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PROCESSO ADMINISTRATIVO - LEI 9784/99 
 
1. INTRODUÇÃO 2 
2. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 4 
3. CRITÉRIOS DE ATUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E DIREITOS E DEVERES DOS 
ADMINISTRADOS 7 
4. ETAPAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 12 
4.1 PROCEDIMENTO DE INÍCIO E INTIMAÇÃO 12 
4.2 DELEGAÇÃO E AVOCAÇÃO DE COMPETÊNCIAS 15 
4.3 IMPEDIMENTOS E SUSPEIÇÕES 18 
4.4 INSTRUÇÃO 18 
4.4.1. PROVAS ADMITIDAS 20 
4.4.2. PROLAÇÃO DA DECISÃO 21 
4.4.2.1. ABSOLVIÇÃO ADMINISTRATIVA ANTECIPADA 24 
4.4.2.2. DA DECISÃO COORDENADA 25 
4.4.3 ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO 27 
4.4.4. DO RECURSO ADMINISTRATIVO 31 
4.5 REVISÃO ADMINISTRATIVA 34 
5. DISPOSIÇÕES FINAIS 35 
5.1 JURISPRUDÊNCIA EM TESES 36 
5.1.1 EDIÇÃO nº 132 36 
5.2. SÚMULAS SOBRE PROCESSO ADMINISTRATIVO 37 
5.2.1. SÚMULAS DO STF 37 
5.2.2. SÚMULAS DO STJ 38 
 
 
 
Atualizado até 08/12/2025
1
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Quando estudamos a estrutura organizacional da Administração Pública, sabemos que ela é 
constituída por órgãos (quando falamos da Administração Pública Direta), ou no que diz respeito à 
Administração Pública Indireta, há a criação de outras pessoas jurídicas de direito público que detém 
autonomia, mas que se submetem ao denominado controle finalístico. Porém, para o devido funcionamento da 
máquina pública, não basta a compartimentalização das tarefas em órgãos diversos, ou a criação de outros 
entes, mas sim o treinamento e a aptidão de pessoas naturais, que se comprometam a realizar a persecução da 
atividade pública. 
Muitas das carreiras existentes na Administração Pública são organizadas em classes (ou categorias). 
Desta forma, pessoas em uma classe superior - que ascenderam por cumprirem os requisitos do plano de 
carreira - exercem verdadeiro poder hierárquico sobre seus subordinados. Neste sentido, em respeito ao 
princípio da legalidade, a forma como esse poder será exercido deve possuir regras claras e já previstas em lei, 
de modo a respeitar os preceitos constitucionais previstos no art. 5º, da Carta Magna, no que diz respeito tanto 
aos processos judiciais, quanto aos processos administrativos. 
Após anos de estudos doutrinários sobre o tema, com diversas legislações esparsas, em 1999 foi 
promulgada a Lei nº 9.784, que, de acordo com sua própria ementa, “regula o processo administrativo no 
âmbito da Administração Pública Federal''. 
Ressalta-se que o Brasil utiliza o sistema inglês, de jurisdição única. Ou seja, o processo administrativo 
em nosso ordenamento não exaure a discussão com caráter definitivo, admitida a rediscussão na esfera 
judiciária. Portanto, a coisa julgada administrativa se restringe à esta esfera. 
 
⚠ ATENÇÃO 
Muito embora a própria lei deixar expressamente consignada a ideia de regular o processo 
administrativo em âmbito federal, sendo aplicada não só ao Poder Executivo, mas também “aos órgãos dos 
Poderes Legislativo e Judiciário da União, quando no desempenho de função administrativa” (art. 1º, §1º), o 
Superior Tribunal de Justiça já consolidou entendimento no sentido de ser possível sua aplicação aos demais 
Entes da Federação quando estes não tiverem regramento próprio sobre o processo administrativo. 
Ainda, será possível a incidência da Lei Federal quando não for contrária aos termos da lei local (estadual, 
distrital e municipal). Vejamos: 
 
Súmula 633: A Lei nº 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para revisão de atos 
administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos 
estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. 
 
 
2
 
Ainda, a própria Lei do Processo Administrativo também refere que suas disposições serão aplicadas 
caso não sejam conflitantes com outras leis que eventualmente também regulem o mesmo objeto: 
 
 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes 
apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 
 
Quanto ao conceito do instituto, o professor Fabrício Bolzan de Almeida1 aduz que o processo 
administrativo “consiste no conjunto de atos administrativos concatenados (ordenados) e preparatórios de uma 
decisão da Administração.” E prossegue2: 
 
“Essa decisão pode estar relacionada com alguma controvérsia no âmbito administrativo, entre Administração 
e administrado, ou não, isto é, não existe nenhuma controvérsia, mas a Administração se vale de um processo 
administrativo antes de expedir uma decisão final. Ex.: processo de expediente formado em razão de um 
pedido de certidão. 
Ademais, importante destacar que uma das espécies de processo administrativo é o PAD (processo 
administrativo disciplinar), que visa apurar infrações funcionais praticadas pelos servidores públicos (...)” 
 
Sabemos que nas provas objetivas o examinador tende a se ater ao texto da lei, principalmente aos 
conceitos trazidos em seu bojo. Sendo assim, é importante que o aluno conheça e memorize o teor do 
parágrafo 2º do art. 1º, que traz, para fins de processo administrativo, os conceitos de órgão, entidade e 
autoridade. Vejamos: 
 
Art. 1º. (...) §2º Para os fins desta Lei, consideram-se: 
I - órgão - a unidade de atuação integrante da estrutura da Administração direta e da estrutura da 
Administração indireta; 
II - entidade - a unidade de atuação dotada de personalidade jurídica; 
III - autoridade - o servidor ou agente público dotado de poder de decisão 
 
🚩 NÃO CONFUNDA: Processo Administrativo x Procedimento Administrativo 
PROCESSO ADMINISTRATIVO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO 
Série concatenada de atos, seguindo ordem definida 
em Lei e com finalidade específica, tendo em vista 
um ato administrativo final. 
Forma pela qual os atos administrativos do processo 
se desenvolvem; é o rito pelo qual se alcança a 
finalidade do processo. 
2 Almeida, Fabrício Bolzan D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
1 Almeida, Fabrício Bolzan D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
3
 
2. PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
 
Tendo sempre em mente que todo e qualquer ato da Administração Pública é regido pelos princípios 
constantes no caput do art. 37 da Constituição Federal (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e 
eficiência), destacamos que o diploma particular que rege o processo administrativo também traz princípios 
próprios a serem observados no transcurso dos procedimentos. Vejamos o teor do art. 2º, caput, da Lei nº 
9.784/99: 
 
Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, 
razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse 
público e eficiência. 
 
É preciso destacar que este rol de princípios do art. 2º é exemplificativo, ou seja, não exclui outros 
que existem em nosso ordenamento jurídico e podem ser encaixados no caso concreto. Neste sentido, pode-se 
perceber que houve certa ampliação do rol constante no texto constitucional, sendo manifestamente expressa 
a importância dos princípios da finalidade, motivação, razoabilidade e proporcionalidade (consectários do 
devido processo legal), ampla defesa, contraditório, segurança jurídica e, por fim, interesse público. Muitos 
desses são até mesmo redundantes e confundem-se com o próprio objeto de perseguição da Administração 
Pública, tal qual o é o Interesse Público. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Procurador do Estado do Espírito Santo (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta 
a seguinte assertiva: Ao estabelecer que, nos processos administrativos, será observada interpretação da 
norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada a 
aplicação retroativa de nova interpretação, a lei está tratando do princípio da segurança jurídica.de interesse público, claro está que a possibilidade de 
convalidação não se apresenta. 
 
28
 
Com efeito, ao se alterar o objeto ou a finalidade, o ato inicial não será mais o mesmo, o que impede, 
por razões lógicas, a perspectiva de sua correção. 
Convém destacar, também, a necessidade de o ato de convalidação vir acompanhado das razões, dos 
motivos que deram origem a ele, seguindo, dessa forma, a regra geral aplicável a todos os atos administrativos. 
Nesse sentido, há previsão expressa no art. 50, quando, ao observar que todos os atos administrativos deverão 
ser motivados com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, incluiu no inciso IV a hipótese que 
importe em convalidação.”23 
Quanto à anulação do ato administrativo, convém sabermos o teor do art. 54, da Lei nº 9.784/99: 
 
Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para 
os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. 
§1º No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro 
pagamento. 
§2º Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe 
impugnação à validade do ato. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Promotor de Justiça do Estado do Pará (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada correta a 
seguinte assertiva: A administração pública pode, no exercício de seu poder de autotutela, anular atos que 
estejam em desacordo com o ordenamento jurídico, dos quais decorram efeitos benéficos aos destinatários, 
observado o prazo decadencial de cinco anos, sendo este último inaplicável quando o ato for praticado em 
dissonância com a CF, ou quando houver má-fé por parte do beneficiário. 
 
Nota-se que o instituto da anulação será utilizado sempre que o vício do ato administrativo decorrer 
de ilegalidade. Nestes casos, a Administração Pública estará obrigada a anular o ato, sob pena de o próprio 
Poder Judiciário o fazê-lo. Porém, é importante atentar para o prazo de 05 anos para anulação quando 
estivermos diante de administrados de boa-fé. Contudo, tal lapso temporal não se aplica quando estivermos 
diante de má-fé, oportunidade em que o ato poderá ser anulado a qualquer tempo. “Assim sendo, para aqueles 
atingidos por atos administrativos que estejam imbuídos de má-fé, esse prazo de cinco anos, previsto no 
dispositivo legal reproduzido, poderá ser mais extenso, sem que o legislador tenha fixado qual seria ele, o que 
deixa a questão em aberto.”24 
Por fim, é importante lembrar que os demais entes da Federação têm plena liberdade para editar leis 
relacionadas ao processo administrativo, bastando apenas que observem os limites fixados pela legislação 
24 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
23 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
29
 
federal. O Superior Tribunal de Justiça já consolidou entendimento no sentido de que, ante a inexistência de 
previsão semelhante na legislação local, o prazo de 05 anos pode ser aplicado também nos processos 
administrativos dos Estados, Distrito Federal e Municípios: 
 
Súmula 633 do STJ: A Lei n. 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a 
revisão de atos administrativos no âmbito da Administração Pública federal, pode ser aplicada, de forma 
subsidiária, aos estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. 
 
Da mesma forma que já fizemos outras vezes, segue abaixo tabela retirada do livro Esquematizado - 
Direito Administrativo25, cuja transcrição tem por objetivo auxiliar o aluno a memorizar a matéria: 
 
ANULAÇÃO 
Por razões de legalidade, com efeito ex tunc, com prazo decadencial de cinco anos 
(arts. 53, 54 e Súmula 473 do STF). 
REVOGAÇÃO 
Por razões de conveniência ou oportunidade, com efeito ex nunc (art. 53 e Súmula 473 
do STF). 
CONVALIDAÇÃO 
Possível, desde que cumpridas as seguintes exigências (art. 55): 
● não tenha acarretado lesão ao interesse público e nem prejuízo a terceiros; 
● o vício apresentado possa ser corrigido. 
 
⚠ CUIDADO 
É inconstitucional lei estadual que estabeleça prazo decadencial de 10 anos para anulação de atos 
administrativos reputados inválidos pela Administração Pública: 
 
1. Ação direta contra o art. 10, I, da Lei nº 10.177/1998, do Estado de São Paulo, que estabelece o prazo 
decadencial de 10 (dez) anos para anulação de atos administrativos reputados inválidos pela Administração 
Pública estadual. 2. Lei estadual que disciplina o prazo decadencial para o exercício da autotutela pela 
administração pública local não ofende a competência da União Federal para legislar sobre direito civil (art. 22, 
I, CF/1988) ou para editar normas gerais sobre licitações e contratos (art. 22, XXVII, CF/1988). Trata-se, na 
verdade, de matéria inserida na competência constitucional dos estados-membros para legislar sobre direito 
administrativo (art. 25, § 1º, CF/1988). 
4. Sem embargo, o prazo quinquenal consolidou-se como marco temporal geral nas relações entre o 
Poder Público e particulares (v., e.g., o art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 e o art. 173 do Código Tributário 
Nacional), e esta Corte somente admite exceções ao princípio da isonomia quando houver fundamento 
25 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
30
 
razoável baseado na necessidade de remediar um desequilíbrio entre as partes. 5. Os demais estados da 
Federação aplicam, indistintamente, o prazo quinquenal para anulação de atos administrativos de que 
decorram efeitos favoráveis aos administrados, seja por previsão em lei própria ou por aplicação analógica do 
art. 54 da Lei nº 9.784/1999. Não há fundamento constitucional que justifique a situação excepcional do Estado 
de São Paulo, impondo-se o tratamento igualitário nas relações Estado-cidadão. 6. A presente ADI foi ajuizada 
somente em 2018 e o art. 10, I, da Lei nº 10.177/1998 vem sendo aplicado há décadas pela Administração 
Pública paulista, tendo servido de base à anulação de diversos atos administrativos. A declaração de nulidade, 
com efeitos ex tunc, do dispositivo ora impugnado acarretaria enorme insegurança jurídica no Estado de São 
Paulo, com potencial de (i) refazimento de milhares de atos administrativos cuja anulação já se consolidou no 
tempo, (ii) ampla e indesejável litigiosidade nas instâncias ordinárias e (iii) provável impacto econômico em 
momento de grave crise financeira que assola o país, tendo em vista que os atos anulados haviam produzido 
efeitos favoráveis aos administrados 7. Desse modo, impõe-se a modulação dos efeitos desta decisão (art. 27 
da Lei nº 9.868/1999), para que (i) sejam mantidas as anulações já realizadas pela Administração até a 
publicação da ata do julgamento de mérito desta ação direta (23.04.2021), desde que tenham observado o 
prazo de 10 (dez) anos; (ii) seja aplicado o prazo decadencial de 10 (dez) anos aos casos em que, em 
23.04.2021, já havia transcorrido mais da metade do tempo fixado na lei declarada inconstitucional (aplicação, 
por analogia, do art. 2.028 do Código Civil); e (iii) para os demais atos administrativos já praticados, seja o 
prazo decadencial de 5 (cinco) anos contado a partir da publicação da ata do julgamento de mérito desta ação 
(23.04.2021). 8. Procedência do pedido, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 10, I, da Lei nº 
10.177/1998, do Estado de São Paulo, modulando-se os efeitos na forma acima descrita. (ADI 6019) 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Procurador do Estado de Minas Gerais (Ano: 2022; FGV) foi dado o seguinte cenário: 
“Com o objetivo de conferir máxima efetividade ao princípio da autotutela,o Estado Ômega, um dos estados 
com maior arrecadação tributária do país, editou lei estabelecendo que a Administração Pública estadual 
anulará seus atos inválidos, de ofício ou por provocação de pessoa interessada, observado o prazo 
decadencial de 10 (dez) anos contado de sua produção.” Foi marcado como correto “de acordo com a 
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a citada norma é inconstitucional, por violação ao princípio da 
igualdade com os demais Estados-membros, pois o prazo de 5 anos, previsto na Lei nº 9.784/99, 
consolidou-se como marco temporal geral nas relações entre o poder público e particulares.” 
 
4.4.4. DO RECURSO ADMINISTRATIVO 
Uma vez prolatada a decisão, com a devida fundamentação, será cabível recurso administrativo, por 
razões de legalidade e mérito, conforme art. 56. O prazo para sua interposição, via de regra, é de 10 dias a 
contar da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida, tendo legitimidade para tanto: 
● os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; 
● aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; 
 
31
 
● as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; 
● os cidadãos ou associações, quanto a direitos ou interesses difusos. 
A insurgência do interessado deverá conter exposição dos fundamentos que baseiam o pedido de 
reexame da decisão, podendo a parte juntar documentos que lastreiam seu pedido, se assim entender 
pertinente. Ainda, consta no art. 61 da Lei regente, via de regra o recurso interposto não tem efeito suspensivo, 
sendo que este pode ser atribuído, de ofício ou a requerimento do interessado, em caso de justo receio de 
prejuízo de difícil ou incerta reparação decorrente da execução. 
 
⚠ ATENÇÃO 
A parte interessada pode juntar documentos quando da interposição de recurso! 
O recurso será interposto frente à própria autoridade que proferiu a decisão atacada, que terá o 
prazo de 05 dias para, se assim entender pertinente, reconsiderar sua decisão. Não sendo este o caso, 
encaminhará a insurgência à autoridade superior, no prazo máximo de 05 dias. De acordo com o art. 57, “o 
recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias administrativas, salvo disposição legal diversa.” 
Quanto a esta fase inicial de tramitação do recurso, qual seja, no juízo de reconsideração, atenção 
para o §3º do art. 57, que diz: 
 
Art. 57. (...) § 3º Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, 
caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o 
recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. 
(Lei nº 11.417, de 2006) 
 
Prosseguindo, uma vez remetido o recurso para a autoridade superior competente para julgá-lo, este 
o fará em 30 dias, a partir de seu recebimento, podendo este prazo ser prorrogado por igual período, ante 
justificativa explícita. O recurso não será conhecido quando interposto: 
● fora do prazo; 
● perante órgão incompetente, hipótese na qual será indicada ao recorrente a autoridade competente, 
sendo-lhe devolvido o prazo para recurso; 
● por quem não seja legitimado; 
● após exaurida a esfera administrativa. 
 
⚠ ATENÇÃO 
Dado seu poder de autotutela, o não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever 
de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. 
Uma vez processado, deverá a parte contrária ser intimada para, no prazo de 05 dias úteis, 
 
32
 
apresentar contrarrazões. Pronto o recurso para julgamento, a autoridade julgadora, ao decidir, poderá 
confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida. Se a reforma da decisão 
recorrida puder resultar em agravamento da situação do administrado, este deverá ser cientificado para que 
formule suas alegações antes da decisão. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Promotor de Justiça do Estado de Roraima (Ano: 2023; AOCP) foi considerado correto 
que “em sede de recurso administrativo, se o órgão julgador divisar a possibilidade de agravar a situação do 
recorrente, deverá cientificá-lo para que formule suas alegações.” 
 
A possibilidade de reforma em prejuízo ao interessado nos mostra que é possível a reformatio in 
pejus no âmbito do processo administrativo, mais precisamente na fase de julgamento dos recursos. Todavia, 
cuidado: a possibilidade de reforma em prejuízo ao servidor ou administrado dentro do mesmo processo na 
fase recursal, não autoriza que haja um novo julgamento completamente distinto para tal finalidade. Vejamos 
parte do julgado abaixo: 
 
Servidor já punido não pode ser novamente julgado para agravar sua pena - Depois do servidor já ter sido 
punido, é possível que a Administração, com base na autotutela, anule a sanção anteriormente cominada e 
aplique uma nova penalidade mais gravosa? NÃO. A decisão administrativa que põe fim ao processo 
administrativo, à semelhança do que ocorre no âmbito jurisdicional, possui a característica de ser definitiva. 
Logo, o servidor público já punido administrativamente não pode ser julgado novamente para que sua pena 
seja agravada mesmo que fique constatado que houve vícios no processo e que ele deveria receber uma 
punição mais severa. Assim, a anulação parcial do processo administrativo disciplinar para adequar a 
penalidade aplicada ao servidor, consoante pareceres do órgão correspondente, ensejando aplicação de 
sanção mais grave ofende o devido processo legal e a proibição da reformatio in pejus. Obs: o 
posicionamento acima tem por base a Súmula 19 do STF, que dispõe: “É inadmissível segunda punição 
de servidor público, baseada no mesmo processo em que se fundou a primeira.” STJ. 3ª Seção. MS 
10950-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 23/5/2012 (Info 498). STJ. 1ª Seção. MS 11749/DF, Rel. Min. 
Benedito Gonçalves, julgado em 11/06/2014. 
 
Por fim, atenção para os dispositivos abaixo, uma vez que eles se relacionam com a existência de 
súmula vinculante que verse sobre a matéria objeto do recurso: 
 
Art. 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir 
o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso. 
 
 
33
 
Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula 
vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que 
deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização 
pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. 
 
4.5 REVISÃO ADMINISTRATIVA 
Nos termos do art. 65, da Lei nº 9.784/99, “os processos administrativos de que resultem sanções 
poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias 
relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada''. Neste sentido, não se trata de recurso 
em sentido estrito, mas sim instrumento utilizado de forma a demonstrar a inadequação da sanção aplicada, 
diante do surgimento de fatos novos ou circunstâncias relevantes que justifiquem essa inadequação.26 
 
⚠ ATENÇÃO 
O art. 65, parágrafo único, estabelece que a revisão do processo não poderá resultar em agravamento 
da sanção. Atenta-se que é o oposto dos recursos: no julgamento destes, é permitido o agravamento da 
situação do administrado, sem se falar em reformatio in pejus in devida, ao passo que na Revisão administrativa 
isso não é permitido. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Promotor de Justiça de Santa Catarina (Ano: 2023; CEBRASPE), foi considerado 
incorreta a seguinte assertiva: “Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, 
a pedido ou de ofício, quando surgiremfatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a 
inadequação da sanção aplicada, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e desde que em favor do 
sancionado.” 
 
Neste sentido, está firmada a Tese nº 47 pertencente à Edição nº 154 do Jurisprudência em Teses do 
Superior Tribunal de Justiça, a saber: 
 
Da revisão do PAD não poderá resultar agravamento da sanção aplicada, em virtude da proibição do bis in 
idem e da reformatio in pejus. 
 
 
26 Almeida, Fabrício Bolzan D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
34
 
5. DISPOSIÇÕES FINAIS 
 
Para finalizar, referimos que o professor Celso Spitzcovsky, no seu livro “Esquematizado - Direito 
Administrativo”, trouxe um interessante quadro sinótico condensando os principais pontos estudados sobre o 
Processo Administrativo. Tendo em vista que nos comprometemos a auxiliar o máximo possível os estudantes 
que almejam um cargo público, transcrevemos tal resumo abaixo, a fim de facilitar na memorização dos tópicos 
e em eventual revisão de véspera27: 
 
PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL 
LEGISLAÇÃO 
A matéria está disciplinada na Lei nº 9.784/99, aplicando-se, subsidiariamente, aos 
processos administrativos específicos (art. 69). 
CAMPO DE 
INCIDÊNCIA 
Administração direta e indireta da União. 
OBJETO 
Proteção dos direitos administrativos e melhor adequação aos fins da 
Administração (art. 1º). 
PRINCÍPIOS Elenco exemplificativo e ampliado em relação ao art. 37 da CF (art. 2º). 
CRITÉRIOS DE 
ATUAÇÃO DA 
ADMINISTRAÇÃO 
Elenco exemplificativo (art. 2º, parágrafo único). 
DIREITOS DOS 
ADMINISTRADOS 
Elenco exemplificativo (art. 3º). 
ETAPAS DO 
PROCESSO 
ADMINISTRATIVO 
➔ Início (art. 5º); 
➔ Intimação (art. 26); 
➔ Delegação e avocação de competências (arts. 11, 13 e 15); 
➔ Impedimentos (art. 18); 
➔ Instrução (arts. 29 a 47), destacando-se: 
a. provas admitidas (art. 30); 
b. realização de consulta pública (art. 31); 
27 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
35
 
c. realização de audiência pública (art. 32); 
d. decisão (arts. 48 e 49); 
e. anulação e revogação (arts. 53 e 54); 
f. convalidação (art. 55); 
g. recursos administrativos (arts. 56 a 64); 
h. revisão administrativa (art. 65). 
 
Ainda, via de regra os prazos do processo administrativo serão de 05 dias, salvo motivo de força maior 
ou disposição em contrário, prevista na própria decisão que determinou a realização de algum ato. Este prazo 
de 05 dias poderá ser dilatado em até o dobro, desde que mediante necessária e comprovada justificativa. 
Também destacamos que os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a 
data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Ademais, deverão ser realizados em 
dias úteis, no horário normal de funcionamento da repartição na qual tramitar o processo e serão concluídos 
depois do horário normal quando, uma vez já iniciados, seu adiamento prejudicar o curso regular do 
procedimento ou causar dano ao interessado ou à Administração. 
 
5.1 JURISPRUDÊNCIA EM TESES 
Ressaltamos aqui as teses jurisprudenciais de maior destaque fixadas pelo Superior Tribunal que, 
muito embora não tenham caráter vinculante, norteiam as decisões dos demais órgãos do Poder Judiciário e 
podem ser cobradas nas provas de concurso. 
 
5.1.1 EDIÇÃO nº 132 
1) No âmbito de recurso ordinário, a decadência administrativa prevista no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 
pode ser reconhecida a qualquer tempo e ex officio, por se tratar de matéria de ordem pública, sendo 
indispensável seu prequestionamento nas instâncias especiais. 
2) Diante da ausência de previsão legal, o prazo decadencial de 5 anos do art. 54, caput, da Lei n. 
9.784/1999 é insuscetível de suspensão ou de interrupção, devendo ser observada a regra do art. 207 do Código 
Civil. 
3) A superveniência da Lei Distrital n. 2.834/2001 não interrompe a contagem do prazo decadencial 
iniciado com a publicação da Lei n. 9.784/1999, uma vez que sua única finalidade é aplicar, no âmbito do Distrito 
Federal, as regras previstas na referida lei federal. 
4) O prazo decadencial para que a administração promova a autotutela, previsto no art. 54 da Lei n. 
9.784/1999, aplica-se tanto aos atos nulos, quanto aos anuláveis. 
 
36
 
5) As situações flagrantemente inconstitucionais não se submetem ao prazo decadencial de 5 anos 
previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999, não havendo que se falar em convalidação pelo mero decurso do 
tempo. 
6) O prazo previsto no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 para a administração rever seus atos não pode ser 
aplicado de forma retroativa, devendo incidir somente após a vigência do referido diploma legal. 
7) A Lei n. 9.784/1999, especialmente no que diz respeito ao prazo decadencial para a revisão de atos 
administrativos no âmbito da administração pública federal, pode ser aplicada, de forma subsidiária, aos 
estados e municípios, se inexistente norma local e específica que regule a matéria. (Súmula n. 633/STJ) 
8) Em se tratando de atos de que decorram efeitos patrimoniais contínuos, como aqueles decorrentes 
de pagamentos de vencimentos e de pensões, ocorridos após a entrada em vigor da Lei n. 9.784/1999, nos 
quais haja pagamento de vantagem considerada irregular pela administração, o prazo decadencial de 5 anos é 
contado a partir da percepção do primeiro pagamento indevido, consoante o § 1º do art. 54 da Lei n. 
9.784/1999. 
9) É possível interromper o prazo decadencial com base no art. 54, § 2º, da Lei n. 9.784/1999 desde que 
haja ato concreto, produzido por autoridade competente, em prol da revisão do ato administrativo identificado 
como ilegal, cujo prazo será fixado a partir da cientificação do interessado. 
10) Os atos administrativos abstratos, como as notas e os pareceres da Advocacia-Geral da União - AGU, 
não configuram atos de autoridade tendentes à revisão das anistias e são, portanto, ineficazes para, por si sós, 
interromper o fluxo decadencial, nos moldes do art. 54, § 2º, da Lei n. 9.784/1999. 
11) Por se tratar de hipótese de ato administrativo complexo, a decadência prevista no art. 54 da Lei n. 
9.784/1999 não se consuma no período compreendido entre o ato administrativo concessivo de aposentadoria 
ou de pensão e o julgamento de sua legalidade pelo Tribunal de Contas, vez que tais atos se aperfeiçoam 
apenas com o registro na Corte de Contas. 
🚩 Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão 
sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, 
reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas. STF. Plenário. RE 636553/RS, Rel. 
Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/2/2020 (repercussão geral – Tema 445) (Info 967). 
12) O prazo previsto no art. 49 da Lei n. 9.784/1999 é impróprio, visto que ausente qualquer penalidade 
ante o seu descumprimento. 
 
5.2. SÚMULAS SOBRE PROCESSO ADMINISTRATIVO 
5.2.1. SÚMULAS DO STF 
SÚMULA 429: A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de 
segurança contra omissão da autoridade. 
 
 
37
 
SÚMULA 473: A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam 
ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, 
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
SÚMULA 510 Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o 
mandado de segurança ou a medida judicial. 
 
SÚMULA VINCULANTE 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório 
e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogaçãode ato administrativo que 
beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, 
reforma e pensão. 
 
SÚMULA VINCULANTE 5: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não 
ofende a Constituição. 
 
SÚMULA VINCULANTE 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou 
bens para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
5.2.2. SÚMULAS DO STJ 
SÚMULA 312: No processo administrativo para imposição de multa de trânsito, são necessárias as notificações 
da autuação e da aplicação da pena decorrente da infração. 
 
SÚMULA 373: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
SÚMULA 467: Prescreve em cinco anos, contados do término do processo administrativo, a pretensão da 
Administração Pública de promover a execução da multa por infração ambiental. 
 
SÚMULA 591: É permitida a "prova emprestada" no processo administrativo disciplinar, desde que 
devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Promotor de Justiça do Estado do Amazonas (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada 
incorreta a seguinte assertiva: Não se admite prova emprestada no PAD, em virtude das garantias 
constitucionais aplicáveis a ele. 
 
 
38
 
SÚMULA 592: O excesso de prazo para a conclusão do processo administrativo disciplinar só causa nulidade 
se houver demonstração de prejuízo à defesa. 
 
SÚMULA 611: Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a 
instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever 
de autotutela imposto à Administração. 
 
SÚMULA 641 A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição 
detalhada dos fatos a serem apurados. 
 
39Tendo em vista que os princípios constitucionais que regem a Administração Pública já foram 
explorados em outros Resumos Destacados, faremos aqui uma pequena abordagem quanto à alguns dos 
daqueles mais importantes ao Processo Administrativo, conforme ilustra a tabela abaixo: 
 
PRINCÍPIOS DA LEI N. 9.794/99 
DEVIDO PROCESSO 
LEGAL 
Possui previsão constitucional (art. 5º, LIV), sendo um consenso doutrinário que é 
norma de eficácia plena e norte de todos os procedimentos a serem realizados, 
 
4
 
inclusive na esfera administrativa. O devido processo legal evita abusos e 
arbitrariedades do Administrador, assim como estabelece um padrão de conduta 
processual. 
CONTRADITÓRIO E 
AMPLA DEFESA 
É considerado um direito fundamental a todos os litigantes, seja em processo 
judicial ou administrativo (art. 5º, LV, CF). Ainda, “a Lei n. 9.784/99 prevê a 
garantia à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de 
provas e à interposição de recursos como elementos inerentes aos princípios do 
contraditório e da ampla defesa (inciso X) do art. 2º.”3 
OFICIALIDADE 
(ou impulso oficial) 
A Administração Pública deverá promover o andamento e o transcurso dos 
procedimentos que compõem o processo administrativo de ofício, mesmo que 
este tenha sido deflagrado por provocação do administrado. “Esse princípio tem 
por fundamento a finalidade pública da atuação administrativa, que exige a 
satisfação do interesse público e, consequentemente, a movimentação de ofício 
(independentemente de requerimento do particular) do processo administrativo 
como única forma de tutelar o interesse coletivo. Se o particular que requereu a 
instauração desapareceu, isso em nada interfere no dever de a Administração 
dar andamento ao processo. (...) Ademais, nesse sentido, prevêem os arts. 5º e 
29, caput, da Lei n. 9.784/99 que o processo administrativo pode se iniciar de 
ofício ou a pedido de interessado e que a produção de provas destinada a 
averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão serão 
realizados de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo.”4 
INFORMALISMO 
(ou formalismo 
moderado) 
Consoante o art. 2º, incisos VIII e IX da Lei do PAD, a observância das 
formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados deve ser 
atrelada com a adoção de formas simples para a formalização do ato, suficientes 
para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos 
administrados. Para retratar este princípio na jurisprudência podemos, inclusive, 
destacar o enunciado da Súmula Vinculante nº 05, do STF, que diz: “A falta de 
defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a 
Constituição.” Todavia, atenção: caso haja forma prevista em lei para a realização 
do ato, sua não observância poderá acarretar a nulidade do realizado sem a 
observância legal. 
4 Almeida, Fabrício Bolzan, D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
3 Almeida, Fabrício Bolzan D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
5
 
Ainda, destaca-se o teor do art. 22, da Lei nº 9.784/99, que ilustra bem o princípio 
do informalismo ao referir que “os atos do processo administrativo não 
dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir.” 
INSTRUMENTALIDADE 
DAS FORMAS 
Princípio intrinsecamente relacionado à economia processual, vez que a forma é 
apenas o instrumento para alcançar o interesse coletivo. Ainda, deste princípio 
pode-se extrair o princípio do aproveitamento dos atos processuais, admitindo o 
saneamento do processo quando houver nulidade sanável. 
VERDADE REAL 
Em regra, os processos judiciais da esfera cível buscam a verdade formal, ou seja, 
o apresentado nos autos. Por sua vez, o processo administrativo busca a verdade 
real, admitindo todos os tipos lícitos de provas, apresentados ainda após a 
instrução, além das provas produzidas pela própria Administração. Neste 
sentido, a busca da verdade real permite a reformatio in pejus em sede de 
recurso. 
GRATUIDADE 
Art. 2º. 
Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, 
os critérios de: 
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas 
em lei; 
 
Ainda quanto ao ponto, podemos destacar alguns tópicos interessantes que já foram objeto de 
debate e decisões nos Tribunais Superiores. Em primeiro lugar, no que diz respeito ao Princípio da ampla 
defesa, o Supremo Tribunal Federal editou a súmula vinculante nº 21, que permite de forma mais facilitada o 
litigante em processo administrativo às instâncias recursais. Eis o teor do verbete sumular: 
 
Súmula vinculante nº 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou 
bens para admissibilidade de recurso administrativo. 
 
Por fim, no que diz respeito à aplicação dos princípios constitucionais no âmbito do processo 
administrativo, podemos ilustrar tal concretude com o caso abaixo, julgado em fevereiro de 2022 pelo Supremo 
Tribunal Federal e que dá ênfase ao princípio da publicidade. Vejamos: 
 
Em regra, a imposição de sigilo a processos administrativos sancionadores, instaurados por agências 
 
6
 
reguladoras contra concessionárias de serviço público, é incompatível com a Constituição. (Info 1045).5 
 
3. CRITÉRIOS DE ATUAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E 
DIREITOS E DEVERES DOS ADMINISTRADOS 
 
Nos termos do caput do art. 1º, da Lei nº 9.784/1999, a estipulação de regras básicas para o processo 
administrativo disciplinar tem por objetivo “em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor 
cumprimento dos fins da Administração.” 
Neste sentido, o parágrafo único do art. 2º da Lei do PAD elenca os critérios que devem ser 
observados no deslinde do processo administrativo, não excluindo outros que possam estar previstos, 
principalmente, na Constituição Federal. Eis o rol trazido no diploma específico: 
 
Art. 2º (...). Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 
I - atuação conforme a lei e o Direito; 
II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo 
autorização em lei; 
III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; 
IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa-fé; 
V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; 
VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior 
àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; 
VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; 
VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; 
IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos 
direitos dos administrados; 
X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à 
interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; 
XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; 
XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; 
XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que 
se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. 
 
5 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Em regra, a imposição de sigilo a processos administrativos sancionadores, instaurados por agências 
reguladoras contra concessionárias de serviço público, é incompatível com a Constituição. BuscadorDizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
 
 
7
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c494d9524143b2ebe567475e985c19f7
 
Percebe-se que alguns desses critérios valorizam e vão ao encontro com os princípios norteadores da 
própria atuação do administrador público. Exemplo disso são os incisos III e IV, que prestigiam os princípios da 
impessoalidade e moralidade, respectivamente. Ainda, chama atenção o fato de o inciso I referir que o processo 
administrativo terá como critério não apenas a lei, mas o Direito como um todo; tal determinação ressalta a 
importância de observar a harmonia de todo o ordenamento jurídico entre si, movimento esse que ganhou 
bastante força no neoconstitucionalismo. Assim, o princípio da legalidade ganha novos contornos, 
observando-se não apenas o que está escrito na lei regente, mas as demais normas de Direito Administrativo e 
matérias correlatas, tendo como norte, sempre, a Constituição Federal. 
Ainda, ressaltamos o inciso VII, que ao referir a necessidade de “indicação dos pressupostos de fato e 
de direito que determinarem a decisão“ deixa clara a necessidade de demonstração, por parte do 
administrador público, da motivação dos atos que se desenrolam. Tal previsão, apesar do conteúdo 
aparentemente simples, gera relevantes desdobramentos na medida em que obriga o administrador a 
mencionar não só o dispositivo legal no qual procurou amparo para sua decisão, mas também os fatos que, 
concretamente, o levaram a aplicar o dispositivo genérico, abstrato e impessoal para o caso colocado sob sua 
apreciação.6 
O princípio da motivação - traduzido como critério a ser seguido - é de suma importância, a ponto de 
ser prestigiado novamente pelo legislador na lei de regência do PAD, destrinchando-o em artigo específico. O 
art. 50 traz observância expressa de quando o ato administrativo será motivado, bem como a forma como se 
concretizar quando necessária, a saber: 
 
Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, 
quando: 
I - neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; 
II - imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; 
III - decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; 
IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; 
V - decidam recursos administrativos; 
VI - decorram de reexame de ofício; 
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e 
relatórios oficiais; 
VIII - importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. 
§1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de 
concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, 
neste caso, serão parte integrante do ato. 
§2º Na solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os 
6 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
8
 
fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. 
§3º A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva 
ata ou de termo escrito. 
 
⚠ ATENÇÃO 
A motivação aliunde, ou per relationem, é pacificamente aceita também para demonstrar a 
motivação das decisões proferidas no processo administrativo. Não só consta no próprio artigo acima, no 
parágrafo 1º, como também aceita pelos Tribunais Superiores, conforme ilustra o julgado do Superior Tribunal 
de Justiça abaixo destacado: 
 
DEFICIÊNCIA NA MOTIVAÇÃO DO ATO DEMISSÓRIO DO IMPETRANTE. INOCORRÊNCIA. ORDEM DENEGADA. 
1. A concessão da ordem, presente evidência documental trazida já com a exordial (prova pré-constituída), vai 
condicionada à incontestável demonstração de violação ao alegado direito líquido e certo da parte impetrante, 
por ato abusivo ou ilegal da apontada autoridade coatora. Inteligência do disposto no art. 1º da Lei n. 
12.016/2009. 2. Se as alegações veiculadas pelo autor da ação de segurança se revelam abstratas e imprecisas 
quanto aos fatos e não indicam, com necessária clareza, em que, exatamente, consistiu a ação ou omissão da 
autoridade impetrada que dá por ilícita, bem como em que medida o ato impetrado seria violador de direito 
seu, o emprego da via mandamental, notoriamente incompatível com a dilação probatória, resulta 
inadequado. 
(...) 
6. A motivação mediante "declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres" 
(motivação per relationem) encontra expresso amparo no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784/1999, cujo 
diploma disciplina o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Portanto, ao 
invocar, como razões de decidir, os fundamentos de fato e de direito constantes de anteriores 
pareceres lançados nos autos do processo disciplinar, não agiu a Autoridade administrativa com 
ilegalidade ou abuso de poder, porque a tanto expressamente autorizada pela Lei do Processo 
Administrativo Federal. (MS n. 22.149/DF) 
 
Com relação ao acima exposto, “essas exigências, com toda a certeza, foram inseridas pelo legislador 
com o claro objetivo de oferecer maior proteção aos direitos dos administrados, na medida em que conferem a 
eles diversas possibilidades de defesa a partir do instante em que tomarem conhecimento das razões que 
levaram o administrador a agir daquela forma. Sem embargo, (...), é exatamente a partir do conhecimento 
dessas razões, que nortearam a atividade do administrador, que o Poder Judiciário terá condições, desde que 
provocado por terceiros, de estabelecer um controle de legalidade dos atos.” 
 
Prosseguindo, quanto aos direitos do administrado no curso do processo administrativo, há rol - 
também não taxativo - previsto no art. 3º, da Lei nº 9.784/99: 
 
9
 
Art. 3º O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe 
sejam assegurados: 
I - ser tratado com respeito pelas autoridades e servidores, que deverão facilitar o exercício de seus direitos e 
o cumprimento de suas obrigações; 
II - ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista 
dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; 
III - formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo 
órgão competente; 
IV - fazer-se assistir, facultativamente, por advogado, salvo quando obrigatória a representação, por força de 
lei. 
 
Grande parte dos direitos acima podem ser relacionados com os princípios que regem o processo 
administrativo, como, por exemplo, os incisos II e III, que têm íntima ligação com os princípios do contraditório e 
da ampla defesa. Ainda, o inciso I pode ser ligado ao princípio da probidade, que também vimos ser norteador 
do PAD. Tais ligações são importantes porque facilitam o estudo e a memorização da matéria por parte do 
aluno. 
Quanto ao inciso IV, no qual se aduz a facultatividade da representação por advogado, ressaltamos a 
importância do procurador jurídico para consubstanciar o princípio do devido processo legal. Inclusive, o 
Superior Tribunal de Justiça tem verbete sumular que consubstancia o entendimento consolidado acerca da 
necessidade de acompanhamento do administrado por profissional devidamente habilitado nos quadros da 
OAB. Vejamos: 
 
Súmula 343 - É obrigatória a presença de advogado em todas as fases do processo administrativo disciplinar. 
 
Esta súmula parece não dialogar com a Súmula Vinculante nº 05 do STF, já mencionada no tópico 
referente aos princípios (“a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinarnão 
ofende a Constituição”). Todavia, conforme sabiamente aponta o professor Celso Spitzcovsky, “cumpre reiterar 
que a aplicação dessa súmula, em respeito ao princípio da ampla defesa, só terá lugar para aquelas situações 
em que no curso de um processo administrativo o acusado, por mera liberalidade, abre mão desse direito.”7 
Ainda, ressalta-se a importância da Súmula Vinculante nº 14, também aplicável aos processos 
administrativos, cujo teor constitui garantia para concretizar o princípio da ampla defesa (consectário óbvio do 
devido processo legal e do contraditório): 
 
Súmula vinculante nº 14 - É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos 
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com 
7 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
10
 
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. 
 
Vide também o julgado que destacamos sobre os direitos do administrado e a autoincriminação, 
proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em 2020, e que guarda íntima relação com o que ora estamos 
estudando: 
 
Não há nulidade do PAD pela suposta inobservância do direito à não autoincriminação, quando a 
testemunha, até então não envolvida, noticia elementos que trazem para si responsabilidade pelos 
episódios em investigação. STJ.MS 21205-DF (Info 682).8 
 
Prosseguindo, são deveres do administrado, no curso processo administrativo, (i) expor os fatos 
conforme a verdade; (ii) proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; (iii) não agir de modo temerário e, (iv) 
prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. 
 
📌 OBSERVAÇÃO 
É garantida a prioridade de tramitação, em qualquer órgão ou instância, procedimentos administrativos 
em que figure como parte ou interessado pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, pessoa 
portadora de deficiência física ou mental e pessoa portadora das doenças mencionadas no art. 69-A, IV da Lei, 
mesmo que a doença tenha sido contraída após o início do processo. 
A pessoa interessada na obtenção do benefício, deverá requerê-lo à autoridade administrativa 
competente, provando a sua condição. Caso seja deferida a prioridade, os autos receberão identificação própria 
que evidencie o regime de tramitação prioritária. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Delegado de Polícia do Estado de Alagoas (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada 
correta a seguinte assertiva: Os processos em que figure como parte pessoa com deficiência mental e maior 
de sessenta anos de idade tramitarão em regime de prioridade, em qualquer instância administrativa. 
 
Para finalizar, trazemos uma tabela ilustrativa do livro Esquematizado - Direito Administrativo9, cujo 
objetivo é auxiliar na memorização do conteúdo visto neste tópico (à exceção dos deveres do administrado): 
 
9 Spitzcovsky, Celso. Esquematizado - Direito Administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
8 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Não há nulidade do PAD pela suposta inobservância do direito à não autoincriminação, quando a 
testemunha, até então não envolvida, noticia elementos que trazem para si responsabilidade pelos episódios em investigação. Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: . 
 
11
 
CRITÉRIOS DE 
ATUAÇÃO DA 
ADMINISTRAÇÃO 
Localização: art. 2º, parágrafo único. 
Destaques: 
■ razoabilidade (art. 2º, parágrafo único, VI); 
■ motivação (art. 2º, parágrafo único, VII; 38, 47 e 50); 
■ garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à 
produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que 
possam resultar sanções e nas situações de litígio; 
■ proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em 
lei; 
■ interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o 
atendimento do fim público a que se dirige, vedada a aplicação retroativa de 
lei nova interpretação. 
DIREITOS DOS 
ADMINISTRADOS 
Localização: art. 3º, parágrafo único. 
Natureza: elenco meramente exemplificativo. 
Destaques: 
■ ter ciência da tramitação dos processos em que tenha condição de 
interessado; 
■ ter vista dos autos; 
■ obtenção de cópias de documentos; 
■ assistência facultativa por advogado, salvo quando obrigatória por força de 
lei. 
 
4. ETAPAS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO 
 
4.1 PROCEDIMENTO DE INÍCIO E INTIMAÇÃO 
O início do processo poderá ocorrer de ofício ou a pedido do interessado, nos termos do art. 5º, com 
os legitimados definidos nos arts. 9 e 10, da Lei nº 9.784/99: 
 
Art. 9º São legitimados como interessados no processo administrativo: 
I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício 
do direito de representação; 
II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela 
 
12
 
decisão a ser adotada; 
III - as organizações e associações representativas, no tocante a direitos e interesses coletivos; 
IV - as pessoas ou as associações legalmente constituídas quanto a direitos ou interesses difusos. 
 
Art. 10. São capazes, para fins de processo administrativo, os maiores de dezoito anos, ressalvada previsão 
especial em ato normativo próprio. 
 
Quando o processo administrativo é deflagrado a pedido de pessoa interessada, o requerimento por 
este apresentado deve preencher certos requisitos elencados pela própria lei, quais sejam: 
■ apresentar o órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; 
■ identificar o interessado ou de quem o represente; 
■ apresentar o domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; 
■ formular pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; 
■ colocar a data de apresentar e assinar a representação (ou seu requerente, se este for quem o 
representou no ato). 
 
Via de regra, os pedidos de abertura de processo administrativo devem ser apresentados de forma 
escrita. Todavia, caso a lei preveja sua apresentação de forma oral, não haverá qualquer nulidade no ato. Ainda, 
é vedada à Administração a recusa imotivada de recebimento de documentos, devendo o servidor orientar o 
interessado quanto ao suprimento de eventuais falhas, nos termos do art. 6º, parágrafo único. Caso haja 
inúmeros interessados no mesmo pedido, o requerimento poderá ser feito através de formulário padronizado, 
elaborado pelo próprio órgão integrante da Administração Pública. 
Uma vez aceito o pedido de abertura do processo administrativo, não haveria nulidade caso a portaria 
de intimação não traga exposição detalhada dos fatos a serem apurados, conforme dispõe a súmula 641, do 
STJ: 
 
Súmula 641 - A portaria de instauração do processo administrativo disciplinar prescinde da exposição 
detalhada dos fatos a serem apurados. 
 
A ratio essendi desse entendimento repousa no fato de que o representante do administrado terá 
acesso aos documentos que dizem respeito à acusação, conforme visto anteriormente. Assim, não restará 
nenhum prejuízo à defesa e mácula a qualquer dos princípios que regem os atos praticados. 
 
⚠ ATENÇÃO 
É possível a instauração de processo administrativo disciplinar ou sindicância com base em denúncia 
 
13
 
anônima? A resposta é sim, consoante o teor da súmula 611 do STJ: 
 
Súmula 611 - Desde que devidamente motivada e com amparo em investigação ou sindicância, é permitida a 
instauração de processo administrativo disciplinar com base em denúncia anônima, em face do poder-dever 
de autotutela imposto à Administração. 
 
No mesmo sentido, vejamos parte do julgado abaixo, proferido pela Primeira Seção da Corte Superior: 
 
POSSIBILIDADE DE DENÚNCIA ANÔNIMA DAR ENSEJOA INSTAURAÇÃO DE INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR. 
(...) 
O STJ vem decidindo que não há nulidade na instauração de Processo Administrativo Disciplinar 
instaurado após a realização de investigação preliminar para averiguar o conteúdo de denúncia 
anônima, na medida em que, na forma do art. 143 da Lei 8.112/1990, a autoridade que tiver ciência de 
irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, como ocorreu o 
presente casu. Precedente: MS 18.664/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção do STJ, 
julgado em 23/04/2014, DJe 30/04/2014. (MS n. 21.084/DF) 
 
Quanto às intimações ao longo do processo administrativo, sua realização terá por objeto “os atos do 
processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de 
direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse,” conforme dispõe o art. 28. Ademais, serão 
providenciadas pelo órgão ou entidade frente ao qual tramita o feito, devendo conter: 
● identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; 
● finalidade da intimação; 
● data, hora e local em que deve comparecer; 
● se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazer-se representar; 
● informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; 
● indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. 
 
⚠ ATENÇÃO 
Conforme expressa determinação legal (art. 26, §2º, da Lei nº 9.784/99), para a realização da intimação 
deverá ser observado a precedência de 03 dias úteis à data de comparecimento do administrado. Atente-se 
para a necessidade deste prazo ser contado em dias úteis, detalhe importante que pode ser suprimido na hora 
da prova. 
Atenta-se, também, para o fato do não atendimento da intimação não acarretar reconhecimento da 
verdade dos fatos, nem a renúncia a direito pelo administrado, nos termos art. 27, caput. Ou seja, 
diferentemente do que ocorre no processo civil, no processo administrativo os efeitos da revelia não se 
 
14
 
aperfeiçoam. 
Prosseguindo, a intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de 
recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. Ou seja, não há 
forma específica, o que significa que via de regra não há formalidade a ser observada, bastando que o ato atinja 
sua finalidade (dar conhecimento ao interessado). Inclusive, o comparecimento do administrado supre qualquer 
eventual nulidade ocorrida, conforme preceitua o §5º, do art. 26, da lei do PAD: 
 
Art. 26. (...) § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o 
comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. 
 
No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação 
deve ser efetuada por meio de publicação oficial (art. 26, §4º). 
 
⚠ ATENÇÃO 
Quanto à instauração e julgamento de processo administrativo, destaca-se um julgado de 2016 da 
Corte Superior que, muito embora seja mais antigo, ainda é objeto de questionamento. Na oportunidade, o 
Superior Tribunal de Justiça analisou situação na qual o servidor público contra o qual pretendia-se instaurar o 
PAD pertencia aos quadros de um órgão público, mas estava cedido para outro. 
Então, decidiu-se que a instauração do processo se daria frente à entidade onde atualmente o 
servidor exercia suas atividades, mas o julgamento deveria ocorrer por autoridade integrante do órgão 
original. Eis o julgado: 
 
Competência para instaurar e julgar PAD relacionado com servidor cedido - A instauração de processo 
disciplinar contra servidor efetivo cedido deve ocorrer, preferencialmente, no órgão em que tenha sido 
praticada a suposta irregularidade. 
Por outro lado, o julgamento e a eventual aplicação de sanção só podem ocorrer no órgão ao qual o servidor 
efetivo estiver vinculado. 
Ex: João é servidor efetivo (técnico judiciário) do TJDFT e foi cedido para um cargo em comissão no STJ. Quando 
ainda estava prestando serviços no STJ, João praticou uma infração disciplinar. A Instauração do PAD deverá 
ser feita preferencialmente pelo STJ. Por outro lado, o julgamento do servidor e aplicação da sanção deverão 
ser realizados obrigatoriamente pelo TJDFT. 
STJ. Corte Especial. MS 21991-DF (Info 598).10 
 
4.2 DELEGAÇÃO E AVOCAÇÃO DE COMPETÊNCIAS 
10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Competência para instaurar e julgar PAD relacionado com servidor cedido. Buscador Dizer o Direito, 
Manaus. Disponível em: . Acesso em: 
25/11/2022 
 
15
 
Iniciamos esse tópico com o conceito de competência. Resumidamente, podemos cumprir com essa 
tarefa utilizando as palavras do professor Humberto Theodoro Jr.11: 
 
“Jurisdição é o poder de julgar e executar, que todo órgão judicial detém. Competência são os limites dentro 
dos quais a jurisdição é exercida por determinado órgão judicial. Embora tradicional, não é bem exata a ideia 
de competência como fração ou porção da jurisdição atribuída a um juízo ou tribunal. É que os atributos 
inerentes ao Poder Judiciário todo juiz detém por inteiro. O que a competência define são as condições, 
ocasiões e limites de exercício dos poderes funcionais da jurisdição entre seus diversos órgãos.” 
 
Assim, entende-se que a competência é a “medida da jurisdição”. Significa dizer que, muito embora 
várias pessoas possam exercer a função julgadora, há uma certa fragmentação nessa possibilidade, com o 
objetivo de não sobrepor uns sobre os outros julgadores que detêm a mesma responsabilidade. Muito embora 
lembremos mais destes conceitos quando estudamos processo civil, estes também são válidos para as demais 
áreas do Direito, dentre as quais, o Direito Administrativo. Ademais, no que diz respeito ao processo 
administrativo propriamente dito, o professor Fabrício Bolzan de Almeida nos ensina que competência “consiste 
no conjunto de atribuições conferidas pela lei a um órgão ou agentes públicos para o desempenho da atividade 
administrativa.”12 
Feitas as considerações iniciais acerca da definição de competência, a Lei do Processo Administrativo 
prevê em seu art. 12 que “a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi 
atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.” Lendo o teor do 
dispositivo legal, questiona-se: o que significa delegação e avocação? 
Para explicar tais institutos, nos valemos das lições do professor Alexandre Mazza13, que diz o 
seguinte: 
 
“Na delegação, um órgão administrativo ou seu titular transferem temporariamente parte da sua competência 
a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for 
conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. (...) Em 
sentido contrário, na avocação o órgão ou seu titular chamam para si, em caráter excepcional e temporário, 
competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior. Assim, pode-se concluir que delegação e avocação 
constituem exceções à regra geral da indelegabilidade de competências administrativas.” 
 
Este tema é bastante importante, pois é um dos mais explorados nas provas de concurso. Portanto, 
fique atento: 
 
13 Mazza, Alexandre. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (12th edição). Editora Saraiva, 2022. 
12 Almeida, Fabrício Bolzan D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
11 Jr., Humberto T. Curso de Direito Processual Civil - Vol. 1. Disponível em: Minha Biblioteca, (62nd edição). Grupo GEN, 2021. 
 
16
 
REGRA: A competência é indelegável. 
EXCEÇÕES: hipóteses de delegação e avocação da incompetência. 
DELEGAÇÃO 
O órgão administrativo titular da competência transfere temporariamentepara outro órgão - de hierarquia idêntica ou inferior - a execução de certo 
ato do processo administrativo. 
AVOCAÇÃO 
Sendo o oposto da delegação, na avocação o agente público puxa para si a 
competência de um órgão hierarquicamente inferior (não há a possibilidade 
de avocação de órgão de mesma hierarquia). 
 
🚨 JÁ CAIU 
Na prova para Analista Judiciário do TRT da 23ª Região (Mato Grosso) (Ano: 2022, FCC), foi marcado como 
correto que “a lei estabelece que a competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a 
que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos.” 
 
Continuando, nos órgãos colegiados, também será considerado ato delegado aquele que é transferido 
do próprio grupo de pessoas para o seu presidente. Quanto à forma, tanto a delegação quanto à sua revogação 
devem ser feitas por atos que serão publicados em meios oficiais. 
Além de referir as matérias e poderes transferidos, o ato de delegação deverá mencionar os limites 
da atuação do delegado, a duração e os objetivos da delegação e o recurso cabível, podendo conter ressalva de 
exercício da atribuição delegada. Importante destacar que a decisão proferida pela autoridade delegatária deve 
mencionar explicitamente esta qualidade e considerar-se-ão todas editadas pelo delegado. Por fim, o ato de 
delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade delegante. 
 
⚠ ATENÇÃO 
Há certas situações que não podem ser delegadas, uma vez que proibidas por lei. São elas: 
● a edição de atos de caráter normativo; 
● a decisão de recursos administrativos; 
● as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. 
No que diz respeito à avocação, quando deparado com motivos relevantes e devidamente justificados, 
é permitido que a autoridade hierarquicamente superior chame para si a competência de órgão ou agente 
subordinado.14 Da mesma forma, destaca-se que diferentemente da delegação, a avocação somente poderá ser 
14 Mazza, Alexandre. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (12th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
17
 
realizada dentro de uma mesma linha hierárquica (avocação vertical). Não há, em nosso ordenamento, 
avocação horizontal - realizada entre órgãos ou agentes dispostos sem subordinação hierárquica.15 
Por fim, determina o art. 17, da Lei nº 9.784/99 que inexistindo competência legal específica, o 
processo administrativo deverá ser iniciado perante a autoridade de menor grau hierárquico para decidir. 
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Procurador do Estado do Espírito Santo (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerado correto 
que “inexistindo competência legal específica, o processo administrativo deverá ser iniciado perante a 
autoridade de menor grau hierárquico para decidir.” 
 
4.3 IMPEDIMENTOS E SUSPEIÇÕES 
Nos termos do art. 17, da Lei nº 9.784/99, está impedida de atuar no processo administrativo 
disciplinar instaurado servidor ou autoridade que: 
● tenha interesse direto ou indireto na matéria; 
● tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações 
ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; 
● esteja litigando judicial ou administrativamente com o interessado ou respectivo cônjuge ou 
companheiro. 
Também com o objetivo de prestigiar o princípio da imparcialidade, a lei do processo administrativo 
da mesma forma traz hipóteses nas quais o servidor ou autoridade será suspeito para atuar. Desta forma, o art. 
20 da lei de regência dispõe que “pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade 
íntima ou inimizade notória com algum dos interessados ou com os respectivos cônjuges, companheiros, 
parentes e afins até o terceiro grau.” Nos termos do art. 21, “o indeferimento de alegação de suspeição poderá 
ser objeto de recurso, sem efeito suspensivo''. 
No que diz respeito aos impedimentos e suspeições, podemos citar parte do julgamento do Superior 
Tribunal de Justiça: 
 
A mesma autoridade que ofereceu denúncia criminal contra o suspeito pode atuar como julgadora no 
processo administrativo que apura o mesmo fato. STJ. RMS 54717-SP (Info 744).16 
 
4.4 INSTRUÇÃO 
16 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A mesma autoridade que ofereceu denúncia criminal contra o suspeito pode atuar como julgadora no 
processo administrativo que apura o mesmo fato. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
15 Mazza, Alexandre. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (12th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
18
Pessoal
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Pessoal
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Pessoal
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Pessoal
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Pessoal
Destacar
 
De início, já devemos ter em mente a independência das instâncias para processar e julgar o servidor 
ou administrado. Assim, um fato pode ser apurado de forma concomitante nas esferas cível, penal e 
administrativa, não havendo que se falar, via de regra, em sobrestamento do processo administrativo 
unicamente porque também deflagrada ação penal que procure apurar a responsabilidade criminal sobre o 
mesmo fato. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça: 
 
Não deve ser paralisado o curso de processo administrativo disciplinar apenas em função de ajuizamento de 
ação penal destinada a apurar criminalmente os mesmos fatos investigados administrativamente. As esferas 
administrativa e penal são independentes, não havendo falar em suspensão do processo administrativo 
durante o trâmite do processo penal. STJ. 1ª Seção. MS 18090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 
8/5/2013 (Info 523).17 
 
De acordo com o art. 29, caput, da lei de regência, as atividades de instrução destinadas a averiguar e 
comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizam-se de ofício ou mediante impulsão do órgão 
responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. No 
mesmo sentido, o órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do 
processo e, quando os atos de instrução dependerem da atuação dos interessados, deverão ser executados do 
modo menos oneroso para estes. 
 
📌 OBSERVAÇÃO 
Nas hipóteses em que a norma determina a emissão de pareceres de órgãos consultivos, o prazo para 
emissão de parecer será de 15 dias. Se o parecer for obrigatório e vinculante, o processo será paralisado até a 
apresentação do parecer. Caso o parecer for obrigatório e não vinculante, o processo prosseguirá sem a 
emissão do parecer, sem prejuízo de responsabilização do agente. 
 
Feita a instrução do processo, no qual serão colhidas as provas e, quando pertinente e necessário, 
realizadas audiências e consultas públicas, o interessado terá o direito de manifestar-se no prazo máximo de 
dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Ainda, o órgão que foi o responsável pela instrução, mas 
assim não o é com relação à prolação da decisão, elaborará relatório indicando o pedido inicial, o conteúdo das 
fases do procedimento e formulará proposta de decisão, objetivamente justificada, encaminhando o processo à 
autoridade competente. 
 
Ainda, devemos atentar ao julgado abaixo, no qual se afirmou a impossibilidade do agente que 
elaborou o relatório final também ser responsável pelo julgamento, uma vez que seu convencimento acerca dos 
17 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Independência das instâncias. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
 
19
 
fatos já havia sido formado em momento anterior. Veja-se: 
 
Impossibilidade de aprovação do relatório final por servidor que participou das investigações - O 
servidor que realizou a sindicância pode também determinar a instauração de processo disciplinar, 
designando a comissão processante,e, ao final dos trabalhos, aprovar o relatório final? NÃO. O STJ decidiu que 
o servidor que participou das investigações na sindicância e concluiu que o sindicado havia cometido a 
infração disciplinar, tanto que determinou a instauração do PAD, não pode, posteriormente, ser a autoridade 
designada para aprovar o relatório final produzido pela comissão no processo administrativo, uma vez que ele 
já formou seu convencimento no sentido da culpabilidade do acusado. STJ. 3ª Seção. MS 15107-DF, Rel. Min. 
Jorge Mussi, julgado em 26/9/2012 (Info 505). STJ. MS 7758/DF 
 
4.4.1. PROVAS ADMITIDAS 
De acordo com a Lei nº 9.784/99, a parte interessada poderá, ao longo da instrução, juntar 
documentos e solicitar que diligências sejam feitas, bem como produzir alegações acerca da matéria que é 
objeto do processo. Todo material produzido constará no relatório e servirá de base para o julgador no 
momento da prolação da decisão. 
 
⚠ ATENÇÃO 
O direito à produção de provas através da requisição de diligências não é absoluto, tendo em vista 
que o processamento poderá ser negado pela autoridade responsável (sempre através de decisão motivada) 
nos casos de provas ilícitas, desnecessárias, impertinentes ou protelatórias. Ademais, o art. 30, da Lei nº 
9.784/99 é categórico ao afirmar que são inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios 
ilícitos. 
Quanto ao tema, a 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça entendeu pela necessidade de exclusão de 
prova juntada ao PAD que fora proveniente de processo penal e que, neste, houve decisão pela nulidade das 
mesmas. Confira-se: 
 
Sendo anuladas provas produzidas no processo criminal, estas deverão ser excluídas do processo 
administrativo disciplinar, mas isso não contamina a legalidade da utilização de provas produzidas de 
forma independente pela comissão disciplinar de PAD - A decisão que determina exclusão de elementos 
probatórios obtidos mediante o acesso ao e-mail funcional de servidor investigado não contamina a legalidade 
da utilização de provas produzidas de forma independente por comissão disciplinar de PAD, em observância à 
teoria da fonte independente e da descoberta inevitável da prova. STJ. AgRg na Rcl 42292-DF. (Info 747).18 
 
18 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Sendo anuladas provas produzidas no processo criminal, estas deverão ser excluídas do processo 
administrativo disciplinar, mas isso não contamina a legalidade da utilização de provas produzidas de forma independente pela comissão disciplinar de 
PAD. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. 
 
20
 
No que tange ao indeferimento de produção de provas desnecessárias, também há previsão neste 
sentido na Lei nº 8.112/90, na parte que versa sobre a apuração de condutas dos servidores públicos (matéria 
essa que está, portanto, intimamente ligada ao objeto aqui estudado): 
 
Art. 156. É assegurado ao servidor o direito de acompanhar o processo pessoalmente ou por intermédio de 
procurador, arrolar e reinquirir testemunhas, produzir provas e contraprovas e formular quesitos, quando se 
tratar de prova pericial. 
§1º O presidente da comissão poderá denegar pedidos considerados impertinentes, meramente protelatórios, 
ou de nenhum interesse para o esclarecimento dos fatos. 
§2º Será indeferido o pedido de prova pericial, quando a comprovação do fato independer de conhecimento 
especial de perito. 
 
🚨 JÁ CAIU 
Na prova para Analista Judiciário do TRT da 4ª Região (Rio Grande do Sul) (Ano: 2022, FCC), no que diz 
respeito às regras do processo disciplinar previstas na Lei nº 8.112/90, foi considerada correta a alternativa que 
dizia que “na fase do inquérito, o presidente da comissão poderá denegar pedidos considerados de nenhum 
interesse para o esclarecimento dos fatos.” 
 
Apesar de não haver previsão legal expressa, é admitida a prova emprestada no âmbito do processo 
administrativo, desde que tenha sido originalmente produzida sob o prisma do contraditório e da ampla defesa 
e autorizada por juiz competente. Neste sentido, a súmula nº 591 do STJ: 
 
Súmula 591: É permitida a "prova emprestada" no processo administrativo disciplinar, desde que 
devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. 
 
4.4.2. PROLAÇÃO DA DECISÃO 
O Capítulo IX da Lei nº 9.789/99 em seu art. 48 dispõe que a Administração tem o dever de 
explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria 
de sua competência. Para tanto, uma vez concluída a instrução, a autoridade competente terá 30 dias para 
proferir a decisão e, sendo necessário, este prazo poderá ser prorrogado por igual período. 
Por certo a decisão prolatada em processo administrativo também deve ser devidamente motivada, 
não apenas em nome do Princípio da motivação (já visto anteriormente), mas também por expressa 
determinação constitucional. 
Neste ponto, é importante estabelecer uma relação com o disposto no Decreto-Lei nº 4.657/1942, Lei 
de Introdução às normas de Direito Brasileiro - LINDB. Além do dever imposto à autoridade julgadora de 
considerar, no momento do julgamento, os obstáculos e as dificuldades reais do gestor e as exigências das 
 
21
 
políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados, nenhuma decisão, fundamentada 
em valores jurídicos abstratos, será imposta sem considerar as consequências práticas da decisão. 
Neste sentido, importa a leitura atenta dos artigos 22 e 23 da LINDB: 
 
Art. 22. Na interpretação de normas sobre gestão pública, serão considerados os obstáculos e as dificuldades 
reais do gestor e as exigências das políticas públicas a seu cargo, sem prejuízo dos direitos dos administrados. 
(Regulamento) 
§1º Em decisão sobre regularidade de conduta ou validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma 
administrativa, serão consideradas as circunstâncias práticas que houverem imposto, limitado ou 
condicionado a ação do agente. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 
§ 2º Na aplicação de sanções, serão consideradas a natureza e a gravidade da infração cometida, os 
danos que dela provierem para a administração pública, as circunstâncias agravantes ou atenuantes e 
os antecedentes do agente. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) 
§ 3º As sanções aplicadas ao agente serão levadas em conta na dosimetria das demais sanções de mesma 
natureza e relativas ao mesmo fato. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) (grifou-se) 
Art. 23. A decisão administrativa, controladora ou judicial que estabelecer interpretação ou orientação 
nova sobre norma de conteúdo indeterminado, impondo novo dever ou novo condicionamento de 
direito, deverá prever regime de transição quando indispensável para que o novo dever ou 
condicionamento de direito seja cumprido de modo proporcional, equânime e eficiente e sem prejuízo 
aos interesses gerais. (Regulamento) 
 
Quanto ao destacado parágrafo 2º, do art. 22 acima, a Primeira Seção do STJ entendeu que, para que 
algum fato possa configurar antecedentes negativos do servidor, é necessária condenação ou anotação na sua 
ficha funcional: 
 
É necessária condenação anterior na ficha funcional do servidor ou, no mínimo, anotação de fato que o 
desabone, para que seus antecedentes sejam valorados como negativos na dosimetria da sanção 
disciplinar. STJ. MS 22606-DF. (Info 718).19 
 
FASES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO20 
Desde que não haja regulamentação diversa em lei específica, o procedimento seguirá o seguinte trâmite: 
INSTAURAÇÃO ■ Mediante portaria do órgão responsável, por provocação do interessado ou ex 
20 Carvalho, Matheus. Manual de Direito Administrativo. 9 ed. Salvador: JusPODIVM, 2021. p. 1430-1431. 
19 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. É necessária condenação anterior na ficha funcional do servidor ou, no mínimo, anotação de fatoque o 
desabone, para que seus antecedentes sejam valorados como negativos na dosimetria da sanção disciplinar. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . 
 
22
 
officio, por interesse da Administração, em decorrência do princípio da autotutela. 
■ Por iniciativa do particular: a provocação deverá ser feita por escrito e deve 
conter o órgão ou autoridade administrativa a que se dirige, a identificação do 
interessado ou de quem o represente, o domicílio do requerente ou local para 
recebimento de comunicações, a formulação do pedido, com exposição dos fatos e de 
seus fundamentos e a data e assinatura do requerente ou de seu representante. 
■ Em situações excepcionais, a provocação pode ser feita verbalmente. 
INSTRUÇÃO 
PROCESSUAL, 
DEFESA E 
RELATÓRIO 
■ Em decorrência do princípio da oficialidade, a produção de provas em 
processo administrativo pode ser feita pelo interessado ou pela própria administração 
pública, de ofício, independentemente de provocação do particular. 
■ A abertura de consulta pública será objeto de divulgação pelos meios oficiais, 
a fim de que pessoas físicas ou jurídicas possam examinar os autos, fixando-se prazo 
para oferecimento de alegações escritas. 
■ O comparecimento à consulta pública não confere, por si, a condição de 
interessado do processo, no entanto, confere o direito de obter da Administração 
Pública resposta fundamentada. 
■ Nesta fase o interessado pode, antes de proferida a decisão do processo, 
juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir 
alegações referentes à matéria objeto do processo. 
■ Com o fim da fase instrutória os interessados terão o prazo máximo de 10 
(dez) dias, para manifestações, salvo se outro prazo for fixado por disposição legal 
específica. 
■ Em processos administrativos, somente não se admitem as provas obtidas por 
meios ilícitos, conforme prescrito na lei e na Constituição. 
■ O ônus da prova é distribuído entre as partes no processo, cabendo ao 
interessado provar todos os fatos por ele alegados, exceto em situações em que tais 
fatos se encontrem em poder da Administração, que deverá garantir de ofício a 
apresentação dos documentos ou das respectivas cópias, mediante declaração e 
requerimento ao particular. 
■ É possível a realização de consulta pública, aberta mediante despacho 
devidamente fundamentado do órgão, para manifestação de terceiros, antes da 
decisão do pedido, se não houver prejuízo para a parte interessada, quando a matéria 
do processo for de interesse geral e também a realização de audiência pública se 
houver relevância na questão discutida (art. 32, 33 e 34 da Lei 9.784/99) 
 
23
 
■ Se ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, as provas podem 
ser recusadas. 
■ Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório 
e da decisão. 
■ Caso o interessado não apresente documento solicitado, sendo este 
necessário, o não atendimento, no prazo fixado, implicará no arquivamento do 
processo, mediante decisão fundamentada com notificação dos interessados. 
■ A notificação deve ser expedida e encaminhada com antecedência mínima de 
3 (três) dias úteis, mencionando-se data, hora e local de realização. 
■ Se lei ou ato normativo determinar a necessidade de laudo técnico de órgão 
administrativo e este não for fornecido, o órgão responsável pela instrução deverá 
solicitar laudo técnico de outro órgão dotado de qualificação e capacidade técnica 
equivalentes. 
PARECER 
O prazo para emissão do parecer será de 15 dias, salvo norma específica ou 
necessidade devidamente justificada e comprovada de maior prazo (art. 42, da Lei 
9.784/99) 
- Se o parecer for obrigatório e vinculante, será paralisado o processo até a 
apresentação do parecer, sem prejuízo da responsabilização civil, penal e 
administrativa do agente público que deu causa ao atraso. 
- Se o parecer for obrigatório e não vinculante, o processo poderá prosseguir 
sem a emissão do parecer, inclusive com a decisão final, sem prejuízo da 
responsabilização penal, civil e administrativa do agente que deu causa à não emissão 
do parecer devido, no prazo fixado por lei. 
DECISÃO 
■ Após a instrução, o poder público terá o prazo de 30 dias, prorrogáveis, desde 
que justificadamente, por igual período, para proferir a decisão final do processo. 
■ Caso o órgão de instrução não seja competente para emitir a decisão final, 
encaminhará o processo à autoridade competente 
 
4.4.2.1. ABSOLVIÇÃO ADMINISTRATIVA ANTECIPADA 
Os tribunais superiores possuem entendimento consolidado no sentido da absolvição no processo 
administrativo na hipótese de inocorrência do fato ou negativa de autoria, em que pese a independência das 
instâncias: 
 
 
24
 
(...) 2. A absolvição na esfera penal só influencia no âmbito do processo administrativo disciplinar se ficar 
comprovada naquela instância a não ocorrência do fato ou a negativa da sua autoria. Precedentes: AgInt no 
REsp 1.345.380/SP, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. p/ acórdão Ministro Benedito Gonçalves, 
Primeira Turma, DJe 3/5/2017; AgInt nos EDcl no AREsp 731.118/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda 
Turma, DJe 24/4/2017; AgInt no REsp 1.575.037/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 30/3/2017. 
(AgInt no AREsp n. 1.019.336/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 21/9/2017, 
DJe de 2/10/2017.) 
 
No mesmo sentido, entendeu o STJ que, se o servidor cometer uma falta disciplinar durante um surto 
psicótico, quando estava totalmente incapaz de compreender a sua conduta, não deve receber punição 
administrativa: 
 
Quando o juízo criminal reconhece a inimputabilidade do agente fundada no art. 26 do Código Penal e profere 
sentença absolutória imprópria, com imposição de medida de segurança, descabe a fixação de sanção 
administrativa, impondo-se à Administração Pública, ao revés, o dever de avaliar a eventual concessão de 
licença para tratamento de saúde ou de aposentadoria por invalidez. 
STJ. (RMS 72.642-PR) (Info 828). 
 
A teoria da Absolvição Administrativa Antecipada, desenvolvida pelo próprio professor Fabrício 
Bolzan, busca prestigiar os princípios da economia e celeridade processual, razoabilidade e proporcionalidade. 
Pode ser aplicada tanto no processo administrativo ao qual o servidor público está sujeito, quanto na defesa do 
próprio particular processado. 
 
“Logo, no caso de uma infração ser considerada ao mesmo tempo penal e administrativa e, acontecer de a 
pessoa investigada na via administrativa não ser denunciada na ação penal, implica exigir a absolvição 
antecipada administrativa. Isto ocorre por um motivo muito simples: constatação pelo titular da ação penal, o 
Ministério Público, de ausência de indícios mínimos de autoria de crime por parte da pessoa também 
investigada em processo administrativo. Assim, invocando o raciocínio lógico-sistemático, se a pessoa não foi 
denunciada na via criminal, ela também não será considerada autora do crime que ainda representa infração 
administrativa em eventual processo administrativo. Inexistindo indícios mínimos de autoria do crime, 
imprescindível o reconhecimento antecipado da absolvição administrativa, pois, se a absolvição criminal com 
fundamento na negativa de autoria gera a absolvição automática na via administrativa, com maior razão essa 
absolvição deverá advir de forma antecipada quando a pessoa nem figurar como ré numa ação penal.”21 
 
4.4.2.2. DA DECISÃO COORDENADA 
Novidade introduzida na Lei nº 9.784/99 pela Lei nº 14.210/2021, diz respeito à decisão coordenada no 
21 Almeida, Fabrício Bolzan D. Manual de direito administrativo. Disponível em: Minha Biblioteca, (5th edição). Editora Saraiva, 2022. 
 
25
 
âmbito do processo administrativo federal, cujo conceito está no art.49-A, §1º: 
 
Art. 49-A (...) §1º Para os fins desta Lei, considera-se decisão coordenada a instância de natureza 
interinstitucional ou intersetorial que atua de forma compartilhada com a finalidade de simplificar o processo 
administrativo mediante participação concomitante de todas as autoridades e agentes decisórios e dos 
responsáveis pela instrução técnico-jurídica, observada a natureza do objeto e a compatibilidade do 
procedimento e de sua formalização com a legislação pertinente. (Incluído pela Lei nº 14.210, de 2021) 
 
Logo, as decisões administrativas que exijam a participação de 3 (três) ou mais setores, órgãos ou 
entidades poderão ser tomadas mediante decisão coordenada, sempre que: 
● for justificável pela relevância da matéria; e 
● houver discordância que prejudique a celeridade do processo administrativo decisório. 
 
Não excluindo a responsabilidade particular de cada órgão ou entidade envolvida, a decisão 
coordenada deverá pautar-se nos princípios da legalidade, da eficiência e da transparência, podendo sempre 
que necessário valer-se de procedimento simplificado e condensação de instâncias decisórias. Eventual 
dissenso entre os membros do colegiado na solução do objeto da decisão coordenada deverá ser manifestado 
durante as reuniões, de forma fundamentada, acompanhado das propostas de solução e de alteração 
necessárias para a resolução da questão. A conclusão dos trabalhos será descrita em ata, cujo extrato será 
divulgado no Diário Oficial da União e conterá os seguintes elementos: 
● relato sobre os itens da pauta; 
● síntese dos fundamentos aduzidos; 
● síntese das teses pertinentes ao objeto da convocação; 
● registro das orientações, das diretrizes, das soluções ou das propostas de atos governamentais 
relativos ao objeto da convocação; 
● posicionamento dos participantes para subsidiar futura atuação governamental em matéria idêntica ou 
similar; e 
● decisão de cada órgão ou entidade relativa à matéria sujeita à sua competência. 
 
⚠ ATENÇÃO 
Não poderão ser objeto de decisão administrativa coordenada os processos administrativos que 
versarem sobre: 
● licitação; 
● relacionados ao poder sancionador; ou 
● em que estejam envolvidas autoridades de Poderes distintos. 
 
26
 
🚨JÁ CAIU 
No concurso para Delegado de Polícia Civil do Estado de Alagoas (Ano: 2023; CEBRASPE) foi considerada 
correta a seguinte assertiva: Aos processos administrativos que envolvam, conjuntamente, autoridades dos 
Poderes Executivo e Legislativo não se aplica a decisão coordenada. 
 
Ainda sobre a decisão administrativa coordenada, no concurso para Procurador da República - MPF (Ano: 
2022; PGR) foi considerada correta a seguinte assertiva: O processo administrativo pode ser simplificado 
mediante participação concomitante de todas as autoridades e agentes decisórios e dos responsáveis pela 
instrução técnico-jurídica, para tomada de decisão coordenada de três ou mais setores da Administração 
Pública federal, de um mesmo Poder, desde que haja relevância da matéria e a existência de discordância 
possa prejudicar a celeridade do processo administrativo decisório, o qual, para tanto, não pode versar sobre 
licitação ou exercício de poder sancionador. 
 
Ainda, chamamos à atenção para a figura do art. 49-B, bastante semelhante com o amicus curiae 
previsto no Código de Processo Civil e nas ações objetivas. Poderão se habilitar, na qualidade de ouvintes, 
aquelas pessoas arroladas no art. 9º, da Lei nº 9.784/99, que estudamos no item 4.1. Ademais, o parágrafo 
único do mesmo dispositivo legal aduz que “a participação na reunião, que poderá incluir direito a voz, será 
deferida por decisão irrecorrível da autoridade responsável pela convocação da decisão coordenada.” 
Para concluir o ponto sobre a decisão administrativa, importa destacar que o Superior Tribunal de 
Justiça entende pela possibilidade de execução imediata da decisão prolatada no PAD pela autoridade 
competente, não sendo necessário aguardar o trânsito em julgado: 
 
Possibilidade de execução imediata de penalidade imposta em PAD - Determinado servidor público 
federal recebeu pena de demissão em processo administrativo disciplinar contra si instaurado. O servidor 
interpôs recurso administrativo contra a decisão proferida. Ocorre que, antes mesmo de ser julgado o recurso, 
a Administração Pública já cessou o pagamento da remuneração do servidor e o afastou das funções. É 
possível que a sanção aplicada seja desde logo executada mesmo que ainda esteja pendente recurso 
interposto no âmbito administrativo? SIM. É possível o cumprimento imediato da penalidade imposta ao 
servidor logo após o julgamento do PAD e antes do julgamento do recurso administrativo cabível. Não 
há qualquer ilegalidade na imediata execução de penalidade administrativa imposta em PAD a servidor 
público, ainda que a decisão não tenha transitado em julgado administrativamente. STJ. Seção. MS 
19488-DF (Info 559).22 
 
4.4.3 ANULAÇÃO, REVOGAÇÃO E CONVALIDAÇÃO 
22 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Possibilidade de execução imediata de penalidade imposta em PAD. Buscador Dizer o Direito, Manaus. 
Disponível em: . 
 
27
 
Dada a importância do tema, o legislador reservou capítulo específico na Lei nº 9.784/99 para tratar 
sobre o assunto. Nesta perspectiva, foi franqueado ao administrador revogar, anular e convalidar seus próprios 
atos, quando assim for pertinente e cabível. Eis o teor dos arts. 53 e 55, da lei de regência: 
 
Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode 
revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. 
Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, 
os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. 
 
Da leitura do texto legal depreende-se que a Administração Pública poderá valer-se do instituto da 
revogação quando não tiver mais interesse em manter vigente e produzindo efeitos certo ato administrativo. 
Para tanto, basta unicamente de (i) sua vontade neste sentido e (ii) que sejam respeitados os direitos adquiridos 
de terceiros. Inclusive, a redação do art. 53 remonta à da Súmula nº 473 do STF, a quem o legislador prestigiou 
quando da edição do regramento: 
 
Súmula 473 do STF: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem 
ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogá-los, por conveniência ou oportunidade, respeitados 
os direitos adquiridos e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. 
 
Por outro lado, um ato administrativo maculado poderá ser convalidado desde que apresente defeitos 
sanáveis e também não cause prejuízo a terceiros. Verifica-se, portanto, que a possibilidade de convalidação 
das decisões proferidas em processos administrativos revela-se plena, desde que preenchidos os requisitos 
aqui estabelecidos, vale dizer: 
● não tenham acarretado lesão ao interesse público; 
● não tenham acarretado prejuízo a terceiros; 
● seja o defeito sanável. 
 
Nesse particular, em referência ao último item relacionado pelo legislador, importante deixar 
consignado que em algumas hipóteses o vício inicialmente apresentado pelo ato revela-se passível de correção, 
enquanto em outras a possibilidade não se apresenta. Assim, caso o vício inicialmente apresentado pelo ato 
estiver radicado na falta de motivação, claro está que a possibilidade de sua convalidação se apresenta, uma 
vez que o ato continuará sendo rigorosamente o mesmo, apenas agora acompanhado das razões necessárias 
que faltaram de início. 
Em contrapartida, se o vício inicialmente apresentado pelo ato estiver radicado em seu objeto, por ser 
ilícito, ou em sua finalidade, por não configurar situação

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