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01 Noções Introdutórias ao Direito Civil
“O fim do direito é a paz, o meio de que se serve para consegui-lo é a luta.” (Ihering, Rudolf von. A luta pelo Direito. 2ªed. Edipro.2019. p.01
1.1. Conceito de Direito.
Em todo o tempo, não importa onde se estude no passado, sempre que exista um agrupamento social, há o fenômeno jurídico. Com o passar do tempo, historicamente, o homem se viu na necessidade de conviver em sociedade, afim de atingir seus objetivos de sobrevivência. Dessa forma, houve a necessidade se criar normas para garantir-se o bem-estar social, surgindo, dessarte, o Direito.
O Dicionário Jurídico, de Deocleciano Torrieri Guimarães, edição de número 25, da editora Rideel, define a palavra direito como: Ciência que sistematiza as normas necessárias para o equilíbrio das relações entre o Estado e os cidadãos e destes entre si. No entanto, para se estudar o conhecimento jurídico necessita-se do conceito de base ontológica do direito, porém, há um impasse como explica a professora Maria Helena Diniz; “...não há entre os autores um certo consenso sobre o conceito do direito; impossível foi que se pusessem de acordo sobre uma fórmula única. Realmente, o direito tem escapado aos marcos de qualquer definição universal; dada a variedade de elementos e particularidades que apresenta, não é fácil discernir o mínimo necessário de notas sobre as quais se deve fundar seu conceito.” (Diniz, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 29ªed.Saraiva.2012. p.18)
Portanto, para fins didáticos, será utilizada a definição do jurista brasileiro Caio Mario da Silva Pereira:
Diante de todas as tentativas dos grandes pensadores, Kant, ou Ihering (...), impotentes para darem noção que se consagrasse por uma receptividade pacífica, limitemo-nos a dizer que o direito é o princípio de adequação do homem à vida social. (Pereira, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil. 24ªed.Forense.2011. p.30)
 
1.2. Direito Objetivo e Subjetivo
Direito Objetivo – Norma agendi. Norma de conduta
Direito Subjetivo - Facultas agendi. Faculdade de agir.
(de ARAUJO, RUY MAGALHÃES. EXPRESSÕES JURÍDICAS LATINAS
APLICADAS AO COTIDIANO FORENSE)
O Direito Objetivo é um complexo de normas jurídicas de caráter obrigatório que se dirige a toda a população, com a função de regular as relações da sociedade prescrevendo sanções em caso de sua violação. 
O Direito Subjetivo nada mais é do que uma permissão, por norma jurídica, para o uso das faculdades humanas, ou seja, uma autorização do Estado para poder ou não fazer determinada ação, seguindo as normas do direito objetivo.
Para melhor compreensão, um bom exemplo dessas duas normas é dado pela professora Maria Helena Diniz:
Todos temos faculdade de ser proprietário, porém essa faculdade
não é o direito de propriedade, porque o direito de propriedade não
é mera faculdade de ser proprietário, mas a permissão, dada a quem é proprietário, de usar, gozar e dispor de seus bens (CÇ, àrt. 1.228, caput). Qualquer dos cônjuges, segundo o art. 1.647, I, do Código Civil, não pode, sem consentimento do outro, salvo no regime de separação absoluta de bens, alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis (CPC, arts. 10, com redação da Lei n. 8.952/94, e 11, parágrafo único). Pode fazê-lo, mas não tem direito de alienar sem outorga uxória ou marital. (Diniz, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 29ªed.Saraiva.2012. p.26)
Em Suma, “O direito objetivo é sempre um conjunto de normas impostas ao comportamento humano, autorizando-o a fazer ou a não fazer algo. Estando, portanto, fora do homem, indica-lhe o caminho a seguir, prescrevendo sanção em caso de violação.
O direito subjetivo é sempre permissão que tem o. ser humano de agir
conforme o direito objetivo.” (Diniz, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. 29ªed.Saraiva.2012. p.27).
1.3. Direito Público e Direito Privado.
As normas jurídicas são divididas em duas categorias: direito público e o direito privado.
A primeira definição para classificá-las surgiu ainda no Império Romano, onde se definiu que as o direito público corresponde aos interesses do Estado, enquanto o privado correspondia aos interesses individuais. Talvez a maior diferença entre as duas seja que as normas coletivas imperam sobre o individual, isso é, enquanto a primeira pode ser representada com uma linha vertical sendo a vontade do soberano acima dos interesses privados, a segunda compreende a uma reta horizontal onde os indivíduos estão no mesmo patamar uns dos outros. 
Dessa forma, o jurista, Caio Mario da Silva Pereira conclui sobre sua divisão:
Sua atual divisão é a seguinte: pertencem ao direito público o direito constitucional, direito administrativo, direito penal, direito processual civil, direito processual penal, o direito internacional público, o direito internacional privado; compõem o direito privado, o direito civil, o direito comercial, o direito agrário, o direito aeronáutico e o direito do trabalho. Com relação ao direito do trabalho e ao direito aeronáutico, se é certo que o fato de disciplinarem relações de ordem privada os mantém nesta categoria, certo é também que a predominância dos princípios de ordem pública coloca-os em posição especial, que faz sobressair seu cunho institucional.
(Pereira, Caio Mario da Silva. Instituições de Direito Civil. 24ªed.Forense.2011. p.42).
1.4. Conceito de Direito Civil.

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