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CHA VII Ressonância Magnética Ressonância magnética ❖ O aparelho de ressonância magnética (RM) funciona como um imã gigante ❖ Os aparelhos de RM podem se dividir em: » De campo aberto » De campo fechado – dão uma maior qualidade de imagem, são os mais utilizados recentemente e possui maior campo magnético O campo magnético deve ser permanentemente ligado, o aparelho não pode ser desligado Quando o pct entra no interior do tubo (é mais longo que o tubo da TC), os prótons do seu corpo se alinham com o campo magnético Formação de imagem Tudo na ressonância é sinal – quando falamos de imagem (hiper, hipo ou iso sinal) Toda a física da RM é baseada nos átomos que estão presentes no nosso corpo Cada átomo tem um vetor de magnetismo e de baixa intensidade – quando os átomos do nosso corpo são expostos ao campo magnético da RM, eles irão se alinhar conforme o campo do aparelho ❖ Todos os tecidos do corpo são compostos de átomo, que possuem um pequeno campo magnético ❖ Disposição dos átomos: » Sem a exposição de um forte campo magnético, os átomos (são as bolinhas nas imagens), cada um tem seu próprio vetor (vetor = spin), estão sempre em movimento, em que esse movimento é chamado de movimento de precessão, que é um movimento giratório, como o de um pião – giram em torno do próprio eixo; é um movimento aleatório, de modo que um campo anula o outro » Com a influência de um forte campo magnético, o vetor do campo magnético (representado pela seta grande B0), a partir do momento da exposição dos átomos a esse campo, os vetores desses átomos tendem a se alinhar ao vetor do campo magnético, podendo ficar em diferentes sentidos do campo (todos ficam na vertical, mas alguns ficam para cima e outros para baixo) » A exposição ao campo magnético, fazendo essa diferenciação dos vetores, estando alguns em direções opostas, acaba ocorrendo uma anulação de alguns e vai gerar um vetor resultante, que sempre vai ser na mesma direção do campo magnético (é a sentinha menor, representando o vetor resultante M0) » O campo da RM causa um alinhamento dos spins Essa imagem de cima mostra que quanto maior o campo magnético oferecido, maior será o vetor resultante e maior será a qualidade de imagem O vetor resultante é o vetor de magnetização macroscópica (VMN) O campo magnético da Terra é de 0,5 Gauss, enquanto o da RM é de 1 Tesla (T) = 10000 Gauss, por esse motivo é tão importante retirar todos os acessórios do pct e deixar a sala sempre isolada ❖ Íons de Hidrogênio » Não ocorre o estudo de todos os átomos do corpo na RM, é necessário que ocorra a seleção de alguns, os que são mais abundantes » O íon escolhido para o estudo é o hidrogênio, pois: ▪ É o mais abundante no corpo ▪ É o que possui a maior constante giromagnética (relacionada com os movimentos de precessão) ❖ Frequência de Larmor » É a frequência de ressonância ou frequência de precessão do próton de hidrogênio – é a frequência com a qual está girando o próton de hidrogênio » A partir com momento que a frequência de precessão é encontrada, é como se o campo magnético da RM sintonizasse com a frequência do hidrogênio, captando o sinal que o próton de N está proporcionando » A equação de Larmor é a constante do giro magnético vezes a intensidade do campo magnético que ele está exposto (será o do aparelho da RM) ▪ Com esse cálculo é determinada a frequência de precessão (frequência giratória do átomo de H) ▪ O aparelho de RM vai ter que sintonizar na frequência de precessão para que seja possível captar o sinal do íon de H e a partir do sinal se tenha o fornecimento das informações que o aparelho precisa para a formação das imagens » A partir das informações acima, são gerados pulsos de radiofrequência (energias) que vão gerar os sinais que fornecem as imagens também em escala de cinza → A partir do momento que o pct entra no aparelho de RM, os prótons de H vão estar expostos ao mesmo campo magnético, ganhando um mesmo alinhamento, em que uns estão no mesmo sentido e outros em sentidos opostos, ocorrendo algumas anulações → Uma vez exposto ao campo magnético é necessário gerar os impulsos de radio frequência para que seja gerada a energia e diante da energia, ser processada a imagem → Na coluna I, os vetores estão em repouso e todos no mesmo sentido do campo magnético → Na coluna II, são gerados os pulsos de radio frequência, que podem ser de diferentes graus (20°, 90°, 180°), de modo que o grau gerado muda a angulação que o vetor vai caminhar (coluna III) → Na coluna III, os vetores estão em diferentes direções após o pulso de radiofrequência Tempos e ponderações Tempo T1 e tempo T2 são diferentes de ponderação T1 e ponderação T2 ❖ O que já foi entendido: » Existe um vetor resultante, esse vetor vai ser exposto a um pulso de radiofrequência (o que mais é utilizado é o de 90°) » A partir do momento que o vetor recebe o estímulo e o estado de repouso é interrompido pelo pulso, o vetor vai para o eixo horizontal, adquirindo um ângulo de 90° ❖ Fenômeno perda de coerência de base » Ocorreu o estímulo (pulso), o vetor foi para o eixo transversal » No momento eixo 0 graus, todos os átomos estão rodando na mesma fase, o seja, no mesmo movimento de precessão, na mesma velocidade » Com o estímulo, os átomos vão perdendo a velocidade desse movimento à medida que o vetor vai para a transversal » A perda da velocidade dos átomos é chamada de fenômeno de coerência de base » Na imagem acima é possível observar esse fenômeno, em que passa para 63% (63%dos vetores com a mesma velocidade), para 37%, até chegar em 0% e não ter mais nenhum vetor com a mesma velocidade » É a partir desse fenômeno que é possível definir o tempo T2 » Quando é dado o impulso, 1 segundo depois, alguns daqueles átomos já não vão estar com o mesmo estímulo e não vão estar com a mesma velocidade ▪ Isso se deve a não homogeneidade do meio – cada meio tem composição diferente (um tem mais cloro, outro mais potássio), por não haver uma homogeneidade do meio, ocorre perda da velocidade do movimento precessão dos spins ▪ Vai ocorrendo perda de fasicidade, até chegar o momento em que todos os spins vão estar em movimentos/ velocidades/ fasicidades diferente Tempos ❖ Tempo T2 » É o tempo de relaxamento transversal » Então é aquele pulso transversal, que recebeu o pulso e foi para o eixo transversal e foi perdendo fase, que é: ▪ Desfasamento dos spins, o seja, vai perdendo movimento de precessão, os spins (vetores) vão ficando em fases diferentes » Quando se chega na fase em que somente 37% dos vetores restantes na mesma fase, é quando tem o tempo T2 Quando se chega na fase 0, ocorre o tempo T1 Tempo T1 e tempo T2 são características tissulares, ou seja, estão relacionados ao tecido, em que cada tecido tem uma característica própria e um T1 e T2 próprio Quando os spins chegam no 0%, em que todos estão em diferentes fases de velocidade, começa a ocorrer uma fase de recuperação para o eixo longitudinal, que era o eixo de repouso deles ❖ Tempo T1 » Os spins chegaram no 0% e começaram a voltar para o eixo longitudinal » Vai chegar um momento em que 63% dos vetores já vão ter sofrido o tempo de relaxamento longitudinal » Quando chega no 63% ocorre a captação de outra característica, que é o tempo T1 » Nesse momento já há uma parda de energia, em que ocorre um relaxamento » Cada tecido tem um tempo T1 diferente, que ocorre quando os vetores já têm um relaxamento de 63% dos vetores → Cada tecido tem um tempo T1 e T2 próprio, que vai corresponder na imagemPonderações No aparelho de RM há as características de ponderações, que podem ser ponderação T1 e T2, são características de manipulação do aparelho T1 T2 Captação dos sinais Para que ocorra a captação do sinal que está sendo gerado com essa energia, existem: ❖ Bobinas de radiofrequência » Fornecem energia para os prótons através dos pulsos de radiofrequência » Recebem energia emitida pelos prótons que será necessária para a formação da imagem (sinal) ❖ Bobinas de superfície » A maioria só recebe o sinal emitido pelos prótons » Posicionadas próximas ao local de estudo » Captam melhor o sinal e melhoram a qualidade de imagem ❖ Composição do tubo de RM ❖ Recapitulando » A RM recebe uma sequência de pulso de radiofrequência » Os prótons se deslocam para o eixo transverso e vão gerar um sinal » Para que ocorra a formação da imagem, vários pulsos devem ser motivados, então é necessário a geração de vários pulsos de radiofrequência ❖ Tempo de repetição (TR) » Tempo que transcorre entre a emissão de um pulso e outro ❖ Tempo de eco (TE) » Tempo que demora entre a emissão de um pulso e a geração de um sinal na bobina receptora ❖ Sequências de pulso » Cada ponderação do aparelho, tem um tempo de eco e um tempo de repetição, gerando diferentes sinais em cada tecido Utilização das ponderações ❖ Ponderação T2 » A sequência de ponderação T2 é muito boa para ver líquido » O líquido tem um sinal alto (hipersinal) – fica branco ❖ Ponderação T1 » O líquido tem sinal baixo (hiposinal) – fica preto Cada característica de estrutura vai geral uma característica diferente ❖ Hipersinal na ponderação T1 » Melanina » Sangue » Gordura » Fluxo lento (vaso que está com uma trombose e o fluxo fica lento) » Contraste » Alto teor proteico » Substâncias paramagnéticas (cobre e manganês ❖ Diferenciando as ponderações » A sequência das imagens da esquerda para a direita » FLAIR ▪ Na avaliação do crânio, outra sequência que ajuda na avaliação é o FLAIR ▪ Ajuda na sequência sensível, auxiliando na identificação de lesões → Gordura é branca → Líquido é preto → T1 é uma sequência muito anatômica (oferece boa diferenciação entre substância branca e cinzenta - como a substância cinzenta é um pouco mais hidratada que a substância branca, ela fica um pouco mais escura) → Gordura também é branca → Onde tem líquido é bem branco Para diferenciar as ponderações é só procurar onde deve ter líquido (serve para qualquer região do corpo), se o líquido estiver branco, é T2, se estiver preto, é T1 → No crânio ainda há a opção de FLAIR → Onde é líquido é preto → Para diferenciar o FLAIR de T1, é só olhar para a substância cinzenta e para a substância branca → No FLAIR inverte as substâncias: a substância branca fica mais escura, fica mais preta e a substância cinzenta vai estar mais branca ❖ Estudos contrastados → T1 com contraste → O contraste em T1 fica com hipersinal (mais branco) → Nessa imagem não há lesão, mas dá para saber que teve contraste devido realce dos vasos, inclusive plexo coroide que também capta contraste (estão dentro dos ventrículos) → Na imagem acima, a primeira imagem (T1), é um T1 puro, em que se vê a gordura com hipersinal, assim como outras estruturas → Para diferenciar os tipos de tecidos que geram hipersinal em T1, é feito o T1 fast-sat, que não utiliza contraste, em que ocorre supressão de gordura (gordura causa hipersinal em T1) – toda a gordura macroscópica é suprimida → Com o T1 fat-sat é possível saber que a lesão da primeira imagem tem componente gorduroso, já que ocorreu supressão Indicações da RM » Doenças do SNC » Estruturas musculoesqueléticas » Doenças abdominais (fígado, pâncreas, TGI, vias biliares, fistulas perineias) ▪ Colangio ressonância • É uma sequência fortemente ponderada em T2 – ressaltam o sinal do líquido • Muito boa para avaliação da coledocolitíase » Gestantes com suspeita de abdome agudo » Avaliação fetal » Nas contraindicações a TC » Quando o pct tem contraindicação ao contraste iodado ❖ Protocolos de exame » Cada estrutura a ser examinada tem seu protocolo para ser examinada, assim como cada corte feito pela RM » Uso de buscopam ▪ Reduz o peristaltismo e pode ajudar a não gerar artefatos na imagem » Gel vaginal ▪ Usado para dilatar a cavidade vaginal em pct com suspeita de endometriose » Soro retal ▪ Usado em pcts com câncer retal para dilatar a região e facilitar o estudo ❖ Colangio RM » Indicada para avaliação anatômica no pré operatório ❖ Contraste da RM » É EV – contraste paramagnético ▪ O mais utilizado é o gadolínio o Pode ser usado em vários tempos do exame – pode fazer aquisição do contraste na fase arterial, portal, tardia/ equilíbrio o Efeito sobre o tempo de relaxamento T1 o Excretado por filtração glomerular » Os mais comuns são os extracelulares (gadolínio) » Reações são raras e leves » São usados em lesões tumorais primárias ou secundárias, lesões inflamatórias/ infecciosas, recidivas tumorais » O uso de contraste é indicado de acordo com o clearance de creatinina do pct ▪ A creatinina isolada não deve ser usada ▪ Um clearance de Cr > 60 pode fazer contraste caso não tenha outra contraindicação ▪ Clearance entre 30 e 60: avaliar o risco e benefício do uso do contraste ▪ Clearance < 30 ml/min: não faz contraste → Nas imagens acima, é T2, pois o liquor do canal medular está branco → Na imagem B também é T2 mas já em outra programação → As imagens mostram um hemangioma hepático → Essa imagem acima já mostra uma hiperplasia nodular focal → A seta branca mostra a cicatriz central → É lesão que tem um sinal semelhante ao do parênquima hepático, já que é uma hiperplasia desse parênquima → Tumor central na imagem acima → Sequência T1 sem contraste e com contraste → O contraste dá um realce no tumor, principalmente na periferia, pois ele pode já ser mais necrótico no centro → Nessa imagem de cima já é uma angiorressonância → Pode ser feita com e sem contraste → Ocorrer sobressalto dos vasos → Tumor retal na imagem acima → É possível ver o espessamento irregular da parede do reto, que pode ser uma lesão → A RM mostra as estrias na região perirretal, que podem ser apenas reações do tumor, quanto já ser um indicativo de invasão para a gordura → Nessa imagem de cima já é observado o adenoma hepático → E possível ver um outro tipo de sequência possível na RM, que é o OUT PHASE → É a sequência T1 com essas linhas pretas margeando o contorno dos órgãos sólidos o São chamadas de artefatos tinta nanquim ou chemical shift o Essa sequência é muito boa para avaliar gordura intracelular/ microcelular → Cirrose hepática → Na imagem A é T1 IN PHASE (T1 normal), já na B é o T1 OUT PHASE, por contas dos artefatos Difusão É uma outra sequência específica de RM, que é usada principalmente no crânio para avaliar os insultos isquêmicos, lacunares não identificados na TC É o termo utilizado para descrever o movimento randômico (Browniano) das moléculas de água ❖ Pode ter: » Alto sinal: significa que há restrição da difusão; moléculas de água têm o movimento restringido – alta celularidade (membrana baixa) ou viscosidade do líquido » Baixo sinal: movimentação livre das moléculas da água » Valor B: quantidade de sensibilidade à difusão » Mapa de ADC: quantificar a difusão (calculado) Na imagem abaixo (na primeira da esquerda para a direita), há alta sinal na difusão, confirmado pela sequência ADC(imagem 2) – onde há alto sinal na difusão tiver baixo sinal na ADC, é confirmado que na região há restrição da difusão Artefatos Todos os estudos de imagem podem ter artefatos → Na imagem de cima, demonstra o artefato de movimentação respiratória, que pode ser reduzido com o gatilho respiratório, que é a sincronização da coleta de dado com o período de menor movimentação do diafragma (final da expiração e início da inspiração) → Nessas imagens é possível observar o artefato de falha de supressão (da gordura) Fibrose sistêmica nefrogênica (FSN) É uma condição rara Associada ao uso do gadolínio Ocorre formação de tecido conectivo na pele, ficando espessada e endurecida – faz diagnóstico diferencial com esclerodermia, fibrose induzida por drogas, escleromixedema e fasciite eosinofílica Não tem uma causa bem definida, mas observa-se que os pcts com insuficiência renal de moderada a grave demoram mais tempo para eliminar o gadolínio do corpo e esse contraste acaba se depositando em outros locais, como na pele, nos outros órgãos É uma doença severa, progressiva e irreversível Não há tto efetivo Não acomete face, mas pode acometer articulações e planos musculares, fígado, pulmão, rins