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Anemia Falciforme 
↳ Foi descrita pela primeira vez em 1910 por Herrick e 
possui caráter recessivo e homozigoto. 
↳ É considerada uma hemoglobinopatia por distúrbios 
hereditários causados por mutações herdadas que 
originam anormalidades estruturais na hemoglobina. 
↳ Decorre de uma mutação no gene da β-globina, que 
origina a hemoglobina falciforme (HbS). 
 
↳ A cadeia beta-globina é sintetizada pelo gene HBB que 
está localizado na banda 15.4 do braço curto do cromosso 
11. 
↳ O eritrócito normal de uma pessoa adulta contém: 
 ↪ 96% de hemoglobina do tipo A1 que é 
constituída por 2 cadeias alfas e 2 cadeias betas. 
 ↪ 3% de hemoglobina do tipo A2 que é 
constituída por 2 cadeias alfas e 2 cadeias delta. 
 ↪ 1% de hemoglobina fetal que é constituída por 
2 cadeias alfas e 2 cadeias gama. 
↳ Quando ocorrem variantes na hemoglobina, exatamente 
na cadeia beta, podem ocorrer mutações estruturais que 
são consideradas patológicas. As mais comuns são: 
 ↪ HbS 
 ↪ HbC 
 ↪ HbE 
 
 
 
Definição 
↳ A HbS é produzida pela substituição do acido glutâmico 
por valina na 6° posição de resíduos de aminoácidos da 
beta-globina. 
↳ Em homozigotos todas as HbA são substituídas pela HbS 
enquanto em heterozigotos somente cerca da metade é 
substituída. 
↳ Quando o individuo é homozigoto para a HbS, ele vai ser 
portador da anemia falciforme. 
↳ Quando o individuo é heterozigoto para HbS, ele vai ser 
portador do traço para a anemia falciforme, podendo 
transferir essa alteração genética para os seus filhos. 
 
 
↳ Essa figura representa a mutação que ocorre na cadeia 
beta-globina. 
↳ Pode-se observar a esquerda a cadeia beta-globina 
normal, onde na 6° posição, a trinca de base está 
representada pela GAG (Guanina Adenina Guanina) que 
forma o aminoácido glutâmico. 
↳ Quando ocorre à mutação, a adenina é substituída por 
timina, ficando a sequencia: Guanina Timina Guanina (GTG) e 
formando o aminoácido valina. Ou seja, a mutação decorre 
da substituição do acido glutâmico pela valina, na mesma 
posição na cadeia de DNA, isso acontece simplesmente 
pela substituição pela adenina pela timina, que leva a 
alteração da hemoglobina. 
↳ Pode-se observar a hemoglobina de cadeia aberta do 
lado direito (siclêmica, que significa foice) que promove a 
alteração morfológica do eritrócito que é a anemia 
falciforme. 
Epidemiologia 
 
↳ De acordo com OMS de 2018, pode-se observar a 
distribuição mundial do gene S para anemia falciforme. 
↳ A anemia falciforme, na maioria dos estudos é uma 
doença relacionada à etnia, ou seja, na raça negra. 
↳ Ela surgiu na África e devido à migração de escravos 
para diferentes continentes, ocorreu uma miscigenação de 
raças, promovendo pessoas com traços ou indivíduos 
portadores da doença. 
 
Frequência no Brasil 
 
↳ Nessa imagem pode-se observar a frequência do gene 
S no Brasil. 
↳ Esses lugares destacados são onde tem a maior 
concentração de migrantes africanos e dos países 
banhados pelo mar mediterrâneo. 
↪AS: traço falciforme. 
 ↳ A prevalência é alta e ocorre de 1 a cada 20 
pessoas. 
↪ DF: doença falciforme. 
 
 
 
 
 
 
 
Genótipo 
 
↳ Indivíduos com traços falciforme são heterozigotos, ou 
seja, possuem gene para produzir hemoglobina tipo A e o 
gene para hemoglobina do tipo S, cujo genótipo é 
representado pelas letras AS, ou seja, genótipo AS. 
↳ O traço falciforme não é uma doença, é uma doença 
benigna, mas ele é portador da hemoglobina S, podendo 
assim, transmitir para seus filhos. 
↳ Na anemia falciforme, o individuo recebe um gene para 
hemoglobina S do pai e outro gene para hemoglobina S, 
proveniente da mãe, ou seja, ele é homozigoto, cujo 
genótipo é representado nas letras SS, sendo portador da 
anemia falciforme. 
↳ Quando o individuo recebe o gene para hemoglobina S e 
do outro genitor ele recebe o gene para hemoglobina S ou 
para as variantes da hemoglobina, seja hemoglobina C, 
hemoglobina E ou a doença talassemia, ele vai ter: 
↪ SS se for HbS+HbS; 
↪ SC se for HbS+C; 
↪ SE se for HbS+HbE; 
↪ SD se for HbS+HbD 
↪ SS/talassemia se for anemia falciforme 
associado à talassemia. 
↳ Nesses casos, dessas variantes ou anemia falciforme 
associada à talassemia, ele vai ser portador da doença 
falciforme. 
↳ De forma resumida, a anemia falciforme é um dos tipos 
de doença falciforme ou hemoglobinopatias. 
 
 
 
Esquema genético 
 
↳ Pode-se observar que os pais são portadores dos 
traços para anemia falciforme. 
↳ Representados pela bola de cor verde, a hemoglobina A 
normal e em vermelho a hemoglobina para o gene alterado. 
(gene S). 
↳ Esses pais sendo heterozigotos, ou seja, portadores do 
traço podem ter: 
↪ 25% de filhos sem a doença (sem o traço e 
sem a anemia); 
↪ 50% de filhos com traço para anemia 
falciforme; 
↪ 25% de probabilidade de terem filhos 
portadores da anemia falciforme. 
 
Fisiopatologia 
↳ As hemoglobinas S recém-formadas sofrem uma 
desoxigenação. 
↳ Quando ocorre à saída da molécula de oxigênio elas 
formam longos polímeros e esses polímeros vai destorcer 
o eritrócito, gerando sua forma crescente e alongada, ou 
falciforme, cujo nome correto é drepanócito. 
↳ Esse afoiçamento dos eritrócitos é inicialmente 
reversível após a reoxigenação, então quando ocorre à 
desoxigenação, o eritrócito altera sua forma para a forma 
de depranócito e após a reoxigenação ele volta a sua 
forma esférica. Ele é reversível até determinado tempo, 
depois ele passa a ser irreversível, adquirindo a forma 
alongada. 
↳ A distorção da membrana produzida depois de repetidos 
episódios de afoiçamento leva ao influxo de cálcio (possui 
concentração baixa no citosol porque ele fica armazenado 
em organelas), causando a perda de potássio e agua e 
devido a essa saída, a célula fica desidratada e também 
leva a danos ao esqueleto da membrana. 
↳ Ao longo do tempo, esses danos cumulativos criam 
células afoiçadas de forma irreversível, então mesmo após 
os episódios de reoxigenação, essas células não conseguem 
mais alterar a sua forma de foice para a forma esférica. 
 
↳ Em síntese, devido à mutação que ocorre pela troca de 
Adenina pela Timina, há a promoção da hemoglobina S que 
após a desoxigenação desse eritrócito, causando um 
influxo de cálcio e um efluxo de potássio e agua que causa 
uma desidratação desse eritrócito além de danos da 
membrana do citoesqueleto. 
↳ Isso faz com que o eritrócito adquira uma forma 
alongada que nos primeiros momentos são irreversíveis. 
Após uma nova oxigenação, esse eritrócito deformado 
volta a sua forma esférica. Porém, esse eritrócito, mesmo 
voltando a sua forma normal, está desidratado e com 
lesão na membrana celular. Após novas desoxigenações 
que vão ocorrer nesse eritrócito por um tempo 
prolongado, vai causar lesões irreversíveis que vai levar o 
individuo a oclusão microvascular ou a hemólise. 
↳ Esse eritrócito sofre uma hemólise ou quando ele passa 
pelo baço, é fagocitado pelos macrófagos e eles ao 
fagocitar esse eritrócito anômalo libera ocitocinas que vai 
causar inflamação e febre no individuo. 
↳ Essa lesão microvascular pode promover a dor de 
membros inferiores e pode ocluir vasos importantes de 
órgãos vitais e no SNC pode levar ao acidente vascular 
cerebral bem como pode ocluir vasos de outros órgãos 
vitais, como coração e pulmão. 
↳ Essas duas complicações (hemólise e oclusão 
microvascular) são as mais importantes complicações que 
podem ocorre devido ao quadro da anemia falciforme. 
↳ A anemia em si não é tão complicada quanto às 
consequências da alteração morfológica da hemácia. 
↳ Na imagem, pode-se observar que quando a hemoglobina 
sofre a desoxigenação, vai formar os polímeros e eles 
ficam grandes, alongando os eritrócitos e eles ficam 
menos maleável e frágil, tendo como duração 20 dias 
apenas, promovendo um menor tempo de vida. 
↳ O eritrócito nessa forma não maleável vai ocluir os 
vasos, pois uma hemácia precisa ter forma arredondada e 
ser flexível o que permite ela circular nos pequenos vasos 
e quando elaadquire essa forma alongada, ela não 
consegue passar e interrompe o fluxo da microcirculação. 
 
Fatores de afoiçamento 
↳ Além da hemoglobina S, indivíduos portadores da anemia 
falciforme; 
↳ Mutações que são variantes da hemoglobina do tipo HbC 
(beta-globina mutante) que é muito comum em indivíduos 
negros e americanos; 
↳ (HbS), desidratação dos eritrócitos que vai aumentar a 
concentração de hemoglobina que vai facilitar a 
polimerização e o afoiçamento do eritrócito. 
↳ Tempo maior desses eritrócitos na microvasculatura, 
porque como ela tem uma forma de foice, o fluxo 
sanguíneo vai ser mais lento, pois ela vai interromper e 
obstruir o vaso. Isso não ocorre só dentro do vaso, pode 
ocorrer no vaso e na medula óssea, que são os tecidos 
comumente afetados por essa alteração morfológica do 
eritrócito. 
 
Consequências do afoiçamento 
↳ Anemia crônica hemolítica: como já vimos à hemólise e 
as oclusões microvasculares. A anemia crônica se dá 
devido à diminuição do tempo de vida desse eritrócito, que 
é em torno de 20 dias. 
↳ A oclusão dos vasos resulta em dano isquêmico em 
vários tecidos e órgãos vitais e crises de dor. 
 
↳ Nessa imagem, podemos observar um vaso mostrando 
os eritrócitos normais circulando onde ele é flexível, 
conseguindo circular por um vaso mais estreito. 
↳ Quando ocorre alteração morfológica, ele começa a 
obstruir a passagem do fluxo de sangue, ele vai ocluir um 
vaso estreito e pode ocluir um vaso principal, promovendo 
consequências isquêmicas em diferentes órgãos e tecidos. 
 
 
 
Diagnóstico 
↳ É feito por teste de DNA, onde ele identifica a mutação 
do gene e é feito no período pré-natal. 
↳ Teste do pezinho que é feito durante a triagem do 
bebe, que vai identificar a presença da proteína S. 
↳ Esfregaço periférico que vai identificar a alteração 
morfológica do eritrócito. 
↳ Teste de solubilidade (falcisação Hb), vai identificar a 
forma de foice. 
↳ Eletroforese de Hb (analise da Hb) = eletroforese de 
proteína. Eles vão identificar o tamanho da proteína, sendo 
que o eritrócito em forma de foice tem um tamanho e 
peso maior do que uma hemácia esférica. 
Sinais e sintomas 
↳ A anemia falciforme pode se manifestar de forma 
diferente em cada indivíduo. Uns têm apenas alguns 
sintomas leves, outros apresentam um ou mais sinais. Os 
sintomas geralmente aparecem na segunda metade do 
primeiro ano de vida da criança. 
↳ Crise de dor: é o sintoma mais frequente da doença 
falciforme causado pela obstrução de pequenos vasos 
sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice. A 
dor é mais frequente nos ossos e nas articulações, 
podendo, porém atingir qualquer parte do corpo. Essas 
crises têm duração variável e podem ocorrer várias vezes 
ao ano. Geralmente são associadas ao tempo frio, 
infecções, período pré-menstrual, problemas emocionais, 
gravidez ou desidratação; 
↳ Síndrome mão-pé: nas crianças pequenas as crises de 
dor podem ocorrer nos pequenos vasos sanguíneos das 
mãos e dos pés, causando inchaço, dor e vermelhidão no 
local; 
↳ Infecções: as pessoas com doença falciforme têm 
maior propensão a infecções e, principalmente as crianças 
podem ter mais pneumonias e meningites. Por isso elas 
devem receber vacinas especiais para prevenir estas 
complicações. Ao primeiro sinal de febre deve-se procurar 
o hospital onde é feito o acompanhamento da doença. Isto 
certamente fará com que a infecção seja controlada com 
mais facilidade; 
↳ Úlcera (ferida) de Perna: ocorre mais frequentemente 
próximo aos tornozelos, a partir da adolescência. As 
úlceras podem levar anos para a cicatrização completa, se 
não forem bem cuidadas no início do seu aparecimento. 
Para prevenir o aparecimento das úlceras, os pacientes 
devem usar meias grossas e sapatos; 
↳ Sequestro do Sangue no Baço: o baço é o órgão que 
filtra o sangue. Em crianças com anemia falciforme, o 
baço pode aumentar rapidamente por sequestrar todo o 
sangue e isso pode levar rapidamente à morte por falta 
de sangue para os outros órgãos, como o cérebro e o 
coração. É uma complicação da doença que envolve risco 
de vida e exige tratamento emergencial. 
 
Tratamento 
↳ Compreende o tratamento farmacológico e 
procedimental. 
↪ Com relação ao tratamento farmacológico: 
↳ Voxelotor: medicamento que previne a formação da 
forma drepanócito (forma de foice) e a união dos 
eritrócitos, impedindo e polimerização da hemoglobina. 
↳ Crizanlizumab-tmca: é um anti-inflamatório que reduz as 
crises de dor devido à oclusão. 
↳ Penicilina: é um antibiótico que quando administrado 2x 
ao dia, ele vai reduzir as infecções causadas por 
pneumococcus, sendo a pneumonia uma das complicações 
da anemia falciforme, devido infecção por essa bactéria. 
↳ Hydrpxyurea: possui diversos efeitos, sendo o aumento 
da hemoglobina fetal (HbF) em crianças. 
A hemoglobina fetal é super ágil e possui uma 
capacidade de carregar oxigênio aos tecidos. 
Reduz e previne varias complicação da doença falciforme 
como diminui a venoclusão, ou seja, ela impede que 
formação de foice; Reduz episódios de dor, então se não 
tem a formação de foice, não vai ter obstrução e não vai 
ter a dor. Reduz a síndrome torácica aguda (é uma das 
complicações graves que leva a mortalidade principalmente 
de crianças); Melhora do quadro de anemia, pois ela vai 
adquirir a forma normal; Não vai haver necessidade de 
transfusões repetidas e nem de hospitalização, que se dá 
por anemia aguda, pela síndrome torácica aguda ou pelo 
acidente vascular cerebral, sendo muito comum em 
criança. 
↳ Transfusão aguda: o individuo precisa receber de forma 
rápida e repetidas bolsas de sangue. Ela vai tratar da 
anemia severa que é decorrente da anemia falciforme, o 
AVC decorrente dessas venoclusões que afetaram órgãos 
vitais, síndrome torácica aguda, também por venoclusão e 
a falência múltipla de órgãos (FMO). 
↳ Transfusão de CH (concentrado de hemácias): essa 
transfusão não é para quadros severos. É chamada 
também de transfusão de substituição, ou seja, vai ser 
retirada a hemoglobina S e vai ser administrado o 
concentrado de hemácias, onde vão ser infundidos 
eritrócitos normais, isso se faz por aférese. 
↳ Transfusão de troca: aumenta o numero de células 
vermelhas do sangue, que são flexíveis, maleáveis e que 
possuem melhor circulação e diminui o numero de 
hemoglobinas S. 
↳ Transplante de medula óssea: tratamento definitivo.

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