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Aula 12 – Expansão Marítima e Comercial Europeia 
 
 
 
 
 
129 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
TEMPOS DIFÍCEIS 
Em linhas gerais, o projeto de expansionismo marítimo português e 
espanhol atendia aos interesses de diversos grupos sociais e 
instituições que compunham a sociedade ibérica, oferecendo-lhes 
uma saída para a retração econômica e outros aspectos da crise 
da ordem feudal. As grandes navegações tiveram o apoio 
financeiro de classes como a nobreza e a burguesia, interessadas 
na exploração de outras terras e no alargamento do comércio, e 
também dos reis, desejosos de encontrar novas fontes de renda. A 
Igreja, por sua vez, sonhava em conquistar novos fiéis e em 
empreender seu trabalho de catequese em territórios virgens, mas 
estes sonhos não se opunham à descoberta e à posse de novas 
riquezas. Muito ao contrário: como escreveu Colombo numa carta, 
o ouro tinha a virtude de enviar almas ao paraíso. 
A verdade é que a Europa do século XV sofria as consequências 
da escassez de metais preciosos. A formação das monarquias 
nacionais e a expansão do comércio, que em parte encontrava 
barreiras devido ao monopólio muçulmano, exigiam o aumento da 
circulação monetária, insuficiente para atender às necessidades 
sociais. As narrativas lendárias da existência de tesouros no além-
mar aumentavam a cobiça dos europeus, que pretendiam buscá-
los a todo custo. 
Entre esses tesouros estavam as especiarias, tão necessárias para 
a conservação das carnes e importadas da Ásia a peso de ouro. O 
hábito de comer carne se difundiu pela sociedade europeia no 
início da modernidade, e o mesmo aconteceu com o consumo de 
certas drogas aromáticas como a canela, noz-moscada, pimenta e 
o gengibre. O extraordinário aumento do preço das especiarias 
[especialmente depois que os otomanos conquistaram 
Constantinopla, em 1453] motivou os europeus a buscar os 
condimentos nas suas origens, burlando o monopólio muçulmano. 
Os portugueses foram os primeiros a chegar à Ásia. Voltaram com 
os porões dos navios abarrotados de especiarias, que lhes 
proporcionaram uma riqueza inimaginável.” 
MOTA, Myriam Becho. BRAICK, Patrícia Ramos. História: das cavernas ao 
Terceiro Milênio. São Paulo: Moderna, 1997, p. 113-115. 
 
DOM HENRIQUE A A ESCOLA DE SAGRES 
Umas das figuras mais destacadas no processo das navegações 
portuguesas foi o Infante D. Henrique (1394-1460). Quinto filho do 
rei D. João I, D. Henrique ocuparia um papel central no início das 
navegações portuguesas. “Embora cognominado “O Navegador’, 
D. Henrique não era um homem do mar - pelo que raramente 
viajou. Na verdade, só cruzou duas vezes o Mediterrâneo, em 
ambas para atacar os ‘infiéis’ [muçulmanos] em Marrocos. Mas 
jamais singrou o Mar Tenebroso, o Atlântico – o oceano que ele 
incorporou à geopolítica europeia. O fato de o Infante quase nunca 
ter posto os pés numa embarcação é um dos argumentos mais 
usados por seus detratores. No entanto, ele parece confirmar que a 
saga defalgrada pelo Infante era, de fato, uma aventura da mente – 
e, nesse sentido, uma ação de cunho investigativo. D. Henrique 
também foi um dos primeiros estadistas europeus a vislumbrar os 
oceanos não como barreiras intransponíveis, mas como uma 
ampla rota comercial ao redor do planeta”, escreve Eduardo Bueno 
em A Viagem do Descobrimento. Com o intuito de melhor 
patrocinar as viagens náuticas portuguesas, D. Henrique, segundo 
Eduardo Bueno, “começou a atrair para o Algarve sábios, 
cartógrafos, astrônomos e astrólogos – especialmente judeus que, 
desde meados do século XIV, fugiam das perseguições que se 
desencadeavam na Espanha. Com esses refugiados, D. Henrique 
fundou, então, a Escola de Sagres – que existiu apenas no sentido 
filosófico da palavra. Ao contrário do que a maior parte dos livros 
segue afirmando, jamais houve um espaço físico, um centro de 
estudos, e muito menos um observatório, na ponta de Sagres – 
onde, segundo o geógrafo grego Strabo, os celtas e os iberos 
achavam que os deuses faziam suas reuniões noturnas”. 
 
 
A Ponta da Sagres, ao Sul de Portugal. 
 
Para o professor e historiador britânico John Roberts, em The 
shorter history of the world, D. Henrique “organizou expedições 
rumo ao sul, costeando a África. Em 1434, os portugueses 
contornaram pela primeira vez o Cabo Bojador; dez anos depois, 
estabeleceram-se nos Açores e chegaram até Cabo Verde, na 
costa da África. Em 1445, alcançaram o Senegal e pouco depois 
construíram ali um forte. Em 1473, cruzaram o Equador, e em 1487 
alcançaram a extremidade sul da África: o Cabo da Boa 
Esperança. Mais adiante havia um fantástico prêmio: o comércio 
de especiarias através do Oceano Índico, há tanto tempo 
monopolizado pelas embarcações árabes. A existência desse 
comércio significava que havia pilotos árabes disponíveis. Então, 
quase no final do século, Vasco da Gama, um capitão português, 
recebeu do rei a incumbência de descobrir um caminho para a 
Índia. Depois de contratar um piloto omani no leste da África, 
rumou para leste e lançou âncora em Calicute, no litoral ocidental, 
em maio de 1498”. 
 
 
Périplo africano realizado pelos portugueses. 
 
RIQUEZA, DESPERDÍCIO E OUTROS POVOS 
“As viagens marítimas contribuíram para que os europeus 
tomassem conhecimento da existência de outras terras e outras 
culturas. Os oceanos e mares que antes provocavam tantos 
temores, transformaram-se em vias comerciais importantes. As 
descobertas significaram riquezas para os que estavam envolvidos 
nos negócios marítimos, certezas para aqueles que defendiam que 
a Terra era redonda e avanços inquestionáveis na arte da 
navegação. 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. 
A Espanha conseguiu posição de destaque na economia 
internacional. Graças aos navios abarrotados de ouro e prata que 
chegavam de suas possessões na América, foi o maior e mais rico 
império até o século XVII. Mesmo assim, tal como os portugueses, 
os espanhóis não conseguiram levar adiante seu poderio politico e 
econômico. Os lucros obtidos com as descobertas foram gastos 
com luxo e ostentação na corte e com a manutenção de um 
número excessivo e crescente de funcionários burocráticos. 
Outros povos entraram no cenário da expansão marítima em busca 
de riquezas. Ingleses, holandeses e franceses queriam sua parte 
na divisão do chamado Novo Mundo. Não conseguiram grandes 
feitos marítimos como os portugueses e os espanhóis, mas 
obtiveram êxito na acumulação da riqueza. As conquistas 
europeias foram decisivas para a posterior consolidação do 
sistema capitalista. 
Os ingleses foram exímios contrabandistas e piratas. Muitos navios 
que vinham da América iam parar nas mãos da Inglaterra. Um dos 
mais famosos corsários ingleses foi o almirante Francis Drake, que 
em suas aventuras marítimas acumulou um tesouro significativo 
para o reino britânico. Os ingleses conseguiram também lucros 
expressivos com o tráfico de escravos, atividade que mais tarde 
viriam a condenar, mas que contribuiu substancialmente para o 
enriquecimento da Inglaterra. No século XVII, iniciaram a 
colonização dos territorios hoje pertencentes aos Estados Unidos. 
Mas a pirataria e o contrabando eram práticas comuns não só 
entre os ingleses. Os franceses também navegaram pelas costas 
do oceano Atlântico, dando trabalho aos navios espanhóis e 
portugueses que traziam riquezas das colônias. A Guerra dos Cem 
Anos (1337-1453) entre França e Inglaterra dificultou, inicialmente, 
uma participação mais ativa dos dois países na expansão maritima. 
A centralização politico administrativa era fundamental para os 
grandes empreendimentos marítimos, e essa foi uma das razões 
do pioneirismo ibérico. A França e a Inglaterra tiveram que 
resolver, primeiro, os problemas politicos que impediam a unidade 
de suas monarquias. 
Os holandeses tinham forte presença no comércio europeu da 
época, como revendedorese produtores de mercadorias. Também 
enfrentavam problemas politicos, sobretudo a partir de sua 
subordinação política à Espanha, no século XVII. A Holanda 
contava com uma localização geográfica privilegiada, em frente ao 
Mar do Norte, e chegou a possuir a maior frota naval do mundo. Os 
holandeses destacaram-se principalmente como comerciantes e 
financistas, patrocinando muitas vezes atividades da economia 
colonial, como a produção açucareira das colônias portuguesas. 
Com a expansão marítima, os europeus tornaram-se, efetivamente, 
os grandes senhores do mundo. As atividades comerciais 
cresceram, ampliaram-se suas rotas, o Mediterrâneo deixou de ser 
o lugar privilegiado da navegação commercial. A burguesia 
afirmou-se como grupo social poderoso, consolidando junto com a 
realeza a centralização política. As atividades financeiras também 
se desenvolveram rapidamente.” 
REZENDE, Antonio Paulo. DIDIER, Maria Thereza. Rumos da História: a 
construção da modernidade. São Paulo: Atual, 1996, p. 81-82. 
 
A BULA INTER COETERA E O TRATADO DE TORDESILHAS 
Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo realizou uma 
das maiores descobertas no período das grandes navegações. 
Financiado pelos recursos da Coroa Espanhola, esse navegador 
anunciou a descoberta de terras a oeste. Tal feito acabou inserindo 
o reino espanhol no processo de expansão marítimo comercial 
que, desde o início daquele século, já havia propiciado 
significativas conquistas para o Império Português ao longo de todo 
século XV. 
Com a ascensão dos espanhóis na exploração de novas terras, o 
clima de disputa com os portugueses se acirrou. Para que um 
conflito de maiores proporções fosse evitado, o papa Alexandre VI 
foi convocado para negociar os limites de exploração colonial entre 
essas duas potências europeias. Inicialmente, Portugal buscava 
garantir seu monopólio na costa africana e a Espanha preocupava-
se em legitimar a exploração nas terras localizadas a oeste. 
No ano de 1493, o papa então anunciou a assinatura da Bula Inter 
Coetera, que fixava uma linha imaginária a 100 léguas da Ilha de 
Cabo Verde. No entanto, no ano seguinte, o rei português Dom 
João II exigiu a revisão desse primeiro acordo, que não satisfazia 
os interesses lusitanos. Segundo alguns historiadores, essa 
mudança de ideia era um forte indício de que os portugueses 
tinham conhecimento de outras terras localizadas na porção sul do 
novo continente descoberto pelos espanhóis. Séculos mais tarde, 
documentos explicariam essa “repentina” mudança de ideia dos 
lusitanos. 
Buscando evitar o desgaste de um conflito militar, os espanhóis 
aceitaram a revisão dos acordos com uma nova intermediação do 
papa. Com isso, o Tratado de Tordesilhas foi assinado em junho 
de 1494. Nesse novo acerto ficava estabelecida a demarcação de 
um novo meridiano localizado a 370 léguas a oeste da ilha de 
Cabo Verde. Os territórios a oeste seriam explorados pelos 
espanhóis; e as terras a leste deveriam ser controladas pelos 
lusitanos. Dessa forma, o novo acordo assegurou a exploração 
lusitana em parte dos territórios que hoje compõem o Brasil. 
 
 
A divisão do mundo entre Portugal e Espanha. 
 
Pouco tempo depois, as determinações desse tratado seriam 
questionadas pelas outras nações europeias que iniciavam seu 
processo de expansão marítima. Diversos monarcas não 
aceitavam o fato de a divisão ter se restringido aos países ibéricos. 
Os franceses, por exemplo, passaram a organizar expedições 
marítimas para o Brasil em sinal do não reconhecimento do 
tratado. As nações que protestaram contra, na verdade, 
reivindicavam o princípio de posse útil da terra para legitimar a 
exploração colonial. 
 
Mediante tal proposta, os portugueses se viram forçados a 
intensificar os mecanismos de controle e dominação sobre seus 
territórios. A partir de 1530, Portugal enviou Martinho Afonso para 
as terras brasileiras, com o objetivo de fundar o primeiro centro de 
exploração colonial. Em contrapartida, expedições inglesas e 
francesas buscaram terras na região norte do continente 
americano. 
Fonte: http://brasilescola.uol.com.br/historiab/tratado-de tordesilhas.htm 
(adaptado) 
http://brasilescola.uol.com.br/historiab/tratado-de%20tordesilhas.htm
Aula 12 – Expansão Marítima e Comercial Europeia 
 
 
 
 
 
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A DURA VIDA DOS NAVEGANTES 
 
Gravura de Alfredo Roque Gameiro (1864 - 1935) reproduz o 
interior de uma nau portuguesa: hierarquias diluídas na convivência 
em alto-mar. 
 
Fome, sede, doença e estupro eram apenas algumas das palavras 
incorporadas ao cotidiano dos navegantes nos séculos XV e XVI. 
Fugindo de uma vida dura na Europa, centenas de homens 
embarcaram nas caravelas dos descobrimentos. Alguns buscavam 
enriquecimento rápido e fama; outros, penitência pelos pecados e 
oportunidade de difundir a fé em Cristo. Eram atraídos pela brisa 
do mar e pela aventura, encontrando uma existência repleta de 
surpresas nem sempre agradáveis. 
Dentre os obstáculos que precisaram ser vencidos para desbravar 
os mares, nenhum supera a dureza do cotidiano nas caravelas. Os 
tripulantes eram confinados a um ridículo espaço que impedia 
qualquer tipo de privacidade. Os hábitos de higiene eram precários. 
Proliferavam insetos parasitas: pulgas, percevejos e piolhos. O 
mau cheiro se acumulava, tornando-se insuportável em pouco 
tempo. Além disso, havia o perigo constante de naufrágio e a 
possibilidade de serem mal recebidos pelos nativos. Ainda assim, 
apesar de todas as mazelas, a vida no mar podia ser instigante: 
encontrar novas terras e gentes, escapar da rotina. 
A rígida separação que existia na Europa entre nobres e plebeus, 
com leis distintas para cada categoria, era atenuada no universo 
marítimo. Só o mar podia proporcionar a quebra de hierarquia que 
dificilmente ocorreria em terra, num continente dominado pelos 
títulos de nobreza que separavam aqueles com sangue azul da 
imensa maioria da população. Os perigos e o limitado espaço para 
circular a bordo estimulavam a camaradagem, o que podia servir, 
inclusive, como meio de ascensão social. 
Não foram poucos os escudeiros e simples marujos que, por 
mérito, acabaram agraciados com títulos de nobreza pelo rei de 
Portugal nos séculos XV e XVI. Foi o caso de João Afonso de 
Aveiro, um simples marinheiro que se tornou fidalgo e capitão de 
uma caravela, recebendo terras e um brasão do rei D. João II, por 
volta de 1585. Ele participou de expedições marítimas à África, 
embaixadas em terras de mouros como tradutor, por dominar o 
idioma árabe, e de batalhas como escudeiro. 
Mas o risco constante de motim fazia com que os marinheiros 
fossem submetidos a uma rígida disciplina militar. Para garantir a 
ordem, cada capitão era obrigado por lei a ter duas peças de 
artilharia em seu camarote e a portar duas armas de fogo e uma 
espada. 
Amotinados eram presos a ferros no porão, onde permaneciam até 
o fim da viagem. Quando em terra, não eram julgados, mas 
perdiam direito ao soldo e tinham os nomes incluídos numa lista 
negra que impedia que fossem admitidos em outro navio. Em certa 
ocasião, por exemplo, o capitão João Pereira Corte Real, tendo 
enfrentado um tumulto entre os marujos, enforcou dois homens e 
matou outro com estocadas do cabo de sua espada. O rei de 
Portugal – Filipe II, o mesmo que governava a Espanha por meio 
da União Ibérica –, quando soube do ocorrido, julgou-o merecedor 
de uma recompensa. 
O ambiente de permanente tensão era gerado, em parte, pelo 
aperto a bordo. As caravelas tinham dimensões modestas. 
Desenvolvidas a partir de uma confluência de tradições, havia uma 
grande variedade de tipos, com dimensões entre sete e 18 metros 
de comprimento, tendo uma largura de um para três. Isto significa 
que a chamada “caravela latina”, a mais utilizada nas viagens de 
exploração da costa africana, com 16 metros de comprimento, teria 
cerca de cinco metros de largura. 
Além do convés, que ficava acéu aberto, qualquer tipo de caravela 
tinha no máximo mais dois pavimentos inferiores. Este espaço era 
lotado com canhões, pólvora, munição e, principalmente, água e 
alimentos necessários para enfrentar o alto-mar, deixando pouco 
espaço para os marujos. 
O número de tripulantes variava entre 12 e 120, muitas vezes 
envolvendo, além de marinheiros, bombardeiros responsáveis pelo 
manuseio dos canhões e soldados que deveriam garantir a 
segurança no desembarque em praias lotadas de nativos 
potencialmente hostis. 
Nos pavimentos inferiores, o ar e a luz eram extremamente 
escassos, fornecidos apenas por fendas entre os ripados de 
madeira, que também deixavam passar água, tornando os porões 
abafados, quentes e úmidos. Nesse ambiente insalubre, apinhado 
de carga, os marinheiros ficavam amontoados em um único 
cômodo. 
Cada marujo possuía um baú para guardar seus pertences, alojado 
embaixo do catre inferior, uma espécie de beliche de três ou quatro 
pavimentos de madeira que servia de cama, sem o conforto dos 
modernos colchões. Ali os tripulantes se revezavam para 
descansar. 
Devido ao aperto nos navios, o abastecimento e a alimentação 
constituíram um problema permanente. Os gêneros embarcados 
tinham sempre uma péssima qualidade. Estavam frequentemente 
deteriorados ainda no início da viagem e terminavam apodrecendo 
em pouco tempo. 
O rol dos produtos oficialmente embarcados incluía carne vermelha 
defumada, peixe seco ou salgado, favas, lentilhas, cebolas, 
vinagre, banha, azeite, azeitonas, farinha de trigo, laranjas, 
biscoitos, açúcar, mel, uvas-passas, ameixas, conservas e queijos. 
Também eram transportados barris de vinho e água, embora, 
depois de algumas semanas, o vinho se transformasse em vinagre 
e a água, em um fétido criadouro de larvas. 
Para garantir a presença de alimento fresco, iam a bordo alguns 
animais vivos, principalmente galinhas, e, por vezes, bois, porcos, 
carneiros e cabras, brindando os embarcados com muito esterco e 
urina, que contribuíam para agravar o quadro de doenças entre os 
humanos. 
Mesmo assim, raramente havia carne vermelha fresca, e, quando 
existia, uma arroba era fornecida, por mês, para cada homem – o 
equivalente a 2,510 quilos. Receber esta regalia era raridade. O 
embarque de animais de grande porte não era recomendado, 
tomava muito espaço, consumia víveres e água, deixava o 
ambiente ainda mais insalubre. Com sorte, peixe seco, cebolas e 
alho podiam ser fornecidos. Muitas vezes, na falta de lenha, peixe 
e carne eram consumidos crus. 
Em viagens longas, passado um mês, o que sobrava para comer 
 
 
 
 
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era uma espécie de biscoito duro e seco, então já todo roído por 
ratos e baratas. Nestas condições, a ração era distribuída três 
vezes ao dia, praticamente nunca excedendo uma porção de 
biscoitos, meia medida de vinho e uma de água. Diante da 
iminência da fome, muitos traziam seu próprio estoque de comida, 
outros optavam por tentar pescar nos períodos de calmaria ou 
caçar os muitos ratos presentes a bordo. 
A dieta pobre em vitaminas explica diversas doenças que se 
tornaram corriqueiras nos navios, com sintomas como disenteria, 
febre, fraqueza extrema e desnutrição. A principal era o escorbuto, 
chamado na época de “mal das gengivas” ou “mal de Luanda”, 
provocado pela falta de vitamina C. Causava inchaço das gengivas 
e perda dos dentes, dilatações e dores nas pernas, conduzindo a 
uma lenta, horrível e dolorosa morte. 
Ironicamente, no caso do consumo de ratos – o animal sintetiza a 
vitamina C a partir dos alimentos que consome –, os infortúnios 
vividos pelos mareantes em desespero, sem que soubessem, 
terminavam evitando o aparecimento do escorbuto. 
A ausência de hábitos básicos de higiene piorava os estragos 
causados pelo alto grau de deterioração dos víveres. Não era 
costume, por exemplo, lavar as colheres, as gamelas e os pratos 
usados. Estes utensílios eram compartilhados, sendo de uso 
coletivo entre os tripulantes. Além disso, piolhos, pulgas e 
percevejos saltavam dos animais transportados e encontravam nas 
pessoas um farto terreno para proliferar. 
Os tripulantes precisavam conter sua repugnância diante dos 
companheiros de viagem, que arrotavam, vomitavam, soltavam 
ventos e escarravam perto dos que comiam sua escassa refeição. 
Não havia instalações sanitárias a bordo. Eles faziam as 
necessidades se debruçando no costado da nau, na borda do 
navio, voltados para o mar. Alguns caíam enquanto buscavam 
alívio e nunca mais eram vistos. Aqueles que podiam, valiam-se de 
bacios, cujo conteúdo fétido era depois despejado em qualquer 
canto. 
Tudo em meio ao convívio com gente que havia embarcado 
fugindo de desafetos ou da Justiça. Apesar de muitos buscarem 
redenção pelos pecados, outros estavam à procura de 
oportunidades de arranjar mais encrenca, cometer estupros ou 
atirar o companheiro ao mar para se apoderar de seus pertences. 
Embora obstáculos como esses desestimulassem o sonho 
mercantilista e cristianizador, nada pôde impedir que o espírito de 
aventura fosse efetivado. Cada dificuldade serviu de lição para a 
etapa seguinte, possibilitando o domínio, pelos europeus, dos 
mares por desbravar. 
Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-dura-vida dos-navegantes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/a-dura-vida%20dos-navegantes
Aula 12 – Expansão Marítima e Comercial Europeia 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 
As grandes navegações produziram o expansionismo do século XV e contribuíram para acelerar a 
transição do feudalismo/capitalismo. Provocaram mudanças no comércio europeu, tais como: 
a) deslocamento do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico; ascensão econômica das repúblicas 
italianas paralelamente ao declínio das potências mercantis atlânticas; acúmulo de capitais nas mãos 
da realeza. 
b) perda do monopólio do comércio de especiarias por parte dos italianos; declínio econômico das 
potências mercantis atlânticas; intenso afluxo de metais preciosos da América para a Europa. 
c) empobrecimento da burguesia europeia; deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o 
Atlântico; ascensão econômica das repúblicas italianas, paralelamente ao declínio das potências 
mercantis atlânticas. 
d) intenso afluxo de metais preciosos da América para a Europa, o que determinou a chamada 
“revolução dos preços do Século XVI”; deslocamento do eixo econômico do Mediterrâneo para o 
Atlântico; acúmulo de capitais nas mãos da burguesia europeia, em consequência da abundância de 
metais que afluiu para a Europa. 
e) ascensão econômica das repúblicas italianas, paralelamente ao declínio econômico de países como 
Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda; incorporação das áreas do continente americano e do litoral 
africano às rotas já tradicionais de comércio Europa – Ásia; acumulação de capitais nas mãos da 
nobreza e realeza europeias. 
 
Questão 02 
A expressão “expansão marítima europeia” é utilizada pela historiografia contemporânea, ao tratar dos 
séculos XV e XVI, para 
a) identificar o processo de aquisição de territórios na Europa por meio da drenagem de regiões 
próximas ao mar, tal como ocorrido nos Países Baixos. 
b) caracterizar o domínio político sobre o Oriente, auxiliado pela invenção da pólvora, da bússola e do 
astrolábio nas universidades europeias. 
c) criticar o belicismo europeu que usou o argumento religioso de “combate ao infiel” para justificar 
suas conquistas territoriais na Ásia. 
d) definir o desenvolvimento econômico europeu bem como o contato e comércio com povos de outros 
continentes. 
e) legitimar a adoção da cultura europeia por parte de outrasnações como ação integrante do projeto 
civilizacional iluminista. 
 
Questão 03 
Considerando o processo de expansão da Europa moderna a partir dos séculos XV e XVI, pode-se 
afirmar que Portugal e Espanha tiveram um papel predominante. Esse papel, entretanto, dependeu, 
em larga medida, de uma rede composta por interesses 
a) políticos, inerentes à continuidade dos interesses feudais em Portugal; intelectuais, associados ao 
desenvolvimento da imprensa, do hermetismo e da Astrologia no mundo ibérico; econômicos, 
vinculados aos interesses italianos na Espanha, nos quais a presença de Colombo é um exemplo; e 
sociais, vinculados ao poder do clero na Espanha. 
b) políticos, vinculados ao processo de fragmentação política das monarquias absolutas ibéricas; 
sociais, associados ao desenvolvimento de novos setores sociais, como a nobreza; coloniais, 
decorrentes da política da Igreja católica que via os habitantes do Novo Mundo como o homem 
primitivo criado por Deus; e econômicos, presos aos interesses mouros na Espanha. 
c) políticos, vinculados às práticas racistas que envolviam a atuação dos comerciantes ibéricos no 
Oriente; científicos, que viam na expansão a negação das teorias heliocêntricas; econômicos, ligados 
ao processo de aumento do tráfico de negros para a Europa através de alianças com os Países 
Baixos; e religiosos, marcados pela ação ampliada da Inquisição. 
d) políticos, associados ao modelo republicano desenvolvido no Renascimento italiano; religiosos, 
decorrentes da vitória católica nos processos da Reconquista ibérica; econômicos, ligados ao 
movimento geral de desenvolvimento do mercantilismo; e sociais, inerentes à vitória do campo sobre a 
cidade no mundo ibérico. 
e) políticos, vinculados ao fortalecimento da centralização dos estados ibéricos; econômicos, 
provenientes do avanço das atividades comerciais; religiosos, relacionados com a importância do 
Papado na Península Ibérica; e intelectuais, decorrentes dos avanços científicos da Renascença e que 
viram na expansão a realidade de suas teorias sobre Geografia e Astronomia. 
Anotações 
 
 
 
 
 
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Questão 04 
Observe o gráfico das tendências econômicas de alguns países europeus (1500-1700): 
 
 
 
Sobre as causas dessas tendências, é correto afirmar que: 
a) a prata americana deu à Espanha do século XVI um poder de compra que acabou provocando o 
desenvolvimento manufatureiro holandês e inglês no século seguinte. 
b) as guerras religiosas incentivaram a produção de armas e permitiram o crescimento econômico dos 
principados luteranos da Europa central, em meados do século XVI. 
c) o afluxo dos tesouros americanos permitiu à Espanha ter um período de enriquecimento e expansão 
no século XVII. 
d) a estreita relação entre comércio externo e setor manufatureiro e a manutenção da união com a 
Espanha foram as bases do “milagre” holandês do século XVII. 
e) o controle dos mares, as grandes reservas de carvão e o uso de energia a vapor para mecanizar a 
produção manufatureira explicam a expansão constante da economia inglesa entre 1550 e 1700. 
 
Questão 05 
A expansão marítima dos séculos XV e XVI proporcionou a conquista europeia da América e a 
descoberta de novas rotas de navegação para o Extremo Oriente. A expansão marítima também 
provocou, ao longo do tempo, 
a) o controle europeu sobre os três oceanos, pois as caravelas portuguesas e espanholas passaram a 
dominar o comércio no Atlântico, no Índico e no Pacífico. 
b) a integração de alimentos americanos à dieta europeia, pois o milho, as batatas, o cacau e o 
tomate, entre outros, passaram a ser consumidos na Europa. 
c) o fim das atividades comerciais no Mar Mediterrâneo e no Mar Adriático, pois as especiarias obtidas 
no oriente só podiam ser transportadas pelos oceanos. 
d) a expansão do protestantismo, pois as vítimas das guerras religiosas aproveitaram a tolerância 
religiosa nas colônias portuguesas e espanholas e se transferiram para elas. 
e) o início da hegemonia marítima inglesa, pois a frota britânica oferecia proteção militar aos 
navegadores contra a ação de corsários e piratas que atuavam na região do Caribe. 
 
Questão 06 
Leia atentamente o poema O Infante, do poeta português Fernando Pessoa. 
 
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. 
Deus quis que a terra fosse toda uma, 
Que o mar unisse, já não separasse, 
Sagrou-te e foste desvendando a espuma. 
E a orla branca foi, de ilha em continente, 
Clareou, correndo, até ao fim do mundo, 
E viu-se a terra inteira, de repente, 
Surgir, redonda, do azul profundo. 
Quem te sagrou, criou-te português, 
Do mar por nós em ti nos deu sinal. 
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. 
Senhor, falta cumprir-se Portugal! 
Anotações

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