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AULA 01
➔ AS FONTES E O TRABALHO DO HISTORIADOR
· Distanciamento entre o que é passado e o que é história:
· História: escrita sobre o passado
· Em sua vertente profissional, a escrita sobre o passado é chamada de historiografia
· Os historiadores utilizam quadros teóricos, metodológicos e epistemológicos próprios
· Fontes históricas: documentos de diversas naturezas que são o fio da meada do trabalho do historiador
· Sem elas, não existe a possibilidade de aproximação com o que se passou
· Se não temos como reviver o passado, voltando até ele com uma máquina do tempo, é preciso ter na manga outros artifícios
➔ A RENOVAÇÃO DA HISTÓRIA NO SÉCULO XIX
· A história se consolidou como campo específico da produção do conhecimento e como disciplina "autônoma" no século XIX. Anteriormente, ainda não existia um lugar específico para ela nas academias. Assim, tinha um estatuto ambíguo entre uma história de arte e literatura e uma história profissional
· O século XIX foi palco da consolidação de práticas que garantiram à história o estatuto de ciência
· Eram entendidos como significativos e úteis conhecimentos que tivessem uma metodologia própria e rigorosa
· Objetividade e exatidão no fazer historiográfico
· Desejo de aproximar-se o máximo possível do passado
· As fontes eram hierarquizadas: maior importância para documentos escritos, sobretudo os oficiais
· Faziam parte de sua análise o processo de localização e classificação, mas também críticas voltadas à verificação de sua autenticidade e à confiabilidade de suas informações
· A história não poderia ser produzida e escrita de acordo com os mesmos pressupostos das ciências exatas e naturais. Isso porque tais áreas do conhecimento tratam de outros objetos e fenômenos, enquanto a história tem como mote eventos humanos
Principais Mudanças:
· O diálogo com outras áreas do conhecimento e disciplinas, como a sociologia e a antropologia
· A alteração na noção de tempo histórico e de eventos ocorridos em datas específicas; passou-se a dar mais atenção ao tempo das conjunturas e das estruturas
· A inserção outros aspectos no entendimento do passado, como o econômico, o social e o cultural
· História cultural: diálogo com a antropologia, interessada em diversos aspectos da mesma sociedade
· Vastas possibilidades de abordagens de temáticas, objetos e fontes
➔ A AMPLIAÇÃO DO UNIVERSO DOCUMENTAL
· A História Cultural, herdeira dos Annales e de outras tradições historiográficas, ao encetar mudanças na própria epistemologia de história acarretou uma ampliação do entendimento do que sejam fontes históricas. Estas passaram a ser entendidas como qualquer vestígio que, analisado a partir de quadros teórico-metodológicos bem determinados, poderia auxiliar na análise do passado
· Fontes deixaram de ser vistas como provas, como registros diretos do passado, e passaram a ser analisadas como forma de acessar uma perspectiva, uma visão, um posicionamento e uma esfera do passado
· Deixamos de lado a crítica documental no sentido de procurar a veracidade contida em determinadas fontes, ainda de acordo com práticas adotadas no século XIX
· Criação de acervos para catalogação e cuidados específicos para preservação da documentação
· Conhecimento de procedimentos e linguagem padrão da época em que a fonte foi produzida
· Análise de documentos de mesma natureza em série para o estabelecimento de quadros gerais
➔ UMA MULTIPLICIDADE DE DOCUMENTOS
· Qualquer tipo de vestígio do passado constitui-se como fonte histórica. No entanto, tais artefatos, independentemente de sua natureza, somente se tornam fontes a partir dos questionamentos realizados a eles pelos historiadores
· A partir de seu estudo, acompanhado, é claro, de bibliografias complementares sobre o tema, bem como de aparatos teórico-metodológicos que balizam o trabalho do historiador, torna-se possível a construção de conhecimento histórico sobre determinado momento no espaço/tempo
· Se tudo pode ser fonte histórica, o universo de pesquisa disponíveis ao historiador é imensurável
· Alguns "grupos": fontes tradicionais, não oficiais; imagens; artefatos materiais
➔ AS FONTES EM SALA DE AULA
· As fontes também podem e devem ser utilizadas pelos professores de história em sala de aula. Se nos anos iniciais do ensino fundamental essa prática já é possível, nos anos finais e no ensino médio o trabalho com as fontes é adensado e aprofundado
· A forma mais tradicional é a inserção das fontes no material didático
· Porém, não se encerra com a utilização do livro didático. Cabe ao professor, de acordo com o contexto e a etapa de ensino em questão, decidir pela utilização de outros tipos de documentação em sala
· Qualquer tema pode ser trabalhado a partir da utilização de documentos 
· Por muito tempo as fontes foram utilizadas em sala de aula com objetivo de comprovação ou ilustração
· Os debates atuais apontam para o papel do estudante no momento da compreensão e da interpretação das fontes
· O intuito não é formar historiadores mirins. O processo de mediação didática com as fontes deve servir para permitir o "confronto" de temporalidades e o entendimento de contextos históricos distintos, criar uma cultura de preservação das mais variadas fontes e dos lugares de memória, encetar a leitura de diversas representações sobre o passado e perceber que as fontes não são espelhos do passado, mas produções históricas localizadas no espaço e no tempo
AULA 02
➔ UM MUNDO DE SONS E IMAGENS
· Nosso cotidiano é dominado pela profusão de imagens, cores e sons
· Entre crianças e adolescentes, especialmente, o ver e o ouvir são sentidos que guiam a percepção de mundo e a construção de suas identidades
· O dia a dia de alunos do ensino fundamental e do ensino médio é permeado de linguagens audiovisuais, que podem ser ficcionais ou não
· Tal cenário foi intensificado desde o início do século XXI
· No entanto, já nos acompanha desde pelo menos os novecentos
· Como exemplo, pode-se pensar na criação das salas de cinema no Brasil e em sua popularização a partir, especialmente, de 1930
· É preciso refletir sobre a inserção da linguagem fílmica em sala de aula
· Apesar de não ser novidade, a prática se tornou cada vez mais comum a partir das transformações ocorridas em torno dos significados do que são "fontes históricas"
· O processo de ensino/aprendizagem deixou de estar focado apenas em materiais impressos e aulas teóricas e expositivas
➔ PROBLEMATIZANDO O “EFEITO DE REAL”
· Torna-se necessário questionar a percepção "errônea e tradicional" de que algumas produções fílmicas sejam reflexos fidedignos de determinado contexto
· Filmes vistos como "registros diretos de eventos e personagens históricas": filmes documentários e filmes com tramas históricas
· São entendidos como forma de acesso ao passado em razão do "efeito de realidade" resultado do trabalho com sons e imagens e de demais aparatos técnicos, como criação de cenários, caracterizações (acessórios, maquiagem e vestimentas), inserção de relatos e documentos etc.
· Tais linguagens não podem ser entendidas como prova do passado, como relatos certeiros do que aconteceu
· Essa percepção não impede que continuem a ser utilizadas pelos professores em sala de aula no processo de construção do conhecimento histórico
➔ A NOVA “HISTORIOGRAFIA” E A LINGUAGEM FICCIONAL
· Vários são os problemas encontrados em abordagens (acadêmicas e didáticas) que se ancoram em produções fílmicas
· Entendimento do filme como registro direto do real
· Percepção do filme como complemento do documento escrito, como acréscimo e/ou comparação
· Utilização do filme como ilustração ou comprovação
· Características como objetividade e autenticidade não são mais centrais para a definição da utilização ou não dos filmes em sala
· Filmes, assim como outras fontes, são utilizados na análise de diferentes posicionamentos, ideologias, representação, interesses, e não mais como "provas" do passado
· Há um esforço em entender que tipo de representação do passado é construído pelo filme selecionado
·É preciso entender quais motivações definiram a produção de determinado filme e que artefatos técnicos foram mobilizados nesse intuito
➔ FILMES EM SALA DE AULA: O ANTES
· A linguagem utilizada pelo cinema, independentemente do gênero, é diferente da normalmente utilizada pelo professor em sala de aula. É sensorial, visual, falada, musical e escrita
· Utilizar tais linguagens e sensações é uma forma de despertar o interesse do aluno; no entanto, metodologias específicas precisam ser observadas para que a exibição do vídeo não se torne apenas diversão
· São práticas não adequadas de utilização de filmes em sala: vídeo tapa-buraco; vídeo-enrolação; vídeo-deslumbramento; vídeo-perfeição; só-vídeo
· Constitui trabalho anterior à exibição evidenciar a natureza do documento e realizar a crítica e a contextualização deste
· Convém atentar-se para questões como autoria, datação, localização temporal e histórica
· Antes de exibir o filme, convidar os alunos a pensar nas seguintes questões: grupo de pessoas que o filme visa atingir, imagens construídas sobre determinado contexto histórico, temáticas evidenciadas, suportes técnicos utilizados e para quais fins
➔ FILMES EM SALA DE AULA: O DURANTE E O DEPOIS
· Há que se considerar quais são as práticas adequadas durante a exibição do filme e depois de seu término
· É necessário reproduzir o vídeo todo? Se sim, por quê? Serão reproduzidas apenas algumas cenas? Por que elas foram escolhidas? Tomar cuidado para que não sejam descontextualizadas do restante do filme
· Pensar nos cuidados básicos com as questões técnicas
Durante a exibição do filme
· Não solicitar ao aluno a confecção de atividades a serem entregues logo após a exibição
· Pode-se solicitar que registrem, em forma de tópicos, aspectos que julgaram interessantes e significativos
· Cabem nesse registro cenas específicas, diálogos, trilha sonora, efeitos utilizados, caracterizações, frases, figurinos etc.
Após a exibição do filme
· Convidar os alunos a apresentar suas primeiras impressões
· Fazer questionamentos que direcionem o olhar do aluno: qual ou quais histórias são contadas/representadas; quais os principais personagens (protagonistas e coadjuvantes) e suas principais características; a(s) sociedade(s) e ou grupos sociais representados; os valores/ ideais/práticas defendidos ou contestados
✸ Além de servir como mote de exploração de algum contexto em específico, o filme deve servir sempre para auxiliar o aluno no processo de leitura e interpretação de qualquer tipo de imagem, de qualquer produto audiovisual. A inclusão da linguagem fílmica em sala de aula é sempre uma boa pedida. A análise crítica, medida sempre pelas intervenções do professor, estimula o aluno em seu olhar crítico e interpretativo, tanto do passado como do presente
AULA 03
➔ A CANÇÃO EM SALA DE AULA
· Ótima pedida para a construção do conhecimento histórico
· Canção — linguagem que chama a atenção dos alunos
· Necessidade de aproveitar sua potencialidade
· Não serve como mera ilustração do conteúdo
· Canção — não é constituída "apenas" pela letra
· Significação reside também nos demais aspectos
· Elementos musicais (arranjo, melodia, ritmo,instrumentação)
· Elementos "de forma": interpretação, performance etc.
· Articulação entre letra e música na produção de sentido das canções
· Várias abordagens possíveis, sem que todos os elementos sejam analisados e articulados, obrigatoriamente
· Abordagem mais adequada à prática histórica é a que prima pelo:
· "Sentido sociocultural, ideológico e, portanto, histórico, intrínseco de uma canção é produto de um conjunto indissociável que reúne: palavra (letra); música (harmonia, melodia, ritmo); performance vocal e instrumental (intensidade, tessitura, efeitos, timbres predominantes); veículo técnico (fonograma, apresentação ao vivo, video clipe)" p. 271)
➔ OBJETIVOS PARA O USO DA CANÇÃO
· Qualquer conteúdo ou assunto pode ser trabalhado em sala de aula a partir da linguagem musical
· Para trabalhar um conteúdo em sua "totalidade" ou apenas "uma parcela" deste
· Com o objetivo de ser informação:
· Letras e demais elementos como informação sobre determinado contexto histórico
· Servir também para o objetivo de formação:
· Para além do conteúdo, possibilitar a evidenciação dos efeitos sociais da aprendizagem histórica, a formação da consciência histórica
· Como formação: transmissão da memória coletiva, capacidade de julgamento e comparação, análise de determinadas situações, instrumento de coesão social, combate ao pensamento simplista
➔ PRÁTICAS E METODOLOGIAS PARA UTILIZAÇÃO DA MÚSICA EM SALA
· Não existem regras a serem seguidas com exatidão
· Variáveis a serem consideradas no e etapa de ensino, conteúdo/temática, número de alunos
· Evitar a utilização da canção "apenas" como documento literário
· Analisar:
· O ritmo
· As simbologias
· As linguagens figurativas
➔ A ANÁLISE DA LETRA
· Esforço de contextualização do documento histórico junto aos alunos
· Identificar natureza e autoria da produção
· Informações tais como: título da canção, autor(es), intérpretes, ano da gravação etc.
· Perceber o sentido, as intenções da canção e a forma como esteve inserida na sociedade, no tempo e no espaço em que foi produzida
· Diagnosticar o que os alunos conhecem sobre a canção. Efetuar: leitura e interpretação da letra, questionamento sobre temática da composição e seu desenvolvimento, sistematização das informações
➔ RELACIONANDO MÚSICA E TEMA
· Explorar:
· Audição — repetir a música várias vezes, em diferentes momentos
· Explicação/ pesquisa sobre o gênero musica/ e a interpretação dos artistas
· Ritmos e interpretação dizem muito sobre o sentido das canções
✱ Relação dos elementos — letra, música,interpretação e história da canção - explorar questões como a censura, a repressão e a violência empreendida contra críticos do regime, resistência e suas diversas formas
AULA 04
➔ A UTILIZAÇÃO DE IMAGENS NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO HISTÓRICO
· Significativa presença da linguagem imagética nos materiais didáticos:
· Obras de arte clássicas
· Exemplares da cultura material
· Cartografia
· Fotografias
· Produções artísticas e culturais em geral
· Presença também comum no cotidiano escolar fora do livro didático — produções multimídias e por meio do acesso à internet
· Necessário refletir sobre os objetivos de sua utilização
· E também sobre as metodologias a serem adotadas
· Imagens: não devem servir apenas como ilustração ou para tornar o livro e a aula mais atrativos
· Tradicionalmente: recurso que auxilia os alunos "a ver" as cenas históricas, para concretizar noções abstratas de tempo histórico e auxiliar na memorização (Bittencourt, 2005, p. 75)
· História geral: influência francesa e inserção de reproduções do Museu do Louvre ou de ilustrações de franceses
· História do Brasil: reproduções de quadros históricos do século XIX (Ex: A primeira Missa no Brasil e 7 de setembro de 1822)
· Retratos acompanhados de biografias: história cronológica, factual e política
· Atualmente: vários outros fins justificam o trabalho com as imagens em sala de aula
➔ CARTOGRAFIA EM SALA DE AULA
· Presença comum de mapas em livros de aula e na sala de aula
· Utilização restrita a dois objetivos:
1. papel ilustrativo
2. utilização de projeções cartográficas atuais
· Exemplos de conteúdos/assuntos em que se utilizam projeções cartográficas: as rotas dos navegadores durante as Grandes Navegações; as origens dos negros escravizados na África ao longo dos séculos XVI e XIX e seus destinos quando chegavam no Brasil; a "partilha" e dominação da África por alguns reinos europeus e sua sanha imperialista
· Tal prática não é desaconselhada: possui intuitos importantes na apreensão do conhecimento histórico
· Refletir sobre a utilização de mapas e outras produções cartográficas confeccionados em períodos históricos específicos — utilização de imagem como fonte histórica
· Sua análise pode, por certo, auxiliar no entendimento de como o espaço era representado no contexto em questãoe quais eram as características que importavam naquele momento e por quê
· Entendimento de como o espaço era representado no contexto em questão, quais eram as características que importavam e por quê
➔ OS MAPAS PORTULANOS NO CONTEXTO DAS GRANDES NAVEGAÇÕES
· Importância deste tipo de produção cartográfica: grande profusão ao longo da primeira modernidade europeia
· Portulanos: instrumentos de navegação que serviam para localização nas rotas marítimas de comércio. Contavam com elementos essenciais, tais como as rosas dos ventos, as linhas de rumo e a representação dos portos e costas
· Utilizados para a navegação em distâncias curtas, especialmente nas viagens pelo mar Mediterrâneo ou por regiões costeiras do Atlântico
· A navegação oceânica requereu novas soluções (problemas de distorção da superfície do globo que era planificada)
· Passou a adotar, gradativamente e não sem dificuldades, o modelo de coordenadas, organizadas em linhas horizontais e verticais
· Questões a serem trabalhadas a partir da utilização desta linguagem imagética: o pioneirismo português; a política de sigilo no que tange à circulação desses materiais, a transformação nas formas de representar o globo, as mudanças no que diz respeito às formas de localização, os avanços no que tangue ao conhecimento da natureza e a forma como tal processo interferiu no desenvolvimento para as bases da Revolução Científica Moderna
➔ OS MAPA-MÚNDI DA PRIMEIRA MODERNIDADE E UMA NOVA CONFIGURAÇÃO DE GLOBO TERRESTRE
· Cartografia: resultado de produções culturais e sociais, as quais devem ser entendidas e analisadas a partir dos significados e interesses que tinham para a sociedade que os idealizou e confeccionou (Harley, 2005)
· Sobre os mapa-múndi da primeira modernidade:
· Não eram estritamente técnicos
· Mesmo assim, traçados pelas informações decorrentes das Grandes Navegações
· Precisão não era central: demonstrar, simbolicamente a configuração moderna do
· globo e declarar a posse dos territórios "descobertos"
· Produções cartográficas: não são "neutras" e nem sempre informam com exatidão sobre os espaços e sua localização — agendas econômicas e políticas e sobre padrões sociais e culturais
· Questões a serem trabalhadas a partir de sua utilização:
· Perguntar como o globo terrestre é representado no mapa em questão, indagando se o formato é o mesmo que conhecemos atualmente
· Questionar sobre o papel das Grandes Navegações para uma mudança na percepção de globo em relação ao que se conhecia pelos europeus na Idade Média
· Perguntar o que acreditam que os produtores do mapa desejaram representar e quais são os elementos centrais que julgam dar sentido para o mapa
· Questionar sobre as motivações para a produção daquele formato cartográfico e quais os grupos, sociedades que elas representam
➔ A REPRESENTAÇÃO DOS NATIVOS BRASILEIROS POR MEIO DE IMAGENS
· Objetivo de continuar discutindo propostas de construção de conhecimento histórico por meio da utilização da linguagem imagética. Em razão de uma possibilidade de continuação e complementação dos assuntos abordados, selecionou-se, novamente, uma imagem confeccionada na época moderna. Trata-se de uma gravura de Theodore de Bry sobre a prática da antropofagia entre os nativos do Novo Mundo
· Desenho não é resultado da experiência do ilustrador
· Interpretação realizada a partir da obra de Hans Staden — livro Duas Viagens ao Brasil
· Apresentar ao aluno o desenho e questioná- los sobre suas percepções
· Chama a atenção um viés violento, grotesco — imagem que os produtores da imagem queriam perpetuar
· Atentar que a percepção ilustrada poderia não condizer com a "realidade"
· Não significa que os europeus estavam completamente errados e que não desejavam representar fidedignamente os grupos indígenas com os quais estabeleceram contato
· Significa, porém, que suas crenças e valores os levarem a representar a prática em questão dessa maneira
· Representou-se o canibalismo, mas tratava-se da antropofagia, um ritual complexo e com diversos significados
· Processo de assimilação do desconhecido por meio de imagens já conhecidas (caso das nativas representadas como bruxas ou feiticeiras)
· Entender o porquê e como tais representações foram construídas
· Verificar se tais imagens e práticas ainda se encontram presentes em nossa sociedade, possibilita que nós, professores, possamos construir juntamente com os alunos noções relacionadas a:
· Formação de estereótipos
· Construção da alteridade 
· Respeito à diversidade cultural
AULA 05
➔ O JORNAL COMO FONTE HISTÓRICA
· Especialmente a partir da década de 1970, pode-se falar em discussões constantes sobre novos objetos, novos problemas e novas abordagens no fazer historiográfico. O alargamento do leque de temáticas significou ampliação do rol de documentos e vestígios do passado a serem utilizados como fontes
· Universidades brasileiras: existem programas de graduação e pós-graduação em História que trabalham esses pressupostos a partir de diferentes linhas de pesquisa ou grupos de estudo. Tem-se observado um grande esforço no sentido de mobilizar tais discussões e produção do conhecimento para a escola: transformação e renovação dos materiais didáticos e na quantidade significativa de congressos ou similares que reúnem profissionais para discutir o ensino de História
· Renovação da produção do conhecimento histórico em sala de aula
· Utilização de fontes históricas de diferentes naturezas
· Fontes mais plurais
· Evitar a exclusão de diferentes sujeitos sociais
· Evitar ensino pautado apenas nos fatos históricos tradicionais
· História e imprensa escrita: 1. História da imprensa e 2. História por meio da imprensa
· Abordagem 2: jornal como objeto e fonte para a pesquisa e ensino da História
· Atentar que a objetividade é um atributo do passado que nenhum vestígio do passado possui
· Análise integral e do conjunto, e não apenas de fragmentos
➔ OS JORNAIS E SUAS ESPECIFICIDADE
· Termo jornal: denominação ampla e que pode sofrer especificações. Em geral refere-se a uma publicação impressa. Uma série de utras caracterizações os especificam
· Periodicidade:
· Constante e definida (jornais tradicionais, oriundos da grande imprensa, com inserção de publicidade) versus irregular (jornais estudantis, de movimentos sociais, de associações — questões financeiras ou de liberdade de expressão)
· Impressão:
· Condições materiais (forma de edição, de impressão, número de páginas definidos ou não) auxiliam no entendimento da função social do jornal
· Riqueza do jornal como fonte histórica:
· Pluralidade de questões a serem abordadas a partir de diferentes perspectivas
➔ O JORNAL EM SALA DE AULA
· Possibilidade de temáticas:
· Mundo do trabalho
· Modos de vida e sociabilidades
· Experiências e práticas políticas
· Produção teatral, literária e cultural
· Urbanização e hábitos de consumo
· Gênero e infância
· Temáticas evidenciadas não para limitar a utilização do jornal a esses temas, mas para se perceber a riqueza de possibilidades de análise
· Não há metodologia única e geral
· Algumas questões a serem observadas:
· Seleção das fontes e acesso a elas
· Contextualização do documento (periodicidade, tipo de impressão, criação e tempo de circulação, organização da publicação, identificação dos fundadores e proprietários, contexto de criação, público-alvo)
➔ DESMISTIFICANDO A NEUTRALIDADE JORNALÍSTICA
· O jornal, assim como qualquer outra fonte histórica, não se constituiu como reflexo do passado nem mesmo do presente. Ele é uma produção sociocultural, originária de diferentes interesses, ideologias e objetivos
· Mais do que outras produções, é visto como neutro, objetivo, tendo como função informar sobre a "realidade"
· Motivos: poder da palavra escrita e lugar de fala do jornal
· Ainda serve como prova de verdade e argumento de autoridade
· Um jornal, ou qualquer outro meio de comunicação, pode ter compromissos éticos, morais, profissionais e técnicos e não ser parcial
· Parcialidade é impossível
· Diferença entre tomar partido, assumir determinadoposicionamento político, ideológico, religioso, social ou cultural e manipular informações e dados ou omitir dados e conteúdos sobre qualquer questão
· Ao se trabalhar com jornais de qualquer temporalidade, deve-se permitir que o aluno, antes de lançar mão de explicações sobre o assunto abordado, interprete o fragmento em questão e que explane sobre suas impressões iniciais
➔ UMA POSSIBILIDADE DE ANÁLISE
· Apresenta-se uma possibilidade de construção do conhecimento em sala de aula a partir da utilização de jornais.
AULA 06
➔ A HISTÓRIA E A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA
História e memória
· Significado da palavra memória:
· Faculdade de reter ideias, sensações, impressões adquiridas anteriormente. Efeito da faculdade de lembrar; lembrança. Recordação que a posteridade guarda: memória do passado
· Memória: recordação sobre o passado. Mas não é o próprio passado (não existe de forma a ser resgatado ou revelado)
· Existem versões e possibilidades para o passado - memórias
· Reconstroem o passado a partir de vários filtros — que envolvem, por exemplo, questões temporais e afetivas
· Memória individual: processo único construído por cada sujeito - não passa apenas pelo armazenamento de lembranças
· Cada pessoa, em razão de questões sociais, culturais, emocionais e cognitivas, organiza de forma diferenciada o conteúdo que irá se transformar em memória
· Depois de armazenada, não permanece a mesma. Lembranças se transformam ao longo da vida
➔ A MEMÓRIA COLETIVA
· Responsável pela determinação de identidades coletivas e da noção de pertencimento
· Identidade coletiva: constrói-se e reconstrói-se a partir do(s) ambiente(s) em que o sujeito histórico se encontra inserido e das relações que estabelece com esses ao longo de sua trajetória de vida
· Identidades não são fixas
· Crise de identidades: relativização de quadros socioculturais que garantiam estabilidade no que se diz respeito "a ser o que se é"
· Alguns elementos são essenciais nas definições, ainda que transitórias, da identidade cultural: idioma e suas variações socioculturais, gênero, etnia, crenças religiosas
· Um dos fatores que auxiliam na construção de identidades coletivas e do sentimento de pertença é o compartilhamento de memórias
· Memória coletiva: função integradora, de continuidade (pode ser requerida para a manutenção de estruturas de poder, ou mobilizada para fins de resistência, por exemplo)
· Processos de constituição da memória coletiva passam por diferentes instâncias. A constituição científica da memória coletiva, ou seja, as memórias construídas a partir de metodologias e teorias próprias fazem parte do trabalho do historiador, inclusive do professor pesquisador
· Memória coletiva não se cria naturalmente, não se forma apenas com desenrolar do tempo. Depende dos elementos e narrativas que para fazer parte dessa construção
➔ MEMÓRIA COLETIVA E O PATRIMÔNIO CULTURAL
· A Constituição Federal promulgada em 1988, em seu Artigo 216, define o Patrimônio Cultural como formas de expressão, modos de criar, fazer e viver. Também são assim reconhecidas as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras e objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico—culturais; e, ainda, os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico
· Bens patrimoniais de natureza material:
· Imóveis: como as cidades históricas, sítios arqueológicos e paisagísticos e bens individuais
· Móveis: tais como acervos museológicos, documentais, bibliográficos, arquivísticos, videográficos, fotográficos e cinematográficos e coleções arqueológicas
· Papel do professor de História: tentar criar entre os alunos uma cultura de valorização do patrimônio cultural; nesse sentido, visitas a lugares de memória são primordiais
· Alunos deverão ser instigados a perceber que tipo de memória, de prática e de crenças determinada construção visa preservar. Ao mesmo tempo, poderão perceber quais culturas, memórias e práticas podem eventualmente ter sido desvalorizadas e silenciadas
· O acréscimo das referências culturais ao conceito de patrimônio cultural representa também uma democratização e uma pluralização. Histórias, práticas, crenças e hábitos que, muitas vezes, não eram evidenciados pela antiga noção de patrimônio passaram a ser reconhecidos e valorizados
➔ MEMÓRIA COLETIVA E HISTÓRIA LOCAL
· Utilizar em sala de aula perspectivas relacionadas à história local é uma boa estratégia para se questionar com os alunos memórias coletivas já construídas e também para criar possibilidades de criação de outras
· Renovação e novas possibilidades: abordar a história das pessoas comuns, demonstrar que, de alguma forma, seus antepassados estiverem presentes na história — maneira de garantir visibilidade a grupos e perspectivas antes excluídas da História criar novas possibilidades de memórias coletivas
· Cuidados:
· Atentar que a realidade local não existe por ela mesma — relação com outros locais e processos históricos mais amplos
· Dar atenção à relação com a construção identidades — marcos de referências relacionais
· Possibilidades:
· Abordar a história local de modo que os estudantes se sintam inseridos na comunidade da qual fazem parte — atenção e sensibilidade para trabalhar com tal perspectiva pois muitas vezes os alunos não se sentem incluídos e representados pela história de sua localidade/bairro/cidade
· Ter o cuidado de se entender, juntamente com os estudantes, o processo de construção dessa história e encontrar caminhos e perspectivas mais representativas, que possibilitem aos alunos a reflexão em torno de suas historicidades e identidades
· Pensar a história local como uma ferramenta que possibilite a construção de uma escrita e de um ensino da História mais plural, que questione silenciamentos, que rompa com hegemonias e que possibilite a coexistência de diversas memórias e identidades
➔ MEMÓRIA COLETIVA, PATRIMÔNIO CULTURAL E HISTÓRIA LOCAL: ABORDAGENS POSSÍVEIS
· Encaminhamentos possíveis para a construção do conhecimento histórico em sala de aula utilizando tais abordagens 
· Independente do conteúdo a ser trabalhado, ou da etapa de ensino em questão, o patrimônio cultural e a história local podem ser mobilizados pelo professor
· Além dos assuntos condizentes com o conteúdo, podem ser discutidas questões transversais, como: entendimento do que significa patrimônio cultural; conscientização em torno da necessidade de valorização e preservação dos patrimônios de natureza material, tais como os bens culturais móveis (sítios de diferentes naturezas; edificações, bens culturais móveis em sua ampla diversidade); respeito às formas de expressão, de fazer, de criar e de viver
· Sugestão que tem como mote o patrimônio cultural de natureza material validade de visitas guiadas, mas lembrar a importância de análise realizada pelos próprios alunos
· Não há uma receita exata sobre como o encaminhamento deve ocorrer. As escolhas irão depender de questões como tempo e recursos disponíveis e conteúdo/assunto em questão
· Alunos como sujeitos da produção do conhecimento histórico
· Solicitar que elaborem:
· Um roteiro para a visita (no qual constem, além dos locais a serem visitados, as principais questões a serem observadas)
· Uma ficha de anotações (a qual possam levar até a visita para que realizem anotações)
· A atividade não deve ser dada como encerrada após a visita. Para que
· efetivamente ela se transforme em uma possibilidade de reflexão sobre a construção da memória coletiva, faz-se necessário que seja encerrada com questionamentos e com possíveis conclusões
· Devem ser levantados questionamentos sobre quais os grupos, os valores, as ideologias, os projetos foram representados por meio da construção em questão
· É importante questionar também o passado e qual memória foi representada naquele monumento com o ensejo de ser perpetuada
· Percepção de que nenhuma memória é um processo natural e que dá conta de explicitar todosos passados, todos os acontecimentos e todos os grupos: envolve diversas questões, entre as quais disputas de poder
· Percepção de silenciamentos
· Solicitar aos alunos que, com base nos conteúdos apreendidos e nas visitas realizadas, construam propostas de monumentos plurais, que representem um passado mais diverso e heterogêneo
· Objetivo central é que a construção do conhecimento histórico seja efetivada com diversas linguagens e que possibilite a formação de uma consciência histórica pautada na existência de diversas coletividades e noções de pertencimento

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