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INCLUSÃO DA MODALIDADE DO DIÁLOGO COMPETITIVO NO 
PROCESSO LICITATÓRIO SOB A ÓTICA DA LEI Nº 14.133/2021 
 
Thiago Carvalho Badini Guarim 1 
Bruno Henrique da Rocha2 
 
RESUMO 
 
Os grandes avanços tecnológicos e as alterações no setor da Licitação Pública e no cenário 
Nacional, acarretaram enumeras mudanças da antiga lei de Licitação Pública nº 8666/93. 
Houvesse, portanto, a criação da nova Lei de Licitação Pública (Lei nº 14.133/2021). Com isso, 
uma das principais mudanças implementadas foi a inclusão da nova modalidade licitatória 
conhecido como o Diálogo Competitivo, disposto no artigo 6º, inciso XLII, da lei 14.133/2021, 
que é considerada uma modalidade licitatória em que há participação dos particulares nas 
decisões administrativas. Isso busca promover, no âmbito do próprio procedimento licitatório, 
uma negociação entre Poder Público e particulares. Objetivando a construção conjunta das 
soluções técnicas mais adequadas para um objeto contratual complexo e inovador. Ademais, o 
Diálogo Competitivo é dividido em três fases principais que são: fase de pré-qualificação; fase 
do diálogo e a fase da competição. Em tese, o Diálogo Competitivo é uma excelente alternativa 
criada para resolver as demandas mais complexas da Administração Pública nas quais haja 
incerteza ou indeterminação quanto à solução a ser alcançada. Com sua divisão em etapas, 
torna-se possível que os licitantes façam ofertas e discutam sob o que imaginam ser apropriado 
para a efetiva resolução da demanda disposta no Edital de Licitação. 
 
Palavras-chave: Processo licitatório; Lei nº 14.133/2021; Diálogo Competitivo; Fases; 
Desafios. 
 
SUMÁRIO: INTRODUÇÃO; 1. CONCEITO SOBRE O DIÁLOGO COMPETITIVO DA 
LEI Nº 14.133/2021: 1.1. O que é o Diálogo competitivo da Lei nº 14.133/2021? 1.2 Hipótese 
em que o Diálogo Competitivo pode ser utilizado; 2. FASES DA MODALIDADE DO 
DIÁLOGO COMPETITIVO: 2.1. Fase da Qualificação; 2.2. Fase do Diálogo; 2.3. Fase da 
Competição; 3. PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA MODALIDADE DO DIÁLOGO 
COMPETITIVO: 3.1. Pontos Positivos; 3.2. Pontos negativos; 4. DESAFIOS 
ENCONTRADOS NA MODALIDADE DO DIÁLOGO COMPETITIVO; 
CONSIDERAÇÕES FINAIS; REFERÊNCIAS 
 
INTRODUÇÃO 
 
Com o advento da nova lei de Licitação Pública (Lei nº 14.133 de 1 de abril de 2021), 
esta veio unificar algumas regras que estavam vuneráveis e tentar reformular vários aspectos 
relacionados à Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993, buscando assim o aprimoramento do novo 
modelo licitatório existente. 
Insta salientar que alguns pontos do ordenamento anterior estavam vulneráveis, com 
destaque para a morosidade, excesso de burocracia, falta de transparência e a ausência de 
efetividade do processo licitatório, com risco à própria segurança jurídica nas relações entre a 
 
1UNIVAG – Centro Universitário. Área do Conhecimento de Ciências Sociais Aplicadas. Curso de Direito. Acadêmico Thiago 
Carvalho Badini Guarim da disciplina TCC II, turma DIR 181 AN. E-mail: thiago_badini@msn.com. 
2UNIVAG – Centro Universitário. Área do Conhecimento de Ciências Sociais Aplicadas. Curso de Direito. Prof. Orientador Sr. 
Bruno Henrique da Rocha. E-mail: bruno.rocha@univag.edu.br 
2 
Administração Pública e os licitantes. 
Posto isso, o legislador introduziu no artigo 6º, inciso XLII, da Lei nº 14.133/2021 o 
Diálogo Competitivo, definido como uma: 
 
Art. 6º (...) 
XLII- Modalidade de licitação para contratação de obras, serviços e compras 
em que a Administração Pública realiza diálogos com licitantes previamente 
selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma 
ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os 
licitantes apresentar proposta final após o encerramento dos diálogos. 
 
A fim de destacar a mudança implementada pela nova lei de licitação pública, destaca-
se, portanto, a retirada da carta convite e a tomada de preços, e a inclusão de uma nova 
modalidade de licitação, o diálogo competivo. 
Posto isso, o Diálogo Competitivo é implementado na nova lei de licitação com 
propósito especifico para atender a administração pública no que concerne a contratação de 
obras, serviços ou compra de produtos técnicos específicos e de grandes complexidades 
Assim, a utilização do diálogo competitivo é restrita, sendo aplicável quando o poder 
público entender necessário introduzir inovação tecnológica para atender uma necessidade 
pública; quando constatar a impossibilidade de ter sua demanda satisfeita sem a adaptação de 
soluções disponíveis no mercado; e quando verificar a impossibilidade de conseguir definir com 
precisão as especificações técnicas da solução desejada. 
Destarte, o objetivo da pesquisa é discorrer sobre o que é o diálogo competitivo da Lei 
nº 14.133/2021, em quais hipóteses pode ser utilizado, quais são as fases, os pontos positivos e 
negativos, bem como discorrer sobre os desafios encontrados nessa nova modalidade licitatória. 
Dessa maneira, para atingir o objetivo ora proposto, o presente trabalho foi dividido em 
04 (quatro) tópicos. Em primeiro lugar discutir-se-a o conceito de Dialogo Competitivo, sendo 
posteriormente apresentadas as hipóteses em que esssa modalidade pode ser utilizada. Num 
segundo momento, sera discorrido sobre as fases (fase de qualificação, fase do diálogo e a fase 
da competição) . Em terceiro, sera analisado os pontos positivos e negativos e por final mostrar 
ao leitor os desafios encontrados nessa nova modalidade licitatória. 
 
1. CONCEITO SOBRE O DIÁLOGO COMPETITIVO DA LEI Nº 14.133/2021 
 
Com o intuito de buscar o entendimento do tópico alhures, é importante trazer à baila 
do presente artigo científico o conceito sobre a modalidade do Diálogo Competitivo 
implementada na nova lei de licitação pública, bem como as hipóteses de sua utilização. 
 
1.1. O que é o Diálogo competitivo da Lei nº 14.133/2021? 
 
A modalidade de licitação do Diálogo Competitivo é uma das grandes novidades 
inseridas no ordenamento jurídico brasileiro por meio da Lei nº 14.133/2021. Cabe ressaltar 
que essa inserção na legislação brasileira foi inspirada na legislação europeia, mais 
precisamente na Diretiva 2004/18/UE (atual Diretiva 2014/24/UE). 
A novel modalidade é adotada pelo direito europeu, mais precisamente com a Diretiva 
2004/18/EU (atual diretiva 2014/24/EU), e possui por função, oferecer soluções às contratações 
mais complexas aos entes públicos através do estabelecimento de diálogo concorrencial com o 
setor produtivo privado. 
Importa consignar que, no bojo da atual Diretiva 2014/24/UE, são delineados inúmeros 
benefícios gerados pelo aumento da utilização do denominado "diálogo concorrencial": 
 
3 
É muito importante que as autoridades adjudicantes disponham de maior 
flexibilidade para escolher um procedimento de contratação que preveja a 
negociação. A maior utilização desses procedimentos deverá também 
intensificar o comércio transfronteiras, pois a avaliação demonstrou que os 
contratos adjudicados através de um procedimento por negociação, com 
publicação prévia de anúncio, apresentam uma taxa de sucesso 
particularmente elevada das propostas transfronteiras. Os Estados-Membros 
deverão poder prever o recurso ao procedimento concorrencial com 
negociação ou ao diálogo concorrencial nas situações em que um concurso 
aberto ou limitado sem negociação não seja passível de gerar resultados 
satisfatórios na ótica da contratação pública. Importa recordar que os recursos 
ao diálogo concorrencial aumentaram significativamente em termos de 
valores dos contratos, nos últimos anos. Revelou-se útil nos casos em que as 
autoridades adjudicantes não conseguem definir as formas de satisfazer as 
suas necessidades ou avaliar o que o mercado pode oferecer em termos de 
soluções técnicas, financeiras ou jurídicas. Tal pode, nomeadamente, 
verificar-se quando se trata de projetos inovadores, da execução de projetos 
de infraestruturas de transportesintegrados em larga escala, de grandes redes 
informáticas ou de projetos que obriguem a financiamentos complexos e 
estruturados. Sempre que pertinente, as autoridades adjudicantes deverão ser 
incentivadas a nomear um chefe de projeto para garantir a boa cooperação 
entre os operadores económicos e a autoridade adjudicante durante o 
procedimento de adjudicação. (UNIÃO EUROPÉIA, 2014, p. 7/8) 
 
Assim, a modalidade do Diálogo Competitivo é um instituto oriundo do Direito 
Europeu, tendo como ideia subjacente à contribuição do setor privado para as soluções em que 
as contratações de bens ou serviços envolvam tecnologias e atividades com técnicas específicas 
com objetos de alta complexidade, contribuindo assim para a necessidade e soluções públicas. 
Por isso, ele é apropriado para aquelas situações nas quais o poder público sabe da necessidade, 
mas não sabe como supri-la, ou seja, deve ser introduzida na Administração Pública somente 
em casos de inovações que envolvam tecnologias e atividades com técnicas específicas com 
objetos complexos, cujo bem e serviços não estão em abundância no mercado, descartando-se 
as contratações de bens ou serviços que são de uso comum. 
Para uma visão pragmática do cabimento da modalidade do Diálogo Competitivo no 
processo licitatório, faz-se necessário o entendimento de Rafael Sérgio de Oliveira: 
 
A novidade é o diálogo competitivo, cujo escopo é a adjudicação de contratos 
dotados de complexidade técnica, jurídica ou financeira. Trata-se de um 
instituto oriundo do Direito Europeu cujo foco inicial foi incentivar os 
Estados-Membros da União Europeia a promoverem parcerias público-
privadas, as PPP’s. A ideia subjacente nessa modalidade de licitação é a de 
que o setor privado pode contribuir para as soluções públicas. Por isso, ele é 
apropriado para aquelas situações nas quais o poder público sabe da sua 
necessidade, mas não sabe como supri-la. No diálogo competitivo, o objeto da 
contratação é concebido no curso da licitação. […]. Essa modalidade é apta 
para casos complexos, sendo, por isso, de aplicação restrita. Na Europa, 
poucos são os países que se valem dessa espécie de procedimento, apesar de 
o terem positivado no seu direito interno. Ele é bastante utilizado na Inglaterra 
e na França. (OLIVEIRA, 2020, p. 9). 
 
A modalidade do Diálogo Competitivo surgiu no Direito europeu por meio do artigo 29 
da Diretiva nº 2004/18/EU, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de março de 2004, 
hoje substituída pela Diretiva nº 2014/24/EU, para dar legitimidade a postura que era adotada 
4 
pelos países membros do bloco europeu com a finalidade de buscar procedimentos licitatórios 
que pautasse pelo diálogo, negociação entre os licitantes e a Administração Pública com o 
objetivo de atender os anseios e necessidades que envolvam objetos complexos e inovadores. 
Dessa forma, para que possa discutir sobre o que é o Diálogo Competitivo no processo 
licitatório, sob a ótica da Lei 14.133/2021, é importante trazer à baila a previsão disposta no 
artigo 6º, inciso XLII que define: 
 
Diálogo competitivo: modalidade de licitação para contratação de obras, 
serviços e compras em que a Administração Pública realiza diálogos com 
licitantes previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito 
de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas 
necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta final após o 
encerramento dos diálogos. (BRASIL,2021). 
 
Em suma, a modalidade do Diálogo Competitivo inserida na Lei nº 14.133/2021 traz a 
relação mútua dos licitantes com a Administração Pública que através do diálogo busca-se a 
melhor proposta com finalidades técnicas, mediante critérios objetivos. 
 
1.2 Hipótese em que o Diálogo Competitivo pode ser utilizado 
 
As hipóteses em que o Diálogo Competitivo pode ser utilizado seria em casos em que a 
Administração Pública precisa de contratações de naturezas específicas e que envolvam 
tecnologias cujos bens e serviços não estão em abundância no mercado, descartando-se as 
contratações de bens ou serviços que são de uso comum, sendo está restrita. 
 Nesse sentido, se faz necessário a menção do artigo 32, I e II da Lei nº 14.133/2021: 
 
Art. 32. A modalidade Diálogo Competitivo é restrita a contratações em que 
a Administração: I - vise a contratar objeto que envolva as seguintes 
condições: a) inovação tecnológica ou técnica; b) impossibilidade de o órgão 
ou entidade ter sua necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções 
disponíveis no mercado; e c) impossibilidade de as especificações técnicas 
serem definidas com precisão suficiente pela Administração; II - verifique a 
necessidade de definir e identificar os meios e as alternativas que possam 
satisfazer suas necessidades, com destaque para os seguintes aspectos: a) a 
solução técnica mais adequada; b) os requisitos técnicos aptos a concretizar a 
solução já definida; c) a estrutura jurídica ou financeira do contrato. 
 
Em linhas gerais, a utilização do Diálogo Competitivo é restrita, sendo aplicável quando 
a Administração pública entender necessário introduzir inovação tecnológica para atender uma 
necessidade pública, quando constatar a impossibilidade de ter sua necessidade satisfeita sem a 
adaptação de soluções disponíveis. 
Portanto, após a verificação e análise do objeto a ser licitado pela administração pública, 
cujo dispositivo constará no Edital de abertura de licitação e verificada sua a necessidade no 
que tange a contratações envolvendo inovações tecnológicas e de natureza específica, passar-
se-á para as fases da modalidade do diálogo competitivo. 
Compreendido o conceito do Diálogo Competitivo e bem como as hipóteses em que 
essa modalidade pode ser utilizada, vejamos adiante as três fases desta nova modalidade 
licitatória. 
 
2. FASES DA MODALIDADE DO DIÁLOGO COMPETITIVO 
 
Comprovado o cabimento do Diálogo Competitivo pela Administração Pública, este 
procedimento licitatório se desenvolve em três fases consecutivas: fase de qualificação; fase de 
diálogo e fase de competição. 
5 
2.1. Fase da Qualificação 
 
A fase de qualificação está disposta no Art. 32, § 1º, I e II, da Lei nº 14.133/2021, 
conforme dispõe: 
 
Art.32, § 1º Na modalidade Diálogo Competitivo, serão observadas as 
seguintes disposições: I - a Administração apresentará, por ocasião da 
divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas necessidades e as 
exigências já definidas e estabelecerá prazo mínimo de 25 (vinte e cinco) dias 
úteis para manifestação de interesse na participação da licitação; II - os 
critérios empregados para pré-seleção dos licitantes deverão ser previstos em 
edital, e serão admitidos todos os interessados que preencherem os requisitos 
objetivos estabelecidos. (BRASIL, 2021). 
 
 Nesta primeira fase, a Administração divulga o edital e apresenta seus objetivos ao 
mercado, abrindo o prazo de, no mínimo, 25 dias úteis para que os agentes privados manifestem 
seu interesse em participar do procedimento. Se o objeto for complexo, o prazo mínimo poderá 
e deverá ser naturalmente estendido, possibilitando que todos os licitantes lancem a proposta e 
assim apresentem a qualificação solicitada pela Administração Pública. Concluída a fase da 
qualificação prévia dos candidatos, inicia-se, portanto, o diálogo com os licitantes pré-
selecionados. 
 
2.2. Fase do Diálogo 
 
Na Fase do Diálogo, os candidatos devem ser tratados de forma isonômica, vedando-se 
à Administração Pública, divulgar as informações de modo discriminatório que possa insinuar 
vantagem para algum licitante e também revelar a outros licitantes as soluções propostas ou as 
informações confidenciais comunicadas por um licitante sem o seu consentimento. 
Importante destacar que a fase do diálogo poderá ser mantida até que a Administração, 
em decisão fundamentada, identifique a solução ou as soluções que atendam às suas 
necessidades.Não há, portanto, limite temporal máximo para o desenvolvimento do diálogo 
visto a depender da complexidade do objeto e da capacidade dos pré-qualificados em atingir as 
soluções com maior ou menor presteza. 
Diante da ausência de prazo máximo para a conclusão da fase dialógica, a 
Administração pública poderá prever, antecipadamente, no instrumento convocatório, etapas 
negociais sucessivas, eliminatórias ou não, durante a fase do diálogo. Não necessariamente, a 
Administração pública deverá escolher a melhor solução em uma única rodada de negociação. 
A lei admite que o poder público vá filtrando as melhores soluções gradativamente, até chegar 
à melhor solução, atingindo assim a sua necessidade. 
Frisa-se que toda a negociação deverá ser documentada, em razão do princípio da 
publicidade e da transparência. 
Dessa forma, tais informações encontram-se respaldados no artigo 32, parágrafo 1º, incisos 
III e IV, V, VI, VII e VIII da lei dito alhures: 
 
Art. 32. (...). III - a divulgação de informações de modo discriminatório que 
possa implicar vantagem para algum licitante será vedada; 
IV - a Administração não poderá revelar a outros licitantes as soluções 
propostas ou as informações sigilosas comunicadas por um licitante sem o seu 
consentimento. 
6 
V - a fase de diálogo poderá ser mantida até que a Administração, em decisão 
fundamentada, identifique a solução ou as soluções que atendam às suas 
necessidades; 
VI - as reuniões com os licitantes pré-selecionados serão registradas em ata e 
gravadas mediante utilização de recursos tecnológicos de áudio e vídeo; 
VII - o edital poderá prever a realização de fases sucessivas, caso em que cada 
fase poderá restringir as soluções ou as propostas a serem discutidas; 
VIII - a Administração deverá, ao declarar que o diálogo foi concluído, juntar 
aos autos do processo licitatório os registros e as gravações da fase de diálogo, 
iniciar a fase competitiva com a divulgação de edital contendo a especificação 
da solução que atenda às suas necessidades e os critérios objetivos a serem 
utilizados para seleção da proposta mais vantajosa e abrir prazo, não inferior 
a 60 (sessenta) dias úteis, para todos os licitantes pré-selecionados na forma 
do inciso II deste parágrafo apresentarem suas propostas, que deverão conter 
os elementos necessários para a realização do projeto. (BRASIL, 2021). 
 
A fase do diálogo é, portanto, mais flexível e dotada de maior discricionariedade, uma 
vez que os próprios contornos do objeto da contratação são definidos nesta etapa à medida que 
as soluções vão aparecendo e as condições apresentadas pelos licitantes vão sendo 
constantemente avaliadas e reavaliadas pela comissão julgadora. 
 
2.3. Fase da Competição 
 
Finalizada a etapa do diálogo com os licitantes, tem-se então, a última fase que é a 
Competitiva, que consistente na concorrência entre os licitantes para a apresentação da melhor 
proposta. 
Após definir a solução mais adequada à necessidade e objetivo da Administração 
Pública por meio de um diálogo amplo entre os concorrentes, o poder público irá selecionar o 
licitante que apresentar, dentro do escopo delineado na fase anterior, a proposta mais vantajosa, 
atendendo aos anseios da Administração Pública. Conforme determina o art. 32, § 1º, IX da Lei 
nº 14.133/2021, in verbis: “A Administração poderá solicitar esclarecimentos ou ajustes às 
propostas apresentadas, desde que não impliquem discriminação nem distorçam a concorrência 
entre as propostas” 
A seleção da proposta vencedora dar-se-á conforme os critérios divulgados no edital 
referente à fase competitiva, assegurando a contratação com resultado mais vantajoso para a 
Administração Pública e será conduzido de forma colegiada, ou seja, por uma comissão de 
contratação composta de no mínimo 3 (três) servidores efetivos. Assim, o art.32, § 1º, XI e § 
2º, dispõe: 
 
Art. 32, § 1º (...). XI - o diálogo competitivo será conduzido por comissão de 
contratação composta de pelo menos 3 (três) servidores efetivos ou 
empregados públicos pertencentes aos quadros permanentes da 
Administração, admitida a contratação de profissionais para assessoramento 
técnico da comissão; 
§ 2º Os profissionais contratados para os fins do inciso XI do § 1º deste artigo 
assinarão termo de confidencialidade e abster-se-ão de atividades que possam 
configurar conflito de interesses. (BRASIL, 2021). 
 
 Os licitantes contratados deverão assinar termo de confidencialidade e abster-se de 
atividades que possam configurar conflito de interesses. 
7 
Frisa-se, que na fase competitiva, a relação é de autonomia em relação à Fase do 
Diálogo, de modo que não necessariamente aquele que formulou a melhor proposta para a 
Administração, dentro dos requisitos e objetivo do edital que apresentará a proposta mais 
vantajosa e, portanto, vencerá a licitação. Não há uma igualdade, entre os licitantes que 
apresentar a melhor solução ou técnicas específicas, na fase do diálogo, e aquele que oferecer 
a proposta mais vantajosa, na fase competitiva. 
Abarcado as fases da modalidade do Diálogo Competitivo no procedimento licitatório, 
será analisado a diante os pontos positivos e negativos. 
 
3. PONTOS POSITIVOS E NEGATIVOS DA MODALIDADE DO DIÁLOGO 
COMPETITIVO 
 
O Diálogo Competitivo tende a melhor instruir a Administração na compreensão das 
alternativas e dos riscos envolvidos na contratação pretendida se bem conduzida. 
Assim, a análise dos pontos positivos e negativos na modalidade licitatória, possibilita, 
ainda, o maior alinhamento entre os interesses e as expectativas das partes contratantes, 
favorecendo a construção de soluções e busca da segurança jurídica entre a Administração 
pública e os particulares. 
 
3.1. Pontos Positivos 
 
No que concerne aos pontos positivos, a nova modalidade denominada Diálogo 
Competitivo, prevista na Lei nº 14.133/2021, mostra-se em linhas gerais como um 
procedimento licitatório, flexível e transparente, conferindo assim uma segurança jurídica à 
Administração Pública e aos licitantes, em relação a objetos de grandes complexidades. 
O Diálogo Competitivo tende a melhor instruir a Administração na compreensão das 
alternativas e dos riscos envolvidos nas contratações, possibilitando um nivelamento entre os 
interesses e expectativas dos licitantes, bem como favorecendo em suma os anseios da 
Administração Pública. 
Dessa forma se faz necessário a transcrição do entendimento em consenso de Mariana 
Zago e Fernanda Rodrigues: 
 
Possibilita, ainda, maior alinhamento entre os interesses e as expectativas das 
partes contratantes, favorecendo a construção de soluções com maior 
aderência aos anseios da Administração Pública. Como consequência, esses 
fatores tendem a agregar maior consistência, estabilidade e segurança jurídica 
nas contratações públicas. (ZAGO; RODRIGUES, 2019, p. 2/3). 
 
A Administração Pública possuindo em seus procedimentos regras claras, objetos 
precisos e transparentes, possibilitando a todas as licitantes condições igualitárias de 
negociação, estabelece portando, uma segurança jurídica a todos os envolvidos. 
 
3.2. Pontos negativos 
 
No que tange aos pontos negativos, há existência de termos ou expressões vagas, sem 
detalhamento mais claro no texto da nova lei de licitação pública, como ocorre no art. 79, inciso 
I, que, ao tratar das condições o legislador não deixa claro sobre, uma vez que utiliza-se das 
expressões “ padronizadas” deixando assim o leitor na dúvida em quais padronizações que a 
Administração pública solicita e exige e também fora constatado a ausência de definição no 
texto da lei, como ocorre no art. 32, inciso I, alínea “a”, que, ao tratar das condições que do 
8 
objeto a ser contratado, utiliza-se das terminologias “ inovação tecnológica ou técnicas” e 
possibilitando a execução do objeto com diferentes metodologias. 
Os diferentes pontos consubstanciados em positivos enegativos, possibilitam concluir 
que, a nova modalidade licitatória possui importante característica para o interesse da 
coletividade, contribuindo assim, para a celeridade, efetividade e transparência das licitações 
públicas, inclusive no que tange a aplicação da segurança jurídica entre a Administração 
Pública e os particulares. 
Acerca da análise dos pontos positivos e negativos, será discorrido no ultimo tópico 
deste artigo, sobre os desafios encontrados na modalidade do Diálogo Competitivo. 
 
4. DESAFIOS ENCONTRADOS NA MODALIDADE DO DIÁLOGO COMPETITIVO 
 
O Diálogo Competitivo por ser um procedimento licitatório negocial, transparente e 
flexível, conferindo uma segurança jurídica à Administração e aos licitantes, visando assim, a 
melhor instrução, compreensão dos riscos e alternativas para a Administração Pública no que 
concerne a contratações de objetos complexos e inovadores, possibilitando o maior 
alinhamento entre os interesses e as expectativas das partes contratadas, possuem vários 
desafios que consiste desde a prática da negociação, pois como se trata de uma modalidade 
de licitação em que os licitantes dialogam com a administração Pública, os mesmos precisam 
de boas habilidades de convencimento com a finalidade de atender a todos os requisitos 
previamente exposto na fase do edital de pré-seleção, buscando-se a proposta mais vantajosa. 
Destarte, o custo de operacionalização da modalidade do diálogo competitivo támbem 
se torna um desafio para a Administração pública, diante das sucessivas fases do processo 
licitatório e incertezas dos profissionais licitantes no que concerne a apreciação do certame. 
Outra questão a ser mencionado é que, a modalidade do Diálogo Competitivo por se 
mostrar um procedimento negocial que envolve os licitantes e os agentes da administração 
pública, é possível haver um certo favorecimento, burlando assim a competição pela nova 
modalidade licitatória. 
Os desafios trazidos pela nova modalidade de licitação, e a possibilidade de sua 
utilização poderá trazer grandes benefícios à Administração Pública, a fim de que possa 
acompanhar as inovações tecnológicas e suas implementações que cada vez mais têm sujeitados 
as políticas públicas, visando, este, a disponibilização dos serviços públicos aos cidadãos com 
qualidade e segurança. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A Lei nº 14.133/21 em seu artigo 6º, inciso XLII, introduziu uma nova modalidade 
licitatória conhecida como uma “modalidade de licitação para contratação de obras, serviços e 
compras em que a Administração Pública realiza diálogos com licitantes previamente 
selecionados através de critérios objetivos, com a finalidade de desenvolver uma ou mais 
alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta 
final após o encerramento dos diálogos”. 
A introdução do Diálogo Competitivo na legislação brasileira foi inspirada na legislação 
europeia, mais precisamente na Diretiva 2004/18/EU (atual Diretiva 2014/24/UE), e se pode 
concluir que o uso da modalidade deve ocorrer quando a Administração não estiver segura 
quanto à melhor solução técnica capaz de atender o interesse público, podendo recorrer ao setor 
privado para, durante o processo de contratação e por meio de interações dialógicas, definir 
qual será essa solução. 
Nos termos definidos na Lei nº 14.133/2021, a utilização do Diálogo Competitivo é 
restrita, sendo aplicável quando o poder público entender necessário introduzir inovação 
9 
tecnológica para atender uma necessidade pública; quando constatar a impossibilidade de ter 
sua necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções disponíveis no mercado; e quando 
verificar a impossibilidade de conseguir definir com precisão as especificações técnicas das 
soluções desejadas. 
Posto isto, o Diálogo Competitivo por ser um procedimento licitatório negocial, 
transparente e flexível, conferindo uma segurança jurídica à Administração e aos licitantes, 
visando a melhor instrução, compreensão dos riscos e alternativas para a Administração Pública 
no que concerne a contratações de objetos complexos e inovadores, essa nova modalidade 
licitatória possui importante característica para o interesse da coletividade, contribuindo para a 
celeridade, efetividade e transparência das licitações públicas, inclusive no que tange a 
aplicação da segurança jurídica entre a Administração Pública e os particulares. 
 Portanto, pontua-se ao final que, os problemas que ficaram sem soluções ou não foram 
levantados no tema apresentado neste artigo, serão apontados, a fim de que no futuro possam 
ser estudados pelo próprio autor do trabalho de pesquisa ou por outras pessoas. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Lei nº 8.666 de 21 de junho de 1993. Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da 
Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e 
dá outras providências. Disponível em: 
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relevante para efeitos do EEE: Revogada pela Diretiva nº 2014/18/UE. Jornal Oficial da União 
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ZAGO, Marina; RODRIGUES, Fernanda. O que o diálogo competitivo agrega às 
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https://www.conjur.com.br/2019-nov-11/opiniao-dialogo-competitivo-agrega-contratacoes-publicas
https://www.conjur.com.br/2019-nov-11/opiniao-dialogo-competitivo-agrega-contratacoes-publicas

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