórica. b) coisa, por meio de retomada catafórica. c) senhora, por meio de retomada catafórica. d) linha, por meio de retomada anafórica. e) agulha, com uma retomada anafórica. 15. (Inédita – Wagner Santos) Em qual das alternativas a seguir o pronome em destaque tem valor de posse? a) “Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.” b) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.” c) “— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância?” d) “— Deixe-me, senhora.” e) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. 16. (Inédita – Wagner Santos) Em qual das alternativas a seguir os elementos em destaque são classificados, todos, como pronomes? a) “A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário.” b) “Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?” c) “Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura.” d) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. e) “— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!” 17. (EFOMM/2019) Como Dizia Meu Pai (...) Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 43 sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer. Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje. Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento. — As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem. Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecersobre a vontade de Deus – embora jamais fosse assim eloquente em suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo ante as esperanças vãs: — O que não tem solução, solucionado está. E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si. [...] SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado) Com base no texto, responda à questão que se segue. Assinale a opção em que a flexão de grau do substantivo destacado é utilizada exclusivamente para pôr em primeiro plano uma linguagem que demonstra valor afetivo. a) “Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia.” (9°§) b) “Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta.” (10°§) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 44 c) “Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado.” (10°§) d) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde [...].” (9°§) e) “Se acaso ainda estivermos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer.” (9°§) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 45 18. (Inédita – Wagner Santos) Assinale a alternativa em que há uma locução adjetiva. a) “Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir.” b) “Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde.” c) “O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas.” d) “— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.” e) “E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.” 19. (Inédita – Wagner Santos) No português, é comum encontrarmos elementos que funcionam de formas distintas, ainda que com a mesma grafia. Assinale, assim, a alternativa em que o elemento em destaque não se apresenta com valor possessivo. a) “Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus (...)” b) “(...) hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando.” c) “Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um (...)” d) “(...) a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde (...)” e) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho (...)” 20. (Unimontes/2019) Crianças, crueldade e Justiça Bullying é o comportamento agressivo, intencional e repetido contra alguém por conta de alguma característica ou situação peculiar. É um desequilíbrio de poder que afeta sobretudo crianças e adolescentes em escolas e em outros ambientes de convivência, mas que também inferniza a vida de adultos. Por alguma razão psicológica, pessoas sentem prazer em humilhar, provocar sofrimento. Reunidas, [5] multiplicam agressões verbais ou físicas contra quem se destaca pela diferença: obesidade, altura, pele, nariz, timidez, roupa. Filiação, raça, falta de habilidade para o esporte, aplicação nos estudos ou dificuldade de aprendizado também dão origem a maus-tratos, isolamento e depressão. A internet amplia seus efeitos. CARVALHO FILHO, Luis Francisco. Crianças, crueldade e Justiça. Folha de S. Paulo. Cotidiano, 1.º ago. 2015, B2. Adaptado. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 46 “A internet amplia seus efeitos.” (linha 8) Em destaque nesse trecho, o pronome, de acordo com os encadeamentos das ideias no texto, reporta-se a a) razão psicológica. b) Justiça. c) internet. d) bullying. 21. (Unimontes/2019) Breve discurso sobre a cultura Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e matizes. Durante muitos séculos foi um conceito inseparável da religião e do conhecimento teológico; na Grécia, esteve marcada pela Filosofia e, em Roma, pelo Direito, enquanto no Renascimento foi conformada sobretudo pela literatura e pelas artes. Em épocas mais recentes, como no Iluminismo, foram a ciência e os grandes descobrimentos científicos que deram o principal viés à [5] ideia de cultura. Mas, apesar destas variantes e até a nossa época, cultura, segundo um amplo consenso social, sempre significou uma soma de fatores e de disciplinas que a constituíam e eram por sua vez implicadas por ela; a reivindicação de um patrimônio de ideias, valores e obras de arte; de alguns conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos em constante evolução; e o incentivo à exploração de novas formas artísticas e literárias, e da investigação em todos os campos do saber. A cultura estabeleceu sempre uma hierarquia social, distinguindo entre aqueles que a cultivavam, enriqueciam com contribuições diversas e faziam progredir, e aqueles que não se ocupavam dela, a desprezavam ou a ignoravam, ou estavam excluídos dela por razões sociais e econômicas. Em todas as épocas históricas e até a nossa, em qualquer sociedade concreta havia pessoas cultas e incultas e, entre esses dois extremos, pessoas mais ou menos cultas ou mais ou menos incultas. Ao mesmo tempo, essa classificação estava bastante clara para todo o [15] mundo porque valia para todos um mesmo sistema de valores, de critérios culturais e de maneiras de pensar, de julgar e de comportar-se. Em nosso tempo tudo isso mudou. A noção de cultura estendeu-se tanto que, embora ninguém se atreva a reconhecê-la de maneira explícita, se desvaneceu. Transformou-se num fantasma inapreensível, multitudinário e metafórico. Porque já ninguém é culto se todos creem sê-lo, ou então se o conteúdo daquilo a que chamamos cultura [20] foi de tal maneira deformado que todos podem justificadamente crer que o são. LLOSA, Mário Vargas. Breve discurso sobre a cultura. In: MACHADO, Cassiano Elek (org.). Pensar a cultura. Porto Alegre: Arquipélago, 2013. p. 12-13. Considerando o trecho “Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e matizes.” (linha 1), esse operador verbal em destaque a) pode ser substituído por “teria”, devido ao fato de não se conseguir definir esses “[...] significados e matizes [...]”, pela sua variedade. b) seria igualmente substituído por “tem”, pelo teor de apresentação histórica de um fato. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 47 c) propicia ao interlocutor a crença de que a noção de cultura que se tinha ainda se mantém. d) representa um fato que pôde ser constatado em relação à cultura, no passado. 22. (UFPR/2018) TV a Serviço da Tecnologia e do Racismo Os meios de comunicação, todos eles, têm sido braço direito e esquerdo da propagação das tecnologias da estrutura racista. Isso é uma verdade que se pode confirmar com absoluta facilidade em todos os veículos de comunicação disponíveis, em especial a televisão. O poderoso e influente jornalista Assis Chateaubriand foi o responsável pela primeira transmissão televisiva no Brasil, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi, em São Paulo. No ano seguinte, seria a vez de o Rio de Janeiroser contemplado com essa novíssima ferramenta, viabilizada por recursos importados dos Estados Unidos. O Brasil, então, passou a ser o quarto país do mundo a operar esse tipo de veículo, ficando atrás apenas da Inglaterra, França e dos próprios Estados Unidos. O país seguia pouco mais de meio século de pós-abolição. Uma pós-abolição que ora tentava se livrar das sobras humanas, cuja exploração explícita já não era mais permitida pela lei, ora se valia da fragilidade dessas sobras vivas para prosseguir com os acúmulos de riqueza construída à custa da exploração histórica e não reparada. [...] (Joice Beth, Le Monde Diplomatique Brasil, junho/2017, p. 38. Adaptado.) Com relação à palavra “sobras” citada na última frase do texto, é correto afirmar que refere: a) os recursos humanos da TV. b) os negros pós-abolição. c) a sociedade manipulada pela TV. d) os profissionais da tecnologia televisiva. e) os líderes abolicionistas. 23. (IFSulDeMinas/2018.2) O gênero da ciência ou sobre silêncios e temores em torno de uma epistemologia feminista “Elas recebem menos convites para avaliar o trabalho de seus pares. E meninas se veem como menos brilhantes desde os 6 anos”. Editoria de Ciências – El País [1] A notícia saiu no início de 2017, trazendo dados de duas pesquisas científicas sobre o alijamento de mulheres do campo de investigações acadêmicas. A reportagem é ilustrada pela foto de divulgação do hollywoodiano "Estrelas além do tempo". Naquele filme, racismo, sexismo, machismo e conservadorismo político se juntam à alta tecnologia beligerante da Guerra Fria. Nada mais representativo do mundo das ciências. O mundo [5] que tem a razão como seu alicerce. A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o comportamento masculino. Homem => razão => civilização => branquitude => ciência => verdade. Equação que não apareceu nos infindos cálculos das ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 48 protagonistas do filme, mas que definiu calculadamente o silêncio que se instituiria sobre a participação crucial daquelas mulheres na “corrida espacial”. Mais de meio século separam "Estrelas além do tempo" e a matéria do jornal El País. Neste ínterim, [10] sociedades de matriz ocidental assistiram ao crescimento dos movimentos identitários, dentre estes, o movimento feminista, manifestado em diferentes correntes políticas e de luta, mas com um elemento em comum: contestar o lugar naturalizado de opressão que justificava politicamente a desigualdade entre homens e mulheres. Naquele momento ainda não se falava em gênero como categoria de análise social. Mesmo no campo dos estudos feministas, trabalhava-se muito mais com a categoria “mulher”. [15] Mais recentemente [...] as feministas começaram a utilizar a palavra “gênero” mais seriamente, no sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da relação entre os sexos [...] Historicizar o uso de um termo com a potência política e contestatória da categoria gênero é importante para que entendamos por que, no presente, estamos assistindo a um recrudescimento conservador que procura realocar no campo da natureza as desigualdades sociais. [...] [20] Pensar em gênero por esse prisma é ampliar para além do corpo, da anatomia e do biológico as experiências femininas e masculinas, percebendo que construímos nosso gênero de forma relacional, ou seja, nas relações sociais, as quais abarcam as instituições pedagogizantes (família, escola, igrejas), de forma que somos orientadas e orientados pelos valores hegemônicos de cada tempo e lugar, sejam para reiterar esses valores ou para enfrentá-los. [25] Uma das maneiras de se fazer esses enfrentamentos passa, justamente, pela forma de se construir conhecimento, quer dizer, propor outras maneiras de se pensar o mundo, as relações humanas e, assim, de fazer ciência. Esse lugar assegurado de produção de verdades passa a ser contestado pelos discursos feministas. [...] O potencial iconoclasta do conceito de gênero se evidencia desde os escritos seminais de Simone de [30] Beauvoir, ainda que ela não tenha se valido dele para denunciar a ciência como um discurso masculinista. Discurso este que construiu “a representação do mundo, como o próprio mundo (…). Eles [os homens] os descrevem do ponto de vista que lhes é peculiar e que confundem com a verdade absoluta”. De forma que esses enunciados, de verdade, legitimaram posições de senso comum que colocam, até o presente, as mulheres como incomensuravelmente distintas dos homens, como seu “outro”, exterior e inferior a eles mesmos. [...] [35] Os homens criam os mitos da cultura ocidental e, entre estes, está o mito da Mulher, acompanhado também pela mitologia comum das “figuras masculinas convencionais”. Assim, a humanidade é dividida em duas classes, criando-se, como diz Beauvoir, um tipo de “conceito platônico” da noção de Mulher – uma Ideia ou Verdade transcendental imutável: “Assim, à existência dispersa, contingente e múltipla das mulheres, o pensamento mítico opõe o Eterno Feminino único e cristalizado”. Esse mito é fruto de relações de poder e se [40] constrói para servi-las, pois como afirma Beauvoir de forma contundente: “Poucos mitos foram mais vantajosos do que esse para a casta dominante: justifica todos os privilégios e autoriza mesmo abusar deles”. O que os feminismos, em suas distintas expressões políticas, vêm propondo é altamente desestabilizador do status quo. Se a ciência tem se constituído como o discurso ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 49 hegemônico do ocidente para propor soluções, articular análises sobre fenômenos diversos e instituir verdades sobre o mundo, entende-se que enfrentar [45] criticamente essas verdades, denunciando seus vícios de origem e suas lacunas silenciadoras, desestabiliza privilégios, mas, mais que isso, exige que desenvolvamos outro vocabulário para falar do presente. Fonte: http://www.aulete.com.br/. Acesso em: 02 abr. 2018. Considerando a leitura integral do texto, assinale a alternativa correta: a) Em “[...] somos orientadas e orientados pelos valores hegemônicos de cada tempo e lugar, sejam para reiterar esses valores ou para enfrentá-los” [linhas 23 e 24], o pronome “los” retoma a expressão “valores hegemônicos”. b) No trecho “A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o comportamento masculino”, a palavra “qualidade” refere-se ao termo “ciências” [linhas 05 e 06]. c) O trecho “mas com um elemento em comum” [linhas 11 e 12], introduz uma semelhança existente entre o filme "Estrelas além do tempo" e a matéria publicada no jornal “El País”. d) Em “De forma que esses enunciados, de verdade, legitimaram posições de senso comum [...]” [linhas 32 e 33], a expressão “de verdade” poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelo advérbio “possivelmente”. 24. (CUSC/2018) Pronomes relativos são úteis para que se evitem repetições e para tornar o texto mais claro, coeso e conciso. Podem vir ou não acompanhados de preposições. Observe a utilização dos pronomes relativos sublinhados no texto abaixo: “A leitura é muito importante para desenvolver nossas habilidades, em vários aspectos, como o aprimoramento da escrita, por exemplo. Ler deve se tornar uma prática agradável, na qual devemos mergulhar no decorrer de nossa vida. A aquisição deste precioso hábito pode se dar, a princípio, por meio de leituras que nos agradem e, a partir de determinado estágio, seremos bons leitores de diversos e variados gêneros textuais. O hábito de que tratamos pode e deve ser estimulado desde a infância, porém nunca é tarde demais para se começar a ler!” Assinale a alternativa em que os pronomes relativos poderiam substituir os que estão sublinhados no texto: a) em que, cujas, que. b) que, em que, dos quais.c) a qual, a que, onde. d) em que, as quais, do qual. e) aonde, as quais, do que. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 50 25. (IFRN/2018.2) Apesar disso, algumas publicações internacionais começaram o ano do Mundial apontando o aumento dos preços de alguns serviços oferecidos pela Rússia durante o evento: o próprio jornal "Moscow Times" publicou, em janeiro, que os valores dos hotéis na capital podem aumentar em até cinco vezes para hospedagens em junho. Ainda segundo a publicação, a Agência Federal de Turismo russa publicou uma lista de 41 estabelecimentos QUE já estão praticando preços abusivos. O uso da expressão verbal “ESTÃO PRATICANDO” indica que a ação está a) inviabilizada. b) concluída. c) em repetição. d) em processo. 4 Gabarito 1. B 2. B 3. B 4. A 5. C 6. A 7. B 8. C 9. B 10. C 11. E 12. E 13. A 14. E 15. B 16. D 17. D 18. A 19. E 20. D 21. D 22. B 23. A 24. D 25. D ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 51 5 Questões Resolvidas e Comentadas 1. (UERJ/2016) O FUTURO ERA LINDO A informação seria livre. Todo o saber do mundo seria compartilhado, bem como a música, 2o cinema, a literatura e a ciência. O custo seria zero. O espaço seria infinito. A velocidade, 3estonteante. A solidariedade e a colaboração seriam os valores supremos. A criatividade, o único 4poder verdadeiro. O bem triunfaria sobre os males do capitalismo. O sistema de representação se tornaria obsoleto. Todos os seres humanos teriam oportunidades iguais em qualquer lugar do 6planeta. Todos seriam empreendedores e inventivos. Todos poderiam se expressar livremente. 7Censura, nunca mais. As fronteiras deixariam de existir. As distâncias se tornariam irrelevantes. O inimaginável seria possível. O sonho, qualquer sonho, poderia se tornar realidade. Livre, grátis, inovador, coletivo, palavras-chave do novo mundo que a internet inaugurou. Por anos esquecemos que a internet foi uma invenção militar, criada para manter o poder de quem já o tinha. Por anos fingimos que transformar produtos físicos em produtos virtuais era algo ecologicamente correto, esquecendo que a fabricação de computadores e celulares, com a obsolescência embutida em seu DNA, demanda o consumo de quantidades vexatórias de combustíveis fósseis, de produtos químicos e de água, sem falar no volume assombroso de lixo não reciclado em que resultam, incluindo lixo tóxico. Ninguém imaginou que o poder e o dinheiro se tornariam tão concentrados em megahipercorporações norte-americanas como o Google, que iriam destruir para sempre tantas indústrias e atividades em tão pouco tempo. Ninguém previu que os mesmos Estados Unidos, graças às maravilhas da internet sempre tão aberta e juvenil, se consolidariam como os maiores espiões do mundo, humilhando potências como a Alemanha e também o Brasil, impondo os métodos de sua inteligência militar sobre a população mundial, e guiando ao arrepio da justiça os bebês engenheiros nota dez em matemática mas ignorantes completos em matéria de ética, política e em boas maneiras. Ninguém previu a febre das notícias inventadas, a civilização de perfis falsos, as enxurradas de vírus, os arrastões de números de cartão de crédito, a empulhação dos resultados numéricos falseados por robôs ou gerados por trabalhadores mal pagos em países do terceiro mundo, o fim da privacidade, o terrorismo eletrônico, inclusive de Estado. Marion Strecker Adaptado de Folha de São Paulo, 29/07/2014. O termo megahipercorporações é formado por um processo que enfatiza o tamanho e o poder das corporações econômicas atuais. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 52 Essa ênfase é produzida pelo emprego de: a) sufixos de caráter aumentativo b) prefixos com sentido semelhante c) radicais de combinação obrigatória d) desinências de significado específico Comentários Alternativa A: incorreta. No caso são prefixos, não sufixos. Alternativa B: correta – gabarito. O termo “megahipercorporações” é formado pelos prefixos de origem grega “mega-“ e “hiper-“ que expressam noção semântica de grande quantidade, enfatizando o tamanho e o poder das corporações econômicas atuais. Alternativa C: incorreta. No caso não são radicais (parte integrante da palavra), mas sim prefixos. Alternativa D: incorreta. Desinências ocorrem ao final das palavras, ao passo que o prefixo no início. Gabarito: B 2. (UNESP/2018) “[...] os ladrões de que falo não são aqueles miseráveis, a quem a pobreza e vileza de sua fortuna condenou a este gênero de vida [...].” (3º parágrafo) Os termos destacados constituem, respectivamente, a) um artigo, uma preposição e uma preposição. b) uma preposição, um artigo e uma preposição. c) um artigo, um pronome e um pronome. d) um pronome, uma preposição e um artigo. e) uma preposição, um artigo e um pronome. Comentários: O primeiro “a” é uma preposição, pois se relaciona com o verbo “condenar” que se encontra suprimido (a pobreza condenou aos miseráveis); o segundo “a” é um artigo, que precede o substantivo “pobreza”; e o terceiro também é preposição pelo mesmo motivo do primeiro. Portanto, a alternativa correta é B. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 53 A alternativa A está incorreta, pois o pronome relativo “quem” não admite artigo”. A alternativa C está incorreta pelo mesmo motivo que A: o pronome relativo “quem” não admite artigo”. A alternativa D está incorreta, pois o pronome demonstrativo “este” também não admite artigo. A alternativa E está incorreta, pois “a” não é uma opção de pronome neste caso, já que não substitui o complemento do verbo. Gabarito: B 3. (UNIFESP/2013) O Hatha yoga pradipika, sagrada escritura do hatha yoga, escrita no século 15 da era atual, diz que, antes de nos aventurarmos na prática de austeridade e códigos morais, devemos nos preparar. Autocontrole e disciplina sem preparação adequada ____________ criar mais problemas mentais e de personalidade do que paz de espírito. A beleza dessa escritura é que ela resolve o grande problema que todo iniciante enfrenta: dominar a mente. Devido ___________ abordagem corporal, o hatha yoga ficou conhecido – de modo equivocado – como uma categoria de ioga ___________ trabalha apenas as valências físicas (força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e outras), quase como ginástica oriental. Isso não é verdade. (Ciência Hoje, julho de 2012. Adaptado.) De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, as lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, com a) pode – a essa – aonde. b) podem – a essa – que. c) pode – à essa – o qual. d) podem – essa – com que. e) pode – essa – onde. Comentários: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 54 A primeira lacuna deve ser completada com “podem”, pois há dois termos centrais a que o verbo se refere: “autocontrole” e “disciplina”. A oração ficaria, então “Autocontrole e disciplina sem preparação adequada pode criar mais problemas mentais” A segunda lacuna deve ser completada com “a essa”, pois “devido” exige preposição “a”, mas como a palavra “essa” não é precedida de artigo, não há uso de crase. A oração ficaria, então “Devido a essa abordagem corporal (...)”. A terceira lacuna deve ser completada com “que”. É a única alternativa que compreende um pronome relativo que pode se referir a um termo feminino (categoria de ioga). A oração ficaria, então “como uma categoria de ioga que trabalha apenas as valências físicas”. Gabarito: B 4. (FAMERP/2020) Considere a tirinha Garfield,de Jim Davis. O pronome “este”, no terceiro quadrinho, a) refere-se ao presente do personagem, em que não há diversão. b) retoma o sentido das palavras “o mundo”. c) refere-se ao período em que o mundo diverte o personagem. d) aponta para um momento em que o desejo do personagem se realizaria. e) retoma o sentido da frase “o mundo existe para me divertir”. Comentário: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 55 A alternativa A está correta, porque, como Garfield não está se divertindo quando fala, podemos entender que há uma relação clara com o momento de “intervalo” em que sua vida se encontra. Não há diversão nesse momento. A alternativa B está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está fosse o intervalo. Não há nenhuma relação com a ideia das palavras mundo, sejam conotativas, sejam denotativas. A alternativa C está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está fosse o intervalo. Como ele não está se divertindo, não podemos entender que se relaciona com o período em que o mundo lhe serve como divertimento. A alternativa D está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está fosse o intervalo. Como ele não está se divertindo, não podemos entender que se relacione com o sonho do personagem. A alternativa E está incorreta, porque o pronome demonstrativo indica o momento da fala de Garfield, em que ele não está se divertindo. É como se o momento em que ele está fosse o intervalo. Não se relaciona com o fato do mundo existir para diverti-lo. Gabarito: A 5. (ACAFE – Medicina/2021.1) Transforme as locuções adjetivas destacadas em adjetivos, optando por uma das sugestões entre parênteses. I. Não se impressione, são apenas chuvas de verão. (verânicas, estivais, pluviais) II. Faça a catalogação dos livros por faixa de idade, pois isso facilita a consulta. (etária, vital, hereditária) III. Desculpe, mas seu comportamento foi de criança. (senil, pueril, inadequado) IV. Diferentemente de ontem, as águas do rio estão turvas. (hidroviais, rivais, fluviais) V. Foram lindos encontros de irmãos motivados pela mesma fé. (irmanados, fraternos, magistrais) A resposta correta, de cima para baixo, é: a) estivais, - hereditária - senil - hidroviais - magistrais b) verânicas - hereditária - pueril - fluviais - irmanados ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 56 c) estivais - etária - pueril - fluviais - fraternos d) pluviais - vital - pueril - rivais – irmanados Comentário: Segundo dicionário Aulete: • Estivais são elementos típicos do verão, por isso é perfeitamente possível a troca. A palavra “verânicas” não existe na língua portuguesa. Pluviais está relacionado às águas da chuva. • Etária se refere à noção de idade, normalmente indicando uma faixa de tempo. Vital é alguma coisa essencial, sem a qual não se vive. Hereditário é algo que se passa entre os pais e os filhos, por meio da genética. • Senil indica perda de consciência em idade avançada. Pueril se relaciona à noção inocente da criança. Inadequado não se aplica ao caso por representar algo errado. • Hidroviais não existe em língua portuguesa (existe a palavra hidrovias, que são vias de transporte em rios). Rivais são oponentes em algum aspecto da vida. Fluviais são águas dos rios (cuidado com a confusão para pluviais). • Irmanados significa o mesmo que aparelhado, podendo significar tornar irmãos, mas não com significação de já serem irmãos. Fraternos está relacionado às ações e sentimentos entre os irmãos. Magistrais se relaciona diretamente com a ideia de algo muito bem feito, ou uma característica sensacional. Gabarito: C 6. (Mackenzie/2013.2) Texto I Esses Moços Esses moços, pobres moços Ah! Se soubessem o que eu sei Não amavam... Não passavam aquilo que eu já passei Por meus olhos Por meus sonhos ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 57 Por meu sangue, tudo enfim É que eu peço a esses moços Que acreditem em mim Se eles julgam Que há um lindo futuro Só o amor nesta vida conduz Saibam que deixam o céu por ser escuro E vão ao inferno À procura de luz Eu também tive nos meus belos dias Essa mania que muito me custou E só as mágoas eu trago hoje em dia E essas rugas o amor me deixou! Lupicínio Rodrigues (1948) Texto II Capítulo LXXIII / O contrarregra Ora, o dandy do cavalo baio não passou como os outros; era a trombeta do juízo final e soou a tempo; assim faz o Destino, que é o seu próprio contrarregra. O cavaleiro não se contentou de ir andando, mas voltou a cabeça para o nosso lado, o lado de Capitu, e olhou [5] para Capitu, e Capitu para ele; o cavalo andava, a cabeça do homem deixava-se ir voltando para trás. Tal foi o segundo dente de ciúme que me mordeu. A rigor, era natural admirar as belas figuras; mas aquele sujeito costumava passar ali, às tardes; morava no antigo Campo da Aclamação, e depois... e depois... Vão lá raciocinar com um coração [10] de brasa, como era o meu! Nem disse nada a Capitu; saí da rua à pressa, enfiei pelo meu corredor, e, quando dei por mim, estava na sala de visitas. Machado de Assis, Dom Casmurro (1899) Assinale a alternativa correta. a) No texto I, o uso do adjetivo pobres (linha 01) revela a intenção de afirmar que jovens são inexperientes no amor. b) No texto I, o pronome aquilo (linha 04) é índice de coesão textual e seu referente está estabelecido nas linhas 05 e 06. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 58 c) No texto I, a interjeição (linha 02) marca a dúvida do eu lírico em seu papel aconselhador. d) No texto II, a grafia do vocábulo trás (linha 06) corresponde ao seu uso no século XIX. Contemporaneamente, a mesma palavra, com o mesmo sentido, admite duas grafias abonadas pela norma culta: trás e traz. e) No texto II, o emprego do tempo verbal em costumava e morava (linha 08) denota ações pontuais, referentes apenas ao momento narrado. Comentário: A alternativa A está correta, porque a leitura do texto indica que o eu lírico se coloca em comparação com os moços, indicando ser ele mais velho e, consequentemente, mais experiente. Temos, então, a significação de pobres sendo ampliada, indicando que o eu lírico vê os moços como pessoas ainda sem experiência de vida, inocentes com relação à própria vida. A alternativa B está incorreta, porque não há referente, no texto, para a construção de retomada. Ele faz uma referência a ter passado por momentos não tão bons, mas sem especificá-los no poema. Logo, temos uma relação “exofórica”, quando o referencial não está presente no texto. A alternativa C está incorreta, porque a interjeição “Ah!” não indica dúvida do eu lírico com relação a nada, mas somente indica que temos uma relação clara de surpresa. A alternativa D está incorreta, porque “trás” e “traz” não mantém relação de significado, uma vez que um indica e funciona como um advérbio, enquanto o outro funciona como um verbo, denotando uma ação. A alternativa E está incorreta, porque o pretérito imperfeito, tempo dos verbos em questão, indica uma ação já encerrada, mas que ocorria com frequência no passado. Nesse caso, não temos ações pontuais. Gabarito: A 7. (UNIFOR/2020) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 59 O esquema acima representa os várioscomponentes do desenvolvimento sustentável. As palavras que melhor substituem os termos Viável e Equitativo, sem que haja alteração de sentido, são, respectivamente: a) Provável e Digno. b) Possível e Igualitário. c) Previsível e Isento. d) Favorável e Justo. e) Praticável e Distributivo. Comentário: A alternativa A está incorreta, porque “provável” é algo que pode acontecer, mas não está com a ideia de possibilidade do organograma. Além disso, ainda que uma distribuição “digna” seja o objeto da equidade, não podemos colocar como sendo sinônimos. A alternativa B está correta, porque “possível” se relaciona diretamente com a ideia de “viável”, substituindo-o de forma perfeita. “Igualitário” é exatamente a ideia de equidade, dado que temos a noção de uma distribuição justa e igual. A alternativa C está incorreta, porque “previsível” é literalmente algo que se pode prever. A ideia com que trabalhamos em viável é a construção de uma possibilidade de ser realizado, não que é previsto que ocorra. “Isento” também não serviria como resposta, dado que temos uma construção de equidade como forma de justiça em termos de distribuição. A alternativa D está incorreta, porque “favorável” não estabelece nenhuma relação com a ideia veiculada por viável, que significa algo que pode ser executado, que pode ocorrer. No caso, favorável está relacionado com a ideia de alguma coisa que se coloca a favor de um acontecimento. Por outro lado, “justo” aproxima-se bastante da ideia de equidade, podendo ser utilizada no contexto. A alternativa E está incorreta, porque “praticável” até poderia substituir a ideia de viável, uma vez que é possível realizar determinada ação. Contudo, ainda que “distributivo” se aproxime da ideia de “equitativo” em uma determinada forma de pensar, distribuir não significa ser de forma igual, como propõe a ideia de equitativo. Gabarito: B ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 60 8. (UVV/2019.1) A charge acima nos permite realizar, através de um olhar gramatical, as seguintes considerações: a) No primeiro quadro, nítido é o sujeito da frase “Hiena, você é o mais infame dos animais!”, expresso pela palavra “Hiena”, traduzida por um substantivo próprio simples. b) No segundo quadro, na fala “Como a ciência explica isso?”, o deslize do autor foi grosseiro, visto que o pronome possessivo correto deveria ser “isto”, já que o mesmo ganha, nessa sentença, destaque de sujeito. c) Ainda no segundo quadro, na resposta da Hiena “Não sei, sou meigo no assunto!”, a palavra em destaque tem a função morfológica de adjetivo e a função sintática de predicativo do sujeito. d) No quarto quadro, observamos o velho e bom erro de ortografia ao trocar a palavra “mau” por “mal”, como na frase do personagem. O correto seria: “E o mau que pode fazer para as crianças?!” e) Ainda no quarto quadro, observamos, na fala da Hiena, a presença de um adjunto adnominal de negação e um pronome substantivo indefinido. Comentário: A alternativa A está incorreta, porque o nominal “Hiena” é uma representação de vocativo e não de sujeito. O sujeito é o pronome de tratamento “você”, que retoma Hiena. A alternativa B está incorreta, porque, por se referir a elemento anterior, não há problema em utilizar o pronome isso. Mesmo que fosse sujeito, não haveria nenhum problema em utilizar essa relação pronominal. A alternativa C está correta, porque a palavra “meigo” é um adjetivo que modifica o sujeito oculto encontrado diante do verbo “sou”. Como é uma característica do sujeito (ainda que oculto), é classificado sintaticamente como um predicativo do sujeito. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 61 A alternativa D está incorreta, porque o uso do advérbio mal está correto, sem nenhuma construção de erro de ortografia nesse caso. O adjetivo “mau”, nesse caso, não se encaixa de forma correta no contexto. A alternativa E está incorreta, porque não existe a relação de adjunto adnominal de negação, uma função e significação típica dos adjuntos adverbiais. Além disso, o que temos é um pronome indefinido, mas, por estar modificando nome, se classifica como pronome adjetivo. Gabarito: C 9. (UFRGS/2019) – Para mim esta é a melhor hora do dia – Ema disse, voltando do quarto dos meninos. – Com as crianças na cama, a casa fica tão sossegada. [5] – Só que já é noite – a amiga corrigiu, sem tirar os olhos da revista. Ema agachou-se para recolher o quebra-cabeça esparramado pelo chão. – É força de expressão, sua boba. O dia [10] acaba quando eu vou dormir, isto é, o dia tem vinte quatro horas e a semana tem sete dias, não está certo? – Descobriu um sapato sob a poltrona. Pegou-o e, quase deitada no tapete, procurou, depois, o par ........ dos outros [15] móveis. Era bom ter uma amiga experiente. Nem precisa ser da mesma idade – deixou-se cair no sofá – Bárbara, muito mais sábia. Examinou-a a ler: uma linha de luz dourada [20] valorizava o perfil privilegiado. As duas eram tão inseparáveis quanto seus maridos, colegas de escritório. Até ter filhos juntas conseguiram, acreditasse quem quisesse. Tão gostoso, ambas no hospital. A semelhança [25] física teria contribuído para o perfeito entendimento? “Imaginava que fossem irmãs”, muitos diziam, o que sempre causava satisfação. – O que está se passando nessa cabecinha? [30] – Bárbara estranhou a amiga, só doente pararia quieta. Admirou-a: os cabelos soltos, caídos no rosto, escondiam os olhos ..........., azuis ou verdes, conforme o reflexo da roupa. De que cor estariam hoje seus olhos? [35] Ema aprumou o corpo. – Pensava que se nós morássemos numa casa grande, vocês e nós... Bárbara sorriu. Também ela uma vez tivera a ideia. – As crianças brigariam o tempo todo. [40] Novamente a amiga tinha razão. Os filhos não se suportavam, discutiam por qualquer motivo, ciúme doentio de tudo. O que sombreava o relacionamento dos casais. – Pelo menos podíamos morar mais perto, [45] então. Se o marido estivesse em casa, seria obrigada a assistir à televisão, ........, ele mal chegava, ia ligando o aparelho, ainda que soubesse que ela detestava sentar que nem [50] múmia diante do aparelho – levantou-se, repelindo a lembrança. Preparou uma jarra de ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 62 limonada. ........ todo aquele interesse de Bárbara na revista? Reformulou a pergunta em voz alta. [55] – Nada em especial. Uma pesquisa sobre o comportamento das crianças na escola, de como se modificam as personalidades longe dos pais. Adaptado de: VAN STEEN, Edla. Intimidade. In: MORICONI, Italo (org.) Os cem melhores contos brasileiros do século. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 440-441. O texto apresenta sentimentos de admiração de Ema por sua amiga Bárbara. Esses sentimentos transparecem na relação entre palavras. Assinale a alternativa em que a reunião de advérbios e adjetivo expressa esse sentido de admiração de Ema por sua amiga. a) amiga experiente (l. 16). b) muito mais sábia (l. 18). c) valorizava o perfil privilegiado (l. 20). d) cabelos soltos (l. 31). e) Novamente [...] tinha razão (l. 40). Comentário: A alternativa A está incorreta, porque a relação nessa construção é a de um substantivo, “amiga” e um adjetivo “experiente”. Perceba que o enunciado pede um adjetivo que seja modificado por um advérbio, como encontramos na alternativa B. A alternativa B está correta, porque o vocábulo “muito” e o vocábulo “mais” são advérbios que podem modificar advérbios, adjetivos e verbos. Como intensifica o adjetivo “sábia”, temos a resposta ao enunciado da questão. A alternativa C está incorreta, porque não há relação entre advérbio e adjetivo, possível na gramática.O que temos é uma relação de adjetivo e substantivo, privilegiado e perfil, de forma respectiva. A alternativa D está incorreta, porque, nesse enunciado, temos a relação entre um substantivo e um adjetivo. Cabelos é um substantivo e soltos é um adjetivo. Logo, não temos a relação pedida no enunciado da questão. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 63 A alternativa E está incorreta, porque não há conjugação entre adjetivo e advérbio nesse trecho. O que temos é um advérbio se relacionando com o próprio verbo, como é comum. Gabarito: B 10. (PUC.PR/2018) Leia a seguir. Em ortografia, a noção de certo ou errado é regida por lei, que prescreve a correta escrita de nossas palavras. Assim, sobre a correção ortográfica do segundo quadrinho da tirinha, assinale a alternativa CORRETA. a) “Bom” e “bem” são intercambiáveis nesse contexto, já que pertencem à mesma classe gramatical e têm o mesmo sentido. No entanto, “mau” seria a escolha certa por se tratar de um adjetivo no contexto criado. b) O emprego do artigo definido contraído com “em” em “no” substantiva “bom” e “mal”, o que implica a opcionalidade da escrita de “mal” ou “mau”, sem alteração semântica ou incorreção gramatical. c) Se entendermos que “no bom” traz elíptico o substantivo “colesterol”, a ortografia de “mal” deveria ser corrigida para “mau”, porque essa palavra seria, assim como “bom”, um adjetivo. d) Estaria correto o período se “mal” fosse substituído por “mau”, assim haveria dois substantivos em perfeito paralelo gramatical e o novo sentido dado pelo personagem a “bom” e “mau” seria garantido. e) A grafia de “bom” e “mal” está correta, já que aquele funciona como um adjetivo, e este funciona como um substantivo no período em questão, não havendo necessidade de paralelismo. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 64 Comentário: A alternativa A está incorreta, porque não temos uma intercambialidade entre bom e bem, dado que o primeiro é um adjetivo e o segundo, um advérbio. Notem que realmente “mau” seria a construção correta para o contexto, dado que modifica um nome. A alternativa B está incorreta, porque realmente há uma substantivação no caso, causada pelo uso do artigo “o” na contração. Essa parte do item está perfeita. Contudo, não há opcionalidade nesse caso. Perceba que não é o fato de serem substantivos que fazem com que tenhamos a possibilidade de usar qualquer um dos dois. No contexto, teríamos a construção bem e mal. A alternativa C está correta, porque realmente temos a ideia de que o “bom” refere-se a colesterol, forçando a ideia de que há necessidade de construção como um adjetivo “mau”, para manter a lógica do trecho, com modificação do substantivo. A alternativa D está incorreta, porque a substituição, no contexto, necessitaria ser dupla: o colesterol realmente seria bom e mau, mas o dualismo deveria ser bem e mal, dado que modificar-se-ia o significado no contexto. Além disso, as palavras “bom” e “mau” são adjetivos e não substantivos. A alternativa E está incorreta, porque o dualismo seria “bom” e “mau”, uma vez que se refere ao colesterol. É interessante notar que temos uma relação de erro comum na ortografia desses elementos. Além disso, “mal” não é um substantivo, mas um advérbio. Gabarito: C 11. (UFRR/2018) Leia o texto abaixo e responda à questão. UM APÓLOGO Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha: — Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo? — Deixe-me, senhora. — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. — Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 65 — Mas você é orgulhosa. — Decerto que sou. — Mas por quê? — É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu? — Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu? — Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados... — Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando... — Também os batedores vão adiante do imperador. — Você é imperador? — Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto... Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha: — Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima... A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plicplic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 66 — Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá. Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária! ASSIS, Machado de. Para Gostar de Ler - Volume 9 – Contos. São Paulo: Ática, 1984. No trecho: “Esta agora é melhor”, e no trecho “... um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência...”, as palavras destacadas são adjetivos expressos na gradação ou grau: a) superlativo absoluto sintético e superlativo absoluto analítico, respectivamente. b) comparativo de inferioridade. c) comparativo de superioridade e comparativo de inferioridade, respectivamente. d) superlativo relativo de superioridade. e) comparativo de superioridade Comentário: Temos, nesse caso,o uso do comparativo de superioridade. No primeiro caso, essa utilização fica clara, dado que utilizamos a fórmula “melhor”, que indica claramente a noção de superioridade. No caso do uso de “menor”, nesse caso, apresenta-se também como comparativo de superioridade, dado que há a construção com o advérbio “não”, indicando que “não menor experiência” terá valor de “maior experiência”. O pega dessa questão está exatamente na construção do “menor”, normalmente ligado à inferioridade, como indicação de superioridade. Entendemos, assim, que a alternativa C se comporta como a principal distratora dessa questão. Gabarito: E 12. (Inédita – Wagner Santos) Assinale a alternativa em que o elemento “que” é classificado como um pronome relativo. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 67 a) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável?” b) “Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.” c) “Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?” d) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho (...)” e) “Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira (...)” Comentário: A alternativa A está incorreta, porque nesse caso o “que” é uma conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva (explicaremos melhor na próxima aula). Contudo, você já consegue resolver percebendo que não é um pronome, dado que não substitui nenhum elemento anterior. A alternativa B está incorreta, porque nesse caso o “que” é uma conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva (explicaremos melhor na próxima aula). Contudo, você já consegue resolver percebendo que não é um pronome, dado que não substitui nenhum elemento anterior. A alternativa C está incorreta, porque a expressão “é que” é uma expressão expletiva, que pode ser retirada sem problemas do enunciado sem que se percam significados ou sintaxe. A alternativa D está incorreta, porque nesse caso o “que” é uma conjunção integrante, que introduz uma oração subordinada substantiva (explicaremos melhor na próxima aula). Contudo, você já consegue resolver percebendo que não é um pronome, dado que não substitui nenhum elemento anterior. A alternativa E está correta, porque o elemento “que” apresenta-se como um pronome relativo, dado que substitui a palavra “pano”, que a precede, indicando um comentário acerca dessa construção. Gabarito: E 13. (Inédita – Wagner Santos) Em qual das alternativas a seguir o elemento em destaque deve ser classificado como um pronome demonstrativo? a) “— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?” b) “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha (...)” ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 68 c) “Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante (...)” d) “— Também os batedores vão adiante do imperador.” e) “Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.” Comentário: A alternativa A está correta, porque o “o” da contração apresenta-se com valor de “aquilo”, caracterizando-se, assim, como um pronome demonstrativo. Essa relação é essencial para a compreensão dessa diferença: faça a troca entre os elementos para poder saber a classificação. A alternativa B está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido que se relaciona com o substantivo “pano”. Não é um pronome demonstrativo. A alternativa C está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido que se relaciona com o substantivo “verdade”. Não é um pronome demonstrativo. A alternativa D está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido que se relaciona com o substantivo “batedores”. Não é um pronome demonstrativo. A alternativa E está incorreta, porque o elemento em destaque é um artigo definido que se relaciona com o substantivo “vida”. Não é um pronome demonstrativo. Gabarito: A 14. (Inédita – Wagner Santos) — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça. Os elementos em destaque no trecho acima retomam a ideia de a) alfinete, por meio de retomada anafórica. b) coisa, por meio de retomada catafórica. c) senhora, por meio de retomada catafórica. d) linha, por meio de retomada anafórica. e) agulha, com uma retomada anafórica. Comentário: ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 69 Há, entre os pronomes, duas formas de relação que são necessárias para a resposta de muitos exercícios: a relação anafórica, em que o pronome se refere a termo anterior; e a catafórica, em que a relação se dá com termo posterior, como em “Nós, os brasileiros, estamos fadados ao sofrimento”. No caso da questão, percebe-se que os dois pronomes pessoais se referem a termos anteriores a eles, no caso, ao substantivo “agulha”. Essa relação necessita do texto para ser composta e resolvida. Gabarito: E 15. (Inédita – Wagner Santos) Em qual das alternativas a seguir o pronome em destaque tem valor de posse? a) “Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.” b) “Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.” c) “— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância?” d) “— Deixe-me, senhora.” e) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. Comentário: A alternativa A está incorreta, porque o pronome em destaque apresenta-se como referência a “a mim”, funcionando como um modificador do verbo, um complemento, no caso, e não com valor de posse, que precisaria se referir a termo substantivo. A alternativa B está correta, porque a ideia de “me der na cabeça” tem a significação de “der na minha cabeça”, indicando que funciona como modificador do nome cabeça, indicando a quem ela pertence. A alternativa C está incorreta, porque o pronome em destaque apresenta-se como referência a “a mim”, funcionando como um modificador do verbo, um complemento, no caso, e não com valor de posse, que precisaria se referir a termo substantivo. A alternativa D está incorreta, porque o pronome em destaque é um pronome que faz parte do verbo e não apresenta a relação de posse com nenhum nome. É interessante notar que a noção de posse se dá em relação, sempre, a um nome e nunca a um verbo. A alternativa E está incorreta, porque o pronome em destaque apresenta-se como referência a “a mim”, funcionando como um modificador do verbo, um complemento, no caso, e não com valor de posse, que precisaria se referir a termo substantivo. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 70 Gabarito: B ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 71 16. (Inédita – Wagner Santos) Em qual das alternativas a seguir os elementos em destaque são classificados, todos, como pronomes? a) “A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário.” b) “Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?” c) “Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura.” d) “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça”. e) “— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!” Comentário: A alternativa A está incorreta,porque, ainda que os elementos “que” e “algum” sejam pronomes, o elemento “a” funciona como uma preposição e não como pronome. A alternativa B está incorreta, porque, ainda que os elementos “quem” e “você” sejam pronomes, o elemento “que” funciona como uma conjunção e não como pronome. A alternativa C está incorreta, porque, ainda que o “te” e o “ela” sejam pronomes, o elemento “que” não substitui nenhuma palavra, fazendo com que tenhamos a classificação de conjunção. Relembro que, mesmo sem termos estudado as conjunções, é importante destacar que a substituição é essencial. A alternativa D está correta, porque “esta”, “que” e “me” são elementos com valor pronominal no trecho. O “que”, que pode causar maiores dificuldades, é classificado como um pronome relativo. A alternativa E está incorreta, porque, ainda que o elemento “eu” seja pronome, o elemento “a” funciona como uma preposição e não como pronome. Gabarito: D 17. (EFOMM/2019) Como Dizia Meu Pai (...) Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos guardavam ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 72 zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer. Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje. Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento. — As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem. Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus – embora jamais fosse assim eloquente em suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo ante as esperanças vãs: — O que não tem solução, solucionado está. E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si. [...] SABINO, Fernando. A volta por cima. In: Obra Reunida v. III. Rio de Janeiro: Ed. Nova Aguilar, 1996. (Texto adaptado) Com base no texto, responda à questão que se segue. Assinale a opção em que a flexão de grau do substantivo destacado é utilizada exclusivamente para pôr em primeiro plano uma linguagem que demonstra valor afetivo. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 73 a) “Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia.” (9°§) b) “Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvessem sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta.” (10°§) c) “Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma boia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado.” (10°§) d) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde [...].” (9°§) e) “Se acaso ainda estivermos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer.” (9°§) Comentário: A alternativa A está incorreta, porque “palhinas”, nesse caso, apresenta valor de um pequenas palhas mesmo, palhas diminutas. Não temos, assim, relação de afetividade entre o emissor e o termo em questão. A alternativa B está incorreta, porque “pecinhas”, nesse caso, apresenta valor de um pequenas peças mesmo, peças diminutas. Não temos, assim, relação de afetividade entre o emissor e o termo em questão. A alternativa C está incorreta, porque “pequenos consertos”, nesse caso, apresenta valor de pequenos consertos mesmo. Não temos, assim, relação de afetividade entre o emissor e o termo em questão. A alternativa D está correta, porque “paizinho”, ao lermos o texto, apresenta claro valor de afetividade, tanto que o narrador apresenta a noção de que ele era assim chamado por ser um homem de quem gostavam. Não temos, então, o valor de um pai pequeno, que poderia acontecer em outros contextos. A alternativa E está incorreta, porque “saquinho”, nesse caso, apresenta valor de um pequeno saco mesmo. Não temos, assim, relação de afetividade entre o emissor e o termo em questão. Gabarito: D 18. (Inédita – Wagner Santos) Assinale a alternativa em que há uma locução adjetiva. a) “Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir.” ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 74 b) “Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde.” c) “O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas.” d) “— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.” e) “E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.” Comentário: A alternativa A está correta, porque “de uma fatalidade” funciona como locução adjetiva que complementa o significado do termo “diante”. Essa é a única construção, dentre os trechos, que funciona como uma locução adjetiva. A alternativa B está incorreta, porque, ainda que tenhamos duas construções de locução, em “a pé” e “até o centro”, ambas se comportam como elementos ligados a verbo e, por isso, são locuções adverbiais e não adjetivas. A alternativa C está incorreta, porque não há, nessa construção, nenhuma forma de construção de locução, nem adjetiva, nem adverbial. A alternativa D está incorreta, porque não há, nessa construção, nenhuma forma de construção de locução, nem adjetiva, nem adverbial. A alternativa E está incorreta, porque não há, nessa construção, nenhuma forma de construção de locução, nem adjetiva, nem adverbial. Gabarito: A 19. (Inédita – Wagner Santos) No português, é comum encontrarmos elementos que funcionam de formas distintas, ainda que com a mesma grafia. Assinale, assim, a alternativa em que o elemento em destaque não se apresenta com valor possessivo. a) “Queriadizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus (...)” b) “(...) hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando.” c) “Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um (...)” d) “(...) a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde (...)” e) “Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho (...)” ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 75 Comentário: A alternativa A está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. A alternativa B está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. A alternativa C está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. A alternativa D está incorreta, porque o elemento destacado apresenta valor de pronome possessivo, indicando a noção de posse típica desse tipo de pronome. A alternativa E está correta, porque o “seu”, diante do nome “Domingos” apresenta-se como uma redução do pronome “senhor”, muito usual no português brasileiro. Poderíamos, assim, classificar o termo em destaque como um pronome de tratamento e não possessivo. Dessa forma, entendemos que não apresenta valor possessivo, servindo como resposta à questão. Gabarito: E 20. (Unimontes/2019) Crianças, crueldade e Justiça Bullying é o comportamento agressivo, intencional e repetido contra alguém por conta de alguma característica ou situação peculiar. É um desequilíbrio de poder que afeta sobretudo crianças e adolescentes em escolas e em outros ambientes de convivência, mas que também inferniza a vida de adultos. Por alguma razão psicológica, pessoas sentem prazer em humilhar, provocar sofrimento. Reunidas, [5] multiplicam agressões verbais ou físicas contra quem se destaca pela diferença: obesidade, altura, pele, nariz, timidez, roupa. Filiação, raça, falta de habilidade para o esporte, aplicação nos estudos ou dificuldade de aprendizado também dão origem a maus- tratos, isolamento e depressão. A internet amplia seus efeitos. CARVALHO FILHO, Luis Francisco. Crianças, crueldade e Justiça. Folha de S. Paulo. Cotidiano, 1.º ago. 2015, B2. Adaptado. “A internet amplia seus efeitos.” (linha 8) ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 76 Em destaque nesse trecho, o pronome, de acordo com os encadeamentos das ideias no texto, reporta-se a a) razão psicológica. b) Justiça. c) internet. d) bullying. Comentário: A leitura atenta do texto nos leva à percepção de que o pronome em questão se refere ao vocábulo “Bullying” e não se refere à palavra “internet”, como poderia parecer a partir de uma leitura mais superficial. Dessa forma, a única resposta possível para essa questão é, exatamente, a alternativa D. Gabarito: D 21. (Unimontes/2019) Breve discurso sobre a cultura Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e matizes. Durante muitos séculos foi um conceito inseparável da religião e do conhecimento teológico; na Grécia, esteve marcada pela Filosofia e, em Roma, pelo Direito, enquanto no Renascimento foi conformada sobretudo pela literatura e pelas artes. Em épocas mais recentes, como no Iluminismo, foram a ciência e os grandes descobrimentos científicos que deram o principal viés à [5] ideia de cultura. Mas, apesar destas variantes e até a nossa época, cultura, segundo um amplo consenso social, sempre significou uma soma de fatores e de disciplinas que a constituíam e eram por sua vez implicadas por ela; a reivindicação de um patrimônio de ideias, valores e obras de arte; de alguns conhecimentos históricos, religiosos, filosóficos e científicos em constante evolução; e o incentivo à exploração de novas formas artísticas e literárias, e da investigação em todos os campos do saber. A cultura estabeleceu sempre uma hierarquia social, distinguindo entre aqueles que a cultivavam, enriqueciam com contribuições diversas e faziam progredir, e aqueles que não se ocupavam dela, a desprezavam ou a ignoravam, ou estavam excluídos dela por razões sociais e econômicas. Em todas as épocas históricas e até a nossa, em qualquer sociedade concreta havia pessoas cultas e incultas e, entre esses dois extremos, pessoas mais ou menos cultas ou mais ou menos incultas. Ao mesmo tempo, essa classificação estava bastante clara para todo o [15] mundo porque valia para todos um mesmo sistema de valores, de critérios culturais e de maneiras de pensar, de julgar e de comportar-se. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 77 Em nosso tempo tudo isso mudou. A noção de cultura estendeu-se tanto que, embora ninguém se atreva a reconhecê-la de maneira explícita, se desvaneceu. Transformou-se num fantasma inapreensível, multitudinário e metafórico. Porque já ninguém é culto se todos creem sê-lo, ou então se o conteúdo daquilo a que chamamos cultura [20] foi de tal maneira deformado que todos podem justificadamente crer que o são. LLOSA, Mário Vargas. Breve discurso sobre a cultura. In: MACHADO, Cassiano Elek (org.). Pensar a cultura. Porto Alegre: Arquipélago, 2013. p. 12-13. Considerando o trecho “Ao longo da história, a noção de cultura teve distintos significados e matizes.” (linha 1), esse operador verbal em destaque a) pode ser substituído por “teria”, devido ao fato de não se conseguir definir esses “[...] significados e matizes [...]”, pela sua variedade. b) seria igualmente substituído por “tem”, pelo teor de apresentação histórica de um fato. c) propicia ao interlocutor a crença de que a noção de cultura que se tinha ainda se mantém. d) representa um fato que pôde ser constatado em relação à cultura, no passado. Comentário: A alternativa A está incorreta, porque a noção de “teria” apresenta uma leitura de hipótese, de possibilidade e não de certeza, como ocorre com o uso do “teve”, que indica que realmente houve relação diferente no tempo. A alternativa B está incorreta, porque o uso do presente demonstraria imutabilidade com relação ao que se pensava. Na realidade, como percebemos, houve modificação marcada exatamente pelo uso desse tempo verbal. A alternativa C está incorreta, porque a noção do pretérito indica que as ideias com relação à cultura foram sendo modificadas com o passar do tempo, demonstrando que não mais temos a relação do que se pensava no passado. A alternativa D está correta, porque o uso do indicativo apresenta a noção de um fato certo, que, como afirma a alternativa, pôde ser constatado em relação à cultura, que se modifica com o passar do tempo. Gabarito: D 22. (UFPR/2018) TV a Serviço da Tecnologia e do Racismo ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 78 Os meios de comunicação, todos eles, têm sido braço direito e esquerdo da propagação das tecnologias da estrutura racista. Isso é uma verdade que se pode confirmar com absoluta facilidade em todos os veículos de comunicação disponíveis, em especial a televisão. O poderoso e influente jornalista Assis Chateaubriand foi o responsável pela primeira transmissão televisiva no Brasil, em 18 de setembro de 1950, pela TV Tupi, em São Paulo. No ano seguinte, seria a vez de o Rio de Janeiro ser contemplado com essa novíssima ferramenta, viabilizada por recursos importados dos Estados Unidos. O Brasil, então, passou a ser o quarto país do mundo a operar esse tipo de veículo,ficando atrás apenas da Inglaterra, França e dos próprios Estados Unidos. O país seguia pouco mais de meio século de pós-abolição. Uma pós- abolição que ora tentava se livrar das sobras humanas, cuja exploração explícita já não era mais permitida pela lei, ora se valia da fragilidade dessas sobras vivas para prosseguir com os acúmulos de riqueza construída à custa da exploração histórica e não reparada. [...] (Joice Beth, Le Monde Diplomatique Brasil, junho/2017, p. 38. Adaptado.) Com relação à palavra “sobras” citada na última frase do texto, é correto afirmar que refere: a) os recursos humanos da TV. b) os negros pós-abolição. c) a sociedade manipulada pela TV. d) os profissionais da tecnologia televisiva. e) os líderes abolicionistas. Comentário: Ao lermos o texto de forma mais atenta, nota-se que o uso do substantivo “sobras”, ao ligar-se à noção do adjetivo “humanas”, faz referência clara àqueles que eram tratados de forma menos humanas, ou seja, se refere aos negros no momento posterior à abolição. A ideia é exatamente a de que, como não houve planejamento suficiente para a libertação dos escravos, esses sobraram em meio à sociedade. Gabarito: B 23. (IFSulDeMinas/2018.2) O gênero da ciência ou sobre silêncios e temores em torno de uma epistemologia feminista ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 79 “Elas recebem menos convites para avaliar o trabalho de seus pares. E meninas se veem como menos brilhantes desde os 6 anos”. Editoria de Ciências – El País [1] A notícia saiu no início de 2017, trazendo dados de duas pesquisas científicas sobre o alijamento de mulheres do campo de investigações acadêmicas. A reportagem é ilustrada pela foto de divulgação do hollywoodiano "Estrelas além do tempo". Naquele filme, racismo, sexismo, machismo e conservadorismo político se juntam à alta tecnologia beligerante da Guerra Fria. Nada mais representativo do mundo das ciências. O mundo [5] que tem a razão como seu alicerce. A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o comportamento masculino. Homem => razão => civilização => branquitude => ciência => verdade. Equação que não apareceu nos infindos cálculos das protagonistas do filme, mas que definiu calculadamente o silêncio que se instituiria sobre a participação crucial daquelas mulheres na “corrida espacial”. Mais de meio século separam "Estrelas além do tempo" e a matéria do jornal El País. Neste ínterim, [10] sociedades de matriz ocidental assistiram ao crescimento dos movimentos identitários, dentre estes, o movimento feminista, manifestado em diferentes correntes políticas e de luta, mas com um elemento em comum: contestar o lugar naturalizado de opressão que justificava politicamente a desigualdade entre homens e mulheres. Naquele momento ainda não se falava em gênero como categoria de análise social. Mesmo no campo dos estudos feministas, trabalhava-se muito mais com a categoria “mulher”. [15] Mais recentemente [...] as feministas começaram a utilizar a palavra “gênero” mais seriamente, no sentido mais literal, como uma maneira de referir-se à organização social da relação entre os sexos [...] Historicizar o uso de um termo com a potência política e contestatória da categoria gênero é importante para que entendamos por que, no presente, estamos assistindo a um recrudescimento conservador que procura realocar no campo da natureza as desigualdades sociais. [...] [20] Pensar em gênero por esse prisma é ampliar para além do corpo, da anatomia e do biológico as experiências femininas e masculinas, percebendo que construímos nosso gênero de forma relacional, ou seja, nas relações sociais, as quais abarcam as instituições pedagogizantes (família, escola, igrejas), de forma que somos orientadas e orientados pelos valores hegemônicos de cada tempo e lugar, sejam para reiterar esses valores ou para enfrentá-los. [25] Uma das maneiras de se fazer esses enfrentamentos passa, justamente, pela forma de se construir conhecimento, quer dizer, propor outras maneiras de se pensar o mundo, as relações humanas e, assim, de fazer ciência. Esse lugar assegurado de produção de verdades passa a ser contestado pelos discursos feministas. [...] O potencial iconoclasta do conceito de gênero se evidencia desde os escritos seminais de Simone de [30] Beauvoir, ainda que ela não tenha se valido dele para denunciar a ciência ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 80 como um discurso masculinista. Discurso este que construiu “a representação do mundo, como o próprio mundo (…). Eles [os homens] os descrevem do ponto de vista que lhes é peculiar e que confundem com a verdade absoluta”. De forma que esses enunciados, de verdade, legitimaram posições de senso comum que colocam, até o presente, as mulheres como incomensuravelmente distintas dos homens, como seu “outro”, exterior e inferior a eles mesmos. [...] [35] Os homens criam os mitos da cultura ocidental e, entre estes, está o mito da Mulher, acompanhado também pela mitologia comum das “figuras masculinas convencionais”. Assim, a humanidade é dividida em duas classes, criando-se, como diz Beauvoir, um tipo de “conceito platônico” da noção de Mulher – uma Ideia ou Verdade transcendental imutável: “Assim, à existência dispersa, contingente e múltipla das mulheres, o pensamento mítico opõe o Eterno Feminino único e cristalizado”. Esse mito é fruto de relações de poder e se [40] constrói para servi-las, pois como afirma Beauvoir de forma contundente: “Poucos mitos foram mais vantajosos do que esse para a casta dominante: justifica todos os privilégios e autoriza mesmo abusar deles”. O que os feminismos, em suas distintas expressões políticas, vêm propondo é altamente desestabilizador do status quo. Se a ciência tem se constituído como o discurso hegemônico do ocidente para propor soluções, articular análises sobre fenômenos diversos e instituir verdades sobre o mundo, entende-se que enfrentar [45] criticamente essas verdades, denunciando seus vícios de origem e suas lacunas silenciadoras, desestabiliza privilégios, mas, mais que isso, exige que desenvolvamos outro vocabulário para falar do presente. Fonte: http://www.aulete.com.br/. Acesso em: 02 abr. 2018. Considerando a leitura integral do texto, assinale a alternativa correta: a) Em “[...] somos orientadas e orientados pelos valores hegemônicos de cada tempo e lugar, sejam para reiterar esses valores ou para enfrentá-los” [linhas 23 e 24], o pronome “los” retoma a expressão “valores hegemônicos”. b) No trecho “A mesma qualidade que sustenta nossas percepções vulgares sobre o comportamento masculino”, a palavra “qualidade” refere-se ao termo “ciências” [linhas 05 e 06]. c) O trecho “mas com um elemento em comum” [linhas 11 e 12], introduz uma semelhança existente entre o filme "Estrelas além do tempo" e a matéria publicada no jornal “El País”. d) Em “De forma que esses enunciados, de verdade, legitimaram posições de senso comum [...]” [linhas 32 e 33], a expressão “de verdade” poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelo advérbio “possivelmente”. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 81 Comentário: A alternativa A está correta, porque, como o texto apresenta-se bastante crítico aos pensamentos arraigados na sociedade, percebe-se que os “valores hegemônicos”, aqueles que não são abertos à diversidade, segundo o texto. Dessa forma, o enfrentamento, quando necessário, é exatamente a esses valores, fazendo com que tenhamos a noção do “los” substituindo essa expressão nominal. A alternativa B está incorreta, porque a palavra “qualidade” refere-se, de maneira anafórica, à noção de razão, a qual aparece no períodoimediatamente anterior. A alternativa C está incorreta, porque a ideia é a de que há um elemento em comum nas situações abordadas nos dois textos, não entre os dois textos. É uma referência diferente do que parece. A alternativa D está incorreta, porque a leitura de “possivelmente” apresenta noção de possibilidade e não relação com a certeza, como apresenta a expressão adverbial “de verdade”. Não se esqueça de que essas relações são significativas dentro de um texto e o contexto deve ser considerado. Gabarito: A 24. (CUSC/2018) Pronomes relativos são úteis para que se evitem repetições e para tornar o texto mais claro, coeso e conciso. Podem vir ou não acompanhados de preposições. Observe a utilização dos pronomes relativos sublinhados no texto abaixo: “A leitura é muito importante para desenvolver nossas habilidades, em vários aspectos, como o aprimoramento da escrita, por exemplo. Ler deve se tornar uma prática agradável, na qual devemos mergulhar no decorrer de nossa vida. A aquisição deste precioso hábito pode se dar, a princípio, por meio de leituras que nos agradem e, a partir de determinado estágio, seremos bons leitores de diversos e variados gêneros textuais. O hábito de que tratamos pode e deve ser estimulado desde a infância, porém nunca é tarde demais para se começar a ler!” Assinale a alternativa em que os pronomes relativos poderiam substituir os que estão sublinhados no texto: a) em que, cujas, que. b) que, em que, dos quais. ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 82 c) a qual, a que, onde. d) em que, as quais, do qual. e) aonde, as quais, do que. Comentário: Essa é uma questão que versa acerca do uso dos pronomes relativos em um determinado contexto, sendo possível a substituição por outros elementos. Vamos a eles: • O primeiro elemento deve ser substituído por “em que”, elemento neutro que consegue se referir a elemento feminino. • O segundo elemento, por referir-se a palavra feminina no plural, pode ser substituído por “as quais”, mantendo-se concordância necessária. • O terceiro elemento, por referir-se a palavra masculina no singular, pode ser substituído por “do qual”, mantendo-se concordância necessária. Gabarito: D 25. (IFRN/2018.2) Apesar disso, algumas publicações internacionais começaram o ano do Mundial apontando o aumento dos preços de alguns serviços oferecidos pela Rússia durante o evento: o próprio jornal "Moscow Times" publicou, em janeiro, que os valores dos hotéis na capital podem aumentar em até cinco vezes para hospedagens em junho. Ainda segundo a publicação, a Agência Federal de Turismo russa publicou uma lista de 41 estabelecimentos QUE já estão praticando preços abusivos. O uso da expressão verbal “ESTÃO PRATICANDO” indica que a ação está a) inviabilizada. b) concluída. c) em repetição. d) em processo. Comentário: A relação da locução verbal em questão é a de uma ação que está em processo, dado que temos o uso do gerúndio como indicador de ação iniciada no passado, mas que ainda ESTRATÉGIA VESTIBULARES – GIT – Prof. Wagner Santos AULA 04 – Morfologia II – Classes Variáveis 83 permanece em processo. Essa, como veremos posteriormente, é uma das formas de uso do gerúndio mais comuns no português brasileiro. Gabarito: D 6 Considerações Finais das Aulas Meus jovens, na próxima aula, teremos a continuidade das classes gramaticais. Faça os exercícios e atente-se à necessidade que teremos de colocar em prática esses pensamentos com relação à sintaxe. Bora que só bora e um excelente estudo para vocês! Professor Wagner Santos @wagnerliteratura @profwagnersantos Folha de versão: 20/12/2021