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Pré-eclâmpsia e eclâmpsia: o que é, sintomas e tratamento
Introdução
A eclâmpsia e a pré-eclâmpsia são complicações graves da gravidez que podem surgir durante a
segunda metade da gestação, geralmente após as 20 semanas de gravidez. Em algumas mulheres, a
pré-eclâmpsia (ou a eclâmpsia) pode surgir somente durante o trabalho de parto ou até mesmo depois
que o bebê já tenha nascido.
Embora a maioria das gravidezes afetadas pela pré-eclâmpsia consigam chegar às 37 semanas,
caracterizando uma gestação a termo, elas apresentam um risco elevado de complicações, incluindo o
risco de mortalidade materna ou fetal.
A nível mundial, 10 a 15% das mortes maternas resultantes de complicações obstétricas da gravidez
estão associadas a pré-eclâmpsia ou à eclâmpsia.
A pré-eclâmpsia ocorre em 5% a 10% das gestações. 75% dos casos são leves e 25% são graves. Pode
surgir em qualquer momento da gravidez entre a 20ª semana até alguns dias após o parto, mas a
maioria dos casos ocorre após a 34ª semana.
Neste artigo explicaremos o que são a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, quais são as suas causas, sintomas
e tratamentos.
O que é pré-eclâmpsia?
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A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez que se caracteriza por um quadro de hipertensão
arterial que se inicia após 20 semanas de gestação associado a perda de proteínas na urina (chamada
proteinúria) e/ou lesão de órgãos importantes, tais como fígado, rins, olhos, pulmões e cérebro.
Existem quatro tipos de hipertensão que podem ocorrer durante a gravidez:
1. Hipertensão crônica: é a hipertensão arterial que a paciente já tinha antes de ficar grávida e
continuará tendo durante e depois da gestação.
2. Hipertensão gestacional: é a hipertensão que aparece somente depois da 20ª semana de gestação
em mulheres que nunca tiveram pressão arterial alta.
3. Pré-eclâmpsia: é o surgimento de pressão arterial alta após a 20ª semana de gravidez, associado à
perda de proteínas na urina e/ou disfunção de um órgão nobre. A pré-eclâmpsia cura-se após o parto.
4. Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica: é a pré-eclâmpsia que ocorre em mulheres que
já eram previamente hipertensas.
Durante a gravidez, a hipertensão arterial é definida como pressão arterial sistólica ≥140 mmHg e/ou
pressão arterial diastólica ≥ 90 mmHg. Hipertensão arterial severa é definida como pressão arterial
sistólica ≥160 mmHg e/ou pressão arterial diastólica ≥ 110 mmHg.
Para saber qual é o valor de pressão arterial considerado normal, leia: Qual é a pressão arterial normal?
Como surge?
A pré-eclâmpsia parece ocorrer devido a problemas no desenvolvimento dos vasos da placenta no início
da gravidez, durante a implantação do embrião no útero.
Conforme a gravidez se desenvolve e a placenta cresce, a falta de uma vascularização perfeita leva a
uma baixa perfusão de sangue, podendo causar isquemia placentária. A placenta em sofrimento por
falta de circulação adequada de sangue produz uma série de substância que ao caírem na circulação
sanguínea materna causa descontrole da pressão arterial e lesão nos rins.
Fatores de risco
Estão sob maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia as gestantes com as seguintes características:
Mulheres com idade maior que 40 anos ou menor que 18 anos.
História familiar de pré-eclâmpsia (inclusive na família do pai).
Pré-eclâmpsia em uma gestação anterior.
Gravidez múltipla (gêmeos, trigêmeos, etc.).
Mulheres que já eram hipertensas antes da gravidez.
Obesidade.
Diabetes mellitus.
Doença renal crônica.
Intervalo de tempo prolongado entre gestações.
Gestantes com doenças autoimunes.
https://www.mdsaude.com/nefrologia/urina-espumosa/
https://www.mdsaude.com/hipertensao/pressao-arterial-normal/
https://www.mdsaude.com/obesidade/obesidade-e-sindrome-metabolica/
https://www.mdsaude.com/endocrinologia/diabetes/
https://www.mdsaude.com/nefrologia/insuficiencia-renal-cronica/
https://www.mdsaude.com/doencas-autoimunes/doenca-autoimune/
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Primeira gestação.
Sintomas
A pré-eclâmpsia leve não costuma provocar grandes sintomas. O médico obstetra precisa pesquisar os
sintais da doença, seja através da aferição da pressão arterial ou pela realização de exames
laboratoriais de sangue e urina.
A hipertensão que surge após a 20ª semana de gestação é o sinal mais comum. Porém, para se
caracterizar pré-eclâmpsia e não apenas hipertensão gestacional, é preciso que haja também a
presença de proteinúria ou disfunção de algum órgão alvo.
Toda gestante costuma ter algum grau de edema (inchaços), principalmente nas pernas. Porém, uma
piora rápida e súbita dos inchaços, principalmente acometendo o rosto e as mãos, pode ser um sinal de
pré-eclâmpsia.
Uma urina que se torna muito espumosa é outro sinal possível de pré-eclâmpsia e geralmente indica
grande perda de proteínas na urina. Pequenas perdas de proteínas (menos de 500 mg por dia) não
costumam causar aumento da espuma durante a micção.
Em relação ao feto, os riscos da pré-eclâmpsia incluem descolamento prematura da placenta, baixo
crescimento e desenvolvimento intra-uterino e parto prematuro.
Sinais de gravidade
Aproximadamente 25% das gestantes com pré-eclâmpsia desenvolvem a forma grave da doença, que
se caracteriza por hipertensão grave (pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg e/ou pressão arterial
diastólica ≥ 110 mmHg.) e/ou um ou mais dos seguintes sintomas listados abaixo:
Dor de cabeça persistente ou severa.
Alterações visuais (fotofobia, flashes, escotomas, visão borrada).
Dor abdominal.
Alterações do estado mental (confusão, agitação, alteração do comportamento).
Falta de ar.
A grávida com sinais de pré-eclâmpsia grave deve ser avaliada urgentemente pelo seu obstetra, pois se
trata de uma emergência médica.
Critérios para o diagnóstico de pré-eclâmpsia
Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), o diagnóstico de pré-eclâmpsia
deve ser feito nas grávidas que apresentam:
Pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica ≥ 90 mmHg em pelo menos duas
ocasiões distintas após as 20 semanas de gestação em uma paciente anteriormente normotensa mais o
surgimento de pelo menos uma das seguintes complicações:
https://www.mdsaude.com/gravidez/descolamento-prematuro-da-placenta/
4/6
Proteinúria ≥ 0.3 g numa amostra de urina de 24 horas ou uma relação proteína/creatinina ≥ 0.3
mg/mg em uma amostra aleatória de urina.
Contagem de plaquetas < 100.000/microL.
Creatinina sérica > 1,1 mg/dL ou duplicação no valor da creatinina basal na ausência de outra
doença renal.
Transaminases hepáticas (TGO e TGP) pelo menos o dobro do limite superior da normalidade.
Edema pulmonar.
Dor de cabeça nova e persistente não justificada por diagnóstico alternativo e que não responde
às doses habituais de analgésicos.
Sintomas visuais (visão desfocada, flashes ou luzes intermitentes, escotomas cintilantes).
Síndrome HELLP
A síndrome HELLP é a forma mais grave de pré-eclâmpsia. Esta é a sigla em inglês para os termos
hemólise (hemolisys), enzimas do fígado elevadas (elevated liver enzymes) e plaquetas baixas (low
platelets).
Hemólise significa destruição das hemácias (glóbulos vermelhos), o que leva ao aparecimento da
anemia hemolítica.
O aumento das enzimas do fígado (TGO e TGP) é um sinal de lesão hepática.
Assim como há destruição dos glóbulos vermelhos, também ocorre destruição das plaquetas, o
que acaba por causar redução da concentração das mesmas na circulação sanguínea.
Além da síndrome HELLP, também estão presentes outras manifestações da pré-eclampsia grave, como
alterações neurológicas tipo visão borrada, cefaleia, confusão mental e até crise convulsiva. Quando a
crise convulsiva ocorre, estamos diante de um quadro de eclâmpsia.
O que é a eclâmpsia?
A eclâmpsia é o grau mais grave do espectro da hipertensão na gravidez, que inclui a hipertensão
gestacional, a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia propriamente dita.
A caracterização da eclâmpsia se dá pela presença de uma ou mais crises convulsivas em uma gestante
com pré-eclâmpsia já estabelecida.
Ao contrário do que se pensava antigamente e do queos nomes pré-eclâmpsia e eclâmpsias possam
sugerir, uma doença não é evolução da outra. A eclâmpsia é apenas uma das manifestações possíveis
da pré-eclâmpsia.
Não há uma evolução linear entre a eclâmpsia e a pré-eclâmpsia. A imensa maioria das gestantes com
pré-eclâmpsia grave não irá apresentar eclâmpsia, e gestantes com pré-eclâmpsia leve podem
complicar com eclâmpsia, apesar deste fato ser raro.
Até 30% das convulsões ocorrem no momento do parto ou até 48h após o nascimento do bebê. As
crises convulsivas duram em média 1 minuto e são geralmente precedidas por dor de cabeça, alterações
visuais ou dor abdominal intensa.
https://www.mdsaude.com/exames-complementares/urina-24-horas/
https://www.mdsaude.com/nefrologia/ureia-creatinina/
https://www.mdsaude.com/exames-complementares/tgo-tgp-fosfatase-alcalina-ggt/
https://www.mdsaude.com/hematologia/anemia/
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Prevenção
A aspirina de dose baixa (60 a 150 mg/dia) reduz a frequência de pré-eclâmpsia, assim como os
resultados adversos da gravidez (nascimento pré-termo e restrição do crescimento), em
aproximadamente 10 a 20%, quando administrada a mulheres com risco moderado a alto da doença.
Habitualmente, recomenda-se a prescrição de aspirina de dose baixa para prevenção de pré-eclâmpsia
a gestantes com dois ou mais dos seguintes factores de risco:
Nuliparidade (nunca ter tido filhos).
Obesidade (índice de massa corporal >30 kg/m2).
História familiar de pré-eclâmpsia na mãe ou irmã.
Idade maior ou igual a 35 anos.
Gravidez anterior com baixo peso ao nascimento.
Resultado adverso da gravidez anterior (por exemplo, bebê natimorto)
Intervalo maior que 10 anos entre as gravidezes.
Fertilização in vitro.
A aspirina em dose baixa para prevenção de pré-eclâmpsia deve ser iniciada a partir das 12 semanas de
gestação.
Tratamento
Pré-eclâmpsia
O tratamento definitivo é a indução do parto, no entanto, nem sempre a pré-eclâmpsia ocorre em idades
gestacionais que permitem a indução do parto sem prejuízos para o feto. Portanto, a decisão de se
induzir o parto ou prolongar a gravidez deve considerar a idade gestacional, a gravidade da pré-
eclâmpsia e as condições de saúde da mãe e do feto.
Em alguns casos, pode-se indicar o internamento da mãe para um acompanhamento mais próximo da
progressão da doença, tentando postergar o parto para o mais próximo possível da 40ª semana de
gestação. Sempre que possível, a preferência é pelo parto normal.
A hipertensão arterial deve ser controlada, porém, isso não interfere no curso da doença nem na
mortalidade materna/fetal. É importante lembrar que alguns anti-hipertensivos comuns, como o enalapril,
captopril e Adalat® são contraindicados na gestação. O controle da pressão arterial na gravidez deve ser
feito somente sob orientação do ginecologista-obstetra.
O uso de corticoides está indicado para tratar temporariamente as complicações da síndrome HELLP,
mas principalmente para acelerar a maturação dos pulmões do feto em caso de necessidade de indução
do parto antes do termo.
Eclâmpsia
O tratamento da eclâmpsia é feito com anti-hipertensivos e sulfato de magnésio. O sulfato de magnésio
também pode ser usado logo antes do parto para prevenir crises convulsivas em gestantes com pré-
https://www.mdsaude.com/bulas/acido-acetilsalicilico/
https://www.mdsaude.com/endocrinologia/glicocorticoides/
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eclâmpsia.
A presença de eclâmpsia é indicação para se induzir o parto logo após estabilização da mãe. O término
da gravidez é o único tratamento curativo. 70% das gestantes com eclâmpsia que não interrompem a
gravidez apresentam complicações graves com risco de morte. Nas gestantes com idade gestacional
baixa (menor que 32 semanas) pode se indicar a cesariana de urgência.
https://www.mdsaude.com/gravidez/parto-cesariana/

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