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Cezar Taurion: entusiasta da tecnologia que encontrou sua
paixão em mentorias e investimentos em startups
“Atuo na área de tecnologia há quatro décadas e ao sair do mundo corporativo, percebi que a melhor
forma de continuar nesse meio era fazendo mentorias e investindo em startups. Óbvio que eu não tinha
o capital para ser um fundo de investimento, então comecei como investidor-anjo”, conta Cezar Taurion
sobre a sua história.
Mas quem é Cezar Taurion?
Taurion é um profissional estudioso de tecnologia da informação desde o fim da década de 70. Atuou
como sócio e líder de operação da Kick Ventures, organização dedicada a conectar startups ao mercado
por meio de investimentos-anjo e parcerias de inovação corporativa. Além disso, durante 12 anos
desempenhou o papel de diretor de Novas Tecnologias Aplicadas e Chief Evangelist da IBM Brasil. Sua
experiência também inclui cargos técnicos e executivos em empresas como Origin, onde criou e liderou
o Origin Consulting Group, além de ter trabalhado na Shell e no Chase Manhattan Bank. Ele também foi
sócio-diretor e líder da prática de IT Strategy da PwC, uma das principais consultorias de negócios do
mundo.
O sonho de Taurion sempre foi se tornar piloto de avião. Mas, por ser míope, precisou mudar os planos e
explorar outras opções de carreira. Foi durante seus estudos em economia que Cezar Taurion teve seu
primeiro contato próximo com a tecnologia. Um professor apresentou-lhe um computador e despertou
seu interesse por essa área em constante evolução. A partir desse momento, ele mergulhou cada vez
mais fundo no mundo da tecnologia, trabalhando em grandes multinacionais e atuando como consultor.
https://startupi.com.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-27-at-16.14.41.jpeg
https://www.linkedin.com/in/ctaurion/
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Um marco importante em sua carreira foi quando Cezar se tornou diretor de novas tecnologias na IBM.
Nessa posição, ele se dedicou a conectar inovações provenientes de centros de pesquisa e
desenvolvimento em todo o mundo com grandes empresas no Brasil. Sua missão era aproveitar o
potencial da tecnologia para impulsionar o crescimento e a eficiência dessas organizações.
Durante sua passagem pela IBM, Taurion teve a oportunidade de participar de programas que
promoviam a conexão entre startups e grandes empresas, e encontrou uma forma de identificar novas
ideias em constante surgimento. Cezar Taurion viu uma lacuna nesse meio: as grandes empresas
possuíam potencial para inovação, mas muitas vezes enfrentavam desafios significativos que as
impediam de florescer. Processos rígidos, regras de compliance e uma série de indicadores burocráticos
faziam frear a agilidade e o surgimento de novas ideias, por isso elas precisavam se conectar com
startups. Foi aí que ele começou a mentorar e investir.
Confira aqui o Mídia Kit do Startupi!
Cezar Taurion se tornou investidor-anjo
Após décadas de experiência no mundo corporativo, Taurion fez uma transição e começou a investir e
mentorar startups. “Mas sempre buscava investidas que estivessem alinhadas com as minhas
experiências de negócio corporativo. Ou seja, não apenas o capital financeiro, que não era muito, mas
principalmente o capital relacionamento e o capital intelectual para startups”, explica.
Em 2014, quando Cezar Taurion entrou oficialmente para o ecossistema de startups, ele percebeu a
existência de duas “tribos” distintas. Por um lado, os mais jovens e inexperientes do mercado, que
acreditavam ser inovadores, mas não entendiam muito sobre o mundo dos negócios e queriam fundar
uma startup. Por outro lado, tinham as corporações que não sabiam como se comunicar com as
startups. Essa falta de entendimento mútuo e o isolamento entre as duas partes motivaram Taurion a
preencher essa falha e ajudar os empreendedores a compreender melhor o mundo corporativo, os
desafios dos negócios e como se comunicar de forma eficaz com os executivos.
Sua experiência o levou a identificar que, para uma startup decolar, além de ter uma grande ideia, é
necessário ter capacidade de execução, investimento em marketing e um bom entendimento das
necessidades do mercado. Taurion adotou uma abordagem seletiva ao investir em startups, focando em
setores que conhecia bem e onde poderia agregar valor com a sua bagagem e rede de contatos. Ao
todo foram 12 startups investidas e mentoradas, com metade delas chegando ao exit.
Tese de investimento
Um dos setores que mais chamava atenção de Cezar Taurion era o de saúde, tendo investido dois
terços do seu capital nesse segmento. Hoje, o executivo continua sendo conselheiro da Associação
Médica Brasileira, ajudando a construir estratégias que usem tecnologia para alavancar a saúde do país.
A outra parte do seu dinheiro foi investida em startups B2B, que tivessem empresas como cliente.
Depois de entender que poderia contribuir com o seu smart money, Cezar Taurion avaliava os
fundadores da startup. “Quem são as pessoas por trás dessa startup? Não adianta ser criativo e
arrogante. Então, eu ia tomar um café com os fundadores, como eles se portavam com o garçom, se
https://startupi.com.br/midia-kit/
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tinham educação. Porque isso refletia na boa relação com os seus colaboradores. Eu sempre valorizei a
humildade.”
Outro ponto que Cezar Taurion analisava antes de investir é se os fundadores eram maduros o suficiente
para entender que precisam ter paixão pelo problema e não pela solução criada. “É preciso ser
apaixonado pelo problema, porque se sua solução não resolve isso, é preciso repensar. Se o fundador
for cabeça dura e apaixonado pela solução, no fim não vai mudar e não consegue pivotar. Então, já
cortava isso de início.”
Mentorias: como um irmão mais velho
Para Cezar Taurion, o mentor de uma startup é como um irmão mais velho. Ele fazia encontros
periódicos com os fundadores e ensinava sobre fluxo de caixa, análise dos números da startup e
entendimento que o mercado B2B não cresce adoidado. Além do ensinamento sobre o mercado e como
se conectar com grandes corporações.
“O fundador chegava empolgado me contando que conversou com o assessor do gerente de inovação
da grande corporação. Era um passo importante, mas ele não conseguia chegar no contato com os C-
level, que são as pessoas que realmente assinam contratos. Eu mantinha os pés do fundador no chão e
ensinava estratégias para chegar até o executivo que interessava.”
Depois de entender que já tinha passado todo seu conhecimento para os fundadores e que suas
mentorias estavam ficando repetitivas, Cezar Taurion vendia sua parte da investida e seguia para a
próxima startup.
De acordo com Taurion o ecossistema de startups passou por uma significativa evolução nos últimos
anos. No início, era uma verdadeira febre, com a criação indiscriminada de aceleradoras por todos que
se aventuravam em iniciar uma startup. Porém, faltava uma compreensão clara do propósito dessas
aceleradoras e das métricas necessárias para mensurar o sucesso das startups aceleradas. Faltava
maturidade e sobrava empolgação naquela época, com muitos artigos, palestras e pessoas surgindo
com grandes ideias, como por exemplo criar um aplicativo e competir com gigantes como o Facebook,
sem considerar os desafios reais do mercado.
Atualmente, os investidores estão mais cautelosos, buscando startups resilientes e sustentáveis, em vez
de simplesmente focar em um crescimento desenfreado. O controle financeiro e a busca pela
lucratividade são aspectos fundamentais. Hoje, Taurion observa um mercado mais maduro, com
investidores e startups mais conscientes do que desejam e como interagir com o ecossistema. “Estou
muito mais otimista agora do que eu estava. No início, em 2014, eu tinha que lutar muito contra ideias
mirabolantes que não tinham futuro. Eu recebia dez e doze pitchs por semana. Agora não, agora as
ideias são mais concretas.”
Empreendida após investidas
Neste ano, Cezar Taurion decidiu dar uma pausa nos investimentos-anjo para concentrar-se em sua
nova empreitada. Surge assim a RedCore, uma consultoria fundada há apenas doismeses, com a
proposta de ir além do “hype” da inteligência artificial e auxiliar as empresas a investir nessa tecnologia
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de forma assertiva, evitando ilusões e equívocos. Como parceiros, estão Vinicius Cezar, ex-proprietário
da Privally Global (vendida para a Tivit), e Gustavo Zaniboni, com experiência na indústria aeroespacial
e de defesa.
A RedCore atuará como uma consultoria abrangente, oferecendo serviços diversos, como consultoria,
pesquisa e desenvolvimento (P&D) e educação. Além disso, a empresa já deu início ao desenvolvimento
de um sistema chamado Recore LightHouse, cujo objetivo é monitorar o nível de maturidade de uma
empresa em relação a determinada tecnologia. Esse sistema, baseado no conceito de Technology
Readiness Levels (TRL), desenvolvido pela NASA, avaliará a maturidade de uma tecnologia específica e
fornecerá informações precisas sobre a prontidão da empresa em adotá-la.

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