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FILOSOFIA Capítulo 10 Filosofia Moderna: ética e filosofia política 136
1 UFMG 2011 Leia estes dois trechos:
TReCHO 1
Em todas as épocas do pensamento, um dos mais fortes obstáculos à aceitação da Utilidade ou da Felicidade como 
critério do certo e do errado tem sido extraído da ideia de justiça.
MILL, John Stuart. O Utilitarismo. Tradução de 
Alexandre Braga Massella. São Paulo: Iluminuras, 2000. Cap.V, p. 69.
TReCHO 2
A justiça segue sendo o nome adequado para certas utilidades sociais que são muito mais importantes e, portanto, mais 
absolutas e imperativas do que quaisquer outras consideradas como classe (embora não mais do que outras possam sê-lo em 
casos particulares). Elas devem, por isso, ser protegidas, como de fato naturalmente o são, por um sentimento diferente não 
só em grau mas em qualidade, distinto, tanto pela natureza mais definida de seus ditames como pelo caráter mais severo de 
suas sanções, do sentimento mais moderado que se liga à simples ideia de promover o prazer ou a conveniência dos homens.
Ibidem, p.94.
Com base na leitura desses dois trechos e considerando outros elementos presentes no capítulo citado da obra de 
Mill, responda:
a) Qual é o obstáculo ao princípio de utilidade que, segundo o autor, tem sido extraído da ideia de justiça?
b) Qual é o argumento utilizado pelo autor para enfrentar esse obstáculo e demonstrar que não há incompatibilida-
de entre as regras da justiça e o princípio da maior felicidade?
2 UFMG 2011 Leia este trecho:
Promovem-se com urgência pesquisas para encontrar técnicas de aumentar a capacidade de mensuração dos valores 
sociais. Empregaríamos melhor um pouco desse esforço se tentássemos aprender – ou reaprender, talvez – a pensar com 
inteligência sobre a incomensurabilidade dos valores que não são mensuráveis.
WILLIAMS, Bernard. Moral: uma introdução à ética. São Paulo: Martins Fontes, 2005. p. 150.
Com base na leitura desse trecho e considerando outros elementos presentes no texto, explique o tipo de distorção 
que pode resultar do pressuposto utilitarista de que todo valor pode, em última instância, ser medido e comparado, a fim 
de entrar em um cálculo de consequências a ser realizado pelo agente – individual ou coletivo –, no momento da ação.
3 UFPR 2019 O cidadão não pode recusar-se a arcar com os impostos que lhe são cobrados; uma censura impertinente de tais 
taxas, na ocasião em que deve pagá-las, pode até mesmo ser punida como um escândalo [...]. Apesar disso, o mesmo indi-
víduo não age contra o dever de um cidadão, quando, na condição de instruído, exprime publicamente seus pensamentos 
contra a impropriedade ou mesmo injustiça de tais imposições.
(KANT, I. Resposta à questão: O que é esclarecimento? Trad. Vinicius de Figueiredo. In: MARÇAL, J.; CABARRÃO, M.; FANTIN, M.E. (Orgs.). 
Antologia de Textos Filosóficos. Curitiba: SEED-PR, 2009, p.410.)
Como fica claro na passagem acima, para Kant os homens não poderiam agir segundo o próprio entendimento quan-
do se trata de cumprir as leis. Construa uma argumentação mostrando em que sentido essa afirmação não constitui 
uma contradição em relação à defesa que o filósofo faz, no conjunto do texto, de um uso autônomo do entendimento.
4 Unesp 2018
Texto 1
Todo ser humano tem um direito legítimo ao respeito de seus semelhantes e está, por sua vez, obrigado a respeitar todos 
os demais. A humanidade em si mesma é uma dignidade, pois um ser humano não pode ser usado meramente como um 
meio (instrumento) por qualquer ser humano.
(Immanuel Kant. A metafísica dos costumes, 2010. Adaptado.)
Texto 2
Ao se assenhorar de um Estado, aquele que o conquista deve definir as más ações a executar e fazê-lo de uma só vez, 
a fim de não ter de as renovar a cada dia. Deve-se fazer as injúrias todas de um só golpe. Quanto aos benefícios, devem ser 
concedidos aos poucos, de sorte que sejam mais bem saboreados.
(Nicolau Maquiavel. O príncipe, 2000. Adaptado.)
a) Considerando o texto 1, explique por que a ética de Kant apresenta um alcance universalista. Justifique sua com-
patibilidade com o Iluminismo filosófico.
b) Considerando o texto 2, explique a posição assumida por Maquiavel em relação à manipulação política. Justifique 
a incompatibilidade entre a ética de Kant e os procedimentos recomendados por Maquiavel para a manutenção 
do poder político.
Exercícios complementares
PV_2021_FIL_FU_CAP10.INDD / 14-09-2020 (08:53) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL PV_2021_FIL_FU_CAP10.INDD / 14-09-2020 (08:53) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL
FR
EN
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 Ú
N
IC
A
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5 UEL 2019 Leia o texto a seguir.
Por causa da desconfiança de uns em relação aos outros nenhuma maneira de se garantir é tão razoável como a an-
tecipação, isto é, pela força ou pela astúcia subjugar todos os homens que puder, durante o tempo necessário para chegar 
ao momento em que não veja nenhum outro poder suficientemente grande para o ameaçar. E isto não é mais do que a sua 
própria conservação exige.
HOBBES, T. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003. capítulo XIII: Da condição 
natural da humanidade relativamente à sua felicidade e miséria. p. 107-108.
Com base na interpretação do texto de Thomas Hobbes, explique a fundamentação que ele, em sua obra Leviatã, 
confere à instituição contratual do Estado como poder coercitivo e soberano.
6 UEL 2017 Leia o texto a seguir.
A natureza fez os homens tão iguais quanto às faculdades do corpo e do espírito, que, embora por vezes se encontre 
um homem manifestamente mais forte de corpo, ou de espírito mais vivo do que outro, mesmo assim, quando se considera 
tudo isso em conjunto, a diferença entre um e outro homem não é suficientemente considerável para que qualquer um possa 
com base nela reclamar qualquer benefício a que outro não possa também aspirar, tal como ele.
Desta igualdade quanto à capacidade deriva a igualdade quanto à esperança de atingirmos nossos fins. Portanto, se dois 
homens desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo que é impossível ela ser gozada por ambos, eles se tornam inimigos. E 
no caminho para seu fim (que é principalmente sua própria conservação, e às vezes apenas seu deleite) esforçam-se por se 
destruir ou subjugar um ao outro.
(HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p. 107-108.)
Tendo como referência a obra O Leviatã, de Thomas Hobbes, e essas passagens, como Hobbes concebe as relações 
humanas e as relaciona com a política?
7 UEL 2015 Leia os fragmentos a seguir.
A monarquia absoluta é incompatível com a sociedade civil, não podendo ser uma forma de governo civil, porque o 
objetivo da sociedade civil consiste em evitar e remediar os inconvenientes do estado de natureza que resultam necessaria-
mente de poder cada homem ser juiz em seu próprio caso, estabelecendo-se uma autoridade conhecida para a qual todos 
os membros dessa sociedade podem apelar por qualquer dano que lhe causem ou controvérsia que possa surgir, e à qual 
todos os membros dessa sociedade terão que obedecer.
[...]
Quem julgará se o príncipe ou o legislativo agem contrariamente ao encargo recebido? A isto respondo: O povo será 
o juiz; porque quem poderá julgar se o depositário ou o deputado age bem e de acordo com o encargo a ele confiado 
senão aquele que o nomeia, devendo, por tê-lo nomeado, ter ainda o poder para afastá-lo quando não agir conforme 
seu dever?
Adaptado de: LOCKE, J. Segundo Tratado sobre o Governo 
(ou Ensaio sobre o Governo Civil). 5. ed. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p. 250 e p. 312. 
Com base nos fragmentos e nos conhecimentos sobre a filosofia política de John Locke, descreva o modelo de go-
verno civil proposto pelo filósofo.
8 UFU 2019 Se separar-se, pois, do pacto social aquilo que não pertence à sua essência, ver-se-á que ele se reduz aos 
seguintes termos: ‘Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o seu poder sob a direção suprema da vontade 
geral, e recebemos, enquanto corpo, cada membro como parte indivisível do todo.[...] essa pessoa pública, que se forma 
desse modo, pela união de todas as outras, tomavaantigamente o nome de cidade e, hoje, o de república ou de corpo 
político o qual é chamado por seus membros de Estado quando passivo, soberano, quando ativo, e potência, quando 
comparado aos seus semelhantes. Quanto aos associados, recebem eles, coletivamente, o nome de povo e se chama, em 
particular, cidadãos enquanto partícipes da autoridade soberana e súditos enquanto submetidos à autoridade do Estado. 
Estes termos, no entanto, confundem-se frequentemente e são usados, indistintamente; basta saber distingui-los quando 
são empregados com inteira precisão.’
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do contrato social. Coleção Os Pensadores. Tradução: 
Lourdes Santos Machado. São Paulo: Abril Cultural, 1973, p. 39. (Adaptado)
a) Explique por que a expressão “Cada um de nós põe em comum sua pessoa e todo o seu poder sob a direção 
suprema da vontade geral” não conduz a um regime autoritário.
b) Disserte, a partir do excerto acima, sobre a diferença entre cidadãos e súditos na teoria do Contrato Social de 
Jean-Jacques Rousseau.
PV_2021_FIL_FU_CAP10.INDD / 14-09-2020 (20:23) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL
FILOSOFIA Capítulo 10 Filosofia Moderna: ética e filosofia política 138
9 PUC-PR 2015 Leia o fragmento a seguir, extraído do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre 
os homens, de Rousseau:
“É do homem que devo falar, e a questão que examino me indica que vou falar a homens, pois não se propõem questões 
semelhantes quando se teme honrar a verdade. Defenderei, pois, com confiança a causa da humanidade perante os sábios 
que a isso me convidam e não ficarei descontente comigo mesmo se me tornar digno de meu assunto e de meus juízes”.
(ROUSSEAU, Jean-Jacques. Discurso sobre a origem e os fundamentos 
da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p. 159.)
A partir da teoria contratualista de Rousseau, assinale a alternativa que representa aquilo que o filósofo de Genebra 
pretende defender na obra.
A Que a desigualdade social é permitida pela lei natural e, portanto, o Estado não é responsável pelo conflito social.
b Que a desigualdade social é autorizada pela lei natural, ou seja, que a natureza não se encontra submetida à lei.
C Que no estado natural existe apenas o direito de propriedade.
d Que a desigualdade moral ou política é uma continuidade daquilo que já está presente no estado natural.
e Que há, na espécie humana, duas espécies de desigualdade: a primeira, natural, e a segunda, moral ou política.
PV_2021_FIL_FU_CAP10.INDD / 14-09-2020 (08:53) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL