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25 UFRGS 2016 Leia o poema de Cecília Meireles e o de
Mario Quintana, a seguir.
Canção excêntrica
Ando à procura de espaço
Para o desenho da vida
Em números me embaraço
E perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
Em vez de abrir um compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
É já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
– saudosa do que não faço,
– do que faço, arrependida.
MEIRELES, Cecília.
Seiscentos e sessenta e seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer
 [em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos
Agora, é tarde demais para ser reprovado.
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
Eu nem olhava o relógio
Seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil
das horas.
QUINTANA, Mario
Assinale com V (veraeiro) ou F (falso) as seguintes
armações sobre os poemas.
J O poema de Cecília Meireles apresenta vocabulá-
rio ligado à geometria e regularidade estrutural e
métrica, apontando para a necessidade de o sujeito
lírico definir sua vida com exatidão.
J O poema de Mario Quintana busca a definição da
vida, a partir da metáfora com o universo escolar e
a passagem do tempo.
J A sucessão “6 horas, 6ª feira, 60 anos”, no poema
de Quintana, indica a finitude: fim do dia útil, fim
da semana útil, consequentemente, fim da vida útil
J Os dois poemas, embora os sujeitos líricos sejam
uma mulher e um homem, encerram com um tom
melancólico, porque a realidade não corresponde
às suas expectativas
A V V V V.
 V - F - F - V.
 V - V - F - F.
d F F V F
E F V V F.
26 Unicamp 2018 Na “Nota preliminar” escrita para a primeira
edição do livro Poemas negros, de Jorge de Lima,
o antropólogo Gilberto Freyre afirma que, graças à
“interpretação de culturas, entre nós tão livre”, e graças ao
“cruzamento de raças”, “o Brasil vai-se adoçando numa
das comunidades mais genuinamente democráticas
e cristãs do nosso tempo”. Com base no poema
“Democracia”, responda às questões que se seguem.
Democracia
Punhos de rede embalaram o meu canto
para adoçar o meu país, ó Whitman.
Jenipapo coloriu o meu corpo contra os maus-olhados,
catecismo me ensinou a abraçar os hóspedes,
carumã me alimentou quando eu era criança,
Mãe-negra me contou histórias de bicho,
moleque me ensinou safadezas,
massoca, tapioca, pipoca, tudo comi,
bebi cachaça com caju para limpar-me,
tive maleita, catapora e ínguas,
bicho-de-pé, saudade, poesia;
fiquei aluado, mal-assombrado, tocando maracá,
dizendo coisas, brincando com as crioulas,
vendo espíritos, abusões, mães-d’água,
conversando com os malucos, conversando sozinho,
emprenhando tudo que encontrava,
abraçando as cobras pelos matos,
me misturando, me sumindo, me acabando,
para salvar a minha alma benzida
e meu corpo pintado de urucu,
tatuado de cruzes, de corações, de mãos-ligadas,
de nomes de amor em todas as línguas de branco, de
mouro ou de pagão.
(Jorge de Lima, i, v. I. Rio de Janeiro/Brasília: J. Aguilar/INL, 1974, p.160,
164-165.)
a) A ideia de “adoçamento” social está presente tanto
no poema de Jorge de Lima quanto no texto de Gil-
berto Freyre. Aponte dois episódios da formação
do poeta, referidos no poema, que exemplificam
essa interpretação. Justifique sua escolha.
b) Considerando elementos da composição do
poema, explique de que maneira a ideia de “de-
mocracia”, presente no título, manifesta-se no texto.
Texto para as questões 27 e 28.
Fragmento do poema do poeta mineiro Murilo Mendes
(1901 1975)
O pastor pianista
Soltaram os pianos na planície deserta
Onde as sombras dos pássaros vêm beber.
Eu sou o pastor pianista,
Vejo ao longe com alegria meus pianos
Recortarem os vultos monumentais
Contra a lua.
Murilo Mendes.
27 Mackenzie 2018 Observe as afirmações
I O tema da música, frequente na poesia de Murilo
Mendes, é trabalhado nos versos acima sob in-
fluência do surrealismo
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 13 O Modernismo no Brasil: segunda geração182
II Os versos revelam ecos da poesia cerebral e ra
cionalista do poeta pernambucano João Cabral
de Melo Neto
III Pode-se afirmar que a poesia de Murilo Mendes
é multifacetada, pois em diferentes poemas há
tanto uma perspectiva de denúncia social como
também diálogos com o experimentalismo da
poesia concreta
Assinale a alternativa correta.
A Estão corretas as afirmações I e II.
 Estão corretas as afirmações I e III.
 Estão corretas as afirmações II e III.
d Todas as afirmações estão corretas.
E Nenhuma das afirmações está correta.
28 Mackenzie 2018 Seria possível compararmos o frag-
mento do poema “O pastor pianista” com:
A a poesia parnasiana de Olavo Bilac e de Alberto
Oliveira, pela presença da temática da arte pela arte.
 os cenários sertanejos e a representação do confli-
to entre indivíduo e natureza, como presentes em
Vidas secas, de Graciliano Ramos.
 o indianismo e as metáforas de mestiçagem, como en-
contrados no romance Iracema, de José de Alencar.
d o poema-piada e a desconstrução com efeito de
humor da temática do amor, característicos da obra
de Oswald de Andrade.
E o jogo poético entre os planos físico e onírico,
como recorrente na obra de Jorge de Lima.
29 UFU 2015
Noite de São João
Vamos ver quem é que sabe
soltar fogos de S. João?
Foguetes, bombas, chuvinhas,
chios, chuveiros, chiando,
chiando,
chovendo
chuvas de fogo!
Chá - Bum!
LIMA, Jorge de. Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguilar,1958. p. 58.
a) Quais são as três figuras de efeito sonoro que
predominam nesta estrofe?
b) Explique cada uma delas, citando exemplos retira
dos destes versos de Jorge de Lima.
30 PUC-Campinas 2018 Se a obra historiográfica de Sérgio
Buarque de Hollanda foi um olhar para o passado brasileiro
a partir da História de São Paulo (as monções, as entradas e
bandeiras, os caminhos e fronteiras) entre a generalidade do
ensaio, em Raízes do Brasil, e a sistematização acadêmica
de sua produção na USP, a cidade do Rio de Janeiro funda
um universo poético e um horizonte criativo inteiramente
novos em Chico Buarque, no cruzamento das atividades do
“morro” (o samba, sobretudo) com as da “cidade” (A Bossa
Nova e a vida intelectual do circuito Zona Sul)
(FIGUEIREDO, Luciano (org) História do Brasil para ocupados
Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013, p. 451)
O sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda, em sua
obra Raízes do Brasil, buscou caracterizar traços fun-
dadores da nossa identidade cultural, ao tempo que
também a literatura registrava aspectos regionais de
nossa cultura mais enraizada, tal como ocorreu
A nas crônicas dos jornais e revistas da época conhe-
cida como belle époque.
 no período de autores pioneiros conhecido como
pré-modernismo.
 nas páginas ainda tímidas de nossa prosa mais inti-
mista da década de 1940
d nos poemas em prosa do então jovem e promissor
Carlos Drummond de Andrade.
E em romances de afirmação do período modernista
e da chamada geração de 30.
31 EsPCEx 2018 Leia as afirmações abaixo sobre Carlos
Drummond de Andrade:
I. Preferiu não participar da Semana de Arte Moder
na, mas enviou seu famoso poema “Os Sapos”,
que, lido por Ronald de Carvalho, tumultuou o
Teatro Municipal
II. Sua fase “gauche” caracterizou-se pelo pessi-
mismo, pelo individualismo, pelo isolamento pela
reflexão existencial A obra mais importante foi o
“Poema de Sete Faces”.
III. Na fase social, o eu lírico manifesta interesse pelo
seu tempo e pelos problemas cotidianos, buscan-
do a solidariedade diante das frustrações e das
esperanças humanas.
IV. A última fase foi marcada pela poesia intimista, de
orientação simbolista, prezando o espiritualismo e
orientalismo e a musicalidade, traços que podem
ser notados no poema “O motivo da Rosa”.
Estão corretas as armações:
A I, II e III
 II, III e IV
 II e III
d II e IV
E III e IV
32 UEM 2015 Assinale o que for correto sobreo poema
abaixo e sobre seu autor, Carlos Drummond de Andrade
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(ANDRADE, Carlos Drummond de Antologia poética
São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p.237)
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01 O poema marca um momento de mudança radical
na obra de Drummond (representando sua adesão
ao grupo de Poesia Pau-Brasil, de Murilo Mendes)
após suas obras iniciais parnasianas.
02 Embora tenha sido amplamente aceito por alguns
grupos modernistas, “No meio do caminho” encon-
trou resistência por parte de Oswald de Andrade,
que o considerou uma reflexão alienante de cunho
antinacionalista.
04 Drummond, em suas obras iniciais, ganhou a alcu-
nha de “imaginação de pedra”, devido à insistente
reprodução de paisagens típicas de Minas Gerais
em seus poemas, como se nota no elemento re
corrente do texto reproduzido.
08 Ainda que o poema “No meio do caminho” traga
marcas das novas propostas poéticas da primeira
geração modernista, Drummond, cronológica e
esteticamente, faz parte da segunda geração do
modernismo brasileiro.
16 Apesar de uma aparente simplificação mono-
temática, o poema traz um dos temas caros a
Drummond, o tempo, que é trabalhado com pro-
fundidade lírica
Soma:JJ
Textos para a questão 33.
Texto 1
Mapa de anatomia: O Olho
O Olho é uma espécie de globo,
é um pequeno planeta
com pinturas do lado de fora.
Muitas pinturas:
azuis, verdes, amarelas
É um globo brilhante:
parece cristal,
é como um aquário com plantas
finamente desenhadas: algas, sargaços,
miniaturas marinhas, areias, rochas,
naufrágios e peixes de ouro
Mas por dentro há outras pinturas,
que não se veem:
umas são imagens do mundo,
outras são inventadas.
O Olho é um teatro por dentro
E às vezes, sejam atores, sejam cenas,
e às vezes, sejam imagens, sejam ausências,
formam, no Olho, lágrimas.
(Cecília Meireles)
Texto 2
A um ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair
Antecipaste a hora
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
(Carlos Drummond de Andrade)
Texto 3
Ausência
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os
teus olhos que são doces.
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me
veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a
luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em
minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria ter
minado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta
terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás
para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque
eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi
a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu aban
dono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei
partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das
aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz
serenizada
(Vinícius de Moraes)

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