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ABDOME AGUDO INTRODUÇÃO Dor aguda de início súbito rapidamente progressiva de intensidade variável, que demanda atendimento médico de urgência imediato clínico ou cirúrgico, quando não tratada evolui para piora dos sintomas. EPIDEMIOLOGIA Mulheres 450 em 100mil por ano Homens 180 em 100mil por ano DIAGNÓSTICO No geral, uma anamnese bem feita e um exame físico completo são suficientes para indicar a etiologia Incluir pródromos! SINTOMAS Dor Podem apresentar: Náuseas Vômitos Parada de evacuação As HDs só devem ser levantadas após um exame físico. CLASSIFICAÇÃO INFLAMATÓRIO Apendicite Aguda -> principal causa de abd agudo; Pancreatite aguda; Colecistite aguda; Diverticulite. PERFURATIVO Ex.: Úlcera gastroduodenal perfurada Pctes com perfuração -> pneumoperitôneo OBSTRUTIVO Ex.: Bridas (aderências cordonais, uma alça pode torcer e dar obstrução) e aderências (cicatrizações internas) Intussuscepção Hérnia estrangulada Megacólon - pode inicialmente fazer uma colonoscopia ou sondagem para desobstruir e depois ir para a cirurgia VASCULAR Ex.: Isquemia mesentérica Ruptura de aneurisma de aorta HEMORRÁGICA Ruptura de fígado GINECOLÓGICO Prenhez ectópica (pode ser considerada hemorrágica) Rotura uterina UROLÓGICO Ruptura de bexiga Pode iniciar por exemplo inflamatório e evoluir para perfurativo, como em casos de diverticulite aguda -> MISTO SITUAÇÕES ESPECIAIS - de difícil diagnóstico Mulheres em idade reprodutiva ou grávida Fazer beta HCG para descartar prenhez ectópica Idoso Relativa falta de achados no exame físico Imunossuprimido Infecções oportunistas, perfurações, obstrução Analgesia e antiinflamatórios não prejudicam o diagnóstico Diminui a ansiedade Relaxa a musculatura Preferencialmente ser reavaliado pelo mesmo profissional que fez o atendimento inicial EXAMES Hemograma Apenas 53% dos abd agudo têm alteração no hemograma Os leucócitos normais podem retardar o diagnóstico e tratamento Amilase e Lipase Podem auxiliar no diagnóstico de apendicite Sumário de urina Alguns casos de apendicite tem piócitos na urina Radiografia de abdome Pode ser útil no diagnóstico Pacientes com antecedentes cirúrgicos abdominais + dor + parada de evacuação + distensão abdominal => podem apresentar uma distensão de alças, nível hidroaéreo, no Raio-x Íleo paralítico => gás no reto Obstrução => não tem gás no reto Ultrassonografia Não invasivo Desvantagem se houver gás => não penetra bem Exame de escolha nos casos ginecológicos Tomografia Cólica renal, apendicite, diverticulite, abcesso Cuidado com mulheres em idade fértil, pois podem estar gestando e não saber Faz logo USG e pede Beta HCG para descartar gravidez antes da TC APENDICITE AGUDA Mais fácil diagnosticar em homens, em mulheres tem diagnóstico diferencial com patologias nos ovários e tubas. SINTOMAS Hiporexia - falta de apetite Dor - inicialmente periumbilical e depois em fossa ilíaca direita ABDOME AGUDO Náuseas, vômitos Febre baixa EXAME FÍSICO Sinal de Blumberg positivo: dor à descompressão brusca do ponto de McBurney (FID). Sinal de Rovsing positivo: dor na FID à palpação da FIE. O apêndice pode estar em vários locais, ele disse que já viu até suprahepático FISIOPATOLOGIA Obstrução do lúmen do apêndice (fecalito, obstrução linfonodal) → Secreção persiste → Aumento da pressão luminal → Estase → Proliferação bacteriana → Edema → Obstrução linfática → Ulceração da mucosa → Obstrução venosa e arterial → Perfuração FASES EVOLUTIVAS: I. Edematosa: Hiperemia e edema da parede - Não precisa de ATB II. Fibrinosa: Extensão até a serosa - Não precisa de ATB III. Flegmonosa: Coleção purulenta no lúmen IV. Gangrenosa/Perfurativa: Trombose venosa, isquemia da borda antimesentérica COMPLICAÇÕES Peritonite Obstrução EXAMES LABORATORIAIS Hemograma: Leucocitose moderada com neutrofilia EXAMES DE IMAGEM USG Abdome Total TC Abdome Total DIAGNÓSTICO Laparoscopia (padrão-ouro): Deve ser realizada na presença de sinais e sintomas sugestivos de apendicite aguda. TRATAMENTO Apendicectomia laparoscópica PANCREATITE AGUDA ETIOFISIOPATOLOGIA Na maioria das vezes surge como complicação de uma Colecistite por migração de um cálculo para papila duodenal. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Dor epigástrica que irradia para o dorso (“dor em cinturão”). COMPLICAÇÕES Abscesso pancreático (pode ser drenado por laparoscopia) Necrose pancreática infectada Rotura de pseudocisto (contaminação da cavidade abdominal dando peritonite) EXAMES LABORATORIAIS Elevação de amilase e lipase séricas (marcadores de inflamação pancreática). EXAMES DE IMAGEM USG Abdome Total TC Abdome Total TRATAMENTO Clínico: Fase Edematosa Colecistectomia laparoscópica (Colelap) logo após recuperação e na mesma admissão hospitalar. Na PA grave biliar, a Colelap deve ser adiada até a resolução da resposta inflamatória e recuperação clínica. Adordagem “step-up”: Necrose pancreática infectada, sepse ou falência de múltiplos órgãos Cirurgia aberta: Ausência de resposta ao tratamento minimamente invasivo. Laparostomia ou Fasciotomia: Síndrome Abdominal Compartimental Laparoscopia é contraindicada! COLECISTITE AGUDA EXAMES DE IMAGEM USG Abdome Total (primeiro exame) TC Abdome Total; Cintilografia RM (complicações) TRATAMENTO Cirurgia laparoscópica precoce 48-72h (também para idosos). Pacientes com comorbidades graves, tratamento conservador ou colecistostomia percutânea, seguida ou não por cirurgia precoce ou tardia, pode ser alternativas para reduzir riscos cirúrgico ou anestésico. DIPA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Leucorreia acompanhada de dor abdominal baixa Peritonite EXAMES LABORATORIAIS Hemograma com leucocitose Elevação de PCR EXAMES DIAGNÓSTICOS USG Pélvica Laparoscopia TRATAMENTO Clínico Cirúrgico por laparoscopia ABDOME AGUDO Hinchey I e IIa (falha na drenagem percutânea; deterioração clínica). Hinchey IIb e III Doença Diverticular Complicada (III e IV): Hartmann Ressecção de sigmoide com anastomose primária Reconstituição pós Hartmann PRENHEZ ECTÓPICA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Dor abdominal baixa que se tornou difusa Atraso menstrual Sangramento Sinais de irritação peritoneal (dor à percussão ou palpação do abdome) DIAGNÓSTICO Clínico: Anamnese + Exame Físico Anemia USG Pélvica LAPAROSCOPIA DIAGNOSTICA E TERAPÊUTICA ÚLCERA DUODENAL PERFURADA MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Dor epigástrica que se torna difusa Postura antálgica Abdome em tábua (rigidez muscular) EXAMES DE IMAGEM Radiografia de tórax em ortostatismo Radiografia de abdome em ortostatismo TC Abdome Total DIAGNÓSTICO Anamnese: Uso de AINE, Corticoide Laparoscopia (diagnostica e terapêutica) Ferramenta útil de diagnóstico quando achados pré- operatórios não são conclusivos, especialmente se o tratamento é provável. É uma alternativa possível para cirurgia aberta no tratamento da ulcera péptica perfurada. DIVERTICULITE AGUDA HISTÓRIA CLÍNICA E EXAME FÍSICO Dor em FIE ou QIE EXAMES DIAGNÓSTICOS TC Abdome Total (fase aguda) USG Abdome Radiografia Simples de Abdome Enema Opaco Colonoscopia Anatomopatológico CLASSIFICAÇÃO I. Abscesso pericólico II. Abscesso bloqueado com peritonite localizada III. Roto (peritonite purulenta) IV. Perfuração (peritonite fecal) TRATAMENTO Abordagem laparoscópica com lavagem e drenagem: Diverticulite complicada. OBSTRUÇÃO INTESTINAL RADIOLOGIA Radiografia simples de abdome em pé e deitado Trânsito intestinal TC Abdome Total TRATAMENTO Conservador Cirúrgico Na obstrução intestinal por aderências, o tratamento laparoscópico da obstrução do intestino delgado pode ser realizada com sucesso em pacientes selecionados. HÉRNIAS ESTRANGULADAS Cirurgia Laparoscópica - TEP ou TAPP Hérnias inguinais irredutíveis ou estrangulada Hérnias encarceradas não inguinais: Diafragmática congênita ou adquirida; Supravesical; Obturatória; Hérnias internas; Hérnia ventral encarcerada e incisional Ausência de sinais de distensão abdominal Número >4 de laparotomias prévias Ausência de peritonite e de sinais clínicos de isquemia intestinal; ausência de situações de alto risco de sepse Ausência de instabilidadehemodinâmica e comorbidades severas Obesidade mórbida e idade avançada não são contraindicações ABDOME AGUDO ISQUEMIA MESENTÉRICA AGUDA EXAMES DE IMAGEM USG Abdome Total TC Abdome Total Angiografia TRATAMENTO Cirúrgico Laparoscopia não oferece vantagens significativas Papel potencial no “second look” em pacientes operados TRAUMA ABDOMINAL CIRURGIA LAPAROSCÓPICA Pacientes hemodinamicamente estáveis: Com penetração documentada ou duvidosa; Trauma fechado com lesão intra-abdominal suspeita e de resultados duvidosos, mas com uma alta probabilidade clínica para lesão intra-abdominal para excluir lesão relevante. DOR ABDOMINAL NÃO ESPECÍFICA LAPAROSCOPIA Tecnicamente viável e aplicada com segurança para pacientes selecionados com dor aguda após completo diagnóstico