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Prof. Esp. Rafael Martins Buzzo BIM NA GESTÃO DE PROJETOSBIM NA GESTÃO DE PROJETOS REITOR Prof. Ms. Gilmar de Oliveira DIRETOR DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Ms. Daniel de Lima DIRETORA DE ENSINO EAD Prof. Dra. Geani Andrea Linde Colauto DIRETOR FINANCEIRO EAD Prof. Eduardo Luiz Campano Santini DIRETOR ADMINISTRATIVO Guilherme Esquivel SECRETÁRIO ACADÊMICO Tiago Pereira da Silva COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Prof. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Prof. Ms. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Ms. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE GESTÃO E CIÊNCIAS SOCIAIS Prof. Dra. Ariane Maria Machado de Oliveira COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE T.I E ENGENHARIAS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO DOS CURSOS - ÁREAS DE SAÚDE E LICENCIATURAS Prof. Dra. Katiúscia Kelli Montanari Coelho COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Caroline da Silva Marques Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Marcelino Fernando Rodrigues Santos Eduardo Alves de Oliveira Jéssica Eugênio Azevedo Kauê Berto PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO André Dudatt Carlos Firmino de Oliveira Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO Carlos Eduardo da Silva DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos André Oliveira FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP B992b Buzzo, Rafael Martins BIM na gestão de projetos / Rafael Martins Buzzo. Paranavaí: EduFatecie, 2023. 94 p.: il. Color. ISBN 978-65-5433-041-1 1.Administração de projetos. 2. Modelagem de informação da construção. 3. Projetos de engenharia. 4. Construção civil - Estimativas. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23 ed. 692.5 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas dos bancos de imagens Shutterstock . 2023W by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. https://www.shutterstock.com/pt/ Prof. Esp. Rafael Martins Buzzo Atua na área de Arquitetura com projetos arquitetônicos e projetos de Interiores em seu próprio escritório desde 2019 e é Responsável Técnico Tutor Presencial na Unipar – Universidade Paranaense unidade de Umuarama desde 2021 no curso de Arquitetura e Urbanismo. ● Bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela Unipar – Universidade Paranaense (2013-2017); ● Especialista em Arquitetura de Interiores e Lighting Design pela Uninter (2021- 2022); ● Responsável Técnico Tutor Presencial na Unipar – Universidade Paranaense unidade de Umuarama desde 2021 no curso de Arquitetura e Urbanismo; ● Arquiteto e Urbanista no escritório Rafael Buzzo Arquitetura; ● Graduando em Design de Interiores pela UniFatecie (2023). CURRÍCULO LATTES: https://lattes.cnpq.br/9446163429855598 AUTOR https://lattes.cnpq.br/9446163429855598 4 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Olá, aluno (a)! Seja muito bem-vindo (a)! É uma satisfação tê-los aqui para iniciarmos nossa trilha de aprendizagem em BIM na Gestão de Projetos. BIM (Building Information Modeling), ou traduzindo, Modelagem de Informação da Construção, não se trata um software específico, mas sim de um conceito e gerenciamento das atividades dentro de um projeto, tornando-o ainda mais próximo da realidade, nessa disciplina abordaremos as definições e conceitos sobre a aplicação dessa metodologia na implantação e execução de projetos. Falaremos também sobre a importância do BIM dentro dos campos da construção civil e suas aplicações, assim como sua otimização em outras dimensões dentro da plataforma, como em áreas de orçamentação, planejamento, sustentabilidade, manutenção e gestão da obra. Veremos as distinções de uma plataforma e outra e o que cada uma oferece para aplicarmos dentro de uma edificação. Abordaremos também o conceito de construção enxuta que nos propõe adesão de novas tecnologias, que são capazes de determinar de forma precisa o quantitativo de materiais dentro de um projeto, da capacitação de equipes responsáveis para a execução de determinada atividade, além da organização dentro dos canteiros de obra a fim de otimizarmos os processos de construção. A Unidade I tem o objetivo de apresentar a você o conceito e definição de BIM, como faremos a gestão de todos os dados referentes ao projeto para assim conseguirmos criar parâmetros que nos auxiliem na execução da obra de forma íntegra e objetiva e a inserção desse conceito nos softwares de representação de desenhos gráficos da construção. Na Unidade II veremos então as plataformas que podemos utilizar o BIM e todas as outras dimensões que abrange esse processo, como o BIM 4D, 5D, 6D e 7D e suas respectivas funcionalidades. Independente do projeto, cada um necessita de um planejamento antes de ser executado, sendo assim, a unidade III complementa a implementação e execução da plataforma BIM, assumindo o papel de desenvolvedor do programa executivo da obra facilitando a gerência de dados e informações. 5 Na Unidade IV encerraremos nossa conversa conhecendo sobre o conceito de construção enxuta e os orçamentos inteligentes e como o BIM pode influenciar e auxiliar nessas questões, tornando uma construção eficiente em termos de controle de processos e custos. Enfim, conheceremos os conceitos, definições e metodologias, sobre uma construção mais eficaz, desde os primeiros rabiscos na criação até sua execução, atrelado às aplicações de cada um dos elementos disponíveis na plataforma BIM auxiliando na gerência do projeto. Bons estudos! SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Gestão de dados e os processos na modelagem 3D; ● O que é de fato a BIM?; ● Como é o processo da BIM na AEC; ● A importância da BIM na AEC. Objetivos da Aprendizagem ● Conhecer o surgimento da metodologia BIMe sua aplicação na AEC; ● Compreender o que é a BIM; ● Analisar como ocorre cada etapa do processo da BIM e a função de cada equipe dentro desse processo; ● Apresentar a importância da metodologia atrelada aos projetos e sua execução. 1UNIDADEUNIDADEGESTÃO DE DADOS E PROCESSOS GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS Prof. Esp. Rafael Martins BuzzoNA MODELAGEM BIM 3DNA MODELAGEM BIM 3D 8UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D INTRODUÇÃO Olá, tudo bem? Seja bem-vindo (a) a nossa primeira unidade da disciplina de BIM na gestão de Projetos. Acredito que, assim como eu, você esteja bem animado (a) para iniciar essa trilha de aprendizagem e descobrir o que é BIM e todas as suas aplicações. Sendo assim, acomode-se, pegue seus materiais de anotação porque faremos uma introdução sobre BIM a partir de agora. O BIM (Building Information Modeling) é um conceito que auxilia na elaboração de projetos mais eficientes, tanto na execução, quanto aos custos provenientes de uma obra, além disso ele tem a capacidade de se aproximar do projeto real justamente por seus atributos, sendo capaz de integrar diversos projetos por meio de informações inseridas, resultando na compatibilidade final da obra. Sendo assim, no primeiro tópico da nossa unidade abordaremos a gestão de dados e os processos na modelagem 3D. O surgimento da metodologia BIM e sua utilização dentro da construção civil, assim como suas características e diferenciações com relação a outros sistemas de representação gráfica, o que faz da metodologia BIM ser tão superior com relação aos softwares. No segundo tópico seguiremos para o conceito do que é de fato o BIM, fazendo a distinção entre o conceito e software. Veremos como essa metodologia pode ser utilizada juntamente com os softwares e quais são eles. O que nos leva ao terceiro tópico, onde veremos a importância da BIM na AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção). No quarto e último tópico aprofundaremos como é o processo de BIM na área de arquitetura, engenharia e construção e como os dados inteligentes podem ser utilizados em todo o ciclo de vida de qualquer projeto, em cada etapa, contemplando quatro etapas: planejamento, projeto, construção e operação, resultando em um projeto eficiente Está preparado (a)? Então vem comigo! Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D TÓPICO Segundo Baia (2015), atualmente o uso de sistemas inteligentes computacionais direcionados à prática integrada de um projeto, desde a fase da criação até a fase de execução e posteriormente manutenção tem se tornado um grande diferencial dentro dos ambientes organizacionais, esse processo visa a eficácia em todos os âmbitos do projeto, a fim de que os recursos e etapas sejam aplicados e cumpridos de forma eficaz, trazendo mais qualidade ao final do projeto. Com a evolução dos projetos, a complexidade veio atrelada a isso, sendo que a metodologia tradicional de representação de projeto, as plantas 2D unicamente, passam a não cumprir mais de forma eficaz essa expectativa. Outro fator que, segundo Menegaro e Piccinini (2017), aumentou ainda mais a incompatibilidade dentro das obras foi a falta de integração entre os projetistas e o próprio projeto, gerando custos excessivos além do previsto, além de atrasos e retrabalho. O processo atual de compatibilização nacional atravessa uma fase de inovação, passando de uma metodologia bidimensional para uma tridimensional mais completa. Esse processo é dificultado muitas vezes pelo desconhecimento dos profissionais, que se sentem mais confortáveis utilizando um método já conhecido e amplamente dominado pelos projetistas (MONTEIRO, 2012 apud COSTA, 2013 p.15). Com base nisso, podemos destacar uma das primeiras barreiras com a compatibilidade de projetos e sua eficácia, os “vícios” produtivos, pois muitas vezes esses “vícios” limitam os projetistas a explorarem novas tecnologias e perspectivas, já que eles se baseiam apenas no que já é amplamente conhecido e dominado por cada um, fazendo com que não saiam da “zona de conforto” criada por eles mesmos. 10UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D De acordo com Callegari (2007), essa prática de compatibilização tem grande influência na eficiência do projeto, já que ela gerencia e integra os projetos, minimizando assim os conflitos, tornando a execução simplificada e reduzindo mão de obra e tempo. Essa integração é inviável em um ambiente 2D CAD, mas com a utilização da tecnologia BIM isso é possível. Para sanar esse problema advindo da compatibilização dos projetos foi criada a metodologia BIM (Building Information Modeling) ou Modelagem de das Informações da Construção, com intuito de integrar todos os projetos desde a sua concepção, conforme apresenta a figura 1, vinculado ao ambiente tridimensional, minimizando a incompatibilidade dentro da obra. Além desses fatores, a BIM nos permite uma melhor e maior visualização dos projetos como um todo, facilitando ainda mais a leitura deles. FIGURA 1 – OS TRÊS PILARES DA METODOLOGIA BIM Fonte: MANZIONE (2013 apud building SMART 2012). A metodologia BIM tem base em três pilares fundamentais: processos, tecnologias e pessoas. A figura 2 representa um diagrama desses três pilares. Segundo Sousa (2020), a implantação dessa metodologia dentro de uma empresa ou escritório requer que você defina primeiramente qual a configuração de sua empresa, se é um escritório, construtora e até mesmo o perfil do seu cliente, necessita entender qual o objetivo a ser alcançado e o que você precisa entregar de resultados. O quanto deve ser investido, recurso financeiro, tempo, entre outros aspectos se faz necessário entender para criar um escopo do que será realizado e com essas informações inicia-se as escolhas das ferramentas utilizadas nos processos, assim como softwares e hardwares que auxiliarão nas atividades desenvolvidas. 11UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D FIGURA 2 – OS TRÊS PILARES DA METODOLOGIA BIM Fonte: https://hashtagbim.files.wordpress.com/2020/03/pilares-do-bim.png. Acesso em: 31 jan. 2023. Após a definição dos recursos adotados no processo é necessário realizar a capacitação das pessoas envolvidas em cada atividade produtiva, seja do escritório ou construtora, desde o nível estratégico até o nível manual, focando em cada área de atuação de cada grupo, incluindo os processos e fluxos internos de cada organização e introduzindo a essência da metodologia BIM. Com isso chegamos ao pilar da tecnologia, onde a escolha do software se faz necessária, lembrando que essa escolha deverá levar em consideração os padrões adotados pela empresa, focando no produto final, o que geralmente é adotado um projeto piloto nessa fase de implementação, a fim de alinhar com os padrões da empresa, assim como custos e ganhos. E toda essa estrutura organizacional está representada na figura 3. FIGURA 3 – DIAGRAMA DE FUNCIONALIDADES BIM Fonte: https://hashtagbim.files.wordpress.com/2020/04/pilares-do-bim-2.png?w=1024. Acesso em: 31 jan. 2023. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D 2 O QUE É DE FATO A BIM ?TÓPICO Após essa introdução sobre a questão de gestão de dados e os processos na modelagem BIM chegamos a uma pergunta que acredito que você também está se fazendo, mas o que de fato é a BIM? Vamos lá então, nesse capítulo veremos commais propriedade o que é a metodologia BIM claramente. Segundo Ferraro (2021), a metodologia BIM surge como uma otimização dos sistemas CAD (Computer Aided Design), sendo que o sistema CAD baseia- se na criação de desenhos, as geometrias são alinhadas com as coordenadas, resultando nos elementos de representação gráfica. Porém, essa otimização não é referente apenas a uma atualização de software de desenho, mas uma mudança completa tanto na maneira como projetar, como na forma de executar uma obra, utilizando modelagens virtuais, sendo possível alterar qualquer informação sobre o projeto. A metodologia BIM vai além da simples modelagem de um produto, não sendo nem considerada como tecnologia, mas como um processo aperfeiçoador da tecnologia, já que substitui a metodologia de trabalho convencional adotada pelos projetistas, inserindo-os em um novo conceito, o de tecnologia colaborativa. Porém, como um projeto é um processo colaborativo, cada disciplina precisa ser apoiada por um modelo referencial contendo as informações das outras disciplinas e que possa ser compartilhado por todos os agentes (MAZIONE, 2013, p. 81). 13UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D FIGURA 4 – CONCEITO DE MODELO COMPARTILHADO Fonte: MANZIONE (2013 apud Nederveen, Beheshti e Gielingh, 2010). A essência da plataforma BIM está no banco de dados, que além de representar a geometria dos elementos construtivos também armazena as suas informações e as transmite em maior escala que os modelos CAD tradicionais. Devido a paramétrica dos elementos é possível alterar e obter atualizações de todo o projeto, estimulando a experimentação e diminuindo conflitos, bem como facilitar as revisões e aumentar muito a produtividade (COELHO; NOVAES, 2008). Segundo Baia (2015), a principal diferença dos modelos tridimensionais no processo BIM para os dos sistemas CAD é a atualização automática ao passo que cada alteração é feita no modelo, ou seja, não se faz necessário uma remodelagem. Além desse fator, há outros dois que diferem o BIM do sistema CAD que são a interoperabilidade e a modelagem paramétrica. A primeira é um fator que permite o desenvolvimento da prática integrada em softwares utilizados por vários profissionais dentro do projeto, já o outro fator, a modelagem paramétrica, nos permite representar objetos por meio de parâmetros e regras atrelados a sua geometria, assim como integrar propriedades não geométricas e características a esses objetos. Porém, Araújo (2020) já alertava sobre a existência de alguns empecilhos e dificuldades que impediriam a difusão da metodologia BIM em larga escala, mesmo apresentando inúmeras potencialidades operacionais dentro da área da construção civil. Segundo Lagner, Hermann e Radüns (2019) um dos pontos negativos desse conceito é o alto custo de implantação e o longo período necessário de adaptação, além de 14UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D ser necessário computadores de alto desempenho para a utilização da metodologia BIM, o que não ocorre quando é utilizado apenas os programas CAD. Além disso, outro fator importante a ser levado em consideração é quanto à capacitação dos funcionários que requer um alto investimento e intenso treinamento, devido sua maior complexidade de utilização. O que ocorre muitas vezes é a necessidade da contratação de um profissional denominado “BIM Manager”, que é especializado no conceito e poderá sanar possíveis dúvidas da equipe durante sua utilização, conclui Lagner, Hermann e Radüns (2019). Sendo assim, temos o surgimento do BIM Document Management, um sistema que gerencia os processos, dados e todo documento organizado dentro da plataforma BIM, além disso, permite manter tudo dentro de arquivos digitais e pastas, agilizando a criação, compartilhamento e gerenciamento dos documentos. Uma vez que esse sistema preenche a lacuna entre projeto e execução, ele se torna fundamental na gerência de dados para projetar uma edificação. A figura 5 representa essa forma compartilhada de sistema. FIGURA 5 – GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS Fonte: https://biblus.accasoftware.com/ptb/wp-content/uploads/sites/5/2021/05/BIM-Document-Managemen- t-Compartilhar-E-Gerenciar-Informacoes.jpg. Acesso em: 31 jan. 2023. O BIM engloba toda geometria, relação com o espaço, informações geográficas, métodos construtivos e quantidade de materiais. Desta forma, a proposta da plataforma é fazer com que todos os componentes essenciais do projeto interajam desde o anteprojeto e planejamento até a execução e acompanhamento da obra, criando uma maquete virtual que demonstra não só cada projeto isolado, mas a compatibilização deles e possibilita a visualização do empreendimento como um todo. Este é o chamado BIM 3D (CARVALHO, 2016). 15UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D Segundo Farias (2020), o 3D ou terceira dimensão, está atrelado à modelagem digital tridimensional e ao modelo com componentes parametrizados carregados de informações pertinentes ao projeto, como pisos, paredes, vigas, portas, lajes, tubulações, mobiliários, entre outros componentes que fazem parte do contexto da construção civil, deixando apenas de ser linhas bidimensionais (2D) e passam a carregar informações sobre o projeto, tornando-se inteligente e rico em detalhes. Para Bomfim, Lisboa e Matos (2016) o BIM 3D é ofertado pelo modelo de objeto, que possibilita a inserção de mais informações e dados referenciados no modelo geométrico, alinhando todos os projetos em um único ambiente, melhorando ainda mais o nível de detalhes quando comparado a um software 2D, minimizando as possíveis dúvidas no momento da execução e facilitando a identificação da metodologia mais eficaz para cumprir tarefas pré-estabelecidas. Dentro da modelagem 3D é possível extrair dados do projeto, como quantitativos de materiais, especificações, plantas, vistas, cortes, elevações e passeios virtuais. Podemos destacar então que o conceito BIM vai além, ele é o grande agente homogeneizador de projetos, além de compatibilizá-los, ele destaca possíveis intercorrências antes mesmo que elas aconteçam, tornando ainda mais atrativa sua utilização. Já na etapa de execução se faz necessária a utilização de softwares de modelagem BIM que ofereçam esse conceito paramétrico desenvolvido, assim como o Revit da Autodesk® representado na figura 6 ou o ArchiCad da Graphsoft® representado na figura 7. FIGURA 6 – MODELAGEM BIM 3D EXECUTADA NO SOFTWARE REVIT Fonte: https://utilizandobim.com/wp-content/uploads/2019/06/exemplo-de-projeto-bim.jpg. Acesso em: 31 jan. 2023. 16UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D FIGURA 7 – MODELAGEM BIM 3D EXECUTADA NO SOFTWARE ARCHICAD Fonte: https://graphisoft.com/content/uploads/2022/05/Nuclear-Research.jpg Acesso em: 31 jan. 2023. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 COMO É O PROCESSO DA BIM NA AECTÓPICO UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D 17 A AutoDesk descreve o processo da BIM como um suporte para a criação de dados de forma inteligente que pode ser utilizado em todo o ciclo de vida de uma edificação e sua infraestrutura. Partindo desse princípio, podemos conceituar esse processo de projeto em quatro fases: ● Planejamento; ● Projeto; ● Construção; ● Operação. Na fase caracterizada pelo planejamento é o momento em que se oferece toda e qualquer tipo de informação à equipe de planejamento do projeto, como dados de captura de realidade para gerar modelos dos ambientes de maneira natural. FIGURA 8 – FASE DE PLANEJAMENTO Fonte: https://damassets.autodesk.net/content/dam/autodesk/www/solutions/bim/fy21/plan-thumb-580x290.jpgAcesso em: 01 fev. 2023. 18UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D Projeto, nessa fase se encontram as tarefas de projeto habituais, conceitos, análises, detalhamentos e toda a documentação necessária. Lembrando que o processo de pré-cons- trução se inicia com a utilização de dados de BIM, informando às equipes do projeto dados importantes, como logísticas e cronogramas. Com essas informações poderão ser estipulados prazos e cronogramas para recebimento de recursos e etapas da construção, favorecendo o desenvolvimento de forma conjunta e alinhando todos os setores dentro da obra FIGURA 9 – FASE DE PROJETO Fonte: https://damassets.autodesk.net/content/dam/autodesk/www/solutions/bim/fy21/design-thumb- -580x290.jpg Acesso em: 01 fev. 2023. Na fase de construção, a execução do projeto tem início utilizando as especificações de BIM. Os dados são compartilhados com outras empresas, como a logística, assim as empreiteiras podem assegurar a sincronização das atividades tornando-as mais eficientes. FIGURA 10 – FASE DA CONSTRUÇÃO Fonte: https://damassets.autodesk.net/content/dam/autodesk/www/solutions/bim/fy21/build-thumb-580x290. jpg Acesso em: 01 fev. 2023. Por último, mas não menos importante, temos a fase de operação, nessa fase os dados de BIM são encaminhados às equipes responsáveis por gerenciar as operações e manutenções das fases já concluídas. 19UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D Essas informações obtidas podem ser utilizadas também posteriormente em pro- jetos de reformas da construção ou até mesmo em projetos de desconstrução, gerando menores custos. FIGURA 11 – FASE DE OPERAÇÃO Fonte: https://damassets.autodesk.net/content/dam/autodesk/www/solutions/bim/fy21/operate-thumb- -580x290.jpg Acesso em: 01 fev. 2023. Vale ressaltar que, através da interoperabilidade, as equipes de trabalho têm a capacidade de se comunicar entre as diferentes fases da obra, independente dos fornecedores ou softwares. Isso favorece a qualidade final da obra, além de manter os padrões pré-estabelecidos na fase de planejamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 A IMPORTÂNCIA DA BIM NA AECTÓPICO UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D 20 Segundo a AutoDesk sobre um levantamento realizado pelas Nações Unidas, até 2050 a população mundial terá uma estimativa de 9,7 bilhões e com isso as indústrias de AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção) precisam buscar formas mais eficazes e inteligentes de construir e projetar, não apenas para atender toda essa demanda global, mas para ajudar a criar espaços que sejam inteligentes e flexíveis às necessidades dos usuários. Com a implantação da metodologia BIM, as equipes de projetos e construções trabalham com mais eficiência, além de poder registrar os dados obtidos durante o processo de construção para beneficiar outras atividades, como operações e futuras manutenções no edifício, com isso a exigência na implementação da BIM vem crescendo em todo mundo, como apresenta a figura 12. 21UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D FIGURA 12 – MAPA DE UTILIZAÇÃO DA BIM Fonte: Adaptado de Autodesk.com (2023). O mapa apresentado na figura 12 faz referência à expansão da metodologia BIM pelo mundo, países como o Brasil, Estados Unidos, Austrália e Cazaquistão já estão aplicando o conceito efetivamente em seus projetos, e países como Argentina, Uruguai e China possuem um planejamento para que seja implantando essa metodologia em seus projetos futuramente. A utilização da metodologia BIM, de fato, como já vimos, melhora a qualidade de trabalho entre os profissionais, além de melhorar também a qualidade dos projetos e a gestão dos recursos dentro da obra, numa comparação entre outros modelos tradicionais, podemos destacar que a BIM serve para: ● Favorecer a colaboração entre os profissionais; ● Detectar as interferências e reduzir possíveis erros; ● Gerenciar tempo, custo e recurso; ● Melhor visualização do resultado do projeto; ● Competitividade e qualidade no projeto; ● Manutenção ágil e eficaz; ● Gerenciar de maneira otimizada os ativos. Dentro da cadeia produtiva da construção há diversos profissionais envolvidos, e a BIM pode ser utilizada por todos eles, assim como: arquitetos, engenheiros, agrimensores, empreiteiros e outros técnicos, como geólogos e especialistas. 22UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D FIGURA 13 – PROFISSIONAIS QUE UTILIZAM BIM NA OBRA Fonte: https://biblus.accasoftware.com/ptb/wp-content/uploads/sites/5/2021/09/Os-beneficios-do-BIM-Traba- lho-colaborativo.jpg Acesso em 01 fev. 2023. Segundo BibLus, que é um site voltados para informações sobre a metodologia BIM e outros softwares para construção, as primeiras empresas a se aproximarem do mundo BIM foram as construtoras e os escritórios de projetos integrados, fazendo surgir a crença de que essa metodologia é voltada apenas para empresas de porte grande, porém nos últimos tempos essa metodologia está cada vez mais inserida na rotina de todos os escritórios, sejam eles de grande ou pequeno porte, pelo fato de trazer muitas vantagens e benefícios na elaboração de obras de pequeno e médio porte. Sobre essas vantagens da utilização da BIM na AEC podemos destacar algumas como: ● Redução de erros; ● Estimativa de redução de 20 a 50% no tempo gasto no processamento de um projeto; ● Apresentações de projetos mais detalhados, como pranchas gráficas, imagens renderizadas, apresentações de vídeos, utilização de RV (realidade virtual); ● Simplificar as mudanças nos projetos; ● Estimar com uma maior precisão custos e prazos de uma obra; ● Integrar os diferentes projetos de uma obra, como: arquitetura, instalações e até mesmo eficiência energética, tudo em um único modelo tridimensional; ● Visualizar a possibilidade de interferências entre os projetos; ● Criar um banco de dados com as informações pertinentes ao projeto de maneira compartilhada. 23UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D O Governo Federal, visando melhorar os investimentos em obras públicas, está solicitando que seus projetos sejam todos apresentados em BIM, fazendo com que os interessados em trabalhar neste mercado tenham que se qualificar frente a estas ferramentas (DERESTE, 2018). Mundialmente, a metodologia BIM está vinculada ao planejamento de projetos de forma sustentável, tanto sobre o aspecto físico quanto financeiro. Vários setores públicos já possuem profissionais qualificados para o desenvolvimento de projetos utilizando a plataforma, assim como a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, e até mesmo o Exército Brasileiro, onde a metodologia BIM está sendo utilizada no desenvolvimento de projetos priorizando a otimização dos recursos. No caso do Exército Brasileiro, a utilização da BIM foi para modernizar o sistema de esgoto no bairro Vila Militar. A imagem 14, segundo a Autodesk, refere-se a essa modernização da rede de esgoto, que foi criada a partir de dados obtidos de forma manual da planta. FIGURA 14 – PROJETO DE REDE DE ESGOTO Fonte: https://damassets.autodesk.net/content/dam/autodesk/www/customer-stories/brazilian-ar- my-bim-civil-engineering/brazilian-army-rendering-960x532.jpg Acesso em 01 fev. 2023. Além disso, Dereste (2018) destaca que a BIM precisa ser compreendida como uma maneira de produzir obras de forma sustentável e não apenas como uma ferramenta de informática, tendo em vista que na década de 1980, os desperdícios provenientes da construção civil passavam de 20% da obra, fazendo uma comparação, esse valor significava que a cada 5 prédios construídos, 1 deles era um amontoadode resíduas, colocando a construção civil no papel de vilã da eficiência e sustentabilidade. 24UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D Com isso, podemos destacar que a metodologia BIM é um dos grandes aliados para uma construção civil de qualidade atualmente, não apenas no quesito obra e construção, mas também na sustentabilidade e qualidade de vida para uma sociedade completa. Exemplos de BIM no mundo ● De acordo com o Relatório Nacional BIM 2018, no Reino Unido, país considerado líder no uso da metodologia, cerca de 75% da indústria construtiva adotou o BIM desde que houve um incentivo pleno do governo em 2016. Dessas empresas que adotaram o BIM, 80% são empresas de porte médio (de 16 a 50 colaboradores) e 78% são empresas grandes (acima de 51 colaboradores). ● Na França, o governo adotou o BIM no desenvolvimento de 500 mil casas até o ano de 2017. Nesse mesmo ano, tornou o uso da metodologia obrigatório devido aos benefícios e como parte de uma estratégia para digitalização da indústria da construção do país; Fonte: https://grupoajbim.com/processo-bim/ O projeto vai além de planejar e construir, deve ser levado em consideração aspectos como sustentabilidade e vitalidade de um edifício, redução de custos e eficiência, essa deve ser a real essência do projeto. Fonte: O autor (2023) https://grupoajbim.com/processo-bim/ 25UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da nossa primeira unidade! Espero que esse conteúdo tenha sido valioso para sua vida acadêmica e profissional. Mas você sabe que seus estudos não devem parar por aqui, não é? É hora de enriquecer seu conhecimento e continuar suas pes- quisas, pode ser em sites, livros, revistas, vídeos e artigos científicos para complementar o conhecimento adquirido até aqui. Mesmo suas pesquisas continuando após a leitura do nosso material, precisamos reforçar alguns pontos importantes sobre o conteúdo abordado até o momento, lembrando do que é a metodologia BIM, que não é um software, mas uma metodologia, um conceito que se deve aplicar aos projetos e qual a sua importância para a área da construção civil. A implementação desse processo evita erros e além de tudo reduz os desperdícios dentro do canteiro de obras, a compatibilização de projetos é um forte aliado nessa busca pela perfeição do projeto, favorecendo a visualização de intercorrências antes mesmo que elas aconteçam. Vimos que seguir as etapas do projeto é fundamental para sua qualidade final, e com a inserção da metodologia BIM temos a liberdade de fazer alteração no projeto a qualquer momento, tornando o processo muito mais dinâmico. A fase de levantamento e abastecimento do banco de dados da BIM é uma das fases mais importantes do desenvolvimento do projeto, deve ser feito de forma íntegra, ob- jetiva e eficiente, pois é nisso que vai se basear a qualidade final do projeto e os processos durante sua execução. Ah! Lembrando que esses dados armazenados no banco da BIM não servem apenas enquanto a obra está na sua fase de construção, ela é valiosa também para uma possível reforma ou desconstrução de parte ou todo do edifício. Agradeço sua companhia e até a nossa próxima unidade! Forte abraço! 26UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D LEITURA COMPLEMENTAR Artigo: Aplicação da Metodologia Bim (Building Information Modeling) no processo de projeto, com foco em compatibilização Autor: Bruna Ferreira Menegaro e Ângela Costa Piccinini Link: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/5878/1/BrunaFerreiraMenegaro.pdf Resenha: O artigo de Menegaro e Piccinini apresenta as dificuldades encontradas na elaboração dos projetos devido à complexidade e a evolução do mesmo e a falta de integração entre o projeto e o projetista, assim como retrabalhos, atrasos e custos excessivos. Fonte: MENEGARO, B. F., & PICCININI, Â. C. (2017). Aplicação da metodologia BIM (Building Information Modeling) no processo de projeto, com foco em compatibilização. Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, UNESC – Universidade do Extremo Sul Catarinense. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/5878/1/BrunaFerreiraMenegaro.pdf Acesso em: 01 fev. 2023. http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/5878/1/BrunaFerreiraMenegaro.pdf http://repositorio.unesc.net/bitstream/1/5878/1/BrunaFerreiraMenegaro.pdf 27UNIDADE 1 GESTÃO DE DADOS E PROCESSOS NA MODELAGEM BIM 3D MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Ferramentas BIM em gestão de projetos Autor: Norimar Ferraro Editora: Contentus Sinopse: Este livro traz reflexões sobre a evolução histórica dos processos de construção e as mudanças influenciadas pela tecnologia, como o computer aided design e o BIM. Aborda o ciclo de vida do empreendimento, o trabalho colaborativo, a interoperabilidade e os principais softwares BIM. A obra ainda apresenta benefícios do BIM, formas de contratação e tendências futuras na área. VÍDEO Título: Gestão de projetos em BIM - BIM CURSOS Ano: 2019 Sinopse: O vídeo faz parte de uma série de aulas sobre a metodologia BIM aplicada em projetos, desde a coleta de dados e leitura de elementos da construção, até a finalização do projeto de construção. WEB Apresentação: o site da Autodesk tem uma infinidade de informações sobre a metodologia BIM e sua aplicação, além de ter definições sobre o que é e como utilizar a BIM, um complemento da aprendizagem adquirida até aqui. Link: https://www.autodesk.com.br/solutions/bim/benefits-of- -bim https://www.autodesk.com.br/solutions/bim/benefits-of-bim https://www.autodesk.com.br/solutions/bim/benefits-of-bim . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Plataformas de modelagem BIM em outras dimensões; ● Os D’s da BIM. Objetivos da Aprendizagem ● Conhecer as plataformas BIM além da dimensão 3D; ● Compreender o que é cada “D” da metodologia BIM e suas características na prática. 2UNIDADEUNIDADEPLATAFORMAS DE MODELAGEM PLATAFORMAS DE MODELAGEM Prof. Esp. Rafael Martins Buzzo BIM EM OUTRAS DIMENSÕES BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 29UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES INTRODUÇÃO Olá, aluno (a)! Vamos iniciar mais uma unidade?! Na segunda unidade da disciplina de BIM Na Gestão de Projetos aprofundaremos nossos estudos sobre essa metodologia com foco nas plataformas de modelagem em outras dimensões além do 3D. Sendo assim, veremos também os “D”s da BIM, cada vez que uma necessidade é identificada dentro do projeto, uma nova dimensão é definida, com isso teremos processos de BIM 4D, 5D, 6D e 7D que veremos com mais propriedade o que significa cada dimensão e sua usabilidade dentro do projeto. Podemos destacar de imediato a qualificação de cada “D” da metodologia BIM, assim como o 4D refere-se ao planejamento dos canteiros de obra, a 5D que compete os orçamentos dentro da obra, a 6D que insere a sustentabilidade no corpo do edifício ainda na fase de projeto e a 7D que abrange a fase de gestão e manutenção de um edifício construído, jáque a obra “não acaba”, mas tem um ciclo de vida que vai além do canteiro de obras e essa dimensão nos auxilia nas manutenções que um edifício podem necessitar e até uma possível desconstrução de parte de sua estrutura ou por completo. Além disso, veremos os novos “D”s da metodologia BIM, o 8D que refere-se à segurança nos canteiros de obra, que nos permite sua visualização de maneira digital antes mesmo de sua instalação física. E o 10D que tem relação com a construção industrializada. Então já pegue seu material de anotações que daremos início aos nossos estudos de BIM na modelagem de projetos e agora com foco nas plataformas de modelagem BIM e as outras dimensões que temos, ou podemos também chamá-las de Os “D”s de BIM. Está preparado (a)? Então vem comigo! Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 1 PLATAFORMA DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕESTÓPICO Com relação às geometrias, três dimensões geralmente são suficientes para a elaboração de um projeto de construção, porém, temos uma gama de diferentes peculiaridades descritivas referenciando-se a outras dimensões, aponta Garibaldi (2020), assim como a sustentabilidade, tempo e custos, a fim de criar um tipo específico e diferenciado de informação. Desse modo, sempre que um tipo diferenciado de informação é especificado no projeto, uma nova dimensão é definida, na base fundamental da BIM temos pré-definidas sete dimensões: 4D, 5D, 6D e 7D, que veremos mais afundo no decorrer desta unidade. Os aspectos de um projeto realizado com a metodologia BIM podem ser basicamente definidos da seguinte maneira, como apresenta a figura 1. 31 FIGURA 1 – DIMENSÕES DA METODOLOGIA BIM Fonte: Siengeprod. Disponível em: https://siengeprod.wpenginepowered.com/wp-content/uploads/BIM-1- 420x327.png. Acesso em: 02 fev. 2023. Fazendo um breve resumo imediato e analisando a figura 1, podemos conceituar os “D”s da metodologia BIM da seguinte maneira: ● 3D: modelagem paramétrica, renderização tridimensional do modelo; ● 4D: Planejamento, análise de compatibilização e planejamento; ● 5D: Orçamentação, análise de custo; ● 6D: Sustentabilidade, avaliação da sustentabilidade; ● 7D: Gestão e manutenção, gestão de instalações. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 32 FIGURA 2 – CICLO CONCEITUAL DA MODELAGEM BIM Fonte: CRASA Infraestrutura (2020). A figura 2 nos apresenta todo o ciclo de vida de um projeto baseado nos conceitos BIM, desde a sua concepção até a fase de reforma ou demolição, se for necessário. Dentro desse “ciclo de vida” estão inseridos os demais “D”s da metodologia, desde o 3D até o 7D. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 2 OS ‘‘D’’S DA BIM TÓPICO Agora que já estamos familiarizados com as várias dimensões da BIM, e conhecemos do que se trata cada uma delas, é hora de nos aprofundarmos nos aspectos e características completas de cada ponto. 2.1 BIM 4D: Planejamento A quarta dimensão nos aponta o início da execução do projeto, está relacionada ao planejamento do canteiro de obras, apontando um novo elemento a ser considerado, o tempo. A formulação e a programação dos dados auxiliam a prever quanto tempo será necessário para a conclusão do projeto e como ele evoluirá em cada etapa, além de fornecer informações pertinentes ao período necessário para instalações ou a construção. FIGURA 3 – PLANEJAMENTO DE CANTEIRO DE OBRAS 34 É fundamental a administração do quesito tempo dentro do planejamento de uma construção, alguns métodos tradicionais utilizados para realizar essa função tem certos limites e podem alcançar questões críticas, como a perda de dados entre os membros das equipes, falta de comunicação entre os responsáveis da obra e os fornecedores de materiais e insumos, além de exigir a necessidade precisa de colocação de materiais dentro do canteiro de obra e o desenvolvimento com precisão dessas atividades. Esses aspectos representam apenas uma parte dos reais motivos que causam os atrasos dentro de uma construção, além do fato de revisões constantes do que foi planejado até o momento da execução de cada etapa. Segundo Garibaldi (2020) as informações relacionadas ao tempo de determinado elemento podem incluir informações sobre o período que será necessário para construir ou instalar, ou seja, para tornar operacional, além da sequência em que os componentes devem ser instalados e as áreas da empresa. Com essa relação de tempo todas as informações compartilhadas em um modelo federado (modelo federado consiste em componentes conectados uns aos outros) são capazes de realizar um projeto programado com precisão, além de facilitar a consulta e entender melhor as informações do projeto com os dados vinculados à representação gráfica dos componentes, também é possível observar como se desenvolverá a obra. O alinhamento da programação e do planejamento da obra, como a gestão otimizada entre as equipes, engenheiros, arquitetos, empreiteiros e outras equipes no local da obra são fortemente favorecidas pelo BIM 4D, além de auxiliar a detecção antecipada de conflitos, gerenciar as informações sobre o desenvolvimento do canteiro de obras visualizando o impacto das possíveis alterações realizadas no projeto e, sobretudo, a segurança e eficiência pelo fato de já terem sido documentados todo o plano de cronograma do projeto. 2.2 BIM 5D: Orçamentação Está no cerne da dimensão 5D utilizar os componentes do modelo de informações a fim de obter orientação e informações precisas referentes ao custo da obra ou parte dela. Por ser um fator de extrema importância dentro de um projeto, a dimensão 5D permite que cada envolvido no projeto analise os custos da obra que serão adicionados ao longo do tempo referentes às atividades dentro do projeto. Uma maneira de obter esses cálculos é por meio dos dados e informações que foram vinculadas e associadas a componentes específicos no modelo gráfico, permitindo que a equipe responsável pelos orçamentos ou orçamentistas extraiam facilmente o quantitativo de determinado componente, concluindo com maior precisão o custo final real que o projeto seja desenvolvido. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 35 Segundo Garibaldi (2020), essa dimensão contribui para uma maior precisão orçamentária, além de um maior controle sobre possíveis mudanças na intenção projetual, podendo ser tanto nos materiais quanto na mão de obra e equipamentos. FIGURA 4 – MAQUETE ELETRÔNICA BIM PARA ORÇAMENTOS Fonte: Spbim. Disponível em: https://spbim.com.br/o-que-e-o-bim-5d/. Acesso em: 02 fev. 2023. Considerando que o projeto ofereça dados da dimensão 4D e uma compreensão clara do custo de um contrato podemos facilmente acompanhar os gastos preestabelecidos e reais em todo período de execução do projeto, permitindo relatórios e conferências regulares de custos, garantindo ganho e eficiência, sobretudo, que o projeto permaneça dentro do limite orçamentário estabelecido previamente. É importante frisarmos que a eficiência de qualquer cálculo sobre custos depende de toda a equipe, sendo necessário que os dados que foram produzidos sejam compartilhados entre os cooperantes do projeto, dependendo muito de sua precisão, caso esses dados sejam variantes, refletirão necessariamente nos custos finais. Nesse aspecto, a BIM não se diferencia muito das metodologiastradicionais de estimativa de custo. Pelo fato de muitos dos processos de projeto ainda serem realizados em modelos 2D, podendo haver ainda, distinções entre os modelos, como os elementos serão classificados. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 36 FIGURA 5 – TABELA DE QUANTITATIVOS ORÇAMENTÁRIOS Fonte: Gonçalves Júnior (2019). Com isso, podemos destacar algumas vantagens da utilização da dimensão 5D sobre a gestão orçamentária e uma obra, sendo elas: ● Agilidade no cálculo de recursos: pelo fato da BIM utilizar informações integradas, isso facilita e agiliza a elaboração dos cálculos referentes aos orçamentos. ● Análise e controle de custos: é possível manter maior controle sobre o cálculo pelo fato de como cada detalhe do orçamento é rastreado e monitorado, aumentando a segurança sobre o custo final da obra. ● Economia: esse pode ser considerado um dos fatores mais importantes dentro dessa dimensão, favorecendo o menor trabalho na fase de orçamento e maior velocidade no processamento sobre dados de custo. 2.3 BIM 6D: Sustentabilidade A indústria da construção tradicionalmente se concentra nos custos iniciais da construção. Mudar esse foco para uma melhor compreensão do custo de toda a vida útil dos ativos, no qual a maior parte do dinheiro é gasto proporcionalmente, deve motivar uma tomada de decisão mais precisa em termos de custos e sustentabilidade. É aqui que entra a dimensão 6D (GARIBALDI, 2020). UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 37 Com base nisso, podemos destacar a importância dessa dimensão, principalmente na conclusão da obra, no momento em que se inicia as últimas etapas da execução do projeto. Essa dimensão é conhecida também como iBIM ou BIM Integrado, compreendendo a inclusão das informações que darão suporte ao gerenciamento das instalações, obtendo assim, melhores resultados nos negócios. FIGURA 6 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL Fonte: SPBIM (2021). Vimos que o BIM 6D está totalmente voltado para sustentabilidade, sendo assim, os dados obtidos nessa dimensão podem incluir informações de extrema importância, como dados do fabricante, informações sobre manutenção e, até mesmo, como o material deve ser operado e instalado a fim de que se consiga obter o máximo desempenho esperado e também dados de desinstalação. Esse fator favorece também a melhoria nas tomadas de decisões, priorizando materiais com maior vida útil e maior economia, além de tornar uma possível manutenção futuramente em algo previsível e planejável. Porém, esse conceito nem sempre é fácil de ser inserido a um tipo de design sustentável, principalmente em termos de inovação, sendo que projetar com sustentabilidade reflete diretamente nos aspectos de qualidade e custo. Adotar uma metodologia que exija processos planejados e gerenciamento da construção permite que métodos minuciosos atribuídos no processo de avaliação de sustentabilidade de uma construção obtenham um desempenho melhor. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 38 A adoção desses parâmetros para referenciar ao modelo permite a tomada de decisões durante todo o período da modelagem, como um ativo com durabilidade de 5 anos poderá ser facilmente substituído por outro que terá o dobro do período de durabilidade, se corresponder operacionalmente e economicamente a fazer a substituição, visando que esse tipo de informação agregue valor ao usuário final realmente. De maneira resumida, a dimensão 6D é uma abordagem mais planejada e oferece benefícios significativos, principalmente sobre custos, além de permitir a manutenção de um edifício com antecedência e um parâmetro de gastos após a fase de construção de uma obra, evitando que uma simples reforma se torne algo custoso ou que um sistema se torne ineficiente. 2.4 BIM 7D: Gestão e Manutenção Tudo o que se refere à abordagem sobre o processo de gerenciamento das instalações é agrupado em um único local dentro do modelo de informações da construção e corresponde à dimensão 7D. Essa estratégia auxilia a melhorar a qualidade da realização dos serviços durante todo o ciclo de vida de uma obra, garantindo que tudo esteja organizado dentro da obra, desde o seu início até uma possível demolição de sua estrutura. Um dos maiores objetivos da metodologia BIM é criar um modelo que seja tridimensional e informativo o mais próximo da realidade da execução da obra. Por exemplo, um modelo definido como as built inclui além do que foi projetado o que está sendo construído durante a fase da construção, segundo Garibaldi (2020). Muitos dos conceitos preestabelecidos no momento da concepção do projeto é comumente revisado e alterado dentro do canteiro de obras, a fim de lidar com possíveis conflitos operacionais ou variações durante a fase de construção, que muitas vezes não são levados em consideração no início da obra. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 39 FIGURA 7 – MANUTENÇÃO DE ATIVO Fonte: Vieira (2021). Visto a importância da dimensão 7D para a vida de uma obra não podemos des- considerar sua utilização, que vai desde os aspectos de manutenção até a desmontagem ou reforma da obra construída. Quando falamos da dimensão 7D é impossível não associarmos ao gerenciamento das instalações, visto que ela é fortemente utilizada para rastrear dados importantes sobre os ativos, como manuais de instrução, especificações técnicas e informações sobre prazos de garantia, informações essas que podem ser resgatadas em uma etapa futura. Cabe frisar aqui dois principais benefícios dessa dimensão, acima dos demais, como: ● A substituição fácil e de forma simples de peças, assim como reparos necessários a qualquer momento da vida útil da construção; ● E a facilidade nos processos de manutenção para os empreiteiros e outras equipes futuras, subcontratados para realizá-las. 2.5 BIM 8D: Segurança no canteiro de obras A dimensão BIM 8D é responsável por adicionar segurança ao projeto ou modelo geométrico. Ao inserirmos essa condicionante, as informações ao projeto, podemos visualizar e prever os possíveis riscos dentro do processo de construção e adotar medidas a serem implantadas a fim de prevenir acidentes e melhorar a segurança no trabalho. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 40 FIGURA 8 – CANTEIRO DE OBRAS DIGITAL Fonte: Biblus (2021). Com a BIM 8D é possível visualizar o canteiro de obras antes da sua instalação, como apresenta a figura 8, auxiliando na análise de eficácia da configuração, evitando perigos e situações críticas. Sendo assim, podemos destacar alguns benefícios da utilização dessa dimensão para o responsável de segurança, como: ● Ter uma visão completa do cenário a ser implantado o canteiro de obras; ● Elaborar planos de segurança de forma detalhada com fácil atualização; ● Analisar e adotar escolhas mais adequadas quanto ao projeto de segurança; ● Prevenir os riscos quando se fizer necessária a intervenção das escolhas de projeto que possam gerar possíveis riscos; ● A visualização do canteiro de obras de forma tridimensional; ● Capacitar a equipe de trabalho utilizando a RV (realidade virtual); ● Reduzir os riscos de acidentes. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 41 FIGURA 9 – VISUALIZAÇÃO DO CANTEIRO DE OBRAS UTILIZANDO RV Fonte: Biblus (2021). Para atingir esses resultados é essencial adotar softwares profissionais, equipados com bibliotecas específicas de objetos BIM que simulam qualquer tipo de máquina e equipamento para canteiro de obras, de forma a poder escolher os modelos mais adequados a cada necessidade (BibLus, 2021). De maneira resumida, o objetivo da dimensão 8D é auxiliar-nosna visualização de forma geral do canteiro de obras já na fase de projeto, prevenindo assim, possíveis situações de perigo para a equipe. Frisando que, a pré-visualização de forma realista do canteiro de obras torna mais eficaz a análise de todos os possíveis cenários de perigo, possibilitando a prevenção dele em todas as etapas do projeto. 2.6 BIM 10D: Construção Industrializada Sendo assim, para finalizarmos o tópico sobre os “D”s da metodologia BIM, temos a dimensão 10D, que é voltada para a integração de todos os elementos envolvidos na digitalização da obra, promovendo a produtividade e a industrialização neste setor da construção civil. Podemos dizer que todas as dimensões da BIM têm a finalidade de alcançar a dimensão 10D, onde haverá uma plena industrialização do setor da construção, alavancando sua produtividade aliada às tecnologias de digitalização, segundo Biblus (2022). Otimizar cada ciclo de vida da construção civil, como: projeto, a construção e o gerenciamento das infraestruturas, pode ser alcançada por meio da construção industrializada, solucionando um dos maiores desafios dentro dos canteiros de obra, a improdutividade. UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 42 A construção industrializada nos permite uma visão mais abrangente sobre o gerenciamento de ativos, em todas as suas fases, podendo ser utilizado principalmente para alinhar os setores: financeiro e comercial, ambiental e análise de riscos. Segundo Biblus (2022), podemos destacar algumas vantagens da utilização da BIM 10D para o encarregado de projetos, como: ● Redução do tempo da construção de envelopes; ● Otimização dos custos do local; ● Melhoria e implementação da segurança ocupacional; ● Qualidade da construção; ● Controle preciso de cada etapa da construção e em cada elemento individual; ● Nenhuma dependência das condições climáticas, que possam interferir nas atividades do local. Se você chegou até aqui, deve estar se perguntando: “Mas e a dimensão BIM 9D?!” Será que o professor esqueceu?! Na verdade, não, a dimensão BIM 9D é relacionada à construção enxuta e, sobre isso, veremos na nossa próxima unidade de maneira mais aprofundada. Espero você lá! UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 43 Foi assinado o decreto nº 9.377, em que a exigência do BIM nas compras do Poder Público será escalonada da seguinte maneira: FASE 1 (janeiro de 2021): a exigência de BIM se dará na elaboração de modelos para a arquitetura e engenharia nas disciplinas de estrutura, hidráulica, AVAC e elétrica na detecção de interferências, na extração de quantitativos e na geração de documentação gráfica a partir desses modelos; FASE 2 (janeiro de 2024): os modelos deverão contemplar algumas etapas que envolvem a obra como o planejamento da execução, na orçamentação e na atualização dos modelos e de suas informações como construído (“as built”). Além das exigências da primeira fase; FASE 3 (janeiro de 2028): passará a abranger todo o ciclo de vida da obra ao considerar também atividades do pós-obra. Será aplicado, no mínimo, nas construções novas, reformas, ampliações ou reabilitações, quando consideradas de média ou grande relevância nos usos previstos na primeira e na segunda fases e, além disso, nos serviços de gerenciamento e de manutenção do empreendimento após sua conclusão. Fonte: https://www.crasainfra.com/post/entendendo-a-modelagem-de-informa%C3%A7%C3%A3o-da-cons- tru%C3%A7%C3%A3o-bim UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES https://www.crasainfra.com/post/entendendo-a-modelagem-de-informa%C3%A7%C3%A3o-da-constru%C3%A7%C3%A3o-bim https://www.crasainfra.com/post/entendendo-a-modelagem-de-informa%C3%A7%C3%A3o-da-constru%C3%A7%C3%A3o-bim 44 Se cada projeto que construirmos for pensado de maneira que ele “não acaba quando finaliza a obra” teríamos construção cada vez mais eficientes e sustentáveis, do início ao término de sua vida útil. Fonte: O autor (2023) UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES 45UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES CONSIDERAÇÕES FINAIS Ah! Lembrando que esses dados armazenados no banco de dados da BIM não servem apenas enquanto a obra está na sua fase de construção, ela é valiosa também para uma possível reforma ou desconstrução de parte ou todo do edifício como vimos no decorrer desta unidade. É muito importante sabermos fazer as escolhas corretas dentro de uma obra, não apenas no projeto, mas em toda a fase de construção de um edifício, vimos que a obra não acaba quando termina a construção, vai além, por isso é necessário e de extrema importância nos planejarmos quanto profissionais a esse respeito, identificarmos possíveis necessidades de manutenção ou até mesmo de demolição de parte da estrutura ou por completo. Com isso, podemos contar com as dimensões BIM apresentadas nessa unidade, para que com isso consigamos, pelo menos, alterar a cultura limitada nos canteiros de obras, é necessária a preocupação e visualização antecipada dos canteiros, a fim de prever os possíveis problemas e riscos para a equipe e até mesmo para o andamento da obra. Espero que a partir desse momento você consiga visualizar essas dimensões como premissas de projeto ao iniciar seus estudos, tenho certeza que assim poderemos nos comunicar de maneira eficaz e ágil, garantindo sempre o bom andamento da obra e, acima de tudo, a segurança de nossas equipes de trabalho. Agradeço sua companhia e até nossa próxima unidade! Forte abraço! 46UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES LEITURA COMPLEMENTAR O artigo disponibilizado no link abaixo, tem como finalidade a compreensão do estudo realizado sobre a metodologia BIM 8D como ferramenta de gestão em segurança ocupacional. Fonte: SILVA, T., MANTA, R. C., TETI, B., MELHADO, S. B., BARKOKÉBAS JÚ- NIOR, B., & LAFAYETTE, K. (2019). BIM (8D) COMO FERRAMENTA DE GESTÃO EM SEGURANÇA OCUPACIONAL: PERSPECTIVAS DE USO. VI SIMPOSIO BRASILEIRO DE QUALIDADE DO PROJETO NO AMBIENTE CONSTRUIDO, Uberlândia - MG. doi:10.14393/ sbqp19059 Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/336900766_BIM_8D_ COMO_FERRAMENTA_DE_GESTAO_EM_SEGURANCA_OCUPACIONAL_PERSPEC- TIVAS_DE_USO Acesso em: 03 fev. 2023. https://www.researchgate.net/publication/336900766_BIM_8D_COMO_FERRAMENTA_DE_GESTAO_EM_SEGURANCA_OCUPACIONAL_PERSPECTIVAS_DE_USO https://www.researchgate.net/publication/336900766_BIM_8D_COMO_FERRAMENTA_DE_GESTAO_EM_SEGURANCA_OCUPACIONAL_PERSPECTIVAS_DE_USO https://www.researchgate.net/publication/336900766_BIM_8D_COMO_FERRAMENTA_DE_GESTAO_EM_SEGURANCA_OCUPACIONAL_PERSPECTIVAS_DE_USO 47UNIDADE 2 PLATAFORMAS DE MODELAGEM BIM EM OUTRAS DIMENSÕES MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Manual de BIM Autor: Rafael Sacks; Charles Eastman; Paul Teicholz Editora: Bookman Sinopse: Este livro é sobre o processo de projeto, construção e administração predial chamado de Modelagem da Informação da Construção (BIM). Ele oferece uma compreensão aprofundada das tecnologias do BIM, das questões empresariais e organizacionais associadas à sua implementação e dos profundos impactos que o uso efetivo do BIM pode oferecer a todas as partes envolvidas em uma edificação ao longo de sua vida útil. O livro explica como projetar, construir e operar prédios com BIM difere de executar as mesmas atividades da maneira convencional, ou seja, com o uso de desenhos, sejam eles de papel ou eletrônicos. WEB Apresentação: BIM 10D: confira o que é a construção indus- trializada e sua importância para aprimorar a produtividade da indústria da construção Link: https://biblus.accasoftware.com/ptb/construcao-indus- trializada-conheca-o-bim-10d/ https://biblus.accasoftware.com/ptb/construcao-industrializada-conheca-o-bim-10d/ https://biblus.accasoftware.com/ptb/construcao-industrializada-conheca-o-bim-10d/. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Implementação e Execução da Plataforma BIM; ● Entendendo melhor o que são os termos Implantar e Implementar; ● Implantar e Implementar a BIM: etapas fundamentais; ● Plano de Implementação BIM; ● Plano de Execução BIM. Objetivos da Aprendizagem ●Compreender de que maneira podemos inserir a metodologia BIM nos escritórios de projetos; ●Definir de forma clara a conceituação dos termos de Implantar e Implementar gramaticalmente; ●Abordar de maneira mais objetiva as etapas fundamentais da Implantação e Implementação da metodologia BIM dentro de uma organização; ●Conhecer como de fato acontece o plano de implementação dentro de uma organização; ●Saber o processo de utilização do plano e estabelecer sua utilização dentro de cada organização. 3UNIDADEUNIDADEIMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO Prof. Esp. Rafael Martins BuzzoDA PLATAFORMA BIM DA PLATAFORMA BIM 49UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM INTRODUÇÃO Olá pessoal! Tudo bem?! Chegamos a nossa terceira unidade da disciplina de BIM na gestão de projetos. O que você está achando do nosso caminho percorrido até aqui? Espero que esteja conseguindo colocar em prática as leituras do material, os textos e as referências de literatura inseridas ao final de cada unidade. Lembrando que é muito importante a busca individual pelo aprofundamento no conteúdo abordado em cada tópico até aqui, isso te fará compreender ainda mais esse universo cheio de peculiaridades que chamamos de BIM e te fará um excelente profissional. Sendo assim, vamos ao que interessa, já tivemos a primeira base nas unidades anteriores sobre o que é a metodologia BIM, como são os processos e sua importância dentro de um escritório de construção, mas não paramos por aí, no nosso primeiro tópico veremos o que é a Implantação e a execução desse conceito na prática, quais são os contos a serem levados em consideração nesse processo e suas categorias. Com isso, você pode ter adquirido a dúvida sobre a diferença entre Implantação e Implementação, mas calma, veremos isso de maneira didática, baseado na definição gramatical da palavra no segundo tópico e nos aprofundaremos um pouco mais em cada termo. Mas para uma Implantação e Implementação eficaz da metodologia BIM dentro de uma organização é necessário que sigamos algumas etapas fundamentais para o bom desenvolvimento dela, que é o nosso principal objeto de estudo do terceiro tópico, veremos cada uma dessas etapas e quais os recursos necessários atrelados a ela. Espero que você, assim como eu, esteja animado para mais uma imersão nesse universo, que acredito eu, até antes do início de nossas aulas, era um tanto quanto desconhecido ou não tão conhecido, então pegue seu material de anotação, procure um lugar confortável, que vamos começar! Vem comigo! Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 1 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM TÓPICO Para entendermos melhor todo esse universo da metodologia BIM devemos voltar ao início de tudo, antes mesmo do início do projeto, até mesmo antes da sua concepção, voltaremos à fase de implementação da BIM nos escritórios. Um grande erro ou talvez simplesmente uma falta de conhecimento do conceito tem levado escritórios à ilusão de adoção de uma metodologia completa BIM, fazendo uso apenas de uma ferramenta tecnológica, a fim de alavancar a produção e trazer rentabilidade. Há também, segundo Guignone (2022), casos de escritórios que adotem a metodologia juntamente com processos integrados a essa ferramenta, porém não levam em consideração as peculiaridades do desenvolvimento e as exigências necessárias para viabilizar a execução desse processo. É necessário fazer alguns levantamentos iniciais, como a situação e atuação do escritório e o que se deseja alcançar com a BIM, somente após esse diagnóstico é possível dar o próximo passo, que é agir e executar o plano de implementação. Vale lembrar que é necessário também medir a implementação, avaliando os ganhos com essa manobra. Podemos destacar a princípio quatro itens que devem ser considerados: ● Medir (M); ● Diagnosticar (D); ● Planejar (P); ● Executar (E). Esses itens podem ser agrupados em outras duas categorias: 51 ● Implantar (M, D, P): que refere primeiramente a reconhecer as necessidades e o “território” a fim de se solidificar; ● Implementar (E): como vimos, é agir conforme o planejado, aplicando e revisando as estratégias para aprimorar devidas falhas com a execução da metodologia na prática. Para compreendermos melhor os quatro itens e suas categorias, podemos facilmente definir da seguinte maneira: dentro da categoria “Implantar” temos os itens medir, diagnosticar e planejar. Com isso, dentro da categoria implementar temos o item executar, as iniciais de cada item foi inserida dentro de cada categoria facilitando assim a compreensão da dinâmica. FIGURA 1 – CATEGORIA IMPLANTAR E IMPLEMENTAR Fonte: O autor (2023). Vale frisar que de nada adianta termos projetos bem detalhados utilizando a metodologia BIM se não tivermos a eficiência necessária nessa fase, pois é a partir dessa etapa que conseguiremos estabelecer os parâmetros de desenvolvimento de projeto característicos de cada escritório. Muitas vezes observamos feedbacks negativos sobre a metodologia BIM nos escritórios, mas quando vamos analisar o problema a fundo, notamos que muitas vezes os processos e as etapas de implantação e implementação dentro dos escritórios são facilmente desconsiderados ou executadas de maneira incorreta, levando a resultados inesperados e retornos financeiros inexistentes, acarretando na desmotivação da equipe e UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 52 tornando a metodologia obsoleta. E isso tudo ocorre por experiências que não foram bem realizadas, não retratando os reais benefícios da metodologia. Podemos destacar alguns mitos envolvendo a metodologia BIM segundo Kumar (2015, apud. Guignone, 2022) que dificultam a adoção em larga escala da BIM pelos escritórios de projetos: a) BIM é software; b) Economia com a utilização da metodologia na empresa; c) Atuação constante após parar de utilizar sistemas CAD; d) BIM é o mesmo que CAD, porém com outro nome. Muitos desses mitos citados por Kumar (2015, apud. Guignone, 2022) colaboram para uma abordagem errada sobre a metodologia, ocultando os reais benefícios da BIM, conduzindo a uma conceituação sobre softwares e individualidade, enquanto a essência da metodologia BIM é baseada em ferramentas, processos, pessoas e colaboração. Para Guignone (2022), a definição clara dessa metodologia pode ser a atuaçãoconjunta de quatro itens imprescindíveis: políticas, processos, tecnologias e pessoas, que por meio de um modelo tridimensional, informações são obtidas e inseridas em todo o ciclo de vida de uma obra. FIGURA 2 – MITO E VERDADE SOBRE BIM Fonte: O autor (2023) UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 53 Com isso, podemos destacar claramente que BIM não se trata apenas da utilização de programas de computadores ou de etapas, a metodologia BIM vai além, ela auxilia em todo o processo colaborativo de uma edificação, favorecendo troca de informações entre as equipes ao longo de toda vida útil de uma obra, da construção até a desconstrução. UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 2 ENTENDENDO MELHOR O QUE SÃO OS TERMOS IMPLANTAR E IMPLEMENTAR TÓPICO Antes de tudo é necessário entendermos o que esses termos significam gramaticalmente e, sendo assim, podemos recorrer às definições encontradas em dicionários: ● Implantação: “introduzir”, “estabelecer”, “fixar”. ● Implementação: “executar”, “colocar em prática”. FIGURA 3 – IMPLANTAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO Fonte: O autor (2023). Como podemos perceber então, implantar é diferente de implementar e, com isso, temos o Plano de Implantação BIM e o Plano de Implementação BIM. O plano de Implantação tem o objetivo específico de identificar qual a situação do escritório e se ele está apto a receber a implementação, como: pessoas, políticas, processos e ferramentas e para onde se deseja caminhar, as metas, os objetivos e os usos, sendo assim, executamos o processo de planejamento para a próxima fase, a implementação que, por sua vez, tem o objetivo de executar a metodologia BIM dentro do escritório. 55 Na fase de planejamento é necessário estabelecer parâmetros de reconhecimento de características próprias do escritório, visto que cada organização é única, podemos encontrar diferentes possibilidades, como os potenciais de investimentos, planos de negócios e objetivos internos. Outro fator muito importante a ser diagnosticado dentro da instituição é a fase de maturidade da equipe, assim como os recursos tecnológicos necessários para a migração e o disponível para que isso seja realizado. Dentro desses fatores e parâmetros de reconhecimento poderão ser adotados outros elementos, justamente pela configuração, disposição e interação de cada equipe, podendo variar de uma organização para outra. FIGURA 4 – PARÂMETROS DE RECONHECIMENTO Fonte: O autor (2023). É notável que em cada plano se faz necessário realizar etapas e a qualidade com que elas serão executadas resultam nos efeitos concretos da fase de Implementação. No próximo tópico veremos de maneira mais detalhada as etapas necessárias para Implantação e Implementação da BIM. UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 IMPLANTAR E IMPLEMENTAR BIM: ETAPAS FUNDAMENTAIS TÓPICO UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 56 Para darmos o primeiro passo na implantação da BIM é necessário definirmos as medidas de desempenho, que devem ser adequadas ao perfil da empresa, é com base nisso que poderemos identificar se as medidas adotadas estão sendo positivas ou negativas com relação a outro processo utilizado. Essas medidas são de extrema importância, pois se não soubermos avaliar de forma efetiva os gastos, ganhos e prejuízos, não teremos parâmetros confiáveis para determinar o retorno esperado do investimento. É na fase da implantação que se deve definir quais as medidas de desempenho adotar levando em consideração o perfil organizacional da empresa. Essas medidas serão utilizadas lá na frente, na etapa de implementação, a fim de controlar a evolução e os objetivos estabelecidos, construindo um caminho seguro no aprendizado. Segundo Guignone (2022) as medidas de desempenho de uma organização nessa fase podem ser relacionadas a: ● Qualidade; ● Comunicação com o cliente; ● Objetivo ou propósito; ● Custos, contratos e prazos. Definindo as importantes medidas de desempenho, chegou a hora de darmos o segundo passo, que é o diagnóstico da empresa, com ênfase em três requisitos básicos: 57UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM ● Pessoas: deve-se analisar o grau de qualificação da equipe para esse processo, se há uma estrutura técnica eficaz dentro da organização e qual o nível de maturidade dela; ● Processos: se dentro da organização há níveis de documentação formalizada, quais são os processos atuais adotados e analisar as boas práticas já consolidadas; ● Infraestrutura tecnológica: é necessário fazer uma análise completa sobre os hardwares e softwares que a empresa dispõe, além da infraestrutura das redes. Esse diagnóstico é necessário para chegarmos às respostas sobre a atual situação da empresa quanto aos três requisitos básicos citados anteriormente: pessoas, processos e infraestrutura que serão as premissas para a implementação. FIGURA 5 – PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO DA BIM Fonte: O autor (2023). Já no terceiro passo, temos a definição do plano estratégico, depois de avaliada todas as condicionantes da empresa e a situação atual, devemos definir para onde quere- mos ir, quais são os pontos fortes e importantes de mudança e quais são os pontos fracos que deverão ser mudados. Acontece então todo o planejamento da infraestrutura e dos processos, sempre buscando atender ao processo de implementação da melhor maneira. Como já vimos, deverão ser consideramos alguns pontos importantes nessa fase, como: ● O potencial de investimento; ● Quais recursos da metodologia BIM pretende-se utilizar; ● E quais materiais pretende-se gerar. 58UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM Os três passos que mencionamos no tópico fazem parte da etapa do Plano de Implantação BIM. Já na fase de Implementação, é o momento em que o planejamento realizado será executado, assim como a execução da documentação, qualificação e motivação da equipe, a adequação da infraestrutura tecnológica entre outros. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO BIM TÓPICO UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 59 Após realizarmos a etapa de implantação BIM, chegamos na fase de Implementação, ou seja, executar tudo aquilo que foi planejado, sendo necessário desenvolver e implementar o Plano de Implementação, que abrigará todos os seguintes aspectos: os processos, a qualificação da equipe, a infraestrutura tecnológica da organização, a documentação preparada na fase de implantação. É nesse momento que o sistema organizacional da empresa sofre algumas modificações, será necessário definirmos as equipes responsáveis por cada fase do projeto, como: funções de projeto, gestão das informações, a coordenação geral do modelo e a gestão da infraestrutura tecnológica e a execução dos treinamentos necessários. Outro aspecto muito importante nessa fase é organizar a execução dos documentos, que correspondem aos templates de projeto e os manuais com os fluxos para a execução de etapas do projeto, e a execução do Projeto Piloto com o Plano de Implementação. A figura 6 apresenta um mapa mental do Plano de Implementação BIM. 60 FIGURA 6 – MAPA MENTAL DO PLANO DE IMPLEMENTAÇÃOBIM Fonte: Guignone (2022) modificado pelo autor (2023). Segundo Autodoc (2021), o Plano de Implementação foi desenvolvido por consultores especialistas, por meio de diagnósticos de organizações, com isso, o Plano deve refletir necessariamente os objetivos da empresa, assim como os ideais e o nível de maturidade dessa organização, a ideia é que o Plano garanta que todos os setores da empresa compreendam o projeto por meio de seus processos. Lembrando que, nessa fase, não basta apenas executar e monitorar, mas também colocarmos em prática o gerenciamento desse plano de Implementação, visando fazer ajustes na configuração sempre que necessário, para que assim sejam alcançadas as metas estratégicas. Vale ressaltar que, dentro do Plano de Implementação temos a elaboração do Plano de Implementação BIM para Projeto específico e, dentro dele, o Plano de Execução BIM do Projeto, como apresenta a figura 7, ou se já temos vários itens necessários que precisaremos realizar para que a Implementação da BIM seja viável, alinhado ao Plano de Execução BIM (este, por sua vez, veremos com mais propriedade no próximo tópico). UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 61 FIGURA 7 – MAPA MENTAL DO PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO BIM - PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO BIM PARA PROJETO ESPECÍFICO Fonte: Guignone (2022) modificado pelo autor (2023). UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . PLANO DE EXECUÇÃO BIM TÓPICO UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 62 5 Finalmente, chegamos ao Plano de Execução BIM, mas você pode estar se perguntando: “Por que desenvolver um Plano de Execução BIM? ”, então nesse tópico você entenderá a importância disso. Após compreendermos e planejarmos a Implementação da BIM, chegou o momento de colocarmos em prática todo o nosso conhecimento adquirido até aqui. Um dos elementos fundamentais do Plano de Implementação é o Plano de Execução BIM ou comumente conhecido pela sigla PEB, que é fundamental para conhecermos as regras do jogo antes mesmo dele começar, aponta Guignone (2022). É hora de apresentarmos os usos da metodologia BIM no Projeto, os itens a serem entregues no projeto, o processo de planejamento, concepção e execução da obra, as tecnologias adotadas, a maneira qual se garantirá a qualidade dos processos, como será a comunicação de informações entre as equipes de projeto entre uma infinidade de processos fundamentais que garantirão a qualidade da obra. De acordo com Manzione (2020, apud. Guignone 2022), o Plano de Execução BIM tem o seguinte objetivo: “Garantir o bom desenvolvimento do projeto, utilizando ferramentas BIM de forma colaborativa, a fim de que todos os envolvidos entendam, desde o início, o processo de modelagem a ser seguido e, em conjunto, cheguem a um consenso em relação à interoperabilidade entre os diferentes softwares que serão utilizados. É um documento que descreve quais os objetivos do BIM em um projeto e quais os procedimentos de trabalho que devem ser executados para que esses objetivos sejam alcançados” (Manzione, 2020 apud. Guignone 2022) 63 Além das características que vimos anteriormente no PEB, alguns fatores podem ser relacionados e considerados importantes ao longo desse processo (levando em consideração os três pontos fundamentais da BIM: pessoas, processos e tecnologias), como conhecer as responsabilidades dos Líderes (pessoas) do projeto, (assim como suas funções) de maneira clara, a fim de ser compreendidas por toda a equipe. Um dos primeiros passos do PEB é realizar reuniões (processos), sejam elas para apresentação ou de revisão do Plano, essas reuniões juntamente com o cronograma são extremamente importantes para o sucesso do processo. Por último, porém não menos importante, temos as ferramentas tecnológicas (tecnologias) adotando a definição de ambiente comum de dados, além de outros investimentos como: softwares e plug-ins para videoconferências, internet e recursos tecnológicos adicionais. Faremos agora um mapa mental que será apresentado na figura 8 sobre o PEB do Projeto e suas características: dentro desse Plano deverá conter informações pertinentes, como: dados do projeto, equipes de projeto, softwares a serem utilizados, cronogramas e entregáveis do projeto. FIGURA 8 – MAPA MENTAL DO PLANO DE EXECUÇÃO BIM - PEB Fonte: Guignone (2022) modificado pelo autor (2023). UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 64 Com base nas informações apresentadas podemos compreender a importância da elaboração do Plano de Execução BIM e conceituar alguns pontos pertinentes que poderão levar a erros na elaboração do plano, por exemplo: ● Elaboração de processos e objetivos de projeto inalcançáveis: muitas vezes com a ansiedade de entregar um material sofisticado, cria-se um Plano que acaba por não ser aplicável em função do nível de maturidade do escritório com relação a BIM. ● Soluções tecnológicas incompatíveis com os objetivos previstos: esse se torna um item fundamental, visto que foram feitos investimentos financeiros e que precisam retornar para a sobrevivência do escritório, devendo ser adotados softwares com licenças compatíveis com a demanda, período de projeto e equipe. ● Não utilizar o PEB pela equipe técnica: sendo um dos principais motivos de fracassos nos projetos, esse fato acontece muito, o PEB muitas vezes não é consultado e acaba abandonado nos escritórios. ● Elaboração do PEB sem a realização do Plano de Implementação BIM: é extremamente importante que cada escritório tenha o seu PEB próprio, que posteriormente poderá ser adaptado ou modificado, porém é na fase de Implementação que os dados serão abastecidos e as características próprias serão desenvolvidas em cada organização. ● O cronograma é traçado sobre os objetivos: utilizar uma metodologia no planejamento desse processo que leve em consideração a estrutura natural do processo, otimizando as ações e identificando possíveis problemas. ● Elaborar o PEB sem conhecer as necessidades do projeto: essa é uma condicionante que pode influenciar no cronograma, sendo necessárias reuniões envolvendo toda a equipe antes mesmo da elaboração do PEB. ● Escolha inapropriada da equipe técnica: como apresentado anteriormente, é necessário eleger líderes de projeto ou de determinado aspecto, e devem ser considerados algumas características nessas escolhas, como um bom relacionamento interpessoal, potencial de liderança, um melhor conhecimento nos processos BIM e sobre as ferramentas tecnológicas. ● As várias interferências encontradas nas reuniões impactam o cronogra- ma: nem sempre está na função do coordenador de projeto a compatibilização de projeto, ele é apenas responsável pela otimização deles. Essas são apenas algumas das ações que podem levar ao erro do Plano de Execução BIM, lembrando que a perda da produtividade quando migramos de 2D para a metodologia BIM infelizmente é inevitável, já que são processos distintos e que necessitam de adaptação pela equipe, como apresenta a figura 9. UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 65 FIGURA 9 – GRÁFICO DE SUCESSO DA IMPLANTAÇÃO BIM Fonte: Gonçalves (s.d.) modificado pelo autor em 2023. Analisando a figura 9 podemos observar uma curva que acontecerá no quesito desempenho ao iniciarmos o processo de utilização da BIM em uma organização, se pularmos etapas com relação aos Planos de Implantação e Implementação, certamente, o Plano de Execução não acontecerá ou será ineficiente e teremos a curva totalmente negativa, acarretandono retorno a utilização 2D, porém se os Planos forem seguidos à risca e com esforços necessários, a curva de adaptação será mais suave, alavancando o desempenho da equipe e, consequentemente, os ganhos compensarão os investimentos. UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 66 Com o uso da computação suprindo a necessidade de agilidade na concepção de projetos, percebeu-se então a oportunidade de armazenar informações importantes da edificação nos projetos, como material a ser usado, componentes e orientações para execução e manutenção do empreendimento, durante todo seu ciclo de vida. Surgia aí o motivo para criação e também a essência do conceito BIM. Fonte: (GONÇALVES, Mais Engenharia, 2019) Todo o plano da metodologia BIM, seja ele Implantação, Implementação ou Execução deve ser levado a sério, é com base nisso que teremos resultados satisfatórios dentro do nosso escritório, pular essas etapas é como construir uma casa sem projeto, o resultado pode não suprir nossas expectativas. Fonte: O autor (2023) UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 67 CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final de mais uma unidade. Acredito que você não tenha mais a mesma perspectiva que tinha ao iniciar seus estudos sobre BIM na gestão de projetos com foco nos conteúdos apresentados nesta unidade, e isso é excelente, mostra que as ideias e conceitos que você tinha sobre esse assunto estão sendo amadurecidas. O que podemos conceituar sobre a nossa terceira unidade? É que nada sobre BIM se desenvolve em uma organização sem que antes haja um Plano de Implantação e depois um Plano de Implementação para em seguida ser criado um Plano de Execução BIM, ou o PEB como nos familiarizamos por aqui, e isso é muito importante. Vimos também que esses Planos todos não dizem respeito apenas a qualidade de projeto ou objetivos da empresa, se refere ao retorno de lucro investido dentro de cada organização. Aprendemos que implantação é diferente de implementação, o que corresponde a cada etapa e sua importância para o desenvolvimento BIM e, o principal, que BIM não é um software, mas uma metodologia que une três aspectos fundamentais: pessoas, processos e tecnologias. Mas como vimos, não é simples o caminho do sucesso da BIM, é necessário empenho, dedicação e perseverança, desde a escolha dos responsáveis de equipes e projetos até na fase de execução da metodologia. Vimos também que é normal a perda de produtividade no início da utilização da BIM, pelo fato de estarmos migrando de uma perspectiva para outra, que isso também pode ser minimizado e suavizado com esforços necessários e que o cenário mudará após isso, os ganhos e a produtividade serão alcançados. Portanto seus estudos não podem parar por aqui, te desafio a continuar pesquisando sobre os assuntos abordados nesta unidade, há uma infinidade de conceitos, desafios e cuidados a serem analisados na utilização da BIM nos projetos. Aceita o desafio?! Então, mãos à obra! Te espero na próxima unidade. Até já! UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM 68UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM LEITURA COMPLEMENTAR O Trabalho de Conclusão de curso disponibilizado no link abaixo, aborda a implementação da metodologia BIM nas microempresas e nas indústrias, apontando os desafios encontrados e as estratégias utilizadas. Fonte: MARTINS, M. C. (2021). IMPLEMENTAÇÃO DO BIM: DESAFIOS E ES- TRATÉGIAS PARA MICROEMPRESAS DA INDÚSTRIA AEC . TCC, UFSJ - Universidade Federal de São João Del-Rei, Ouro Branco - MG. Acesso em 09 de fev. de 2023, disponível em https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ccivi/TCC%20-%20Marllon%20Martins- -Site.pdf https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ccivi/TCC%20-%20Marllon%20Martins-Site.pdf https://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/ccivi/TCC%20-%20Marllon%20Martins-Site.pdf 69UNIDADE 3 IMPLEMENTAÇÃO E EXECUÇÃO DA PLATAFORMA BIM MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: 10 dicas essenciais para implementação do BIM Autor: Renato R. Cardoso Editora: Renato R. Cardoso Sinopse: Essa leitura tem como objetivo ajudar você na obtenção de uma visão estratégica para a implementação do BIM em uma determinada empresa. FILME/VÍDEO Título: Implementação do BIM em Escritórios de Arquitetura Ano: 2020 Sinopse: A palestra é baseada na bibliografia brasileira e apresenta um resumo dos três primeiros guias gratuitos lançados no país: AsBea - Boas Práticas em BIM (2013); CBIC - Coletânea Implementação do BIM para Construtoras e Incorporadoras (2016); e ABDI – A Implantação de Processos BIM (2017). “Esses guias são bem completos. Realizamos um estudo dessas obras e apresentamos para os arquitetos e urbanistas. A intenção é colaborar com nossos colegas para que consigam implementar com sucesso o BIM nos escritórios”, explicam Kelly e Morgana, que são integrantes da CBIM. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Plano de Estudos ● Construção Enxuta; ● BIM 9D: Construção enxuta; ● Construção enxuta X construção tradicional; ● Just in Time – (JIT); ● Total Quality Control; ● Orçamentos Inteligentes; ● Tipos de orçamentos na construção civil. Objetivos da Aprendizagem ●Retomar a metodologia dos “D”s de BIM e aprofundar sobre a construção enxuta; ●Compreender de maneira objetiva qual a diferença entre o conceito de construção enxuta e a construção tradicional; ●Conhecer os termos utilizados dentro dos processos de construção e como eles garantem que o produto final seja entregue com a qualidade desejada; ●Aprender os tipos de orçamentos que temos e qual a sua aplicabilidade dentro da construção e como eles podem auxiliar em cada etapa da obra. 4E ORÇAMENTOS E ORÇAMENTOS INTELIGENTES INTELIGENTES UNIDADEUNIDADECONSTRUÇÃO ENXUTACONSTRUÇÃO ENXUTAProf. Esp. Rafael Martins Buzzo 71UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES INTRODUÇÃO Chegamos a nossa última unidade da disciplina BIM na Gestão de Projetos e acredito que você já tenha adquirido muito conhecimento no caminho até aqui. Porém, prepare-se ainda temos muita coisa bacana pela frente e muita informação para ser armazenada ainda. Essa unidade vai além de tudo o que você sabe sobre o básico do projeto, o orçamento. Mas como podemos ter mistérios em uma prática tão simples?! É verdade, mas temos algumas variáveis pelo caminho. No nosso primeiro tópico veremos a definição de construção enxuta. Você se lembra que comentei que veríamos sobre o BIM 9D em uma próxima oportunidade?! Então, chegou o momento de nos debruçarmos sobre esse conceito, que está atrelado à Construção Enxuta, veremos no que ele se baseia e quais seus princípios fundamentais, falar sobre processo e tempo nunca foi tão preciso quanto nesse momento, é nisso que trabalharemos na maior parte do tempo. Mas se você chegou até aqui, deve estar com a seguinte dúvida: qual a diferença entre construção enxuta e a construção tradicional? Calma, eu te explico, ainda dentro do nosso primeiro tópico veremosessa diferenciação, o que agrega valor em uma construção e o que não agrega valor, qual a melhor forma de reduzir desperdícios de materiais dentro dos canteiros de obra e de onde surgiu essa metodologia de construção enxuta, assim como algumas diretrizes que precisam ser adotadas para que toda essa cadeia de processos funcione perfeitamente. Veremos também alguns termos relacionados a essa prática, como Just in Time e Total Quality Control, o que cada um desses termos corresponde e quando podemos aplicá-los. Por último, mas não menos importante, os orçamentos inteligentes, como eles podem ser aplicados e quais os tipos de orçamentos existentes. Eu te disse que teríamos muita coisa para vermos ainda, então vamos lá e siga com o mesmo foco até aqui. Bons estudos! . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES 1 CONSTRUÇÃO ENXUTATÓPICO 1.1 BIM 9D: Construção enxuta Acredito que você se lembra dos conteúdos abordados na nossa segunda unidade da disciplina de BIM na gestão de Projetos. Então você deve se lembrar também que ficamos de comentar sobre um tópico dos D’s de BIM mais para a frente, não é verdade?! Pois bem, chegou a hora de falarmos sobre o BIM 9D, que corresponde à Construção Enxuta, um dos temas principais desta última unidade. Então vamos lá, como já sabemos, a falta de planejamento ou um planejamento ineficiente no canteiro de obras pode levar a atrasos na entrega da construção e aumentar o valor inicial pré-determinado sobre os custos da obra. Para isso, o método BIM 9D foi criado para acabar com os desperdícios, minimizando os resíduos provenientes da construção, otimizando os recursos e aumentando a produtividade nos canteiros de obra. 73UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES FIGURA 1 – PLANEJAMENTO DE CANTEIRO DE OBRAS Fonte: Utilizando BIM (2019). A Construção Enxuta segundo BibLus (2021) ou também conhecida como Lean Construction se baseia em alguns princípios importantes contribuindo para uma construção final mais sustentável, como: ● Otimizar e reduzir processos que não contribuem, agregando valor ao processo: para que tenhamos uma otimização na fase da construção é necessário voltarmos nossa atenção aos aspectos desde a produção até o transporte dos materiais quando chegam ao canteiro de obras. Com isso, podemos fazer uma análise completa da cadeia produtiva e identificar alguns processos repetitivos ou até mesmo inúteis, propondo soluções para eliminá-los ou substituí-los. Um exemplo prático, as máquinas são calibradas para a quantidade necessária de materiais a serem transportados, assim podemos dimensionar e estabelecer até o tamanho dos caminhões e as viagens que eles farão para que determinado material seja transportado. ● Considerar as vontades e as necessidades dos clientes: antes de iniciarmos os processos de qualquer projeto é necessário fazermos algumas pesquisas sobre o cliente, como suas expectativas e suas experiências com relação aos projetos já entregues, se determinada atividade não agrega nenhum tipo de valor ao projeto, possivelmente também não interessa ao cliente, sendo assim, ele não está disposto a pagar por isso. Assim, essa pesquisa é necessária, focando apenas nas necessidades do cliente, fazendo com que as operações ocorram sem interferências. 74UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES ● Padronizar processos: como já sabemos, a construção é um dos processos com mais riscos de imprevistos, pelo fato de cada obra ser única e assim também são as condições aplicadas aos canteiros de obras, como mãos de obra, tempo de construção, terreno, materiais etc., para que consigamos minimizar essa diversificação nos canteiros é necessário padronizar processos construtivos, diminuindo imprevisto e aumentando a possibilidade de gerenciá-los, atribuindo um padrão de construção garantindo um processo mais seguro de trabalho. ● Otimizar o tempo: sabemos que essa variável pode ser influenciada por vários fatores, como transporte, espera, o período de processamento, a fase de inspeção entre outros aspectos. Quando aceleramos esses processos, de forma segura, planejando cada etapa, conseguimos otimizar essas atividades e diminuir o tempo de entrega da construção ao cliente. ● Transparência dos processos: quanto maior for a transparência nos processos desenvolvidos, maior será a participação dos profissionais envolvidos na obra, de maneira eficaz e consciente, aliando as soluções e melhorias no canteiro de obras. FIGURA 2 – RECURSOS DA USBIM Fonte: BibLus (2021). Para isso podemos utilizar gratuitamente o usBIM, que é um sistema de gestão BIM, ele nos permite digitalizar a construção por completa de maneira fácil e detalhada, possibilitando o compartilhamento de informações, assim temos alguns fatores que favorecem o desenvolvimento da obra: ● A colaboração em tempo real entre todas as equipes envolvidas no projeto; 75UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES ● O compartilhamento e o gerenciamento de projetos de infraestrutura e construção; ● A utilização on-line em qualquer dispositivo, seja ele tablet, smartphones ou computadores. 1.2 Construção enxuta X construção tradicional Acredito que alguma vez você já passou por uma obra e percebeu a quantidade de materiais de construção que são desperdiçados nos canteiros. Não é verdade?! O padrão de construção civil pode seguir dois métodos distintos: o enxuto ou o tradicional. No método de construção enxuta podemos seguir dois padrões que segregam as atividades: ● Atividades que agregam valor à construção; ● Atividades que não agregam nenhum tipo de valor à construção. Assim, conseguimos ter a primeira base dessa diferença entre um tipo de construção e a outra. O conceito de valor de um projeto deve estar diretamente ligado ao nível de satisfação do cliente, ou seja, se o cliente não está disposto a pagar por determinado processo, ele não deve ser considerado como uma atividade que agrega valor ao projeto. Com isso, podemos eliminar ao máximo os desperdícios ainda na fase de gerenciamento da obra. Já no método tradicional de construção, o valor não está diretamente ligado às necessidades do cliente e por muitas vezes não tem um gerenciamento de resíduos, nem o devido planejamento na fase preliminar do projeto, acarretando em grandes desperdícios com processos desnecessários. Em resumo, o modo como se observa o processo de produção é o que define a construção, é a parte conceitual do projeto, o que determina o método tradicional ou enxuto. Se o cliente não está disposto a pagar, logo a atividade não agrega valor, dessa forma, o método enxuto visa eliminar qualquer forma de desperdício dentro da obra. Segundo Koskela (1992), o modelo de Construção Enxuta teve base no Sistema Toyota de Produção (STP) e foi adaptado ao setor da construção civil, aplicando os conceitos Just in Time e Total Quality Control (que veremos cada um e sua definição em um tópico próprio), resumidamente, visa um projeto bem planejado e controlado, garantindo a qualidade do produto, eliminando o estoque e reduzindo custos, outro fator relevante nesse processo é a questão interpessoal, os funcionários são motivados e preparados, aumentando o desenvolvimento. 76UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES Essa metodologia foi inicialmente denominada de Nova Filosofia de Produção, que segundo Koskela (1992) é a interpretação das atividades da construção civil, como uma somatória das atividades que ao final não agrega valor e de conversão, que representam as atividades que agregam valor ao produto final da obra. A figura3 apresenta o processo de produção, interligando as atividades de fluxo com as atividades de conversão. FIGURA 3 – PROCESSO DE PRODUÇÃO ENXUTA Fonte: GARRIDO (2015) adaptado de KOSKELA (1992). Mas ainda segundo a mesma autora, essa prática só é possível se algumas diretri- zes forem adotadas: ● Comprometimento da gestão; ● Foco em melhorias; ● Comprometimento do funcionário; ● Aprendizado do processo. 1.3 Just in Time – (JIT) Resumidamente o Just in Time (JIT) (na hora certa) é o responsável pela busca da precisão dentro da cadeia produtiva, alinhando as operações e execução, conforme a demanda e a necessidade. Ou seja, tudo acontece dentro do cronograma estabelecido, nem antes e nem depois, evitando o estoque parado e perda de materiais. Mas para que esse processo ocorra da maneira esperada, é necessário que os dados necessários sejam informados e monitorados, a fim de otimizar o processo e para isso ainda é necessário que o gestor tenha total controle do fluxo da empresa, assim como os processos e as necessidades dos clientes. Com isso, o gerente tem uma percepção maior sobre os materiais, os que precisam ser adquiridos, vendidos com rapidez e os quais podem ocupar o estoque por um período maior, dessa forma é possível otimizar os processos, planejando de maneira enxuta, melhorando a produtividade. 77UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES Essa técnica de gestão de produtos foi desenvolvida no Japão, na Toyota, em resposta aos recursos naturais que eram escassos no país na época, e os desperdícios não eram uma forma viável de trabalhar. Segundo TOTVS (2022) vários fatores contribuíram para o cenário escasso do país na época, como o pós-guerra, ocasionando muitas sanções econômicas, outro fator foi o crescimento da indústria automobilística, que exigiu uma resposta rápida das fabricantes. FIGURA 4 – JUST IN TIME (JIT) Fonte: TOTVS (2022). O Just in Time na construção civil tem o mesmo papel, reduzir desperdícios, criar processos mais efetivos, otimização da produção e a padronização de processos. Para isso é necessário conhecermos e termos controle do tempo de execução da obra, identificando possíveis melhorias e oportunidades. Porém, isso não se trata apenas de agilidade e rapidez, é necessário saber se a equipe está preparada para manter a qualidade da produção, assim como os parceiros e fornecedores, é necessário saber se eles também estão aptos a atender as necessidades da obra com rapidez. Algumas dicas para a implementação do JIT são necessárias, como: organização, capacitação, comunicação e definição de metas. 78UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES 1.4 Total Quality Control – (TQC) Seguindo as mesmas premissas do JIT, o Total Quality Control tem seu foco na satisfação do cliente, segundo Oliveira et. al. (2012), a gestão de qualidade teve sua origem no Japão a partir da década de 1950, esse processo tem como objetivo principal superar as expectativas do cliente. O conceito de TQC relacionado ao enquadramento de um produto ou processo, segundo Faria (s.d.) está diretamente ligado à sua qualidade e envolve alguns itens como: ● Orientação ao cliente; ● Qualidade em primeiro lugar; ● Ações baseadas em prioridades; ● Fatos e dados; ● Controle de processos e a variação dos dados que indicam uma possível falha no processo; ● Verificação de causas; ● “A próxima etapa é o seu cliente” (com essa metodologia fica claro na mente de cada responsável por uma etapa, que qualquer falha influenciará na qualidade do processo da próxima etapa); ● Identificação da real necessidade do cliente; ● Evitar que antigos erros voltem a acontecer. A forma de praticar o Controle de Qualidade é o ponto principal do TQC e deve ser considerado por toda a equipe, garantindo a qualidade do produto, gerando satisfação com relação às expectativas do cliente. Oliveira et. al. (2012) frisa que o desempenho de uma equipe é medido pela participação e dedicação de todos e aponta alguns itens necessários para o resultado satisfatório de qualidade de um produto: ● Planejamento; ● Manter a qualidade; ● Identificação de pontos fracos no processo. O planejamento é a fase onde as necessidades e os anseios do cliente serão expostos, procurando satisfazê-lo e atingir suas expectativas. Com isso, devemos manter essa qualidade que muitas vezes o cliente já conhece e, por isso, nos busca. Porém, nesse processo podemos identificar alguns fatores que desagradam o cliente e assim devemos enumerá-los e procurar minimizá-los. 79UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES FIGURA 5 – DIAGRAMA TOTAL QUALITY CONTROL (TQC) Fonte: Autor (2023). Em resumo, o Total Quality Control tem o objetivo de controlar a qualidade de um produto durante o processo, identificando o padrão de qualidade necessário e como alcançá- lo. Apresentando um ambiente favorável e fazendo com que as equipes se comprometam com a qualidade final do produto, minimizando os erros de produção e prejuízos com desperdícios. 2 Orçamentos inteligentes Segundo Besen et. al. (2017), para que um projeto se torne viável, antes ele passa por uma estimativa de custos, sendo assim, é necessário a realização de um orçamento que leve em considerações fatores como estratégias técnicas e opções que auxiliem na agilidade da construção, assim como a competição de preço de mercado e a agilidade no desenvolvimento do projeto. Por definição do dicionário, a palavra orçamento tem o significado básico de: avaliar e calcular os custos de maneira aproximada, seja ela de uma obra ou de outro serviço, uma estimativa. Com isso, chegamos ao nosso segundo e último tópico dessa unidade. 80UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES FIGURA 6 – ORÇAMENTOS INTELIGENTES Fonte: Silva (2023). O orçamento de uma obra, projeto ou construção consiste em agregar todos os custos que podem ser estimados para que o projeto seja executado, assim como as atividades que envolvam essa execução ou equipes. Assim, podemos definir um valor inicial mínimo para a realização de um projeto ou de determinada etapa dele, esse processo pode ser utilizado também posteriormente a fim de compararmos baseado em indicadores de desempenho a relação entre o valor que está sendo orçado e o que está sendo executado. 2.1 Tipos de orçamentos na construção civil Nesse ponto já podemos concluir que até os orçamentos podem possuir várias formas e aplicabilidades e, com isso, agora veremos alguns tipos de orçamentos de obra da construção civil e suas finalidades específicas. Entre os principais tipos de orçamento nas obras de construção civil podemos destacar seis tipos: estimativa simples, estudo de viabilidade financeira (EVF), orçamento paramétrico, orçamento analítico, orçamento sintético e orçamento executivo, segundo Gonzaga (2021). E no próximo tópico veremos cada um deles de forma mais específica. 81UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES FIGURA 7 – ORÇAMENTO NA CONSTRUÇÃO CIVIL Fonte: Globaltec (2020). 2.1.1 Estimativa Simples Para começarmos a falar sobre os tipos de orçamentos, nada mais justo do que iniciarmos pela estimativa simples, nesse tipo de orçamento é ideal a realização de um comparativo entre a obra a ser executada com outros empreendimentos semelhantes. Esse processo contribui para identificarmos, inicialmente, o tamanho dos recursos necessários a serem investidos a fim de executar a obra, um exemplo prático: para a realização de uma casa unifamiliar de um pavimento podemos fazer uma comparação simples com o valor de outras construções do mesmo padrão. Essa tipologia de orçamento é baseada em índices gerais como o Custo Unitário Básico da Construção (CUB) que nos permite estimaro custo de uma obra baseado no custo médio do mesmo padrão. Esse índice pode ser muito importante, porém os orçamentos, utilizando-os como base, podem ter uma margem de erros bem elevada, sendo necessário adotar outros métodos mais completos para obtermos orçamentos mais complexos segundo Gonzaga (2021). 82UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES 2.1.2 Estudo de Viabilidade Financeira (EVF) O EVF ou Estudo de Viabilidade Financeira é um método de orçamento um pouco mais elaborado que o visto anteriormente e serve para nortear o planejamento de novos projetos, estudando a viabilidade financeira técnica de novos empreendimentos. Sendo assim, o projeto da construção só deverá ser concebido após a realização dessa etapa. Com isso, podemos minimizar as dúvidas do cliente com relação à tipologia de edificação a ser construída, como um edifício comercial ou de moradia. Com o auxílio do estudo de viabilidade financeira poderá ser analisada qual a opção mais vantajosa com relação ao investimento, avaliando características como: bairro, zoneamento e comércio regional. Em resumo, o EVF é o pré-orçamento, que auxiliará o cliente na identificação se o projeto está dentro do limite financeiro determinado. É na fase de projeto preliminar que o EVF é inserido, levando em consideração características básicas, como materiais e mão de obra necessárias para a execução do empreendimento. Esse método, comparado a outros tipos de orçamentos, pode ser considerado menos assertivo, porém auxilia fortemente no planejamento. 2.1.3 Orçamento Paramétrico Considerado um orçamento simplificado, pode ser elaborado em uma etapa específica do projeto, podendo ser utilizados dados de outras obras já executadas pela empresa e índices de viabilidade. Sua maior utilidade é na etapa de estudo de viabilidade de um projeto e checklist nos orçamentos executivos, além de permitir fazer comparativos entre obras de menor complexidade. Este modelo utiliza medida de custo por metro quadrado, sendo assim, é ideal para construtoras, que mesmo não tendo o projeto executivo, conseguem estimar o custo geral da construção. O orçamento paramétrico é mais assertivo que o modelo EVF, auxiliando os investidores analisarem a viabilidade do projeto, mesmo esse modelo sendo um método mais simples de analisar as informações. 2.1.4 Orçamento Analítico Este modelo, por sua vez, leva em consideração o quantitativo de materiais na avaliação dos custos da obra, além de cada atividade necessária na construção, entre ferramentas de execução e mão de obra, tornando-o mais preciso entre os diferentes tipos de orçamentos. 83UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES Mas para que esse modelo de orçamento seja elaborado e assertivo com a precisão desejada é necessário que os projetos básicos estejam todos elaborados. Os valores das variáveis podem ser obtidos por meio de pesquisas de mercado ou com referência na tabela SINAP ou SICRO. 2.1.5 Orçamento Sintético Como o próprio nome já sugere, o orçamento sintético é um resumo do orçamento analítico que explica os custos da obra por etapas a serem executadas. Resumidamente, esse modelo considera apenas o quantitativo e o custo unitário de cada etapa da obra. 2.1.6 Orçamento Executivo Por fim, chegamos ao modelo considerado mais importante, com foco nas empresas de construção que participam de licitações públicas. Ele é semelhante ao projeto executivo de uma obra, sendo mais completo e se preocupando com os detalhes do projeto executado. Esse modelo não tem seu foco apenas na obra, mas também em outras atividades pertinentes envolvidas na construção para que ela seja entregue, levando em consideração a fase de desenvolvimento da obra a cada etapa, otimizando os recursos físicos e financeiros, além de recursos humanos e o tempo para execução da construção. O orçamento Executivo requer que os custos sejam atualizados ao longo de cada etapa da obra, tornando o orçamento mais semelhante à expectativa inicial. Dessa forma, são realizados cálculos minuciosos para que a margem de erros seja bem pequena e, com isso, podemos extrair algumas informações a partir desse orçamento, como o cronograma físico-financeiro. Um dos benefícios desse modelo de orçamento é evitar determinados imprevistos, ou seja, com o auxílio de um cronograma bem definido o gerente de obra não precisará antecipar ou adiar a aquisição de algum insumo, pois tudo estará alinhado com as etapas de execução. 84UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES FIGURA 8 – TIPOS DE ORÇAMENTO DA CONSTRUÇÃO CIVIL Fonte: O autor (2023). A figura 8 apresenta de forma dinâmica uma pirâmide conceitual sobre os seis tipos de orçamento com referência na sua complexidade, do mais simples ao mais complexo, indo da base com a Estimativa Simples até o topo da pirâmide com o Orçamento Executivo. 85UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES A construção tradicional enxerga os processos de maneira subdividida, isto é, cada processo é composto por várias etapas. No modelo de construção enxuta o que não agrega valor é eliminado por ser entendido como desnecessário. Fonte: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/lean-construction-ou-construcao-enxu- ta-produtividade-e-otimizacao,800f168b49622810VgnVCM100000d701210aRCRD. Acesso em: 15 fev. 2023. Muitas vezes damos prioridade apenas ao que é visto ou até mesmo o que é grande, mas uma das partes mais importantes de uma obra começa no simples ato do orçamento, é nele que o cliente tem o primeiro contato com sua maneira de trabalho e sua prática organizacional. Fonte: O autor (2023) https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/lean-construction-ou-construcao-enxuta-produtividade-e-otimizacao,800f168b49622810VgnVCM100000d701210aRCRD https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/lean-construction-ou-construcao-enxuta-produtividade-e-otimizacao,800f168b49622810VgnVCM100000d701210aRCRD 86UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final da nossa quarta e última unidade. Me conta, o que você achou da nossa aventura no mundo BIM até aqui?! Espero que, assim como eu, você também esteja animado para continuar com suas pesquisas sobre esse assunto tão importante da construção civil, descobrindo cada vez mais modelos e métodos para empregar nos projetos, tornando-os ainda mais eficientes. Retomando o que vimos em cada tópico, fico pensando em quanta coisa bacana aprendemos em apenas uma única unidade, aposto que você não fazia ideia do que era construção enxuta, não é mesmo? A importância desse conceito na realização de uma construção, a preocupação com o cliente e os possíveis desperdícios dentro dos canteiros de obra realmente têm que ser nossas premissas de projeto daqui para frente. Para conseguirmos controlar os desperdícios, temos um aliado dentro da obra, o conceito Just in Time, que nada mais é do que “No tempo exato”, se levarmos em consideração essa metodologia na elaboração dos nossos cronogramas, poderemos alavancar ainda mais a qualidade de nossas obras e alcançarmos cada vez mais as expectativas dos nossos clientes, que estão cada dia mais altas. O controle de qualidade nos nossos canteiros de obras deve ser levado a sério, somente assim poderemos reduzir os desperdícios, riscos de acidentes e elevar a qualidade da construção civil. Vimos também que existem vários tipos de orçamentos e que cada um deles tem suas características específicas, vimos também que alguns deles, quando bem elaborados, podem nos auxiliar até o final da construção. Enfim, o que eu quero te dizer é que seus estudos não devem parar por aqui, esse material que apresentei para você é só a pontinha do iceberg, bons profissionais nuncaparam de estudar e aprimorar seus conhecimentos, então continue, busque sempre novas tendências e conceitos, tenho certeza que isso auxiliará em cada etapa de seus próximos projetos. Te espero em uma próxima oportunidade! 87UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES LEITURA COMPLEMENTAR O texto fala sobre o controle da qualidade total, como ela iniciou até suas técnicas, ele relata a importância deste controle dentro da empresa, o cliente é o foco principal, e a sobrevivência da empresa está relacionada com o nível de satisfação do cliente, seu objetivo é manter a qualidade do produto sendo que a qualidade faz com que haja uma melhora na produtividade Fonte: http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/jlpc0ULMDp- fercM_2013-5-10-14-57-23.pdf Acesso em: 15 fev. 2023. http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/jlpc0ULMDpfercM_2013-5-10-14-57-23.pdf http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/jlpc0ULMDpfercM_2013-5-10-14-57-23.pdf 88UNIDADE 4 CONSTRUÇÃO ENXUTA E ORÇAMENTOS INTELIGENTES MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Gestão de projetos e lean construction: uma abordagem prática e integrada. Autor: Antônio Carlos da Costa Valente e Victor Meireles. Editora: Appris. Sinopse: Busca apresentar aos leitores, por meio de um for- mato simples, funcional e visual, os fundamentos da filosofia Lean, mais especificamente do Lean Construction associados às boas práticas do Gerenciamento de Projetos, a fim de que profissionais e estudantes possam iniciar ou dar andamento em seus projetos com o uso dessas filosofias e, com isso, tornar seus projetos mais enxutos, ágeis e eficientes. FILME/VÍDEO Título: BIMCast #11 - BIM 9D | Lean Construction Ano: 2022 Sinopse: BIMCast é um programa da ABENG | AlphaBIM En- genharia, uma empresa de projetos, modelagem e implemen- tação BIM. Nesse episódio falaremos sobre Lean Construction. 89 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, A. M. Bim plataforma 6D e 7D: sustentabilidade e ciclo de vida. 2020. Curitiba: Contentus. AutoDesk. S/d. Disponível em: https://www.autodesk.com.br/solutions/bim/benefits-of-bim. Acesso em: 01 de fev. de 2023. Autodoc. 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Vimos na nossa primeira unidade, lá no comecinho da nossa jornada, o que de fato é BIM, como podemos aplicar essa metodologia na construção civil e como funcionam os processos dentro da construção, vimos também como isso tudo é importante para a qualidade final de um empreendimento. Na segunda unidade conhecemos ainda mais as características BIM, podemos analisar cada “D” da metodologia BIM e acredito que você, assim como eu, ficou surpreso na imensidão desse conceito. Cada descoberta e cada aplicação dessa metodologia agrega ainda mais valor e identidade a uma obra, seja na fase de projeto, execução ou, se for o caso, na desconstrução de um edifício. Mas não paramos por aí, na terceira unidade fomos além, trouxemos essa metodologia e suas aplicações para dentro dos escritórios, como funcionam os processos de implantação e implementação da BIM na prática, não é simples, mas utilizando os métodos corretos e seguindo as etapas, o resultado final é surpreendente, assim como vimos o que é mito e o que é verdade sobre a metodologia BIM. BIM, ao contrário do que muitos pensam, é uma metodologia e não um programa ou software. Por último, na nossa quarta unidade, podemos aprimorar ainda mais nosso conhecimento sobre BIM, por meio do conceito de Construção Enxuta, o que diferencia uma construção tradicional e os termos utilizados para agregar ainda mais valor e eficiência às obras, como Just in Time e Total Quality Control. Vimos até a variedade de orçamentos que possuímos e como cada um deles atua dentro do processo. Realmente foi um caminho lindo até aqui. Eu espero que você nunca pare, os profissionais que mais se destacam são aqueles que nunca param de se atualizar. Que você tenha muito sucesso! ENDEREÇO MEGAPOLO SEDE Praça Brasil , 250 - Centro CEP 87702 - 320 Paranavaí - PR - Brasil TELEFONE (44) 3045 - 9898 Shutterstock Site UniFatecie 3: Botão 11: Botão 8: Botão 9: Botão 10: