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Apostila 
 
 
Educação Ambiental e Cidadania 
 
 
 
 
 
 
 
 
Capítulo 1: Ecologia e Bioética 
 
Sumário: 
 
Introdução 
1. A Especificidade do Direito Ambiental 
2. A Proteção Ambiental e o Desenvolvimento 
3. Agricultura Familiar e Sustentabilidade 
Bibliografia – Literatura Complementar 
 
 
 
 
Introdução 
 Quando pensamos em qualidade de vida consequentemente aparece a preocupação com o 
meio ambiente. A humanidade, através da evolução científica e tecnológica, percebeu que as 
condições ambientais são de extrema importância para a saúde e consequentemente para o seu 
bem-estar. 
 A qualidade do ar nos centros urbanos, a ausência de contaminantes na água e no solo, a 
conservação da biodiversidade são questões que representam a garantia da saúde humana e o bom 
desempenho do ser humano na realização de suas atividades. 
 O Brasil é um território riquíssimo em recursos naturais, no entanto, para a garantia da 
manutenção da biodiversidade, estes recursos devem ser cuidadosamente explorados e 
conscientemente utilizados. Com a devastação ambiental gerada pela alta exploração dos recursos 
naturais, muito além da capacidade de absorção pelo meio ambiente dos resíduos produzidos, com 
o consequente agravamento do quadro social causado pela estagnação econômica e com a 
conscientização da população a respeito dos seus direitos, a sociedade civil passou a organizar 
movimentos exigindo soluções aos problemas socias e ambientais. 
Assim, as questões socioambientais passaram a fazer parte das discussões governamentais 
do mundo todo. E a Educação Ambiental veio a ser uma atuação que faz parte das ações de 
responsabilidade socioambiental, que se iniciaram como resposta aos impactos ambientas que 
surgiram no contexto industrial. Porém no Brasil, atualmente, as instituições de ensino abordam 
uma prática desprovida de importância acadêmica. A educação ambiental costuma ter seu foco na 
interdisciplinaridade de modo apenas teórico, uma maneira equívoca de se abordar um tema tão 
relevante e significativo. A prática e a proposição de soluções concretas no cotidiano de cada um, 
são parte integrante de uma bioética transdisciplinar realmente efetiva. 
 É importante, portanto, que as instituições de educação estudem e organizem os vários 
processos educacionais, definindo as linhas de diretrizes orientadoras das práticas socioambientais. 
É necessária, então, uma metodologia que proporcione as condições para que os estudantes 
tenham uma aprendizagem íntegra e que lhes de condições de assimilar as informações e formar os 
conhecimentos teóricos e práticos, assim como os valores necessários para a realização de práticas 
ambientais conscientes, responsáveis e comprometidas com as gerações futuras. 
 Vivemos em um mundo globalizado e a questão é que os problemas ambientais não podem 
ser encarados apenas como locais ou isolados, já que o global e o local estão diretamente 
interligados. Sendo assim, o desenvolvimento sustentável, e a responsabilidade social são temas 
atuais e altamente discutidos em todo o mundo. 
 Nos tempos atuais assuntos como meio ambiente, ecologia e bioética devem ser um dos 
mais abordados entre pesquisadores, cientistas da área, assim como professores e estudantes, e 
também entre a população no geral. Estamos em tempos que devemos ter consciência de que os 
recursos naturais e o meio ambiente não são inesgotáveis, não são eternos. Sem que haja a 
conscientização de todos, os recursos naturais estarão cada dia mais escassos e poderão ser 
esgotados mais rápido do que podemos imaginar. 
 
Os temas Meio Ambiente e Bioética têm uma importância muito grande para as futuras 
gerações. É importante ressaltar a recente, porém tardia, tendência da preocupação com o meio 
ambiente. A legitimação de ideias de cunho ambiental em setores cada vez mais amplos e variados 
na sociedade internacional, contribuiu para a conscientização de que os assuntos ambientais devem 
ser a preocupação primordial da humanidade, já que o futuro da humanidade depende diretamente 
das condições ambientais e ecológicas em que se encontra o planeta. Porém há uma lentidão na 
compreensão do tamanho da grandeza da crise ambiental contemporânea. 
 A preocupação da humanidade deve ser a de construir uma sociedade mais digna e justa, 
preocupada não só com as suas necessidades diretas, mas com todos os seres vivos e com o meio 
ambiente, voltando a fazer parte da ecologia do ecossistema do planeta, no sentido literal do 
termo. 
A Bioética é responsável por introduzir valores que buscam guiar a conduta e a ética 
humana em relação ao ecossistema do planeta. Garantir a manutenção das condições ambientais é 
a base fundamental para a vida saudável do ser humano, já que faz parte da natureza humana estar 
integrada com o meio ambiente. 
Apenas recentemente começaram a surgir preocupações com o destino do meio ambiente, 
como na Declaração de Estocolmo a respeito do Ambiente Humano. Esta Conferência das Nações 
Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, atentou-se à necessidade de um critério e de 
princípios comuns que ofereçam à população mundial inspiração e guia para preservar e melhorar o 
meio ambiente humano. 
No Brasil, as Constituições nunca se preocuparam com a proteção do meio ambiente de 
maneira específica, integrada e global. Segundo alguns autores, apenas com a Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988, houve uma declaração do direito ao meio ambiente 
ecologicamente equilibrado como um autêntico direito essencial para a terceira geração. Assim há, 
não só o direito, mas também o dever de preservar e conservar o meio ambiente e mantê-lo 
ecologicamente equilibrado. 
 A gradual compreensão da amplitude da crise ambiental, com a consequente incorporação de 
ideias ambientalistas em áreas cada vez mais extensas e diversificadas em toda a sociedade global, 
fortaleceu a consciência de que o meio ambiente deve constituir a principal preocupação da 
humanidade e de que o futuro do planeta, e de todos que nele habitam, depende das condições 
ambientais e ecológicas da Terra. 
Almejando a estruturação de uma sociedade mais justa, preocupando-se não só com a 
humanidade, mas com todos os seres vivos, ou seja, com o meio ambiente, a Bioética acrescenta 
valores que devem orientar a conduta do ser humano em relação à Biota, tendo sempre em mente 
que, a garantia da manutenção das condições ambientais é o alicerce para a própria vida do ser 
humano. 
 O aparecimento dos problemas ambientais tem obrigado a busca de um novo modelo de 
crescimento econômico que dê maior relevância a preservação do meio ambiente, tornando-se 
necessárias ações coordenadas pelo governo, Tais como: 
• Ações que visem à redução do consumo de energia. 
 
• Ações viáveis que levem a uma diminuição no desperdício de água e contaminação de nascentes, 
incentivando o consumo racional e a preservação rigorosa de matas ciliares e nascentes. 
• Planejamento, que leve a ações importantes para a preservação de áreas verdes e projetos de 
arborização urbana. 
• Planejamento de fontes de energia limpa como, por exemplo, eólica e solar. 
• Leis que levem as empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo produtivo 
adotar medidas eficazes que afetem o menos possível o meio ambiente. 
• Incentivo para que as empresas produzam produtos com baixo consumo de energia e, sempre 
que possível, usando materiais recicláveis ou biodegradáveis. 
• Criação de projetos para a educação ambiental, principalmente em escolas. 
• Incentivo à produção local. 
• Incentivo à agricultura familiar orgânica. 
 Nos últimos anos os problemas ambientais levaram a um aumento na competividade 
obrigando empresas a procurar maior diferenciação,
se preocupando também com a questão 
ambiental. 
 Ser ecologicamente correto tornou-se um “lobby” para as empresas, é um fator que as 
torna mais atraentes e encantadoras para o público consumidor que está mais consciente das 
questões ambientais. 
 A estratégia de ser ecologicamente correto, até poucos anos atrás, não era bem vista, sendo 
considerada pelas empresas uma imposição dos sistemas de proteção ambiental. Viam apenas 
como um fator que implicava em aumento de custos. Recentemente, os aspectos ambientais 
começaram a ser considerados como fatores competitivos, que podem conceder à empresa uma 
vantagem em um mercado consumidor mais consciente. 
 Uma política de direito ambiental bem concebida é capaz de reduzir custos, bem como 
gerar benefícios extras diante da comercialização dos resíduos, além de conduzir a segmentos de 
mercado consideravelmente lucrativos. 
 
 
 
 
1. A Especificidade do Direito Ambiental 
As Constituições Brasileiras jamais se atentaram para a proteção do meio ambiente de 
modo específico e global, o que ocorreu somente através da promulgação da Constituição no ano 
de 1988 que, em consonância com a tendência global de preocupação com os interesses do direito 
a um meio ambiente equilibrado e a uma boa qualidade de vida, declarou o direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado como um direito característico e essencial. 
Entre os países que efetivaram o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado em 
suas legislações, a Constituição brasileira apresenta em si o reconhecimento da necessidade em 
lidar com a questão ambiental admitindo sua especificidade através do acompanhamento dos 
princípios gerais do Direito Ambiental. 
A Constituição Federal Brasileira, que é uma Constituição analítica, retrata especificamente 
as orientações dos princípios gerais do Direito Ambiental, incluindo-os a seu ordenamento ao 
prever, por exemplo, o Estudo do Impacto Ambiental, uma das ferramentas de implementação do 
princípio da prevenção, para toda atividade que apresente potencial de degradação do meio 
ambiente. 
O próprio art. 225, reservado ao meio ambiente na Constituição Federal de 1988, é uma 
emenda dos Princípios 1, 2, 3 e 4 encontrados na Declaração de Estocolmo, com uma clara 
semelhança entre ambos os dispositivos, o que não é apenas uma coincidência. Em contrapartida, a 
Declaração de Estocolmo solenemente faz a declaração de que: 
 
 
“O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de 
condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe 
permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar, e é portador solene de obrigação 
de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. A 
esse respeito, as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid e a segregação 
racial, a discriminação, a opressão colonial e outras formas de opressão e de 
dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. Os 
recursos naturais da terra incluídos o ar, a água, o solo, a flora e a fauna e, 
especialmente, parcelas representativas dos ecossistemas naturais, devem ser 
preservados em benefício das gerações presentes e futuras, mediante um 
cuidadoso planejamento ou administração adequados. Deve ser mantida e, sempre 
que possível, restaurada ou melhorada a capacidade da Terra de produzir recursos 
renováveis vitais. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e 
administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e fauna silvestres, 
bem assim seu habitat, que se encontram atualmente, em grave perigo, devido a 
uma combinação de fatores adversos. Em consequência, ao planificar o 
desenvolvimento econômico, deve ser atribuída importância à conservação da 
natureza, incluídas a flora e a fauna silvestres”. 
 
Já a Constituição Federal brasileira declara que: 
“todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público 
e à coletividade o dever de defendêlo e preservá-lo para as presentes e futuras 
gerações”. 
 
Estas ocorrências aconteceram em função das tendências ideológicas fundamentadas no 
anseio de satisfação, característico das necessidades coletivas da sociedade contemporânea, tendo 
em vista a conscientização de que o meio ambiente deve estabelecer-se como a principal 
preocupação da humanidade, e de que o futuro do planeta Terra, da humanidade e, 
consequentemente, de todos os seres vivos, depende do equilíbrio ecológico. 
 Vale ressaltar que a prevenção da degradação do meio ambiente é atribuída a todos, 
indistintamente, e não somente ao Poder Público, considerando que se trata de uma 
responsabilidade compartilhada, que demanda uma atuação conjunta dos cidadãos e do Estado na 
elaboração de uma política ambiental preventiva. 
Diante deste contexto, os trabalhos técnicos passam a ser valorizados, assim como os de 
capacitação que objetivam conciliar os conceitos de ação positiva a respeito das dimensões do 
ambiente com a proteção ambiental. Surgem assim, agentes ambientais que recebem títulos e 
funções, tanto no setor administrativo público quanto no setor privado. 
 
Buscando preservar o potencial evolutivo e a manutenção da integridade e diversidade 
genética do ecossistema, foi necessário a regulamentação da exploração dos recursos naturais, 
como necessidade de proteção ao meio ambiente diante da degradação, provocada no contexto 
industrial. Dentro deste fato, o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 deve ser interpretado em 
concordância com outros artigos da Carta Magna, notadamente: 
 
(i) o artigo 1º, inciso III, que consagra como fundamento da República o princípio da 
dignidade da pessoa humana; 
(ii) o artigo 3º, inciso II, que prevê como objetivo fundamental da República o 
desenvolvimento nacional; 
(iii) o artigo 4º, inciso IX, que estipula que o Brasil deve reger-se em suas relações 
internacionais pelos princípios da cooperação entre os povos para o progresso da 
humanidade, de maneira a permitir maior efetividade na proteção do meio 
ambiente. 
 
 Além do mais, como já expresso pelo Supremo Tribunal Federal, o meio ambiente trata-se: 
 
“de um típico direito de 3ª (terceira) geração que assiste, de modo subjetivamente 
indeterminado, a todo o gênero humano, circunstância essa que justifica a especial 
obrigação – que incumbe ao Estado e à própria coletividade – de defendê-lo e 
preservá-lo em benefício das presentes e futuras gerações, evitando-se, desse 
modo, que irrompam, no seio da comunhão social, os graves conflitos 
intergeracionais marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade na proteção 
da integridade desse bem essencial de uso comum de todos quantos compõem o 
grupo social”. 
 Destaca-se ainda que, “a proteção da totalidade da biosfera como tal, acarreta, indireta, 
mas necessariamente, a proteção dos seres humanos, na medida em que o objeto do direito 
ambiental, e daí do direito a um meio ambiente sadio, é o de proteger os seres humanos ao 
assegurar-lhes um meio adequado”. 
Diante desta perspectiva, é importante mencionar que o direito do meio ambiente é 
formulado através de um apanhado de regras jurídicas referentes à proteção da natureza e à luta 
contra a poluição do planeta. É um direito que tem uma finalidade e um objetivo. Diante das 
ameaças sobre o meio ambiente, o Direito vem em seu auxílio, expondo sistemas de prevenção ou 
 
de reparação adaptados a uma melhor defesa das agressões da sociedade contemporânea contra o 
meio ambiente. 
 
 
 
2. A Proteção Ambiental e o Desenvolvimento 
Antigamente, os projetos de avanços estruturais e tecnológicos pouco se preocupavam 
com a manutenção dos recursos oferecidos pela natureza, concentrando-se muito mais na 
eficiência e êxito científico
e financeiro. A consolidação da Revolução Industrial agravou essa 
prática, pois a indústria assumidamente é uma instituição que se preocupa principalmente com 
seu capital e lucro. 
Assim, o caráter de priorizar os lucros típico do industrialismo, seja ele comunista ou 
capitalista, ignora os malefícios de sua exploração da natureza, gerando diversos tipos de 
problemas sociais e ecológicos, muito deles interligados, visto que o convívio e manipulação da 
natureza é uma parte vital da vivência humana. 
Com os avanços científicos em diferentes áreas, pudemos identificar uma série de ações 
prejudiciais ao meio ambiente e suas consequências, sendo que, muitos dos problemas 
ambientais possuem consequências catastróficas caso não sejam prevenidos pela humanidade. 
Os projetos ambientais, que são ações planejadas que visam resolver ou retardar algum 
problema ecológico, podem ser encontrados no mundo todo na forma de ongs, ações 
governamentais, setor privado, familiar, entre outras formas de organização. O propósito e 
modo de ação destes projetos pode ser extremamente diversificado, abrangendo a conservação 
 
de espécies da fauna e da flora, resoluções energéticas limpas, reaproveitamento de recursos e 
redução de emissão de CO2. 
Nos dias atuais, ainda não se atribuiu a devida gravidade aos problemas ambientais da 
sociedade contemporânea, um fato extremamente assustador, pois grande parte da ciência 
concorda que se a humanidade continuar efetuando práticas poluentes, irá presenciar uma 
catástrofe ambiental e social. Sendo assim, os profissionais que contribuem para o meio 
ambiente devem valorizar sua função e se esforçar para desempenha-la, sempre procurando 
conscientizar os outros sobre a gravidade da destruição dos recursos naturais do planeta, pois 
não é possível reverter esse cenário sozinho. 
 Mesmo diante do dever de preservação e conservação atual para um meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, a sociedade contemporânea está passando por uma intensa crise 
ambiental, deflagrada, principalmente, através da constatação de que as atuações tecnológicas e 
industriais, assim como os modos de organização e gestões econômicas da sociedade estão em um 
aparente conflito com a qualidade de vida de toda a biodiversidade incluindo os seres humanos. 
Perante este panorama, é possível constatar que a crise ambiental atual se caracteriza pelo 
esgotamento dos modelos desenvolvimentistas capitalistas ou comunistas que repercutiram nas 
últimas décadas, os quais, a despeito dos benefícios científicos e tecnológicos daí resultantes, 
resultaram na devastação do meio ambiente e na escassez dos recursos naturais em nível mundial. 
Tais devastações se manifestaram principalmente através de acontecimentos que 
ocorreram em todo o planeta, como o desmatamento, o efeito estufa, a perda da biodiversidade, a 
poluição do ar, a exaustão do solo, a erosão e destruição de rios e lagos, além da poluição dos 
oceanos. 
Estas manifestações são decorrentes de uma total ausência no passado de políticas 
governamentais habilitadas para conter a atuação destrutiva das ações dos humanos sobre o meio 
ambiente. O ser humano ainda continua se colocando como o centro de todas as coisas. Sendo 
assim, a proteção ambiental ainda só ocorre de fato na medida em que venha a beneficiar o ser 
humano diretamente. 
O ser humano ainda tem dificuldade de realizar esforços para a conservação da Biota 
quando esta necessidade não está aparente, agindo de maneira imediatista sem considerar as 
outras espécies e as gerações futuras. A humanidade, ainda se vê aquém da natureza, como algo à 
parte, quando deveria se entender junto com as outras formas de vida, junto com a natureza, como 
membro de uma comunidade maior, planetária. 
3. Agricultura Familiar e Sustentabilidade 
 
 
 
 
A superação da crise ambiental demanda não apenas a conciliação do desenvolvimento 
econômico com o social, através da proteção do meio ambiente, garantindo, portanto, o 
denominado desenvolvimento sustentável, mas promover uma mudança drástica de atitude da 
atual civilização industrial e dos seus hábitos degradadores, que comprometem não só o futuro das 
próximas gerações, mas o próprio equilíbrio do ecossistema como um todo, ainda é um grande 
desafio e demanda uma imediata mudança de paradigma na relação humana com a natureza. 
 A agricultura sustentável tem a capacidade de direcionar sua produtividade e utilidade para 
a sociedade, de ser economicamente viável, assim como comercialmente competitiva e, acima de 
tudo, ambientalmente coerente e socialmente justa. O desenvolvimento rural sustentável pode ser 
encarado como um desafio para o setor da agricultura, mas também como uma mudança 
promissora, pois além de propiciar crescimento econômico, deve proporcionar conservação e 
melhoria da capacidade produtiva dos solos, atingindo a expectativa de proporcionar melhor 
aproveitamento dos demais recursos com baixo impacto ambiental. 
 O desenvolvimento rural sustentável deve ter o mínimo possível de impactos ambientais, 
conservar a fertilidade do solo, preservar a estabilidade das reservas de água, assim como a 
diversidade biológica local. Socialmente o desenvolvimento rural sustentável deve valorizar o saber 
local e o potencial empírico da comunidade. Também deve ter equivalência no acesso a tecnologias 
em caráter econômico, assim como garantir a qualidade de vida e oferecer um sistema 
agroalimentar sustentável em todos os níveis. 
 
 Pode-se levar em consideração algumas estratégias possíveis de serem aplicadas para um 
desenvolvimento rural sustentável: • Opção pela agricultura familiar; 
• Busca de novas formas de comercialização; 
• Dimensão local do desenvolvimento. 
 Comparando com outras formas de exploração, a agricultura familiar pode oferecer 
vantagens econômicas, sociais e ambientais, já que pode contar com a diversidade de cultivos, 
eficiência produtiva e energética, preservação da biodiversidade local e dos recursos naturais não 
renováveis, contando também com atividades de menor impacto ambiental e com maior relevância 
social, já que necessita de mais mão de obra, oferecendo consequentemente mais empregos. 
 Quanto à comercialização, pode-se destacar que as ações devem incorporar o fato de a 
agricultura familiar necessitar de mais mão de obra, além de utilizar menos insumos agrícolas, 
portanto, sendo menos agressiva ao meio ambiente. Contando com essas considerações, deve-se 
estabelecer redes de confiança com o mercado consumidor local, que comercialize produtos com 
essas características, focando em percursos curtos para as mercadorias, com venda no mercado 
local. Deve-se também apostar no consumidor institucional como as creches, escolas e hospitais por 
exemplo. 
 Na agricultura familiar, o trabalho e a gestão estão diretamente ligados, facilitando assim as 
tomadas de decisões de acordo com a especificidade de cada processo produtivo. Diante de todos 
os fatos relacionados, a agricultura familiar é considerada uma atividade bastante relevante para o 
desenvolvimento de uma agricultura sustentável. 
 
Importância Ecológica das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) 
As PANC são plantas, ou partes delas, que não são habitualmente consumidas na 
alimentação. São plantas com grande importância alimentícia, pois são encontradas e mesmo 
cultivadas facilmente, porém são totalmente desprezadas ou parcialmente desperdiçadas. Estas 
plantas, pelo menos grande parte delas, normalmente são consideradas pragas, apenas “mato” que 
não tem serventia alguma. 
Sendo assim, são excluídas das hortas e canteiros, ou ainda, simplesmente ignoradas por 
não fazerem parte do cardápio do dia a dia. A grande maioria destas plantas é nativa. Muitas destas 
são ruderais, ou seja, espontâneas ou subespontâneas, nascem sozinhas e não precisam
de cultivo, 
adubos e agrotóxicos para se desenvolverem. São ocorrentes em áreas antropizadas, ou seja, em 
áreas que já não tem mais as suas características vegetativas originais, pois foram ocupadas e 
modificadas pelo ser humano. 
 Também são consideradas PANC as plantas que não são corriqueiras na alimentação da 
grande maioria da população de uma região, de um país ou ainda, do mundo inteiro. São plantas 
 
que não são consumidas em algumas regiões de um país, mas que podem ser corriqueiras em 
outras. 
 
 
O Caruru (Amaranthus deflexus L.), é uma planta que nasce em vãos de calçada e em meio de 
entulhos e é considerado “mato” em muitos lugares do país. 
 
Receita de suflê de caruru 
 
Ingredientes: 
 1 copo de leite 
 4 colheres de farinha de trigo 
 3 ovos 
 1 pacote de queijo ralado 
 1 colher de sopa de manteiga 
 250g de folhas de caruru 
 1 pitada de sal 
 1 colher de chá de fermento químico 
 
Modo de preparo: 
Faça o branqueamento do caruru. Coloque no liquidificador as folhas escaldadas e todos os 
outros ingredientes. Triture tudo até ficar homogêneo. 
Coloque em um refratário previamente untado. Leve ao forno pré-aquecido até dourar. Sirva 
quente. 
 
 
 O figo-da-índia (Opuntia fícus-índica L.), é bastante cultivado apenas como planta ornamental ou 
forrageira em alguns lugares. 
 
Estes são bons exemplos, pois em regiões como na Bahia, estas duas plantas, tanto o caruru 
como o figo da índia, fazem parte do cardápio habitual das pessoas, podendo até serem 
encontradas em restaurantes das cidades baianas. 
 
 
 
Receita de salada mista de flores e folhas 
 Nesta receita pode-se usar as plantas que estiverem disponíveis. Nesta receita da foto acima foram 
usadas as seguintes plantas: 
 Flores de “beijinho” (Impatiens walleriana Hook. F.) 
 Flores e folhas de “vinagreira” (Hibiscus acetosella Welw. Ex Hiern) 
 Folhas de “almeirão roxo” (Lactuca canadenses L.) 
 Folhas de “serralha” (Sonchus oleraceus L.) 
 Folhas de “folha da fortuna” (Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers.) 
 
 Em muitos lugares, estas plantas espontâneas, que normalmente estão presentes no entorno das 
pessoas e são encontradas facilmente, passam a ser bastante conhecidas e consumidas, tornando-
se convencionais, muito por causa de eventualidades como secas, guerras, ou ainda por serem 
regiões que apresentam grande pobreza, lugares estes onde a fome obriga as pessoas a buscarem 
alimentos alternativos e de fácil acesso. 
Muitas plantas convencionais, apesar de serem bastante populares, também podem ser 
consideradas PANC por conterem partes e substâncias que podem ser consumidas, mas que 
 
normalmente não são, apenas por falta de conhecimento e de hábito das pessoas, ou ainda, 
simplesmente por não serem comercializadas. 
No caso da bananeira, por exemplo, há um grande desperdício comercializando-se somente 
o fruto, pois o palmito do tronco e o coração (mangará, umbigo, bogó), a ponta vermelha do cacho 
que contém as flores, poderiam ser vendidos também. 
 
 
(coração mangará, umbigo, bogó) 
 
Receita de coração de bananeira em conserva (bogó, umbigo) 
 
Ingredientes: 
 
 1 coração de bananeira 
 Sal 
 Vinagre 
 
Modo de preparo: 
Coloque uma panela média de água para ferver. Ao atingir a fervura abaixe o fogo e 
acrescente 3 colheres de sopa de vinagre e 1 colher de chá de sal. Retire as primeiras camadas do 
coração, pique-o e coloque-o imediatamente na água fervente. Ferver por 3 minutos. Escorra e 
repita mais duas vezes a operação, porém na terceira vez mantenha o coração na água de conserva. 
Coloque em um refratário com tampa e conserve na geladeira. 
A venda destas partes pode aumentar a fonte de renda do produtor, evitar o descarte 
desnecessário das outras partes da planta, e também, contribuir para diversificar e enriquecer o 
cardápio habitual que normalmente é bastante monótono, repetitivo e pobre de nutrientes. 
A seguir fotos de uma horta de agricultura familiar onde as PANCs foram deixadas para 
crescerem junto com outras plantas convencionais: 
 
 
 
 
 
 A grande maioria da alimentação mundial vem de aproximadamente 20 espécies vegetais 
apenas, que estão enraizadas em nossa alimentação desde os primórdios da agricultura. Esta 
monotonia alimentar gera um grande desperdício de cor, sabor, aroma, textura, nutrientes e 
vitaminas que a diversidade de vegetais na alimentação pode proporcionar. 
 Em nosso país, onde o clima tropical proporciona uma grande biodiversidade de plantas 
com grande potencial alimentício, é difícil de acreditar que a maior parte, dentre estas poucas 
plantas consumidas habitualmente, é exótica. A mandioca é uma das poucas espécies de plantas 
nativas que são consumidas no dia a dia pelos brasileiros. 
 
 
O cultivo de plantas exóticas normalmente demanda cuidados extras por estas não estarem 
em seu clima natural. Normalmente necessitam de cuidados como o uso de herbicidas e estufas, 
que dificultam e encarecem a produção. Isto não ocorre com as plantas nativas, pois estas estão 
adaptadas ao tipo de clima e solo da sua região de origem, o que faz do seu cultivo algo mais 
simples e barato. 
Muitas plantas não convencionais com grande potencial comestível são pioneiras e 
desempenham um papel fundamental na reconstituição e preparo do solo para a sucessão de 
plantas que acontecerá no local. Estas plantas são boas bioindicadoras, ou seja, através de uma 
bioanálise pode-se descobrir o tipo do solo e suas características apenas identificando as plantas 
espontâneas que se encontram em um determinado local, pois algumas destas plantas nascem em 
um tipo de solo que apresenta características específicas. Mesmo quando não é possível identificar 
as plantas, é possível saber o tipo de solo apenas analisando as raízes das plantas que nascem no 
local. 
Raízes superficiais, peludas e densas, por exemplo, indicam solo pobre e arenoso. Já os 
sistemas radiculares profundos, são encontrados em solos compactados e argilosos. Nos solos 
pobres em matéria orgânica podem ser encontradas as leguminosas, que apresentam bactérias 
simbióticas com suas raízes e que ajudam a nitrogenar o solo. 
 
 
 
 
 Rhizobium nas raízes de uma leguminosa 
Manter estas plantas invasivas, ou pelo menos parte delas, pode ser bastante interessante, 
pois elas podem beneficiar o solo. Como nos solos compactados e pobres de nutrientes onde são 
encontradas plantas com as raízes profundas que irão deixar no solo um canal de drenagem e 
matéria orgânica quando a planta morrer. 
 
 
 
Uma mudança de paradigma, no modo de produção e consumo dos alimentos, pode 
beneficiar não só o produtor como também o meio ambiente em si. 
 
 
Bibliografia – Literatura Complementar 
BOFF, Leonardo. Ecologia, grito da terra, grito dos pobres. São Paulo: Ática, 1996. 
CLEMENTE, Ana Paula Pacheco (coordenadora). Bioética: um olhar transdisciplinar sobre os dilemas 
do mundo contemporâneo. Belo Horizonte: 
Bioconsulte, 2004. 
DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2003. 
KINUPP, V. F. & LORENZI, H. Plantas alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de 
identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos 
da Flora, 2014. 768 p. 
SPAREMBERGER, R. F. L., AUGUSTIN, S. (organizadores). Direito Ambiental e Bioética: legislação, 
educação e cidadania. Rio Grande do Sul: 
Capítulo 2: Interdisciplinaridade Ambiental 
 
 
 
 
Sumário: 
Introdução 
1. O Direito Ambiental e a Interdisciplinaridade 
2. Interdisciplinaridade e Educação Ambiental 
3. Formação em Educação Ambiental 
4. A Aplicação Prática da Interdisciplinaridade no Campo Ambiental 
5. Conclusão 
Bibliografia – Literatura Complementar
Introdução 
 A evolução da humanidade passou por muitas mudanças, dentre elas a construção do 
conhecimento, o aprimoramento das tecnologias e das ciências em consonância com as novas 
maneiras de consumo e de produção que modificaram em muito a vida socioambiental do mundo 
globalizado. 
 O estilo atual de vida altamente consumista da humanidade, tem levado o meio ambiente a um 
saturamento e a um possível colapso devido a uma degradação constante dos recursos naturais. 
Diante desse panorama, a problemática ambiental exige a implementação de um novo paradigma, 
ou seja, de um novo modelo do conhecimento que possa de maneira ampla abarcar todas as 
questões possibilitando várias opções de soluções para os problemas ambientais da sociedade 
moderna. 
 O meio ambiente se apresenta como uma área de problematização do conhecimento que induz 
a formação de especialistas e disciplinas ambientais, métodos de análises e diagnósticos, assim 
como novos instrumentos políticos para regularizar e planejar o processo de desenvolvimento 
econômico fundado em bases ambientais. 
 As demandas surgidas com os problemas ambientais são eminentemente complexas, uma vez 
que são resultados da relação da humanidade com a natureza. Sendo assim, não há a menor 
possibilidade de se encontrar soluções que sejam suficientemente eficazes através de um método 
de conhecimento que esteja fragmentado. 
 As disciplinas do conhecimento, quando fragmentadas, tornam-se um impedimento, diante de 
tanta complexidade, para que se entenda o mundo globalizado e moderno. Como uma alternativa 
para solucionar e resolver as várias questões ambientais surgidas na atualidade, e em busca de 
respostas para as fronteiras disciplinares, surgiu a interdisciplinaridade. 
 Essas dificuldades advindas dos problemas ambientais, assim como a necessidade de analisá-los 
como sistemas ambientais complexos criaram a necessidade de integrar a seu estudo um conjunto 
formado por várias áreas do saber. Sendo assim, a interdisciplinaridade vem a ser um processo de 
interação entre diversos campos do conhecimento científico. Assim esta nova área da ciência tenta 
formar um diálogo entre todas as ciências em prol de uma necessidade comum. 
 No campo interdisciplinar das ciências, a questão ambiental é encarada não como um meio para 
a produção de conhecimento e integração das ciências, mas, especificamente, com o intuito de 
proporcionar intercâmbios teóricos e práticos entre as ciências e de formar novos conceitos 
científicos e possíveis mudanças no paradigma. 
 
 
 
 
 
 
1. O Direito Ambiental e a Interdisciplinaridade 
Tudo no mundo de alguma forma está relacionado com o meio ambiente e, sendo assim, 
sob ao menos algum aspecto, necessita sofrer influência das leis e princípios que regulamentam o 
uso dos recursos ambientais. Diante deste motivo, o Direito Ambiental apresenta um aspecto de 
interdisciplinaridade. O meio ambiente, sendo assim um tema transversal, demanda o atrelamento, 
principalmente nas avaliações ambientais, de opiniões de toda ordem, oriundas de conhecimentos 
das mais variadas disciplinas. A composição diversificada de comissões e conselhos ambientais é a 
genuína demonstração deste fato. 
Diante desta perspectiva, todos, desde os cidadãos comuns até as instituições privadas e as 
governamentais, têm a sua função a exercer no processo de desenvolvimento sustentável, assim 
como na gestão do meio ambiente. O cidadão deve, de maneira isolada, manter ao menos uma 
conduta ambiental não destrutiva, e a sociedade em conjunto, deve ser proativa na administração, 
prevenção e recuperação dos recursos naturais. 
Não vale a pena nem se ater à atitude paternalista do Estado, na infundada pretensão deste 
ser o único agente responsável pela reconquista e manutenção de um meio ambiente saudável, 
nem tão pouco à sobrecarga para com o indivíduo, responsabilizado exclusivamente. As ações para 
a implementação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado só podem ser efetuadas à 
 
medida que o cidadão se esforce pela efetividade desse direito e o Estado cumpra seu papel de 
administrador, planejando e estimulando ações com o intuito de concretizar este direito. 
O Direito Ambiental faz com que os cidadãos saiam de um estatuto passivo de beneficiários, 
forçando-os a compartilhar com a responsabilidade na gestão dos interesses da coletividade social. 
Particularmente, a tutela do meio ambiente demanda uma ação conjunta e constituída dos poderes 
públicos e da sociedade, tendo em vista a complexidade da questão ambiental, que envolve 
diversos interesses, alguns dos quais supostamente contraditórios. 
Portanto, a implementação de políticas ambientais deve estar apoiada em um estudo 
sistemático, diversificado e interdisciplinar, que envolva as questões éticas, teóricas e práticas, 
levantadas pelas ciências naturais, enquanto aplicadas aos indivíduos e à relação destes com os 
demais seres vivos e o meio ambiente, de maneira a refletirem a realidade social, com a intenção de 
melhorarem as condições sociais e individuais de toda a coletividade. Desta maneira, ao abordar 
uma postura transdisciplinar, o Direito Ambiental fica permeável a outras áreas científicas, 
possibilitando uma coerência com o reconhecimento de sua qualidade que beneficie à coletividade. 
A constituição progressiva do Estado de Direito Ambiental enseja necessariamente 
mudanças drásticas nas estruturas da sociedade organizada, que pode apontar direções e 
disponibilizar alternativas para a superação da crise ambiental contemporânea, mantendo os 
valores que ainda são relevantes e resgatando os valores que, há muito, deixaram de existir. 
O conhecimento jurídico não só pode como deve ser enriquecido pela contribuição de 
outras áreas de conhecimento que podem contribuir para a consolidação do respeito ao 
ecossistema como um todo e para a limitação das atitudes de caráter antropocêntrico, 
reconhecidamente danosas ao equilíbrio ecológico. As questões ambientais constituem o cenário 
comum de todas as demais questões, pois o destino do planeta Terra e da biosfera é também o 
destino de toda a humanidade. 
 
 
 
 
 
2. Interdisciplinaridade e Educação Ambiental 
A Interdisciplinaridade se constitui na medida em que cada profissional faz uma leitura do 
ambiente conforme o seu conhecimento específico, contribuindo para esclarecer a realidade como 
um todo. Um tema comum, retirado do cotidiano, integra e proporciona a interação de pessoas, 
áreas, disciplinas, permitindo a formação de um conhecimento mais extenso e coletivizado. As 
leituras, descrições, interpretações e análises distintas sobre o mesmo objeto de estudo 
possibilitam a elaboração de um outro conhecimento, que almeja um entendimento e uma 
compreensão do ambiente por completo. 
O termo Interdisciplinaridade não apresenta um sentido único e imutável, considerando que 
se trata de novas interpretações cuja significações nem sempre são as mesmas, e a função nem 
sempre é compreendida da mesma maneira. 
Mesmo que as distinções terminológicas sejam diversas, o princípio delas é sempre igual. A 
Interdisciplinaridade é caracterizada pela intensidade de intercâmbio entre os especialistas, e 
através do nível de integração real das disciplinas dentro de um mesmo projeto de pesquisa. 
Portanto, é importante a elucidação de seu significado, não no sentido de questionar certos 
significados ou buscar um significado particular, mas visualizar através de uma análise geral, 
algumas vertentes conceituais, para que surja a oportunidade de um posicionamento pessoal. 
A ação interdisciplinar pode estabelecer, em conjunto com as práticas ambientais e do 
desenvolvimento do trabalho didático-pedagógico, a transmissão e reelaboração do conteúdo 
disciplinar, possibilitando a experimentação e a transformação do diferente em relação
ao outro. 
No entanto, a interdisciplinaridade não é algo como o simples cruzamento de coisas semelhantes, 
mas, a constituição e construção de diálogos embasados na diferença de concepções e 
conhecimentos, fortificando concretamente a riqueza da diversidade. 
Partindo desse pressuposto, a seguir estão apresentados, resumidamente, alguns 
fundamentos da interdisciplinaridade: 
MOVIMENTO DIALÉTICO – Exercício de dialogar com as próprias produções, com o objetivo de obter 
através deste diálogo diferentes indicadores e pressupostos. 
PARCERIA – Iniciativa de dialogar com outras áreas do conhecimento a que não se está habituado, e 
através desta iniciativa experimentar a possibilidade de interpretação destas formas. 
SALA DE AULA INTERDISCIPLINAR – Dentro de uma sala de aula onde a 
Interdisciplinaridade está presente, é possível se verificar que os elementos que diferenciam uma 
sala de aula interdisciplinar de outra não-interdisciplinar são a ordem e o rigor travestidos de uma 
nova ordem e de um novo rigor. A avaliação numa sala de aula interdisciplinar acaba por transgredir 
todas as regras de controle normalmente utilizadas. 
RESPEITO AO MODO DE SER DE CADA UM – A Interdisciplinaridade acontece mais do encontro de 
sujeitos do que de áreas disciplinares. 
 
BUSCA DE TOTALIDADE - O conhecimento interdisciplinar objetiva a totalidade do conhecimento, 
considerando a especificidade das disciplinas; a escolha de uma bibliografia pode ser sempre 
provisória, não necessitando ser definitiva. 
A interação de conhecimentos dentro da interdisciplinaridade não deve ser buscada 
somente em um grau de integração de conteúdo, mas sim em um grau de integração de 
conhecimentos parciais, específicos, procurando sempre uma orientação de conhecimento local e 
global. 
A Interdisciplinaridade pressupõe principalmente uma intersubjetividade. Não objetiva a 
construção de uma super ciência, mas uma diversificação de atitude perante um problema do 
conhecimento, uma substituição da concepção fragmentada para uma mais íntegra, sendo um 
termo usado para caracterizar a colaboração que existe entre várias disciplinas ou entre setores 
distintos de uma mesma área da ciência. É caracterizada por uma intensa reciprocidade nas trocas, 
buscando um enriquecimento mútuo. 
A abordagem interdisciplinar busca a superação da fragmentação do conhecimento. Assim, 
esse é um importante caminho a ser percorrido pelos educadores ambientais, onde há a 
possibilidade, através da compreensão mais globalizada do ambiente, trabalhar a interação mais 
equilibrada dos seres humanos com a natureza. 
A Educação Ambiental, dentro do contexto de desequilíbrio ambiental, deve ser uma busca 
por uma educação que considere comunidade, preservação dos meios naturais, política e 
aspirações dos grupos, que consolidem conquistas efetivas na direção da manutenção da 
biodiversidade. 
Podemos conceber a educação ambiental como uma educação generalizada, que é possível 
quando é efetuada através de um projeto pedagógico orgânico, formulado coletivamente na 
interação da escola em conjunto com a comunidade, e harmonizado com os movimentos populares 
e empresariais organizados, comprometidos com a preservação da vida como um todo. 
 Dentro da Educação Ambiental, sempre houve a concepção de que o fundamento para o 
desenvolvimento de toda prática é seu aspecto interdisciplinar. Tal afirmação, está embasada na 
análise de seu movimento histórico, inclusive como um importante instrumento para reanalisar as 
práticas educacionais mais convencionais. 
As práticas na Educação Ambiental demandam uma fundamentação conceitual. Para isso é 
necessário oferecer extensão às análises conceituais, para que as práticas, orientadas pelos mesmos 
conceitos, sejam efetivamente extensas, intensas e sofisticadas, tornando seus objetivos, e 
possíveis resultados, acontecimentos concretos. 
O início oficial da preocupação com o meio ambiente, aconteceu somente em 1972, em 
Estocolmo, na Suécia, onde aconteceu a Primeira Conferência a respeito do Meio Ambiente 
Humano e Desenvolvimento, estabelecendo assim, o primeiro pronunciamento oficial sobre a 
urgência da Educação Ambiental, em que se adotou um conjunto de princípios para a utilização 
ecologicamente racional do meio ambiente. 
Além de incluir as questões ambientais na agenda internacional, tal Declaração representou 
o início de um intercâmbio entre países industrializados e países em desenvolvimento, sobre a 
 
vinculação que ocorre entre o crescimento econômico, a poluição do meio ambiente, o bem estar 
dos povos de todo o planeta. 
A Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em 1977, em Tbilisi, na 
Georgia, destaca até os tempos atuais os seus princípios e definições que ainda servem como 
modelo para a Educação Ambiental contemporânea. Tais princípios e definições adotam um 
enfoque global, embasado em uma extensa base Interdisciplinar. A Educação Ambiental 
proporciona uma expectativa dentro da qual se estabelece a existência do meio natural com o meio 
artificial. O que permite demonstrar a continuidade dos vínculos dos atos do presente com as 
consequências no futuro, assim como a interdependência das comunidades nacionais e a 
necessidade de uma solidariedade entre os povos. 
As definições sobre a Educação Ambiental são diversas, mas é fundamentalmente 
importante destacar que a Educação Ambiental se caracteriza por trazer uma abordagem que 
integra e inter-relaciona as questões ambientais e humanas. 
As diretrizes metodológicas encontradas na Educação Ambiental são muito variadas e estão 
em muitos casos distantes das necessidades reais das comunidades com as quais se objetiva 
desenvolver um projeto interdisciplinar. 
As concepções e tendências encontradas em Educação Ambiental no país podem ser 
classificadas em seis categorias básicas, que são: 
• Educação Ambiental Conservacionista 
• Educação Ambiental Biológica 
• Educação Ambiental Comemorativa 
• Educação Ambiental Política 
• Educação Ambiental Corporativa 
• Educação Ambiental Crítica para Sociedades Sustentáveis 
Contudo, o que a Educação Ambiental objetiva é o entendimento das origens, causas e 
consequências da degradação ambiental, que pode ser realizada através de uma metodologia 
interdisciplinar, buscando uma nova maneira de vida coletiva, que seja basicamente sustentável. 
A elaboração de sociedades sustentáveis e equitativas, ou seja, meios de vida socialmente 
justos e ecologicamente autossuficientes, proporcionando mudança na qualidade de vida e 
consciência de conduta pessoal, assim como respeito entre os seres humanos e destes com as 
outras formas de vida, deve ser a força motriz de todo projeto educativo que envolva o meio 
ambiente. 
 Diante deste panorama em que a humanidade se encontra a Educação Ambiental é uma das 
exigências mais importantes da educação na atualidade, não só da educação brasileira, mas 
também do mundo todo. 
FINALIDADES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL 
 
• Contribuir para a compreensão, clara e objetiva, da existência e da importância da 
interdependência econômica, social, política e ambiental nas áreas urbanas e rurais. 
 
• Proporcionar a todos os indivíduos a possibilidade de obter os conhecimentos dos 
valores, do interesse ativo e das atitudes necessárias para proteger e manter o meio 
ambiente. 
 
• Oferecer novas maneiras de conduta das pessoas, dos grupos sociais e da sociedade, 
em seu conjunto, em relação ao meio ambiente. 
É importante se pensar na Educação Ambiental, dentro da Interdisciplinaridade, como um 
processo de formação total do ser humano como agente ambiental, onde é necessário sempre dar 
início a partir de um referencial seguro. 
Por estar relacionada a um método interdisciplinar, a Educação Ambiental, como 
perspectiva educativa, pode estar presente em todas as disciplinas, diante de temas
que permitem 
enfocar as relações entre a humanidade e o meio ambiente, e as relações sociais, sem abandonar as 
suas especificidades. 
 A Educação Ambiental e a Interdisciplinaridade, não só podem como devem realmente 
constituir uma ferramenta de transformação pedagógica, em que, neste sentido, possam agir como 
um integrador de criatividade e saberes. Deve ser uma disciplina integradora nos vários segmentos 
educacionais, pode ser uma ferramenta que antecede a inclusão dessa perspectiva interdisciplinar 
nas outras disciplinas clássicas do currículo escolar. 
 
 
 
 
3. Formação em Educação Ambiental 
A questão ambiental, diante de sua complexidade, e a interdisciplinaridade surgiram no 
século XX, mais precisamente nos finais dos anos 60 e início dos anos 70, como problemáticas 
contemporâneas. Surgiram diante de uma crise socioambiental, de uma crise que se manifestou 
através da fragmentação do conhecimento e em consequência da degradação do meio ambiente. 
A crise ambiental e a crise do conhecimento aparecem como a acumulação de 
“externalidades” resultante da escolha de decisões por organizações econômicas, que acarretaram 
custos para o meio ambiente. Surgiram como todo um campo da realidade ambiental negada e da 
informação desconhecida pela modernidade, demandando uma internalização de uma dimensão 
ambiental por meio de uma metodologia interdisciplinar, que pode possibilitar a reintegração do 
conhecimento para apreender esta realidade ambiental bastante complexa. 
A Conferência das Nações Unidas em Estocolmo, apresenta uma cruzada em prol do meio 
ambiente. Ao mesmo tempo, no entanto, admite que a solução da problemática ambiental 
 
demanda mudanças intensas na elaboração do conhecimento. Desta maneira, é proposto o 
desenvolvimento de uma educação ambiental orientada por uma visão holística realista e dentro da 
metodologia da interdisciplinaridade. 
Em 1975 se estabeleceu o Programa Internacional de Educação Ambiental 
(PIEA), patrocinado pela UNESCO e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 
(PNUMA). Em outro momento, na Conferência 
Intergovernamental, em 1977, em Tbilisi, que abordou a Educação Ambiental, foram estabelecidas 
as orientações gerais da educação ambiental, embasada em princípios da interdisciplinaridade 
como método para compreender e restabelecer as relações da sociedade com o meio ambiente. 
No PIEA o objetivo foi incorporar uma dimensão ambiental nas diferentes disciplinas, e 
também nas metodologias de investigação e no conteúdo da educação formal e informal. Nesta 
perspectiva, há o reconhecimento de que as demandas da problemática ambiental contemporânea 
são bastante complexas, sofrendo a intervenção de processos de diferentes áreas. A problemática 
ambiental é o campo onde deve ocorrer a correspondência da sociedade com a natureza, razão 
pela qual seu conhecimento necessita de uma abordagem holística e uma metodologia 
interdisciplinar que permitam a integração das ciências naturais, sociais, da economia, da 
tecnologia e da cultura. 
Dentro desta reflexão epistemológica e metodológica a respeito da complexidade e da 
interdisciplinaridade encontradas nas relações da sociedade com o meio ambiente, sempre foi 
bastante predominante tendências de naturalistas, biologistas e ecologistas no campo da educação 
ambiental. A atenção esteve concentrada nos problemas de conservação dos recursos naturais, na 
preservação da biodiversidade e na resolução dos problemas causados pela contaminação do meio 
ambiente. 
Gradualmente se passou da noção de meio ambiente, que considera basicamente as 
características biológicas e físicas, para uma concepção mais extensa, que abre espaço às questões 
econômicas e socioculturais. Este novo conceito de meio ambiente considera que, se os aspectos 
biológicos e físicos constituem a base natural do ambiente humano, as dimensões socioculturais e 
econômicas assumem as orientações conceituais, as ferramentas técnicas e os comportamentos 
práticos que possibilitam aos indivíduos compreenderem e utilizarem adequadamente os recursos 
naturais para as suas necessidades. 
 
Mesmo diante de alguns avanços realizados na investigação e na formação ambiental que 
demandam a interdisciplinaridade como fundamento teórico e guia pedagógico, ainda se pode 
afirmar que são poucos os programas que se concentram na problemática epistemológica e 
metodológica da interdisciplinaridade para consolidar seus programas de investigação e de estudo. 
Ainda que tenham sido oferecidos espaços de formação ambiental nas universidades, a 
interdisciplinaridade é compreendida, na maior parte dos casos, como um princípio que se resume 
a uma multiplicidade de temas ambientais adicionados no currículo. 
O estudo em relação aos problemas do conhecimento apresentados pela questão ambiental 
foi orientado para a incorporação de um conhecimento ambiental emergente nos paradigmas 
convencionais de conhecimento, objetivando com isso fundamentar bases para uma gestão 
racional do meio ambiente. 
A interdisciplinaridade implica desta forma em um processo de interrelação de processos, 
conhecimentos e práticas que extravasa e ultrapassa o campo da pesquisa e do ensino no que se 
diz respeito às disciplinas científicas e a suas possíveis articulações. Desta forma, o termo 
interdisciplinaridade vem sendo utilizado como sinônimo e representação de toda interconexão e 
contribuição entre várias áreas do conhecimento dentro de projetos que envolvem tanto as 
diversas disciplinas acadêmicas, como as atividades não científicas que incluem as instituições e 
ativistas sociais diversos. 
É bem normal que muitos centros e organizações não-governamentais, empenhados não só 
na educação e na formação ambiental, mas também na assessoria e promoção de projetos de 
desenvolvimento, se autodenominem e se coloquem como centros de estudos interdisciplinares. 
Neste panorama, o conceito de interdisciplinaridade é usado tanto em uma prática 
multidisciplinar, diante da atuação de profissionais com diversas formações disciplinares, assim 
como com a troca de conhecimento que funciona em suas atuações, e que não leva diretamente 
para uma articulação de conhecimentos disciplinares de fato, em que o disciplinar pode significar 
um conjugação de diversos conceitos, habilidades e conhecimentos nas práticas de educação, 
análise e gestão ambiental, que, de certa maneira, demandam diferentes disciplinas, com formas e 
modalidades de trabalho distintas, mas que não se finalizam em uma relação entre disciplinas 
científicas, campo o qual inicialmente necessita da interdisciplinaridade para trabalhar diante do 
fracionamento e da superespecialização do conhecimento. 
 
Tais considerações destacam a necessidade de focar em uma reflexão sobre os marcos 
conceituais e as bases epistemológicas que podem proporcionar uma prática da 
interdisciplinaridade mais aprofundada e melhor fundamentada em seus métodos e princípios 
teóricos, orientada para um manejo, gestão e apropriação adequados dos recursos naturais. 
 
 
4. A Aplicação Prática da Interdisciplinaridade no Campo Ambiental 
A articulação das produções teóricas foi orientada para possibilitar que o ser humano chegue 
a uma sustentabilidade no processo de desenvolvimento. Por meio de práticas sociais na produção 
e transformação da natureza, podendo alcançar um princípio metodológico para a reintegração dos 
conhecimentos existentes. A busca pela reapropriação da natureza e do conhecimento está 
influenciando na produção teórica, assim como na inovação tecnológica com suas aplicações sociais 
e produtivas para a exploração e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais. 
Dentro desta procura de mudanças de paradigmas surgiram projetos que procuram reverter 
o uso inadequado dos recursos naturais, mas sem deixar de explorar os recursos e gerar rendas. 
Estes projetos lançam mão
de formas sustentáveis de produção que, além de não apresentarem 
impactos ambientais, geram empregos. Tais projetos tem a capacidade de direcionar sua 
 
produtividade e utilidade para a sociedade, de serem economicamente viáveis, e, o mais 
importante, são ambientalmente adequados e socialmente justos. 
As práticas de agroecologia demandam uma diversidade profissionais de várias áreas do 
conhecimento apresentando assim um caráter interdisciplinar. 
Os estágios e visitas didáticas são altamente recomendados como formas de evitar a 
formação meramente teórica em Educação Ambiental. Apresentamos a seguir, alguns projetos que 
podem ser tomados como paradigma de atuação prática pelos alunos de Educação Ambiental, além 
de eventuais espaços para estágios e visitas de estudo: 
 
 
Sistema Agroecologia em Rede 
Link: https://www.agroecologiaemrede.org.br/ 
O sistema do Agroecologia em Rede surgiu no começo da década de 2000 no contexto de um 
projeto sobre plantas nativas do nordeste realizado em parceria entre a AS-PTA e a Universidade 
Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Inicialmente, houve a proposta de criar um banco de dados 
acessível pela internet para o cadastramento e disponibilização de boletins com sistematizações de 
experiências práticas em agroecologia, 
O projeto Agroecologia em Rede iniciou-se quando um grupo de organizações de diferentes 
estados do Nordeste começou a sistematizar experiências práticas em boletins, objetivando o apoio 
a processos de construção do conhecimento agroecológico em cada território de atuação. Através 
 
da plataforma digital, os boletins criados para potencializar a comunicação em redes territoriais, 
começaram a ser compartilhados também entre as redes, solidificando a cooperação entre 
organizações do agroecológicas na região. 
 
Cooperafloresta 
 
https://www.cooperafloresta.com/ 
A Cooperafloresta começou com o trabalho pioneiro iniciado por duas famílias agricultoras 
em 1996, a partir de um curso ministrado em Barra do Turvo pelo agricultor Ernst Götsch, grande 
difusor da prática da Agrofloresta no Brasil. 
Em 1998, um grupo de cerca de trinta famílias começou a praticar a agrofloresta e a 
comercializar de maneira solidária e coletiva a produção de suas agroflorestas agroecológicas. As 
famílias pioneiras foram fundamentais na capacitação e formação das famílias que vieram 
posteriormente. 
No ano de 2000, organizaram-se grupos nos bairros e foi retomado o antigo costume de 
fazer mutirões, onde as famílias se ajudam nas lavouras. Os mutirões também servem para 
aprendizado, para troca de experiências e para a interação entre as práticas das diversas famílias. 
 
Com a ampliação do número de famílias, cada grupo passou a eleger um representante 
para um Conselho, que junto com uma Diretoria eleita por todos os associados, administra a 
Cooperafloresta, que se formalizou como associação em 20/05/2003. 
As famílias da Cooperafloresta, sobreviviam anteriormente com rendas declinantes da 
produção do feijão cultivado em terras com acentuado processo de degradação, comercializada de 
forma individualizada em mercados distantes com elevados custos, obtendo renda da agricultura 
que não ultrapassava 2 salários mínimos anuais e era complementada com a venda de trabalho 
eventual. 
Em 2009, mais de 75% das famílias associadas à Cooperafloresta ultrapassou 15 salários 
mínimos de renda agrícola monetária anual, com o acréscimo de grandes melhorias na renda de 
autoconsumo, superando 4 salários mínimos anuais. Estes resultados são obtidos conservando o 
meio ambiente e ampliando a biodiversidade local no bioma Mata Atlântica através de 250 
hectares de agroflorestas mais intensivamente manejadas e outros 500 de manejo mais extensivo, 
onde predomina a ação do processo natural de regeneração florestal. 
 
Fazenda da Toca Orgânicos 
 
 
Link: https://fazendadatoca.com.br/ 
Situada, em Itirapina interior do estado de São Paulo, a produção desta fazenda é 
certificada como 100% orgânica. Em meio a mais de 2300 hectares funciona o Instituto Toca, que 
tem como objetivo a educação agroecológica e pesquisas a respeito da agricultura sustentável. 
Dentro da propriedade deste projeto, vivem 53 famílias que convivem entre colaboradores 
do projeto e agregados. Na produção da fazenda pode-se encontrar entre frutas, ovos e grãos. Os 
produtos resultantes da produção, como sucos, são vendidos nos principais mercados do país. 
“O que mais me motiva hoje em dia é fazer bons negócios que regenerem o nosso planeta e 
consequentemente melhorem a vida de todos que vivem nele”, diz Pedro Paulo Diniz o idealizador 
do projeto. 
 
Ao longo dos anos, este projeto cresceu e a Toca tem o propósito de investir e desenvolver 
no país modelos de agricultura regenerativa, que além de produzem alimentos saudáveis, ao 
mesmo tempo regeneram o solo e a biodiversidade. 
Diniz fundou também a Rizoma, uma empresa que pretende transformar o paradigma da 
agricultura, promovendo uma produção profundamente eficiente, produtiva e com alto potencial 
para otimizar os indicadores ambientais e contribuir para reverter a degradação do planeta. 
A fazenda da Toca é um exemplo de como os empreendimentos corporativos sustentáveis e 
favoráveis ao meio ambiente, podem ser altamente lucrativos, unindo o paradigma industrial do 
lucro com a conservação e recuperação do meio ambiente. 
 
 
 
Galinhas poedeiras criadas em ambiente natural na fazenda da Toca 
 
5. Conclusão 
É importante destacar que a reflexão da sociedade na questão de seu destino no futuro, e a 
atual conscientização ambiental, tem gerado transformações fundamentais no rumo da 
humanidade, perante o gradual abandono da atitude egocêntrica e individualista da sociedade 
contemporânea. 
Buscando a constituição de uma sociedade mais justa, preocupando-se não apenas com a 
espécie humana, mas com todas as outras espécies e com o meio ambiente de um modo geral, a 
Bioética, fundada em um estudo transdisciplinar aprofundado sobre as questões que envolvem o 
meio ambiente, incorpora valores que podem orientar a conduta da humanidade em questão ao 
meio ambiente, quais sejam: 
1. O ser humano faz parte de um todo maior, que é complexo, articulado e interdependente; 
 
2. Os recursos da natureza são limitados e podem ser degradados pela utilização 
desperdiçadora de seus recursos; 
 
 
3. O ser humano não pode dominar a natureza, mas tem de procurar meios para uma 
convivência adequada entre ela e a sua proteção, sob risco de extinção da própria espécie 
humana; 
 
4. A procura pela convivência adequada com o meio ambiente não é apenas responsabilidade 
de certos grupos “preservacionistas”, mas obrigação política, ética e jurídica de todos os 
cidadãos. 
Portanto o grande desafio para a sustentabilidade da espécie humana é apresentar uma 
atitude ética em todas as suas decisões e relações. Diante dos avanços científicos e tecnológicos, a 
humanidade se vê diante de um grande desafio que é a sustentabilidade, que virá através do 
equilíbrio ambiental. 
Nesse processo de revisão de paradigma, há uma necessária e drástica mudança na forma 
como o ser humano se serve dos recursos naturais e dos demais seres vivos. Se o objetivo for a 
garantia da manutenção ou criação de condições necessárias ao entorno ambiental, para o 
desenvolvimento pleno da dignidade da pessoa humana e evitar a mutilação irreversível da Biota, 
terá que haver mudanças em todo o modo de ação humana. 
Para que estas mudanças ocorram, é imprescindível o controle das atividades nocivas ao 
meio ambiente, como a substituição dos combustíveis fosseis por formas alternativas de energia, a 
diminuição da emissão de gases poluentes, o uso eficiente de energia que seja renovável, 
manutenção da água e de outros recursos, entre outras atitudes. 
A relação da humanidade com o mundo natural
se encontra em uma situação de confronto 
que necessita ser imediatamente revertida. Esta delicada situação ambiental em que a humanidade 
se encontra, atingiu uma escala quase irreparável em nível mundial. Se as atividades humanas 
agressivas não forem detidas, colocarão em risco a saúde do planeta, alterando-o de tal maneira 
que a continuidade da vida dos seres vivos será de todo inviável. 
A cooperação é do interesse de todos, sendo que a transdisciplinaridade aparece como 
forma colaborativa de aprofundamento do conhecimento e partilha de experiências práticas 
agregadoras, cuja somatória pode representar a recuperação da saúde ambiental de nosso planeta, 
com o consequente resgate de nossos valores mais profundos, os quais se encontram inscritos em 
nossa própria estrutura biológica enquanto seres vivos. 
 
 
 
 
 
Bibliografia – Literatura Complementar 
FERNÁNDEZ, R. El saber ambiental: marco para una agenda de estudios de postgrado. Formación 
ambiental, v.11, n.24, p.18-22, 1999. 
JACOBI, P. Ciência ambiental: os desafios da interdisciplinaridade. São Paulo: 
Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP, 1999. 
NOVO, M.; LARA, R. El análisis interdisciplinar de la problemática ambiental. 
Madrid: UNED/Fundación Universidad Empresa/UNESCO/PNUMA; 1997. 2v. 
SANTOS, Antônio Silveira Ribeiro dos. Desenvolvimento sustentável: considerações. Revista Meio 
Mabiente Industrial, São Paulo, 1999 ou 2000. 
ZANONI, M.; RAYNAUT, C. Meio ambiente e desenvolvimento: imperativos para uma pesquisa e a 
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Cadernos de Desenvolvimento e Meio Ambiente, n.1, 1994.

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