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Expert Núcleo de Ensino Profissional e Técnico Preparando seu Futuro! 1 1. DO CAPITALISMO A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO 2. SUJEITO E OBJETIVO DO CONHECIMENTO 3. TECNOLOGIA E SOCIEDADE FILOSOFIA 3 – Prova A 2 3 Em cento e cinquenta anos, de 1750 a 1900, o capitalismo e a tecnologia conquistaram o globo e criaram uma civilização mundial. Nem o capitalismo nem as inovações tecnológicas eram novidades; Novidades eram a velocidade da sua difusão e seu alcance global através de culturas, classes e lugares. E foram essa velocidade e esse alcance que converteram o capitalismo em “Capitalismo” e em um sistema, e os avanços técnicos na “Revolução Industrial”. 4 Por cem anos – durante a primeira fase – o conhecimento foi aplicado a ferramentas, processos e produtos, criando a Revolução Industrial, mas também aquilo que Karl Marx chamou de “alienação”, novas classes e guerra de classes, e com elas o Comunismo. Em sua segunda fase, iniciada por volta de 1880 e culminando com o fim da Segunda Guerra Mundial, o conhecimento em seu novo significado passou a ser aplicado ao trabalho, resultante na Revolução da Produtividade, que em setenta e cinco anos converteu o proletariado na classe média 5 burguesa, com renda próxima à da classe superior. Assim, a Revolução da Produtividade venceu a guerra de classes e o comunismo. A última fase começou depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje em dia, o conhecimento está sendo aplicado ao próprio conhecimento. É a Revolução Gerencial. O conhecimento está rapidamente se transformando no único fator de produção, deixando de lado capital e mão-de-obra. Ao contrário daqueles “terríveis simplificadores”, os ideólogos do século dezenove como Hegel e Marx, sabemos hoje que os grandes eventos históricos raramente têm apenas uma causa e uma explicação. Eles tipicamente resultam da convergência de muitos acontecimentos separados e independentes. Podemos dizer que no pensamento de Marx tem significado próximo do pensamento e espírito. 6 Ainda que Marx seja conhecido pelos seus escritos econômicos e políticos, ele estava envolvido com os temas filosóficos mais importantes de sua época, envolvimento como as questões do contexto de seu tempo. Os temas e países em que se destacavam era a Filosofia Clássica Alemã e a Economia Clássica Inglesa, sendo então os países a Alemanha e a Inglaterra. 7 O idealismo é a posição filosófica atribuída aos filósofos que consideram o espírito como elemento primordial. Ao contrário dos seus contemporâneos do Extremo Oriente, os confucionistas chineses com seu infinito desprezo por tudo que não fosse a erudição dos livros, Sócrates e Protágoras respeitavam a techné. Mas mesmo para Sócrates e Protágoras a techné, apesar de elogiável, não era conhecimento. Ela estava limitada a uma aplicação específica e não tinha princípios gerais. 8 O pensamento político de Maquiavel precisa ser analisado dentro do contexto do final da Idade Média, onde o antropocentrismo estava sendo retomado como visão predominante (homem no centro de todas as coisas). Essa visão permitiu o nascimento de uma nova ideia política, onde a liberdade republicana surgiria contra o poder político teológico de papas e imperadores. Esse contexto abriu portas para o humanismo cívico (faculdade dos homens de agirem em conjunto pelo bem da cidade), levantando um diálogo político entre a burguesia (que estava desejosa por poder) e a realeza. 9 Houve assim um questionamento do poder absoluto dos reis (como os Médici, em Florência) e desejava-se que um príncipe trouxesse estabilidade e defesa de sua cidade contra ataques vizinhos. Esse príncipe deveria possuir Virtù (ser nacionalista e não mercenário). Maquiavel então conduz a sua obra (O Príncipe) visando o exercício do poder desse governante. O pensamento político de Maquiavel rompe com toda uma tradição que preservava a unidade. 10 Ao tratar separadamente os dois temas Maquiavel provoca o rompimento entre o pensamento político e o pensamento ético. A diferença entre Maquiavel e os demais cientistas naturais está no constrangimento imposto por suas ideias. Ao escrever voltado para questões de seu tempo e para a unificação do poder, Maquiavel reforçou o Estado como instituição social que surgiu naquela época e que é forte até os dias de hoje. 11 Mas então, a partir pouco depois de 1700 – e dentro de apenas cinquenta anos – a tecnologia foi inventada. A própria palavra é um manifesto, que combina “techné”, isto é, o mistério de uma habilidade, com “logia”, conhecimento organizado, sistemático, significativo. A primeira escola de engenharia, a École des Ponts et Chaussées francesa, foi fundada em 1747, seguida por volta de 1770 pela primeira Escola de Agricultura e, em 1776, pela primeira Escola de Mineração, ambas na Alemanha. 12 Em 1794 foi fundada a primeira universidade técnica, a francesa École Polytechnique, e com ela surgiu a profissão de engenheiro. Pouco depois, entre 1820 e 1850, a educação e a prática médicas foram reorganizadas como uma tecnologia sistemática. Entre 1750 e 1800 a Grã-Bretanha, em um desenvolvimento paralelo, abandonou as patentes como monopólios para enriquecer os favoritos do rei em favor de patentes concedi- 13 das para encorajar a aplicação do conhecimento e ferramen-tas, produtos e processos, para premiar os inventores, provi-denciava a publicação das suas invenções. Isso não só provocou um século de invenção mecânica febril no país, como também acabou com o mistério e o sigilo do artesanato. O grande documento desta passagem dramática da aptidão para a tecnologia – um dos livros mais importantes da história – foi a Encyclopédie, editada entre 1751 e 1772 por Denis Diderot. Essa famosa obra tentava reunir, de forma organizada e sistemática, o conhecimento de todas as profis- 14 sões artesanais, de maneira tal que um não aprendiz pudesse aprender como ser um “tecnólogo”. Mas a Encyclopédie também pregava que os princípios que produziam resultados em uma profissão artesanal produziriam resultados em qualquer outra. Isso, porém, era uma anátema, tanto para o homem tradicional do conhecimento como para o artesão tradicional. Claro que houve resistência, tanto à tecnologia como ao capitalismo. Houve tumultos – na Inglaterra, as Silésia alemã. 15 Mas esses fatos foram locais, duraram algumas semanas ou meses e não afetaram a velocidade e a disseminação do Capitalismo. As máquinas e o sistema fabril se espalharam igualmente depressa e também encontrando pouca ou nenhuma resistência. A Riqueza das Nações, de Adam Smith, foi publicado no mesmo ano em que James Watt patenteou o motor a vapor aperfeiçoado. Contudo, o livro não dá praticamente atenção nenhuma a máquinas, fábricas ou produção industrial. 16 O que então que derrotou Marx e o marxismo? Em 1950, muitos de nós já sabiam que o marxismo fracassara tanto moral como economicamente. Mas ele ainda era a única ideologia coerente para a maior parte do mundo, para a qual o marxismo parecia invencível. O que então superou as “inevitáveis contradições do capitalismo”, a “alienação” e a “indigência” da classe trabalhadora, e com elas toda a noção de “proletariado”? A resposta está na Revolução da Produtividade. 17 Fredrick Winslow Taylor (1856-1915), pela primeira vez aplicou os conhecimentos ao estudo do trabalho, à sua análise e à sua engenharia. O trabalho estava abaixo da atenção de pessoas educadas, de pessoas abastadas, de pessoas com autoridade. Trabalho era o que os escravos faziam. A única maneira de um trabalhador produzir mais era trabalhando mais horas, ou esforçando-se mais. O próprio Marx compartilhava dessa crença com todos os economistas e engenheiros do século dezenove. 18 Foi por acidente que F.W. Taylor, um homem rico e educado, tornou- se um trabalhador. Uma deficiência visual forçou-o a desistir de ir para Harvard e obter um emprego em uma fundição de ferro. Sendo extremamentedotado, Taylor em pouco tempo chegou a sócio da empresa. E suas invenções em metalurgia deixaram-no rico muito cedo. O que levou Taylor a iniciar o estudo do trabalho foi se choque 19 diante do ódio mútuo e crescente entre capitalistas e trabalhadores, que acabara por dominar o final do século dezenove. Em outras palavras, Taylor viu o mesmo que Marx, Diraeli, Bismarck e Henry James. Mas ele também viu algo que eles deixaram de ver: que o conflito era desnecessário. E tratou de tornar os trabalhadores produtivos, para que pudessem receber salários decentes. A motivação de Taylor não era a eficiência, nem a geração de 20 lucros para os proprietários. Até sua morte, ele afirmava que o maior beneficiário dos frutos da produtividade deveria ser o trabalhador e não o patrão. Sua principal motivação era a criação de uma sociedade na qual proprietários e trabalhadores, capitalistas e proletários, poderiam Ter um interesse comum pela produtividade e construir um relacionamento harmonioso a partir da aplicação do conhecimento ao trabalho. 21 A mudança no significado de conhecimento, que começou há duzentos e cinquenta anos, transformou a sociedade e a economia. O conhecimento formal é visto, ao mesmo tempo, como recurso chave pessoal e econômico. Na verdade, o conhecimento é hoje o único recurso com significado. Os tradicionais “fatores de produção” – terra (isto é, recursos naturais), mão-de-obra e capital – não desapareceram, mas tornaram-se secundários. 22 Eles podem ser obtidos facilmente, desde que haja conhecimento. E o conhecimento, neste novo sentido, significa conhecimento como uma coisa útil, como meio para a obtenção de resultados sociais e econômicos. Desejáveis ou não, esses fatos são respostas a uma mudança irresistível: o conhecimento está hoje sendo aplicado ao conhecimento. Este é o terceiro e talvez definitivo passo para na transformação do conhecimento. 23 Fornecer conhecimento para descobrir como o conhecimento existente pode ser mais bem aplicado para produzir resultado é, na verdade, aquilo que entendemos por gerência. Mas o conhecimento está hoje sendo aplicado, de forma sistemática e determinada, para definir que Novo conhecimento é necessário, se ele é viável e o que precisa ser feito para torná-lo eficaz. Em outras palavras, ele está sendo aplicado à inovação sistemática. 24 Esta terceira mudança na dinâmica do conhecimento pode ser chamada de “Revolução Gerencial”. Como suas predecessoras – conhecimento aplicado a ferramentas, processos e produtos e conhecimento aplicada ao trabalho humano – a Revolução Gerencial já se estendeu a todo o planeta. Foram precisos cem anos, da metade do século dezoito até a metade do século dezenove, para que a Revolução Industrial dominasse o mundo. 25 Foram precisos cerca de setenta anos, de 1880 até o fim da Segunda Guerra Mundial, para que a Revolução da Produtividade fizesse o mesmo. E menos de cinquenta anos – de 1945 a 1990 – para que a Revolução Gerencial também dominasse o mundo. A maioria das pessoas, quando ouve a palavra “gerência”, ainda pensa em “gerências de empresas”. Na verdade, a gerência surgiu pela primeira vez em sua presente forma em grandes organizações empresariais. 26 Na verdade, aprendemos que ela é ainda mais necessária em organizações que não são empresas, querem elas sejam organizações sem fins lucrativos, mas não governamentais (que neste livro eu proponho chamar de “setor social”), ou agências de governo. Essas são as organizações que mais necessitam de gerência, precisamente porque carecem da disciplina do “lucro”, sob a qual operam as empresas. O fato da gerência não se limitar às empresas foi reconhecido primeiramente nos Estados Unidos, mas hoje está se tornando aceito em todos os países desenvolvidos. 27 Sabemos hoje que a gerência é uma função genérica de todas as organizações, qualquer que seja a missão específica das mesmas. Ela é o órgão genérico da sociedade do conhecimento. A gerência como um tipo específico de trabalho somente surgiu depois da Primeira Guerra Mundial – mesmo assim, praticada por apenas um punhado de pessoas. A gerência como disciplina somente surgiu depois da Segunda Guerra. 28 Uma das razões para essa descoberta foi a própria experiência da Segunda Guerra, em especial o desempenho da indústria americana. Mas uma razão igualmente importante para a aceitação geral da gerência talvez sido o desempenho do Japão a partir de 1950. Japão não era um país “subdesenvolvido” depois da guerra, mas sua indústria e sua economia estavam quase que totalmente destruídas e praticamente não havia tecnologia domésticas. 29 O principal recurso da nação era sua disposição para adotar e adaptar a gerência desenvolvida pelos americanos durante a guerra (e especialmente o treinamento). Durante a Segunda Guerra e imediatamente depois dela, um gerente era definido como “alguém que é responsável pelo trabalho de subordinados”. Um gerente era um “chefe”, e gerência era posição e poder. É provável que esta ainda seja a definição que muitas pessoas têm em mente quando falam de “gerentes” e de “gerência”. 30 Esta mudança significa que hoje vemos o conhecimento como recurso essencial. Mas onde existe uma gerência eficaz, isto é, a aplicação do conhecimento ao conhecimento, sempre podemos obter os outros recursos. O fato de o conhecimento Ter passado a ser o recurso, ao invés de um recurso, é que torna nossa sociedade “pós-capitalista”. Este fato muda fundamentalmente a estrutura da sociedade e cria novas dinâmicas sociais e econômicas, e cria novas políticas. 31 Para seu antagonista Protágoras, o resultado era a capacidade de saber o que dizer e dizê-lo bem. Era a “imagem”, para usar um termo contemporâneo. Por mais de dois mil anos, o conceito de Protágoras dominou o aprendizado ocidental e definiu conhecimento. Aquilo que hoje consideramos conhecimento se prova em ação. Para nós, conhecimento é informação eficaz em ação, focalizada em resultados. Esses resultados são vistos fora da pessoa - na sociedade e na economia, ou no avanço do próprio conhecimento. 32 Subjacente a todas as três fases na passagem para o conhecimento – a Revolução Industrial, a Revolução na Produtividade e a Revolução Gerencial – está uma mudança fundamental no significado de conhecimento. Passamos de conhecimento no singular para conhecimentos no plural. O conhecimento tradicional era genérico. Aquilo que hoje consideramos conhecimento é, por necessidade, altamente especializado. 33 No passado, não falávamos de um “homem (ou mulher) de conhecimento”; falávamos de uma “pessoa educada”. As pessoas educadas eram generalistas. Elas sabiam o suficiente para falar ou escrever a respeito de muitas coisas, o suficiente para compreender muitas coisas. Mas elas não sabiam o suficiente para fazer nada. Para Sócrates a finalidade do conhecimento era o autoconhe-cimento e o autodesenvolvimento; os resultados eram internos. 34 Para poder realizar qualquer coisa, esse conhecimento precisa ser altamente especializado. Essa era a razão pela qual a tradição – que começou na antiguidade, mas ainda persiste naquilo que chamamos de “educação liberal” - relegava-o posição de uma techné, ou habilidade artesanal. Ela não podia ser aprendida, nem ensinada; nem envolvida qualquer princípio geral. Ela era específica e especializada – experiência ao invés de aprendizado, treinamento ao invés de instrução escolar. 35 Mas hoje não nos referimos a esses conhecimentos especializados como “habilidades artesanais; falamos de ”disciplinas”. Na história intelectual, esta é uma mudança tão grande quanto qualquer outra já registrada. Uma disciplina converte uma “habilidade artesanal” em metodologia – como a engenharia, o método científico, o método quantitativo ou o diagnóstico diferencial do médico. Cada uma dessas metodologias converte uma experiência ad hoc em sistema, histórias em informações.36 Cada uma delas converte uma aptidão em algo que pode ser ensinado e aprendido. A passagem de conhecimento para conhecimentos deu ao conhecimento o poder para criar uma nova sociedade. Mas esta sociedade precisa ser estruturada com base em conhecimentos especializados e em pessoas especialistas. É isso que dá poder a elas, mas também levanta questões básicas – de valores, visão, crenças, de todas as coisas que mantêm unida a sociedade e dão significado às nossas vidas. 37 “O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante”. Pascal. De onde viemos? Que somos? Para onde vamos? (1897), de Paul Gauguin. De onde viemos? Que somos? Para onde vamos? 38 39 Os seres vivos têm potencialidades que se desenvolvem segundo suas necessidades de sobrevivência. Assim, a planta colocada no canto da sala, em lugar de crescer em linha reta, para cima, cresce em ângulo inclinado, à procura da luz vinda da janela. Ela adapta-se à condição do meio. Por motivo semelhante, as minhocas não têm olhos, mas são dotadas de tato e olfato muito apurados, necessários no ambiente onde vivem. As aves em geral não precisam de tato e olfato no ambiente aéreo; possuem, em compensação, uma visão muito aguda, com um mecanismo de filtragem das cores que lhes permite distinguir a uma longa distância um inseto na relva qualquer. O cego, por exemplo, tem o tato e a audição muito mais desenvolvidos que qualquer homem com a visão do meio. Além das características comuns aos seres vivos, o homem possui a capacidade especial de pensar, o que lhe possibilita não apenas conviver com a realidade, como também conhecê-la 40 Conhecer a realidade significa compreendê-la e explicá-la. O conhecimento humano tem dois elementos básicos: um sujeito e um objeto. O sujeito é o homem, o ser racional que quer conhecer (sujeito cognoscente). O homem só se torna sujeito do conhecimento quando está diante do objeto a ser conhecido. A realidade só se torna objeto de conhecimento perante um sujeito que queira conhecê-la. O próprio homem pode ser objeto do conhecimento humano. 41 O sujeito (o homem) possui três maneiras básicas de conhecer o objeto. Elas se diferenciam pela forma como o sujeito tem acesso às propriedades do objeto: se pelos sentidos (conhecimento sensorial ou empírico), pelo raciocínio (conhecimento lógico ou intelectual) ou pela crença (conhecimento de fé). Afinal, o conhecimento é a porção de realidade que o sujeito consegue perceber, utilizando-se das ferramentas de que dispõe no momento.. 42 Como qualquer outro animal, o primeiro contato do homem com a realidade dá-se pelos cinco sentidos. Na verdade, as cores dos objetos por nós percebidos resultam do bombardeio que partículas do objeto, “viajando” em ondas, fazem sobre nossa retina. O som que ouvimos são ondas que deslocam o ar e impressionam nossos tímpanos. O calor e o frio dependem de movimentos mais ou menos acelerados de moléculas em contato com a superfície de nosso corpo. Isso equivale a dizer que visão, olfato, audição, tato e paladar “sentem” as propriedades dos objetos.. 43 Diferentemente de outros animais, o homem consegue ultrapassar os dados captados pelos sentidos. Em outras palavras, o homem tem capacidade de abstrair, de conseguir imagens dos objetos que aprendeu, mesmo sem tê-los mais presentes. A partir de imagens, o homem raciocina, combinando-as e tirando conclusões. Ao conhecimento que vai além do que nossos sentidos percebem, chamamos lógico, ou intelectual. 44 Há objetos da realidade cujas propriedades escapam tanto a nossos sentidos quanto a nosso raciocínio, impedindo que deles tenhamos dados empíricos ou dados intelectuais. Não sabemos com certeza o que acontece conosco após nossa morte biológica. O conhecimento de fé baseia-se, pois, na autoridade de terceiros. Constitui um voto de confiança no que os outros afirmam. Por isso, a fé não é objeto da filosofia, uma vez que esta se fundamenta apenas em dados racionais. 45 Ao longo da história, deram-se várias explicações para a construção do conhecimento a partir do encontro sujeito-objeto. Algumas privilegiaram a ação do sujeito sobre o objeto; outras, a ação do objeto sobre o sujeito; outros, ainda, a ação conjunta do sujeito e do objeto. Quase todos os filósofos reconhecem ao menos duas formas de conhecimento: sensível, em que predomina a atividade dos sentidos, e intelectivo, em que predomina a atividade do intelecto. 46 Na Antiguidade, destacam-se as teorias de Platão e Aristóteles. Ambos descrevem o homem como um conjunto corpo-alma, no qual é o exterior, o sensível, e a alma é o interior, o não-sensível. • Platão: Segundo Platão (427-347 a.C.), para conhecer algo, para buscar a verdade, é preciso ir além das sensações imediatas. É necessário atingir a essência do objeto ao ser conhecido, é mister conhecê-lo tal qual ele é. 47 • Aristóteles: Para Aristóteles (384-322 a. C.), os dados iniciais do conhecimento são originários dos objetos sensíveis. Estes são captados pela capacidade sensitiva da alma, exercida pelos cinco sentidos externos (visão, audição, olfato, tato e paladar) e pelos três sentidos internos (senso comum, memória e fantasia). A alma possui também capacidade intelectiva, exercida por meio da abstração, dos juízo e da argumentação. • 48 • Guilherme de Ockham: Alguns séculos depois, no final do período medieval, Guilherme de Ockham (1290-1349) opõe-se a Aristóteles ao afirmar que o conhecimento humano é intuitivo, imediato, e se dá exclusivamente a partir do contato do sujeito com objetos singulares, individuais. Os objetos, na sua individualidade, são “notados” de forma imediata pelo sujeito. O conhecimento imediato dos objetos é um conhecimento intuitivo- sensitivo, produzido pelo objetivo no sujeito. • 49 • George Berkeley: (1685-1753), já no período moderno, rejeita qualquer ação efetiva do objeto sobre o sujeito na construção do conhecimento humano. Afirma que existir é ser conhecido. Ou seja, as coisas que existem não podem provocar o conhecimento, pois são passivas e inertes. É o intelecto do sujeito, em contato com os objetos, produz o conhecimento. Admite, no entanto, que nem tudo o que conhecemos é produto puro do intelecto, pois características dos objetos às vezes se impõem. 50 • Immanuel Kant: (1724-1804) diz que o conhecimento é composto de forma e matéria. O conhecimento intelectivo se dá pelas doze categorias, isto é, pelas doze “formas de aparição” da realidade, a saber: unidade, multiplicidade e totalidade (indicativas da quantidade); ser, não- ser e limitação (indicativas da qualidade); substância-inerência, causalidade-impossibili-dade e comunhão-reciprocidade (indicativas da relação); possibilidade-impossibilidade, realidade- irrealidade e neces-sidade-contigência. • 51 • Georg Wilhelm Friedrich Hegel: (1770-1831) afirma que o racional é real e que o real é racional. Ou seja, realidade e pensamento são a mesma coisa. O conhecimento da realidade é constituído pelo sujeito, capaz de, pelo pensamento, perceber o eterno devir da realidade- pensamento. O método adequado para a percepção da realidade- pensamento é a dialética, que se desenvolve em três momentos: tese, antítese e síntese. 52 Modernamente, duas teorias chamam a atenção para a relação integrada entre o sujeito e objeto, na produção do conhecimento: a teoria psicogenética, de Jean Piaget (1896-1980), e a teoria fenomenológica, de Edmund Gustav Albrecht Husserl (1859-1938). • Jean Piaget: Segundo Jean Piaget, o contado inicial com o objeto dá-se por meio da percepção do sujeito. A percepção é uma experiência dupla: por um lado, depende das características do estímulo que vêm do objetivo e que ativam os sentido. 53 Por outro lado, das experiências sensoriais, afetivas, racionais, sociais, etc., já vivenciada pelo sujeito. Tais experiências constroem no sujeito que, por si mesmos, sãofixos, estáveis e ordenados segundo leis físicas próprias. Edmund Gustav Albrecht Husserl: por sua vez, afirma que há diferenças entre o objeto e “aquilo que aparece do objeto” para o sujeito. O objeto (real ou ideal) que aparece à consciência de um sujeito é o fenômeno. Fenomenologia é o método pelo qual podemos descrever os fenômenos. 54 Em sua teoria fenomenológica, Husserl explica que o conhecimento resulta de três momentos: 1. O sujeito sai de si e entra na esfera do objeto. 2. O sujeito capta as características apresentadas pelo objeto (o fenômeno), como algo fora do sujeito e, por conseguinte, desprovido ainda de qualquer interpretação que o sujeito lhe possa dar. 3. O sujeito retorna a si, trazendo as características captadas do objeto, reproduzindo-as em si na forma de imagem. 55 Conhecemos pelos sentidos, pelo raciocínio e pela crença. Quais desses conhecimentos julgam mais verdadeiros? Qual deles é o mais objetivo? Qual deles nos dá maior certeza? René Descartes (1596-1650), importante filósofo francês, pôs em dúvida as certezas de todos os conhecimentos. Na obra Discurso do método, ele relata a sua experiência. 56 Galileu Galilei foi o físico e astrônomo italiano que no século XVII provocou a celeuma com a Igreja católica sobre a movimentação dos corpos celestes. Ao tentar justificar matematicamente a teoria heliocêntrica de Copérnico – o Sol como o centro do universo e a Terra girando em torno dele -, Galileu colocou frente a frente a religião e a ciência. A questão levantada, que culminou com o processo da Inquisição contra Galileu, ia além do sistema heliocêntrico. O que estava em discussão era o método, o caminho para a verdade, para o conhecimento absoluto do mundo. 57 Na Bíblia várias passagens afirmavam o movimento do Sol e a imobilidade da Terra, que seria o centro do universo. Mas, diante da pergunta “Como se conhecem os movimentos dos corpos celestes?”, Galileu tinha uma resposta certeira: observando-os pelo telescópio. Na sua opinião, o caminho intelectual da verdade não era prerrogativa de teólogos. A Bíblia ensinava como chegar ao céu, mas não como os céus se moviam. 58 Galileu é o criador da ideia de experiência científica tal como existe em nossos dias. O seu processo de raciocínio combina a indução experimental e o cálculo dedutivo. Ser filósofo, para Galileu, significava não se limitar a construir sistemas rigorosos, mas puramente hipotéticos; ser filósofo significava procurar descrever a existência das coisas e como se desenvolvem os fenômenos natural. 59 É assim que, nos últimos 350 anos de história da humanida-de, constatamos que a Terra é um planeta; que o Sol é uma estrela média; que o universo é bem mais abrangente que a Terra e o Sol; que os corpos biológicos são compostos de células; que todos os corpos físicos se formam e se sustentam em várias cadeias de átomos; que a luz é um fenômeno físico mensurável e controlável; que massa e energia são lados opostos da mesma moeda; que o homem não é só um animal racional, previsível e mensurável: dele também são as emoções e sentimentos que lastreiam seu subconsciente. 60 A validade de nossos conhecimentos é garantida pela correção do raciocínio. É correto o raciocínio cujas proposições expressam juízos (afirmações ou negações) válidos, racionalmente fundamen-tados. São dois os modos de raciocínio: o indutivo e o dedutivo. O raciocínio indutivo parte de casos particulares para concluir uma verdade geral, ou universal. Veja este exemplo em que quatro proporções ou premissas particulares levam a uma conclusão geral: 61 • O ferro conduz eletricidade; • O ouro conduz eletricidade; • O cobre conduz eletricidade; • A prata conduz eletricidade. Logo, todos os metais conduzem eletricidade. O raciocínio indutivo é amplamente utilizado pelas ciências experimentais. As leis científicas são generalizações feitas a partir da observação de casos particulares, visto ser impossível ao cientista realizar experiências concretas em todos os casos. 62 Por essa razão, as leis das ciências são muito mais probabilidades lógicas do que certezas empíricas. A certeza dada pelo raciocínio indutivo aumenta à medida que o maior número possível de casos particulares seja empiricamente verificado. O raciocínio dedutivo parte de uma lei universal, considerada válida para um determinado conjunto, aplicando-a aos casos particulares desse conjunto. O que é verdade para um determinado todo é igualmente verdade para as partes que o compõem. 63 O raciocínio, indutivo ou dedutivo, torna-se inválido ou ilegítimo quando a sua argumentação é capaz de persuadir pelo efeito psicológico que causa e não pela crua correção lógica. A esse tipo de raciocínio chamamos sofisma ou falácia. A falácia constitui uma armadilha intelectual: mesmo corretos em sua forma de expressão (indutiva ou dedutiva), os dados utilizados nesse tipo de argumento são racionalmente duvidosos. Falácias são comuns em nosso meio. “O que importam são os fatos, mas sua versão”. 64 A racionalidade nos torna humanos e superiores aos outros seres. Pascal afirma que o homem é frágil, um grão de matéria no universo, mas esse “quase nada” pensa, raciocina, conhece. “O pensamento faz a grandeza do homem. (...) O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é o caniço pensante. Não é preciso que o universo inteiro se arme para esmagá-lo: um vapor, uma gota de água, basta para matá-lo. 65 Mas, mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, porque sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso”. (Pascal). 66 É o espanto, a surpresa perante o “novo” que desencadeia nossa atividade intelectual. Começamos a pensar quando estamos diante do não-familiar, do estranho. Como seres racionais, impõe-se a nós necessidade de entender, de ter uma explicação. Essa necessidade já se faz sentir na conhecida curiosidade infantil. Desde cedo, a criança quer saber o “o quê”, o “como” e o “porquê” das coisas. E carregamos essa curiosidade conosco a vida toda. 67 Como seres racionais, cabe-nos o direito de possuir dados objetivos para analisar. Nosso comportamento não pode ser a simples manifestação do que nos condicionam a responder, como acontece com o com o cachorrinho usado nos experimentos de Pavlov. 68 Pavlov (1849-1936), fisiologista russo, ficou famoso por seus estudos sobre reflexo condicionado, em que a experiência típica consiste em tocar uma campainha (estímulo) no momento em que se dá alimento ao cachorro. Isso se repete por várias vezes pelo menos trinta), até que o simples toque da campainha – sem a presença do alimento – é suficiente para provocar a secreção salivar (reflexo) no cachorro. Pavlov provou também que o reflexo ocorre mesmo quando o estímulo é doloroso. 69 O espanto perante o “novo” gera angústia, por não sabermos como nos afeta a realidade desconhecida. Observe como nos sentimentos num “ambiente estranho”; como nos sentimos antes ou durante um “primeiro encontro”; como se sentem pessoas com “doenças ainda incuráveis”; ou como nos sentimos em relação ao “pós-morte”. Nossa segurança psicológica baseia-se na posse de informações objetivas que nos permitem dominar a realidade à nossa volta. 70 Como vimos, os seres vivos, para sobreviver, em geral adaptam-se ao meio. Conhecendo o meio, o homem adapta-se a ele e o transforma. Observe, por exemplo, a arte de morar. Nossos ancestrais, ao procurar uma proteção segura contra o vento, o sol, a chuva, o frio, começaram a fazer simples abrigos, à semelhança das casas do joão-de-barro. Hoje, a casa do homem tem iluminação elétrica, água corrente (quente e fria!), dezenas de andares, escadas e elevadores, paredes de aço e concreto, calefação central e ar refrigerado. 71 Visando à satisfação da curiosidade racional, à segurança psicológica à necessidade de transformar omeio, as várias gerações de homens coletaram características e propriedades dos objetos que compõem nossa realidade, deixando sua marca interpretativa do mundo. Foram técnicos, operários e artesãos que ousaram improvisar a utilizar novas formas de colocar a realidade do universo a serviço do homem, criando, testando e aperfeiçoando instrumentos que facilitam a vida da humanidade. 72 73 A moderna civilização tecnológica parece indicar que o homem abriu uma via na qual não pode mais parar de perseguir avanços com uma ousadia cada vez maior. É como se estivesse condenado ao progresso e a fugir em direção de seu próprio futuro, que não sabe ao certo onde fica. Tecnologia Ontem e Hoje Ciência e técnica, ao longo da história, tornaram possíveis os grandes projetos da humanidade. Na Grécia antiga, a geometria serviu para demarcar terras, construir templos, estudar astros. As pirâmides do Egito, os templos maias e astecas, assim como as catedrais medievais, foram erguidos com o auxílio das teorias e das técnicas desenvolvidas e transmitidas de geração a geração. 74 Em apenas duzentos anos, a humanidade superou o progresso técnico alcançado até aquele período. Para exemplificar, basta mencionar a criação do telefone, do automóvel, do avião, dos materiais sintéticos, do rádio, do cinema, da televisão e, ultimamente, do computador, do robô, do satélite, do fax, do disco laser, (CD), do telefone celular e da Internet. Se a Revolução Industrial tirou o homem de casa para confiá-lo em fábricas repletas de máquinas, a atual revolução da microeletrônica e da comunicação invadiu a intimidade doméstica. 75 Não há como deixar de reconhecer que estamos no início de uma nova civilização que tende a desvendar fantásticos mistérios do universo; que pode sintetizar drogas e medicamentos, que pode alongar a vida de quem assim deseja e, igualmente, controlar o nascimento do ser humano. Na medicina, no campo da biotecnologia, no desenvolvimento de projetos de equipamento, na comunicação e informação, o salto que a televisão representou em relação ao rádio equivale mais ou menos à comparação entre a máquina de escrever e o computador; todos avanços tecnológicos que ajudam a alongar a vida do ser humano. 76 A tecnologia pode salvar o homem das doenças e da fome, abreviar seu sofrimento, substituí-lo nas árduas tarefas, garantir-lhe melhor qualidade de vida. Mas pode também acelerar dos recursos naturais, pelo excesso de produção e pelo desperdício de energia. A máquina é o resultado da engenhosidade e do trabalho humanos. O homem é senhor da técnica. Tanto pode usá-la em benefício da humanidade como para subjugar uma boa parte da espécie humana aos caprichos de poucos ou, ainda, usá-la para autodestruir-se, como acontece nas guerras. 77 A Revolução Industrial foi o marco decisivo para a consolidação do capitalismo. A inovação técnica é a própria razão da concorrência e o motor do lucro. Mas, embora o capitalismo acarrete um avanço incrível nas técnicas da produção, fazendo aumentar consideravelmente a riqueza das nações, radicalizou a exploração do homem pelo homem, as guerras e a dominação de algumas nações sobre outras. 78 Talvez a maior das contradições da moderna civilização tecnológica esteja na capacidade de produzir riquezas, no entanto, distribuí-las ao conjunto da humanidade. O acesso à tecnologia e a seus frutos é o grande desafio do próximo século para mais da metade da população mundial, que sequer chegou ao estágio da Revolução Industrial. 79 Nas modernas sociedades tecnológicas, a especialização do conhecimento científico contribuiu para dissociar o homem da natureza. O filósofo francês Descartes, um dos precursores da ciência moderna, separava o espírito da realidade física. Esta seria objeto de explicação das ciências exatas, enquanto o pensamento (ou a atividade do espírito) seria explicado pela filosofia. Daí esse divórcio trágico entre ciência e filosofia. 80 Os Efeitos Inesperados da Técnica A cada nova conquista originada pelo avanço tecnológico, surge uma gama de novos problemas. Coexistimos, por exemplo, com o chamado desemprego tecnológico. Justamente as sociedades mais desenvolvidas, aos buscar alternativas tecnológicas para aumentar a produtividade do trabalho, acabaram deixando os homens sem emprego. 81 Os Efeitos Inesperados da Técnica Essa é uma característica que veio para ficar; é um elemento estrutural das sociedades subdesenvolvidas, ao contrário, a débil incorporação tecnológica produz desemprego por falta de riqueza ou por sua má distribuição. Outros problemas decorrentes do avanço tecnológico nas sociedades modernas vinculam-se à produção da energia nuclear, à manipulação do material genético humano. Não há ramos da atividade científica em que não se possa fazer demonstração dessa ambigüidade. 82 As Origens da Desigualdade entre às Nações É necessário analisar alguns aspectos importantes sobre a origem e a posterior consolidação da desigualdade entre as nações. Só assim seremos capazes de discernir como e por que alguns países se adiantaram em matéria de invenções tecnológicas, e como as usam para manter a dianteira na competição mundial. “a divisão internacional do trabalho consiste em que alguns países se especializaram em ganhar e outros em perder”. 83 Quando se confrontam os diferentes graus de desenvolvimen-to dos Estados Unidos da América do Norte e da América Latina, é comum ouvirmos o seguinte desabafo: “Por que não fomos colonizados pelos ingleses, em lugar dos portugue-ses?”. Essa questão é altamente perversa, porque não coloca os termos em seu devido lugar: o problema não é étnico, mas sim da colonização como tal. Basta ver a herança, para não dizer o estrago, que a Inglaterra deixou na Índia, além dos ocorridos em outros países. 84 O sistema econômico e geopolítico atual, mais complexo que o sistema colonial, não aboliu ainda a imensa desigualdade entre as nações desenvolvidas e as restantes. Fala-se em globalização de mercados, mas se esquece de que essa globalização é realizada sobre um desequilíbrio estrutural entre países ricos e países pobres. Atualmente, podem-se enumerar alguns indicadores desse desequilíbrio: um crescente endividamento externo dos países periféricos, reforçando o capital financeiro internacional; um endividamento público interno, oriundo 85 do processo inflacionário, o que distorce a distribuição de renda em favor dos mais ricos; insuficiência ou até inexistência de políticas públicas capazes de integrar imensos contingentes populacionais expulsos do campo, carentes de empregos, saúde, habitação e educação. No processo de globalização, tem sido as consequências para os Estados, a perda de autonomia política e ataque aos direitos sociais. 86 Para fomentar o consumo e a maior circulação econômica, nossos desejos e a subjetividade está sendo estimulado por meio da comunicação, da educação e da cultura. Este processo oferece vantagens ao setor do mercado global, o grande capital internacional 87 O liberalismo é um modo de entender a natureza humana e uma proposta destinada a possibilitar que todos alcancem o mais alto nível de prosperidade de acordo com seu potencial (em razão de seus valores, atividades e conhecimentos), com o maior grau de liberdade possível, em uma sociedade que reduza ao mínimo os inevitáveis conflitos sociais. O liberalismo se funda em direitos individuais, e a integridade física, a liberdade e a prosperidade são fundamentais para que o liberalismo se realize. 88 Através do protecionismo e da padronização dos cidadãos em consumidores, o neoliberalismo tem fortalecido a economia de mercado e tencionado o sistema capitalista e o papel do Estado. Ao mesmo tempo, o liberalismo se apoia em dois aspectos vitais que dão forma a seu perfil: a tolerância e a confiança na força da razão. 89 Os chamados direitos sociais, ao contrário do que muitos pensam,não são originários de filosofia de tendência liberal. A Social Democracia é a tendência que reúnem características tanto da corrente liberal quanto da corrente social. 90 À medida que identificamos as diferenças entre a tradição e a modernidade, observamos que a referência à comunidade se torna cada vez mais longínqua, uma tênue marca no tempo. Isso ocorre porque a ideia de comunidade se identifica com valores locais, em que impede o surgimento de saberes alternativos. A comunidade caracteriza-se pelo microcosmo cultural, onde predominam os laços familiares e a interpretação do mundo se dá por meio da religião. 91 A partir do momento em que as sociedades sofreram mudanças profundas na economia, na forma de transformar a natureza, de ocupar o espaço físico, de multiplicar e deslocar as populações, passou-se de um sistema comunitário fechado para um sistema aberto, dinâmico, urbano. Desse modo, a transformação do mundo material ocorre simultaneamente com a das formas de conhecimento produzidas pelas sociedades ao longo da história. a passagem de um momento para outro, na história das sociedades, não ocorre sem conflitos e traumas. . 92 Boa Atividade! Boa Sorte! Fim módulo Filosofia 3 Mauro Monteiro 93