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CLÍNICA CIRURGICA DAS FÍSTULAS, SINUS, HÉRNIAS E EVISCERAÇÕES • FÍSTULA: o É um conduto acidental que une duas superfícies epiteliais, internas (mucosas) ou externa (pele). Comunicado com uma estrutura cavitaria ou visceral. o Diagnóstico: ▪ Anamnese: Tempo decorrido e tratamentos realizados. ▪ Inspeção do trajeto: Avaliar profundidade (auxílio de uma sonda). ▪ Radiologia: Injeção de contraste para localização exata do trajeto. o Tratamento: ▪ Reconstituição anatômica das estruturas. o FÍSTULA MAXILAR (INFRAORBITÁRIA): ▪ Ocasionado por: • Alteração dentária (periodôntica ou endodôntica). o Abcesso apical (4 pré molar superior - carniceiro). • Trauma. • Sinusite. ▪ Mecanismo: • Alterações dentárias geram a formação de abcesso apical. • Abcesso apical cria meio ácido que favorece digestão óssea levando a comunicação com o seio maxilar – sinusite. • Sinusite seguinte gera a fístula maxilar comunicando o seio maxilar com o exterior. ▪ Sinais clínicos: • Aumento de volume (deformidade facial). Secreção piosanguilolenta. Dor na região. Hiporexia. Halitose. Sialorreia. ▪ Diagnóstico: • Baseado nos sinais clínicos. Radiografia (onde se observa osteólise do osso alveolar). ▪ Tratamento: • Ferida externa: Tricotomia. Lavagem com solução fisiológica. Debridamento. • Extração dentária (exodontia) ou tratamento de canal (endodontia). • Drenagem e lavagem do seio maxilar com solução fisiológica. • Ferida externa fica aberta para drenagem e lavagem, cicatriza por segunda intenção. ▪ Pós operatório: • Antibioticoterapia (antibiograma) – 21 dia: o Clindamicina ou Metronidazol ou Amoxicilina com clavulanato. • Analgesia: Dipirona. • Anti-inflamatório: Meloxican. • Comida pastosa por 2 a 3 semanas. Colar elizabetano. o FÍSTULA ORONASAL: ▪ Característica: Semelhante a fistula maxilar, mas agora há comunicação do alvéolo com a cavidade nasal. ▪ Ocasionado por: • Alteração dentária (periodôntica ou endodôntica). • Trauma. ▪ Mecanismo: • Alterações dentárias geram a formação de abcesso apical. • Abcesso apical cria meio ácido que favorece digestão óssea levando a comunicação cavidade nasal. ▪ Sinais clínicos: • Espirro. Presença de alimento na cavidade nasal. Dor na região. Halitose. Sialorreia. ▪ Diagnostico: • Presença de conduto entre a cavidade oral e a nasal. Associado a rinite crônica. Radiografia (osteólise de osso alveolar). ▪ Tratamento: • Curetagem. • Flap gengival. o Fistulas pequenas. o Fistula grandes. • Extração dentária (exodontia) se necessário. ▪ Pós operatório: • Antibioticoterapia (antibiograma): o Em caso de extração dentária. Em caso de rinite crônica. • Analgesia: Dipirona. Anti-inflamatório: Meloxicam. • Comida pastosa por 2 a 3 semanas. Colar elizabetano. o FÍSTULA RETOVAGINAL: ▪ Comunicação anormal entre o reto e a vagina. Vulva acaba por funcionar como orifício comum à urina e fezes. ▪ Geralmente associado a atresia anal tipo II (ânus imperfurado). ▪ Ocasionado por: • Distúrbio congênito – não há separação entre o conduto retal e o conduto vaginal. ▪ Sinais clínicos: • Podem passar despercebidos (dieta líquida). Presença de fezes na vulva. Tenesmos (dificuldade para defecar). Diarreia. Mega colón. Atresia anal. ▪ Diagnostico: • Baseado nos sinais clínicos. Exame físico. Radiografia simples e contrastada. Urinálise e urocultura e antibiograma. ▪ Tratamento: • Correção cirúrgica: o Episiotomia (incisão entre o anus e o reto). o Excisão da fistula com sutura em isolado simples. o Anoplastia (abrir o buraco do cu novamente, as vezes só isso reduz a fistula). ▪ Pós operatório: • Antibioticoterapia (mega colón). Analgesia. Anti-inflamatório. Comida pastosa. Óleo mineral. Colar elizabetano. ▪ Complicação: • Incontinência fecal. Deiscência. Prolapso retal. Tenesmo. Risco alto de óbito transoperatório. • SINUS: o É um conduto acidental com um fundo de saco no qual se aloja um corpo estranho ou uma glândula alterada. Conduto é revestido por tecido cicatricial. Normalmente apresenta secreção purulenta. o Diagnóstico: ▪ Anamnese: Tempo decorrido e tratamentos realizados. ▪ Inspeção do trajeto: Avaliar profundidade (auxílio de uma sonda). o Tratamento: ▪ Remoção do fator irritante: Corpo estranho. Glândula. o SINUS ABDOMINAL: ▪ Decorrentes da presença de fios de sutura. Ocorre em pacientes que foram submetidos a procedimentos cirúrgicos. ▪ Fios com propensão a gerar sinus: Inabsorvíveis e Multifilamentares. • PARATOPIAS: o São todas as alterações que caracterizam deslocamento de vísceras de sua cavidade natural, alojando- se em um local vizinho. o Causas: Trauma. Congênito. o TIPOS: ▪ Hérnia: Saída de vísceras da cavidade por um orifício adquirido regular. ▪ Eventração: Ruptura de todas as camadas da parede abdominal, com exceção da pele. Saída de vísceras por orifício irregular. Não há contato das vísceras com o meio externo • Imagens A e B. ▪ Evisceração: Ruptura de todas as camadas da parede abdominal com exposição de vísceras para o ambiente. ▪ Prolapso: Saída de vísceras da cavidade por um orifício natural. • Ex: Prolapso retal e vaginal. ▪ Protusão: Deslocamento de uma estrutura de sua posição anatômica • Ex: Globo ocular sai para fora. • HÉRNIAS: o Possui componentes característicos (hérnias verdadeiras): ▪ Anel herniário – uniforme arredondado e engrossado em relação aos tecidos adjacentes (ponto de ruptura). Conteúdo (vísceras). Saco herniário (prega do peritônio). o Obs: Existem hérnias falsas que não apresentam alguns dos componentes. Ex: hérnia diafragmática. o Podem ser ainda redutíveis ou irredutíveis. o HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA (hérnia falsa pois possui apenas conteúdo): ▪ Passagem de vísceras abdominais através do músculo diafragma, alojando-se na cavidade torácica. ▪ Pressão negativa do tórax leva a efeito de ocupação de espaço (“suga as vísceras”). ▪ Causa: Congênita ou Adquirida. ▪ Sinais clínicos: • Pode ser aguda ou crônica. Dispneia. Intolerância ao exercício. Dor. Vômito. Diarreia. Adotam posição de cão sentado e cabeça estendida (quando erguido posterior dispneia piora, pois as vísceras vão comprimir os pulmões). ▪ Diagnóstico: • Radiografia. ▪ Tratamento cirúrgico: • Não esqueça de estabilizar paciente (pré-operatório), mas assim que estabilizado entrar o quanto antes para a cirurgia: o Dispneia (oxigenioterapia) com máscara, tenda ou cateter nasal. o Em caso de efusão pleural (toracocentese). o Podem chegar em choque e devem ser estabilizados. • Pós operatório: o Cuidado com ventilação. Analgesia. Anti-inflamatórios. Colar elizabetano. o HÉRNIA PERINEAL (hérnia falsa pois não possui saco herniático): ▪ Passagem de vísceras pelo diafragma pélvico, alojando-se lateralmente ao ânus. ▪ Causas: Por estresse e esforço do diafragma pélvico. • Prostatite (cão velho – fragilidade dos músculos). Cistite. Obstrução do trato urinário. Obstrução colorretal. Saculite anal. Diarreia. Constipação. ▪ Sinais clínicos: • Tumefação perineal. Constipação. Incontinência fecal. Incontinência urinária. ▪ Diagnóstico: • Exame físico. Radiografia. • US: Vísceras – bexiga, gordura pélvica e intestino delgado. o Encarceramento: Trânsito interrompido na saída do anel herniático, conforme vai aumentando leva ao choque endotóxico. o Estrangulamento: Compressão do aporte sanguíneo levando ao choque endotóxico. • Radiografia contrastada: cistografia (ver se está na posição certa). ▪ Tratamento cirúrgico: • Pontos chaves: Ao incisar cuidado para não atingir órgãos, hérnias falsas podem ter aderência dos órgãos. Usar fio inabsorvível na musculatura pois da mais aderência. ▪ Pós operatório: • Analgesia. Crioterapia 72h de pós operatório - com bolsas de gelo. Termoterapia após 72h - com bolsas quentes.Antibioticoprofilaxia é indicada (12h de pós). Anti- inflamatórios. Óleo mineral. Colar elizabetano. ▪ Complicações: • Grande risco de recidiva (10-45%). Incontinência fecal (especialmente se hérnia for bilateral). Incontinência urinária. o HÉRNIA INGUINAL: ▪ Passagem de vísceras pelo anel inguinal. • Machos: cordão espermático, plexo pampiniforme e veia e artéria pudenda interna. o Em machos pode estar associado a hernias escrotais. • Fêmeas: veia e artéria pudenda interna. ▪ Características: • Mais comum em cadelas intactas de meia idade. • Hormônios influenciam a etiologia (estrogênio). Podem alterar a resistência e características do tecido conjuntivo, dilatando os anéis inguinais. • Cadelas no cio são propensas a brigas e atropelamentos quando possuem cesso a rua, causando aumento repentino de pressão intra-abdominal. ▪ Sinais clínicos: • Aumento de volume na região inguinal. Aumento de volume na região escrotal. ▪ Diagnóstico: • Exame físico. Radiografia. US (Vísceras podem estar com encarceramento ou estrangulamento). ▪ Tratamento cirúrgico. • Pós operatório: Analgesia. Anti-inflamatórios. Colar elizabetano. o HÉRNIA UMBILICAL: ▪ Passagem de vísceras pela cicatriz umbilical. • Caráter congênito: o Fusão incompleta do musculo reto do abdômen. o Pode também ter caráter hereditário. • Sinais clínicos: o Aumento de volume na região abdominal ventral na cicatriz umbilical. • Diagnóstico: o Exame físico. Radiografia. US (Vísceras podem estar com encarceramento ou estrangulamento). • Tratamento cirúrgico. o Pontos chaves: Tentar reduzir a hernia, caso não seja possível faze a incisão em elipse. Usar fio absorvível nesse caso. o Pós operatório: Analgesia. Anti-inflamatórios. Colar elizabetano. o OUTRAS HÉRNIAS: ▪ Hérnia incisional: Geralmente chamada de deiscência, ruptura de pontos internos com migração de vísceras. ▪ Hérnia abdominal: Consiste em qualquer outra formação herniária em outro ponto da parede abdominal que não as relacionadas com pontos de fragilidade. ▪ Hérnia traumática: Maioria das hérnias são traumáticas, mas esse termo é utilizado como sinônimo de eventração. o EVISCERAÇÃO: ▪ Herniação de vísceras pela parede abdominal com exposição para o ambiente. ▪ Causas: • Deiscência ou Trauma. ▪ Leva peritonite e consequente choque séptico. Animais podem se mutilar (aumentando a perda sanguínea). ▪ Diagnostico: Tem a porra de um intestino aparecendo :) ▪ Tratamento: • É uma emergência. Pode estabilizar paciente. Antibioticoterapia de amplo espectro. Bandagem abdominal estéril e colar elizabetano até preparo para cirurgia. Debridamento cirúrgico da parede não é indicado. Verificar se há necessidade de remoção (intestino…). Colher amostra para cultura se houver secreção. Lavar cavidade com solução fisiológica estéril. Colocação de dreno de sucção deve ser considerada em caso de peritonite. ▪ Prognóstico: • Apesar da aparência dramática da evisceração, tratamento agressivo e intervenção cirúrgica rápida normalmente levam a um prognóstico favorável.