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2018
Cooperativismo e 
assoCiativismo
Prof. Marcelo Borghezan
Copyright © UNIASSELVI 2018
Elaboração:
Prof. Marcelo Borghezan
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
 B732c
 Borghezan, Marcelo
 Cooperativismo e associativismo. / Marcelo Borghezan. – Indaial: 
 UNIASSELVI, 2018.
 274 p.; il.
 ISBN 978-85-515-0230-3
1.Cooperativismo e Associativismo Rural. – Brasil. II. Centro 
 Universitário Leonardo Da Vinci.
CDD 334
III
apresentação
Olá, acadêmico!
Seja bem-vindo à disciplina de Cooperativismo e Associativismo. 
Este é um tema de grande utilidade para muitas atividades do setor do 
agronegócio. O associativismo é uma forma de cooperação entre os membros 
da sociedade civil, atuando sem fins lucrativos, onde os indivíduos se 
organizam de forma democrática em defesa de interesses comuns. O 
cooperativismo é uma associação de pessoas que se unem em cooperação 
mútua, em busca de interesses e necessidades econômicas, sociais e culturais, 
com organização e administração de forma democrática e coletiva.
Com o objetivo de melhorar a compreensão e facilitar o aprendizado 
sobre o associativismo e o cooperativismo, os temas estão distribuídos em três 
unidades. Inicialmente, serão apresentados os aspectos que contextualizam o 
setor agropecuário no Brasil, fornecendo uma base teórica para compreender 
como o associativismo e o cooperativismo podem contribuir para o 
desenvolvimento do agronegócio. 
Na primeira unidade, serão analisados os temas relacionados com 
a formação e distribuição da propriedade agrária, a estrutura fundiária e o 
tamanho das propriedades rurais, além das características que originaram a 
desigualdade entre as regiões agrícolas brasileiras. Abordaremos a importância 
das políticas públicas para o setor do agronegócio, identificando as principais 
políticas públicas voltadas às atividades agropecuárias, destacando aquelas 
direcionadas para a atuação de associações e cooperativas rurais.
Na segunda unidade, estudaremos o associativismo de forma mais 
aprofundada, destacando a organização social rural, as formas de trabalho 
no campo, a importância do trabalho coletivo e da cooperação. Fazem parte 
desta unidade, os princípios e valores do trabalho coletivo, as vantagens 
e desvantagens de se estabelecer uma associação, a legislação sobre o 
associativismo e o cooperativismo, sua relação com o desenvolvimento 
sustentável e as condições e características que possibilitam a constituição e 
o funcionamento da associação rural.
A terceira unidade abordará o cooperativismo, discutindo os 
aspectos históricos, a simbologia adotada pelo movimento cooperativista 
no mundo, as formas de atuação e de representação. Vamos aprender sobre 
a estrutura de uma cooperativa, a importância do estatuto, os direitos e 
deveres dos cooperados. Esses conhecimentos ajudarão na compreensão dos 
procedimentos para a implementação e administração de uma cooperativa. 
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
 Esperamos que os conteúdos deste livro didático, os temas abordados, 
as sugestões e exemplos apresentados estimulem seu interesse pelo assunto. 
Desejamos que os conhecimentos contribuam com seu aprendizado e 
possibilitem melhorar a sua formação profissional.
Agradecemos e desejamos uma boa leitura. 
Bons estudos!
Prof. Marcelo Borghezan
NOTA
V
Olá acadêmico! Para melhorar a qualidade dos 
materiais ofertados a você e dinamizar ainda mais 
os seus estudos, a Uniasselvi disponibiliza materiais 
que possuem o código QR Code, que é um código 
que permite que você acesse um conteúdo interativo 
relacionado ao tema que você está estudando. Para 
utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos 
e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar 
mais essa facilidade para aprimorar seus estudos!
UNI
VI
VII
UNIDADE 1 – DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO ................................................ 1
TÓPICO 1 – HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA ..................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 DESEMPENHO ECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO ..................................... 3
3 CONCEITUAÇÃO DE QUESTÃO AGRÁRIA .............................................................................. 8
4 ORIGEM E FORMAÇÃO DA PROPRIEDADE AGRÁRIA ....................................................... 13
5 QUESTÃO AGRÁRIA NA ATUALIDADE ..................................................................................... 19
5.1 O CAMPESINATO........................................................................................................................... 20
5.2 A EXPANSÃO DAS FRONTEIRAS AGROPECUÁRIAS ........................................................... 22
5.3 O PROCESSO MIGRATÓRIO ........................................................................................................ 22
5.4 A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA ............................................................................................... 23
5.5 O SETOR DO AGRONEGÓCIO .................................................................................................... 23
5.6 AS OCUPAÇÕES E AS FORMAÇÕES DE ASSENTAMENTOS RURAIS .............................. 23
5.7 A VIOLÊNCIA NO CAMPO .......................................................................................................... 24
6 O BRASIL AGRÁRIO .......................................................................................................................... 25
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 28
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 29
TÓPICO 2 – ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO REGIONAL ............................... 31
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................31
2 ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA ...................................................................................... 31
3 TAMANHO DAS PROPRIEDADES RURAIS ................................................................................ 38
3.1 MÓDULO FISCAL ........................................................................................................................... 40
4 DESEQUILÍBRIO REGIONAL .......................................................................................................... 42
4.1 DENSIDADE POPULACIONAL E SUA RELAÇÃO COM A DESIGUALDADE 
REGIONAL ....................................................................................................................................... 43
4.2 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) E SUA RELAÇÃO COM A DESIGUALDADE 
REGIONAL ....................................................................................................................................... 46
5 CICLOS ECONÔMICOS BRASILEIROS ........................................................................................ 47
5.1 CICLO DO PAU-BRASIL ................................................................................................................ 48
5.2 CICLO DA CANA-DE-AÇÚCAR ................................................................................................. 49
5.3 CICLO DA PECUÁRIA ................................................................................................................... 50
5.4 CICLO DO OURO E DA MINERAÇÃO ...................................................................................... 52
5.5 CICLO DA BORRACHA ................................................................................................................ 53
5.6 CICLO DO CAFÉ ............................................................................................................................. 55
5.7 CICLO DA INDUSTRIALIZAÇÃO E DA DIVERSIFICAÇÃO DA ECONOMIA ................. 57
6 CONDIÇÕES ESTRUTURAIS DO BRASIL ATUAL .................................................................... 58
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 60
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 61
TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO RURAL ................................ 63
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 63
2 CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO RURAL BRASILEIRO .............................................. 63
sumário
VIII
3 POLÍTICAS PÚBLICAS E SEUS ESTÁGIOS DE FORMAÇÃO ...............................................67
4 TIPOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS ................................................................................................69
4.1 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ASSOCIATIVISMO E COOPERATIVISMO ....................74
4.1.1 Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE .....................................................75
4.1.2 Programa de Aquisição de Alimentos – PAA ...................................................................76
4.1.3 Direitos relativos à propriedade industrial .......................................................................76
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................78
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................81
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................82
UNIDADE 2 – ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO ..............85
TÓPICO 1 – TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL ................................................87
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................87
2 ORGANIZAÇÃO SOCIAL RURAL NO BRASIL ........................................................................87
3 O TRABALHO RURAL .....................................................................................................................90
3.1 FORMAS DE TRABALHO RURAL ............................................................................................93
4 RELAÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E COOPERAÇÃO ................................................................96
4.1 ORGANIZAÇÃO COLETIVA E COOPERAÇÃO NA NATUREZA .....................................98
4.2 ORGANIZAÇÃO COLETIVA E COOPERAÇÃO NA HISTÓRIA HUMANA ....................100
4.3 ORGANIZAÇÃO COLETIVA E COOPERAÇÃO NA ATUALIDADE .................................106
4.3.1 Ponto de vista socialista .......................................................................................................106
4.3.2 Ponto de vista capitalista .....................................................................................................109
5 CAPITAL SOCIAL ..............................................................................................................................111
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................114
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................115
TÓPICO 2 – ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO .....................................................................117
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................117
2 A CULTURA DA COOPERAÇÃO ..................................................................................................117
2.1 PRINCÍPIOS E VALORES DA COOPERAÇÃO ........................................................................120
3 O ASSOCIATIVISMO .......................................................................................................................120
3.1 COMPORTAMENTOS QUE FAVORECEM E QUE DIFICULTAM 
 O ASSOCIATIVISMO ....................................................................................................................121
3.2 PRINCÍPIOS DO ASSOCIATIVISMO .........................................................................................123
3.3 TIPOS DE ASSOCIAÇÕES ...........................................................................................................124
4 ASSOCIAÇÕES RURAIS ..................................................................................................................126
4.1 VANTAGENS E LIMITAÇÕES DO ASSOCIATIVISMO RURAL ..........................................127
4.2 ASSOCIATIVISMO RURAL: CONDOMÍNIOS E CONSÓRCIOS AGRÍCOLAS .................129
5 LEGISLAÇÃO PARA O ASSOCIATIVISMO E PARA O COOPERATIVISMO 
 NO BRASIL ..........................................................................................................................................131
6 O ASSOCIATIVISMO E O COOPERATIVISMO NO CONTEXTO DO 
 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.......................................................................................133
6.1 O ASSOCIATIVISMO NO CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL, 
 DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E DE AÇÕES INTERINSTITUCIONAIS ................................135
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................139
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................140
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................141TÓPICO 3 – CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS .......143
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................143
2 A CRIAÇÃO DE UMA ASSOCIAÇÃO ..........................................................................................144
IX
2.1 IDENTIFICAÇÃO DE INTERESSES E NECESSIDADES COMUNS .....................................144
2.2 O QUE FAZER PARA CRIAR UMA ASSOCIAÇÃO ...............................................................145
2.3 FASE 1: SENSIBILIZAÇÃO ..........................................................................................................146
2.3.1 O estatuto social da associação ...........................................................................................148
2.4 FASE 2: CONSTITUIÇÃO .............................................................................................................150
2.4.1 Registros da associação ........................................................................................................152
2.4.1.1 Registro no cartório civil ...................................................................................................152
2.4.1.2 Registro no órgão da Receita Federal .............................................................................154
2.4.1.3 Registro na Secretaria Estadual da Fazenda ..................................................................154
2.4.1.4 Registro no Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS ......................................154
2.4.1.5 Registro na Prefeitura Municipal ....................................................................................154
2.5 FASE 3: PRÉ-OPERACIONAL .....................................................................................................155
2.6 FASE 4: OPERACIONAL ..............................................................................................................155
3 A ADMINISTRAÇÃO DE UMA ASSOCIAÇÃO ........................................................................156
3.1 ASSEMBLEIAS ...............................................................................................................................156
3.1.1 Assembleia geral de fundação ou de constituição ...........................................................157
3.1.2 Assembleia Geral Ordinária (AGO) ...................................................................................157
3.1.3 Assembleia Geral Extraordinária (AGE) ...........................................................................158
3.2 ATRIBUIÇÕES DOS MEMBROS DA DIRETORIA E DO CONSELHO FISCAL .................158
3.2.1 Atribuições da diretoria .......................................................................................................159
3.2.1.1 Atribuições do presidente .................................................................................................160
3.2.1.2 Atribuições do vice-presidente ........................................................................................160
3.2.1.3 Atribuições do secretário ..................................................................................................160
3.2.1.4 Atribuições do tesoureiro ..................................................................................................161
3.2.2 Atribuições do conselho fiscal .............................................................................................161
3.3 CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES LEGAIS ..........................................................................162
3.4 PLANEJAMENTO E AÇÕES DO DIA A DIA DA ASSOCIAÇÃO ........................................163
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................165
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................166
UNIDADE 3 – COOPERATIVISMO ..................................................................................................169
TÓPICO 1 – HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DO COOPERATIVISMO ..................................171
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................171
2 CONTEXTO HISTÓRICO DO SURGIMENTO DO COOPERATIVISMO ...........................172
3 HISTÓRICO DO COOPERATIVISMO MODERNO ..................................................................175
3.1 PRECURSORES DO COOPERATIVISMO .................................................................................175
3.2 A PRIMEIRA COOPERATIVA MODERNA: A SOCIEDADE DOS PROBOS 
 DE ROCHDALE .............................................................................................................................178
3.3 HISTÓRICO DO COOPERATIVISMO NO BRASIL .................................................................182
4 ECONOMIA SOLIDÁRIA E A RELAÇÃO COM O ASSOCIATIVISMO 
 E O COOPERATIVISMO ..................................................................................................................186
5 CLASSIFICAÇÃO E REPRESENTAÇÕES DO SISTEMA COOPERATIVO .........................188
5.1 REPRESENTAÇÕES DO SISTEMA COOPERATIVO ..............................................................190
5.1.1 Aliança Cooperativa Internacional (ACI) ..........................................................................190
5.1.2 Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) ............................................................191
5.1.3 Confederação Nacional das Cooperativas (CNCOOP) ...................................................193
5.1.4 Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP) ..........................194
5.1.5 Frente Parlamentar do Cooperativismo (FRENCOOP) ..................................................197
5.1.6 Departamento de Cooperativismo e Associativismo Rural (DENACOOP) ................197
5.1.7 Conselho Nacional de Cooperativismo (CNC) ................................................................197
X
5.1.8 União Nacional das Organizações Cooperativas Solidárias (Unicopas) ......................198
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................200
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................202
TÓPICO 2 – ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO COOPERATIVISMO ...............................203
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................203
2 VALORES E PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO .................................................................204
2.1 VALORES DO COOPERATIVISMO ...........................................................................................205
2.2 PRINCÍPIOS DO COOPERATIVISMO .......................................................................................205
3 SÍMBOLOS DO COOPERATIVISMO ...........................................................................................207
4 DATAS E COMEMORAÇÕES DO COOPERATIVISMO ..........................................................208
5 RAMOS DO COOPERATIVISMO .................................................................................................210
6 DADOS ESTATÍSTICOS DO COOPERATIVISMO NO MUNDO E NO BRASIL ..............213
6.1 DADOS DO COOPERATIVISMO NO MUNDO ......................................................................213
6.2 DADOS DO COOPERATIVISMO NO BRASIL.........................................................................215
7 CARACTERÍSTICAS E DIFERENÇAS ENTRE ASSOCIAÇÕES E COOPERATIVAS........219
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................228
AUTOATIVIDADE...............................................................................................................................229
TÓPICO 3 – CONSTITUIÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DAS COOPERATIVAS ......................231
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................231
2 A CRIAÇÃO DE UMA COOPERATIVA ........................................................................................231
2.1 UMA COOPERATIVA OU UMA ASSOCIAÇÃO? ...................................................................233
2.2 O QUE FAZER PARA CRIAR UMA COOPERATIVA .............................................................234
2.2.1 Fase de sensibilização ...........................................................................................................235
2.2.2 Fase de constituição ..............................................................................................................237
2.2.3 Fase operacional ou de início das atividades ...................................................................238
3 COMO FUNCIONA UMA COOPERATIVA .................................................................................239
3.1 ASSEMBLEIA GERAL...................................................................................................................241
3.2 DIRETORIA OU CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO ..........................................................243
3.2.1 Distribuição das sobras ou dos prejuízos ..........................................................................248
3.2.2 Impostos e tributos ...............................................................................................................250
3.3 CONSELHO FISCAL .....................................................................................................................252
3.4 AUDITORIA INTERNA E AUDITORIA EXTERNA INDEPENDENTE ...............................253
4 PARTICIPAÇÃO E FUNÇÕES DOS COOPERADOS ................................................................255
4.1 DIREITOS E DEVERES DOS COOPERADOS ...........................................................................256
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................257
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................261
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................262
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................263
1
UNIDADE 1
DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO 
BRASILEIRO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• apresentar os conceitos relacionados à questão agrária, estrutura fundiária 
e desenvolvimento rural;
• compreender como ocorreu a formação da propriedade agrária no Brasil 
e como esse processo resultou na estrutura fundiária e na desigualdade 
regional na atualidade;
• identificar os principais aspectos relacionados às iniciativas de estímulo 
ao desenvolvimento rural e as principais políticas públicas direcionadas 
ao agronegócio e à agricultura familiar;
• possibilitar uma análise crítica do processo histórico de posse da terra, 
como base para a adoção de ações que visem minimizar os problemas 
relacionados à questão agrária e estimular o desenvolvimento rural de 
forma mais sustentável;
• identificar e conhecer as principais políticas públicas voltadas ao 
associativismo e ao cooperativismo, compreendendo a importância da 
cooperação e as suas oportunidades;
• identificar os benefícios do trabalho associativo para a viabilização 
da propriedade, para a cadeia de produção e para o desenvolvimento 
territorial.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
TÓPICO 2 – ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO REGIONAL
TÓPICO 3 – POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO RURAL
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
1 INTRODUÇÃO
Neste primeiro tópico serão abordados os temas relacionados à 
economia do setor de agronegócios, a questão agrária brasileira, apresentando 
explicações conceituais e um breve comentário histórico para a compreensão 
das características que estruturaram a distribuição das terras no Brasil. Esses 
conhecimentos têm o objetivo de promover a identificação das dificuldades e da 
realidade do agronegócio brasileiro na atualidade.
Espera-se que os temas apresentados proporcionem condições para 
uma compreensão das origens socioeconômicas e dos desafios relacionados 
ao meio rural e à estrutura fundiária, servindo de estímulo ao pensamento 
crítico e ao aproveitamento de novas oportunidades de desenvolvimento rural, 
principalmente através do associativismo e do cooperativismo.
2 DESEMPENHO ECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO 
BRASILEIRO
O Brasil apresenta um modelo de desenvolvimento econômico onde o 
setor agropecuário apresenta grande importância. Na análise da composição 
dos setores da economia, observa-se que o setor terciário (serviços e comércio) 
representa a maior parcela de participação no PIB, com 71% (Figura 1). O setor 
primário, que está relacionado apenas com a produção agropecuária, participou 
com 5,6% da economia brasileira. O setor industrial (secundário) representou 
pouco mais de 23% do somatório total de riquezas produzidas no Brasil em 2014.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
4
FIGURA 1 – SETORES E PIB 2014
INDÚSTRIA
23,4%
AGROPECUÁRIA
5,6%
SERVIÇOS
71%
FONTE: Disponível em: <http://economia.estadao.com.br/blogs/celso-ming/o-ajuste-
refugado/>. Acesso em: 17 jun. 2018.
Embora essa participação com valor pouco acima de 5% pareça baixa, 
veremos que as atividades agropecuárias apresentam maior impacto na economia 
e na composição do PIB. O setor econômico que está relacionado ao PIB do 
Agronegócio envolve de forma direta, não apenas o setor primário de produção 
agropecuário, mas outros segmentos (CEPEA, 2017), como:
• insumos: setor relacionado com o fornecimento de produtos e condições para 
a produção agropecuária, como a pesquisa, produção, industrialização e 
comercialização de itens utilizados na produção (fertilizantes, medicamentos, 
sementes, maquinários, equipamentos, embalagens etc.);
• produção primária: envolve de forma direta as atividades de produção agrícola 
e criação pecuária, ou seja, aquele setor relacionado às atividades realizadas 
pelos agricultores “dentro da propriedade”;
• indústria: participação dos segmentos de processamento, transformação, entre 
outras atividades industriais relacionadas às atividades agropecuárias. Podem 
ser citados os abatedouros (bovinos, aves, suínos, peixes etc.), as agroindústrias 
de transformação de produtos alimentícios (embutidos, laticínios, farinhas, 
óleos vegetais, conservas, doces, couro etc.), setor têxtil (couro, fibras naturais), 
biocombustíveis, processamento de madeira, papel e celulose, entre outros;
• serviços: correspondem às atividades envolvidas com a comercialização, entre 
outros agrosserviços.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
5
Conforme esta metodologia de avaliação, o PIB do Agronegócio em 2017 
participou com 21,6% do PIB brasileiro (CEPEA, 2017). Embora a metodologia 
de cálculo do PIB utilizada pelo CEPEA (balanço dos preços reais entre os anos 
avaliados) difira daquela utilizada pelo IBGE (utiliza os preços constantes do 
primeiro ano para a comparação entre os anos avaliados), esses dados demonstram 
a grande importância do agronegócio para a economia nacional.
Utilizando dados do IBGE (período de 1995-2005), Ghilhoto et al. (2007, 
p. 23) apresentaram uma análise mais detalhada da importância da atividadepatronal e familiar na participação do PIB do Agronegócio (figura 2A). Esses 
autores também separaram as atividades relacionadas com a produção agrícola 
daquelas relativas ao segmento pecuário (figura 2B).
FIGURA 2 – AGRONEGÓCIO E SEGMENTO AGRÍCOLA
a)
b)
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
69,9%
20,4%
9,7%
1995
71,2%
19,6%
9,3%
1996
71,1%
19,6%
9,3%
2002
69,4%
20,5%
10,1%
2003
70,1%
20,3%
9,6%
2004
72,1%
10,9%
9,0%
2005
72,9%
18,2%
8,8%
2001
73,1%
18,0%
9,0%
2000
71,9%
18,6%
9,4%
1999
72,2%
18,7%
9,1%
1998
72,4%
18,6%
9,0%
1997
Participação do 
PIB dos outros 
setores
Participação do 
PIB Agronegócio 
Patronal
Participação do 
PIB Agronegócio 
Familiar 
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
1995 1996 2002 2003 2004 200520012000199919981997
Participação do 
PIB do Complexo 
Familiar Agrícola
Participação do 
PIB do Complexo 
Patronal Pecuário
Participação do 
PIB do Complexo 
Patronal Agrícola 
Participação do 
PIB do Complexo 
Familiar Pecuário
21% 21% 20% 21% 20% 19%20%20%21%21%22%
19%
49%
11%
18%
49%
11%
19%
49%
13%
18%
49%
12%
18%
50%
12%
18%
50%
13%
19%
48%
13%
19%
47%
13%
19%
48%
12%
18%
50%
12%
18%
50%
11%
FONTE: Ghilhoto et al. (2007, p. 23)
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
6
Observa-se que o PIB do agronegócio foi responsável por quase 30% do PIB 
nacional, participando no ano de 2005 com 27,9%. Em relação à participação dos 
segmentos agropecuários, o agronegócio patronal representou aproximadamente 
2/3 do PIB do agronegócio. Já as atividades econômicas da agricultura familiar 
representaram aproximadamente 1/3 do PIB do agronegócio e, aproximadamente, 
10% do PIB total brasileiro neste período (Figura 2A). Esses dados demonstram o 
desempenho expressivo da agropecuária na economia nacional, evidenciando a 
participação da propriedade familiar nas atividades agropecuárias e na geração 
de riqueza do país.
Levando em consideração apenas o PIB do agronegócio, observa-se, ao 
longo do período de 1995 a 2005, uma proporção com poucas variações entre os 
quatro complexos relacionados à atividade agropecuária. A produção agrícola 
representou a maior parte da riqueza gerada pelo agronegócio, com cerca de 
70% do PIB do agronegócio, enquanto as atividades pecuárias são responsáveis 
por aproximadamente 30%. O complexo patronal agrícola foi o que apresentou 
a maior importância na composição do agronegócio brasileiro, participando com 
cerca de 50%. O complexo familiar pecuário possui a menor fatia na soma de 
riquezas, variando entre 11% e 13% do PIB do agronegócio (Figura 2 B).
A participação das regiões do Brasil no PIB demonstra que o Sudeste 
concentra a maior parte da riqueza produzida no país, com quase 55%. As 
regiões menos expressivas na composição do PIB nacional são o Norte e o Centro-
Oeste, que participam com menos de 10% cada (Figura 3). Em relação ao PIB do 
agronegócio, o Sudeste permanece como a principal região (39,2%), seguido de 
uma participação mais importante da região Sul (29,8%).
Na análise do PIB das atividades realizadas pela agricultura familiar, 
evidencia-se que a região Sul possui uma grande importância, sendo que 43,7% 
da riqueza gerada pelo agronegócio da região têm origem nas propriedades 
familiares. As regiões com o menor predomínio da agricultura familiar em 
relação à agricultura patronal são as do Centro-Oeste e do Norte, que possuem 
participação menor que 10% cada (Figuras 3 e 4).
FIGURA 3 – PIB DO AGRONEGÓCIO POR REGIÃO
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
PIB Total PIB Agronegócio PIB Agronegócio Familiar
Sul Centro-OesteNorte Nordeste Sudeste
5,3% 5,9% 9,0%
14,1%
54,9%
18,2%
7,5%
13,7%
39,2%
29,8%
11,4%
16,1%
24,0%
43,7%
7,1%
FONTE: Ghilhoto et al. (2007, p. 38)
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
7
FIGURA 4 – PIB DO AGRONEGÓCIO POR ESTADOS
FONTE: Ghilhoto et al. (2007, p. 59)
A Figura 4 ilustra a expressão econômica do Estado de São Paulo, que 
alicerça o domínio da região Sudeste na composição do PIB do agronegócio. Os 
três estados do Sul do Brasil também apresentaram uma significativa importância, 
destacando-se o equilíbrio entre a participação patronal e familiar. Esse equilíbrio 
também ficou evidente nos estados da região Norte e da região Nordeste, com 
exceção da Bahia e de Pernambuco. Segundo os dados apresentados por Ghilhoto 
et al. (2007), o Rio Grande do Sul foi o único estado da federação em que o PIB da 
agricultura familiar predomina sobre o PIB da agricultura patronal. Nos estados 
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
8
da região Centro-Oeste, observa-se um quadro semelhante à região Sudeste, onde 
há um predomínio da participação patronal sobre a agropecuária familiar na 
composição do PIB do agronegócio. A maior parte dos estados das regiões Norte 
e Nordeste apresenta pequena expressão do PIB do agronegócio, demonstrando 
as desigualdades econômicas regionais na geração de riqueza.
Apresentadas algumas características relacionadas ao desempenho 
econômico do agronegócio brasileiro, veremos agora como este tema se relaciona 
a outro de grande importância no setor agropecuário do Brasil, a questão agrária. 
A Questão Agrária e suas implicações, relacionadas com a concentração de 
terras, com o exercício do direito jurídico no campo e com as dificuldades de 
manutenção e crescimento da população rural, favorecem as desigualdades nas 
relações econômicas e de produção, o aparecimento de movimentos sociais de 
luta pela terra, o surgimento de outras formas de promoção do desenvolvimento 
territorial e a formação de organizações sociais na busca por melhores condições 
de vida (MIRALHA, 2006). Assim, estudaremos um pouco mais sobre o que é a 
questão agrária, qual a sua origem e como essa discussão se insere na formação 
da agropecuária brasileira.
3 CONCEITUAÇÃO DE QUESTÃO AGRÁRIA 
A questão agrária não apresenta uma conceituação simples e direta. Sua 
conceituação pode ser explicada de diferentes formas, de acordo com a ênfase 
direcionada ao estudo. Stédile (2012) trata a questão agrária como o conjunto 
de interpretações e análises da realidade agrária, que busca explicar como se 
organizou e como ocorre a posse, a propriedade e a utilização das terras na 
sociedade brasileira. Este autor também sugere que o conceito de questão agrária 
pode ser interpretado segundo os diferentes campos de conhecimento:
• literatura política: compreende o estudo dos problemas que a concentração 
da propriedade de terra ocasiona sobre o desenvolvimento das possibilidades 
produtivas de uma sociedade em particular e como exerce influência no poder 
político;
• sociologia: retrata as formas como se desenvolvem as relações sociais, na 
organização da produção agropecuária de uma sociedade;
• geografia: se relaciona com a forma como a sociedade, ou seja, as pessoas se 
apropriam da utilização do recurso natural terra, resultando na ocupação 
humana do território;
• história: contribui para explicar a evolução da luta política e de classes para o 
controle e domínio dos territórios, além da posse da terra. 
Outros autores descrevem a questão agrária como a relação entre o 
problema da concentração fundiária, que ocasiona as injustiças no campo e a 
miséria da população rural, e a reforma dessa desigualdade (MIRALHA, 2006). 
Neto (2006) descreve que a questão agrária, conceituada do ponto de vista 
econômico, refere-se às transformações nas relações de produção. Do ponto de 
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
9
vista jurídico, a questão agrária se aplica ao direito de propriedade imobiliária 
rural (NETO, 2006). Em uma análise mais voltada ao campo socioeconômico, 
a questão agrária é entendida como “o conjunto dos problemas inerentes ao 
desenvolvimento do capitalismo no campo” (GIRARDI, 2017).
Já Delgado e Pereira (2017, p. 15) sugerem que para o entendimento da 
questão agrária, o conceito chave refere-se à Estrutura Agrária, ou seja, os direitosde propriedade, posse e uso da terra, compreendendo todos os recursos naturais 
associados a ela. Nessa visão, “a questão agrária refere-se a uma inadequação 
da estrutura agrária vigente”, baseada em dois aspectos: 1 – às condições de 
vida e de trabalho das populações rurais; e 2 – à presumida incapacidade dessa 
estrutura agrária em prover os excedentes produtivos necessários para atender 
à urbanização da sociedade e a industrialização da economia (DELGADO; 
PEREIRA, 2017). Para esse autor, a questão agrária e a reforma agrária estão 
diretamente ligadas, sendo interdependentes, pois ambas são geradas a partir da 
estrutura agrária configurada durante um longo período histórico.
IMPORTANT
E
Conforme o Artigo 1°, §1°, da Lei Federal n° 4.504, de 30 de novembro de 
1964, que dispõe sobre o Estatuto da Terra, “a Reforma Agrária é o conjunto de medidas 
que visam promover melhor distribuição da terra, mediante modificações no regime 
de sua posse e uso, a fim de atender aos princípios de justiça social e ao aumento de 
produtividade”.
O INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária é uma autarquia federal 
responsável pelas ações relacionadas à reforma agrária no Brasil. A reforma agrária busca 
a implantação de um modelo de assentamento rural baseado na viabilidade econômica, 
na sustentabilidade ambiental e no desenvolvimento territorial.
Segundo o INCRA, do ponto de vista prático, a reforma agrária deveria proporcionar: 
desconcentração e democratização da estrutura fundiária; produção de alimentos 
básicos; geração de ocupação e renda; combate à miséria e à fome; interiorização dos 
serviços públicos básicos; redução da migração campo-cidade (êxodo rural); promoção 
da cidadania e da justiça social; diversificação do comércio e dos serviços no meio rural; 
e democratização das estruturas de poder. Para obter mais informações, acesse: <http://
www.incra.gov.br/reformaagraria>.
Como verificamos, todos os autores discutem este tema considerando 
o domínio temporário de uma área física de terra, destinada à produção 
agropecuária. Outro aspecto comum entre eles, ao tratar da questão agrária, é a 
divisão entre duas categorias distintas, que consistem em:
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
10
• agricultura patronal (GHILHOTO et al., 2007), capitalista ou empresarial 
(STÉDILE, 2012; GIRARDI, 2017), dos grandes proprietários (MIRALHA, 
2006), de latifúndios ou da classe latifundiária (NETO, 2006; GIRARDI, 2017) 
ou do agronegócio (GIRARDI, 2017);
• agricultura familiar (STÉDILE, 2012; DELGADO; PEREIRA, 2017), de pequenas 
propriedades ou pequenos produtores (NETO, 2006; MIRALHA, 2006; 
STÉDILE, 2012), do lavrador através do trabalho familiar (NETO, 2006), da 
agricultura camponesa (STÉDILE, 2012), do agronegócio familiar (GHILHOTO 
et al., 2007) ou do campesinato (GIRARDI, 2017).
Vamos analisar o quadro comparativo entre as principais características 
das atividades agropecuárias do agronegócio e do campesinato (Quadro 1). 
Essa separação pressupõe que o território do agronegócio e o do latifúndio 
compreendem os proprietários de grandes áreas, grandes empresas capitalistas 
e grileiros de terra. Como implicações, evidenciam-se a exploração do trabalho, 
crimes ambientais, mecanização, agropecuária intensa, superprodução, 
especulação imobiliária, violência e concentração de poder econômico e político. 
No lado oposto, o território do campesinato, relacionado aos pequenos 
produtores ou produtores familiares, compreende um quadro de luta pela terra 
(ocupações e assentamentos rurais), com estímulo à organização socioeconômica 
(associações, cooperativas, sindicatos, entre outras organizações coletivas), 
menor impacto ambiental, menor acesso a políticas públicas (crédito agrícola 
e assistência técnica) e baseado na diversificação das formas de produção e de 
produtos (GIRARDI, 2017). Esses dois extremos não representam a totalidade 
dos produtores rurais brasileiros, mas oferecem uma análise comparativa das 
diferenças entre a agricultura de grande escala e a produção agropecuária familiar.
NOTA
Grileiro de terras é um termo que se refere àqueles que realizam a usurpação 
de terras, a partir da falsificação de documentos de propriedade, com o objetivo de tomar 
posse de propriedades de terceiros ou de terras públicas.
QUADRO 1 – COMPARAÇÃO AGRONEGÓCIO E CAMPESINATO
AGRONEGÓCIO* (Patronal) CAMPESINATO** (Familiar)
Centralização Descentralização
• controle centralizado da produção, 
processamento e mercado;
• produção concentrada, estabelecimentos 
agrícolas maiores e em menor número, o que 
acarreta um menor número de agricultores e 
de comunidades rurais.
• maior ênfase na produção, processamento e 
mercado locais/regionais;
• produção pulverizada (maior número de 
estabelecimentos e agricultores), controle da 
terra, recursos e capital.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
11
Dependência Independência
• abordagem científica e tecnológica para 
produção;
• dependência de experts;
• dependência de fontes externas de energia, 
insumos e crédito;
• dependência de mercados muito distantes.
• unidades de produção menores, menor 
dependência de insumos, fontes externas de 
conhecimento, energia e crédito;
• maior autossuficiência individual e da 
comunidade;
• ênfase prioritária em valores, conhecimentos 
e habilidades pessoais.
Competitivo Comunitário
• competitividade e interesse próprio;
• agricultura é considerada um negócio;
• ênfase na eficiência, flexibilidade, quantidade 
e crescimento da margem de lucro.
• maior cooperação;
• agricultura é considerada um modo de vida 
e um negócio;
• ênfase em uma abordagem holística da 
produção, otimizando todas as partes do 
agroecossistema.
Domínio da natureza Harmonia com a natureza
• o ser humano é separado e superior à 
natureza;
• a natureza consiste principalmente em 
recursos a serem utilizados para o crescimento 
econômico;
• imposição das estruturas e sistemas do tempo 
humano aos ciclos naturais;
• produtividade maximizada através de 
insumos industrializados e modificações 
científicas;
• apropriação de processos naturais por 
meios científicos e substituição de produtos 
naturais pelos industriais.
• o ser humano é parte e dependente da 
natureza;
• a natureza provê recursos e também é 
valorizada para o próprio bem;
• trabalha com uma abordagem ecológica/
de ambiente fechado – desenvolvendo um 
sistema diferenciado e balanceado;
• incorpora mais produtos e processos naturais;
• usa métodos culturais para cuidar do solo.
Especialização Diversidade
• base genética limitada utilizada na produção;
• predominância da monocultura;
• separação entre agricultura e pecuária;
• sistemas de produção padronizados;
• predominância de uma abordagem científica 
especializada.
• ampla base genética; incorporação da 
policultura; rotações complexas;
• integração entre agricultura e pecuária;
• heterogeneidade de sistemas agrícolas;
• interdisciplinaridade (ciências naturais e 
sociais), sistema participativo (inclusão de 
agricultores).
Exploração Abdicação
• ênfase nos resultados de curto prazo em 
detrimento a consequências ambiental e 
social de longo prazo;
• dependência de recursos não renováveis;
• consumismo impulsiona o crescimento 
econômico;
• hegemonia do conhecimento científico e da 
abordagem industrial sobre conhecimento e 
cultura indígenas, tradicionais e/ou locais.
• custo total contabilizado;
• resultados de curto e longo prazo igualmente 
importantes;
• amplo uso de recursos renováveis e 
conservação de recursos não renováveis;
• consumo sustentável, estilo de vida mais 
simples;
• acesso equitativo a necessidades básicas;
• reconhecimento e incorporação de outros 
conhecimentos e práticas, permitindo uma 
base de conhecimento mais homogênea.
* No original “Paradigma Agrícola Convencional/Dominante”.
** No original “Paradigma Agrícola Alternativo”.
FONTE: Adaptado de Girardi (2017). Disponível em: <http://www.atlasbrasilagrario.com.br/con_
subcat/a-questao-agraria>.Acesso em: 18 jun. 2018.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
12
As diferenças ideológicas e de interesses econômicos geram os 
enfrentamentos nas áreas rurais, verificadas atualmente. O confronto entre ideias 
e ações a respeito da posse da terra e dos meios de produção são problemas 
recorrentes na política agrária brasileira e que não são facilmente resolvidos. O 
impasse sobre a questão agrária resulta da oposição entre o regime fundiário 
constitucional e aquele da autonomia do mercado (DELGADO; PEREIRA, 2017). 
Esse quadro se reflete em uma crescente instabilidade social, aumento do número 
de conflitos entre trabalhadores e latifundiários, além da insustentabilidade 
ambiental, apresentando repercussões gerais para toda a sociedade brasileira.
Agora veremos como ocorreu este processo de formação agrária no 
Brasil, analisando, a partir dos aspectos históricos, os fatores que conduziram ao 
atual panorama de distribuição das propriedades e ao surgimento das diversas 
organizações sociais, identificadas com a luta pela terra e pela implementação da 
reforma agrária.
NOTA
A agricultura familiar é responsável por uma grande parte da alimentação 
nacional. A FAO chamou a atenção para este aspecto ao identificar o ano de 2014 como o 
Ano Internacional da Agricultura Familiar. Verifique alguns aspectos sobre a agricultura familiar 
na imagem a seguir. Disponível em: <http://aspta.org.br/wp-content/uploads/2014/03/04_
infografico_ANO-DA-AGRICULTURA-FAMILIAR.jpg>. Acesso em: 30 jul. 2018.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
13
4 ORIGEM E FORMAÇÃO DA PROPRIEDADE AGRÁRIA 
A partir da chegada dos portugueses e a ocupação do espaço territorial 
brasileiro em 1500, foi originada a formação histórica da propriedade agrária que 
verificamos na atualidade (NETO, 2006). Porém, antes da chegada dos europeus ao 
continente americano, diversas etnias indígenas ocupavam o território e, instigadas 
por diferentes interesses e necessidades, alteravam sua distribuição na área 
geográfica. Até 1500, as populações indígenas nativas viviam em agrupamentos 
sociais, desde níveis mais simples (famílias e tribos) até sociedades formadas por 
complexas estruturas sociais. Possuíam hábitos de vida que variavam do nômade, 
dedicando-se à caça, pesca e extrativismo de produtos da natureza, até a produção 
agrícola diversificada e o domínio de técnicas que possibilitaram a domesticação 
de diversas espécies de plantas. Recentemente diversos pesquisadores têm se 
dedicado ao estudo das populações nativas americanas, na distribuição e ocupação 
do espaço geográfico ao longo do tempo e sua importância na contribuição para a 
agricultura e a alimentação mundial (CLEMENT et al., 2015).
Como o propósito deste texto é apresentar os aspectos que resultaram no 
quadro atual da propriedade agrária brasileira, serão abordados alguns eventos 
que estão relacionados à posse da terra a partir do contato com os europeus.
Para facilitar a interpretação e as características relacionadas com a 
formação da propriedade agrária no Brasil, Neto (2006) identificou o processo 
histórico de posse da terra, separando nas seguintes fases:
Período pré-sesmarial, de 1501 a 1530:
Na primeira fase, a Coroa portuguesa adotou um sistema de concessão 
de propriedades a particulares portugueses, já a partir de 1501, com a finalidade 
de exploração extrativista da “nova terra” e como forma de estabelecer o 
domínio do território. Neste período, a ocupação do território continuava sendo 
pelos indígenas, sem a presença física de forma importante dos colonizadores 
portugueses. Entretanto, a atividade extrativa de forma desorganizada e as 
frequentes incursões francesas, espanholas e holandesas fizeram com que a 
Coroa portuguesa, entre 1530-1532, implementasse uma nova forma de domínio 
e distribuição das terras: a sesmaria (NETO, 2006). 
Período sesmarial, de 1530 a 1822:
Com a implementação da política de sesmarias, a manutenção da 
concessão a proprietários privados buscava promover a colonização, a exploração 
econômica de outras atividades e a vigilância do litoral brasileiro contra invasores. 
As terras eram concedidas aos membros da nobreza e mercadores pertencentes 
à classe emergente, desde que tivessem disponibilidade de capital e firmassem o 
compromisso de produzir, na colônia, mercadorias a serem exportadas à Europa 
(STÉDILE, 2012). Segundo Neto (2006), o processo mercantilista português do 
século XVI buscava acumular riquezas nas mãos do rei, que posteriormente 
redistribuía às classes mais beneficiadas.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
14
O regime de sesmarias era uma medida adotada para o aproveitamento 
das terras improdutivas ou, no caso do Brasil, ainda inexploradas. No regime de 
sesmarias, o titular da propriedade possuía um prazo para iniciar a produção 
agrícola, que se não fosse cumprido, seu direito de posse era cassado. Como 
legado, a implementação dos latifúndios, inicialmente de exploração da cana-de-
açúcar, produziu uma economia baseada na monocultura destinada à exportação, 
estabelecida a partir do trabalho escravo, principalmente no Nordeste brasileiro. 
O avanço da importância da criação de gado contribuiu para a expansão dos 
domínios em direção ao interior do país, principalmente no Norte e Nordeste 
(NETO, 2006). Miralha (2006) destaca que a forma familiar de produção de itens 
de subsistência e para atender pequenos mercados locais esteve presente desde 
o início do período colonial, porém sempre de forma subordinada à grande 
propriedade. Entre o final de 1600 e início de 1700, as ordens reais que buscavam 
maior produtividade tornavam mais complexas a demarcação e a concessão de 
terras, ficando estabelecido em 1785 que o cultivo da terra era a condição essencial 
à posse da propriedade.
Regime de Posses, de 1822-1850:
No sistema de sesmaria, as terras eram concedidas pelo rei de Portugal, que 
exercia o domínio do território brasileiro. A partir do final do século XVIII, parte 
da população brasileira passou a apoderar-se fisicamente de áreas mais distantes 
e ainda não ocupadas. Em diversas partes do Brasil colonial, os lavradores 
brasileiros passaram a ocupar pequenas áreas, suficientes para possibilitar o 
cultivo utilizando a mão de obra da família. A chegada de imigrantes europeus 
no Sul e no Sudeste também contribuiu para intensificar a posse de pequenas 
propriedades. A partir de uma Resolução Imperial em 17 de julho de 1822, a 
concessão de sesmarias ficou suspensa e o pequeno produtor, que jamais havia 
tido acesso à terra, obteve o direito a partir do poder público. No período entre a 
suspensão do regime de sesmarias (1822) e a edição da Lei nº 601 (1850), o acesso 
à terra era feito através da posse, reconhecendo o costume de produção como 
procedimento de consolidação do direito à terra. Neto (2006) destaca que a posse, 
diferentemente das sesmarias latifundiárias, originou a pequena propriedade 
familiar no Brasil.
Regime da Lei das Terras de 1850:
Em meados do século XIX, o Império brasileiro era pressionado por outros 
países, que pretendiam expandir seus mercados, a acabar com a escravidão. 
Porém, os grandes fazendeiros de café, principal atividade econômica da época, 
dependiam do trabalho escravo. Como estratégia para minimizar os efeitos dos 
movimentos abolicionistas, a elite cafeeira pressionou o Império na adoção de 
medidas que dificultassem o acesso à terra (MIRALHA, 2006). A Lei de Terras nº 
601, de 18 de setembro de 1850, que dispõe sobre as terras devolutas do Império, 
instituiu, no artigo 1º, como único meio de acesso à terra, a compra, que na época 
só podia ser realizada em dinheiro, proibindo a posse de terras. Na mesma 
legislação, ficavam guardadas a autorização para que o governo realizasse a 
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
15
venda de terras públicas da forma que julgasse mais conveniente (art. 14º). Essa 
lei autorizava a vinda, às custas do Tesouro, de imigrantes agricultores para o 
trabalho nos estabelecimentosagrícolas predeterminados ou para a formação de 
colônias nos locais de interesse do Império (art. 18º). Também ficou estabelecida 
a Repartição Geral das Terras Públicas, que seria encarregada das medições, 
divisão, fiscalização da venda e da distribuição das terras, bem como promover a 
colonização (ou seja, a distribuição dos escravos livres e dos imigrantes) (art. 21º) 
(BRASIL, 1850).
Com essa medida, o governo imperial conseguiu agradar os grandes 
cafeicultores, criando condições para que o excedente populacional de escravos 
libertos ou de imigrantes europeus que estavam chegando não tivesse um acesso 
livre à propriedade, garantindo o monopólio da terra (NETO, 2006). Ao dificultar, 
ou mesmo impedir, o acesso à propriedade rural, a Lei de Terras tinha a finalidade 
de manter inalterada uma estrutura fundiária baseada em grandes propriedades, 
originando assim a questão agrária (MIRALHA, 2006; STÉDILE, 2012).
Sistema jurídico do Código Civil de 1916:
Passada a abolição da escravatura (1888) e a proclamação da República 
(1889), a estrutura fundiária brasileira foi mantida, baseada no monopólio dos 
latifúndios onde os “coronéis” e os “barões do café” controlavam o poder político 
e a situação social e econômica do Estado brasileiro. A partir do Código Civil de 
1916, o direito sucessório (ou seja, a transferência de direitos e de titularidade) 
partilhava o imóvel rural em tantas partes quanto fosse o número de herdeiros. 
Juntamente com a questão jurídica relacionada à divisão dos bens entre os 
herdeiros, as subdivisões das grandes propriedades cafeeiras ocorreram também 
em função da decadência do mercado internacional do café. Foi apenas durante 
o século XX que a propriedade latifundiária perdeu sua hegemonia, havendo 
grande expansão de pequenas propriedades, principalmente no Sul e Centro-Sul 
do Brasil. Outros fatores que também contribuíram para essa alteração fundiária 
foram o processo de industrialização e a divisão de propriedades agrícolas 
comerciais, resultando em pequenas propriedades familiares, que produziam 
basicamente gêneros para subsistência (NETO, 2006).
A reorganização da economia brasileira a partir de 1930, o desenvolvimento 
de novos centros de produção agrícola e a industrialização, principalmente 
no Sudeste e no Sul, promoveram diversos movimentos migratórios, tanto 
entre regiões rurais quanto no sentido rural-urbano (MIRALHA, 2006). Esses 
movimentos migratórios reduziram significativamente a população do sertão 
do Nordeste em direção ao Estado de São Paulo, principalmente. Este autor 
também descreve que em meados do século XX, a agricultura brasileira iniciou 
um processo de “modernização”, incentivada por políticas de financiamento para 
a adoção de inovações tecnológicas (tratores e máquinas agrícolas, fertilizantes, 
agroquímicos etc.).
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
16
A Constituição Federal de 1946 apresentou, de forma inovadora, a 
possibilidade de desapropriação por interesse social (art. 141º, §16), abordando 
questões relacionadas à melhoria na estrutura fundiária e a reforma agrária, a 
partir de uma maior distribuição da propriedade (art. 147º). Esse tema ganhou 
mais força em nível nacional, a partir da Declaração Universal dos Direitos 
Humanos publicada em 1948, afirmando que “todo homem tem direito a um 
padrão de vida capaz de assegurar, a si e à sua família, saúde e bem-estar, 
inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços 
sociais indispensáveis...” (art. XXV) (ONU, 2009, p. 13). Neste contexto histórico, 
começam a ser organizadas muitas associações de produtores, cooperativas 
agropecuárias e sindicatos de trabalhadores rurais (MIRALHA, 2006). A partir 
da década de 1950, diversos movimentos sociais ligados à luta pela terra, que 
contestavam a desigualdade social e a concentração fundiária no Brasil, são 
estruturados e passam a ter representatividade nacional.
NOTA
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi um documento marco, 
proclamado pela ONU em Paris, em 10 de dezembro de 1948, que estabeleceu as condições 
mínimas a serem alcançadas por todos os povos e nações. Este tratado internacional foi 
traduzido para mais de 500 idiomas e serviu de inspiração para muitas constituições. 
Se você deseja conhecer o conteúdo completo, acesse: <https://nacoesunidas.org/
direitoshumanos/declaracao/>.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
17
Desde o início do século XX, surgem diversas formas de organização 
de produtores rurais e cooperativas de produção agropecuária no Brasil. Um destes 
exemplos é a fundação da Cooperativa Vinícola Aurora, em Bento Gonçalves/RS, 
iniciando as atividades em 14 de fevereiro de 1931. Inicialmente formada por 16 famílias 
de descendentes e de imigrantes italianos, é atualmente a maior cooperativa vinícola do 
Brasil. O trabalho e a união de pequenos produtores familiares, que cultivavam a uva na 
Serra Gaúcha, possibilitaram o crescimento e uma posição de destaque em nível nacional 
e reconhecimento internacional. Atualmente, esta cooperativa possui mais de 1.100 
famílias associadas, contribuindo com a geração de renda, oportunidades diversificadas 
de negócios e o desenvolvimento econômico regional. Hoje, a Serra Gaúcha/RS é 
considerada um dos principais roteiros turísticos do Brasil e uma das regiões com os 
maiores índices de qualidade de vida.
ATENCAO
Sistema legal do Estatuto da Terra de 1964:
A Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, também conhecida como Estatuto 
da Terra, foi decretada no início do período da ditadura militar. O Estatuto da Terra 
modificou de forma muito importante os aspectos relacionados ao acesso à terra 
e à função social da propriedade. Segundo esta legislação, foram consideradas as 
medidas para promover a melhor distribuição da terra, a partir da reforma agrária 
e da promoção da política agrícola (art. 1º), e no seu artigo 2º, “fica assegurada 
a todos a oportunidade de acesso à propriedade da terra, condicionada pela sua 
função social” (BRASIL, 1964). O Estatuto da Terra trazia inovações não apenas de 
estímulo à produção agrícola, mas também referentes às relações sociais no campo, 
no acesso à terra, nas medidas para assegurar a conservação dos recursos naturais e 
na promoção de políticas agrícolas de incentivo à economia, à geração de emprego 
e renda, e na harmonização com o processo de industrialização.
Embora a redistribuição da terra e uma reorganização da estrutura 
fundiária pudessem ter sido realizadas a partir do Estatuto da Terra, a aplicação 
dos critérios técnicos para promover uma reforma agrária e o desenvolvimento 
rural não se mostrou satisfatória (NETO, 2006; MIRALHA, 2006; STÉDILE, 2012). 
Foi a partir da década de 1960 que se intensificaram os processos de modernização 
tecnológica da agricultura brasileira, a expansão das aplicações práticas da 
Revolução Verde e a organização do complexo agroindustrial, formado pelas 
indústrias produtoras de insumos agrícolas e as agroindústrias de transformação 
dos produtos. Ao mesmo tempo, entre as décadas de 1960 e 1970, intensificou-se 
o êxodo rural e observou-se a inversão da distribuição da população brasileira, 
que passou a se concentrar nos centros urbanos.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
18
NOTA
A Revolução Verde teve sua origem com as pesquisas do americano Norman 
Borlaug na década de 1930. Passou a ter aplicação prática após a Segunda Guerra 
Mundial (1939-1945), com o propósito ideológico de aumentar a produção agrícola, 
na busca de resolver o problema da fome no mundo, principalmente nos países mais 
pobres. A expressão “revolução verde” foi conhecida em 1966, pronunciada por William 
S. Gaud, então administrador da Agência para o Desenvolvimento Internacional/EUA. 
Este programa teve início em 1946, financiado pela fundação americana Rockfeller em 
parceria com o governo do México, a partir da obtenção de cultivares melhoradas de 
milho e trigo. Sabe-se hoje que, entre os objetivos, estavam a destinaçãodos insumos 
gerados pelas indústrias químicas, a partir de uma aplicação agrícola, além do incentivo 
à produção industrial, à recuperação da economia e a expansão comercial americana no 
período pós-guerra.
Durante as décadas de 1960 e 1970, verificou-se a implementação em vários países 
deste “pacote tecnológico”, baseado na intensa atividade de mecanização, utilização de 
sementes melhoradas, de fertilizantes industrializados e na aplicação de agroquímicos 
para controle fitossanitário. A produtividade por área e a produção total de alimentos 
aumentaram, razão que justificou o Prêmio Nobel da Paz de 1970 a Norman Borlaug. 
Entretanto, diversos problemas sociais (ampliação das desigualdades no campo, não 
resultou em redução da fome etc.), econômicos (êxodo rural, concentração fundiária, 
desigualdade regional etc.), de saúde (contaminação, mortalidade humana, alteração 
nos hábitos alimentares etc.) e de ordem ambiental (degradação, poluição, uso intensivo 
dos recursos naturais, perda de biodiversidade etc.) foram algumas das consequências 
negativas. Um dos primeiros relatos sobre esses efeitos e que apresentou impacto em 
nível mundial foi a partir do livro “Primavera Silenciosa” (1962), da bióloga e autora Rachel 
Louise Carson. A partir deste relato, movimentos e políticas ambientalistas ganharam 
importância, sendo que os debates entre defensores e críticos da Revolução Verde 
continuam até os dias atuais.
Regime fundiário a partir da Constituição Federal de 1988
A partir do processo de redemocratização e o fim do período militar, a 
nova Constituição Federal, editada em 5 de outubro de 1988, atualizou as ações 
relativas à política agrícola e fundiária e aquelas relacionadas à reforma agrária 
(art. 184º a 191º). Especificamente, no art. 186 (BRASIL, 1988), a Constituição 
Federal descreve que a “função social é cumprida quando a propriedade rural 
atende, simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos 
em lei, aos seguintes requisitos”:
I - aproveitamento racional e adequado da propriedade;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio 
ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
19
Atualmente, a legislação que trata da reforma agrária está descrita na Lei 
Federal nº 8.692, de 25 de fevereiro de 1993 (Lei Agrária), sendo complementada 
pela Lei Federal nº 13.465, de 11 de julho de 2017, que dispõe sobre a regularização 
fundiária rural e urbana, no âmbito da Amazônia Legal. Esses instrumentos 
legais conceituam, classificam e normatizam as propriedades rurais no Brasil, 
disciplinando o funcionamento das políticas fundiárias brasileiras. 
Também a reforma agrária teve dois planos de ação governamental, como 
o I (1985) e o II Plano Nacional de Reforma Agrária (2003), ambos com resultados 
pouco expressivos em relação à importância e necessidade (DELGADO; PEREIRA, 
2017). Segundo Neto (2006), dentre as condições que paralisam o andamento da 
reforma agrária, estão as ações do órgão executor (no caso, o INCRA), que necessita 
compatibilizar os programas de trabalho e as necessidades orçamentárias, além 
de buscar atuações integradas entre vários ministérios. Nesta barganha de poder, 
os embates políticos acabam por não privilegiar a classe dos não proprietários 
interessados na implementação da reforma agrária (NETO, 2006).
Concluída uma breve análise do processo histórico de formação da 
propriedade rural brasileira, vamos compreender agora como as discussões e 
ações sobre a questão agrária têm sido enfrentadas na atualidade.
5 QUESTÃO AGRÁRIA NA ATUALIDADE
Ao estudar como surgiu a questão agrária, fica mais fácil entender as 
razões que moldam as particularidades de desenvolvimento entre as regiões 
brasileiras. Estas informações ajudam a compreender como está caracterizada e 
quais os motivos que configuram a realidade agrícola no Brasil atual. Em relação 
à estrutura agrária atual, Delgado e Pereira (2017) destacam duas mudanças 
significativas e contrastantes, desde a Constituição de 1988:
1 a mudança conceitual do direito à propriedade rural, pelos critérios expressos na 
função social e ambiental (art. 5 e art. 186), acrescidos dos direitos territoriais aos 
povos indígenas (art. 231) e das comunidades quilombolas (art. 68). Essas mudanças 
na política institucional dependem de normas regulamentares e práticas de 
governo, sendo assim, dependentes de vontade política. De modo geral, avanços 
no reconhecimento de áreas de proteção ambiental e de comunidades tradicionais 
têm ocorrido, porém muitas situações de conflitos ainda se apresentam;
2 reestruturação da economia do agronegócio, baseada na captura da renda 
e na ampliação da riqueza fundiária nacional, expressando uma completa 
“mercadorização” dos espaços territoriais. Neste caso, segundo Delgado 
e Pereira (2017), as ações públicas e de interesse privado estão combinadas. 
Essas ações integradas, além de propiciar forte valorização da renda fundiária, 
ganham força na não adoção de restrições do direito público ao território, 
relacionadas à demarcação e implantação de áreas com função social ou 
ambiental. Na prática, a importância do mercado ainda se mantém como 
fundamento da política agrária brasileira.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
20
As mudanças descritas favoreceram, a partir dos anos 2000, um processo de 
intensa valorização dos preços das terras agrícolas do Brasil, em parte favorecida 
pelo mercado de commodities, e em parte ocasionada por fatores internos, como a 
reestruturação do sistema de crédito e o direcionamento do sistema de regulação 
fundiária (DELGADO; PEREIRA, 2017). Estes autores descrevem ainda que o 
projeto de modernização conservadora se reestrutura, articulado por ações que 
priorizam o comércio exterior, associadas à pressão do mercado e das cadeias 
agroindustriais, das decisões políticas e com apoio dos meios de comunicação.
Vamos agora analisar um mapa, elaborado por Girardi (2017), que 
apresenta uma proposição bem organizada sobre a configuração da questão 
agrária brasileira (Figura 5). Para facilitar sua compreensão, este mapa foi 
dividido em diferentes estruturas elementares: (1) o campesinato, (2) a expansão 
da fronteira agropecuária, (3) o processo migratório, (4) a produção agropecuária, 
(5) o setor do agronegócio, (6) as ocupações e as formações de assentamentos 
rurais e, finalmente (7), a violência no campo (GIRARDI, 2017).
5.1 O CAMPESINATO
Como primeira estrutura, vamos identificar o campesinato ou agricultura 
familiar que apresenta importância demográfica e econômica em três regiões: Sul, 
Nordeste e Norte. Na região Sul, a formação e colonização a partir de imigrantes 
europeus caracterizou uma agropecuária dinâmica e diversificada, com elevada 
produtividade e com grande importância econômica, gerando indicadores de 
qualidade de vida e renda acima da média nacional. A luta pela terra também 
tem grande representatividade, sendo uma das origens de organizações de 
luta pela terra, como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), 
com diversos eventos de ocupações e assentamentos estabelecidos (GIRARDI, 
2017). Nesta parte do Brasil, a agricultura familiar apresenta-se organizada em 
várias associações e cooperativas de produção atuantes em diversas áreas, além 
de sistemas de integração entre produtores e agroindústrias que possibilitam a 
produção agropecuária. Nesta região, também se observa um setor pecuário bem 
estabelecido, com produção leiteira, de bovinos e ovinos, apresentando destaque na 
estruturação dos setores de avicultura e de suinocultura (GUILHOTO et al., 2007). 
Um outro aspecto que se destaca na região Sul é que a base produtiva diversificada 
foi adotada tanto por agricultores patronais quanto pela agricultura familiar. E 
em relação aos agricultores familiares, encontram-se diversascategorias sociais, 
formadas por agricultores capitalizados, em transição e aqueles sem condições 
de acompanhar o ritmo de mudanças nos sistemas produtivos implementados 
(MATTEI, 2016). Esse autor ainda identifica quatro grupos de agricultores 
familiares na região Sul do Brasil: o primeiro com produção exclusiva para o 
autoconsumo; o segundo grupo com produção voltada tanto ao autoconsumo 
como para o mercado; um terceiro, formado por produtores integrados a grandes 
agroindústrias; e o quarto grupo de agricultores que se dedicam à produção de 
commodities destinadas ao mercado nacional e à exportação.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
21
No Nordeste, a agropecuária familiar é caracterizada por perdas em 
decorrência de fatores climáticos (seca), baixa produtividade e uso de meios 
de produção precários, gerando baixos níveis de desenvolvimento. A principal 
causa das dificuldades de desenvolvimento rural nesta região se relaciona 
com a disponibilidade de água, tanto para o cultivo quanto para o consumo 
humano. Em relação à luta pela terra, destacam-se os movimentos das Ligas 
Camponesas, reunindo na região grande parte das ocupações de terras do país 
(GIRARDI, 2017). Na região Nordeste, a atividade agrícola apresenta grandes 
níveis de desigualdade. De um lado, atividades agropecuárias familiares de 
subsistência do agricultor sertanejo, com limitações produtivas ocasionadas pela 
restrita disponibilidade de água, apresentando produção pecuária baseada na 
caprinocultura e ovinocultura. Em outro extremo, há diversos polos de produção 
agrícola bem desenvolvidos, direcionados a atender os mercados nacionais do 
Centro-Sul do Brasil e o comércio internacional, com destaque para a fruticultura 
irrigada (GUILHOTO et al., 2007).
FIGURA 5 – CONFIGURAÇÃO AGRÁRIA ATUAL
FONTE: Adaptado de Girardi (2017). Disponível em: <http://www.atlasbrasilagrario.com.br/con_
subcat/configuracao-da-questao-agraria>. Acesso em: 19 jun. 2018.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
22
Na região Amazônica, o campesinato é formado por populações ribeirinhas 
e por massas migratórias nordestinas e do Sul. As atividades extrativistas e a 
produção agropecuária em pequena escala, direcionadas ao abastecimento 
regional, são características marcantes, resultando em baixos índices produtivos e 
de desenvolvimento socioeconômico. Atualmente a região Amazônica concentra 
grande parte dos projetos de colonização e de assentamentos rurais e pequenas 
posses vêm sofrendo violência do avanço do latifúndio em busca de expansão 
econômica (GIRARDI, 2017). A região Norte é caracterizada pela atual área de 
expansão das fronteiras agrícolas do agronegócio e da pecuária extensiva, pelo 
extrativismo de recursos florestais e pela pesca. Nesta região, se concentram 
muitos conflitos agrários associados à posse da terra e à demarcação de áreas 
indígenas (que também ocorrem em outras regiões do país, porém em menores 
níveis de violência). Identifica-se também uma produção familiar baseada na 
agricultura de subsistência, ligada a uma particular estrutura social e demográfica 
(GUILHOTO et al., 2007).
5.2 A EXPANSÃO DAS FRONTEIRAS AGROPECUÁRIAS
A expansão das fronteiras agropecuárias caracteriza a segunda estrutura 
elementar da questão agrária no Brasil, baseada em políticas públicas, ocupando 
regiões do Cerrado e da Amazônia, a partir do final da década de 1960 e início dos 
anos 1970. Embora expressivo crescimento econômico esteja sendo verificado, o 
governo mantém incentivo à ocupação da região, mesmo identificando graves 
problemas de devastação da floresta, violência contra ocupantes e trabalhadores 
rurais e crimes de grilagem de terras públicas. Esse quadro resulta em crescimento 
demográfico desordenado, desflorestamento e expansão de atividades extrativas 
e pouco sustentáveis de utilização da terra (GIRARDI, 2017).
5.3 O PROCESSO MIGRATÓRIO
O processo migratório, que está ligado à expansão agropecuária, é apontado 
por Girardi (2017) como uma consequência da modernização da agricultura e 
do êxodo rural. São apontadas duas frentes migratórias majoritárias, uma que 
vem do Sudeste e, principalmente, do Sul na busca de novas oportunidades 
econômicas e como estratégia para minimizar os efeitos do extremo parcelamento 
das propriedades familiares. Essas correntes migrantes, que se encontram em 
menor intensidade atualmente, se estabeleceram principalmente em Rondônia, 
Mato Grosso e Bahia. A segunda corrente de migrantes tem origem do Nordeste, 
ocupando a região central da Amazônia, parte do Estado do Maranhão e o 
Sudeste do Pará, sendo atraídos pela posse de terras e na busca por trabalho, como 
exemplo, nas áreas de seringais. Atualmente, essa segunda frente apresenta-se 
mais ativa, e muitas vezes, se encontra com os produtores que partem agora do 
Centro-Oeste em direção ao Norte.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
23
5.4 A PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA
Em relação à produção agropecuária, os estados do Sul e partes das regiões 
Sudeste e Centro-Oeste apresentam uma atividade agropecuária diversificada, 
composta por intensa mecanização e uso de novas tecnologias, possibilitando uma 
atividade produtiva expressiva. Nessas áreas de intensa atividade agropecuária, 
predominam relações de produção familiar (principalmente na região Sul) e 
trabalho assalariado, formando a principal região agropecuária do país (Figura 
5). Ainda na parte norte da região Sudeste e Centro-Oeste, as áreas ainda ociosas 
e subutilizadas têm sido ocupadas pelo avanço de lavouras do agronegócio (cana, 
soja etc.) (GIRARDI, 2017). Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, verifica-se uma 
atividade intensiva do agronegócio, estruturada na produção de commodities 
agrícolas, com expressiva atividade pecuária de produção leiteira e de carne 
bovina. As atividades agropecuárias diversificadas e com elevado nível de 
tecnologia fazem, destas regiões, importantes produtoras de alimentos e de 
produtos destinados à exportação. Em relação às organizações associativas, as 
entidades apresentam expressiva importância, principalmente para o setor 
agrícola empresarial (GUILHOTO et al., 2007).
5.5 O SETOR DO AGRONEGÓCIO
A expansão do agronegócio, baseada na produção intensiva de grãos, 
principalmente nas áreas de Cerrado, localizadas na região Centro-Oeste, 
e mais recentemente no oeste da Bahia, no sul do Maranhão e Piauí, também 
constitui um fator de influência sobre a questão agrária. A ocupação do território, 
associada à derrubada da floresta nas áreas da Amazônia, amplia a desigualdade 
na realidade fundiária brasileira. As características do agronegócio voltado à 
exportação de grãos e sob a demanda do mercado internacional de commodities 
é que constituem as forças dessa desigualdade na região e no restante do país 
(GIRARDI, 2017).
5.6 AS OCUPAÇÕES E AS FORMAÇÕES DE ASSENTAMENTOS 
RURAIS
Os movimentos sociais de luta pela terra, requerendo o estabelecimento 
de assentamentos rurais, têm como forma de ação a ocupação de territórios para 
denunciar os problemas relacionados à desigualdade na distribuição fundiária 
no Brasil e a possibilidade de reivindicar soluções. Os locais de maior atividade 
de luta pela terra ocorrem em áreas de ocupação consolidada, localizadas desde 
o Centro-Sul até parte do litoral do Nordeste (Figura 5). Estas áreas são mais 
demandadas, segundo Girardi (2017), pois as atividades produtivas em pequena 
escala apresentam maiores chances de sucesso, devido à proximidade com o 
mercado consumidor, melhor infraestrutura e acesso mais facilitado aos serviços 
básicos. Atualmente, a partir das ações de ocupação e formação de assentamentos 
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
24
rurais, os movimentos sociais de luta pela terra têm promovido a forma mais 
eficiente de pressão política, que tem resultado no avanço, embora lento, da 
reforma agrária. Porém, o estabelecimento de muitos assentamentos rurais 
nas áreas de fronteiras agrícolas é uma das dificuldades para a resolução dosproblemas agrários de forma definitiva (GIRARDI, 2017).
5.7 A VIOLÊNCIA NO CAMPO
Nas regiões de maior conflito, a violência nos confrontos pela posse 
da terra, entre trabalhadores rurais e fazendeiros ou grileiros, causa alguns 
dos graves problemas que visualizamos frequentemente na mídia. Conforme 
Girardi (2017) afirma, a violência física, caracterizada por assassinatos, ameaças 
e agressões, é a forma mais grave de ação. Também a expulsão e o despejo 
resultam em apropriação do território com finalidades especulativas, além de 
uma outra forma de violência que ainda se constata, aquela a partir da exploração 
de trabalho escravo. Esse quadro de violência no campo pode ser observado em 
diferentes partes do Brasil, entretanto, na região da atual fronteira agropecuária, 
principalmente entre o sudeste do Pará e o leste do Maranhão, esses conflitos 
têm se concentrado.
NOTA
Os movimentos sociais de trabalhadores rurais que lutam pela distribuição 
da terra e pela reforma agrária no Brasil foram se estruturando a partir da década 
de 1940. As Ligas Camponesas, movimento de trabalhadores rurais organizado pelo 
Partido Comunista Brasileiro, teve importância até o início do período militar. Os 
governos militares implantaram um modelo de desenvolvimento agrário que estimulou 
a modernização agrícola e teve como consequência a exclusão de pequenos produtores. 
A partir da segunda metade da década de 1970, a Comissão Pastoral da Terra (CPC), 
ligada inicialmente à Igreja Católica e posteriormente incorporando membros da Igreja 
Evangélica de Confissão Luterana do Brasil, ofereceu um suporte para a organização dos 
trabalhadores rurais. Outros movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores 
Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), entre outros, 
também atuam com objetivos semelhantes. A Via Campesina é uma organização 
internacional composta por diversos movimentos de pequenos agricultores e busca 
organizar e articular as mobilizações desses movimentos sociais, participando de 
discussões e incentivando a implantação de políticas públicas ligadas à reforma agrária.
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
25
6 O BRASIL AGRÁRIO
As ações do governo são coordenadas pelo INCRA, através do Programa 
Nacional de Reforma Agrária (PNRA), que organiza os projetos de reforma 
agrária em dois grupos: um criado por meio de obtenção de terras pelo INCRA, 
com a criação de assentamentos rurais sob a forma tradicional, e outro criado 
por instituições governamentais (INCRA, 2018c). Esses projetos, desenvolvidos 
por órgãos governamentais, estavam ligados ao Ministério do Desenvolvimento 
Agrário, extinto em maio de 2016, e agora de competência da Secretaria Especial 
de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD, 2018).
Com a apresentação de todos esses elementos, foi apresentada uma 
configuração da questão agrária brasileira na atualidade. De um lado, o poder 
econômico gerado pela dominação da produção de commodities e estimulado 
pelas políticas de governo que buscam a exportação de matérias-primas como 
forma de desenvolvimento do país. De outro, a lenta ação do governo, os conflitos 
pela posse da terra e a sempre presente discussão sobre o modelo de reforma 
agrária a ser adotada. Enquanto isso, a sociedade brasileira convive com estas 
situações no meio rural e as consequências desse contexto, tanto nos aspectos 
do desenvolvimento econômico, organização social e distribuição demográfica 
quanto no uso dos recursos naturais e todas as questões ambientais associadas. 
Na prática, a questão agrária brasileira se agrava, tornando-se mais complexa, 
gerando insatisfação e violência nas áreas rurais, sem atender às necessidades 
dos trabalhadores.
Assim, se organiza a dinâmica do agronegócio atual, estruturada nas 
mudanças de comportamento e nas demandas dos consumidores, na produção 
de matérias-primas agrícolas destinadas à exportação, no avanço de tecnologias 
associadas à produção e na necessidade de utilização racional dos recursos 
naturais, mantendo a estrutura de concentração de poder econômico e político. 
Ao mesmo tempo, as oportunidades geradas pela produção de alimentos 
mais saudáveis e sem resíduos de agroquímicos, utilizando distintas formas 
de agregação de valor, o papel da organização social através de cooperativas 
e associações de produção e de agroindustrialização, além de novos negócios 
no campo, associados ao turismo rural, são algumas das condições que podem 
favorecer a agricultura familiar e o avanço da reforma agrária.
Para concluirmos este tópico, vamos examinar as discussões de Mattei 
(2016), que apresenta um confronto interessante entre os argumentos contrários e 
favoráveis à reforma agrária no Brasil. Este autor descreve que, por sua natureza 
política, o tema da reforma agrária apresenta distintas interpretações e concepções 
sobre os programas de reforma da estrutura agrária.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
26
Entre os argumentos dos defensores, há diferentes explicações, baseadas 
na abrangência e no caráter das ações de reforma agrária. Partimos da indagação 
essencial a esse tema: a reforma agrária é ainda necessária no Brasil?
Ao responder essa pergunta, uma das visões propõe que “a reforma 
agrária não é essencialmente agrícola”. Essa visão defende uma ação de caráter 
mais relacionado com a inclusão social do que baseado em questões econômicas, 
justificando as funções de geração de empregos, de contenção de fluxos migratórios 
e para evitar a degradação das condições de vida no campo. A segunda visão 
sugere “uma reforma agrária de abrangência regional”. Essa proposta está 
baseada na ideia de zonas prioritárias para a reforma agrária, realizada a partir de 
programas regionalizados no país. Esse argumento ainda engloba a possibilidade 
de diferentes formas de acesso à terra, através de relações de trabalho, como a 
parceria e o arrendamento agropecuário, principalmente em regiões onde o 
custo unitário da terra é elevado. Essas duas visões são apresentadas por José 
Graziano da Silva, que estuda o tema e trabalha com políticas públicas nacionais 
e internacionais para a agricultura, segurança alimentar e desenvolvimento rural 
(MATTEI, 2016).
Uma terceira visão destaca “a reforma agrária apresentando um caráter 
geral”, com objetivo de promover a distribuição das terras e da renda, ao mesmo 
tempo que possibilite justiça e equilíbrio social. Esse argumento se estrutura na 
argumentação de que o fortalecimento da expansão do agronegócio brasileiro 
representa um obstáculo ao desenvolvimento da agricultura familiar e dos 
assentamentos rurais. Nesse contexto, aponta-se uma incompatibilidade entre o 
projeto de desenvolvimento proposto e uma estratégia que mantém a estrutura 
agrária intocada, favorecendo a expansão agropecuária tradicional em detrimento 
do campesinato, não possibilitando o crescimento sustentável e nem mudanças 
significativas no meio rural. Esse argumento é defendido pelo cientista econômico 
Guilherme Costa Delgado (MATTEI, 2016).
A quarta visão apresentada no contexto favorável registra “a reforma 
agrária como um instrumento de combate ao latifúndio e de promoção de reformas 
gerais no Brasil”. Essa tese é sustentada por diversos movimentos sociais de luta 
pela terra, que pressupõem a reforma agrária com papel de inclusão social, com 
abrangência em mudanças de caráter econômico e político. De forma geral, este 
argumento faz uma crítica ao modelo capitalista de produção agropecuária, 
associado à expansão da produção e do lucro, às custas da desigualdade e 
exclusão, apresentando dependência externa e com exploração predatória dos 
recursos naturais (MATTEI, 2016).
Em relação aos argumentos contrários à reforma agrária, Mattei (2016) 
destaca a primeira visão, apontando que “o tempo histórico da reforma agrária 
acabou”. Esse argumento se ampara nas mudanças ocorridas no campo nas 
últimas décadas, que restringiram a dominação social e econômica da grande 
propriedadeterritorial. Nessa visão, essas modificações estruturais produziram 
uma liquidação definitiva da reivindicação nacional para a reforma agrária. A 
TÓPICO 1 | HISTÓRICO DA QUESTÃO AGRÁRIA
27
segunda visão contrária à reforma agrária interpreta que “o problema agrário 
foi rebaixado e os pressupostos que o fundamentaram deixaram de existir”. Esta 
interpretação sugere que, de um lado, se fortaleceu a formação de uma geração 
de agricultores com maior sensibilidade capitalista e, de outro, os produtores de 
menor porte foram atendidos por políticas públicas de inclusão, como o Pronaf 
e outros programas assistenciais. Como contexto desta posição, o processo de 
mudanças no meio rural levou a um aumento expressivo da produção e da 
produtividade agropecuária, a partir da incorporação das inovações tecnológicas, 
gerando uma nova realidade no campo. Essas são as razões que levam à 
consideração de que a questão agrária brasileira deixou de existir. As duas visões 
contrárias à reforma agrária são apresentadas por Zander Navarro, sociólogo e 
cientista político (MATTEI, 2016).
Como terceira visão contrária, formula-se que “a influência da terra é 
pequena em relação ao valor da produção”. Essa forma de interpretação tem sua 
base na ciência econômica, no campo do pensamento econômico neoclássico. 
A realidade agrária é analisada a partir da importância da produtividade e da 
tecnologia, sendo mais presente nos estudiosos conhecidos por “grupo dos 
produtivistas”. Os dados do Censo agropecuário de 2006 exemplificam essa 
interpretação, onde do total de estabelecimentos rurais no Brasil (5,175 milhões), 
3,775 milhões atingem renda bruta inferior a dois salários mínimos e respondem 
por menos de 5% da produção total. Em outro extremo, os estabelecimentos 
que possuem renda bruta acima de dez salários mínimos participam de cerca 
de 85% do valor da produção total agropecuária. Os defensores desta visão 
sugerem que os produtores sejam divididos em dois grupos: os bem-sucedidos 
e os malsucedidos, sendo que os do segundo grupo se caracterizam por escolhas 
errôneas de tecnologias ou por má administração da propriedade. Nesta análise, 
a capacitação técnica é a chave para o sucesso ou insucesso da atividade de 
produção agropecuária. Essa análise é defendida por pesquisadores, como Eliseu 
Alves e Geraldo da Silva e Souza (MATTEI, 2016).
Como considerações a respeito dessas duas visões, ainda se identifica a 
existência de uma grande área de terra improdutiva e/ou disponível no Brasil 
e a existência de um número muito significativo de produtores familiares sem 
acesso à terra ou, se possuem acesso, se encontram em condições limitantes de 
capacitação, nas atividades de produção e na geração de renda.
28
Neste tópico, você aprendeu que:
• O setor agropecuário apresenta grande importância na economia brasileira, 
com expressiva participação na composição do Produto Interno Bruto (PIB).
• A questão agrária brasileira apresenta-se como um problema conceitual, 
social, econômico e histórico, e como este tema se insere nas ações da política 
agropecuária brasileira.
• O processo histórico de formação da propriedade de terras no Brasil, desde 
a chegada dos portugueses, teve um efeito determinante sobre a estrutura 
agrária na atualidade.
• Os reflexos deste contexto de distribuição das terras e sobre a formação da 
propriedade agrícola resultaram em grandes desigualdades no campo e entre 
as regiões.
• A questão agrária pode ser analisada a partir de diferentes estruturas 
elementares e que as organizações sociais de luta pela terra apresentam 
importância na criação de condições mais igualitárias de produção.
• Existem abordagens favoráveis e contrárias à reforma agrária e como essas 
interpretações direcionam as ações públicas, favorecendo ou não o desenvolvimento 
socioeconômico nas áreas rurais.
RESUMO DO TÓPICO 1
29
Caro acadêmico, para fixar melhor os conteúdos apresentados, sugere-
se alguns exercícios sobre esta unidade. Leia as questões, relembre sobre o 
que foi estudado e responda aos exercícios propostos. Em caso de dúvida, 
volte a pesquisar e refaça os exercícios.
1 A questão agrária envolve um grande número de interpretações, dependen-
do da área de estudo e da forma como se pretende explicar esse tema. Em 
uma análise direta, a questão agrária considera o domínio de uma área de 
terras com destinação ou potencial de uso para a produção agropecuária. 
Segundo Delgado e Pereira (2017, p. 15), “a questão agrária refere-se a uma 
inadequação da estrutura agrária vigente”. Sobre as interpretações conceitu-
ais da reforma agrária, associe os itens, utilizando o código apresentado:
I- Geografia
II- Política
III- Econômica
IV- Sociologia
( ) Reflete as formas de organização da produção agropecuária ligadas às 
relações entre as pessoas.
( ) Reflete na forma da ocupação humana de um determinado território.
( ) Retrata os problemas associados à posse desigual da terra e qual sua 
influência sobre as decisões do governo.
( ) Retrata um contexto que se caracteriza pelas transformações nas relações 
de produção e geração de renda das propriedades agrícolas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) IV – I – II – III.
b) ( ) III – II – IV – I.
c) ( ) I – IV – III – II.
d) ( ) II – III – I – IV.
2 A configuração da questão agrária proposta por Girardi (2017) 
é apresentada com base na análise de diferentes estruturas ele-
mentares. Esse mapeamento estrutural permite uma melhor 
compreensão da forma como o setor agropecuário está orga-
nizado no Brasil e qual o perfil agrário atual. Com base no contexto dos 
elementos estruturais associados à questão agrária, classifique V para as 
sentenças verdadeiras e F para as sentenças falsas:
( ) O campesinato refere-se aos agricultores familiares, com maior impor-
tância, principalmente, nos estados do Sul, Norte e Nordeste, embora 
apresente características distintas entre essas regiões.
AUTOATIVIDADE
30
( ) O processo migratório está associado à expansão das fronteiras agrope-
cuárias, sendo que atualmente essa ocupação tem sido mais importante 
na região Sudeste, caracterizada por problemas como a exploração ilegal 
de madeira, violência no campo e grilagem de terras.
( ) A produção agropecuária diversificada, com uso intenso de tecnologias 
e mecanização, é mais presente no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, apresen-
tando maiores níveis de organizações associativas entre os produtores.
( ) Os movimentos sociais de luta pela terra, ao adotarem ações de ocupa-
ção e formação de assentamentos rurais, têm ocasionado dificuldades à 
sociedade, sem resultar em uma forma de pressão política para o avanço 
da reforma agrária.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V – F.
b) ( ) F – F – F – V.
c) ( ) F – F – V – V.
d) ( ) V – V – F – V.
31
TÓPICO 2
ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
REGIONAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste segundo tópico serão abordados os temas relacionados à estrutura 
fundiária brasileira, apresentando as características das propriedades rurais e os 
aspectos que ocasionaram a grande desigualdade na distribuição da terra. Serão 
abordados alguns fatos históricos, relacionados aos ciclos dos produtos agrícolas 
no Brasil, para auxiliar na compreensão de como essa diversidade ocorreu e 
como isso se reflete nas condições de vida dos produtores rurais e no modelo de 
desenvolvimento agrícola do Brasil atual.
Vamos continuar os estudos!
2 ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA
O Brasil possui grande extensão territorial, com dimensões continentais, 
onde as regiões apresentam características geográficas, climáticas, econômicas, 
sociais e culturais muito distintas. Essas particularidades interferem na 
organização e estrutura das propriedades rurais, sendo consideradas, dentre 
outros aspectos, para a definição de políticas públicas de desenvolvimento.
O INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) é o 
órgão do GovernoFederal responsável pelo gerenciamento e ordenamento da 
estrutura fundiária nacional. Para a realização deste controle, realiza estudos que 
buscam definir os critérios para fixar a fração mínima de parcelamento de terras 
e do módulo fiscal das propriedades rurais (INCRA, 2018a).
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
32
NOTA
NOTA
O SISTEMA DE GESTÃO FUNDIÁRIA (SIGEF) é uma ferramenta eletrônica 
que realiza o controle e executa a certificação dos imóveis rurais, utilizando técnicas de 
georreferenciamento, impedindo assim a superposição do registro imobiliário. Através 
deste sistema são efetuadas a recepção, validação, organização e disponibilização das 
informações dos limites de imóveis rurais, públicos e privados. Acesse e conheça o 
sistema: <https://sigef.incra.gov.br/>.
O CERTIFICADO DE CADASTRO DE IMÓVEL RURAL (CCIR) é um documento 
declaratório que constitui prova do cadastro do imóvel rural, sendo indispensável para 
a realização de qualquer atividade relacionada à regularização da propriedade, como 
desmembramento, arrendamento, hipoteca e venda do imóvel rural, além de possibilitar 
a homologação de partilha em casos de sucessão familiar. Acesse: <http://www.
cadastrorural.gov.br/servicos/ccir-certificado-de-cadastro-do-imovel-rural>.
DICAS
Anualmente, todo proprietário de imóvel rural deve realizar a DECLARAÇÃO 
DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (DITR). Essa declaração é 
realizada no sistema da Receita Federal e gera um imposto, o IMPOSTO TERRITORIAL 
Este órgão também é responsável pelos diagnósticos sobre a estrutura 
fundiária brasileira, além de outras importantes atividades relacionadas ao Sistema 
Nacional de Cadastro Rural (SNCR), que organiza e atualiza as informações sobre 
o cadastro nacional de imóveis rurais, de proprietários e detentores de imóveis 
rurais, de terras públicas, e de arrendatários e parceiros. 
O INCRA realiza o gerenciamento da certificação dos imóveis rurais 
através do Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) e disponibiliza a emissão do 
Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR). Recentemente, o INCRA lançou 
um novo portal (<http://acervofundiario.incra.gov.br/acervo/acv.php>), que 
disponibiliza informações do acervo fundiário, além de possibilitar o acesso aos 
outros sistemas descritos (INCRA, 2018a).
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
33
RURAL (ITR), que incide sobre os imóveis localizados fora das áreas urbanas brasileiras. 
Este imposto está estabelecido pela Lei Federal nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, e 
pela Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996.
Mas, afinal, o que é a estrutura fundiária? E qual a sua importância para o 
desenvolvimento das propriedades rurais no Brasil?
A compreensão destas questões é de grande importância para reconhecer 
como as políticas públicas de desenvolvimento rural são planejadas e executadas, 
bem como para propor ações que busquem melhorar a renda e possibilitar uma 
melhor condição de vida às diferentes categorias de agricultores.
 
A Estrutura Fundiária é a forma como as propriedades agrícolas estão 
organizadas e distribuídas, levando-se em consideração o número (quantidade), 
o tamanho e a distribuição das terras entre as propriedades rurais. A Figura 6 
apresenta a variação da estrutura fundiária brasileira entre os anos de 1992 e 2003. 
Mais de 30% dos imóveis rurais brasileiros apresentavam menos de 10 hectares (ha) 
e, somados, ocupavam área inferior a 2% da área agrícola total. No outro extremo, 
as propriedades com área superior a 1.000 hectares representavam menos de 2% 
do número de imóveis rurais no Brasil, ocupando mais de 45% da área agrícola 
nacional. Quase 75% das propriedades rurais brasileiras apresentavam menos de 
50 hectares. O somatório destas pequenas propriedades ocupava apenas 11,7% da 
área total dos imóveis rurais brasileiros. Atualmente, os estabelecimentos rurais 
com área de até 50 hectares representam 81,5% do total de propriedade no Brasil, 
enquanto as áreas maiores que 500 hectares somam cerca de 3,5% (Figura 7).
FIGURA 6 – ESTRUTURA FUNDIÁRIA BRASILEIRA 
CLASSE DE ÁREA 
TOTAL (HA) 1992 %
NÚMERO DE IMÓVEIS
1998 % 2003 %
Menos de 10 907.764 31,04 1.144.642 31,90 1.409.752 32,86
10 menos de 25 804.376 27,51 939.862 26,19 1.109.841 25,87
25 menos de 50 477.439 16,33 573.474 15,98 693.217 16,16
50 menos de 100 319.256 10,92 403.474 11,25 485.956 11,33
100 menos de 200 191.539 6,55 239.232 6,67 272.444 6,35
200 menos de 500 133.506 4,57 166.686 4,65 181.919 4,24
500 menos de 1.000 48.873 1,67 62.643 1,75 68.972 1,61
1.000 menos de 10.000 39.546 1,35 55.203 1,54 67.402 1,57
10.000 e mais 1.905 0,07 2.678 0,07 979 0,02
TOTAL 2.924.204 100 3.587.967 100 4.290.482 100
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
34
De acordo com as estatísticas cadastrais do INCRA, organizadas por Filho 
e Fontes (2009), em 2003 haviam sido registrados 4,29 milhões de propriedades 
rurais no Brasil, ocupando uma área de 418 milhões de hectares (Figura 6). Em 
dezembro de 2014, segundo os dados do SNCR, o número de imóveis rurais de 
titularidade particular no Brasil foi de 5,76 milhões de propriedades, ocupando 
área de 521,8 milhões de hectares. Somando aos imóveis de titularidade pública, 
totalizam 5.775.864 propriedades rurais no Brasil, ocupando área de 681.900.090,85 
hectares (SNRC/INCRA, 2018). Segundo os dados do Censo Agropecuário 2017, o 
número de propriedades rurais foi de 5.072.152 estabelecimentos agropecuários, 
ocupando 350.253.329 hectares (equivalente a quase 41,13% da área do território 
nacional) (IBGE, 2018). Esses dados estatísticos contrastantes se devem à forma 
distinta de obtenção das informações, sendo para o INCRA através da declaração 
dos produtores (SNCR), e no caso do IBGE, através de pesquisa censitária (Figura 
7). Entretanto, ambas as informações são utilizadas para a análise das tendências 
do setor, bem como para a formulação de políticas públicas de desenvolvimento.
FONTE: Filho e Fontes (2009)
CLASSE DE ÁREA 
TOTAL (HA)
ÁREA TOTAL (HA)
1992 % 1998 % 2003 %
Menos de 10 4.429.542,7 1,43 5.422.109,1 1,30 6.638.598,6 1,59
10 menos de 25 13.081.255,3 4,22 15.276.103,2 3,68 18.034.512,2 4,31
25 menos de 50 16.679.065,9 5,38 20.070.262,8 4,83 24.266.354,6 5,80
50 menos de 100 22.205.515,7 7,16 27.906.162,9 6,72 33.481.543,2 8,00
100 menos de 200 26.032.300,2 8,40 32.262.001,2 7,76 36.516.857,8 8,73
200 menos de 500 41.147.556,9 13,27 51.491.978,6 12,39 56.037.443,2 13,39
500 menos de 1.000 33.812.939,4 10,91 43.317.666,4 10,42 47.807.934,8 11,43
1.000 menos de 10.000 94.404.621,8 30,45 134.988.573,1 32,48 168.101.029,4 40,17
10.000 e mais 58.237.954,3 18,78 84.835.954,7 20,41 27.572.367.0 6,59
TOTAL 310.030.752,2 100 415.570.812,0 100 418.456.640,8 100
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
35
FIGURA 7 – CENSO AGROPECUÁRIO 2017
FONTE: Disponível em:<https://censos.ibge.gov.br/agro/2017/templates/censo_agro/
resultadosagro/pdf/estabelecimentos.pdf>. Acesso em: 26 jul. 2018
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
36
NOTA
O censo é uma metodologia de pesquisa estatística que avalia todos os 
membros de uma população, diferindo da amostragem que analisa apenas uma parcela 
representativa do total. Atualmente, os censos demográficos (características da população) 
e agropecuário (características das propriedades rurais) são realizados através de visitas 
de milhares de agentes que colaboram para a coleta das informações (recenseadores). Já 
existem estudos prévios para a realização de censos on-line no futuro.
O Censo Agropecuário Brasileiro iniciou em 1920, sendo que, com a criação do IBGE em 
1936, passou a ser realizado por este órgão. Os censos agropecuários são realizados em 
intervalos de tempo que possibilitem avaliar a evolução dos dados pesquisados, variando 
entre 5 e 10 anos. O último Censo agropecuário (9º edição) foi realizado em 2006. Entre 
2017 e 2018 foi elaborado o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola 2017, não deixe de 
acompanhara divulgação dos dados.
A distribuição desigual das propriedades no Brasil também pode ser 
identificada a partir da área média das propriedades rurais em cada estado da 
federação. Na Figura 8, vemos a evolução das áreas no período de 1975 a 2006. 
Atualmente, o Mato Grosso do Sul é o estado que apresenta a maior área média 
das propriedades rurais, com 465,6 hectares. Já os estados de Sergipe, Alagoas 
e Pernambuco apresentam as propriedades com menor área, sendo em média 
inferior a 20 hectares. Observa-se ainda, em alguns estados (Pará, Amapá, 
Maranhão, Paraná e Mato Grosso), o aumento da área média das propriedades, 
indicando concentração das propriedades rurais. Verifique o contraste entre a 
presença dos latifúndios no Centro-Oeste (MS – 465,6 ha e MT – 427,0 ha) e das 
pequenas propriedades no Nordeste (SE – 15,1 ha e AL – 17,9 ha).
FIGURA 8 – EVOLUÇÃO DA ÁREA MÉDIA RURAL
FONTE: Hoffmann e Ney (2010, p. 23)
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
37
A distribuição da área das propriedades rurais pode ser visualizada 
nos mapas apresentados por Girardi (2017) (Figura 9). As regiões Sul, Sudeste, 
Nordeste e parte norte da região Norte apresentam estrutura fundiária 
predominante formada por pequenas propriedades. Destacam-se, nos estados do 
Sul e no sudeste de Minas Gerais, as propriedades com menos de 100 hectares. 
No outro extremo, a região Centro-Oeste, a parte sul da região Norte e o oeste da 
região Nordeste compreendem predominância de grandes imóveis rurais (área 
superior a 1.000 ha) (GIRARDI, 2017).
Fica evidente a distribuição desigual das terras agrícolas no Brasil, a partir 
da observação das figuras apresentadas (Figura 9). Essa diferença gera muitas 
desigualdades socioeconômicas, servindo como um indicativo de que as políticas 
públicas adotadas até o momento não foram eficientes para minimizar essa 
concentração de terras no Brasil (FILHO; FONTES, 2009). Esses autores sugerem 
que um programa estruturado de reforma agrária poderia contribuir para alterar 
essa situação, bem como possibilitar maiores níveis de produção, gerando melhoria 
na qualidade de vida aos agricultores e efeitos positivos à economia brasileira.
FIGURA 9 – IMÓVEIS RURAIS
FONTE: Adaptado de Girardi (2017). Disponível em: <http://www.atlasbrasilagrario.com.br/con_
subcat/estrutura-fundiaria>. Acesso em: 9 maio 2018.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
38
A estrutura fundiária, extremamente concentrada do ponto de vista 
da abrangência nacional, se apresenta muito diferenciada quando analisada 
geograficamente em cada estado ou no contexto regional. As diferenças têm 
origem tanto na forma quanto no período de ocupação e colonização dos 
territórios ao longo dos últimos 500 anos (CARDIN; VIEIRA; VIÉGAS, 2018).
3 TAMANHO DAS PROPRIEDADES RURAIS
Embora a distribuição desigual das propriedades rurais no Brasil esteja 
presente desde o período colonial, o Estatuto da Terra estabeleceu os conceitos 
que ainda são utilizados para a definição do tamanho das propriedades (BRASIL, 
1964). Essa legislação conceitua o imóvel rural como: “o prédio rústico, de 
área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração 
extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de 
valorização, quer através de iniciativa privada”.
A Lei Federal nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, também conhecida 
como Estatuto da Terra, regula os direitos e obrigações relacionados aos imóveis rurais, 
para os fins de execução da Reforma Agrária e promoção da Política Agrícola.
A Lei no 11.326, de 24 de julho de 2006 (Lei da Agricultura Familiar), define “o agricultor 
familiar e o empreendedor familiar rural como aquele que pratica atividades no meio 
rural, atendendo aos seguintes requisitos (art. 3º): I - não detenha, a qualquer título, área 
maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II - utilize predominantemente mão de obra da 
própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; 
III - tenha percentual mínimo de renda familiar originada de atividades econômicas do seu 
estabelecimento ou empreendimento; IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento 
com sua família”.
ATENCAO
Também são conceitos estabelecidos no Estatuto da Terra, a Propriedade 
Familiar, que representa “o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado 
pelo agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-
lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada 
para cada região e tipo de exploração, e eventualmente trabalho com a ajuda de 
terceiros”. O Módulo Rural, que representa “a área fixada nos termos de uma 
propriedade familiar”. Em outras palavras, um módulo rural é uma área agrária 
mínima que possibilita a subsistência e o desenvolvimento social e econômico de 
uma propriedade familiar. Os termos Imóvel Rural, como sendo a área contínua 
que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindústria; o 
Minifúndio, como o imóvel rural com área inferior à da propriedade familiar; e o 
Latifúndio, como o imóvel rural que exceda a dimensão de 600 (seiscentas) vezes 
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
39
A classificação dos imóveis no Brasil considera o número de módulos fiscais. 
Segundo o INCRA, módulo fiscal e módulo rural não se referem à mesma definição.
MÓDULO RURAL é calculado para cada imóvel rural em separado e sua área reflete o tipo 
de exploração predominante no imóvel rural, segundo a sua região de localização.
MÓDULO FISCAL é estabelecido para cada município e procura refletir a área mediana 
dos módulos rurais dos imóveis rurais do município.
O Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012) indica que o valor do 
módulo fiscal é utilizado como parâmetro legal para utilização em diversos contextos, 
como na definição de benefícios atribuídos à pequena propriedade ou posse rural familiar, 
na definição de faixas mínimas para recomposição de Áreas de Preservação Permanente 
(APP) e na manutenção ou recomposição de Reserva Legal (RL).
A Política Nacional da Agricultura Familiar (Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006) estabelece 
que o número de módulos fiscais é um dos requisitos analisados para considerar o 
enquadramento como agricultor familiar ou empreendedor familiar rural.
ATENCAO
o módulo rural médio das propriedades da região, tendo-se em vista as condições 
ecológicas, sistemas agrícolas regionais e o fim a que se destina (BRASIL, 1964).
O INCRA utiliza como parâmetro para a classificação dos imóveis rurais o 
tamanho da área das propriedades. Essa classificação também leva em consideração 
o número de módulos fiscais, e não apenas a metragem de área em hectares (INCRA, 
2018b). Segundo estes critérios, os imóveis rurais são agrupados em:
• minifúndio: corresponde ao imóvel rural com área inferior a 1 (um) módulo 
fiscal;
• pequena propriedade: corresponde ao imóvel rural com área compreendida 
entre 1 (um) e 4 (quatro) módulos fiscais;
• média propriedade: corresponde ao imóvel rural com área superior a 4 (quatro) 
até 15 (quinze) módulos fiscais;
• grande propriedade: corresponde ao imóvel rural com área superior a 15 
(quinze) módulos fiscais.
Esta classificação é definida pela Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, a 
partir do módulo fiscal, que varia de acordo com cada município (BRASIL, 1993). O 
conceito de módulo fiscal foi introduzido pela Lei nº 6.746, de 10 de dezembro de 1979, 
que estabeleceu normas para a fixação e cálculo do ITR. O Módulo Fiscal expressa 
a área mínima necessária para que uma unidade produtiva seja economicamente 
viável. O número de módulos fiscais de um imóvel é utilizado na aplicação da 
alíquota no cálculo do ITR (Imposto Territorial Rural) (EMBRAPA, 2018).
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
40
3.1 MÓDULO FISCAL
O módulo fiscal de cada município é determinado, segundo a legislação 
(BRASIL, 1979), de acordo com:
• tipo de exploração predominante (hortigranjeira,cultura permanente, cultura 
temporária, pecuária ou atividade florestal);
• a renda obtida a partir do tipo de exploração predominante;
• outras atividades de exploração existentes no município, que embora não 
predominantes, sejam expressivas em função da renda ou da área utilizada;
• o conceito de propriedade familiar.
As dimensões de um módulo fiscal apresentam variações de acordo 
com o município onde a propriedade está localizada. O tamanho dos módulos 
fiscais é expresso na unidade de área hectare (ha), apresentando variação entre 
5 e 110 hectares por módulo fiscal (Figura 10). Observa-se que a determinação 
dos módulos fiscais apresenta um padrão regional, sendo menor nas regiões 
Sul, Sudeste e parte do Nordeste e do Centro-Oeste. Os módulos fiscais maiores 
se encontram basicamente nas regiões Norte e Centro-Oeste, estando em sua 
maioria dentro da área conhecida como Amazônia Legal (EMBRAPA, 2018).
IMPORTANT
E
A Amazônia Legal é uma área (com mais de 5,2 milhões de hectares) que 
engloba nove (9) estados do Brasil, sendo instituída pelo governo federal em 1953. 
A diferenciação desta área teve como objetivos o planejamento e a promoção do 
desenvolvimento social e econômico de regiões que compartilham desafios sociais, 
econômicos e políticos semelhantes, não sendo fixada assim pela área ocupada pelo 
bioma Amazônia.
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
41
FIGURA 10 – CLASSES DE MÓDULOS FISCAIS 
FONTE: EMBRAPA (2018)
DICAS
Se você tem interesse em saber qual o tamanho unitário do módulo fiscal de seu 
município, acesse os seguintes endereços: <http://www.incra.gov.br/tabela-modulo-fiscal> 
ou <https://www.embrapa.br/codigo-florestal/area-de-reserva-legal-arl/modulo-fiscal>.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
42
4 DESEQUILÍBRIO REGIONAL
A desigualdade da estrutura fundiária brasileira vista anteriormente é 
um reflexo do desequilíbrio regional ao longo da história de desenvolvimento 
do Brasil. Esse desequilíbrio já existia desde antes da ocupação portuguesa 
em 1500. Pela grande extensão territorial, as variações de clima, geografia e 
aspectos étnicos, sociais e culturais já moldavam diferenças entre as regiões do 
atual território brasileiro, ainda durante os povoamentos indígenas. Estudos 
mostraram que no Brasil, antes do contato com os europeus, havia cerca de 1.400 
grupos indígenas habitando todas as regiões (OLIVEIRA; FREIRE, 2006) (Figura 
11). Essas variações entre os povos indígenas se refletiam em vários aspectos, 
destacando-se alguns, como:
• formas de comunicação (tipos e raízes linguísticas);
• hábitos alimentares (culturas agrícolas e extrativistas preferenciais);
• tradições, expressões artísticas e crenças religiosas;
• conhecimentos transmitidos entre gerações, além de outras expressões 
culturais;
• organização social (formas e níveis de hierarquia social nos povoados, aldeias 
e tribos);
• padrões de deslocamento, trocas comerciais e convivência entre as etnias;
• estilos de vida e de comportamento (passividade e agressividade).
FIGURA 11 – GRUPOS INDÍGENAS NO BRASIL EM 1500
FONTE: Disponível em: <http://quartetogeografico709.blogspot.com.br/2016/04/pindorama.
html>. Acesso em: 16 maio 2018.
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
43
Com a chegada dos europeus e a colonização a partir de 1500, uma outra 
variável foi incorporada na sociedade brasileira, e que resultaria no aumento ainda 
mais acentuado do desequilíbrio regional. Essa variável foi a formação econômica, 
baseada nos diferentes ciclos de matérias-primas, alternando atividades 
extrativistas e de produção. Essas divisões econômicas foram acentuadas durante 
o século XX, resultando nos níveis de desigualdade observados nas diferentes 
regiões na atualidade (NUNES; GUEDES, 2013).
Um dos grandes efeitos relacionados com a expansão, auge e declínio das 
atividades econômicas em uma região é a migração, ou seja, o deslocamento de 
grupos populacionais entre diferentes regiões do país. Esse fluxo de mão de obra 
altera o arranjo social e econômico existente, e de maneira geral, tende a aumentar 
a concentração de capital e a formação de regiões ricas em detrimento de outras 
menos favorecidas.
Todas essas movimentações migratórias possuem relação direta com 
ciclos de desenvolvimento econômico. Para relembrarmos, citamos alguns 
exemplos, como: o deslocamento em direção às regiões de mineração no Sudeste 
e no Centro-Oeste, a interiorização com o desenvolvimento da atividade cafeeira 
no Sudeste, a migração para o Norte durante o ciclo da borracha e depois com a 
instalação da Zona Franca de Manaus, a instalação da capital federal em Brasília, o 
desenvolvimento industrial nas regiões Sul e Sudeste e a expansão das fronteiras 
agropecuárias em direção ao interior do país (Centro-Oeste e Norte). De maneira 
geral, todas essas migrações estão relacionadas à busca por melhores condições 
de vida e a “fuga” de locais com opções limitadas de desenvolvimento e renda.
Para facilitar a compreensão deste efeito migratório sobre as diferenças 
regionais, vamos analisar com um pouco mais de detalhe a distribuição 
populacional do Brasil.
4.1 DENSIDADE POPULACIONAL E SUA RELAÇÃO COM A 
DESIGUALDADE REGIONAL
Os dados mais recentes, do Censo demográfico 2010 (IBGE, 2011), 
demonstram a diferença na concentração da população brasileira entre as regiões. 
De maneira geral, as áreas litorâneas apresentam maior densidade demográfica 
em relação às regiões do interior do país. A densidade demográfica representa 
a quantidade de habitantes por unidade de área. Outro aspecto importante a 
ser destacado neste sentido é a maior concentração nos estados do Sudeste e Sul, 
em relação às regiões Centro-Oeste e Norte (Figura 12). Verifica-se ainda que a 
maior parte da população está concentrada nas capitais ou em grandes regiões 
metropolitanas de cada estado.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
44
FIGURA 12 - DENSIDADE DE POPULAÇÃO BRASILEIRA 
FONTE: Disponível em: <http://mapasinterativos.ibge.gov.br/atlas_ge/brasil1por1.html>. 
Acesso em: 9 maio 2018.
A região Sudeste é a mais populosa do Brasil, com mais de 80 milhões 
de pessoas, seguida pela região Nordeste, que possui mais de 53 milhões de 
habitantes. Na região Sul vivem pouco mais de 27 milhões de pessoas. As regiões 
Centro-Oeste e Norte apresentaram o menor número de habitantes por região, 
com aproximadamente 15 milhões de pessoas vivendo em cada uma. São Paulo 
é o estado mais populoso, com mais de 41 milhões de habitantes, e Roraima é o 
oposto, com a menor população, onde vivem aproximadamente 451 mil pessoas 
(IBGE, 2011).
Esse quadro relacionado com a migração pode ser melhor expresso ao 
analisarmos a relação entre a população urbana x população rural (Figura 13). 
No Censo 2010, a população brasileira atingiu um total de 190.755.799 habitantes. 
Comparativamente, a população urbana foi superior a 160 milhões de habitantes, 
representando 84,4% do total, enquanto quase 30 milhões de pessoas residiam em 
áreas rurais (IBGE, 2011). Ao acompanhar os dados desde 1950, observa-se uma 
inversão na frequência do local de residência da população, entre as décadas de 
60 e 70, seguida de uma crescente urbanização e expansão dos grandes centros.
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
45
FIGURA 13 – PROPORÇÃO DA POPULAÇÃO 
FONTE: IBGE (2011, p. 44)
Segundo o relatório do Censo demográfico 2010, o processo de 
industrialização e urbanização no Brasil foi iniciado a partir da Segunda Guerra 
Mundial, acentuando os movimentos migratórios de áreas rurais com destino às 
áreas urbanas (IBGE, 2011). No entanto, essa movimentação aos grandes centros 
não resultou em melhoria das condições de vida da população, ampliando-se 
ainda mais a desigualdade entre as classes sociais.
De forma geral, podemos verificar duas questões importantes de motivação 
da movimentação populacional. Uma delas está relacionada à ocupação do espaço 
territorial, destacando-se os movimentos para o interiordo país estimulados pelo 
governo, principalmente durante o período colonial. A segunda está relacionada 
com a motivação socioeconômica, podendo ser exemplificada a partir do êxodo 
rural, como ilustrado. Com raras exceções, a falta de planejamento e o crescimento 
descontrolado resultaram na formação de grandes metrópoles, que oferecem 
condições precárias de vida, resultando em problemas sociais e econômicos. 
Observa-se em muitas regiões rurais, o envelhecimento da força de trabalho, o 
abandono das atividades agrícolas e a alteração dos padrões fundiários.
Segundo Zago (2016), esses movimentos de êxodo rural se tornam 
especialmente importantes em regiões com predomínio de propriedades 
familiares, como no Sul do Brasil. Esta autora descreve que a saída dos jovens em 
direção à cidade está relacionada com a busca por melhores condições de renda, 
demandas por educação e formação, e com motivação profissional. Recentemente 
observa-se, por diferentes razões, uma movimentação em sentido contrário, “da 
cidade para o campo”, que pode ser um novo fator gerador de oportunidades e 
desenvolvimento.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
46
IMPORTANT
E
O ÊXODO RURAL refere-se aos eventos de migração das áreas rurais em 
direção às áreas urbanas. O ÊXODO URBANO refere-se aos eventos de migração contrários, 
das áreas urbanas em direção às áreas menos povoadas. Esse padrão tem se intensificado 
recentemente, na busca de melhores condições de vida, como tranquilidade, segurança, 
disponibilidade de recursos naturais (água limpa, ar menos poluído, cultivo do próprio 
alimento etc.), bem-estar e opções de renda.
4.2 PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) E SUA RELAÇÃO 
COM A DESIGUALDADE REGIONAL
O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma dos valores monetários 
de todos os bens e serviços produzidos por uma região em um determinado 
período. Este índice é um dos mais utilizados para avaliar tendências econômicas 
e níveis de desenvolvimento.
A análise do PIB permite uma boa identificação da variação da atividade 
econômica de cada uma das diferentes regiões do Brasil (Figura 14). A região 
Sudeste apresenta uma grande concentração da atividade econômica brasileira, 
representando mais de 50% do PIB nacional. O Centro-Oeste e o Norte possuem 
a menor parcela do PIB nacional, sendo que cada região participa com menos de 
10% deste índice. Queda mais acentuada no PIB entre 2005 e 2015 foi observada 
nos estados do Rio Grande do Sul, Amapá e Amazonas.
FIGURA 14 – PIB DAS REGIÕES E ESTADOS BRASILEIROS 
FONTE: IBGE, adaptado de Folha de São Paulo (2017). Disponível em:
 <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1936019-crise-do-rio-faz-sudeste-perder-
mais-participacao-no-pib-nacional.shtml>. Acesso em: 18 maio 2018.
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
47
NOTA
Segundo dados do IBGE, órgão que calcula o PIB no Brasil, o índice alcançou 
R$ 6,6 trilhões em 2017. O setor de serviços foi o que mais contribuiu, com R$ 4,1 trilhões, 
seguido pela indústria com R$ 1,2 trilhão. O setor agropecuário foi responsável por R$ 
300 bilhões, apresentando aumento de 13% em relação a 2016. O PIB per capita, que 
é a divisão do PIB pela população residente no Brasil, chegou a R$ 31.587 em 2017. 
Disponível em: <https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2013-agencia-
de-noticias/releases/20166-pib-avanca-1-0-em-2017-e-fecha-ano-em-r-6-6-trilhoes.
html>. Acesso em: 18 maio 2018.
A análise do PIB demonstra, como vínhamos discutindo, as grandes 
diferenças regionais e como elas se refletem no nível de desenvolvimento e bem-
estar da população. A situação econômica, a distribuição geográfica da população, 
a capacidade de geração de renda das atividades econômicas principais e a 
participação do governo, através de políticas públicas, influenciam nos níveis de 
desenvolvimento regionais.
Analisaremos a seguir como os principais ciclos econômicos, ocorridos 
no Brasil desde o período colonial, moldaram a forma de vida das pessoas e as 
relações entre as diferentes regiões.
5 CICLOS ECONÔMICOS BRASILEIROS
As situações que levaram tanto à expansão quanto ao declínio das 
atividades econômicas resultaram em profundas transformações sociais, que 
justificam a composição atual do desenvolvimento regional brasileiro. Nosso 
propósito neste item é o de fazer uma análise mais geral de como os ciclos de 
algumas atividades comerciais, desenvolvidas ao longo dos 500 anos de história 
do Brasil, moldaram a sociedade e a economia. Essas transformações, que estão 
em sucessiva adaptação, formaram e continuam a aprimorar a situação em cada 
região do Brasil.
Serão discutidos alguns aspectos relacionados aos principais ciclos 
econômicos ocorridos no Brasil (Figura 15):
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
48
FIGURA 15 – CICLOS ECONÔMICOS NO BRASIL 
FONTE: Elaborado pelo autor 
5.1 CICLO DO PAU-BRASIL
Foi o primeiro ciclo econômico importante após a chegada dos 
portugueses. Ocorreu no período pré-colonial (1500 a 1530), realizado a partir 
do extrativismo, utilizando a mão de obra indígena, nas áreas de Mata Atlântica 
do litoral do Nordeste e Sudeste (Figura 16). A exploração do Pau-Brasil foi 
extremamente predatória, quase levando à extinção da espécie. Do ponto de vista 
socioeconômico, os índios realizavam o corte e transporte da madeira, motivados 
pelo escambo (troca por produtos manufaturados de pouco valor), enquanto os 
portugueses faziam o transporte e comercialização da madeira e de subprodutos 
(tinta) na Europa. Embora curto, este ciclo registrou a primeira etapa de uma 
ligação comercial entre o Brasil Colônia e Portugal. O principal objetivo neste 
período foi o de não deixar o território abandonado, sem estímulo à ocupação, 
com exceção de poucos pontos estratégicos e fortificados, instalados no litoral.
IMPORTANT
E
O pau-brasil (atual Paubrasilia echinata (Lam.)) é também conhecido como: "pau-
de-pernambuco", "ibirapitanga", "orabutã", "ibirapiranga", "ibirapita", "muirapiranga", "pau 
rosado", ou "pau vermelho". O Brasil é o único país do mundo com o nome de uma planta. 
Porém, a exploração extrativista quase levou à sua extinção em um curto espaço de tempo. A 
Lei Federal n° 6.607, de 7 de dezembro de 1978, declarou o pau-brasil como a árvore nacional. 
Dada a sua importância, no dia 3 de maio é comemorado o Dia do pau-brasil.
Brasil Colônia
1500
Brasil Império
1800
Ciclo do ouro e da mineração
Ciclo da industrialização 
e da diversificação de 
economia
Ciclo do café
Ciclo da borracha
Ciclo da pecuária
Ciclo da cana-de-açúcar
Ciclo do pau-Brasil
Brasil República
1900
Brasil Contemporâneo
2000
17001600
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
49
FIGURA 16 – DISTRIBUIÇÃO DO PAU-BRASIL. TRONCO E COPA.
FONTE: Adaptado de IBF – Instituto Brasileiro de Florestas (2018). Disponível em: <https://www.
ibflorestas.org.br/pau-brasil.html>. Acesso em: 16 maio. 2018.
5.2 CICLO DA CANA-DE-AÇÚCAR
Com o esgotamento da oferta de pau-brasil, a Coroa portuguesa iniciou a 
implantação de pequenas unidades de colonização, baseadas no cultivo da cana e 
na instalação de engenhos de açúcar. Os portugueses conheciam a cultura da cana, 
que era cultivada nas ilhas do Atlântico. Na Europa do século XVI, o açúcar era 
uma mercadoria muito valiosa e de acesso apenas às sociedades mais favorecidas, 
sendo inclusive comercializado em troca de ouro. Ao longo do litoral do Nordeste, 
grandes canaviais foram implantados após a retirada da floresta, deixando 
como marca um intenso desmatamento. As características que possibilitaram a 
expansão da atividade açucareira foram o solo favorável, o clima quente e úmido, 
a disponibilidade de grandes áreas para o cultivo e a utilização da mão de obra 
escrava (indígena inicialmente e, posteriormente, de africanos). No atual Estado 
de Pernambuco foi instalada a maioria dos engenhos de açúcar, pela facilidade de 
acesso à Europa, por via marítima. Os proprietários dos engenhos de cana eram 
conhecidos como os “senhoresde engenho” (NUNES; GUEDES, 2013).
Neste período, a monocultura da cana foi implantada em grandes áreas 
(latifúndios) controladas por proprietários portugueses, que obtinham enormes 
lucros. O ciclo da cana também favoreceu a exploração de outros recursos naturais 
(principalmente minerais), a partir de expedições ao interior do país; além da 
expansão da atividade de tráfico de escravos e a expulsão dos povoamentos 
indígenas para a ocupação dos colonizadores. A população brasileira aumentou 
significativamente neste período, principalmente no Nordeste. A sociedade 
brasileira era formada por três camadas sociais: os proprietários (senhores de 
engenho), os homens livres e os escravos. O ciclo da cana teve longa duração 
(séculos XVI e XVII) e apresentou um grande impacto na geografia, na economia 
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
50
e no contexto social do Brasil. A sociedade açucareira do período colonial 
apresentava como características a pouca mobilidade populacional, sendo 
que as áreas das grandes propriedades concentravam o local de vivência dos 
trabalhadores, a estrutura física para o cultivo e produção e a casa dos proprietários. 
Uma representação desta condição pode ser visualizada na pintura “Engenho de 
Itamaracá” (Figura 17), de Frans Post (1612-1680), um dos primeiros artistas a 
retratar imagens do Brasil colonial, realizada durante a ocupação holandesa no 
Nordeste (1630-1654).
 
 A cultura da cana-de-açúcar também possibilitou a formação e o 
estabelecimento das primeiras vilas e pequenas cidades, localizadas basicamente 
no litoral do Nordeste (NUNES; GUEDES, 2013).
FIGURA 17 – OBRA “ENGENHO DE ITAMARACÁ” (1647) 
FONTE: Disponível em: <http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/para_colorir_engenho_
frans_post/>. Acesso em: 18 maio 2018.
5.3 CICLO DA PECUÁRIA
A pecuária pode ser compreendida não como um ciclo econômico 
singular, mas sim como uma atividade complementar, com importância para 
o abastecimento do mercado interno e para impulsionar a ocupação territorial. 
Inicialmente (no século XVII) a expansão alcançou o sertão nordestino e os campos 
do Sul do Brasil. No final do século XVIII, a região de Pelotas/RS teve papel de 
destaque no comércio nacional da carne bovina. Os produtores do Sul também 
comercializavam o couro e animais de carga, resultando em uma economia 
fortemente ligada à pecuária. Com a decadência da mineração, a pecuária tornou-
se atividade importante em Minas Gerais e no Centro-Oeste. A partir da segunda 
metade do século XIX, a pecuária mineira obteve grande expansão e os produtores 
possuíam enorme prestígio político. Esse fato ficou evidente na “política do café 
com leite”, um acordo que envolvia interesses políticos e econômicos durante o 
início do período republicano (de 1889 a 1930). Nesta época, a economia paulista 
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
51
era baseada na produção de café e a mineira apresentava grande importância na 
produção de leite e derivados. Esse acordo envolvia os dois grupos de grandes 
proprietários de terra no Brasil, paulistas e mineiros, com o objetivo de manter o 
poder sob o controle das elites (NUNES; GUEDES, 2013).
As figuras conhecidas como vaqueiros (no Nordeste), tropeiros (no 
Sul) e boiadeiros (Centro-Oeste) correspondiam aos comerciantes de gado 
que realizavam a intermediação entre os criadores e o mercado. Um típico 
exemplo pode ser compreendido a partir da Rota dos Tropeiros (Figura 18), que 
transportavam o charque (carne bovina cortada em mantas, salgada e seca ao Sol) 
da região Sul até os mercados do Sudeste. Ao longo deste trajeto, os diversos pontos 
de parada para descanso originaram povoamentos e após resultaram em muitas 
cidades. A pecuária extensiva foi a atividade econômica que estabeleceu um elo 
de ligação entre o interior e o litoral, durante o período colonial, contribuindo 
para a interiorização dos domínios portugueses.
FIGURA 18 – ROTA DOS TROPEIROS 
FONTE: Adaptado de Gazeta do Povo (2018). Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.
br/vida-e-cidadania/legado-construido-no-lombo-do-cavalo-47tpgoeb139yfap24ktkwpkcu>. 
Acesso em: 16 maio 2018.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
52
FONTE: Adaptado de Gazeta do Povo (2018). Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.
br/vida-e-cidadania/legado-construido-no-lombo-do-cavalo-47tpgoeb139yfap24ktkwpkcu>. 
Acesso em: 16 maio 2018.
FIGURA 19 – MONUMENTO AO TROPEIRO (LAGES/SC)
5.4 CICLO DO OURO E DA MINERAÇÃO
As grandes reservas de mineração estavam localizadas no interior da 
colônia, onde o acesso era difícil e a ocupação por diferentes tribos indígenas 
ainda era frequente. A atividade de mineração e extração de ouro e pedras 
preciosas passou a ser importante do ponto de vista econômico após o declínio 
da cultura da cana-de-açúcar. A exploração iniciou na Capitania de São Paulo, 
que correspondia aos atuais estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato 
Grosso. A atividade de mineração avançou da atual cidade de Mariana/MG, 
passando por Ouro Preto/MG e São João Del Rei/MG, seguindo até a Chapada 
Diamantina/BA. Este ciclo teve início no final do século XVII e seu declínio deu-se 
no final do século XVIII, com a exaustão dos recursos naturais.
Neste ciclo fica clara a intervenção do governo português sobre a colônia, 
que alterou a capital de Salvador para o Rio de Janeiro em função da maior 
proximidade com a região das minas e o estabelecimento do principal porto de 
escoamento de ouro e diamantes. Outro aspecto importante eram os altos impostos 
cobrados da Coroa, incidindo sobre a produção, sobre a operação de mineração 
e sobre a atividade dos trabalhadores. Com o início do ciclo da mineração, foi 
retomado o modelo de exploração extrativista, semelhante ao adotado no ciclo 
do pau-brasil. A riqueza retirada das terras brasileiras era levada e utilizada para 
a construção de obras e possibilitar o desenvolvimento do território em Portugal. 
Os eventos de migração foram intensamente fortes, principalmente do Nordeste 
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
53
em direção às regiões de mineração (NUNES; GUEDES, 2013). A situação da 
Europa, que passava por grandes transformações em um período pré-Revolução 
Industrial, provocou grande instabilidade política e econômica em Portugal, o 
que levou muitos portugueses a se instalarem definitivamente no Brasil.
Embora um crescimento econômico e populacional tenha sido verificado 
neste período, o desenvolvimento regional não foi verificado em função das 
características exploratórias e da forma como a riqueza era distribuída. A força 
de trabalho ainda era constituída pela atividade escrava. Com a decadência do 
ciclo de mineração pelo esgotamento das reservas de pedras e metais precisos, 
as regiões mineradoras passaram por profunda crise, pois o abastecimento de 
alimentos e de produtos manufaturados vinha de outras regiões do Sudeste, do 
Sul e do Nordeste.
ATENCAO
Imagem atual da cidade de Ouro Preto/MG que, pela importância histórica e 
pela conservação dos monumentos coloniais, foi considerada Patrimônio Nacional (1933), 
tombada pelo IPHAN como Patrimônio Material (1938) e, reconhecida mundialmente, após 
a declaração pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade (1981).
FONTE: Disponível em: <http://www.ouropreto.mg.gov.br/historia>. Acesso em: 10 ago. 2018.
5.5 CICLO DA BORRACHA
O ciclo da borracha na Amazônia teve como origem a demanda pela 
matéria-prima no período pós-Revolução Industrial, tanto na Europa quanto 
nos Estados Unidos. Os interesses comerciais apareceram a partir da metade do 
século XVIII, com o desenvolvimento do processo de extração e fabricação da 
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
54
goma de látex. Com o desenvolvimento do processo de vulcanização em 1839, 
o látex tornou-se um material viável para uso industrial. A grande demanda 
pelo produto no mercado internacional impulsionou o aumento da produção 
nos seringais da Amazônia. Novamente foiestabelecida uma rota intensa de 
migração da população do Nordeste, que sofria com crises de seca, miséria e 
conflitos sociais. Esses migrantes, chamados de seringueiros, formavam a força 
de trabalho nos seringais (NUNES; GUEDES, 2013).
A atividade ganhou tamanha importância que, próximo de 1900, o 
volume de borracha comercializado representava 1/3 do total das exportações 
brasileiras. A renda gerada movimentou a economia na região Norte, porém 
não resultou no desenvolvimento de uma estrutura industrial que possibilitasse 
outras atividades comerciais. Embora muitos recursos tenham sido aplicados em 
cidades como Manaus e Belém, na implantação de uma ferrovia e na ampliação 
dos portos, uma parte significativa dos lucros era usada para trocas comerciais 
com produtos industrializados do exterior. Além desse fato, os trabalhadores, 
originários da região Nordeste, apresentavam altas taxas de mortalidade em razão 
da pouca resistência às doenças locais, de confrontos com indígenas e pelo tipo de 
trabalho realizado. Somando a isso, a exploração das áreas de seringais gerava 
grandes conflitos com grupos indígenas que, muitas vezes, foram completamente 
dizimados. Muitas vezes, esses trabalhadores, devido ao isolamento e às condições 
de trabalho, viviam em um sistema de semiescravidão, como retratado na pintura 
A cena do seringal (1940), da artista paraense Antonieta Santos Feio (1897-1980), 
retratando o trabalho de produção das bolas de borracha (Figura 20).
A decadência do ciclo da borracha na Amazônia está associada ao 
contrabando de milhares de sementes de seringueiras para a Inglaterra, em 1877. 
O cultivo da seringueira nas colônias inglesas na Ásia possibilitou a produção de 
látex a custos muito inferiores aos das condições brasileiras. Como resultando, a 
brusca queda no preço internacional tornou a produção inviável e a exploração 
da borracha da Amazônia entrou em crise no início do século XX.
FIGURA 20 – SERINGAL (ESQUERDA), COLETA DO LÁTEX (CENTRO) E PINTURA (DIREITA)
FONTE: Adaptado de IPEF – Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (2018). Disponível em: 
<http://www.ipef.br/identificacao/hevea.brasiliensis.asp>. Acesso em: 18 maio 2018.
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
55
IMPORTANT
E
A seringueira (Hevea brasiliensis L.) é uma planta nativa da região Amazônica, 
da qual é extraída a seiva, sob a forma de um líquido branco e viscoso, chamado látex. Esse 
látex coagula espontaneamente em contato com o ar, originando a goma de borracha. Das 
onze espécies, a Hevea brasiliensis é a que possui maior capacidade de produção de látex.
5.6 CICLO DO CAFÉ
A crise na mineração impulsionou novamente a economia de exportação de 
matérias-primas agrícolas, produzidas em diversos locais das regiões do Sudeste e 
Nordeste. Um exemplo foi a atividade de produção de algodão e café em alguns 
estados da região Nordeste, com destaque para as regiões que compõem o atual 
Estado do Maranhão. Porém, devido às dificuldades de adaptação e aos métodos 
rudimentares de produção, o cultivo do café não se expandiu nesta região. Um 
pouco mais tarde, além destes motivos, a ocorrência de pragas (bicudo do algodão) 
e a competição com o algodão de outros locais (Estados Unidos) fizeram com que 
o cultivo também perdesse importância. Apesar de inicialmente desenvolvida nas 
regiões Norte e Nordeste (em 1720), foi no Sudeste, na região do Vale do Rio Paraíba, 
que a cultura do café passou a ter um grande impulso (NUNES; GUEDES, 2013).
As condições de solo (terra roxa) e clima favoráveis possibilitaram uma 
rápida expansão do cultivo de café em direção ao interior de São Paulo, se espalhando 
também para Minas Gerais e Espírito Santo. Entre os anos de 1830 e 1840, o café foi o 
produto que liderou as exportações no Brasil. O país tinha como destaque a grande 
produção, que poderia atender à demanda mundial, além do controle dos preços e 
a decisão da forma de atuação no mercado internacional. A importância econômica 
impulsionou a modernização da estrutura de transporte, principalmente ferroviária, 
que trazia os grãos das áreas de produção até o litoral; e a portuária, que realizava o 
escoamento nos portos de Santos e do Rio de Janeiro (NUNES; GUEDES, 2013).
Durante a segunda metade do século XIX, uma série de mudanças sociais 
ocorreu no Brasil, com os eventos que resultaram na abolição da escravidão 
e na chegada de imigrantes europeus, principalmente de origem italiana. Esses 
imigrantes substituíram a mão de obra escrava e possibilitaram a continuidade das 
atividades até o fim do ciclo de progresso econômico cafeeiro. Nesta época também 
chegaram à região Sul do país imigrantes europeus de diversas nacionalidades, 
principalmente alemães, poloneses, ucranianos e italianos, que se estabeleceram 
e iniciaram a ocupação das terras do interior. Os imigrantes orientais, vindos do 
Japão, principalmente, chegaram durante o início do século XX, tendo como destino 
também as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Esses imigrantes europeus e asiáticos 
contribuíram de forma significativa com a introdução de uma cultura cooperativa 
gerando oportunidades às pequenas propriedades rurais.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
56
ESTUDOS FU
TUROS
Os imigrantes japoneses foram responsáveis pela organização de uma das 
maiores cooperativas agrícolas do Brasil, a Cooperativa Agrícola de Cotia, fundada em 
1927. Os cooperados possuíam diversos segmentos, desde a produção de grãos, hortaliças 
e frutas até a comercialização de produtos animais, exercendo atividades em 15 estados 
brasileiros. Após chegar a quase 15 mil sócios, as atividades foram encerradas no final de 
1994, em função de dívidas e cenários econômicos desfavoráveis.
Os ganhos econômicos, propiciados com a exportação do café para 
a Europa e para os Estados Unidos, possibilitaram aos grandes fazendeiros, 
conhecidos como “barões do café”, um grande enriquecimento. Esse acúmulo 
de capital teve forte influência no desenvolvimento industrial e econômico da 
região Sudeste, principalmente nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A crise 
no setor cafeeiro iniciou por um descontrole entre a oferta e a demanda de café 
no mercado internacional e devido à competição com o café produzido em outras 
regiões, reduzindo drasticamente os preços. O governo brasileiro comprava 
grandes volumes de café dos produtores e realizava a sua destruição (milhões 
de sacas foram queimadas), porém essa medida não foi suficiente para absorver 
os estoques, estabilizar os preços internacionais e evitar a quebra da oligarquia 
cafeeira (NUNES; GUEDES, 2013).
ATENCAO
Obra “Café” (1935), do pintor brasileiro Cândido Portinari (1903-1962) retratando 
a colheita, o ensacamento e o carregamento de sacos de café por escravos negros.
FONTE: Disponível em: <http://www.museus.gov.br/obras-de-portinari-no-mnba-integram-
exposicao-inedita-em-roma/>. Acesso em: 10 ago. 2018.
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
57
5.7 CICLO DA INDUSTRIALIZAÇÃO E DA DIVERSIFICAÇÃO 
DA ECONOMIA
Até o início do século XX, a economia brasileira estava baseada na produção 
agrícola, com o desenvolvimento de pequenos polos industriais, localizados 
principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. A partir de 1930, com o governo de 
Getúlio Vargas, a industrialização se intensificou no Brasil. Os fluxos de migração 
aumentam, principalmente do Nordeste em direção ao Sudeste, acelerando a 
formação de grandes centros urbanos. Ao longo do século XX, a formação de 
regiões metropolitanas e de importantes áreas industriais, principalmente nas 
regiões Sul e Sudeste, passou a dominar a economia e o desenvolvimento da 
sociedade brasileira.
Nunes e Guedes (2013) descrevem que ocorreu uma estagnação das 
demais regiões brasileiras em relação à prosperidade econômica da região Sudeste, 
particularmente representada pela concentração industrial no Estado de São Paulo. 
Estes autores destacam que, uma vez iniciada essa direção de concentração, ela não 
pôde ser revertida.A partir da década de 1960, a região Sul do Brasil apresentou 
desenvolvimento de um setor industrial diversificado e com crescimento expressivo, 
baseado nas atividades têxtil e a de transformação de alimentos. Atualmente, essa 
é a segunda região industrial mais importante do país.
Outras regiões apresentaram impulso econômico, principalmente após a 
década de 50, destacando-se a região Norte, com a criação da Zona Franca de 
Manaus, e a região Centro-Oeste, a partir das obras de construção de Brasília e a 
transferência da capital federal. A construção de Brasília impulsionou um grande 
contingente de migração para possibilitar a execução das obras que permitiram 
a transferência da capital federal do Rio de Janeiro para o Distrito Federal. Da 
mesma forma que em outras situações, a falta de planejamento e a infraestrutura 
precária originaram as desigualdades sociais entre a região administrativa e as 
cidades do seu entorno, conhecidas como cidades satélites.
IMPORTANT
E
A Zona Franca de Manaus foi criada através da Lei federal n° 3.173, de 6 de 
junho de 1957, estabelecendo incentivos fiscais para a implantação de um polo industrial, 
comercial e agropecuário na Amazônia. O objetivo era promover o desenvolvimento 
socioeconômico dos municípios, além de possibilitar uma maior integração com o 
restante do país. Atualmente, a SUFRAMA – Superintendência da Zona Franca de Manaus 
realiza a administração e gestão deste modelo.
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
58
A região Nordeste permaneceu em uma estagnação da atividade 
econômica, sendo que somente a partir do início dos anos 80 desenvolveu-
se a indústria do turismo com um objetivo de aproveitar as características das 
paisagens, principalmente no litoral. O período de estabilização monetária ajudou 
a impulsionar a atividade, trazendo turistas de diferentes partes do país e de 
diversos países do mundo. Porém, as necessidades sociais e a distribuição de renda 
ainda estão muito distantes de possibilitar uma situação de melhoria das condições 
de vida da população (NUNES; GUEDES, 2013). Projetos agropecuários em torno 
do Rio São Francisco e na região Sul da Bahia, com a produção de frutas irrigadas 
e de cacau, exemplificam as atividades econômicas que se estabeleceram na região.
6 CONDIÇÕES ESTRUTURAIS DO BRASIL ATUAL
A expansão agropecuária, a diversificação da produção, a organização 
social em cooperativas de produção e associações contribuíram para o crescimento 
da economia na cadeia de agronegócios. Porém, a urbanização, o êxodo rural, 
a redução nos preços de comercialização dos produtos agrícolas e a intensa 
mecanização agrícola geraram o aumento da concentração de terras (ALVES; 
SOUZA; MARRA, 2011). Nos últimos 30 anos, as alternativas de agregação de valor, 
adoção de sistemas alternativos de produção, valorização da agricultura familiar e 
turismo rural têm possibilitado uma nova opção de melhoria das condições de vida, 
podendo reverter a saída dos jovens do meio rural e oferecer uma possibilidade de 
renda digna e permanência no campo.
Podemos destacar das discussões de Nunes e Guedes (2013) as principais 
causas que levaram às disparidades observadas entre as regiões brasileiras. Essas 
causas estão relacionadas com:
• características econômicas das atividades desenvolvidas ao longo dos ciclos 
econômicos;
• escassez de recursos naturais nas regiões menos favorecidas;
• incapacidade de acumulação de capital financeiro, capaz de gerar investimento 
em atividades geradoras de renda, como a agroindústria e a indústria de 
transformação;
• condições geográficas naturais (clima, solo etc.) não propícias ao 
desenvolvimento das atividades econômicas;
• direcionamento político e econômico dos interesses voltados à produção e 
distribuição dos recursos financeiros obtidos;
• fluxos migratórios de mão de obra, direcionando a acumulação do capital entre 
as regiões; 
• ausência de instrumentos públicos eficientes para a correção das disparidades 
regionais.
Para concluirmos este tópico, Neto, Brandão e Castro (2017, p. 436) 
destacam que o processo de globalização econômica atuou com grande 
intensidade sobre o desenvolvimento regional brasileiro a partir dos anos 2000. 
Os autores descrevem que o processo de desindustrialização, caracterizado pela 
TÓPICO 2 | ESTRUTURA FUNDIÁRIA E DESEQUILÍBRIO 
59
perda de dinamismo e competitividade do parque industrial, e a expansão das 
atividades do agronegócio, direcionadas ao aumento da produção e à exportação 
de matérias-primas, apresentaram os maiores reflexos na economia neste período.
No período 2000-2015, maiores taxas de crescimento do PIB foram 
verificadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em comparação com o 
Sul e Sudeste. No entanto, as condições estruturais que poderiam favorecer o 
estabelecimento de um novo padrão de integração das atividades econômicas 
nacionais continuam fragilizadas. Entre os motivos levantados por Neto et al. (2017) 
estão a atração exercida pela demanda internacional de commodities agrícolas 
e minerais. Esse quadro de incentivo à exportação de produtos primários não 
manufaturados continua a reprimir a expansão da estrutura produtiva nacional 
e o desenvolvimento tecnológico, que poderiam oferecer melhores condições de 
crescimento ao país.
60
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A estrutura fundiária é a forma como as propriedades agrícolas estão 
organizadas e distribuídas.
• A forma e as características dos imóveis rurais se encontram distribuídos de 
maneira desigual entre as regiões do país.
• Os critérios e os conceitos que regulam a classificação do tamanho dos imóveis 
rurais no Brasil são definidos pela legislação.
• O tamanho dos imóveis rurais é classificado em: minifúndio, pequenas, médias 
e grandes propriedades.
• Existem diferenças entre módulos rurais e módulos fiscais.
• Um módulo rural é uma área agrária mínima que possibilita a subsistência e o 
desenvolvimento social e econômico de uma propriedade familiar.
• O módulo fiscal expressa a área mínima necessária para que uma unidade 
produtiva seja economicamente viável, variando de tamanho dependendo da 
localização geográfica.
• Há diversas condições que caracterizam o quadro de desequilíbrio entre as 
diferentes regiões brasileiras.
• O processo histórico relacionado aos principais ciclos econômicos do Brasil 
apresentou reflexos sobre os aspectos sociais e econômicos regionais na 
atualidade.
• As condições estruturais do Brasil atual e os elementos que configuram a geração 
de oportunidades para o setor agropecuário podem ser aproveitadas para 
estimular o desenvolvimento rural.
61
Caro acadêmico, vamos fazer alguns exercícios sobre este tópico para 
ajudar na compreensão do que foi estudado. Leia as questões e responda aos 
exercícios apresentados. Em caso de dúvida, busque as informações no livro 
de estudos para tirar suas dúvidas.
1 Neste tópico, você aprendeu sobre os ciclos econômicos que influenciaram 
no desenvolvimento econômico regional e na distribuição da densidade 
demográfica no Brasil atual. Em relação aos principais ciclos econômicos, 
nas diferentes fases da história brasileira, analise as seguintes sentenças:
( ) Os ciclos econômicos do pau-brasil e da mineração de ouro e de pedras 
preciosas apresentaram como características comuns o extrativismo 
predatório dos recursos naturais e a ausência de uma condição favorável 
de desenvolvimento social após o esgotamento das reservas.
( ) O ciclo da cana-de-açúcar apresentou importância durante um longo 
período, possibilitando o estabelecimento dos povoamentos e de 
pequenas cidades no Brasil, sendo caracterizado pela utilização da mão 
de obra escrava, de indígenas e africanos, para a realização dos trabalhos.
( ) A importância econômica da cultura do café possibilitou o desenvolvimento 
de uma infraestrutura de transporte fluvial e aéreo, não sendo responsável 
pela chegada de imigrantes europeus que complementaram o trabalhojuntamente com a mão de obra escrava.
( ) Com a crise do setor cafeeiro e a distribuição de imigrantes europeus 
e asiáticos nas áreas rurais do Brasil, modificações importantes na 
estruturação das organizações sociais entre produtores foram sendo 
implementadas, como a criação de diversas cooperativas de produção.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) F – V – V – V.
b) ( ) V – F – V – V.
c) ( ) V – V – F – V.
d) ( ) V – V – V – F.
2 A estrutura fundiária apresenta grandes diferenças no Brasil. 
Ao analisar a importância econômica e social do setor agrope-
cuário, verificamos condições distintas, quando se considera o 
tamanho das propriedades. Neste contexto, descreva o que é 
estrutura fundiária e quais características em relação ao tamanho e à ocupa-
ção das propriedades rurais no Brasil. Relacione esta informação, conside-
rando a estrutura fundiária em nível nacional, regional e/ou estadual.
AUTOATIVIDADE
62
63
TÓPICO 3
POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
RURAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Neste terceiro tópico serão abordados os temas relacionados às 
políticas públicas direcionadas ao setor agropecuário. Uma abordagem sobre o 
desenvolvimento rural será feita para embasar as discussões sobre a importância 
das políticas públicas, o processo de formação das agendas e implementação 
de ações. Vamos também direcionar a apresentação de temas relacionados 
às organizações sociais no campo, principalmente com o associativismo e o 
cooperativismo.
Deseja-se que você possa ter um bom aprendizado neste tópico e que as 
informações apresentadas possibilitem a condição necessária para o aproveitamento 
das unidades seguintes deste Livro de Estudos. Vamos aprender!
2 CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO RURAL BRASILEIRO
Vimos, nos tópicos anteriores, a evolução histórica que resultou no enorme 
desequilíbrio econômico entre as regiões brasileiras e, principalmente, os elementos 
relacionados com a questão agrária e a desigualdade na distribuição da terra.
Associado a estes fatores, as estratégias de políticas públicas no Brasil 
têm valorizado a produção de commodities agrícolas destinadas ao mercado 
internacional, servindo como eixo direcionador econômico e que tem se mostrado 
ao longo do tempo causador de problemas sociais (excludente) e de utilização 
dos recursos naturais (poluição e perda de biodiversidade). Este viés econômico-
produtivista segue o mesmo parâmetro para analisar a “eficiência” das diferentes 
categorias de agricultores familiares, comparando, a partir dos dados do Censo, 
produtores com graus diferentes de adoção de novas tecnologias de produção 
(VILELA, 2017).
Desde o período após a Segunda Guerra Mundial, as políticas públicas 
voltadas ao setor agropecuário foram direcionadas para estimular o aumento 
de produtividade, baseadas no uso de novas tecnologias de produção e 
da mecanização agrícola. Esse processo de homogeneização dos sistemas 
64
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
produtivos foi fundamentado nos princípios da “Revolução Verde”, e fortemente 
implementado no Brasil com o estímulo à ampliação das fronteiras agrícolas, à 
exportação de commodities, formação de complexos agroindustriais e através 
das linhas de crédito público destinadas à modernização agrícola (DELGADO; 
PEREIRA, 2017). Nessa lógica, o desenvolvimento rural era associado às 
intervenções, do governo e de outras instituições, nas áreas rurais mais pobres 
e que não estavam integradas ao processo de modernização. As políticas 
públicas até 1990 eram excessivamente normativas, sendo que essas intervenções 
buscavam a substituição das condições de produção, por serem consideradas 
atrasadas (SCHNEIDER, 2010). Diversos autores (SCHNEIDER, 2010; GRISA; 
SCHNEIDER, 2015; CAZELLA et al., 2016; DELGADO; PEREIRA, 2017) 
descrevem que somente após a Constituição de 1988 é que houve uma mudança 
no enfoque e no entendimento sobre o desenvolvimento rural, sendo adotadas, a 
partir de então, novas abordagens e concepções.
NOTA
Um exemplo a respeito das práticas de produção e comercialização feitas por 
pequenos agricultores pode ser verificado no Decreto nº 66.183, de 5 de fevereiro de 1970. 
Este decreto regulamenta outra norma, o Decreto-Lei nº 923, de 10 de outubro de 1969, 
determinando que “é proibida a venda de leite cru para consumo direto da população, 
em todo o território nacional” (art. 1º). Verifica-se como a influência governamental, 
buscando a substituição de condições de produção consideradas inapropriadas, disciplinou 
uma atividade econômica de grande importância e que viabilizava muitas propriedades 
familiares na época. Embora em seu artigo 2º exista uma possibilidade de comercialização 
direta sob condições restritas, na prática, esta legislação determinou de forma expressa 
a comercialização de leite beneficiado, segundo as seguintes especificações (art. 4º): “ser 
pasteurizado por processos aprovados em aparelhagem adequada [...]”, “ser padronizado e 
filtrado por processos centrífugos”, “atender a padrões físico-químicos e biológicos [...]”, ser, 
após a pasteurização, engarrafado ou empacotado mecanicamente [...]”, “ser controlado 
em laboratório devidamente aparelhado”, e “ser envasado em embalagens invioláveis de 
vidro, plástico, cartonado ou similares”. Essas restrições demonstram o favorecimento da 
comercialização de laticínios às agroindústrias de transformação, embora não se pode 
ignorar a sua importância, em relação à qualidade e segurança alimentar.
Outro exemplo que dificultou a adequação de pequenas unidades produtivas foi a Lei 
nº 1.283, de 18 de dezembro de 1950, regulamentada pelo Decreto no 9.013, de 29 de 
março de 2017, que dispõem sobre a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem 
animal para o comércio interestadual e internacional (art. 2º), e municipal e intermunicipal 
(art. 3º). A constituição de cooperativas é uma estratégia que tem possibilitado atender 
estas normas e viabilizar a produção de grupos de agricultores familiares.
Recentemente, verificam-se algumas legislações estaduais que dispõem sobre a produção 
e comercialização de produtos artesanais (Lei Estadual nº 10.610, de 1/12/1997 – Elaboração 
artesanal de produtos comestíveis de origem animal e vegetal de Santa Catarina; Lei 
Estadual nº 10.507, de 1/3/2000 – Elaboração artesanal de produtos comestíveis de 
origem animal em São Paulo; Lei Estadual nº 20.549, de 18/12/2012 – Queijos artesanais 
de Minas Gerais; Lei Estadual nº 17.486, de 16/1/2018 – Queijos artesanais de leite cru 
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
65
de Santa Catarina). No âmbito federal, regulamentações diferenciadas para os produtos 
artesanais começam a ser publicadas, como a Lei nº 13.648, de 11 de abril de 2018, 
que trata da produção artesanal, caseira ou colonial de polpa e de suco de frutas em 
estabelecimentos familiares, e a Lei nº 13.680, de 14 de junho de 2018, que possibilita 
a inspeção e a fiscalização da elaboração de produtos artesanais de origem animal por 
órgãos estaduais, que devem atuar prioritariamente em caráter de orientação.
A agropecuária brasileira apresenta-se com uma estrutura produtiva 
heterogênea, embora seja caracterizada como uma atividade dinâmica e moderna 
nas diversas cadeias produtivas. Observa-se que, no Brasil, a agricultura familiar 
apresenta grande diversidade cultural, social e econômica, com variações em 
todos os níveis, desde a agricultura de subsistência até a produção familiar que 
utiliza técnicas e máquinas modernas. Há estabelecimentos identificados pela alta 
eficiência na gestão da propriedade, intensa adoção de inovações e tecnologias 
recentes e obtenção de significativas taxas de rendimento, enquanto existe, em 
outro extremo, um conjunto de propriedades familiares que sequer possuem 
acesso a tecnologias básicas de produção, resultando em eficiência restrita na 
gestão das atividades (GARCIA; FILHO, 2014). Devido a estas condições tão 
diferentes, torna-se inviável umaanálise competitiva e comparativa.
Schneider (2010) destaca que o aumento dos debates sobre o 
desenvolvimento rural no Brasil, a partir da década de 1990, está associado a 
quatro fatores:
• o reconhecimento do papel social, econômico e produtivo associado à 
agricultura familiar;
• a adoção de políticas públicas para a agricultura familiar pelo Governo Federal;
• mudanças político-ideológicas no entendimento entre a agricultura familiar e 
a patronal;
• importância crescente da abordagem produtiva com enfoque na 
sustentabilidade.
O reconhecimento político da importância da agricultura familiar 
passou a ser valorizado e utilizado por pesquisadores e por governantes como 
contexto de referência em oposição aos modelos do agronegócio adotados nas 
décadas anteriores. Além disso, a recomposição dos movimentos sindicais dos 
trabalhadores rurais passou a adotar posturas mais críticas, particularmente 
nas lutas por crédito, por melhoria dos preços, por formas diferenciadas de 
comercialização, pela implementação da regulamentação constitucional sobre 
a previdência social e aposentadoria rural e pela proteção contra a abertura 
comercial promovida por acordos internacionais (SCHNEIDER, 2010). Um 
exemplo de conquistas nessa época foi a readequação na classificação dos imóveis 
rurais segundo a forma de uso (tipologia que separava a agricultura familiar 
daquela patronal, que adotava trabalhadores contratados ou assalariados). Essa 
norma federal (Lei no 8.629/1993), que também apresentava inovações para as 
66
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
políticas fundiárias e agrícolas, e os dados do Censo Agropecuário 1995/96, 
serviram de referência para ações mais direcionadas de desenvolvimento rural 
para a agricultura familiar, como o PRONAF, entre outras.
De forma a legitimar as reivindicações dos movimentos sociais, durante a 
década de 1990, o Governo Federal passou a promover várias medidas inéditas no 
espaço rural, acelerando a reforma agrária, criando órgãos de suporte (MDA, SDR 
etc.) e programas de crédito diferenciados (PRONAF). Ao longo dos últimos 30 anos, 
o Estado brasileiro também foi implementando outras ações voltadas à segurança 
alimentar, combate à exploração do trabalho rural, regularização fundiária e apoio 
a comunidades tradicionais (quilombolas, ribeirinhos, entre outros). Muitos autores 
apresentam críticas sobre a efetividade, sobre a abrangência e sobre a dimensão 
destas ações (SCHNEIDER, 2010; CAZELLA et al., 2016).
As mudanças político-ideológicas na compreensão da importância entre 
a agricultura familiar e a forma patronal/empresarial de produção têm resultado 
em uma forma diferente de tratar o desenvolvimento rural (SCHNEIDER, 2010). 
Essa visão entre duas realidades distintas se justificava a partir de uma questão 
econômica em que a produção agrícola familiar se destinava a atender ao consumo 
local ou o mercado interno, enquanto a produção do agronegócio empresarial se 
destinava à exportação de commodities. Essa visão de duas realidades opostas 
e conflitantes possibilitou a ampliação do espaço para as discussões sobre o 
desenvolvimento rural, principalmente direcionado à agricultura familiar, como 
uma alternativa a esta polarização.
A importância da utilização equilibrada dos recursos naturais e a 
minimização da contaminação ambiental, dos produtores e dos alimentos têm sido 
a base para este quarto fator de mudanças nas discussões sobre desenvolvimento 
rural. A questão ambiental passou a ser compreendida, não mais como um 
impedimento à produção agropecuária, mas sim como geradora de novas 
alternativas de viabilidade econômica e de opções de renda e oportunidades no 
campo (SCHNEIDER, 2010). As críticas ao modelo implementado pela “Revolução 
Verde” e a realização de diversos eventos internacionais para a discussão de 
temas como o desenvolvimento sustentável, a preservação da natureza, o uso 
sustentável dos recursos naturais e a segurança alimentar expandiram a pressão 
dos consumidores sobre os governos para a adoção de políticas diferentes 
daquelas adotadas.
Assim, as discussões se ampliam, não observando apenas o 
desenvolvimento rural, a partir de estratégias voltadas à agricultura ou a grupos 
sociais mais vulneráveis residentes no campo e baseadas em ações setoriais de 
estímulo à produção. Nessa visão, as políticas agrárias deixam de ser entendidas 
como práticas de governo voltadas ao setor agrário e de pobreza social (PERICO; 
PERAFÉN; PINILLAM, 2011), mas evoluem para políticas públicas que possam 
viabilizar as melhorias do território, em todas as suas dimensões (econômicas, 
sociais, culturais, ambientais e políticas), e que passam a reconhecer uma nova 
relação entre o ambiente rural e o urbano, baseadas agora em ações de integração 
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
67
e interdependência para o desenvolvimento territorial (PERICO; PERAFÉN; 
PINILLAM, 2011). Embora essas discussões tenham surgido na Europa, nos anos 
de 1950, no Brasil, essas abordagens e visões passaram a ser melhor entendidas e 
expressadas a partir da década de 1990. Existem projetos em diversas partes do 
país que já têm adotado políticas de desenvolvimento territorial, porém, ainda 
há muito que se avançar para que os resultados possam atingir a escala nacional. 
Assim, Medeiros e Dias (2011) destacam que uma das principais dificuldades 
para a implementação de ações de desenvolvimento territorial, que resultem em 
condições mais equilibradas e sustentáveis, é a imensa desigualdade no meio 
rural derivada de uma forte concentração da riqueza, especialmente em relação à 
propriedade da terra.
Veremos agora como as políticas públicas são estruturadas e, após isso, 
faremos uma breve análise das principais ações realizadas para o desenvolvimento 
rural brasileiro na atualidade.
3 POLÍTICAS PÚBLICAS E SEUS ESTÁGIOS DE FORMAÇÃO
As políticas públicas são estratégias de ação, baseadas em diretrizes 
e princípios estabelecidos pelo poder público, capazes de regular e definir 
procedimentos entre a sociedade e o governo, para alcançar a resolução de uma 
dificuldade. Segundo o Sebrae/MG (2008, p. 5-6), as “políticas públicas são um 
conjunto de ações e decisões do governo, voltadas para a solução (ou não) de 
problemas da sociedade”. De maneira mais direta, elas referem-se “à totalidade 
de ações, metas e planos que os governos (nacional, estadual ou municipal) 
traçam para alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse público” (SEBRAE/
MG, 2008, p. 5-6).
Assim, as políticas públicas se constituem em um processo dinâmico, 
envolvendo demandas da sociedade, apresentadas através dos representantes 
(senadores, deputados, vereadores) ou por meio de audiências com a sociedade 
civil organizada (associações, sindicatos, entidades representativas, grupos de 
gestão participativa, cooperativas, ONGs, entre outras) e o poder público. Essas 
demandas são discutidas, negociadas e formalizadas de acordo com os interesses 
públicos e a capacidade de mobilização, organização e articulação dos interessados 
que apresentam as demandas. Muitas vezes, as políticas públicas podem ou não 
expressar os interesses de grupos ou setores majoritários da sociedade ou com 
maior capacidade de pressão política. Essa situação reflete o nível de convencimento 
dos agentes tomadores de decisão e as prioridades selecionadas pelos dirigentes 
públicos que são responsáveis pela definição das demandas ou expectativas 
preferenciais da sociedade (SEBRAE/MG, 2008). Assim, as demandas apresentadas, 
após serem discutidas, são formalizadas sob a forma de documentos públicos (leis, 
normas, instruções, programas, linhas de financiamento, diretrizes, entre outros), 
com o objetivo de orientar a adoção de ações ou a aplicação de recursos financeiros 
para o atendimento das metas estabelecidas.
68
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
A definição das políticas exige uma série de etapas de organização, 
planejamento, discussões, até que sua adoção possaser definida e acompanhada 
(Figura 21). Na fase 1, a partir do surgimento, identificação e apresentação 
dos problemas feita por documentos elaborados por entidades de classe ou 
em audiências públicas, são selecionadas as prioridades a serem atendidas. 
Este processo de definição da lista de problemas é chamado de Formação da 
Agenda. Na fase 2, essas discussões avançam a partir de propostas de soluções 
ou alternativas de ações a serem adotadas para a resolução dos problemas 
priorizados. Aqui são definidas as linhas de ação, os objetivos e as metas a 
serem alcançadas, considerando as diferentes interpretações e interesses, tanto 
da sociedade como de profissionais técnicos. Na terceira fase, há um seguinte 
processo decisório, com a escolha das alternativas de ações mais adequadas e 
de acordo com as possibilidades e interesses. Essas escolhas serão publicadas a 
partir de leis, decretos, normas, resoluções, entre outras formas de divulgação 
pública. A quarta fase envolve a adoção das ações definidas e planejadas, que 
podem ser de duas formas: de forma centralizada (implementação das ações do 
governo para a sociedade); ou de forma descentralizada (supõe a participação 
dos beneficiários das políticas públicas no processo decisório). A quinta 
fase é de grande importância, pois compreende uma ferramenta de análise, 
acompanhamento, aprendizagem e ajustes para a melhoria dos resultados da 
política pública. Nesta etapa são considerados os impactos, o cumprimento de 
metas e os efeitos posteriores a partir das ações adotadas (SEBRAE/MG, 2008).
FIGURA 21 - ESTÁGIOS DE ELABORAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
FONTE: Adaptado de Sebrae/MG (2008, p. 10)
FASE 5:
Avaliação 
dos 
resultados
FASE 4:
Implementação 
das ações
FASE 3:
Processo de 
tomada de 
decisões
FASE 2:
Formação da 
política de ação
FASE 1:
Formação 
da agenda
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
69
Do ponto de vista prático, durante os processos decisórios, as fases se 
ligam entre si, sendo essa separação apresentada apenas como forma didática 
de compreender o andamento de adoção de uma determinada política pública. 
Verifica-se que esse processo não acontece de forma instantânea, sendo que esse 
tempo também deve possibilitar a análise das variações em relação às demandas 
e às ações adotadas, bem como contemplar as diferentes visões e possibilidades, 
por exemplo, magnitude das ações, prazo de tempo, orçamento etc.
Ao analisarmos as diferentes fases de elaboração das políticas públicas, 
verifica-se a importância da organização social para possibilitar que os interesses 
coletivos possam ser atendidos. Como estudamos, as políticas públicas são 
definidas pela interação entre a sociedade e o governo, na busca de resolução 
de problemas comuns. Assim, as associações, cooperativas ou outras formas 
de arranjo social podem e devem atuar tanto na apresentação dos problemas 
e na discussão de soluções, quanto nas etapas de implementação e avaliação 
dos resultados. Verifica-se assim que a participação da sociedade, através 
de associações ou de outras formas de organização, é uma das maneiras mais 
eficientes para que as necessidades sejam identificadas e atendidas, tanto pela 
capacidade de mobilização quanto pelo alcance na negociação.
Veremos agora quais as principais políticas públicas relacionadas ao 
desenvolvimento rural adotadas atualmente.
4 TIPOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS
De maneira geral, até a década de 1970, as políticas públicas brasileiras 
eram direcionadas a promover a industrialização e a modernização agrícola, 
privilegiando grandes produtores e incentivando, através da oferta de crédito, 
a adoção de novas tecnologias e a mecanização agrícola. Historicamente, a 
agricultura familiar sempre foi deixada à margem das ações governamentais 
(GRISA; SCHNEIDER, 2015).
Com a redemocratização do Estado brasileiro e a promulgação da 
Constituição de 1988, mudanças importantes, principalmente associadas à formação 
e à mobilização de organizações sociais rurais, passaram a ganhar importância. 
Essas organizações sociais passaram a demonstrar e a ganhar visibilidade perante 
os órgãos do governo e perante a população brasileira. As condições precárias 
de desenvolvimento e as necessidades dos pequenos agricultores passaram a ser 
apresentadas de forma mais ativa, principalmente associadas à reforma agrária e 
nas questões ligadas ao acesso e liberação ao crédito rural (GRISA; SCHNEIDER, 
2015, p. 20; CAZELLA et al., 2016). Essa foi a primeira geração das políticas públicas 
voltadas a atender à agricultura familiar. Grisa e Schneider (2015, p. 30) indicam esta 
fase como “a construção de um referencial agrícola e agrário”, caracterizada pelas 
expressivas mobilizações sociais em busca de melhores condições de produção, 
acesso à terra e reconhecimento da importância econômica da agricultura familiar. 
O Pronaf – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar se 
constituiu na principal política pública de incentivo adotada nesta fase, através da 
disponibilização de recursos financeiros.
70
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
NOTA
O PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar foi 
criado pelo Decreto federal nº 1.946, de 28 de junho de 1996, com o objetivo de promover 
o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, possibilitando o aumento da 
capacidade produtiva, a geração de emprego e renda. O programa de crédito contempla 
uma grande amplitude, tanto pelo número de beneficiários quanto pelo tipo de atividade 
e disponibilidade de recursos aplicados, difundido em projetos individuais ou coletivos. O 
crédito agrícola disponibilizado pode ser aplicado no custeio da safra e em operações de 
investimento, visando o acesso à terra, aumento da produção, melhorias na infraestrutura 
produtiva e a atividade agroindustrial, como forma de agregação de valor.
As condições de acesso ao crédito, as formas de pagamento, as taxas de juros e as linhas 
de atuação são definidas anualmente com a divulgação do Plano Safra, entre os meses de 
junho e julho.
A segunda geração das políticas públicas voltadas à agricultura familiar 
tem como referência a correção, por parte do Estado, da incapacidade do mercado 
de economia liberal em atender à pobreza no meio rural. A adoção de políticas 
assistenciais foi estimulada e implementada para minimizar a redução da 
mortalidade infantil, combate à fome, educação básica, condições de habitação e 
saneamento, geração de renda e qualificação profissional (GRISA; SCHNEIDER, 
2015; CAZELLA et al., 2016). Embora não tenha sido um programa de assistência 
social, a criação do PRONAF e, posteriormente, de outros programas assistenciais 
possibilitou muitos avanços no apoio à infraestrutura básica das famílias 
rurais, diminuindo a pobreza e as diferenças no campo (GRISA; SCHNEIDER, 
2015). Grisa e Schneider (2015, p. 32) indicam esta fase como “a construção de 
um referencial social e assistencial”, marcada por melhorias importantes nos 
indicadores de desenvolvimento.
A terceira geração se caracteriza pela construção de um referencial pautado 
na formação de novos mercados para os produtos e serviços das propriedades 
rurais, com direcionamento para questões de segurança alimentar e sustentabilidade 
(GRISA; SCHNEIDER, 2015; CAZELLA et al., 2016). Uma das políticas públicas 
direcionadas às ações de segurança alimentar foi o PAA – Programa de Aquisição 
de Alimentos, que articulava a compra dos produtos da agricultura familiar. Nesta 
mesma linha, o PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar – ampliou a 
participação no mercado dos produtos da agricultura familiar, além de incentivar 
e fortalecer as organizações e associações de produtores. Nesta fase, mais presente 
a partir dos anos 2000, foram desenvolvidas as ações públicas de valorização 
da produção local, da agregação de valor através da agroindustrialização, do 
aprimoramento dos instrumentos de fiscalização e sanidade agropecuária e do 
estímulo à identificaçãode produtos diferenciados (certificação de sistemas de 
produção, selos informativos de produção local e artesanal, reconhecimento 
territorial a partir de indicações geográficas) (GRISA; SCHNEIDER, 2015).
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
71
Nesta última geração de políticas públicas, Grisa e Schneider (2015) 
destacam a maior importância e proximidade entre o Estado e as organizações 
sociais, buscando uma melhor relação entre a formação da agenda de necessidades 
e de soluções, e a implementação das ações por parte do governo. Essa observação 
mostra a importância da organização social e o papel das associações e cooperativas 
de produtores para a definição de políticas públicas de estímulo à produção, ao 
fortalecimento das atividades agrícolas e à conquista de novos mercados.
As três gerações de políticas públicas apresentadas não se constituem 
em três períodos independentes, onde uma geração precede a seguinte, em uma 
sequência de eventos (GRISA; SCHNEIDER, 2015). Essa divisão tem a intenção 
de ajudar na compreensão de como as demandas por novas ações do governo 
foram sendo apresentadas e contempladas ao longo do tempo e de acordo com 
a evolução do desenvolvimento rural. Esses autores também destacam que as 
diferentes gerações de políticas públicas continuam a ser apresentadas, discutidas e 
alteradas, buscando atender diversos interesses e novas oportunidades originadas 
pela dinâmica do setor do agronegócio. O Quadro 2 apresenta uma listagem de 
algumas das principiais políticas públicas relacionadas ao agronegócio no Brasil.
QUADRO 2 – POLÍTICAS PÚBLICAS AO AGRONEGÓCIO
Objetivos Caracterização geral Exemplos
Valorização dos 
produtos agrícolas 
através de signos 
distintivos e de direito 
de propriedade 
industrial.
Indicações geográficas. Indicação de procedência, 
Denominação de origem.
Distinção de produtos ou 
serviços provenientes de 
representações coletivas.
Marcas coletivas.
Sistemas de produção 
diferenciados.
Produção orgânica, Produção 
integrada agropecuária.
Crédito rural. Crédito de custeio e de 
investimento, distribuído em 
diversas linhas e programas.
PRONAF, PRONAMP, Programas 
com recursos do BNDES, Programas 
especiais.
Minimização de 
perdas e gestão de 
riscos.
Exonerar o cumprimento 
de operações financeiras de 
crédito e indenizar a frustração 
de safra por perdas devidas a 
adversidades climáticas.
Seguro agrícola, Proagro (Programa 
de Garantia de Atividade 
Agropecuária), Garantia-Safra, 
Política de combate à seca.
Adaptação edafoclimática 
e apoio às condições de 
produção e sanidade.
Zoneamento agrícola de risco 
climático, Monitoramento 
agroclimático, Recomendação de 
cultivares.
Mitigação de 
danos ambientais 
e adaptação às 
mudanças climáticas.
Plano ABC (Agricultura 
de Baixo Carbono), Rural 
sustentável.
Recuperação de pastagens 
degradadas, Integração lavoura-
pecuária-floresta (ILPF), Sistemas 
agroflorestais (SAFs), Plantio 
Direto (SPD), Fixação Biológica 
de Nitrogênio (FBN), Florestas 
plantadas, Tratamento de dejetos 
animais, Conservação do solo e água.
72
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
Proteção da natureza. Serviços ambientais. Pagamentos por serviços de 
conservação dos recursos 
naturais ou por compensação de 
danos ambientais, Unidades de 
conservação e áreas protegidas.
Produção sustentável. Produção agropecuária 
minimizando impactos aos 
recursos naturais.
Produção orgânica e agroecológica, 
Agroenergia ou Bioenergia (Etanol, 
Biodiesel), Plano ABC, boas práticas 
e bem-estar animal.
Manejo sustentável de recursos 
naturais
Sistemas agroflorestais (SAFs).
Capacitação e 
acompanhamento à 
produção.
Assistência técnica e Extensão 
rural (ATER).
Programas nacionais, estaduais e 
municipais de acompanhamento 
técnico e treinamento, Programas 
de formação e divulgação de 
informações.
Desenvolvimento, 
ciência e inovação 
tecnológica.
Pesquisa agropecuária, Ciência 
e tecnologia.
Instituições de pesquisa e 
desenvolvimento agropecuário 
(Embrapa etc.), programas nacionais, 
estaduais e municipais de fomento à 
pesquisa e inovação.
Segurança alimentar e 
nutricional.
Produção de alimentos seguros 
e saudáveis.
Programa de Aquisição de Alimentos 
(PAA), Programa Nacional de 
Alimentação Escolar (PNAE), 
Produção orgânica e agroecológica.
Controle de qualidade, SI – 
Serviço de Inspeção.
Inspeção de produtos de origem 
animal nas esferas federal, estadual 
e municipal, Controle de resíduos de 
agrotóxicos (ANVISA).
Regularização agrária. Demarcação de terras, crédito 
fundiário, reforma agrária, 
ATER.
Regularização de assentamentos 
rurais, comunidades tradicionais 
e quilombolas, reservas indígenas, 
áreas de proteção ambiental.
Garantias de produção 
e comercialização.
Regulação de preços agrícolas 
e abastecimento.
PGPM - Programa de garantia de 
preços mínimos e PGPAF - Programa 
de garantia de preços mínimos para 
a agricultura familiar (ambos da 
CONAB). 
Compras institucionais. Programa de Aquisição de 
Alimentos (PAA), Programa 
Nacional de Alimentação Escolar 
(PNAE), Subvenção setorial, Leilões 
eletrônicos de compra e venda.
Infraestrutura e logística de 
abastecimento.
Armazenagem e estoques 
reguladores.
Desenvolvimento 
social.
Políticas sociais e de 
desenvolvimento regional.
Previdência rural, Combate à 
pobreza, Habitação rural, Auxílios 
diversos (Bolsa família etc.).
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
73
Controle sanitário, 
Vigilância sanitária, 
Sistema de mitigação 
de risco sanitário, 
Controle de 
importação e de 
exportação.
Produção e trânsito animal. Sistema de informação em saúde 
animal, Serviço de inspeção nas 
esferas federal, estadual e municipal, 
Registros sanitários diversos.
Produção e trânsito vegetal. Registro e fiscalização de alimentos 
e bebidas, Controle de sementes e 
mudas, Registros sanitários diversos.
Fórum de debates e de 
formação de agendas 
políticas.
Câmaras setorial e Câmaras 
temáticas.
As Câmaras setoriais representam 
diversas cadeias produtivas do 
agronegócio. As Câmaras temáticas 
tratam de serviços, temas e áreas de 
conhecimento multissetoriais.
Promoção e 
divulgação.
Formação, promoção e 
divulgação de informações 
sobre o agronegócio.
Programas nacionais, estaduais e 
municipais de acompanhamento, 
formação, estruturação e divulgação 
de informações sobre o setor 
agropecuário.
Desenvolvimento 
territorial e rural.
Indicações geográficas. Indicação de procedência, 
denominação de origem.
Turismo rural e agroturismo. Turismo rural e agroturismo.
Organização social. Cooperativismo e 
Associativismo.
Cooperativas e associações, nas 
mais diversas atividades de 
produção, agroindustrialização e 
comercialização.
FONTE: Elaborado pelo autor
De forma geral, observa-se que as políticas públicas adotadas atualmente 
possuem objetivos relacionados não apenas com o estímulo à produção agropecuária 
e à estruturação da propriedade (Quadro 2). A importância da organização social 
para as atividades produtivas, a necessidade de uso equilibrado dos recursos 
naturais e as distintas opções de desenvolvimento rural, baseadas na agregação de 
valor e na valorização das características dos produtos e do território, têm gerado 
novas oportunidades econômicas às propriedades rurais. Embora as condições no 
campo tenham avançado significativamente nos últimos anos, Cazella et al. (2016) 
descrevem que uma parte importante das propriedades familiares brasileiras 
ainda se encontra à margem das ações governamentais, pouco se beneficiando de 
condições para sua inserção no mercado.
74
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
NOTA
As câmaras setoriais e as câmaras temáticas foram criadas pelo Ministério da 
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para oportunizar uma interlocução mais 
próxima entre os representantes dos diferentes segmentos do agronegócio. Essas reuniões, 
entre membros do setor privado e do governo, possibilitamuma forma democrática 
de participação para a identificação e a definição de ações de interesse das atividades 
agropecuárias brasileiras, bem como daquelas relacionadas ao mercado externo. As 
câmaras setoriais representam as principais cadeias produtivas, enquanto as câmaras 
setoriais abordam diversas cadeias produtivas, tratando de temas comuns e de maior 
relevância. Atualmente, há 32 câmaras setoriais e seis câmaras temáticas que discutem e 
assessoram a implementação de políticas públicas para o setor do agronegócio.
4.1 POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ASSOCIATIVISMO E 
COOPERATIVISMO
Diversas políticas públicas estimulam as atividades de organização social, 
como forma de favorecer o desenvolvimento territorial. Dentre elas, podemos 
destacar aquelas relacionadas:
• à propriedade industrial, caracterizadas pelas marcas coletivas e pelas 
indicações geográficas;
• às compras institucionais, caracterizadas pelos programas, como o PAA e o 
PNAE;
• às parcerias internacionais, caracterizadas pela cooperação com o IICA 
(Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), entre outras 
instituições;
• à profissionalização e capacitação, caracterizadas pela articulação do MAPA 
(Proficoop) com o SESCOOP (Serviço Nacional de Aprendizagem do 
Cooperativismo), o SEBRAE, entre outros;
• às linhas de crédito de investimento (Prodecoop), de capitalização (Procap-
Agro) e as linhas de apoio à agricultura familiar via Pronaf (Agroindústria, 
Industrialização e Cota-parte), estabelecidas pelos Plano Safra e Plano Safra da 
Agricultura Familiar;
• ao desenvolvimento rural sustentável, definidas durante a Conferência das 
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20);
• à integração de debates e de formação de agendas voltadas ao cooperativismo, 
estabelecidas a partir da instalação da Câmara Temática de Cooperativismo 
Agropecuário em 22/11/2012;
• ao estímulo à organização através do cooperativismo e/ou associativismo, a 
partir de programas de incentivo (InterAgro), de integração agrícola (PisaCoop), 
de gênero (CooperGênero) e idade (ProcoopJovem) e informação e divulgação 
(PromoCoop);
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
75
NOTA
A Declaração de Aptidão ao Programa Nacional de Fortalecimento da 
Agricultura Familiar (DAP) é o documento de identificação da agricultura familiar. Pode 
ser realizada sob duas modalidades, tanto pelo agricultor familiar (DAP Pessoa Física) ou 
por empreendimentos familiares rurais, como associações, cooperativas e agroindústrias 
(DAP Pessoa Jurídica). A DAP é um documento de ordem declaratória, sendo necessários 
para a sua emissão os documentos de identificação e, eventualmente, documentos de 
comprovação de atividade agrícola, de renda e de residência. Para consultas a respeito 
da DAP ou das entidades emissoras, acesse: <http://www.mda.gov.br/sitemda/dap/
• ao estímulo do desenvolvimento territorial e rural, baseadas nas atividades 
relacionadas à promoção do turismo rural e do agroturismo, preservação e 
exploração organizada dos recursos e belezas naturais, além da valorização 
cultural e histórica do local.
Vamos conhecer mais detalhes de algumas dessas políticas públicas, que 
apresentam direcionamento para a organização da produção e/ou comercialização 
de forma associativa e/ou cooperativa.
4.1.1 Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE
Este programa foi criado através da Lei Federal no 11.947, de 16 de junho 
de 2009, dispondo sobre a alimentação escolar. No âmbito do PNAE, ficou 
previsto que no mínimo 30% dos recursos utilizados para a compra de alimentos, 
destinados à oferta escolar pública, devem ser direcionados à agricultura familiar, 
priorizando os assentamentos de reforma agrária, as comunidades tradicionais 
indígenas e comunidades quilombolas (SAF, 2018a). Essa lei estabelece diversas 
diretrizes, dentre elas o desenvolvimento sustentável, baseado no incentivo à 
aquisição de gêneros alimentícios diversificados, produzidos em âmbito local e 
preferencialmente pela agricultura familiar.
A gestão do PNAE é executada pelo FNDE (Fundo Nacional de 
Desenvolvimento da Educação), que repassa os recursos para a compra dos 
alimentos (SAF, 2018a). Dentro da categoria dos agricultores familiares, podem 
participar as modalidades de fornecedores no PNAE:
• fornecedores individuais: agricultores familiares detentores de DAP Física 
(Declaração de Aptidão ao Pronaf) que tenham interesse em realizar a venda;
• grupos informais: grupos de agricultores familiares detentores de DAP Física, 
que se articulam para apresentar o projeto de venda;
• grupos formais: organizações de produtores detentores de DAP Jurídica, 
incluindo cooperativas e associações de agricultores familiares devidamente 
formalizadas.
76
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
sistemas>. A emissão da DAP é gratuita! Para acessar o sistema de emissão da DAP, visite: 
<http://dap.mda.gov.br/dapweb/login/default.aspx>.
Para a maior parte dos agricultores familiares, a DAP pode ser obtida junto a instituições 
autorizadas, entre elas, as entidades oficiais de Assistência Técnica e Extensão Rural ou as 
Federações e Confederações de Agricultores, por meio de seus sindicatos. Para públicos 
específicos, a DAP também pode ser fornecida por outras organizações, segundo a 
Portaria do MDA nº 17, de 23 de março de 2010, tais como: a FUNAI, a Fundação Cultural 
Palmares, as Federações de Pescadores e suas colônias filiadas, ou o INCRA. Também 
podem obter a DAP os assentados da reforma agrária, artesãos com atividade vinculada 
ao turismo rural, aquicultores e maricultores, silvicultores e extrativistas, conforme Lei 
Federal no 11.326, de 24 de julho de 2006.
4.1.2 Programa de Aquisição de Alimentos – PAA
O programa foi instituído pela Lei Federal nº 10.696, de 2 de julho de 
2003, e regulamentado pelo Decreto federal nº 7.775, de 4 de julho de 2012. No 
âmbito do PAA, estão previstas duas finalidades básicas: promover o acesso à 
alimentação, como estratégia de ação do governo no enfrentamento da fome 
e da pobreza, e incentivar a agricultura familiar, utilizando mecanismos de 
comercialização que favoreçam a aquisição direta dos produtos de agricultores 
ou das suas organizações (SAF, 2018b).
O programa é desenvolvido em cinco modalidades diferentes: Doação 
Simultânea, Compra Direta, Formação de Estoques, PAA Leite e Compra 
Institucional, sendo o orçamento composto por recursos da Secretaria Especial 
de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD) e do Ministério 
do Desenvolvimento Social (MDS), em parceria com estados, municípios e com a 
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) (SAF, 2018b).
Como beneficiários fornecedores do PAA podem participar as seguintes 
modalidades de agricultores familiares:
• fornecedores individuais: agricultores familiares detentores de DAP familiar;
• grupos formais: organizações de produtores detentores de DAP Jurídica, 
incluindo cooperativas e associações de agricultores familiares devidamente 
formalizadas.
4.1.3 Direitos relativos à propriedade industrial
Os agricultores possuem instrumentos de valiosa importância para 
a proteção, diferenciação e promoção de seus produtos, empreendimentos e 
regiões, caracterizados dentro das normas de propriedade industrial. Esses 
mecanismos são adotados em muitos países e têm sido utilizados recentemente 
em diversas áreas agropecuárias. A organização coletiva é requisito fundamental 
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
77
para usufruir destes mecanismos, desde a busca pelo registro até a obtenção dos 
benefícios sociais, culturais, ambientais e econômicos associados.
A proteção dos direitos relativos à propriedade industrial foi estabelecida 
pela Lei Federal nº 9.279, de 14 de maio de 1996. Segundo essa legislação, compete ao 
INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), autarquia federal, “executar 
as normas que regulam a propriedade industrial”, bem como “pronunciar-
se quanto à conveniência de assinatura,ratificação e denúncia de convenções, 
tratados, convênios e acordos” (art. 240). No artigo 2º, ficam estabelecidas as 
cinco categorias de proteção, sendo (BRASIL, 1996): a concessão de patentes de 
invenção e de modelo de utilidade; a concessão de registro de desenho industrial; 
a concessão de registro de marca; a repressão às falsas indicações geográficas; e a 
repressão à concorrência desleal.
De acordo com esta legislação, marca refere-se aos “sinais distintivos 
visualmente perceptíveis” (art. 122), podendo ser consideradas a marca de 
produto ou de serviço, a marca de certificação e a marca coletiva (BRASIL, 
1996). As marcas coletivas compreendem uma forma de proteção dos direitos 
relativos à propriedade industrial, “usada para identificar produtos ou serviços 
provindos de membros de uma determinada entidade” (art. 123, III) (BRASIL, 
1996). Esse tipo de signo distintivo indica ao consumidor que aquele produto ou 
serviço procede de uma determinada entidade, qualificada como pessoa jurídica 
representativa de coletividade (associação, cooperativa, sindicato, consórcio, 
entre outras) (INPI, 2018a). Isso indica que, após o seu registro, todos os membros 
desta representação coletiva podem utilizar a marca coletiva, desde que sigam as 
normas do regulamento de uso.
As indicações geográficas (IG) compreendem uma outra forma de signos 
distintivos de uso coletivo, que identificam um produto como originário de 
um determinado território. As indicações geográficas podem ser a indicação de 
procedência ou a denominação de origem (art. 176). A indicação de procedência (IP) 
refere-se ao “nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, 
que se tenha tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação 
de determinado produto ou de prestação de determinado serviço” (art. 177). A 
denominação de origem (DO) refere-se ao “nome geográfico de país, cidade, região 
ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou 
características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos 
fatores naturais e humanos” (art. 178) (BRASIL, 1996). Assim, a IP se relaciona ao 
nome do local que se tornou conhecido por produzir um determinado produto ou 
prestar algum tipo de serviço, enquanto a DO é instituída ao nome do local cujos 
produtos ou serviços possuam características próprias e identificáveis, atribuídas 
ao território. Até novembro de 2018, no INPI foram registradas 50 IPs e 19 DOs no 
Brasil, e entre as denominações de origem, oito são estrangeiras e 11 são nacionais, 
e destas, oito referem-se à agropecuária. A cachaça foi reconhecida como IG pelo 
Decreto Federal no 4.062, de 21/12/2001, assim totalizando 60 IGs nacionais, sendo 
43 relacionadas ao setor agropecuário (INPI, 2018b).
78
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
LEITURA COMPLEMENTAR
ACOLHIDA NA COLÔNIA ENCOSTAS DA SERRA GERAL
Fundada em 1999, é conhecida como projeto piloto, pois foi a experiência 
pioneira em Santa Catarina. Atualmente é formada pelos municípios de Rancho 
Queimado; Anitápolis; Santa Rosa de Lima; Gravatal, Grão-Pará e Imbituba. Nos 
roteiros da Acolhida você será hospedado por famílias de agricultores orgânicos 
e vai se sentir em casa. Roteiros para fim de semana, feriados ou férias de todos 
os tamanhos. No ritmo das estações, convidamos você para compartilhar conosco 
a felicidade de fazer parte desta “Acolhida”.
Sobre nós
A Acolhida na Colônia foi criada no Brasil em 1999. Somos uma associação 
composta por 180 famílias de agricultores. Temos como proposta valorizar o modo 
de vida no campo através do agroturismo ecológico. Seguindo essa proposta, 
nós, agricultores familiares de Santa Catarina, abrimos nossas casas para o 
convívio do nosso dia a dia. O objetivo é compartilhar com você nosso saber fazer, 
nossas histórias e cultura, nossas paisagens… oferecemos hospedagens simples 
e aconchegantes com direito a conversas na beira do fogão a lenha, a tradicional 
fartura de nossas mesas e passeios pelo campo. Cientes de nossa responsabilidade 
para com a natureza, praticamos e promovemos a agricultura orgânica como base 
do nosso trabalho, garantindo com isso uma alimentação saudável para nossas 
famílias e para você, visitante.
Princípios
1 O agroturismo é parte integrante das atividades do estabelecimento rural e se 
constitui num fator de desenvolvimento local.
2 Os agricultores desejam compartilhar com os turistas o ambiente onde vivem, 
sendo que a recepção e convívio dos mesmos deve ocorrer num clima de troca 
de experiência e respeito mútuo.
3 O agroturismo deve praticar preços acessíveis.
4 Os serviços agroturísticos são planejados e organizados pelos agricultores 
familiares, que garantem a qualidade dos produtos e serviços que oferecem.
Receitas
A culinária de Santa Catarina está intimamente ligada ao fogão a lenha, 
que por sinal é o coração da casa, aquece no inverno, garante a água quente 
nas torneiras e o aroma da cozinha. Marca um tempo diferente, um tempo sem 
pressa… um prazer cotidiano. 
TÓPICO 3 | POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO 
79
Desde sua fundação, a Acolhida iniciou um longo trabalho de resgate de 
receitas antigas da colônia. São verdadeiras joias culinárias que ao longo do tempo 
foram preservadas nas regiões rurais de Santa Catarina por onde atuamos. Cada 
receita é carregada de história, identidade e “saber-fazer” próprio de cada família e 
lugar. A gastronomia rural se diversifica pela riqueza dos locais e pela forma como 
é preparada a sua culinária. Gastronomia é cultura, reflete a história das pessoas e 
dos territórios, e a partir disto acaba transformando-se em atrativo turístico.
Artesanato
Os produtores, alguns com técnicas artesanais, utilizando recursos 
próprios e dominando o conhecimento, demonstraram ter confiança naquilo que 
é seu, possibilitando uma reflexão, um encontro com o autêntico para libertar-se 
da imitação e assim dar continuidade à obra de seus antepassados e contribuir 
com o resgate e permanência de formas originais da cultura catarinense.
Cicloturismo
Em 2009, com o objetivo de ampliar e qualificar a oferta turística na área de 
abrangência da Acolhida na Colônia, foi iniciado o processo de roteirização para 
cicloturismo. Somando-se à tendência nacional para a prática desta modalidade 
em Santa Catarina, que já possui dois circuitos oficiais registrados e um 
considerável fluxo de cicloturistas, os Circuitos da Acolhida na Colônia trazem 
o diferencial do vínculo direto com o Agroturismo, valendo-se da estrutura já 
existente de pousadas, quartos coloniais, serviços de refeições e agroindústrias de 
pequeno porte, ao longo de caminhos bucólicos e recheados de atrativos naturais.
Turismo pedagógico
Através da observação do ambiente, crianças e adultos podem 
compreender melhor o mundo em que vivem. É com este objetivo de compartilhar 
conhecimentos que a Acolhida na Colônia recebe alunos para observar, aprender 
e se divertir com a agricultura familiar. Conheça nossos programas para visitas 
escolares e colônia de férias.
FONTE: Acolhida na colônia. Disponível em: <http://acolhida.com.br/>. Acesso em: 25 jun. 2018.
80
UNIDADE 1 | DESENVOLVIMENTO AGRÁRIO BRASILEIRO
ATENCAO
Atividades do projeto Acolhida na Colônia, desenvolvido por diversas 
Associações de Agricultores Familiares de Santa Catarina.
FONTE: Adaptado de Acolhida na Colônia. Disponível em: <http://acolhida.com.br/>. 
Acesso em: 10 ago. 2018.
81
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• A agropecuária brasileira apresenta-se com uma estrutura produtiva 
heterogênea, caracterizada como uma atividade dinâmica e moderna nas 
diversas cadeias produtivas. 
• A agricultura familiar com características diversificadas e distintas apresenta 
grande importância para o setor agropecuário brasileiro.
• Houve grandes mudanças nas discussões e na interpretação sobre o 
desenvolvimento rural após a Constituição de 1988, como reconhecimento da 
participaçãoda agricultura familiar na formação da sociedade brasileira.
• A adoção de políticas públicas de estímulo ao desenvolvimento e à produção 
proporciona melhorias nas condições econômicas e de vida dos produtores 
rurais.
• As organizações sociais de agricultores devem participar dos estágios de 
formação das políticas públicas para a discussão dos temas prioritários e para 
definir ações voltadas ao interesse comum.
• Existem diversas políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural e 
direcionadas à agricultura familiar.
• Há relação entre algumas políticas públicas e o estímulo ao associativismo 
e ao cooperativismo como formas de possibilitar melhores condições de 
competitividade ao agronegócio.
• É fundamental a participação das organizações sociais de agricultores em ações 
de aquisição de produtos agrícolas pelo governo, como o PNAE e o PAA.
• Os signos distintivos relacionados às marcas coletivas e às indicações geográficas 
podem contribuir para o desenvolvimento territorial e para a melhoria das 
condições de vida no campo.
• O turismo rural, ou agroturismo, gera oportunidades de valorização 
sociocultural e de desenvolvimento econômico, tanto para os produtores, 
quanto para a comunidade do entorno.
82
1 As políticas públicas de apoio ao agronegócio podem influen-
ciar o desenvolvimento regional e a inclusão social dos diver-
sos grupos de produtores. Existem políticas públicas com dife-
rentes objetivos e que apresentam importância distinta entre os 
produtores. Neste contexto de políticas públicas, analise as alternativas:
I- As políticas de crédito rural, associadas ao financiamento de custeio e in-
vestimentos, são estratégias de viabilização das condições para a produ-
ção agropecuária.
II- O zoneamento agrícola utiliza as informações meteorológicas predomi-
nantes na região para o mapeamento das condições que possibilitam o 
desenvolvimento das plantas, objetivando minimizar as possibilidades de 
perdas nas atividades produtivas.
III- Os programas relacionados à diminuição de danos ambientais e à produção 
sustentável agropecuária se relacionam apenas com a criação de unidades 
de conservação e para diminuir o desmatamento das florestas brasileiras.
IV- A organização social, em associações ou cooperativas, pode beneficiar os 
produtores ao atuarem em discussões de projetos através das câmaras se-
torial e temáticas, bem como obter a valorização de seus produtos através 
de diferentes categorias de direito de propriedade industrial.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
b) ( ) As afirmativas II, III e IV estão corretas.
c) ( ) As afirmativas I, II e IV estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I, III e IV estão corretas.
2 A agricultura familiar representa uma parcela importante do agronegócio. 
Segundo Schneider (2010), o aumento dos debates sobre o desenvolvimento 
rural no Brasil, a partir da década de 1990, está associado a:
a) ( ) O conhecimento do papel social, econômico e produtivo associado à 
agricultura familiar no Brasil.
b) ( ) A adoção de políticas públicas para a agricultura familiar apenas pelos 
governos municipais.
c) ( ) Identificação de que a agricultura familiar e a patronal possuem as 
mesmas oportunidades e condições de competitividade;
d) ( ) Falta de importância da abordagem produtiva com enfoque na 
sustentabilidade.
AUTOATIVIDADE
83
3 O turismo rural é o conjunto de atividades turísticas desenvolvidas no 
meio rural, comprometidas com a produção agropecuária, agregando valor 
a produtos e serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e 
natural da comunidade. Neste contexto, disserte sobre a política pública 
de estímulo ao turismo rural ou agroturismo, relacionando-a com o 
associativismo e com a valorização dos recursos naturais e culturais.
84
85
UNIDADE 2
ORGANIZAÇÃO SOCIAL, 
COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer a importância da organização social, as características e as formas 
do trabalho rural no Brasil;
• identificar as relações de organização e cooperação na natureza, na história 
humana e na atualidade, analisando o contexto histórico em que começou 
a ser estruturado o associativismo e o cooperativismo moderno;
• verificar os conceitos de capital social e relacioná-los com a importância 
para o associativismo e para o cooperativismo;
• conhecer os tipos de associações existentes no Brasil, a legislação vigente, 
as vantagens e os princípios e valores do trabalho em cooperação e do 
associativismo;
• abordar os procedimentos para a criação, registro e funcionamento de uma 
associação de produtores rurais;
• compreender as temáticas das assembleias gerais, as atribuições dos 
membros da diretoria e do conselho fiscal, e as ações de planejamento do 
dia a dia de uma associação.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade, você en-
contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
TÓPICO 2 – ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
TÓPICO 3 – CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS 
 ASSOCIAÇÕES RURAIS
86
87
TÓPICO 1
TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Estudamos na unidade anterior as condições que resultaram na 
distribuição de terras, nas características estruturais da agricultura brasileira e na 
organização das políticas públicas, distribuídas em dois grupos de produtores, os 
agricultores familiares e os não familiares. 
Nesta unidade, vamos aprender sobre a importância da organização social 
como forma de promoção do desenvolvimento territorial e para o fortalecimento 
das atividades produtivas e econômicas. Abordaremos a importância do trabalho 
rural e quais as formas do trabalho existentes no campo. Será apresentado como 
as relações de cooperação influenciam o comportamento e a vida de diferentes 
espécies de animais na natureza. Na história da humanidade, identificam-se 
diversos exemplos onde o trabalho cooperativo possibilitou a produção de 
alimentos, o desenvolvimento artístico, a ocupação geográfica e a formação 
cultural em diversas civilizações na antiguidade. Na atualidade, será analisada 
a importância da cooperação sob as perspectivas socialista e capitalista, com a 
finalidade de compreender como essas visões moldaram os modelos associativos 
e cooperativos atuais. Para concluir este tópico, será discutida a relação do capital 
social com as organizações associativas.
Pretende-se que os conteúdos abordados possam facilitar a compreensão 
das oportunidades e os desafios relacionados ao associativismo para as atividades 
agropecuárias no Brasil.
2 ORGANIZAÇÃO SOCIAL RURAL NO BRASIL
Para o MAPA (2018), o associativismo estabelece uma oportunidade 
de viabilizar as atividades produtivas no meio rural, constituindo-se em uma 
forma alternativa para que os produtores rurais possam participar e ampliar 
sua participação no mercado, com melhores condições de concorrência. O 
associativismo pode ser adotado em diversas atividades agropecuárias, em 
todas as regiões produtoras do Brasil, sendo especialmente importante para os 
pequenos produtores, pois permite um mecanismo mais favorável para melhorar 
o desempenho econômico e produtivo das propriedades.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
88
Ao constituir uma associação, os produtores, que antes realizavam 
suas atividades individualmente, podem melhorar sua condição produtiva, 
tendo diversos benefícios, como a troca de experiências e melhor acesso à 
capacitação técnica, o compartilhamento de custos com assistência técnica ou 
com outras necessidades coletivas, a aquisição de insumos e equipamentos por 
preços menores e/ou com prazos mais flexíveis de pagamento (MAPA, 2018), a 
construção e utilização de benfeitorias de uso comum, a agregação de valor à 
produção através do processamento e industrialização,e a ampliação da escala 
de oferta e acesso a determinados mercados consumidores (MAPA, 2009, p. 7).
Como objetivos de uma organização associativa no meio rural, o MAPA 
(2018) destaca:
• desenvolvimento de projetos coletivos de trabalho rural;
• defesa de interesses comuns dos associados;
• atividades agropecuárias de produção e/ou comercialização de forma 
cooperada;
• organização social para reivindicar melhorias para a atividade e/ou para a 
comunidade;
• melhoria da qualidade de vida e maior participação no desenvolvimento 
territorial.
Uma associação de produtores rurais é caracterizada como um tipo de 
organização civil, que é constituída por agricultores e por suas famílias, com 
o objetivo de dinamizar o processo produtivo a partir do desenvolvimento de 
ações em benefício dos associados (MAPA, 2009, p. 7).
Segundo Cardoso, Carneiro e Rodrigues (2014a, p. 18), as organizações 
associativas apresentam como principal objetivo a defesa de interesses comuns de 
um grupo de pessoas, que verificam, na união dos esforços, uma forma eficiente 
de resolução de problemas. Assim, o associativismo é uma estratégia importante 
para a transformação da realidade dos associados e para originar meios de 
adaptação às mudanças ao longo do tempo.
Identifica-se assim que a necessidade de enfrentar e superar desafios, 
possibilitando o crescimento e desenvolvimento dos produtores, é a motivação 
para a organização social rural. Estudamos na unidade anterior que a luta pela 
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
89
terra se caracterizou como um desafio importante para a organização social no 
meio rural, resultando em diversos movimentos sociais ao longo da formação 
histórica do Brasil. Esses movimentos sociais contribuíram e ainda contribuem 
como referências para a organização de associações, sindicatos, cooperativas, 
entre outras formas associativas no meio rural.
Conforme discutido por Lüchmann (2014), as associações e os 
movimentos sociais atuam de forma a atender diferentes objetivos, dependendo 
do contexto, do período histórico, dos recursos e das condições em que estão 
inseridos. As associações referem-se a grupos ou organizações mais estruturadas 
de representação, enquanto os movimentos sociais apresentam-se de forma mais 
informal, unindo pessoas com identidade comum e com atuação mais direcionada 
em conflitos, principalmente questões políticas ou culturais.
Outro aspecto importante a ser contextualizado em relação à organização 
social rural se baseia nos padrões de vida no campo. Brandemburg (2010) analisou 
que ocorreram grandes mudanças na história recente das organizações sociais no 
meio rural. Esse autor descreve que as atividades das propriedades agropecuárias 
estavam inseridas em relações tipicamente comunitárias, mediante formas 
diversas de trabalho, como o mutirão, o trabalho cooperativo de vizinhança e 
aqueles baseados na confiança entre as pessoas da comunidade, da proximidade 
ou de relações familiares.
A modernização dos sistemas de produção alterou essas formas de vida 
social, substituindo as relações comunitárias por outras formas de trabalho e 
por relações societárias baseadas no rendimento econômico (BRANDEMBURG, 
2010). Neste sentido, mudanças profundas no espaço rural foram implementadas, 
buscando atender às necessidades de acompanhamento tecnológico, aumento da 
produção e redução de custos, minimizando as interações pessoais no meio rural.
A organização social rural apresenta muitas vantagens. Na produção 
agroecológica vemos muitos exemplos de sua importância. Verifique alguns aspectos 
ligados ao associativismo na imagem abaixo (Figura 1).
ATENCAO
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
90
FIGURA 1 – AGRICULTURA FAMILIAR
FONTE: Disponível em: <http://aspta.org.br/wp-content/uploads/2014/03/05_infografico_A-
FOR%C3%87A-DA-AF-ESTA-NO-ENCONTRO.jpg>. Acesso em: 30 jul. 2018.
3 O TRABALHO RURAL
As transformações nos sistemas de produção originadas pela 
modernização agropecuária, caracterizadas pela adoção da mecanização agrícola 
e elevação da escala de produção, modificaram o funcionamento do mercado 
de trabalho no meio rural (Figuras 2 e 3), particularmente aquele relacionado 
às atividades sazonais, que asseguram oferta sequencial de mão de obra às 
atividades agropecuárias (GARCIA, 2014, p. 577).
Garcia (2014, p. 584-585) considera que a redução da população rural e a 
diminuição da demanda de mão de obra menos qualificada são uma realidade 
do trabalho rural atual. Um dos fatores importantes é a movimentação dos 
trabalhadores mais jovens, que ao ocuparem postos nas áreas urbanas, 
contribuem para o envelhecimento da população rural e geram escassez de mão 
de obra para as atividades agropecuárias, tanto para o setor patronal quanto 
para a agricultura familiar.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
91
DICAS
Para compreender um pouco melhor a evolução da ocupação do trabalho 
agrícola em comparação com a ocupação total da população, sugere-se analisar as imagens 
a seguir (Figuras 2 e 3):
FIGURA 2 – OCUPAÇÃO (%) DOS TRABALHADORES RURAIS ENTRE 1820 E 1992 
1820 1870 1913 1950 1992
Estados Unidos 70,0 50,0 27,5 12,9 2,8
França ... 49,2 41,2 28,3 5,1
Alemanha ... 49,5 34,6 22,2 3,1
Holanda ... 37,0 26,5 13,9 3,9
Reino Unido 37,6 22,1 11,7 5,1 2,2
FONTE: Buainain e Dedecca (2008, p. 22)
FIGURA 3 – OCUPAÇÃO (%) DE TRABALHADORES NOS 3 SETORES NO BRASIL ENTRE 1872 E 2020 
FONTE: Pochmann (2008, p. 68)
Esse comportamento pode ser exemplificado a partir da análise da 
população ocupada (PO) no meio rural (Figura 4). Observa-se a partir de 
2005 uma expressiva redução do número de trabalhadores rurais em todas as 
regiões do Brasil (MAIA; SAKAMOTO, 2014). Esses autores informam que em 
2005, o número de pessoas ocupadas no meio rural era de cerca de 18 milhões, 
representando cerca de 21% da PO total do Brasil. Já em 2012, a PO em atividades 
agropecuárias reduziu para 13,8 milhões, sendo equivalente a 15% do pessoal 
ocupado no Brasil.
100
90
80
70
60
50
40
30
20
10
0
202020001980196019401920
75
14
1872
Primário
Secundário
Terciário
11
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
92
FIGURA 4 – POPULAÇÃO OCUPADA AGRÍCOLA POR REGIÃO DO BRASIL, DADOS DE 1992 A 2012
FONTE: Maia e Sakamoto (2014, p. 597)
Nota: Os anos entre 1992 a 2003 não consideram os residentes rurais dos estados de Rondônia, 
Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
Em relação ao comportamento regional, observa-se que a região Nordeste 
apresenta o maior número de pessoas ocupadas nas áreas rurais (6,1 milhões 
em 2012), e a região Centro-Oeste, o menor contingente de pessoal ocupado nas 
atividades agropecuárias (0,9 milhão em 2012) (Figura 2). Na região Nordeste, 
Maia e Sakamoto (2014, p. 596-597) justificam o esvaziamento das áreas rurais por 
dificuldades na viabilização econômica das pequenas propriedades (minifúndios), 
menor qualidade de vida e restritas oportunidades de trabalho. Já nas demais 
regiões, explica-se como fatores de redução da PO rural a intensificação da 
produção com o aumento da concentração em muitas cadeias produtivas e a 
atração por melhores oportunidades de emprego e renda nos centros urbanos. 
Além disso, o avanço tecnológico das atividades agropecuárias e a menor 
necessidade de mão de obra em algumas cadeias produtivas (produção de grãos 
e de cana) também ocasionam essa condição (MAIA; SAKAMOTO, 2014, p. 598).
Segundo Garcia (2013, p. 17), o trabalho rural pode ser classificado em 
três tipos: 
• Exploração rural típica: caracterizadas pelas atividades que compreendem a 
produção agrícola (lavouras, pomares, hortas e reflorestamentos), a atividade 
pecuária (criação de diversas espécies animais), o extrativismo (tanto de origem 
vegetal, quanto animal), além de outras atividades produtivas;
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
93
• Exploração rural não típica: atividades que estão relacionadas ao setor 
agropecuário, mas não se relacionam com aprodução propriamente dita, 
como a agroindustrialização, o beneficiamento, a classificação e higienização, a 
embalagem, entre outras atividades ainda sob os domínios da propriedade rural;
• Atividades complementares: compreendem outras atividades relacionadas 
aos produtos agrícolas, como o transporte, a comercialização, entre outros 
procedimentos “fora da porteira” da propriedade.
NOTA
Temos diversas datas comemorativas em relação ao trabalho rural no Brasil. 
O Decreto Federal nº 48.630, de 27 de julho de 1960, institui “o Dia do Agricultor, a ser 
comemorado em todo o país em 28 de julho”. A escolha dessa data está relacionada à 
comemoração do aniversário de criação do Ministério da Agricultura, em 28 de julho de 1860.
A Lei Federal nº 4.338, de 1º de junho de 1960, “fixa o dia 25 de maio como a data 
comemorativa do trabalhador rural”. O Dia do Trabalhador Rural homenageia a data de 
falecimento do deputado federal Fernando Ferrari (1921-1963), político engajado na luta dos 
direitos e questões sociais vinculadas aos trabalhadores rurais.
Em 25 de julho, comemora-se o Dia Internacional do Agricultor Familiar. Nesta data foi 
publicada no Brasil a Lei Federal nº 11.326, de 24 de julho de 2006, que “estabelece as 
diretrizes para a formulação da política nacional da agricultura familiar e empreendimentos 
familiares rurais”. Também há um projeto de lei que pretende criar a Semana Nacional da 
Agricultura Familiar, que deveria ocorrer na semana do dia 24 de julho.
O Dia Nacional da Agricultura é comemorado em 17 de outubro, enquanto o Dia Internacional 
da Agricultura é comemorado em 20 de março. O Dia do Campo é comemorado em 5 de maio.
3.1 FORMAS DE TRABALHO RURAL
O trabalho no meio rural envolve as atividades em diversos processos 
ao longo da cadeia de produção agropecuária, abarcando os setores agrícola, 
pecuário, florestal, de extrativismo e da aquicultura (continental e marinha). As 
relações de trabalho no meio rural apresentam influência da formação histórica 
brasileira, sendo estruturadas sob diferentes formas de prestação de serviços. 
Siqueira (2009) apresenta como estas formas de trabalho estão organizadas, 
caracterizando as atividades rurais em:
• Proprietários rurais: caracterizam os produtores que realizam as atividades 
agropecuárias em sua própria terra, geralmente utilizando a mão de obra 
familiar, sendo a produção destinada tanto ao próprio consumo quanto à 
comercialização;
• Parceiros rurais: caracterizam-se por produtores que estabelecem contratos 
com o proprietário de terras, onde a produção é repartida entre as partes, de 
acordo com os critérios e condições preestabelecidos;
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
94
• Arrendatários rurais: caracterizam-se por produtores que estabelecem 
contratos com o proprietário de terras, onde o valor pago pela concessão da 
terra pode ser feito a partir de valores monetários ou com parte da produção, 
de acordo com os critérios e condições preestabelecidos;
• Assalariados permanentes: caracterizam-se por trabalhadores contratados por 
período indeterminado para a realização das atividades nas propriedades rurais, 
gerando vínculo empregatício e estando de acordo com a legislação vigente;
• Assalariados temporários: caracterizam-se por trabalhadores contratados 
por período determinado para a realização das atividades específicas nas 
propriedades rurais, não gerando vínculo empregatício, de acordo com a 
legislação vigente. Podendo ser exemplificado pelas atividades de trabalho de 
diaristas, empreitadas de serviço, trabalhos de colheita ou outras práticas de 
manejo concentradas;
• Posseiros: caracterizam os trabalhadores rurais que realizam atividades 
agropecuárias em terras, geralmente do governo, que não são de sua propriedade.
NOTA
Nos contratos de parceria, as partes compartilham os benefícios e os riscos 
da atividade produtiva, sendo uma situação particular de associativismo e trabalho em 
cooperação. Na parceria agrícola, ambos os parceiros permanecem na condição de 
produtores rurais. Esta condição se fundamenta por compartilharem necessidades mútuas 
e desenvolver um empreendimento com objetivos comuns, onde a utilização dos meios 
de produção (terra, máquinas e equipamentos, trabalho etc.) é estabelecida de forma que 
possam gerar resultados que serão partilhados de forma equilibrada.
Nos contratos de arrendamento, a relação entre as partes está baseada pela cessão dos 
meios de produção (geralmente a terra), mediante uma participação não compartilhada 
e equitativa das atividades produtivas e dos riscos inerentes à produção agropecuária. No 
arrendamento agrícola, o proprietário de terras recebe um valor fixo, independentemente 
dos resultados obtidos com a produção.
Complementando a relação listada anteriormente, ainda podem ser 
incluídas outras duas formas de trabalho no meio rural:
• Meeiros: caracteriza o trabalhador rural que estabelece relações societárias não 
formais com o proprietário das terras. Nessa relação, chamada de meação, o 
meeiro participa com a força de trabalho, enquanto o dono da terra oferece a 
propriedade, a casa, os maquinários e equipamentos para o cultivo ou criação, 
sendo a produção repartida entre os “sócios”;
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
95
NOTA
Embora seja proibida por lei, a existência de trabalho análogo ao escravo não pode 
ser negligenciada no Brasil, que ainda registra essa triste realidade em algumas regiões rurais.
Fazendo uma análise dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de 
Domicílios (PNAD), fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE), Maia e Sakamoto (2014, p. 600) observaram algumas alterações na dinâmica 
do trabalho rural entre 1992 e 2012. Em relação à estrutura das ocupações rurais, 
estes autores apontam o crescimento do número de empregados com carteira 
assinada entre 1992 e 2012, o que sugere maior qualificação e profissionalização 
da força de trabalho rural. Esses autores também destacam a importância da 
informalidade do trabalho, representado por 18,5% (9,7 + 8,8) dos empregados 
sem carteira em 2012 (Figura 5).
O avanço do trabalho com carteira foi impulsionado principalmente pela 
dinâmica de trabalho formalizado, estabelecida nas regiões Sudeste e Centro-
Oeste. Uma redução expressiva na participação do trabalho não remunerado, 
entre 1992 e 2012, é apontada pela mudança na estrutura familiar, resultado 
da migração para os centros urbanos dos jovens que auxiliavam os pais nas 
atividades rurais (Figura 5). 
Outro item de destaque é o aumento dos trabalhadores rurais com 
atividade voltada para o autoconsumo, sendo mais expressivo o comportamento 
na região Nordeste, possivelmente associado aos esforços do governo no 
estímulo à agricultura familiar (MAIA; SAKAMOTO, 2014, p. 602-603). Estes 
autores também evidenciam a redução no número de trabalhadores rurais por 
conta própria (proprietários rurais), sendo de 3,469 milhões em 2012, além da 
redução no número de empregadores (296 mil em 2012). Maia e Sakamoto (2014, 
p. 603) informam que dentre as regiões, a maior participação dos trabalhadores 
por conta própria é observada na região Sul do Brasil (35,5%).
• Trabalhadores não remunerados: caracteriza uma forma de prestação de 
serviços no meio rural através do trabalho sem remuneração oficial, baseado 
principalmente na mão de obra familiar, para o auxílio nas atividades rurais, 
principalmente nas pequenas propriedades.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
96
FIGURA 5 – POPULAÇÃO AGRÍCOLA OCUPADA DE ACORDO COM A FORMA DE OCUPAÇÃO
FONTE: Maia e Sakamoto (2014, p. 600)
Nota: O ano de 1992 não contém informações sobre os residentes rurais dos estados de 
Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
Avanços importantes em relação ao ganho de produtividade, ao 
rendimento dos trabalhadores ocupados no meio rural e em relação à formalização 
das atividades foram verificados nos últimos anos. Porém, estas condiçõesnão 
foram distribuídas de forma homogênea entre as regiões brasileiras, sendo que 
uma grande parcela de produtores rurais ainda depende de ações do governo, 
como financiamento e assistência técnica para viabilizar a produção (MAIA; 
SAKAMOTO, 2014, p. 618). Assim, políticas públicas de apoio à produção e de 
estímulo ao associativismo podem contribuir para a melhoria das condições de 
vida no campo e para a melhor organização dos produtores rurais, aumentando 
as oportunidades de trabalho e renda no campo.
4 RELAÇÕES DE ORGANIZAÇÃO E COOPERAÇÃO
Uma das grandes vantagens da organização e da cooperação em um 
grupo é a possibilidade de união para a obtenção de um benefício comum. 
Podemos exemplificar a importância da associação em nossa vida cotidiana, 
desde situações muito simples em que nem percebemos, até condições mais 
complexas, onde participamos ou em que somos influenciados.
Por exemplo, a estruturação e organização de delicados fios de algodão ou de 
lã de animais torna possível a constituição de tecidos que depois são transformados 
em roupas ou outros materiais pela manufatura têxtil (Figura 6). A composição 
estruturada de fibras, individualmente frágeis, permite a obtenção de materiais de 
elevada resistência, como tecidos, cordas ou cabos, muito mais rígidos.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
97
FIGURA 6 – FIBRAS DE ALGODÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.olhardireto.com.br/agro/noticias/exibir.
asp?id=17035&noticia=algodao-nao-pode-mais-perder-espaco-na-industria-para-fibras-
sinteticas-ressalta-frangiotti>. Acesso em: 9 jul. 2018.
NOTA
Vamos lembrar de uma parábola tradicional que trata sobre lições de 
cooperação:
Um senhor idoso e muito doente, ao ver que os filhos se encontravam reunidos junto ao 
seu leito, pede para que cada um tente partir um feixe de varetas. Embora empregassem 
muita força, nenhum deles conseguiu atender ao pedido do pai. Ao separar o feixe, o doente 
senhor partiu cada uma das varetas com facilidade. O pai então explicou a mensagem que 
gostaria que os filhos lembrassem após a sua morte: o que ele e a família haviam construído 
durante toda a vida estava representado naquele feixe de varetas. Se elas fossem mantidas 
unidas poderiam suportar muitas adversidades e permanecer fortes, porém, se fossem 
divididas, cada uma delas poderia ter sua resistência facilmente superada.
Foram analisados alguns exemplos sobre a importância da constituição 
estrutural no estabelecimento de propriedades físicas e nas características mais 
complexas de objetos de nosso dia a dia. Vamos agora reconhecer outros padrões 
de organização e cooperação, identificados entre diversos grupos de seres vivos 
que convivem em sociedade, além de verificar como essas relações interferem na 
sobrevivência e na adaptação destas espécies às condições do meio onde vivem.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
98
4.1 ORGANIZAÇÃO COLETIVA E COOPERAÇÃO NA 
NATUREZA
As abelhas são insetos sociais, ou seja, vivem em agrupamentos 
extremamente bem estruturados, com organização de funções bem estabelecidas. 
Assim como as abelhas, as formigas e os cupins são outros insetos que 
apresentam estrutura social bem definida e que exibem exemplos de relações de 
cooperação na natureza. Todos esses insetos apresentam níveis de hierarquia e a 
composição de indivíduos com funções específicas para que a população possa 
sobreviver (VENTURIERI, 2004). Nas colmeias de abelhas, a rainha é responsável 
pela multiplicação dos indivíduos, fazendo a postura dos ovos, os machos são 
responsáveis pela fecundação da rainha durante o voo nupcial, enquanto as 
operárias realizam a construção dos favos de cera, a limpeza e cuidados das 
abelhas jovens, a proteção contra inimigos e a coleta de recursos (néctar, pólen, 
entre outros.) (Figura 7).
FIGURA 7 – VISTA SUPERIOR DE UM NINHO DE ABELHAS NATIVAS DO BRASIL
FONTE: Venturieri (2004, p. 30)
potes de mel
depósito de 
cerume
células de cria 
em construção
alimento larval
invólucro
depósito 
de resina
batume
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
99
Outro exemplo muito didático de cooperação entre os animais que vivem 
na natureza pode ser verificado no caso dos golfinhos. Esses animais vivem 
em sociedades gregárias, organizados em grupos que podem ser desde poucas 
dezenas de indivíduos até grupos com centenas de membros, dependendo das 
condições onde vivem (Figura 8). A vida social desses mamíferos se estabelece para 
possibilitar proteção e para obter mais êxito na busca de alimentos. Estes animais 
desenvolveram uma complexa capacidade de comunicação e reconhecimento 
dos sinais sonoros, bem como possuem longa capacidade de reconhecimento de 
indivíduos e de memorização (BARRETO, 2018). Essas características possibilitam 
aos golfinhos estabelecer relações sociais duradouras e que lhes permitiram 
grandes vantagens evolutivas.
FIGURA 8 – GRUPO DE GOLFINHOS NADANDO NO OCEANO PACÍFICO
FONTE: Disponível em: <http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/08/golfinhos-tem-
memoria-social-mais-longa-ja-registrada-em-animais.html>. Acesso em: 9 jul. 2018.
De forma geral, os principais benefícios associados ao convívio social de 
animais na natureza se relacionam com a possibilidade de proteção e alimentação. 
Diversas espécies de aves também apresentam estrutura de organização social 
que lhes possibilita melhores condições em eventos de migração, além das outras 
duas informadas acima. Outro exemplo importante de animais que estabelecem 
relações sociais são os macacos, que vivem em bandos para proteção, alimentação, 
higiene, entre outras formas de interação entre os indivíduos (Figura 9).
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
100
FIGURA 9 – GRUPO DE CHIMPANZÉS REALIZANDO A COLETA DE PARASITAS
FONTE: Disponível em: <https://arqueologiaeprehistoria.com/2015/04/19/cultura-e-
comunicacao-entre-os-macacos/>. Acesso em: 9 jul. 2018.
Todos esses exemplos de animais apresentam estrutura social organizada, 
que permite a sobrevivência do grupo, a partir da ajuda mútua e da cooperação 
entre os indivíduos. Este tipo de comportamento social também é compartilhado em 
relação aos humanos, como será exposto a seguir.
4.2 ORGANIZAÇÃO COLETIVA E COOPERAÇÃO NA 
HISTÓRIA HUMANA
Os cientistas descrevem que, desde os primeiros registros da evolução 
humana, nossos ancestrais desenvolviam atividades socialmente cooperativas. 
A vida social em cooperação possibilitou, aos grupos de diversas espécies de 
hominídeos, criar condições para a sua sobrevivência. Nos períodos pré-históricos, a 
organização social e a cooperação entre os indivíduos tinham como objetivos, dentre 
outras condições, a construção de abrigos (Figura 10), a proteção contra predadores 
e a obtenção de alimentos, a partir da caça (Figura 11), pesca e extrativismo.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
101
FIGURA 10 – CONSTRUÇÃO DE ABRIGOS
FONTE: Disponível em: <https://thehumanevolutionblog.com/2015/01/27/the-moral-codes-of-
other-human-species/>. Acesso em: 11 jul. 2018.
FIGURA 11 – A CAÇA DE GRANDES ANIMAIS, COMO OS MAMUTES, JÁ EXTINTOS
FONTE: Disponível em: <https://universe-review.ca/I10-74-coop.jpg>. Acesso em: 11 jul. 2018.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
102
A cooperação social ao longo da história humana também possibilitou 
os eventos de migração e a ocupação das terras em diferentes regiões do planeta 
(Figura 12), além de permitir a formação de grandes sociedades organizadas e 
o desenvolvimento da agricultura. A “saída da África” ocorreu possivelmente 
há 100 mil anos e a América do Sul foi a última grande região terrestre ocupada 
pelos humanos, que chegaram caminhando lentamente e em pequenos grupos, 
há aproximadamente 13 mil anos. O trabalho cooperativo também possibilitou 
a produção de alimentos, o desenvolvimento artístico, a ocupação geográfica, a 
atividade militar e a formação cultural em diversas civilizações na antiguidade.
FIGURA 12– DESLOCAMENTOS PROVÁVEIS E MIGRAÇÃO DOS HUMANOS MODERNOS
FONTE: Disponível em: <https://prismacientifico.files.wordpress.com/2013/04/human-
migration2.jpg>. Acesso em: 19 jul. 2018.
Temos muitos exemplos de atividades de cooperação nas culturas 
suméria, assíria, babilônia, egípcia, grega, romana, persa, chinesa, entre outras. Na 
China antiga, os mercadores realizavam viagens através do Rio Yang-Tsé. Porém, 
os naufrágios eram frequentes em razão das condições de navegação. Como 
forma de minimizar os problemas com a perda de mercadorias, os mercadores 
organizaram-se em grupos para o transporte, compartilhando e minimizando os 
prejuízos quando as embarcações afundavam (OCESC, 2013, p. 11).
Na antiguidade e mesmo em períodos mais recentes, existiam diversas 
formas de organização social, em associações ou outras formas de cooperação 
entre os indivíduos (RECH, 2000, p. 9). Dentre estas e com base nas descrições de 
Rech (2000, p. 9-10); de Bialoskorski Neto (2006, p. 21) e Damázio e Castro (2012, 
p. 55), destacam-se:
• Grêmios: formas de organização social de agricultores no Egito antigo (Figura 13).
• Orglonas e Tiasas: formas de organização associativa entre cidadãos livres e 
escravos, na Grécia antiga, para possibilitar o sepultamento decente dos mortos.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
103
• Ginásios: espaços associativos destinados à cultura física, na Grécia antiga.
• Sodalistas: formas de organização associativa com caráter beneficente, com o 
objetivo de garantir enterros religiosos aos cidadãos comuns, na Roma antiga.
• Colégios: formas de associações de operários, principalmente formadas por 
carpinteiros, serralheiros e outros tipos de artesãos, na Roma antiga.
• Ágapes: termo utilizado por escritores cristãos na Bíblia, para referir-se às 
refeições de confraternização, realizadas entre os membros da comunidade.
• Irmandades ou Fraternidades ou Ordem Terceira: associações ligadas à 
Igreja Católica, que surgiram na Idade Média, reunindo grupos sociais ou de 
determinados ofícios.
• Confrarias: grupos de pessoas que se associavam em torno de interesses comuns, 
sendo formadas na Idade Média, com finalidades espiritual e assistencial (como 
pequenos hospitais, albergues para peregrinos, entre outros).
• Guildas Medievais: eram formadas por grupos de profissionais durante a Idade 
Média (principalmente sapateiros, alfaiates, ferreiros, marceneiros, carpinteiros 
e artesãos), apresentando hierarquia bem definida (mestres e aprendizes) e 
que mantinham seu funcionamento a partir do pagamento regular de uma 
determinada quantia.
• Hansas: representavam associações de comerciantes no período da Idade 
Média, caracterizadas pelo domínio de determinados segmentos de mercado, 
sendo um exemplo muito conhecido a Liga Hanseática, estruturada por várias 
cidades mercantis do Norte da Europa.
• Mir ou Obshchina: formada por comunidades rurais de camponeses, constituída 
no Império Russo, sendo organizadas a partir de assembleias para discutir a 
distribuição das terras, apresentando estrutura formada por laços familiares.
• Zadrugas: formas de cooperação rural, tradicional entre os povos eslavos que 
habitavam a região dos Bálcãs, sendo baseada no sistema patriarcal, formando 
comunidades coletivas de produção agrícola e de pescadores, sendo similar à 
Mir russa.
• Artel: formas de associações no Império Russo e na União Soviética, baseadas 
na colaboração e na atividade coletiva em diversas áreas, como agricultura, 
comércio, construção e arte.
• Ayllus: formas de unidade social da civilização inca pré-colombiana, estruturada 
através do trabalho coletivo em um território de propriedade comum, sendo 
baseada em vínculos de sangue (ascendência familiar).
• Calpulli: formas de associação residencial da civilização asteca pré-
colombiana, onde o trabalho coletivo em batalhas, na produção agrícola e para 
o desenvolvimento de construções públicas era realizado.
• Oka ou Oca: grandes cabanas comunitárias onde os índios de várias famílias 
moravam. Diversas etnias indígenas do Brasil apresentam este tipo de estrutura 
de organização social, embora havendo suas respectivas particularidades. 
Essas construções eram erguidas em sistema de mutirão entre os homens, 
palavra de origem tupi (moti’rõ). As okas poderiam estar dispostas ao redor 
de uma grande praça central (okara), constituindo a aldeia (taba ou maloca). Os 
tipos e formatos das construções variam de acordo com os grupos étnicos. Nas 
diversas etnias indígenas, muitas outras atividades também eram realizadas 
em regime cooperativo e para o bem-estar coletivo, como o cultivo agrícola, os 
eventos festivos e religiosos, a caça e pesca.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
104
FIGURA 13 – ORGANIZAÇÃO E COOPERAÇÃO NOS CAMPOS DE TRIGO DO EGITO ANTIGO
FONTE: Disponível em: <http://kateteka.hu/wp-content/uploads/2016/11/12_gabona.jpg>. 
Acesso em: 11 jul. 2018.
NOTA
Vamos acompanhar esta lenda africana sobre cooperação, baseada nos valores 
de igualdade, harmonia, consciência, empatia e respeito: 
Ao visitar um povoado africano, um antropólogo queria conhecer a sua cultura e compreender 
seus valores fundamentais. Ele fez uma brincadeira com as crianças, colocando um cesto 
de frutas próximo a uma árvore. Então disse que a primeira criança a chegar na árvore 
poderia ficar com as frutas. Ao dar o sinal para as crianças, uma situação inesperada ocorreu. 
As crianças deram as mãos e correram juntas para chegar ao mesmo tempo na árvore, 
repartindo assim as frutas. Ao perguntar o motivo daquele comportamento, as crianças 
responderam: Ubuntu! E depois questionaram, como um poderia ficar feliz se todos os 
demais estivessem tristes? A resposta sensata traz a mensagem filosófica da palavra Ubuntu, 
termo da cultura Zulu e Xhosa, que significa “sou quem sou, porque somos todos nós”. Essa 
mensagem expressa que, ao acreditar na cooperação, se consegue harmonia e humanidade, 
proporcionando felicidade a todos.
Disponível em: <https://br.guiainfantil.com/materias/educacao/valores/ubuntu-lenda-africa
na-sobre-a-cooperacao/>. Acesso em: 12 jul. 2018.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
105
Nas civilizações americanas pré-colombianas (maias, astecas e incas) e 
nas sociedades indígenas brasileiras também há muitos exemplos registrados de 
cooperação (OCESC, 2013, p. 11). O Império Inca se estendia desde a Floresta 
Amazônica até a costa do Oceano Pacífico, ocupando um grande território com 
diversos tipos de solos e climas. Essas condições possibilitavam aos diversos 
povos que faziam parte do império a produção de alimentos, minerais ou outros 
recursos em abundância. O intercâmbio de recursos entre os povos ocorria 
principalmente durante a Intip Raymin, a Festa do Sol, realizada em Cuzco, no 
Peru (Figura 14). Os camponeses levavam para a capital seus excedentes, e em 
um regime de ajuda mútua, o império organizava a divisão dos recursos entre as 
diversas regiões, de forma que todas recebessem os recursos que necessitassem 
(SCHMIDT; SANTOS, 2017). A forma de cooperação da produção agrícola no 
ayllu, estruturado no trabalho coletivo em um território de propriedade comum, 
formava a base da economia da sociedade inca (RECH, 2000, p. 9). 
Na figura a seguir, vemos as ruínas de Machu Picchu, próxima a Cuzco, 
antiga capital do Império Inca, onde observam-se as construções em pedra 
perfeitamente encaixadas e os terraços, artificialmente construídos para a 
irrigação e produção agrícola (Figura 14).
FIGURA 14 – VISTA PARCIAL DAS RUÍNAS DE MACHU PICCHU
FONTE: Disponível em: <https://www.todoestudo.com.br/historia/incas>. Acesso em: 12 jul. 2018.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
106
4.3 ORGANIZAÇÃO COLETIVA E COOPERAÇÃO NA 
ATUALIDADE
Lembrando o que estudamos anteriormente, a organização social para 
a cooperação sempre existiu e possibilitou o desenvolvimento das sociedades 
humanas. Vimos muitos exemplos de organização associativa e modelosde 
cooperação, tanto para o trabalho quanto para outras finalidades, entre as diversas 
civilizações, culturas e períodos históricos.
A partir da Revolução Industrial na Europa, todo o sistema de 
desenvolvimento foi alterado, resultando em um grande impacto sobre a estrutura 
da sociedade. A troca das ferramentas manuais pela utilização de máquinas, a 
adoção e utilização de energia a partir de motores e a implementação de um modelo 
de produção fabril ou industrial em substituição ao padrão de manufatura manual 
e doméstico resultaram em avanços tecnológicos de grande expressão. Esse modelo 
industrial alterou as relações humanas, necessitando de um grande contingente 
de pessoas para o trabalho. As condições exaustivas e precárias de trabalho nas 
indústrias e a falta de segurança e de higiene resultaram em péssimas condições 
de vida, dificuldades econômicas e insatisfação social entre os trabalhadores. 
O sistema econômico capitalista estimulou a competição, individualizando as 
relações nos negócios e na sobrevivência (SINGER, 2001). O objetivo incessante de 
acumulação de benefícios e de riquezas passou a se tornar presente nas relações 
humanas. (RECH, 2000, p. 7).
Foi neste contexto histórico que as organizações coletivas baseadas na 
sociedade contemporânea ganharam importância e começaram a ser estruturados 
o associativismo e o cooperativismo moderno. Assim, as primeiras expressões 
do cooperativismo, desenvolvidas principalmente na Alemanha e Inglaterra no 
final do século XIX, refletiam o embate entre duas posições ideológicas sobre o 
desenvolvimento econômico: a perspectiva socialista e a perspectiva capitalista 
(RECH, 2000, p. 10).
4.3.1 Ponto de vista socialista
Em relação ao ponto de vista socialista, a perspectiva da atividade 
cooperativa se configurava na formação de uma nova ordem econômica e social, 
onde a nova sociedade estaria livre do controle de capital sobre a vida das pessoas, 
que poderiam trabalhar coletivamente para suprir suas necessidades e interesses 
individuais. Esta ideologia foi defendida por Robert Owen, como estudaremos 
mais adiante (RECH, 2000, p. 10). A forma socialista também se dividiu em duas 
vertentes de pensamento. Uma defendida por Robert Owen (Inglaterra, 1771 
a 1858), Charles Fourier (França, 1772-1837) e Ferdinand Lasalle (Alemanha, 
1825-1864), que assumia a cooperação como um instrumento de superação do 
capitalismo em direção à implementação de um sistema socialista. A segunda 
vertente, representada por Charles Guide (França, 1847-1932), interpretava a 
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
107
possibilidade de substituição do modo capitalista por um modelo de república 
cooperativa. Nesta visão da república, os setores da economia seriam organizados 
de forma cooperativista, onde as relações de mercado beneficiariam a todos 
(RECH, 2000, p. 10-11).
IMPORTANT
E
Muitas foram as contribuições de diversos autores para a concepção do modelo 
de cooperação sob o ponto de vista socialista. Robert Owen (Inglaterra) buscava conciliar 
melhores condições de trabalho com a atividade econômica, possibilitando qualidade de 
vida mais igualitária para os trabalhadores. Friedrich Raiffeisen (Alemanha) direcionava sua 
visão de cooperação para uma sociedade mais humanista, com possibilidade de auxílio 
mútuo, principalmente relacionada ao acesso a crédito. Ferdinand Lasalle (Alemanha) 
apresentou uma proposta de cooperação de trabalho relacionada às classes trabalhadoras. 
Louis Blanc (França) e Philippe Buchez (Bélgica) tinham uma proposta mais direcionada 
à cooperação comunitária, enquanto Charles Fourier (França) buscava a formação e 
implantação de organizações comunitárias mais complexas. Maiores detalhamentos podem 
ser encontrados em Rech (2000, p. 19).
Como exemplos destes modelos de cooperativas socialistas, citam-se:
• Kolkhozes: cooperativas de produção agrícola adotadas pela antiga União 
Soviética, após a Revolução de 1917. Havia três formas de cooperação: as 
Comunas, caracterizadas pelos meios de produção e bens de consumo de uso 
comum, sendo um sistema também adotado na China; os Artéis, caracterizados 
pela associação do trabalho e dos meios de produção, mas com os bens e 
resultados do trabalho pertencente à família; e as Tozes, cooperativas de 
trabalho em que apenas os instrumentos eram compartilhados (RECH, 2000, p. 
13).
• Falanstérios: correspondentes a pequenas unidades sociais, com população de 
aproximadamente 1.500 habitantes, que viviam em um edifício de uso comum. 
Porém, este modelo cooperativo fracassou rapidamente, principalmente na 
França e nos EUA (BARROS, 2011).
• Cooperativas socialistas de Israel: mesmo sendo um país capitalista, Israel 
implementou em algumas regiões o modelo socialista de desenvolvimento. Neste 
modelo, a propriedade da terra é do Estado e a cooperativa é estruturada sob a 
forma de uma aldeia, apresentando relações próprias e consolidadas. Há três 
formas de cooperação: o Kibbutz, caracterizado por uma forma de cooperativa 
comunitária de produção agrícola, onde tudo é partilhado, inclusive a habitação 
e a alimentação; o Moschav, formado por uma comunidade de agricultores, 
onde cada um gerencia sua produção, sendo o cooperativismo praticado nas 
operações de compra de insumos e comercialização (Figura 15); e o Moschav 
Shituf, onde apenas uma empresa agrícola é explorada de forma comum entre 
todos os habitantes da região, no qual a renda é distribuída às famílias de acordo 
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
108
com as necessidades individuais (RECH, 2000, p. 14). Atualmente existem mais 
de 270 destas formas de cooperação em Israel (MFA, 2018).
• Caixas de crédito Raiffeisen: surgiram como sociedades para atender às 
necessidades de agricultores na Alemanha, e foram substituídas por cooperativas 
de crédito que funcionam como bancos rurais, baseadas nos princípios cristãos 
de ajuda mútua. Atualmente essa forma cooperativa ainda é importante na 
Alemanha e teve influência na constituição das cooperativas de crédito rural 
brasileiras (PORTAL DO COOPERATIVISMO FINANCEIRO, 2018).
Na figura a seguir, vemos o Nahalal, localizado na região Norte de Israel, 
sendo o primeiro Moshav formado em Israel, em 1921. Observa-se o formato 
circular, com as construções e residências na parte central e as áreas de produção 
agrícola divididas em faixas (Figura 15).
FIGURA 15 – VISTA AÉREA DO NAHALAL, EM ISRAEL
FONTE: Google Earth. (32º41’24” N e 35º11’46”L). Acesso em: 16 jul. 2018.
IMPORTANT
E
Embora não sejam considerados como modelos de cooperativas socialistas, 
sob a forma originária da Europa, dois exemplos importantes de vida comunitária sob a 
perspectiva socialista podem ser identificados em aldeias indígenas sul-americanas de 
muitas etnias e nas comunidades quilombolas, formadas pela resistência dos africanos ao 
sistema de escravidão.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
109
Como exemplo de cooperação, vamos analisar o sistema econômico dos índios da etnia 
Guarani. Os Guarani eram grupos horticultores, que dominavam grandes parcelas de florestas 
tropicais e subtropicais, capazes de manter um equilíbrio singular entre a exploração dos 
recursos naturais e a conservação do meio natural. A organização social guarani se baseava 
na casa comunal (teýi-óga), abrigando dezenas de famílias nucleares. Nesse agregado familiar 
se desenvolviam as atividades de produção e as relações sociais e religiosas, caracterizando 
um sistema econômico doméstico de produção. Em situações mais favoráveis, com 
produção acima das necessidades do núcleo familiar, aparece uma condição de consumo 
e com circulação de bens em um vínculo social maior, na organização aldeã. Nas aldeias 
(tekoha), formadas por várias grandes famílias, havia a possibilidade de um complexo sistema 
de cooperação, baseado na reciprocidade (SOUZA, 2002).
Nas comunidades quilombolas, evidencia-se a existência de uma territorialidade específica, 
expressa através daschamadas “terras de uso comum”. Esse vínculo de uso comum dos 
recursos naturais, exercido através do controle coletivo da terra, apresentava a unidade 
familiar como elemento essencial. O caráter privado, baseado no trabalho familiar, se 
combinava ao uso e benefícios em comum, incorporando formas de cooperação e 
coparticipação entre membros dos quilombos. Entre os benefícios em comum se destacam 
a proteção, a produção de alimentos, a manutenção de tradições e práticas culturais, além 
da afirmação étnica (CARVALHO; LIMA, 2013).
4.3.2 Ponto de vista capitalista
Em relação ao ponto de vista capitalista, a perspectiva da atividade 
cooperativa se configurava na correção das falhas e na atenuação das contradições 
do sistema econômico capitalista, onde a cooperativa possibilitasse atenuar 
o individualismo egoísta e a concentração de capital. Esse modelo foi adotado 
pelos precursores do cooperativismo, na cidade de Rochdale/ Inglaterra, e que 
posteriormente se difundiu para diversas partes do mundo, sendo também 
adotado no Brasil (RECH, 2000, p. 15). Mais adiante, estudaremos um pouco mais 
sobre a história do cooperativismo no mundo e no Brasil.
A aproximação evidente entre o associativismo e o cooperativismo se 
reflete nos princípios comuns entre essas duas formas de organização. A associação 
é uma forma onde as pessoas podem participar da sociedade a partir da reunião 
para alcançar objetivos em comum, dificilmente atingidos individualmente. 
Nesta mesma ótica, o associativismo também pode viabilizar atividades 
econômicas, possibilitando a participação no mercado sob melhores condições 
de concorrência. Desta forma, a cooperação formal, através de associações ou de 
cooperativas, possibilita a construção de uma estrutura coletiva na qual todos os 
membros são beneficiados (MAPA, 2012, p. 23).
Ao discutir as condições e os impactos das associações na vida social 
das pessoas, Lüchmann (2014) considera que a complexidade de tipos e de 
combinações entre as associações e seus interesses democráticos pode resultar em 
certa confusão de entendimento e generalizações. Esses impactos das associações 
podem ser analisados de diferentes maneiras, avaliando os seus objetivos, como:
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
110
• a influência das organizações nos processos de socialização dos indivíduos;
• o potencial de promover a integração entre os membros e a sua transformação 
social;
• a capacidade de gerar desenvolvimento econômico;
• a condição de participação e a ligação de pertencimento e identidade dos 
associados.
As relações entre o associativismo e a democracia podem ser reconhecidas 
a partir de características comuns, como a liberdade, a capacidade de defender 
interesses comuns, a promoção de ações baseadas na confiança, na cooperação, 
na comunicação e na igualdade (LÜCHMANN, 2014). Essa autora relata a 
dificuldade para uma definição precisa do termo associação, justificada pela 
grande diversidade de práticas associativas que podem resultar em simplificações. 
Destaca-se o papel importante das associações para o desenvolvimento das 
virtudes democráticas, como: cooperação, confiança, comunicação e interesse 
público. Como proposição, Lüchmann (2014) sistematizou as associações e seus 
impactos democráticos nos seguintes grupos (Quadro 1).
QUADRO 1 – GRUPOS ASSOCIATIVOS E SEUS EFEITOS DEMOCRÁTICOS
FONTE: Lüchmann (2014, p. 169)
Neste sentido, como capital social refere-se às associações formalmente 
organizadas, cujos objetivos sejam atender aos interesses dos sócios ou benefícios 
comuns (Quadro 1). Este grupo associativo é aquele em que tratamos neste item e 
que faremos mais adiante uma análise quanto aos tipos de associações existentes 
no Brasil e sobre a estrutura de organização. As associações ocupam papel central 
no conceito de capital social, constituindo relações e conexões de solidariedade, 
confiança e reciprocidade, elementos importantes para atitudes de organização 
coletiva e cooperação social (LÜCHMANN, 2014).
Capital social Movimentos sociais Sociedade civil
As associações são 
organizações voluntárias, 
autônomas e sem fins 
lucrativos, que promovem 
a coordenação e a 
cooperação para o 
benefício mútuo. Ênfase 
nas associações face a face.
As associações fazem parte de 
redes
de interações engajadas em 
conflitos
políticos, sociais ou culturais, com
base em uma identidade coletiva 
compartilhada. Ênfase nas 
associações que contestam a 
ordem social.
As associações atuam pela 
lógica da ação comunicativa 
e são autônomas do mundo 
político e econômico.
Pretendem, sobretudo, 
influenciar as decisões 
políticas institucionais. Ênfase 
nas associações de defesa de 
direitos e movimentos sociais
Impactos democráticos: 
promoção de virtudes 
democráticas no plano 
individual e social; 
confiança, solidariedade e 
espírito cívico; ênfase na 
cooperação.
Impactos democráticos: promoção
de mudanças nas relações de 
poder,
tanto no plano político-
institucional
como no plano cultural; ênfase na
contestação e no conflito.
Impactos democráticos: 
inclusão de atores e temas 
no mundo político através 
da tematização pública de 
problemas sociais; ênfase na 
mediação das esferas públicas.
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
111
Os movimentos sociais são grupos associativos relacionados com 
questionamentos de interesse social mais amplos, muitas vezes ligados a questões 
políticas e de poder (Quadro 1). Assim, as associações são partes que constituem 
os movimentos sociais, embora não devem ser confundidas com as suas ações. 
Os movimentos sociais têm um papel importante na sociedade, a partir da 
construção coletiva de novos significados e argumentos em relação a uma 
determinada situação. As ONGs (Organizações Não Governamentais), sindicatos, 
partidos políticos, instituições religiosas, entre outros, são exemplos de atuação 
em diversas situações para promover maior justiça social. A sua principal função 
está na capacidade de alterar a realidade social, a partir da exposição de novas 
visões, da contestação de padrões e conceitos estabelecidos e do debate entre as 
relações de poder que estão em conflito (LÜCHMANN, 2014).
Já os grupos da sociedade civil estão vinculados ou inseridos mais 
diretamente com os campos políticos e econômicos (Quadro 1). O papel da 
sociedade civil está ligado aos debates e ações públicas, apoiados nas bases da 
democracia, permitindo maior integração social. A sociedade civil é formada 
por uma organização de pessoas ou instituições que procura compatibilizar a 
ordem normativa (legislação, políticas públicas etc.) com as complexas relações 
envolvidas em situações particulares na sociedade (desigualdades, entre outros). 
Elas se distinguem dos partidos políticos por não buscarem a conquista do poder, e 
se distinguem dos agentes e instituições econômicas por não estarem diretamente 
vinculadas à dinâmica competitiva do mercado. As ONGs (Organizações Não 
Governamentais) e outros tipos de associações são exemplos que atuam, através 
da organização da sociedade civil, apresentando um caráter de mediação 
entre os problemas nos diversos setores do cotidiano das pessoas e os espaços 
institucionais de tomada de decisões políticas (LÜCHMANN, 2014).
5 CAPITAL SOCIAL
O conceito de capital social apresenta diversas perspectivas, sendo 
comumente associado a duas visões: uma ligada à sociologia e outra na perspectiva 
econômica.
Na perspectiva direcionada à sociologia, o conceito de capital social 
apresenta múltiplas formas de compreensão (BALDANZA; ABREU, 2013; FIALHO, 
2016). Para Fialho (2016), o capital social, na visão da sociologia, é um componente 
que possibilita a cooperação. Assim, o capital social pressupõe uma dinâmica de 
relações entre um conjunto de pessoas ou de grupos, que se fundamentam na 
colaboração e na geração de oportunidades para a ação coletiva e para o bem-estar 
dos envolvidos. Como resultado, o capital social enfatiza as estratégias de interaçãoentre as pessoas e a construção e manutenção de relações sociais duradouras, 
constituindo um processo social em constante transformação. Para a sociologia, 
existem três componentes identificados no capital social: a confiança mútua, as 
normas e as redes sociais. As normas e as redes sociais promovem as condições 
que favorecem a confiança, a cooperação e a ação coletiva (FIALHO, 2016).
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
112
De forma complementar, a cooperação é uma relação de soma e de 
agregação, onde os envolvidos colaboram, ajudam e participam, com objetivos 
comuns. É nessa prática que as relações sociais se fortalecem e podem se ampliar, 
formando um ciclo virtuoso, onde a cooperação implica a formação de mais capital 
social e este, por consequência, induz maior agregação e participação, gerando um 
processo contínuo de confiança e reciprocidade (DAMÁZIO; CASTRO, 2012, p. 37).
Neste sentido, Pires et al. (2011, p. 47-48) fornecem uma compreensão 
interessante, indicando que:
O capital social diz respeito a características da organização social, 
como confiança, normas, organização, instituições e sistemas que 
contribuam para aumentar a eficiência da sociedade, facilitando 
as ações coordenadas. Trata-se de um conjunto de elementos que 
fazem parte da estrutura social e da cultura, por exemplo, as normas 
de reciprocidade, os padrões de associativismo, os hábitos de 
confiança entre as pessoas, as redes que ligam segmentos variados da 
comunidade. A influência do capital acumulado em práticas sociais 
sobre a produtividade e a competitividade econômica tem relação com 
as práticas colaborativas entre indústrias e dessas com universidades 
e entidades governamentais e da sociedade civil que impulsionam 
inovações viabilizando o dinamismo econômico de pequenas e médias 
empresas que alavancam a renda e o emprego local.
Pires et al. (2011, p. 48) também relatam a ligação entre a noção de 
desenvolvimento territorial e esta visão de capital social, sugerindo que a 
valorização do complexo de instituições locais, costumes e tradições, e as relações 
de confiança e cooperação formam atitudes culturais e de empreendedorismo. 
Estes autores também destacam que: 
Mais importante que vantagens competitivas dadas por atributos 
naturais, de localização ou setoriais é o fenômeno da proximidade 
social que permite uma forma de coordenação entre os atores, capaz 
de valorizar o conjunto do ambiente em que atuam e, portanto, de 
convertê-lo em base para empreendimentos inovadores.
Considera-se assim que o capital social é um componente importante na 
relação social e como forma de promoção do desenvolvimento territorial (PIRES et 
al., 2011, p. 47). Identifica-se um fator reconhecido historicamente, onde as regiões 
mais desenvolvidas ou com aceleração na taxa de desenvolvimento econômico 
de forma sustentável, possuem um forte capital social formado ou em formação, 
tornando-se um grande diferencial competitivo para o empreendedorismo 
regional (DAMÁZIO; CASTRO, 2012, p. 38).
TÓPICO 1 | TRABALHO RURAL E ORGANIZAÇÃO SOCIAL
113
DICAS
As discussões sobre os conceitos de capital social e os seus desdobramentos 
têm sido aprofundadas a partir das influências de autores como: Bourdieu, Coleman, Putnam, 
Fukuyama, Portes, Lin, entre outros sociólogos. Inicialmente, em 1980, Pierre Bourdieu 
buscou argumentar a importância do capital social no campo de estudo da sociologia. A 
partir dele, diversos estudos e compreensões sobre o tema foram apresentados. Para uma 
leitura mais aprofundada sobre este contexto, sugere-se os textos de Baldanza e Abreu (2013) 
e Fialho (2016). Estes autores apresentam uma análise detalhada sobre as teorias, conceitos 
e interpretações para o capital social, segundo os principais pesquisadores listados.
Na visão econômica, adotada na legislação, o capital social refere-se aos 
valores dos bens ou em moeda corrente, em que os sócios contribuem para a 
formação de uma organização societária. Para as cooperativas, o capital social para 
a formação do patrimônio é constituído pelos aportes dos associados (quotas ou 
cotas) e/ou por outras formas, como doações, empréstimos, entre outros. A forma 
de participação dos cooperados no capital social é através das “quotas parte” ou 
das “cotas de capital”. Esta participação dos sócios possibilita a estruturação e 
a manutenção da cooperativa ao longo das suas atividades (RECH, 2000, p. 83).
Segundo o SEBRAE/SC, o “capital social é o investimento inicial efetuado 
na empresa pelos sócios ou acionistas, declarado no ato constitutivo, podendo 
ser feito em dinheiro ou em bens patrimoniais” (SEBRAE/SC, 2018). Para o 
MAPA (2012, p. 15), “o capital social é formado por quotas partes ou pode ser 
substituído por doações, empréstimos e processos de capitalização”. Conforme o 
SESCOOP, o “capital social é o valor, em moeda corrente, que cada pessoa investe 
ao associar-se e que serve para o desenvolvimento da cooperativa” (GAWLAK; 
RATSKE, 2007, p. 65). Desta forma, o capital social representa os associados, que 
integralizam sua participação através de quotas partes ou cotas de capital.
A Lei Federal nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que dispõe sobre as 
sociedades por ações, estabelece no Art. 7º que “o capital social poderá ser formado 
com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de 
avaliação em dinheiro” (BRASIL, 1976).
114
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:
• A organização social e o associativismo estabelecem oportunidades de 
viabilizar as atividades produtivas no meio rural.
• As transformações nos sistemas de produção modificaram o funcionamento 
do mercado de trabalho no meio rural.
• Existem muitos exemplos de organização e cooperação na natureza e ao longo 
da história de evolução e de desenvolvimento da sociedade humana.
• Houve muitas formas de organização social nas civilizações da antiguidade e 
nas sociedades humanas modernas.
• O contexto histórico da Revolução Industrial forneceu as bases para a 
estruturação do cooperativismo moderno, sob os pontos de vista socialista e 
capitalista.
• Há uma relação próxima entre o associativismo e o cooperativismo e entre o 
associativismo e a democracia.
• O capital social é compreendido sob a perspectiva sociológica, que leva em 
consideração as relações sociais de cooperação e confiança, promovendo o 
desenvolvimento territorial.
• O capital social é compreendido sob a perspectiva econômica, que representa a 
integralização dos associados sob a forma de quotas partes ou cotas de capital.
115
AUTOATIVIDADE
Caro acadêmico, são propostos alguns exercícios sobre esta unidade 
para fixar melhor os conteúdos apresentados. Leia as questões, relembre sobre 
o que foi estudado e responda aos exercícios. Em caso de dúvida, volte a 
pesquisar e refaça os exercícios.
1 Existem diversas formas como o trabalho rural está organizado 
no Brasil, sendo que cada uma delas apresenta características 
e condições particulares. Sobre as formas de trabalho no meio 
rural, associe os itens, utilizando o código apresentado:
I- Proprietários rurais.
II- Parceiros rurais.
III- Arrendatários rurais.
IV- Assalariados permanentes.
( ) Forma de trabalho rural, caracterizada pela relação com o proprietário 
das terras, onde o produtor paga pela concessão da utilização da área de 
produção.
( ) Forma de trabalho rural, onde o produtor realiza as atividade de produ-
ção agropecuária em áreas de sua propriedade.
( ) Forma de trabalho rural associada à prestação de serviços, com geração 
de vínculo empregatício formal.
( ) Forma de trabalho rural, onde o produtor e o proprietário da terra esta-
belecem uma relação de compartilhamento dos riscos e dos benefícios da 
atividade produtiva.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) IV – I – II – III.
b) ( ) III – I – IV – II.
c) ( ) I – IV – III – II.
d) ( ) II – III – I – IV.
2 A organização coletiva e a cooperaçãoforam fundamentais desde o início 
da história humana, possibilitando o desenvolvimento de civilizações e a 
ocupação de todas as regiões da Terra. A cooperação também foi e ainda 
é importante na formação e estrutura das sociedades mais recentes. Com 
base neste contexto, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as 
sentenças falsas:
116
( ) O estabelecimento de relações de cooperação possibilitou, ao homem 
primitivo, construir e utilizar abrigos, proteger-se do ataque de 
predadores e a obtenção de alimentos.
( ) O trabalho cooperativo apresenta uma grande importância, baseada na 
ajuda mútua e no compartilhamento de objetivos comuns, com muitos 
exemplos desde a antiguidade.
( ) O surgimento de modos de cooperação modernos, como o cooperativismo 
e o associativismo, está relacionado à modernização da agricultura, na 
década de 1970.
( ) Uma relação muito próxima pode ser identificada entre o cooperativismo 
e o associativismo, sendo reflexo dos princípios e dos valores comuns 
entre essas duas formas de organização coletiva.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – V – V – F.
b) ( ) V – V – F – V.
c) ( ) V – F – V – V.
d) ( ) F – V – V – V.
117
TÓPICO 2
ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Estudamos no tópico anterior as condições relacionadas ao trabalho rural. 
Também foi apresentada a importância da organização coletiva e da cooperação, 
com exemplos da vida selvagem na natureza e das atividades humanas na 
antiguidade e na atualidade. 
Neste tópico, vamos aprender um pouco mais sobre a cooperação e 
o associativismo, seus princípios e valores. Serão destacadas as formas de 
atuação do associativismo, os principais tipos de associações, as vantagens e 
desvantagens de participar de uma associação rural e as atitudes que favorecem 
a formação associativa e o trabalho coletivo. Abordaremos alguns exemplos de 
atividades ligadas às associações rurais e como essa participação pode promover 
melhorias, tanto em nível local e regional, como de forma mais ampla, com 
repercussão nacional e internacional. O associativismo também está presente em 
temas relacionados com o desenvolvimento sustentável e com a promoção de 
desenvolvimento territorial. Para finalizar, apresentamos um breve relato sobre 
as comunidades que sustentam a agricultura, também conhecidas como CSAs, 
como forma de demonstrar um outro exemplo de organização social para a 
promoção da vida no meio rural e da comunidade.
2 A CULTURA DA COOPERAÇÃO
A vida das pessoas em sociedade está cheia de exemplos de práticas 
associativas, como: na família, na escola, na igreja, nos grupos de amigos, nos 
clubes, entre outros. Nestas situações, a cooperação se manifesta através de 
mutirões, na organização de festas, nas atividades esportivas, na formação de 
grupos de comércio, entre outras formas de interação social. As motivações para 
as pessoas se associarem podem ser: por afeto, por união, por confiança, por 
laços familiares, por relações de amizade, por circunstâncias de solidariedade, 
por necessidade e até por instinto de sobrevivência (Figura 16) (SENAR, 2011, 
p. 9). Também pode-se afirmar que as motivações estão relacionadas a situações 
econômicas, sociais, culturais, étnicas, políticas, regionais, entre muitas outras.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
118
A figura a seguir mostra um exemplo de trabalho de cooperação para 
atingir um objetivo comum, no caso, formando uma estrutura que possibilite 
chegar à fonte de alimento (Figura 16).
FIGURA 16 – FORMIGAS EM COOPERAÇÃO
FONTE: Disponível: <https://www.the-scientist.com/features/the-evolution-of-
cooperation-34284>. Acesso em: 11 jul. 2018.
O termo cooperar, de origem latina, significa trabalhar em conjunto. 
Assim, a cooperação representa o trabalho coletivo para alcançar objetivos 
em comum. Esse esforço conjunto está estruturado em três componentes: 
convivência, confiança e cooperação. Estes componentes se relacionam da 
seguinte forma: conviver para conhecer, conhecer para confiar e confiar para 
cooperar (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014b, p. 9). A compreensão 
e o aprendizado desta situação são o resultado de um processo continuamente 
desenvolvido e que está em constante aperfeiçoamento. Ao pensar e agir de forma 
coletiva, adotam-se posturas de cooperação, seguindo algumas características 
(CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014b, p. 24):
• Abandonar o individualismo.
• Aprender a tolerar e a ceder.
• Fazer a gestão dos conflitos.
• Desenvolver visão estratégica.
• Analisar os problemas e as soluções de forma conjunta.
• Promover a união em benefício de um objetivo comum.
Assim, atitudes de cooperação resultam na mediação e conciliação de 
discordâncias, na busca pela resolução coletiva dos problemas, no planejamento 
e na visão de futuro, identificando oportunidades e buscando minimizar 
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
119
as dificuldades. Esses aspectos podem ser identificados na figura, onde os 
companheiros de ninho sobem uns sobre os outros, formando uma estrutura de 
formigas, possibilitando que o grupo tenha acesso às folhas, que servirão de fonte 
de alimentação para o formigueiro (Figura 16).
Segundo Cardoso, Carneiro e Rodrigues (2014b, p. 13-16), a cooperação 
possibilita:
• O compartilhamento de recursos: entendidos como os meios para viabilizar 
um empreendimento, como dinheiro, máquinas, estrutura física, entre outros. 
Ao compartilhar o uso de recursos de produção, minimiza-se a sua ociosidade, 
otimizando a utilização e a depreciação.
• A combinação de competências: relacionada com a oportunidade de trocar 
experiências, conhecimentos e habilidades, favorecendo a capacitação e 
melhorando o sistema de produção.
• O fortalecimento do poder de compra e venda: oportunizando melhores 
condições de barganha, formas e prazos de pagamento de insumos, além de 
organizar a escala e as condições de comercialização da produção.
• O exercício da mobilização e de pressão no mercado: favorecendo o 
relacionamento com fornecedores ou com o mercado consumidor. Além destes, 
favorece atuações direcionadas ao setor público, como o ajuste na legislação 
e nas normas de produção e de comercialização, ou ainda as adequações na 
infraestrutura, através de melhorias nas estradas, no fornecimento de energia, 
acesso à telefonia e/ou à internet, entre outros.
• A distribuição dos custos com pesquisas e inovações: ao repartir os custos com 
investimentos em tecnologias, viabiliza-se a resolução de problemas técnicos, 
além de resultar no favorecimento do acesso a todos. Também pode-se partilhar 
os riscos e custos relacionados à exploração de novas opções de produtos.
• A oferta de produtos diversificados e com qualidade diferenciada: a criação 
de novas opções ao mercado é uma estratégia que permite aumentar a 
capacidade competitiva, a ampliação dos mercados compradores e a maior 
oportunidade de renda.
• A obtenção de certificações coletivas: a diferenciação é uma das grandes opções 
de competição, neste caso, caracterizada pelo registro e proteção, através da 
propriedade industrial (marcas coletivas, indicações geográficas) ou de outras 
formas de certificação (comércio justo, produção orgânica, selos internacionais, 
entre outros).
• Melhores condições de acesso a serviços financeiros: facilitando a obtenção 
de crédito em condições mais vantajosas, acesso a linhas financeiras especiais, 
entre outras opções.
Além das oportunidades listadas acima, a cooperação também é 
um importante fator de aceleração do desenvolvimento territorial ou 
desenvolvimento regional. A expansão econômica de uma atividade produtiva 
gera novas oportunidades de negócios, formando um ambiente inovador e 
dinâmico, ampliando as opções de geração de renda e os postos de trabalho, 
promovendo assim o desenvolvimento do território de forma mais equilibrada 
(DAMÁZIO; CASTRO, 2012, p. 26).
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO120
2.1 PRINCÍPIOS E VALORES DA COOPERAÇÃO
Quando se apresenta uma oportunidade de cooperação ou atividade 
associativa, há diversos princípios de valores que fundamentam as ações, 
fornecendo as bases para a organização social e para o sucesso do trabalho 
coletivo. Esses instrumentos éticos servem de orientação para a conduta dos 
membros que desejam trabalhar de forma coletiva (CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014b, p. 19).
Segundo o SEBRAE, os princípios da cooperação podem ser organizados 
nos seguintes itens (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014b, p. 19-20):
• Objetivos comuns e coesos: onde os membros possuem os mesmos interesses.
• Visão comum: baseada na discussão e no consenso sobre as finalidades.
• Articulação: capacidade de organização e planejamento.
• Confiança: valor ético de importância fundamental para o trabalho coletivo.
• Valores compartilhados: princípios e ações para o bem coletivo.
• Interdependência: relações de reciprocidade e de auxílio mútuo para o 
atendimento das finalidades.
• Autonomia: expressa na capacidade de tomar decisões e de expor determinação 
nas ações.
• Ações comuns: direcionamento do trabalho coletivo para o bem-estar de todos.
• Consenso: oportunidade de manifestação livre, respeito às opiniões diferentes 
e processo de tomada de decisão democrático, em comum acordo.
• Integração: representa a participação efetiva nas atividades do grupo.
Em uma organização ou no trabalho, alguns valores da cooperação são 
fundamentais para que os membros possam atuar de forma coletiva e ter êxito 
nas discussões e atividades, destacando (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 
2014b, p. 20):
• Participação.
• Respeito.
• Transparência.
• Honestidade.
• Complementaridade.
• Igualdade.
• Aprendizagem.
• Solidariedade.
3 O ASSOCIATIVISMO
A associação é uma forma de sociedade civil sem fins lucrativos, onde os 
indivíduos se organizam de forma democrática em defesa de interesses comuns 
(MAPA, 2012, p. 23). É uma forma de participação na sociedade, podendo existir 
em vários segmentos da atividade humana, com diversas motivações e funções, 
atendendo a propósitos locais, regionais, nacionais ou mesmo em escala mundial. 
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
121
Podem ser formadas por afinidades de atividade econômica ou social, para 
atender problemas específicos e para construir uma estrutura coletiva na qual 
todos são beneficiários.
Existe uma grande diversidade de interesses nas atividades que realizamos 
e diante das realidades com as quais convivemos, sendo que estas necessidades 
vão se modificando ao longo do tempo. Isso sugere que as prioridades são 
muito diferentes e vão se alterando, dependendo dos indivíduos envolvidos, 
da realidade na qual estas pessoas estão inseridas, do período temporal e das 
características do meio ou do espaço territorial.
As associações possibilitam aos associados a organização em grupos, que 
podem discutir e propor ações de forma a atender as prioridades em comum. A 
forma como as pessoas se associam pode ser através de: associações, cooperativas, 
câmaras, comitês, conselhos, consórcios, clubes, grêmios, grupos, ordens, 
organizações da sociedade civil, redes de cooperação, sindicatos, entre outras.
NOTA
A expressão Organização Não Governamental (ONG) foi utilizada pela ONU em 
1950, para designar as instituições da sociedade que não estivessem vinculadas à estrutura 
do governo. No Brasil, as ONGs surgiram durante o período militar, na década de 1960, 
porém passaram a ter maior importância a partir da Rio 92. O termo ONG não é definido 
e não está previsto na legislação brasileira. A Lei Federal nº 13.019, de 31 de julho de 2014, 
estabelece o regime jurídico e define as diretrizes das parcerias entre a administração pública 
e a atuação das organizações da sociedade civil. Essa legislação, conhecida como Marco 
Regulatório do Terceiro Setor, considera o uso da definição de Organizações da Sociedade 
Civil (OSC) para designar esses tipos de instituições. Segundo o SEBRAE, as Organizações da 
Sociedade Civil de Interesse Privado (OSCIP) são as formas de reconhecimento oficial e legal 
mais próximas do entendimento de uma ONG.
3.1 COMPORTAMENTOS QUE FAVORECEM E QUE 
DIFICULTAM O ASSOCIATIVISMO
Quando participamos de um grupo, uma reunião ou uma associação, 
agimos de forma organizada para alcançar algum objetivo, para resolver um 
problema ou para atender uma dificuldade. Para isso, o comportamento e o 
comprometimento de cada membro fazem uma grande diferença e algumas 
atitudes podem favorecer ou mesmo dificultar a exposição dos problemas, o 
processo de tomada de decisões e a adoção de ações práticas. Uma associação 
necessita de pessoas com iniciativa, capacidade de compreensão, comprometimento 
e espírito de grupo, pois o objetivo da organização é o trabalho cooperativo, o 
atendimento das necessidades coletivas e o bem-estar de todos.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
122
Essas questões podem ser verificadas no quadro que apresenta um 
comparativo entre as atitudes que favorecem uma boa relação social e aquelas 
atitudes que dificultam a organização e a cooperação (Quadro 2). Verifique que, 
dependendo da forma como cada membro participa, há uma grande diferença no 
desenvolvimento e na evolução dos temas a serem discutidos pelo grupo, bem 
como na mobilização social e na adoção de ações em benefício comum.
QUADRO 2 – COMPARATIVO ENTRE AS ATITUDES PRÓ E CONTRA O ASSOCIATIVISMO
Atitudes que favorecem o associativismo Atitudes que dificultam o associativismo
Comparecer sempre às reuniões e às 
atividades da associação.
Faltar às reuniões e às atividades da 
associação.
Expor suas ideias e sugestões sempre que 
achar necessário. Deixar a timidez de lado.
Permanecer calado, manter-se apático ou ter 
vergonha de dizer algo que pensa, sem dar a 
sua opinião sobre os assuntos discutidos.
Ouvir os outros e trocar ideias. Impor a sua opinião de forma enérgica e 
recusar-se a debater as ideias dos outros.
Defender a decisão da maioria, ainda que não 
seja a sua. Compreensão e companheirismo 
são importantes atitudes nas associações.
Reclamar do que foi deliberado pelo grupo e 
não acatar a decisão da maioria.
Participar, assumir responsabilidades, cargos 
e tarefas. Em uma associação a distribuição 
das atividades é importante para não 
sobrecarregar apenas a diretoria.
Deixar o peso das obrigações para os outros! 
Recusar-se a assumir tarefas e obrigações em 
prol da coletividade.
Estar disposto a contribuir e a doar-se, antes 
mesmo de beneficiar-se com os resultados.
Perguntar sempre: o que é que eu “ganho” 
com isto?
Valorizar e contribuir com o planejamento 
das ações a serem realizadas pela associação. 
Perseguir metas claras e realizáveis que 
representem as reais necessidades de cada 
associado e do grupo como um todo.
Dizer que o planejamento é perda de tempo, 
pois acaba sempre nas gavetas.
Estimular a confiança entre os associados 
a partir do respeito demonstrado por você 
em relação às decisões da associação. Ter o 
exemplo como a melhor forma de alcançar os 
resultados e de conviver.
Desconfiar de tudo e de todos e desrespeitar as 
decisões estabelecidas.
Reconhecer que as pessoas têm talentos, 
habilidades, conhecimentos e pensamentos 
diferentes. Buscar compreender a importância 
que as diferenças têm para o desenvolvimento 
da associação.
Julgar a todos por você. Aqueles que não estão 
alinhados com os seus pensamentos e posições 
desconsidere-os, ignore-os, implique com eles.
Participar da associação como uma opção 
consciente, fruto de sua escolha, por 
entender que esta decisão irá acrescentar algo 
importante em sua vida.
Entrar na associação sem sentir-se parte dela, 
mas por uma conveniência ou influência de 
alguém. “Entrei nesse negócio porque me 
chamaram. Não me sinto parte disto”.
Desenvolver o senso de pertencimento. 
Veja a associação como sua. Como um 
empreendimento que faz parte da sua vida.
Olhar para a associação comindiferença, como 
algo que não lhe diz respeito, que não lhe 
pertence.
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
123
Perceber que a prática do associativismo, bem 
como os resultados obtidos trazem satisfação 
e realização pessoal, além de benefícios que se 
expandem para a sociedade.
Ter uma atitude individualista e utilitária de 
só enxergar o que lhe traz ganho pessoal. “Só 
me interesso por aquilo que está relacionado 
com os meus interesses particulares. Não me 
importo com o resto”.
Acreditar nas possibilidades de melhorar as 
condições de vida de cada um e de todos, a 
partir da organização das pessoas.
Adotar uma atitude fatalista, de quem acredita 
que não adianta fazer nada mesmo! “Por que 
isto é assim? Não sei não, só sei que é assim! 
Não adianta fazer nada!”
Fazer parcerias entre sua associação e outras 
entidades. A soma de esforços amplia as 
possibilidades de alcançar os resultados 
esperados.
Atuar sempre isoladamente, sem acreditar na 
força das parcerias. “Não vem com esta de 
juntar com outras entidades não! Esse povo aí 
quer é tirar vantagem da gente! Não dá certo! 
Cada um no seu quadrado!”
Organizar-se para buscar as melhorias para a 
sua vida. Seja autor e ator da sua vida.
Esperar! Pode ser que façam por você 
ou que caia do céu. Esperar sempre por 
políticas governamentais assistencialistas. 
Não se esforce para conquistas próprias que 
dependem de você.
FONTE: SENAR (2011, p. 14-20)
3.2 PRINCÍPIOS DO ASSOCIATIVISMO
A doutrina do associativismo, ou seja, o conjunto de ideias fundamentais e 
princípios básicos contidos em um sistema expressam a essência de que o trabalho 
coletivo possibilita encontrar soluções melhores para os conflitos que a vida em 
sociedade apresenta (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 8). Esses 
autores descrevem que esses princípios do associativismo são reconhecidos em 
todo o mundo e embasam as várias formas que o associativismo pode assumir, 
como: associações, cooperativas, sindicatos, fundações, organizações da sociedade 
civil de interesse público (OSCIP), redes, clubes, entre outros. A diferença entre 
essas formas jurídicas de organização associativa será, basicamente, a partir dos 
objetivos que cada uma delas deseja alcançar.
Os princípios do associativismo são organizados em sete itens 
(CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 8-9):
• Adesão voluntária e livre.
• Gestão democrática pelos sócios.
• Participação econômica dos membros.
• Autonomia e independência.
• Educação, formação e informação.
• Interação ou intercooperação. 
• Interesse pela comunidade.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
124
Primeiro princípio: A adesão voluntária e livre demonstra que as 
associações são organizações voluntárias e abertas à participação de todas as 
pessoas aptas a utilizar de seus serviços e dispostas a aceitar as responsabilidades 
de ser membro, independentemente da condição social, econômica, racial, 
política, religiosa e de gênero.
Segundo princípio: A gestão democrática indica que as associações 
são controladas por seus sócios ou membros, através da participação ativa nos 
processos de tomada de decisões e de escolha de representantes para a gestão 
administrativa da organização.
Terceiro princípio: A participação econômica indica que os membros 
contribuem de forma equitativa e controlam democraticamente as ações da 
organização associativa, deliberando sobre a destinação dos recursos, bens e 
demais itens do capital social.
Quarto princípio: A autonomia e a independência destacam que 
associações são organizações autônomas de ajuda mútua, sendo o controle 
realizado pelos seus sócios, através de gestão e decisões democráticas.
Quinto princípio: O incentivo à educação, formação e informação é preceito 
que visa estimular e proporcionar condições para a capacitação, para a melhoria 
do aprendizado e para o desenvolvimento dos membros, buscando ampliar os 
conhecimentos sobre a importância da cooperação, além de seus benefícios.
Sexto princípio: A interação ou intercooperação está relacionada ao 
fortalecimento das relações associativas em níveis estruturais locais, regionais, 
nacionais e internacionais, através do trabalho em conjunto para ampliar as ações 
e obter resultados mais expressivos.
Sétimo princípio: O interesse pela comunidade está ligado ao 
desenvolvimento sustentável e ao desenvolvimento territorial, possibilitando 
condições mais propícias para a vida das pessoas que habitam a região onde as 
associações atuam.
Esses princípios são estruturados de acordo com os interesses e 
necessidades de cada tipo de organização associativa.
3.3 TIPOS DE ASSOCIAÇÕES
Compreendidos alguns conceitos e objetivos sobre a organização social, 
cooperação e associativismo, vamos estudar agora alguns dos principais tipos de 
associações existentes no Brasil.
As associações podem agregar diversas formas de organização social, que 
compartilham características semelhantes, embora tenham finalidades distintas. 
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
125
Com base nas classificações de Cardoso, Carneiro e Rodrigues (2014a, p. 19-20) 
e do MAPA (2012, p. 23-25), apresentamos alguns tipos de associações mais 
comumente encontradas no Brasil, sendo agrupados como:
• Filantrópicas e de Defesa à Vida: tipos de associações que reúnem voluntários 
com objetivos de prestar assistência social a grupos carentes, como crianças, 
idosos ou portadores de necessidades, também podendo atuar junto a instituições 
religiosas. São exemplos: APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais, 
AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente, entre outras.
• Comunitárias ou de Moradores: associações que realizam atividades de 
mobilização mais em nível municipal, para melhorias de infraestrutura e 
resolução de problemas locais. Exemplos: associações de bairros, associações 
distritais, entre outras.
• Educacionais: associações que participam das atividades de organização escolar, 
com objetivo de melhorar as condições de ensino e integração entre as escolas e 
a comunidade. Como exemplos estão: Associações de pais e professores.
• Culturais, Desportivas e Sociais: associações organizadas com interesses na 
promoção de temas relacionados à arte, ao esporte e ao lazer. Exemplos podem 
ser verificados em: clubes de esportes, associações culturais, entre outras.
• de Consumidores: associações com objetivos de representação, defesa e 
fortalecimento dos direitos dos consumidores em relação ao comércio, à indústria 
e aos órgãos do governo. São exemplos: associações de defesa do consumidor.
• Governamentais: associações governamentais para o fortalecimento da gestão 
e de organização das unidades da administração pública, além de possibilitar 
interações de comércio. Como exemplos: associações regionais, associações de 
municípios, associações de nações, como União Europeia, Organização das 
Nações Unidas – ONU, G 20, BRICS, entre outras.
• Comerciais, Empresariais ou de Classe: associações de representação de 
empresários, indústrias ou comerciantes. Como exemplos estão: associações 
comerciais, associações de indústrias, associações empresariais, CDL – Câmaras 
de Dirigentes Lojistas, entre outros.
• Profissionais ou de Trabalho: associações que representam determinadas 
categorias profissionais e seus interesses perante a sociedade e aos órgãos do 
governo. São exemplos: associações de engenheiros agrônomos, associações 
de caminhoneiros, associações de professores, associações de aposentados e 
pensionistas, entre outras.
• Científicas, de Pesquisa ou de Inovação: associações de pesquisa científica, 
inovação e tecnologia. Exemplos são as associações ligadas ao desenvolvimento 
e empreendedorismo, associações científicas, entre outras.
• de Agricultores ou de Produtores Rurais: formadas por associações de 
agricultores de diversos segmentos agropecuários, em busca de interesses 
para o desenvolvimento e interesses das cadeias produtivas. Como exemplos: 
associações de produtores ruraisde determinada cadeia produtiva (frutas, 
milho, figo etc.), associação de produtores de uma determinada região 
(municipal, regional, estadual ou nacional), associação de uma forma específica 
de produção agropecuária (produtores orgânicos etc.), entre outras formas.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
126
4 ASSOCIAÇÕES RURAIS
Vamos estudar agora como as associações rurais podem contribuir 
para melhorar as condições dos agricultores e para possibilitar melhorias nas 
atividades agropecuárias. Uma associação de produtores rurais compreende uma 
organização civil, constituída por agricultores, seus familiares e outros membros 
que apresentem os mesmos interesses. Essas associações têm o objetivo de 
dinamizar os processos na cadeia de produção rural, discutindo e desenvolvendo 
ações em benefício dos associados (MAPA, 2009, p. 7).
Como características gerais, as associações de produtores rurais podem ser 
formadas por grupos de vizinhos, que se unem para discutir e resolver problemas 
em comum. Essas discussões são, inicialmente, a partir de reuniões informais, 
aperfeiçoando-se para uma estrutura mais organizada, com participação 
democrática mais atuante, resultando em maiores oportunidades de sucesso 
(MAPA, 2012, p. 30).
As associações de produtores rurais podem compreender estruturas e 
dimensões formadas por um pequeno grupo de pessoas, em nível local (Figura 
17) ou municipal, ou até atuar de forma maior e mais organizada, através da 
participação em escalas maiores, como em nível regional (Figura 18), estadual ou 
nacional (Figura 19).
FIGURA 17 – ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES RURAIS EM NÍVEL LOCAL NO BRASIL
FONTE: Disponível em: <http://www.valedosvinhedos.com.br/vale/index.php>. 
Acesso em: 20 jul. 2018.
FIGURA 18 – ASSOCIAÇÕES DE PRODUTORES RURAIS EM NÍVEL REGIONAL NO BRASIL
FONTE: Disponível em: <https://www.flickr.com/photos/26580516@N05/6153740062> e 
<http://www.agreco.com.br/>. Acesso em: 20 jul. 2018.
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
127
FIGURA 19 – ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES RURAIS EM NÍVEL NACIONAL NO BRASIL
FONTE: Disponível em: <http://www.abpm.org.br/>. Acesso em: 20 jul. 2018.
Vamos compreender um pouco mais sobre a importância de alguns 
exemplos de associações de produtores rurais. A APROVALE – Associação dos 
Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos foi pioneira na obtenção das 
indicações geográficas (IG) no Brasil, a partir da Indicação de Procedência (IP) 
para os vinhos finos. Essa associação de produtores da Serra Gaúcha também 
obteve o registro de outra forma de IG, a Denominação de Origem (DO), além 
de uma marca coletiva, “Vinhateiros do Vale”, valorizando e estimulando a 
economia e o patrimônio cultural local (Figura 17). A APROARROZ – Associação 
dos Produtores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho obteve o registro da primeira 
Denominação de Origem no Brasil (Figura 18 à esquerda). A AGRECO – 
Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral, em Santa 
Catarina, atua na produção orgânica e no turismo ecológico rural (Figura 18 à 
direita). A ABPM – Associação Brasileira de Produtores de Maçã estimulou a 
discussão sobre a adoção da rastreabilidade e de manejo integrado de pragas 
no Brasil, ações estas que resultaram na estruturação do sistema de produção 
integrada (PI) agropecuária pelo MAPA (Figura 19).
Estas associações contribuíram para o desenvolvimento agropecuário 
brasileiro e são bons exemplos de como a organização social, por meio da 
cooperação, pode gerar a valorização cultural e econômica, além de proporcionar 
inovações às atividades rurais.
4.1 VANTAGENS E LIMITAÇÕES DO ASSOCIATIVISMO RURAL
As associações de produtores rurais podem contribuir em diversas etapas 
da cadeia produtiva agropecuária. Vejamos algumas vantagens da organização 
através de associações rurais (MAPA, 2009, p. 9-10; SENAR, 2015, p. 34):
• aumentar o poder de barganha e a possibilidade de negociação do grupo de 
produtores associados, através da compra e venda coletivas;
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
128
• facilitar o acesso à assistência técnica e à capacitação técnica, oportunizando a 
redução de custos e a melhoria das condições de produção;
• possibilitar a diversificação da produção agropecuária, melhorando a 
viabilidade econômica das atividades nas propriedades;
• permitir a aquisição e/ou utilização de insumos, bens e equipamentos a preços 
mais vantajosos, possibilitando maior acesso a inovações tecnológicas;
• proporcionar melhor distribuição dos resultados gerados pelas atividades 
agropecuárias, além de atender as demandas e oportunizar a expansão de 
novos mercados;
• contribuir para a melhoria na distribuição de alimentos e bens de consumo, 
principalmente pela interiorização do desenvolvimento socioeconômico;
• possibilitar a geração de novas oportunidades de emprego e o aumento da 
renda das propriedades rurais;
• possibilitar a participação em fóruns, seminários e eventos de decisão 
pública, com oportunidade de expressar opiniões e colaborar para ações mais 
democráticas;
• permitir a realização de convênios e contratos com órgãos do governo ou 
entidades privadas, viabilizando projetos de desenvolvimento territorial;
• acessar recursos físicos e financeiros ou linhas de crédito e programas 
governamentais direcionados a produtores organizados em grupos;
• incentivar o desenvolvimento de novas oportunidades, possibilitando a 
manutenção da família na propriedade e a redução do êxodo rural.
Complementando essas vantagens, ainda podemos citar:
• compartilhamento de recursos de produção, como estrutura física de galpões 
ou máquinas e implementos agrícolas, reduzindo a subutilização e melhorando 
a eficiência produtiva.
• organização social e mecanismo de pressão para a adoção de políticas públicas 
de interesse para o setor ou para a implementação de serviços públicos mais 
adequados;
• implementação de signos distintivos, baseados na participação coletiva, como 
a marca coletiva e as indicações geográficas;
• estímulo ao desenvolvimento econômico individual, dos sócios e das demais 
atividades na região, favorecendo a cadeia de produção e o fortalecimento das 
relações pessoais;
• exemplo para a mobilização de outras atitudes de cooperação, bem como para 
estimular a formação associativa em outras atividade e em outros locais;
• implementação de sistemas participativos de certificação ou novas opções 
de atividades econômicas, como através do agroturismo e da produção 
agroecológica.
Como limitações para as atividades ligadas ao associativismo, o MAPA 
(2009, p. 10) destaca, como principal restrição, a impossibilidade de obtenção de 
fins lucrativos. Nesse sentido, como a associação não pode exercer atividades 
comerciais, assim como outras instituições (empresas, cooperativas etc.), a sua 
manutenção pode apresentar algumas dificuldades em função da forma de 
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
129
obtenção de recursos financeiros ao longo do tempo. Outro ponto importante é 
indicado por Brandemburg (2010), ao sugerir que nem sempre os interesses dos 
associados são confluentes, podendo resultar em conflitos e desentendimentos, 
principalmente em função de visões diferentes em relação à forma de ação frente 
a determinadas situações. No entanto, fica evidente que o associativismo rural é 
uma estratégia que proporciona muitas vantagens para os produtores rurais.
4.2 ASSOCIATIVISMO RURAL: CONDOMÍNIOS E CONSÓRCIOS 
AGRÍCOLAS
Estudamos que o propósito associativo está baseado na possibilidade de 
ajuda mútua e na cooperação, alcançando objetivos comuns. Dessa forma, uma 
organização social no campo, através de uma associação de produtores rurais, 
pode gerar oportunidades de ganho econômico. Uma forma de atuação pode 
ser através da formação de condomínios rurais ou agrícolas, como uma forma 
de sociedade sem fins empresariais, com potencial de conferir maior eficiência e 
capacidade produtiva e comercial (SENAR, 2011, p. 28).O condomínio agrícola possibilita redução nos custos e a possibilidade 
de aumento dos ganhos, a partir da integração das habilidades e condições de 
cada membro participante (SENAR, 2011, p. 29). Essa oportunidade de conjugar 
as atividades produtivas pode trazer muitos benefícios, desde que essa relação 
entre os condôminos se estabeleça com confiança e trabalho em equipe. À medida 
que já se incorporaram os princípios e valores do associativismo, com grau mais 
avançado de cooperação, possibilitando ampliar os ganhos econômicos, os 
produtores do condomínio rural podem formalizar uma outra forma de sociedade 
mercantil, através da constituição de uma cooperativa, por exemplo.
Os condomínios agrícolas e os consórcios rurais são modalidades de 
sociedades rurais, estabelecidas no art. 14º, § 1º do Estatuto da Terra (BRASIL, 
1964), pela Medida Provisória nº 2.183-56, de 24 de agosto de 2001. A legislação 
diferencia os consórcios e condomínios agrícolas (BRASIL, 2001), onde o 
condomínio (art. 2º, § 1º, I) refere-se ao:
agrupamento de pessoas físicas ou jurídicas constituído em sociedade 
por cotas, mediante fundo patrimonial preexistente, com o objetivo 
de produzir bens, comprar e vender, prestar serviços, que envolvam 
atividades agropecuárias, extrativistas vegetal, silviculturais, 
artesanais, pesqueiras e agroindústrias, cuja duração é por tempo 
indeterminado. (grifo nosso) 
Enquanto o consórcio (art. 2º, § 1º, II) refere-se ao:
agrupamento de pessoas físicas ou jurídicas constituído em sociedade 
por cotas, com o objetivo de produzir, prestar serviços, comprar e 
vender, quando envolver atividades agropecuárias, extrativistas 
vegetal, silviculturais, artesanais, pesqueiras e agroindústrias, cuja 
duração é por tempo indeterminado. 
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
130
Assim, a principal diferença entre as duas modalidades de sociedades 
rurais é que no consórcio agrícola não há compartilhamento de bens patrimoniais, 
onde o agrupamento de pessoas tem o objetivo de juntar esforços para a produção 
em conjunto. Já no condomínio agrícola há o compartilhamento de estrutura 
patrimonial, como terras, máquinas, instalações etc. Agora vamos analisar os dois 
exemplos de arranjos societários entre produtores rurais, a seguir.
Na formação de um Consórcio Agrícola de produtores de leite, um dos 
sócios pode participar com os animais, o outro membro pode disponibilizar 
a estrutura física, como instalações e equipamentos, um terceiro sócio pode 
contribuir com as pastagens e os itens de alimentação. Nesta proposta, o trabalho 
em conjunto é uma forma de atividade coletiva, onde cada sócio possui recursos 
disponíveis e o trabalho em comum possibilita a ampliação da produção, o 
aproveitamento melhor dos recursos disponíveis, a redução de custos, a utilização 
racional dos itens de produção e a minimização de riscos de produção.
Na formação de um Condomínio Agrícola de produtores de grãos, 
ambos os produtores possuem suas terras e maquinários para a produção de 
forma independente. Nesta proposta, o trabalho em conjunto caracteriza-se pelo 
investimento coletivo na construção de silos ou armazéns para o armazenamento 
dos grãos de cada sócio. O trabalho em comum possibilita, neste caso, a redução 
de custos com o processo de armazenamento dos grãos e a oportunidade de 
escolha do melhor momento de comercialização. Por exemplo, a venda dos grãos 
durante a entressafra, quando geralmente os preços estão mais elevados.
Essas duas formas de constituição societária possuem formalização e 
gerenciamento totalmente desburocratizado, permitindo a livre entrada e saída 
do empreendimento, além de não se constituir personalidade jurídica. Não há um 
limite mínimo de consorciados ou condôminos, bem como a formalização pode ser 
realizada através de estatuto ou de contrato social, podendo as assembleias serem 
convocadas diretamente, sem necessidade de publicação de editais (CASTRO; 
RODRIGUES, 2014, p. 18; PORTAL NIPPO-BRASIL, 2018).
DICAS
Para saber um pouco mais sobre as características e a forma de funcionamento 
dos consórcios, além de uma sugestão de roteiro para a sua criação, recomenda-se buscar 
a publicação do SEBRAE que trata de Consórcio de Empresas, na Série Empreendimentos 
Coletivos (CASTRO; RODRIGUES, 2014). Disponível em: <http://www.sebrae.com.br/sites/
PortalSebrae/artigos/serie-empreendimentos-coletivos-cooperar-para-competir,2fa5438af1
c92410VgnVCM100000b272010aRCRD>.
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
131
5 LEGISLAÇÃO PARA O ASSOCIATIVISMO E PARA O 
COOPERATIVISMO NO BRASIL
No início do período republicano, a Constituição Brasileira de 1891 
determinava, no artigo 72, §8º: “A todos é lícito associarem-se e reunirem-se 
livremente e sem armas; não podendo intervir a polícia, senão para manter a 
ordem pública” (BRASIL, 1891).
Em relação à legislação sobre as cooperativas, o Decreto Federal nº 
1.637, de 5 de janeiro de 1907, determinava a criação de sindicatos profissionais 
(Capítulo I, art. 1º ao 9º) e de sociedades cooperativas (Capítulo II, art. 10º ao 
26º), estabelecendo as características e as condições para o seu estabelecimento e 
funcionamento (BRASIL, 1907).
NOTA
A legislação brasileira que trata de associativismo possui registros desde o 
período do Brasil Império, exemplificada pela Lei nº 1.083 e pelo Decreto nº 2.711, ambos 
publicados em 1860, e que orientavam a criação e organização de bancos, companhias e 
sociedades, dentre elas as associações.
O Estatuto da Terra, Lei Federal nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, 
estabeleceu que (art. 3º): “O Poder Público reconhece às entidades privadas, 
nacionais ou estrangeiras, o direito à propriedade da terra em condomínio, quer 
sob a forma de cooperativas quer como sociedades abertas constituídas na forma 
da legislação em vigor” (BRASIL, 1964).
Além disso, define-se que (art. 14º):
O Poder Público facilitará e prestigiará a criação e a expansão de 
associações de pessoas físicas e jurídicas que tenham por finalidade 
o racional desenvolvimento extrativo agrícola, pecuário ou 
agroindustrial, e promoverá a ampliação do sistema cooperativo, bem 
como de outras modalidades associativas e societárias que objetivem a 
democratização do capital (BRASIL, 1964). (grifo nosso)
Neste mesmo artigo, § 1º, indica-se que: “Para a implementação, os 
agricultores e trabalhadores rurais poderão constituir entidades societárias por 
cotas, em forma consorcial ou condominial, com a denominação de "consórcio" 
ou "condomínio", nos termos dos arts. 3º e 6º” (BRASIL, 1964).
A Política Nacional de Cooperativismo, definida pela Lei Federal nº 
5.764, de 16 de dezembro de 1971, estabeleceu as características das sociedades 
cooperativas, as condições para sua implantação, estruturação, funcionamento, 
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
132
fusão e dissolução, além das estruturas de organização regional e nacional 
(BRASIL, 1971), ficando conhecida como a Lei Geral do Cooperativismo. Nesta 
lei, o art. 3º descreve que: “Celebram contrato de sociedade cooperativa as 
pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para 
o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de 
lucro” (BRASIL, 1971) (grifo nosso).
Além disso, “as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e 
natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas 
para prestar serviços aos associados” (art. 4º) (BRASIL, 1971) (grifo nosso).
A legislação brasileira, organizada através da Constituição Federal de 
1988, garante “plena liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter 
paramilitar” (art. 5º, XVII), “a criação de associações e, na forma da lei, a de 
cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal 
em seu funcionamento” (art. 5º, XVIII) e estabelece que “a lei apoiará e estimulará 
o cooperativismo e outras formas de associativismo” (art. 174º, §2º) e que “a 
políticaagrícola nacional será planejada e executada, levando em conta”, dentre 
outras condições, o cooperativismo (art. 187º, V) (BRASIL, 1988) (grifo nosso).
IMPORTANT
E
A Constituição Federal de 1967 tratava dos direitos e garantias individuais, sendo 
que no art. 150, § 28  afirmava que: “...é garantida a liberdade de associação. Nenhuma 
associação poderá ser dissolvida, senão em virtude de decisão judicial” (BRASIL, 1967). No 
entanto, houve momentos na história política do Brasil onde a liberdade de associação foi 
restrita, principalmente durante o período militar, a partir de 1964.
No instrumento legal que dispõe sobre a Política Agrícola no Brasil, a Lei 
Federal nº 8.171, de 17 de janeiro de 1991, o capítulo XI, que trata de associativismo 
e cooperativismo, indica que “o poder público apoiará e estimulará os produtores 
rurais a se organizarem nas suas diferentes formas de associações, cooperativas, 
sindicatos, condomínios e outras” (grifo nosso) (art. 45º), informando que esse 
apoio se estende “aos grupos indígenas, pescadores artesanais e àqueles que se 
dedicam às atividades de extrativismo vegetal não predatório” (art. 45º, parágrafo 
único) (BRASIL, 1991).
Também o Código Civil de 2002, definido pela Lei Federal nº 10.406, de 
10 de janeiro de 2002, estabelece que “são pessoas jurídicas de direito privado”, 
dentre outras, “as associações” (art. 44º, I) e “as sociedades” (art. 44º, II). O 
artigo 53 declara que “constituem-se as associações pela união de pessoas que se 
organizem para fins não econômicos” (grifo nosso). As condições que disciplinam 
a atuação das associações estão previstas entre os artigos 53 a 61 do Código Civil. 
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
133
Também no Código Civil verifica-se que “celebram contrato de sociedade as 
pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o 
exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados” (art. 981º). 
Assim, as características para o estabelecimento de uma sociedade cooperativa 
são definidas no art. 1.094 (BRASIL, 2002).
ESTUDOS FU
TUROS
Verifica-se que uma associação se caracteriza pela organização de pessoas, com 
objetivos diversos e sem fins econômicos diretos, enquanto que uma cooperativa distingue-
se pela organização social buscando estruturar uma atividade econômica, viabilizando um 
negócio produtivo.
6 O ASSOCIATIVISMO E O COOPERATIVISMO NO CONTEXTO 
DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
O Brasil, sendo país-membro da Organização das Nações Unidas (ONU), 
se comprometeu a seguir as condições estabelecidas na Declaração Universal dos 
Direitos Humanos, adotada em 10 de dezembro de 1948. O artigo 20 descreve que: 
(1) “Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica”; 
e que (2) “Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação” (ONU, 
2009). Assim, ficou resguardado o direito à participação de qualquer pessoa, de 
forma livre e voluntária, em organizações associativas para diversas finalidades.
NOTA
O termo Desenvolvimento Sustentável foi utilizado pela primeira vez em 
1987, no Relatório Brundtland, também conhecido como Nosso Futuro Comum, sendo 
definido como “o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, 
sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias 
necessidades”.
Em junho de 1992 foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio 
Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como RIO-92, ECO-92 ou Cúpula da Terra. Neste 
evento, foi reconhecido o conceito de desenvolvimento sustentável, além das discussões sobre 
as ações para a proteção da natureza que resultaram na divulgação de diversos documentos: 
a Carta da Terra, a Convenção sobre a Diversidade Biológica, a Convenção-Quadro ou Tratado 
sobre Mudanças Climáticas, a Declaração sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Agenda 
21, entre outros.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
134
Em junho de 2012 foi realizada no Rio de Janeiro a Conferência das 
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como RIO+20. 
Esse evento teve o objetivo de renovar os esforços e compromissos sobre o 
desenvolvimento sustentável, assumidos 20 anos antes, na RIO-92 (Figura 20). 
Como um dos documentos finais da RIO+20, foram divulgados os resultados 
alcançados e os compromissos assumidos pelos chefes de Estado, através do texto 
“O futuro que queremos” (RIO+20, 2018). Nesta declaração, no item que trata sobre 
Segurança Alimentar, Nutrição e Agricultura Sustentável, afirma-se a importância 
do associativismo, através da implantação de cooperativas (RIO+20, 2012, p. 23-24):
110. Observando a diversidade de condições agrícolas e de sistemas, 
resolvemos aumentar a produção e a produtividade agrícola 
sustentável em nível mundial, nomeadamente através da melhoria 
do funcionamento dos mercados, dos sistemas de negociação, e do 
fortalecimento da cooperação internacional, particularmente para 
países em desenvolvimento, aumentando o investimento público 
e privado na agricultura, gestão da terra e desenvolvimento rural 
sustentável. As principais áreas de investimento e de apoio incluem: 
práticas agrícolas sustentáveis, infraestrutura rural, capacidade e 
tecnologias de armazenamento, investigação e desenvolvimento de 
tecnologias sustentáveis de desenvolvimento agrícola, implantação 
de cooperativas e de cadeias de valor agrícolas sustentáveis, e 
fortalecimento das ligações urbano-rurais. Reconhecemos também a 
necessidade de reduzir significativamente as perdas e o desperdício 
pós-colheita e as perdas e o desperdício de alimentos em toda a cadeia 
de abastecimento alimentar (RIO+20, 2012, p. 23-24). (grifo do autor)
FIGURA 20 – RIO-92 E A RIO+20, CONFERÊNCIAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
FONTE: Disponível em: <http://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/rio20/a-rio20/
conferencia-rio-92-sobre-o-meio-ambiente-do-planeta-desenvolvimento-sustentavel-dos-paises.
aspx>. Acesso em: 6 jul. 2018.
DICAS
A Agenda 2030 (Transformando nosso mundo) apresenta o plano de ações 
mais recente adotado pela ONU, com metas e objetivos para o equilíbrio entre as três 
dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental. Disponível 
em: <https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/>. Acesso em: 13 set. 2018.
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
135
6.1 O ASSOCIATIVISMO NO CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO
TERRITORIAL, DAS POLÍTICAS PÚBLICAS E DE AÇÕES 
INTERINSTITUCIONAIS
As ações de governança passaram a ter maior importância a partir da 
década de 1990, com o avanço da descentralização político-administrativa e como 
nova postura frente às dificuldades econômicas e sociais (PIRES et al., 2011, p. 26). 
Esses autores afirmam que a governança é uma modalidade inovadora de gestão 
de atividades variadas, mobilizando agentes públicos, empresas, associações 
entre outros, que manifestam diversas formas de interação e de cooperação 
para a resolução de conflitos ou interesses comuns, direcionando o processo de 
desenvolvimento territorial.
Sob essa forma de governança, os representantes têm direito de opinar, 
sugerir e direcionar as ações que recebem recursos públicos, constituindo-se 
um grande avanço no processo democrático de tomada de decisões (SENAR, 
2015, p. 26).
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
136
Pires et al. (2011, p. 83-84) citam as várias formas e modalidades de 
governança territorial presentes no Brasil, como: os Arranjos Produtivos 
Locais, as Câmaras Regionais, as Câmaras Setoriais, os Circuitos Setoriais 
Intermunicipais, os Conselhos Regionais de Desenvolvimento – COREDES, 
os Consórcios Municipais, os Comitês de Bacia, dentre outras. No entanto, os 
arranjos produtivos locais (APLs), os circuitos turísticos (CTs) e os comitês de 
bacias hidrográficas (CBs) têm recebido maior atenção de grupos acadêmicos, 
de instituições de fomento ao desenvolvimento e de micro e pequenas empresas,apresentando relevância e importância no cenário econômico nacional (PIRES et 
al., 2011, p. 84). Destacam-se também os conselhos de desenvolvimento (CD), 
principalmente na esfera municipal (SENAR, 2015, p. 26) e as câmaras setoriais 
(CS), nas esferas estadual e federal (PIRES et al., 2011, p. 108).
NOTA
Os arranjos produtivos locais (APLs) são, segundo o SEBRAE, aglomerações de 
empresas, localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva 
e mantêm algum vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si 
e com outros atores locais, tais como: governo, associações empresariais, instituições de 
crédito, ensino e pesquisa (PIRES et al., 2011, p. 101).
Os circuitos turísticos (CTs) são compostos por municípios próximos entre si, que se 
associam em função de interesses e possibilidades de explorarem turisticamente seus 
respectivos patrimônios históricos, culturais e naturais. Os CTs levam em conta os atributos 
físico-geográficos, econômicos e socioculturais de uma região, em um panorama integrado 
e sistêmico (PIRES et al., 2011, p. 119). Ainda estão associados diretamente a um tipo de 
planejamento turístico específico que se pauta no aproveitamento dos atrativos regionais 
associados à oferta de determinados serviços e de infraestrutura (atividades de lazer e 
recreação, rede hoteleira, atividades comerciais etc.) (PIRES et al., 2011, p. 125).
Os comitês de bacias hidrográficas (CBs) funcionam como órgãos colegiados com poderes 
consultivos e deliberativos para gestão de recursos hídricos por meio da implementação dos 
instrumentos técnicos e negociação de conflitos; promoção dos usos múltiplos da água; 
respeito aos diversos ecossistemas naturais; promoção da conservação e recuperação dos 
corpos d’água e garantia da utilização racional e sustentável (PIRES et al., 2011, p. 102).
As câmaras setoriais (CS) têm suas ações direcionadas com caráter de autorregulação e 
cogestão, a partir da articulação da cadeia produtiva com a participação do Estado, na 
proposição de ações e planos de desenvolvimento para cada setor (PIRES et al., 2011, p. 109).
A importância destas modalidades de governança territorial está no 
fortalecimento da participação da sociedade na formulação e na implementação 
de políticas públicas, com a aplicação dos recursos financeiros e a realização de 
ações em benefício de todos. Outro aspecto de destaque é que o seu funcionamento 
pressupõe a ausência de atividades políticas, eleitorais ou de interesse ideológico 
e partidário (SENAR, 2015, p. 26).
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
137
Há duas formas de atuação da governança territorial, podendo ser através 
de conselhos consultivos e de conselhos deliberativos (SENAR, 2015, p. 26). O 
conselho consultivo tem a finalidade de aconselhar e opinar sobre as questões 
relacionadas à atividade de interesse, sendo que a decisão passa pelo Poder 
Legislativo e/ou Executivo nas diversas esferas públicas (municipal, estadual e 
federal). O conselho deliberativo participa, além da oportunidade de expressar 
opiniões e sugestões, do poder de decisão, desde o planejamento e aprovação 
do projeto até o acompanhamento da execução e da prestação de contas. Estes 
últimos podem ser exemplificados pelos Conselhos Municipais de Saúde, 
Conselhos Municipais de Educação, entre outros, que participam e colaboram 
nas etapas para a melhoria das condições de atendimento ou de formação das 
pessoas (SENAR, 2015, p. 26).
ATENCAO
A Comunidade que Sustenta Agricultura (CSA) nada mais é que uma parceria 
entre agricultores e consumidores, onde as responsabilidades, riscos e benefícios da 
agricultura passam a ser compartilhados. Por meio de uma cota fixa mensal, os coagricultores 
recebem uma cesta semanal ou quinzenal com os produtos agrícolas, contendo frutas, 
verduras, legumes, ovos, leite ou o que mais estiver combinado com o agricultor. Essa 
entrega fica de acordo com a estação do ano e com a safra do período, respeitando os 
tempos da natureza e também as condições do produtor.
Informações sobre CSAs podem ser obtidas no endereço eletrônico: <http://www.csabrasil.
org/csa/>.
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
138
FONTE: Adaptado de WWF Brasil. Disponível em: <https://www.wwf.org.br/?65282/CSA-
Comunidade-que-Sustenta-a-Agricultura>. Acesso em: 23 ago. 2018.
TÓPICO 2 | ASSOCIATIVISMO E COOPERAÇÃO
139
LEITURA COMPLEMENTAR
COMUNIDADES QUE SUSTENTAM A AGRICULTURA – CSAS
As comunidades que sustentam a agricultura (CSA) melhoram a vida 
de quem planta e levam alimentos saudáveis para quem compra. O modelo gera 
renda, valoriza a produção e respeita o meio ambiente. De um lado, quem planta. 
De outro, quem consome os alimentos. Isso é o que acontece quando essas duas 
pontas se unem.
Funciona assim: um grupo de pessoas se reúne para financiar o produtor 
rural. Em troca, recebe os produtos da roça (propriedade). Quem está na cidade 
não é chamado de consumidor, mas de coagricultor. Afinal, são pessoas ativas no 
processo, que participam do processo.
Neste modelo de produção, o agricultor calcula o quanto vai gastar durante 
o ano: mudas, sementes, adubos, energia, entre outros. Nessa conta também entra 
uma porcentagem de lucro. O valor é dividido entre os coagricultores que fazem 
parte da CSA. Em troca, os financiadores levam para casa, toda semana, uma 
cesta de alimentos frescos e aprendem a conviver com os riscos da agricultura.
Graças a esse modelo, resolve-se um grande problema que se enfrenta 
no sítio, o desperdício. Agora a produção tem destino certo e o produtor pode 
aumentar e diversificar o que é produzido na propriedade.
As comunidades podem se formar por iniciativa do agricultor ou dos 
consumidores. Não existe nenhuma entidade de certificação ou de controle. O 
funcionamento da parceria é definido pelos membros do grupo.
As CSAs são uma iniciativa da sociedade civil, onde não existe um 
organismo jurídico. Porém, algumas CSAs criam seus próprios contratos. Mas 
não são documentos com valor jurídico, são contratos com base na confiança.
As comunidades que sustentam a agricultura começaram a ganhar 
importância no Brasil na última década. Hoje são mais de 100 em todo o país. 
Melhoria de vida para quem planta. Alimentos saudáveis para quem compra. 
Um modelo que aproxima produtores e consumidores e que gera renda, valoriza 
a produção local e respeita o meio ambiente.
FONTE: Globo rural. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/
noticia/2018/07/22/csa-modelo-de-producao-aproxima-agricultores-e-consumidores-entenda-
como-funciona.ghtml>. Acesso em: 23 ago. 2018.
140
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:
• A vida das pessoas em sociedade está cheia de exemplos de práticas associativas 
e que, ao se pensar e agir de forma coletiva, adotam-se posturas de cooperação.
• Existem princípios e valores da cooperação que são fundamentais para o 
trabalho coletivo.
• Uma associação é uma forma de sociedade civil sem fins lucrativos, onde 
os indivíduos se organizam de forma democrática em defesa de interesses 
comuns.
• Há comportamentos que favorecem e que dificultam o associativismo.
• Os princípios do associativismo estão organizados em sete itens.
• Existem diversos tipos de associações no Brasil, dentre eles, as associações de 
produtores rurais.
• As associações podem ser organizadas em nível local, municipal, regional, 
estadual ou nacional, contribuindo para as atividades nas propriedades rurais, 
para o desenvolvimento territorial e para a cadeia de produção.
• O associativismo rural é uma estratégia de organização que proporciona muitas 
vantagens para os produtores rurais.
• A legislação brasileira estimula a organização coletiva de produtores rurais 
através de associações, cooperativas ou de outras formas de cooperação.
141
AUTOATIVIDADE
Olá, acadêmico! Para verificar a compreensão dos conteúdos 
apresentados, sugerem-se alguns exercícios sobre esta unidade. Leia asquestões 
e responda aos exercícios propostos. Em caso de dúvida, volte a pesquisar no 
livro de estudos e refaça os exercícios.
1 O associativismo envolve a organização, o planejamento e a par-
ticipação coletiva para a obtenção de benefícios comuns. Existem 
comportamentos que favorecem e que dificultam o associativismo. 
Sobre o comportamento dos associados, é CORRETO afirmar que:
a) ( ) A imposição de opiniões, recusando-se a debater ou não ouvindo as 
sugestões dos demais associados favorece o processo de tomada de de-
cisões em uma reunião.
b) ( ) Estar disposto a contribuir, antes mesmo de beneficiar-se com os resul-
tados, é uma atitude que colabora para a motivação e participação para 
o bem coletivo.
c) ( ) Entrar em uma associação apenas pela influência de outras pessoas ou 
para tirar benefício próprio possibilita que a associação se fortaleça.
d) ( ) Esperar pela atuação dos outros e não assumir responsabilidades, bem 
como restringir a participação de interessados e de novas parcerias, é 
atitude que ajuda na cooperação coletiva.
2 O associativismo possui alguns princípios reconhecidos e utilizados para 
embasar as relações entre os associados. Considerando esse contexto, analise 
as seguintes asserções e a relação entre elas:
I- São alguns dos princípios fundamentais do associativismo a adesão livre e 
voluntária e a gestão democrática dos sócios.
PORQUE
II- O primeiro princípio demonstra que as associações são organizações 
abertas à participação de todos os interessados e o segundo princípio indica 
que a administração e o processo de tomada de decisões são controlados 
pelos associados, através da participação nas votações e/ou na escolha dos 
representantes.
a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras.
b) ( ) As asserções I e II são proposições falsas.
c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
142
3 A organização em associações pode contribuir com muitas oportunidades 
para os produtores rurais. Sobre as vantagens do associativismo rural, é 
CORRETO afirmar que:
a) ( ) Não possibilita maior poder de barganha ou de negociação, mesmo 
com o maior volume negociado, através da compra e venda coletiva.
b) ( ) O compartilhamento de recursos de produção é um problema, gera 
discordâncias, pois todos querem utilizar os itens ao mesmo tempo.
c) ( ) O associativismo não favorece o acesso a inovações tecnológicas e à 
capacitação técnica, já que as empresas governamentais fornecem a 
assistência técnica necessária.
d) ( ) Possibilita diversificar a produção na propriedade, viabilizando 
as atividades rurais, estimulando a permanência no campo e o 
desenvolvimento territorial.
143
TÓPICO 3
CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS 
ASSOCIAÇÕES RURAIS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Estudamos no tópico anterior a importância da cooperação e do 
associativismo. Agora vamos compreender como se identifica, como se organiza e 
quais os procedimentos de implementação e de funcionamento de uma associação 
de produtores rurais.
Até 40 ou 50 anos atrás, o produtor rural orgulhava-se das poucas 
necessidades de compra, sendo muitas vezes representadas por poucos produtos, 
como sal, combustível, tecidos, entre outros bens de consumo. Naquela época, 
os produtores rurais tinham independência e autonomia sobre as condições 
que envolviam a produção e comercialização, realizando a troca de produtos da 
propriedade (leite, queijos, ovos, frutas e verduras etc.) por produtos “da cidade”. 
A forma de compreender a relação com a terra baseava-se no entendimento 
da cadeia produtiva “apenas dentro da porteira”. Com o passar do tempo e as 
inovações e tecnologias, a agricultura tornou-se mais especializada e dinâmica, 
sendo que o produtor rural tradicional teve que se tornar o administrador de 
um empreendimento rural. Nessa nova realidade, a cadeia produtiva é vista em 
toda a sua amplitude e as condições que influenciam a produção não estão mais 
limitadas às atividades dentro da propriedade. As atitudes dos fornecedores, dos 
mercados e dos consumidores têm influência sobre as tomadas de decisões dos 
produtores nas propriedades.
Neste contexto, o associativismo apresenta uma importante oportunidade 
de aumento da capacidade produtiva, melhorando a eficiência de produção e 
a rentabilidade. Essa oportunidade está relacionada à organização coletiva, ao 
trabalho em cooperação e à possibilidade maior de competitividade em todas as 
atividades, tanto na compra de insumos quanto na produção e comercialização 
dos produtos agropecuários.
144
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
2 A CRIAÇÃO DE UMA ASSOCIAÇÃO
Uma associação tem origem a partir de uma necessidade ou de uma 
oportunidade, compartilhada por um grupo de pessoas com os mesmos 
interesses (SENAR, 2011, p. 26). A organização tem como objetivo resolver os 
problemas em comum acordo, potencializar as ações individuais, além de servir 
de motivação para o enfrentamento de desafios futuros.
A soma de vontades, recursos, equipamentos e instalações, anseios e 
necessidades possibilita a adoção de ações mais eficientes para identificar e 
resolver os problemas ou para obter outras oportunidades de interesse comum 
(CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 29).
Uma associação de produtores rurais é uma sociedade de pessoas sem 
fins lucrativos e econômicos, cujo funcionamento é regido pelo estatuto (MAPA, 
2009, p. 11).
Compreendido isso, já sabemos as motivações e o por que criar uma 
associação. Agora vamos entender o que deve ser feito ou como fazer para criar 
uma associação.
IMPORTANT
E
Uma associação é uma sociedade civil sem fins lucrativos e sem fins 
econômicos, assim, esta pessoa jurídica não realiza operações comerciais como compra e 
venda. Pode, sim, possibilitar a compra e/ou a venda coletivas, através da organização dos 
produtores, intermediando a relação entre os associados e os fornecedores dos demais elos 
da cadeia de produção. As operações financeiras de uma associação caracterizam-se pela 
movimentação de recursos, em dinheiro ou em bens, obtidos através de taxas, mensalidades 
ou anuidades, doações, subvenções, entre outras formas de obtenção de recursos.
2.1 IDENTIFICAÇÃO DE INTERESSES E NECESSIDADES COMUNS
O primeiro passo para a criação de uma associação é reunir pessoas com 
interesses e afinidades comuns para discutir o(s) assunto(s) (EMBRAPA, 2006, p. 
8). Ao identificar os interesses, necessidades ou problemas que estimulem a união 
de um grupo de pessoas, há uma oportunidade de ações conjuntas para atender 
essas demandas coletivas (SENAR, 2011, p. 30). Essas conversas podem surgir 
nos encontros do dia a dia, em eventos festivos, em encontros familiares ou de 
vizinhança ou mesmo a partir de uma reunião organizada para esta finalidade.
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
145
IMPORTANT
E
Quando se identifica uma dificuldade ou problema em que não é possível atuar 
de forma isolada ou individual, a organização coletiva pode ser a melhor opção para encontrar 
os meios de resolver, mesmo que haja opiniões divergentes. Lembre-se: A união faz a força!
Se você sozinho não consegue resolver uma situação, reúnam-se e discutam sobre a 
importância de fundar uma associação. Assim, de forma conjunta, os esforços têm mais 
chances de êxito.
Neste momento, questões importantes podem ser levantadas, como: Quais 
problemas estão sendo importantes agora? Como podemos resolver e quais as 
formas de ação? Podemos trabalhar em equipe para resolver essa necessidade? 
Quem tem interesse de participar? Há custos para atender essa necessidade? Como 
serão pagos e/ou divididos? Qual a melhor forma de organização? Como e por que 
criar uma associação ou uma cooperativa? Precisamos conhecer ou aprender mais 
sobre o assunto? Onde e como buscar conhecimento? Há possibilidade de parceiros 
externos? Quem pode ajudar? Há convergênciade opiniões e de interesses? Há 
uma visão de futuro?
Essas e outras questões podem ajudar a delinear um plano de ação para 
resolver uma necessidade identificada, mas que futuramente pode resultar 
na constituição de uma associação, uma cooperativa ou em outra forma de 
organização coletiva. Um bom planejamento possibilita que os objetivos sejam 
cumpridos, que todos saibam os procedimentos a serem adotados e que os 
integrantes se sintam envolvidos, integrados e motivados a colaborar.
2.2 O QUE FAZER PARA CRIAR UMA ASSOCIAÇÃO
Não existe uma metodologia para a criação de uma associação, o que pode 
haver, sim, é a necessidade de união de pessoas para a resolução de problemas 
comuns. Destaca-se que os procedimentos de organização e constituição de uma 
associação de produtores rurais podem seguir diversas formas, dependendo das 
características de cada grupo (EMBRAPA, 2006, p. 9; MAPA, 2009, p. 11; SENAR, 
2011, p. 30; CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 30). Para que uma 
associação possa realizar suas funções adequadamente e para possibilitar que 
seus membros possam usufruir de todos os benefícios e vantagens, é importante 
que essa organização coletiva esteja legalmente estruturada e formalmente 
registrada, conforme a legislação brasileira determina.
146
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
Uma proposta interessante e com subdivisões didáticas é apresentada por 
Cardoso, Carneiro e Rodrigues (2014a, p. 30-36). Nesta publicação, o SEBRAE 
– Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas apresenta um roteiro que 
serve de sugestão e pode auxiliar os interessados em como criar e constituir uma 
associação. Com essa finalidade, vamos observar um roteiro para a constituição 
de uma associação (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 30-36), que 
apresenta as seguintes etapas:
• Fase 1: Sensibilização;
• Fase 2: Constituição;
• Fase 3: Pré-Operacional;
• Fase 4: Operacional.
Vamos analisar agora cada uma das fases propostas, identificando as 
necessidades e condições para o seu atendimento, apresentando os principais 
itens e atividades que envolvem a criação e constituição de uma associação rural.
DICAS
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além da Embrapa, 
disponibilizam documentos de fácil acesso e boa didática, estruturados para atender 
demandas da agricultura familiar na área do associativismo. Sob a forma de cartilhas ou 
manuais, são apresentadas as principais ações e exemplos de como organizar uma 
associação de produtores rurais. Nestes documentos há também modelos bem organizados 
de como elaborar a ata de fundação e o estatuto social. Outros modelos de documentos e 
requerimentos também são apresentados. Acesse e conheça:
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Como organizar uma associação. 
Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2006, 45p. Disponível em: <https://ainfo.
cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/11937/2/00078740.pdf>. Acesso em: 9 ago. 2018.
MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Como criar e administrar 
associações de produtores rurais: Manual de orientação. Brasília: MAPA/ACS, 2009. 155p. 
Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/assuntos/cooperativismo-associativismo/
arquivos-publicacoes-cooperativismo/como-criar-e-administrar-associacoes-de-
produtores-rurais.pdf>. Acesso em: 9 ago. 2018.
2.3 FASE 1: SENSIBILIZAÇÃO
A primeira fase, chamada de sensibilização, está relacionada com a 
identificação de interesses e necessidades comuns, com a identificação das pessoas 
que podem se envolver e com a apresentação e reconhecimento das condições e 
oportunidades do trabalho em cooperação.
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
147
Essa etapa pode ser separada em três momentos (CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014a, p. 30-31): o contato inicial, a sensibilização propriamente 
dita e a apresentação dos resultados de cada etapa. Eles são organizados a partir 
de reuniões, convidando pessoas com interesses comuns, vizinhos, produtores 
com a mesma atividade, ou outros que desejam se envolver.
O contato inicial busca esclarecer às pessoas a importância do tema, 
as características que motivaram a busca pela cooperação, as oportunidades e 
condições de organização, além das limitações e possibilidades de atuação, 
apresentando as informações de forma clara e simples. Nesta etapa, uma sugestão 
interessante pode ser o convite de membros de uma associação já estabelecida, de 
um técnico ou de um especialista para uma exposição ou palestra, apresentando 
as características e as possibilidades de uma situação real. Neste momento, as 
informações apresentadas devem orientar a escolha das pessoas presentes, sobre 
o seguimento do processo de organização da associação. Essa continuação da 
fase de sensibilização pode se caracterizar pela ampliação da mobilização, 
convidando outras pessoas, aumentando assim o número de novos interessados 
para uma reunião futura (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 30-
31). A identificação e apresentação de um problema comum podem ajudar nesta 
primeira mobilização (EMBRAPA, 2006, p. 10). Problemas que podem estimular 
a organização de produtores podem estar relacionados com: dificuldades de 
compra de insumos, pelo alto custo ou impossibilidade de entrega; baixo preço 
de comercialização da produção, por uma venda isolada em pequena quantidade; 
falta de infraestrutura adequada, exemplificada por estradas malconservadas, 
ausência de local adequado para o beneficiamento ou armazenagem; entre outras 
situações. A definição de objetivos de caráter mais geral também é importante. 
Os objetivos gerais são descritos no estatuto e expressam a finalidade ou a 
justificativa da existência da associação (SENAR, 2011, p. 30). Os objetivos de 
caráter mais específico estão relacionados aos projetos realizados pela associação, 
sendo constantemente renovados e redefinidos, de acordo com os interesses e as 
necessidades dos associados. Assim, o objetivo geral define o tipo de atividade 
a que a associação está se propondo realizar, enquanto os objetivos específicos 
se constituem em ações de referência, formas de planejamento e de organização, 
realizadas nas atividades do dia a dia da associação. Sugere-se definir objetivos 
simples para possibilitar a compreensão e participação de todos, porém não 
devem ser muito fáceis de serem alcançados, para não resultar na perda de 
razão da existência da associação, e nem muito difíceis, para não desestimular a 
participação dos associados (EMBRAPA, 2006, p. 11).
A sensibilização propriamente dita, que pode ocorrer desde o primeiro 
encontro, tem como objetivo apresentar e sensibilizar os participantes sobre o 
tema, podendo aprofundar os assuntos discutidos, dependendo do envolvimento, 
do interesse e do empenho dos membros. Esse momento também serve para 
nivelar a compreensão entre os interessados, sobre as condições e possibilidades 
do trabalho cooperativo e da organização de uma associação, informando as 
148
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
responsabilidades, as condições para a formalização, os direitos e deveres de 
cada um. Prosseguindo, pode-se direcionar tarefas mais específicas, onde grupos 
de pessoas possam se responsabilizar por trazer novas informações, sobre a 
elaboração de um estatuto ou sobre o processo de legalização e registro, por 
exemplo. Outros grupos de pessoas podem estudar e trazer propostas de como 
realizar a viabilização econômica e como atender necessidades de infraestrutura 
para o funcionamento da associação. Outros ainda podem se encarregar de 
discutir propostas de distribuição dos membros entre a diretoria e o conselho 
fiscal. Essas tarefas podem ser estruturadas em comissões provisórias que vão 
tratar das primeiras providências para possibilitar a formalização da associação e 
o início das atividades (SENAR, 2011, p. 31).
A apresentação dos resultados ou tarefas distribuídas entre os grupos 
pode se constituirna etapa final da fase de sensibilização, podendo levar uma 
ou mais reuniões para a sua conclusão. Essa última etapa objetiva agrupar uma 
quantidade de dados e informações relevantes para que os interessados possam 
decidir sobre o tipo de organização (associação, cooperativa etc.) e as condições a 
serem definidas para o seguimento da fase de constituição da associação. Nessas 
reuniões finais devem ser estabelecidos os documentos e as condições de comum 
acordo que possibilitem a elaboração da versão final do estatuto e a realização 
da assembleia de constituição.
Segundo o SEBRAE/PE (2018), é importante realizar algumas consultas 
prévias para evitar conflitos de interesse e condições que impossibilitem o registro 
da associação e/ou de participação de seus membros na diretoria ou no conselho 
fiscal. Dentre essas consultas prévias sugere-se (SEBRAE/PE, 2018):
• Verificação de impedimentos legais entre os associados, junto à Receita Federal, 
que impossibilitem sua participação no Conselho de Administração ou no 
Conselho Fiscal da associação.
• Consulta aos órgãos governamentais ou de competência (prefeitura etc.) sobre 
a disponibilidade do local da sede e sobre a possibilidade e condições de 
funcionamento.
• Consulta no Registro Civil de Pessoa Jurídica para verificar a existência de 
nomes idênticos ou que possam resultar em confusão, necessitando alterar a 
identificação da associação.
2.3.1 O estatuto social da associação
O estatuto social é o documento oficial que contém todas as descrições, 
regras e condições para o funcionamento da associação (MAPA, 2009, p. 13). O 
estatuto regula todas as intenções e as atividades da associação (SENAR, 2011, 
p. 31). O estatuto contém todas as informações sobre a associação e seus sócios, 
entre eles os direitos, os deveres e as formas de funcionamento e de atuação 
(EMBRAPA, 2006, p. 14). Por esta razão, o estatuto deve ser bem escrito, discutido 
e acordado entre os sócios, além de atender à legislação vigente. Ressalta-se a 
importância de discutir todos os itens do estatuto antes de sua aprovação sob a 
forma final. O estatuto social após aprovado na reunião de fundação da associação 
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
149
deve ser registrado e cumprido pelos membros, sendo, além de um documento 
formal, um termo de responsabilidade e de cooperação entre os associados.
No momento da organização do estatuto, os proponentes devem 
preocupar-se em atender às exigências dos órgãos de registro e de fiscalização, 
além da adequação à área de abrangência da associação (MAPA, 2009, p. 13). 
Para esta atividade, pode-se utilizar outros exemplos de estatutos de associações 
similares, servindo de modelo para a redação da versão final do estatuto da 
associação. Sugere-se também buscar o apoio de pessoas com experiência (técnicos, 
membros de outras associações etc.) ou com qualificação profissional (advogados, 
entre outros) para auxiliar na redação da versão final do estatuto social, antes de 
submeter à aprovação na assembleia de constituição.
Segundo o Código Civil Brasileiro (Lei Federal, nº 10.406, de 10 de 
janeiro de 2002), são pontos essenciais, que devem estar claramente definidos 
e descritos no estatuto social de associações (art. 54), sob pena de nulidade do 
registro (BRASIL, 2002):
I - a denominação, os fins e a sede da associação;
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;
III - os direitos e deveres dos associados;
IV - as fontes de recursos para sua manutenção;
V - o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos;
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para 
a dissolução;
VII - a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas.
Destacam-se ainda outros itens importantes e que devem estar definidos 
no estatuto, como (EMBRAPA, 2006, p. 14-16; MAPA, 2009, p. 13; SENAR, 2011, p. 
31): localização (endereço completo, podendo ser provisório), tempo de duração 
(geralmente indeterminado), objetivos, responsabilidades dos associados, 
patrimônio, estrutura da associação (assembleia geral, diretoria, conselho 
fiscal, contabilidade, livros, possibilidade e condições de reforma do estatuto, 
disposições gerais e ata de assembleia geral de constituição), competências 
e modo de funcionamento dos órgãos de administração e de deliberação e de 
regulação. Informações adicionais estão apresentadas no capítulo II (art. 53-61) 
do Código Civil (BRASIL, 2002).
DICAS
Todos os itens do estatuto social devem ser discutidos e aprovados nas 
assembleias gerais de constituição, bem como reformas podem ser implementadas após a sua 
aprovação nas assembleias gerais extraordinárias. Uma sugestão de critério para a exclusão de 
associados pode ser a partir da ausência em sequência e sem a devida justificativa, em um 
número mínimo de reuniões (por exemplo, três ou quatro). Isso pode evitar o constrangimento 
de realizar a solicitação de exclusão do associado, bem como possibilita maior autonomia e 
independência da associação em relação a esta situação particular.
150
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
O estatuto social ou ato constitutivo deve estar pronto para ser lido 
e aprovado na primeira reunião da associação, a assembleia de constituição 
(EMBRAPA, 2006, p. 14).
2.4 FASE 2: CONSTITUIÇÃO
A criação da associação acontece no ato de constituição ou de fundação. 
Esse ato de constituição é uma etapa formal do processo de legalização da 
associação, devendo ocorrer durante a assembleia de constituição (CARDOSO; 
CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 32). Nesta assembleia, faz-se necessária a 
presença de todos os associados (EMBRAPA, 2006, p. 16; CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014a, p. 32). Os presentes nesta reunião serão identificados como 
sócios fundadores da associação (EMBRAPA, 2006, p. 16; MAPA, 2009, p. 11).
Para a constituição de uma associação, é necessário seguir alguns 
procedimentos oficiais para que a personalidade jurídica possa ser reconhecida 
e registrada perante a sociedade. O processo de criação de uma associação ocorre 
em uma reunião formalmente convocada em edital publicado em mídia(s) de 
acesso e com abrangência no território ou na condição em que a associação planeja 
representar (CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 32). Essa reunião 
formalmente convocada é a Assembleia Geral de Constituição.
O procedimento inicial durante a assembleia geral de constituição é 
a escolha democrática de dois participantes: um presidente e um secretário. A 
função destes dois membros escolhidos é realizar a condução das atividades 
neste ato de fundação da associação. O presidente dirige as atividades da reunião, 
enquanto o secretário realiza as anotações sobre as deliberações, o registro dos 
membros presentes e demais informações para possibilitar a elaboração da Ata 
de Constituição (EMBRAPA, 2006, p. 17; MAPA, 2009, p. 12).
NOTA
A Ata é um registro escrito, de comprovação formal e valor jurídico, sobre 
todos os acontecimentos e assuntos discutidos e decididos durante uma reunião ou uma 
assembleia. Assim, por ser um documento oficial, as atas apresentam um conjunto de 
normas e padrões técnicos que devem ser observados para sua correta redação. Algumas 
informações básicas que devem estar presentes na ata são: a abertura da reunião (data, 
horário, local, identificação etc.), a legalidade da reunião (disponibilidade de quórum ou 
número mínimo de sócios de presentes), o expediente da reunião (informação sobre a 
presença dos membros, avisos e leitura da ata da reunião anterior etc.), a ordem do dia 
(contendo as informações discutidas, sendo apresentadas em ordem cronológica e com o 
registro da votação, além de outras condições de discussão e deliberação) e o encerramento 
(com as considerações finais, resumo e conclusão das atividades). Todos os participantes 
devem assinar a ata. De forma geral, nas atas não se utilizam abreviações; não se separam 
parágrafos ou alíneas;todos os números são escritos por extenso; o texto não deve conter 
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
151
correções, rasuras ou emendas; os verbos são usados no pretérito perfeito do indicativo (Por 
exemplo: fomos, redigiram, comprei etc.). Em caso de erro durante a redação, o secretário 
utiliza uma partícula retificadora no texto (Por exemplo: Aos dez dias do mês de julho, digo, 
de agosto de dois mil e dezoito...). Caso o erro seja percebido depois de lavrada a ata, a 
correção deve ser realizada sob a forma de uma errata ao final (Por exemplo: onde se lê 
julho, leia-se agosto).
Podem-se encontrar exemplos de atas e de outros documentos importantes nas fontes da 
Embrapa e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, informadas anteriormente.
Após a instalação da mesa diretora, inicia-se a discussão sobre a criação 
da associação, sendo apresentada a proposta de estatuto social, que deve ser lida, 
discutida e aprovada em sua forma total. Em seguida, para realizar a eleição e a 
posse da diretoria, a mesa diretora recebe a inscrição das chapas que concorrem 
e inicia-se a votação, podendo ser realizada por cargos ou por chapas. Concluída 
a votação, é realizada a apuração e em seguida é dada a posse aos membros da 
Diretoria e do Conselho Fiscal (MAPA, 2009, p. 12). Ao término é lavrada a ata 
da assembleia geral de constituição da associação, sendo assinada por todos. Esse 
é um dos documentos necessários para o registro civil da associação. A ata de 
constituição ou de fundação é o documento oficial que descreve a sequência de 
acontecimentos ocorridos durante a assembleia geral, devendo ser assinada pelo 
presidente e pelo secretário da assembleia geral de constituição, pelo presidente 
eleito e por todos os associados presentes (SENAR, 2011, p. 32).
Quanto maior for a representatividade do grupo de fundadores, maiores 
serão as chances de sucesso da associação. Uma associação forte, ativa e com 
participação de seus membros estimula que novos produtores tenham interesse 
na adesão (MAPA, 2009, p. 11). No estatuto deve ser definido o valor referente à 
taxa de inscrição, também chamada de “joia”, para a adesão de novos associados, 
bem como deve estar estabelecido o valor da mensalidade ou da anuidade, a 
ser cobrada para possibilitar a operacionalização da associação (MAPA, 2009, p. 
12; MAPA, 2012, p. 33). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
recomenda que essas taxas possam ser determinadas com referência em 
percentuais calculados em relação ao salário mínimo (MAPA, 2009, p. 12).
Ressalta-se que o patrimônio social (ou capital social) da associação 
também pode ser constituído por doações, fundos de reserva, entre outras fontes 
de recursos (MAPA, 2012, p. 33).
152
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
2.4.1 Registros da associação
Há diversos registros que devem ser efetuados para que a associação 
possa atuar de forma legal e regular. Dependendo do tipo de associação, pode 
haver a necessidade de outros registros complementares. De forma geral, as 
associações de produtores rurais necessitam registrar-se (SENAR, 2011, p. 33-34; 
CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 33):
• no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro 
de Títulos e Documentos;
• no órgão da Receita Federal;
• na Secretaria Estadual da Fazenda;
• no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS);
• na Prefeitura Municipal.
Para cada um destes registros há necessidade de pagamento de taxas e 
emolumentos que devem ser efetuados no momento de sua solicitação. Assim, recomenda-
se fazer uma consulta dos valores cobrados, para possibilitar a acumulação dos recursos 
financeiros necessários para possibilitar esses registros.
Dependendo do ramo de atividade, do local de instalação e do porte, outras licenças e 
registros podem ser necessários para possibilitar o funcionamento. Como exemplos podem 
ser: Licença ambiental (IBAMA ou de órgãos estaduais), Licença sanitária (órgãos federais, 
estaduais ou municipais de vigilância sanitária), Vistoria de cumprimento de normas de 
segurança (Corpo de Bombeiros), entre outras.
Para auxiliar na obtenção dos registros da associação, sugere-se consultar um escritório de 
contabilidade, para obter instruções atualizadas sobre os procedimentos a serem adotados 
para cada situação.
ATENCAO
2.4.1.1 Registro no cartório civil
O registro da associação no cartório civil representa a “certidão de 
nascimento da associação”. Esse documento torna público que a associação 
existe oficialmente perante a sociedade, informando a(s) finalidade(s) de sua 
existência e os associados que a representam nas instâncias judicial e extrajudicial 
(MAPA, 2009, p. 24).
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
153
DICAS
A Lei Federal nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973, que dispõe sobre os 
registros públicos no Brasil, estabelece as condições para o registro civil de pessoas naturais, 
de pessoas jurídicas, de títulos e documentos e de imóveis (BRASIL, 1973). Como uma 
associação, formalmente constituída, é uma organização de pessoas sem fins lucrativos e 
econômicos, compreende uma forma de pessoa jurídica, devendo assim estar registrada e 
oficializada sob as condições da legislação em vigência.
Para que o registro da associação no cartório civil possa ser realizado, 
é necessário reunir diversos documentos, sendo entre eles (MAPA, 2009, p. 24; 
CARDOSO; CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 32-34):
• Requerimento do presidente, solicitando o registro da associação e 
encaminhando os demais documentos, devendo estar assinado, com firma 
reconhecida e sendo apresentado em duas vias (uma original e uma cópia);
• Estatuto Social aprovado na assembleia de fundação, devendo estar assinado 
por todos os sócios fundadores da associação, sendo apresentado em três 
vias (uma original e duas cópias, com assinaturas originais), além de estarem 
assinadas por um advogado habilitado (com registro na Ordem dos Advogados 
do Brasil – OAB);
• Ata da Assembleia de Constituição da Associação, assinada por todos os 
associados, sendo apresentada em três vias (uma original, referente ao Livro 
Ata e duas cópias, com assinaturas originais);
• Resumo do Estatuto, sendo denominado “extrato”, que deverá ser publicado 
no Diário Oficial do Estado onde a associação está instalada;
• Relação dos associados fundadores e dos membros da diretoria eleita (Diretoria 
Executiva e Conselho Fiscal), informando a nacionalidade (país de nascimento) 
e naturalidade (cidade de nascimento), estado civil, profissão, número de 
documentos (RG e CPF) e endereço, sendo apresentada em duas vias;
• Cópias dos documentos de todos os membros da diretoria eleita (Diretoria 
Executiva e Conselho Fiscal).
Lembramos que outros documentos complementares ainda podem ser 
solicitados pelo oficial de registro no cartório civil. Após a obtenção do registro 
no cartório civil, o procedimento é solicitar o registro no Cadastro Nacional 
de Pessoas Jurídicas (CNPJ) junto à Receita Federal (CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014a, p. 34).
154
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
2.4.1.2 Registro no órgão da Receita Federal
O registro junto à Receita Federal possibilita a inscrição no Cadastro 
Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). Esse registro pode ser realizado de forma 
on-line, no endereço eletrônico da Receita Federal. Com o registro do CNPJ, pode-
se solicitar os demais registros necessários para o funcionamento da associação, 
como o cadastro estadual e municipal, na Previdência Social (INSS) e os demais 
registros necessários para o início das atividades (CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014a, p. 35). Embora as associações não façam o recolhimento 
(pagamento) do imposto de renda, a declaração anual à Receita Federal é 
obrigatória para a continuidade das atividades (SENAR, 2011, p. 33).
2.4.1.3 Registro na Secretaria Estadual da Fazenda
O registro junto à SecretariaEstadual da Fazenda possibilita a Inscrição 
Estadual. Esse registro é necessário quando a associação realiza algum tipo de 
movimentação financeira de mercadorias. Cada estado da federação possui suas 
próprias metodologias e formas de solicitação do registro de inscrição estadual. 
Consulte o endereço eletrônico da Secretaria de Estado da Fazenda disponível 
para o Estado de sua residência (SENAR, 2011, p. 34).
2.4.1.4 Registro no Instituto Nacional de Seguridade 
Social – INSS
O registro junto ao INSS deve ser realizado pela associação, de forma a 
atender à legislação vigente (SENAR, 2011, p. 34). Essa solicitação pode ser feita 
através do endereço eletrônico junto à Previdência Social. A associação também 
deve providenciar a matrícula junto à Caixa Econômica Federal, para fins de 
regularização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS (CARDOSO; 
CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 35).
2.4.1.5 Registro na Prefeitura Municipal
O registro junto à Prefeitura Municipal possibilita a obtenção do Alvará 
de Licença de Localização e de Funcionamento. Esses documentos são as 
autorizações de que a atividade pode ser realizada no município local (SENAR, 
2011, p. 34). Com o alvará, as demais licenças podem ser solicitadas, como a 
sanitária, a ambiental, de polícia ou de bombeiros, entre outras.
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
155
2.5 FASE 3: PRÉ-OPERACIONAL
Concluídas as etapas de constituição e registros, a associação estará 
devidamente legalizada para o exercício de suas atividades. Demais procedimentos 
de documentação e registro de informações de funcionamento da associação devem 
ser providenciados sob consulta de um escritório de contabilidade ou de advocacia.
A fase pré-operacional é a etapa de estruturação da associação. Esse 
conjunto de atividades está relacionado com a organização do local e das 
condições para que a associação efetivamente funcione nas tarefas do dia 
a dia. Pode-se constituir a estruturação física das instalações, mobiliário e 
equipamentos, quando necessária a contratação de funcionário(s), a realização 
de abertura de conta bancária, entre outras atividades. A fase pré-operacional 
também inclui a consulta e verificação dos procedimentos jurídicos, contábeis, 
administrativos e financeiros para que se executem as atividades da associação 
de acordo com a legislação, possibilitando a realização das futuras prestações de 
contas, declarações e demonstrativos de forma correta (CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014a, p. 36).
DICAS
Há diversas instituições públicas e privadas que oferecem opções de cursos e 
treinamentos sobre a organização e administração de associações, bem como a respeito 
dos procedimentos a serem adotados. Esses treinamentos podem ser realizados tanto 
sob a forma presencial quanto à distância, pela internet. Se você estiver fazendo parte da 
organização de uma associação, pesquise onde e como essas oportunidades de capacitação 
podem contribuir. Lembre-se: Aprender nunca é demais!
2.6 FASE 4: OPERACIONAL
A fase operacional é a etapa onde realmente as atividades que justificaram 
a existência da associação começam a ser desenvolvidas. Como a associação é 
caracterizada pela cooperação entre os sócios em busca de objetivos comuns, 
essa relação se desenvolve e se aperfeiçoa no dia a dia (CARDOSO; CARNEIRO; 
RODRIGUES, 2014a, p. 36).
A gestão administrativa apresenta um papel muito importante para que a 
associação possa exercer suas funções, para que os sócios se sintam valorizados e 
motivados e que os benefícios possam ser percebidos ao longo do tempo. Como já 
foi mencionado anteriormente, a associação somente funcionará se os associados 
se sentirem comprometidos e responsáveis com seus propósitos (CARDOSO; 
CARNEIRO; RODRIGUES, 2014a, p. 36). Neste caso, não há uma receita ou 
roteiro definido, devendo as atividades de todos serem pautadas pelos princípios 
e valores da cooperação e pelos princípios do associativismo.
156
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
A associação deve sempre buscar adequar-se constantemente às novas 
situações e oportunidades, sendo que essas mudanças devem ser frequentemente 
discutidas e aprovadas nas reuniões e assembleias (MAPA, 2012, p. 34). Essa 
condição deixa claro que as atividades da associação não são estáticas e fixas, 
sendo que a dinâmica da cadeia de produção agropecuária expõe a necessidade 
de ajustes e transformações constantes.
Algumas recomendações para que a associação se mantenha ativa e 
que possibilitam boas relações entre os associados são listadas (EMBRAPA, 
2006, p. 20-21):
• Participe de todas as atividades da associação, como reuniões, assembleias, 
além de outras necessidades.
• Pague suas contribuições em dia, de acordo com o estatuto e com as deliberações 
acordadas.
• Respeite as decisões da maioria, embora seja importante apresentar e discutir 
sugestões e opiniões divergentes.
• Assuma responsabilidades e cumpra os compromissos assumidos, de forma 
integral, com ética e nos prazos definidos.
• Zele pelo patrimônio moral (“nome”) e material da associação, além do capital 
social (associados), cuidando para que se mantenha a confiança e o respeito 
perante a sociedade.
• Apresente sugestões e participe de discussões para propor melhorias na 
administração e nos trabalhos da associação, nas atividades e na resolução de 
problemas apresentados nas assembleias ou em outras oportunidades.
• Esteja disposto a candidatar-se a algum cargo da diretoria, participando e 
envolvendo-se nos assuntos da organização e administração da associação.
3 A ADMINISTRAÇÃO DE UMA ASSOCIAÇÃO
A administração das associações envolve um processo de tomada de 
decisões democrático. Esse processo é realizado nas assembleias. A seguir serão 
apresentados os tipos de assembleias que podem ser convocadas.
3.1 ASSEMBLEIAS
Uma associação, uma cooperativa ou um sindicato realizam as decisões 
através de uma reunião com a participação democrática de seus associados, as 
assembleias. As assembleias são as instâncias máximas de decisão da associação. 
A associação é constituída, tem sua organização e funcionamento estabelecidos e 
definidos pelo estatuto social, elegendo seus representantes (Diretoria executiva 
e Conselho fiscal) por deliberação nas assembleias gerais.
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
157
NOTA
A deliberação refere-se ao processo de análise, reflexão, consultas e discussão 
de temas, em uma reunião ou assembleia, com o objetivo de tomar uma decisão.
As assembleias gerais podem ser de três tipos (MAPA, 2009, p. 33):
• a assembleia geral de fundação ou de constituição;
• a assembleia geral ordinária (AGO);
• a assembleia geral extraordinária (AGE). 
As assembleias gerais, ordinária e extraordinária, serão convocadas 
pelo presidente, através de edital de convocação, com informações sobre o 
local, data, horário e pauta de discussão devidamente expressas e publicadas 
com prazo mínimo para o conhecimento dos associados (cerca de 10 dias). As 
assembleias gerais também podem ser convocadas pela solicitação e vontade 
de um número mínimo de associados (no mínimo 20%), expressos no edital de 
convocação (NETO; JUNIOR, 2011, p. 25; SENAR, 2011, p. 46). As assembleias 
gerais devem ter um quórum mínimo de associados presentes (geralmente 
2/3 do total de associados) para o início das atividades, podendo ser realizadas 
após o estabelecimento de quórum suficiente, através de convocações sucessivas 
(conforme deve estar definido no estatuto social) (SENAR, 2011, p. 48).
3.1.1 Assembleia geral de fundação ou de constituição
A assembleia geral de fundação ou de constituição reúne os interessados 
para fundar a associação. São assuntos deliberados na assembleia geral de 
fundação (MAPA, 2009, p. 33):
• discutir e aprovar o estatuto social;
• eleger a diretoria executiva e o conselho fiscal; 
• elaborar a ata de constituição, sendo os membros chamados de sócios 
fundadores.
3.1.2 AssembleiaGeral Ordinária (AGO)
A Assembleia Geral Ordinária (AGO) é realizada anualmente, 
geralmente no primeiro quadrimestre (janeiro a abril), para o exame das contas, 
análise das ações da associação no ano anterior e apresentação dos planos para 
o ano seguinte. Pode-se ainda realizar a renovação parcial ou total dos membros 
da diretoria executiva e do conselho fiscal (MAPA, 2009, p. 33). São assuntos 
deliberados na assembleia geral ordinária (AGO):
158
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
• a prestação de contas do ano anterior, compreendendo a análise de relatórios 
de gestão, de balanço patrimonial, demonstrativos financeiros, pareceres do 
conselho fiscal, pareceres de auditorias independentes (quando for necessário 
ou solicitado), entre outros;
• a proposta de destinação dos resultados (no caso de cooperativas, como 
veremos mais adiante, na Unidade 3) e de projetos e planejamentos futuros;
• a eleição de novos membros da diretoria e do conselho fiscal;
• demais assuntos de interesse, com exceção daqueles de competência exclusiva 
da assembleia geral extraordinária (AGE).
3.1.3 Assembleia Geral Extraordinária (AGE)
A Assembleia Geral Extraordinária (AGE) é realizada sempre que houver 
necessidade, para deliberar sobre assuntos não rotineiros, como alienação de bens 
imóveis para contratação de empréstimos, destituição de membros da diretoria 
ou dissolução da associação (MAPA, 2009, p. 33). São assuntos deliberados na 
assembleia geral extraordinária (AGE):
• reformulação ou readequação do estatuto social;
• destituição (parcial ou total) de membros da diretoria e/ou do conselho fiscal;
• alterações na estrutura da associação, como mudanças de objetivo, fusão, 
incorporação, entre outras;
• dissolução da associação, nomeação de liquidantes, destinação patrimonial, 
entre outras.
3.2 ATRIBUIÇÕES DOS MEMBROS DA DIRETORIA E DO 
CONSELHO FISCAL
Os membros da diretoria não são os “donos” da associação. Os membros 
da diretoria são voluntários, escolhidos e eleitos democraticamente pelos 
associados para conduzir as atividades da associação por um tempo determinado. 
As condições, o tempo de atividade, a descrição dos cargos e as suas atribuições 
devem estar descritos no estatuto social.
Podemos dividir os membros da diretoria em dois: a diretoria executiva 
e o conselho fiscal. A Diretoria Executiva refere-se aos cargos da diretoria, 
responsáveis pelas atividades de administração, comando e direção da associação. 
No mínimo, uma associação deve ser composta por quatro cargos de diretoria 
executiva: o presidente, o vice-presidente, o secretário e o tesoureiro (SENAR, 
2011, p. 34). Uma associação também pode prever, no estatuto, a existência de 
outros cargos de diretoria, dependendo dos interesses, necessidades e finalidades, 
por exemplo: um diretor de patrimônio, um diretor cultural, um diretor social, um 
diretor esportivo, entre outros (NETO; JUNIOR, 2011, p. 20). O Conselho Fiscal 
refere-se aos cargos da diretoria responsáveis pelas atividades de fiscalização 
das ações da administração da associação. No mínimo, o conselho fiscal de uma 
associação deve ser composto por três membros efetivos (SENAR, 2011, p. 37).
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
159
Além da diretoria executiva e do conselho fiscal, o estatuto pode prever 
a criação de um Conselho Deliberativo (ou Conselho de Administração), 
que é um órgão não obrigatório, sendo suas funções e a eleição dos membros, 
subordinados à assembleia geral. Este é um órgão intermediário entre a assembleia 
geral e a diretoria executiva, com função de contribuir para o entendimento e 
funcionamento da associação (NETO; JUNIOR, 2011, p. 20).
Fique atento, apenas para evitar confusão! Em muitas situações, os membros 
do Conselho de Administração são identificados como os cargos da Diretoria ou da Diretoria 
Executiva da associação, enquanto os membros do Conselho Fiscal são identificados como 
Conselheiros Fiscais.
Uma associação é uma pessoa jurídica que é administrada coletivamente. Assim, mesmo 
que alguns membros participem de cargos administrativos, todos os demais membros 
podem participar da administração e das decisões da associação.
ATENCAO
3.2.1 Atribuições da diretoria
A diretoria deverá se reunir com frequência regular (mensal ou 
conforme a necessidade) ou de forma extraordinária, através de convocação por 
qualquer de seus membros ou por solicitação do conselho fiscal. A diretoria será 
considerada reunida com a participação de um número mínimo de membros 
conforme estabelecido no estatuto, sendo necessário que seja lavrada ata de cada 
reunião, contendo a assinatura de todos os presentes e a descrição das resoluções 
deliberadas (SENAR, 2011, p. 35).
A diretoria executiva possui diversas atribuições, principalmente 
(NETO; JUNIOR, 2011, p. 14-16; SENAR, 2011, p. 34-35):
• propor normas, orientar e controlar as atividades e serviços da associação;
• analisar e aprovar os planos de atividades, orçamento e programas de 
investimento da associação;
• propor à assembleia geral o valor da contribuição dos associados, além de fixar 
taxas destinadas à cobertura de despesas operacionais ou de outra natureza;
• contrair obrigações, adquirir ou alienar (transferir) bens móveis e equipamentos;
• adquirir, alienar (transferir) ou onerar bens imóveis, com expressa autorização 
da assembleia geral;
• indicar os bancos onde serão realizadas as movimentações financeiras e os 
depósitos e aplicações monetárias mantidos pela associação;
• criar comissões ou comitês especiais e nomear os responsáveis, distribuindo os 
cargos entre os membros associados;
160
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
• estabelecer normas de admissão e de demissão de funcionários, bem como 
propor a contratação de serviços e consultorias, quando necessário;
• zelar pela manutenção das obrigações e disposições legais e pelo cumprimento 
do estatuto e demais deliberações aprovadas pela assembleia geral;
• deliberar sobre a convocação da assembleia geral;
• apresentar à assembleia geral ordinária os relatórios referentes ao balanço 
patrimonial, ao demonstrativo de contas e de resultados durante o exercício 
(ano de atividade), além de informativos de outras atividades da associação, 
bem como o parecer do conselho fiscal.
3.2.1.1 Atribuições do presidente
O presidente é o representante oficial da associação, sendo exercida 
internamente (nas atividades da diretoria e na assembleia geral) e externamente 
(ao representar a associação em eventos, audiências etc.) (NETO; JUNIOR, 2011, 
p. 17). São atribuições do presidente (NETO; JUNIOR, 2011, p. 17-18; SENAR, 
2011, p. 36):
• convocar e presidir as reuniões da diretoria e das assembleias gerais;
• nomear e demitir os titulares de cargos de comissões e comitês, além de 
funcionários da associação;
• representar a associação nas atividades externas, de acordo com o que está 
estabelecido no estatuto;
• determinar e autorizar o pagamento de despesas, contas e compras da 
associação;
• apresentar os relatórios de gestão, os balanços anuais de contas e o parecer do 
conselho fiscal à assembleia geral.
3.2.1.2 Atribuições do vice-presidente
O vice-presidente tem como atribuições estar à disposição e em condições 
de assumir as atividades da associação na ausência ou no impedimento 
das atribuições do presidente, podendo também assumir outros cargos na 
administração, desde que previstos no estatuto (NETO; JUNIOR, 2011, p. 18).
3.2.1.3 Atribuições do secretário
O secretário é o responsável pela organização dos documentos e 
comunicados oficiais da associação (NETO; JUNIOR, 2011, p. 18). O cargo de 
secretário pode ser complementado com um segundo secretário (secretário 
adjunto), que pode colaborar com o secretário geral (primeiro secretário) na 
organização da documentação, além de sua substituição em caso de ausência. 
São atribuições do secretário (NETO; JUNIOR, 2011, p. 18; SENAR, 2011, p. 36):
TÓPICO 3| CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
161
• lavrar as atas das reuniões da diretoria e das assembleias gerais, mantendo sob 
sua responsabilidade os livros atualizados e corretamente documentados;
• elaborar e enviar correspondências, relatórios e outros documentos da 
associação;
• substituir as funções do vice-presidente em caso de ausência ou impedimento. 
3.2.1.4 Atribuições do tesoureiro
O tesoureiro ou diretor financeiro é o responsável pela organização e 
administração dos recursos financeiros da associação (NETO; JUNIOR, 2011, 
p. 19). Da mesma forma que para o cargo de secretário, o tesoureiro pode ser 
complementado com um segundo tesoureiro, que pode colaborar com o primeiro 
tesoureiro nas suas atividades, e eventualmente substituí-lo. Para a realização 
de movimentação bancária, celebração de contratos de qualquer natureza, 
cessão de direitos ou outra atividade que implique alterações no patrimônio ou 
nos recursos da associação, há a necessidade de assinatura de pelo menos dois 
diretores (SENAR, 2011, p. 37). São atribuições do tesoureiro (NETO; JUNIOR, 
2011, p. 19; SENAR, 2011, p. 37):
• arrecadar as receitas (mensalidades ou anuidades), emitindo os respectivos 
recibos, e realizar o depósito e aplicações na instituição bancária designada 
pela presidência (ou diretoria);
• determinar e proceder os pagamentos de despesas da associação, após a 
autorização da presidência;
• proceder à escrituração do livro caixa, mantendo-o sob sua responsabilidade;
• zelar pela manutenção da ordem e pela atualização da contabilidade da 
associação, disponibilizando e realizando as devidas informações à diretoria 
ou ao conselho fiscal, quando solicitado;
• assinar, juntamente com o presidente, os cheques ou aprovar outras formas 
para o pagamento de despesas da associação;
• apresentar o balanço parcial de receitas e despesas nas reuniões ordinárias da 
diretoria, além do balanço geral (anual) na assembleia geral;
• realizar o recolhimento das obrigações fiscais, tributárias, previdenciárias, 
entre outras (declaração de imposto de renda etc.), de responsabilidade da 
associação;
• verificar, controlar e manter registrados os documentos relacionados com as 
receitas e as despesas da associação;
• substituir o secretário na ausência ou impedimento de suas funções.
3.2.2 Atribuições do conselho fiscal
A função do conselho fiscal é realizar a análise e fiscalização da 
administração realizada pela diretoria executiva da associação. O conselho fiscal 
faz o controle e emite opiniões através de pareceres, que serão apresentados aos 
associados nas assembleias gerais. O conselho fiscal é um órgão independente 
162
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
da diretoria e da administração da associação, buscando através de princípios 
de transparência, equidade e prestação de contas, contribuir para o melhor 
desempenho da associação (IBGC, 2007, p. 9).
O conselho fiscal poderá se reunir com frequência regular e com a 
participação de um número mínimo de membros, conforme estabelecido no estatuto, 
sendo necessário que seja lavrada ata de cada reunião em livro próprio, contendo a 
assinatura de todos os presentes e a descrição das resoluções deliberadas (SENAR, 
2011, p. 37-38). Os membros do conselho fiscal não podem exercer nenhuma função 
na diretoria administrativa (NETO; JUNIOR, 2011, p. 28).
O conselho fiscal possui diversas atribuições, principalmente (NETO; 
JUNIOR, 2011, p. 28):
• fiscalizar as atividades e a gestão administrativa e financeira da associação;
• reunir-se, pelo menos uma vez por ano, com a diretoria executiva para a 
apreciação das contas da associação;
• examinar toda a documentação contábil, que deve ser disponibilizada pelo 
tesoureiro sempre que solicitado;
• emitir parecer sobre o balanço anual, sobre a previsão orçamentária e sobre 
as atividades da diretoria executiva, sendo que os pareceres deverão ser 
apresentados e aprovados na assembleia geral.
DICAS
O conselho fiscal é um órgão de grande importância em uma associação. 
Você pode conhecer melhor as atribuições e competências, os procedimentos e as 
responsabilidades do conselho fiscal. Estas informações, além de modelos de documentos 
e de requerimentos, podem ser encontradas em:
IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Guia de orientação para o conselho 
fiscal. São Paulo: IBGC, 2. ed. 2007, 80p. Disponível em: <http://www.ibgc.org.br/userfiles/1.
pdf>. Acesso em: 16 ago. 2018.
3.3 CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES LEGAIS
A associação é uma pessoa jurídica e quando regularmente registrada 
e cadastrada, necessita cumprir algumas exigências legais de fiscalização e de 
controle. Algumas dessas exigências estão destacadas abaixo (SENAR, 2011, p. 
38; SENAR, 2015, p. 30):
• obedecer às obrigações do estatuto, não remunerando os dirigentes, exceto nos 
casos previstos e de acordo com a legislação;
TÓPICO 3 | CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DAS ASSOCIAÇÕES RURAIS
163
• aplicar integralmente no país os seus recursos, através de ações de 
desenvolvimento;
• manter livros atualizados e corretamente preenchidos, para facilitar o 
preenchimento da Declaração de Isenção de Imposto de Renda de Pessoa 
Jurídica (IRPJ);
• manter o registro dos seguintes livros (escrituração contábil completa): Livro 
de matrícula de associados, Livro de atas de reunião da diretoria executiva, 
Livro de atas de reunião do conselho fiscal; Livro de atas da assembleia geral; 
Livro de presença de associados às assembleias, outros livros fiscais e contábeis 
exigidos pela legislação e/ou estatuto social;
• efetuar o controle de numerário financeiro (valores monetários em caixa e em 
aplicações bancárias), a partir do controle e manutenção de extratos bancários 
mensais;
• emitir e controlar as notas fiscais de prestação de serviços e de outras atividades, 
mantendo-os conservados por pelo menos cinco anos;
• realizar anualmente a Declaração de Isenção de Imposto de Renda de Pessoa 
Jurídica;
• recolher as taxas, impostos e demais contribuições estabelecidas na legislação;
• assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição (pessoa jurídica) 
que atenda às condições legais ou a órgão público, não distribuindo qualquer 
parcela, item ou renda a pessoa física, em casos de incorporação, fusão, cisão 
ou extinção da associação.
3.4 PLANEJAMENTO E AÇÕES DO DIA A DIA DA 
ASSOCIAÇÃO
As atividades e ações que possibilitam o funcionamento da associação 
devem ser muito bem planejadas, envolvendo a definição de prioridades e 
a adoção de mecanismos de controle bem estabelecidos e de fácil utilização 
(SENAR, 2011, p. 41).
As atividades do dia a dia são executadas por todos os associados, embora 
a diretoria executiva tenha assumido algumas tarefas administrativas, todos têm 
responsabilidade perante os planejamentos e ações em benefício da associação. As 
reuniões da diretoria devem seguir as mesmas orientações básicas estruturadas 
para as reuniões com todos os associados. No entanto, as reuniões são os momentos 
de encontro dos associados, onde se pode discutir problemas e soluções, apresentar 
novas propostas, compartilhar informações, possibilitar a capacitação técnica, 
apresentar indicações de orçamento, além de ser um momento de encontro e de 
confraternização entre os associados e suas famílias.
Por isso, para que os associados mantenham a confiança e o otimismo perante 
a participação na associação, o planejamento das reuniões deve ser feito com muito 
critério e cuidado. O ideal é realizar reuniões com frequência regular (mensal, a cada 
dois meses, ou como definido entre os associados), de forma a possibilitar encontros 
constantes entre os associados, evitando longos períodos de distanciamento.
164
UNIDADE 2 | ORGANIZAÇÃO SOCIAL, COOPERAÇÃO E ASSOCIATIVISMO
Algumas sugestões são propostas para a organização e condução de 
reuniões em associações de produtores rurais (SENAR, 2011, p. 41-45):
• defina de forma clara e objetiva a necessidade da reunião;• estabeleça o tempo aproximado de duração;
• procure definir previamente a data e horário, por exemplo: a primeira segunda-
feira de cada mês, às 19h30min;
• elabore uma lista de presença dos participantes, pois pode haver convidados 
que não sejam membros da associação;
• programe os temas e decisões a serem discutidos, devendo ser apresentados de 
forma objetiva, simples e clara;
• apresente os temas prioritários no início da reunião, para obter maior atenção 
e participação dos associados;
• aproveite a oportunidade para estimular a capacitação técnica dos associados, 
convidando palestrantes, técnicos ou representantes comerciais, que possam 
apresentar conhecimentos, inovações ou tecnologias de interesse para os 
associados;
• prepare com antecedência a documentação, as instalações e os equipamentos 
necessários;
• considere a possibilidade de uma breve confraternização entre os associados e 
suas famílias, disponibilizando bebidas e comidas ao final da reunião;
• mobilize e comunique antecipadamente os participantes sobre a data e a pauta 
da reunião, podendo ser através de telefone, e-mail, redes sociais ou por grupos 
de troca de mensagens via telefone celular;
• conduza a reunião com pontualidade, cordialidade e respeito a todos;
• apresente os convidados, que podem ser: um profissional técnico, representante 
comercial, membro da comunidade, interessado em se associar, entre outros;
• informe a importância da pauta da reunião e sobre a oportunidade e necessidade 
de participação dos associados;
• conduza as discussões com foco nos objetivos, deixando os inscritos se 
manifestarem e oportunizando os debates, chegando a um acordo em comum 
para cada um dos temas;
• conclua a reunião fazendo um resumo sobre todos os temas que foram 
apresentados e quais foram as decisões tomadas;
• registre tudo o que foi discutido em um livro de atas de reuniões e solicite para 
que todos os participantes tomem conhecimento e assinem;
• agradeça a presença, agende a próxima reunião e convide os participantes para 
um momento de confraternização.
165
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:
• O primeiro passo para a criação de uma associação é reunir pessoas com 
interesses e afinidades comuns.
• Não existe uma metodologia para a criação de uma associação, porém o 
seguimento de algumas etapas pode favorecer os procedimentos de constituição 
e de legalização.
• A fase de sensibilização está relacionada com a identificação de interesses 
comuns, bem como agrupamento de dados e de informações relevantes para 
a elaboração dos documentos necessários para a realização da assembleia de 
constituição.
• O estatuto social é o documento oficial que contém todas as descrições, regras 
e condições para o funcionamento da associação.
• A fase de criação da associação acontece no ato de constituição ou de fundação.
• Há necessidade de diversos registros, que devem ser efetuados para que a 
associação possa atuar de forma legal e regular.
• A fase operacional é a etapa onde realmente as atividades que justificaram a 
existência da associação começam a ser desenvolvidas.
• A administração e a execução das atividades de uma associação envolvem a 
participação democrática de seus associados nas assembleias.
• A diretoria executiva e o conselho fiscal são ocupados por associados eleitos e 
que possuem diversas atribuições para o funcionamento da associação.
• Há diversas obrigações que devem ser cumpridas, além da importância do 
controle e do planejamento em todas as atividades, para fortalecer benefícios 
da associação.
166
Caro acadêmico, para fixar melhor os conteúdos apresentados sobre a 
constituição e funcionamento de associações rurais, sugere-se alguns exercícios 
sobre esta unidade. Leia as questões, relembre sobre o que foi estudado e 
responda aos exercícios propostos. 
1 A criação de uma associação envolve várias etapas, sendo a identificação de 
interesses e necessidades comuns a mais importante delas. Sobre a criação 
de associações, é CORRETO afirmar que:
a) ( ) A identificação de pessoas que desejam se envolver e trabalhar em 
cooperação é uma etapa dispensável do processo de organização 
coletiva de uma associação.
b) ( ) A formação de grupos de trabalho que possam se encarregar de obter 
dados e informações para a elaboração do estatuto social pode ser feita 
após a fundação da associação.
c) ( ) O estatuto social é o documento oficial que contém todas as descrições 
sobre a associação e deve estar pronto para ser lido e aprovado na 
primeira reunião da associação.
d) ( ) Após a criação da associação, que acontece na assembleia de 
constituição, não é necessário fazer o seu registro, pois os custos são 
elevados, além da exigência de muitos documentos.
2 A assembleia geral de constituição é o evento de fundação da 
associação. Diversas atividades são realizadas nesta reunião, 
sendo importante seguir alguns procedimentos para que os 
registros possam ser realizados e a associação possa atuar de 
forma regular. Considerando esse contexto, analise as seguintes asserções e 
a relação entre elas:
I- A sequência de atividades realizadas na assembleia geral de constituição 
envolve a escolha democrática da mesa diretora, a análise e aprovação do 
estatuto social e a eleição e posse da primeira diretoria e do conselho fiscal.
ALÉM DISSO
II- A ata de constituição deve ser lavrada, informando, de forma sequencial, to-
dos os eventos ocorridos na assembleia geral de constituição, bem como deve 
ser assinada por todos os participantes, identificados como sócios fundadores.
a) ( ) As asserções I e II são proposições verdadeiras.
b) ( ) As asserções I e II são proposições falsas.
c) ( ) A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa.
d) ( ) A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira.
AUTOATIVIDADE
167
3 A diretoria executiva é democraticamente eleita para administrar e organizar 
as atividades da associação durante o período de sua vigência. Sobre as 
atividades da diretoria executiva, é CORRETO afirmar que:
a) ( ) O presidente é o responsável pela associação, podendo comandar e 
decidir isoladamente sobre as ações mais adequadas para a associação.
b) ( ) O secretário é um cargo muito importante, pois é ele quem cuida dos 
recursos financeiros da associação, prestando contas e cumprindo as 
obrigações fiscais.
c) ( ) O tesoureiro é o responsável pela organização da documentação e 
comunicados da associação, tendo a atribuição de lavrar todas as atas 
das reuniões e assembleias.
d) ( ) Embora a diretoria executiva (presidente, vice-presidente, secretário e 
tesoureiro) seja eleita para administrar a associação, todos os associados 
devem participar e se responsabilizar para que a associação funcione.
168
169
UNIDADE 3
COOPERATIVISMO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• contextualizar o histórico do movimento cooperativista;
• apresentar os princípios, valores, símbolos e ramos de cooperativismo;
• identificar as características que diferenciam as associações, as cooperativas e 
as empresas;
• conhecer a estrutura e o processo de organização de uma cooperativa;
• apresentar as vantagens e dificuldades de uma organização cooperativista;
• conhecer os procedimentos para a criação, registro, funcionamento e 
administração da cooperativa, além das funções e responsabilidades dos 
associados.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você 
encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DO COOPERATIVISMO
TÓPICO 2 – ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO COOPERATIVISMO
TÓPICO 3 – CONSTITUIÇÃO E ADMINISTRAÇÃO DAS COOPERATIVAS
170
171
TÓPICO 1
HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DO 
COOPERATIVISMO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Estudamos na unidade anterior as condições relacionadas a organização 
social, trabalho rural,importância da cooperação e as características do 
associativismo, abordando a constituição e o funcionamento de uma associação 
rural. Nesta unidade, daremos ênfase à compreensão do cooperativismo, 
abordando os aspectos históricos, a estrutura e organização de uma cooperativa, 
além dos procedimentos de administração e funcionamento.
Este primeiro tópico apresenta uma contextualização e um histórico do 
surgimento do cooperativismo, além de uma breve discussão sobre a economia 
solidária. Também é feita uma classificação dos tipos de cooperativas e são 
apresentadas as formas de representação do sistema cooperativo. Objetiva-se 
que os conteúdos abordados possam melhorar a compreensão das condições que 
resultaram no surgimento do cooperativismo e das condições de organização e 
de representação no mundo e no Brasil.
A Unidade 3 finaliza este Livro de Estudos sobre o associativismo e 
cooperativismo. Prossiga seus estudos, conhecendo um pouco mais sobre o 
Cooperativismo, sua importância e as suas contribuições para as cadeias de 
produção do agronegócio.
Lembre-se, todos juntos somos fortes.
Bons estudos!
UNIDADE 3 | COOPERATIVISMO
172
2 CONTEXTO HISTÓRICO DO SURGIMENTO DO 
COOPERATIVISMO
Verificamos, na unidade anterior, que existem muitos exemplos de 
cooperação, tanto na natureza quanto ao longo da história de evolução da vida 
humana, desde o período da pré-história. Entre os povos das civilizações antigas 
também havia muitos relatos e documentos que comprovam a importância da 
cooperação no desenvolvimento de diversas atividades, como: agricultura, 
migração, habitação, artes e religião, convívio social, entre outros. Além do 
esforço para a sobrevivência, a cooperação também estava presente e aproximava 
as pessoas em torno de valores, crenças e hábitos de vida.
A formação das atividades cooperativas como verificamos atualmente se 
deu a partir de um contexto histórico, social, econômico e geográfico, relacionado 
com a vida na Europa a partir da segunda metade do segundo milênio. Desde 
o século XVII, estudiosos buscavam compreender e estabelecer modelos de 
desenvolvimento econômico, de organização social e de estrutura do trabalho. 
Diversas experiências e ideias eram propostas, testadas e discutidas em países 
como Inglaterra, França, Alemanha, entre outros (OCESC, 2013, p. 13). Durante 
esse período, as grandes navegações impulsionavam a atividade mercantil, 
principalmente pela chegada e oferta de novos produtos. Assim, a expansão do 
comércio internacional resultou no aumento da riqueza na Europa. A formação 
de uma burguesia com alto poder de investimento, tanto em projetos de inovação 
quanto no aperfeiçoamento das técnicas de produção e de manufatura, possibilitou 
o desenvolvimento e a ampliação industrial.
Na Europa do século XVIII, diversas transformações nas relações 
sociais e de trabalho estavam sendo estruturadas, principalmente a partir das 
aplicações práticas da doutrina econômica liberal, concebida pelo filósofo e 
economista escocês Adam Smith (Reino Unido: 1723 a 1790). Segundo essa visão, 
que previa o afastamento do papel do Estado nas relações com a sociedade, os 
governos deveriam assegurar apenas condições básicas, como: paz e segurança, 
desobrigando-se assim de promover condições relacionadas à qualidade de vida 
das pessoas, como: educação, saúde, trabalho, habitação, entre outros. Assim, o 
liberalismo condicionava para as pessoas a busca pelas alternativas de resolver os 
seus problemas de sobrevivência (SESCOOP/OCB, 2017, p. 42). Pela interpretação 
de Adam Smith, ao buscar a satisfação do interesse particular, o indivíduo 
atende aos interesses da sociedade de forma mais eficaz. Porém, os efeitos 
práticos não seguiam essa proposta, pois ao buscar a produtividade em nome da 
competitividade, as pessoas não eram a prioridade, e sim o lucro (SALES, 2010), 
o que resultava em enorme desigualdade, pobreza e descontentamentos.
Esse contexto histórico, relacionado à organização do Estado Liberal, 
ganhou importância e tornou-se mais poderoso com a Revolução Industrial (da 
segunda metade do século XVIII à primeira metade do século XIX). A adoção de 
máquinas possibilitou o aumento da produtividade e dos lucros, alavancando 
TÓPICO 1 | HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DO 
173
a economia e a dominação social e política (Figura 1). No entanto, surgiram 
consequências, como a exclusão social, o êxodo rural, desemprego expressivo, 
salários baixíssimos, péssimas condições de trabalho, jornadas extremamente 
longas de trabalho. Além disso, as mulheres e crianças também realizavam trabalhos 
com remuneração extremamente baixa. Com a introdução das máquinas, em 
substituição ao trabalho manual, aumentou a pressão na sociedade e a insatisfação 
entre os trabalhadores (Figura 2). Essa situação resultou em enorme desigualdade 
social e miséria (SENAR, 2015, p. 40; SESCOOP/OCB, 2017, p. 42).
FIGURA 1 – FILME “TEMPOS MODERNOS” (1936), DO CINEASTA BRITÂNICO CHARLES CHAPLIN
FONTE: Disponível em: <http://culturaefe.com.br/2018/a-revolucao-do-trabalho-e-a-fe-crista/>. 
Acesso em: 20 ago. 2018.
DICAS
Muitos filmes e registros do comediante britânico Charles Spencer Chaplin 
(1889-1977) faziam críticas e apresentavam de forma sarcástica as dificuldades e as 
situações enfrentadas pelos trabalhadores em vários aspectos da vida cotidiana. Esse ator 
ficou caracterizado pelas suas interpretações na era do cinema mudo, empregando a 
mímica e outras formas de comunicação para a transmissão das mensagens.
UNIDADE 3 | COOPERATIVISMO
174
No clássico filme “Tempos Modernos” (1936), o personagem icônico “O Vagabundo”, 
em meio às grandes máquinas, tenta sobreviver e se adaptar às mudanças do mundo 
moderno e industrializado. De forma cômica e crítica, mostra-se a inadequação de um 
operário frente ao trabalho alienado, tentando se adaptar à realidade de produção em 
massa, ao permanecer entre grandes máquinas e em condição de exploração do trabalho. 
No Brasil, o personagem “O vagabundo” também é conhecido como “Carlitos”. Ao final do 
filme, Chaplin deixa uma de suas importantes mensagens: “Não sois máquinas! Homens 
é que sois!”.
FIGURA 2 – ILUSTRAÇÃO MOSTRA INSATISFAÇÃO DOS TRABALHADORES DURANTE A 
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FONTE: Disponível em: <https://www.shutterstock.com/pt/image-photo/old-illustration-workers-
riot-hazard-cool-72678259?src=3dx90Kw4kfy4m5q_vQ-B2A-1-21>. Acesso em: 25 ago. 2018.
O trabalho em cooperação “aparece”, através de diversos estudiosos e 
idealistas, como uma forma de solucionar os problemas sociais e econômicos 
relacionados com o liberalismo e com o capitalismo, caracterizados pela 
concentração de poder e riqueza em uma minoria da população. A possibilidade 
de acesso a bens e serviços, além de condições menos desiguais de trabalho e de 
vida social, foram os estímulos para o surgimento das primeiras organizações 
cooperativas (SESCOOP/OCB, 2017, p. 42).
TÓPICO 1 | HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DO 
175
3 HISTÓRICO DO COOPERATIVISMO MODERNO
Ao longo deste período, essas experiências foram se adequando através 
de diferentes formas associativas e da aplicação prática das diversas propostas 
de pensamento. Também foram se ajustando aos modelos que possibilitavam a 
viabilidade social e financeira aos empreendimentos coletivos, possibilitando sua 
inserção no sistema de desenvolvimento econômico. Nesse contexto, apareceram 
as iniciativas que originaram o cooperativismo como é identificado atualmente.
3.1 PRECURSORES DO COOPERATIVISMO
As ideias e experiências práticas de alguns estudiosos para enfrentar as 
desigualdades econômicas e injustiças sociais resultaram em propostas para o 
combate à forma como a sociedade europeia estava organizada. Estes estudiosos 
são reconhecidos atualmente como os precursores do cooperativismo (OCESC, 
2013, p. 14-15). Embora todos eles tenham tido um papel importante na formação 
do sistema de trabalho cooperativo, a origem do cooperativismo deu-se através 
da necessidade de superação das pessoas frenteàs condições desiguais e 
insustentáveis de sobrevivência.
Essas propostas são conhecidas como experiências pré-cooperativas, que 
consistiam de ajuda mútua, cooperação, solidariedade e práticas associativas, 
estruturadas em uma sociedade onde a compreensão de valor e lucro ainda estava 
em formação. Na Inglaterra e na França, essas ações pré-cooperativas foram 
protagonizadas e serviram de influência para a origem da primeira cooperativa 
moderna, em Rochdale, na Inglaterra. Porém, em todos os continentes, iniciativas 
anteriores também foram experimentadas (SESCOOP/OCB, 2017, p. 44).
No século XVII, o holandês Peter Cornelius Plockboy publicou em 1659 
um panfleto onde incentivava a formação de grupos econômicos de agricultores, 
artesãos, entre outros, com organização em associações de cooperação. Já o inglês 
John Bellers, em 1695 sugeriu a formação de colônias de trabalho, publicada na 
obra Proposals for Raising a College of Industry of All Useful Trades and Husbandry. 
Do ponto de vista histórico, existem muitos dados e documentos que sugerem 
experiências pré-cooperativas que apresentaram funcionamento como pequenas 
organizações comunitárias em diversas regiões da Europa Ocidental, na América 
do Norte e no Japão em meados do século XIX. As missões ou reduções jesuíticas 
no sul da América do Sul, durante o século XVII, também foram exemplos de 
sociedades baseadas na cooperação (SESCOOP/OCB, 2017, p. 42). Porém, os 
pioneiros de Rochdale (1844) são considerados os fundadores do movimento 
cooperativista moderno (ICA, 2018b).
Entre os precursores do cooperativismo que defendiam propostas 
baseadas nas ideias de ajuda mútua, igualdade, associativismo e autogestão, 
destacam-se:
UNIDADE 3 | COOPERATIVISMO
176
- Robert Owen (Inglaterra: 1771 a 1858): socialista galês, foi o primeiro pensador 
a empregar o termo cooperativa. Com origem em uma família de artesãos, 
tornou-se um industrial e se destacou por promover a melhoria da qualidade 
de vida dos trabalhadores. Realizou reformas como a redução do número 
de horas diárias trabalhadas de 16 para 10, aumentou os salários e proibiu o 
trabalho de crianças com menos de 10 anos de idade (SESCOOP/OCB, 2017, 
p. 45). Ele orientava sua visão da sociedade com o propósito de promover 
maior justiça social através da propriedade coletiva, além de combater a 
divisão entre trabalhadores e patrões (SALES, 2010). É reconhecido como o 
Pai do Cooperativismo Moderno (OCESC, 2013, p. 14). Destaca-se ainda que 
a noção que Owen atribuía à cooperativa é muito diferente daquela que é 
representada na atualidade (SESCOOP/OCB, 2017, p. 46).
- François Marie Charles Fourier (França: 1772-1837): socialista francês e, assim 
como Owen, se preocupava com os problemas sociais relacionados ao modelo 
capitalista liberal. Para ele, a propriedade individual deveria ser mantida, como 
forma de estimular o trabalho produtivo, apresentando condições de convívio 
coletivo e outras situações de interesses particulares, porém que apresentassem 
justiça e harmonia (SALES, 2010; SESCOOP/OCB, 2017, p. 45).
- Willian King (Inglaterra: 1786-1858): médico que se dedicou ao cooperativismo 
de consumo, engajando-se em prol do movimento cooperativo.
- Philippe Joseph Benjamin Buchez (Bélgica: 1796-1865): preconizava a 
melhoria das condições dos trabalhadores a partir de associações cooperativas 
de trabalhadores com a mesma categoria profissional, assegurando o trabalho 
e rendimentos igualitários, porém sem auxílio ou participação do Estado 
(SALES, 2010).
- Sean Joseph Charles Louis Blanc (França: 1822-1882): defendia a organização 
através de associações de trabalhadores em indústrias sociais, como forma de 
modificar o modelo econômico e se opor à concorrência. Nessa interpretação, 
o Estado era responsável pelos problemas econômicos e sociais. Para Louis 
Blanc, as fábricas sociais teriam estatutos próprios, atuando com princípios de 
igualdade, nos quais as sobras líquidas seriam divididas em três partes: uma 
para os trabalhadores, uma para um fundo de assistência social e a terceira para 
a capitalização e fortalecimento financeiro do empreendimento (SALES, 2010).
O empresário do ramo de tecelagem Robert Owen é reconhecido como o Pai 
do Cooperativismo Moderno (Figura 3, à esquerda). O padre Theodor Amstad é considerado 
o Patrono do Cooperativismo no Brasil (Figura 3, à direita).
ATENCAO
TÓPICO 1 | HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA DO 
177
O padre jesuíta Theodor Amstad (Suíça: 1851-1938) veio para o Brasil em 1885 e se tornou um 
importante líder rural e incentivador do cooperativismo. No município de Nova Petrópolis/
RS, em 1902, fundou a primeira cooperativa de crédito no Brasil (Sicredi Pioneira), seguindo 
o modelo Raiffeisen. A cooperativa de crédito de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, é a 
mais antiga cooperativa em atividade no Brasil.
FIGURA 3 – EMPRESÁRIO ROBERT OWEN E O PADRE THEODOR AMSTAD
FONTE: Adaptado de: <https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Owen> e <https://www.
sicredipioneira.com.br/sicredi-pioneira-rs/conheca-o-sicredi/historia>. Acesso em: 30 ago. 2018.
Outros precursores que contribuíram para o desenvolvimento da 
organização cooperativa foram: John Bellers (Inglaterra: 1654-1725), Ferdinand 
Lasalle (Alemanha: 1825-1864), Friedrich Wilhelm Raiffeisen (Alemanha: 1818-
1888), Franz Herman Schulze-Delitzsch (Alemanha: 1808-1883). Outros estudiosos 
que contribuíram para o movimento cooperativista e para a sistematização 
do cooperativismo foram: George Jacob Holyoake (1817-1906), Wilhelm Haas 
(Alemanha: 1838-1913), Luigi Luzzatti (Itália: 1841-1927), Charles Gide (França: 
1847-1932), Alphonse Desjardins (Canadá: 1854-1920), Theodor Amstad (Suíça: 
1851-1938), George Fauquet (1873-1953), entre outros.
NOTA
Franz Herman Schulze-Delitzsch fundou as cooperativas de crédito Schulze-
Delitzsch, bancos populares entre os artesãos. Foi um dos autores do projeto que 
possibilitou a elaboração do primeiro Código Cooperativo, promulgado na Alemanha em 
27 de março de 1867.
UNIDADE 3 | COOPERATIVISMO
178
George Jacob Holyoake teve um papel importante na história do cooperativismo, por 
influenciar e promover o movimento cooperativo. Publicou diversos livros, como: Pioneiros 
de Rochdale (1857), A história da cooperação na Inglaterra (1875, revisada em 1906) e 
O movimento cooperativo de hoje (1891). Foi o presidente do congresso cooperativo 
de 1887 e batalhou pela criação da ACI, ocorrida em 1895. Em seu livro Os 28 tecelões 
de Rochdale descreveu que os empreendimentos cooperativos ajudavam a organizar a 
riqueza, não molestavam o Estado, nada tinham de secreto, não ambicionavam honrarias 
e nem pediam privilégios, não temiam a concorrência, mas pretendiam honestidade 
comercial. Para ele, as cooperativas eram contrárias ao monopólio, além de aprimorar a 
responsabilidade e a participação de todos na construção do progresso (SESCOOP/OCB, 
2017, p. 16).
3.2 A PRIMEIRA COOPERATIVA MODERNA: A SOCIEDADE 
DOS PROBOS DE ROCHDALE
O cooperativismo moderno tem suas origens a partir das consequências e 
crises sociais e econômicas provocadas pela Revolução Industrial do século XIX.
A história do cooperativismo moderno tem sua origem oficial a partir 
do estabelecimento da Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale, na cidade 
de Manchester, no noroeste da Inglaterra. (GAWLAK; RATZKE, 2007, p. 18; 
CARDOSO et al., 2014b, p. 7; SENAR, 2015, p. 42; SESCOOP/OCB, 2017, p. 43; 
OCB, 2018a).
Essa sociedade, fundada em 21 de dezembro de 1844, foi formada 
por 28 trabalhadores (27 homens e uma mulher), na maioria tecelões, que se 
encontravam em situação de desemprego e baixos salários. A primeira reunião 
para a discussão das dificuldades enfrentadas e de alternativas para garantirem o 
sustento da família foi realizada em novembro de 1843. Após ouvirem informações 
relacionadas com as ideias de Robert Owen, estes trabalhadores optaram pela 
formação de uma sociedade de consumo, baseada no cooperativismo. Esta 
iniciativa foi formalizada pouco

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