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DIREITO ADMINISTRATIVO 
AULA 6 
Prof. Silvano Alves Alcantara 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Processo administrativo é o conjunto de atos coordenados para a solução 
de uma controvérsia, no âmbito administrativo, ou ainda o conjunto de atos 
realizados, que servirão de base para uma decisão da Administração Pública. 
Materialmente falando, pode-se asseverar que o processo administrativo 
é o conjunto de papéis e documentos organizados numa pasta, e que sejam 
pertinentes a determinado assunto de interesse da Administração. 
Portanto, os temas a serem abordados nesta aula dizem respeito ao 
processo administrativo. 
TEMA 1 – PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
1.1 Princípio do contraditório 
Para que o direito de ampla defesa seja eficaz e não sofra restrições 
indevidas, exige a Constituição em seu art. 5°, LV, que o processo administrativo 
seja estruturado sob a forma do contraditório. 
Art. 5º .... 
 
(...) 
 
LV – Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos 
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, 
com os meios e recursos a ela inerentes. 
Como faceta do devido processo legal, Medauar (2016, p. 184) entende 
que o contraditório significa a faculdade de manifestar o próprio ponto de vista 
ou argumentos próprios ante fatos, documentos ou pontos de vista apresentados 
por outrem. 
1.2 Princípio da ampla defesa 
No processo administrativo, é direito do processado exercer sua ampla 
defesa quando entender que esteja sendo lesado pela atividade da 
Administração Pública. Ou seja, o princípio da ampla defesa significa uma 
adequada resistência do particular às pretensões que lhe forem opostas. 
 
3 
1.3 Princípio da oficialidade 
O princípio da oficialidade significa dizer que a Administração deverá 
buscar impulsionar o processo por meio da realização de todos os atos 
necessários, tudo visando ao final do processo o quanto antes. 
1.4 Princípio da verdade material 
O princípio da verdade material, também denominado verdade real, traduz 
o dever da Administração em alcançar o deslinde do processo, por intermédio
da verdade da situação, e não somente por meio da análise da verdade trazida 
aos autos, ou ainda da verdade que as partes tentam comprovar. 
1.5 Princípio do formalismo moderado 
O princípio do formalismo moderado consiste no fato de a Administração 
objetivar ritos e formas simples, sem a necessidade de maiores formalismos 
desnecessários. Isso quer dizer que não se deve condicionar a validade ou 
eficácia do processo administrativo a formalidades que sejam dispensáveis, para 
assegurar a certeza e a licitude do procedimento. 
TEMA 2 – SINDICÂNCIA 
A sindicância é o instrumento sumário para apuração de fatos e de autoria 
de possíveis infrações disciplinares. 
Serve tanto para, às vezes, encontrar o possível autor de alguma 
irregularidade quanto para elucidar determinadas situações fáticas, para ao final 
aferir. 
Meirelles (2018, p. 657) conceitua sindicância administrativa como: 
[...] o meio sumário de elucidação de irregularidades no serviço para 
subsequente instauração de processo e punição do infrator. 
Pode ser iniciada com ou sem sindicado, bastando que haja falta a 
apurar. Não tem procedimento formal, nem comissão sindicante, 
podendo realizar-se por um ou mais funcionários designados pela 
autoridade competente. 
De acordo com a Lei n. 8.112/1990 em seu art. 145, da sindicância poderá 
resultar: 
I – arquivamento do processo; 
4 
II – aplicação de penalidade de advertência ou suspensão de até 30 
(trinta) dias; 
III – instauração de processo disciplinar. 
O prazo para conclusão da sindicância não excederá 30 (trinta) dias, 
podendo ser prorrogado por igual período, a critério da autoridade superior, 
segundo a determinação do parágrafo único, do art. 145 da Lei n. 8.112/1990. 
TEMA 3 – PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
Processo administrativo disciplinar, segundo Odete Medauar (2016, p. 
306), caracteriza-se como “a sucessão ordenada de atos, destinados a averiguar 
a realidade de falta cometida por servidor, a ponderar as circunstâncias que nela 
concorrem e aplicar sanções pertinentes”. 
Conforme se verifica, no processo administrativo disciplinar não se busca 
descobrir quem é o autor de determinado fato ou possível falta infracional, mas 
se presta a ponderar a situação fática infracional e o seu contexto para, ao 
final, decidir pela aplicação de penalidade ou não. 
No âmbito da Lei n. 8.112/1990, o processo administrativo disciplinar deve 
ser instaurado 
sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de 
penalidade de suspensão por mais de 30 (trinta) dias, de demissão, 
cassação de aposentadoria ou disponibilidade, ou destituição de cargo 
em comissão. 
Abrem-se parênteses para destacar que um servidor provido num cargo 
em comissão pode ser exonerado sem a necessidade de um processo 
administrativo disciplinar, pois a autoridade competente pode nomear e exonerar 
a qualquer momento a pessoa investida em cargo em comissão. 
Nestes casos, as penalidades ora aludidas somente podem ser aplicadas 
se houver a precedência de um processo administrativo disciplinar. A utilização 
de sindicância, para tanto, é causa de nulidade de pleno direito. 
O prazo para conclusão do processo disciplinar não excederá 60 
(sessenta) dias, contados da data de publicação do ato que constituir a 
comissão, admitida a sua prorrogação por igual prazo, quando as circunstâncias 
o exigirem, é a determinação do parágrafo único, do art. 152 da Lei n.
8.112/1990. 
Concluída a instrução do inquérito, tipificada a infração disciplinar, será 
formulada a indiciação do servidor, com a especificação dos fatos a ele 
 
 
5 
imputados e das respectivas provas, sendo citado por mandado expedido pelo 
presidente da comissão para apresentar defesa escrita, no prazo de 10 (dez) 
dias, assegurando-se-lhe vistas do processo na repartição. O servidor que não 
apresentar defesa será considerado revel. 
Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na 
apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar 
poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 
60 (sessenta) dias, que poderá ser prorrogado por igual prazo, sem prejuízo da 
remuneração, findo o qual cessarão os efeitos, ainda que não concluído o 
processo (Lei n. 8.112/1990, art. 147). 
O processo disciplinar poderá ser revisto, a qualquer tempo, a pedido ou 
de ofício, quando se aduzirem fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de 
justificar a inocência do punido ou a inadequação da penalidade aplicada. Em 
caso de falecimento, ausência ou desaparecimento do servidor, qualquer pessoa 
da família poderá requerer a revisão do processo. No caso de incapacidade 
mental do servidor, a revisão será requerida pelo respectivo curador (Lei n. 
8.112/1990, art. 174, §§ 1º e 2º). 
TEMA 4 – FASES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E DA SINDICÂNCIA 
A rigor, tanto o processo administrativo disciplinar como o processo de 
sindicância possuem as seguintes fases: 
4.1 Fase de instauração 
É a fase inicial do processo, quando seja por impulso oficial ou provocado 
por terceiros, a Administração instaura a sindicância ou o processo 
administrativo disciplinar. 
De praxe, um de seus atos iniciais é a nomeação da comissão via Portaria, 
na qual devem estar descritos os fatos a que corresponde. 
4.2 Fase de instrução ou probatória 
É a fase em que se colhem e se buscam todos os elementos de fato e de 
direito, que consubstanciem ou ajudem na tomada de decisão justa, frente à 
realidade material, bem como quando ocorre a possibilidade de exercício de 
defesa. 
 
 
6 
Aqui estão presentes todos os instrumentos de provas e de ampla defesa, 
como, por exemplo, formulação de pareceres, depoimentos, oitivas, audiências 
públicas, relatórios, alegações escritas etc. Ou seja, todos os elementos que 
possamsubsidiar o conhecimento da autoridade para a sua decisão. 
4.3 Fase decisória 
É a fase que se inicia quando o processo é avocado pela autoridade 
máxima para a emissão de sua decisão. 
Nesta fase, estão inclusos desde o ato decisório até os atos condicionais 
posteriores indispensáveis para a sua validade e eficácia (por exemplo, lavratura 
de ata, publicação de decisão, notificação do interessado, notificação pessoal do 
processado etc.). 
TEMA 5 – DEFESA TÉCNICA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR 
OU NA SINDICÂNCIA 
Há anos existe o questionamento, por parte da doutrina e da 
jurisprudência pátria, acerca da necessidade de advogado na defesa técnica de 
um servidor acusado no processo administrativo disciplinar, ou numa sindicância 
que culmine em sanção ou não. 
Segue a lógica de que a sindicância que resulta de uma sanção também 
deva possuir defesa técnica elaborada por um advogado, visto que haverá a 
restrição de um direito por parte de uma pessoa. 
Existe no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a Súmula n. 343, na qual 
exige-se a defesa técnica no âmbito do processo administrativo: “É 
OBRIGATÓRIA A PRESENÇA DE ADVOGADO EM TODAS AS FASES DO 
PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR”. 
Todavia, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que 
não, assim evidenciado por meio da Súmula Vinculante n. 05, que preceitua: “A 
FALTA DE DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO NO PROCESSO 
ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR NÃO OFENDE A CONSTITUIÇÃO”. 
Particularmente, entendemos que a falta de defesa técnica realizada por 
um advogado, nos termos da Lei n. 8.906/1994, é causa de invalidade de um 
processo administrativo disciplinar, ou de uma sindicância que culmine em 
sanção. 
 
 
7 
NA PRÁTICA 
No processo administrativo disciplinar, que poderá ser revisto a qualquer 
tempo, a pedido do interessado, quando se aduzirem fatos novos ou 
circunstâncias susceptíveis de justificar a inocência do punido ou a inadequação 
da penalidade a ele aplicada, a indiciação do servidor é feita já na fase de 
instauração? 
FINALIZANDO 
Trabalhamos nesta aula com o processo administrativo. 
Foi possível fazermos a abordagem dos princípios basilares que o 
sustentam, bem como trazer as peculiaridades da sindicância e as distinções 
com o processo administrativo. 
Falamos ainda sobre as fases da sindicância e do processo administrativo 
e particularmente sobre o processo administrativo disciplinar. 
 
 
 
 
8 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição Federal. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso 
em: 22 abr. 2019. 
______. Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 12 dez. 1990. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8112cons.htm>. Acesso em: 22 abr. 
2019. 
MEDAUAR, O. Direito administrativo moderno. 20. ed. São Paulo: RT, 2016. 
MEIRELLES, H. L. Direito administrativo brasileiro. 43. ed. São Paulo: 
Malheiros, 2018.

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