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INBOUND E MARKETING DE CONTEÚDO AULA 1 Prof. Larissa Ilaídes CONVERSA INICIAL Nesta aula, serão abordados os fundamentos e finalidades do Inbound e Marketing de Conteúdo. Vamos iniciar entendendo o que é esse conceito e técnica de marketing digital, mas também absorvendo no que ele se aplica e como pode ser estruturado para campanhas. Nosso intuito é que você saiba compreender os motivos pelos quais as estratégias de Inbound e Marketing e Conteúdos são muito acessíveis, rentáveis e necessárias às marcas que desejem intensificar seu reconhecimento e rentabilização na internet. CONTEXTUALIZANDO Ao iniciar os estudos práticos em Inbound Marketing, precisamos entender sobretudo por que e em que contexto ele surgiu, os novos hábitos e jornadas do consumidor na internet, para que serve Marketing de Conteúdo, os conceitos ao redor dos funis de vendas e quais são os modelos mais eficazes para Inbound. TEMA 1 – INTRODUÇÃO AO INBOUND E MARKETING DE CONTEÚDO Você sabe por que o Inbound é classificado e entendido como um modelo de marketing de permissão? Isso mesmo, de permissão. Nesse modelo, presume-se que os consumidores permitam sua entrada. Mas antes de nos aprofundarmos nessa questão, vamos imaginar o seguinte contexto: você está caminhando em um parque, quando se depara com um outdoor. Ali uma propaganda lhe chama a atenção, você gosta do anúncio, memoriza a marca para pesquisar depois quando houver um tempo e segue seu passeio. Uma cena comum para um passeio, certo? No entanto duas questões precisam nos chamar a atenção: 1. Você não permitiu previamente que aquele anúncio interrompesse seu passeio. 2. Você poderia estar ou não estar previamente interessado no produto ou na marca que estava naquele outdoor. Mas e se estivesse? E se mais ainda, estivesse tão disposto a saber mais sobre aquele produto que ao ver mais dez outdoors sobre ele não te atrapalharia, mas pelo contrário, te ajudaria a tomar a melhor decisão de compra? Pensando assim, o pesquisador Seth Godin (1999), elabora e publica o conceito de “Marketing de Permissão”, em seu livro chamado “Permission Marketing”. Disponível em: <https://www.amazon.com.br/Permission-Marketing- Turning-Strangers-Customers-ebook/dp/B000FC0SSC>. Acesso em: 5 nov. 2021. Na obra, o autor questiona os modelos mais tradicionais de marketing vigentes à época, como anúncios em televisão, rádio ou jornais impressos, alegando que estes modelos se baseavam até então em gatilhos capazes de desviar nossa atenção de tudo que estivéssemos fazendo. Para Godin (1999), os anúncios de propaganda tal qual como os conhecíamos poderiam ser denominados Marketing de Interrupção, por serem capazes de interromper algo dentro do cotidiano das pessoas, tal qual nosso exemplo de passeio no parque. Mas e se fosse possível pedir a permissão dos envolvidos? Para Godin: “em vez de incomodar os clientes em potencial interrompendo sua mercadoria mais cobiçada – o tempo – o Marketing de Permissão oferece aos consumidores incentivos para aceitar propaganda voluntariamente” (Godin, 1999). Em outras palavras, Godin traz uma percepção disruptiva aos profissionais de comunicação e marketing da década de 1990 ao afirmar que seria mais rentável e lucrativo para as marcas, concentrar seus esforços em atrair indivíduos que já tivessem demonstrado algum interesse em seus produtos e serviços, ou que apenas tivessem interesse em aprender mais. Por meio desse pensamento a respeito da publicidade e marketing, Godin passa a adotar o termo Marketing de Permissão, incentivando as empresas a desenvolverem relacionamentos de longo prazo com seus clientes, criando confiança, desenvolvendo o conhecimento, o reconhecimento de marca e assim, naturalmente, aumentando suas probabilidades de efetuar vendas. O autor ainda afirma que, a longo prazo, o investimento em Marketing de Permissão possui a tendência de ser mais rentável, uma vez que um indivíduo que teve experiências confortáveis com a marca antes de sua primeira compra, tende a refazer outra compra com mais facilidade em outra oportunidade e que assim, é capaz também de recomendá-la espontaneamente aos seus círculos sociais, reduzindo desta forma, consideravelmente os esforços e investimentos recorrentes para vendas em marketing tradicional, ou seja, marketing de interrupção. 1.1 Primeiro o marketing de conteúdo, depois o inbound A partir desta seção, entenderemos os benefícios aplicados de Marketing de Conteúdo e como ele surgiu, para então tornar-se Inbound Marketing. Para Godin (1999), era possível criar ações de marketing mais confortáveis e permissivas aos indivíduos, mas com quais mecanismos e ferramentas? Quando a obra surge em 1999 nos Estados Unidos, o advento da Internet estava iniciando o movimento expansivo como recurso crucial no cotidiano. O impacto do crescimento da Internet foi de tal relevância que Castells (2001) compara essa chegada com o advento da eletricidade na Era Industrial do século XVIII, enfatizando que o motor elétrico foi tão importante para aquela época quanto a Internet é agora no início dos anos 2000, revolucionando a sociedade e modificando culturas. Para ele, a internet seria como um motor elétrico que ao invés de distribuir energia, distribuísse informação. O autor afirma que a Internet “passou a ser a base tecnológica para a forma organizacional da Era da Informação: a rede” (Castells, 2001, p. 7) e ainda coloca que a explosão do uso da rede impõe uma mudança tão relevante quanto a que ocorreu com a chegada das impressoras de Gutenberg. Isto é, o fenômeno nomeado por Marshall McLuhan de Galáxia de Gutenberg, passa a ceder espaço para a Galáxia da Internet, conceito ancorado nas observações e comprovações de Castells (2001). É nesse contexto que surge o Marketing de Conteúdo na internet, isto é: uma prática por sua vez, mais permissiva, convidativa e atraente para se fazer marketing e adquirir novos clientes. TEMA 2 – MARKETING DE CONTEÚDO E SEUS BENEFÍCIOS PARA AS MARCAS Como vimos, podemos definir que o Marketing de Conteúdo é uma estratégia de marketing focada na elaboração, criação e distribuição de conteúdos relevantes, sem promover explicitamente a marca ou tentar vender algo. Assim, a empresa ajuda seu público-alvo a resolver problemas e aos poucos, torna-se uma autoridade no assunto. Em outras palavras, o Marketing de Conteúdo não é sobre o que uma empresa faz ou vende, mas sim sobre o que o cliente desta empresa precisa. O Marketing de Conteúdo baseia-se em: • Gerar conteúdos sem intenção clara de venda, isto é, criar conteúdos gratuitos e com o propósito de educar o público; • Prezar pela distribuição destes conteúdos em rede; • Responder por meio de conteúdos, dúvidas dos indivíduos a respeito de produtos e serviços destinados a eles; • Ajudar os indivíduos em geral, a tomarem decisões de compra melhores a partir dos conteúdos gratuitos; • Incentivar a recomendação dos conteúdos, para que em rede, mais indivíduos possam ter acesso gratuito a eles. São alguns exemplos de Marketing de Conteúdo: Blogs informativos; • Artigos; • Ebooks; • Webinários e lives; • Posts didáticos em redes sociais; • Vídeos didáticos; • Podcasts didáticos; • Publicações impressas, como revistas segmentadas de uma marca por exemplo. Cientes de que o Marketing de Conteúdo requer a permissão dos indivíduos, vale ressaltar que esta estratégia é comumente mais conhecida em âmbitos digitais, mas, no entanto, um dos primeiros cases de Marketing de Conteúdo registrados data de 1895, quando a marca de tratores John Deere, empresa líder no segmento de máquinas agrícolas publicou a revista “The Furrow” para compartilhar conteúdos com o público interessado em agricultura. O sucesso foi tanto que a revista segue sendo publicadaaté os dias atuais. Disponível em: <www.derre.com.br>. Acesso em: 5 nov. 2021. Todavia, salvas exceções tradicionais como o exemplo da empresa americana John Deere, com o avanço da tecnologia e do uso da Internet no Brasil, as marcas têm apostado de maneira mais intensiva no Marketing de Conteúdo em rede, por entenderem seus benefícios. Quando buscamos por “como escolher uma smart tv” logo veremos que os resultados que o mecanismo de busca Google nos retorna estão ligados à educação e elucidação de nossa busca. Figura 1 – Print de tela de pesquisa Dessa forma, ao clicar em um dos resultados, estou: 1. consumindo um conteúdo gratuito que me ajudará a tomar a melhor decisão; 2. gerando tráfego para um dos sites. Vale relembrar que ao buscar por “como escolher uma smart tv” estamos demonstrando interesses prévios. Teoricamente, como apontou Godin, devemos nos sentir confortáveis com os anúncios que o mecanismo demonstra, uma vez que estamos relatando um problema: não sabemos como escolher uma nova televisão. Figura 2 – Print de tela de pesquisa Crédito: Gmstockstudio/Shutterstock. Ao investir em anúncios e resultados orgânicos, as marcas estão nos ajudando a resolver uma dor, mas também colhendo uma série de benefícios. Vejamos então os benefícios do Marketing de Conteúdo na internet: • Gerar mais visibilidade online; • Aumentar a conexão real com o público; • Aumentar os acessos ao site; • Gerar reconhecimento de marca; • Aumentar o engajamento; • Educar o cliente; • Gerar leads em modelos escalonáveis e previsíveis; • Gerar mais vendas com modelos previsíveis. Um ponto importante a ser deixado claro é: o marketing de conteúdo funciona por meio de grandes pilares da comunicação: • Planejamento prévio e estratégia; • Reconhecimento do público-alvo e da persona; • Copywriting (técnicas de escrita de conteúdos); • Design (visual dos conteúdos). TEMA 3 – O SURGIMENTO DO INBOUND MARKETING Nesta etapa, como citado anteriormente, veremos como Inbound Marketing surgiu como técnica de marketing de digital a partir do crescimento e adesão do Marketing de Conteúdo original. Atualmente, conhecemos Inbound Marketing como uma estratégia de marketing comum, mas o conceito oficial surgiu dez anos após a publicação de Seth Godin. Foi em 2010 que Brian Halligan e Dharmesh Shah, lançaram o livro “Inbound Marketing: seja encontrado usando o Google, a mídia social e os blogs”. Disponível em: <https://www.amazon.com.br/Inbound-Marketing- Encontrado-Usando-Google/dp/8576084600>. Acesso em: 5 nov. 2021. Os mesmos autores do livro são também os criadores do HubSpot, a primeira ferramenta de automação de marketing, que inspirou tantas outras como a RD Station no Brasil. Enquanto os e-commerces começavam a ganhar a adesão dos consumidores como plataforma de consumo válida e as marcas corriam para garantir bons lugares no Google com blogs e conteúdos, a HubSpot surge como precursora e pioneira cunhando o termo Inbound Marketing e passando a entender as conexões de marketing digital como um funil. TEMA 4 – DO MARKETING DE CONTEÚDO AO INBOUND Indo além do Marketing de Conteúdo, o Inbound Marketing consiste não apenas em distribuir conteúdos relevantes e ricos de maneira gratuita a fim de propagar a marca, mas também em vender e fidelizar a partir destes conteúdos da maneira mais automática e estratégica possível, dando origem à Metodologia Inbound: • Atração: atrair o tráfego de visitantes • Conversão: convertendo visitantes em leads (pedindo ao usuário um contato) • Fechamento: transformando leads em clientes • Fidelização: encantando clientes para que se tornem divulgadores Assim, podemos definir o Inbound Marketing como um conjunto de técnicas que envolve a criação e o compartilhamento de materiais específicos para um determinado público que será impactado de acordo com o que busca na Internet. Veja abaixo como a metodologia é aplicada: Figura 7 – Metodologia Inbound Marketing, via HubSpot Todavia, os resultados advindos do Inbound Marketing devem ser quantificados em funil. Figura 8 – Metodologia Inbound Marketing em visão de funil TEMA 5 – O QUE SÃO LEADS Agora que você já sabe como o Marketing de Conteúdo e o Inbound Marketing surgiram e para que servem, que já se familiarizou com estes termos e que principalmente entendeu que o grande diferencial entre Marketing de Conteúdo e Inbound Marketing é a visão da atração até a recomendação da marca, é necessário aprofundarmos no ponto-chave do Inbound Marketing: o lead. Assunto muito recorrente nas salas de aula e entre os profissionais de marketing, a geração de leads ou lead generation ganha cada vez mais atenção, ferramentas, gatilhos e técnicas. Sabemos que enquanto o Marketing de Conteúdo é responsável pela atração, o Inbound preocupa-se em Atrair e Converter e entende que a Conversão é a geração de um lead. Antes de vermos as figuras, saibamos pontuar o que é um lead: lead é todo contato que deixa alguma informação sobre si a fim de saber ou entender mais sobre o assunto, serviço ou produto da marca. 4.1 Exemplos de captação de leads Vejamos as figuras abaixo para enxergamos na prática como podemos captar um lead, isto é, um contato de um possível cliente interessado no conteúdo, produto ou serviço da marca. Figura 9 – Print de tela de campanha em landing page Acima você vê um exemplo de captação de lead para uma marca focada em vender apartamentos. Ao deixar seu nome, telefone e e-mail o indivíduo passa a ser um lead qualificado para o marketing preparar a venda. Figura 10 – Print de página especial de campanha em landing page Acima você vê o exemplo mais clássico de captação de leads por meio de conteúdo. No exemplo, a página oferece uma inscrição para um evento ao vivo e a assinatura do blog. Com o e-mail do visitante ou a inscrição dele, temos um lead captado para o funil de Inbound Marketing. A premissa da geração de leads para Inbound é fornecer um conteúdo ou experiência gratuita ao indivíduo por meio do Marketing de Conteúdo, mas em troca, pedir seu contato para continuar o relacionamento. O intuito é gerar negócios qualificados para as empresas por meio de uma incrível jornada de conteúdo. TROCANDO IDEIAS Para maiores informações, trocas de ideias e acompanhamentos de novidades, sugerimos participação e assinatura dos seguintes canais sociais que geralmente trazem muitos insights sobre marketing em geral e Inbound, assim como novidades: • Disponível em: <https://www.sethgodin.com/>. Acesso em: 5 nov. 2021. • Disponível em: <https://resultadosdigitais.com.br/>. Acesso em: 5 nov. 2021. • Disponível em: <https://academy.hubspot.com/pt/>. Acesso em: 5 nov. 2021. • Disponível em: <https://viverdeblog.com/>. Acesso em: 5 nov. 2021. NA PRÁTICA Agora que você já entendeu na teoria toda o conceito e finalidade do Marketing de Conteúdo e Inbound Marketing, principalmente, para que servem estas técnicas de marketing digital, utilize seu tempo prático para buscar na internet por algo que seja de seu interesse de consumo. Assim, aproveite para listar quais exemplos você verá de Marketing de Conteúdo e em seguida de Inbound Marketing na sua jornada de pesquisa por informação, preços e diferenciais. FINALIZANDO Encerramos esta aula com a compreensão de como o Marketing de Conteúdo e o Inbound surgiram nos contextos da comunicação social aos quais fazem parte, ou seja, publicidade e propaganda, bem como encerramos com a definição do ponto-chave diferencial entre estas duas técnicas: a geração de leads e o foco na receita e nas vendas. Desta forma, agora precisamos dar início ao entendimento analítico e também mais prático e mais avançado estrategicamente, passando por plataformas, gatilhos para conteúdos atrativos, criação de personas, modelosde funis de Inbound, métricas e automações, tipos de conversões, tipos de leads, jornadas, processos e as diferenças entre outbound e inbound. O ideal é compreender e dominar todas as possibilidades mais atuais de Inbound Marketing. REFERÊNCIAS CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo, 2001. GODIN, S. Permission marketing: turning strangers into friends and friends into. Estados Unidos: Simon & Schuster, 1999. CONVERSA INICIAL CONTEXTUALIZANDO TEMA 1 – INTRODUÇÃO AO INBOUND E MARKETING DE CONTEÚDO tema 2 – Marketing de Conteúdo e seus benefícios para as marcas tema 3 – O surgimento do Inbound Marketing tema 4 – do marketing de conteúdo ao inbound TEMA 5 – O QUE SÃO LEADS TROCANDO IDEIAS NA PRÁTICA FINALIZANDO REFERÊNCIAS