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FUNDAÇÃO VISCONDE DE CAIRU FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CEPPEV - CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA VISCONDE DE CAIRU MESTRADO EM CONTABILIDADE OS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA FISCAL DO ICMS COM A UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE: ESTUDO DE VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DA BAHIA MANUEL PEREZ MARTINEZ SALVADOR - BA Novembro/2004 2 FUNDAÇÃO VISCONDE DE CAIRU FACULDADE DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS CEPPEV - CENTRO DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA VISCONDE DE CAIRU MESTRADO EM CONTABILIDADE OS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA FISCAL DO ICMS COM A UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE: ESTUDO DE VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DA BAHIA MANUEL PEREZ MARTINEZ SALVADOR - BA Novembro/2004 3 OS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA FISCAL DO ICMS COM A UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE: ESTUDO DE VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DA BAHIA 4 MANUEL PEREZ MARTINEZ OS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA FISCAL DO ICMS COM A UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE: ESTUDO DE VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DA BAHIA Dissertação apresentada ao curso de Mestrado em Contabilidade da Fundação Visconde de Cairu, Salvador-Bahia, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Contabilidade. Orientador: Prof. Dr.Antonio Lopo Martinez SALVADOR - BA Novembro/2004 5 OS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA FISCAL DO ICMS COM A UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE: ESTUDO DE VALIDADE NO ÂMBITO DA SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DA BAHIA MANUEL PEREZ MARTINEZ Dissertação apresentada em 04/11/2004 e aprovada pela Banca Examinadora, constituída pelos professores: Prof. Dr. Antônio Lopo Martinez Orientador – Presidente da Banca Prof. Dr. Milanez Silva de Souza Componente da Banca Prof. Dr. Alfredo Eurico Matta Componente da Banca DEDICATÓRIA Dedico a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a concretização deste trabalho, amigos(as), colegas, funcionários, e especialmente aos meus queridos pais, Jerônimo Perez da Conceição (in memoriam) e Adelina Martinez Fernandez (in memoriam), a minha esposa Tânia Maria Paixão Martinez e aos meus filhos, Taiana Paixão Martinez e Manuel Perez Martinez Junior que sempre me incentivaram e compreenderam as minhas ausências. 7 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, que pela sua graça divina, através da sua luz, deu-me força, coragem e determinação para realizar mais este sonho. Ao Professor Dr. Antonio Lopo Martinez, grande mestre e amigo, que na sua juventude, com sabedoria, conduziu com inteligência, incentivo e paciência a orientação deste trabalho. Aos Professores Dr. Milanez Silva de Souza e Dr. Alfredo Eurico Matta, pelas valorosas e pertinentes recomendações apresentadas no momento da qualificação desta dissertação. Ao Professor Mariano Yoshitake pela colaboração efetiva prestada na análise do trabalho e sugestões importantes para melhoria de sua qualidade. Aos grandes mestres do curso, aqui representados pelos Professores Dr. Antonio Lopes de Sá e Dr. Olívio Koliver por tudo que me ensinaram e proporcionaram nesta caminhada. A Universidade Católica do Salvador, na pessoa do Magnífico Reitor, José Carlos de Almeida e ao Conselho Regional de Contabilidade, pelo incentivo e apoio concedido. Aos professores e amigos Wilson Castro de Matos, com quem comecei a discutir as primeiras idéias, Antonio Barros Moreira Filho, Eduardo Santana, Adriana Rezende Rangel, Dílson Cerqueira da Silva, Jair Sampaio Soares Junior, Maria Lúcia Ferreira Rodriguez, colegas do mestrado e alunos, pelo incentivo e colaborações decisivas, prestadas durante a jornada. Aos colegas da SEFAZ, pela ajuda incondicional e em particular a Antonio Ferreira de Freitas que me disponibilizou acesso ao banco de dados necessário ao desenvolvimento da pesquisa. A Professora Virlene Cardoso Moreira e a jornalista e redatora Valéria Garcia de Macedo, pela dedicação e competência na revisão final deste trabalho. 8 RESUMO Este trabalho teve por objetivo investigar a validade da reclamação dos créditos tributários de ICMS, fundamentados na Contabilidade. Considerou-se como reclamados aqueles créditos, impostos ou penas pecuniárias, que foram objetos de auto de infração e ocasionou um processo administrativo fiscal. Para encontrar respostas à investigação desenvolveu-se uma pesquisa exploratória documental, descritiva, utilizando-se a técnica de análise do conteúdo, tendo como fonte de pesquisa os acórdãos exarados pelas Juntas de Julgamentos, através de processo administrativo fiscal, no ambiente da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia. Dos acórdãos obtidos foram selecionados aqueles que contemplaram infrações fundadas na contabilidade e separadas em grupos semelhantes para a análise dos resultados dos julgamentos e avaliação de sua validade. Com vistas a fundamentar a pesquisa, buscou-se subsídios na Contabilidade e nas técnicas de auditorias fiscais e contábeis bem como no conhecimento dos processos administrativos fiscais. O estudo relaciona ainda tipos de artifícios usados na contabilidade e maneiras de identificá-los no combate à fraude e à sonegação. Os resultados obtidos na pesquisa apontam que embora sendo a contabilidade um importante meio de informação para o Governo, paradoxalmente no universo pesquisado, sua utilização não correspondeu ao caminho mais usual de procedimentos fiscais, e que os créditos tributários reclamados do ICMS com base na Contabilidade foram julgados procedentes em percentagem maior que a improcedência. São válidos, pois recuperaram recursos que ficaram à margem da arrecadação, com prejuízo para a sociedade. Palavras-chave: Contabilidade. Auditoria. Crédito Tributário. Processo Administrativo. Infração. Sonegação. . 9 ABSTRACT This work aims at investigating the validity of the claiming of tributary credits ICMS based on accounting ,considering as claimed credits those resulting from taxes or pecuniary penalties which were objects of an infraction lawsuit and generated a fiscal administrative process . To find out answers to this investigation an exploratory, documentary, descriptive research was carried out by using the approach of content analysis and having as sources the collective judgments drawn up by the Boards of Judgments by means of a fiscal administrative process of the Secretary of Treasure of the State of Bahia. From the obtained processes those related to infractions based on accounting were selected and grouped in similar cases in order to have the results of the sentences analyzed and their validity evaluated. To substantiate the research, subsidies on accounting and on fiscal auditing and countable data were searched , as well as it was considered the knowledge of fiscal administrative processes. The study still relates the different types of artifices used in accounting and the different ways of identify them so as to fight fraud and tax evasion. The results of the study indicate that although accounting is an important means of information to the government, paradoxically in the researched universe, it has not been used as the most usual way in fiscal procedures, and that the claimed ICMS tributary credits based on accounting were judged valid in a much higher percentage of cases .It is ,this way, clear that the resources left out from tax collection represent a great loss for the entire society.Key words : Accounting , Auditing , Tributary credits , Administrative process , Infraction , Tax evasion. 10 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Lista de Tabelas Tabela 1 – Créditos de ICMS reclamados por grupo de infrações 107 Tabela 2 – Demonstrativo de infrações por incidências 109 Tabela 3 – Demonstração dos resultados dos julgamentos por grupo de infrações 121 Tabela 4 – Demonstrativo dos resultados dos julgamentos em função dos créditos reclamados 123 Tabela 5 – Demonstrativo da relação entre os resultados por tipo de infração e total geral de cada julgamento 124 Tabela 6 – Créditos reclamados por tipos de infrações em milhares de R$ 126 Lista de Figuras Figura 1 – Diagrama do SAFA 58 Figura 2 – Objeto e Natureza de Infrações Tributárias 84 Figura 3 – Evasão 85 Figura 4 – Fluxograma do PAF 96 Lista de Quadros Quadro 1 - Roteiros de auditoria contábil fiscal 53 Quadro 2 - Diferenças e semelhanças entre auditoria contábil e auditoria fiscal 62 Quadro 3 - Principais transações que afetam o caixa 66 Quadro 4 – Tipos de infrações fiscais relacionadas com a Contabilidade 86 Quadro 5 - Competências e atribuições das Juntas e Câmaras do CONSEF 91 Lista de Gráficos Gráfico 1 – Relação percentual da incidência de infrações por grupo 119 Gráfico 2 – Quantidade de ocorrências por tipo de infração 120 Gráfico 3 – Resultados geral dos julgamentos 122 Gráfico 4 – Resultados por grupo de infração 123 11 Lista de Anexos Anexo 1 – Modelo de Acórdão de Julgamento 138 Lista de Apêndices Apêndice A - Questionário orientador para auditoria contábil/fiscal 147 Apêndice B – Tabulação de dados: acórdãos das juntas de Julgamento fiscal - 2000 149 12 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AI Auto de Infração AR Aviso de recebimento CFAMT Controle Fiscal Automatizado de Mercadorias em Trânsito CPOP Códigos Fiscais das Operações CJF Câmara de Julgamento Fiscal CMV Custo das Mercadorias Vendidas CONSEF Conselho de Fazenda Estadual CTN Código Tributário Nacional DFC Demonstrativo de Fluxo de Caixa DMA Demonstrativo de Apuração Mensal DPF Diretoria de Planejamento Fiscal ICMS Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações INFAZ Inspetoria Fazendária IPI Imposto sobre Produtos Industrializados ISS Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza JJF Junta de Julgamento Fiscal LALUR Livro de Apuração do Lucro Real NBC Norma Brasileira de Contabilidade OS Ordem de Serviço PAF Processo Administrativo Fiscal PROFAZ Procuradoria da Fazenda Estadual RAICMS Registro de Apuração do ICMS RICMS/Ba Regulamento do ICMS do Estado da Bahia RPAF Regulamento do Processo Administrativo Fiscal SEAI Sistema de Emissão de Auto de Infração SEFAZ Secretaria Estadual da Fazenda UPF-BA Unidade Padrão Fiscal da Bahia V.G. Verbi Gratia (por exemplo) 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 15 1.1 Problematização 18 1.2 Objetivos 20 1.2.1 Geral 20 1.2.2 Específico 21 1.3 Justificativa 21 1.4 Metodologia 23 1.4.1 Identificação Metodológica 23 1.4.2 Delineamento da Unidade de Análise 25 1.5 Estrutura dos Capítulos 26 2 ASPECTOS RELEVANTES DA CONTABILIDADE, AUDITORIA CONTÁBIL E AUDITORIA FISCAL 28 2.1 A Obrigatoriedade de Escrituração 30 2.1.1 Escrituração Contábil 30 2.1.2 Escrituração Fiscal 34 2.1.3 Livros Contábeis e Fiscais 35 2.2 Auditoria Contábil 38 2.2.1 Serviços de Auditoria 40 2.2.2 Procedimentos de Auditoria Contábil 41 2.2.3 Papéis de Trabalho 46 2.3 Auditoria Fiscal com enfoque no ICMS 47 2.3.1 Considerações a Respeito do ICMS 49 2.3.2 Procedimentos de Auditoria Fiscal 51 2.3.3 Roteiros de Auditoria 52 2.3.4 Sistemas de Informações Aplicados a Auditoria Fiscal 57 2.3.5 Sonegação e Fraude Fiscal 60 2.4 Diferenças e semelhanças entre a Auditoria Contábil e a Auditoria Fiscal 62 3 EVIDÊNCIAS DE FRAUDES E SONEGAÇÃO NA CONTABILIDADE 64 3.1 Contas do Ativo 65 3.1.1 Caixa 65 3.1.1.1 Saldo Credor de Caixa 67 3.1.1.2 Saldo Irreal de Caixa 69 3.1.1.3 Suprimentos de Numerários não Comprovados 69 3.1.2 Clientes e Duplicatas a Receber 70 3.1.3 Estoque 71 3.1.4 Contas do Ativo Permanente 72 14 3.2 Contas do Passivo 72 3.2.1 Fornecedores 72 3.3 Contas do Patrimônio Líquido 74 3.3.1 Conta Capital Social 74 3.4 Contas de Resultado 75 3.4.1 Contas de Despesas 75 3.4.2 Contas de Receitas 76 3.4.3 Custos de Mercadorias Vendidas (CMV) 77 4 AS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS E O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF) 80 4.1 Legitimidade 80 4.2 Infrações Tributárias 84 4.2.1 Tipos de Infrações no RICMS/Ba 86 4.3 Auto de Infração 87 4.4 Processo Administrativo Fiscal (PAF) 89 4.4.1 Competência e Estrutura do CONSEF 90 4.4.2 Distribuição e Instrução do Processo 92 4.4.3 Diligências e Perícias 92 4.4.4 O Julgamento do Processo Fiscal em Primeira Instância 93 4.4.5 Recursos das Decisões de Primeira Instância 95 4.4.6 As Provas por Presunção, Indiciárias e Contábeis 96 5 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS NA PESQUISA 106 5.1 Levantamento de dados através dos Acórdãos 107 5.2 Aplicação da Técnica de Análise de Conteúdo 108 5.3 Inferências sobre os dados obtidos 109 5.4 Resultado dos julgamentos 120 5.5 Comentários gerais da pesquisa 126 6 CONCLUSÃO 128 REFERÊNCIAS 131 GLOSSÁRIO 136 ANEXOS 137 APÊNDICE 146 15 1. INTRODUÇÃO A principal fonte de arrecadação estadual, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações – ICMS, devido à sua complexidade, é um tributo ainda pouco explorado por estudiosos, no que diz respeito à sua relação com a contabilidade, novas formas de incrementar a arrecadação e, ao mesmo tempo, combater o alto índice de sonegação e fraude. Para os gestores públicos, principalmente aqueles vinculados à Secretaria Estadual da Fazenda (SEFAZ), cumprir metas de arrecadação, modernizar a estrutura organizacional e permitir aos seus agentes fiscais melhores condições de trabalho e educação continuada deve ser uma preocupação contínua. Isto porque os contribuintes, sujeitos passivos da obrigação tributária, têm adotado essa prática no cotidiano de suas atividades e muitas vezes à frente do gestor público. Nesse contexto o Estado estabelece, através de lei ordinária, as regras para a tributação das operações relativas à circulação de mercadorias onde se inserem: o contribuinte, o fato gerador, as alíquotas etc., bem como as normas para fiscalização por meio de agentes próprios. A função desempenhada pelo agente do fisco - o auditor fiscal, no caso do Estado da Bahia, consiste em verificar os registros de documentos fiscais nos respectivos livros estabelecidos pela legislação do ICMS; constatar se os documentos fiscais foram emitidos adequadamente; se as obrigações acessórias estão sendo cumpridas nos prazos e de acordo com as normas vigentes. Erros, 16 omissões, fraudes, indícios de sonegação são passíveis de lançamentos do crédito tributário, através do auto de infração e, quando questionado, gera um processo administrativo fiscal. Procedimentos voltados exclusivamente para auditoria em livros fiscais ocorrem, e têm sido os grandes geradores de reclamações de créditos fiscais, em função do não cumprimento das normas estabelecidas no regulamento ou intuito declarado de sonegação; contudo é cada vez mais premente a necessidade de se aprofundar a fiscalização também através da auditoria nos registros contábeis. A Contabilidade − como ciência do patrimônio − registra, através de suas técnicas próprias, as mutações patrimoniais ocorridas nas diversasempresas contribuintes de tributos na esfera federal, estadual e municipal. As demonstrações financeiras devem refletir com fidelidade a situação patrimonial do empreendimento em determinado momento. Dos registros contábeis são extraídas informações úteis a diversos usuários, dentre eles o Estado, conforme pode ser observado na afirmação de Gildo (2000, pp.177-178): [...] é através da Contabilidade que o Governo, representado pelo Fisco, procura captar as informações, cotejando-as com o movimento fiscal exercido pela empresa, a fim de ter certeza da participação na riqueza por ela gerada. O auditor fiscal, selecionado entre profissionais de diversas áreas acadêmicas, alguns deles com conhecimento contábil apenas suficiente para ter sido aprovado no concurso público, por observação empírica, não faz a auditoria contábil/fiscal das empresas, contribuintes do ICMS, por insegurança, falta de conhecimento mais aprofundado da Ciência Contábil e receio de se expor diante dos contadores. Como conseqüência, deixam de constatar a evasão fiscal através de 17 simulação intencionalmente produzida nos registros contábeis. Tal simulação, no entender de Souza (1995, p.10), [...] é a evasão produzida por meios aparentemente lícitos de tributos efetivamente devidos. Constitui-se, portanto, de declaração enganosa, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. A sonegação fiscal, muitas vezes, está oculta nos registros contábeis através da maquiagem ou segundo análise de Martinez (2001, p.1): Um dos produtos mais importantes da contabilidade para diversos usuários da informação contábil é o resultado (lucro/prejuízo). [...] Ocorre, entretanto, que parte desse resultado pode decorrer de ajustes contábeis de natureza discricionária, sem qualquer correlação com a realidade do negócio. Esses ajustes [...] levam os seus executivos a ‘gerenciar’ os resultados contábeis na direção que desejem. Esta pesquisa está voltada para o estudo da utilização da Contabilidade, na sua essência, como ferramenta indispensável, necessária e útil ao auditor fiscal estadual. O auditor fiscal precisa de conhecimentos básicos da Ciência Contábil e de suas áreas de atuação para melhor desempenhar suas funções, utilizando-se adequadamente das informações contábeis disponibilizadas pelos contribuintes do ICMS. Há uma carência de estudos realizados nessa área. Discutir a reclamação fiscal do ICMS com a utilização da Contabilidade das empresas, com certeza não se esgotará com este trabalho, correspondendo esta pesquisa a um esforço no sentido de levar os estudiosos a reflexões sobre o assunto, induzir os gestores à reflexão sobre a importância de registros contábeis adequados e fidedignos, assim como as autoridades fazendárias a despertarem para a ênfase que deve ser dada a este instrumento, diante dos diversos tipos de fatos ocultos na contabilidade, geradores do ICMS, que serão abordados adiante. 18 1.1. Problematização O ambiente empresarial é dinâmico, o uso da informática já não corresponde a uma novidade, mas é fator preponderante para dar condições aos empreendimentos se desenvolverem como células sociais. Os registros contábeis e fiscais nos dias atuais se processam por sistemas eletrônicos de dados permitindo que as informações ocorram em tempo real. A contabilidade, através da escrituração dos atos e fatos administrativos, permite um controle absoluto das mutações físicas e monetárias das empresas. Permite ainda que usuários interessados nas suas informações possam atingir os objetivos a que se propõem. Attie (1998, p.24) ratifica esse entendimento quando afirma que, A Contabilidade tem a finalidade precípua de promover os meios informativos e de controle com o intuito de coletar todos os dados ocorridos na empresa e que tenham, ou possam ter, impactos a causar variações em sua posição patrimonial. A Contabilidade é o instrumento de medição e avaliação do patrimônio e dos resultados auferidos pela gestão da Administração da entidade. Dentre os usuários da informação contábil encontra-se o Governo que tem, pelo exercício próprio, uma parcela de toda riqueza formada em seu território, tornando-se, por conseguinte, um sócio indissoluto de todos os tipos de entidade econômicas. Evidente, porque cabe ao governo propiciar toda condição para que os empreendimentos surjam, criando estruturas diversas, tais como: rodovias, eletrificação, redes de água e esgotos, educação, saúde dentre outros. A contrapartida vem em forma de tributo e, no caso específico da esfera Estadual, por meio do ICMS que é um tributo não-cumulativo, cujo lançamento se dá por homologação, conforme define Machado (2003, p.171): 19 O lançamento por homologação também é conhecido como autolançamento. Mas o Código diz ser a atividade de lançamento privativa da autoridade administrativa, evidentemente não se pode cogitar de um lançamento feito pelo sujeito passivo. Embora faça ele todo o trabalho material, o lançamento, no caso só se opera com a homologação. A idéia do autolançamento surge em função de que cabe ao contribuinte emitir os documentos fiscais, registrar em livros próprios, apurar o imposto devido e efetuar o recolhimento nos prazos estabelecidos. Carrazza (2002, p. 435) corrobora esta idéia ao afirmar que o contribuinte “tem condições de saber quanto, quando, como, onde e a quem pagar, a título de tributo”. Contudo, nem sempre o autolançamento se reveste de uma credibilidade absoluta e, através da Contabilidade, o Governo, representado pelo fisco, constata a sua veracidade, auditando o movimento fiscal da empresa e todos os documentos relativos aos seus registros. É nesse caminho que o mesmo autor afirma o seguinte: É dentro deste contexto que há de ser entendida a contabilidade. Esta registra documentalmente – de acordo com técnicas estudadas pelas Ciências Contábeis – os fatos econômicos que ocorrem no cotidiano das empresas (compras, vendas, lucros, prejuízos etc.). Não é de surpreender, portanto, que com muita freqüência [...] torne obrigatórios tais lançamentos contábeis. Afinal – tornamos a insistir -, são eles que possibilitam a correta e adequada cobrança de tributo (CARRAZZA, 2002, p. 438). A importância da Contabilidade nesse cenário instiga à pesquisa sobre como os auditores fiscais estão atuando junto aos contribuintes do ICMS, no que tange à emissão de autos de infrações fundamentados nos registros contábeis, e quais os resultados obtidos nos seus julgamentos pelo Conselho da Fazenda Estadual - CONSEF, já que Almeida (2000, p.42) destaca que “[...] a escrituração é um rico repertório de dados, constituindo-se em meio indireto de apuração do ilícito, 20 servindo-se, no mais das vezes, de elemento probante objetivo e valorativo material de fato ilegítimo”. Por isso mesmo a realização desta pesquisa, no universo de infrações fiscais que podem ser cometidas, conduz à investigação sobre a validade dos procedimentos fiscais utilizados via Contabilidade para reclamação de créditos tributários do ICMS pela Secretaria da Fazenda Estadual da Bahia - SEFAZ/Ba. Entende-se como reclamados aqueles créditos, impostos e penalidades, que foram objetos de auto de infração e que geraram um processo administrativo fiscal. É desconhecida a freqüência bem como os resultados obtidos com os autos de infrações lavrados nos trabalhos de auditoria fiscal do ICMS, no Estado da Bahia, fundamentados nos registros contábeis. 1.2. Objetivos O escopo a que se propõe esta pesquisa será explicitado a seguir através dos objetivos a serem alcançados. 1.2.1. Geral O objetivo desta pesquisa é estudar a validade dos autos de infrações ao ICMS, fundamentados na Contabilidade, a partir dos resultados de julgamentos realizados pelo CONSEF. A partir de resultados dos julgamentos dos Processos Administrativos Fiscaisno âmbito da SEFAZ/Ba, procurou-se identificar quais são as incidências de infrações ao regulamento do ICMS extraídas da contabilidade e os seus reflexos, quanto à procedência, improcedência e nulidade. 21 1.2.2. Específicos a) Identificar a Contabilidade como fonte de informação útil e meio de provas nas reclamações de créditos tributários do ICMS. b) Demonstrar os procedimentos que norteiam os julgamentos dos autos de infrações no processo administrativo fiscal. c) Evidenciar que fatos contábeis, em determinadas circunstâncias, podem estar acobertando sonegação fiscal. d) Identificar os créditos tributários de ICMS reclamados e fundamentados na contabilidade e suas tipicidades. 1.3. Justificativa O interesse pelo desenvolvimento desta pesquisa surgiu da observação no cotidiano, junto aos colegas auditores fiscais, que poucos utilizam a contabilidade nos procedimentos de fiscalização, optando-se predominantemente pelos roteiros das auditorias fiscais, isto é, rotinas de verificações exclusivamente através de livros e documentos fiscais, verbi gratia (v.g.), conta corrente do ICMS; créditos fiscais indevidos; impostos lançados e não recolhidos e diferenças de alíquotas. O exercício da auditoria fiscal/contábil do ICMS é prerrogativa do auditor fiscal, cuja função para ser exercida não se restringe aos profissionais com formação em Ciências Contábeis. Quando da realização de concurso público, qualquer pessoa pode se habilitar, desde que tenha formação completa de nível superior. Dessa forma, no seu quadro de pessoal se inserem, além de contadores, também advogados, engenheiros, psicólogos, arquitetos, administradores, economistas etc. 22 Tais profissionais, na sua maioria, não contemplaram disciplinas de Contabilidade em suas matrizes curriculares, mas se submeteram ao exame dessa disciplina por ocasião do concurso público. Estando o auditor fiscal no exercício das suas funções, além de verificar se os registros fiscais estão de acordo com as normas que regem o ICMS também deve auditar a contabilidade das empresas para constatar, nas mutações patrimoniais ali registradas, possíveis omissões de receitas, fatos geradores do tributo estadual, com características de sonegação fiscal, decorrentes da inobservância das normas contábeis, v.g., saldo credor de caixa, passivo fictício, aumento indevido do capital e fraude nos registros das vendas. Silva e Amorim (2000) reforçam essa idéia quando afirmam: Além da escrita fiscal com todo seu elenco de livros e documentos geradores de crédito (sic!) e débito (sic!) fiscais, o Fisco dispõe de uma outra fonte de informações que é a escrita contábil. E é nesse novo cenário que serão encontrados um sem número de alternativas para o exercício da Auditoria, onde as perspectivas de acompanhamento de todas as mutações econômico-fiscais apresentam de forma mais lúcida e precisa os elementos necessários ao auditor para formar seu convencimento. A existência de infrações ao regulamento do ICMS implica na lavratura do auto de infração fundamentado na auditoria de documentos e livros fiscais, bem como nos livros contábeis. “E para que seja lavrado o Auto de Infração, é necessário que sejam cumpridas as etapas definidas em lei para que seja válido o lançamento tributário” complementam Silva e Amorim (2000). Esta pesquisa investigou, além da importância da contabilidade como ferramenta nos procedimentos de auditoria fiscal, também os resultados obtidos pela SEFAZ/Ba, isto é, a validade dos autos de infração lavrados com base nos registros contábeis. 23 1.4. Metodologia Inicialmente foi efetuado um levantamento do referencial teórico, correspondente ao tema do presente estudo, através de pesquisa bibliográfica, ou seja, leituras e fichamentos de livros, teses, dissertações, revistas e artigos extraídos de sites na Internet. 1.4.1. Identificação metodológica Optou-se por uma pesquisa qualitativa, porque permite inferências e estuda um fenômeno social - a relação do fisco com o contribuinte por meio dos autos de infrações lavrados contra entes sociais, contribuintes do ICMS, com repercussão positiva, quando julgados procedentes, e negativa quando julgados improcedentes. Utilizou-se da estatística na sua forma mais simples para determinação da freqüência de infrações e tabulação de resultados dos julgamentos. Com base nos objetivos traçados, caracterizou-se como uma pesquisa descritiva e quanto aos procedimentos técnicos utilizados para a coleta e análise de dados a pesquisa está inserida na classificação documental, pois se valeu das chamadas fontes de “papel”, isto é, documentos que ainda não receberam um tratamento analítico. (GIL, 2002, p.45). A pesquisa documental, por se constituir numa rica fonte de dados, permitiu a sua realização por um custo relativamente baixo e ainda dispensou o contato com os sujeitos das pesquisas que, por vezes, é bastante difícil. O seu desenvolvimento observou as seguintes fases: determinação dos objetivos; 24 elaboração do plano de trabalho; identificação da fonte; obtenção do material; tratamento dos dados; construção lógica e redação do trabalho. Foi utilizada a técnica de análise do conteúdo para o tratamento e a interpretação dos dados que, segundo Carmo-Neto (1996, p.404), “se constitui num conjunto de instrumentos metodológicos que serve para inferir conteúdos implícitos e explícitos de um texto [...]”. Bardin (s.d. apud Gil, 2002, p.89) estabelece três fases a serem observadas na análise de conteúdo que, em síntese, corresponde à escolha dos documentos, exploração do material e, por fim, à interpretação dos dados. Os documentos escolhidos para a coleta e análise de dados deste trabalho foram os acórdãos de julgamentos da lavra do CONSEF, estruturados por Ementa, Relatório, Voto e Resolução. Santana (2003, p.5) descreve assim a estrutura dos acórdãos: A ementa (grifo nosso) indica de forma sintética um tema, uma tese, uma infração caracterizada. Já o relatório (grifo nosso) apresenta tópicos da acusação ou acusações contidas no processo, seguidos de uma síntese de argumentos da defesa apresentada pelo contribuinte e depois pela informação fiscal com os argumentos elucidados pelo preposto fiscal autuante. No voto, (grifo nosso) o relator manifesta sua opinião acatando os argumentos do contribuinte ou do fisco e fundamenta sua decisão com base em leis, princípios de direitos e jurisprudência. Por fim na resolução (o grifo é nosso), os membros julgadores proferem a decisão colegiada a favor ou contra a acusação do fisco e indicam o valor do imposto devido ou nenhum valor, a multa aplicada e os dispositivos da Lei que dão suporte ao litígio julgado. Dos acórdãos obtidos foram selecionados aqueles que estavam fundamentados em registros ou peças contábeis, agrupados por tipos de infrações e analisados minuciosamente no contexto dos argumentos apresentados pelos componentes da lide, o autuado, o autuante e o relator. Para fins de mensuração da validade dos autos de infrações foram considerados os resultados obtidos nos 25 julgamentos dos créditos reclamados, no que concerne à sua procedência, à procedência parcial, à improcedência e à nulidade. A análise de conteúdo permite obter, através do grupamento dos dados, informações qualitativas e quantitativas. O seu valor vem da dedicação, paciência, criatividade e tempo para satisfazer a curiosidade do investigador. A aplicação da técnica consistiu, em seu aspecto qualitativo, na análise minuciosa dos acórdãos para decompor os seus conteúdos em informações confiáveis, procurando identificar fatos relevantes, que viessem a prover uma base para inferências e recomendações. No aspecto quantitativo foram levantadas as incidências de infrações e resultados apresentados nos julgamentos para formar o convencimento do grau de validez dosimpostos reclamados, oriundos da contabilidade. A aplicação dessa técnica permitiu inferir sobre uma comunicação que ocorreu durante todo o processo administrativo fiscal envolvendo três agentes: o autuante que acusou o contribuinte do cometimento da infração tributária; o contribuinte que se defendeu da acusação e o julgador que, avaliando as ponderações dos dois outros agentes, formou a sua convicção pautada na legislação, nos argumentos apresentados no processo e emitiu o seu parecer conclusivo sobre a lide. 1.4.2. Delineamento da unidade de análise A análise foi realizada na seguinte seqüência cronológica: 1. foram analisados 2.873 acórdãos emanados de julgamentos em primeira instância pelas Juntas de Julgamento Fiscal do CONSEF, correspondentes ao período de janeiro a dezembro de 2000, através de suas ementas; 26 2. no universo dos acórdãos identificou-se 199 processos, cujos litígios tiveram, de alguma forma, relação com a contabilidade; 3. nos processos selecionados ficaram constatadas 220 infrações relacionadas com a contabilidade, reclamando créditos tributários de ICMS ou multas de natureza acessória; 4. para fins de estudo, os tipos de infrações com características semelhantes foram agregados em oito grupos; 5. para fins de observação da validade, analisou-se os julgamentos dos processos administrativos fiscal, por grupo de infração, cujos resultados foram: procedente, quando favorável ao fisco; procedente em parte, quando parcialmente favorável ao fisco, isto é, o processo sofreu correções; improcedente, quando favoráveis ao contribuinte, não se configurando infrações ao regulamento e nulo, quando o processo apresentou vícios insanáveis. Também foram efetuadas análises de conteúdo dos acórdãos, com base nas acusações, nos argumentos da defesa e votos prolatados, para fundamentar as conclusões e sugestões. 1.5. Estrutura dos capítulos O trabalho se estrutura em seis capítulos, incluindo este capítulo um, da introdução, que discute ainda o cerne da dissertação, os seus objetivos, descrição da metodologia utilizada na pesquisa, assim como a delimitação para desenvolvimento do trabalho. 27 O capítulo dois contém a revisão de literatura do tema, enfocando-se a Contabilidade nos aspectos relativos à sua importância, obrigatoriedade da escrituração, aspectos da auditoria contábil e fiscal, bem como os sistemas de informações utilizados. No capítulo três se enfatiza os grupos contábeis e suas contas que podem estar ocultando fatos geradores do ICMS, com evidências de fraude e sonegação. No capítulo quatro ocorre a apresentação e discussão sobre como se procede aos julgamentos dos Processos Administrativos Fiscais (PAF), referentes aos litígios fiscais, envolvendo reclamações de ICMS, e a importância das provas para a convicção dos julgadores. No capítulo cinco são apontados os resultados das análises realizadas nos acórdãos exarados pelo Conselho da Fazenda Estadual (CONSEF) para o diagnóstico da validade dos créditos tributários reclamados. A conclusão deste trabalho figura no capítulo seis, no qual constam os relatos quanto à validade dos créditos reclamados com base na contabilidade, e igualmente fornece sugestões para outras pesquisas. 28 2. ASPECTOS RELEVANTES DA CONTABILIDADE, AUDITORIA CONTÁBIL E AUDITORIA FISCAL A Contabilidade, como ciência, tem por finalidade orientar e registrar os fatos administrativos das entidades, permitindo o controle patrimonial e as mutações ocorridas durante um determinado período. Constitui-se, portanto, em um campo de grande relevância para produzir informações úteis aos seus diversos usuários, dentre eles o fisco, representando o Governo. Fabretti (1998, p.26) ao considerar que a contabilidade deve refletir a realidade das entidades, define: [...] Contabilidade é a ciência que estuda, registra e controla o patrimônio e as mutações que nele operam os atos e fatos administrativos, demonstrando no final de cada exercício social o resultado obtido e a situação econômico-financeira da entidade. No momento atual as empresas bem gerenciadas e que possuem um mínimo de estrutura, entendem o valor da contabilidade para o desenvolvimento e a continuidade do empreendimento. Oliveira e outros (2002, p.261) ratificam esse entendimento quando afirmam: A Contabilidade é a base, como ressaltado pela Lei nº 6.404/76 – a Lei das Sociedades por Ações -, para apuração do resultado contábil do exercício. Tanto a legislação comercial como a tributária são unânimes em ressaltar, em diversas oportunidades, a necessidade da observância dos princípios e normas contábeis para o registro e controle das atividades empresariais, bem como para apuração do resultado do exercício com base na aplicação dos princípios fundamentais de Contabilidade. Os Princípios Fundamentais de Contabilidade, reportados pelos autores, foram normatizados pelo Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução nº 750/93, tornando-os obrigatórios para o exercício da profissão contábil. Essas 29 diretrizes criam a possibilidade de poder comparar e analisar demonstrações financeiras de diversos períodos, parametrizar empresas de um mesmo segmento e extrair indicadores para ações fiscais. A seguir é apresentada uma síntese dos princípios que, de alguma forma, contribuem para a cultura dos agentes fiscais no lançamento tributário. O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e reafirma a autonomia do patrimônio. O patrimônio da entidade é distinto daquele que pertence aos seus sócios, pessoa física ou jurídica, v.g., saldo bancário do sócio, saldo bancário da entidade. O Princípio da Continuidade projeta a continuidade das atividades da empresa e é determinante para a contabilidade, já que esta tem como objeto de estudo o Patrimônio; então os dados precisam ser contínuos para contar a sua história e ser passível de verificação. Dependendo da continuidade ou não da entidade, os elementos a serem avaliados poderão sofrer alterações no critério de avaliação. O Princípio da Oportunidade exige a apreensão, o registro e o relato de todas as variações sofridas pelo patrimônio de uma Entidade, no momento em que elas ocorrem, independentes das causas que o originam. É a base indispensável à fidelidade das informações a respeito do patrimônio de uma Entidade. O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devam ser registrados pelos valores ocorridos na data das transações, expressos no valor da moeda no país. A sua observância é do mais alto interesse da sociedade, pois unificando o critério de avaliação, permite a comparabilidade de dados. 30 O Princípio da Competência estabelece que as receitas e despesas devam ser computadas no período em que incorrerem, independentemente de recebimentos ou pagamentos. O Princípio da Prudência visa à obtenção do menor Patrimônio Líquido, dentre aqueles possíveis, diante de procedimentos alternativos de avaliação. Deve ser adotado o menor valor para os componentes do ativo e o de maior valor para aqueles do passivo. A observância dos princípios na escrituração contábil faz-se necessária para que as informações obtidas sejam úteis e confiáveis. Lemos (2004, p.37) ressalta ainda que “para a auditoria, os princípios são norteadores das ações e do comportamento esperado dos contribuintes no trato com suas respectivas escritas contábeis”. 2.1. A obrigatoriedade de escrituração Os registros das mutações patrimoniais se processam através de livros próprios em atendimento às normas legais, fiscais e profissionais. 2.1.1. Escrituração contábil Qualquer tipo de empresa, independentemente de seu porte ou constituição jurídica, necessita manter a escrituração contábil para controlar o seupatrimônio e gerir adequadamente os seus negócios. Além da necessidade, é uma exigência que vem desde o século XIX e sua obrigatoriedade estava prevista no Código Comercial Brasileiro, através da Lei nº 556 de 25.06.1850, no art. 10º da sua primeira parte. 31 O Código Civil Brasileiro, regido pela Lei nº 10.406 de 10.01.2002, revogou a primeira parte do Código Comercial Brasileiro e incorporou a obrigatoriedade da escrituração no art. nº 1.179, onde estabelece que o empresário1 e a sociedade empresária2 são obrigados a seguir um sistema de contabilidade mecanizada ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a respectiva documentação, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Segundo Fazzio Júnior (2003, p.47), Sob a epígrafe de empresário estão compreendidos tanto aquele que, de forma singular, pratica profissionalmente atividade negocial, como a pessoa de direito constituída para o mesmo fim. Ambos praticam atividade econômica organizada para produção, transformação ou circulação de bens e prestação de serviços. Ambos têm por objetivo o lucro. Além das legislações citadas acima, outras também inseriram no seu contexto o dever de escriturar. A Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976, que normatizou as demonstrações contábeis das Sociedades Anônimas, provocou alterações profundas no modelo contábil até então adotado, e no art. 177 dispôs: A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. 1 Conforme art. 966 do Código Civil considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. 2 Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro [...] (art. 982 do Código Civil). 32 Até então a contabilidade seguia um “modelo fiscal” ditado pelas regras do imposto de renda, e o Decreto Lei nº 1.598/773 estendeu as normas atribuídas às Sociedades Anônimas às demais sociedades e firmas individuais sujeitas à tributação do imposto de renda com base no lucro real. Conforme Ludícibus e outros (2003, p.28), dessa maneira “[...] a contabilização efetiva e oficial ficaria inteiramente desvinculada da legislação do Imposto de Renda e outras, o que representa sem dúvida um avanço considerável”. A idéia expressa acima está também na exposição de motivos do Ministro da Fazenda, ao encaminhar o projeto do Decreto-lei nº 1.598/77, (Walter e Braga, 1978, p. 14) onde refere que: A Lei das Sociedades por Ações seguiu a orientação de manter separação nítida entre a escrituração comercial e a fiscal, porque as informações sobre a posição e os resultados financeiros das sociedades são regulados na lei comercial com objetivos diversos dos que orientam a legislação tributária, e a apuração de resultados e as demonstrações financeiras exigidas pela lei comercial não devem ser distorcidas em razão da conveniência da legislação tributária. Depreende-se destes depoimentos que não vem ocorrendo exatamente o desejado, porque para as empresas optantes pelo Lucro Presumido ou enquadradas no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresa de Pequeno Porte - SIMPLES, por exemplo, a legislação do imposto de renda, desprezando as regras estabelecidas inicialmente e em total desacordo com os Princípios Contábeis, permite a opção de substituir a escrituração 3 Decreto-Lei n.º 1.598/77: Art. 7.º - O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter com observância às leis comerciais e fiscais. [...]; § 4.º - Ao fim de cada período- base de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração de resultado do exercício e da demonstração de lucros e perdas. Art. 8. º - O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I - de apuração do lucro real, no qual: [...]; § 2.º - Os registros que forem necessários para a observância de preceitos da lei tributária relativos à determinação do lucro real, quando não devam, por sua natureza exclusivamente fiscal, constar da escrituração comercial, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão feitos no livro de que trata o item I (Lalur) deste artigo ou em livros auxiliares. 33 contábil pelo Livro Caixa. Este procedimento conta ainda com um agravante: sua escrituração totalmente descaracterizada, pois contempla toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. O Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Resolução nº 563 de 28/10/93, normatizou as formalidades da escrituração contábil, estabelecendo que possa ser feita através de processo manual, mecanizado ou eletrônico e que seja executada: em idioma e moeda corrente nacional; observando a ordem cronológica de dia, mês e ano; sem emendas, rasuras, borrões, entrelinhas e espaços em branco; com base em documentos de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem os fatos e a prática de atos administrativos. A escrituração encerra-se ao final de cada exercício com a elaboração das peças contábeis abaixo, que deverão ser publicados em jornais de grande circulação por algumas sociedades anônimas, e transcritas no livro Diário: • Balanço Patrimonial; • Demonstração de Resultado do Exercício; • Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados; • Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos; • Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. A escrituração contábil, a emissão de relatórios, peças, mapas, análises, demonstrativos e demonstrações contábeis são de exclusiva responsabilidade do profissional de contabilidade, legalmente habilitado. Responsabilidade ratificada pelo Código Civil, com a ressalva de transferência da responsabilidade se nenhum profissional houver na localidade em que se situa a empresa. 34 Indo de encontro ao que se estabelece nas normas do Conselho Federal de Contabilidade, o pequeno empresário ficou dispensado da manutenção de escrita contábil, conforme está expresso no § 2º do Art. 1.179 do Código Civil em vigor. O Código Tributário Nacional, ao tratar da escrituração, estabelece que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal, bem como os comprovantes de lançamentos neles efetuados, sejam conservados em boa ordem até que prescrevam os direitos tributários. É o reconhecimento da necessidade e importância jurídica que os livros e documentos contábeis representam para a sociedade. Corroborando com esse entendimento Fazzio Júnior (2003, p.72) afirma: A escrituração é a radiografia da empresa. Por isso, a lei impõe ao empresário o dever de manter a escrituração em ordem. É de seu próprio interesse, seja para atender os ditames legais, seja para propiciar a fiscalização tributária, seja para eventualidade de fazer prova em juízo. Ferreira, (1946, apud FAZZIO JÚNIOR, 2003, p.72), explica: ”não se compreende, portanto, comerciante sem contabilidade. Esta é essencial. Dela é que lhe advém o pleno conhecimento de sua situação patrimonial [...]”. 2.1.2. Escrituração fiscal No Brasil prosperam leis que exigem escrituração fiscal através de regulamentos diversos, estabelecendo livros próprios; tal exigência complementaa escrituração contábil, servindo-lhe de suporte aos lançamentos. A título de exemplo, destacam-se aqueles que estão mais presentes no dia-a-dia das empresas e previstos no: Regulamento do ICMS; Regulamento do IPI; Regulamento do ISS e Regulamento do Imposto de Renda. 35 A escrituração fiscal, segundo Martinez (2002, p.75), “[...] pode ser entendida como um dever instrumental (obrigação acessória, na linguagem do Código Tributário Nacional) que existe para assegurar a arrecadação e a fiscalização dos tributos”. Carrazza (2001, p.437) confirma esse entendimento quando faz os seguintes comentários a respeito dos deveres instrumentais tributários: Os deveres instrumentais tributários são, (...), relações jurídicas, de conteúdo não-patrimonial, que têm por objetos um fazer (‘facere’), um não-fazer (‘non facere’) ou um suportar (‘patere’), sempre no interesse da Administração Tributária. Tais deveres só podem ser criados por meio de lei (editada pela pessoa política tributante) e visam a controlar a correta arrecadação dos tributos – impende dizer, assegurar o perfeito cumprimento das obrigações consistentes na entrega de dinheiro ao Fisco. A escrituração fiscal, seguindo disposições contidas em seus regulamentos específicos, permite ao governo, através de seus agentes, confirmar os registros, a apuração e o recolhimento dos tributos devidos, fazendo lançamento de crédito tributário quando for detectado o ilícito tributário. 2.1.3. Livros contábeis e fiscais Ratificado pelo Código Civil em seu art. 1.180, em substituição ao Código Comercial, revogado nessa parte, o livro Diário é indispensável para refletir a escrituração contábil do empresário e da sociedade empresária, podendo ser substituído por fichas, no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Os livros Diário e Razão constituem os registros permanentes e obrigatórios da Entidade, conforme o previsto na NBC T 2.1, aprovada pela Resolução nº 563 de 28/10/1983. 36 A escrituração do livro Diário se reveste de formalidades intrínsecas e extrínsecas. As formalidades extrínsecas se reportam aos aspectos externos à escrituração, tais como: conter termos de abertura e de encerramento assinados pelo titular ou representante legal da Entidade e contabilista habilitado; estar devidamente encadernado; ter folhas numeradas tipograficamente e ser registrado no Registro Público competente, de acordo com a legislação vigente. Quanto às formalidades intrínsecas, estas dizem respeito à escrituração em si, como o citado anteriormente, de forma a lançar em ordem cronológica com individuação, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, incluídas aquelas de natureza aleatória, e quaisquer outros fatos que provoquem alterações patrimoniais. Para a escrituração do livro Diário admite-se o uso de códigos, abreviaturas e partidas mensais, isto é, escrituração de forma resumida, desde quando não ultrapasse ao período de um mês e suportada por livros auxiliares analíticos revestidos das formalidades legais. O livro Razão reproduz de forma sintética os registros analíticos do livro Diário. É fundamental para os procedimentos de auditoria, pois permite avaliar as mutações ocorridas no patrimônio através de contas individualizadas, com todas as transações ocorridas em determinado período. Obedece também à ordem cronológica de lançamentos; todavia tem dispensado a sua autenticação no Registro Público competente. Outro livro que, apesar de sua característica de auxiliar, tornou-se de grande relevância é o livro Caixa, devido à sua obrigatoriedade pela legislação fiscal, nos casos permitidos em substituição à escrituração contábil e que, muitas vezes, será o livro disponível para os procedimentos de auditoria fiscal. O livro Caixa 37 destina-se à escrituração da movimentação financeira da empresa, seus recebimentos e pagamentos, aonde o saldo será sempre devedor. Sobre o livro Caixa, Lemos (2004, p.45) enfatiza que “também é um livro muito útil para a contabilidade, já que possibilita a leitura da movimentação financeira da entidade”. No Regulamento do ICMS a exigência dos livros contábeis está prevista no art. 320, que estabelece: Constituem instrumentos auxiliares da escrita fiscal os livros da contabilidade geral, o Copiador de Faturas, o Registro de Duplicatas, as Notas Fiscais, os Documentos de Arrecadação Estadual e demais documentos, ainda que pertencentes ao arquivo de terceiros, que se relacionem com os lançamentos efetuados na escrita fiscal ou comercial do contribuinte (RICMS/BA, 1997). Diversos outros livros são exigidos das entidades; dentre eles estão os livros fiscais, criados por legislações tributárias específicas com a finalidade de atender ao Estado. Neles estão registrados todos os fatos relacionados com as atividades fiscais da empresa. Pode-se constatar isso na seguinte afirmativa de Gildo (2000, p.16): O Estado, como um dos parceiros de todas as entidades, já que, onde quer que haja uma riqueza em seu território tem a sua parcela sagrada, constitui-se como um dos interessados nos registros feitos nos livros fiscais. Dentre os livros fiscais um se destaca, por ser obrigatório a todas as empresas, quer sejam elas de pequeno ou grande porte. Trata-se do Livro Registro de Inventário, fundamental também para a contabilidade. Tem por finalidade arrolar os bens de consumo, as mercadorias, as matérias-primas e outros materiais que estejam estocados nas datas do balanço. Em conseqüência, é relevante para a determinação do custo de mercadorias, o lucro bruto, a movimentação de compras e 38 vendas, assim como ratificar valores lançados no livro Diário e constante do Balanço Patrimonial. Lemos (2004, p.46) chama a atenção para a importância desse livro nos procedimentos de auditoria fiscal: “a auditoria fiscal deve ficar atenta a esse livro. Deve verificar o critério de avaliação de estoque, a quantidade de mercadorias estocadas e, se possível, a realização do levantamento quantitativo do estoque”. São livros fiscais obrigatórios, com características peculiares de escrituração, dentre outros, a depender do ramo de atividade: o Livro Registro de Entradas; o Livro Registro de Saídas; o Livro de Registro de Controle da Produção e Estoque; os Livros Registro de Apuração do ICMS e do IPI; o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). 2.2. Auditoria contábil Foi visto anteriormente que manter registros contábeis, além de ser obrigatório, é de real interesse para que se possa acompanhar a evolução patrimonial de um empreendimento. As informações contábeis devem refletir com fidedignidade a real situação da entidade, observar os princípios da fidelidade, confiabilidade e temporalidade para que sejam úteis. E será através da auditoria, usando suas técnicas e procedimentos, que os registros contábeis, bem como as demonstrações financeiras deles emanadas, serão validados quanto à observância dos princípios fundamentais da contabilidade e dos dispositivos legais. Franco e Marra (2001, p.28) definem a auditoria como: A técnica contábil que – através de procedimentos específicos que lhe são peculiares, aplicados no exame de registros e documentos, inspeções e na obtenção de informações e confirmações, relacionados com o controle do patrimônio de uma entidade – 39 objetiva obter elementos de convicção que permitam julgar se os registros contábeis foram efetuados de acordo com os princípios fundamentais e as normas de Contabilidade e se as demonstrações contábeis deles decorrentes refletem adequadamente a situação econômico-financeira do patrimônio, os resultados do período administrativo examinado e as demais situações nelas demonstradas. Para Attie (1998, p.25) “a auditoria é uma especialização contábil voltada a testar a eficiência e eficácia do controle patrimonial implantado como objetivo de expressar uma opinião sobre determinado dado”. Sá (2002, p.25), após analisar diversos conceitos emitidos por ilustres estudiosos internacionais, apresenta a sua definição: Auditoria é uma tecnologia contábil aplicada ao sistemático exame dos registros, demonstrações e de quaisquer informes ou elementos de consideração contábil, visando apresentar opiniões, conclusões, críticas e orientações sobre situações ou fenômenos patrimoniais da riqueza aziendal, pública ou privada, quer ocorridos, quer por ocorrer ou prospectados e diagnosticados. A auditoria é uma técnica contábil que consiste em examinar, investigar, verificar, testar, através dos registros contábeis e fiscais, a situação patrimonial e financeira de uma entidade, utilizando-se de procedimentos específicos de auditoria, seguindo normas próprias e obedecendo aos princípios contábeis, para que formando sua convicção possa opinar, criticar e sugerir. Através da análise das demonstrações financeiras, dos livros fiscais, dos relatórios e documentos operacionais, das entrevistas, inspeções e dos demais documentos de resultado, a auditoria poderá atingir o seu objetivo principal: apurar a veracidade e o coeficiente de exatidão das demonstrações contábeis. 40 2.2.1. Serviços de auditoria A execução dos serviços de auditoria pressupõe adequado planejamento que irá considerar todos os fatores relevantes na execução dos trabalhos, especialmente os seguintes: conhecimento detalhado das práticas e dos sistemas contábeis adotadas pela entidade; os riscos de auditoria; a oportunidade e extensão dos procedimentos a serem adotados; o uso de trabalho de outros auditores e a necessidade de atender a prazos estabelecidos por outras entidades. O planejamento e os programas de trabalho devem ser revisados e atualizados sempre que novos fatos recomendarem. Franco e Marra (2001, p.253) destacam: O auditor independente, quando chamado a prestar sua colaboração profissional a uma empresa, assume com ela contrato de prestação de serviços profissionais, no qual ficam estabelecidos a natureza e extensão do serviço a ser executado, o tempo e duração do contrato e a remuneração a ser paga pelo trabalho, além de outros detalhes de interesse mútuo, que definam direitos e obrigações das duas partes. Os serviços de auditoria requerem entrevistas iniciais para sondagens sobre as necessidades do cliente, conhecimento da organização e avaliação preliminar dos controles internos. Não se deve iniciar tais serviços sem o levantamento do estado da empresa, com os cuidados e as minúcias necessários. Podem ocorrer por determinação legal ou contratados para situações específicas. Dentre eles destacam-se: assessoria fiscal contábil; organização e reorganização de planos e sistemas contábeis; apurar situação financeira para fins de créditos; conferir a exatidão de custos; confirmar os saldos de contas de terceiros; determinar o valor real de patrimônio líquido. 41 2.2.2. Procedimentos de Auditoria Contábil Trata-se de um conjunto de técnicas utilizadas pelo auditor para obter evidências e provas suficientes para fundamentar sua opinião sobre as demonstrações contábeis. Abrangem os testes de observância e testes substantivos. Conforme norma do CFC: Os testes de observância visam à obtenção de razoável segurança de que os procedimentos de controle interno estabelecidos pela administração estão em efetivo funcionamento e cumprimento. Os testes substantivos visam à obtenção de evidências quanto à suficiência, exatidão e validade dos dados produzidos pelo sistema contábil da entidade [...]. O auditor é quem define quais os procedimentos que serão utilizados no trabalho de auditoria. Depende apenas do tipo, do ramo, do porte, da complexidade e das condições da empresa. Serão definidos por meio de provas seletivas, testes e amostragens. Esses procedimentos são definidos na etapa de planejamento e têm que ser bem escolhidos, pois isto irá afetar a formação e qualidade dos papéis de trabalho e, com isso, o resultado da auditoria. O planejamento se torna, portanto, a etapa mais importante do trabalho; além disso, ele servirá também como registro da auditoria executada e dos procedimentos aplicados. Não adianta utilizar procedimentos que não influenciem na avaliação da empresa, pois será tempo perdido. Também, não é aconselhável deixar de utilizar algum procedimento importante para o trabalho da empresa a ser auditada e só perceber isso quando já está realizando a auditoria, pois pode prejudicar o andamento da mesma, fazendo com que haja dispêndio desnecessário de tempo ou 42 que se tenha um re-trabalho. Entretanto, “é melhor pecar por excesso do que por falta”, diz o dito popular. É importante que os procedimentos de auditoria sejam corretamente definidos, planejados e executados com competência, discrição e, principalmente, sigilo e ética, para que permitam formar convencimentos sobre a fidedignidade das demonstrações financeiras. Attie (1998, p.121) confirma tal entendimento quando define que “procedimentos de auditoria são investigações técnicas que, tomadas em conjunto, permitem a formação fundamentada da opinião do auditor sobre demonstrações financeiras ou sobre o trabalho realizado”. Os procedimentos de auditoria são os seguintes: a) Confirmação; b) Exame Físico; c) Conferência de Cálculos; d) Observação; e) Inquérito; f) Exame dos Documentos Originais; g) Exame da Escrituração; h) Exame dos Registros Auxiliares e Fiscais; i) Investigação Minuciosa; j) Correlação das Informações Obtidas. a) Confirmação Consiste na solicitação de declarações formais e imparciais feita pelo auditor a fontes externas e independentes à empresa e que estejam habilitadas a confirmar registros contábeis. São conhecidas como “circularização” e permitem confirmar saldos de bancos, fornecedores e clientes, por exemplo. As respostas devem ser encaminhadas ao auditor, por escrito, e devem conter as informações a respeito da empresa em trabalho de auditoria. É utilizada como evidência. b) Exame Físico É o exame feito in loco, necessário para se constatar a existência física do item registrado, que pode ser item de estoque, de inventário e até mesmo imóveis, 43 títulos, certificados, cautelas e outros documentos que representem valores. Com esse procedimento o auditor confere a existência física do item, ou seja, se ele realmente existe, se o item é fidedigno, se a quantidade confere com as declaradas, o estado físico do bem e sua utilização. É importante que o auditor tenha algum conhecimento sobre a natureza do bem auditado. Havendo dúvidas sobre a propriedade do bem, ou seja, se a empresa auditada é realmente dona do bem, o auditor pode verificar os documentos contábeis e confrontar com a identificação do bem. c) Conferência de Cálculos Consiste na conferência dos valores e das somas dos documentos apresentados pela empresa auditada. São eles: listagem de estoques, livro Razão, livro Diário, equivalência patrimonial, dividendos, depreciação, juros etc. e até o próprio balancete. É o procedimento mais simples, mas um dos mais importantes, pois é o único procedimento que verifica com eficiência as operações de somas e cálculos. Deve ser utilizado, inclusive, frente a documentos emitidos por meio eletrônico, pois podem ocorrer alterações em equipamentos com o intuito de se ocultar fraudes. d) Observação De importância relevante, pois evidencia os erros, problemas e deficiências na realização de alguma atividade ou processo. Esse procedimento se volta para o operacional da empresa. O objeto da observação está no enfoque de pessoas, procedimentos e processos. É observada a forma como são manipulados os materiais de estoque, como é feita a classificação contábil, a execução dos procedimentos operacionais, como funciona o controle interno daempresa. Este 44 trabalho permite identificar problemas que às vezes não se encontram na contabilidade, mas repercutem no patrimônio. e) Inquérito Consiste na formulação de perguntas por parte do auditor e das respostas por parte dos funcionários de vários setores da empresa. Esse procedimento se estende durante todo o processo de execução da auditoria, pois à medida que vão surgindo as dúvidas o auditor procura interrogar as pessoas ligadas à matéria em questão para obter a melhor e mais correta resposta possível. É muito utilizado e de grande valia, quando os entrevistados colaboram e o auditor aplica-o corretamente. Cabe ao auditor conduzir as perguntas para auxiliar na execução do seu trabalho, com cautela e “jogo de cintura”, e avaliar cada resposta para saber se é confiável ou não. As perguntas podem ser feitas de forma verbal ou de forma escrita. f) Exame dos Documentos Originais Nesse procedimento são analisados os documentos originais que validam o lançamento contábil, o estoque, a aquisição de bens, a venda de mercadorias, dentre outros itens. Ao examinar os documentos originais, o auditor deve verificar a autenticidade, a veracidade, a idoneidade e a legitimidade do documento. Averiguar se o documento está corretamente preenchido e se faz referência à operação escriturada. São exemplos de documentos originais que corroboram os registros contábeis e fiscais: notas fiscais, recibos, escrituras, duplicatas, certidões dentre outros. 45 g) Exame da Escrituração Exame que visa, sobretudo, a conciliação dos saldos das contas existentes na data do balanço. Através de testes e papéis de trabalho são realizadas confirmações analíticas nas contas de fornecedores, nas contas de clientes e necessariamente, por meio de conciliação, os saldos bancários. Efetuam-se também exames quanto ao cumprimento das normas e princípios contábeis. h) Exame dos Registros Auxiliares e Fiscais Alguns registros contábeis são efetuados de forma sintética, necessitando sua confirmação através de registros auxiliares, por exemplo, empresas que contabilizam as vendas para clientes em conta única, mantendo o desdobramento em controle gerencial. Também os registros fiscais precisam validar os impostos registrados, apurados e recolhidos na contabilidade. i) Investigação Minuciosa Consiste no exame profundo e detalhado de documentos, registros, informações obtidas etc. Esse procedimento proporciona precisão do ponto investigado. Objetiva verificar algum tipo de erro ou fraude. Ele avalia a veracidade e idoneidade do item auditado. É importante que o auditor tenha conhecimento e experiência necessários para detectar irregularidades e demais anomalias. j) Correlação das Informações Obtidas Faz referência ao balanço contábil analisando a correlação de uma conta com outra que a afete, a exemplo de pagamentos a fornecedores, que afetam as contas a pagar e o disponível. Verifica-se a exatidão e consistência das informações, 46 analisando as contas correlacionadas. Procedimento executado tipo método das partidas dobradas. 2.2.3. Papéis de Trabalho Os papéis de trabalho são os registros das evidências obtidas no decorrer do trabalho, baseadas nos procedimentos de auditoria definidos. Contêm todas as informações elaboradas e reunidas pelo auditor, compostas dos elementos comprobatórios, das evidências, das provas e das anotações feitas pelo auditor, referentes ao trabalho por ele realizado. Igualmente estão inseridas as conclusões e opiniões a respeito da análise e andamento do trabalho e todas as informações que são necessárias para comprovar e apoiar o parecer conclusivo do auditor. Devem ser acrescentados todos os subsídios relevantes que provem a consistência e veracidade do parecer do auditor com organização, clareza e nível de detalhamento suficiente que levem ao entendimento e ao suporte da auditoria executada, sempre obedecendo às normas aplicáveis. A apresentação desses papéis pode se dar de forma manual, por meios eletrônicos, filmes ou quaisquer outras ferramentas que possam evidenciar o trabalho do auditor e que fundamentem a elaboração do seu parecer. Os papéis de trabalho estão definidos através da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade de nº 820/97. A interpretação técnica dos papéis de trabalho e documentações da auditoria está detalhada na NBC T 11–IT-02, aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade, através da Resolução de nº 828/98. Segundo a norma, “os papéis de trabalho são elaborados, estruturados e 47 organizados para atender às circunstâncias do trabalho e satisfazer as necessidades do auditor para cada auditoria”. O maior beneficiário dos papéis de trabalho é o próprio auditor, pois além de provar a veracidade do seu trabalho pode se utilizar dessa documentação para uma próxima auditoria. Confere, também, ao auditor, a guarda e o sigilo dos papéis de trabalho. Os papéis de trabalho têm como objetivo auxiliar o auditor na prática de suas atividades profissionais; fundamentar, com elementos probatórios, o parecer do auditor; servir de prova da consistência, idoneidade e veracidade do trabalho do auditor; facilitar a revisão das tarefas por parte do supervisor responsável; auxiliar no trabalho de uma próxima auditoria. Durante a elaboração dos papéis de trabalho devem ser observados alguns itens básicos, a fim de se garantir o seu melhor desempenho e entendimento. Os papéis devem ser escriturados, sempre que possível, com uma redação clara, compreensível, legível e objetiva, obedecendo a uma ordem lógica e permitindo que sejam compreendidos, sem dificuldades, por qualquer profissional de auditoria. Cabe ressalvar que é imprescindível fazer referências às fontes que foram utilizadas para a obtenção das informações. 2.3. Auditoria Fiscal com enfoque no ICMS No âmbito mundial, se fala de auditoria fiscal a partir de uma dupla vertente: a realizada por auditores independentes ou por funcionários públicos da administração tributária. Aqui o tema será tratado sob a ótica da auditoria realizada 48 pelo agente público, denominado de auditor fiscal, embora sem perder de vista que diversos conceitos e técnicas são comuns às duas auditorias. Sá (2002, p. 463) esclarece que “o objeto da auditoria fiscal é o de observar se a empresa cumpre todas as exigências da lei, em matéria tributária, basicamente”. Também Lemos (2004) afirma que todo o trabalho do auditor fiscal tem como finalidade a verificação do correto cumprimento da legislação fiscal. Essa constatação é feita através de livros fiscais próprios, livros contábeis e demonstração fiscal e contábil. Para Timm (1991, p. 11) a auditoria fiscal, objetiva aferir o grau de exatidão da empresa em relação às suas obrigações fiscais, sendo matéria de exame todo o complexo patrimonial da empresa, dependendo da natureza do tributo que se busca averiguar. Entendimentos dos ilustres estudiosos não divergem do que se pensa na Venezuela a respeito da auditoria fiscal, conforme Franco (s.d.) ao inferir que: […] a auditoria fiscal, […] centra sua atuação em verificar se a entidade tem cumprido suas obrigações tributárias, exigindo, em caso contrário, o cumprimento de tal obrigação de acordo com a legislação vigente, o que incluirá dívida tributária mais sanções, mais juros por atraso4 (tradução nossa). Sem dúvida, a auditoria fiscal utiliza procedimentos próprios e, às vezes, semelhantes aos procedimentos da auditoria contábil para verificar, junto às entidades, o fiel cumprimento das exigências tributárias. 4 […] la inspección fiscal, […] centra su actuación en verificar si la entidad ha cumplido sus obligaciones tributarias, exigiendo, en caso contrario, el cumplimiento de tal obligación de acuerdo con la legislación vigente, lo que incluirádeuda tributaria más sánción más intereses de demora. 49 O foco deste estudo está direcionado aos procedimentos relativos à fiscalização do ICMS no estado da Bahia, que não têm muitas diferenças daqueles desenvolvidos em outros estados brasileiros, onde se procura uma harmonização de procedimentos para o combate à sonegação e fraude fiscal. Diante disto, torna-se imprescindível tecer algumas considerações a respeito do ICMS, tributo que será enfatizado na auditoria fiscal. 2.3.1. Considerações a respeito do ICMS Imposto de competência Estadual, atribuída pela Constituição Federal em seu artigo 155, inciso II, regulamentado pela Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996, com modificações produzidas pelas Leis Complementares nº: 92/97; 99/99; 102/00; e 114/02. No Estado da Bahia, o ICMS está legitimado através da Lei º 7.014, de 04 de dezembro de 1996 e regulamentado por meio do Decreto nº 6.284, de 14 de março de 1997. É um imposto não-cumulativo, onde se compensa o que for devido em cada operação com o montante cobrado na operação anterior. Sua operacionalização se dá através dos mecanismos de créditos pelas entradas e débitos pelas saídas, sendo a apuração mensal. Tudo é registrado e controlado na escrita fiscal. O contribuinte do ICMS, ou sujeito passivo da obrigação, é a pessoa física ou jurídica que realiza, com habitualidade, operações sujeitas à tributação do ICMS. São também contribuintes do ICMS, dentre outros: • o industrial; • o comerciante; • o produtor rural; 50 • o gerador de energia; • o extrator de substâncias animais, vegetais, minerais ou fósseis; • o prestador de serviços de transporte intermunicipal e interestadual; • o prestador de serviços de telecomunicações; • os bares, restaurantes, hotéis e similares; e • os partidos políticos, as sociedades civis sem fins lucrativos que realizem operações não relacionadas com suas finalidades essenciais. Para que se possa apurar e recolher o ICMS adequadamente, o contribuinte deve manter documentos fiscais e contábeis idôneos, lastreadores de suas operações, bem como escriturar regularmente livros fiscais próprios como, por exemplo, Registro de Entrada de Mercadorias, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências e o Registro de Inventário. O ICMS se constitui na principal fonte de arrecadação dos estados, e sua legislação é muito complexa, alterando-se continuamente, implicando, muitas vezes, em entendimentos divergentes. Há uma necessidade de educação contínua por parte dos sujeitos passivos, contribuintes do tributo, para se manterem atualizados, visando não cometer erros, enganos e imperícia, fatos estes que os levariam à sujeição de autuação fiscal e pagamento de multas e juros. A SEFAZ mantém uma estrutura moderna de fiscalização informatizada, com banco de dados disponibilizado em rede própria através da Intranet, permitindo que informações a respeito dos contribuintes estejam disponíveis em tempo real, quanto ao seu cadastro, arrecadação, últimas fiscalizações, infrações detectadas, entre outras, permitindo um gerenciamento e programação de fiscalização mais eficientes. 51 Sobre esse aspecto, inclusive, Magalhães (1996, p. 73) já previu esse acontecimento, em estudo realizado, quando afirmou: Hoje a Prodeb já tem disponível para os Auditores Fiscais da Secretaria da Fazenda, que cadastrarem suas senhas de acesso, portas de acesso a diferentes dados de interesse para execução de trabalhos de auditoria fiscal, como por exemplo, inscrições canceladas, notas fiscais autorizadas, recolhimentos de ICMS pelos contribuintes, etc. No futuro, possivelmente breve, alguns ou todos esses dados estarão disponíveis na Internet... Em função da complexidade que envolve o ICMS, a SEFAZ/Ba mantém os auditores fiscais em contínuos treinamentos internos e cursos de pós-graduação na área da Contabilidade e do Direito. 2.3.2. Procedimentos de Auditoria Fiscal Sá (2002, p. 214) afirma que, ”a conduta técnica do auditor gera a sua forma de proceder, para que o trabalho executado tenha eficácia e eficiência, ou seja, alcance seus objetivos racionalmente”. Depreende-se desta afirmativa que, no exercício da auditoria fiscal, o auditor imprescinde de conhecimentos abalizados da legislação do ICMS e de outras áreas do conhecimento, como Contabilidade, Direito, Informática, para que, nos trabalhos realizados, possa obter resultados consistentes e eficazes. Os procedimentos de auditoria fiscal são as ferramentas utilizadas pelos auditores para a realização do seu trabalho, consistindo na análise das informações obtidas para formar sua opinião imparcial (ATTIE, 1991). O planejamento de auditoria surge a partir da Diretoria de Planejamento Fiscal - DPF, tomando-se por base o período prescricional, os segmentos, indicadores de omissão e as metas de arrecadação estabelecidas. Estão 52 disponibilizadas no sistema, para as respectivas Inspetorias Fazendárias, as empresas que devem ser monitoradas ou fiscalizadas pelos auditores, sempre em programação trimestral, coincidindo com o trimestre civil. Nas Inspetorias são emitidas as ordens de serviços, distribuindo-se entre os auditores as respectivas programações com sugestões dos roteiros de auditoria a serem aplicados. O monitoramento consiste no acompanhamento sumário dos registros fiscais do contribuinte, visando, sobretudo, a omissão de recolhimento e divergências nas informações econômicas fiscais. Encontrado algum recolhimento a menor ou divergência entre o Demonstrativo de Apuração Mensal (DMA) e os livros fiscais, no primeiro momento não se procede à lavratura de auto de infração, sendo oferecido um prazo para a regularização das pendências; caso isto não ocorra, gera a autuação fiscal. 2.3.3. Roteiros de Auditoria Os roteiros de auditoria indicam os procedimentos de auditoria a serem aplicados pelos auditores fiscais, equivalendo ao planejamento dos trabalhos na auditoria contábil. O objetivo da auditoria fiscal, segundo Souza (1995, p.33), é: ”[...] a verificação da exatidão do cumprimento da obrigação principal e dos acessórios, atentando para a origem, escrituração e o estorno dos créditos e débitos do imposto”. Nessa assertiva, Souza (1995) enfatiza a auditoria fiscal propriamente dita, ou seja, roteiro de auditoria pautado apenas nos livros e documentos fiscais à luz do regulamento do ICMS. 53 O mesmo autor, com o olhar na auditoria contábil aplicada à fiscalização do ICMS, relata: [...] Roteiro de Auditoria Contábil – visa à verificação dos dados constantes dos livros, contas e demonstrativos contábeis: a) investigando e analisando a conciliação das peças contábeis com a escrituração fiscal e documentos-fonte; b) analisando peças contábeis particularizadas, sob o prisma estático e dinâmico do patrimônio das empresas, a partir de documentos-fonte dos lançamentos contábeis, evoluções, alterações patrimoniais, movimentações de resultados do exercício até os valores constantes do Balanço; c) investigando e analisando minuciosamente as mutações dos fatos contábeis nos grupamentos do Balanço e nas Demonstrações do Resultado do Exercício; d) investigando, analisando e avaliando a performance econômico- fiscal da empresa (SOUZA, 1995, P. 33). Para a aplicação dos procedimentos de auditoria fiscal existem diversos roteiros, alguns de natureza exclusivamente fiscal tais como: Roteiro de Créditos Fiscais, Roteiro de Substituição Tributária etc. e outros que visam incrementar a fiscalização por meio da contabilidade, haja vista os citados no quadro 1 e que são discutidos a seguir. Quadro 1 - Roteiros de auditoria contábil fiscal AUDI.1 Auditoria fiscal contábil da conta corrente do ICMS AUDI.2 Auditoria fiscal contábil das operações mercantis ede produção industrial AUDI.3 Auditoria contábil das contas do ativo AUDI.4 Auditoria contábil das contas do passivo e patrimônio líquido AUDI.5 Auditoria fiscal contábil da conta serviços AUDI.6 Auditoria financeira conjunta Fonte: SEFAZ/Ba adaptada pelo autor Os roteiros, para serem aplicados, seguem os mesmos procedimentos da auditoria contábil, isto é, em razão do volume das operações e dos documentos a serem investigados realizam-se testes e amostragens para determinar o grau de aprofundamento e amplitude dos exames necessários. 54 AUDI.1 - Auditoria fiscal contábil da conta corrente do ICMS Este procedimento tem por objetivo verificar e validar os créditos fiscais lançados no livro Registro de Entradas com os registros ocorridos na contabilidade, na conta de ICMS a Recuperar, constatar se os débitos registrados no Livro Registro de Saídas conferem com aqueles registrados na contabilidade, na conta ICMS a Recolher e do saldo apurado no final do mês, que pode permanecer em uma das contas citadas e confrontar com o Livro Registro de Apuração do ICMS. AUDI.2 - Auditoria fiscal contábil das operações mercantis e de produção industrial Objetiva definir os procedimentos a serem seguidos na verificação da regularidade dos lançamentos e dos documentos contábeis. Compreende o exame dos lançamentos, a apuração de custos, margem de lucro, conciliação de contas, ajustes e providências pertinentes, tendo em vista observar se os valores foram ocultados ou contabilizados incorretamente com o propósito de esconder sua verdadeira origem. Esses valores, até prova em contrário, são considerados procedentes de vendas não registradas ou de serviços prestados, mas não contabilizados. Dentre os procedimentos orientados para o exame por amostragem nos livros contábeis destacam-se: • lançamentos no Diário que envolvam operações ou prestações tributáveis, disfarçados sob títulos diferentes; • lançamentos referentes à “Complementação de Vendas” ou “Complementação de Serviços”; e 55 • confronto entre valores das entradas e das saídas consignados nos livros fiscais com os valores correspondentes no livro Razão. AUDI.3 – Auditoria contábil das contas do ativo Procedimento que visa identificar, através das contas de disponibilidade, créditos, estoques e do permanente, a existência de fatos ocultos geradores do ICMS, caracterizados como omissão de receitas. Devem ser verificados lançamentos que estejam em desacordo com as normas e princípios contábeis. AUDI.4 – Auditoria contábil das contas do passivo e patrimônio líquido Também neste roteiro, procura-se identificar a omissão de receitas a partir de passivos fictícios ou passivos inexistentes, nas contas fornecedores, empréstimos de sócios, obrigações a pagar, adiantamento de clientes e demais contas a pagar. Para tanto se utiliza o procedimento contábil de confirmação dos saldos através da circularização. Devem ser validadas também a composição e integralização do capital social, para identificar possíveis irregularidades no patrimônio líquido. AUDI.5 – Auditoria fiscal-contábil da conta de serviços Roteiro destinado à verificação da contabilidade das empresas de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. Compreende o exame, por amostragem, dos lançamentos, a composição de custos para confirmar os créditos fiscais utilizados, margem de lucro, ajustes e providências pertinentes, a fim de observar possíveis divergências entre os livros fiscais e contábeis, ou mesmo registros contábeis de operações que constituem fato gerador 56 do ICMS sem os respectivos recolhimentos. Constatar que estejam em desacordo com as normas contábeis e que, até prova em contrário, se caracterizem como omissão de receitas decorrentes de serviços prestados. AUDI.6 – Auditoria financeira conjunta Consiste no procedimento em que, a partir do saldo inicial de caixa, adiciona-se todos os débitos das contas de ativo e todos os créditos das contas de passivo, determinando o montante dos recursos disponíveis e, procedendo-se no sentido inverso, determina o montante dos recursos aplicados. Deduzido do montante de recursos disponíveis, o montante dos recursos aplicados deverá chegar ao valor das disponibilidades, isto é, bancos e caixa. Caso contrário, haverá indícios de sonegação. Os roteiros trazem em seu conteúdo a indicação de exames minuciosos e extensos que, em alguns casos, dificultam a sua aplicação por parte dos auditores, principalmente daqueles que não possuem formação contábil. Em razão disto, a pesquisa constata que a sua utilização tem sido muito restrita, predominando as verificações mais simples, tais como auditoria de caixa e de fornecedores. Para auxiliar a execução dos roteiros contábeis há a sugestão de um questionário para ser aplicado nos exames contábeis das diversas contas e grupos a serem auditados (vide apêndice A). Em todas as auditorias, quer seja fiscal, quer seja contábil, cabe ao auditor elaborar o planejamento da ação fiscal e fazer uma visita prévia ao estabelecimento a ser fiscalizado, para manter contato com o responsável, conhecer in-loco a atividade desenvolvida, a dimensão da empresa, o processo produtivo, o sistema de custo, o imobilizado em uso; enfim tomar conhecimento da empresa. 57 2.3.4. Sistemas de informações aplicados à auditoria fiscal Hoje, apesar de ainda ser necessária a verificação manual dos documentos para a confirmação dos registros e constituição das provas de infrações fiscais, no trabalho do auditor é imprescindível a informática; não a informática na sua forma elementar − computador como substituto de máquinas de datilografia. Arima (2002, p.79) chama a atenção para essa realidade: “a evolução tecnológica, conjugada a mudanças de paradigmas do mercado, tem criado diversas formas de posicionamento e postura dos administradores e executivos das organizações”. A SEFAZ não poderia ficar alheia a essa nova ordem mundial. As organizações evoluíram e se modernizaram requerendo idêntico procedimento dos órgãos públicos, principalmente daqueles que têm como missão arrecadar tributos e combater a sonegação e a fraude fiscal. Diante desse cenário, o órgão tem desenvolvido e disponibilizado, para os Auditores Fiscais, vários sistemas de informações que auxiliam sobremaneira o desempenho dos trabalhos de auditoria, permitindo mais precisão e agilidade. Um sistema de informação se define como um conjunto de procedimentos estruturados, planejados e organizados que, uma vez executados, produzem informações para dar suporte ao processo de tomada de decisão (ARIMA, 2002). É através dessa ótica, com visão futurista, que os gestores públicos modernizam a estrutura fazendária. Dentre outros sistemas disponibilizados, destacam-se: a) SAFA (Sistema de Auditoria Fiscal Automatizada) É o sistema mais importante que permite - através da leitura dos arquivos em meio magnético, obtidos dos contribuintes, contendo toda a movimentação de 58 entradas e saídas, e alimentado pelos dados iniciais e finais de estoques, extraídos do livro Registro do Inventário - processar um levantamento quantitativo de estoque, apontando divergências com precisão e rapidez. Determina ainda a base de cálculo do ICMS, o valor do ICMS devido e os respectivos enquadramentos legais das infrações apuradas. Esses dados podem ser exportados diretamente para o Sistema de Emissão do Auto de Infração - SEAI. Em contínua atualização, mantém um banco de dados com alíquotas e Códigos Fiscais de Operações (CFOPs). Sua versão atual já permite a realização de outros roteiros, v.g., créditos fiscais, conta corrente e análise de balanços. Na figura 1 poderá ser visualizado o seu diagrama. FIGURA 1 Fonte: SEFAZ 59 b) CFAMT (Controle Fiscal Automatizado de Mercadorias em Trânsito) Atravésdesse sistema é efetuado o controle das mercadorias em trânsito. Possui um banco de dados das notas fiscais que são retidas nos postos de fronteiras. Disponibilizadas aos auditores por meio de relatórios e classificadas por empresa, permitem a conferência dos registros nos livros Registro de Entradas e Registro de Saídas para identificar possíveis ausências. As notas identificadas serão solicitadas ao setor encarregado de seu arquivamento para compor as provas da infração na reclamação do crédito. c) INC (Sistemas de Informações do Contribuinte) É o banco de dados dos contribuintes, de onde se pode retirar informações importantíssimas para o planejamento e direcionamento das técnicas de auditoria. Desse sistema se obtém: o cadastro, as pendências, as arrecadações por mês e ano, autorizações de documentos fiscais, situação dos processos, autorizações de regimes especiais, informações econômicas e fiscais, movimentos de importações e exportações. d) Monitoramento Sistema criado para permitir acompanhar preventivamente os contribuintes, constatando, sumariamente, os omissos de recolhimento e de informações econômico-fiscais. Inicia recepcionando a Ordem de Serviço – O.S. das empresas a serem monitoradas e fecham com o termo de encerramento. 60 e) SEAI (Sistema de Emissão de Auto de Infração) Sistema criado para a lavratura de auto de infração, quando ocorrer irregularidades, ou termo de encerramento, quando não houver irregularidades. Funciona recepcionando a O.S. que já identifica o contribuinte e possui um banco de dados com todas as infrações tipificadas. Ao identificá-la, o auditor robustece os seus argumentos, faz avaliação, registra a base de cálculo e o imposto reclamado. O sistema disponibiliza todos os enquadramentos legais e faz os cálculos das multas e correção do tributo e, posteriormente, saem os relatórios: auto de infração, demonstrativo de débito, informação sobre redução de multas e termo de encerramento. 2.3.5. Sonegação e fraude fiscal Foi visto que a auditoria fiscal se propõe a verificar as empresas no cumprimento das exigências tributárias, isto é, se vêm atendendo satisfatoriamente aos seus compromissos legais, tributários. Nos procedimentos de auditoria, muitas vezes, são detectadas irregularidades que se constituem infrações fiscais, podendo, as mesmas, serem originadas de falhas humanas, negligência, imperícias, desatualização com as leis, ou serem produzidas intencionalmente através de sonegação ou fraude. Segundo Ximenes (2000, p. 872), sonegar é “deixar de mencionar ou descrever nos casos exigidos pela lei. Ocultar com fraude. Ocultar, esconder”. Para Sá e Sá (1993, p. 416) sonegação de escrita é “omissão de registros feita intencionalmente; ausência de relação de fatos patrimoniais com intuito de fraude”. 61 A fraude fiscal, conforme art. I, inc. II da Lei 8.137/90, consiste na inserção de dados inexatos em livros contábeis, com o fim de recolher imposto a menor. Para Sá e Sá (1993, p.205), a fraude fiscal representa: artifício realizado na escrita contábil, quer em registros, quer em avaliações, quer em cálculos, quer em documentos, com o intuito de reduzir a carga fiscal ou tributária. Lesão à lei fiscal-tributária através de procedimento proposital que visa reduzir imposto a pagar. As fraudes fiscais ocorrem geralmente por omissão de receitas, aumento de custos e despesas, subavaliação de estoque, subfaturamentos, manobras entre empresas associadas com drenagens de resultados, etc. As fraudes sujeitam as empresas à multa e enquadramento dos responsáveis na prática de crime de sonegação fiscal. Borba (2004, p. 433) conceitua a fraude como sendo “tentativa dolosa de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador”. A utilização de talonários de notas fiscais em paralelo, registrando na contabilidade apenas um deles, é o caso típico de fraude onde parte das receitas de vendas ou serviços não tem o seu registro efetuado nos livros fiscais e contábeis. A omissão de registro no livro de entradas e na contabilidade de notas fiscais referentes a mercadorias adquiridas, objetiva sonegar imposto por ocasião das vendas que deverão ocorrer sem a respectiva emissão de nota fiscal. A sonegação e a fraude constituem atividades ilícitas praticadas por pessoas de má-fé, com o intuito deliberado de reduzir os encargos tributários. Cabem aos auditores fiscais, fazendo uso de toda tecnologia colocada à sua disposição, conhecendo os tipos de sonegação e fraudes mais usuais e ainda utilizando a sua perspicácia, identificar e autuar para reclamar os créditos tributários, isto é, cobrar os tributos devidos. 62 2.4. Diferenças e semelhanças entre a auditoria contábil e a auditoria fiscal Os objetivos da auditoria contábil financeira, abordados anteriormente, não coincidem com os perseguidos na auditoria fiscal. Contudo, existem muitas semelhanças nos seus procedimentos. G. Franco, conforme o demonstrado no quadro 2, tradução e adaptação do autor, apresenta as principais diferenças e semelhanças na sua visão. Quadro 2 - Diferenças e semelhanças entre auditoria contábil e auditoria fiscal Auditoria Contábil Auditoria Fiscal OBJETIVO Opinar se as contas anuais expressam, em todos os aspectos significativos, o patrimônio, os resultados, os recursos obtidos e aplicados pela entidade auditada. Determinar se a base imponível declarada por uma entidade é correta conforme os critérios legais estabelecidos. OPINIÃO Supõe-se que é possível negar a opinião. A opinião parcial não é permitida Deve-se emitir opinião em todo caso. Opinião parcial permitida. ACESSO À INFORMAÇÃO INTERNA Amplo acesso à informação econômico-financeira, assim como aos controles internos. Menos facilidades para o acesso à informação e controles internos da entidade. OPORTUNIDADE Desenvolve sua função, normalmente, de forma quase simultânea aos fatos verificados. Atuação se inicia, de maneira geral, após o término do exercício a ser auditado. MEIOS Obtenção de informação através de terceiros é limitada. Cruzamentos de informação restringidos aos dados internos da entidade. Sistemas inteligentes. Obtenção de informação através de terceiros é ilimitada. Possibilidade de cruzar informação com outros contribuintes, além das apresentadas pela entidade. Sistemas inteligentes e bases de dados estatais. PROCEDIMENTOS Indagações orais e escritas. Conciliações globais limitadas a dados da própria entidade. Confirmações com terceiros (limitadas). Indagações orais e escritas. Conciliações globais com dados da entidade e com informações obtidas de outros contribuintes. Confirmações com terceiros (amplas). DOCUMENTAÇÃO DO TRABALHO Papéis de trabalho. Relatório de auditoria. Demonstrativos e documentos probatórios. Auto de infração, termo de encerramento. Fonte: Franco G. (s.d.) 63 A auditoria financeira conta com um objetivo que compreende, de alguma forma, a auditoria fiscal, pois o auditor, para opinar sobre a razoabilidade das demonstrações financeiras deverá confirmar se a entidade apurou, declarou e registrou corretamente seus tributos. Por sua vez, a auditoria fiscal,, em muitas situações, deve verificar se a contabilidade segue os princípios e as normas contábeis, base imponível dos tributos. Considerando que o autor se reporta à auditoria na Venezuela, discorda- se do mesmo quando refere que a auditoria contábil não contempla a opinião parcial, pois o parecer de auditoria, no Brasil, pode ser emitido com ressalva - uma forma parcial de opinião. O acesso às informações internas é mais franqueado ao auditor financeiro, porque este representa para a entidade um profissional-colaborador, enquanto que o auditor fiscal não goza desse conceito. Somente informações que digam respeito ao processo de verificaçãofiscal serão disponibilizadas para o auditor fiscal. As maiores semelhanças se encontram na aplicação dos procedimentos técnicos de auditoria que tanto o auditor independente quanto o auditor fiscal utilizam para obter evidências adequadas que sustentem suas opiniões. Sem dúvida, as indagações, as amostragens, os testes aplicados, as revisões analíticas e as confirmações com terceiros, são utilizadas tanto por um quanto pelo outro, de forma idêntica e muito similar. A auditoria fiscal, além de verificar se o contribuinte está atendendo às normas tributárias, deverá também buscar identificar possíveis sonegações e fraudes cometidas com a utilização da contabilidade. Este assunto será aprofundado no próximo capítulo. 64 3. EVIDÊNCIAS DE FRAUDES E SONEGAÇÃO NA CONTABILIDADE Tendo conhecimento de que contadores e empresas usam de artifícios nada recomendáveis, como a simulação e a omissão, para “maquiar” a contabilidade e dessa forma reduzir ou deixar de pagar suas obrigações tributárias, compete ao agente fiscal identificar, por meio de evidências e indícios, que a contabilidade proporciona possíveis fatos ocultos geradores de ICMS. Esses fatos podem estar registrados em contas do ativo, do passivo, do patrimônio líquido e das contas de resultados. Sem esgotar o assunto, serão discutidas a seguir, por grupos contábeis, as principais ocorrências de sonegação e fraude, através da contabilidade, relacionadas ao ICMS, com sugestões para sua identificação no trabalho de auditoria. Observe-se o que Timm afirma (1991, p.14) sobre as investigações cabíveis: Procurando identificar eventual fato gerador do imposto, que tenha se mantido oculto, portanto sem o pagamento do tributo, o exame realizado pelo fisco nos registros contábeis busca apurar a ocorrência de uma ou mais irregularidades a seguir relacionadas…: I. Saldo Credor de Caixa II. Saldo irreal de Caixa III. Suprimentos de Numerários não Comprovados IV. Compras não Contabilizadas V. Subfaturamento de Compras VI. Devolução Fictícia de Compras VII. Estoque Fictício VIII. Subavaliação de Estoque IX. .Ativo Permanente Oculto X. Passivo Fictício XI. Omissão de Receita 65 3.1. Contas do Ativo Neste grupo serão estudadas as contas que podem ocultar fatos geradores de ICMS. 3.1.1. Caixa Conta de natureza devedora é debitada pela entrada de recursos, nos recebimentos, e creditada pelas saídas de recursos. Seu saldo será sempre devedor, indicando o dinheiro ou cheques em poder da empresa, ainda não depositados. Em contabilidade, além da conta Caixa, existe também o Livro Caixa que se destina a registrar toda a movimentação de numerários na empresa, em detalhes. A prática moderna e a insegurança não permitem que grandes importâncias permaneçam dentro da empresa e sim depositadas em contas bancárias, ficando apenas pequenos valores, para atender a gastos menores e que na contabilidade recebe um registro especial, em outra conta denominada “Fundo Fixo”, ou “Fundo de Caixa” ou ainda “Pequeno Caixa”. Pela importância que representa a conta Caixa e a movimentação de dinheiro nas empresas, estão obrigadas a manter a escrituração do livro Caixa as microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES, e aquelas optantes pelo Lucro Presumido, na esfera Federal, assim como empresas que aderiram ao SIMBAHIA, na esfera Estadual. 66 Conhecer as origens das movimentações de recursos que passam pelo caixa é importante, porque chamam a atenção quaisquer entradas ou saídas de recursos com características diferentes. O quadro 3 mostra as principais transações que passam pela conta caixa. Quadro 3 - Principais transações que afetam o caixa OPERAÇÕES DE ENTRADAS DE DINEHIRO QUE AUMENTAM O CAIXA, ORIGINADAS OPERAÇÕES DE SAÍDAS DE DINHEIRO QUE REDUZEM O CAIXA, ORIGINADAS Do Patrimônio Líquido 1. Integralização de capital em dinheiro 2. Aumento de capital em dinheiro Do Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo 3. Recebimento de vendas realizadas a longo prazo 4. Recebimento de serviços faturados 5. Saques bancários 6. Recebimento de adiantamentos fornecidos 7. Recebimento de empréstimos concedidos Do Ativo Permanente 8. Venda de itens do ativo permanente Do Passivo Circulante 9. Adiantamentos recebidos de clientes 10. Empréstimos de sócios Das Contas de Resultado 11. Vendas efetuadas à vista 12. Serviços prestados à vista 13. Juros recebidos 14. Comissões recebidas 15. Outras receitas eventuais recebidas Do Ativo Circulante 1. Depósitos bancários 2. Compra de material de expediente p/ estoque à vista 3. Compra de mercadorias e matéria-prima à vista 4. Empréstimos/adiantamentos concedidos 5. Pagamento de frete s/ mercadorias à vista 6. Pagamento de despesas antecipadas Do Ativo Permanente 7. Aquisição à vista de itens do investimento e imobilizado 8. Pagamento de gastos diferidos Do Ativo Circulante e Exigível a Longo Prazo 9. Pagamento a fornecedores 10. Pagamento de impostos provisionados 11. Pagamento de encargos sociais 12. Pagamento de outras contas Do Patrimônio Líquido 13. Pagamento a sócio que se afasta da sociedade 14. Pagamento de lucros a sócios Das Contas de Resultado 15. Pagamento de despesas Fonte: Próprio Autor Muito embora várias das operações citadas possam ser realizadas diretamente através do sistema bancário, isto é, pagamentos com cheques, avisos de débitos ou de créditos etc., algumas empresas costumam fazer transitar, através da conta CAIXA, a maioria das operações. 67 As infrações mais usuais serão discutidas a seguir, com abordagem de algumas formas de identificá-las na contabilidade. 3.1.1.1. Saldo credor de caixa Sendo a conta Caixa de saldo eminente devedor a existência de saldo credor, indica que houve pagamentos sem os necessários recursos registrados na contabilidade; o montante apurado de saldo credor está sujeito à tributação, caracterizando-se como presunção legal de omissão de receitas. Silva e Amorim (2000) ressaltam a repercussão contábil do fato: [...] a figura do saldo credor de caixa, é uma operação contábil, e, portanto, deve estar fundamentada de acordo com as normas e conceitos daquela disciplina, pois para que seja admitida a presunção é necessário que o indício, neste caso insuficiência de recursos, esteja comprovado. Esta inflação é apurada verificando-se a regularidade dos lançamentos efetuados na conta caixa, através de análise da documentação correspondente aos débitos e créditos, verificação das efetivas datas de recebimentos e pagamentos em confronto com os registros efetuados, observando-se a seqüência cronológica. Ainda Silva e Amorim (2000) acrescentam: [...] o Auditor deverá fazer um levantamento minucioso das operações registradas, atentando principalmente para aquelas que representem efetivamente entradas de recursos, visto que a contabilidade, como ciência que avalia o patrimônio da entidade, registra operações de caráter econômico e financeiro. As operações de caráter econômico são aquelas que representam aumento ou redução dos ativos e passivos sem que tenha havido circulação de recursos, como é o caso de correção monetária, juros creditados, mas não pagos, depreciação, descontos, amortizações, entre outros. As operações de caráter financeiro são as que efetivamente redundam em entradas ou saídas de recursos. 68 A elaboração de demonstrativos deve se pautar por procedimentos contábeis adequados, devendo o auditor utilizar ferramentas próprias como, por exemplo, a Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), que indica num determinado período todo o dinheiro que entrou no caixa e todo o dinheiro que saiu de caixa (MARION, 1998). O fluxo deve refletir os saldos iniciais e finais de caixa, todos os recebimentos e todos os pagamentos contabilizados, para validar o saldo finalcontabilizado. Os demonstrativos fundamentados nas diretrizes contábeis permitirão ao auditor constituir elementos de provas necessárias para a caracterização do ilícito e consistência na denúncia. Em muitos casos os auditores se esquecem que determinadas irregularidades, apesar de evidentes, necessitam ser provadas, pois a simples acusação não é suficiente para a manutenção do auto de infração. Em outros momentos, pelo desconhecimento da contabilidade e dos atos rotineiros no ambiente empresarial, rejeitam simplesmente qualquer lançamento contábil que diga respeito ao adiantamento ou empréstimo de sócios, e sem a devida comprovação do ilícito; dessa forma o auto não prospera. Do mesmo modo é insubsistente quando o levantamento de caixa, para identificar o saldo credor, é efetuado com base apenas nos livros e documentos fiscais, sem que sejam observadas as efetivas entrada e saída de recursos, considerando todas as compras como sendo à vista igualmente para as vendas. Dentre outros, são artifícios utilizados para acobertar pagamentos sem a existência de disponibilidade: antecipação ou simulação de recebimentos; compras à vista registradas como a prazo; omissão ou postergação de saídas de numerários; vendas a prazo registradas como se fossem à vista; suprimentos através de cheques, posteriormente estornados; transferência de numerário registrada a menor. 69 3.1.1.2. Saldo irreal de caixa Este tipo de irregularidade é caracterizado pela divergência entre os numerários existentes na empresa e o saldo registrado na conta Caixa ou no boletim elaborado para essa finalidade, através de auditoria de caixa dos recursos disponíveis, quando em visita ao estabelecimento do contribuinte. As divergências encontradas levam a presunções sujeitas à tributação ou ao pagamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, e à falta de emissão de documento fiscal. Na auditoria de caixa pode ser constatado: saldo contábil maior que o real, presunção de compras ou pagamentos não contabilizados; saldo contábil inferior ao real, presunção de vendas omitidas; numerários no caixa maior que o existente no boletim de caixa, presunção de vendas sem emissão de documentos fiscais respectivos. 3.1.1.3. Suprimentos de numerários não comprovados Esta prática consiste nos registros contábeis de entradas de numerários para a cobertura de pagamentos que normalmente não seriam suportados, em decorrência da omissão de vendas e com intuito de evitar o saldo credor. Para Almeida (2000, p.39) este tópico confirma o seguinte: Os suprimentos não-comprovados revelam, ainda que de forma subjacente, internação de recursos que estavam à margem da escrituração, provavelmente em conta de sócios ou administradores da empresa e suportados pelo caixa dois. O seu retorno deve-se à 70 necessidade de a empresa cumprir obrigações que não poderão ser omitidas da escrituração. Esta infração pode ser constatada ao verificar se no balanço patrimonial existem obrigações para com os sócios, terceiros, examinando as entradas de caixa e suas respectivas contrapartidas. As suas formas mais comuns são representadas por: • entrada fictícia de numerário, desprovido de documentação comprobatória da efetiva entrega à empresa; • suprimentos de numerários sobre a forma de empréstimos de sócios ou terceiros, sem qualquer documentação idônea, que comprove a operação; • integralização fictícia de capital em dinheiro. 3.1.2. Clientes e duplicatas a receber Contas que representam créditos oriundos de vendas ou prestações de serviços realizados a prazo, podem ocultar infrações que repercutam no caixa ou nas contas de receitas. Para identificar irregularidades nos registros destas contas deverão ser conciliadas as vendas a prazo com os respectivos títulos de créditos emitidos, circularizado com clientes, confirmando datas e valores pagos. No exame dos créditos, as irregularidades mais comuns são: • emissão de duplicata “fria” sem correspondente nota fiscal; • emissão de duplicata por valor superior à nota fiscal de origem; • duplicatas baixadas sem recebimento efetivo, apenas para suprir insuficiência de numerários. • baixa de créditos tendo como contrapartida “outras receitas”. 71 3.1.3. Estoque A existência de compras não contabilizadas, constatadas através dos registros fiscais e contábeis, conforme Acórdão n° CSRF/01-1.122, de 26 de junho de 1991, [...] autoriza a presunção de omissão de receita, em montante correspondente ao custo dessas mercadorias, ressalvada prova em contrário (tributação que se solidifica quando o contribuinte não apresenta prova que descaracteriza a presunção) (ALMEIDA, 2000, P.69). Segundo Timm (1991, p.18), A omissão no registro de compras possibilita a aquisição de mercadorias com receitas anteriormente sonegadas, mantidas à margem da escrituração, visando, também, a formação de estoques não contabilizados, para a revenda sem emissão de documento fiscal. Trata-se de ilícito com presunção legal prevista no Regulamento do ICMS da Bahia-RICMS e que pode ser constatado pela auditoria fiscal através do confronto das notas fiscais obtidas no Controle Fiscal Automatizado de Mercadorias em Trânsito-CFAMT com os registros nos livros fiscais e contábeis. Outra forma será através de circularização junto aos fornecedores ou por meio de levantamento quantitativo de estoque em aberto ou fechado. Para promover a omissão de registros das compras costuma ser feito: • aquisição de mercadorias sem nota fiscal, em conluio com o vendedor; • aquisição de mercadorias com nota fiscal, sem o registro tanto na contabilidade quanto no livro fiscal; • aquisição de mercadorias com nota fiscal, omitindo-se o seu registro apenas na escrita contábil. 72 3.1.4. Contas do ativo permanente Nos registros contábeis do ativo permanente podem ser identificadas infrações caracterizadas como permanente oculto. Uma das formas de se obter a constatação pode ser feita através da conferência dos bens relacionados pelo contribuinte com os registros contábeis. Um fato constatado desta situação foi a venda de veículos para terceiros, com a respectiva emissão de nota fiscal, porém sem proceder a transferência no órgão competente. São características desta infração: • a falta de registro contábil de bens do ativo permanente; • a venda simulada de bens para suprir caixa; • a aquisição de direitos sem o respectivo registro; • a falta de registro de pagamentos do diferido. 3.2. Contas do Passivo Embora a evasão fiscal ocorra com maior freqüência através da conta fornecedores, provavelmente por ser de mais movimentação, outras contas podem estar acobertando o passivo fictício. 3.2.1 Fornecedores Conta de passivo que representa as obrigações assumidas pela empresa, decorrentes de aquisições de mercadorias para revenda, matérias-primas, bens ou materiais para consumo ou serviços utilizados. 73 Conta de natureza credora é creditada nas compras e debitada pelos pagamentos ou devoluções. Sua contabilização deve ser feita na data da transmissão do direito da propriedade e normalmente corresponde à data do recebimento. Na verificação do exigível, procura-se identificar a existência de passivo fictício, isto é, obrigações já pagas, porém não baixadas, ou adiantamentos recebidos e não convertidos em receitas. Sá e Sá (1993, p.326) definem o passivo fictício como sendo: [...] Expressão usada pelo fisco para designar exigibilidades que na realidade não existem, em razão de terem sido pagas com recursos de sonegação. Ocorre, geralmente, quando, faltando saldo de Caixa na escrita contábil para liquidar dívidas (porque desta foram subtraídas as parcelas sonegadas por rendas omitidas), o empresário paga as obrigações vencidas para não prejudicar seu crédito, mas não registrar o fatono momento ocorrido. O passivo fictício indica que o sujeito passivo efetuou pagamentos com recursos não contabilizados decorrentes de operações anteriormente realizadas e também não contabilizadas. Esta situação não se caracteriza apenas com a conta Fornecedores. Para sua constatação devem ser verificadas também outras contas que registram obrigações a pagar, tais como: impostos e contribuições a recolher, contas a pagar e empréstimos obtidos, utilizando-se do recurso de conferência dos saldos existentes no final do exercício, no Balanço Patrimonial, com os documentos comprobatórios apresentados, cujas quitações devem ter ocorrido no exercício seguinte. Essas práticas geralmente visam ocultar a inexistência de numerários, suficiente para suportar os pagamentos, omitindo receitas ocorridas anteriormente e a tributação das receitas não reconhecidas. 74 No exame das contas do exigível podem ser constatados: • manutenção na escrituração contábil de obrigações já pagas; • fornecedores inexistentes; • exigível sem comprovação adequada; • obrigações comprovadas com documentos adulterados ou fraudulentos; • duplicatas com quitação em branco para preenchimento posterior; • adiantamentos de clientes em aberto, após conclusão da encomenda; • omissão do registro de parcelas recebidas em adiantamentos. 3.3. Contas do Patrimônio Líquido Neste grupo, apenas a conta que registra o Capital pode estar ocultando algum fato gerador de ICMS, conforme o que se apresenta a seguir. 3.3.1. Conta Capital Social Conta de natureza credora é creditada na constituição da empresa, no aporte de novos capitais e incorporações de lucros ou reservas, debitada por ocasião de sua redução. O Capital Social representa todo o investimento realizado na empresa pelos seus proprietários e mais ainda parte dos lucros e reservas não distribuídos (MARION, 1998). No exame desta conta cabe verificar a origem dos recursos no aumento ou integralização do capital social, que podem estar legitimando receitas de vendas omitidas, podendo ser constatado: 75 • aumento de capital com recursos sem origem comprovada; • integralização de capital em dinheiro, sem respaldo em alteração contratual, apenas para suprir caixa; • aumento de capital com lucros e reservas, sendo registrado como se fosse em dinheiro. 3.4. Contas de resultado Pode parecer que somente as contas de receitas apresentam indícios de sonegação fiscal do ICMS, porém algumas contas de despesas também podem apresentar essa circunstância, conforme será visto a seguir. 3.4.1. Contas de despesas Contas de naturezas devedoras são debitadas pelos pagamentos ou apropriações e creditadas no encerramento do exercício para a apuração de resultado. Teoricamente nenhuma irregularidade seria encontrada neste grupo que proporcionasse fato gerador do ICMS; contudo, pode acontecer: • despesas comprovadas por recibos, quando deveriam ser através de notas fiscais; • despesas de propaganda/brindes adquiridos em outros estados, sem pagamento do ICMS cabível; • despesas comprovadas com notas fiscais não registradas no livro de entradas; 76 • despesas com refeições fornecidas aos empregados sem recolhimento do ICMS diferido. Os procedimentos de auditoria adequados para a confirmação dessas irregularidades são: examinar os históricos dos registros na contabilidade; examinar os documentos que deram origem aos lançamentos contábeis; verificar a existência de contabilização de despesas com propagandas. 3.4.2. Contas de receitas Contas de natureza credoras são debitadas no encerramento do exercício para a apuração de resultado e creditadas pelos recebimentos ou apropriações. Nesta análise é possível encontrar a contabilização de vendas a maior que nos livros fiscais, apropriações contábeis indevidas, dentre outras irregularidades, tais como: • vendas contabilizadas sem emissão de notas fiscais; • vendas acessórias contabilizadas e documentadas através de recibos; • alienação de bens, contabilizada no resultado não operacional, comprovada por recibo; • vendas de mercadorias registradas como receitas de serviços; • vendas tributáveis contabilizadas em outras contas. Os procedimentos de auditoria adequados para a confirmação dessas irregularidades são: confrontar os valores contabilizados na conta de receita de vendas com aqueles constantes no livro Registro de Apuração do ICMS; examinar 77 contratos para a entrega futura ou produtos elaborados sob encomenda; verificar se houve recebimento ou desconto em banco de duplicatas referente a vendas canceladas. 3.4.3. Custo das mercadorias vendidas (CMV) Representa o custo incorrido com as mercadorias comercializadas com os clientes. É quanto o comerciante despendeu na aquisição das mercadorias, parcela fundamental na determinação do Resultado com Mercadorias. Para a determinação do custo das mercadorias estocadas e conseqüente identificação do custo das mercadorias vendidas, são fundamentais o inventário físico de mercadorias e o valor dos estoques na data do balanço. Considerando que a empresa adquire mercadorias em datas diferentes com preços diferentes, torna-se necessária a adoção de algum critério para determinar o custo das mercadorias. Uma das formas de determinação é através da seguinte equação. CMV = EI + C - EF Onde: C = Compras líquidas EI = Estoque inicial EF = Estoque final Conseqüentemente, para se determinar o CMV é necessário o conhecimento desses três elementos básicos e fundamentais. 78 Todos esses elementos são obtidos nas empresas através de livros contábeis ou fiscais. Na contabilidade já estará determinado e reduzindo a receita bruta na Demonstração de Resultado do Exercício, cabendo ao auditor fiscal validar os números registrados. Com o uso dos livros fiscais, estes dados serão obtidos nos livros Registro de Entradas, Registro de Saídas e Registro de Inventário. CMV negativo Tal fato se dá quando o valor do estoque final é superior ao estoque inicial adicionado das compras realizadas no exercício, evidenciando a entrada de mercadorias sem origem comprovada. A ocorrência do CMV negativo na conta “Mercadorias” indica que tal fato é decorrente de entradas não contabilizadas, o que autoriza a presunção legal de realização de operações de saídas não registradas. Evidencia-se assim que o sujeito passivo da obrigação tributária efetuou pagamento com recursos oriundo de receitas não contabilizadas. Esta infração prevista no RICMS/Ba, Lei nº. 4.825/89 (revogada), estabelecia no art. 2°, § 5° que a existência de CMV negativo caracterizava a presunção de omissão de saídas de mercadorias tributáveis e mandava aplicar o procedimento de Auditoria da Margem de Valor Agregado, para se chegar ao valor sonegado. As evidências de fraudes e sonegações abordadas neste tópico e que caracterizam fato gerador do ICMS estão amparadas no RICMS/Ba, Decreto nº, 6.284/97, no art.2°, § 3 °, que estabelece: Presume-se a ocorrência de operações ou de prestações tributáveis sem pagamento do imposto, a menos que o contribuinte comprove a improcedência da presunção, sempre que a escrituração indicar: 79 I. saldo credor de caixa; II. suprimento a caixa de origem não comprovada; III. manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou inexistentes; IV. entradas de mercadorias ou bens não registradas; V. pagamentos não registrados. Com as infrações constatadas e documentadas será possível lavrar o auto de infração. Quando aceito e pago pelo contribuinte, problema resolvido. Quando questionado na esfera administrativa, inicia-se o processo administrativo fiscal, a ser abordado no próximo capítulo. 80 4. AS EXIGÊNCIAS TRIBUTÁRIAS E O PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL (PAF) Omissões, fraudes, sonegação e erros, constituem elementos capazes de gerar reclamações de imposto. Reclamar imposto e aplicar penalidades, são tarefas que envolvem pessoas do setor público com competência para tal, administradas por entes governamentais específicos. Envolve legitimidade e procedimentos próprios na área do Direito Tributário. 4.1. Legitimidade O art. 142 do Código Tributário Nacional-CTN é bem claro em relação a quem é dado o direito de constituir crédito tributário: Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor aplicação de penalidade cabível. O texto legal, além de estabelecer competência, esclarece as condições necessárias e passos para que se efetue a reclamação do tributo. A infração deve ter hipótese de incidência e fato gerador definido na legislação em condições de permitir determinar o montante do imposto devido. No caso próprio do ICMS, imposto com característica de autolançamento, a verificação, pelo agente fiscal, de que o sujeito passivo deixou de recolher o imposto provoca o seu respectivo lançamento. 81 Lançamento tributário, com significado bem diferente do lançamento contábil, tem sido um tema relevante no mundo jurídico, objeto de muitas discussões e controvérsias. Mesmo não fazendo parte deste trabalho entrar no mérito da lide de renomados juristas, a seguir serão apresentados alguns dos conceitos emitidos por estudiosos do assunto na tentativa de deixar esclarecido o termo, já que este será utilizado algumas vezes no decorrer da presente dissertação. Para Machado (2003, p.282) “[...] lançamento é o procedimento administrativo pelo qual a autoridade constitui o crédito tributário”. Simplificando, Martinez (2001, P.120) afirma: “O lançamento nada mais é do que uma norma individual e concreta estruturada para a exigibilidade de determinado tributo”. Pode-se afirmar, então, da análise da norma legal e dos conceitos apresentados, que o lançamento é a parte de uma ação fiscal para se exigir o cumprimento de obrigações tributárias. O parágrafo único do art. 142 do CTN estabelece que a atividade administrativa de lançamento seja vinculada e obrigatória, passível de responsabilidade funcional quando exercida por autoridade incompetente. No estado da Bahia a função fiscalizadora do ICMS é exercida pelo auditor fiscal, nos termos dos artigos n°s 924 e 925 da Lei n° 6.284/97 que normatizou o Regulamento do ICMS da Bahia. Ações produzidas por pessoas não autorizadas têm provocado nulidade em processo administrativo, conforme se demonstra no seguinte acórdão: JURISPRUDÊNCIA – COMPETÊNCIA – “É de ser declarada nula a ação fiscal quando a peça básica é lavrada por autoridade incompetente, como é o inspetor de seguros” (Ac. 22.493, de 29.10.66, Rel. Cons. Moreira Didier). 82 Nas situações em que a falta de lançamento for constatada, por erro ou omissão, dolosa ou não, por parte do sujeito passivo, caberá à autoridade administrativa lançar o tributo e a respectiva multa, observando-se, sobretudo, a ocorrência do fato gerador. Conforme o comentado anteriormente, a ação fiscal se inicia com a expedição de uma ordem de serviço (OS) em nome do auditor, designando o contribuinte a ser fiscalizado e os roteiros a serem seguidos. O art. 26º do Decreto Estadual nº 7.629 de 09 de julho de 1994, estabelece: Considera-se iniciado o procedimento fiscal no momento de: I. apreensão ou arrecadação de mercadoria, bem, livro ou documento; II. lavratura do Termo de Início de Fiscalização; III. intimação, por escrito, ao contribuinte, seu preposto ou responsável, para esclarecimento ou exibir elementos solicitados pela fiscalização; IV. emissão de Auto de Infração ou de Notificação Fiscal. Efetivamente, o início dos procedimentos de auditoria fiscal acontece com o Termo de Início de Fiscalização, indicando dia e hora da lavratura e transcrito ou colado em livro fiscal próprio do contribuinte. Na visita inicial ao estabelecimento do contribuinte será lavrada a Intimação para Apresentação de Livros e Documentos necessários aos trabalhos de auditoria, podendo, também, ser solicitados esclarecimentos adicionais. A emissão deste termo dispensa a lavratura do Termo de Início de Fiscalização. Os livros e documentos arrecadados pelo auditor fiscal deverão estar confirmados através do Termo de Arrecadação. 83 Uma vez iniciada a ação fiscalizadora, perde o sujeito passivo a condição de espontaneidade. Qualquer iniciativa de regularizar possíveis pendências tributárias implicará na aplicação de sanções. Berti (1995, p. 41), em sua abordagem sobre os procedimentos de auditoria fiscal, resume bem esta ação: O agente do fisco, após análise das escritas fiscais e contábeis, pode concluir pela não exigência de créditos tributários, caso não tenha encontrado irregularidades quanto ao pagamento do tributo, nem quanto à infração. Caso conheça o fato que configura insuficiência de recolhimento de tributo ou infração à legislação tributária, formalizará a exigência através do auto de infração ou da notificação de lançamento. O Auditor Fiscal, nesse instante, exerce a excelência de sua função; deve ser diligente, competente, perspicaz, conhecedor profundo da legislação do ICMS e da contabilidade para que o resultado do seu trabalho não seja questionado ou considerado insubsistente. O trabalho investigativo concluído sem constatação de quaisquer infringências à legislação demanda pelo Termo de Encerramento, onde constará a sua denominação; a hora, dia, mês e ano da lavratura; o número da ordem de serviço pertinente; o período fiscalizado e homologado (se couber); a identificação do contribuinte; a reprodução fiel dos fatos verificados, com declaração expressa, se for o caso, que não houve irregularidades apuradas; declaração com efeito de recibo que foram devolvidos todos os livros e documentos arrecadados anteriormente e, finalmente, o nome e cadastro do funcionário fiscal. Todavia, do trabalho de auditoria realizado, se constatadas irregularidades caracterizadas como infrações tributárias, caberá a lavratura do Auto de Infração. 84 4.2. Infrações Tributárias A infração tributária corresponde ao descumprimento dos dispositivos legais relativos a um imposto. O RICMS/BA deixa claro, no art. n° 911, que constitui infração relativa ao ICMS a inobservância de qualquer disposição contida na legislação do tributo. Infringir as normas previstas no regulamento é o que caracteriza a violação de uma lei, passível de ser apenado. As infrações tributárias, adaptadas de Borba (2004, p. 430) recebem a seguinte classificação: Figura 2 – Objeto e Natureza de Infrações Tributárias SUBSTANCIAL OU MORATÓRIA ⇒ Descumprimento da obrigação principal. SUBSTANCIAL OU al AO o: QUANTO OBJETO FORMAL OU REGULAMENTAR ⇒ Descumprimento da obrigação acessória. CULPOSAS ⇒ O infrator, embora sem intenção, agiu ou se omitiu por negligência, imprudência ou imperícia. QUANTO À NATUREZA DOLOSAS ⇒ O infrator age deliberadamente contra a lei, com intenção de conseguir resultado ilícito. Caracteriza-se como uma infração tributária formal, culposa, a situação em que o sujeito passivo, contribuinte do ICMS, deixa de apresentar a Declaração e Apuração Mensal do ICMS (DMA) no prazo respectivo. A DMA é uma obrigação acessória e a omissão de entrega ocorre porque o contribuinte negligenciou, esqueceu ou, por imperícia, não sabe preparar. 85 No entanto, quando deliberadamente o contribuinte emite uma nota fiscal “calçada”, isto é, em que a primeiravia encaminhada ao cliente tem valor bem superior à via que é escriturada no livro Registro de Saídas e que fica à disposição do fisco, estará cometendo uma infração dolosa e substancial, pois está cometendo intencionalmente uma fraude com intuito de sonegar, reduzir tributos devidos. Coelho (1998, p. 171) classifica as infrações tributárias no campo da evasão, apresentando a seguinte estrutura: Figura 3 - Evasão ) Evasão Evasão Omissiva (intencional ou não) Evasão Omissiva (intencional ou não ) Evasão Comissiva (sempre intencional Evasão Imprópria (abstenção intencional de incidência; não entrar no fato gerador) Evasão (em sentido próprio) Sonegação Não pagamento por desconhecimento ou mau conhecimento do dever fiscal (não intencional) Ilícita (fraude, simulação, conluio) Evasão Comissiva: (sempre intencional) Lícita (economia fiscal ou elisão) 86 Na estrutura apresentada não se inclui, entre as infrações fiscais, a evasão comissiva lícita, que é a elisão fiscal utilizada pelos contribuintes para reduzir os encargos tributários, quer sejam pela lacuna da lei, quer sejam por razões extrafiscais, v.g, incentivos fiscais, de forma legal. Souza (1995), diferentemente de outros autores que definem a evasão fiscal como procedimentos ilícitos adotados para eliminar ou reduzir o tributo, entende a evasão fiscal como toda e qualquer omissão ou ação tendente a elidir, reduzir ou retardar o cumprimento da obrigação tributária. Abriga, então, os atos intencionais ou não relativos às obrigações acessórias. 4.2.1. Tipos de Infrações Fiscais no RICMS/Ba As infrações fiscais, com suas respectivas multas aplicáveis, definidas no RICMS/BA, formam um banco de dados com respectivas caracterizações e enquadramentos legais no Sistema de Emissão de Auto de Infração-SEAI. Dentre as inúmeras tipificações elencadas no regulamento, conforme quadro 4, são apresentadas aquelas que, de alguma forma, mantêm relação com a contabilidade, objeto deste estudo, com suas respectivas multas. Quadro 4 – Tipos de infrações fiscais relacionadas com a contabilidade INFRAÇÕES MULTA Suprimento de caixa de origem não comprovada 70% Saldo credor de caixa 70% Passivo fictício 70% Passivo inexistente 70% Entradas não contabilizadas 70% Pagamentos não contabilizados 70% Rasura, adulteração ou falsificação nos documentos e livros fiscais ou contábeis. 100% Fonte: RICMS/BA 87 4.3. Auto de Infração Instrumento legal para a constituição do crédito tributário, cuja emissão é de competência exclusiva do auditor fiscal. Será lavrado, sempre que mediante uma ação fiscal relativa ao estabelecimento de contribuinte onde for constatada infração à legislação tributária, não importando que seja obrigação principal ou obrigação acessória. Segundo Almeida (2000, p. 23) “[...] o Auto de Infração é um termo narrativo fiscal, lavrado por pessoa competente, de fé pública e que se presta a formalizar a requisição tributária”. O auto de infração, como documento legítimo de reclamação do crédito tributário referente ao ICMS, conterá, dentre outros elementos: I – a identificação, o endereço e a qualificação fiscal do autuado; II – o dia, a hora e o local da autuação; III – a descrição dos fatos considerados infrações tributárias de natureza principal ou acessória, de forma clara, precisa e sucinta; IV – o demonstrativo do débito tributário; V – a indicação dos dispositivos da legislação tributária relativamente a cada situação em que se fundamente a exigência fiscal; VI – a intimação para pagamento ou impugnação administrativa no prazo de 30 (trinta) dias, com indicação das situações em que o débito poderá ser pago com multa reduzida; e VII – a assinatura do autuante e do autuado ou seu preposto. Anexos ao auto de infração devem constar as cópias dos termos lavrados na ação fiscal, os demonstrativos do levantamento elaborados pelo auditor autuante, se houver, e as provas necessárias à demonstração dos fatos argüidos. 88 Todos esses detalhes em relação ao auto de infração devem ser observados pelo auditor na sua lavratura com muito rigor, porque ele se constituirá no processo fiscal para reclamação do crédito tributário e a sua inobservância poderá torná-lo nulo de direito. O auto de infração, de acordo com Berti (1996, p. 40), deve repercutir [...] “um trabalho limpo, com uma linguagem clara, as idéias organizadas, para sustentação posterior do auto de infração”. A jurisprudência administrativa tem julgado pela improcedência inúmeros lançamentos feitos de forma irregular, v.g., saldo credor de caixa em que não é considerado o saldo inicial; auditoria de caixa com somatório errado. Outras tantas situações têm sido motivo da nulidade de autos de infração dentre elas: • o auto de infração que não descreve os fatos que fundamentam a exigência fiscal; • o auto de infração que omite dados essenciais para determinação da exigência; • o auto de infração sem elementos de provas adequados ou legítimos. O acórdão a seguir transcrito demonstra bem o entendimento da necessidade dos cuidados que devem revestir a lavratura de um auto de infração, peça final de um trabalho de auditoria fiscal: ICMS – ARBITRAMENTO – OPERAÇÕES DE SAÍDAS COM BASE DE CÁLCULO INFERIOR A DE ENTRADAS – PREJUÍZO NA CONTA “MERCADORIAS”. Não estando comprovada a imprescindibilidade do arbitramento, esse não pode ser aplicado. Auto de Infração julgado NULO. 89 4.4. Processo Administrativo Fiscal (PAF) Tendo o contribuinte optado pela impugnação do auto de infração, isto é, apresentado defesa, estará se valendo do direito que lhe é assegurado no artigo 5º, inciso IV da Constituição Federal: “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com meios e recursos a ela inerentes”. O processo administrativo fiscal se inicia com a apresentação de defesa pelo contribuinte, contestando as infrações que julgarem impertinentes, junto à Inspetoria de sua jurisdição, observando o prazo de 30 dias a partir da ciência do auto de infração. O processo administrativo fiscal, no entender de Almeida (2000, p. 10): É um acervo sucessivo predeterminado de atos e termos administrativos expressos, [...], com acentuado grau de formalismo, organizado cronológica e circunstancialmente, objetivando que, com clareza e harmonia, tenhamos em mapeamento histórico das exigências formalizadas, bem como um repertório de provas (que devem ser preexistentes aos julgamentos) concludentes, com o propósito de haver sem atropelos, ou seja, escoimado de omissões, obscuridades e inexatidões – a conseqüência prestação do objeto jurisdicional – de acordo com a provisão normativa. Machado (2003, p. 423), observando o processo administrativo fiscal em determinado sentido, assim conceitua: “em sentido amplo, tal expressão designa o conjunto de atos administrativos tendente ao reconhecimento, pela autoridade competente, de uma situação jurídica pertinente à relação fisco-contribuinte”. Coerentes estão tanto Almeida quanto Machado, pois o auto de infração que já tem na sua composição vários termos e documentos, é acrescido de outros no momento da impugnação; são os arrazoados apresentados pelo sujeito passivo, argumentações e contestações às infrações impingidas. Finalmente acrescentam-se 90 as informações do autuante, a respeito das alegações do autuado, para daí então seguir o processo para o órgão julgador. O processo administrativo fiscal se instaura para a solução de litígios entre o fisco e o sujeito passivo tributário, quando da apresentação da defesa ou da petição escrita, impugnando qualquer medida ou exigência fiscalimposta. A repartição fazendária do domicílio do sujeito passivo, de posse do auto de infração, anexa às peças de defesa a informação fiscal, organiza o processo observando a numeração e rubrica das folhas, registra no sistema informatizado da SEFAZ e encaminha para o órgão julgador - o CONSEF. 4.4.1 Competência e estrutura do CONSEF O julgamento do PAF é de competência do CONSEF, que seguirá o seu regimento interno, no que diz respeito à distribuição, pauta de julgamento e divulgação. A estrutura orgânica do CONSEF é a seguinte: I – Seis Juntas de Julgamento Fiscal (JJF); II – Duas Câmaras de Julgamento Fiscal (CJF); III – Câmara Superior; IV – Secretarias e Coordenações. Cada Junta de Julgamento Fiscal é composta de três Auditores Fiscais que ficam impedidos de exercer a fiscalização enquanto forem julgadores. A Câmara de Julgamento é composta de seis membros efetivos e igual número de suplentes Auditores Fiscais e, da mesma forma, representantes dos contribuintes. 91 As Juntas e Câmaras de julgamento têm suas atribuições definidas pelo regimento interno, demonstradas no quadro 5: Quadro 5 - Competências e atribuições das Juntas do CONSEF Juntas de Julgamento Fiscal I – julgar em primeira instância os processos administrativos fiscais em que haja exigência de tributo e multa ou exclusivamente de multa; II – item revogado III – reduzir ou cancelar as multas por descumprimento de obrigações acessórias, desde que fique provado que as infrações foram praticadas sem dolo, má-fé, fraude ou simulação e não tenham implicado falta de recolhimento de tributo; IV – submeter à Câmara Superior do CONSEF proposta de representação ao Secretário da Fazenda, por iniciativa de qualquer de seus integrantes, sempre que se encontrar em votação matéria contida em lei ou ato normativo considerado ilegal, ou se já decidida em última instância pelo Poder Judiciário; V – homologar pedidos de desistência de defesa; VI – interpor recurso de ofício às Câmaras de Julgamento, nos casos previstos; VII – exercer as demais funções decorrentes de disposições legais. Fonte: Regimento interno do CONSEF Sendo objeto deste estudo os acórdãos exarados na primeira instância pelas Juntas de Julgamento Fiscal, cabe frisar que os julgadores, conselheiros, em número de três e designados por ato do Secretário da Fazenda, são auditores fiscais e estarão julgando atos praticados por outros auditores fiscais. A função de julgador é de relevante interesse público e seu exercício tem prioridade sobre as atividades inerentes ao seu cargo. Nessa função, o auditor poderá até exercer outra atividade, como a de instrutor, por exemplo; contudo fica impedido de desenvolver tarefas de fiscalização. 92 4.4.2. Distribuição e instrução do processo A distribuição do processo administrativo fiscal será efetuada para as Juntas de Julgamento Fiscal e o Relator mediante sorteio. Ao relator compete avaliar se o processo se encontra em condição de julgamento, livre de incorreções ou dúvidas. Para eliminar incorreções e dúvidas o relator poderá solicitar a realização de diligência ou perícia fiscal. Se decorrente da perícia ou diligência surgirem fatos, provas ou elementos novos, será requerida a manifestação do autuante e do sujeito passivo. 4.4.3. Diligências e perícias Ao interessado cabe o direito de solicitação de provas, perícia ou diligência fundamentando a sua necessidade, com vistas à apreciação pelo relator, que se posicionará junto aos seus pares, quanto ao deferimento ou não do pleito. O Regulamento do Processo Administrativo Fiscal (RPAF) apresenta as seguintes conceituações para a diligência e a perícia: - Diligência corresponde a uma exigência processual para que se investigue a respeito do mérito da questão. Consiste na pesquisa, sindicância, exame, vistoria, levantamento, informação, cálculo ou qualquer outra providência que vise à elucidação da matéria questionada e que não dependa de conhecimento técnico específico. Será solicitada ao auditor autuante ou auditor estranho ao feito. - Perícia é a realização de vistoria ou exame de caráter técnico e especializado a fim de se esclarecer ou evidenciar certos fatos, a ser efetuada por pessoa que tenha reconhecida habilidade ou experiência técnica na matéria 93 questionada. Vincula-se uma assessoria técnica junto ao órgão julgador, com auditores para atender a estas solicitações. Os resultados da diligência ou a perícia permitem ao julgador esclarecer fatos que certamente influenciarão na sua decisão. Será indeferido o pedido de diligência quando o julgador entender que os elementos contidos nos autos são suficientes para formar a sua convicção e ainda para verificar fatos em livro que simplesmente poderiam ser comprovados com anexação de cópias dos mesmos. A perícia fiscal será indeferida quando a prova do fato não depender de conhecimento especial técnico, houver outras provas suficientes ou ainda quando a verificação for impraticável. Todavia, havendo necessidade da realização de diligências ou perícia, estas serão realizadas pelo auditor autuante ou por auditor estranho ao feito. Se das diligências ou perícia resultarem fatos novos, com anexação de documentos ou demonstrativos, deverá ser dada ciência ao sujeito passivo e ao autuante. 4.4.4. O julgamento do processo fiscal em primeira instância Como membro da junta de julgamento fiscal, cabe ao auditor exercer o papel de julgador e conselheiro. Dentre outras atribuições, compete a cada julgador ou conselheiro: • comparecer às sessões ordinárias e extraordinárias; • na condição de relator, examinar, apresentar, relatar e proferir o seu voto nos processos que lhes sejam distribuídos; 94 • redigir, após a proclamação do resultado da votação, o acórdão correspondente; • fundamentar o voto vencedor, quando designado redator do acórdão, tendo sido vencido o relator; • propor diligências, perícias e demais medidas necessárias à instauração do processo. As Juntas de Julgamento Fiscal, como órgão julgador, formarão seus convencimentos baseados nos fatos, circunstâncias, alegações e argumentações dos autos e na apreciação das provas. A decisão resolverá as questões suscitadas no processo e concluirá pela procedência ou improcedência, total ou parcial, do lançamento do crédito tributário ou ainda quanto à nulidade. As decisões dos órgãos julgadores serão tomadas por acórdãos, conforme modelo no apêndice B, e neste deverá conter a ementa; o relatório; o voto e a resolução, já descritos em capítulo anterior. A resolução, que consiste no acórdão propriamente dito, contém: a) o teor da decisão; b) a identificação do sujeito passivo e do processo correspondente; c) o valor de débito, discriminado por parcelas, se for o caso, com especificação das multas aplicadas, e sua tipificação; d) a ordem de intimação do sujeito passivo; e) o recurso de ofício, quando for o caso. 95 4.4.5. Recurso das decisões da primeira instância Das decisões proferidas pelas Juntas de Julgamento Fiscal, com efeito suspensivo, caberão os seguintes recursos: 1) recurso de ofício à Câmara de Julgamento; 2) recurso voluntário do sujeito passivo contra a decisão da primeira instância. O CONSEF, com o rigor de julgamento de um tribunal, procura solucionar os conflitos entre o sujeito passivo da obrigação tributária e a Secretaria da Fazenda, órgão governamental encarregado de gerir a fiscalização do ICMS, de forma imparcial, impessoal e fundamentado, acima de tudo, nos dispositivos legais, provas acostadas e no convencimento dos julgadores. Além dos recursos na esfera administrativa, o sujeito passivo poderá questionar ainda na área judicial; por isso mesmo o auditor fiscal autuante deve ser criterioso, profissional e competente, porque um lançamento perfeito dificilmente seráderrubado. Na figura 4 está demonstrado o fluxo do processo administrativo fiscal, da sua origem, na Inspetoria da Fazenda através do auto, defesa do contribuinte e informação do autuante. 96 Figura 4 – Fluxograma do PAF AI JJF DEFESA PROCEDENTE EM PARTE DILIGÊNCIA PERÍCIA INFORMAÇÃO CONSEF PAF PROCEDENTE IMPROCEDENTE NULO ACÓRDÃO Fonte: Próprio Autor 4.4.6. As Provas, por presunção, indiciárias e contábeis. As provas são os componentes fundamentais no processo administrativo fiscal, sem as quais a reclamação não prospera. No processo deverão estar acostadas todas as provas da alegação, tanto por parte do autuante quanto por parte do autuado, sujeito passivo. Toda argumentação deve estar fundamentada em provas; a simples negativa do cometimento da infração não desonera o sujeito passivo de elidir a presunção da legitimidade da autuação fiscal. 97 Para Berti (1995, p.87) “a prova é o elemento ou conjunto de elementos que formam convicção de um fato ou de uma verdade”. Já sob a ótica de Bulgarelli (2000 apud LEHNEN, 2001, p.53) a prova “é o instrumento utilizado para a demonstração da veracidade entre o fato alegado e sua direta relação com o mundo da realidade material, de modo a criar, no espírito humano, convencimento de adequação”. As provas somente podem ser produzidas por meios legais, sob pena de a acusação se voltar contra o acusador. Esta previsão está contida na Carta Magna, em seu art. n° 5, inc. LV, que estabelece: “são inadmissíveis no processo as provas obtidas por meios ilícitos”. É ilegal produzir provas através de gravações de conversas sem a autorização para gravar; invadir a empresa e fazer apreensões sem a devida autorização judicial; fazer escutas telefônicas sem estar devidamente autorizadas pela justiça. Provas obtidas dessa forma podem caracterizar, para o autuante, o cometimento de crime com sujeição a um processo penal. Através das provas procura-se demonstrar um fato, evidenciar e dar autenticidade a algo. A convicção do julgador para emitir uma decisão precisa ser consubstanciada em elementos de provas legítimos. Da nada adianta acusar, se nada puder provar. Imagine-se que um auditor acuse determinado contribuinte pela infração a um dispositivo legal e nada acrescente aos autos como prova nesse sentido. O contribuinte entra com uma defesa e argúi que não cometeu o ilícito, apenas argumentando e também não provando o fato. O julgador com certeza promulgará pela improcedência do auto de infração por falta de provas. Ao agente fiscal acusador, salvo exceções legais, cabe o ônus da prova. Quem acusa deve provar. 98 O convencimento para a conclusão sobre o fato se dá por meio de provas diretas ou através do raciocínio lógico, que são as indiretas. A prova é direta quando, por exemplo, o contribuinte comparece ao aeroporto para receber determinada mercadoria e a encomenda, antes de ser entregue, é inspecionada pela fiscalização que constata divergência entre a especificação da Nota Fiscal e o conteúdo embalado - a nota refere-se a livros, sem incidência de ICMS, e a mercadoria contida na embalagem são peças para computador sujeitas à tributação. As provas indiretas surgem por meio de um raciocínio lógico desenvolvido para se chegar até elas. É o caso da constatação de diferenças nas quantidades de mercadorias obtidas através de levantamento quantitativo de estoque. As diferenças apuradas levam à presunção de que podem ter ocorrido dois fatos geradores de ICMS: a omissão de saídas ou a omissão de entradas, sem as respectivas documentações fiscais. Quando a prova é direta torna-se difícil ao contribuinte descaracterizar a infração, provando em contrário. Os elementos acostados ao processo são suficientes o bastante para confirmar a infração. Por outro lado, na ocorrência da prova indireta, o contribuinte poderá apresentar provas em contrário, elidindo a infração. No caso citado, por exemplo, o contribuinte poderia trazer aos autos notas fiscais que não tenham sido consideradas pelo autuante ou demonstrar erros nas quantidades levantadas. a) Prova por presunção e indiciária A presunção, segundo Araújo (2003), “nada mais é que o resultado de um processo lógico, mediante o qual do fato conhecido, cuja existência é certa, infere-se o fato desconhecido, cuja existência é provável”. No entender de Barbosa (2003), 99 A presunção é o resultado de um processo mental, um processo lógico resultante da associação que se forma entre determinado fato conhecido – o fato-base – cuja existência é certa, e um fato desconhecido, cuja existência é provável – o fato presumido – mas que tem relação direta com aquele. Ao se proceder à auditoria na contabilidade de uma empresa e se constatar a existência de saldo credor no caixa, ocorre um fato conhecido, um fato- base que induz à presunção de omissão de receitas, um fato desconhecido, um fato presumido. Esta é a filosofia que norteia a prova por presunção. Nessa linha de raciocínio os legisladores se fundamentaram para - fugindo do princípio da materialidade, em que a prova deve ser verificável - permitir se chegar à conclusão sobre infrações tributárias por via indireta, desde quando esteja previamente estabelecida na legislação de origem do tributo. Sobre o assunto Barbosa (2003) assinala que: O fundamento jurídico das presunções em matéria tributária se edifica sob dois pressupostos: a) a necessidade de recolhimento pelo Estado, dos tributos que lhe são devidos e que constituem a sua maior fonte de receitas e para fazer face às despesas que são inerentes à própria existência daquele; b) o uso sempre crescente, pelos contribuintes, de mecanismos de fraude, com o intuito de se imiscuírem de suas obrigações tributárias. A presunção inverte o ônus da prova. O auditor, sem ter certeza do fato, acusa o contribuinte de cometer infração. Ao contribuinte é transferido o ônus de provar que não cometeu a infração tributária. Para alguns tribunais a presunção não pode ser utilizada como meio de prova, pois a Fazenda possui outros meios para provar o fato. Neste sentido foi prolatado o acórdão a seguir, registrado por Berti (1995, p.91): A tributação com base em presunção somente é cabível quando expressamente prevista em lei. Diante de eventuais indícios de omissão de receita, a fiscalização deve aprofundar os trabalhos fiscais de modo a comprovar ou não a ocorrência de irregularidade. (TJ – RJ, Ac. Ap. 90.944 – Capital, de 22.04.75, Rel. Dês. Roque Batista). 100 O indício não é prova; é um sinal, um indicativo para uma prova e não se confunde com a presunção, porque aquele é o caminho para se chegar a esta - utiliza um mesmo processo, o raciocínio lógico. Capez (1998, apud MELLO 2003), conceitua o indício com sendo “toda circunstância conhecida e provada, a partir da qual, mediante raciocínio lógico, pelo método indutivo, obtém-se a conclusão sobre outro fato. A indução parte do particular e chega ao geral”. Por seu lado, Mello (2003) afirma que “[...], a prova indiciária, ainda que indireta, tem a mesma força probante que qualquer outra prova direta, como a testemunhal ou a documental”. O fato indiciário é que caracteriza uma prova indiciária, para, por dedução, chegar a uma conclusão sobre o fato principal. b) A prova contábil Nos processos administrativos fiscais em que se discutem problemas de ordem financeira e patrimonial, os elementos constitutivos das provas que embasam a acusação terão que necessariamente se valer da Contabilidade. É através dos registros contábeis que a transação ocorrida no universo empresarial estará espelhada com fidelidade. Conforme analisa Martinez (2002, p.109), “um dos objetivos fundamentais dos relatórios contábeis é servir como meio de prova jurídica em assunto relacionado coma informação financeira”. Garcia e Fernández (2001, p.129) afirmam que “A contabilidade em si mesma é o meio de prova enquanto transcreve os dados que se recolhem nos documentos contábeis”. 101 Quando no processo administrativo fiscal estiver em julgamento fatos originados ou relacionados à contabilidade, será através desta que se produzirá o meio de prova. A prova indiciária contábil permite se chegar à presunção de várias ocorrências irregulares de natureza tributária, tais como: saldo credor de caixa, omissão de entradas de mercadorias, passivo fictício, suprimentos de caixa sem comprovação, dentre outras. A contabilidade tanto se prestará para fazer prova direta, documental - a mais importante no ramo do direito tributário - como para provar por presunção, valendo-se de demonstrativos próprios e adequados. Corroborando com esta assertiva, Fabretti (2003, p.77) destaca entre as funções da contabilidade: ”a de controle, ou gerencial, [...]; e a probatória, ou seja, servir como elemento de prova tanto perante qualquer Juízo, Instância ou Tribunal e perante o Fisco”. A escrituração contábil ocorre no livro Diário e se fundamenta em documentos hábeis, assim considerados aqueles que contemplam os requisitos exigidos pelas legislações comercial e tributária e propiciem verificar a sua autenticidade, v.g., notas fiscais, recibos, contratos, extratos bancários. Esses documentos podem ser originados no ambiente interno da empresa como também no ambiente externo. Sobre os documentos e seu valor probatório, Martinez (2002, p.122) esclarece: O valor probante da documentação contábil está diretamente relacionado com a sua autenticidade. Deve-se indagar se o documento tem um autor, isto é, se provém de alguém. Documento autêntico é o que tem a eficácia de fornecer prova documental da identidade do seu autor. Num sentido estrito, dizem-se autênticos os documentos públicos. 102 Os livros contábeis, como elementos de provas, devem estar revestidos das formalidades intrínsecas e extrínsecas, dentre elas a autenticação nos órgãos competentes. Segundo Lehnen (2001, p.159), A força probante dos livros vem de sua natureza em registrar as operações que têm por base documentos que lhe dão suporte, ou, na ausência destes, da determinação do comerciante em registrar os fatos de seu negócio que, mesmo não documentados para si, são importantes e merecem registros para não passarem despercebidos. Por conseqüência, a contabilidade se torna elemento de prova frente à natureza prática que possui quando do efetivo registro de atos e fatos ocorridos dentro da organização. Convém ressalvar que os livros e fichas de escrituração mercantil somente provam a favor do comerciante que os escriturou, quando mantidos com a observância das formalidades legais a eles atinentes. A esse respeito Garcia e Fernández (2001, p.129) acrescentam: “com independência do valor probatório ou a eficácia que possa outorgar-se ao seu conteúdo, os livros de contabilidade, em sua consideração de documentos privados mercantis, estão submetidos ao trâmite da legalização”. 5 São esses livros e documentos que servirão como provas documentais nos lançamentos de créditos tributários. Também será através da escrituração que o auditor fiscal poderá, por indícios, identificando fatos ali registrados, chegar à presunção de fatos geradores de ICMS. O auditor fiscal goza de poderes atribuídos pelo Código Tributário Nacional, no art. 195, para acessar, examinar mercadorias, livros, documentos comerciais ou fiscais das empresas em geral. Ao mesmo tempo, em nenhuma circunstância, poderá o empresário se negar a apresentar os livros e documentos. 5 Con independencia del valor probatorio o la eficacia que pueda otorgarse a su contenido, los libros de contabilidad, en su considración de documentos privados mercantiles, están sometidos al trâmite de la legalización. 103 O exemplo a seguir, extraído de uma situação real, demonstra uma infração fundamentada na contabilidade e como foi feita a prova do crédito tributário reclamado. Ao se proceder a auditoria contábil da conta Caixa de uma empresa, referente à movimentação de um mês, os lançamentos no livro Razão apresentavam o seguinte fluxo de caixa: Descrição R$ SALDO INICIAL 503.910,00 Recebimentos de vendas à vista 299.122,00 Outros recebimentos 860,00 DISPONIBILIDADES 803.892,00 Pagamentos realizados (757.519,00) SALDO FINAL 46.373,00 Diante do saldo apresentado na conta Caixa, no livro Razão não se percebe quaisquer irregularidades. Mas a função do auditor é investigar, analisar lançamentos à vista da documentação que lhe dá suporte. Na análise dos documentos de suporte ao registro das receitas de vendas, verificou-se que, no corpo de algumas notas fiscais, constavam prazos para depósitos, com indicação da conta bancária, e percebeu-se que esses prazos ultrapassavam ao período mensal em auditoria. Tais fatos evidenciavam vendas efetuadas a prazo e consideradas como se fossem à vista, não ocorrendo a efetiva entrada de dinheiro. Segregadas as vendas realizadas a prazo, do total das vendas registradas, o valor das vendas à vista passou a ser de R$7.442,00. Elaborado novo fluxo de caixa com os valores reais das transações, excluindo-se os valores correspondentes às vendas efetuadas a prazo, evidenciou- se que a empresa efetuou pagamentos com recursos não registrados na contabilidade, provavelmente oriundos de vendas realizadas sem a emissão das 104 notas fiscais correspondentes, cabendo ao contribuinte o ônus de provar em contrário. O novo demonstrativo resultou assim: Descrição R$ SALDO INICIAL 503.910,00 Recebimentos de vendas à vista 7.442,00 Outros recebimentos 860,00 DISPONIBILIDADES 512.212,00 Pagamentos realizados (757.519,00) SALDO FINAL CREDOR (245.307,00) O saldo credor configurado representa fato gerador do ICMS, caracterizado como presunção de receitas omitidas, e o seu valor a base de cálculo. Para comprovar a infração, as provas anexadas ao auto de infração constituíram-se de: cópia das folhas do livro Razão referentes à conta Caixa; cópia das notas fiscais, por amostragem, que evidenciam vendas a prazo; relação de todas as notas fiscais de vendas a prazo; demonstrativos sintéticos do fluxo de caixa com as situações inicial e final. O fato comprova que houve uma “maquiagem” nos registros contábeis, em desacordo com as normas contábeis que estabelecem os grupos onde devem ser registrados os direitos a receber, valores que poderão ser recebidos, ou não, diferentemente das disponibilidades, dinheiro em caixa, onde foram registrados. Presume-se que existe um patrimônio circulando fora da entidade e as demonstrações financeiras não espelham com fidelidade as mutações patrimoniais. 105 Outros registros semelhantes a estes, extraídos da contabilidade, podem estar ocultando fatos geradores de incidência do ICMS. O procedimento administrativo fiscal é fundamental para que o Estado recupere tributos sonegados ou originados de erros, de forma mais rápida, com encerramento da contenda. Contudo, se o contribuinte estiver ainda inconformado, caberá recurso pela via judicial. Conhecer bem esses procedimentos administrativos é importante, porque a peça conclusiva é o acórdão, documento que serviu de base para este estudo. Os resultados obtidos a partir de sua análise serão apresentados e discutidos no próximo capítulo. 106 5. ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS NA PESQUISA Conforme foi mencionado na introdução deste trabalho, desenvolveu-se uma pesquisa documental para se analisar a validade das reclamações de créditos tributários do ICMS, com fundamentação nos registros ou levantamentos contábeis, tendo como fonte os acórdãosde julgamentos referentes aos processos administrativos fiscais da SEFAZ/Ba, julgados no período de janeiro a dezembro do ano de 2000, pelo CONSEF. O universo da pesquisa correspondeu a 2.873 acórdãos de julgamentos realizados na primeira instância pelas Juntas de Julgamentos Fiscais do CONSEF, durante o ano de 2000, referente a processos administrativos fiscais originados de infrações de diversas tipicidades, lavradas pelos auditores fiscais lotados nas 37 Inspetorias Fiscais do Estado da Bahia. Da análise documental, realizada através de leituras, reflexões e inferências, foram encontrados e selecionados 199 acórdãos referentes a autos de infrações julgados que, de alguma forma, se fundamentaram nos registros ou levantamentos de peças contábeis. Esses acórdãos contemplaram 220 infrações e foram segregados em oito grupos por tipos de infrações semelhantes, para fins de outras análises, correspondendo a: Caixa - auditoria física; Caixa - saldo credor; Caixa - suprimento não comprovado; Entradas não contabilizadas; Passivo fictício; Capital - integralização não comprovada; Venda contabilizada a maior; CMV negativo. 107 Ainda por meio da análise de conteúdos inferiu-se a respeito da comunicação presente nos acórdãos com base nas acusações, nos argumentos da defesa e votos prolatados, para fundamentar as conclusões e sugestões. 5.1. Levantamento de dados através dos acórdãos Os documentos que compuseram a base de dados desta pesquisa corresponderam, conforme o referido anteriormente, a 199 acórdãos de julgamentos decorrentes de processos administrativos fiscais, relacionados à contabilidade, que representam 6,92% do universo pesquisado, isto é, de 2.873 acórdãos, e somam créditos reclamados de diversas tipicidades, a custos históricos, no valor de R$ 7.808 mil. Os acórdãos estudados incorporam 220 infrações e os créditos reclamados somaram R$ 4.896 mil, isto é, 62,70% do total dos créditos, originárias de investigações nos registros contábeis ou que por indícios geraram demonstrativos contábeis, conforme distribuição apresentada por grupos na tabela 1 a seguir. Tabela 1 – Créditos de ICMS reclamados por grupos de infrações INFRAÇÃO Milhares de R$ CAIXA - Saldo credor 1.589 CAIXA - Suprimento não comprovado 1.561 CAIXA - Auditoria física 16 ENTRADA DE MERCADORIAS - falta de contabilização 461 PASSIVO Fictício - Fornecedores 1.145 CAPITAL - Integralização não comprovada 70 CMV Negativo - Entradas não contabilizadas 21 VENDAS contabilizadas a maior 32 TOTAL 4.896 108 Convém ressaltar que somente foram trabalhados os autos de infrações lavrados que se transformaram num processo fiscal, ficando de fora aqueles que, mesmo tendo se fundamentado na contabilidade, não foram contestados pelos contribuintes. Isto justifica porque esses autos ficam arquivados nas diversas Inspetorias Fazendárias espalhadas pelo Estado, sem disponibilização na intranet e de difícil acesso. Por outro lado, não invalida a pesquisa, porque a opção do contribuinte pelo pagamento do auto de infração, sem discutir o seu mérito, não implica na procedência do crédito reclamado. Pode ocorrer em função da conveniência como relevância do valor cobrado, honorários advocatícios e descontos obtidos sobre multas. 5.2. Aplicação da técnica de análise do conteúdo Considerando que o objetivo do trabalho é verificar a validade, para a SEFAZ, de autos lavrados com base na contabilidade, através dos acórdãos, sendo que estes constituem os documentos conclusivos do processo fiscal, tornou-se imprescindível investigar esses documentos. Por isso, foi aplicada a técnica denominada de análise de conteúdo que permitiu obter, através do grupamento dos dados, informações qualitativas e quantitativas. A aplicação da técnica permitiu fazer inferências sobre a comunicação ocorrida durante o processo administrativo fiscal, envolvendo três agentes: o autuante, que representa a figura do governo; o contribuinte, que representa o autuado, o qual se defende da imputação de ilícitos e o julgador que, com base nas argumentações apresentadas, forma a sua convicção pautada na legislação e 109 provas apensadas ao processo, emitindo o seu parecer sobre a lide. Tudo isto numa primeira instância que poderá ser revista em grau de recurso. Vale ressalvar que o grau de recurso ou instâncias superiores não constituíram objetos deste estudo. 5.3. Inferências sobre os dados obtidos Para efetuar a análise dos acórdãos foi elaborado um agrupamento por tipo de infrações ao ICMS, vinculadas à contabilidade, resultando em oito grupos, a saber: Caixa - auditoria física; Caixa - saldo credor; Caixa - suprimentos não comprovados; Entradas de mercadorias - falta de contabilização; Passivo fictício; Capital - integralização não comprovada; Vendas contabilizadas a maior; CMV negativo - Entradas não contabilizadas, conforme está demonstrado na tabela 2: Tabela 2 – Demonstrativo de infrações por incidências. Grupos TIPIFICAÇÃO Qtde. de Incidências 1 CAIXA – Auditoria física 28 2 CAIXA - Saldo credor 82 3 CAIXA - Suprimentos não comprovados 39 4 ENTRADAS DE MERCADORIAS - Falta de contabilização 32 5 PASSIVO FICTÍCIO 30 6 CAPITAL - Integralização não comprovada 1 7 VENDAS contabilizadas a maior 5 8 CMV NEGATIVO - Entradas não contabilizadas 3 TOTAL 220 Fonte: próprio autor Caixa – auditoria física Esta infração se caracteriza pela falta de emissão de nota fiscal, uma obrigação acessória. Para sua constatação é utilizado um instrumento contábil, o boletim de caixa. 110 Este boletim consiste na elaboração de um fluxo de caixa diário: a partir do saldo inicial adiciona-se os valores das notas fiscais emitidas, que correspondem a entradas de recursos, e subtrai-se os valores comprovadamente saídos a qualquer título, determinando dessa forma o saldo de caixa do dia, que deverá corresponder à existência física inventariada. Constatando-se valores maiores existentes no caixa que o saldo apresentado no fluxo elaborado, fica caracterizada a saída de recursos, sem a respectiva emissão do documento fiscal. O contribuinte é intimado a emitir uma nota fiscal pelo valor correspondente à diferença apurada e autuado com aplicação de multa formal. Ressalta-se que das 28 infrações analisadas, correspondendo a 12,73% do total avaliado, cinco delas foram julgadas improcedentes: uma porque ficou demonstrado que o auditor cometeu erro na soma do fluxo de caixa, e as demais porque os julgadores entenderam que a legislação configura a infração quando o estabelecimento for identificado “realizando” operações sem a emissão da documentação fiscal correspondente. Dessa forma, a auditoria de caixa não identifica (flagra) o contribuinte “realizando” operação sem a emissão de nota fiscal; apenas identificou uma diferença entre o caixa e as notas fiscais emitidas. Tal opinião não é corroborada na maioria dos julgamentos, pois 80% dos processos foram julgados procedentes. Caixa - saldo credor Esta infração, caracterizada em capítulo anterior, surge na contabilidade configurando pagamentos realizados sem que as receitas, que deram origem aos recursos, tenham sido contabilizadas. 111 Trata-se da infração de maior incidência, em que foram registrados 82 casos, representando 37,27% da totalidade avaliada, e os créditos de ICMS reclamados corresponderam a R$ 1.589 mil. Da análise dos diversos acórdãos em que esta infração esteve presente, destacam-se argumentos de defesas do contribuinte inconsistentes, com seus respectivos contrapontos: • informações obtidas do balconista da empresa que nada entende de atividades fiscais e contábeis, quando na realidade as informações foram fornecidas pelo contador; • alegação de que o ônus da prova deve caber ao autuante. Tal alegação não se aplica a este caso, porque está na legislaçãoque o ônus da prova é transferido para o autuado; • argüição de que para ser auditada na contabilidade o auditor fiscal teria que ser graduado em Ciências Contábeis. Muito embora o cargo de auditor, previsto na lei que regulamenta a profissão contábil, seja inerente ao contador, o cargo de Auditor Fiscal do Estado não é de exclusividade do bacharel em Ciências Contábeis; quem estabelece a competência para auditar e autuar é a lei estadual; • argumentação de que houve empréstimos efetuados por parentes e comprovação através de notas promissórias. Não tendo sido apresentada à contabilidade nem mesmo o livro caixa, os argumentos restaram sem comprovação. Já por parte dos autuantes foram consideradas acusações insubsistentes: • Considerar, como entrada de recursos, a operação de transferência de mercadoria do depósito para o setor de vendas. Bens não se identificam como dinheiro, podem ser transformados em tal, pela venda; 112 • Lançamentos de valores errados; títulos pagos considerados sem os descontos respectivos e devolução de mercadorias não consideradas. O auditor deve ser diligente e os papéis de trabalho devem ser revisados antes de concluir pela autuação; • Os valores de saídas não foram considerados na sua data efetiva, mas baseados exclusivamente nos registros contábeis, quando a empresa registrava em datas diferentes, antecipadas. A auditoria nos registros contábeis deve ser corroborada com os documentos respectivos; • Saldo credor apurado exclusivamente através do livro fiscal Registro de Apuração do ICMS. Este livro tem como função sintetizar os lançamentos dos livros Registro de Saídas e Registro de Entradas e fazer a apuração mensal do ICMS, não se prestando para substituir o livro Caixa, muito embora alguns julgadores, em determinados casos estudados, entenderam que sim; • Situações se apresentaram em que os auditores consideraram todas as compras como se fossem à vista, não observando as datas efetivas dos pagamentos. Na auditoria de caixa, relacionar as datas efetivas dos pagamentos com as dos recebimentos é fundamental; Na elaboração do demonstrativo de caixa não se pode deixar de considerar o saldo anterior de caixa, assim como o capital inicial da empresa em situação de início de atividades; casos estes constatados durante a análise. Esta infração contempla os únicos três casos de nulidade apurada dentre as 220 infrações estudadas. Diga-se a propósito que, com a nulidade, a infração pode ser revista pelo autuante em outro trabalho de auditoria. Os motivos que levaram os julgadores a essa decisão foram: 113 falta de elementos comprobatórios em relatório preciso, demonstrando item a item a origem dos valores exigidos, para tornar a base de cálculo mais segura; saldo credor de caixa determinado a partir da diferença a maior registrada nas compras em relação às saídas, apurada por meio dos livros fiscais; determinação de saldo credor com base em livros fiscais, quando o contribuinte possui contabilidade. Caixa - suprimentos não comprovados Esta infração leva à presunção legal de que ocorreram entradas de recursos na entidade sem a respectiva comprovação da sua origem e possivelmente decorrente de vendas não registradas. Não há impedimento legal para que uma empresa receba recursos financeiros de terceiros. É normal se obter empréstimos bancários para fins de capital de giro, como também promover aumento de capital e obter empréstimos de pessoas ligadas ao empreendimento. Todavia, essa normalidade deve estar revestida de elementos probatórios consistentes, tais como: contrato de mútuo, cópia de cheque recebido, extrato bancário e capacidade financeira do supridor. A legislação do ICMS e o próprio princípio contábil da objetividade obrigam a empresa a guardar toda a documentação necessária para dar respaldo aos lançamentos efetuados na escrita contábil, onde se insere a fiscal. A infração caracterizada como suprimento de caixa sem origem comprovada correspondeu a 17,73%, refletido em 39 casos, e reclamou créditos de ICMS no valor de R$ 1.561 mil. 114 De seu conteúdo, revela-se que: ⇒ ⇒ ⇒ ⇒ ⇒ a origem desta infração predomina dos empréstimos efetuados à entidade pelos proprietários, sem comprovação adequada, objetivando evitar o saldo credor de caixa, ou internalizando recursos oriundos de vendas efetuadas sem a emissão de notas fiscais e sem o registro contábil; em alguns casos, a comprovação da origem dos recursos, através de nota promissória, cópia autenticada das declarações de imposto de renda dos sócios e contrato de mútuo, foram considerados como legítimos, não prosperando o litígio entre o contribuinte e a Fazenda. Em outros casos, os mesmos documentos não respaldaram a defesa; argumentação infundada como a de que o fato gerador do ICMS é a circulação e não o suprimento de caixa. Não encontrou guarida na convicção do julgador em um caso; argüição do cerceamento de defesa pelo fato do conhecimento do auto de infração através de Aviso de Recebimento – AR. Não prosperou, porque esta forma de comunicação está legitimada no RPAF; infundada também a alegação de que a empresa está desobrigada de manter escrita contábil, segundo a legislação fiscal. Falta ao contribuinte o conhecimento de que existe uma lei maior que o obriga a manter a escrituração, conforme já discorrido em capítulos anteriores. Nos acórdãos analisados foram observadas, por inúmeras vezes, as confusões entre saldo credor de caixa e suprimento de caixa. O autuante identifica e elabora o demonstrativo do saldo credor de caixa e, em lugar de caracterizar como presunção de omissão de vendas, identifica como sendo suprimento de caixa não comprovado para daí presumir a omissão de receitas. 115 Ao estabelecer a presunção no regulamento, o legislador prevê as duas situações, o que demonstra se tratar de fatos distintos. O suprimento ocorre quando, nos registros a débito da conta caixa, apresenta-se algum valor que não tem origem comprovada. É óbvio que, muitas vezes, ao se expurgar esse valor do caixa o mesmo pode resultar em saldo credor. Entrada de mercadorias – falta de contabilização Infração que acontece quando, na conferência das notas fiscais com os registros fiscais e contábeis, aparecem omissões de lançamentos. Este fato leva à presunção de omissão de saídas que geraram recursos para o pagamento de compras não contabilizadas. Para a constatação da irregularidade, a auditoria fiscal se vale da técnica da confirmação externa, fazendo circularização com os fornecedores. Foram 32 casos ocorridos neste item que correspondeu a 14,55% da quantidade de infrações, sendo a terceira maior incidência; contudo não correspondu, nessa ordem, aos valores reclamados, pois estes somaram R$ 461 mil. Os conteúdos dos acórdãos com essa infração revelaram que apenas quatro casos foram julgados improcedentes; isto porque os autuados conseguiram provar os registros das notas fiscais identificadas como omissas. Tratando-se de infração cuja comprovação é robustecida em documentos, isto é, notas fiscais e livros, as insubsistências parciais dos autos de infrações aconteceram por descuido na conferência realizada pelo auditor fiscal. Os contribuintes em suas defesas apresentaram as notas que foram dadas como não registradas. 116 Um caso mereceu destaque, através de auditoria criteriosa nos livros Diário e Razão do contribuinte. Foi referente ao auditor fiscal diligente que constatou a ausência de lançamentos de diversas notas fiscais, dando origem ao lançamento do crédito tributário. O contribuinte, em sua defesa, fez o que o autuante denomina de “enxertia maquinada”. Anexou cópias dos livros onde apareceram os registros das notas fiscais em lacunas deixadas anteriormente nos mesmos, entre as escriturações dos movimentos de um mês para outro, isto é, documentosfraudados. O autuante, na informação fiscal, acostou cópias do livro Diário observando que as folhas verdadeiras foram todas autenticadas pela JUCEB, enquanto que as falsas, apresentadas pelo autuado, não tiveram essa formalidade. Anexou também cópias do livro Razão onde constavam os lançamentos originados do livro Diário. Tal fato chama a atenção para os cuidados que o auditor fiscal deve ter na execução de suas tarefas: se cercar de todas as provas possíveis e anexar ao PAF para comprovar o ilícito. Passivo fictício Esta Infração representa a existência no passivo de obrigações já pagas e não baixadas, presumindo-se que o sujeito passivo efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de receitas de vendas ou serviços, também não contabilizados. Foram constatados 30 casos, representando 13,64% de seu total, e os créditos reclamados corresponderam a R$ 1.145 mil. Observando-se que apesar do artifício poder se originar de qualquer obrigação, os autos somente foram lavrados com base na conta de fornecedores. 117 Em um dos casos estudados, em se tratando de contribuinte tanto do ICMS quanto do ISS, este argüiu em sua defesa que a receita omitida não poderia ser considerada apenas decorrente da parte tributada pelo Estado. Alegando o autuado que a receita omitida era proveniente de operações não tributáveis pelo ICMS, caberia a ela apresentar prova neste sentido, inclusive tendo em vista a natureza de relatividade da presunção do autuante. No estudo de um caso observou-se mais uma vez a negligência da prova ou o intuito protelatório. O contribuinte argüiu pela nulidade do auto, argumentando que o auditor fiscal deixou de considerar, no levantamento fiscal, diversos títulos registrados no livro Diário, sem anexar qualquer comprovação. De acordo com o RPAF, a defesa deve ser acompanhada de todas as provas e demonstrativos, inclusive documentos e levantamentos. Capital – Integralização não comprovada Este dolo tem reflexo direto na conta caixa que é a sua contrapartida. Ocorre quando a empresa registra a entrada de recursos decorrente de aumento de capital, sem que seja comprovada a condição financeira do sócio ou proprietário. Às vezes pode estar acobertando saldo credor de caixa. Apenas um caso teve relação com esse tipo de irregularidade. O fato correspondeu ao aumento de capital com registro a débito da conta Caixa e crédito da conta Capital. Seria um fato normal e corriqueiro, em qualquer ramo de atividade, se o documento apresentado não se referisse a um aumento decorrente da incorporação de Reserva de Capital e Lucros Suspensos, que não representam dinheiro. A infração foi julgada procedente. 118 Vendas contabilizadas a maior Esta infração surge quando na confrontação entre os valores das vendas, registrados na contabilidade, e os valores da vendas lançados no RAICMS resulta em divergência, sendo que o contábil está com o valor superior. No estudo dos acórdãos ocorreram cinco casos dessa infração, representando 2,27% do universo estudado. O auditor deve ficar atento na confrontação dos registros de vendas/contábil com o registro de vendas/fiscal, no que se refere aos descontos concedidos, porque enquanto no fiscal o registro é feito pelo valor líquido da venda, no contábil a conta de Vendas registra o valor bruto e, em outra conta, o valor do desconto. A inobservância desta circunstância torna o auto de infração inconsistente. Do mesmo modo, apenas o histórico não deve servir de fundamento para lançar crédito tributário. Num dos casos estudados foi reclamado o ICMS decorrente de vendas a prazo, em razão de histórico errado, no qual havia referência de que se tratava de vendas à vista e contemplava também vendas a prazo, fato este não considerado pelo auditor autuante. CMV negativo - entradas não contabilizadas Esta infração já não faz mais parte do RICMs em vigor; existiu até 1996. A ocorrência de CMV negativo na conta Mercadorias indica que tal fato é decorrente de entradas não contabilizadas, o que autoriza a presunção legal da realização de operações de saídas não registradas. Ocorreram três casos, correspondendo a 1,36% das infrações. 119 Num dos casos analisados, o sujeito passivo argumentava que várias mercadorias estavam com preços defasados e com a infração galopante fora necessário reajustá-las e, ainda mais, sem prejuízo para o erário público, pois se o custo é maior, o lucro será maior. Tal firmação é totalmente equivocada, porquanto o custo maior representa lucro menor e o lucro somente interessa à Receita Federal. Quanto à correção de estoque, não existe; pelo princípio da prudência caberia sim reduzir ao preço de mercado, se por acaso as mercadorias estivessem com valor superior e jamais o inverso. As infrações analisadas estão demonstradas no gráfico 1, onde se percebe que a maior incidência correspondeu ao saldo credor de caixa. Gráfico 1 – Relação percentual da incidência de infrações por grupos 13% 36% 18% 15% 14% 0% 1%3% CAIXA - Auditoria fisica - levantamento CAIXA - Saldo credor CAIXA - Suprimento não comprovado ENTRADA DE MERCADORIAS - Falta de contabilização PASSIVO FICTÍCIO - Fornecedores CAPITAL - Integralização não comprovada VENDAS contabilizadas a maior CMV NEGATIVO - Entradas não contabilizadas 120 Das 220 infrações julgadas e analisadas, o Caixa – saldo credor foi a que apresentou maior incidência - 36,8%; seguida de Caixa – suprimento não comprovado com 17,7% e Entradas de mercadorias não contabilizadas 14,5%. Em se tratando de Caixa – auditoria física representou 12,7%, sendo que Passivo fictício foi de 13,6%. As demais infrações têm participações menores. 5.4. Resultado dos julgamentos Para estudar a validade dos créditos tributários reclamados foi necessário identificar as infrações semelhantes e agrupar, quantificar o número de ocorrências, avaliar os resultados dos julgamentos e mensurar. O agrupamento das 220 infrações, baseadas na contabilidade, correspondeu a oito grupos com tipicidades e incidências demonstradas no gráfico 2 Gráfico 2 – Quantidade de ocorrências por tipo de infração 0 20 40 60 80 100 Caixa - auditoria fisica Caixa - Saldo credor Caixa - Suprimento não comprovado Entradas de mercadorias não contabilizadas Passivo Fictício Capital - Integralização não comprovada Vendas contabilizadas a maior CMV negativo 121 A conta Caixa foi a principal geradora de créditos tributários reclamados. Somou 149 ocorrências entre todas as tipicidades - Saldo credor (82), Auditoria de caixa (28) e Suprimentos não comprovados (39). O valor de ICMS reclamado por este item somou R$ 3.166 mil. As Entradas de mercadorias não contabilizadas somaram 32 incidências e representaram R$ 461 mil, ao passo que o Passivo fictício com 30 infrações, reclamou R$ 1.145 mil. Os demais grupos, em menor quantidade, totalizaram nove situações irregulares, correspondendo a R$ 124 mil. Tabela 3 – Demonstração dos resultados dos julgamentos por grupo de infrações. Qtde. Infrações TIPIFICAÇÃO Proc. Proc.P Improc Nulo 28 CAIXA - auditoria física - levantamento 23 0 5 0 82 CAIXA - Saldo credor 43 23 13 3 39 CAIXA - Suprimento não comprovado 21 12 6 0 32 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 17 11 4 0 30 PASSIVO FICTÍCIO - Fornecedores 17 11 2 0 1 CAPITAL - Integralização não comprovada 1 0 0 0 5 VENDAS contabilizadas a maior 1 4 0 0 3 CMV NEGATIVO - entradas não contabilizadas 2 1 0 0 220 TOTAL 125 62 30 3 56,8% 28,2% 13,6% 1,4% Proc. = procedente; Proc.P. = procedente em parte; Improc. = improcedente. Os dados apresentados na tabela 2 identificam que, das 220 infrações julgadas pelo CONSEF, 125 foram consideradas totalmente procedentes e 62 ocorrências tiveram ajustes; por este motivo foram julgadas procedentes em parte.As duas ocorrências somam 187 situações que foram julgadas favoráveis à Fazenda Estadual e apenas 30 foram consideradas improcedentes. Da análise dos resultados de julgamentos extrai-se que no caso de 56,82% dos autos de infrações cobrando créditos tributários do ICMS, com fundamento na contabilidade, suas reclamações foram julgadas totalmente 122 procedentes e que 28,18% foram julgadas procedentes em parte, não deixando de repercutir parcialmente favorável ao fisco. Apenas 13,64% foram julgadas improcedentes e 1,36% considerada nula. Esta amostragem está demonstrada no gráfico 3 a seguir: Gráfico 3 – Resultado geral dos julgamentos 56,82%28,18% 13,64% 1,36% Proc Proc.P. Impr Nulo O total avaliado, considerando as infrações julgadas completamente procedentes e os créditos reclamados julgados parcialmente procedentes, resultou em um percentual de 85% favorável ao Estado. Estes resultados apresentaram-se de forma diferente quando observados pelos valores históricos dos créditos de ICMS reclamados, conforme pode ser verificado na tabela 4 a seguir. 123 Tabela 4 – Demonstrativo dos resultados de julgamentos em função dos créditos reclamados ACÓRDÃOS QUE CONTÊM INFRAÇÕES CONTÁBEIS R$ 000 % R$ 000 % Total de Infrações dos Acórdãos 7.808 100,00% Total de Infrações contábeis reclamadas 4.896 62,70% 4.896 100,00% Total de Infrações contábeis procedentes 3.593 46,01% 3.593 73,39% Total de infrações contábeis improcedentes e nulas 1.303 16,69% 1.303 26,61% Do total de créditos reclamados, no montante de R$ 7.808 mil, o valor de R$ 4.896 mil correspondeu a créditos de ICMS reclamados com fundamentação na contabilidade e, destes, os julgamentos pela procedência e procedência em parte resultaram em R$ 3.593 mil a favor da SEFAZ, correspondendo a 73,39%. Por outro lado, a nulidade e improcedência resultaram em R$ 1.303 mil, ou seja, 26,61%. Gráfico 4 – Resultados por grupo de infração 0% 20% 40% 60% 80% 100% CAIXA - Auditoria fisica - levantamento CAIXA - Saldo credor CAIXA - Suprimento não comprovado ENTRADA DE M ERCADORIAS - Falta de contabilização PASSIVO FICTÍCIO - Fornecedores CAPITAL - Integralização não comprovada VENDAS contabilizadas a maior CM V NEGATIVO - Entradas não contabilizadas Proc. Proc.P Improc Nulo 124 Os resultados apurados por grupo de infração, conforme gráfico 4, apontaram para os seguintes fatos: Caixa – auditoria física - apresentou 80% dos julgamentos procedentes, o que foi um bom indicativo de sua validade; Vendas contabilizadas a maior - não apresentaram julgamentos improcedentes; contudo, a maioria das infrações abalizadas teve que sofrer correções, sendo que aproximadamente 70% foram julgadas procedentes em parte; Capital de integralização não comprovada - muito embora apresente uma eficácia de 100% no julgamento, somente existiu a ocorrência de um caso. Tabela 5– Demonstrativo da relação entre os resultados por tipo de infração e total geral de cada julgamento Proc. = procedente; Proc.P. = procedente em parte; Improc. = improcedente. Infrações TIPIFICAÇÃO Proc. % Proc.P. % Improc. % Nulo % 28 CAIXA - Auditoria física 23 18,4 5 16,7 0 82 CAIXA - Saldo credor 43 34,4 23 37,1 13 43,3 3 100,0 39 CAIXA - Suprimento não comprovado 21 16,8 12 19,4 6 20,0 32 ENTRADA DE MERCADORIAS - Falta de contabilização 17 13,6 11 17,7 4 13,3 30 PASSIVO FICTÍCIO – Fornecedores 17 13,6 11 17,7 2 6,7 1 CAPITAL – Integralização não comprovada 1 0,8 5 VENDAS contabilizadas a maior 1 0,8 4 6,5 3 CMV NEGATIVO - Entradas não contabilizadas 2 1,6 1 1,6 220 Total 125 100,0% 62 100,0% 30 100,0% 3 100,0% Das 125 ocorrências de infrações julgadas procedentes, a tipificada como Saldo Credor de Caixa teve a maior participação, com 34,4%, seguido de Auditoria de Caixa com 18,4%. 125 As infrações julgadas procedentes em parte totalizaram 62 casos; destes, o saldo credor de Caixa participou com 37,1%, vindo a seguir Caixa – suprimento não comprovado com 19,4%; Entradas não contabilizadas e Passivo fictício responderam cada qual com 17,7%. Destacou-se nesta análise, especificamente, a irregularidade na reclamação de créditos referentes às Vendas contabilizadas a maior em que, de cinco casos registrados, quatro foram julgados parcialmente procedentes, representando 6,5% dentro deste grupo. A procedência em parte induziu à reflexão sobre dois aspectos: a qualidade do auto de infração e o atendimento do contribuinte às intimações. O contribuinte, tendo a oportunidade de apresentar documentos no decorrer do processo de auditoria, às vezes, somente o fez no instante da defesa. Foram julgados 30 casos improcedentes, destacando-se 13 casos, 43,3%, referentes à Caixa – saldo credor e os demais distribuídos entre Caixa – suprimento não comprovado, seis casos, representando o percentual de 20,0%; Caixa – auditoria, cinco casos, no montante de 16,7% e Entradas de mercadorias falta de contabilização, quatro casos. Concernente aos Nulos, houve apenas três ocorrências, todas elas referentes à Caixa – saldo credor, já analisados anteriormente. A tabela 6 abaixo mostra os créditos reclamados por tipo de infração e seus respectivos julgamentos em milhares de reais. 126 Tabela 6 – Créditos reclamados por tipos de infrações em milhares de R$ INFRAÇÃO PROC. PROC.PARTE IMPROC. NULO TOTAL CAIXA - Saldo credor 914 266 379 30 1.589 CAIXA - Suprimento não comprovado 616 118 827 - 1.561 CAIXA - Auditoria física 13 - 3 - 16 ENTRADA DE MERCADORIAS - falta de contabilização 279 127 56 - 462 PASSIVO Fictício - Fornecedores 417 720 8 - 1.145 CAPITAL - Integralização não comprovada 70 - - - 70 CMV Negativo - Entradas não contabilizadas 12 9 - - 21 VENDAS contabilizadas a maior - 32 - - 32 TOTAL 2.321 1.272 1.273 30 4.896 Os créditos de ICMS reclamados totalizaram R$ 4.896 mil; destes, R$ 3.593 mil foram julgados procedentes, ou seja, representaram impostos omitidos, constatados e reclamados através da verificação na contabilidade dos contribuintes. As infrações na conta Caixa omitiram recursos na ordem de R$ 1.927 mil e o Passivo Fictício R$ 1.137 mil, representando as tipicidades de maior reclamação dos créditos tributários. 5.5 Comentários gerais da pesquisa O objeto de estudo da presente pesquisa foi a validade dos créditos de ICMS reclamados, com fundamento na contabilidade, e julgados na primeira instância. Por meio dos acórdãos lavrados no CONSEF foram identificados os julgamentos que envolveram a contabilidade e realizada uma análise documental profunda com levantamento estatístico dos resultados dos julgamentos. A análise de conteúdo aplicada no estudo dos acórdãos permitiu várias inferências nas discussões entre o sujeito passivo e o fisco. Observou-se que, dentre elas, muitas vezes os contribuintes utilizaram argumentos em defesa, apenas 127 procrastinatória, tentando simplesmente prorrogar o pagamento do tributo devido. Contestaram autos sem anexar quaisquer provas e questionaram a obrigatoriedade de manter escrituração contábil. Por sua vez, os auditores elaboraram fluxo de caixa sem atentar para saldo anterior; confundiram bens com dinheiro na movimentação de caixa e cometeram erros de soma. Por um lado, o contribuinte apresentou argumentos inconsistentes, incapazes de elidir a infração e, por outro, o auditor fiscal elaborou o auto de infração, importante na cobrança de ilegalidades,com inconsistência fiscal. Uma inferência importante, diante de tais irregularidades, foi referente aos contadores, responsáveis pelas mesmas, que não estavam seguindo as normas e princípios contábeis que regem a profissão. Convém ressaltar que, do universo analisado, apenas três créditos tributários reclamados, 1,36%, foram considerados nulos, o que sinalizou para o trabalho de qualidade realizado pelos auditores fiscais. Com 149 ocorrências relacionadas ao Caixa, somando R$ 3.166 mil, ficou evidenciado ser este o artifício mais utilizado para ocultar fatos geradores do ICMS e que a Contabilidade, como ciência do controle patrimonial, é uma ferramenta poderosa e válida na identificação de patrimônios maquiados, através do uso inadequado dos princípios e normas contábeis. 128 6. CONCLUSÃO Este trabalho de pesquisa se direcionou ao estudo da validade dos procedimentos fiscais para a reclamação de créditos tributários do ICMS, através de autos de infrações, lavrados com base na contabilidade, e julgados na esfera administrativa. Ao longo de seu desenvolvimento, considerando os acórdãos que foram analisados, ficou evidenciado que a Contabilidade, muito embora forneça informações importantes e de interesse ao Governo, não corresponde ao meio mais usual de reclamação de créditos tributários do ICMS. De 2.873 acórdãos de julgamentos realizados na esfera administrativa da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, durante o ano de 2000, apenas 6,92%, ou seja, 199 processos versaram sobre infrações fundadas nos registros contábeis. Os acórdãos são emanados das Juntas de Julgamentos Fiscais, como resultado final de um processo administrativo fiscal que se inicia com a contestação do auto de infração pelo contribuinte e a informação pelo auditor autuante. Após trâmites regimentais, é julgado por um colegiado de três auditores fiscais. A sentença confirmará a autuação julgando procedente, isto é, favorável ao Estado, poderá promover alterações e julgará procedente em parte, ou ainda julgará em favor do contribuinte através da improcedência da autuação. Os acórdãos corresponderam a 220 infrações reclamando créditos tributários, a custos históricos, no valor de R$ 4.896 mil, das quais 56,8% julgadas procedentes representaram créditos no valor de R$ 2.321 mil e 28,2% julgadas procedentes em parte, reclamaram créditos tributários do ICMS no valor de R$ 1.272 129 mil; a procedência favorável à Fazenda Estadual totalizou R$ 3.593 mil, ou seja, 73,39% dos créditos totais fundamentados na contabilidade. Muito embora não seja o meio mais usual de reclamação dos créditos tributários do ICMS, cabe uma reflexão a respeito do assunto em pauta, pois a Contabilidade mostrou ser um instrumento auxiliar importantíssimo e de grande validade na identificação de fraudes e sonegação, prestando sobremaneira um relevante serviço à sociedade, pois, quando utilizada, apresentou um índice de recuperação de créditos bem eficaz, trazendo para os cofres públicos valores tão necessários à consecução dos objetivos governamentais, como saúde, educação e a segurança. Certamente que o montante de ICMS cobrado através da utilização da contabilidade passaria despercebido e exercícios seriam homologados se não fossem realizadas auditorias em seus registros. Os 199 acórdãos analisados incorporaram 220 infrações; destas, 125 foram julgadas totalmente procedentes, ou seja, favorável ao fisco, o que corresponde a 56,82% das infrações registradas nos Autos de Infrações. Se adicionadas às 62 infrações julgadas parcialmente procedentes, representando 28,18% das infrações, totalizam aproximadamente 85% dos julgamentos na esfera administrativa, favorável ao Estado. Restou demonstrado que existem inúmeros artifícios utilizados pelos contribuintes do ICMS, através de “maquiagem” na contabilidade, em desacordo com as normas contábeis emanadas do Conselho Federal de Contabilidade, visando reduzir a carga tributária por meios ilícitos. As infrações ao regulamento do ICMS, identificadas através da contabilidade, predominaram na conta Caixa, somando 149 ocorrências, seguidas de Entradas não contabilizadas com 32 incidências e 130 Fornecedores, com 30 casos. Contudo, também outras contas tiveram fatos ocultos geradores de ICMS, tais como Vendas, CMV e Capital. Para identificar a sonegação ou a fraude, através da contabilidade, com influência no ICMS, é necessário que o auditor fiscal tenha efetivo embasamento contábil, intuição, perspicácia e se mantenha em constante aprimoramento profissional, principalmente porque, como foi visto no decorrer das análises, as artimanhas utilizadas pelo sonegador são as mais variáveis possíveis. Dentre elas destacam-se: vendas à vista registradas como se fossem a prazo; vendas contabilizadas por valores superiores às registradas nos livros fiscais; provas apresentadas em defesa de auto de infração forjadas. Nos levantamentos foram identificadas 82 incidências de Saldo Credor de Caixa; 39 ocorrências referentes aos Suprimentos de Caixa não comprovados; 30 ocorrências de Passivo Fictício e 69 situações de Entradas de Mercadorias sem contabilização, Vendas contabilizadas a maior, CMV Negativo e Auditoria Física de Caixa. Este trabalho abre espaço para outras pesquisas complementares a fim de responderem aos seguintes questionamentos: estão os auditores fiscais do ICMS devidamente preparados para auditar através da contabilidade das empresas? Qual a relação entre os autos de infrações lavrados com base na contabilidade e a graduação dos auditores fiscais? Qual o motivo que leva o auditor fiscal a não fazer uso, com mais freqüência, da contabilidade nos trabalhos de auditoria? Estas indagações ficam aqui registradas, de forma a abrir um leque de opções para outros estudos, bem como se constituírem em perspectivas que sinalizem para o estabelecimento de interfaces disciplinares. 131 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Neicyr de. IRPJ Omissão de Receitas: uma visão crítica – estudos de casos. São Paulo: Dialética, 2000. ARAÚJO, Rodrigo Antônio Alves. A presunção como prova nas operações sujeitas a ICMS. 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São Paulo: Atlas, 1978. 136 GLOSSÁRIO • Acórdão – Decisão tomada em instância de julgamento pelo colegiado. • Auto de infração – É o instrumento utilizado para exigência do cumprimento de obrigação tributária expressa em valor monetário. • Crédito tributário - é o decorrente da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. • Evasão - ato praticado pelo sujeito passivo da obrigação tributária visando eliminar ou reduzir tributo. • Fraude - ato ilícito praticado com o intuito deliberado de reduzir ou omitir o pagamento de encargos tributários. • Homologação do imposto - é a ratificação feita pelo fisco, referente ao tributo calculado, declarado e recolhido pelo contribuinte. • Improcedente – é o resultado do julgamento no processo administrativo fiscal favorável ao contribuinte, isto é, desfavorável ao fisco. • Infrações tributárias – corresponde ao descumprimento dos dispositivos legais relativos a um imposto. • Lançamento tributário - procedimento administrativo pelo qual o agente fiscal constitui o crédito tributário. • Procedente - é o resultado do julgamento no processo administrativo fiscal favorável ao fisco. • Procedente em parte - é o resultado do julgamento no processo administrativo fiscal parcialmente favorável ao fisco e parcialmente favorável ao contribuinte. • Provas – elementos necessários à comprovação de uma acusação fiscal ou defesa do contribuinte, acostadas ao processo administrativo fiscal. • Sonegação – ato deliberado de omitir registros, com intuito de fraude. 137 ANEXO 1 MODELO DE ACÓRDÃO DE JULGAMENTO AI No - AUTUADO - AUTUANTE - INFAZ - DOE - Xa JUNTA DE JULGAMENTO FISCAL ACÓRDÃO JJF No ............/00 EMENTA: ICMS. 1. CONTA “CAIXA”. SALDO CREDOR. PRESUNÇÃO LEGAL DE REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS TRIBUTÁVEIS NÃO CONTABILIZADAS. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO. Saldo credor da conta Caixa (“estouro de caixa”) indica que o sujeito passivo efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de operações tributáveis anteriormente realizadas e também não contabilizadas. Não ficou comprovada a origem dos recursos. Entretanto, a cobrança de imposto sobre o mesmo período, sob a fundamentação de existência de passivo fictício, na infração 2, por ser de maior valor monetário, exclui o débito da presente infração. 2. PASSIVO FICTÍCIO. CONTA “FORNECEDORES”. PRESUNÇÃO LEGAL DA REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES MERCANTIS TRIBUTÁVEIS NÃO CONTABILIZADAS. EXIGÊNCIA DO IMPOSTO. A existência de obrigações já pagas no passivo indica que o autuado efetuou pagamentos com recursos não contabilizados, decorrentes de operações tributáveis anteriormente realizadas e também não contabilizadas. Não ficou comprovada a origem dos recursos. Corrigidos erros cometidos na apuração do débito. Débito diminuído. 3. LIVROS FISCAIS. REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. ERRO DE SOMA NOS VALORES CONSTANTES DA COLUNA “IMPOSTO CREDITADO” DO RAICMS. Infração caracterizada. 4. DOCUMENTOS FISCAIS. FALTA DE EXIBIÇÃO AO FISCO. MULTA DE 10 UPFs/BA. Multa aplicável ao caso é a de 2 UPFs-BA. 5. DOCUMENTOS DE INFORMAÕES ECONÔMICO-FISCAIS. GIA. FALTA DE INFORMAÇÕES. MULTA. Infração caracterizada. Preliminares de nulidade não acatadas. Auto de Infração PROCEDENTE EM PARTE. Decisão unânime. 138 RELATÓRIO O presente Auto de Infração, lavrado em 30/06/98, acusa o contribuinte do cometimento de 5 (cinco) infrações, assim discriminadas : 1 - Omissão de saídas de mercadorias tributáveis, caracterizada pela existência de saldos credores de caixa (“estouro de caixa”), conforme a seguir. Exercício Base de Cálculo Alíq. (%) ICMS a Pagar 1994 183.108,29 17 31.128,42 1995 249.618,79 17 42.435,20 1996 77.383,08 17 13.155,11 2 - Omissão de saídas de mercadorias tributáveis, caracterizada pela existência de passivo fictício, conforme abaixo. Exercício Base de Cálculo valor histórico Alíq. (%) ICMS a Pagar valor histórico / R$ 1993 1.813.829,02 17 308.350,90 112,13 1994 255.904,78 17 43.503,81 43.503,81 1995 570.529,41 17 96.990,00 96.990,00 1996 755.395,36 17 128.417,21 128.417,21 3 - Utilização indevida de crédito fiscal, ocasionado por erro de soma nos valores constantes da coluna “Imposto Creditado”, no livro RAICMS, em Nov/93 (fl 40 do PAF), no valor de CR$461.582,56 (R$167,84). 4 - Falta de apresentação de notas fiscais de saída, pelo que foi aplicada a multa de 10 UPFs- BA. 5 - Falta de informações nas GIA’s referentes aos exercícios de 1993 e 1995, pelo que foi aplicada a multa de 3 UPF’s-BA. Na peça de defesa, às fls. de nos 49 a 102, o autuado alega o seguinte como preliminares de nulidade: 1. Que o autuante, ao invés de “afixar” no RUDFTO os Termos de Início e Encerramento de Fiscalização, utilizou o “sistema de colagem”. 2. Que no dia e horário da lavratura do AI ( 30/06/98 às 11:30h da manhã) não havia expediente na INFAZ. Quanto ao mérito, o autuado alega o seguinte: Em relação à Infração 1 (“estouro de caixa”): 1. Que o correto teria sido a apuração da Conta Caixa dia a dia, e não mês a mês como fez o autuante. 139 2. Que pelo fato da empresa autuada tratar-se de firma individual, a pessoa natural se confunde com a pessoa jurídica. Neste sentido, transcreveu ementário do Tribunal de Impostos, Taxas do Estado de São Paulo (TIT). Em relação à Infração 2 (“passivo fictício”) : 1. Que a cobrança do imposto relativo a passivo fictício e ao “estouro de caixa”, simultaneamente, caracteriza bis in idem. 2. Que os cheques pré-datados, apesar de não existirem para o mundo jurídico-legal, existem de fato, e devem ser considerados como pagamento a prazo, e não à vista, quando da relação com fornecedor. Neste sentido, transcreveu uma ementa do TIT. Em relação às Infrações 1 e 2, conjuntamente : 1. Que, por comercializar não só mercadorias tributáveis, mas, também, aquelas cujas operações são isentas e não-tributáveis, o valor do débito encontrado a partir do passivo fictício e do saldo credor deveria ser alocado pelo critério “pro rata” para cada uma dessas espécies de mercadoria. Neste sentido, transcreveu ementário do TIT. Em seguida, o contribuinte acata as infrações de nos 3, 4 e 5. Ao fim, o autuado elaborou extenso questionário, solicitando que o mesmo fosse respondido pelo autuante. Além disso, o contribuinte ainda requereu diligência. Na Informação Fiscal, às fls. de nos 607 a 610, o autuante ratifica toda a ação fiscal, salvo no tocante à exigência simultânea, em um mesmo período, da omissão de saídas caracterizada pelo “estouro de caixa” e da omissão de saídas caracterizada pela existência de passivo fictício. Neste ponto, o próprio autuante reconhecea duplicidade de cobrança do imposto, entendendo “que se terá que comparar as diferenças dos Passivos Fictícios em cada ano com os Estouros de Caixa respectivos, mantendo-se o maior” (fl 609, item 2.31, in fine). Mais adiante, o preposto autuante, à fl 608, diz do seu não perfeito convencimento acerca da possibilidade ou não do saldo final do passivo fictício de um exercício repercutir no saldo do passivo fictício do ano subseqüente, de forma cumulativa. Ainda quanto à esta questão, o autuante sugere que, caso o CONSEF entenda haver repercussão do passivo fictício de um ano para o outro, “deverão ser abatidos, dos Passivos Fictícios de 1994/5/6, os valores acumulados nos anos anteriores” (fl. 609, item 2.3.1). Por fim, pede pela procedência parcial do Auto de Infração. A PROFAZ, à fl. 612, solicita “que se proceda revisão fiscal por auditor estranho ao feito”, tendo em vista a contestação do autuado. A ASTEC, às fls. de nos 613 a 615, entende não ser necessária revisão por fiscal estranho ao feito, tendo em vista os elementos que já constam do processo. A Parecerista lembra que o autuado acatou as infrações 3, 4 e 5 do Auto de Infração, impugnando apenas as de nos 1 e 2, ambas relativas à omissão de saídas de mercadorias. Por fim, elabora novo demonstrativo de débito, onde exclui as ocorrências originadas da acusação 1 (saldos credores de caixa), dada a duplicidade de cobrança desta, quando considerada simultaneamente com a acusação 2 (passivo fictício). 140 Na assentada para julgamento, à fl 619, esta Xa JJF deliberou pela necessidade de se dar vista do processo ao autuado, para que se ele, querendo, pudesse se manifestar a respeito do parecer da ASTEC, de fls. nos 613 a 615. O autuado, às fls. de nos 620 a 624, manifestando-se outra vez no processo, faz um breve resumo do conteúdo de parte do processo, além de pedir diligência, “que serviria de para formar os elementos de convicção do julgador” (sic). A Xa JJF, às fls. de nos 627 a 633, julga o Auto de Infração procedente em parte, decidindo pela improcedência da infração 1, pela procedência parcial das infrações 2 e 4, e pela procedência das infrações 3 e 5. O autuado, às fls. de nos 637 a 650, após cientificado da decisão da 1a JJF, apresenta Recurso Voluntário, dando ênfase à infração 2 (“passivo fictício”). Neste recurso, o autuado pede nulidade do julgamento realizado pela 1a JJF, alegando que a julgadora Ivone Oliveira Martins já havia anteriormente funcionado como parecerista neste mesmo processo. Adiante, o autuado pede que o julgamento da 1a JJF seja anulado também por cerceamento ao direito de defesa, pelo fato do seu pedido de realização de diligência ter sido negado. Quanto ao mérito, referindo-se à infração 2, o contribuinte pede que a exigência fiscal seja adequada à proporcionalidade de tributação das operações por ele efetuadas, sendo abatido o débito indicado na autuação na mesma proporção das operações por qualquer motivo não tributadas. O autuante, às fls. 684 e 685, manifestando-se novamente nos autos, diz concordar integralmente com o julgamento feito pela 1a JJF. No tocante ao fato da julgadora xxxxxxxxxxxxxxxx ter participado no decorrer do processo (antes do julgamento) como parecerista da ASTEC, o preposto autuante entende que não se aplica o previsto no art. 40, § 1º, do Regimento Interno do CONSEF, e que o autuado não foi cerceado no seu direito de defesa, visto que já foi realizada uma diligência pela ASTEC, a qual, inclusive, fez reduzir o débito inicialmente apontado. Na assentada para julgamento na 1a CJF, os Conselheiros xxxxxxxx e xxxxxxx pediram vista do processo, no que foram sucessivamente atendidos. O Conselheiro xxxxxxx, antes de devolver o processo à Secretaria do CONSEF, pediu que a manifestação do Conselheiro xxxxxxxx fosse desentranhada dos autos, dizendo ser a mesma inoportuna por antecipar um juízo de valor a respeito da lide. A relatora do processo, à fl. 693, verso, acata o pedido do Conselheiro xxxxxxx, determinando o desentranhamento do pronunciamento do Conselheiro xxxxxxxxx, que constava na fl. 692, o que foi feito. A 1a CJF, às fls. de nos 694 a 698, deu provimento ao Recurso Voluntário, a fim de anular o julgamento realizado pela 1a JJF. Neste sentido, ficou prejudicado o Recurso de Ofício, visto ter sido acatada a preliminar de nulidade do Recurso Voluntário. Foi observado pela relatora, que a PROFAZ mudou seu posicionamento anteriormente externado, passando a entender que foi atingida a imparcialidade da julgadora xxxxxxxx, por ela ter apresentado juízo de valor ao emitir parecer às fls. de nos 613 a 615. 141 O autuado, à fl. 701, foi cientificado da decisão da 1a CJF. Não consta dos autos que tenha se manifestado. VOTO Esta 1a JJF, às fls. de nos 627 a 633, decidiu pela procedência em parte do Auto de Infração, entendendo como improcedente a infração 1, como parcialmente procedentes as infrações 2 e 4, e como procedentes as infrações 3 e 5. Pelo fato de a julgadora xxxxxxxxx, da 1a JJF, ter participado no processo antes do seu julgamento, na função de parecerista da ASTEC, o autuado pediu a anulação deste, por entender que a disposição do art. 40, § 1º, do Regimento Interno deste CONSEF (Decreto nº 7.592/99), teria aplicabilidade no presente caso. A 1a CJF, acolhendo este argumento preliminar do autuado, julgou nula a decisão proferida pela 1a JJF, no que teve o apoio da PROFAZ (observe que a PROFAZ anteriormente, às fls. 687 e 688, tinha opinado pelo não provimento do recurso voluntário). Eu, particularmente, concordo inteiramente com o entendimento externado pela 1a CJF. Se um preposto fiscal, de alguma forma, emitiu juízo de valor no decorrer de um processo, é imprescindível que ele não participe da votação quando do julgamento do mesmo. Dito isto, passo, então a analisar a lide em si do presente processo. Considerando que o meu entendimento acerca de todo o conteúdo presente nos autos não se alterou da época que fui o relator deste processo, às fls. de nos 627 a 633 (julgamento anulado), até então, meu voto, doravante, conterá o mesmo teor do apresentado naquela oportunidade, com alguns pequenos complementos que acho oportuno que sejam feitos. Dito isso, passo a explicar, então, o conteúdo do processo ora em análise. Trata ele, de acusação do cometimento de 5 (cinco) infrações, relativas aos exercícios de 1993, 1994, 1995 e 1996, as quais totalizam um ICMS no valor de R$355.909,72, além de 13 UPFs-BA de multa, por descumprimento de obrigação acessória. As de nos 3, 4 e 5 foram acatadas pelo autuado, o que dispensa maiores comentários no momento. Assim, minha análise se aterá exclusivamente à infração 1 (“estouro de caixa”) e à 2 (“passivo fictício”), ressalvando-se um comentário quanto à multa correlata com a infração 4, que será feito na parte final deste voto. De início, vale dizer que as preliminares de nulidade levantadas pelo autuado não podem ser acolhidas, haja vista que o não seguimento de algumas formalidades pelo autuante, e ora apontadas pelo contribuinte, não trouxe qualquer prejuízo à defesa, conforme fica bastante claro pelo conteúdo da mesma, além do fato de que no RPAF/81, bem como no RPAF/99, não se encontra, expressamente, previsão de nulidade para tais casos. Quanto ao pedido de diligência feito pelo autuado à fl 98, e, posteriormente, refeito à fl 621, o mesmo não foi atendido, pois entendo que os elementos contidos nos autos são suficientes para que seja procedido o julgamento do processo. 142 Antes de emitir meu posicionamento acerca do mérito das infrações 1 e 2, irei analisar, de forma individualizada, as alegações feitas pelo autuado no tocante ao conteúdo desta infração, seguindo a mesma ordem seqüencial constante do relatório. Em relação à infração 1 (“estouro de caixa”): 1. Quanto à colocação do autuado de que a apuração de saldo credor de caixa dar-se-ia de forma mais correta sefeita dia a dia, e não mês a mês como procedeu o autuante, ela é correta. Se fosse possível fazê-la hora a hora, ou em intervalo ainda menor, mais correta ainda seria. Entretanto, e o mais importante a se dizer, é que a forma como ela foi feita, i.e., mês a mês, não trouxe qualquer prejuízo ao contribuinte. Muito pelo contrário; só o favoreceu, haja vista que dentro de cada mês objeto da ação fiscal, poderiam ser encontrados diversos estouros de caixa, acaso o levantamento fosse diário. Assim, concluo que o procedimento adotado pelo autuante em nada prejudicou o contribuinte, pelo que fica claro, inclusive, a falta de interesse processual por parte do próprio autuado para que seja refeita a apuração do saldo da conta Caixa. Aliás, é neste sentido que leciona HUMBERTO THEODORO JÚNIOR, em seu livro CURSO DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL, volume. I, 20ª edição, Ed. Forense, pgs. 55 e 56, verbis: O interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entende-se, dessa maneira, que há interesse processual ‘se parte sofre um prejuízo, não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo, necessita exatamente da intervenção dos órgãos judicionais’ (...) Só o dano ou o perigo de dano jurídico, representado pela efetiva existência de uma lide, é que autoriza o exercício do direito de ação. 2. No tocante à confusão entre as pessoas física e jurídica, por se tratar o autuado de firma individual, ela não pode de forma alguma ser admitida, por contrariar o próprio princípio contábil da entidade, aceito universalmente, que preceitua total separação entre a empresa e seus sócios, no tocante aos negócios da empresa. Por oportuno, ressalte-se que não estava o sócio impedido de injetar recursos do seu próprio bolso na empresa; apenas teria que fazê-lo de forma legalmente prevista, e de maneira que o Fisco pudesse, posteriormente, verificar a veracidade da operação. Em relação à Infração 2 (passivo fictício): 1. No que tange à caracterização de duplicidade de cobrança do ICMS quando se considera, simultaneamente, passivo fictício e saldo credor de caixa, é perfeito o argumento do autuado, pelo que, no decorrer do voto, este fato será pormenorizadamente analisado. 2. Como o próprio autuado reconheceu, o cheque pré-datado não tem validade no mundo jurídico, haja vista que o cheque é sempre, legalmente, considerado como pagamento à vista. Não obstante a este fato, entendo que seria perfeitamente aceitável, para fins fiscais, se uma efetiva saída de recursos do banco se desse não na data de emissão do cheque, mas sim, na data de seu saque. Portanto, se o autuado tivesse trazido ao processo elementos capazes de comprovar que esta ou aquela compra foi paga com cheque pré-datado, e sacado em data posterior, teriam sido consideradas, na apuração do saldo da conta caixa, os dias dos efetivos 143 pagamentos. Todavia, o autuado apenas alegou a possibilidade de ocorrência desta circunstância, sem se preocupar em trazer ao PAF elementos que pudessem lhe dar concretude. Em relação às Infrações 1 e 2 (conjuntamente) : O fato do autuante trabalhar não só com mercadorias tributáveis, mas também com “mercadorias isentas e outras”, conforme alega, por si só, não o esquiva da presunção legal prevista no art 1º, §4º , do RICMS/89, posteriormente transcrita para art 1º, §3º, do RICMS/96. Feitas estas preliminares, partamos, finalmente, para a análise do objeto concreto tratado na autuação. Pelo conteúdo dos autos, inclusive pelo próprio reconhecimento por parte do autuante, na sua Informação Fiscal, da duplicidade de cobrança de imposto nas infrações 1 e 2, e da possibilidade de haver repercussão cumulativa do passivo fictício de um determinado exercício no seu posterior (referindo-se à acusação 2), hão que ser consideradas tais circunstâncias na presente análise, em homenagem ao princípio da verdade material. Com efeito, concordo com o entendimento do autuante, quando, na sua Informação Fiscal, concluiu ter havido duplicidade de cobrança de ICMS na exigibilidade simultânea de imposto pela omissão de saídas de mercadorias caracterizada pelo “estouro de caixa” (infração 1), e do imposto pela omissão de saídas de mercadorias caracterizada pela existência de passivo fictício (infração 2). Assim, ocorrendo as duas hipóteses, deve ser mantida apenas a mais abrangente, em consonância com o art 70, §16, do RICMS/89, e com o art 60, parágrafo único, do RICMS/96, verbis : RICMS/89 : Art. 70 - A base de cálculo do ICMS, é: ( ... ) § 16 - Nos casos do inciso XXI, a fixação da base de cálculo será feita em função dos critérios ali previstos, sendo que, apurando-se, simultaneamente, irregularidades no disponível e no exigível, bem como entradas ou pagamentos não contabilizados ou quaisquer outras omissões de receitas tributáveis, levar-se- á em conta apenas a diferença de maior valor monetário, se se configurar a presunção de que as demais nela estejam compreendidas. ( ... ) RICMS/96 : Art. 60 - A base de cálculo do ICMS, nos casos de presunção de omissão de saídas ou de prestações, é: Parágrafo único - Na apuração da base de cálculo em função dos critérios previstos neste artigo, quando forem constatadas, simultaneamente, irregularidades no disponível e no exigível, bem como entradas ou pagamentos não contabilizados ou quaisquer outras omissões de receitas tributáveis, levar-se-á em conta, apenas, a ocorrência ou diferença de maior 144 valor monetário, se se configurar a presunção de que as demais nela estejam compreendidas. ( ... ) Com referência à infração 2 (passivo fictício), entendo que o passivo fictício de um exercício tem repercussão de caráter cumulativo no exercício subseqüente, i. e., o passivo fictício de um exercício é composto pelo somatório do passivo fictício do balanço do ano anterior com o constatado no decorrer do próprio exercício. Desta forma, deve-se abater dos valores exigidos pelo autuante, ano a ano, os saldos finais dos respectivos anos anteriores, conforme passo a fazer. Exercício Valor conforme Saldo do Valor Correto do Alíq. I C M S I C M S Data Autuante Exercício Anterior Passivo Fictício (%) (valor histórico) ( R$ ) Vecto A B C = A - B D E = C x D 93 1.813.829,02 0,00 1.813.829,02 17 308.350,93 112,13 9/1/1994 94 255.904,78 659,57 255.245,21 17 43.391,69 43.391,69 9/1/1995 95 570.529,41 255.245,21 315.284,20 17 53.598,31 53.598,31 9/1/1996 96 755.395,36 315.284,20 440.111,16 17 74.818,90 74.818,90 9/1/1997 171.921,03 * CR$1.813.829,02 = R$659,57 Levando-se em conta que, mesmo após os devidos ajustes (para menos), os valores apontados na tabela acima (infração 2) continuam maiores que os da infração 1 (saldo credor de caixa), devem eles ser mantidos na exigência fiscal, ao mesmo tempo em que todos os valores exigidos na infração 1 devem ser excluídos. No tocante às infrações de nos 3 e 5, devem elas ser mantidas integralmente, pelos seguintes motivos : • Estão bem fundamentadas pelo autuante. • A peça de defesa reconhece e acata ambas as infrações. • O autuante, na sua Informação Fiscal, ratifica seu procedimento em relação a todas as duas. Quanto à infração de no 4, não obstante ao acatamento do débito da mesma pelo autuado, deve a multa aplicada pelo preposto fiscal ser diminuída de 10 UPFs-BA para 2 UPFs-BA, pois assim determinava a legislação à época do fato gerador (falta de apresentação de livros e documentos fiscais por apenas uma vez - Lei no 7.014 / 96, art 42, XX, “a”). Assim, diante do exposto, e tendo em vista o contido nos autos, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE do Auto de Infração, sendo improcedente a infração 1, procedentes em parte as infrações 2 e 4, e procedentes as infrações 3 e 5. 145 RESOLUÇÃO ACORDAM os membros da 1a Junta de Julgamento Fiscal do Conselho de Fazenda Estadual, por unanimidade,julgar PROCEDENTE EM PARTE o Auto de Infração no xxxxxxxxxxx, lavrado contra xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, devendo ser intimado o autuado para efetuar o pagamento do imposto no valor total de R$172.088,87, atualizado monetariamente, acrescido das multas de 70% sobre R$171.921,03, prevista no art. 61, IV, “a”, da Lei no 4.825/89, e no art. 42, III, da Lei no 7.014/96, e 60% sobre R$167,84, prevista no art. 61, VIII, “a”, da Lei no 4.825/89, e dos acréscimos moratórios correspondentes, além das multas de 2 UPFs-Ba, prevista no art. 42, XX, “a”, da Lei no 7.014/96, e de 3 UPFs/BA, prevista no art. 61, XVIII, “c”, da Lei no 4.825/89 Esta Junta recorre de ofício da presente decisão para uma das Câmaras do CONSEF, nos termos do art. 169 inciso I, alínea "a", item 1, do RPAF/99, aprovado pelo Decreto nº 7.629/99, alterado pelo Decreto nº 7.851/99, com efeitos a partir de 10.10.00. Sala das Sessões do CONSEF, XX de novembro de 2000. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX - PRESIDENTE XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX - RELATOR XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX- JULGADOR 146 APÊNDICE A A - Questionário orientador para auditoria contábil/fiscal. 1. AUDITORIA DO ATIVO SIM NÃO INV A – SALDO CREDOR DE CAIXA 1 – Existe lançamento c/origem em cartão de crédito? X √ 2 - Existe lançamento c/origem em cheque pré-datado? X √ 3 - Existe lançamento c/origem em venda a prazo? X √ 4 - Existe suprimento sacado por cheque? X √ 5 - O cheque corresponde em data e valor ao extrato? X √ 6. O saldo do mês foi transferido corretamente? X √ B – SUPRIMENTOS DE CAIXA 1. Existe suprimento registrado na conta caixa? X √ 2. O suprimento está comprovado com documento hábil? X √ 3. O supridor comprovou a origem dos recursos? X √ C – CLIENTES/DUPLICATAS A RECEBER 1. As duplicatas emitidas têm relação com as NFs? X √ 2. As duplicatas descontadas correspondem as NFs? X √ 3. A contrapartida corresponde à receita de vendas? X √ D – Investimentos e Bens 1. As aquisições correspondem a NFs idôneas? X √ 2. O ativo adquirido está relacionado à atividade? X √ 3. Existem aquisições realizadas em outros estados? X √ 4. Os bens alienados realmente saíram da empresa? X √ 2. AUDITORIA DO PASSIVO SIM NÃO INV E – Fornecedores e Outras Contas a Pagar 1. Os saldos da conta de fornecedores estão conciliados? X √ 2. Os saldos foram pagos no exercício seguinte? X √ 3. Os registros em fornecedores estão comprovados? X √ 4. A conta adiantamento de clientes contempla todos os valores recebidos? X √ 5. A contrapartida de adto. Clientes é receita de vendas? X √ 6. O saldo de balanço das outras obrigações foi pago no exercício seguinte? X √ 3. AUDITORIA DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO SIM NÃO INV F – Capital 1 – Houve aumento de capital comprovado? X √ 2 - O aumento foi através de lucros ou reservas? X √ 3 - Os sócios comprovaram capacidade financeira X √ 147 4. AUDITORIA DAS CONTAS DE RESULTADO SIM NÃO INV G – Despesas 1. Existe registro de despesas com propaganda? X √ 2. Existe registro de despesa com brinde? X √ 3. Existe registro de despesas com alimentação? X √ 4. Existe registro de despesas com manutenção? X √ 5. As despesas com energia elétrica identificam área de produção? X √ H – Receitas 1. O total das receitas com venda é igual a do RAICMS? X √ 2. A conta receita com serviços inclui peças? X √ 3. Existe registro em contas de outras receitas? X √ 4. Existe registro em conta de recuperação de despesas? X √ 5. Existe registro em conta de receitas diversas? X √ 6. Existe devolução de vendas com nota fiscal? X √ Orientações: a) As respostas ao questionário, obtidas durante verificação sumária da contabilidade, de acordo com cada situação, levará ao aprofundamento de investigação conforme assinalado na última coluna. b) Devem ser investigados todos os históricos evasivos, tipo: “valor que ora regularizamos”; “valor que ora transferimos”; “transferido para regularização”. 148 APÊNDICE B TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃOS DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos TIPOS DE INFRAÇÕES Nº de ordem Acórdão Nº Proc. Proc. Parte Improc. Nulo 1 0004/00 PASSIVO Fictício 1 2 0010/00 CAIXA - Saldo credor 1 3 0022/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 4 0033/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 5 0033/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 6 0043/00 PASSIVO Fictício 1 7 0061/00 CAIXA - Saldo credor 1 8 0061/00 PASSIVO Fictício 1 9 0072/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 10 0105/00 PASSIVO Fictício 1 11 0108/00 CAIXA - Saldo credor 1 12 0150/00 CAIXA - Saldo credor 1 13 0165/00 CAIXA - Saldo credor 1 14 0173/00 CAIXA - Saldo credor 1 15 0174/00 CAIXA - Saldo credor 1 16 0202/00 CAIXA - Saldo credor 1 17 0208/00 CAIXA - Saldo credor 1 18 0213/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 19 0213/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 20 0214/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 21 0225/00 CAIXA - Saldo credor 1 22 0227/00 CAIXA - Saldo credor 1 23 0245/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 24 0283/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 25 0284/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 26 0285/00 CAIXA - Integralização de Capital não comprovada 1 27 0287/00 CAIXA - Saldo credor 1 28 0287/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 29 0337/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 30 0343/00 PASSIVO Fictício 1 31 0345/00 PASSIVO Fictício 1 32 0378/00 CAIXA/BANCO - Saldo credor 1 33 0379/00 ENTRADAS não contabilizadas -CMV Negativo 1 34 0399/00 CAIXA - Saldo credor 1 35 0407/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 36 0423/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 37 0424/00 CAIXA - Saldo credor por levantamento 1 38 0427/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 39 0428/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 40 0430/00 CAIXA - Saldo credor 1 41 0434/00 PASSIVO Fictício 1 42 0435/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 Continua 149 TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃOS DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Continuação Julgamento Infrações Nº de ordem Acórdão Nº Proc. Proc. Parte Improc. Nulo 43 0448/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 44 0458/00 CAIXA - Saldo credor 1 45 0465/00 CAIXA - Saldo credor 1 46 0466/00 PASSIVO Fictício 1 47 0470/00 CAIXA - Saldo credor 1 48 0470/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 49 0486/00 CAIXA - Saldo credor 1 50 0494/00 CAIXA - levantamento - Falta de emissão de NFs 1 51 0498/00 BANCOS - Suprimento não comprovado 1 52 0509/00 CAIXA - Saldo credor 1 53 0513/00 Caixa Credor - LEVANTAMENTO 1 54 0523/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 55 0526/00 CAIXA - Saldo credor 1 56 0540/00 PASSIVO Fictício 1 57 0548/00 CAIXA - Saldo credor 1 58 0548/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 59 0554/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 60 0559/00 CAIXA - Saldo credor 1 61 0559/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 62 0574/00 CAIXA - Saldo credor 1 63 0607/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 64 0608/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 65 0610/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 66 0615/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 67 0631/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissãode NFs 1 68 0646/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 69 0679/00 CAIXA - Saldo credor 1 70 0683/00 ENTRADAS não contabilizadas -CMV Negativo 1 71 0685/00 CAIXA - Saldo credor 1 72 0685/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 73 0717/00 CAIXA - levantamento - Falta de emissão de NFs 1 74 0720/00 CAIXA - levantamento - Falta de emissão de NFs 1 75 0723/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 76 0727/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 77 0743/00 PASSIVO Fictício 1 78 0748/00 PASSIVO Fictício 1 79 0789/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 80 0797/00 CAIXA - Saldo credor 1 81 0811/00 PASSIVO Fictício 1 82 0817/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 83 0865/00 CAIXA - Saldo credor 1 84 0868/00 CAIXA - Saldo credor 1 85 0879/00 CAIXA - levantamento - Falta de emissão de NFs 1 86 0884/00 PASSIVO Fictício 1 87 0893/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 Continua 150 TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃOS DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Continuação Julgamento Infrações Nº de ordem Acórdão Nº Proc. Proc. Parte Improc.Nulo 88 0904/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 89 0909/00 CAIXA - Saldo credor 1 90 0910/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 91 0924/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 92 0934/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 93 0946/00 PASSIVO Fictício 1 94 0961/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 95 0997/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 96 0999/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 97 1001/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 98 1001/00 CAIXA - Saldo credor 1 99 1002/00 PASSIVO Fictício 1 100 1010/00 PASSIVO Fictício 1 101 1014/00 CAIXA - Saldo credor 1 102 1022/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 103 1026/00 CAIXA - Saldo credor 1 104 1050/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 105 1072/00 CAIXA - Saldo credor 1 106 1078/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 107 1084/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 108 1099/00 CAIXA - Saldo credor 1 109 1125/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 110 1151/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 111 1157/00 CAIXA - Saldo credor 1 112 1165/00 CAIXA - Saldo credor 1 113 1178/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 114 1188/00 CAIXA - Saldo credor 1 115 1194/00 CAIXA - Saldo credor 1 116 1214/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 117 1217/00 PASSIVO Fictício 1 118 1225/00 PASSIVO Fictício 1 119 1241/00 CAIXA - Saldo credor 1 120 1249/00 CAIXA - Saldo credor 1 121 1273/00 PASSIVO Fictício 1 122 1281/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 123 1284/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 124 1291/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 125 1299/00 CAIXA - Saldo credor 1 126 1315/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 127 1344/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 128 1378/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 129 1395/00 CAIXA - Saldo credor 1 130 1413/00 CAIXA - Saldo credor 1 131 1435/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 132 1437/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 Continua 151 TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃOS DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Continuação Julgamento Infrações Nº de ordem Acórdão Nº Proc. Proc. Parte Improc.Nulo 133 1477/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 134 1482/00 CAIXA - Saldo credor 1 135 1510/00 CAIXA - Saldo credor 1 136 1510/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 137 1510/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 138 1525/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 139 1541/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 140 1573/00 PASSIVO Fictício 1 141 1574/00 CAIXA - Saldo credor 1 142 1583/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 143 1627/00 PASSIVO Fictício 1 144 1637/00 CAIXA - Saldo credor 1 145 1653/00 CAIXA - Saldo credor 1 146 1670/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 147 1671/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 148 1679/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 149 1689/00 CAIXA - Saldo credor 1 150 1690/00 CAIXA - Saldo credor 1 151 1715/00 CAIXA - Saldo credor 1 152 1720/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 153 1732/00 CAIXA - Saldo credor 1 154 1768/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 155 1799/00 CAIXA - Saldo credor 1 156 1799/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 157 1808/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 158 1851/00 CAIXA - Saldo credor 1 159 1851/00 PASSIVO Fictício 1 160 1862/00 CAIXA - Saldo credor 1 161 1863/00 CAIXA - Saldo credor 1 162 1882/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 163 1933/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 164 1956/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 165 1959/00 CAIXA - Saldo credor 1 166 1959/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 167 1981/00 PASSIVO Fictício 1 168 1988/00 CAIXA - Saldo credor 1 169 1988/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 170 2023/00 CAIXA - Saldo credor 1 171 2058/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 172 2082/00 PASSIVO Fictício 1 173 2106/00 CAIXA - Saldo credor 1 174 2152/00 CAIXA - Saldo credor 1 175 2177/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 176 2184/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 177 2188/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 Continua 152 TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃOS DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Continuação Julgamento Infrações Acórdão Nº Proc. Proc. Parte Improc.Nulo 178 2224/00 CAIXA - Saldo credor 1 179 2233/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 180 2233/00 CAIXA - Saldo credor 1 181 2269/00 PASSIVO Fictício 1 182 2335/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 183 2335/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 184 2362/00 CAIXA - Saldo credor 185 2376/00 PASSIVO Fictício 1 186 2384/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 187 2388/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 188 2388/00 PASSIVO Fictício 1 189 2443/00 CAIXA - Saldo credor 1 190 2446/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 191 2481/00 CAIXA - Saldo credor 1 192 2505/00 CAIXA - Saldo credor 1 193 2557/00 CAIXA - Saldo credor 1 194 2557/00 PASSIVO Fictício 1 195 2584/00 CAIXA - Saldo credor 1 196 2594/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 197 2611/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 198 2670/00 CAIXA - Saldo credor 199 2694/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 Nº de ordem 1 1 1 1 200 2686/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 201 2677/00 CAIXA - Saldo credor 1 202 2703/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 203 2736/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 204 2789/00 CAIXA - Saldo credor 1 205 2754/00 CAIXA - Saldo credor 1 206 2765/00 PASSIVO Fictício 1 207 2777/00 CAIXA - Saldo credor 1 208 2777/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 209 2747/00 CAIXA - auditoria - Falta de emissão de NFs 1 210 2794/00 CAIXA - Saldo credor 1 211 2829/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 212 2819/00PASSIVO Fictício 1 213 2821/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 214 2809/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 215 2809/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 216 2833/00 CAIXA - Saldo credor 1 217 2834/00 CAIXA - Saldo credor 1 218 2858/00 CAIXA - Saldo credor 1 219 2870/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 220 2872/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 TOTAL 125 62 30 3 Percentual ( % ) 56,8228,18 13,64 1,36 TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Valores Nº de ordem Acórdão Nº Tipos de infrações Proc.Proc. ParteImproc. Nulo Procedente Procedente em Parte Improcedente Nulo 1 0004/00 PASSIVO Fictício 1 1.852,68 2 0010/00 CAIXA - Saldo credor 1 4.092,74 3 0022/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 1.931,43 4 0033/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 5.000,18 5 0033/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 869,31 6 0043/00 PASSIVO Fictício 1 14.130,40 7 0061/00 CAIXA - Saldo credor 1 22,82 8 0061/00 PASSIVO Fictício 1 22,99 9 0072/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 60.716,56 10 0105/00 PASSIVO Fictício 1 43.610,91 11 0108/00 CAIXA - Saldo credor 1 12.702,81 12 0150/00 CAIXA - Saldo credor 1 125,12 13 0165/00 CAIXA - Saldo credor 1 24.932,03 14 0173/00 CAIXA - Saldo credor 1 59.899,79 15 0174/00 CAIXA - Saldo credor 1 5.748,42 16 0202/00 CAIXA - Saldo credor 1 4.044,04 17 0208/00 CAIXA - Saldo credor 1 19.453,52 18 0213/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 62,31 19 0213/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 39.707,38 20 0214/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 1.916,07 21 0225/00 CAIXA - Saldo credor 1 34.744,27 22 0227/00 CAIXA - Saldo credor 1 8.855,43 23 0245/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 4.859,11 24 0283/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 25 0284/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 1.442,44 26 0285/00 CAIXA - Integralização de Capital não comprovada 1 69.501,22 27 0287/00 CAIXA - Saldo credor 1 416,19 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Nº de ordem Acórdão Nº Infrações Proc.Proc. ParteImproc.Nulo Procedente 28 0287/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 29 0337/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 6.291,64 30 0343/00 PASSIVO Fictício 1 31 0345/00 PASSIVO Fictício 1 33.127,52 32 0378/00 CAIXA - Saldo credor 1 27.829,69 33 0379/00 ENTRADAS não contabilizadas -CMV Negativo 1 12.255,64 34 0399/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.737,14 35 0407/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 36 0423/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 42,27 37 0424/00 CAIXA - Saldo credor 1 38 0427/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 39 0428/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 40 0430/00 CAIXA - Saldo credor 1 41 0434/00 PASSIVO Fictício 1 42 0435/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 32.508,16 43 0448/00 CAIXA - Auditoria física 1 44 0458/00 CAIXA - Saldo credor 1 45 0465/00 CAIXA - Saldo credor 1 9.496,23 46 0466/00 PASSIVO Fictício 1 14.492,97 47 0470/00 CAIXA - Saldo credor 1 48 0470/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 38,59 49 0486/00 CAIXA - Saldo credor 1 2.899,95 50 0494/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 51 0498/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 225.442,15 52 0509/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.033,28 53 0513/00 CAIXA - Saldo credor 1 154 Continuação Valores Procedente em Parte Improcedente Nulo 2.187,13 10.318,70 0,09 0,55 8.859,84 0,01 960,88 5,60 595,65 35.875,24 3.264,20 32.033,42 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Acórdão Nº Infrações Proc.Proc. ParteImproc.Nulo Procedente 54 0523/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 47,87 55 0526/00 CAIXA - Saldo credor 1 44.248,65 56 0540/00 PASSIVO Fictício 1 3.204,60 57 0548/00 CAIXA - Saldo credor 1 2.127,21 58 0548/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 59 0554/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 60 0559/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.749,55 61 0559/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 611,90 62 0574/00 CAIXA - Saldo credor 1 2.066,26 63 0607/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 64 0608/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 91.825,60 65 0610/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 66 0615/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 67 0631/00 CAIXA - Auditoria física 1 68 0646/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 6.959,99 69 0679/00 CAIXA - Saldo credor 1 54.918,26 70 0683/00 ENTRADAS não contabilizadas -CMV Negativo 1 71 0685/00 CAIXA - Saldo credor 1 72 0685/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 73 0717/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 74 0720/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 75 0723/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 161,16 76 0727/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 28.950,46 77 0743/00 PASSIVO Fictício 1 4,18 78 0748/00 PASSIVO Fictício 1 73.196,46 79 0789/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 Nº de ordem 155 Continuação Valores Procedente em Parte Improcedente Nulo 16.320,00 33.625,08 595,65 9.209,99 9.106,54 2.069,33 7.097,82 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Nº de ordem Acórdão Nº Infrações Parte Proc. Proc. Improc.Nulo Procedente 80 0797/00 CAIXA - Saldo credor 1 81 0811/00 PASSIVO Fictício 1 617,81 82 0817/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 1.695,51 83 0865/00 CAIXA - Saldo credor 1 84 0868/00 CAIXA - Saldo credor 1 1,09 85 0879/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 86 0884/00 PASSIVO Fictício 1 87 0893/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1610,63 88 0904/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 13.600,00 89 0909/00 CAIXA - Saldo credor 1 16.662,77 90 0910/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 91 0924/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 92 0934/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 93 0946/00 PASSIVO Fictício 1 94 0961/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 19.458,84 95 0997/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 8.986,37 96 0999/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 64.500,14 97 1001/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 1,43 98 1001/00 CAIXA - Saldo credor 1 669,14 99 1002/00 PASSIVO Fictício 1 247,35 100 1010/00 PASSIVO Fictício 1 3.902,52 101 1014/00 CAIXA - Saldo credor 1 102 1022/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 103 1026/00 CAIXA - Saldo credor 1 15.563,00 104 1050/00 CAIXA - Auditoria física 1 105 1072/00 CAIXA - Saldo credor 1 156 Continuação Valores Procedente em Parte Improcedente Nulo 74,95 5.437,13 59,25 1.867,04 16.355,43 12.838,79 4.761,92 7.092,01 595,65 4.147,92 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Nº de ordem Acórdão Nº Infrações Proc.Proc. ParteImproc.Nulo Procedente 106 1078/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 72,44 107 1084/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 108 1099/00 CAIXA - Saldo credor 1 109 1125/00 CAIXA - Auditoria física 1 110 1151/00 CAIXA - Auditoria física 1 111 1157/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.735,91 112 1165/00 CAIXA - Saldo credor 1 113 1178/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 114 1188/00 CAIXA - Saldo credor 1 2.602,61 115 1194/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.810,08 116 1214/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 117 1217/00 PASSIVO Fictício 1 118 1225/00 PASSIVO Fictício 1 203.372,41 119 1241/00 CAIXA - Saldo credor 1 2.890,48 120 1249/00 CAIXA - Saldo credor 1 5.074,01 121 1273/00 PASSIVO Fictício 1 9.100,17 122 1281/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 123 1284/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 124 1291/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 125 1299/00 CAIXA - Saldo credor 1 126 1315/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 127 1344/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 595,65 128 1378/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 129 1395/00 CAIXA - Saldo credor 1 130 1413/00 CAIXA - Saldo credor 1 30.375,80 131 1435/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 157 Continuação Valores Procedente em Parte Improcedente Nulo 2,14 595,65 595,65 16.009,59 4.664,87 217,67 8.467,83 5.361,44 62.752,39 20.534,10 9.305,32 37.723,83 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Nº de ordem Acórdão Nº Infrações Proc.Proc. ParteImproc.Nulo Procedente 132 1437/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 133 1477/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 134 1482/00 CAIXA - Saldo credor 1 3.651,84 135 1510/00 CAIXA - Saldo credor 1 136 1510/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 137 1510/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 138 1525/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 139 1541/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 8.335,08 140 1573/00 PASSIVO Fictício 1 141 1574/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.226,71 142 1583/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 143 1627/00 PASSIVO Fictício 1 8.470,13 144 1637/00 CAIXA - Saldo credor 1 145 1653/00 CAIXA - Saldo credor 1 6.954,52 146 1670/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 147 1671/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 148 1679/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 149 1689/00 CAIXA - Saldo credor 1 13.350,49 150 1690/00 CAIXA - Saldo credor 1 27.583,11 151 1715/00 CAIXA - Saldo credor 1 152 1720/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 153 1732/00 CAIXA - Saldo credor 1 6.111,40 154 1768/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 15.774,34 155 1799/00 CAIXA - Saldo credor 1 236,12 156 1799/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 584,90 157 1808/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 158 Continuação Valores Procedente em Parte Improcedente Nulo 3.844,98 101,22 0,04 2,20 0,01 7.451,49 3.457,66 14.941,69 6,50 11.574,32 24.707,41 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 158 1851/00 CAIXA - Saldo credor 1 24.237,20 159 1851/00 PASSIVO Fictício 1 16.011,09 160 1862/00 CAIXA - Saldo credor 1 161 1863/00 CAIXA - Saldo credor 1 162 1882/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 163 1933/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 164 1956/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 165 1959/00 CAIXA - Saldo credor 1 166 1959/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 167 1981/00 PASSIVO Fictício 1 168 1988/00 CAIXA - Saldo credor 1 169 1988/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 3.185,35 170 2023/00 CAIXA - Saldo credor 1 171 2058/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 172 2082/00 PASSIVO Fictício 1 173 2106/00 CAIXA - Saldo credor 1 346.603,47 174 2152/00 CAIXA - Saldo credor 1 11.588,18 175 2177/00 VENDAS contabilizadas a maior 1 176 2184/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 177 2188/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 25.476,91 178 2224/00 CAIXA - Saldo credor 1 179 2233/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 98.814,13 180 2233/00 CAIXA - Saldo credor 1 20.985,29 181 2269/00 PASSIVO Fictício 1 182 2335/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 3.111,00 183 2335/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 159 Continuação 19.155,90 8.339,58 3.107,32 33.395,22 1.365,45 645,71 42.287,29 81.342,38 21.719,35 807,87 19.396,55 8.536,03 20.446,843.392,11 37.342,20 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Nº de ordem Acórdão Nº Infrações Proc.Proc. ParteImproc. Nulo Procedente 184 2362/00 CAIXA - Saldo credor 1 16.621,81 185 2376/00 PASSIVO Fictício 1 35.209,13 186 2384/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 13.257,01 187 2388/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 9.350,00 188 2388/00 PASSIVO Fictício 1 189 2443/00 CAIXA - Saldo credor 1 190 2446/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 191 2481/00 CAIXA - Saldo credor 1 5.929,34 192 2505/00 CAIXA - Saldo credor 1 193 2557/00 CAIXA - Saldo credor 1 194 2557/00 PASSIVO Fictício 1 195 2584/00 CAIXA - Saldo credor 1 79.352,73 196 2594/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 33.684,48 197 2611/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 198 2670/00 CAIXA - Saldo credor 1 15.540,99 201 2677/00 CAIXA - Saldo credor 1 200 2686/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 199 2694/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 105,47 202 2703/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 2736/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 2747/00 CAIXA - Auditoria física 1 595,65 205 2754/00 CAIXA - Saldo credor 1 1.872,78 206 2765/00 PASSIVO Fictício 1 207 2777/00 CAIXA - Saldo credor 1 13.445,67 208 2777/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 14.333,32 203 209 160 Continuação Valores Procedente em Parte Improcedente Nulo 7.858,94 2.937,09 12.080,13 114,84 86.718,73 171.921,03 7.873,60 93.681,10 683.709,30 424.553,50 Continua TABULAÇÃO DE DADOS ACÓRDÃO DAS JUNTAS DE JULGAMENTO FISCAL - 2000 Julgamentos Nº de ordem Acórdão Nº Infrações Proc. Proc. Parte Improc. Nulo Procedente P 204 2789/00 CAIXA - Saldo credor 1 210 2794/00 CAIXA - Saldo credor 1 214 2809/00 ENTRADA de mercadorias - falta de contabilização 1 21.108,46 215 2809/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 62.220,00 212 2819/00 PASSIVO Fictício 1 213 2821/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 3.458,45 211 2829/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 5.532,69 216 2833/00 CAIXA - Saldo credor 1 217 2834/00 CAIXA - Saldo credor 1 10.092,38 218 2858/00 CAIXA - Saldo credor 1 219 2870/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 220 2872/00 CAIXA - Suprimento não comprovado 1 9.218,58 TOTAL 125 62 30 3 2.320.744,92 Percentual ( % ) 56,82 28,18 13,64 1,36 161 Continuação Valores rocedente em Parte Improcedente Nulo 7.917,42 9.846,85 36.307,14 4.200,13 48.688,69 30.667,93 1.272.256,44 1.272.953,18 29.878,05