Prévia do material em texto
Pré-Modernismo Semana Modernista Profº Mari Neto Página 1 de 4 1. (Enem 2014) Psicologia de um vencido Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênesis da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundíssimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância… Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme — este operário das ruínas — Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra! ANJOS, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. A poesia de Augusto dos Anjos revela aspectos de uma literatura de transição designada como pré-modernista. Com relação à poética e à abordagem temática presentes no soneto, identificam-se marcas dessa literatura de transição, como a) a forma do soneto, os versos metrificados, a presença de rimas e o vocabulário requintado, além do ceticismo, que antecipam conceitos estéticos vigentes no Modernismo. b) o empenho do eu lírico pelo resgate da poesia simbolista, manifesta em metáforas como “Monstro de escuridão e rutilância” e “influência má dos signos do zodíaco”. c) a seleção lexical emprestada ao cientificismo, como se lê em “carbono e amoníaco”, “epigênesis da infância” e “frialdade inorgânica”, que restitui a visão naturalista do homem. d) a manutenção de elementos formais vinculados à estética do Parnasianismo e do Simbolismo, dimensionada pela inovação na expressividade poética, e o desconcerto existencial. e) a ênfase no processo de construção de uma poesia descritiva e ao mesmo tempo filosófica, que incorpora valores morais e científicos mais tarde renovados pelos modernistas. TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Apóstrofe à carne Quando eu pego nas carnes do meu rosto, Pressinto o fim da orgânica batalha: – Olhos que o húmus necrófago estraçalha, Diafragmas, decompondo-se, ao sol-posto. E o Homem – negro e heteróclito composto, Onde a alva flama psíquica trabalha, Desagrega-se e deixa na mortalha O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto! Carne, feixe de mônadas bastardas, Conquanto em flâmeo fogo efêmero ardas, A dardejar relampejantes brilhos, Dói-me ver, muito embora a alma te acenda, Em tua podridão a herança horrenda, Que eu tenho de deixar para os meus filhos! (Augusto dos Anjos. Obra completa, 1994.) 2. (Unifesp 2013) No plano formal, o poema é marcado por a) versos brancos, linguagem obscena, rupturas sintáticas. b) vocabulário seleto, rimas raras, aliterações. c) vocabulário antilírico, redondilhas, assonâncias. d) assonâncias, versos decassílabos, versos sem rimas. e) versos livres, rimas intercaladas, inversões sintáticas. 3. (Unifesp 2013) No soneto de Augusto dos Anjos, é evidente a) a visão pessimista de um “eu” cindido, que desiste de conhecer-se, pelo medo de constatar o já sabido de sua condição humana transitória. b) o transcendentalismo, uma vez que o “eu” desintegrado objetiva alçar voos e romper com um projeto de vida marcado pelo pessimismo e pela tortura existencial. c) a recorrência a ideias deterministas que impulsionam o “eu” a superar seus conflitos, rompendo um ciclo que naturalmente lhe é imposto. d) a vontade de se conhecer e mudar o mundo em que se vive, o que só pode ser alcançado quando se abandona a desintegração psíquica e se parte para o equilíbrio do “eu”. e) o uso de conceitos advindos do cientificismo do século XIX, por meio dos quais o poeta mergulha no “eu”, buscando assim explorar seu ser biológico e metafísico. 4. (Upe-ssa 3 2017) O início do século XX, compreendido entre 1902 a 1922, foi muito significativo para a fase de transição da literatura brasileira. As Vanguardas Europeias e a Semana de 1922 representaram mudanças importantíssimas no fazer artístico e literário, no Brasil. Acerca desse período, analise as proposições a seguir e assinale com V as Verdadeiras e com F as Falsas. ( ) O ano de 1902, marcado pela publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi decisivo para a liberdade intelectual brasileira. Essa obra foi importante porque lançou, de um só golpe, a realidade brasileira até então disfarçada. Isso mantinha os escritores da época presos à visão europeia, em razão de sentimentos de inferioridade, motivados pelo status colonial vivenciado. ( ) O Futurismo, um dos movimentos de vanguarda, foi lançado por Marinetti. Tal movimento estético caracterizou-se mais por manifestos que por obras; assim, os futuristas exaltavam a vida moderna, cultuavam a máquina e a velocidade. ( ) Os romances de Lima Barreto têm muito de crônica, pois neles se encontram cenas do cotidiano, de jornal, sobre a vida burocrática, tudo numa linguagem fluente e sem muitas ambições. Isso pode ser percebido no seguinte trecho de sua obra Recordações do Escrivão Isaías Caminha: “Almocei, saí até à cidade próxima para fazer as minhas despedidas, jantei e, sempre, aquela visão doutoral que me não deixava”. ( ) Augusto dos Anjos é um poeta eloquente; assim, encontram-se, em sua obra, palavras do jargão científico e termos técnicos, que não podem ser ignorados, porque tais palavras fazem parte do contexto de produção do poeta. Pode-se conferir isso no seguinte trecho de seu poema A ideia: “Vem do encéfalo absconso que a constringe, / Chega em seguida às cordas do laringe, / Tísica, tênue, mínima, raquítica ...” Página 2 de 4 ( ) A Semana de 22 ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. A ideia da Semana era a de destruir, escandalizar e, especialmente, criticar. Acerca dessa postura, Aníbal Machado diz a seguinte frase: “Não sabemos definir o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”. A sequência CORRETA, de cima para baixo, é: a) V – V – F – F – V. b) V – V – V – F – F. c) V – V – V – V – V. d) F – F – F – V – V. e) F – F – V – F – F. 5. (Unesp 2017) Trata-se de uma obra híbrida que transita entre a literatura, a história e a ciência, ao unir a perspectiva científica, de base naturalista e evolucionista, à construção literária, marcada pelo fatalismo trágico e por uma visão romântica da natureza. Seu autor recorreu a formas de ficção, como a tragédia e a epopeia, para compreender o horror da guerra e inserir os fatos em um enredo capaz de ultrapassar a sua significação particular. (Roberto Ventura. “Introdução”. In: Silviano Santiago (org.). Intérpretes do Brasil, vol. 1, 2000. Adaptado.) Tal comentário crítico aplica-se à obra a) Capitães da Areia, de Jorge Amado. b) Vidas secas, de Graciliano Ramos. c) Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. d) Os sertões, de Euclides da Cunha. e) Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Não se zanguem A cartomancia entrou decididamente na vida nacional. Os anúncios dos jornais todos os dias proclamam aos quatro ventos as virtudes miríficas das 1pitonisas. Não tenho absolutamente 2nenhuma ojeriza pelas adivinhas; acho até que são bastante úteis, pois mantêm e sustentam no nosso espírito essa coisa que é mais necessária à nossa vida que o próprio pão: a ilusão. Noto, porém, que no arraial 3dessa gente que lida com o destino, reina a discórdia, tal e qual no campo de Agramante. A política, que sempre foi a inspiradora de azedas polêmicas, deixou um instante de sê-lo e passou a vara à cartomancia. 4Duas senhoras, ambas ultravidentes, extralúcidas e não sei que mais, aborreceram-se e anda uma delas a dizer da outra cobras e lagartos. Como se pode compreender que 5duas sacerdotisas do invisível não se entendam e deem ao público esse espetáculo de brigas tão pouco próprio a quem recebeu dos altos poderes celestiaisvirtudes excepcionais? A posse de tais virtudes devia dar-lhes uma mansuetude, uma tolerância, um abandono dos interesses terrestres, de forma a impedir que o azedume fosse logo abafado nas suas almas extraordinárias e não rebentasse em disputas quase sangrentas. Uma cisão, uma cisma nessa velha religião de adivinhar o futuro, é fato por demais grave e pode ter consequências desastrosas. Suponham que F. tenta saber da cartomante X se coisa essencial à sua vida vai dar-se e a cartomante, que é dissidente da ortodoxia, por pirraça diz que não. O pobre homem aborrece-se, vai para casa de mau humor e é capaz de suicidar-se. O melhor, para o interesse dessa nossa pobre humanidade, sempre necessitada de ilusões, venham de onde vier, é que as nossas cartomantes vivam em paz e se entendam para nos ditar bons horóscopos. (BARRETO, Lima. Vida urbana: artigos e crônicas. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1961.) 6. (Uece 2018) A crônica Não se zanguem serve para mostrar muitas características que podem ser encontradas na literatura de Lima Barreto de forma geral. Assinale a opção que NÃO condiz com essas características. a) Há presente, na prosa literária de Lima Barreto, uma galeria de fatos e personagens que ilustra bem o panorama dos primeiros vinte anos do século XX carioca, apresentando a cidade do Rio de Janeiro com seus problemas e sua disparidade cultural, econômica e política. b) As obras do autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma estão pautadas em temáticas socialmente engajadas, que denunciam mazelas e criticam assuntos do cotidiano. c) O teor satírico e humorístico está presente fortemente nos escritos literários de Lima Barreto. d) Como escritor vinculado ao chamado Pré-Modernismo, Lima Barreto apresentou-nos uma prosa em linguajar excessivamente formal. 7. (Enem PPL 2017) Chamou-me o bragantino e levou-me pelos corredores e pátios até ao hospício propriamente. Aí é que percebi que ficava e onde, na seção, na de indigentes, aquela em que a imagem do que a Desgraça pode sobre a vida dos homens é mais formidável. O mobiliário, o vestuário das camas, as camas, tudo é de uma pobreza sem par. Sem fazer monopólio, os loucos são da proveniência mais diversa, originando-se em geral das camadas mais pobres da nossa gente pobre. São de imigrantes italianos, portugueses e outros mais exóticos, são os negros roceiros, que teimam em dormir pelos desvãos das janelas sobre uma esteira esmolambada e uma manta sórdida; são copeiros, cocheiros, moços de cavalariça, trabalhadores braçais. No meio disto, muitos com educação, mas que a falta de recursos e proteção atira naquela geena social. BARRETO, L. Diário do hospício e O cemitério dos vivos. São Paulo: Cosac & Naify, 2010. No relato de sua experiência no sanatório onde foi interno, Lima Barreto expõe uma realidade social e humana marcada pela exclusão. Em seu testemunho, essa reclusão demarca uma a) medida necessária de intervenção terapêutica. b) forma de punição indireta aos hábitos desregrados. c) compensação para as desgraças dos indivíduos. d) oportunidade de ressocialização em um novo ambiente. e) conveniência da invisibilidade a grupos vulneráveis e periféricos. 8. (Udesc 2018) “Na Bruzundanga, como no Brasil, todos os representantes do povo, desde o vereador até o Presidente da República, eram eleitos por sufrágio universal, e, lá, como aqui, de há muito que os políticos práticos tinham conseguido quase totalmente eliminar do aparelho eleitoral esse elemento perturbador – o voto”. (Lima Barreto, Os bruzundangas.) Escrito em 1917, o livro Os bruzundangas corresponde a uma forte sátira da sociedade brasileira. Em relação ao trecho citado, é correto afirmar que Lima Barreto, por meio da ficção, refere-se: a) às lutas populares pelo direito ao voto. Página 3 de 4 b) aos processos políticos que levaram ao fim do Império. c) à participação das mulheres nos processos políticos nacionais. d) às práticas políticas da Primeira República. e) à suspensão das eleições diretas para presidente da República durante o governo militar. 9. (Ufpr 2019) O meio rural brasileiro protagoniza, desde longa data, uma série de questões, algumas das quais contadas em “verso e prosa”, como no clássico Urupês, em que Monteiro Lobato tece uma crítica social ao “Brasil agrário” por meio do imortalizado Jeca Tatu, um personagem indolente, desleixado, ingênuo e desprovido de educação. A respeito do assunto, assinale a alternativa correta. a) O Jeca Tatu não apenas simbolizava o caipira numa perspectiva negativa, como também um país pobre, injusto e atrasado, baseado em uma economia agroexportadora. b) O descaso do governo com os moradores do campo, somente lembrados pelas autoridades públicas nos tempos das eleições, está na raiz do êxodo rural, destacadamente no Sudeste do país, na primeira metade do século XX. c) A chegada de imigrantes de origem europeia, notadamente italianos, alemães e ucranianos, promoveu, a um só tempo, a modernização do campo no Brasil meridional e a superação da figura social do Jeca. d) Apesar de adoção de modelos urbanos de administração dos negócios agrários, penetração de equipamentos urbanos no espaço rural e irradiação do modelo de consumo urbano no campo já serem uma realidade no Centro-Sul, o Nordeste permanece agrário e rural. e) A população rural no Brasil até a primeira metade do século XX assemelhava-se à figura do Jeca Tatu, o que explica a modernização tardia do campo brasileiro. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O texto abaixo serve como base para a(s) questão(ões) a seguir. Pedrinho, na varanda, lia um jornal. De repente parou e disse à Emília, que andava rondando por ali: – Vá perguntar à vovó o que quer dizer folk-lore. – Vá? Dobre a sua língua. Eu só faço coisas quando me pedem por favor. — Pedrinho, que estava com preguiça de levantar-se, cedeu à exigência da ex-boneca. – 1Emilinha do coração — disse ele —, faça-me o maravilhoso favor de ir perguntar à vovó que coisa significa a palavra folk-lore, sim, teteia? — Emília foi e voltou com a resposta. – Dona Benta disse que folk quer dizer gente, povo; e lore quer dizer sabedoria, ciência. Folclore são as coisas que o povo sabe por boca, de um contar para o outro, de pais a filhos. Os contos, as histórias, as anedotas, as superstições, as bobagens, a sabedoria popular etc. e tal. Por que pergunta isso, Pedrinho? O menino calou-se. Estava pensativo, com os olhos lá longe. Depois disse: — Uma ideia que eu tive. 2Tia Nastácia é o povo. Tudo que o povo sabe e vai contando de um para outro, ela deve saber. Estou com o plano de espremer Tia Nastácia para tirar o leite do folclore que há nela. Emília arregalou os olhos. – Não está má a ideia, não, Pedrinho! 3Às vezes, a gente tem uma coisa muito interessante em casa e nem percebe. Fonte: do livro Histórias de Tia Nastácia. São Paulo: Globo, 2009. 10. (S1 - ifce 2020) Sobre Monteiro Lobato, é correto afirmar-se que a) mantinha-se afastado de questões políticas e econômicas, tendo a literatura infantil como seu único tema de interesse. b) valorizava ideias e autores internacionais. c) foi um dos maiores apoiadores do movimento modernista. d) entre suas principais obras podemos citar: Urupês, Reinações de Narizinho e Os Sertões. e) dois traços o caracterizam como pré-modernista: o regionalismo e a denúncia dos contrastes na sociedade brasileira da época. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: O trecho que segue é da personagem Olga, de Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance de Lima Barreto. O que mais a impressionou no passeio foi a miséria geral, a falta de cultivo, a pobreza das casas, o ar triste, abatido da gente pobre. (…) Havendo tanto barro, tanta água, por que as casas não eram de tijolos e não tinham telhas? Era sempre aquele sapê sinistro e aquele“sopapo” que deixava ver a trama de varas, como o es¬queleto de um doente. Por que ao redor dessas casas não havia culturas, uma horta, um pomar? (…) Não podia ser preguiça só ou indolência. Para o seu gasto, para uso próprio, o homem tem sempre energia para trabalhar relativa¬mente. (…) Seria a terra? Que seria? E todas essas questões desafiavam a sua curiosidade, o seu desejo de saber, e também a sua piedade e simpatia por aqueles párias, maltrapilhos, mal alojados, talvez com fome, sorumbáticos!... (Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma) 11. (Espm 2019) É possível estabelecer um paralelo entre a passagem acima e outros textos da Litera¬tura brasileira por apresentarem reflexões críticas em relação à miséria, similares ao pensamento de Olga. Essa abordagem ocor¬re nas referências abaixo, exceto em uma. Assinale o item cuja obra não é passível de ser relacionada com o exposto acima. a) Em Urupês, de Monteiro Lobato, a perso¬nagem Jeca Tatu, da zona rural do vale do Paraíba paulista, com sua “casa de sapé e lama faz sorrir aos bichos que moram em toca e gargalhar o João-de- Barro”. b) Em O Cortiço, de Aluísio Azevedo, João Romão, na sua ganância, “não comia um ovo, do que no entanto gostava imenso; vendia-os todos e contentava-se com os restos da comida dos trabalhadores”. c) Em Morte e Vida Severina, de João Ca¬bral de Melo Neto, a carpideira afirma ao retirante Severino que naquela região do agreste “pouco existe o que lavrar”. d) Em Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o narrador apresenta a personagem Fabia¬no muitas vezes em condição de penúria, “encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra”. e) Em Duelo, de Guimarães Rosa, a persona¬gem Timpim Vinte-e- Um vive na miséria, carrega umas mandioquinhas para a “mu¬lher, que teve criança” e “não tem nada lá em casa p’ra ela comer”. Página 4 de 4 Gabarito: Resposta da questão 1: [D] [A] Os sonetos, o vocabulário requintado, versos metrificados fazem parte do Simbolismo, porém, o modernismo rompe com tudo isso. [B] Não há eu lírico empenhado em resgatar a estética Simbolista, porque Augusto dos Anjos cria uma estática própria, mais mórbida que sensual. [C] Este vocabulário de cunho mórbido não restitui a visão naturalista, mas caracteriza o soneto como sendo do poeta paraibano. [D] Correta. O poeta se utiliza do formato simbolista para ir além, utilizando um vocabulário químico e mórbido bastante próprio de Augusto dos Anjos. [E] Nenhum dos traços próprios da poesia de Augusto dos Anjos foi utilizado pelos poetas e artistas de 1922. Resposta da questão 2: [B] As opções [A], [C], [D] e [E] são incorretas, pois em [A] os versos apresentam rima, vocabulário pouco usual no cotidiano e perfeito encadeamento lógico; [C] os versos são decassilábicos e têm conteúdo lírico, pois o enunciador fala de seus sentimentos e emoções; [D] e [E] enquanto que os versos livres são autônomos em relação a esquemas métricos, as do poema de Augusto dos Anjos são rimados, com esquema ABBA ABBA CCD EED. Assim, é correta a opção [B], pois, além de métrica rígida, o poeta usa aliterações (“Diafragmas, decompondo-se”, “ flâmeo fogo efêmero”) e rimas raras (“rosto”, “sol-posto”). Resposta da questão 3: [E] A predominância de verbos e pronomes em primeira pessoa (“pego”, “pressinto”, “tenho”, “eu”, “meu”, “me”, “meus”) demonstra que Augusto dos Anjos parte de uma análise introspectiva para expressar angústia pelas fatalidades de leis físicas e biológicas que regem o ser humano, segundo os conceitos advindos do cientificismo do século XIX (“E o Homem… / Desagrega-se e deixa na mortalha / O tacto, a vista, o ouvido, o olfato e o gosto!”). Assim, é correta a opção [E]. Resposta da questão 4: [C] Todas as alternativas são verdadeiras. Resposta da questão 5: [D] A alternativa correta é a [D]. De fato, Os sertões, de Euclides da Cunha, é uma obra híbrida, pois ao mesmo tempo em que se revela como um retrato histórico do que aconteceu em Canudos (Bahia), é pautado pelo pensamento científico da época – notadamente o determinismo racial –, mas numa linguagem literária. Resposta da questão 6: [D] [A] Verdadeiro. A obra de Lima Barreto é marcada pela presença da vida dos cariocas do início do século XX, apresentando o cenário de tal cidade aos demais brasileiros. [B] Verdadeiro. A obra de Lima Barreto é marcada pela denúncia de questões sociais. [C] Verdadeiro. A crônica apresentada é um exemplo da afirmação a respeito da sátira e do humor presentes na obra de Lima Barreto. [D] Falso. A linguagem de Lima Barreto é marcada pelo registro próximo à fala de seus contemporâneos. Resposta da questão 7: [E] A enumeração dos grupos sociais internados nos hospícios ( “copeiros, cocheiros, moços de cavalariça, trabalhadores braçais”, “muitos com educação, mas que a falta de recursos e proteção atira naquela Geena”) permite inferir que a exclusão abrange os grupos sociais mais pobres, desprezados pela classe média e invisíveis ao Estado. Assim, é correta a opção [E]. Resposta da questão 8: [D] Ao afirmar que, desde há muito, o fator “voto” havia sido eliminado em Bruzundanga, Lima Barreto fez referência ao sistema eleitoral da República Oligárquica no Brasil. Tal sistema era manipulado pelo Coronelismo, o que fazia com que os políticos não precisassem necessariamente do voto para se eleger. Resposta da questão 9: [A] A alternativa [A] está correta porque o estereótipo do Jeca Tatu retratava de maneira depreciativa o perfil do homem rural no Brasil, em um contexto histórico de uma base econômica agrícola. As alternativas incorretas são: [B], porque o êxodo rural tem maior intensidade de seu fluxo nas regiões mais pobres do país; [C], porque a superação da figura social do Jeca se deu com o deslocamento do perfil agrário-exportador para o urbano-industrial do Brasil; [D], porque o processo de modernização também ocorre no nordeste, embora a excludência de parte da população à ele, permaneça; [E], porque a figura do Jeca não é a causa, mas a consequência da modernização tardia da economia. Resposta da questão 10: [E] Monteiro Lobato foi um dos pré-modernista que, inclusive, mostrou- se bastante conservador em relação ao movimento modernista. Sua obra era caracterizada pelo regionalismo e pela denúncia dos contrastes na sociedade brasileira da época. Assim, era alguém com um olhar bastante voltado ao próprio país. Resposta da questão 11: [B] Enquanto que nos excertos das opções [A], [C], [D] e [E] os personagens são apresentados como vítimas de uma sociedade desigual e injusta que os impede de ter pelo menos acesso à alimentação básica, em [B], João Romão revela a ganância e avareza que o levam a dispensar comida de que muito gostava para vendê-la na quitanda. Assim, é correta a opção [B].