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AFYA – FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS CURSO DE MEDICINA 3° PERÍODO RAISSA CRISTINA DINIZ DORNELES MANCHAS DE PISCINA ITACOATIARA – AM 2023 RAISSA CRISTINA DINIZ DORNELES MANCHAS DE PISCINA Trabalho apresentado ao curso de Medicina da Faculdade ITPAC Itacoatiara, para obtenção de nota parcial do eixo Sistemas Orgânicos Integrados III – SOI III. Docente: Prof°. Camila Araújo ITACOATIARA – AM 2023 MANCHAS DE PISCINA A pitiríase versicolor é uma infecção fúngica superficial e crônica, causada por leveduras do gênero Malassezia spp. Hoje se conhecem 13 espécies do gênero, comensais da pele humana e de animais de sangue quente, como porcos, macacos, cabras, cavalos, cachorros, gatos e outros, que podem provocar dermatoses e infecções sistêmicas no homem, além de lesões na pele e otite externa nos animais. É normalmente assintomática, porém, não são raras as recidivas. Apesar de não ser uma doença que comprometa a função ou a vida e, na maioria dos casos, com boa resposta ao tratamento, o aspecto clínico das lesões e a hipocromia ou acromia residual que a doença pode ocasionar acabam determinando grande estigma social. A patogênese das lesões e os fatores considerados responsáveis pelo rompimento do equilíbrio entre as leveduras do gênero Malassezia e o hospedeiro ainda é incerto. As lesões apresentam-se na forma de manchas ovais ou arredondadas, pápulas ou placas isoladas, podendo coalescer e cobrir grandes áreas do corpo, separadas por áreas saltadas de pele normal. Apresentam cores variadas – manchas hipocrômicas, eritematosas ou hipercrômicas. Desse modo, as manchas da pitiríase versicolor possuem coloração parda ou amarelada e, quando raspadas com a unha, observa-se descamação furfurácea (“sinal de Besnier” ou “sinal da unhada”). O sinal se Zireli corresponde à descamação observada quando se estira a pele. Os fatores envolvidos na transformação da levedura na sua forma miceliana patogênica são incertos. Fatores endógenos e exógenos têm sido implicados como: herança genética, imunossupressão congênita ou adquirida, má nutrição, uso de anticoncepcionais orais, uso de corticosteroides, hiper-hidrose, desordens endócrinas, temperatura elevada, umidade do ar, roupas oclusivas, uso de óleos ou hidratantes na pele e até composição química do sebo. A presença desses fatores pode explicar as frequentes recidivas e a cronicidade da doença após o tratamento. O diagnóstico baseia-se, primeiramente, na característica clínica típica em combinação com fluorescência amarelo-brilhante sob luz de Wood e, em especial, o exame micológico direto. Pode-se utilizar o método de raspagem das lesões ou o da fita adesiva para a coleta de material e observação ao microscópio óptico. Utiliza-se o hidróxido de potássio (10% a 20%) acrescido de azul de metileno a 1% ou de tinta azul ou preta Parker para melhor visualização das estruturas fúngicas. Ao exame direto, a presença de células leveduriformes e pseudo-hifas é facilmente identificada. Deve-se considerar como diagnóstico diferencial vitiligo e pitiríase alba. O tratamento da pitiríase versicolor, na sua maioria, é eficaz. O uso da medicação pode ser tópico, oral ou combinado. O tratamento tópico é indicado em praticamente todos os casos como terapia única ou combinada. Inclui queratolíticos e azólicos como: sulfeto de selênio, ácido salicílico associado com enxofre, propilenoglicol em água, piritionato de zinco, ciclopirox-olamina, bifonazol, clotrimazol, fluconazol, cetoconazol, miconazol, econazol e terbinafina. A terapia sistêmica é primeiramente indicada para lesões extensas, para as resistentes ao tratamento tópico e nas recidivas. O tratamento oral é feito com azólicos e inclui cetoconazol, itraconazol ou fluconazol. O cetoconazol e o itraconazol podem ser utilizados na profilaxia das recorrências. Caso clínico: Criança de oito anos com manchas claras coalescentes (máculas descamativas coalescentes hipopigmentadas) na pele da região posterior do tronco. Ao se estirar a pele entre dois dedos, visualizava-se descamação (Sinal Zileri). 1. Qual a principal hipótese diagnóstica? A principal hipótese diagnóstica com base na descrição seria pitiríase versicolor. O sinal Zileri, mencionado na descrição, é uma característica específica desse tipo de infecção. Em caso de dúvida diagnóstica, a suspeição clínica pode ser confirmada por: • Exame com lâmpada de Wood: lesão apresenta fluorescência amarelo pálido ou brilhante, dourado ou laranja em 1/3 dos casos; • Exame micológico direto através da descamação adquirida por raspagem das lesões e clarificação pelo KOH: hifas curtas e curvas e leveduras aglomeradas "em cachos de uva", formando aspecto de "espaguete com almôndegas". Difícil crescimento em cultura, pois necessitam de condições laboratoriais difíceis de serem atingidas; • Biópsia de lesão cutânea: hiperqueratose, acantose, infiltrado dérmico perivascular e superficial discreto, elementos fúngicos (hifas e esporos formando aspecto de "espaguete com almôndegas") exclusivamente na camada córnea. Visto na coloração de hematoxilina-eosina e reforçado pelo PAS. 2. Trata-se de uma doença contagiosa? Pitiríase versicolor não é considerada uma doença altamente contagiosa. O fungo Malassezia faz parte da flora normal da pele, e a infecção ocorre quando há um crescimento excessivo desse fungo. 3. Como propor um tratamento? O tratamento tópico é a 1ª linha na maioria dos casos e envolve xampu antifúngico + creme/loção/spray/gel/solução/espuma antifúngicos: • Exemplos de xampus: Cetoconazol, Piritionato de zinco, Sulfeto de selênio; • Exemplos de creme/loção/spray/espuma antifúngico: Cetoconazol, Clotrimazol, Fenticonazol, Ciclopirox olamina, Isoconazol, Miconazol, Terbinafina, Bifonazol; • Antifúngico em spray ou espuma são menos oleosos e apresentam mais fácil aplicação, principalmente em caso de lesões mais disseminadas. Para casos graves, extensos/disseminados, recalcitrantes, recidivantes ou associados à doença de base (imunodeficiências), deve-se considerar tratamento sistêmico associado ao tópico: • Exemplos: Itraconazol, Fluconazol (menos interação medicamentosa que o Itraconazol), Cetoconazol; • Desde 2013, a Anvisa não coloca mais o Cetoconazol oral como primeira opção no tratamento das micoses cutâneas, apenas para casos em que outras terapias não foram eficazes, pois é medicamento hepatotóxico; • Terbinafina oral não é efetiva para pitiríase versicolor. Na recidiva, pode-se usar o tratamento que foi efetivo previamente. Recomendações da Anvisa aos profissionais da saúde para os casos em que o uso do Cetoconazol oral for eleito: • Acompanhar os pacientes que fazem uso do produto, especialmente em relação às funções hepáticas e renais. • Avaliar os riscos e benefícios do tratamento oral com Cetoconazol e de forma individualizada. • Notificar os eventos graves relacionados ao uso de Cetoconazol pelo sistema Notivisa. 4. A pigmentação retorna de imediato? A recuperação da pigmentação da pele pode levar algum tempo. Mesmo após a eliminação da infecção, pode haver uma gradual repigmentação da pele. A exposição solar moderada e regular pode ajudar na uniformização da coloração da pele, mas é importante usar protetor solar para evitar danos adicionais. REFERÊNCIAS 1. Morais, Patrícia Motta de, Cunha, Maria da Graça Souza e Frota, Maria Zeli Moreira. Aspectos clínicos de pacientes com pitiríase versicolor atendidos em um centro de referência em dermatologia tropical na cidade de Manaus (AM), Brasil. Anais Brasileiros de Dermatologia [online]. 2010, v. 85, n. 6 [Acessado 10 novembro 2023], pp. 797-803. Disponívelem: <https://doi.org/10.1590/S0365-05962010000600004>. Epub 27 Jan 2011. ISSN 1806-4841. 2. Veasey JV, Macedo PM de, Amorim JR, Orofino‐Costa R. Nomenclatura correta do sinal de Zirelí na propedêutica da pitiríase versicolor (in memoriam). An Bras Dermatol [Internet]. 2021 [citado 11 de novembro de 2023];96(5):591–4. Disponível em: https://www.anaisdedermatologia.org.br/pt-nomenclatura-correta-do- sinal-zireli-articulo-S2666275221001521