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Apostila Educação Ambiental e Cidadania Capítulo 1: Ecologia e Bioética Sumário: Introdução 1. A Especificidade do Direito Ambiental 2. A Proteção Ambiental e o Desenvolvimento 3. Agricultura Familiar e Sustentabilidade Bibliografia – Literatura Complementar Introdução Quando pensamos em qualidade de vida consequentemente aparece a preocupação com o meio ambiente. A humanidade, através da evolução científica e tecnológica, percebeu que as condições ambientais são de extrema importância para a saúde e consequentemente para o seu bem-estar. A qualidade do ar nos centros urbanos, a ausência de contaminantes na água e no solo, a conservação da biodiversidade são questões que representam a garantia da saúde humana e o bom desempenho do ser humano na realização de suas atividades. O Brasil é um território riquíssimo em recursos naturais, no entanto, para a garantia da manutenção da biodiversidade, estes recursos devem ser cuidadosamente explorados e conscientemente utilizados. Com a devastação ambiental gerada pela alta exploração dos recursos naturais, muito além da capacidade de absorção pelo meio ambiente dos resíduos produzidos, com o consequente agravamento do quadro social causado pela estagnação econômica e com a conscientização da população a respeito dos seus direitos, a sociedade civil passou a organizar movimentos exigindo soluções aos problemas socias e ambientais. Assim, as questões socioambientais passaram a fazer parte das discussões governamentais do mundo todo. E a Educação Ambiental veio a ser uma atuação que faz parte das ações de responsabilidade socioambiental, que se iniciaram como resposta aos impactos ambientas que surgiram no contexto industrial. Porém no Brasil, atualmente, as instituições de ensino abordam uma prática desprovida de importância acadêmica. A educação ambiental costuma ter seu foco na interdisciplinaridade de modo apenas teórico, uma maneira equívoca de se abordar um tema tão relevante e significativo. A prática e a proposição de soluções concretas no cotidiano de cada um, são parte integrante de uma bioética transdisciplinar realmente efetiva. É importante, portanto, que as instituições de educação estudem e organizem os vários processos educacionais, definindo as linhas de diretrizes orientadoras das práticas socioambientais. É necessária, então, uma metodologia que proporcione as condições para que os estudantes tenham uma aprendizagem íntegra e que lhes de condições de assimilar as informações e formar os conhecimentos teóricos e práticos, assim como os valores necessários para a realização de práticas ambientais conscientes, responsáveis e comprometidas com as gerações futuras. Vivemos em um mundo globalizado e a questão é que os problemas ambientais não podem ser encarados apenas como locais ou isolados, já que o global e o local estão diretamente interligados. Sendo assim, o desenvolvimento sustentável, e a responsabilidade social são temas atuais e altamente discutidos em todo o mundo. Nos tempos atuais assuntos como meio ambiente, ecologia e bioética devem ser um dos mais abordados entre pesquisadores, cientistas da área, assim como professores e estudantes, e também entre a população no geral. Estamos em tempos que devemos ter consciência de que os recursos naturais e o meio ambiente não são inesgotáveis, não são eternos. Sem que haja a conscientização de todos, os recursos naturais estarão cada dia mais escassos e poderão ser esgotados mais rápido do que podemos imaginar. Os temas Meio Ambiente e Bioética têm uma importância muito grande para as futuras gerações. É importante ressaltar a recente, porém tardia, tendência da preocupação com o meio ambiente. A legitimação de ideias de cunho ambiental em setores cada vez mais amplos e variados na sociedade internacional, contribuiu para a conscientização de que os assuntos ambientais devem ser a preocupação primordial da humanidade, já que o futuro da humanidade depende diretamente das condições ambientais e ecológicas em que se encontra o planeta. Porém há uma lentidão na compreensão do tamanho da grandeza da crise ambiental contemporânea. A preocupação da humanidade deve ser a de construir uma sociedade mais digna e justa, preocupada não só com as suas necessidades diretas, mas com todos os seres vivos e com o meio ambiente, voltando a fazer parte da ecologia do ecossistema do planeta, no sentido literal do termo. A Bioética é responsável por introduzir valores que buscam guiar a conduta e a ética humana em relação ao ecossistema do planeta. Garantir a manutenção das condições ambientais é a base fundamental para a vida saudável do ser humano, já que faz parte da natureza humana estar integrada com o meio ambiente. Apenas recentemente começaram a surgir preocupações com o destino do meio ambiente, como na Declaração de Estocolmo a respeito do Ambiente Humano. Esta Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em 1972, atentou-se à necessidade de um critério e de princípios comuns que ofereçam à população mundial inspiração e guia para preservar e melhorar o meio ambiente humano. No Brasil, as Constituições nunca se preocuparam com a proteção do meio ambiente de maneira específica, integrada e global. Segundo alguns autores, apenas com a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, houve uma declaração do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como um autêntico direito essencial para a terceira geração. Assim há, não só o direito, mas também o dever de preservar e conservar o meio ambiente e mantê-lo ecologicamente equilibrado. A gradual compreensão da amplitude da crise ambiental, com a consequente incorporação de ideias ambientalistas em áreas cada vez mais extensas e diversificadas em toda a sociedade global, fortaleceu a consciência de que o meio ambiente deve constituir a principal preocupação da humanidade e de que o futuro do planeta, e de todos que nele habitam, depende das condições ambientais e ecológicas da Terra. Almejando a estruturação de uma sociedade mais justa, preocupando-se não só com a humanidade, mas com todos os seres vivos, ou seja, com o meio ambiente, a Bioética acrescenta valores que devem orientar a conduta do ser humano em relação à Biota, tendo sempre em mente que, a garantia da manutenção das condições ambientais é o alicerce para a própria vida do ser humano. O aparecimento dos problemas ambientais tem obrigado a busca de um novo modelo de crescimento econômico que dê maior relevância a preservação do meio ambiente, tornando-se necessárias ações coordenadas pelo governo, Tais como: • Ações que visem à redução do consumo de energia. • Ações viáveis que levem a uma diminuição no desperdício de água e contaminação de nascentes, incentivando o consumo racional e a preservação rigorosa de matas ciliares e nascentes. • Planejamento, que leve a ações importantes para a preservação de áreas verdes e projetos de arborização urbana. • Planejamento de fontes de energia limpa como, por exemplo, eólica e solar. • Leis que levem as empresas que geram qualquer tipo de poluição em seu processo produtivo adotar medidas eficazes que afetem o menos possível o meio ambiente. • Incentivo para que as empresas produzam produtos com baixo consumo de energia e, sempre que possível, usando materiais recicláveis ou biodegradáveis. • Criação de projetos para a educação ambiental, principalmente em escolas. • Incentivo à produção local. • Incentivo à agricultura familiar orgânica. Nos últimos anos os problemas ambientais levaram a um aumento na competividade obrigando empresas a procurar maior diferenciação, se preocupando também com a questão ambiental. Ser ecologicamente correto tornou-se um “lobby” para as empresas, é um fator que as torna mais atraentes e encantadoras para o público consumidor que está mais consciente das questões ambientais. A estratégia de ser ecologicamente correto, até poucos anos atrás, não era bem vista, sendo considerada pelas empresas uma imposição dos sistemas de proteção ambiental. Viam apenas como um fator que implicava em aumento de custos. Recentemente, os aspectos ambientais começaram a ser considerados como fatores competitivos, que podem conceder à empresa uma vantagem em um mercado consumidor mais consciente. Uma política de direito ambiental bem concebida é capaz de reduzir custos, bem como gerar benefícios extras diante da comercialização dos resíduos, além de conduzir a segmentos de mercado consideravelmente lucrativos. 1. A Especificidade do Direito Ambiental As Constituições Brasileiras jamais se atentaram para a proteção do meio ambiente de modo específico e global, o que ocorreu somente através da promulgação da Constituição no ano de 1988 que, em consonância com a tendência global de preocupação com os interesses do direito a um meio ambiente equilibrado e a uma boa qualidade de vida, declarou o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como um direito característico e essencial. Entre os países que efetivaram o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado em suas legislações, a Constituição brasileira apresenta em si o reconhecimento da necessidade em lidar com a questão ambiental admitindo sua especificidade através do acompanhamento dos princípios gerais do Direito Ambiental. A Constituição Federal Brasileira, que é uma Constituição analítica, retrata especificamente as orientações dos princípios gerais do Direito Ambiental, incluindo-os a seu ordenamento ao prever, por exemplo, o Estudo do Impacto Ambiental, uma das ferramentas de implementação do princípio da prevenção, para toda atividade que apresente potencial de degradação do meio ambiente. O próprio art. 225, reservado ao meio ambiente na Constituição Federal de 1988, é uma emenda dos Princípios 1, 2, 3 e 4 encontrados na Declaração de Estocolmo, com uma clara semelhança entre ambos os dispositivos, o que não é apenas uma coincidência. Em contrapartida, a Declaração de Estocolmo solenemente faz a declaração de que: “O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar, e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. A esse respeito, as políticas que promovem ou perpetuam o apartheid e a segregação racial, a discriminação, a opressão colonial e outras formas de opressão e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. Os recursos naturais da terra incluídos o ar, a água, o solo, a flora e a fauna e, especialmente, parcelas representativas dos ecossistemas naturais, devem ser preservados em benefício das gerações presentes e futuras, mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequados. Deve ser mantida e, sempre que possível, restaurada ou melhorada a capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e fauna silvestres, bem assim seu habitat, que se encontram atualmente, em grave perigo, devido a uma combinação de fatores adversos. Em consequência, ao planificar o desenvolvimento econômico, deve ser atribuída importância à conservação da natureza, incluídas a flora e a fauna silvestres”. Já a Constituição Federal brasileira declara que: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendêlo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. Estas ocorrências aconteceram em função das tendências ideológicas fundamentadas no anseio de satisfação, característico das necessidades coletivas da sociedade contemporânea, tendo em vista a conscientização de que o meio ambiente deve estabelecer-se como a principal preocupação da humanidade, e de que o futuro do planeta Terra, da humanidade e, consequentemente, de todos os seres vivos, depende do equilíbrio ecológico. Vale ressaltar que a prevenção da degradação do meio ambiente é atribuída a todos, indistintamente, e não somente ao Poder Público, considerando que se trata de uma responsabilidade compartilhada, que demanda uma atuação conjunta dos cidadãos e do Estado na elaboração de uma política ambiental preventiva. Diante deste contexto, os trabalhos técnicos passam a ser valorizados, assim como os de capacitação que objetivam conciliar os conceitos de ação positiva a respeito das dimensões do ambiente com a proteção ambiental. Surgem assim, agentes ambientais que recebem títulos e funções, tanto no setor administrativo público quanto no setor privado. Buscando preservar o potencial evolutivo e a manutenção da integridade e diversidade genética do ecossistema, foi necessário a regulamentação da exploração dos recursos naturais, como necessidade de proteção ao meio ambiente diante da degradação, provocada no contexto industrial. Dentro deste fato, o artigo 225 da Constituição Federal de 1988 deve ser interpretado em concordância com outros artigos da Carta Magna, notadamente: (i) o artigo 1º, inciso III, que consagra como fundamento da República o princípio da dignidade da pessoa humana; (ii) o artigo 3º, inciso II, que prevê como objetivo fundamental da República o desenvolvimento nacional; (iii) o artigo 4º, inciso IX, que estipula que o Brasil deve reger-se em suas relações internacionais pelos princípios da cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, de maneira a permitir maior efetividade na proteção do meio ambiente. Além do mais, como já expresso pelo Supremo Tribunal Federal, o meio ambiente trata-se: “de um típico direito de 3ª (terceira) geração que assiste, de modo subjetivamente indeterminado, a todo o gênero humano, circunstância essa que justifica a especial obrigação – que incumbe ao Estado e à própria coletividade – de defendê-lo e preservá-lo em benefício das presentes e futuras gerações, evitando-se, desse modo, que irrompam, no seio da comunhão social, os graves conflitos intergeracionais marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade na proteção da integridade desse bem essencial de uso comum de todos quantos compõem o grupo social”. Destaca-se ainda que, “a proteção da totalidade da biosfera como tal, acarreta, indireta, mas necessariamente, a proteção dos seres humanos, na medida em que o objeto do direito ambiental, e daí do direito a um meio ambiente sadio, é o de proteger os seres humanos ao assegurar-lhes um meio adequado”. Diante desta perspectiva, é importante mencionar que o direito do meio ambiente é formulado através de um apanhado de regras jurídicas referentes à proteção da natureza e à luta contra a poluição do planeta. É um direito que tem uma finalidade e um objetivo. Diante das ameaças sobre o meio ambiente, o Direito vem em seu auxílio, expondo sistemas de prevenção ou de reparação adaptados a uma melhor defesa das agressões da sociedade contemporânea contra o meio ambiente. 2. A Proteção Ambiental e o Desenvolvimento Antigamente, os projetos de avanços estruturais e tecnológicos pouco se preocupavam com a manutenção dos recursos oferecidos pela natureza, concentrando-se muito mais na eficiência e êxito científico e financeiro. A consolidação da Revolução Industrial agravou essa prática, pois a indústria assumidamente é uma instituição que se preocupa principalmente com seu capital e lucro. Assim, o caráter de priorizar os lucros típico do industrialismo, seja ele comunista ou capitalista, ignora os malefícios de sua exploração da natureza, gerando diversos tipos de problemas sociais e ecológicos, muito deles interligados, visto que o convívio e manipulação da natureza é uma parte vital da vivência humana. Com os avanços científicos em diferentes áreas, pudemos identificar uma série de ações prejudiciais ao meio ambiente e suas consequências, sendo que, muitos dos problemas ambientais possuem consequências catastróficas caso não sejam prevenidos pela humanidade. Os projetos ambientais, que são ações planejadas que visam resolver ou retardar algum problema ecológico, podem ser encontrados no mundo todo na forma de ongs, ações governamentais, setor privado, familiar, entre outras formas de organização. O propósito e modo de ação destes projetos pode ser extremamente diversificado, abrangendo a conservação de espécies da fauna e da flora, resoluções energéticas limpas, reaproveitamento de recursos e redução de emissão de CO2. Nos dias atuais, ainda não se atribuiu a devida gravidade aos problemas ambientais da sociedade contemporânea, um fato extremamente assustador, pois grande parte da ciência concorda que se a humanidade continuar efetuando práticas poluentes, irá presenciar uma catástrofe ambiental e social. Sendo assim, os profissionais que contribuem para o meio ambiente devem valorizar sua função e se esforçar para desempenha-la, sempre procurando conscientizar os outros sobre a gravidade da destruição dos recursos naturais do planeta, pois não é possível reverter esse cenário sozinho. Mesmo diante do dever de preservação e conservação atual para um meio ambiente ecologicamente equilibrado, a sociedade contemporânea está passando por uma intensa crise ambiental, deflagrada, principalmente, através da constatação de que as atuações tecnológicas e industriais, assim como os modos de organização e gestões econômicas da sociedade estão em um aparente conflito com a qualidade de vida de toda a biodiversidade incluindo os seres humanos. Perante este panorama, é possível constatar que a crise ambiental atual se caracteriza pelo esgotamento dos modelos desenvolvimentistas capitalistas ou comunistas que repercutiram nas últimas décadas, os quais, a despeito dos benefícios científicos e tecnológicos daí resultantes, resultaram na devastação do meio ambiente e na escassez dos recursos naturais em nível mundial. Tais devastações se manifestaram principalmente através de acontecimentos que ocorreram em todo o planeta, como o desmatamento, o efeito estufa, a perda da biodiversidade, a poluição do ar, a exaustão do solo, a erosão e destruição de rios e lagos, além da poluição dos oceanos. Estas manifestações são decorrentes de uma total ausência no passado de políticas governamentais habilitadas para conter a atuação destrutiva das ações dos humanos sobre o meio ambiente. O ser humano ainda continua se colocando como o centro de todas as coisas. Sendo assim, a proteção ambiental ainda só ocorre de fato na medida em que venha a beneficiar o ser humano diretamente. O ser humano ainda tem dificuldade de realizar esforços para a conservação da Biota quando esta necessidade não está aparente, agindo de maneira imediatista sem considerar as outras espécies e as gerações futuras. A humanidade, ainda se vê aquém da natureza, como algo à parte, quando deveria se entender junto com as outras formas de vida, junto com a natureza, como membro de uma comunidade maior, planetária. 3. Agricultura Familiar e Sustentabilidade A superação da crise ambiental demanda não apenas a conciliação do desenvolvimento econômico com o social, através da proteção do meio ambiente, garantindo, portanto, o denominado desenvolvimento sustentável, mas promover uma mudança drástica de atitude da atual civilização industrial e dos seus hábitos degradadores, que comprometem não só o futuro das próximas gerações, mas o próprio equilíbrio do ecossistema como um todo, ainda é um grande desafio e demanda uma imediata mudança de paradigma na relação humana com a natureza. A agricultura sustentável tem a capacidade de direcionar sua produtividade e utilidade para a sociedade, de ser economicamente viável, assim como comercialmente competitiva e, acima de tudo, ambientalmente coerente e socialmente justa. O desenvolvimento rural sustentável pode ser encarado como um desafio para o setor da agricultura, mas também como uma mudança promissora, pois além de propiciar crescimento econômico, deve proporcionar conservação e melhoria da capacidade produtiva dos solos, atingindo a expectativa de proporcionar melhor aproveitamento dos demais recursos com baixo impacto ambiental. O desenvolvimento rural sustentável deve ter o mínimo possível de impactos ambientais, conservar a fertilidade do solo, preservar a estabilidade das reservas de água, assim como a diversidade biológica local. Socialmente o desenvolvimento rural sustentável deve valorizar o saber local e o potencial empírico da comunidade. Também deve ter equivalência no acesso a tecnologias em caráter econômico, assim como garantir a qualidade de vida e oferecer um sistema agroalimentar sustentável em todos os níveis. Pode-se levar em consideração algumas estratégias possíveis de serem aplicadas para um desenvolvimento rural sustentável: • Opção pela agricultura familiar; • Busca de novas formas de comercialização; • Dimensão local do desenvolvimento. Comparando com outras formas de exploração, a agricultura familiar pode oferecer vantagens econômicas, sociais e ambientais, já que pode contar com a diversidade de cultivos, eficiência produtiva e energética, preservação da biodiversidade local e dos recursos naturais não renováveis, contando também com atividades de menor impacto ambiental e com maior relevância social, já que necessita de mais mão de obra, oferecendo consequentemente mais empregos. Quanto à comercialização, pode-se destacar que as ações devem incorporar o fato de a agricultura familiar necessitar de mais mão de obra, além de utilizar menos insumos agrícolas, portanto, sendo menos agressiva ao meio ambiente. Contando com essas considerações, deve-se estabelecer redes de confiança com o mercado consumidor local, que comercialize produtos com essas características, focando em percursos curtos para as mercadorias, com venda no mercado local. Deve-se também apostar no consumidor institucional como as creches, escolas e hospitais por exemplo. Na agricultura familiar, o trabalho e a gestão estão diretamente ligados, facilitando assim as tomadas de decisões de acordo com a especificidade de cada processo produtivo. Diante de todos os fatos relacionados, a agricultura familiar é considerada uma atividade bastante relevante para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. Importância Ecológica das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) As PANC são plantas, ou partes delas, que não são habitualmente consumidas na alimentação. São plantas com grande importância alimentícia, pois são encontradas e mesmo cultivadas facilmente, porém são totalmente desprezadas ou parcialmente desperdiçadas. Estas plantas, pelo menos grande parte delas, normalmente são consideradas pragas, apenas “mato” que não tem serventia alguma. Sendo assim, são excluídas das hortas e canteiros, ou ainda, simplesmente ignoradas por não fazerem parte do cardápio do dia a dia. A grande maioria destas plantas é nativa. Muitas destas são ruderais, ou seja, espontâneas ou subespontâneas, nascem sozinhas e não precisam de cultivo, adubos e agrotóxicos para se desenvolverem. São ocorrentes em áreas antropizadas, ou seja, em áreas que já não tem mais as suas características vegetativas originais, pois foram ocupadas e modificadas pelo ser humano. Também são consideradas PANC as plantas que não são corriqueiras na alimentação da grande maioria da população de uma região, de um país ou ainda, do mundo inteiro. São plantas que não são consumidas em algumas regiões de um país, mas que podem ser corriqueiras em outras. O Caruru (Amaranthus deflexus L.), é uma planta que nasce em vãos de calçada e em meio de entulhos e é considerado “mato” em muitos lugares do país. Receita de suflê de caruru Ingredientes: 1 copo de leite 4 colheres de farinha de trigo 3 ovos 1 pacote de queijo ralado 1 colher de sopa de manteiga 250g de folhas de caruru 1 pitada de sal 1 colher de chá de fermento químico Modo de preparo: Faça o branqueamento do caruru. Coloque no liquidificador as folhas escaldadas e todos os outros ingredientes. Triture tudo até ficar homogêneo. Coloque em um refratário previamente untado. Leve ao forno pré-aquecido até dourar. Sirva quente. O figo-da-índia (Opuntia fícus-índica L.), é bastante cultivado apenas como planta ornamental ou forrageira em alguns lugares. Estes são bons exemplos, pois em regiões como na Bahia, estas duas plantas, tanto o caruru como o figo da índia, fazem parte do cardápio habitual das pessoas, podendo até serem encontradas em restaurantes das cidades baianas. Receita de salada mista de flores e folhas Nesta receita pode-se usar as plantas que estiverem disponíveis. Nesta receita da foto acima foram usadas as seguintes plantas: Flores de “beijinho” (Impatiens walleriana Hook. F.) Flores e folhas de “vinagreira” (Hibiscus acetosella Welw. Ex Hiern) Folhas de “almeirão roxo” (Lactuca canadenses L.) Folhas de “serralha” (Sonchus oleraceus L.) Folhas de “folha da fortuna” (Kalanchoe pinnata (Lam.) Pers.) Em muitos lugares, estas plantas espontâneas, que normalmente estão presentes no entorno das pessoas e são encontradas facilmente, passam a ser bastante conhecidas e consumidas, tornando- se convencionais, muito por causa de eventualidades como secas, guerras, ou ainda por serem regiões que apresentam grande pobreza, lugares estes onde a fome obriga as pessoas a buscarem alimentos alternativos e de fácil acesso. Muitas plantas convencionais, apesar de serem bastante populares, também podem ser consideradas PANC por conterem partes e substâncias que podem ser consumidas, mas que normalmente não são, apenas por falta de conhecimento e de hábito das pessoas, ou ainda, simplesmente por não serem comercializadas. No caso da bananeira, por exemplo, há um grande desperdício comercializando-se somente o fruto, pois o palmito do tronco e o coração (mangará, umbigo, bogó), a ponta vermelha do cacho que contém as flores, poderiam ser vendidos também. (coração mangará, umbigo, bogó) Receita de coração de bananeira em conserva (bogó, umbigo) Ingredientes: 1 coração de bananeira Sal Vinagre Modo de preparo: Coloque uma panela média de água para ferver. Ao atingir a fervura abaixe o fogo e acrescente 3 colheres de sopa de vinagre e 1 colher de chá de sal. Retire as primeiras camadas do coração, pique-o e coloque-o imediatamente na água fervente. Ferver por 3 minutos. Escorra e repita mais duas vezes a operação, porém na terceira vez mantenha o coração na água de conserva. Coloque em um refratário com tampa e conserve na geladeira. A venda destas partes pode aumentar a fonte de renda do produtor, evitar o descarte desnecessário das outras partes da planta, e também, contribuir para diversificar e enriquecer o cardápio habitual que normalmente é bastante monótono, repetitivo e pobre de nutrientes. A seguir fotos de uma horta de agricultura familiar onde as PANCs foram deixadas para crescerem junto com outras plantas convencionais: A grande maioria da alimentação mundial vem de aproximadamente 20 espécies vegetais apenas, que estão enraizadas em nossa alimentação desde os primórdios da agricultura. Esta monotonia alimentar gera um grande desperdício de cor, sabor, aroma, textura, nutrientes e vitaminas que a diversidade de vegetais na alimentação pode proporcionar. Em nosso país, onde o clima tropical proporciona uma grande biodiversidade de plantas com grande potencial alimentício, é difícil de acreditar que a maior parte, dentre estas poucas plantas consumidas habitualmente, é exótica. A mandioca é uma das poucas espécies de plantas nativas que são consumidas no dia a dia pelos brasileiros. O cultivo de plantas exóticas normalmente demanda cuidados extras por estas não estarem em seu clima natural. Normalmente necessitam de cuidados como o uso de herbicidas e estufas, que dificultam e encarecem a produção. Isto não ocorre com as plantas nativas, pois estas estão adaptadas ao tipo de clima e solo da sua região de origem, o que faz do seu cultivo algo mais simples e barato. Muitas plantas não convencionais com grande potencial comestível são pioneiras e desempenham um papel fundamental na reconstituição e preparo do solo para a sucessão de plantas que acontecerá no local. Estas plantas são boas bioindicadoras, ou seja, através de uma bioanálise pode-se descobrir o tipo do solo e suas características apenas identificando as plantas espontâneas que se encontram em um determinado local, pois algumas destas plantas nascem em um tipo de solo que apresenta características específicas. Mesmo quando não é possível identificar as plantas, é possível saber o tipo de solo apenas analisando as raízes das plantas que nascem no local. Raízes superficiais, peludas e densas, por exemplo, indicam solo pobre e arenoso. Já os sistemas radiculares profundos, são encontrados em solos compactados e argilosos. Nos solos pobres em matéria orgânica podem ser encontradas as leguminosas, que apresentam bactérias simbióticas com suas raízes e que ajudam a nitrogenar o solo. Rhizobium nas raízes de uma leguminosa Manter estas plantas invasivas, ou pelo menos parte delas, pode ser bastante interessante, pois elas podem beneficiar o solo. Como nos solos compactados e pobres de nutrientes onde são encontradas plantas com as raízes profundas que irão deixar no solo um canal de drenagem e matéria orgânica quando a planta morrer. Uma mudança de paradigma, no modo de produção e consumo dos alimentos, pode beneficiar não só o produtor como também o meio ambiente em si. Bibliografia – Literatura Complementar BOFF, Leonardo. Ecologia, grito da terra, grito dos pobres. São Paulo: Ática, 1996. CLEMENTE, Ana Paula Pacheco (coordenadora). Bioética: um olhar transdisciplinar sobre os dilemas do mundo contemporâneo. Belo Horizonte: Bioconsulte, 2004. DIAS, Genebaldo Freire. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 2003. KINUPP, V. F. & LORENZI, H. Plantas alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2014. 768 p. SPAREMBERGER, R. F. L., AUGUSTIN, S. (organizadores). Direito Ambiental e Bioética: legislação, educação e cidadania. Rio Grande do Sul: Capítulo 2: Interdisciplinaridade Ambiental Sumário: Introdução 1. O Direito Ambiental e a Interdisciplinaridade 2. Interdisciplinaridade e Educação Ambiental 3. Formação em Educação Ambiental 4. A Aplicação Prática da Interdisciplinaridade no Campo Ambiental 5. Conclusão Bibliografia – Literatura Complementar Introdução A evolução da humanidade passou por muitas mudanças, dentre elas a construção do conhecimento, o aprimoramento das tecnologias e das ciências em consonância com as novas maneiras de consumo e de produção que modificaram em muito a vida socioambiental do mundo globalizado. O estilo atual de vida altamente consumista da humanidade, tem levado o meio ambiente a um saturamento e a um possível colapso devido a uma degradação constante dos recursos naturais. Diante desse panorama, a problemática ambiental exige a implementação de um novo paradigma, ou seja, de um novo modelo do conhecimento que possa de maneira ampla abarcar todas as questões possibilitando várias opções de soluções para os problemas ambientais da sociedade moderna. O meio ambiente se apresenta como uma área de problematização do conhecimento que induz a formação de especialistas e disciplinas ambientais, métodos de análises e diagnósticos, assim como novos instrumentos políticos para regularizar e planejar o processo de desenvolvimento econômico fundado em bases ambientais. As demandas surgidas com os problemas ambientais são eminentemente complexas, uma vez que são resultados da relação da humanidade com a natureza. Sendo assim, não há a menor possibilidade de se encontrar soluções que sejam suficientemente eficazes através de um método de conhecimento que esteja fragmentado. As disciplinas do conhecimento, quando fragmentadas, tornam-se um impedimento, diante de tanta complexidade, para que se entenda o mundo globalizado e moderno. Como uma alternativa para solucionar e resolver as várias questões ambientais surgidas na atualidade, e em busca de respostas para as fronteiras disciplinares, surgiu a interdisciplinaridade. Essas dificuldades advindas dos problemas ambientais, assim como a necessidade de analisá-los como sistemas ambientais complexos criaram a necessidade de integrar a seu estudo um conjunto formado por várias áreas do saber. Sendo assim, a interdisciplinaridade vem a ser um processo de interação entre diversos campos do conhecimento científico. Assim esta nova área da ciência tenta formar um diálogo entre todas as ciências em prol de uma necessidade comum. No campo interdisciplinar das ciências, a questão ambiental é encarada não como um meio para a produção de conhecimento e integração das ciências, mas, especificamente, com o intuito de proporcionar intercâmbios teóricos e práticos entre as ciências e de formar novos conceitos científicos e possíveis mudanças no paradigma. 1. O Direito Ambiental e a Interdisciplinaridade Tudo no mundo de alguma forma está relacionado com o meio ambiente e, sendo assim, sob ao menos algum aspecto, necessita sofrer influência das leis e princípios que regulamentam o uso dos recursos ambientais. Diante deste motivo, o Direito Ambiental apresenta um aspecto de interdisciplinaridade. O meio ambiente, sendo assim um tema transversal, demanda o atrelamento, principalmente nas avaliações ambientais, de opiniões de toda ordem, oriundas de conhecimentos das mais variadas disciplinas. A composição diversificada de comissões e conselhos ambientais é a genuína demonstração deste fato. Diante desta perspectiva, todos, desde os cidadãos comuns até as instituições privadas e as governamentais, têm a sua função a exercer no processo de desenvolvimento sustentável, assim como na gestão do meio ambiente. O cidadão deve, de maneira isolada, manter ao menos uma conduta ambiental não destrutiva, e a sociedade em conjunto, deve ser proativa na administração, prevenção e recuperação dos recursos naturais. Não vale a pena nem se ater à atitude paternalista do Estado, na infundada pretensão deste ser o único agente responsável pela reconquista e manutenção de um meio ambiente saudável, nem tão pouco à sobrecarga para com o indivíduo, responsabilizado exclusivamente. As ações para a implementação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado só podem ser efetuadas à medida que o cidadão se esforce pela efetividade desse direito e o Estado cumpra seu papel de administrador, planejando e estimulando ações com o intuito de concretizar este direito. O Direito Ambiental faz com que os cidadãos saiam de um estatuto passivo de beneficiários, forçando-os a compartilhar com a responsabilidade na gestão dos interesses da coletividade social. Particularmente, a tutela do meio ambiente demanda uma ação conjunta e constituída dos poderes públicos e da sociedade, tendo em vista a complexidade da questão ambiental, que envolve diversos interesses, alguns dos quais supostamente contraditórios. Portanto, a implementação de políticas ambientais deve estar apoiada em um estudo sistemático, diversificado e interdisciplinar, que envolva as questões éticas, teóricas e práticas, levantadas pelas ciências naturais, enquanto aplicadas aos indivíduos e à relação destes com os demais seres vivos e o meio ambiente, de maneira a refletirem a realidade social, com a intenção de melhorarem as condições sociais e individuais de toda a coletividade. Desta maneira, ao abordar uma postura transdisciplinar, o Direito Ambiental fica permeável a outras áreas científicas, possibilitando uma coerência com o reconhecimento de sua qualidade que beneficie à coletividade. A constituição progressiva do Estado de Direito Ambiental enseja necessariamente mudanças drásticas nas estruturas da sociedade organizada, que pode apontar direções e disponibilizar alternativas para a superação da crise ambiental contemporânea, mantendo os valores que ainda são relevantes e resgatando os valores que, há muito, deixaram de existir. O conhecimento jurídico não só pode como deve ser enriquecido pela contribuição de outras áreas de conhecimento que podem contribuir para a consolidação do respeito ao ecossistema como um todo e para a limitação das atitudes de caráter antropocêntrico, reconhecidamente danosas ao equilíbrio ecológico. As questões ambientais constituem o cenário comum de todas as demais questões, pois o destino do planeta Terra e da biosfera é também o destino de toda a humanidade. 2. Interdisciplinaridade e Educação Ambiental A Interdisciplinaridade se constitui na medida em que cada profissional faz uma leitura do ambiente conforme o seu conhecimento específico, contribuindo para esclarecer a realidade como um todo. Um tema comum, retirado do cotidiano, integra e proporciona a interação de pessoas, áreas, disciplinas, permitindo a formação de um conhecimento mais extenso e coletivizado. As leituras, descrições, interpretações e análises distintas sobre o mesmo objeto de estudo possibilitam a elaboração de um outro conhecimento, que almeja um entendimento e uma compreensão do ambiente por completo. O termo Interdisciplinaridade não apresenta um sentido único e imutável, considerando que se trata de novas interpretações cuja significações nem sempre são as mesmas, e a função nem sempre é compreendida da mesma maneira. Mesmo que as distinções terminológicas sejam diversas, o princípio delas é sempre igual. A Interdisciplinaridade é caracterizada pela intensidade de intercâmbio entre os especialistas, e através do nível de integração real das disciplinas dentro de um mesmo projeto de pesquisa. Portanto, é importante a elucidação de seu significado, não no sentido de questionar certos significados ou buscar um significado particular, mas visualizar através de uma análise geral, algumas vertentes conceituais, para que surja a oportunidade de um posicionamento pessoal. A ação interdisciplinar pode estabelecer, em conjunto com as práticas ambientais e do desenvolvimento do trabalho didático-pedagógico, a transmissão e reelaboração do conteúdo disciplinar, possibilitando a experimentação e a transformação do diferente em relação ao outro. No entanto, a interdisciplinaridade não é algo como o simples cruzamento de coisas semelhantes, mas, a constituição e construção de diálogos embasados na diferença de concepções e conhecimentos, fortificando concretamente a riqueza da diversidade. Partindo desse pressuposto, a seguir estão apresentados, resumidamente, alguns fundamentos da interdisciplinaridade: MOVIMENTO DIALÉTICO – Exercício de dialogar com as próprias produções, com o objetivo de obter através deste diálogo diferentes indicadores e pressupostos. PARCERIA – Iniciativa de dialogar com outras áreas do conhecimento a que não se está habituado, e através desta iniciativa experimentar a possibilidade de interpretação destas formas. SALA DE AULA INTERDISCIPLINAR – Dentro de uma sala de aula onde a Interdisciplinaridade está presente, é possível se verificar que os elementos que diferenciam uma sala de aula interdisciplinar de outra não-interdisciplinar são a ordem e o rigor travestidos de uma nova ordem e de um novo rigor. A avaliação numa sala de aula interdisciplinar acaba por transgredir todas as regras de controle normalmente utilizadas. RESPEITO AO MODO DE SER DE CADA UM – A Interdisciplinaridade acontece mais do encontro de sujeitos do que de áreas disciplinares. BUSCA DE TOTALIDADE - O conhecimento interdisciplinar objetiva a totalidade do conhecimento, considerando a especificidade das disciplinas; a escolha de uma bibliografia pode ser sempre provisória, não necessitando ser definitiva. A interação de conhecimentos dentro da interdisciplinaridade não deve ser buscada somente em um grau de integração de conteúdo, mas sim em um grau de integração de conhecimentos parciais, específicos, procurando sempre uma orientação de conhecimento local e global. A Interdisciplinaridade pressupõe principalmente uma intersubjetividade. Não objetiva a construção de uma super ciência, mas uma diversificação de atitude perante um problema do conhecimento, uma substituição da concepção fragmentada para uma mais íntegra, sendo um termo usado para caracterizar a colaboração que existe entre várias disciplinas ou entre setores distintos de uma mesma área da ciência. É caracterizada por uma intensa reciprocidade nas trocas, buscando um enriquecimento mútuo. A abordagem interdisciplinar busca a superação da fragmentação do conhecimento. Assim, esse é um importante caminho a ser percorrido pelos educadores ambientais, onde há a possibilidade, através da compreensão mais globalizada do ambiente, trabalhar a interação mais equilibrada dos seres humanos com a natureza. A Educação Ambiental, dentro do contexto de desequilíbrio ambiental, deve ser uma busca por uma educação que considere comunidade, preservação dos meios naturais, política e aspirações dos grupos, que consolidem conquistas efetivas na direção da manutenção da biodiversidade. Podemos conceber a educação ambiental como uma educação generalizada, que é possível quando é efetuada através de um projeto pedagógico orgânico, formulado coletivamente na interação da escola em conjunto com a comunidade, e harmonizado com os movimentos populares e empresariais organizados, comprometidos com a preservação da vida como um todo. Dentro da Educação Ambiental, sempre houve a concepção de que o fundamento para o desenvolvimento de toda prática é seu aspecto interdisciplinar. Tal afirmação, está embasada na análise de seu movimento histórico, inclusive como um importante instrumento para reanalisar as práticas educacionais mais convencionais. As práticas na Educação Ambiental demandam uma fundamentação conceitual. Para isso é necessário oferecer extensão às análises conceituais, para que as práticas, orientadas pelos mesmos conceitos, sejam efetivamente extensas, intensas e sofisticadas, tornando seus objetivos, e possíveis resultados, acontecimentos concretos. O início oficial da preocupação com o meio ambiente, aconteceu somente em 1972, em Estocolmo, na Suécia, onde aconteceu a Primeira Conferência a respeito do Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, estabelecendo assim, o primeiro pronunciamento oficial sobre a urgência da Educação Ambiental, em que se adotou um conjunto de princípios para a utilização ecologicamente racional do meio ambiente. Além de incluir as questões ambientais na agenda internacional, tal Declaração representou o início de um intercâmbio entre países industrializados e países em desenvolvimento, sobre a vinculação que ocorre entre o crescimento econômico, a poluição do meio ambiente, o bem estar dos povos de todo o planeta. A Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, em 1977, em Tbilisi, na Georgia, destaca até os tempos atuais os seus princípios e definições que ainda servem como modelo para a Educação Ambiental contemporânea. Tais princípios e definições adotam um enfoque global, embasado em uma extensa base Interdisciplinar. A Educação Ambiental proporciona uma expectativa dentro da qual se estabelece a existência do meio natural com o meio artificial. O que permite demonstrar a continuidade dos vínculos dos atos do presente com as consequências no futuro, assim como a interdependência das comunidades nacionais e a necessidade de uma solidariedade entre os povos. As definições sobre a Educação Ambiental são diversas, mas é fundamentalmente importante destacar que a Educação Ambiental se caracteriza por trazer uma abordagem que integra e inter-relaciona as questões ambientais e humanas. As diretrizes metodológicas encontradas na Educação Ambiental são muito variadas e estão em muitos casos distantes das necessidades reais das comunidades com as quais se objetiva desenvolver um projeto interdisciplinar. As concepções e tendências encontradas em Educação Ambiental no país podem ser classificadas em seis categorias básicas, que são: • Educação Ambiental Conservacionista • Educação Ambiental Biológica • Educação Ambiental Comemorativa • Educação Ambiental Política • Educação Ambiental Corporativa • Educação Ambiental Crítica para Sociedades Sustentáveis Contudo, o que a Educação Ambiental objetiva é o entendimento das origens, causas e consequências da degradação ambiental, que pode ser realizada através de uma metodologia interdisciplinar, buscando uma nova maneira de vida coletiva, que seja basicamente sustentável. A elaboração de sociedades sustentáveis e equitativas, ou seja, meios de vida socialmente justos e ecologicamente autossuficientes, proporcionando mudança na qualidade de vida e consciência de conduta pessoal, assim como respeito entre os seres humanos e destes com as outras formas de vida, deve ser a força motriz de todo projeto educativo que envolva o meio ambiente. Diante deste panorama em que a humanidade se encontra a Educação Ambiental é uma das exigências mais importantes da educação na atualidade, não só da educação brasileira, mas também do mundo todo. FINALIDADES DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL • Contribuir para a compreensão, clara e objetiva, da existência e da importância da interdependência econômica, social, política e ambiental nas áreas urbanas e rurais. • Proporcionar a todos os indivíduos a possibilidade de obter os conhecimentos dos valores, do interesse ativo e das atitudes necessárias para proteger e manter o meio ambiente. • Oferecer novas maneiras de conduta das pessoas, dos grupos sociais e da sociedade, em seu conjunto, em relação ao meio ambiente. É importante se pensar na Educação Ambiental, dentro da Interdisciplinaridade, como um processo de formação total do ser humano como agente ambiental, onde é necessário sempre dar início a partir de um referencial seguro. Por estar relacionada a um método interdisciplinar, a Educação Ambiental, como perspectiva educativa, pode estar presente em todas as disciplinas, diante de temas que permitem enfocar as relações entre a humanidade e o meio ambiente, e as relações sociais, sem abandonar as suas especificidades. A Educação Ambiental e a Interdisciplinaridade, não só podem como devem realmente constituir uma ferramenta de transformação pedagógica, em que, neste sentido, possam agir como um integrador de criatividade e saberes. Deve ser uma disciplina integradora nos vários segmentos educacionais, pode ser uma ferramenta que antecede a inclusão dessa perspectiva interdisciplinar nas outras disciplinas clássicas do currículo escolar. 3. Formação em Educação Ambiental A questão ambiental, diante de sua complexidade, e a interdisciplinaridade surgiram no século XX, mais precisamente nos finais dos anos 60 e início dos anos 70, como problemáticas contemporâneas. Surgiram diante de uma crise socioambiental, de uma crise que se manifestou através da fragmentação do conhecimento e em consequência da degradação do meio ambiente. A crise ambiental e a crise do conhecimento aparecem como a acumulação de “externalidades” resultante da escolha de decisões por organizações econômicas, que acarretaram custos para o meio ambiente. Surgiram como todo um campo da realidade ambiental negada e da informação desconhecida pela modernidade, demandando uma internalização de uma dimensão ambiental por meio de uma metodologia interdisciplinar, que pode possibilitar a reintegração do conhecimento para apreender esta realidade ambiental bastante complexa. A Conferência das Nações Unidas em Estocolmo, apresenta uma cruzada em prol do meio ambiente. Ao mesmo tempo, no entanto, admite que a solução da problemática ambiental demanda mudanças intensas na elaboração do conhecimento. Desta maneira, é proposto o desenvolvimento de uma educação ambiental orientada por uma visão holística realista e dentro da metodologia da interdisciplinaridade. Em 1975 se estabeleceu o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA), patrocinado pela UNESCO e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Em outro momento, na Conferência Intergovernamental, em 1977, em Tbilisi, que abordou a Educação Ambiental, foram estabelecidas as orientações gerais da educação ambiental, embasada em princípios da interdisciplinaridade como método para compreender e restabelecer as relações da sociedade com o meio ambiente. No PIEA o objetivo foi incorporar uma dimensão ambiental nas diferentes disciplinas, e também nas metodologias de investigação e no conteúdo da educação formal e informal. Nesta perspectiva, há o reconhecimento de que as demandas da problemática ambiental contemporânea são bastante complexas, sofrendo a intervenção de processos de diferentes áreas. A problemática ambiental é o campo onde deve ocorrer a correspondência da sociedade com a natureza, razão pela qual seu conhecimento necessita de uma abordagem holística e uma metodologia interdisciplinar que permitam a integração das ciências naturais, sociais, da economia, da tecnologia e da cultura. Dentro desta reflexão epistemológica e metodológica a respeito da complexidade e da interdisciplinaridade encontradas nas relações da sociedade com o meio ambiente, sempre foi bastante predominante tendências de naturalistas, biologistas e ecologistas no campo da educação ambiental. A atenção esteve concentrada nos problemas de conservação dos recursos naturais, na preservação da biodiversidade e na resolução dos problemas causados pela contaminação do meio ambiente. Gradualmente se passou da noção de meio ambiente, que considera basicamente as características biológicas e físicas, para uma concepção mais extensa, que abre espaço às questões econômicas e socioculturais. Este novo conceito de meio ambiente considera que, se os aspectos biológicos e físicos constituem a base natural do ambiente humano, as dimensões socioculturais e econômicas assumem as orientações conceituais, as ferramentas técnicas e os comportamentos práticos que possibilitam aos indivíduos compreenderem e utilizarem adequadamente os recursos naturais para as suas necessidades. Mesmo diante de alguns avanços realizados na investigação e na formação ambiental que demandam a interdisciplinaridade como fundamento teórico e guia pedagógico, ainda se pode afirmar que são poucos os programas que se concentram na problemática epistemológica e metodológica da interdisciplinaridade para consolidar seus programas de investigação e de estudo. Ainda que tenham sido oferecidos espaços de formação ambiental nas universidades, a interdisciplinaridade é compreendida, na maior parte dos casos, como um princípio que se resume a uma multiplicidade de temas ambientais adicionados no currículo. O estudo em relação aos problemas do conhecimento apresentados pela questão ambiental foi orientado para a incorporação de um conhecimento ambiental emergente nos paradigmas convencionais de conhecimento, objetivando com isso fundamentar bases para uma gestão racional do meio ambiente. A interdisciplinaridade implica desta forma em um processo de interrelação de processos, conhecimentos e práticas que extravasa e ultrapassa o campo da pesquisa e do ensino no que se diz respeito às disciplinas científicas e a suas possíveis articulações. Desta forma, o termo interdisciplinaridade vem sendo utilizado como sinônimo e representação de toda interconexão e contribuição entre várias áreas do conhecimento dentro de projetos que envolvem tanto as diversas disciplinas acadêmicas, como as atividades não científicas que incluem as instituições e ativistas sociais diversos. É bem normal que muitos centros e organizações não-governamentais, empenhados não só na educação e na formação ambiental, mas também na assessoria e promoção de projetos de desenvolvimento, se autodenominem e se coloquem como centros de estudos interdisciplinares. Neste panorama, o conceito de interdisciplinaridade é usado tanto em uma prática multidisciplinar, diante da atuação de profissionais com diversas formações disciplinares, assim como com a troca de conhecimento que funciona em suas atuações, e que não leva diretamente para uma articulação de conhecimentos disciplinares de fato, em que o disciplinar pode significar um conjugação de diversos conceitos, habilidades e conhecimentos nas práticas de educação, análise e gestão ambiental, que, de certa maneira, demandam diferentes disciplinas, com formas e modalidades de trabalho distintas, mas que não se finalizam em uma relação entre disciplinas científicas, campo o qual inicialmente necessita da interdisciplinaridade para trabalhar diante do fracionamento e da superespecialização do conhecimento. Tais considerações destacam a necessidade de focar em uma reflexão sobre os marcos conceituais e as bases epistemológicas que podem proporcionar uma prática da interdisciplinaridade mais aprofundada e melhor fundamentada em seus métodos e princípios teóricos, orientada para um manejo, gestão e apropriação adequados dos recursos naturais. 4. A Aplicação Prática da Interdisciplinaridade no Campo Ambiental A articulação das produções teóricas foi orientada para possibilitar que o ser humano chegue a uma sustentabilidade no processo de desenvolvimento. Por meio de práticas sociais na produção e transformação da natureza, podendo alcançar um princípio metodológico para a reintegração dos conhecimentos existentes. A busca pela reapropriação da natureza e do conhecimento está influenciando na produção teórica, assim como na inovação tecnológica com suas aplicações sociais e produtivas para a exploração e o aproveitamento sustentável dos recursos naturais. Dentro desta procura de mudanças de paradigmas surgiram projetos que procuram reverter o uso inadequado dos recursos naturais, mas sem deixar de explorar os recursos e gerar rendas. Estes projetos lançam mão de formas sustentáveis de produção que, além de não apresentarem impactos ambientais, geram empregos. Tais projetos tem a capacidade de direcionar sua produtividade e utilidade para a sociedade, de serem economicamente viáveis, e, o mais importante, são ambientalmente adequados e socialmente justos. As práticas de agroecologia demandam uma diversidade profissionais de várias áreas do conhecimento apresentando assim um caráter interdisciplinar. Os estágios e visitas didáticas são altamente recomendados como formas de evitar a formação meramente teórica em Educação Ambiental. Apresentamos a seguir, alguns projetos que podem ser tomados como paradigma de atuação prática pelos alunos de Educação Ambiental, além de eventuais espaços para estágios e visitas de estudo: Sistema Agroecologia em Rede Link: https://www.agroecologiaemrede.org.br/ O sistema do Agroecologia em Rede surgiu no começo da década de 2000 no contexto de um projeto sobre plantas nativas do nordeste realizado em parceria entre a AS-PTA e a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Inicialmente, houve a proposta de criar um banco de dados acessível pela internet para o cadastramento e disponibilização de boletins com sistematizações de experiências práticas em agroecologia, O projeto Agroecologia em Rede iniciou-se quando um grupo de organizações de diferentes estados do Nordeste começou a sistematizar experiências práticas em boletins, objetivando o apoio a processos de construção do conhecimento agroecológico em cada território de atuação. Através da plataforma digital, os boletins criados para potencializar a comunicação em redes territoriais, começaram a ser compartilhados também entre as redes, solidificando a cooperação entre organizações do agroecológicas na região. Cooperafloresta https://www.cooperafloresta.com/ A Cooperafloresta começou com o trabalho pioneiro iniciado por duas famílias agricultoras em 1996, a partir de um curso ministrado em Barra do Turvo pelo agricultor Ernst Götsch, grande difusor da prática da Agrofloresta no Brasil. Em 1998, um grupo de cerca de trinta famílias começou a praticar a agrofloresta e a comercializar de maneira solidária e coletiva a produção de suas agroflorestas agroecológicas. As famílias pioneiras foram fundamentais na capacitação e formação das famílias que vieram posteriormente. No ano de 2000, organizaram-se grupos nos bairros e foi retomado o antigo costume de fazer mutirões, onde as famílias se ajudam nas lavouras. Os mutirões também servem para aprendizado, para troca de experiências e para a interação entre as práticas das diversas famílias. Com a ampliação do número de famílias, cada grupo passou a eleger um representante para um Conselho, que junto com uma Diretoria eleita por todos os associados, administra a Cooperafloresta, que se formalizou como associação em 20/05/2003. As famílias da Cooperafloresta, sobreviviam anteriormente com rendas declinantes da produção do feijão cultivado em terras com acentuado processo de degradação, comercializada de forma individualizada em mercados distantes com elevados custos, obtendo renda da agricultura que não ultrapassava 2 salários mínimos anuais e era complementada com a venda de trabalho eventual. Em 2009, mais de 75% das famílias associadas à Cooperafloresta ultrapassou 15 salários mínimos de renda agrícola monetária anual, com o acréscimo de grandes melhorias na renda de autoconsumo, superando 4 salários mínimos anuais. Estes resultados são obtidos conservando o meio ambiente e ampliando a biodiversidade local no bioma Mata Atlântica através de 250 hectares de agroflorestas mais intensivamente manejadas e outros 500 de manejo mais extensivo, onde predomina a ação do processo natural de regeneração florestal. Fazenda da Toca Orgânicos Link: https://fazendadatoca.com.br/ Situada, em Itirapina interior do estado de São Paulo, a produção desta fazenda é certificada como 100% orgânica. Em meio a mais de 2300 hectares funciona o Instituto Toca, que tem como objetivo a educação agroecológica e pesquisas a respeito da agricultura sustentável. Dentro da propriedade deste projeto, vivem 53 famílias que convivem entre colaboradores do projeto e agregados. Na produção da fazenda pode-se encontrar entre frutas, ovos e grãos. Os produtos resultantes da produção, como sucos, são vendidos nos principais mercados do país. “O que mais me motiva hoje em dia é fazer bons negócios que regenerem o nosso planeta e consequentemente melhorem a vida de todos que vivem nele”, diz Pedro Paulo Diniz o idealizador do projeto. Ao longo dos anos, este projeto cresceu e a Toca tem o propósito de investir e desenvolver no país modelos de agricultura regenerativa, que além de produzem alimentos saudáveis, ao mesmo tempo regeneram o solo e a biodiversidade. Diniz fundou também a Rizoma, uma empresa que pretende transformar o paradigma da agricultura, promovendo uma produção profundamente eficiente, produtiva e com alto potencial para otimizar os indicadores ambientais e contribuir para reverter a degradação do planeta. A fazenda da Toca é um exemplo de como os empreendimentos corporativos sustentáveis e favoráveis ao meio ambiente, podem ser altamente lucrativos, unindo o paradigma industrial do lucro com a conservação e recuperação do meio ambiente. Galinhas poedeiras criadas em ambiente natural na fazenda da Toca 5. Conclusão É importante destacar que a reflexão da sociedade na questão de seu destino no futuro, e a atual conscientização ambiental, tem gerado transformações fundamentais no rumo da humanidade, perante o gradual abandono da atitude egocêntrica e individualista da sociedade contemporânea. Buscando a constituição de uma sociedade mais justa, preocupando-se não apenas com a espécie humana, mas com todas as outras espécies e com o meio ambiente de um modo geral, a Bioética, fundada em um estudo transdisciplinar aprofundado sobre as questões que envolvem o meio ambiente, incorpora valores que podem orientar a conduta da humanidade em questão ao meio ambiente, quais sejam: 1. O ser humano faz parte de um todo maior, que é complexo, articulado e interdependente; 2. Os recursos da natureza são limitados e podem ser degradados pela utilização desperdiçadora de seus recursos; 3. O ser humano não pode dominar a natureza, mas tem de procurar meios para uma convivência adequada entre ela e a sua proteção, sob risco de extinção da própria espécie humana; 4. A procura pela convivência adequada com o meio ambiente não é apenas responsabilidade de certos grupos “preservacionistas”, mas obrigação política, ética e jurídica de todos os cidadãos. Portanto o grande desafio para a sustentabilidade da espécie humana é apresentar uma atitude ética em todas as suas decisões e relações. Diante dos avanços científicos e tecnológicos, a humanidade se vê diante de um grande desafio que é a sustentabilidade, que virá através do equilíbrio ambiental. Nesse processo de revisão de paradigma, há uma necessária e drástica mudança na forma como o ser humano se serve dos recursos naturais e dos demais seres vivos. Se o objetivo for a garantia da manutenção ou criação de condições necessárias ao entorno ambiental, para o desenvolvimento pleno da dignidade da pessoa humana e evitar a mutilação irreversível da Biota, terá que haver mudanças em todo o modo de ação humana. Para que estas mudanças ocorram, é imprescindível o controle das atividades nocivas ao meio ambiente, como a substituição dos combustíveis fosseis por formas alternativas de energia, a diminuição da emissão de gases poluentes, o uso eficiente de energia que seja renovável, manutenção da água e de outros recursos, entre outras atitudes. A relação da humanidade com o mundo natural se encontra em uma situação de confronto que necessita ser imediatamente revertida. Esta delicada situação ambiental em que a humanidade se encontra, atingiu uma escala quase irreparável em nível mundial. Se as atividades humanas agressivas não forem detidas, colocarão em risco a saúde do planeta, alterando-o de tal maneira que a continuidade da vida dos seres vivos será de todo inviável. A cooperação é do interesse de todos, sendo que a transdisciplinaridade aparece como forma colaborativa de aprofundamento do conhecimento e partilha de experiências práticas agregadoras, cuja somatória pode representar a recuperação da saúde ambiental de nosso planeta, com o consequente resgate de nossos valores mais profundos, os quais se encontram inscritos em nossa própria estrutura biológica enquanto seres vivos. Bibliografia – Literatura Complementar FERNÁNDEZ, R. El saber ambiental: marco para una agenda de estudios de postgrado. Formación ambiental, v.11, n.24, p.18-22, 1999. JACOBI, P. Ciência ambiental: os desafios da interdisciplinaridade. São Paulo: Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP, 1999. NOVO, M.; LARA, R. El análisis interdisciplinar de la problemática ambiental. Madrid: UNED/Fundación Universidad Empresa/UNESCO/PNUMA; 1997. 2v. SANTOS, Antônio Silveira Ribeiro dos. Desenvolvimento sustentável: considerações. Revista Meio Mabiente Industrial, São Paulo, 1999 ou 2000. ZANONI, M.; RAYNAUT, C. Meio ambiente e desenvolvimento: imperativos para uma pesquisa e a formação. Reflexões em torno do doutorado da UFPR. Cadernos de Desenvolvimento e Meio Ambiente, n.1, 1994.