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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
Faculdade de Direito – Sociologia Geral – MG1
São Paulo, 23 de março de 2021
Profª Dora Nogueira Porto
Ana Beatriz Mendes Simon Machado, Beatriz Camargo Ferreira de Castilho, Bruna Furlan Pedrosa, Carolina Gatti Santos, Julia Mello Pinheiro, Karoline Torres Ferreira.
Atividade 1: Simulação de análise sociológica acerca do Povo Krahô. 
Estrutura 
Os Krahôs, Craós, Craôs, Caraôs ou Caraús são índios jês, ou seja, povos nativos sul-americanos, que habitam o território denominado Kraholândia. Essa área compreende as fronteiras entre os estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, e é composta por vinte e cinco aldeias. A população é constituída por aproximadamente 2.463 indígenas falantes da língua da família Jê.
Os componentes essenciais que compõem a etnia dos Krahô são os integrantes da tribo, visto que todos desempenham papel fundamental na manutenção do bem-estar da comunidade. Fato que comprova essa afirmação, é a divisão de atividades entre os gêneros feminino e masculino, os quais, juntos, são responsáveis pela produção dos alimentos, das redes, bancos, casas, canoas e ferramentas utilizadas no dia a dia, como vasos de cerâmica, cestos, flechas, arcos.
Eles se estruturam em aldeias nas quais as casas, feitas de barro e palha, são organizadas de forma circular, criando uma espécie de padrão característico da musicalidade, utilizado pelos indígenas para “chamamento”. Os caminhos, do pátio para as casas, formam raios de sol, representando um símbolo de proteção para os Krahôs, de modo que o pátio, localizado no centro da aldeia, serve como palco para as atividades culturais desse povo. Nesse contexto, essa organização circular das ocas evidencia que não há uma hierarquização social ou religiosa, diferentemente da maioria das demais organizações sociais, principalmente as de caráter ocidental, onde o capitalismo é predominante e acentua, de maneira significativa, as diferenças de classe e gênero. 
 Além disso, os krahô são caracterizados por suas pinturas, as quais evidenciam a singularidade de sua cultura, visto que podem sintetizar uma linguagem gráfica, complementando os saberes transmitidos oralmente e os costumes desse povo. Eles pintam seus corpos com urucum, jenipapo e carvão, conforme os padrões estabelecidos por cada grupo: a tinta de urucum se relaciona à beleza, à proteção e à construção de corpos saudáveis; o preto, a cor do jenipapo, significa dureza e resistência e, por isso, o recém-nascido, considerado ihpeacre (“mole, sem movimento”), só pode ser pintado com urucum. Essa característica ilustra, ao mesmo tempo, a criatividade dos indígenas frente aos processos de ensino e aprendizagem que se dão em diferentes contextos sociais, diferente das sociedades ocidentais que, muitas vezes, se utilizam de modelos de ensino os quais priorizam a valorização das características produtivas, de tal forma que a cultura das massas se sobreponha às características regionais. 
Ainda entre os Krahôs, existem associações civis sem fins lucrativos que têm sede em diversas aldeias e são responsáveis por discutir empecilhos, tendo como finalidade organizar essa população, de modo que ela possa alcançar suas reivindicações e lutar pelos seus direitos. Esse fato revela a posição marginalizada desse grupo, o qual, para preservar sua cultura e resistir à influências exteriores, busca cada vez mais espaço para legitimar suas lutas e direitos.
História
Alvo de inúmeras reviravoltas em sua história, os Krahôs tiveram seu primeiro contato com os homens brancos no início do século XIX. No início desse século, eles foram estimados em três ou quatro mil, e após atacarem uma grande fazenda em 1809, foram assaltados por uma expedição que fez mais de 70 prisioneiros Krahô. Depois disso, a relação dos indígenas com os homens brancos passou a ser pacífica, entretanto, não foi assim com todas as etnias indígenas vizinhas, as quais foram combatidas e escravizadas pelos Krahôs, que foram apoiados por fazendeiros. Já em 1852, tinham caído para 620, após as epidemias de 1849-1850.
De milhares de membros, após o início do contato com o homem ocidental, restaram cerca de 400 índios, os quais migraram para o norte de Tocantins, em uma área delimitada pelo governo federal como sua reserva indígena, em Goiatins e Itacajá.
Inicialmente, tiveram relações amistosas e de proteção com os fazendeiros da região, mas um furto de gado dos Krahô sobre os rebanhos resultou na mudança dessa relação: houve um ataque de três fazendeiros a duas de suas aldeias, em 1940, no qual morreram cerca de 26 indígenas. Depois do ocorrido, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) passou a atuar entre eles, sendo, no entanto, pouco prestativo, sem apoio moral e material ao povo Krahô, além de não tomar atitudes quanto à ausência de medicamentos e a escola sem professores na maior parte do tempo.
No livro Nove Noites, de Bernardo de Carvalho, há o relato do ataque que ocorreu na madrugada do dia 25 de agosto de 1940:  “Mulheres foram trucidadas com crianças ao peito. Ao serem atacados, o chefe Luís Balbino ainda pediu para falar com os fazendeiros, mas foi assassinado pelos agressores, que pilharam a aldeia, levando também os objetos dados por Quain. Sob pressão do Estado Novo, os fazendeiros foram julgados e condenados, embora tenham cumprido a pena em liberdade condicional. O episódio acabou levando à delimitação do território krahô e à criação do posto indígena Manoel da Nóbrega, pelo Serviço de Proteção aos Índios. Os reflexos do trauma do massacre foram imensos e podem ser detectados até no movimento messiânico, a qual seguiram um profeta que prometia transformá-los em civilizados, que se desenvolveu entre os Krahô por volta de 1952, em outra aldeia.”
Em 1975 a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) demarcou as terras da Kraholândia, nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins, nos quais habitam atualmente. O território foi homologado pelo Decreto-Lei nº 99.062, em 7 de março de 1990.
 Assim como os Krahôs, outros grupos indígenas sofreram com conflitos e precisaram de abrigo. Ao longo dos últimos séculos, portanto, os Krahôs incorporaram membros de várias outras etnias: os Timbira; parte dos Põrekamekrá, que eles haviam combatido em 1814; sobreviventes da tribo Kenkateyê da aldeia Chinela, do sul do Maranhão, destruída por fazendeiros em 1913; alguns migrantes Apinayé depois de 1923, e até mesmo alguns Apanyekrá, cuja aldeia mantêm comunicação de longa data. Dentre os não-Timbira, alguns Xerente procuraram abrigo junto aos Krahô, devido a desavenças internas na primeira metade do século XX. Além disso, na sua formação demográfica diversificada, há, atualmente, indivíduos Krahô com ascendência branca e negra, devido aos contatos do povo indígena com a população europeia e africana.
Homens
A língua predominante dos povos Krahô é a Timbira, a qual faz parte da família Jê, por sua vez incluída no tronco Macro-jê. Esse dialeto é o primeiro que esse povo aprende a falar, mas logo os rapazes passam a dominar o português, uma vez que são os indivíduos do sexo masculino que mais se entrosam com os sertanejos e os que mais viajam. Nota-se que há quarenta anos, eram poucas as mulheres que falavam a língua, no entanto, atualmente, esse número vem crescendo, o que mostra uma mudança no cenário. Além disso, outra variedade predominante no período atual é o aumento do contato entre as tribos e a cidade, além do crescimento de indivíduos que se deslocam das aldeias, apesar das dificuldades causadas pela falta de recursos.
Os Krahô são rígidos em relação aos seus costumes. Sobre esse aspecto, não há grande mobilidade para a parcela feminina da aldeia, visto que as mulheres nascem em uma casa e permanecem nela até o fim de suas vidas, enquanto os homens, depois de atingirem a maioridade, se mudam para a casa da esposa. Em relação aos comportamentos habituais, os homens não podem sair para caçar sem que carreguem os enfeites confeccionados pelas mulheres, já que sem eles, não conseguem nenhuma caça. Além disso, a única pessoaque pode cortar o cabelo dos demais integrantes da tribo é a mulher mais velha, que não menstrua mais. Em contrapartida, os Krahô, apesar de rígidos em relação aos seus costumes, mostram-se bastante abertos quando se trata do conhecimento de outras culturas, visto, que nos momentos em que realizam suas festas, aproveitam para confraternizar com os indígenas de outras tribos.
Outrossim, pode-se afirmar que a repressão sofrida por esse grupo possui raízes históricas que se estendem até a atualidade. Nesse contexto, desde a expansão das frentes agrícola e pastoril, os krahô passaram a ser vistos por elas como empecilhos para seu crescimento, já que eram os proprietários das terras que elas precisavam. Desse modo, essas frentes não mediram esforços oprimindo e escravizando esses povos para atender seus interesses. Entretanto, quando o interesse sobre os krahôs se encerrou, eles foram distanciados de suas antigas terras, que agora constituíam áreas dominadas pela frente pastoril, e alvos de ataques comandados por fazendeiros, de modo que muitos indígenas foram exterminados. Logo, a posição marginalizada dos krahô relaciona-se diretamente aos interesses econômicos de grandes instituições, como relacionadas ao agronegócio, por exemplo. 
As atividades realizadas por cada um dos gêneros, feminino ou masculino, se completam, pois juntas garantem a qualidade de vida de toda a comunidade. Exemplo disso é a divisão das decisões por estação, que consiste em dois grupos, compostos por homens e mulheres, tomando as decisões em cada uma das metades sazonais. Ademais, assim como seus antepassados, as mulheres são responsáveis pelas tarefas relacionadas ao preparo dos alimentos e ao cuidado com as crianças, enquanto os homens trabalham na derrubada do mato para a criação da roça, nas atividades de caça e de guerra, fato que evidencia a divisão das tarefas da tribo.

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