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Eletricidade e Instalações Elétricas Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof. Me. Vinicius Azevedo Borges Revisão Textual: Prof.ª Esp. Kelciane da Rocha Campos Aterramento e Para-Raios • Sistemas de Aterramento em Baixa Tensão; • Eletrodos de Aterramento; • Tensões Associadas ao Aterramento; • Generalidades Sobre Descargas Atmosféricas; • Sistemas de Proteção Contra Descargas Atmosféricas. • Conhecer sistemas de aterramento e proteção de descargas atmosféricas utilizados em instalações elétricas de baixa tensão. OBJETIVO DE APRENDIZADO Aterramento e Para-Raios Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam- bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Aterramento e Para-Raios Sistemas de Aterramento em Baixa Tensão Como o próprio nome sugere, aterramento é a conexão da rede elétrica à terra. Para que um sistema elétrico opere corretamente, com a continuidade de serviço adequada e desempenho seguro do sistema de proteção, o aterramento deve ser realizado com um cuidado especial, isto é, elaboração de projetos específicos com base nos parâmetros corretos. Um aterramento correto deve garantir: • a mais baixa resistência possível para correntes residuais à terra; • a ausência de fibrilações na rede, mantendo os potenciais produzidos pelas correntes residuais dentro dos limites de segurança; • maior sensibilização dos dispositivos de proteção, permitindo que estes atuem rapidamente e isolem possíveis falhas; • um caminho de escoamento de descargas atmosféricas para a terra; • o escoamento de cargas estáticas produzidas nas carcaças de equipamentos. Para a elaboração de um projeto de aterramento, é necessário, entre outros pa- râmetros, conhecer a resistividade elétrica do solo. O sistema de aterramento consiste basicamente de três componentes: as cone- xões elétricas que fazem a ligação de algum ponto da instalação elétrica aos eletro- dos de aterramento, os próprios eletrodos de aterramento e a porção de terra que envolve os eletrodos. Sistema de aterramento e aterramento de sistemas são coisas distintas. O pri- meiro se refere ao sistema físico requerido pela instalação elétrica. O segundo se refere à maneira como a instalação elétrica é conectada à terra. Existem três tipos de sistemas de aterramento: • Sistema isolado: aquele que não possui nenhuma conexão proposital com a terra. A conexão entre a instalação elétrica e a terra se dá de forma fraca e tipicamente capacitiva. As correntes residuais que podem surgir nesse tipo de instalação não escoam com facilidade, gerando altos níveis de sobretensões. • Sistema solidamente aterrado: neste sistema, alguns pontos da instalação elétrica são conectados diretamente ao solo, buscando a menor resistência possível para o escoamento de correntes residuais para a terra. Essas corren- tes residuais ativam os sistemas de proteção, que seccionam a parte instável da instalação. • Sistema aterrado por impedância: este caso faz uso de uma impedância, seja resistiva ou reativa, entre a instalação elétrica e o aterramento, a fim de reduzir a intensidade das correntes residuais que chegam ao solo, mas sem eliminar completamente esta conexão. 8 9 Os sistemas de aterramento possuem como principais funções fornecer uma referência para o sistema elétrico, colocando a terra como essa referência; drenar sobrecargas ou correntes residuais do sistema elétrico para a terra; e neutralizar descargas atmosféricas drenadas por sistemas de para-raios, neste caso o sistema de aterramento recebe também o nome de sistema de neutralização de cargas. O tipo de sistema de aterramento deve ser escolhido de maneira a proporcionar o melhor contato com a terra. Os tipos mais comuns de agrupamentos de sistemas de aterramentos são mostrados na Figura 1 e vão desde uma única haste cravada ao solo a um conjunto de hastes ou placas metálicas, ou ainda cabos enterrados em configurações mais complexas. Perceba que a distância ideal entre as hastes de aterramento é a mais próxima possível do comprimento da haste. O tipo mais eficiente de aterramento é aquele composto por uma malha metálica enterrada. A escolha do tipo de agrupamento deve ser feita levando-se em conta o local, o custo e a importância da instalação elétrica. 2 Hastes d = distância entre hastes h = comprimento da hastes d = h d = h d = h d = h 1 Haste 3 Hastes 4 Hastes 5 Hastes Figura 1 – Agrupamento de hastes em paralelo A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em sua norma NBR 5410, especifica os possíveis esquemas de aterramento que são permitidos. O item 4.2.2.2 da norma exemplifica os cinco esquemas mais comuns utilizados para instalações trifásicas. É importante notar na norma que as massas de que ela trata se referem não apenas ao consumo de um equipamento, mas de qualquer quantidade de equipa- mentos elétricos ligados à rede. A NBR5410 também diz que uma mesma instalação pode abranger mais de uma edificação. Neste caso, as massas de uma mesma edificação deverão compar- tilhar o mesmo eletrodo de aterramento, enquanto é possível utilizar eletrodos de aterramento distintos para diferentes edificações. Para denominar os diferentes esquemas de aterramento, é utilizado um código de letras, combinadas da seguinte forma: • Primeira letra: representa a situação da alimentação com referência à terra. » T: indica que um ponto da instalação é ligado diretamente à terra. » I: indica que toda parte viva da instalação é isolada em relação à terra, ou o aterramento se dá através de uma impedância. 9 UNIDADE Aterramento e Para-Raios • Segunda letra: representa a situação da ligação das massas em relação ao aterramento. » T: indica que as massas estão diretamente aterradas, independentemente de qualquer outra parte da instalação. » N: indica que as massas são ligadas diretamente a um ponto aterrado da instalação. • Outras letras: representam a disposição dos condutores neutro e de proteção. » S: indica que as funções de neutro e de proteção são providas por condutores distintos. » C: indica que as funções de neutro e de proteção são providas por um mes- mo condutor. Esquema TN De acordo com a norma, este esquema tem a característica de “possuir um ponto de alimentação diretamente aterrado,sendo as massas ligadas a este ponto através de condutores de proteção”. Dependendo da disposição do condutor neutro e de proteção, este esquema possui três variantes: Sistema TN-S, Sistema TN-C e Sistema TN-C-S. Esquema TN-S O condutor neutro é distinto do condutor de proteção, sendo que o condutor neutro é aterrado juntamente com o condutor de proteção logo na entrada da ins- talação. A Figura 2 mostra o esquema desse sistema de aterramento. Esquema TN-S Aterramento da alimentação Massas Massas L1 L2 L3 N PE Figura 2 – Esquema de aterramento TN-S Esquema TN-C Neste sistema, apenas um condutor realiza as funções de neutro e proteção em toda a instalação. Dependendo da situação, mesmo que normalizado, esse esque- ma pode não ser indicado, uma vez que o mesmo condutor fornece a conexão com o neutro e com o aterramento. 10 11 Esquema TN-C Aterramento da alimentação Massas Massas L1 L2 L3 PEN Figura 3 – Esquema de aterramento TN-C Esquema TN-C-S Neste caso, as funções dos condutores neutro e de proteção são combinadas em partes da instalação, como mostra a Figura 4. Esquema TN-C-S Aterramento da alimentação Massas Massas PE L1 L2 L3 PEN Figura 4 – Esquema de aterramento TN-C-S Esquema TT Neste esquema, um ponto da alimentação é diretamente aterrado, mas as massas são ligadas a um aterramento distinto do aterramento da fonte, conforme indicado na Figura 5. No caso de uma corrente residual percorrendo este esquema, ela será esco- ada para a terra, que limita o valor da corrente por conta da alta resistência do solo. Esquema TT Aterramento da alimentação Massas Massas L1 L2 L3 N Figura 5 – Esquema de aterramento TT 11 UNIDADE Aterramento e Para-Raios Esquema IT O esquema IT é parecido com o esquema TT, com a diferença de que o ater- ramento da fonte é realizado através de uma alta impedância. Dessa maneira, as correntes residuais são limitadas e isso garante que toda a instalação não seja des- ligada nesses casos. A alta impedância do aterramento da fonte pode ocorrer de duas maneiras indicadas na Figura 6. Alimentação aterrada através da impedância A) PE Sem Aterramento da alimentação Massas L1 L2 L3 N B) PE Massas Impedância L1 L2 L3 N Aterramento da alimentação Figura 6 – Esquema de aterramento IT Dentre esses cinco esquemas referenciados pela norma NBR 5410, o esquema TT é considerado o mais eficiente, com um aterramento realizado diretamente na entrada da instalação e o aterramento das massas realizado por outro eletrodo in- dependente. Em geral, os fabricantes de equipamentos elétricos fornecem nas especificações qual é o esquema ideal de aterramento para seus produtos. A NBR 5410, no item 6.4.1.1.1, determina que o aterramento da instalação elétrica é uma infraestrutura, sendo chamado pela norma de “eletrodo de aterra- mento” e é parte da integridade da edificação. Ainda de acordo com a norma, todo sistema de aterramento deve proporcionar confiabilidade, segundo os requisitos de segurança, e conduzir as correntes residu- ais sem oferecer risco de danos que podem ser provocados por essas correntes. Aterramento: https://youtu.be/iDngTx9V9Jw. Ex pl or 12 13 Eletrodos de Aterramento As maneiras de se aterrar um sistema elétrico são as mais variadas, desde sim- ples hastes a configurações complexas de cabos e malhas metálicas enterradas no solo. Os principais tipos de eletrodos utilizados são do tipo hastes verticais, utili- zadas quando as camadas mais profundas do solo possuem menor resistividade; e eletrodos horizontais, geralmente enterrados em profundidades próximas a 0,5 m e utilizados quando há preocupação com o controle do gradiente de potencial na superfície do solo. Por muito tempo se acreditou que utilizar as ferragens das caixinhas das tomadas era suficiente para se obter um aterramento. Ainda hoje, muitas instalações residen- ciais antigas utilizam este método. No item 6.4.1.1.1 da NBR 5410 são identificados os eletrodos de aterramento que são admitidos pela norma: • preferencialmente, uso das próprias armaduras do concreto das fundações; ou • uso de fitas, barras ou cabos metálicos, especialmente previstos, imersos no concreto das fundações; ou • uso de malhas metálicas enterradas, no nível das fundações, cobrindo a área da edificação e complementadas, quando necessário, por hastes verticais e/ou cabos dispostos radialmente (“pés de galinha”) (Figura 7); ou • no mínimo, uso de anel metálico enterrado, circundando o perímetro da edi- ficação e complementado, quando necessário, por hastes verticais e/ou cabos dispostos radialmente (“pés de galinha”) (Figura 8). Figura 7 – Eletrodo malha de terra Fonte: CREDER Instalações elétricas 13 UNIDADE Aterramento e Para-Raios Figura 8 – Eletrodo em anel Fonte: CREDER Instalações elétricas A norma ainda admite outras soluções em situações de instalações temporárias, áreas descobertas, como pátios e jardins, em acampamentos, marinas e instalações similares, ou ainda em reformas, quando não houver a possibilidade de se executar uma das opções citadas. É interessante notar que os eletrodos do tipo hastes metálicas aparecem na nor- ma para instalações de baixa tensão apenas como complemento a outros eletrodos, portanto não devem ser utilizados como principal opção. Os principais tipos de eletrodos de aterramento podem ser classificados como: • aterramento natural pela armadura das fundações; • condutores horizontais radiais ou em malha; • condutores em anel; • hastes verticais. Quando são utilizados eletrodos não naturais, estes deverão ser instalados em quantidade e distribuição adequados à instalação. A profundidade dos eletrodos dependerá da resistividade do solo, sendo preferível aterramentos a profundidades maiores quando a resistividade do solo diminuir com a profundidade. Seção para cabos de aterramento. Como calcular: https://youtu.be/repwp6Wb9pM. Ex pl or 14 15 Tensões Associadas ao Aterramento Ao avaliar a natureza dos aterramentos, em geral, considera-se que uma cone- xão à terra apresenta resistência, capacitância e indutância, que influenciam direta- mente na capacidade de condução de corrente elétrica para a terra. Para o sistema elétrico, o aterramento funcionará como uma impedância no circuito. Esta impe- dância pode ser definida como a oposição oferecida pelo solo à injeção de uma corrente elétrica, através dos eletrodos, e pode ser expressa como a relação entre a tensão aplicada ao aterramento e a corrente resultante. É bastante comum se referir à resistência do aterramento em vez de à sua im- pedância, uma vez que os efeitos reativos são muito reduzidos nas aplicações mais tradicionais. Podemos quantificar o valor da resistência de aterramento de acordo com a equação abaixo. R V iT = Para se ter uma ideia da ordem de grandeza do valor dessa resistência, deve-se considerar que a terra não é um bom condutor elétrico, porém as correntes residu- ais serão transferidas ao solo por toda a extensão do eletrodo, o que torna grande a área transversal, compensando a baixa resistividade do solo. A resistência de aterramento pode afetar o sistema limitando a corrente que flui para o solo, o que reduz a eficácia da proteção, ou gerar uma elevação de potencial elétrico no solo. O valor desse potencial pode ser calculado pela equação abaixo. V R lT T� � Podemos separar a resistência oferecida à passagem de corrente elétrica através de um eletrodo ao solo em três: • resistência própria do eletrodo e das ligações elétricas, que será a menor das três resistências, devido à alta condutividade dos materiais envolvidos; • resistência de contato entre o eletrodo e o solo, que pode variar de acordo com a compactação do solo ao redor do eletrodo; • resistência da terra, que é o fator determinante para garantir que o valor da resistência do aterramento esteja adequado ao projeto. Considerando a Figura 9, cada camada de solo ao redor do eletrodo possui um valor de resistência, e a soma de todas as camadasaté o infinito fornece o valor da resistência total do aterramento. Se considerarmos que cada camada de solo possui a mesma espessura, en- tão camadas mais próximas, que possuem áreas transversais menor, apresentarão 15 UNIDADE Aterramento e Para-Raios maior resistência, enquanto que camadas mais distantes, com áreas transversais maiores, possuirão menor resistência quanto maior a distância até o eletrodo. Solo Figura 9 – Camadas de solo ao redor do eletrodo de aterramento Como medir resistência de aterramento? Disponível em: https://youtu.be/id_UGtaZXfs. Ex pl or Generalidades Sobre Descargas Atmosféricas Descargas atmosféricas, ou raios, são des- cargas elétricas entre regiões eletricamente carregadas que ocorrem na atmosfera, geran- do clarões e estrondos, comumente conhecidos como relâmpagos e trovões. Essas descargas podem acontecer no interior de uma nuvem, ou entre nuvens diferentes, ou ainda entre alguma nuvem e a terra. Os raios consistem em uma gigantesca faísca que proporciona um caminho condutor para a transferência das cargas elétricas de uma região a outra. Para que ocorra um raio, uma nuvem deve possuir um grande campo elétrico em seu interior, proveniente da alteração na distribui- ção das cargas elétricas, conforme a Figura 11. Figura 10 – Descarga atmosférica entre nuvens e a terra Fonte: Wikimedia Commons 16 17 Figura 11 – Eletrização de uma nuvem Fonte: Wikimedia Commons O ar atmosférico é normalmente um bom isolante elétrico. O campo elétrico no interior da nuvem, porém, pode aumentar a níveis em que consiga vencer esta resistência dielétrica do ar, permitindo um fluxo de cargas e o consequente apare- cimento dos raios. Um dos componentes mais vulnerável à ação de raios é a rede de transmissão de energia elétrica. Uma descarga elétrica na rede de transmissão propaga picos de tensão por vários quilômetros, oferecendo riscos ao ser humano e danificando equipamentos elétricos conectados à rede. Uma descarga atmosférica é um fenômeno natural, imprevisível e aleatório, tan- to espacialmente e temporalmente quanto em magnitude, podendo provocar con- sequências catastróficas. Ainda não possuímos dispositivos ou métodos que alterem fenômenos atmosfé- ricos naturais capazes de eliminar a ocorrência de descargas atmosféricas. Uma vez que não há como resolver o problema dos raios na origem do problema, a solução é proteger as instalações elétricas contra essas descargas. A maneira mais eficaz de proteger uma instalação elétrica contra descargas atmosféricas é facilitar um caminho para o fluxo elétrico entre as nuvens e o solo. Nisso consiste um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA). Tensão de passo. O que é? https://youtu.be/UEIHix0kRmQ. Ex pl or 17 UNIDADE Aterramento e Para-Raios Sistemas de Proteção Contra Descargas Atmosféricas Os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) são destinados à proteção de prédios, antenas, instalações industriais, residenciais, tanques, tubu- lações e seres humanos contra raios e seus efeitos. São compostos por dispositivos localizados nos pontos mais elevados das edifi- cações e têm como princípio de operação fornecer um caminho de menor resistên- cia elétrica para escoamento de cargas atmosféricas para a terra, evitando que o escoamento ocorra por caminhos que possam danificar equipamentos ou oferecer riscos às pessoas. A correta instalação e utilização de um SPDA não impede a incidência de raios no local, mas minimiza seus efeitos. Uma instalação mal executada pode ser mais perigosa que a ausência de um sistema de proteção. Figura 12 – Para-raios em atuação Fonte: Getty Images A ABNT, pela norma NR 10, determina que qualquer estabelecimento com potência instalada maior que 75 kW deve possuir e manter PIE (prontuário das instalações elétricas) com o relatório de inspeção do sistema SPDA e aterramen- tos elétricos. Além da determinação da NR 10, a utilização de SPDA também é uma exigên- cia do corpo de bombeiros para edifícios maiores que 30 m de altura e instalações industriais e comerciais maiores que 1500 m² de área construída. Outra exigência de SPDA do corpo de bombeiros é em áreas destinadas a depósitos de materiais explosivos e inflamáveis. Também pode ser exigida a proteção em quaisquer outras edificações a critério do corpo de bombeiros, desde que justificada a periculosidade. 18 19 A norma que regulamenta a instalação de SPDA é a NBR 5419 e tem como objetivo evitar e minimizar explosões, incêndios, danos materiais e riscos de morte de pessoas e animais por conta dos efeitos das descargas atmosféricas. São utilizados três métodos para dimensionamento de um SPDA. O primeiro deles é o método gaiola de Faraday, que consiste na instalação de um sistema de captores em forma de malha. É bastante utilizado para a proteção de galpões e edi- fícios. O mecanismo de funcionamento é baseado na teoria de Faraday, que define o campo elétrico no interior de uma gaiola como nulo, desde que a corrente passando pelos condutores da malha seja distribuída uniformemente. Quanto mais fechada for a malha, ou menor a distância entre os seus condutores, melhor será a proteção. Método gaiola de Faraday, disponível em: https://bit.ly/2X8VvFT. Ex pl or Outro método utilizado é o de Franklin, que utiliza captores do tipo Franklin (Figura 13). Este método fornece uma proteção espacial em formato de cone, com o captor no vértice do cone. Cada vez menos este método é utilizado em edifica- ções devido às suas limitações, protegendo uma altura máxima de 45 m. O terceiro método é chamado de método da esfera rolante ou esfera fictícia e consiste em rolar uma esfera por toda a edificação, com raio definido de acordo com o nível de proteção. Ao rolar a esfera pela edificação, os locais onde a esfera tocar são os mais ex- postos e exigem maior atenção. Estes locais podem ser protegidos por captores do tipo Franklin ou condutores metálicos. A norma ainda permite a utilização de mais de um método combinado. Para os três tipos de SPDA, é necessária uma malha de aterramento com hastes conectadas para melhor dissipação da corrente elétrica para o solo. Quanto mais alta a edificação e maior sua área construída, maior deverá ser o nú- mero de hastes de aterramento. Sistemas de proteção contra descargas atmosféricas SPDA NBR 5419: https://youtu.be/3mwSGrhFoH4. Ex pl or Figura 13 – Captor de Franklin 19 UNIDADE Aterramento e Para-Raios Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Instalações elétricas COTRIM, Ademaro A.M.B. Instalações elétricas. Revisão e adaptação técnica de José Aquiles Baesso Gromoni e Hilton Moreno. 5ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. Instalações elétricas CREDER, Hélio. Instalações elétricas. Atualização e revisão de Luiz Sebastião Costa. Rio de Janeiro: LTC, 2016. NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão ABNT. NBR 5410:2004 – Instalações elétricas de baixa tensão. 2004. IEC 60417 Graphical Symbols for use on equipment. IEC 60617 Graphical Symbols for Diagrams. 20 21 Referências ABNT. NBR 5410 :2004 – Instalações elétricas de baixa tensão. 2004. COTRIM, A. A. M. B. Instalações elétricas. Revisão e adaptação técnica de José Aquiles Baesso Gromoni e Hilton Moreno. 5ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. CREDER, H. Instalações elétricas. Atualização e revisão de Luiz Sebastião Costa. Rio de Janeiro: LTC, 2016. HALLIDAY, D.; RESNICK, R.; WALKER, J. Fundamentos de física. Vol. 3. 8ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2009. 21