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GESTÃO DE POLÍTICAS 
PÚBLICAS 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Paulo Nascimento Neto 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Implementação e avaliação de políticas públicas 
Ao longo das aulas anteriores, estudamos as primeiras etapas do ciclo de 
políticas públicas. Já discutimos a dinâmica de formação de problemas públicos 
e seus reflexos sobre a formulação de políticas públicas. A partir desse 
momento, aprofundaremos nossos estudos no processo de implementação e 
avalição dessas políticas. Essas duas etapas encerram o ciclo de políticas 
públicas (figura 1), de forma que a partir das conclusões de avaliações 
empreendidas é possível ao decisor verificar se haverá continuidade de uma 
política pública, sua modificação ou término. 
Figura 1 – Ciclo da Política Pública 
 
Fonte: Nascimento Neto, 2020. 
Conforme já estudado, é preciso lembrar que o ciclo da política pública é 
um modelo heurístico, ou seja, de simplificação da realidade, que nos permite 
separar as diferentes etapas do agir público. Muitas vezes veremos no cotidiano 
da gestão pública avaliações que não ocorrem ao final do processo de 
implementação de uma política pública ou ainda alterações substanciais no 
conteúdo de uma política pública ao longo do mesmo processo de 
implementação. Para podermos nos aprofundar nessas questões, trataremos 
inicialmente do processo de implementação de políticas públicas e de suas 
 
 
3 
dimensões críticas (temas 1 e 2), de tópicos de reflexão sobre o monitoramento 
de políticas públicas (tema 3) e de sua avaliação (temas 4 e 5). 
Desejamos a você um excelente estudo! 
TEMA 1 – IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Ao adentrarmos nesta etapa, nos debruçaremos sobre a execução de 
uma política pública, refletindo sobre como concretizar diretrizes, programas e 
normas legais em ações efetivas de intervenção sobre determinado problema 
público. Para tanto, em um primeiro nível de discussão, vemos um esforço para 
especificação de detalhes dos programas e alocação de recursos humanos, 
materiais e financeiros, relacionado à tomada de decisões complementares. 
Contudo, ao contrário do que o senso comum nos leva a pensar, tratar da 
implementação de políticas públicas não significa apenas instrumentalizar a 
ação pública, constituindo-se, na realidade, em uma dimensão crítica do 
processo. Segundo Pressman e Wildavsky (1973), consubstanciado por Jann e 
Wegrich (2007), a implementação transforma a política pública em tal medida 
que as intenções e as declarações iniciais podem até mesmo ser 
substancialmente alteradas. Devemos nos recordar que a gestão de políticas 
públicas tem um componente inerentemente político, não sendo possível 
olharmos para esse assunto unicamente a partir de critérios técnicos. 
Você se lembra do conceito de redes de políticas públicas que estudamos 
nas aulas anteriores? Ele é fundamental para melhor compreendermos como se 
dá o processo de implementação, pois as dinâmicas de conflito e interação entre 
os diferentes atores envolvidos em uma política pública são decisivas, 
conformando um processo contínuo de negociação no qual as coalizações de 
interesses empregarão os recursos de que dispõe (cognitivos, financeiros, 
políticos e de tempo) para adaptar as metas e ações às suas agendas internas. 
Por vezes veremos, inclusive, que essas coalizões de atores se 
organizam durante o próprio processo de implementação, segundo valores cuja 
perenidade e intensidade podem variar. Os rumos de determinadas políticas, 
dessa forma, também podem sofrer modificações de rota, a depender da 
concertação governamental vigente, sobretudo nos casos em que esta foi 
concebida em gestão diferente da atual. 
Contribuindo com o exposto, Frey (2000) ressalta que esses processos 
evidenciam diferentes possibilidades de aprendizagem política e administrativa 
 
 
4 
que permeiam todas as etapas do agir público. Dentro desse contexto, Lotta 
(2019) destaca como principais temáticas de atenção os arranjos multiníveis de 
governança, as interações entre atores estatais e de fora do estado e as 
capacidades estatais de implementação. Ainda, para a autora: 
As políticas públicas são constituídas por diversas camadas decisórias 
– às vezes hierárquicas, às vezes paralelas. Essas camadas são 
compostas por atores responsáveis por decidirem temas ou questões 
distintas ao longo das políticas públicas. Assim, a separação real não 
é entre quem formula (e decide) e quem implementa (e executa), mas 
sim sobre quem decide com quem sobre o quê. E quais decisões são 
passíveis de serem questionadas, alteradas e “redecididas”. (Lotta, 
2019, p. 18) 
Alinhado a essa discussão, um elemento essencial é a identificação dos 
atores envolvidos na implementação de cada política pública. Aqui devemos 
recordar outro tópico de estudo visto em aulas anteriores: a autonomia relativa 
do Estado. Em um cenário no qual atores não estatais têm um papel fundamental 
no campo de políticas públicas, não podem ser menosprezados a influência e o 
papel de atores externos ao aparelho do Estado. Da mesma forma, os diferentes 
níveis de execução de uma política não devem ser desconsiderados. Como já 
amplamente estudado por Lipsky (2019), mesmo os servidores públicos 
alocados em funções de atendimento direto aos cidadãos exercem papel 
decisivo no processo de implementação. 
De forma a ilustrar essa questão, vejamos dois exemplos. No caso de uma 
política pública de educação no município XPTO, um dos agentes diretamente 
responsáveis pela implementação é o corpo docente de cada escola, ou seja, 
cada professor tem papel essencial na forma e na abrangência de determinadas 
diretrizes. Da mesma maneira, ao implementar uma política de segurança 
pública, em última instância, é a conduta de cada policial em serviço que 
permitirá a concretização das diretrizes delineadas. 
Ora, se olharmos o processo de implementação apenas como a 
instrumentalização de uma política “já pronta”, desconsideraremos determinadas 
arenas de negociação, articulação de interesses e constelação de agentes 
fundamentais ao sucesso das diretrizes inicialmente concebidas. Por isso, 
enquanto gestores públicos, precisamos identificar as dimensões críticas desse 
processo, de forma a podermos planejar nossa atuação. É sobre essas questões 
que trataremos no tema seguinte. 
 
 
5 
 TEMA 2 – DIMENSÕES CRÍTICAS DO PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO 
As reflexões apresentadas no tópico anterior nos permitem compreender 
duas dimensões críticas centrais no processo de implementação de políticas 
públicas: por um lado, há uma dimensão técnica inegável, ou seja, a depender 
do tema abordado por uma política pública, questões específicas de 
atendimento, prestação de serviços e distribuição de recursos deverão ser 
planejadas e enfrentadas; contudo, por outro lado, há uma dimensão da ação 
política que se coloca permanentemente em contexto, exigindo pactuações e 
negociações contínuas ao longo de todo o processo. 
Não há como tratarmos da implementação de políticas públicas sem 
termos em mente essas duas dimensões, para as quais determinadas 
condicionantes e ambientes decisórios são evidenciados. Tendo por base os 
estudos de Yanow (1990), podemos elencar algumas das questões que 
emergem para cada uma das dimensões (figura 2). 
Figura 2 – Dimensões críticas do processo de implementação 
 
Fonte: Nascimento Neto, 2020. 
Na dimensão técnica, considerando o cenário contemporâneo de 
autonomia relativa do Estado, observamos uma proeminência das atividades de 
coordenação e comunicação, particularmente presentes em modelos de 
governança pública nas quais a pactuação entre diferentes grupos de interesse 
é crucial. Dentro desse panorama, podemos discutir, inclusive, o que seria uma 
implementação bem-sucedida. Apenas a manutenção das rotas previamente 
delineadas é suficiente para que possamos dizer que determinada política teve 
sua implementaçãorealizada de forma adequada? Muitas vezes, é justamente 
esse é um critério de enfraquecimento da própria política pública, pois 
desconsidera as arenas de articulação de poder e interesses presentes ao longo 
de todas as etapas do ciclo da política pública. 
 
 
6 
Lembre-se: estamos tratando de um tema multidimensional e complexo, 
que se materializa em um contexto sociocultural, político e econômico também 
complexo. Em outras palavras, a própria articulação de fatores de determinada 
política pode se alterar ao longo do processo de formulação e implementação de 
uma política pública, exigindo sua repactuação a fim de possibilitar sua 
adequada execução. A excessiva rigidez de determinar políticas públicas pode, 
inclusive, ser um dos motivos de determinados “déficits de implementação” 
(Frey, 2000). 
Contribuindo com o exposto, Matland (1995) estabelece quatro tipologias 
de implementação, a depender dos graus de conflito e ambiguidade de cada 
política pública. Esses dois fatores, para o autor, são fundamentais na análise 
de efetividade de uma política pública, pois se refere à clareza de objetivos e 
meios (levando a maior ou menor ambiguidade) e aos conflitos de interesse em 
torno de seus conteúdos. A figura 3 ilustra esse modelo analítico. 
Figura 3 – Tipologias de implementação de políticas públicas 
 
 
Fonte: Nascimento Neto, 2020. 
Assim, quando há um baixo nível de conflito, mas um alto grau de 
ambiguidade (falta de clareza sobre objetivos e meios de consecução), a 
tendência é termos uma implementação experimental, na qual os resultados 
dependerão, em grande medida, de condições situacionais. No outro extremo, 
ao termos maior clareza dos objetivos e dos meios de efetivação, mas, ao 
 
 
7 
mesmo tempo, existir um alto conflito entre coalizões de interesse envolvidas 
com o tema, a implementação de uma política pública tende a depender 
majoritariamente da disposição e da capacidade política do governo para ser 
efetivada. 
Esse modelo poderá auxiliá-lo diretamente na prática da gestão pública, 
permitindo mapear tendências de implementação e desafios a serem 
enfrentados nesse percurso. Veja que, mesmo quando há clareza nos conteúdos 
de determinada política pública e baixo grau de conflito, uma implementação 
administrativa também trará desafios, pois será dependente diretamente da 
disponibilidade de recursos. 
Esse panorama nos leva a retomar a reflexão sobre a burocracia do nível 
de rua (Lipsky, 2019), pois, quanto maior forem as ambiguidades de uma política 
pública e as restrições de recursos impostas, maiores serão os impactos das 
decisões realizadas pelos agentes de atendimento direto na efetivação das 
diretrizes delineadas. 
Ao lidar com restrição de tempo e recursos (humanos e financeiros), os 
servidores públicos tendem a estabelecer critérios discricionários de 
atendimento e classificação, alterar formas de prestação do serviço e, 
geralmente, uniformizar tratamentos para demandas diferentes. Ao lidar com tais 
desafios, há uma tendência de que sejam colocados em evidência os próprios 
valores, crenças e ideologias dos funcionários públicos da “linha de frente” de 
cada departamento, secretaria ou repartição, que responderão majoritariamente 
à gestão de suas próprias cargas de trabalho (Pressman; Wildavsky; 1973; 
Meyers; Nielsen, 2012). 
É difícil imaginarmos uma política pública na qual não exista algum grau 
de ambiguidade, mesmo que mínimo. Também são raras as condições sobre as 
quais as políticas públicas são formuladas de forma centralizada, por um grupo 
restrito de atores. A regra é termos um conjunto variado, articulado e dinâmico 
de interações e coalizões de interesse, que atuam sobre uma dimensão 
inevitável de ambiguidade, em um processo com um grau inerente de incerteza. 
É fundamental termos em mente essas questões, para que não sejamos 
“surpreendidos” no exercício da gestão pública e para que possamos gerir 
adequadamente as duas dimensões críticas da implementação de políticas 
públicas. 
 
 
8 
TEMA 3 – MONITORAMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Em nossos estudos sobre a gestão de políticas públicas, propositalmente 
incluímos um tópico específico sobre monitoramento de políticas públicas. Ao 
revisitar o esquema gráfico do policy cycle que viemos trabalhando ao longo das 
últimas aulas, você conseguiria identificar em que etapa essa atividade está 
inserida? Ademais, por que falamos aqui especificamente de monitoramento ao 
invés de discutir diretamente a avaliação de políticas públicas? 
Essas dúvidas, em certa medida, revelam as dificuldades de 
estabelecimento de processos de monitoramento de políticas públicas no Brasil. 
Particularmente no nível local, e em municípios de menor porte, a carência de 
equipe técnica e de recursos é a resposta utilizada recorrentemente por gestores 
para justificar a ausência de indicadores de monitoramento de políticas públicas. 
Nesse cenário, os esforços dos governos locais tendem a estar na formulação 
de políticas públicas e em sua execução. As impressões personalistas da equipe 
técnica municipal, por vezes, são adotadas como “acompanhamento” do 
processo de execução. Isso nos coloca frente a um desafio central, enquanto 
profissionais da gestão pública, sobretudo em políticas de corte local. 
Ao tratarmos do monitoramento, estamos falando de parte intrínseca do 
processo de implementação de uma política pública. Diferentemente da etapa 
de avaliação, de natureza finalística, o monitoramento de políticas públicas 
constitui um processo estruturado e sistemático de acompanhamento com base 
em informações relevantes, geradas na gestão de determinada política pública. 
Para viabilização dessa atividade, a ênfase não recai sobre todos os seus 
aspectos (o que ampliaria consideravelmente o tempo de elaboração e 
conformaria a etapa de avaliação em si), mas apenas sobre as dimensões 
críticas da implementação, mensuradas segundo indicadores estratégicos 
específicos a cada contexto e temática. 
Como bem colocado por Jannuzzi et al. (2009, p. 116): 
Para acompanhar a implementação dos programas e, posteriormente, 
para gestão, quando eles entrarem em plena operação, são 
necessários indicadores que permitam acompanhar regularmente as 
ações programadas, do provisionamento e da alocação do gasto à 
produção dos serviços e, idealmente, aos eventuais resultados e 
impactos esperados quando da idealização dos programas. São os 
indicadores que estruturam processos formais de monitoramento [...]. 
 
 
9 
Estruturalmente, para que possamos produzir indicadores estratégicos e 
analisá-los adequadamente, três caraterísticas fundamentais devem ser 
observadas na atividade de monitoramento, quais sejam: (a) regularidade, 
devendo se constituir em prática rotineira institucionalizada, ou seja, formalizada 
no fluxo de trabalho; (b) sistematizada e cumulativa, impondo-se a necessidade 
de ser realizada sistematicamente em um processo cumulativo de geração de 
informações que alcançará resultados progressivamente mais efetivos após 
diversas rodadas de monitoramento, demandando uma ação institucional e não 
individual; (c) tempestiva, por demandar observância à periodicidade planejada, 
de forma a garantir uma adequada mensuração de indicadores e fomento aos 
processos de revisão periódica do processo de implementação (Cardoso Jr., 
2015). 
Uma das formas mais utilizadas para organizar os dados de 
monitoramento são os dashboards (painéis) em sistemas informatizados, pois 
possibilitam a visualização de diferentes indicadores simultaneamente, 
permitindo sua articulação em uma análise mais profunda. A utilização de 
sistemas informatizados unificados também permite maior facilidade no cadastro 
de informações nas atividades cotidianas de gestão, com reflexos no aumento 
do diálogo entre dados produzidos por diferentes secretarias ou departamentos. 
Nesse contexto, é importante lembrarmos que, viade regra, as informações 
utilizadas para atividades de monitoramento não se originam de levantamentos 
primários de dados específicos para esse fim, mas sim de dados produzidos 
sistematicamente em processos institucionalmente estabelecidos (Jannuzzi et 
al., 2009; Vaz, 2009; Cardoso Jr., 2015). 
A seguir apresentamos um exemplo de painel de monitoramento 
disponibilizado publicamente pelo Departamento Penitenciário Nacional 
(DEPEN), relativo às medidas de prevenção contra a Covid-19 (figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Figura 4 – Painel de Monitoramento – Medidas contra a Covid-19 
 
Fonte: Depen, 2020. 
Como podemos visualizar, esse painel apresenta, na porção superior, a 
distribuição dos casos de pessoas vinculadas ao sistema penitenciário com 
suspeita ou confirmação de acometimento pela Covid-19. Os dados são 
organizados por estados, de modo que podem ser detalhados por região, e são 
articulados às medidas específicas adotadas em cada unidade prisional. Esses 
dados, correlacionados a outros indicadores relevantes de saúde e segurança 
pública, contribuem para uma gestão adequada do sistema prisional nas 
diferentes instâncias federativas. 
TEMA 4 – AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS: ASPECTOS 
INTRODUTÓRIOS 
Se precisássemos descrever de forma extremamente sintética, podemos 
pensar na política pública como uma resposta a um determinado problema 
público. Dessa forma, a etapa de avaliação, entendida como aquela realizada 
após a implementação de uma política pública, possui grande importância, pois 
permite verificar se as metas e os objetivos buscados foram efetivamente 
alcançados. Essa é uma função primordial da etapa de avaliação, mas é 
importante percebermos que ela não se encerra apenas nisso. 
 Como já falamos anteriormente, as políticas públicas são produzidas em 
um contexto complexo e dinâmico e, ao passarmos por cada uma das etapas 
anteriores, você pôde perceber as diferentes tensões e arenas de negociação 
 
 
11 
nas quais os conteúdos dessa política são continuamente pactuados. Isso faz 
com que dificilmente consigamos identificar um ponto de início e um ponto-final 
de uma política pública: há um contínuo de leis, programas e ações públicas 
passíveis de sofrerem modificações a qualquer tempo e, com isso, alterar 
também direções e conteúdos específicos em diferentes frentes de atuação de 
cada política pública. Diante desse cenário, como identificar o momento 
específico de avaliação? 
No cotidiano da gestão pública observaremos que as avaliações poderão 
ocorrer, simultaneamente, ao final de uma gestão governamental (não 
necessariamente coincidente com o final do ciclo de uma política), por 
motivações específicas de grupos políticos de oposição ou ainda por grupos 
externos à arena política, em uma ação específica de controle social. Os 
momentos poderão ser diversos, mas há um certo consenso na literatura sobre 
as diferenças entre essas avaliações e as atividades de monitoramento. 
A diferença central dos processos de avaliação quanto comparados aos 
de monitoramento é a profundidade de análise. Enquanto no monitoramento 
utilizamos painéis com indicadores sintéticos, na avaliação buscamos uma maior 
densidade analítica, a partir da compilação de um conjunto amplo de variáveis, 
além da produção de dados primários especificamente para a avaliação que se 
pretende realizar (Jannuzzi et al., 2009; Cohen; Franco, 1999). 
Para Worthern, Sanders e Fitzpatrick (2004), as avaliações podem ser 
inicialmente classificadas segundo a equipe responsável por sua realização, 
podendo ser do tipo interna, externa, mista e participativa. A avaliação interna, 
apesar de reduzir custos e tempos de execução, corre o risco de produzir 
análises com maior grau de interferência por interesses de governo, já que 
podem revelar uma ação bem ou malsucedida de sua gestão. 
Por sua vez, avaliações realizadas por consultorias contratadas ou 
equipes externas à unidade de governo em questão (auditorias do TCU, por 
exemplo) geram maior transparência e credibilidade no processo avaliativo, 
ainda que demandem maior tempo de desenvolvimento e, quando relacionadas 
à contratação de equipe externa, custos adicionais à gestão pública. Quando há 
uma articulação entre esses dois tipos, temos uma avaliação mista. Por fim, 
Worthern, Sanders e Fitzpatrick (2004) classifica como participativa o tipo de 
avaliação em que os beneficiários de determinada política pública são integrados 
 
 
12 
nesse processo, possibilitando contribuições mais amplas de análise dos 
resultados. 
A despeito das diferentes classificações, a nós, enquanto profissionais do 
campo da gestão pública, é fundamental compreendermos os diferentes tipos de 
avaliação, tema a ser aprofundado no tópico a seguir. 
TEMA 5 – TIPOS DE AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 
Dentro da perspectiva de avaliação de uma política pública, podemos 
dividi-la inicialmente pelo momento em que é realizada, se utilizada como base 
para a concepção de uma política pública (ex-ante) ou se posterior à sua 
execução (ex-post). Além disso, pode também ter natureza formativa, se 
direcionada ao aperfeiçoamento de uma política ou somativa, se relacionada à 
verificação dos impactos com vistas à sua revisão, expansão ou término (Ipea, 
2018a; Ipea, 2018b). 
Essas tipologias podem ainda ser desmembradas, a depender do autor 
que adotemos como referência. Para Rossi, Lipsey e Freeman (2018), por 
exemplo, as avaliações ex-ante se dividem em dois momentos: um primeiro 
voltado à avaliação de necessidades, fomentando o desenho do problema 
público, e um segundo, relacionado ao desenho da política pública e de seu 
processo de implementação. Já as avaliações ex-post podem se relacionar às 
avaliações de impacto (outcome) ou de alcance dos objetivos inicialmente 
planejados (output). 
Neste momento do curso, interessa-nos avançar em uma maior 
compreensão dos instrumentos de avaliação ex-post. Como base de reflexão, 
trazemos aqui a relação de possibilidades elencadas pelo Ipea (2018b). Longe 
de ser uma lista terminativa, ou seja, que se encerra em si mesma, devemos 
considerá-la como um rol exemplificativo das diferentes possibilidades. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13 
Figura 5 – Possibilidades de avaliação ex-post de políticas públicas 
 
Fonte: Nascimento Neto, 2020, com base em IPEA, 2018b. 
Em nossa prática cotidiana da gestão pública, é fundamental 
compreendermos a multiplicidade de caminhos possíveis, de forma a selecionar 
aquele que melhor se aplica à política pública em que estaremos envolvidos. 
Não há um único caminho nem uma melhor tipologia de avaliação, mas 
parâmetros de base e critérios mínimos a serem observados para que possamos 
estruturar um processo adequado de monitoramento e avaliação do agir público. 
No tópico seguinte observaremos os reflexos práticos disso ao 
estudarmos o caso da gestão do uso e ocupação do solo urbano. 
NA PRÁTICA 
Para podermos compreender, na prática, como ocorrem as etapas de 
implantação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, nos 
debruçaremos sobre a gestão do uso e ocupação do solo urbano. De acordo 
com as competências estabelecidas pela Constituição Federal e em observância 
ao disposto na Lei Federal n. 10.257/2001, conhecida como Estatuto da Cidade, 
os municípios são os responsáveis por gerir adequadamente o desenvolvimento 
urbano em seu território, garantindo o “pleno desenvolvimento das funções 
sociais da cidade e da propriedade urbana” (Brasil, 2001, art. 2º). 
Para isso, o instrumento básico da política urbana a ser adotado pelos 
municípios é o Plano Diretor Municipal. Sem adentrar em maiores detalhamentos 
 
 
14 
que escapam ao nosso foco, uma das formas de organização da ocupação 
urbana é justamente pelo Zoneamento de Uso e Ocupação do Solo, ou seja, a 
divisão da área urbana de um município em compartimentos, com a definição de 
quais osusos permitidos e de quanto pode se construir em cada lote. 
Ao considerarmos o ciclo da política pública, podemos considerar a 
aprovação da lei municipal que dispõe sobre o Zoneamento como um dos 
marcos iniciais de implementação dessa política. Mas, nesse contexto, a lei é 
suficiente para garantir uma adequada gestão do uso do solo? Obviamente que 
não, sendo necessário ser complementada por um processo de fiscalização, 
visando o cumprimento das disposições legais, e um processo de monitoramento 
do uso e da ocupação do solo, de forma a produzir dados relevantes ao governo 
local, possibilitando, entre outras questões, a compreensão do processo de 
evolução urbana, a identificação de vetores de crescimento, e de cumprimento 
das diretrizes estabelecidas no Plano Diretor tem sido cumpridas. 
Agora, pense no contexto do município onde vive. Como podemos 
conceber um sistema adequado de monitoramento do uso e ocupação do solo? 
Um instrumento central de monitoramento e gestão é o chamado Cadastro 
Técnico Multifinalitário, entendido como o inventário oficial e sistemático do 
município, organizado segundo uma base cartográfica de todos os lotes, 
vinculados a sistemas de planilhas eletrônicas, que podem ser acessados por 
diferentes secretarias (Cunha; Erba, 2010). 
Com isso, por exemplo, ao aprovar um loteamento, a Secretaria de 
Urbanismo atualizaria a base cartográfica (o que, simplificadamente, poderíamos 
chamar de mapa), com os novos lotes aprovados. Ao serem calculados os 
valores de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), a Secretaria de Finanças 
poderá vincular esses valores aos lotes em questão. Posteriormente, ao emitir o 
alvará de construção de novas edificações, a Secretaria de Obras poderá 
informar, em planilha específica, a área total construída, o uso da edificação e o 
padrão de acabamento, específico para lote da cidade. 
A compilação de todas essas informações, já produzidas, em 
mapeamentos sintéticos gera o equivalente ao que estudamos anteriormente 
como painéis de monitoramento. A esse mapa podemos somar gráficos com a 
variação da quantidade de metros quadrados construídos por bairros ao longo 
dos diferentes meses e anos ou ainda a concentração de determinados usos por 
bairros. 
 
 
15 
Esse conjunto de dados, sinteticamente reunidos, são fundamentais à 
gestão urbana do município. Em outras palavras, significa dizer que esse 
processo sistemático e institucionalizado de informações permite ao gestor 
público compreender processos de transformação urbana no município, como 
um número maior de comércios ou edifícios residenciais e, em última instância, 
avaliar se as diretrizes do Plano Diretor têm se efetivado ou não. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, nos aprofundamos nas etapas de implementação e avaliação 
de políticas públicas. Ao encerrarmos os estudos sobre o ciclo da política pública, 
podemos perceber a complexidade de cada um desses momentos e como eles 
ocorrem de forma articulada e, geralmente, sobrepostas. Compreender essa 
característica intrínseca da gestão de políticas públicas é fundamental para atuar 
de forma adequada, independentemente de qual das etapas, instâncias 
federativas ou atividades você esteja ou estará inserido. 
Nas aulas seguintes, passaremos a analisar alguns modelos teóricos 
explicativos desse processo complexo de produção de políticas públicas e 
ampliaremos a compreensão dessas discussões no contexto brasileiro, com 
base no estudo das políticas de desenvolvimento urbano, desenvolvimento rural 
e desenvolvimento social. Até a próxima aula! 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
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DF, 11 jul. 2001. Disponível em: 
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maio 2020. 
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