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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO 
Universidade Federal do Agreste de Pernambuco 
Av. Bom Pastor, s/n. Boa Vista - Garanhuns - PE CEP: 55.292-270
Fone: 087 3764-5500
EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA NERVOSO DE CÃES E GATOS E EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA LOCOMOTOR DE CÃES E GATOS.
ERLAINE DE HOLANDA CAVALCANTI FILHO
ROBSON ALVES SOARES
RENATO HUMBERTO 
GARANHUNS-PE
2021
SEMIOLOGIA VETERINÁRIA
MEDICINA VETERINÁRIA
EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA NERVOSO DE CÃES E GATOS E EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA LOCOMOTOR DE CÃES E GATOS
PROFESSORA DRA. RUTE CHAMIE ALVES DE SOUZA
Resumo acadêmico apresentado à Universidade Federal do Agreste de Pernambuco sob orientação da Profa. Dra. Rute Chamie Alves de Souza, como critério para obtenção de nota na segunda verificação de aprendizagem da disciplina de Semiologia Veterinária. 
GARANHUNS-PE
2021
SUMÁRIO
l EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA NERVOSO DE CÃES E GATOS………………………………………………………………………………………4
ll EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA LOCOMOTOR DE CÃES E GATOS……………………………..………………………………………………………….5
III REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS…………………………………………………....00
EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA NERVOSO DE CÃES E GATOS
	
A neurologia é uma área específica da medicina veterinária que ultimamente vem ganhando bastante espaço, especialmente por causa da maior demanda dos proprietários pela busca de diagnósticos e tratamentos apropriados. Uma das maiores dificuldades dos exames neurológicos são as interpretações dos exames, pois algumas alterações ortopédicas podem ser confundidas com alterações neurológicas, para evitar esses problemas a coloração de mucosas, hidratação, linfonodos, frequências cardíaca e pulmonar, temperatura retal e palpação abdominal identificação do animal e histórico, devem ser checados. Sabe-se, por exemplo, que animais jovens são predispostos a apresentar afecções de origem congênita ou inflamatória e que animais da raça Teckel têm alta probabilidade de apresentar discopatias. As perguntas na anamnese irão depender da queixa principal apresentada pelo proprietário. A queixa principal é a razão pela qual o animal foi encaminhado para atendimento neurológico. O médico veterinário deve se preocupar em obter respostas detalhadas do proprietário sobre o início, progressão e curso dos sinais clínicos, para que se possa definir uma lista de diagnósticos diferenciais. Sinais clínicos agudos, por exemplo, são geralmente ocasionados por condições vasculares ou traumáticas, enquanto, alterações crônicas são, geralmente, decorrentes de processos degenerativos e neoplásicos. A filmagem de episódios, pelos proprietários, pode ser útil para se identificar uma crise epiléptica, que, geralmente, não é vivenciada pelo médico veterinário. Condições como sedação, tensão do animal ou histórico recente de crises epilépticas podem diminuir a acurácia do exame neurológico, pois ocasionam alterações nos testes neurológicos que não estão associadas a qualquer alteração do sistema nervoso. O exame neurológico pode ser dividido em oito partes principais: 1) Estado mental e comportamento, 2) Postura, 3) Marcha, 4) Tremores involuntários, 5) Reações posturais, 6) Nervos cranianos, 7) Reflexos miotáticos e 8) Avaliação sensorial. É importante que o clínico tente manter sempre a mesma sequência de exames para que nenhum teste seja negligenciado. O estado mental deve ser avaliado inicialmente durante a anamnese, observando-se a interação do animal com o ambiente do consultório. A estrutura anatômica que participa na manutenção do nível de consciência é o sistema ativador reticular ascendente (SARA) localizado no tronco encefálico e que realiza conexões com o córtex prosencefálico. Um nível de consciência adequado é classificado como alerta, enquanto as alterações podem ser classificadas de acordo com a ordem de gravidade, em depressão, estupor e coma. A resposta positiva do animal a estímulos nociceptivos diferencia o estado estuporoso do coma. O comportamento do animal é controlado, principalmente, pelo sistema límbico, localizado no lobo temporal do prosencéfalo. Agressividade, andar compulsivo, vocalização, delírio e “head pressing” (pressionar de cabeça contra obstáculos) são exemplos de algumas dessas alterações. A postura deve ser avaliada de acordo com o posicionamento da cabeça e do tronco durante o repouso e deve ser classificada em normal ou inadequada. Existem diversas estruturas responsáveis pela manutenção de uma postura adequada como o sistema visual e sistema vestibular.
Algumas das alterações posturais são: Head tilt (Inclinação de cabeça) esta postura é caracterizada pela rotação do plano mediano da cabeça devido à desordem vestibular central ou periférica, ipsilateral à lesão. Em casos de vestibulopatias paradoxais, em que os pedúnculos cerebelares ou lobos flóculo nodulares estiverem acometidos, o “head tilt” pode ser contralateral à lesão. Quando se suspeita de uma inclinação discreta da cabeça aconselha-se traçar uma linha imaginária entre os olhos e observar se a mesma possui alguma inclinação, o que caracteriza o “head tilt”. É importante ressaltar que a presença de dor cervical (torcicolo) pode levar à rotação do plano mediano da cabeça sem que haja outros sinais clínicos de uma vestibulopatia; Head turn (Rotação lateral da cabeça): Alteração postural caracterizada por rotação lateral da cabeça com manutenção do plano mediano perpendicular ao chão. Geralmente, está associado ao pleurostótono (rotação do corpo) e indica lesão prosencefálica ipsilateral; Curvaturas espinhais, as curvaturas espinhais podem ocorrer em alterações congênitas ou adquiridas, permanentes ou intermitente e são classificadas em escoliose (desvio lateral da coluna), lordose (desvio ventral da coluna), cifose (desvio dorsal da coluna) e torcicolo (desvio lateral do pescoço); Rigidez descerebrada, postura caracterizada por rigidez e extensão dos quatro membros com opistótono e estado mental estuporoso ou comatoso. Relacionada a lesões graves da região rostral do tronco encefálico; Rigidez descerebelada, postura caracterizada por extensão dos membros torácicos, flexão dos membros pélvicos e opistótono. Diferentemente da rigidez descerebrada, o animal permanece com um nível de consciência alerta. Geralmente, está relacionada a lesões cerebelares agudas e pode ter apresentação episódica; Posição de Schiff-Sherrington, esta alteração postural é caracterizada por extensão rígida de membros torácicos com propriocepção e função motora normal, e flacidez de membros pélvicos com diminuição ou ausência da função motora. Ocorre em casos de lesão, geralmente, grave e aguda da medula toracolombar, em que há dano às “border cells” (neurônios inibitórios ascendentes que se projetam cranialmente na substância cinzenta lateral dos segmentos craniais da medula lombar e que inibem os neurônios motores inferiores dos membros torácicos). Como não há lesão de neurônios motores superiores para os membros torácicos, o animal apresentará hipertonia desses membros sem perda de propriocepção ou função motora. Marcha, a avaliação da marcha é o principal teste para pacientes com alterações locomotoras e deve ser avaliada em uma área ampla e não escorregadia. Para que haja uma marcha normal é necessário que o tronco encefálico, o cerebelo, a medula espinhal, os nervos periféricos, a junção neuromuscular e os músculos tenham suas funções íntegras. É necessário avaliar a marcha em diferentes pontos de vista: de frente, de trás e lateralmente. O animal deve ser guiado para caminhar em linha reta, em círculos e realizar curvas para ambos os lados. A marcha pode ser classificada em normal ou anormal, Quando anormal, pode ser devido à ataxia, paresia/paralisia (diminuição/ausência da função motora) e claudicação. A ataxia, sinônimo de incoordenação, é uma das características mais difíceis de ser reconhecida na marcha. Pode ser de origem proprioceptiva, devido à lesão na medula espinhal; vestibular, decorrente de alterações vestibulares; e cerebelar, associada à hipermetria e tremoresde intenção. Enquanto a paresia é definida, pelo dicionário, como uma diminuição da movimentação voluntária dos membros, a paralisia (plegia) é ausência total dessa movimentação voluntária. Na Neurologia, a paresia é definida como perda da habilidade de sustentação do peso ou inabilidade para gerar movimentos. Geralmente, a primeira definição é reservada aos animais que possuem distúrbios de neurônio motor inferior (NMI) em que uma hipotermia também pode ser observada. Já a segunda definição é restrita aos animais que possuem lesão de neurônio motor superior (NMS) que, geralmente, é acompanhada por hipermetria. Vale lembrar que a hipermetria de NMS, caracterizada por aumento da amplitude da passada, é diferente da hipermetria cerebelar, em que se observa aumento da flexão dos membros durante a movimentação. Dependendo de quais membros estão acometidos a paresia ou paralisia podem ser ainda definidas como: Tetraparesia/paralisia: alteração na função motora dos quatro membros associada à lesão cranial ao segmento medular T3 ou a uma desordem generalizada de NMI. Paraparesia/plegia: alteração na função motora dos membros pélvicos associada à lesão caudal ao segmento medular T2. Monoparesia/plegia: alteração na função motora de um membro, geralmente, associada à lesão de NMI local ou a lesões lateralizadas caudais no plexo braquial e lombo sacro. Hemiparesia: alteração na função motora dos membros de um lado do corpo devido à lesão lateralizada cranial a T2. Quando a lesão encontra-se entre a porção caudal do tronco encefálico e o segmento espinhal T2, a alteração da função motora é ipsilateral à lesão. Porém, se a lesão situar-se rostralmente ao tronco encefálico e no prosencéfalo, a alteração torna-se contralateral à lesão. Se o animal apresentar uma paresia, mas ainda for capaz de deambular, a mesma pode ser classificada em ambulatorial. No entanto, se for observado uma paresia em que o animal é incapaz de deambular, classifica-se como não ambulatorial. Nesses casos, o ideal é suportar o peso desses animais durante a marcha, para diferenciar uma paralisia de uma paresia não ambulatorial. Durante a marcha pode-se ainda observar se o animal apresenta claudicação, a qual pode ser de origem ortopédica ou devido à compressão de raiz nervosa ou andar em círculos, que é uma alteração comportamental associada a lesões prosencefálicas ou no sistema vestibular. Geralmente, o círculo é realizado ipsilateralmente à lesão. Movimentos involuntários, animais com alterações neurológicas podem apresentar diversos tipos de movimentos involuntários que, apesar de possuírem etiologias distintas, são muito parecidos na apresentação inicial. Em um paciente neuropata estes movimentos involuntários são identificados como: tremores (de ação, repouso e de intenção), miotonias, desordens de movimento (discinesias, distonias, coréia, balismo, atetose), mioclonia, catalepsia, crises epilépticas, “head bobbing”. Reações posturais, as reações posturais são respostas complexas que envolvem a participação de quase todos componentes do sistema nervoso. Proprioreceptores localizados nas articulações, tendões, músculos e ouvido interno captam uma informação externa que é transmitida para o córtex prosencefálico, onde é processado e retransmitido para a musculatura. O posicionamento proprioceptivo e o saltitamento são os dois testes posturais realizados na rotina. Alterações nesses testes indicam, com precisão, alteração no sistema nervoso, mas não a sub localização exata da lesão. É importante ressaltar que as reações posturais podem estar normais em afecções musculares se o animal tiver condições e força para sustentar o peso corporal. É interessante obter também a avaliação de tônus dos membros pélvicos com o animal em estação, antes da realização das reações posturais. Para tanto, deve-se realizar suaves movimentos de flexão dos membros. Em caso de hipertonia grave é possível levantar todo o corpo do animal apenas realizando esse movimento. O tônus dos membros torácicos será avaliado com o animal em decúbito lateral durante o teste dos reflexos miotáticos; Propriocepção, para avaliação da propriocepção, deve-se posicionar o animal em postura quadrupedal em superfície não deslizante e suportar, com uma das mãos, parte do seu peso pelo tórax (para avaliação dos membros torácicos) ou abdômen (para avaliação dos membros pélvicos). Com a outra mão posiciona-se uma das patas, de modo que a superfície dorsal fique em contato com o chão. Espera-se que o animal retorne a pata ao posicionamento anatômico imediatamente. O teste deve ser repetido até que o examinador tenha plena confiança na resposta apresentada, já que déficits sutis podem estar presentes. É particularmente difícil de ser executada em gatos, pois dificilmente permitem o manuseio de suas patas. 
Saltitamento é a principal reação postural avaliada em gatos e deve ser realizada também em todos os cães. Em animais de grande porte, em que o suporte de peso se torna difícil, recomenda-se realizar o hemisaltitamento. O teste de saltitamento é realizado segurando o paciente, de modo que grande parte do peso corporal seja sustentado por um único membro, enquanto o animal é deslocado lateralmente e. Comparam-se os membros, já que a mesma resposta deve ser visualizada em ambos os lados. Animais com afecções ortopédicas graves terão dificuldade para realizar esse teste, se o peso corporal não for adequadamente suportado. Outros testes descritos na literatura para testar as reações posturais dos animais incluem: hemicaminhada, carrinho de mão, extensor postural, posicionamento tátil e visual. Mas vale fazer algumas considerações: em animais de grande porte, em que o suporte do peso corporal é mais difícil, pode-se realizar a hemicaminhada em substituição do saltitamento. Em animais com suspeita de ataxia e paresia de membros torácicos, pode-se realizar o carrinho de mão. Em gatos o posicionamento tátil e visual pode ser realizado em substituição à propriocepção, apesar de, na opinião dos autores, ser um teste bastante falho com alto índice de falso negativo. Nervos cranianos, os nervos cranianos são compostos por 12 pares de nervos que possuem seus núcleos no prosencéfalo (I e II) e tronco encefálico (III e IV – Mesencéfalo, V- Ponte, VI, VII, VIII, IX,X, XI e XII – Bulbo). O exame dos nervos cranianos deve ser realizado quando o animal estiver bem relaxado, logo após o exame das reações posturais, e com o mínimo de contenção possível. Pode ser realizado seguindo a sequência dos nervos cranianos de I a XII ou por regiões. Os pares de nervos cranianos são: I - Olfatório II - Óptico III - Oculomotor IV - Troclear V - Trigêmio VI - Abducente VII - Facial VIII - Vestibulococlear IX - Glossofaríngeo X - Vago XI - Acessório XII - Hipoglosso. Resposta à ameaça, é um comportamento aprendido e não um reflexo propriamente dito, pode estar ausente em animais normais de idade inferior a 10 a 12 semanas. Para avaliação da resposta à ameaça devem-se testar os olhos separadamente. Para tanto, o clínico precisa cobrir um dos olhos, e após tocar suavemente o canto medial do olho testado, para chamar a atenção do animal, realizar um movimento de ameaça. O movimento deve ser executado a uma distância considerável do olho para evitar o deslocamento de ar, o que poderia sensibilizar terminações do nervo trigêmeo. Assim que o gesto de ameaça é realizado, o animal deve imediatamente fechar as pálpebras por completo. O Reflexo pupilar deve ser realizado em ambiente escuro, com os olhos previamente cobertos para que haja midríase e se possa avaliar a resposta à luz. Antes de realizar o teste é interessante posicionar a fonte de luz entre os olhos e acima do nariz para observar se existe alguma evidência de anisocoria. Avalia-se a resposta de contração da pupila que recebeu a luz (reflexo pupilar direto) e da pupila contralateral (reflexo pupilar consensual). O reflexo consensual, geralmente, é um pouco mais lento que o reflexo direto, devido ao menor número de fibras envolvidas neste reflexo. No reflexo pupilarà luz, o nervo óptico é responsável pela função sensitiva (recebe o estímulo luminoso) e o oculomotor é responsável pela função motora de constrição pupilar. É importante salientar que, esse reflexo não testa a visão do animal, apesar do nervo óptico estar envolvido. Animais que possuem cegueira cortical, não terão alteração no reflexo pupilar. Por isso, deve-se realizar também em animais cegos, para que se possa definir com exatidão a localização da lesão. Reflexo palpebral e sensibilidade facial, para avaliação do reflexo palpebral o clínico deve deflagrar um estímulo tátil suave nos cantos medial e lateral das pálpebras, e espera-se que o animal feche as pálpebras. O estímulo pode ser realizado com a ponta dos dedos ou utilizando-se um cotonete. 
Para avaliação da sensibilidade facial devem-se realizar estímulos de toque na face em diferentes regiões com um cotonete ou pinça hemostática em que se espera, como resposta, contração da musculatura facial e fechamento de pálpebras. O estímulo da mucosa nasal efetiva-se após o fechamento de ambos os olhos do animal e espera-se como resposta uma movimentação de cabeça consciente. Em ambos os testes, participam da porção aferente os ramos oftálmico, maxilar e mandibular do nervo trigêmio e, da porção eferente, o nervo facial. O ramo oftálmico é responsável pela inervação sensorial da córnea, canto medial do olho, mucosa nasal e pele do dorso do nariz. Já o ramo maxilar é responsável pela inervação, principalmente, do canto lateral do olho, pele da bochecha e focinho. O ramo mandibular é responsável pela inervação da parte mandibular da face e cavidade oral. Simetria facial, realiza-se observação da face do animal em que se busca observar qualquer assimetria entre a face direita e esquerda. Hipotrofias musculares dos músculos da mastigação (lesão da porção eferente do nervo trigêmeo) e ptoses de pálpebra, lábio ou orelha (lesão da porção eferente do nervo facial) podem acarretar em uma assimetria facial. Após avaliação da simetria facial é interessante observar o tônus mandibular, que pode indicar lesões precoces do nervo trigêmeo antes que se visibilize qualquer grau de hipotrofia. Estrabismo patológico e posicional O estrabismo é um posicionamento anormal do globo ocular. O posicionamento normal dos globos oculares é dependente da inervação da musculatura periorbital, pelos nervos cranianos III, IV e VI e de uma função normal do sistema vestibular. Para avaliação dos globos oculares, o avaliador deve posicionar- se de frente para o animal e observar qualquer desvio patológico e/ou posicional, após elevação e extensão do pescoço. Estrabismo patológico lateral é decorrente de uma lesão do nervo oculomotor, enquanto que o medial ocorre devido à lesão do nervo abducente, o de rotação do globo ocular por causa da lesão do nervo troclear e o posicional ventral é consequência de lesão do nervo vestibulococlear. Nistagmo fisiológico: Para avaliação do nistagmo fisiológico (reflexo oculovestibular) deve-se movimentar a cabeça do animal para ambos os lados na direção horizontal. A resposta esperada é um movimento rítmico e involuntário dos olhos (nistagmo fisiológico) que, geralmente, apresenta uma fase lenta na direção oposta à rotação da cabeça e fase rápida na mesma direção. Na ausência de movimentação da cabeça não deve haver nistagmo e quando presente é classificado como nistagmo patológico e/ou posicional indicando, na maioria das vezes, uma lesão do sistema vestibular. Os tipos de nistagmos patológico/posicional são melhores descritos no capítulo de vestibulopatias deste caderno. O reflexo oculo-vestibular avalia a integridade dos nervos cranianos III, VI e VIII4. Nervos cranianos IX, X e XII: Para avaliação dos nervos cranianos IX e X realiza-se o reflexo de deglutição ou ânsia. Para tal, aplica-se uma pressão externa nos ossos hióides e na cartilagem tireóide, para gerar a deglutição ou, em animais mansos, estimula- -se diretamente a faringe, com um dos dedos, para provocar o reflexo de ânsia. Lesões nesses pares de nervos cranianos podem resultar em disfagia, paralisia de laringe, disfonia e regurgitação. A observação do tônus de língua avalia a integridade do nervo hipoglosso, que fornece inervação motora para os músculos da língua. Reflexos miotáticos (espinhais) e tônus muscular: A avaliação dos reflexos miotáticos e do tônus muscular auxilia na classificação dos sinais neurológicos como provenientes de lesão de NMS ou NMI e é considerada como uma continuação da avaliação das reações posturais. Com isso muitos clínicos optaram por testar os reflexos miotáticos imediatamente após as reações posturais.
Membros torácicos: Para avaliação dos reflexos espinhais dos membros torácicos, apenas o de retirada é testado. Outros reflexos como: extensor radial do carpo, bíceps e tríceps, também podem ser verificados, mas, além de sua realização ser mais difícil, suas respostas são pouco confiáveis. Visto que, animais normais podem apresentar esses reflexos diminuídos, e os com lesões reflexos normais, estes não são avaliados na rotina do exame neurológico. Nos membros torácicos,o reflexo de retirada avalia a integridade do segmento espinhal C6-T2 e raízes nervosas associadas, além dos nervos que compõem o plexo braquial (axilar, musculocutâneo, mediano, ulnar e radial). Com o animal em decúbito lateral, o clínico deve pinçar o interdigito com o dedo ou uma pinça hemostática, realizando pressão suficiente para provocar o reflexo. O estímulo gera uma flexão completa dos músculos flexores e retirada do membro. Em caso de ausência de resposta, todos os interdigitos devem ser testados. A retirada do membro demonstra apenas um reflexo e não a presença ou não de nocicepção. Membros pélvicos: Para avaliação dos reflexos espinhais dos membros pélvicos, apenas o de retirada e o patelar são testados. Outros reflexos como: tibial cranial, ciático e gastrocnêmio podem ser verificados, mas, além da realização ser mais difícil, suas respostas são pouco confiáveis. Portanto, estes testes não são realizados na rotina do exame neurológico. Nos membros pélvicos, o reflexo de retirada avalia a integridade do segmento espinhal L4-S3 e raízes nervosas associadas, além dos nervos ciático e femoral. Do mesmo modo que, para o membro torácico deve-se pressionar o interdigito, gerando flexão de quadril e jarrete. A presença de extensor cruzado (flexão do membro testado e extensão do membro contralateral) pode indicar lesão cranial ao segmento espinhal L4. O reflexo patelar avalia a integridade dos segmentos espinhais L4-L6 e do nervo femoral. Este teste é bastante confiável por ser monossináptico envolvimento apenas de um neurônio aferente que faz sinapse direta comum neurônio eferente). Para avaliá-lo, o membro testado deve ser mantido relaxado em flexão parcial, de forma que se possa desferir um golpe suave no tendão patelar com um martelo de Taylor . Deve-se também testar o membro que se encontra em decúbito. A resposta esperada consiste na extensão do membro devido à contração reflexa do músculo quadríceps femoral. Respostas diminuídas ou ausentes, geralmente, indicam lesão no segmento espinhal L4-L6 ou no nervo femoral. No entanto, animais idosos, com hipotrofia e contratura grave do quadríceps femoral, podem apresentar esse reflexo diminuído, mesmo que não haja lesão nesse segmento espinhal. Reflexos aumentados podem ser observados em lesão craniana a L4, e em alguns casos específicos em que se tem lesão restrita no segmento L6-S1 e diminuição do tônus da musculatura, que contrapõe a extensão do joelho, ocasionando a chamada pseudohiperreflexia. Reflexo perinea:l A estimulação do períneo com uma pinça hemostática resulta em contração do esfíncter anal e flexão da cauda. Esse reflexo testa a integridade do nervo pudendo e segmentos espinhais S1- S3 e cauda equina. Avaliação sensorial - Nocicepção: A avaliação da percepção consciente de dor envolve a participação dos nervos periféricos, medula espinhal, tronco encefálico e córtex prosencefálico. As fibras de dor profunda situam-sebilateralmente e profundamente na substância branca da medula espinhal. Assim, apenas em uma lesão grave bilateral da medula espinhal a avaliação do nocicepção estará diminuída ou ausente, sendo um bom indicador prognóstico para as lesões medulares. Para avaliação de dor superficial, devem-se pinçar as membranas interdigitais dos membros pélvicos e torácicos. Se a dor superficial estiver diminuída,realiza-se avaliação da dor profunda em que, com uma pinça hemostática,aplica- -se uma pressão nas falanges distais. É importante avaliar a reação consciente do animal, e não apenas a retirada do membro. A resposta esperada consiste, além da retirada do membro, de uma mudança comportamental como virar a cabeça, vocalização ou tentativa de morder. Palpação da coluna: Objetiva-se detectar áreas dolorosas (hiperestesia) ou com restrição de movimento na região da coluna vertebral ou plexos. A palpação da coluna lombar e torácica consiste de aplicações crescentes de pressão (discreta, moderada, intensa) lateralmente aos processos espinhosos em uma sequência crânio-caudal ou caudo-cranial. O animal deve permanecer em estação para realização desta etapa. A coluna cervical deve ser manipulada suavemente com movimentos laterais, ventral e dorsal. Outra técnica bastante sensível para detectar hiperestesia na coluna cervical é a realização de pressão nos corpos vertebrais cervicais enquanto efetiva-se o suporte do pescoço dorsal com a outra mão. Além disso, é importante palpar a região dos plexos braquial e lombossacral. 
 EXAME SEMIOLÓGICO DO SISTEMA LOCOMOTOR DE CÃES E GATOS
O exame semiológico do aparelho locomotor se inicia com a observação da postura e movimentação do paciente, o tempo é um fator primordial no diagnóstico para definir a evolução da queixa principal do tutor, com o paciente mais tranqüilo podemos observar se ele apresenta dor, lesões, andar cambaleante, letargia, ou postura anormal. É importante que o exame semiológico seja bem detalhado, completo e direcionado, pois apresenta na maioria das vezes resultados superiores aos resultados dos exames complementares como da ultrassom, raio x.
Na anamnese é primordial saber se o animal já teve lesão anterior, se está se alimentando corretamente, observar escore corporal,local onde o animal vive, se a presença de doenças sistêmicas ou se já teve. É feita palpando os linfonodos e observando as mucosas, avaliação do TPC e níveis de desidratação, e alguns testes de locomoção são realizados, fazendo assim uma investigação completa do problema locomotor. O clínico precisa conhecer os termos mais fequentes no exame ortopédico, melhorando assim a compreensão dos planos, direção e posição do corpo do animal.
O sistema locomotor é composto por músculos, juntamente com sua inervação, tendões, ligamentos,Como constituintes deste sistema estão os músculos, juntamente com sua inervação, tendões, ossos e a associação entre essas estruturas, caracterizadas pelas articulações, limitadas por cápsula articular e banhadas por líquido sinovial. É preciso levar em consideração a função do órgão hematopoético, da homeostase e dos componentes que desempenham as funções de movimento e sustentação.
Quanto ao movimento dos músculos e as suas funções, existem diferenças que o clínico veterinário na hora do exame semiológico precisa esta atento, como nos movimentos de pronação e supinação nos membros torácicos dos felinos, que é muito mais desenvolvido do que nos cães, e o desenvolvimento muscular dos membros pélvicos dos cães são mais desenvolvidos do que nos felinos. Por tanto ambos em repouso podem ficar em estação com posição quadrupedal, e em locomoção podem se movimentar em marcha, galope, trote, e até saltar.
O conhecimento anatomofisiológico vai direcionar o clínico veterinário a descobrir o problema apresentado, é preciso saber sua anatomia e a sua fisiologia, para que se venha apresentar alguma patologia ou disfunção, ser identificada rapidamente. Por tanto cada parte anatômica vai ter sua função e importância individual, como os ossos com suas propriedades piezelétricas, biológicas e biomecânicas, a cartilagem, o líquido sinovial, articulações, ligamentos, músculos e tendões. A unidade motora são os nervos e as fibras musculares inervadas, tem ramificação entre as fibras musculares com emissão nas suas terminações, fazendo a movimentação ampla do corpo pela sua alta taxa de inervação, e onde tem a baixa quantidade de inervação são responsáveis pelos movimentos delicados. A unidade motora é composta por corpo celular da coluna ventral cinza da medula espinal, axônio, ventral axônio no tronco encefálico, ramo dorsal e ventral dos nervos espinais, placa motora e fibras musculares.
A identificação do paciente vai ser um dos auxílios para chegar ao diagnostico esperado, todas as informações precisam ser anotadas como raça, idade e sexo. Nesse primeiro contato essa informações são essenciais para que o clínico veterinário inicie a investigação ortopédica, assim ele vai poder juntar esses dados com a queixa principal, onde será possível, descartar algumas possibilidades de diagnósticos e focar mais nas suspeitas clínicas. Algumas luxações são mais freqüentes de acordo com a faixa etária do animal, em cães jovens encontramos mais Luxação congênita medial de patela, Necrose asséptica da cabeça do fêmur, Falta de união do processo ancôneo, Osteocondrite dissecante da cabeça do úmero Displasia coxofemoral, Hiperparatireoidismo secundário nutricional, Osteodistrofia hipertrófica, em adulto Displasia coxofemoral, Ruptura do ligamento cruzado cranial e em idoso Neoplasias ósseas (osteossarcoma), Doenças do disco intervertebral (protrusão ou extrusão), Osteoartropatia hipertrófica pulmonar. Já de acordo com raça e sexo em cães, é comum encontrar nos animais de raça Poodle, Yorkshire, Lhasa Apso, Pinscher, a Luxação congenital medial de patela,Necrose asséptica da cabeça do fêmur, nos Pastor-alemão, Rottweiler, Labrador apresentam mais Displasia coxofemoral, Osteocondrite dissecante da cabeça do úmero, os Fila Brasileiro, Golden Retriever apresentam mais Displasia coxofemoral, Osteodistrofia hipertrófica, Falta de união do processo ancôneo por isso é importante saber raça, sexo e idade do animal. O histórico clínico muitas vezes não ajuda tanto, por causa, que muita das vezes o tutor não estar tão presente com o animal, ou muitas das vezes o animal vive solto na rua, mesmo se as informações obtidas não ajudar muito, o clínico veterinário precisa pegar o Máximo de dados que ele conseguir. 
HABITAT
Quando a suspeita clínica está concentrada na investigação de traumatismo, é necessário colher informações do habitat que este animal convive, se na rua ou em casa, se tem entulhos ou outros materiais que possa vim ocasionar lesão, se tem contato com outros animais e se teve alguma briga, ou se tem degraus, escadas ou outros obstáculos no local onde ele vive, tem muita importância também por causa que muitos animais são criados em locais que não tem contato com luz solar, ocasionando a deficiência de vitamina D, onde pode ocasionar doenças metabólicas, podendo afetar na sua fase de crescimento, causando sérias alterações de mineralização e crescimento ósseo, é mais comum encontrar em cães de grande porte, pois na maioria dos casos são presos em apartamentos com função de guarda, aí não tem nenhum tipo de contato com a luz solar.
FREQUÊNCIA DE EXERCÍCIO 
A freqüência de exercício de maneira precoce é uma das principais causa de lesões nas articulações coxofemorais e umerorradioulnares , podendo evoluir também as doença congênita como falta de união do processo ancôneo, em animais predispostos, fragmentação do processo coronoide medial, osteocondrite dissecante da cabeça do úmero ou displasia coxofemoral, muitas das vezes esses animais são submetidos a exercícios desgastantes e excessivos, prejudicando principalmente na fase de crescimento, por volta de 5 a 6 meses de idade, que é a fase que está tendo a formação dos componentes da articulação.
ALIMENTAÇÃO 
Um bom manejo alimentar é abase de qualquer animal, principalmente na sua fase de crescimento, infelizmente na maioria das vezes é falta de conhecimento do tutor e as vezes é para baratear os custos, passam a fornecer alimentação caseira a base de vísceras como fígado,moela, e carne bovina ou de aves, não suprindo as exigências nutricionais a desenvolvimento ósseo vai se prejudicado afetando assim o sistema locomotor. O hiperparatireoidismo nutricional secundário pode ser desencadeado pela baixa concentração de cálcio e a alta taxa de fósforo, onde vai ter características de desvio de eixos ósseos, fraturas espontânea e estreitamento de pelve. Os felinos podem apresentar hipervitaminose A, devido a dieta restrita a fígado bovino ou de aves, apresentando alterações do córtex ósseo e das articulações de vértebras cervicais. Já em dietas superalimentadas, composta por carboidratos podem desenvolver obesidade em cães adultos e idosos, assim ficam mais susceptíveis a doenças do disco intervertebral, podendo causar calcificação ou até herniações. A calcificação precoce da distal da ulna com desvio ósseo, vem de uma superalimentação a base de cálcio em animais de raças gigantes. 
DOENÇAS SISTÊMICAS
As enfermidades sistemáticas nos cães podem causar alterações na postura e na marcha do animal, podendo ter manifestações apresentadas em outros sinais clínicos, sem ser principalmente por locomotor. O clínico veterinário vai ter que investigar se tem presença de ectoparasitos, se o animal está com cartão de vacina em dia, se tem contato com outros animais que apresentaram os mesmos sintomas, e se teve ingestão de algum alimento no estado de decomposição, ou de ração vencida. As instalações de encefalopatias muitas das vezes são definidas pela alterações sistemáticas em processos toxemicos de origem renal ou hepática. Podemos citar algumas doenças sistêmicas em cães capaz de afetar o sistema locomotor, como a cinomose que tem seu local de alteração do sistema locomotor a encefalite e neuropatia periférica, a Erliquiose onde seu local de alteração é a meningite por vasculite, a Barreliose (doença de Lyme) que seu local de alteração é Artrites sépticas (principalmente em articulações femorotibiais e carporradiais) e a Leishmaniose que tem seu local de alteração Artrites e osteoperiostites.
QUEIXA PRINCIPAL- ALTERAÇÕES DE POSTURA E MARCHA 
Na maioria das vezes os proprietários apresentam dificuldades em relatar algumas informações para o clínico veterinário, podemos destacar uma delas a dificuldade em dizer se o animal está andando normal ou se está com dificuldade em movimentar os membros, claudicando. É mais fácil ele dizer se o animal está em decúbito lateral ou esternal. A claudicação tem como características a interferência na locomoção normal , onde o animal pisa cuidadosamente e tem apoio parcial, causa alteração na qualidade de progressão, movimentação e de posicionamento, assim que for observada a claudicação é preciso investigar se o animal está praticando algum exercício, se tem algum objetos estranho nos coxins e se vai ter evolução. É necessário uma investigação para saber se é uma claudicação de surgimento agudo e intenso ou é de evolução crônica e progressiva, assim a suspeita vai ser direcionada para problemas de contusões musculares, processos inflamatórios ou problemas articulares. A impotência funcional caracteriza-se pelo processo doloroso que intenso o que leva ao animal a não apoiar o membro. A manutenção do decúbito esternal, por parte do animal, pode ser indicativa de compressões medulares por fraturas, luxações ou deslocamentos do disco intervertebral que, geralmente, apresentam surgimento agudo. Já o decúbito lateral pode advir de doenças neurológicas sistêmicas como cinomose, caquexia acentuada por diversas causas e alterações isquêmicas do SNC, como trauma cranioencefálico. 
INSPEÇÃO VISUAL 
A observação da locomoção ou da postura pelo médico veterinário é capaz de determinar a possível localização da lesão. A percepção de soluções de continuidade ou de hematomas na pele, mesmo que negadas pelo proprietário, revela a ocorrência de traumatismos por mordeduras ou por atropelamento. A manutenção de afastamento dos espaços interdigitais em um membro, quando em apoio, pode caracterizar o deslocamento do peso para o membro sadio, em decorrência de processos dolorosos do membro contra ou ipsilateral. 
ASSIMETRIA 
Anormalidades na simetria de volume entre dois membros (torácicos ou pélvicos) podem indicar tanto alterações inflamatórias/infecciosas como ocorrência de flegmão ou quadros graves de neoplaias.
ELEVAÇÃO DO MEMBRO AO SOLO 
 Animais que apresentam impotência funcional e que, quando em estação, mantém o membro afetado em posição exageradamente elevada em relação ao piso, podem apresentar processo doloroso localizado em posição bastante distal, sendo características de fraturas ou luxações de falanges, metacarpos e metatarsos, ou até mesmo em conse quência de onicocriptose (unha “encravada”), alteração comum em cães com dedos supranumerários ou, ainda, pela existência de corpos estranhos ou ferimentos na região interdigital ou de coxins. Já o posicionamento semifletido, com discreta aproximação do membro, tanto torácico quanto pélvico, ao solo, pode sugerir processo doloroso localizado mais dorsalmente, como em fraturas de fêmur, escápula e úmero e nas luxações coxofemorais e escapuloumeral. 
PALPAÇÃO 
Tem como finalidade principal o auxílio na localização da dor e na avaliação de tumefações, de mobilidades ósseas e de instabilidades articulares. Em particular, a avaliação da localização da dor pode ser dificultada, uma vez que há grande variedade no tipo de resposta que os animais podem apresentar diante de estímulo doloroso. A palpação de todos os componentes do sistema musculoesquelético deve ser realizada, de preferência, sem a utilização de sedação ou anestesia, uma vez que esses procedimentos podem mascarar a manifestação do processo doloroso e dificultar a localização exata da lesão. Estes somente deverão ser indicados quando o animal demonstrar comportamento irascível, manifestação de dor tão intensa capaz de impedir a abordagem semiológica ou caso forem precedidos de exames invasivos de artrocentese ou biopsia, e ainda para realização de posicionamento doloroso durante exames radiográficos. 
TEMPERATURA LOCAL 
A temperatura local pode ser bem observada pelo médico veterinário usando o dorso da mão, não enluvada, sobre a área suspeita; Essa temperatura deve sempre ser comparada com outros membros. Quando houver aumento de temperatura local, geralmente ocorre dor e indica a existência de processo inflamatório, infeccioso ou neoplásico no local. Se, por outro lado, foi observada diminuição da temperatura, deve-se suspeitar de transtorno circulatório com diminuição da perfusão sanguínea, comum nos casos de gangrena.
OSSOS LONGOS
	Obedecendo-se à sequência de cada osso, o clínico deverá aplicar suas mãos nas extremidades proximal e distal da região óssea a ser investigada, posicionando seus polegares sobre a face lateral e os quatro dedos restantes de cada mão sobre a face medial. A verificação de fraturas é obtida realizando-se movimento de alavanca com uma das mãos, fixando-se a outra. 
PELVE 
	Os ossos ílio, ísquio e púbis, que compõem a pelve (ou coxal), são amplamente envolvidos e sustentados por fibras musculares, o que dificulta a abordagem semiológica. Posicionando-se lateralmente ao animal, o examinador deverá localizar, com os dedos indicador e polegar de uma das mãos, as cristas ilíacas direita e esquerda, aplicando-os de maneira paralela. Nos casos de fratura, serão evidentes mobilidade local, manifestação de dor e, eventualmente, crepitação. Como é frequente a compressão neurológica da cauda equina decorrente de processo inflamatório local, a paraparesia é um achado importante e a maioria dos animais deve ser examinada em decúbito esternal. 
SACRO 
Embora o sacro não faça parte da pelve, a sua abordagem semiológica também é dificultada pelo fato de suas três vértebras estarem posicionadasdorsalmente e entre as cristas ilíacas. Elas são fundidas entre si e estão ligadas aos ílios por meio de sínfises. A palpação deve ser realizada externamente, sobre o aspecto dorsal do animal e de maneira análoga à abordagem do púbis. A abordagem externa caracteriza-se pela localização do processo espinhoso da última vértebra lombar (L7) e das cristas ilíacas; no triângulo de espaço formado por essas estruturas, estará posicionado o sacro. 
SEGMENTO CERVICAL 
	As sete vértebras cervicais de cães e gatos estão fortemente envolvidas por grupos musculares, o que dificulta a abordagem clínica de suas apófises. A dor cervical é manifestada por contração exacerbada e permanente da musculatura cervical, bem como incapacidade ou relutância em efetuar um ou mais movimentos. 
ARTICULAÇÕES
	Em geral, as articulações existentes nos membros torácicos e pélvicos devem ser palpadas, explorando-se os movimentos possíveis em condições normais. Assim, as alterações mais comuns são: restrição de movimento articular, mobilidade exacerbada e diferente para o tipo de articulação, aumentos de sensibilidade e temperatura locais, tumefações e crepitações. Toda e qualquer avaliação articular deverá ser acompanhada pelos exames radiográficos e, nos casos de tumefações, de centrais e ticular. 
 TESTE DE HIPEREXTENSÃO PARA AVALIAÇÃO DO COMPRIMENTO DOS MEMBROS 
	Como a maioria das luxações coxofemorais ocorre no sentido dorsocranial, sempre haverá o encurtamento do membro luxado. Esse teste é realizado quando o examinador fica atrás do animal, que está em estação, aplicando os polegares em cada uma das tuberosidades isquiáticas e, simultaneamente, os quatro dedos restantes de cada mão sobre a face anterior do terço médio dos fêmures direito e esquerdo. 
TESTE DE COMPRESSÃO TROCANTÉRICA 
	O paciente é posicionado em decúbito lateral, com o membro a ser examinado do lado oposto ao decúbito. O clínico estabiliza a articulação femorotibial com uma das mãos e, com a outra mão espalmada, aplicada sobre o trocanter maior. Com movimentos simultâneos, o examinador realiza força de pressão contra a cavidade acetabular, pelo trocanter maior, e abduz a articulação em aproximadamente 45°, tracionando-se lateralmente o joelho. 
TESTE DE GAVETA 
	Destina-se a diagnosticar instabilidades (distensão ou ruptura) dos ligamentos cruzados cranial e caudal. O animal deve ser posicionado em decúbito lateral, com o membro pélvico a ser examinado do lado oposto ao decúbito. Com a articulação em repouso (semifletida), o examinador aplica uma das mãos lateralmente ao fêmur, na sua porção in ter me diá ria; a outra mão é posicionada sobre a tíbia, aplicando-se o polegar lateral e caudalmente à fíbula, no seu aspecto mais proximal, e os quatro dedos restantes apoiados na face anterior do osso. 
TENDÕES LIGAMENTOS E MÚSCULOS 
A palpação desaas estruturas pode revelar, apenas subjetivamente, nos casos de processos inflamatórios, aumento de sensibilidade e tumefações. Assim, os exames auxiliares de ultrassonografia são mais úteis pelo fato de fornecerem com exatidão a identificação de descontinuidade do padrão das fibras, bem como a evidenciação de exsudação de líquido inflamatório e na avaliação de alterações no padrão tecidual. 
REFERÊNCIAS 
FEITOSA, Francisco Leydson F. Semiologia veterinária a arte do diagnóstico. 3 ed. São Paulo: ROCA LTDA, 2014.
RAJÃO, Maria Paula. et al. Caderno tecnico de medicina veterinária e zootecnia. Neurologia em cães e gatos. Belo Horizonte - MG: FEPMVZ, 2013