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Física Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 135 Exemplo Resolvido 2: a Figura mostra um elevador que se move para cima (v) em movimento retardado (a) com aceleração a = 2 m/s2 num local onde a intensidade do campo gravitacional vale g = 10 N/kg. Os blocos A e B, de massas 2 kg e 6 kg, encontram-se ligados entre si através de um fio ideal que passa por uma polia presa ao teto do elevador. Pede-se determinar: a) a aceleração com que se movem os bloquinhos para o observador dentro do elevador; b) a tração no cordão. Resolução Como o elevador se encontra acelerado no referencial da Terra, precisaremos fazer uso do Princípio da Equivalência (Figura 73), substituindo a sua aceleração a (m/s2) por uma gravidade a (N/kg), totalizando, no referencial do elevador (Figura 73), uma gravidade resultante: g’ = g a = 10 N/kg 2 N/kg = 8 N/kg a A B Com isso, no referencial do elevador, este encontra-se imóvel (obviamente rsrsrsr ) e dentro dele reina um campo gravitacional resultante g’ = 8 N/kg. E o que dizer do movimento dos blocos, quando abandonados em repouso em relação ao elevador? Como o fio não estica, os blocos terão acelerações iguais em módulo (em relação ao elevador) mas de sentidos contrários. Sendo mais pesado que o bloco A, o bloco B terá aceleração (m/s2) para baixo a’ ao passo que A terá aceleração (m/s2) para cima a’ no referencial do elevador (Figura 74). BA g aa ac el er aç ão campos gravitacionais Figura 73 - aplicando o Princípio da equivalência BA g' campo gravitacional resultante T T a'a' mB.g’mA.g’ Figura 74 diagrama de forças no referencial acelerado Escrevendo a 2ª lei de Newton para cada bloco, vem: Bloco A: FR = mA.a’ (T mA.g’) = mA.a T 2 x 8) = 2. a’ (eq31) Bloco B: FR = mB.a’ (mB.g’ T) = mB.a’ (6 x 8 T) = 6. a’ (eq32) De eq31 e eq32, vem a’ = 4 m/s2 e T = 24N. Assim, determinamos a aceleração a’ de cada bloco em relação ao elevador, bem como o valor da tração T no fio conectado aos blocos. Logicamente, a tração T = 24 N independe do referencial. Para determinar a aceleração de cada bloco em relação à Terra, podemos usar as relações gerais da aceleração relativa: ETAEAT a a a = 4 m/s2 + 2 m/s2 = 2 m/s2 ETBEBT a a a = 4 m/s2 + 2 m/s2 = 6 m/s2 Física Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 136 Questão 01 A figura mostra um elevador que se move para cima em movimento retardado com aceleração a = 2 m/s2 num local onde a gravidade vale g = 10 N/kg. Os blocos A e B, de massas 2 kg e 6 kg, encontram-se ligados entre si através de um fio ideal que passa por uma polia presa ao teto do elevador. Pede-se determinar: a) a aceleração com que se movem os bloquinhos para o observador dentro do elevador; b) a tração no cordão. a A B Questão 02 A figura mostra um trem que parte do repouso sobre trilhos retilíneos com aceleração constante a = 8 m/s2 em relação à terra. Uma caixa de massa m = 2 kg foi abandonada sobre uma rampa que encontra-se fixa ao piso desse trem. Para um observador no interior do trem, a caixa subirá essa rampa com qual aceleração a’ (despreze atritos) ? Dado: g = 10 m/s2 , sen = 0,6, cos = 0,8 a a' Questão 03 A figura mostra um vagão que se move para a direita com aceleração a = 3 m/s2 contendo, em seu interior, um bloco A e uma esfera B conectados entre si por um fio ideal. A esfera encontra-se encostada na parede vertical lisa. Desprezando eventuais atritos e admitindo mA = 8 kg e mB = 2 kg, o prof Renato Brito pede para você determinar ( g = 10 m/s2 ): a B A d a) a aceleração adquirida pelos bloquinhos em relação ao observador que está no interior do vagão. b) quanto tempo o bloco A leva para percorrer a distância d = 80 cm e encostar na parede traseira do vagão. Admita que o bloquinho parte do repouso em relação ao vagão. Física Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 137 Questão 04 A figura mostra um elevador panorâmico que sobe com aceleração a = 2 m/s2 . De repente, Dr. Raul percebe que a lâmpada se desprende do teto a 2,94 m de altura do piso do elevador e passa a cair verticalmente em direção ao piso. Quanto tempo ele dispõe para afastar o pé e não se machucar com o impacto da lâmpada no piso ? (Dado g = 10 m/s2) a) 0,4 s b) 0,5 s c) 0,6 s d) 0,7 s e) 0,8 s a Questão 05 A figura mostra um elevador panorâmico que sobe com uma incrível velocidade constante V = 300 km/h. De repente, Dr. Raul percebe que a lâmpada se desprende do teto a 3,2 m de altura do piso do elevador e passa a cair verticalmente em direção ao piso. Quanto tempo ele dispõe para afastar o pé e não se machucar com o impacto da lâmpada no piso ? (Dado g = 10 m/s2) a) 0,4 s b) 0,5 s c) 0,6 s d) 0,7 s e) 0,8 s V Questão 06 Assinale A para grandezas absolutas (aquelas que independem do referencial inercial) e R para grandezas relativas (aquelas que dependem do referencial inercial): a)Aceleração b) Massa c) Força d) deslocamento e) velocidade f) energia cinética g) quantidade de movimento h) intervalo de tempo i) Impulso Questão 07 Sejam A e B dois referenciais inerciais. Se a quantidade de movimento de um sistema, num certo episódio, se conserva, para o referencial A, podemos garantir que a quantidade de movimento desse sistema certamente se conserva em relação ao referencial B ? Física Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 138 Pensando em Casa Pensando em Casa Questão 01 A figura mostra um elevador panorâmico que desce acelerado com aceleração a = 2 m/s2 . De repente, Dr. Raul percebe que a lâmpada se desprende do teto a 2,56 m de altura do piso do elevador e passa a cair verticalmente em direção ao piso. Quanto tempo ele dispõe para afastar o pé e não se machucar com o impacto da lâmpada no piso ? (Dado g = 10 m/s2) a) 0,4 s b) 0,5 s c) 0,6 s d) 0,7 s e) 0,8 s a Questão 02 A figura mostra um elevador panorâmico que desce com uma velocidade constante V = 10 km/h. De repente, Dr. Raul percebe que a lâmpada se desprende do teto a 1,8 m de altura do piso do elevador e passa a cair verticalmente em direção ao piso. Quanto tempo ele dispõe para afastar o pé e não se machucar com o impacto da lâmpada no piso ? (Dado g = 10 m/s2) a) 0,4 s b) 0,5 s c) 0,6 s d) 0,7 s e) 0,8 s V Questão 03 elevador, como mostra a figura. Sendo g o módulo do campo gravitacional no local, analisar as afirmações a seguir: I - Se o elevador permanecer em repouso ou mover-se em movimento retilíneo e uniforme, o período de oscilação do pêndulo será T = 2 .g/ II - Se o elevador mover-se com aceleração de módulo a dirigida para cima, o período de oscilação do pêndulo será T = 2 . ag III - Se o elevador mover-se com aceleração de módulo a dirigida para baixo (a < g), o período de oscilação será T = 2 . ag IV - Se o elevador estiver em queda livre, o pêndulo não oscilará, visto que a gravidade aparente em seu interior será nula. o prof Renato Brito pede para você determinar as corretas: a) todas. b) apenas II e III. c) apenas IV. d) apenas I. e) apenas I, II e III. Questão 04 A figura mostra um elevador que se move para cima em movimento acelerado com aceleração a = 2 m/s2 num local onde a gravidade vale g = 10 m/s2. Os blocos A e B, demassas 4 kg e 6 kg, encontram-se ligados entre si através de um fio ideal que passa por uma polia presa ao teto do elevador. Pede-se determinar: a) a aceleração com que se movem os bloquinhos para o observador dentro do elevador b) a tração no cordão a A B Questão 05 - A figura mostra um elevador que se move com aceleração a = 5 m/s2 para cima. Um bloco inicialmente em repouso, em relação ao elevador, é abandonado do topo de um plano inclinado e escorrega ladeira abaixo, até atingir o piso do elevador. Admitindo g = 10 m/s2 e desprezando atritos, o prof Renato Brito pede para você determinar: a h a) o comprimento dessa rampa, ou seja, a hipotenusa desse triângulo retângulo, sabendo que h = 2,7 m, sen = 0,60 e cos = 0,80 b) a aceleração adquirida pelo bloco ladeira abaixo, em relação ao elevador ; c) quanto tempo o bloco gasta para descer toda a ladeira. Física Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 139 Questão 06 (UFPA) Um ônibus caminha com velocidade constante em uma estrada horizontal quando, subitamente, o motorista acelera o veículo, fazendo com que os passageiros experimentem uma força que os impele para trás. Assinale a alternativa correta: a) A força que os passageiros experimentam é de natureza fictícia ou inercial e proporcional ao peso de cada passageiro. b) A força que os passageiros experimentam é de natureza fictícia ou inercial , mas independe do peso de cada passageiro. c) A força que os passageiros experimentam é real, mas depende do campo gravitacional da Terra. d) A força que os passageiros experimentam é real, mas independe do campo gravitacional da Terra. Questão 07 (Cefet 2005 1ª Fase) Medindo-se várias grandezas físicas referentes ao movimento de uma partícula em relação a distintos referenciais inerciais, verifica-se que algumas grandezas mudam com o referencial (relativas), enquanto outras não (absolutas). Constata-se que, no limite de baixas velocidades da mecânica clássica: a) aceleração instantânea é relativa, enquanto velocidade instantânea é absoluta b) força resultante é relativa, enquanto intervalo de tempo é absoluto c) deslocamento é relativo, enquanto aceleração instantânea é absoluta d) intervalo de tempo é relativo, enquanto deslocamento é absoluto e) força resultante é relativa, enquanto velocidade instantânea é absoluta Dica: Leia as páginas 127 e 128 Questão 08 (UECE 2008.1 1ª fase) - Assinale a alternativa que, de acordo com a física newtoniana, contém apenas grandezas (físicas) que não dependem do referencial inercial adotado: a) Trabalho e energia cinética b) Força, massa e aceleração c) Massa, energia cinética e aceleração d) Temperatura e velocidade Dica: Leia as páginas 127 e 128 Questão 09 A figura mostra um pêndulo de comprimento L preso ao teto de um vagão que se move com aceleração constante a num local em que o campo gravitacional tem intensidade g. Se o pêndulo é posto a executar pequenas oscilações, o período dessas oscilações é dado por : a) L 2 g a b) 2 2 L 2 g a c) L 2 g a d) 2 2 L 2 g a g a Dica: Leia a página 132 Questão 10 Sejam A e B dois referenciais inerciais (observadores inerciais) estudando o movimento de um móvel C. A Terra é admitida como um referencial inercial. Considerando os princípios da Mecânica Clássica, e considerando que você leu atentamente as páginas 127 e 128 dessa apostila, é errado afirmar que: A B c a) Mesmo A e B sendo referenciais inerciais, eles podem medir diferentes valores para a velocidade, a quantidade de movimento e para a energia cinética da bolinha C. Para isso, basta que A esteja se movendo em relação a B. b) os referenciais (observadores ) A e B certamente não têm aceleração, um em relação ao outro ( ABa 0 ), por serem referenciais inerciais; c) a aceleração do móvel C, quando medida pelo referencial A, sempre concorda com a sua aceleração medida pelo referencial B, quer os referenciais inerciais A e B estejam parados entre si ou em movimento entre si; d) Se A fosse um referencial inercial e B fosse um referencial não- inercial, A e B discordariam a respeito da aceleração do corpo C; e) Mesmo A e B sendo referenciais inerciais, é possível que a energia mecânica do pêndulo C se conserve para o observador A, mas não se conserve (varie com o tempo) para o observador B. Questão 11 (UFRN 2011) Considere um grande navio, tipo transatlântico, movendo-se em linha reta e com velocidade constante (velocidade de cruzeiro). Em seu interior, existe um salão de jogos climatizado e nele uma mesa de pingue-pongue orientada paralelamente ao comprimento do navio. Dois jovens resolvem jogar pingue-pongue, mas discordam sobre quem deve ficar de frente ou de costas para o sentido do deslocamento do navio. Segundo um deles, tal escolha influenciaria no resultado do jogo, pois o movimento do navio afetaria o movimento relativo da bolinha de pingue-pongue. Nesse contexto, de acordo com as Leis da Física, pode-se afirmar que : a) a discussão não é pertinente, pois, no caso, o navio se comporta como um referencial não inercial, não afetando o movimento da bola. b) a discussão é pertinente, pois, no caso, o navio se comporta como um referencial não inercial, não afetando o movimento da bola. c) a discussão é pertinente, pois, no caso, o navio se comporta como um referencial inercial, afetando o movimento da bola. d) a discussão não é pertinente, pois, no caso, o navio se comporta como um referencial inercial, não afetando o movimento da bola. Dica: Veja a figura 10 na página 22 e texto na página 23. Trabalho e EnergiaAula 05 Simétrico Pré-Universitário – Há 25 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 1– Por que Estudar Trabalho e Energia ? Após aprender as três Leis de Newton da Dinâmica, resolver inúmeros exercícios de aplicações das três leis, o aluno talvez se pergunte: “Pra que estudar mais uma ferramenta da Mecânica chamada Trabalho e Energia, se as Leis de Newton se aplicam a todos os problemas da Dinâmica dos corpos ? ” De fato, as Leis de Newton são uma poderosíssima ferramenta para a resolução de problemas de Mecânica e, teoricamente, resolvem a maioria dos problemas sobre o movimento com relativa simplicidade. Entretanto, em muitos casos, quando a geometria da questão não é favorável, a aplicação das Leis de Newton, em conjunto com as relações da cinemática, se torna inviável devido à complexidade matemática que o aluno teria de enfrentar até chegar à solução. Para esclarecer melhor, considere duas caixas idênticas que são abandonadas do repouso de uma mesma altura H, sendo que uma delas descerá por um plano inclinado (Figura 1) enquanto a outra o fará através de um tobogã ondulado (Figura 2). H v Figura 1 – A caixa desce a rampa com aceleração a = g.sen constante, visto que a inclinação da trajetória permanece constante por ser uma reta. Trata-se de um MUV. H v Figura 2 – A caixa desce a rampa com aceleração a = g.sen variável, visto que a inclinação da trajetória sinuosa varia durante o movimento da caixa. Esse movimento é variado mas, não é uniformemente variado. De antemão, digo a você, amigo estudante, que a velocidade V com que cada uma das caixas atingirá o piso horizontal, em ambos os casos, será exatamente a mesma, apesar das trajetórias seguidas pelas caixas serem bem distintas. Determinar essa velocidade final V no primeiro caso é uma tarefa simples: Investigamos as forças que atuam sobre o corpo e, com base na 2a lei de Newton, facilmente calculamos a aceleração a = g.sen responsável pelo movimento e determinamos a velocidade final atingida pela caixa através da cinemática do MUV.Veja: Cálculo da velocidade final V no 1o caso H v P P.sen P. co s N a s Se a aceleração adquirida pela caixa na direção ladeira abaixo é causada pela componente P.sen do peso, então podemos escrever: FR = m.a P.sen = m.a m.g.sen = m.a a = g.sen Pela relação cinemática do MUV : V2 = Vo2 + 2.a.s, com Vo = 0 (parte do repouso) , a = g.sen e sen = s H vem: V2 = Vo2 + 2.a.s V2 = 0 2 + 2.(g.sen).s V2 = 0 2 + 2.g. s H s V = H.g.2 Entretanto, determinar essa velocidade final V da caixa no segundo caso, utilizando os mesmos princípios, seria impraticável: Como a inclinação do tobogã é variável, isso impõe ao movimento da caixa uma aceleração a = g.sen variável. O movimento será mais complexo que um MUV e a equação de Torricelli não se aplica a esses casos. Como se calcular a velocidade final V da caixa no 2º caso? Os princípios de Trabalho e Energia são generalizações das leis de Newton e trazem, embutidos em si, essas leis. A sua aplicação na solução dos problemas geralmente leva a uma grande economia de passagens matemáticas, permitindo soluções rápidas e diretas. Problemas complicados à primeira vista são solucionados de forma simples e elegante quando aplicamos os princípios de trabalho e energia. A seguir, desenvolveremos esses conceitos. Quando estivermos prontos, voltaremos ao problema do tobogã e usaremos essa ferramenta para determinar a velocidade final da caixa. 2– O significado físico do Trabalho realizado por uma força Quando um móvel de massa M se desloca com velocidade V, o fato de ele estar se movendo lhe confere uma energia de movimento, denominada energia cinética EC , matematicamente dada pela expressão: Ec = 2 V.M 2 [eq 1] aula 5 trabalhoeEnergia