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Prof(a). Juliana Elir 1 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Das provas Direito Processual Civil Professora: Juliana Elir Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 2 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Sumário 1. Da teoria geral do direito probatório ............................................... 3 1.1. Dos destinatários das provas ........................................................... 3 1.1.1. O Juiz como destinatário direto da prova .........................................4 1.2. Da prova emprestada ..................................................................... 7 1.3. Do ônus da prova .......................................................................... 8 1.4 Do objeto da prova ....................................................................... 11 1.5 Dever de colaborar com o Poder Judiciário ........................................ 14 1.6. Demandas probatórias autônomas .................................................. 16 1.7. Meios de Prova ............................................................................ 19 2. Das provas em espécie .................................................................. 22 2.1 Da ata notarial ............................................................................. 23 2.2. Do depoimento pessoal ................................................................. 24 2.3. Da confissão ............................................................................... 27 2.4. Da exibição de documento ou coisa ................................................ 29 2.4.1. Da exibição de documento ou coisa contra a parte contrária ............ 30 2.4.2. Da exibição de documento ou coisa contra terceiro ......................... 31 2.5. Da prova documental ................................................................... 33 2.5.1. Da arguição de falsidade ............................................................ 38 2.5.2. Da produção da prova documental ............................................... 39 2.5.3. Dos documentos eletrônicos ....................................................... 40 2.6. Da prova testemunhal .................................................................. 42 2.6.1. Quem pode figurar como testemunha? ......................................... 43 2.6.2. Da produção da prova testemunhal .............................................. 46 2.7. Da prova pericial ......................................................................... 51 2.8. Da inspeção judicial ..................................................................... 56 3. Questões Comentadas ................................................................... 58 4. Lista de questões ........................................................................... 68 Das Provas Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 3 de 78 www.exponencialconcursos.com.br 5. Gabarito ......................................................................................... 77 6. Referencial Bibliográfico .............................................................. 738 Olá, querido (a) aluno (a)! Tudo bem contigo? Esperamos que você esteja bastante animado com a aula de hoje. Nosso é tema é muito interessante: DAS PROVAS (arts 369-484) . Vamos começar nossa aula com o conceito de prova. ☺ Segundo Câmara1 prova é todo elemento trazido ao processo para contribuir com a formação do convencimento do juiz a respeito da veracidade das alegações concernentes aos fatos da causa. Veja que interessante! O conceito de prova reúne duas acepções: a prova é elemento trazido ao processo (dado objetivo), que tem capacidade de contribuir para a formação do convencimento (dado subjetivo) do juiz. Assim, podemos afirmar que há uma ligação profunda entre a prova e o princípio constitucional do contraditório. É através da prova que as partes conseguem influenciar eficazmente o juiz. Nesse sentido, as partes têm direito de empregar todos os meios legais, bem como, os moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código de Processo Civil, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz (art. 369 do CPC). Seria o juiz o destinatário das provas? Em realidade a prova não se destina exclusivamente ao juiz. A prova tem como destinatários todos os sujeitos do processo. Nessa direção, é o enunciado nº 50 do FPPC – Fórum Permanente dos Processualistas Civis En. 50 do FPPC - Os destinatários da prova são aquelas que dela podem fazer uso, sejam juízes, partes ou demais interessados, não sendo a única função influir eficazmente na convicção do juiz. 1 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016,p.223. 1. Da teoria geral do direito probatório 1.1. Dos destinatários das provas Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 4 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Assim, pode-se afirmar que o juiz é o destinatário direto da prova, enquanto as partes e demais interessados são os destinatários indiretos. Não há maiores dúvidas quanto a posição do juiz como destinatário direto da prova, afinal a prova é produzida para ajudar ao juiz a formar o seu convencimento. A prova, porém, também é produzida para partes e eventuais interessados, seus destinatários indiretos. Para Câmara2, como destinatários indiretos, as partes e eventuais interessados também têm de se convencer, pela prova produzida, de que uma determinada decisão que tenha sido proferida deve ser considerada correta. Esse convencimento evita o manejo de recursos por mero inconformismo. Como destinatário direto da prova incumbe ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito (art. 370), bem como indeferir, em decisão fundamentada, as diligências requeridas pelas partes que forem consideradas inúteis ou protelatórias (parágrafo único). Caberá ao juiz apreciar a prova constante nos autos, independente do sujeito que a tiver promovido, e indicar na sua decisão, as razões da formação de seu convencimento (art. 371). Em outras palavras, caberá ao juiz, valorar a prova produzida nos autos. Os critérios ou sistemas de valoração da prova têm se modificado ao longo do desenvolvimento do Direito. A título de conhecimento, historicamente, temos o sistema ordálico, conhecido como juízo de Deus, determinando-se a culpa ou a inocência do acusado por meio da participação de elementos da natureza e cujo resultado é interpretado como um juízo divino. Tradicionalmente, tem se afirmado que o direito processual brasileiro conheceu três critérios para a valoração da prova: o da prova legal ou tarifada; o da íntima convicção do juízo e o do livre convencimento motivado ou persuasão racional. 2 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016. p.228. 1.1.1. O Juiz como destinatário direto da prova Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 5 de 78 www.exponencialconcursos.com.br O critério mais antigo utilizado pelo ordenamento jurídico brasileiro é o da prova legal, também conhecido como o critério da prova tarifada. Por esse critério, o juiz não tem qualquer liberdade na apreciação da prova, incumbindo à lei estabelecer o valor de cada prova a partir de um tabelamento. Esse critério, embora ultrapassado, deixou suas marcas no direito brasileiro. Excepcionalmente, ainda temos o critério da prova legal na legislação. É o caso, por exemplo, do contrato de depósito voluntário, que só admite prova por escrito (art. 646 do CC)3 e a prova testemunhal somente poderá ser produzida se houver começo de prova escrita, emanada da parte contra quem se pretende produzir a prova (art.444 do CPC/2015)4. O critério da prova legal foi substituído pelo da íntima convicção, por força da qual a apreciação da prova é uma atividade absolutamente livre realizada pelo juiz. Por meio desse critério, o juiz sequer precisaria fundamentar sua decisão em relação aos fatos. Felizmente, esse critério caiu em total desuso sem deixar qualquer vestígio na seara do direito brasileiro. Posteriormente, passou-se a adotar o critériodo livre convencimento ou da persuasão racional. Por esse critério de valoração da prova afirma-se que o juiz é livre para dar a cada prova o valor que entender adequado, desde que fundamente sua decisão. 3 Art.646. “O depósito voluntário provar-se-á por escrito”. 4Art.444. “Nos casos em que a lei exigir prova escrita da obrigação, é admissível a prova testemunhal quando houver começo de prova por escrito, emanado da parte contra a qual se pretende produzir a prova”. Dos critérios de valoração da prova Prova Legal Incumbe à lei estabelecer o valor de cada prova a parir de um tabelamento Íntima convicção A apreciação da prova é uma atividade absolutamente livre realizada pelo juiz. Livre convencimento motivado O juiz é livre para dar a cada prova o valor que entender adequado, desde que fundamente sua decisão. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 6 de 78 www.exponencialconcursos.com.br O livre convencimento é o critério adotado pelo Código de Processo Civil de 1973. De acordo com esse critério, o juiz é livre para dar a cada prova o valor que entender adequado, devendo fundamentar sua decisão5. Assim, o juiz teria o poder discricionário de, conforme os seus critérios pessoais, dizer quais provas são ou não capazes de formar o seu convencimento, fundamentando sua decisão. Na visão de CÂMARA6, esse critério, é a rigor, incompatível com o Estado Democrático de Direito, pois não se pode reconhecer ao juiz a possibilidade de, indiferentemente, escolher esta ou aquela prova como sendo capaz de formar o seu convencimento, ainda que isto depois seja fundamentado. Novidade! Por conta de tais motivos, afirma-se que o novo CPC superou o critério do livre convencimento motivado e institui o critério do convencimento motivado7. Com esse dado, nosso esquema ficará da seguinte maneira: Nessa direção, conjugando o estabelecido nos arts. 371 e 489, §1º, II e IV, pode-se afirmar que o CPC de 2015 impõe ao juiz um cuidado redobrado para apresentar efetivamente os elementos dos autos que levaram a um determinado posicionamento. Não há liberdade no ato do julgamento, há um dever de fundamentar a posição tomada, que deve ter como pauta de 5Art.371/CPC 1973. “O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento”. 6 CÂMARA. Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016. p.230. 7 WAMBIER. Teresa Arruda Alvim (et al). Coord. Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015. p.1001 Dos critérios de valoração da prova Prova Legal Incumbe à lei estabelecer o valor de cada prova a parir de um tabelamento Íntima convicção A apreciação da prova é uma atividade absolutamente livre realizada pelo juiz. Livre convencimento motivado O juiz é livre para dar a cada prova o valor que entender adequado, desde que fundamente sua decisão. Convencimento motivado Há um dever de fundamentar a posição tomada, que deve ter como pauta a persuasão racional das partes. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 7 de 78 www.exponencialconcursos.com.br conduta a preocupação em buscar convencer as partes acerca da correção do posicionamento judicial (persuasão racional das partes). Essa mudança na normatização do ato de julgar pode ser considerada revolucionária porque a decisão não é propriamente imposta, mas disposta a convencer. Vejamos, por fim, o teor dos referidos artigos: Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento. Art.489. §1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: II-empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; IV-não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Como destinatário direto da prova, o juiz poderá ainda admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. Esse tipo de prova é a chamada “prova emprestada”, cuja admissão era alvo de bastante polêmica antes da entrada em vigor no novo CPC. Fundamentada no princípio da economia processual, pelo qual se pretende buscar a máxima efetividade do direito material com o mínimo de emprego das atividades processuais, a prova emprestada pode ser definida como aquela produzida em um processo, para nele gerar efeitos, e depois transportada documentalmente a outro processo, em que também visa a gerar efeitos, desde que observado o contraditório. Novidade! A possibilidade de utilização da prova emprestada encontra previsão no art. 372 do CPC. Confira-se: Art.372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. 1.2. Da prova emprestada Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 8 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Na visão de CÂMARA8, além de ter sido garantido no processo originário, o contraditório, com maior razão, também deve ser oportunizado no processo em que a prova será reutilizada. Nessa direção, o contraditório assegura às partes não só o direito de se manifestar sobre a prova produzida, mas também – e principalmente – o direito de participar da própria produção de prova. Assim, somente é possível admitir-se prova emprestada contra aqueles que tenha participado do processo no qual ela tenha sido originariamente produzida9. Destaca-se, porém, que a necessidade de que as exatas mesmas partes tenham participado do processo do qual se tenha retirado as provas, algumas vezes, cede lugar à exigência de que apenas uma delas tenha participado de tal processo. Ou seja, faz-se necessária apenas a participação da parte que será prejudicada com a prova emprestada10. Questão muito importante acerca do direito probatório refere-se ao estudo do ônus da prova. Vamos lá: Art.373. O ônus da prova incumbe: I- ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II- ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. §1º. Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionada à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. 8 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016. p.238. 9 Nessa direção, cita-se o enunciado nº52 do FPPC: “Para a utilização da prova emprestada, faz-se necessária a observância do contraditório no processo de origem, assim como no processo de destino, considerando-se que, neste último, a prova mantenha a sua natureza originária”. 10Nesse mesmo sentido confira-se STJ, Corte Especial, EREsp 617.428/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, j.04.06.2014. DJe 17.06.2014. 1.3. Do ônus da prova Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 9 de 78 www.exponencialconcursos.com.br §2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parteseja impossível ou excessivamente difícil. §3ºA distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I- recair sobre direito indisponível da parte; II- tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. §4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Analisemos mais detidamente o estabelecido no referido artigo. Em primeiro lugar, o que seria ônus da prova? Ônus, para fins do direito processual civil, revela-se uma conduta imperativa, imposta a uma das partes, para que se realize um interesse próprio. É, dessa maneira, um “imperativo do próprio interesse”11. Na seara do direito probatório, pode-se dizer que cada uma das partes tem o ônus de alegar os fatos que lhes são favoráveis. Esse seria um aspecto subjetivo do ônus em direito probatório. O ônus da prova incumbe a quem tenha feito a alegação (caput, incisos I e II). Assim, se no momento de proferir a decisão de mérito o juiz verifica que alguma alegação não está suficientemente provada, deve proferir decisão contrária a quem a tenha feito. Essa é a regra, que institui a distribuição ope legis (legal) do ônus da prova. Como regra (norma jurídica), tem que ser prévia e estática. Em outras palavras: não pode ser modificada diante das peculiaridades da causa. Há, porém, casos excepcionais em que a lei não atribui o ônus da prova a quem faz a alegação, mas à parte adversária (art.12,§3º, do CDC e art. 1597, II do CC, por exemplo). Nesses casos, teremos a inversão do ônus da prova determinada pela própria lei. Há ainda hipóteses em que se admite que a inversão do ônus da prova se realize por decisão judicial (inversão ope iudicis do ônus probatório). Essa possibilidade já era regulada pelo art.6º, VIII, do Código de Defesa do 11Expressão consagrada pela doutrina de GOLDSCHIMDT, James. Derecho Procesal Civil. Leonardo Prieto Castro (trad). Barcelona: Labor, 1936, p.203, apud CASTRO MENDES e LOURENÇO. Aluisio Gonçalves de; Haroldo. A teoria geral da prova no Código de Processo Civil de 2015. Revista de Processo. Vol.263. ano 42, p.55-75. São Paulo: Ed.RT, jan.2017. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 10 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Consumidor. E, atualmente, foi melhor desenvolvida, pelo novo Código de Processo Civil. Dessa forma, os §§ 1º e 2º do art. 373, do CPC, que trazem para o ordenamento brasileiro a teoria argentina da distribuição dinâmica do ônus da prova (carga dinamica de la prueba), vieram complementar o que já tinha previsão no Código de Defesa do Consumidor. Assim, com o advento do novo Código, que adotou o modelo cooperativo de processo, nosso ordenamento jurídico abraçou explicitamente a possibilidade da redistribuição do ônus da prova por decisão judicial (ope iudicis), a ser feita sempre que o encargo recai sobre parte que não teria condições de produzir a prova (por ser impossível ou excessivamente difícil obtê-la). É preciso ressaltar que só se poderá admitir a redistribuição do ônus da prova se o encargo for, pela decisão judicial, atribuído a quem tenha condições de dele desincumbir-se, não se podendo, com a redistribuição do ônus da prova, gerar uma situação em que a desincumbência de tal encargo seja impossível ou excessivamente difícil (art. 373, §2º). É possível ainda que as partes celebrem negócio jurídico processual destinado a modificar a distribuição do ônus da prova (art. 373,§§ 3º e 4º). Esse negócio pode ser celebrado antes ou durante o curso do processo. Nessa direção, é lícito que as partes convencionem amplamente o modo de distribuição dos encargos probatórios. Haverá limitação, no entanto, se o negócio recair sobre o direito indisponível da parte (art. 373, §3º, I) ou quando tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício de seu direito (art.373,§3º, II). Atenção!!! Para encerrar esse tópico, seguem duas observações finais de extrema importância. A primeira refere-se ao momento adequado para a redistribuição do ônus da prova. Alvo de enorme celeuma, essa questão atualmente encontra-se pacificada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça12. Assim, decidiu- se que momento adequado para redistribuição do ônus da prova é anterior ao de prolação da sentença, devendo ser realizado na fase de saneamento do processo, a fim de permitir à parte, a quem não incumbia inicialmente o encargo, a reabertura da oportunidade para apresentação de provas. 12 STJ, 2ª Turma, AgRg no REsp 1.450.473/SC, rel. Min. Mauro Campbell Marques, j.23.09.2014. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 11 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Esse posicionamento foi consagrado pelo CPC, que estabelece no art. 357, III, que a redistribuição do ônus da prova deverá ser realizada na fase de saneamento do processo. Vale lembrar que proferida a decisão, as partes têm cinco dias para requerer esclarecimentos e ajustes, e uma vez decorrido esse prazo a decisão se torna estável (art. 357,§1º, do CPC), só podendo ser revisada por meio de agravo de instrumento (art. 1.015,XI, do CPC). Chegamos a nossa segunda observação, que versa exatamente sobre a possibilidade de recurso da decisão que redistribui o ônus da prova. Como adiantamos, essa decisão é recorrível por agravo de instrumento (art.1015, XI, do CPC). Por outro lado, a decisão que não modifica a distribuição, ou seja, que mantem a regra, é irrecorrível. Logo, se for o caso de impugná-la, a parte poderá fazê-lo na ocasião da apelação ou das contrarrazões (art.1009, §1º do CPC). O tema já foi abordado em concurso: 1. (Analista Judiciário – Judiciária – CESPE – STJ – 2018) Acerca do procedimento comum, julgue o item que se segue. Por ser matéria de ordem pública, a distribuição diversa do ônus da prova não é possível por convenção das partes. Resolução: O item é FALSO, de acordo com o art. 373, §3º do CPC. F Tudo certo? Vamos prosseguir! A prova tem por objeto demostrar a veracidade de alegações sobre fatos que sejam controvertidas e relevantes. Dessa forma, o objeto da prova não é o fato, mas a alegação. Demonstra-se que uma alegação feita no processo é verdadeira. 1.4 Do objeto da prova Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 12 de 78 www.exponencialconcursos.com.br A alegação que constitui objeto da prova deve ser alegação de um fato. Em regra, alegações sobre direito não são objeto de atividade probatória. Há, porém, uma exceção, que se encontra no art. 376 do CPC. Vejamos: Art. 376. A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar. Assim, a parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário terá que fazer prova de sua vigência, caso o juiz assim determine. Direito consuetudinário é o direito fundado em costumes. A prova dos costumes pode ser feita por qualquer meio admissível. Pode-se pensar, por exemplo, de documentos que tenham sido registrados tais costumes, ou o depoimento de testemunhas que os descrevam. Também se admite a produção de provas sobre teor e vigência do direito estrangeiro. Essa prova pode ser feita com a juntada aos autos de uma publicação (traduzida, se necessário) do texto legal, através de certidão obtida junto à embaixada do país no Brasil, ou por meio da juntada de obras de doutrina ou de pareceres de advogados do Estado cujo direito se pretenda demonstrar. Pode-se determinar também a produção de prova do teor e da vigência da lei de outro Estado ou outro Município (nunca do próprio Estado ou do próprio Município em que o juizexerce suas funções). Essa prova também se faz pela juntada de publicação do texto normativo ou por certidão do órgão legislativo (Assembleia Legislativa ou Câmara Municipal) local. Pois bem. Feitas essas ressalvas, o objeto da prova é limitado às alegações sobre fatos. Tais alegações devem ser relevantes e controvertidas. Por fim, há fatos que não dependem de prova. Vejamos, nessa direção, o teor do art. 374: Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I - notórios; II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III - admitidos no processo como incontroversos; IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. Assim, se os fatos forem notórios, ou seja, de conhecimento geral, eles não serão objeto de prova. Também não serão objeto de prova os fatos Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 13 de 78 www.exponencialconcursos.com.br incontroversos (incisos II e III, do art. 374). Por fim, não serão objeto do prova as alegações feitas a respeito de fato sobre os quais incida presunção legal de existência ou de veracidade, como é o caso das alegações feitas pelo autor em processo cujo réu tenha permanecido revel (art. 344). Vamos a uma questão sobre o que foi estudado até aqui: 2. (Analista Legislativo - Processo Legislativo – FCC – ALESE – 2018) Quanto às provas, a legislação competente sobre a matéria estabelece: a) Se não forem notórios, dependem de prova os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária. b) As únicas provas que se admitem nos processos judiciais são as previstas expressamente em lei. c) Não pode ser admitida a prova produzida em outro processo por ferir o contraditório e a ampla defesa. d) O ônus da prova é sempre o estabelecido na lei processual, não se podendo convencioná-lo de outro modo por acordo das partes. e) Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo em decisão fundamentada as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Resolução: Nos termos do CPC/15: a) INCORRETA Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I - notórios; II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária (...) Não dependem de prova Fatos notórios Afirmados por uma parte e confessados pela contrária Admitidos no processo como incontroversos Em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 14 de 78 www.exponencialconcursos.com.br b) INCORRETA Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. c) INCORRETA Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. d) INCORRETA Art. 373. § 3º. A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. e) CORRETA Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. E De acordo com o art. 378, “ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o descobrimento da verdade”. Esse dever é de incumbência das partes e também do terceiro. Nessa direção, vamos ver o disposto nos arts. 379 e 380, através dos esquemas abaixo: 1.5 Dever de colaborar com o Poder Judiciário Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 15 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Dispõe o art. 380 que o terceiro tem a obrigação de colaborar com o juízo, prestando informações sobre os fatos de que tenha conhecimento e exibindo itens que estejam em seu poder. Essa regra já existia no art. 341, do CPC de 1973. Novidade!!! A regra inédita encontra-se no parágrafo único do art. 380, que prevê a cominação de sanção ao terceiro que não cumprir esse dever, como multa, sem prejuízo da condução coercitiva. Incumbe à parte comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for interrogado; colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; praticar o ato que lhe for determinado. preservado o direito de não produzir prova contra si própria Incumbe ao terceiro informar ao juiz os fatos e as circunstâncias de que tenha conhecimento; exibir coisa ou documento que esteja em seu poder. em relação a qualquer causa Poderá o juiz, em caso de descumprimento, determinar, além da imposição de multa, outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub- rogatórias. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 16 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Antes de passarmos à análise das provas em espécie, precisamos tratar de uma novidade trazida pelo novo CPC. Novidade!!! Nos arts. 381 a 383, a legislação processual prevê quatro demandas que tem por objetivo a colheita antecipada de provas. São as chamadas demandas probatórias autônomas, quais sejam: 1) a cautelar de asseguração de prova; 2) a de descoberta (discovery ou disclosure) da prova; 3) a de arrolamento de bens; 4) a de justificação. A primeira modalidade de demanda probatória autônoma é a demanda cautelar de asseguração de prova (art.381, I), cabível quando haja fundando receio de que venha a se tornar impossível ou muito difícil a constatação de certos fatos na pendência do processo. Em tal hipótese se verifica a existência de risco de que, em razão da demora necessária para que se chegue ao momento em que normalmente se daria, no processo de conhecimento, a produção de uma prova, não seja mais possível a sua colheita. Exemplo clássico é o caso da testemunha gravemente doente que pode vir a falecer antes do momento da audiência de instrução e julgamento. A segunda modalidade refere-se às demandas de descoberta de provas (art. 381, II e III). Inspiradas no instituto inglês conhecido por discovery ou disclosure, tais demandas tem os seguintes objetivos: 1) produzir provas para viabilizar a autocomposição ou outro meio mais adequado de Demandas probatórias autônomas de asseguração de prova de descoberta de prova de arrolamento de bens de justificação Cautelar... 1.6. Demandas probatórias autônomas Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 17 de 78 www.exponencialconcursos.com.br solução do conflito; 2) viabilizar o prévio conhecimento dos fatos para justifica ou evitar o ajuizamento da ação. Assim, as demandas de descobertas de provas podem evitar a instauração de processos que, com bom senso, poderiam ser evitados. O arrolamento de bens é a terceira modalidade de demanda probatória autônoma. Segundo CÂMARA13, essa medida pode se apresentar de duas maneiras diferentes: pode haver interesse tão somente em se listar bens que não são conhecidos, por exemplo, na hipótese de expectativa de divórcio e na qual um dos consortes desconheça a integralidade do patrimônio comum do casal. No entanto, pode haver também o risco de que os bens a serem arrolados sejam dissipados ou extraviados. Nesse caso, a medida de arrolamento de bens não se limitará a elaboração de uma lista de bens, mas também acarretará sua apreensão. Nessa hipótese, o arrolamento tem natureza cautelar. Apenas no caso de simples arrolamento,sem apreensão, é o que o procedimento tem natureza de demanda probatória autônoma (art. 381, §1º). Finalmente, a última demanda probatória é a de justificação. Tal demanda é a via processual adequada para aquele que pretende, em juízo, demonstrar, através da prova testemunhal, a existência de um fato ou de uma relação jurídica (como a união estável, por exemplo), para simples documento e sem caráter contencioso (art. 381, §5º). As demandas probatórias autônomas são de competência do foro onde a prova deve ser colhida ou do foro do domicílio do réu (art. 381, §2º), ambos concorrentemente competentes. Atenção!!! É importante ressaltar que o juízo perante o qual se processa uma demanda probatória autônoma não fica vinculado a eventual demanda proposta no futuro (art. 381, §3º). Conforme se depreende do teor do art. 382, o requerente apresentará na petição inicial as razões que justificam a necessidade de colheita imediata da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair. Se a medida tiver caráter contencioso, o juiz determinará a citação de interessados na colheita da prova ou no fato a ser provado. Uma vez citados, os interessados poderão requerer a colheita, no mesmo processo, de qualquer outra prova, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se sua colheita conjunta acarretar demora excessiva. Vale lembrar ainda que o procedimento de demandas probatórias autônomas, em regra, não admite defesa ou recurso. Excepcionalmente, 13 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016. p.240. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 18 de 78 www.exponencialconcursos.com.br poderá haver recurso (apelação) contra a decisão que indefere totalmente a colheita de provas que o demandante pretendia produzir. Colhida a prova, o juiz proferira uma sentença meramente formal, declarando que a prova fora colhida. Uma vez prolatada a sentença, os autos permanecerão em cartório durante um mês, para que todos interessados possam obter cópias e certidões. Ao final desse prazo, os autos serão entregues ao demandante. Para finalizar esse tópico, vamos conferir o disposto nos arts. 382 e 383: Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair. § 1o. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso. § 2o. O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas. § 3o. Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora. § 4o. Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. Art. 383. Os autos permanecerão em cartório durante 1 (um) mês para extração de cópias e certidões pelos interessados. Parágrafo único. Findo o prazo, os autos serão entregues ao promovente da medida. Que tal uma questão sobre o tema? 3. (Titular de Serviços de Notas e de Registros – Provimento – CONSULPLAN – TJ/MG – 2016) No que tange à produção antecipada de prova, julgue as seguintes afirmações: I. Na petição, o requerente apresentará as razões que justifiquem a necessidade de antecipação da prova e mencionará, com precisão, os fatos sobre os quais a prova haverá de recair. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 19 de 78 www.exponencialconcursos.com.br II. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso; todavia, o juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas. III. Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora. IV. Neste procedimento, será admitida defesa ou recurso contra decisão que indeferir total ou parcialmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) II, III e IV, apenas. c) II e IV, apenas. d) I, II, III e IV. Resolução: Vamos analisar as assertivas conforme disposições do CPC/15: I – CORRETA – art. 382. II – CORRETA – art. 382, §§ 1º e 2º. III - CORRETA – art. 382, § 3º. IV – INCORRETA – art. 382, § 4º. Art. 382. § 4º. Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. A Meios de prova são os mecanismos através dos quais a prova é levada para o processo. Alguns deles são expressamente previstos em lei (como a prova testemunhal ou a documental, por exemplo) e, por isso, são chamados de provas típicas (ou meios típicos de prova). Além desses, porém, admite-se a produção de meios de prova que não estão previstos expressamente, são as chamadas provas atípicas. Como vimos no início de nossa aula, o art. 369 do CPC estabelece que as partes têm o direito de empresar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados no CPC, para provar a 1.7. Meios de Prova Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 20 de 78 www.exponencialconcursos.com.br verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Assim, desde que sejam moralmente legítimas, podem ser admitidas no processo civil tanto as provas típicas como as atípicas. A expressão prova atípica pode designar dois diferentes fenômenos: a) o meio atípico de prova; b) a forma atípica de produzir um meio típico de prova. Meio atípico de prova é o meio de prova que não está previsto expressamente em lei. Também é admissível que se produza uma prova de forma atípica um meio de prova que é típico, ou seja, que encontra previsão legal. Por exemplo, segundo a legislação brasileira, a prova testemunhal é colhida através do depoimento oral da testemunha em juízo (art.453). Pois nada impede que em algum processo as partes tragam aos autos declarações escritas firmadas por testemunhas, em que estas expõem o que sabem sobre os fatos da causa. Enfim, típica ou atípica, a prova somente será admitida se for lícita. É que, em razão do disposto no art.5º, LVI, da Constituição da República, “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”. Assim, por exemplo, confissões obtidas mediante tortura, correspondência obtida mediante invasão de caixas de correio eletrônico, gravações clandestinas de conversas, entre outras, são inadmissíveis no processo em razão da ilicitude de sua obtenção. Para finalizarmos essa parte, antes de passarmos ao estudo das provas em espécie, vamos ver uma questão para revisarmos o conteúdo estudado: 4. (Defensor Público – FCC – DPE/AM – 2018) Considere as assertivas abaixo: I. A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. II. A inversão judicial do ônus da prova é prevista no CPC/2015 como critério de julgamento e, portanto, deve ser aplicada quando da sentença, desde que cientificadas anteriormente as partes. III. Às partes é vedada a prévia convenção de regras de ônus da prova por meio de negócios jurídicosprocessuais celebrados anteriormente à formação do processo. IV. Os princípios da persuasão racional e da comunhão da prova estão previstos expressamente no atual Código de Processo Civil. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 21 de 78 www.exponencialconcursos.com.br V. É mantida como regra geral o ônus da prova do autor aos fatos constitutivos de seu direito, ao passo que ao réu incumbe a prova dos fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito do autor. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, IV e V. b) IV e V. c) II, III e IV. d) I e II. e) III e V. Resolução: De acordo com o CPC/15, estão corretas as alternativas I, IV e V, que reproduzem os artigos do código. Vejamos os artigos correspondentes e também os erros das demais alternativas: I – CORRETA – Art. 381, § 3º. II – INCORRETA – Considero este o item que devemos ter mais atenção. Vamos lá: Art. 373. § 1º. Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Pelo teor do artigo acima, podemos perceber que caso a inversão do ônus da prova seja determinada apenas na sentença, não haverá possibilidade de manifestação das partes. Para aprofundar o conhecimento: Informativo 492, STJ: “INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. REGRA DE INSTRUÇÃO. A Seção, por maioria, decidiu que a inversão do ônus da prova de que trata o art. 6º, VIII, do CDC é regra de instrução, devendo a decisão judicial que determiná-la ser proferida preferencialmente na fase de saneamento do processo ou, pelo menos, assegurar à parte a quem não incumbia inicialmente o encargo a reabertura de oportunidade para manifestar- se nos autos. EREsp 422.778-SP, Rel. originário Min. João Otávio de Noronha, Rel. para o acórdão Min. Maria Isabel Gallotti (art. 52, IV, b, do RISTJ), julgados em 29/2/2012”. III - INCORRETA – Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 22 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Art. 373. § 3º. A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º. A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o processo. IV – CORRETA – Art. 371. Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido (princípio da comunhão da prova), e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento (princípio da persuasão racional). V - CORRETA – Art. 373. A Chegamos à segunda parte de nossa aula. Veremos a seguir os meios típicos de provas regulados pelo CPC/15. É importante destacar que tais meios são subdivididos em diversas espécies de provas, quais sejam, documentais, orais e técnicas. Segundo CÂMARA14, provas documentais são os registros gravados de fatos. Nessa categoria se encontram a prova documental stricto sensu (aqui incluída a prova produzida através de documento eletrônico) e a ata notarial. Prova oral é a que se produz através de um depoimento falado. Pertencem a essa categoria o depoimento pessoal e a prova testemunhal. Provas técnicas são os meios de prova que são produzidos através da análise que alguém faz de um objeto ou pessoa, valendo-se de seu conhecimento especializado. Nessa categoria se encontram a prova pericial e a inspeção judicial. A confissão é meio de prova que pode manifestar-se como prova oral ou como prova documental, conforme o modo como tenha sido produzida. 14 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016, p.237. 2. Das provas em espécie Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 23 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Prevista no art. 384 do CPC, a ata notarial é um instrumento público lavrado por tabelião de notas, que atesta ou documenta a existência e o modo de existir de algum fato, mediante requerimento do interessado, podendo ser utilizado com prova documental. Confira-se: Art. 384. A existência e o modo de existir de algum fato podem ser atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por tabelião. Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial. São exemplos de fatos que podem ser comprovados através da ata notarial: 1) documentação de conteúdo de e-mail, com informações de quem envia e recebe; IP do computador, data e horário do envio; 2) documentação de discussões e situações ocorridas no âmbito de reuniões societárias ou assembleias de condomínio; 3) documentação do fato de um pai ou de uma mãe não comparecer para visitar seu filho ou filha nos dias de visita regulamentada; 4) documentação do barulho feito por um vizinho que sempre promove festas; 5) documentação da entrega de chaves de um imóvel locado; 6) documentação de uma marca que esteja sendo indevidamente utilizada pro determinada empresa em seu site oficial. A ata notarial pode consistir na mera descrição, pelo notário, do que afirma ter presenciado, descrevendo a existência e o modo de ser do fato. Mas é também possível que dela constem dados representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos. (art.384, parágrafo único). Do ponto de vista processual, a ata notarial deve ser tratada como um documento público, a ela se aplicando todo o regime da prova documental que incide sobre os documentos públicos em geral, especialmente os arts. 405, 427 e 434 a 437 do CPC. Vamos treinar? 5. (Defensor Público – CESPE – DPE/PE – 2018) Não havendo processo anterior que trate da situação, a demonstração de que determinado fato ocorreu em rede social acessível pela Internet poderá ser realizada com a juntada aos autos a) de declaração pessoal do autor. 2.1 Da ata notarial Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 24 de 78 www.exponencialconcursos.com.br b) de prova emprestada. c) do computador. d) da prova pericial. e) de ata notarial. Resolução: Preste atenção ao enunciado da questão. Mesmo que você não saiba a princípio a resposta, vá eliminando as alternativas. A questão fala que não há processo anterior. Ou seja, não cabe prova emprestada. Não há que se falar em perícia de fato acessível, a não ser que a questão falasse em algo que indicasse essa necessidade. Não se esqueça de se ater ao enunciado. Uma declaração pessoal não faria prova necessária. Art. 384. A existência e o modo de existir de algum fato podem ser atestados ou documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por tabelião. Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em arquivos eletrônicos poderão constar da ata notarial. E O depoimento pessoal consiste no testemunho da própria parte em juízo. Trata-se de meio de prova que tem dupla finalidade: esclarecer o juiz sobre os fatos da causa e provocar a confissão. Cuidado!!! O depoimento pessoal de uma parte pode ser requerido pela parte contrária ou determinado de ofício pelo juiz (art. 385). Não pode, pois, a parte requerer ao juiz a tomada de seu próprio depoimento. Tudo que a parte queira declarar ao juiz deverá fazê-lo através de suas petições, subscritas por seu advogado.Nessa direção, confira-se o disposto no art. 385 do CPC: Art. 385. Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de que esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder do juiz de ordená-lo de ofício. § 1o Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confesso, não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, o juiz aplicar-lhe-á a pena. 2.2. Do depoimento pessoal Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 25 de 78 www.exponencialconcursos.com.br § 2o É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte. § 3o O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento. O depoimento pessoal da parte é tomado na audiência de instrução e julgamento. Caso o depoente resida em local diverso daquele em que tramita o processo, seu depoimento será tomado por carta (precatória ou rogatória), salvo se houver equipamentos que permitam ao próprio juiz da causa, por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, colher o depoimento, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento (art. 385,§3º). É importante destacar que a parte cujo depoimento será colhido deverá ser intimada pessoalmente para comparecer a audiência de instrução e julgamento, devendo ser expressamente advertida de que sua ausência implicará a incidência da chamada “pena de confesso”. Assim, caso a parte, regularmente intimada, injustificadamente não comparece (ou compareça mas se recuse a depor), o juiz, ao valorar a prova, considerará que o silêncio da parte equivale à confissão dos fatos sobre aos quais ela iria depor, devendo valorar este comportamento ensejador da confissão ficta no conjunto geral da prova e, ao decidir o mérito, manifestar-se expressamente sobre a avaliação que faça dessa sanção imposta ao ausente. Atenção!!! O depoimento pessoal, como já foi dito, é prestado na audiência de instrução e julgamento, devendo-se, em regra, colher primeiro o depoimento do autor e depois do réu (art. 361,II). No momento de colher os depoimentos pessoais, deverá o juiz cuidar para que aquele que ainda não tenha prestado o seu depoimento não assista aos depoimentos anteriores (art.385, §2º) Incumbe à parte que presta depoimento pessoal responder pessoalmente às perguntas que lhes sejam feitas, não podendo servir-se de escritos anteriormente preparados (art.387). É admitida, porém, a consulta a notas breves, apenas para complementar esclarecimentos (art.387, in fine). Se a parte deixar de responder ao que lhe foi perguntado, sem motivo justificado, ou se apresentar evasivas, caberá ao juiz, apreciando as demais Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 26 de 78 www.exponencialconcursos.com.br circunstâncias e os outros elementos de prova existentes, declarar, na sentença, se houve recusa de depor (art.386), caso em que incidirá a “pena de confesso”. A lei processual é expressa, porém, em estabelecer, no art. 388, que a parte não é obrigada a depor sobre fatos criminosos ou torpes que lhe tenham sido imputados; a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo; acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; ou que coloquem em perigo a vido do depoente ou das pessoas de sua família há pouco referidas (art.388). Cuidado!!! Essa regra não se aplica nos processos que versem sobre Direito de Família e nas assim chamadas “ações de estado” (art.388, parágrafo único). Agora que você já estudou esse assunto, facilmente acertará a questão abaixo: 6. (Defensor Público – Reaplicação – FCC – DPE/AM – 2018) Considere as assertivas abaixo. I. O depoimento pessoal da parte não pode ser determinado de ofício pelo juiz. II. Em ações de estado e de família, a parte não é obrigada a prestar depoimento sobre fatos, ainda que venham a resultar em desonra própria. III. Haverá confissão ficta quando a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confesso, não comparece em juízo. IV. É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte. A parte não é obrigada a depor sobre Fatos CRIMINOSOS ou TORPES que lhe tenham sido imputados; A cujo respeito, por estado ou profissão, deva GUARDAR SIGILO; Acerca dos quais não possa responder sem DESONRA própria, de seu conjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; Que coloquem em PERIGO a vida do depoente ou das pessoas de sua família há pouco referidas Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 27 de 78 www.exponencialconcursos.com.br V. A parte não tem legitimidade para requerer o seu próprio depoimento pessoal. Em consonância com as disposições do Código de Processo Civil, está correto o que se afirma APENAS em a) II e IV. b) II, III e V. c) I, II e V. d) III, IV e V. e) I, III e IV. Resolução: Vamos às alternativas de acordo com o CPC/15. I – INCORRETA – pode ser determinado de ofício o depoimento pessoal da parte. Art. 385 e 139, VIII. II - INCORRETA – Art. 388, p. único. Não se aplica às ações de estado e de família. III – CORRETA – Art. 386, § 1º. IV - CORRETA – Art. 385, § 2º. V - CORRETA – Art. 385. A parte pode requerer o depoimento pessoal da outra parte. D Confissão é a admissão, por uma das partes, da veracidade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. Vejamos o teor do art. 389: Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário. A confissão pode ser judicial ou extrajudicial, e só pode versar sobre fatos relativos a direitos disponíveis (art. 392), sendo expressamente reputada ineficaz a confissão feita por quem não é capaz de dispor do direito a que se referiam os fatos admitidos como verdadeiros. A confissão judicial pode ser espontânea ou provocada (art. 390). 2.3. Da confissão Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 28 de 78 www.exponencialconcursos.com.br A confissão espontânea pode ser feita pessoalmente ou pela parte ou por seu representante com poderes especiais (art.390, §1º). A confissão feita por representante, porém, só é eficaz nos limites em que este possa vincular seu representado (art.390, §2º). Já a confissão provocada é aquela que se obtém no depoimento pessoal da parte, devendo constar do termo do depoimento (art.390, §2º). A confissão extrajudicial pode ser escrita ou oral. Só é eficaz, no entanto, a confissão extrajudicial feita oralmente nos casos em que a lei não exija prova literal do fato (art. 394). Estabelece o art. 391 que a confissão “faz prova contra o confidente”. Não se pode, apesar disso, considerar que a confissão seja uma prova plena, incontestável, a que o juiz se vincule de maneira absoluta. O art. 391 dispõe ainda que a confissão feita por uma parte não prejudica os litisconsortes. Versando a causa sobre bens imóveis ou algum direito real sobre imóvel alheio, a confissão feita por um dos cônjuges ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o regime de bens do casamento for o da separação absoluta de bens (art.391, parágrafo único).A confissão é irrevogável (art.393). Isso significa que aquele que confessa não pode depois simplesmente arrepender-se de ter confessado. É admissível, porém, sua anulação por vício de consentimento (erro de fato ou coação), nos termos do art. 393, parte final. Atenção!!! A anulação da confissão depende do ajuizamento de demanda autônoma, a qual só pode ser proposta pelo próprio confitente, só transmitindo a seus sucessores se ele falecer após o ajuizamento da demanda (art.393, parágrafo único). A confissão também é indivisível. Isso significa que a parte que desejar invoca-la a seu favor não pode aceita-la no tópico em que a beneficia e rejeitá-la no que lhe é desfavorável (art.395). A confissão será cindida, porém, “quando o confitente a ela aduzir fatos novos, capazes de constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção” (art. 395, in fine). Trata-se, aqui, da hipótese em que uma das partes confessa um fato e à sua confissão acrescenta a expressa afirmação de algum outro fato que pode servir de fundamento em seu favor. Vamos ver como o tema já foi abordado em concurso? Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 29 de 78 www.exponencialconcursos.com.br 7. (Procurador do Estado – FCC – PGE/AP – 2018) A confissão a) judicial faz prova contra o confitente, podendo beneficiar ou prejudicar o litisconsorte. b) se espontânea, só pode ser feita pela própria parte. c) é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser invocar como prova aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável, porém cindir-se-á quando o confitente a ela aduzir fatos novos, capazes de constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção. d) de um cônjuge ou companheiro, nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis alheios, não valerá sem a do outro. e) a confissão é irrevogável, mas pode ser tornada ineficaz se decorreu de erro, de fato ou de direito, dolo ou coação. Resolução: Vamos às alternativas, de acordo com o CPC/15: a) INCORRETA Art. 391. A confissão judicial faz prova contra o confitente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes. b) INCORRETA Art. 390. A confissão judicial pode ser espontânea ou provocada. § 1º. A confissão espontânea pode ser feita pela própria parte ou por representante com poder especial. c) CORRETA – Art. 395. d) INCORRETA Art. 391. Parágrafo único. Nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge ou companheiro não valerá sem a do outro, salvo se o regime de casamento for o de separação absoluta de bens. e) INCORRETA Art. 393. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação. C 2.4. Da exibição de documento ou coisa Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 30 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Pode acontecer de uma das partes precisar, no curso do processo, que seja exibido um documento ou uma coisa que se pretende usar como fonte de prova. Assim, de acordo com o disposto no art. 396 do CPC, o juiz poderá ordenar a parte que exiba documento ou coisa que se encontre em seu poder. Essa ordem é emitida no bojo de um incidente processual destinado a promover a almejada exibição. Esse incidente pode ser provocado por qualquer das partes, que pode dirigir o pedido de exibição em face da parte adversária ou do terceiro que tenha consigo a coisa ou o documento a ser exibido. O procedimento assume diferentes contornos conforme o pedido seja dirigido contra a outra parte ou contra o terceiro. Vejamos. Se a exibição for postulada contra a parte contrária, o requerimento deverá conter a inviduação, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa; a finalidade da prova, com indicação dos fatos que se relacionam com o documento ou coisa cuja exibição se pretende; e as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou a coisa existe e se encontra em poder da parte contrária (art.397). O requerido será, então, intimado (e não citado, já que não se trata de um processo autônomo, mas de mero incidente processual) para oferecer resposta no prazo de cinco dias (art.398). Caso o requerido afirme, em sua resposta, que não tem consigo o documento ou a coisa, o juiz permitirá que o requerente produza prova de que a declaração não corresponde à verdade. Qualquer meio legítimo de prova será admitido (art.398, parágrafo único). 2.4.1. Da exibição de documento ou coisa contra a parte contrária Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 31 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Não pode o requerido eximir-se de apresentar o documento ou a coisa que tenha consigo se existir obrigação legal de exibir; se o requerido tiver, no processo, feito alusão ao documento ou à coisa com o intuito de constituir prova; ou se o documento, por seu conteúdo, for comum às partes (art.399). Ao decidir o incidente, o juiz deverá admitir como verdadeiros os fatos que através do documento ou da coisa o requerente pretendia provar, sempre que o requerido não efetuar a exibição nem fizer qualquer declaração no prazo do art. 398; ou se a recusa em exibir for legítima (art.400). Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub- rogatórias para que o documento seja exibido (art. 400, parágrafo único). Caso o documento ou a coisa esteja em poder de terceiro estranho ao processo, deverá a parte interessada na exibição formular seu requerimento nos termos do art. 397. O terceiro será, então, citado. Nessa direção, o requerimento de exibição de documento ou coisa dirigido a terceiro provoca, então, uma intervenção forçada de terceiro. Citado o requerido, terá ele o prazo de quinze dias para oferecer resposta (art.401). Caso o requerido negue a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará uma audiência especial, tomando- lhe o depoimento, bem como as demais partes do processo e, se necessário, ouvirá testemunhas. Em seguida, será proferida a decisão (art.402). Exibição contra parte contrária Intimação do requerido Resposta no prazo de 5 dias "O documento ou a coisa não está comigo" O requerente poderá produzir prova de que a declação não corresponde à verdade 2.4.2. Da exibição de documento ou coisa contra terceiro Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 32 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Se o requerido, sem justo motivo, se recusar a exibir a coisa ou o documento, o juiz determinará a expedição de mandado de apreensão, que será cumprido por oficial de justiça, se necessário com auxílio da força policial. Além disso, o requerido responderá por crime de desobediência, devendo ainda o juiz valer-se de outras medidas que se revelem adequadas, como a imposição de multa, para a efetivação da decisão (art.403, parágrafo único). Seja a parte, seja terceiro, somente é legítima a escusa de exibir, em juízo, o documento ou a coisa, nas hipóteses do art. 404 do CPC. Vejamos: Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa se: I - concernente a negócios da própria vida da família; II - sua apresentação puder violar dever de honra; III - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal; IV - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, devam guardar segredo; V - subsistiremoutros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, justifiquem a recusa da exibição; VI - houver disposição legal que justifique a recusa da exibição. Documento ou coisa em poder de terceiro 1. Requerimento nos termos do art. 397 2. Citação do terceiro 3. Citado, o terceiro terá 15 dias para responder 4. Audiência especial, em caso de negativa da orbrigação. 5. Na audiência, poderá ocorrer a tomada depoimentos e 6 ... a oitiva de testemunhas 7.Por fim, o juiz proferirá decisão Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 33 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput disserem respeito a apenas uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a outra em cartório, para dela ser extraída cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado auto circunstanciado. 8. (Procurador – FAU - Prefeitura de Piraquara/PR – 2016) Sobre a Exibição de Documento ou Coisa, considere as seguintes afirmativas: I - A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa se sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal. II - Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá decisão. III - Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá decisão. a) Nenhuma das afirmativas está correta. b) Todas as afirmativas estão corretas. c) Estão corretas as afirmativas I e II. d) Estão corretas as afirmativas I e III. e) Estão corretas as afirmativas II e III. Resolução: Pelo que estudamos até aqui, você já deve saber que todas as alternativas estão CORRETAS. Vamos aos artigos correspondentes do CPC/15: I – Art. 404. II e III – Art. 402. B 2.5. Da prova documental Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 34 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Entende-se por documento toda atestação, escrita ou por qualquer outro modo gravada, de um fato. Assim, são os documentos os escritos, as fotografias, os vídeos, os fonogramas, entre outros suportes capazes de conter a atestação de um fato qualquer. Documentos podem ser públicos e privados. São públicos aqueles produzidos por um agente público, como um escrivão, chefe de secretaria ou outro servidor público, ou, ainda, por um tabelião. Por outro lado, são considerados documentos privados todos os demais documentos. Uma observação importante: o documento público feito por oficial público incompetente ou que não observe as formalidades legais, tendo sido subscrito pelas partes, equivale, para efeitos probatórios, a um documento particular (art.407). O documento público faz prova do modo como foi formado (art.405). CÂMARA15 nos fornece um exemplo bem corriqueiro: pense na hipótese de um tabelião declarar, em uma escritura pública, que determinada pessoa estava presente no momento de sua lavratura. Isso fica provado pelo documento. Em um documento particular, as declarações que dele constem, desde que o instrumento esteja assinado, se presumem verdadeiras em relação ao signatário (art.408). Trata-se, evidentemente, de presunção relativa, iuris tantum, que pode ser afastada por prova em contrário. Caso o documento particular contenha apenas a declaração de ciência de um determinado fato, considera-se provada a ciência, mas não o fato em si, cabendo ao interessado o ônus da prova de que o fato realmente ocorreu (art.408, parágrafo único). Havendo dúvida sobre a data do documento particular, ou sendo tal data impugnada por algum interessado, poderá ela ser demonstrada por qualquer meio de prova (art.409). Em relação a terceiro, considera-se datado o documento no dia em que foi registrado, desde a morte de algum dos signatários, a partir da impossibilidade física que tenha sobrevindo a qualquer dos signatários de assiná-lo, da sua apresentação em repartição pública ou em juízo, ou de qualquer ato ou fato que estabeleça, de modo certo, a anterioridade de sua formação (art.409, parágrafo único). 15 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 35 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Atenção!!! Reputa-se autor do documento particular aquele que o assinou, tendo sido o instrumento feito por ele ou por outrem à sua conta, ou aquele que, tendo mandado fazê-lo, não o assinou por tratar-se de documento que não se costuma assinar, como é o caso de livros empresariais ou assentos domésticos. O documento particular se considera autêntico quando a assinatura do seu autor tiver sido reconhecida por tabelião (reconhecimento de firma), nos termos do art. 411, I. Mesmo sem ter havido o reconhecimento de firma, porém, é possível reputar autêntico o documento particular. Basta que a autoria esteja identificada por qualquer outro meio legal de certificação, inclusive eletrônico (art.411, II) ou se não houver impugnação de sua autoria pela parte contra quem o documento tenha sido produzido no processo (art.411, III). Demonstrada a autenticidade do documento particular, faz ele prova de que seu autor fez a declaração que lhe é atribuída (art.412). O documento particular trazido ao processo e admitido (expresso ou tacitamente) pela parte é indivisível. Não se admite, portanto, que a parte que dele pretende se valer aceite os atos que lhe são favoráveis e recuse os que lhes são contrários, salvo se produzir a prova de que tais fatos desfavoráveis não ocorreram (art.412, parágrafo único). Segundo o teor do art. 413, os meios de transmissão de informação têm a mesma força probante que os documentos particulares. Confira-se: Art. 413. O telegrama, o radiograma ou qualquer outro meio de transmissão tem a mesma força probatória do documento particular se o original constante da estação expedidora tiver sido assinado pelo remetente. Parágrafo único. A firma do remetente poderá ser reconhecida pelo tabelião, declarando-se essa circunstância no original depositado na estação expedidora. O Código também estabelece que o telegrama ou o radiograma presume- se conforme com o original, provando as datas de sua expedição e de seu recebimento pelo destinatário. Cartas e registros domésticos (como bilhetes deixados por uma pessoa a outra que com ela resida) provam contra quem os escreveu quando enunciam o recebimento de um crédito, contém a anotação que visa suprir a falta de título em favor de quem é apontado como credor ou expressam Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 36 de 78 www.exponencialconcursos.com.br conhecimento de fatos para os quais não se exija meio determinado de prova (art.415). Segue-se ainda que a anotação escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de obrigação, ainda que não assinada, faz prova em benefício do devedor (art.416). Esta regra se aplica tanto para o documento que o credor conserve consigo quanto para aquele que se acha em poder do devedor ou de terceiro (art. 416, parágrafo único). Quanto a força probatória dos livros empresárias, o CPC destaca o seguinte: Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia,demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. Por fim, estabelece o art. 419 do CPC que a escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. Pode o juiz, a requerimento da parte (nunca de ofício!) determinar a exibição integral dos livros empresariais e dos documentos do arquivo na liquidação de sociedade na sucessão mortis causa de um dos sócios e em outros determinados por lei. Confira-se, nessa direção o teor do art. 420: Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros empresariais e dos documentos do arquivo: I - na liquidação de sociedade; II - na sucessão por morte de sócio; III - quando e como determinar a lei. Por outro lado, o juiz pode, de ofício, determinar à parte a exibição parcial de livros e documentos, deles se extraindo um resumo do que interessa à causa, assim como as reproduções autenticadas (art.421). As reproduções mecânicas, como a fotográfica ou a reprográfica, têm aptidão para fazer prova dos fatos e coisas representadas, se sua conformidade com o documento original não for impugnada por aquele contra quem tenha sido produzida (art.422). Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 37 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Fotografias digitais ou extraídas da internet fazem prova das imagens que reproduzem, devendo – se houver impugnação – ser apresentada a respectiva autenticação eletrônica. Não sendo isto possível, será realizada perícia (art.422,§1º). Igual raciocinou se aplica à forma impressa de mensagem eletrônica (art. 422, §3º). Se se tratar de fotografia publicada em jornal ou revista, será exigido um exemplar original do periódico, caso impugnada a veracidade pela outra parte (art.422,§2º). Atenção!!! A cópia do documento particular tem o mesmo valor probante que o original, cabendo ao escrivão, após intimadas as partes, proceder à conferência e certificar a conformidade entre a cópia e o original (art. 424). O art. 425 elenca seis espécies de documentos cujas cópias tem o mesmo valor probante que o original. Confira-se o seguinte esquema acerca do conteúdo do referido artigo: É importante ressaltar que as reproduções digitalizadas de qualquer documento público ou particular, quando juntadas aos autos pelos órgãos da justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pela Defensoria Pública e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições Fazem a mesma prova que os originais As certidões textuais de qualquer peça dos autos, do protocolo das audiências ou de outro livro a cargo do escrivão ou de outro livro a cargo do escrivão ou do chefe de secretaria, se extraída por ele ou sob sua vigilância e por ele subscritas. Os translados e as certidões extraídas por oficial público de instrumento ou documentos lançados em suas notas. As reproduções de documentos públicos, desde que autenticadas por oficial público ou conferidas em cartório com os respectivos originais. As cópias reprográficas de peças do próprio processo judicial declaradas autênticas pelo advogado, sob sua responsabilidade pessoal, se nao lhes for impugnada a autenticidade. Os extratos digitais de bancos de dados públicos e privados, desde que atestado pelo seu emitente, sob as penas da lei, que as informações conferem com o que consta na origem. As reproduções digitalizadas de qualquer documento público ou particular, quando juntadas aos autos pelos órgaos da justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pela Defensoria Pública e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições públicas em geral e por advogados, ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteraçao. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 38 de 78 www.exponencialconcursos.com.br públicas em geral e por advogados, ressalvada a alegação motivada e fundamental de adulteração, deverão ser preservados pelo seu detentor até o final do prazo para a propositura da ação rescisória (art.425,§1º). Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou de documento relevante à instrução do processo, o juiz poderá determinar seu depósito em cartório ou secretaria (art.425,§2º). O juiz deverá se manifestar, de maneira fundamentada, sobre a fé que deve merecer documento que, em ponto substancial e sem qualquer ressalva, contenha entrelinha, emenda, borrão ou cancelamento (art. 426). Cessa a força probante do documento, seja ele público ou particular se for judicialmente declarada a falsidade (art. 427). Essa pode consistir em formar documento que não é verdadeiro ou em alterar documento verdadeiro (art. 427, parágrafo único). Por sua vez, a força probante de documento particular também cessa quando for impugnada sua autenticidade e enquanto não se comprovar sua veracidade, ou quando, tendo sido assinado em branco, seu conteúdo tenha sido impugnado sob a alegação de que houve preenchimento abusivo (art. 428). É considerado abusivo o preenchimento quando aquele que recebeu documento assinado com texto não escrito no todo ou em parte o formar, ou completa-lo, por si ou por meio de outrem, violando o pacto feito com o signatário (art. 428, parágrafo único). Cuidado!!! Quando se alegar a falsidade de documento ou seu preenchimento abusivo, o ônus da prova da falsidade é daquele que arguir o vício (art. 429, I). No caso de se impugnar a autenticidade do documento, o ônus da prova é daquele que produziu o documento (art. 429,II). A falsidade de determinado documento pode ser tanto objeto de demanda autônoma (art. 19,II), como suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de 15 (quinze) dias, contado a partir da intimação da juntada do documento nos autos (art. 430) Nesse segundo caso, uma vez arguida, a falsidade será resolvida como questão incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a decida como questão principal, nos termos do inciso II do art. 19. 2.5.1. Da arguição de falsidade Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 39 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Ao arguir a falsidade, incumbirá à parte expor os motivos em que se funda sua alegação, indicando os meios com que pretende provar que as suas assertivas são verdadeiras (art.431). Depois de ouvir a parte contrária (no prazo de quinze dias), o juiz determinará a realização de exame pericial, salvo se a parte que produziu o documento como prova concordar com a sua retirada dos autos (art. 432, caput e parágrafo único). Como regra geral, os documentos que as partes pretendam trazer ao processo devem ser juntados com a petição inicial ou com a contestação (art. 434). Atenção!!! Consistindo o documento em reprodução cinematográfica ou fonográfica, a parte deverá apresentar o documento com a inicial ou com a contestação, mas sua exposição se fará em audiência, para a qual as partes serão previamente intimadas (art.434, parágrafo único). A juntada posterior de documentos, no curso do processo, é admitida quando se trate de documento novo, se destinados a produzir prova de fatos supervenientes ou para que sejam contrapostos aos documentos produzidos pela parte contrária nos autos (art. 435). Também se admite a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após essesatos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de junta-los anteriormente, e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com a boa-fé objetiva (art.435, parágrafo único). Juntados aos autos um documento, poderá a parte contrária, ao ser intimada para falar sobre ele, assumir as seguintes condutas, segundo o art. 436: 1) impugnar a admissibilidade da prova documental; 2) impugnar a autenticidade; 3) suscitar sua falsidade, com ou sem deflagração do incidente de arguição de falsidade; 4) manifestar sobre o seu conteúdo. Nas hipóteses elencadas nos números 2 e 3, a impugnação deverá basear-se em argumentação específica, não se admitindo alegação genérica de falsidade. 2.5.2. Da produção da prova documental Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 40 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Sobre os documentos acostados pelo autor a sua petição inicial deverá o réu manifestar-se na contestação. Acerca dos documentos que acompanhem a contestação, deverá o autor pronunciar-se na réplica (art. 437). Atenção!!! Sobre documentos juntados supervenientemente, a outra parte será ouvida no prazo de quinze dias (art. 437, parágrafo único). Esse prazo para manifestação sobre documentos, porém, poderá ser dilatado pelo juiz, a requerimento da parte interessada, devendo o magistrado levar em consideração a quantidade e a complexidade da documentação (art. 437,§2º). Por fim, é preciso ressaltar que incumbe ao juiz, de ofício ou a requerimento, requisitar às repartições públicas, em qualquer tempo e grau de jurisdição, as certidões necessárias à prova da veracidade das alegações das partes, e os procedimentos administrativos nas causas em que for interessada a União, Estado, Distrito Federal, Município ou alguma entidade da administração direta (art. 458), Recebidos os autos do procedimento administrativo, o juiz mandará extrair, no prazo máximo e improrrogável de um mês, certidões ou reproduções fotográficas das peças que indicar e das que forem indicadas pelas partes, devolvendo-se, em seguida, os autos à repartição de origem (art. 438, §1º). Podem as repartições públicas fornecer toda a documentação requisitada em meio eletrônico, certificando, pelo mesmo meio, que se trata de extrato fiel do que consta em seu banco de dados ou no documento que tenha sido digitalizado (art. 438,§2º). Segundo o art. 439 do CPC, os documentos eletrônicos somente serão admitidos no processo físico (chamado pelo legislador de “convencional”), se for convertido a forma impressa, devendo ser verificada sua autenticidade. Caso o documento eletrônico não seja convertido à forma impressa, porém, o juiz apreciará o seu valor probante, assegurado às partes o acesso ao seu teor (art.440). Serão admitidos como fontes de prova os documentos eletrônicos que tenham sido produzidos e conservados nos termos da legislação específica (art.441). É o caso, por exemplo, dos títulos de crédito eletrônicos. Atualmente, como regra geral, os documentos eletrônicos deverão ser produzidos observando-se o disposto na Medida Provisória nº 2.220-2/2001, que instituiu a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP-Brasil, a qual 2.5.3. Dos documentos eletrônicos Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 41 de 78 www.exponencialconcursos.com.br se destina a assegurar a autenticidade, a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica, das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais, bem como a realização de transações eletrônicas seguras. Temos certeza de que você irá acertar a questão a seguir sobre prova documental: 9. (Juiz do Trabalho Substituto – FCC – TST – 2017) Com relação à prova documental, a legislação processual civil sobre a matéria estabelece: a) Quando intimada para se manifestar sobre documento constante dos autos, poderá a parte impugná-lo como meio de prova, o que significa alegar sua falsidade. b) Nos casos em que a lei exigir documento público como da substância do ato, se a prova legal existir validamente, o juiz poderá admitir outros meios de prova, em atenção ao princípio do livre convencimento motivado. c) Quando o documento particular contiver declaração de ciência de determinado fato, incumbirá ao signatário o ônus de provar a veracidade ou não do fato contido no documento. d) Caso haja arguição de falsidade de documento juntado com a inicial, independentemente de pedido de declaração de falsidade incidental, será feito o exame pericial pertinente, ainda que o autor concorde em retirar o documento dos autos, no prazo de réplica. e) Incumbe ao réu instruir a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações e, a critério do juiz, após expressa justificativa do motivo de impedimento de apresentação anterior, avaliar a possibilidade de juntada de documentos em momento posterior. Resolução: Vamos a cada uma das alternativas, conforme disposições do CPC/15. Não se esqueça de ler atentamente e ir eliminando uma a uma até encontrar a resposta correta. a) INCORRETA - nem sempre será alegada a falsidade. Art. 436. A parte, intimada a falar sobre documento constante dos autos, poderá: I - impugnar a admissibilidade da prova documental; II - impugnar sua autenticidade; Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 42 de 78 www.exponencialconcursos.com.br III - suscitar sua falsidade, com ou sem deflagração do incidente de arguição de falsidade; IV - manifestar-se sobre seu conteúdo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, a impugnação deverá basear-se em argumentação específica, não se admitindo alegação genérica de falsidade. b) INCORRETA Art. 406. Quando a lei exigir instrumento público como da substância do ato, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a falta. c) INCORRETA Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumem-se verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de prová-lo ao interessado em sua veracidade. d) INCORRETA Art. 432. Parágrafo único. Não se procederá ao exame pericial se a parte que produziu o documento concordar em retirá-lo. e) CORRETA – Art. 435. E Segundo Câmara16, testemunha é o terceiro, estranho ao processo, que depõe em juízo narrando o que sabe sobre os fatos da causa. Em regra, a testemunha depõe em juízo sobre o que presenciou. Contudo, a testemunha pode presenciar o que não vê, mas apenas ouve, como, por exemplo, os gritos provenientes da casa do vizinho. A prova testemunhal é cabível em qualquer procedimento, salvo se a lei dispor de maneira diversa (art.442). No entanto, a inquirição de testemunhas deverá ser indeferida se versar sobre os fatos que já estejam provados por documentos ou por confissão 16 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo Processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016, p.253. 2.6. Da prova testemunhal Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 43 de 78 www.exponencialconcursos.com.br (art.443,I), ou que só por documento ou por perícia puderem ser comprovados (art.443,II). Nessa direção, a prova testemunhal não pode substituir a prova pericial. Atenção!!! Nos casos em que a lei exigir prova escrita da obrigação, é admissível a prova testemunhal quando houver começo de prova por escrito, emanado da parte contra a qualse pretende produzir a prova (art.444). Também se admite a prova testemunhal quando o credor não pode ou não podia, moral ou materialmente, obter a prova escrita da obrigação, em casos como o de parentesco, de depósito necessário ou de hospedagem em hotel ou em razão das práticas comerciais do local onde contraída a obrigação (art.445). Finalmente, de acordo com o teor do art. 446, é sempre possível demonstrar por meio de prova testemunhal, nos contratos simulados, a divergência entre a vontade real e a vontade aparentemente declarada, e, nos, contratos em geral, os vícios de consentimento. Quem pode figurar como testemunha no processo? Nem todas as pessoas podem. Em primeiro lugar, somente a pessoa natural é que pode ostentar essa condição. A pessoa jurídica, por razões obvias, não se presta a ser testemunha. Para que a pessoa natural figure como testemunha no processo, é necessário ainda que ela tenha perfeita condição de presenciar fatos e de expô- los claramente, além de apresenta-los em juízo de forma imparcial e desinteressada. Para assegurar essas condições, a lei cria hipóteses de incapacidade, de impedimento e de suspeição da testemunha, quando então não será admissível seu depoimento em juízo. O juiz indefirirá a inquirição de testemunha sobre fatos Já provados por documento ou confissão da parte Que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados 2.6.1. Quem pode figurar como testemunha? Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 44 de 78 www.exponencialconcursos.com.br A incapacidade da testemunha deriva de um vício objetivo, que a impede de presenciar adequadamente fatos ou de retratá-los de maneira compreensível ou correta. De acordo com o estabelecido no art. 447, §1º, são pessoas incapazes e, portanto, proibidas de prestar testemunho: I-o interdito por enfermidade ou deficiência mental; II-o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as percepcções; III- o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; IV-o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhe faltam. O impedimento e a suspeição da testemunha, ao contrário da incapacidade, derivam de causas que comprometem a fidelidade do depoimento, por se considerar que a testemunha não tem condições de ser imparcial na declaração que presta em juízo. Nos termos do art. 447,§2º, são impedidos de depor: “I-o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado de pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; II-o que é parte na causa; São pessoas proibidas de prestar testemunho O interdito por efermidade ou deficiência mental O acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou ao tempo em que devia depor, nao estava habilitado a transmitir as percepções O que tiver menos que 16 anos O cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 45 de 78 www.exponencialconcursos.com.br III-o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes”. Por outro lado, são qualificados como suspeitos, de acordo com o §3º do art.447: I-o inimigo ou amigo íntimo da parte; II-o que tiver interesse no litígio. Atenção!!! As pessoas incapazes, com exceção dos menores, não poderão depor em hipótese alguma. Já os menores, impedidos e os suspeitos, podem prestar depoimento, quando ele for estritamente necessário, na condição de informantes, sem, todavia, prestar compromisso em dizer a verdade (art.447,§4º). A testemunha, a semelhança do que acontece em relação ao depoimento da parte ou à exibição de coisa ou documento, não é obrigada a depor sobre fatos: a) que lhe acarretem, ou ao seu cônjuge, companheiro e parentes consanguíneos ou afins, em linha reta ou na colateral até terceiro grau, grave dano; b) resguardados por sigilo (art.448). Por fim, ainda quanto a pessoa da testemunha, é preciso registrar que algumas pessoas se sujeitam a regras próprias. É o que ocorre, por exemplo, com os servidores públicos e militares, que quando for necessário colher o seu depoimento, devem ser requisitados junto a seus superiores, e não intimados a comparecer em juízo (art.455, §4º,III). Da mesma forma, as pessoas enumeradas no art.454 têm o direito de indicar o local e a data em que pretendem prestar o depoimento, não se sujeitando, em regra, a comparecer à audiência para colheita de prova testemunhal. Vejamos o teor do referido artigo: Art. 454. São inquiridos em sua residência ou onde exercem sua função: I - o presidente e o vice-presidente da República; II - os ministros de Estado; III - os ministros do Supremo Tribunal Federal, os conselheiros do Conselho Nacional de Justiça e os ministros do Superior Tribunal de Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 46 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Justiça, do Superior Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal de Contas da União; IV - o procurador-geral da República e os conselheiros do Conselho Nacional do Ministério Público; V - o advogado-geral da União, o procurador-geral do Estado, o procurador-geral do Município, o defensor público-geral federal e o defensor público-geral do Estado; VI - os senadores e os deputados federais; VII - os governadores dos Estados e do Distrito Federal; VIII - o prefeito; IX - os deputados estaduais e distritais; X - os desembargadores dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Eleitorais e os conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal; XI - o procurador-geral de justiça; XII - o embaixador de país que, por lei ou tratado, concede idêntica prerrogativa a agente diplomático do Brasil. § 1o O juiz solicitará à autoridade que indique dia, hora e local a fim de ser inquirida, remetendo-lhe cópia da petição inicial ou da defesa oferecida pela parte que a arrolou como testemunha. § 2o Passado 1 (um) mês sem manifestação da autoridade, o juiz designará dia, hora e local para o depoimento, preferencialmente na sede do juízo. § 3o O juiz também designará dia, hora e local para o depoimento, quando a autoridade não comparecer, injustificadamente, à sessão agendada para a colheita de seu testemunho no dia, hora e local por ela mesma indicados. O juiz da causa, se for arrolado como testemunha, pode também se recusar a depor, se concluir a incumbência, declarando-se impedido para prosseguir no feito – que passará a seu substituto legal, sendo que, nesse caso, a parte não poderá desistir da colheita desse depoimento (art.452). Os arts. 450 a 463 do CPC dispõem sobre o modo como é produzida a prova testemunhal no processo. Vamos estudá-los? ☺ 2.6.2. Da produção da prova testemunhal Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 47 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Inicialmente, incumbe a cada parte arrolar as testemunhas que pretende ouvir, indicando, sempre que possível, seus nomes, profissões, estado civil, idades, númerosde inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), número de registros de identidade e endereços completos (residencial e profissional), nos termos do art. 450. Vale lembrar que, ao dispor o art. 357, que dispõe sobre a decisão de saneamento e de organização do processo, estabelece diversas regras quanto a produção de prova testemunhal, sobretudo, sobre a apresentação do rol de testemunhas. Confira-se, nesse sentido, o teor dos §§ 3º a 7º: § 4o Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de testemunhas. § 5o Na hipótese do § 3o, as partes devem levar, para a audiência prevista, o respectivo rol de testemunhas. § 6o O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo 3 (três), no máximo, para a prova de cada fato. § 7o O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados Apresentando o rol, a parte somente poderá requerer a substituição das testemunhas que tenha arrolado se tiver falecido, se por motivo de doença não estiver em condições de depor ou se, tendo mudado de endereço, não for encontrada. Vejamos o teor do art. 451: Art. 451. Depois de apresentado o rol de que tratam os §§ 4o e 5o do art. 357, a parte só pode substituir a testemunha: I - que falecer; II - que, por enfermidade, não estiver em condições de depor; III - que, tendo mudado de residência ou de local de trabalho, não for encontrada. Atenção!!! Novidade! A testemunha arrolada pela parte deverá ser informada ou intimada pelo advogado de quem a tenha indicado do dia, hora e lugar da audiência designada, dispensando-se a intimação judicial (art. 455). A intimação realizada por advogado será realizada por via postal, através de remessa de carta com aviso de recebimento, cabendo ao advogado juntar aos autos, com antecedência de pelo menos três dias em relação à Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 48 de 78 www.exponencialconcursos.com.br data da audiência, cópia da correspondência enviada e do comprovante de recebimento (art. 455,§3º). Só haverá intimação da testemunha por via judicial quando se frustrar a intimação feita pelo advogado, se sua necessidade for devidamente demonstrada ao juiz, se figurar no rol de testemunhas servidor público civil ou militar, se a testemunha tiver sido arrolado pelo Ministério Público ou por Defensor Público, ou ainda quando se tratar de alguma autoridade que tenha prerrogativa de prestar depoimento em suas residências ou no lugar onde suas funções são exercidas (art.455,§ 4º). Uma vez intimada, a testemunha tem obrigação de comparecer à audiência de instrução e julgamento, e, caso não compareça, sem motivo justificado, será conduzida à força, respondendo pelas despesas do adiamento da audiência (art. 455,§5º). De maneira geral, a testemunha presta depoimento na audiência de instrução e julgamento, perante o juiz da causa (art. 453). Ficam excluídas desta regra as que tenham prestado depoimento antecipadamente e as que são inquiridas por carta (art. 453, I e II). Caso a testemunha resida em comarca, seção ou subseção judiciária diversa daquela onde tramita o processo, sua oitiva poderá ser realizada por meio de videoconferência, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a audiência de instrução e julgamento (art.453,§1º). As testemunhas serão inquiridas pelo juiz separada e sucessivamente, iniciando-se a colheita da prova pelas testemunhas arroladas pelo demandante. Intimação por via judicial Frustada intimação por AR Houver necessidade demonstrada ao juizo A testemunha for servidor público ou militar A testemunha tiver sido arrolada pelo MP ou DP A testemunha for uma das pessoas prevista no rol do art.454 Excepcionalmente se... Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 49 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Atenção!!! Deve-se, sempre, providenciar para que as testemunhas que ainda não depuseram não ouçam os depoimentos anteriores (art. 456). Havendo concordância das partes, a ordem das oitivas poderá ser alterada (art. 456, parágrafo único). Antes de prestar o depoimento, a testemunha será qualificada, devendo declarar ou confirmar seus dados e informar se tem relações de parentesco com alguma das partes ou se tem interesse no processo (art.457). Admite-se que a parte ofereça contradita à testemunha, arguindo- lhe a incapacidade, o impedimento ou a suspeição. Caso a testemunha negue os fatos que lhes são imputados, deve-se permitir à parte que prove a contradita com documentos ou testemunhas (até o máximo de três), as quais deverão ser apresentadas no ato e inquiridas em separado (art. 457,§1º). Provados ou confessados os fatos apresentados na contradita, o juiz dispensará a testemunha ou decidirá ouvi-la sem que preste compromisso de dizer a verdade (como informante), nos termos do art. 457,§2º. Por outro lado, a testemunha também pode pedir ao juízo que a dispense de prestar depoimento, alegando os motivos de escusa previstos no art. 448, devendo o juiz ouvir imediatamente as partes e em seguida decidir (art. 457,§3º). Antes de iniciar a inquirição, a testemunha deverá prestar compromisso de dizer a verdade do que souber e lhe for perguntado (art.458). Incumbe ao juiz advertir a testemunha compromissada que comete crime quem faz afirmação falsa, cala ou oculta a verdade (art.458, parágrafo único e art. 342 do CPC). Novidade! As perguntas são feitas à testemunha diretamente pelas partes, começando pela que a arrolou. Não pode o juiz admitir pergunta que possa induzir a resposta que não tenha relação com as questões de fato objeto da atividade probatória ou que importem repetição de outra já respondida (art.459), assim como perguntar consideradas impertinentes, capciosas ou vexatórias (art.459,§2º). Todas as perguntas que sejam indeferidas pelo juiz serão transcritas no termo de audiência, se assim a parte o requerer (art.459,§3º). Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 50 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Também o juiz pode formular perguntas as testemunhas, tanto antes quanto depois da inquirição feita diretamente pelas partes (art.459,§1º). Caso o juiz formule suas perguntas depois das partes, é essencial assegurar-se às partes o direito de formular novas perguntas, destinadas a esclarecer ou complementar o que resultar da inquirição feita pelo juiz. A testemunha tem o direito de ser tratada com urbanidade (art.459,§2º). O depoimento da testemunha poderá ser gravado. Nessa direção, confira-se o teor do art. 460: Art. 460. O depoimento poderá ser documentado por meio de gravação. § 1o Quando digitado ou registrado por taquigrafia, estenotipia ou outro método idôneo de documentação, o depoimento será assinado pelo juiz, pelo depoente e pelos procuradores. § 2o Se houver recurso em processo em autos não eletrônicos, o depoimento somente será digitado quando for impossível o envio de sua documentação eletrônica. § 3o Tratando-se de autos eletrônicos, observar-se-á o disposto neste Código e na legislação específica sobre a prática eletrônica de atos processuais. Poderá o juiz determinar, de ofício ou a requerimento da parte, o depoimento de testemunha referida em declaração de alguma das partes ou de outra testemunha (art.461, II). Pode-se, ainda, determinar (também de ofício ou a requerimento) a acareação de duas ou mais testemunhas ou de alguma delas com a parte quando, sobre fato determinado que possa influir na decisão da causa, suas declarações forem divergentes (art.461, II). A acareaçãopode ser realizada por videoconferência ou por outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real (art. 461,§2º). Os acareados serão reperguntados, para que expliquem os pontos de divergência, devendo-se lavrar um termo de acareação (art. 461,§1º). O depoimento da testemunha é considerado serviço público (art. 463). Por isso, a testemunha que se sujeita ao regime trabalhista não sofre, por comparecer à audiência, perda de salário ou desconto no tempo de serviço (art. 463, parágrafo único). Além disso, a testemunha tem o direito de ter pagas as despesas que tenha efetuado para comparecer à audiência, devendo a parte pagar desde logo ou depositar o valor em cartório no prazo de três dias (art. 462). Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 51 de 78 www.exponencialconcursos.com.br A produção de prova pericial envolve determinadas demandas cuja apuração do fato depende de um conhecimento técnico ou cientifico especializado. Nessas demandas, deverá o juiz ser auxiliado por um ou mais peritos. A perícia não será realizada, porém, em quatro hipóteses: 1) quando a prova do fato não depender de conhecimento técnico especial (art.464, §1º, I); 2) for desnecessária em vista de outras provas produzidas (art. 464,§1º, II); 3) a verificação for impraticável (art.464,§1º,III); 4) quando as partes, na petição inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou documentos elucidativos suficientes (art.472). Por outro lado, a perícia poderá ser substituída, de ofício ou a requerimento das partes, pela prova técnica simplificada, quando o ponto controvertido for de menor complexidade. A prova técnica simplificada consiste na inquirição de especialista, que deverá ter formação acadêmica específica na área objeto de seu depoimento. Durante a sua arguição, o especialista poderá valer-se de qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos da causa. Não sendo, porém, caso de prova técnica simplificada, o juiz sempre se valerá da perícia quando houver a necessidade de conhecimento técnico ou científico especializado para apuração dos fatos da causa. Vamos conferir o teor do art. 464? Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. § 1o O juiz indeferirá a perícia quando: I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; III - a verificação for impraticável. § 2o De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em substituição à perícia, determinar a produção de prova técnica simplificada, quando o ponto controvertido for de menor complexidade. 2.7. Da prova pericial Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 52 de 78 www.exponencialconcursos.com.br § 3o A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento científico ou técnico. § 4o Durante a arguição, o especialista, que deverá ter formação acadêmica específica na área objeto de seu depoimento, poderá valer-se de qualquer recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos controvertidos da causa. A prova pericial pode ser de três espécies: exame, vistoria e avaliação. No exame, a perícia tem como objeto pessoas ou bens móveis. Na vistoria, a perícia tem como objeto um bem imóvel. Por fim, na avaliação, a perícia tem como único objeto a determinação do valor de mercado de um bem móvel ou imóvel. Tratando-se de perícia complexa, que exija conhecimento especializado em mais de uma área do conhecimento, o juiz nomeará mais de um perito, e as partes indicarão tantos assistentes técnicos quantos reputem necessários (art.475). Novidade! Em regra, o perito deverá ser nomeado pelo juiz. Admite-se, porém, que as partes, através de um negócio processual, escolham um perito da confiança de ambas. Trata-se da hipótese de perícia consensual que substitui para todos os efeitos, a perícia realizada por especialista nomeado pelo juiz (art.471, §3º). No requerimento conjunto de nomeação de perito consensualmente indicado, as partes deverão indicar seus assistentes técnicos para acompanhar a realização da perícia, a qual deverá realizar em data e local previamente anunciados (art.471, §1º). Espécies de perícia Exame A perícia tem por objeto pessoas ou bens imóveis Vistoria A perícia tem por objeto um bem imóvel Avaliação A perícia tem como único objeto a determinação do valor de mercado de um bem móvel ou imóvel Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 53 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Tantos os peritos como os assistentes técnicos apresentarão laudo e os pareceres em prazo fixado pelo juiz (art.471,§2º), se já não tiver havido a fixação de prazo por convenção das partes. Nomeado o perito pelo juiz, as partes terão o prazo de quinze dias contados da intimação do despacho de nomeação de especialista, para arguir seu impedimento ou suspeição, se for o caso, indicar assistente técnico e apresentar quesitos que queiram ver respondidos pelo perito (art. 465, §1º). Podem as partes, posteriormente, apresentar quesitos suplementares durante a diligência, os quais serão respondidos pelo perito desde logo ou na audiência de instrução e julgamento (art. 469). Se uma parte apresentar quesito suplementar, deverá a outra parte ser desde logo intimada de seu conteúdo (art.469, parágrafo único). Por seu turno, o juiz pode indeferir quesitos impertinentes e formular quesitos que ele próprio considere necessários (art.470). Intimado de sua nomeação, o perito terá cinco dias para apresentar sua proposta de honorários, junto com seu currículo (com a comprovação da especialização acadêmica) e a indicação de seus contatos profissionais, especialmente seu endereço eletrônico para onde serão dirigidas as intimações pessoais (tudo nos termos do art. 465, §2º). Caso o perito não comprove sua especialização, deverá ser substituído (art. 468, I). As partes serão intimadas da proposta de honorários, e disporão do prazo de cinco dias para se manifestarem. Findo esse prazo, o juiz fixará o valor dos honorários periciais, intimando-se as partes (art. 465, § 3º). Atenção!!! Novidade! O valor dos honorários do perito deverá ser depositado previamente pela parte que tenha requerido a prova ou, tendo sido ela determinada de ofício ou requerida por ambas as partes, o depósito deverá ser rateado (art. 95). Como regra, o perito somente receberá honorários após a apresentação do laudo e de todos os esclarecimentos necessários. Pode o juiz, porém, autorizar que o perito receba previamente até a metade do valor (art. 465, §4º). Sendo a perícia inconclusiva ou deficiente, os honorários serão reduzidos (art. 465, § 5º). Novidade! Como auxiliar da justiça, o perito, como vimos na nossa primeira aula, se sujeita às causas de impedimento e de suspeição (art. 467). Já os assistentes técnicos são de confiança da parte, não se sujeitando, dessa forma, às causas de impedimento e de suspeição. É de incumbência do perito assegurar que os assistentes técnicos das partes tenham livre acesso e possam acompanhar as diligências e exames que Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 54 de 78 www.exponencialconcursos.com.br realizar, com prévia comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de cinco dias (art. 466, § 2º). É causa de substituição do perito o descumprimento do encargo no prazo que lhe tenhasido assinalado pelo juiz, sem motivo legítimo (art. 468, II). Nessa hipótese, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional respectiva, podendo ainda multar o perito. A multa será fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso no processo (art. 468, §1º). Atenção!!! O perito que por qualquer motivo tenha sido substituído restituirá, no prazo de 15 dias, os valores já recebidos pelo trabalho que não realizou, sob pena de ficar impedido de atuar como perito judicial pelo prazo de cinco anos (art. 468, §2º). Na ausência da restituição voluntária, a parte que tiver adiantado os honorários poderá promover execução contra o perito, observando-se o regime do cumprimento de sentença, valendo a decisão que tenha determinado a devolução do valor como título executivo (art.468, §3º). As partes terão ciência da data e do local designados pelo juiz ou indicados pelo perito para início da produção da prova (art. 474). O perito deverá apresentar o laudo pericial no prazo que lhe tenha sido assinado, admitindo-se, porém, que por motivo justificado o prazo seja prorrogado pela metade do prazo originariamente fixado (art. 476). Novidade! Elementos do laudo pericial! Concluídas as diligências, o perito elaborará um documento chamado laudo pericial, o qual deverá conter (art. 473) 1) a exposição do objeto da prova, 2) a análise técnica ou científica realizada pelo especialista, 3) a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser predominantemente aceito pelos especialistas da área de conhecimento da qual se originou a resposta conclusiva de todos os quesitos. LAUDO PERICIAL Exposição do objeto da prova Análise técnica ou científica Indicação do método utilizado O método deve ser aceito por especialistas da área Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 55 de 78 www.exponencialconcursos.com.br A fundamentação deverá ser apresentada em linguagem simples e acessível, com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões (art.473, §1º). Não poderá o perito, de outra parte, ultrapassar os limites de sua designação, sendo-lhe vedado emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia (art. 473, §2º). Segundo o art. 477, o laudo pericial será protocolado em juízo no prazo assinado pelo juiz, pelo menos vinte dias antes da audiência de instrução e julgamento. As partes serão, então, intimadas para manifestar-se sobre o laudo no prazo comum de quinze dias, podendo o assistente técnico de cada uma delas, neste mesmo prazo, apresentar seu parecer (art. 477, § 1º). Solicitado algum esclarecimento, este deverá ser prestado pelo perito em quinze dias. No mesmo prazo o perito deverá esclarecer ponto divergente entre o seu lado e o parecer apresentado por assistente técnico da parte (art. 477, § 2º). Caso ainda haja necessidade de mais esclarecimentos, a parte requererá ao juiz que mande intimar o perito ou o assistente técnico a comparecer à audiência de instrução e julgamento, formulando, desde logo, as perguntas que queira ver respondidas, sob a forma de quesitos (art. 477, § 3º). Perito e assistente técnico, então, deverão ser intimados, por meio eletrônico, com pelo menos dez dias de antecedência em relação à audiência (art. 477, § 4º). A valoração da prova pericial pelo juiz se dá pelo mesmo critério através do qual as provas em geral são valoradas, devendo ser indicados na sentença os motivos que levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, conforme o método utilizado pelo perito (art. 479). Prazos ref. Ao laudo Juntada 20 dias antes da AIJ Manifestação 15 dias (prazo comum) Esclarecimentos pelo perito 15 dias Intimação para AIJ 10 dias de antecedência Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 56 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Por fim, caso a perícia não tenha sido capaz de esclarecer suficientemente as partes e o juiz, este determinará, de ofício ou a requerimento, a realização de nova perícia. A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre que recaiu a primeira e se destina a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que a primeira perícia tenha conduzido. Rege-se a segunda perícia pelas mesmas disposições estabelecidas para a primeira. A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz valorar ambas. Sobre a realização da segunda perícia, vejamos o disposto no art. 480 do CPC: Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida. § 1o A segunda perícia tem por objeto os mesmos fatos sobre os quais recaiu a primeira e destina-se a corrigir eventual omissão ou inexatidão dos resultados a que esta conduziu. § 2o A segunda perícia rege-se pelas disposições estabelecidas para a primeira. § 3o A segunda perícia não substitui a primeira, cabendo ao juiz apreciar o valor de uma e de outra. Pois bem, chegamos ao nosso último meio de prova: a inspeção judicial! De acordo com o estabelecido no art. 481, o juiz pode, de ofício ou a requerimento da parte, realizar uma inspeção de pessoas e coisas, a fim de esclarecer-se, mediante o emprego de seus próprios sentidos, acerca de fato que interesse à decisão da causa. Ao realizar a inspeção, o juiz pode ser auxiliado por um ou mais peritos (art.482). A inspeção judicial poderá ser realizada na própria sede do juízo. Incumbe ao juiz, porém, ir ao local onde esteja a pessoa ou a coisa a ser inspecionada quando isto for necessário para melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva observar, se a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou graves dificuldades, ou sempre que se determine a reconstituição de fatos (art.483). 2.8. Da inspeção judicial Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 57 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Atenção!!! É direito das partes assistir à inspeção judicial, prestando esclarecimentos e fazendo as observações que reputem necessárias (art.483, parágrafo único). Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, nele devendo mencionar tudo quanto se repute útil ao julgamento da causa (art. 484). Este auto pode ser instruído com desenhos, gráficos ou fotografias (art.484, parágrafo único). Chegamos ao final de mais uma aula. Estamos caminhando bem até aqui. Esteja focado nos estudos que tudo dará certo. Não deixe de ler os artigos do CPC/15 e fazer as questões. Bons estudos! Conclusão Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 58 de 78 www.exponencialconcursos.com.br 10. (Delegado da Polícia Civil de 1ª Classe – VUNESP – PC/CE - 2015) Assinale a alternativa correta sobre a prova testemunhal e sua produção. a) A contradita à testemunha deve ser realizada imediatamente após o final do depoimento, sob pena de preclusão. b) Em regra, primeiro são ouvidas as testemunhas do réu e, após, as testemunhas do autor. c) Quando houver divergência de declarações, pode o juiz ordenar, de ofício, a acareação das testemunhas. d) A testemunha será intimada por meio de oficial de justiça, sendo vedada a intimação pelos correios. e) Os relativamente capazes não podem depor na qualidade de testemunha. Resolução: A letra “a” está INCORRETA. A contradita, que tem como finalidade questionar a parcialidade da testemunha, deve ser realizada antes do início do depoimento. Nesse sentido, confira-se do teor do art. 457, §1º, do CPC: Art. 457. Antes de depor, atestemunha será qualificada, declarará ou confirmará seus dados e informará se tem relações de parentesco com a parte ou interesse no objeto do processo. § 1°. É lícito à parte contraditar a testemunha, arguindo-lhe a incapacidade, o impedimento ou a suspeição, bem como, caso a testemunha negue os fatos que lhe são imputados, provar a contradita com documentos ou com testemunhas, até 3 (três), apresentadas no ato e inquiridas em separado. A letra “b” está INCORRETA. Em regra, primeiro são ouvidas as testemunhas do autor e, após, as do réu. Nesse sentido, confira-se o teor do art. 456 do CPC: Art. 456. O juiz inquirirá as testemunhas separada e sucessivamente, primeiro as do autor e depois as do réu, e providenciará para que uma não ouça o depoimento das outras. Parágrafo único. O juiz poderá alterar a ordem estabelecida no caput se as partes concordarem. A letra “c”, por sua vez, está CORRETA. Segundo o art. 461, inciso II, do CPC, “o juiz pode ordenar, de ofício ou a requerimento da parte, a acareação de 2 (duas) ou mais testemunhas ou de alguma delas com a parte, quando, sobre fato determinado que possa influir na decisão da causa, divergirem as suas declarações. 3. Questões Comentadas Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 59 de 78 www.exponencialconcursos.com.br A letra “d” está INCORRETA, pois a testemunha deve, preferencialmente, ser intimada pelos correios (art. 455, §1º). Por fim, a letra “e” está igualmente INCORRETA. Os relativamente incapazes podem depor como testemunhas (art. 447 do CPC). C 11. (Juiz de Direito Substituto - VUNESP – TJM/SP - 2016) A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. Diante desta afirmação, assinale a alternativa correta. a) No sentido jurídico, a prova demonstrada por instrumento público é direta e recai sobre o fato nela estipulado, permitindo uma conclusão direta e objetiva, que não admite ser contrariada. b) As informações contidas em escritura pública, por se tratar de direito disponível, geram presunção absoluta quanto à declaração de vontade estipulada no instrumento. c) Independentemente dos negócios jurídicos representados por escritura pública, por ser instrumento dotado de fé pública, as consequências dela extraí- das geram presunção absoluta de veracidade. d) A quitação dada em escritura pública gera presunção relativa do pagamento, admitindo prova em contrário que evidencie a invalidade do instrumento eivado de vício que o torne falso. e) Não há presunção relativa sobre os elementos constitutivos de uma escritura pública, exceto os que forem eivados de nulidade absoluta, tais como os elementos essenciais de sua formação válida. Resolução: A letra “a’’ está INCORRETA. É possível contestar a fé pública, autenticidade e a veracidade da prova demonstrada por instrumento público. Nessa direção, o art. 427 do CPC estabelece que “cessa a fé do documento público ou particular sendo-lhe declarada judicialmente a falsidade”. A letra “b” também está INCORRETA, a presunção é relativa. A letra “c” também está INCORRETA, as consequências extraídas da escritura pública geram presunção relativa de veracidade. A letra “d”, finalmente, está CORRETA. De fato, a quitação dada em escritura pública gera presunção relativa do pagamento, admitindo prova em contrário que evidencie a invalidade do instrumento eivado de vício que o torne falso. Por fim, a letra “e” está completamente INCORRETA, pois há presunção relativa sobre os elementos constitutivos de uma escritura pública. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 60 de 78 www.exponencialconcursos.com.br D 12. (Advogado – VUNESP – SAEG - 2015) João é autor de uma ação contra José. Designada a audiência de instrução e julgamento, são arroladas várias testemunhas, sendo que o advogado de José coloca no rol do seu cliente, Manoel, que por sua vez é autor de uma ação em trâmite contra João. Manoel já declarou a João que faria de tudo para prejudicá-lo, sendo que ajudaria José a ganhar a causa, porque sairia em vantagem na sua ação se isso acontecesse, tendo inclusive lhe enviado e-mail com esses termos. Diante dessa situação hipotética, assinale a alternativa correta. a) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando que este é impedido de depor em razão de inimizade e interesse na causa. b) Não há qualquer impedimento para que Manoel seja considerado testemunha legítima a favor de José, uma vez que o fato de estar em trâmite um processo seu contra João não maculará seu depoimento. c) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, dizendo que é incapaz de depor, tendo em vista que tem interesse no litígio. d) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando sua suspeição, por inimizade e interesse na causa, sendo que mesmo se aceita a contradita, o juiz poderá ouvi-lo como informante, desde que o juiz fundamente sua decisão. e) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando sua suspeição, por inimizade e interesse na causa, sendo que se aceita a contradita o juiz estará obrigado a dispensar seu depoimento. Resolução: A solução da questão requer conhecimentos acerca do disposto no art. 447 do CPC. Confira-se o teor do artigo: Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. § 1o. São incapazes: I - o interdito por enfermidade ou deficiência mental; II - o que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as percepções; III - o que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; IV - o cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam. § 2o São impedidos: Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 61 de 78 www.exponencialconcursos.com.br I - o cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o juiz repute necessária ao julgamento do mérito; II - o que é parte na causa; III - o que intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. § 3o São suspeitos: I - o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; II - o que tiver interesse no litígio. § 4o Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas menores, impedidas ou suspeitas. § 5o Os depoimentos referidos no § 4o serão prestados independentemente de compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer. Depreende-se do teor do referido artigo que na hipótese narrada o advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando sua suspeição, por inimizade e interesse na causa, sendo que mesmo se aceita a contradita, o juiz poderá ouvi-lo como informante, desde que o juiz fundamente sua decisão. Logo, a resposta CORRETA é a letra “d” D 13. (Procurador do Estado – FCC – PGE/AP – 2018) Em relação às provas, a) as provas no sistema processual civil pátrio obedecem a uma hierarquia de valores, tendo a confissão como a de maior valor e a prova testemunhal como a de menor valor. b) caberá ao juiz, desde que requerido pelas partes, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo por despacho as diligências inúteis ou procrastinatórias. c) a distribuiçãodiversa do ônus da prova é possível, por acordo das partes, desde que tenha ocorrido durante o processo e não torne excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. d) preservado o direito de não propor prova contra si própria, incumbe à parte comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for perguntado; colaborar com o Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 62 de 78 www.exponencialconcursos.com.br juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; e praticar o ato que lhe for determinado. e) a produção antecipada da prova, na qual não se julga o mérito da causa, previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. Resolução: A questão praticamente refere-se à literalidade de artigos do CPC/15. Vejamos cada alternativa: a) INCORRETA – Não há hierarquia entre as provas. b) INCORRETA Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. c) INCORRETA Art. 373. § 3º. A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º. A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o processo. d) CORRETA – Art. 379. e) INCORRETA Art. 381. § 3º. A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. D 14. (Analista Judiciário - Área Judiciária – FCC – TRT/6ª Região – 2018) Considere as afirmações a seguir, que concernem à produção das provas processuais. I. Os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, bem como os notórios, necessitam ser provados nos autos. II. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. III. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 63 de 78 www.exponencialconcursos.com.br IV. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, desde que especificados na norma processual civil, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido e influir eficazmente na convicção do juiz. V. A distribuição do ônus da prova pode ocorrer de forma diversa pela vontade das partes, desde que a convenção respectiva seja celebrada durante o curso do processo, necessariamente. Está correto o que se afirma APENAS em a) III, IV e V. b) I, II e V. c) II, III e V. d) II e III. e) I e IV. Resolução: A questão cobra a literalidade de disposições do CPC/15: I – INCORRETA – Art. 374, I e II. II - CORRETA – Art. 372. III - CORRETA – Art. 370 e p. único. IV - INCORRETA – Art. 369. V - INCORRETA – Art. 373, § 4º. D 15. (Analista Judiciário Área Judiciária – FCC – TRF/5ª REGIÃO – 2017) Acerca da prova documental, considere: I. O documento feito por oficial público incompetente ou sem a observância das formalidades legais, mesmo que subscrito pelas partes, não tem eficácia probatória alguma. II. Considera-se autor do documento particular aquele que, mandando compô- lo, não o firmou porque, conforme a experiência comum, não se costuma assinar, como livros empresariais e assentos domésticos. III. Quando se tratar de impugnação da autenticidade do documento, incumbe o ônus da prova à parte contra a qual ele foi produzido, independentemente de quem o apresentou. IV. A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de obrigação, ainda que não assinada, faz prova em benefício do devedor. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 64 de 78 www.exponencialconcursos.com.br V. A escrituração contábil é divisível, de modo que, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns forem favoráveis ao interesse de seu autor e outros contrários, caberá ao juiz lhe atribuir a força probatória que merecer, segundo o seu livre convencimento. De acordo com o novo Código de Processo Civil, está correto o que se afirma APENAS em a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) III e V. e) IV e V. Resolução: Vejamos cada assertiva de acordo com o CPC/15: I – INCORRETA – Art. 407. II – CORRETA - Art. 410, III. III - INCORRETA – Art. 429, II. IV - CORRETA - Art. 416. V - INCORRETA – Art. 419. C 16. (Defensor Público – FCC – DPE/ES – 2016) O novo Código de Processo Civil a) não prevê expressamente o princípio da identidade física do juiz. b) impõe ao advogado e ao defensor público o ônus de intimar a testemunha por ele arrolada do dia, da hora e do local da audiência designada, dispensando- se a intimação do juízo. c) abandonou completamente o sistema de distribuição do ônus da prova diante do polo ocupado pela parte na demanda. d) exige para a produção antecipada de provas prova de fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação. e) mantém o sistema de reperguntas para a produção da prova testemunhal. Resolução: a) CORRETA – No CPC/15 não há previsão expressa do princípio da identidade física do juiz ao contrário da previsão do art. 132 do CPC/73. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 65 de 78 www.exponencialconcursos.com.br b) INCORRETA – Art. 455, § 4º, IV - Essa disposição não se aplica à Defensoria Pública e nem ao Ministério Público. c) INCORRETA – A regra geral é a distribuição estática do ônus da prova (art. 373, caput), havendo a previsão de distribuição dinâmica do ônus da prova (art. 373, § 1º). d) INCORRETA – Existem outras hipóteses (art. 381). e) INCORRETA – Art.459 – O CPC/15 não trouxe o sistema de reperguntas. A 17. (Juiz Federal Substituto – TRF/3ª REGIÃO – 2018) Em tema de prova pericial afigura-se CORRETO afirmar: a) O critério para que o juiz determine a produção de prova técnica simplificada é a prevalência da oralidade no processo. b) Se o laudo for inconclusivo o juiz poderá reduzir a remuneração do perito. c) No caso em que as partes, de comum acordo, escolham o perito, compete exclusivamente àquelas a formulação de quesitos. d) Sendo vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, ele deve se abster de emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia, de ouvir testemunhas ou de obter documentos que estejam em poder da parte. Resolução: Vamos às alternativas, conforme disposições do CPC/15: a) INCORRETA Art. 464. § 2º. De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em substituição à perícia, determinar a produção de prova técnica simplificada, quando o ponto controvertido for de menor complexidade. § 3º. A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento científico ou técnico. b) CORRETA Art. 465. § 5º. Quando a perícia for inconclusiva ou deficiente, o juiz poderá reduzir a remuneração inicialmente arbitrada para o trabalho. c) INCORRETA Art. 470. Incumbe ao juiz: I - indeferir quesitos impertinentes; Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 66 de 78 www.exponencialconcursos.com.brII - formular os quesitos que entender necessários ao esclarecimento da causa. d) INCORRETA Art. 473. § 2º. É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. § 3º. Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. B 18. (Analista Judiciário - Área Judiciária – FGV – TJ/AL – 2018) João promoveu, em março de 2015, quando ainda vigente o CPC de 1973, ação de cobrança em face de Antônio. Em outubro de 2015, foi requerida pelas partes a produção de prova oral no processo, o que foi deferido pelo juiz no mesmo mês. Para que se colha o depoimento dessas testemunhas, por ocasião da audiência de instrução e julgamento, designada para junho de 2018: a) o juiz interrogará as testemunhas sobre os fatos articulados, na forma do sistema presidencialista, colhendo o julgador de forma pessoal e diretamente a prova; b) as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, começando pela que a arrolou, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta; c) as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não podendo o julgador intervir na pergunta ou inadmitir qualquer delas; d) a prova oral será inadmitida no processo, uma vez que com a entrada em vigor da nova legislação processual, essa fase de instrução já estava superada; e) as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, só podendo o juiz inquirir a testemunha depois da inquirição feita pelas partes. Resolução: Questão proposta pela banca para confundir o candidato. Para respondê- la, precisamos nos atentar para as Disposições finais e transitórias do CPC/15: Art. 1.047. As disposições de direito probatório adotadas neste Código aplicam-se apenas às provas requeridas ou determinadas de ofício a partir da data de início de sua vigência. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 67 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Na questão, a prova foi requerida antes da entrada em vigor do CPC/15 (18 de março de 2016). Portanto, aplicável o CPC/73, que não permitia perguntas feitas diretamente à parte (sistema presidencialista). A Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 68 de 78 www.exponencialconcursos.com.br 1. (Analista Judiciário – Judiciária – CESPE – STJ – 2018) Acerca do procedimento comum, julgue o item que se segue. Por ser matéria de ordem pública, a distribuição diversa do ônus da prova não é possível por convenção das partes. 2. (Analista Legislativo - Processo Legislativo – FCC – ALESE – 2018) Quanto às provas, a legislação competente sobre a matéria estabelece: a) Se não forem notórios, dependem de prova os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária. b) As únicas provas que se admitem nos processos judiciais são as previstas expressamente em lei. c) Não pode ser admitida a prova produzida em outro processo por ferir o contraditório e a ampla defesa. d) O ônus da prova é sempre o estabelecido na lei processual, não se podendo convencioná-lo de outro modo por acordo das partes. e) Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo em decisão fundamentada as diligências inúteis ou meramente protelatórias. 3. (Titular de Serviços de Notas e de Registros – Provimento – CONSULPLAN – TJ/MG – 2016) No que tange à produção antecipada de prova, julgue as seguintes afirmações: I. Na petição, o requerente apresentará as razões que justifiquem a necessidade de antecipação da prova e mencionará, com precisão, os fatos sobre os quais a prova haverá de recair. II. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso; todavia, o juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre as respectivas consequências jurídicas. III. Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta acarretar excessiva demora. IV. Neste procedimento, será admitida defesa ou recurso contra decisão que indeferir total ou parcialmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. 4. Lista de questões Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 69 de 78 www.exponencialconcursos.com.br Está correto o que se afirma em: a) I, II e III, apenas. b) II, III e IV, apenas. c) II e IV, apenas. d) I, II, III e IV. 4. (Defensor Público – FCC – DPE/AM – 2018) Considere as assertivas abaixo: I. A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. II. A inversão judicial do ônus da prova é prevista no CPC/2015 como critério de julgamento e, portanto, deve ser aplicada quando da sentença, desde que cientificadas anteriormente as partes. III. Às partes é vedada a prévia convenção de regras de ônus da prova por meio de negócios jurídicos processuais celebrados anteriormente à formação do processo. IV. Os princípios da persuasão racional e da comunhão da prova estão previstos expressamente no atual Código de Processo Civil. V. É mantida como regra geral o ônus da prova do autor aos fatos constitutivos de seu direito, ao passo que ao réu incumbe a prova dos fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito do autor. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, IV e V. b) IV e V. c) II, III e IV. d) I e II. e) III e V. 5. (Defensor Público – CESPE – DPE/PE – 2018) Não havendo processo anterior que trate da situação, a demonstração de que determinado fato ocorreu Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 70 de 78 www.exponencialconcursos.com.br em rede social acessível pela Internet poderá ser realizada com a juntada aos autos a) de declaração pessoal do autor. b) de prova emprestada. c) do computador. d) da prova pericial. e) de ata notarial. 6. (Defensor Público – Reaplicação – FCC – DPE/AM – 2018) Considere as assertivas abaixo. I. O depoimento pessoal da parte não pode ser determinado de ofício pelo juiz. II. Em ações de estado e de família, a parte não é obrigada a prestar depoimento sobre fatos, ainda que venham a resultar em desonra própria. III. Haverá confissão ficta quando a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confesso, não comparece em juízo. IV. É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte. V. A parte não tem legitimidade para requerer o seu próprio depoimento pessoal. Em consonância com as disposições do Código de Processo Civil, está correto o que se afirma APENAS em a) II e IV. b) II, III e V. c) I, II e V. d) III, IV e V. e) I, III e IV. 7. (Procurador do Estado – FCC – PGE/AP – 2018) A confissão a) judicial faz prova contra o confitente, podendo beneficiar ou prejudicar o litisconsorte. b) se espontânea, só pode ser feita pela própria parte. c) é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser invocar como prova aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhefor desfavorável, porém cindir-se-á quando o confitente a ela aduzir fatos novos, capazes de constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 71 de 78 www.exponencialconcursos.com.br d) de um cônjuge ou companheiro, nas ações que versarem sobre bens imóveis ou direitos reais sobre imóveis alheios, não valerá sem a do outro. e) a confissão é irrevogável, mas pode ser tornada ineficaz se decorreu de erro, de fato ou de direito, dolo ou coação. 8. (Procurador – FAU - Prefeitura de Piraquara/PR – 2016) Sobre a Exibição de Documento ou Coisa, considere as seguintes afirmativas: I - A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a coisa se sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal. II - Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá decisão. III - Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento ou da coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá decisão. a) Nenhuma das afirmativas está correta. b) Todas as afirmativas estão corretas. c) Estão corretas as afirmativas I e II. d) Estão corretas as afirmativas I e III. e) Estão corretas as afirmativas II e III. 9. (Juiz do Trabalho Substituto – FCC – TST – 2017) Com relação à prova documental, a legislação processual civil sobre a matéria estabelece: a) Quando intimada para se manifestar sobre documento constante dos autos, poderá a parte impugná-lo como meio de prova, o que significa alegar sua falsidade. b) Nos casos em que a lei exigir documento público como da substância do ato, se a prova legal existir validamente, o juiz poderá admitir outros meios de prova, em atenção ao princípio do livre convencimento motivado. c) Quando o documento particular contiver declaração de ciência de determinado fato, incumbirá ao signatário o ônus de provar a veracidade ou não do fato contido no documento. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 72 de 78 www.exponencialconcursos.com.br d) Caso haja arguição de falsidade de documento juntado com a inicial, independentemente de pedido de declaração de falsidade incidental, será feito o exame pericial pertinente, ainda que o autor concorde em retirar o documento dos autos, no prazo de réplica. e) Incumbe ao réu instruir a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações e, a critério do juiz, após expressa justificativa do motivo de impedimento de apresentação anterior, avaliar a possibilidade de juntada de documentos em momento posterior. 10. (Delegado da Polícia Civil de 1ª Classe – VUNESP – PC/CE - 2015) Assinale a alternativa correta sobre a prova testemunhal e sua produção. a) A contradita à testemunha deve ser realizada imediatamente após o final do depoimento, sob pena de preclusão. b) Em regra, primeiro são ouvidas as testemunhas do réu e, após, as testemunhas do autor. c) Quando houver divergência de declarações, pode o juiz ordenar, de ofício, a acareação das testemunhas. d) A testemunha será intimada por meio de oficial de justiça, sendo vedada a intimação pelos correios. e) Os relativamente capazes não podem depor na qualidade de testemunha. 11. (Juiz de Direito Substituto - VUNESP – TJM/SP - 2016) A escritura pública, lavrada em notas de tabelião, é documento dotado de fé pública, fazendo prova plena. Diante desta afirmação, assinale a alternativa correta. a) No sentido jurídico, a prova demonstrada por instrumento público é direta e recai sobre o fato nela estipulado, permitindo uma conclusão direta e objetiva, que não admite ser contrariada. b) As informações contidas em escritura pública, por se tratar de direito disponível, geram presunção absoluta quanto à declaração de vontade estipulada no instrumento. c) Independentemente dos negócios jurídicos representados por escritura pública, por ser instrumento dotado de fé pública, as consequências dela extraí- das geram presunção absoluta de veracidade. d) A quitação dada em escritura pública gera presunção relativa do pagamento, admitindo prova em contrário que evidencie a invalidade do instrumento eivado de vício que o torne falso. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 73 de 78 www.exponencialconcursos.com.br e) Não há presunção relativa sobre os elementos constitutivos de uma escritura pública, exceto os que forem eivados de nulidade absoluta, tais como os elementos essenciais de sua formação válida. 12. (Advogado – VUNESP – SAEG - 2015) João é autor de uma ação contra José. Designada a audiência de instrução e julgamento, são arroladas várias testemunhas, sendo que o advogado de José coloca no rol do seu cliente, Manoel, que por sua vez é autor de uma ação em trâmite contra João. Manoel já declarou a João que faria de tudo para prejudicá-lo, sendo que ajudaria José a ganhar a causa, porque sairia em vantagem na sua ação se isso acontecesse, tendo inclusive lhe enviado e-mail com esses termos. Diante dessa situação hipotética, assinale a alternativa correta. a) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando que este é impedido de depor em razão de inimizade e interesse na causa. b) Não há qualquer impedimento para que Manoel seja considerado testemunha legítima a favor de José, uma vez que o fato de estar em trâmite um processo seu contra João não maculará seu depoimento. c) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, dizendo que é incapaz de depor, tendo em vista que tem interesse no litígio. d) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando sua suspeição, por inimizade e interesse na causa, sendo que mesmo se aceita a contradita, o juiz poderá ouvi-lo como informante, desde que o juiz fundamente sua decisão. e) O advogado de João poderá contraditar a testemunha Manoel, alegando sua suspeição, por inimizade e interesse na causa, sendo que se aceita a contradita o juiz estará obrigado a dispensar seu depoimento. 13. (Procurador do Estado – FCC – PGE/AP – 2018) Em relação às provas, a) as provas no sistema processual civil pátrio obedecem a uma hierarquia de valores, tendo a confissão como a de maior valor e a prova testemunhal como a de menor valor. b) caberá ao juiz, desde que requerido pelas partes, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo por despacho as diligências inúteis ou procrastinatórias. c) a distribuição diversa do ônus da prova é possível, por acordo das partes, desde que tenha ocorrido durante o processo e não torne excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 74 de 78 www.exponencialconcursos.com.br d) preservado o direito de não propor prova contra si própria, incumbe à parte comparecer em juízo, respondendo ao que lhe for perguntado; colaborar com o juízo na realização de inspeção judicial que for considerada necessária; e praticar o ato que lhe for determinado. e) a produção antecipada da prova, na qual não se julga o mérito da causa, previne a competência do juízo para a ação que venha a ser proposta. 14. (Analista Judiciário - Área Judiciária – FCC – TRT/6ª Região – 2018) Considere as afirmações a seguir, queconcernem à produção das provas processuais. I. Os fatos afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária, bem como os notórios, necessitam ser provados nos autos. II. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. III. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito, indeferindo, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. IV. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, desde que especificados na norma processual civil, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido e influir eficazmente na convicção do juiz. V. A distribuição do ônus da prova pode ocorrer de forma diversa pela vontade das partes, desde que a convenção respectiva seja celebrada durante o curso do processo, necessariamente. Está correto o que se afirma APENAS em a) III, IV e V. b) I, II e V. c) II, III e V. d) II e III. e) I e IV. 15. (Analista Judiciário Área Judiciária – FCC – TRF/5ª REGIÃO – 2017) Acerca da prova documental, considere: I. O documento feito por oficial público incompetente ou sem a observância das formalidades legais, mesmo que subscrito pelas partes, não tem eficácia probatória alguma. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 75 de 78 www.exponencialconcursos.com.br II. Considera-se autor do documento particular aquele que, mandando compô- lo, não o firmou porque, conforme a experiência comum, não se costuma assinar, como livros empresariais e assentos domésticos. III. Quando se tratar de impugnação da autenticidade do documento, incumbe o ônus da prova à parte contra a qual ele foi produzido, independentemente de quem o apresentou. IV. A nota escrita pelo credor em qualquer parte de documento representativo de obrigação, ainda que não assinada, faz prova em benefício do devedor. V. A escrituração contábil é divisível, de modo que, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns forem favoráveis ao interesse de seu autor e outros contrários, caberá ao juiz lhe atribuir a força probatória que merecer, segundo o seu livre convencimento. De acordo com o novo Código de Processo Civil, está correto o que se afirma APENAS em a) I e II. b) I e III. c) II e IV. d) III e V. e) IV e V. 16. (Defensor Público – FCC – DPE/ES – 2016) O novo Código de Processo Civil a) não prevê expressamente o princípio da identidade física do juiz. b) impõe ao advogado e ao defensor público o ônus de intimar a testemunha por ele arrolada do dia, da hora e do local da audiência designada, dispensando- se a intimação do juízo. c) abandonou completamente o sistema de distribuição do ônus da prova diante do polo ocupado pela parte na demanda. d) exige para a produção antecipada de provas prova de fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação. e) mantém o sistema de reperguntas para a produção da prova testemunhal. 17. (Juiz Federal Substituto – TRF/3ª REGIÃO – 2018) Em tema de prova pericial afigura-se CORRETO afirmar: a) O critério para que o juiz determine a produção de prova técnica simplificada é a prevalência da oralidade no processo. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 76 de 78 www.exponencialconcursos.com.br b) Se o laudo for inconclusivo o juiz poderá reduzir a remuneração do perito. c) No caso em que as partes, de comum acordo, escolham o perito, compete exclusivamente àquelas a formulação de quesitos. d) Sendo vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, ele deve se abster de emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia, de ouvir testemunhas ou de obter documentos que estejam em poder da parte. 18. (Analista Judiciário - Área Judiciária – FGV – TJ/AL – 2018) João promoveu, em março de 2015, quando ainda vigente o CPC de 1973, ação de cobrança em face de Antônio. Em outubro de 2015, foi requerida pelas partes a produção de prova oral no processo, o que foi deferido pelo juiz no mesmo mês. Para que se colha o depoimento dessas testemunhas, por ocasião da audiência de instrução e julgamento, designada para junho de 2018: a) o juiz interrogará as testemunhas sobre os fatos articulados, na forma do sistema presidencialista, colhendo o julgador de forma pessoal e diretamente a prova; b) as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, começando pela que a arrolou, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta; c) as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não podendo o julgador intervir na pergunta ou inadmitir qualquer delas; d) a prova oral será inadmitida no processo, uma vez que com a entrada em vigor da nova legislação processual, essa fase de instrução já estava superada; e) as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, só podendo o juiz inquirir a testemunha depois da inquirição feita pelas partes. Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a). Juliana Elir 77 de 78 www.exponencialconcursos.com.br F E A A E D C B E C D D D D C A B A 5. Gabarito Direito Processual Civil Teoria e Questões Comentadas Prof(a). Juliana Elir Prof(a) Juliana Elir 78 de 78 www.exponencialconcursos.com.br ALVIM, Arruda. Manual de Direito Processual Civil, v.1: parte geral. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2013. BUENO, Cassio Scarpinella. Manual de Direito Processual Civil. São Paulo: Saraiva, 2015. CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas, 2016. ______________________. Lições de Direito Processual Civil: volume 1. São Paulo: Atlas, 2013. DIDIER JR, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de conhecimento. Salvador: Jus Podivm, 2015. DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria do novo processo civil. São Paulo: Malheiros, 2016. _______________________. “O regime jurídico das medidas urgentes”. Nova Era do Processo Civil. Editora Malheiros. 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