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SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV 1. REVISAR OS PRINCÍPIOS DA SÍNTESE DAS HEMOGLOBINAS, SUAS FUNÇÕES E TIPOS PRINCIPAIS. FUNÇÕES DA HEMOGLOBINA: ○ Pigmentação vermelha do sangue ○ Absorção, transporte e liberação de O2 para os tecidos. Faz combinação reversível com O2. O grau de afinidade que tem com o O2 varia de acordo com o meio que ela está (pH e temperatura) ○ 1 hemoglobina = transporta até 4 moléculas de O2 SÍNTESE DAS HEMOGLOBINAS Formada por HEME e GLOBINA ➢ A hemoglobina tem 4 cadeias de globina, e um heme no centro de cada uma delas. Isso gera um ambiente hidrofóbico dentro da hemoglobina, o que é bom para a relação do ferro com o O2 SÍNTESE DO HEME ○ É a porção da hemoglobina com ferro acoplado ○ Ocorre na mitocôndria do eritroblasto 1. Ferro chega por meio da transferrina, entra no eritroblasto por meio de um receptor 2. Succinil CoA + glicina → pirrol 3. 4 pirrol → protoporfirina 4. Protoporfirina acopla ferro em seu centro → HEME SÍNTESE DA GLOBINA ○ É a parte "proteica" da hemoglobina, sendo a maior parte ○ Ocorre no ribossomo do eritroblasto SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV ➢ 4 cadeias de globina (alfa, beta, delta, gama) TIPOS DE HEMOGLOBINA ➢ HbA1 (hemoglobina do tipo A1) = 2 alfa + 2 beta = corresponde a 97% (++ abundante no ADULTO) ➢ HbA2 (hemoglobina do tipo A2) = 2 alfa + 2 delta = corresponde a 2% ➢ HbF (hemoglobina FETAL, tem muita afinidade pelo oxigênio!!) = 2 alfa + 2 gama = 0 a 1% Precisa saber HEMOGLOBINOPATIAS: ○ QUANTITATIVA: falha na formação das cadeias de globina reduzindo a quantidade. Ex: talassemias (alfa e beta) ○ QUALITATIVA: defeito na formação das cadeias de globina mas sem alterar a quantidade. Ex: anemia falciforme (ácido glutâmico é trocado pela valina, formando hemácias no formato de foice) 2. COMPREENDER A ANEMIA FALCIFORME DEFINIÇÃO Afoiçamento de hemácias levando à hemólise e à oclusão microvascular, inflamação sistêmica, com disfunção endotelial crônica afetando vasos de TODOS OS CALIBRES, além de hipercoagulabilidade É a hemoglobinopatia caracterizada pela substituição do aminoácido ácido glutâmico pela valina na sexta posição da cadeia beta do DNA do gene hemoglobina EPIDEMIOLOGIA o Hemoglobinopatia hereditária mais comum do BR o Origem no continente africano o ○ BR: + frequente no Nordeste ETIOLOGIA GENÉTICA ○ Geralmente os pais são portadores assintomáticos (heterozigotos) produzindo HbA e HbS (AS), transmitindo cada um deles o gene alterado para a criança, que assim recebe o gene anormal em dose dupla (homozigoto SS). Pacientes com mutação nos dois alelos (homozigotos) tem a doença anemia falciforme Pacientes com mutação um único alelo (heterozigoto) e no outro apresentam um alelo qualquer são chamados de variante falcêmica existem diversos variantes de acordo com o outro alelo: ▪ Essa codominância entre diferentes alelos do gene β faz surgirem fenótipos clínicos distintos, de gravidade e prognóstico variáveis. FISIOPATOLOGIA O problema é QUALITATIVO e não quantitativo, as cadeias de globina são produzidas mas são estruturalmente anormais SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV 1. Mutação que origina uma hemoglobina anormal = hemoglobina S (HbS), ao invés da hemoglobina normal = hemoglobina A (HbA) 2. Essa mutação leva à troca de um aminoácido na cadeia beta da hemoglobina, o ácido glutâmico (hidrofílico) por uma valina (hidrofóbica) na posição 6. 3. Isso cria uma área que não interage com a água. Na tentativa de manter a hidrofilia, a hemoglobina S forma agregados. 4. Isso leva à falcização = mudança da alteração morfológica normal da hemácia para a forma de foice ou meia-lua o As moléculas de HbS sofrem polimerização quando desoxigenadas. Inicialmente o citosol eritrocitário é convertido de um líquido de fluxo livre para um gel viscoso à medida que são formados agregados de HbS. o Com a desoxigenação contínua, as moléculas de HbS agregadas são montadas em fibras em formas de agulhas longas no interior dos eritrócitos, produzindo uma forma distorcida em forma de foice drepanócito 5. Glóbulos vermelhos em forma de foice não circulam de forma adequada na microcirculação → resulta em vaso-oclusão e hemólise = obstrução do fluxo sanguíneo capilar, e infarto na área afetada → estado de infamação sistêmica crônica e isquemia, dor, necrose, disfunções, danos permanentes aos tecidos e órgãos. COMPORTAMENTO ANÔMALO DA HEMOGLOBINA S Baixa solubilidade A troca do ácido glutâmico pela valina gera perda de eletronegatividade e ganho de hidrofobicidade aumenta a tendência de autoagregação Pode culminar na súbita formação de polímeros de hemoglobina S no interior do citoplasma (perda de solubilidade), polímeros esses que, por constituírem fibras alongadas e rígidas, alteram o formato da célula (afoiçamento), prejudicando sua deformabilidade. Os polímeros de HbS não carreiam oxigênio. CONSEQUÊNCIA PARA AS HEMÁCIAS TODAS as células vermelhas no sangue de um falcêmico apresentam níveis aumentados de estresse oxidativo, mesmo quando não afoiçadas o Altera a estrutura das proteínas impede com que voltem para o estado normal o Lise osmótica ou mecânica no próprio compartimento intravascular, contribuindo para a anemia hemolítica o Aumenta a permeabilidade e desidratação (por causa da osmose) o Hemácias desidratadas se afoiçam com mais facilidade, além de serem mais viscosas o Desse modo, cria-se um ciclo vicioso de afoiçamento e desidratação celular progressiva. QUADRO CLÍNICO ○ 6 primeiros meses de vida não apresentam sintomas devido aos altos níveis de hemoglobina Fetal (HF). ○ Sintomas surgem devido: vaso-oclusão e hemólise crônica A maioria dos pacientes apresenta uma evolução pontuada por crises álgicas recorrentes (crises vaso-oclusivas) SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV Os principais “órgãos-alvo” da doença são: (1) baço; (2) ossos; (3) rins; (4) cérebro; (5) pulmões; (6) pele; e (7) coração CRISE ÁLGICA: dor no corpo devido a vaso oclusão. Infarto ósseo, isquemias Priaprismo: 90% dos homens até 20 anos VASO OCLUSÃO: leva à isquemia, dor, necrose, disfunções, danos permanentes aos tecidos e órgãos. Também leva à destruição progressiva do baço e consequentemente à autoesplenectomia, sendo responsável pela susceptibilidade aumentada a infecções graves. Como a possibilidade potencial de evolução com choque hipovolêmico SEQUESTRO ESPLÊNICO = 2a causa de morte entre crianças com anemia falciforme. Instalação abrupta com palidez e aumento do volume do baço com dor abdominal, fraqueza súbita, podendo ser desencadeado com processos infecciosos- meningococo, pneumococo, haemofilus e salmonela Em crianças sepse por pneumococo é a principal causa de morte SÍNDROME TORÁCICA AGUDA: dificuldade na distinção entre infecção pulmonar- principalmente pneumococo- de outras condições que podemocorrer na doença falciforme, incluindo a embolia gordurosa ou infarto pulmonar por oclusão da microvasculatura ou tromboembolismo, causando alterações inflamatórias no pulmão principal causa de morte TROMBOSE MICROVASCULAR! ○ Infecções bacterianas/virais no paciente com anemia falciforme → induzem aumento de fibrinogênio e estimulam a aderência da célula falciforme ao endotélio→ promove vasoconstrição e hipóxia tecidual → lesão tecidual que agudamente pode apresentar-se como crises dolorosas, acidente vascular cerebral, síndrome torácica aguda. Neurológica- AVC DIAGNÓSTICO Ver fatores desencadeantes o (1) queda leve a moderada da hemoglobina e do hematócrito o (2) reticulocitose (entre 3-15%) o (3) hiperbilirrubinemia indireta o (4) aumento de LDH o (5) queda da haptoglobina ★ TESTE DO PEZINHO também faz triagem neonatal para HbS e HbC ⇒ ideal colher amostra de sangue entre 48h e 7 dias após o nascimento. ➢ As hemácias do RN normal contémHb F e A – padrão FA. SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV ★ ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: de escolha para hemoglobinopatias, discrimina o tipo de hemoglobina presente na amostra de sangue. OBS: transfusão sanguínea prejudica a realização do exame. ★ HEMOGRAMA: Na anemia falciforme observa-se: ➢ NORMOCRÔMICA e NORMOCÍTICA!! ➢ Reticulócitos entre 3 - 25% ➢ Concentração basal de Hb varia entre 6 e 12 g/dL ➢ Anemia ➢ Leucocitose com desvio à esquerda ➢ Plaquetose ou plaquetopenia ➢ Poiquilocitose, com presença de hemácias em forma de foice ■ Importante descartar anemia ferropriva!! ■ Valores de VCM e/ou HCM podem indicar associação com beta-talassemia ou co- herança de alfa-talassemia SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV Uma vez confirmado o diagnóstico de anemia falciforme, deve-se solicitar uma bateria de exames específicos visando o acompanhamento evolutivo da função dos múltiplos “órgãos- -alvo” dessa doença TRATAMENTO ○ Prevenção de infecções ➢ Vacinas: requer também adicionais como vacina contra o pneumococo, meningite e vírus influenza. ➢ Uso da penicilina profilática VO: 2x ao dia em crianças de 3 a 6 meses de idade, diminuiu em 84% a incidência de bacteremia por pneumococo. ○ Manter hidratação e nutrição adequadas ○ Sempre cuidar pois variações de temperatura podem desencadear crises álgicas. ○ MANEJO DA CRISE ÁLGICA: analgésico, geralmente opióides ○ Transfusão sanguínea apenas em alguns momentos se necessário SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV 3. COMPREENDER AS TALASSEMIAS DEFINIÇÃO São desordens hereditárias que têm como característica básica uma deficiência na síntese das cadeias de globina. Elas possuem um espectro clínico amplo de apresentação, variando desde indivíduos inteiramente assintomáticos até crianças com anemia grave, deformidades ósseas e destruição acelerada de células vermelhas. ● As talassemias são classificadas de acordo com o tipo de cadeia globínica deficiente. ● Os tipos mais conhecidos são as betatalassemias (deficiência na produção de cadeias beta) e as alfatalassemias (deficiência na produção de cadeias alfa). BETATALASSEMIA EPIDEMIOLOGIA ● É a forma mais comum de talassemia no Brasil ● O percentual é bem mais elevado nas áreas de colonização italiana de nosso país ● A maioria dos pacientes é descendente de italianos ou gregos, mas a doença também é relatada em indivíduos negros. ETIOLOGIA ● Caracterizada por uma diminuição ou ausência na síntese de cadeias beta de globina. ● O gene da cadeia beta está no cromossomo 11, que está defeituoso apresenta geralmente mutações pontuais ● As diversas mutações só podem determinar dois tipos de gene betatalassêmico: o (1) um gene totalmente incapaz de produzir cadeia beta (gene β0); o (2) um gene que produz uma pequena quantidade de cadeia beta (gene β+), mas inferior ao normal. ● Assim, os genótipos possíveis de encontrar são: β/β (pessoa normal), β0/β0 e β+/β+ (homozigotos), β0/β+ (duplo heterozigoto), β0/β e β+/β (heterozigotos) ● OS homozigotos para o gene β0 (genótipo β0/β0) não produzem absolutamente nenhuma cadeia beta, e os duplos heterozigotos (genótipo β0/β+) produzem pouquíssima cadeia beta betatalassemia major (anemia de Cooley) quadro de SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV extrema gravidade e letalidade, dependente de hipertransfusão para a sobrevivência (este é considerado o fenótipo mais grave da doença). ● Os homozigotos para o gene β+ (genótipo β+/ β+) originam betatalassemia intermedia quadro moderadamente grave de talassemia, mas não dependente da hipertransfusão. ● Os heterozigotos para o gene β0 ou β+ (genótipo β0/β ou β+/β) betatalassemia minor ou “traço talassêmico”. Um gene produz cadeia beta normalmente, enquanto o outro não produz ou produz menos esta cadeia indivíduos são totalmente assintomáticos, embora tenham típicas alterações nos índices hematimétricos do hemograma FISIOPATOLOGIA ● A cadeia beta, quando está em quantidade reduzida o 1) diminui a síntese de hemoglobina, promovendo microcitose, hipocromia e anemia; o 2) sobram cadeias alfa no citoplasma do eritroblasto. ● As cadeias alfa livres são completamente insolúveis e precipitam no citoplasma da célula. O seu efeito tóxico culmina na destruição dos eritroblastos na própria medula óssea, um processo chamado eritropoiese ineficaz. ● Os poucos que sobrevivem originam hemácias “defeituosas”: além de microcíticas e hipocrômicas, estas hemácias contêm corpúsculos de inclusão (remanescentes de cadeia alfa), que as tornam suscetíveis aos macrófagos do baço, explicando a hemólise extravascular crônica. ● Em resumo: a anemia é consequência ao mesmo tempo da redução da síntese de hemoglobina, da eritropoiese ineficaz e da hemólise crônica extravascular. ● A eritropoiese ineficaz acaba estimulando (por um mecanismo desconhecido) a absorção intestinal de ferro, levando à hemossiderose (ou hemocromatose), mesmo na ausência da reposição inadvertida de sulfato ferroso. Este é o fenômeno da hemocromatose eritropoiética. BETATALASSEMIA MAJOR ● Até os 3-6 meses de idade a hemoglobina predominante é a HbF (α2γ2), não há necessidade de cadeia beta logo a doença se insta após essa idade como anemia grave (Hg entre 3,0-5,0 g/dl) e icterícia. ● O ritmo acelerado de destruição de células eritroides (tanto na medula, quanto na periferia) estimula fortemente (por intermédio da eritropoietina renal) a proliferação e maturação dos eritroblastos (hiperplasia eritroide) gera expansão da medula causando as deformidades ósseas talassemicas o proeminência dos maxilares (“fácies talassêmico” ou “fácies de esquilo”), aumento da arcada dentária superior, com separação dos dentes e bossa frontal. ● Crescimento, desenvolvimento e resposta imunológica ficam prejudicadas ● Baixa estatura torna-se uma regra, bem como disfunção endócrina, inanição e suscetibilidade a infecções. ● Pela hemólise crônica, as crianças talassêmicas estão sujeitas à litíase biliar (cálculos de bilirrubinato de cálcio) e a úlceras maleolares ● Hepatoesplenomegalia é um achado clássico (causado pela hemólise crônica e pela eritropoiese extramedular) ● As transfusões repetidas durante longos anos levam à sobrecarga de ferro no organismo, provocando hemocromatose transfusional: O ferro se acumula em diversos órgãos e tecidos, provocando morte de células e disfunção orgânica. o Os mais afetados são: fígado, sistema endócrino, pele, coração. o O quadro clínico é marcado por agravamento da hepatoesplenomegalia, coloração “bronzeada” da pele, hipogonadismo, diabetes mellitus e insuficiência cardíaca congestiva refratária. o O paciente acaba por falecer por arritmias cardíacas ou falência cardíaca ainda numa idade jovem. SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV ● EXAME DE IMAGEM o A radiografia de crânio pode revelar os aspectos clássicos da expansão medular: adelgaçamento da cortical, alargamento da cavidade medular e a imagem do “hair- on-end”, ou “cabelos na extremidade”. o Na radiografia de mão, notamos também adelgaçamento cortical, com expansão dos espaços entre as trabéculas ósseas. ● LABORATÓRIO Hipocrômica, microcítica e VCM baixo Reticulócitos aumentados o anemia grave (hemólise extravascular), microcítica e hipocrômica, com VCM entre 48-72 fL e CHCM entre 23-32 g/d o alterações características de hemólise extravascular encontram-se presentes: hiperbilirrubinemia indireta, aumento do LDH, redução da haptoglobina, reticulocito o O hemograma pode apresentar leucocitose neutrofílica, mas a plaquetometria está normal o Esfregaço de sangue periférico: intensa anisopoiquilocitose, com predomínio de hemácias microcíticas e hipocrômicas e de hemácias em alvo (leptócitos). A eritroblastose BETATALASSEMIA INTERMEDIÁRIA ● Mais brando visto que há produção intermediária da cadeia beta pelos eritrócitos ● O diagnósticoé feito na adolescência ou fase adulta. ● São indivíduos cronicamente anêmicos, com Hg na faixa entre 6-9g/dl (Ht entre 18-27%), deformidades ósseas características, icterícia intermitente, episódios de litíase biliar recorrente e esplenomegalia moderada. ● O crescimento, desenvolvimento e fertilidade estão preservados ● absorção de ferro intestinal também está aumentada (3-10 vezes em relação ao normal), por um mecanismo semelhante ao da talassemia major. Os sinais e sintomas da hemossiderose só aparecem após os 30 anos Mais efeitos de hipercoagulabiliadade ● LABORATÓRIO o Os achados dos índices hematimétricos e na hematoscopia do sangue periférico são idênticos aos da betatalassemia major. O que as diferencia é o grau de anemia. BETATALASSEMIA MINOR ● A principal importância da talassemia minor na prática médica é o seu reconhecimento como entidade benigna também é referida como “traço talassêmico ● O clínico não deve confundir a talassemia minor (e nem a intermedia) com anemia ferropriva!! ● Se dois indivíduos com talassemia minor tiverem prole, a chance de terem um filho com betatalassemia major (β0/β0 ou β0/β+) ou intermedia (β+/β+) é de 25%. ● O paciente é assintomático, sendo o seu problema descoberto acidentalmente no seu hemograma. ● Alguns possuem uma anemia discreta (Hg > 10 g/dl), outros não apresentam anemia. ● Os grandes marcadores desta entidade são a microcitose (VCM entre 60-75 fL) e a hipocromia (HCM entre 18-21pg). O sangue periférico contém hemácias em alvo e pontilhado basofílico. DIAGNÓSTICO ● Padrão ouro é eletroforese de hemoglobina- aumento da fetal e diminuição da HbA1, aumento da HbA2 SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV o quantifica proporcionalmente os tipos de hemoglobina presentes no homogeneizado de hemácias do paciente TRATAMENTO ● Betatalassemia Major se baseia na Hipertransfusão Crônica. o Esta terapia controla a hiperplasia eritroide desordenada, por retirar o estímulo anêmico à produção renal de eritropoietina o A esplenectomia é recomendável sempre que as necessidades de transfusão aumentarem mais de 50% em um ano ou ultrapassem 200 ml/kg/ ano o Além disso, está se fornecendo hemácias com hemoglobina normal (HbA) ao paciente, justamente o que está faltando a ele. o A hipertransfusão é feita na dose de 5-10 ml/kg a cada 3-5 semanas, com o objetivo de manter a hemoglobina média de 12 g/dl e mínima de 10 g/dl. ALFATALASSEMIAS EPIDEMIOLOGIA ● Elevada concentração em localidades no sudeste da Ásia e na China, bem como em populações originárias da costa oeste da África (negros). ● A doença também é encontrada esporadicamente na Índia, Oriente Médio, Itália, Grécia e nordeste da Europa. ● Nos demais países a doença é rara, porém, evidências recentes apontam para um aumento crescente em sua prevalência, devido, principalmente, às migrações internacionais ETIOLOGIA ● Existem quatro genes da cadeia alfa de globina, dispostos no cromossomo 16, dois alelos em cada braço cromossomial ● As alfatalassemias são decorrentes de deleção de um ou mais genes alfa. ● Os genótipo normal dos quatro genes alfa é representado da seguinte forma: αα/αα. ● O alelo α0 (representado por _ _) é a deleção de ambos os genes alfa de um braço cromossomial. ● O alelo α+ (representado por α_) é a deleção de apenas um gene alfa de um braço cromossomial. ● os sintomas da doença só se manifestam com 3 deleções- intermedia (doença da HbH) ou 4 deleções (hidropsia fetal). FISIOPATOLOGIA ● A ausência completa de cadeias alfa (genótipo _ _/_ _) é incompatível com a vida extrauterina O resultado é um natimorto ou um nascimento de um bebê com hidropsia fetal, rapidamente fatal ● A única cadeia que substitui a cadeia alfa é a ξ (da hemoglobina embrionária), ativa somente até a vida fetal ● Nesse momento, torna-se essencial a síntese de cadeias alfa, para produzir HbF (α2γ2). Sem nenhuma cadeia alfa, as cadeias gama se juntam, formando tetrâmeros γ4, denominados Hb Barts. ● Essa hemoglobina é muito ávida por O2, não sendo possível a entrega do precioso gás para os tecidos do feto. A anemia e hipóxia grave provocam falência cardíaca e edema fetal (hidropsia) DOENÇA DA HEMOGLOBINA H ● Ausência de três genes (genótipo α_/_ _) permite o nascimento da criança sem maiores problemas, mas já com anemia ● Sintomas semelhantes da talassemia intermedia:hemólise extravascular e moderada eritropoiese ineficaz. SP5 UC16 Evelin Salvi TXIV ● Os pacientes chegam à fase adulta sem necessidade de hemotransfusões. ● Apresentam esplenomegalia e uma anemia moderada microcítica hipocrômica ● A sobra de cadeias beta não possui o efeito tóxico grave das cadeias alfa livres (como nas betatalassemias). o Forma-se um tetrâmero de cadeias beta (β4), denominado HbH. Esta última pode se precipitar nas hemácias, aparecendo no esfregaço do sangue periférico, corado pelo azul brilhante de cresil, como um pontilhado eritrocítico ALFATALASSEMIA MINOR ● São pacientes assintomáticos, mas com microcitose e hipocromia no hemograma. ● O valor médio do VCM é de 72 fL e do CHM, de 31 g/ dl. ● O diagnóstico é suspeitado com exames de check-up. ● A principal preocupação é de saber o genótipo e a possibilidade de ter filhos com hidropsia fetal ou doença da HbH. DIAGNÓSTICO ● Padrão ouro é eletrofose de hemoglobina o quantifica proporcionalmente os tipos de hemoglobina presentes no homogeneizado de hemácias do paciente o Alfatalassemia minor é difícil de diagnosticar TRATAMENTO ● tratamento só está indicado na doença da HbH, sendo semelhante àquele preconizado para a betatalassemia intermedia, observando- -se as indicações de hemotransfusão, quelação de ferro e esplenectomia. A reposição de ácido fólico 1 mg VO/dia está sempre indicada. ● BRANDO: monitora 4. DISCUTIR SOBRE O ACESSO A ACONSELHAMENTO GENÉTICO NA SAÚDE PÚBLICA PARA CASOS DE DOENÇAS DE NATUREZA HEMATOLÓGICA REFERÊNCIAS https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1299/9/19332_ulfc091258_tm_9_CAPIT ULO_1.pdf SILVERTHORN, Dee Unglaub. Fisiologia humana: uma abordagem integrada - 5. ed. - Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2010 LORENZI, Therezinha Ferreira. Manual de hematologia: propedêutica e clinica. 4 ed – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006 HOFFBRAND, A. V. Fundamentos em hematologia. 6 ed. – dados eletrônicos – Porto Alegre: Artmed, 2013 HALL, John E. (John Edward). Tratado de Fisiologia Médica. 12 ed - Rio de Janeiro : Elsevier, 2011. recurso digital Hematologia laboratorial : teoria e procedimentos [recurso eletrônico] / Paulo Henrique da Silva .[et al.]. – Porto Alegre : Artmed, 2016 https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1299/9/19332_ulfc091258_tm_9_CAPITULO_1.pdf https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1299/9/19332_ulfc091258_tm_9_CAPITULO_1.pdf