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55 Capítulo 4 Marketing no varejo on-line e off-line O varejo, seja on ou off-line, se caracteriza como um serviço que re- úne diferentes produtos de diferentes marcas organizadas de forma a facilitar a rotina de compra de um consumidor. Variados formatos fo- ram apresentados, como varejo alimentício com loja, varejo alimentício sem loja, varejo de serviço e varejo sem loja. Com diferentes tamanhos, formatos e especializações de categorias de produto, todos os varejos têm o mesmo objetivo: organizar produtos, comprando de distintos for- necedores para atender um grupo de consumidores. Com o mesmo objetivo, seja um varejo físico ou virtual, a forma de aplicar os conhecimentos de marketing são similares para quase to- dos os varejistas. Lembrando o conceito de Kotler e Keller (2018) para a gestão do marketing mix, os varejistas encontram facilidade na orga- nização do P-produto ao ter a sua disposição diversos fornecedores; os varejistas determinam o P-preço dos bens de consumo ou serviços M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. 56 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .oferecidos; o P-promoção é direcionado tanto em grandes meios de co- municação como no próprio ponto de venda, assim como determinam o seu P-praça baseado no fluxo de consumidores e atratividade do local, isso para o varejo físico. Para o varejo on-line, o P-praça está ao alcance dos olhos e mãos do consumidor por meio da utilização de uma pla- taforma digital. A aplicação do marketing mix para o varejista é mais dinâmica, uma vez que ele está em contato direto com seus consumi- dores, conhecendo suas preferências e adaptando diariamente o seu P-produto, P-preço e P-promoção. Com a vantagem do contato direto com os consumidores, o varejista pode se organizar para trazer maior conveniência a seus frequentado- res, entendendo seu processo de decisão de compra, trabalhando mar- cas institucionais, desenvolvendo marcas próprias e organizando um plano de comunicação combinado com seus fornecedores. Entretanto, mesmo com a vantagem de ter contato direto com seus consumidores, os varejistas devem lembrar que um mesmo consumidor muda sua de- cisão de compra de acordo com sua ocasião de consumo ou mesmo de acordo com seu objetivo de compra. 1 O consumidor de varejo e o processo de decisão de compra Neste tópico, apresentamos duas abordagens do processo de deci- são de compras. A primeira baseia-se no ponto de vista de Alvarez, que destaca como um varejista pode ser mais atrativo que seus concorren- tes na sua capacidade de gerir um ponto de venda mais cativante. A se- gunda abordagem baseia-se no ponto de vista de Kotler e Keller (2018) ao apresentarem características dos consumidores que influenciam no seu processo de decisão de compras. As visões são complementares, a primeira é uma ferramenta de gestão do varejista, a segunda é o enten- dimento do consumidor. 57Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Alvarez (2008) afirma que os consumidores não são participan- tes do mercado com um comportamento linear, variando conforme o papel que assumem no processo e ocasião de compra ou consumo de um bem ou serviço. Um varejista tem múltiplas variáveis a se- rem gerenciadas na capacidade de atrair um grupo de consumidores para o seu ponto de venda, físico ou virtual. Fatores como reputação, localização, mix de produtos oferecidos, marcas apresentadas no ponto de venda, atendimento, ambientação, processo de compra e pagamento, promoções que geram maior ou menor atratividade para um grupo de consumidores. Alvarez (2008) também destaca alguns fatores que influenciam o consumidor a escolher determinado varejista para fazer suas compras. Podemos nomear os sete itens destacados pelo autor como fatores de atratividade do varejista para um público específico. Quantos mais itens dos sete apresentados um varejista conseguir desenvolver, maior será sua atratividade perante seus consumidores, ajudando-os no seu pro- cesso de decisão de qual varejista será o preferido da maior parte dos momentos que pensarem em determinada categoria de produtos para satisfazer suas necessidades. São eles: 1. Variedade de categorias de produtos. 2. Variedade de marcas apresentadas. 3. Qualidade dos produtos vendidos. 4. Variedade de faixas de preços apresentadas em uma mesma ca- tegoria de produtos. 5. Localização e acesso ao ponto de venda. 6. Apresentação dos produtos dentro da loja. 7. Qualidade no atendimento e solução de problemas. 58 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .Kotler e Keller (2018) sustentam que diferentes fatores afetam o comportamento de compra do consumidor. Esse comportamento não é simples, é multidimensional em virtude da quantidade de aspectos que fazem uma mesma pessoa tomar decisões diferentes para a aquisição de um mesmo produto. Os autores realçam que o mercado consumidor, os demandantes de um mercado, é formado por pessoas de diferentes idades, renda, grau de instrução e gostos. A forma como um consumi- dor se relaciona com outras pessoas também influencia sua escolha por um bem de consumo ou serviço. O processo de decisão de compra pode ser tão rápido quanto um pensamento, mas os fatores para essa decisão ocorrer são complexos. Todos os dias, tomamos diversas decisões de compra. Seja a re- posição de bens de consumo não duráveis para a nossa rotina, seja o planejamento para adquirir um bem de consumo durável ou mesmo a demanda por um serviço, todos os dias tomamos decisões para exe- cutar o ato de compra de um produto. Kotler e Keller (2018) asseveram que os profissionais de marketing têm um desafio diário ao estudarem o comportamento de compra de seus consumidores, pois as respostas estão trancadas na cabeça das pessoas. Cada consumidor reage de for- ma diferente aos estímulos de marketing apresentados pelos 4Ps. Não obstante, estímulos das forças macroambientais também motivam os consumidores a moldar um comportamento de compra, quais sejam: ambiente econômico, político, legal, natural, tecnológico e sociocultural. Kotler e Keller (2018) descrevem que as compras de um consumidor são influenciadas por características culturais, sociais, pessoais e psi- cológicas. O processo de gestão de marketing dificilmente controlará esses fatores, entretanto, um profissional de marketing deve levá-los em consideração para conhecer seu consumidor: • Fatores culturais: a cultura é o principal determinante do compor- tamento de uma pessoa. Todos crescemos expostos à cultura do país, região e cidade que vivemos. É um fator macroambiental, 59Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. não mudamos a cultura, nos adaptamos a ela. Valores culturais estão arraigados na sociedade, por exemplo, realização, sucesso, progresso, liberdade, etc. • Fatores sociais: nossas decisões como consumidor levam em consideração grupos de referência que exercem influência. Selecionamos bens que são mais aceitos pelo grupo ao qual pertencemos, escolhendo marcas que tenham significados so- ciais para o grupo de referência. Opinião de pessoas desse gru- po com certeza influenciam na escolha de produtos e serviços. Damos valor à opinião de indivíduos com quem convivemos pro- ximamente. A família é um grupo que nos influencia. Seus mem- bros tendem a repetir preferências, hábitos e comportamentos. Pais e irmãos influenciam o nosso comportamento. Por fim há o papel social que representamos de acordo com o grupo que estamos nos relacionando, ou seja, o que se espera que um in- divíduo desempenhe em certa circunstância. Desenvolvemos diversos papéis ao longo do dia, cada um pode ser mais bem representado pelo status demandado. Representações e signifi- cados sociais permitem entendimento mais rápido do papel que cada um está representando. • Fatores pessoais: características de uma pessoa influenciam na escolha de produtos a serem comprados, variando de acordo com nossa idade, ocupação, renda, personalidade e comunica- ção da imagem, bem como o estilo de vida. • Fatores psicológicos: o último apresentado por Kotler e Keller, são os de maior complexidade de entendimento, já que variam de pessoa a pessoa. Os autores explicam que as pessoas respon- dem a estímulos ambientais que, combinados às características do consumidor, levam ao processo de decisão de compra. Existem cinco fatores psicológicos que, em conjunto, funcionam na mente de cada pessoa de forma simultânea: 60 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .1. Motivação: cada pessoa tem distintas necessidades o tempo todo. Algumas são biológicas, como sede, fome e frio, outras são psicológicas, como reconhecimento, integração e autoestima. 2. Percepção: processo pelo qual alguém seleciona, organiza e in- terpreta as informações do ambiente. A percepção depende de estímulos do ambiente e do repertório do indivíduo. 3. Aprendizagem: impulsos são resultados de estímulos que levam a determinada ação. Ao longo do tempo, a experiência com um produto é um processo de aprendizagem, pois temos interação que gera percepções positivas ou negativas. 4. Emoção: sensação, um sentimento. É uma resposta pessoal da organização dos sentidos que nos diferencia das máquinas. As reações não são puramente racionais. Por menor que seja, sem- pre existirá algum tipo de sentimento que gera uma emoção. 5. Memória: capacidade de armazenar informações e experiências ao longo da vida. Memorizamos palavras, imagens, sons, aromas. Figura 1 – Processo de decisão de compra Reconheci- mento de uma necessidade ou desejo Procura de informação Escolha de compra Avaliação de alternativas Comportamento pós-compra Como representado pela fi gura 1, o processo de decisão de compra é composto por cinco etapas complementares que variam pontualmente de pessoa para pessoa. O modelo é geral, apresentando o ciclo de deci- são de compra que começa pelo reconhecimento de uma necessidade ou desejo, passa pela busca de informações sobre o item ou serviço a ser 61Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. adquirido para satisfazer a necessidade ou desejo, seguindo-se a terceira etapa que é avaliar as alternativas existentes no mercado. A quarta etapa é a escolha pelo bem de consumo. A quinta e última etapa é o comporta- mento pós-compra que pode ser direcionado em duas alternativas: satis- fação ou insatisfação em relação à escolha feita. Kotler e Keller (2018) apresentam os fatores envolvidos no ato da compra. Alvarez mostra como um varejista pode auxiliar essa decisão de compra a gerar uma experiência positiva baseada na motivação, per- cepção, aprendizagem, emoção e memória. 2 A marca institucional, o marketing de relacionamento no varejo e sua importância para o consumidor Quando pensamos em uma rede supermercadista, cada pessoa lembrará de uma marca que provavelmente tem a sua preferência em consequência de anos de positivo relacionamento. O mesmo ocorrerá quando fizermos esse exercício com uma rede de farmácias, eletrodo- mésticos, lojas de brinquedos, livrarias e outros modelos varejistas. Já sabemos que a essência de um varejista é comprar bens de consumo, organizá-los e atrair consumidores para revendê-los. Genericamente falando, se visitarmos a rede supermercadista A ou B, provavelmente encontraremos as mesmas categorias de produtos e as marcas mais vendidas. Gostamos mais da rede A ou da rede B por aspectos que vão além do mix de produtos oferecidos. Alguns fatores já foram indicados como localização, apresentação do ponto de venda, preços médios dos produtos, bem como a qualidade do atendimento. A somatória desses pontos no relacionamento do consumidor com um varejo específico gera a preferência por uma marca. Kotler e Keller (2018) destacam que a maior parte da preferência de um consumidor 62 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .por determinada marca vai além dos benefícios funcionais oferecidos, uma empresa se torna uma marca a partir do momento que desenvolve um vínculo baseado nos benefícios emocionais. A empresa, ao se apresentar como uma marca, gera no consumi- dor a expectativa de que uma positiva experiência de relacionamento com um varejista possa ser repetida em outras lojas da mesma rede, desenvolve-se um anseio de padronização de processos, atendimento e comunicação. Kotler e Keller (2018) discorrem que a construção de uma marca é responsável pelo ativo mais perdurável de uma empresa. O desenvolvimento de uma marca institucional, uma referência, pode vir a se tornar o ativo mais poderoso de uma corporação. Uma marca é mais que um símbolo ou um nome, trata-se de um elemento que repre- senta as percepções e sentimentos em relação à empresa ou produto, é tudo o que a corporação representa para seus consumidores. PARA PENSAR Reflita sobre esta afirmação: “uma marca só existe na mente dos con- sumidores”. O desenvolvimento de uma marca é um fator de diferenciação num mercado cheio de concorrentes. Um varejista deixa de ser um mero revendedor de produtos para ser reconhecido como um ambiente que propicia uma experiência positiva no relacionamento com seus consu- midores. Desenvolver uma marca institucional é uma decisão desafia- dora para os profissionais de marketing, uma vez que envolve posicio- namento, seleção de nome e criação da marca. Trabalhar uma marca institucional, que se torne referência em uma somatória de atributos únicos reconhecidos pelo seu público-alvo, é uma das formas mais se- guras de aumentar a lealdade de seus consumidores. Parte deles dei- xará o fator preço num planosecundário em sua decisão de escolha 63Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. de um varejo em prol de benefícios emocionais destacados e reconhe- cidos. Um grupo de consumidores preferirá a experiência do relacio- namento com uma marca institucional que é aderente a seus valores. Esse reconhecimento da marca institucional se torna uma proteção e um diferencial perante a concorrência. Alvarez (2008) afirma que uma das vantagens do varejista em rela- ção aos fabricantes é a possibilidade de relacionamento direto, produ- zindo interações instantâneas. O varejista também tem a capacidade de reconhecer individualmente uma parte de seus consumidores, prin- cipalmente os mais leais. O varejista consegue tratar alguns de seus consumidores pelo nome. Ele também pode oferecer bens de consumo e serviços aderentes à preferência deles, reforçando o vínculo pessoal e aumentando a percepção do seu público em relação aos benefícios emocionais. Esses pontos são algumas interações baseadas no marke- ting de relacionamento. Todo consumidor prefere um varejista que con- siga atendê-lo de forma pessoal e customizada a um que ofereça um atendimento impessoal. O ser humano tende a se sentir mais confortá- vel em ambientes em que é reconhecido do que naqueles em que é “só mais um anônimo”. Vamos mostrar como isso funciona em um exemplo simples. Suponha que existam dois restaurantes em frente à sua casa, o Alfa e o Beta, que são vizinhos de parede. Eles são reconhecidos pela qua- lidade, e o preço médio de ambos é praticamente igual. O restaurante Alfa se destaca pela excelente apresentação do prato, mas o atendi- mento é mediano. O restaurante Beta tem um atendimento exemplar, uma referência no bairro, sua comida é muito boa, mas não consegue se igualar à capacidade do uso de temperos como o restaurante Alfa. Resumindo, o restaurante Alfa apresenta excelente comida e um atendi- mento mediano. O restaurante Beta apresenta muito boa comida e um atendimento exemplar. Considerando que os fatores distância e preço são equivalentes, não é difícil de adivinhar que o restaurante Alfa conta com boa frequência, enquanto o Beta tem fila de espera quase todos os 64 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .dias na hora do almoço. Qual é o ponto que gera essa preferência pelo restaurante Beta? Excelência no relacionamento individual com cada um de seus consumidores. O marketing de relacionamento no varejo é uma ferramenta eficaz e eficiente, pois possibilita o reconhecimento de seus principais con- sumidores e seu histórico de compras e, assim, consegue adaptar o atendimento. Tudo isso em conjunto reforça os benefícios emocionais, gerando valor que, por consequência, aumenta o grau de lealdade do consumidor. A figura 2 representa essa cadeia de eventos. Figura 2 – Construção de lealdade com consumidores Reconhecer os consumidores Maiores benefícios Maior valor dado Reconhecer emocionais pelo consumidor suas preferências Adaptar o Maior lealdade atendimento do consumidor 3 Marcas próprias, relações de negociação e poder de compra Grandes redes varejistas, com faturamento superior a bilhões de reais anualmente no Brasil, contam com uma ferramenta interessante a ser utilizada como forma de atender seus consumidores e melhorar a margem de algumas categorias que vendem: desenvolvimento de marcas próprias. 65Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Alvarez (2008) descreve que os varejistas que desenvolveram suas marcas institucionais, que já contam com um posicionamento positi- vo e bem definido na mente de seus consumidores, encontram espaço para lançar linhas de produtos com sua marca própria. Em geral, os produtos de marca própria costumam se apresentar com preços com- petitivos, atraindo a atenção do consumidor que é mais leal ao preço do que a uma marca específica. As vantagens de desenvolver uma marca própria, principalmente em diferentes categorias de bens de consumo não durável, superam a gran- de desvantagem desta estratégia. A desvantagem do desenvolvimento de marca própria está na baixa probabilidade de revender essas linhas de produtos para outros varejistas. Porém, uma série de vantagens en- tre os envolvidos no desenvolvimento de uma marca própria beneficia fornecedores, consumidores e o varejista. Como se desenvolve uma marca própria? O varejista conhece as ca- tegorias de maior giro no seu portfólio, assim como mantém relaciona- mento com diferentes fornecedores das categorias selecionadas. Com uma lista de categorias de interesse do varejista para desenvolver sua marca própria, ele entra em contato com seus fornecedores e procura um fabricante que esteja com ociosidade produtiva. Após negociações e estabelecimento do padrão de qualidade e política de preço, o varejis- ta fecha um contrato de fornecimento de longo prazo com os fabrican- tes selecionados: • Vantagens para os fabricantes selecionados: garantia de um volume de venda estável no longo prazo e diluição de custo fixo. Desvantagem: preço médio dos produtos fabricados para marca própria tende a ser inferior se estivesse vendendo produtos de sua marca. Usualmente, a diluição do custo fixo e a certeza de que receitas provenientes no longo prazo superam a desvanta- gem de vender um produto com margem estreita. 66 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .• Vantagens para o varejista: ofertará para seus consumidores produtos com preço competitivo e maior margem se compara- do aos fornecedores que posicionam seus produtos a um preço acessível na mesma categoria. • Vantagem para o consumidor: abastecimento contínuo de um produto com preço competitivo na rede varejista de sua preferência. Os perdedores do sistema de marcas próprias são os pequenos fa- bricantes de bens de consumo não durável que trabalham numa faixa de preço acessível, que deixarão de ser fornecedores de uma grande rede varejista. Já que estamos abordando o relacionamento de venda de fabri- cantes com varejistas, precisamos levar em consideração o tamanho das empresas envolvidas. Uma pequena fábrica de macarrão regional pode ser um fornecedor de uma grande rede varejista ou mesmo de um pequeno mercado na cidade onde se situa a fábrica. Um grande fabri- cante de refrigerante de atuação nacional vende direto para pequenas lanchonetes como também para grandes redes varejistas. A diferença de tamanho entre fabricantes e redes varejistas determina o poder de compra e venda de cada uma das partes. Uma grande empresa de refrigerantes estabelecerá tratativas dife- rentes no momento de negociar o preço de uma caixa com 24 latas com uma lanchonete no interior do Brasil se comparado ao negociar milha- res de caixas de latas com grandes redes varejistas, como o Carrefourou Grupo Pão de Açúcar. O grau de dependência do relacionamento muda conforme o tamanho dos envolvidos: Pequeno fabricante com pequenos varejistas: buscam relaciona- mento ganha-ganha, ambos são relevantes para o faturamento e su- cesso das duas empresas. 67Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. Grande fabricante com pequenos varejistas: os grandes fabrica- tes nem sempre prestam o melhor atendimento ou oferecem boas condições comerciais aos pequenos varejistas, uma vez que o cus- to do relacionamento por vezes supera a margem média do pedido feito. A alternativa para os pequenos varejistas está em buscar se abastecer em atacadistas ou distribuidores. Pequeno fabricante com grandes varejistas: é uma oportunidade quase imperdível para um pequeno fabricante de aumentar seu fatu- ramento e visibilidade. Entretanto o grande varejista possivelmente será agressivo na negociação de compra dos produtos do peque- no fabricante, já que assumirá o risco de obsolescência dos itens comprados. Grande fabricante com grandes varejistas: ocorre dupla dependên- cia no relacionamento, pois um grande varejista que está desabaste- cido das marcas de maior interesse dos consumidores corre o risco de perder sua atratividade com seu público. O grande fabricante não pode se dar ao luxo de não vender para uma rede varejista que repre- senta até 10% do seu volume de vendas mensais. Os relacionamen- tos entre essas empresas costumam não ser harmoniosos devido ao volume de produtos e dinheiro envolvidos nas negociações. 4 Plano de comunicação integrada para o varejista, uma oportunidade colaborativa para a indústria Parente e Barki (2014) explicam que um plano de comunicação in- tegrada para o varejista permite atrair consumidores para suas lojas e motivá-los às compras. Os esforços de comunicação do varejista de- vem levar em consideração os meios de comunicação existentes e os próprios pontos de venda. 68 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .A comunicação integrada nas mídias costuma apresentar duas ver- tentes: comunicação institucional e comunicação de preços promocio- nais dos produtos vendidos. Todo processo de um plano de comunicação precisa passar por seis etapas: 1. Determinar o conteúdo da comunicação. 2. Estabelecer o orçamento a ser utilizado na campanha publicitária. 3. Definir a mensagem. 4. Selecionar os veículos de comunicação. 5. Exibir a comunicação. 6. Avaliar os resultados. É na primeira etapa do plano que se estabelece se a comunicação será institucional para reforçar o posicionamento da empresa com seus consumidores ou uma campanha de preços promocionais com o ob- jetivo de atrair fluxo de consumidores e gerar vendas. Em geral, uma campanha de preços promocionais apresenta uma série de diferentes produtos de diferentes fabricantes com preços atrativos. É comum que ela seja desenvolvida pelo varejo em conjunto com seus fornecedores, inclusive com a colaboração dos fabricantes para estabelecer o orça- mento publicitário. De acordo com a diretriz, define-se a mensagem. Se for institucional, destacará uma somatória de atributos emocionais a serem representa- dos na campanha. Se promocional, a mensagem terá conteúdo basea- do na apresentação de produtos com destaque ao preço. A quarta etapa é a definição dos meios de comunicação. Ela envolve duas frentes de planejamento que servem tanto para campanhas insti- tucionais quanto de preços promocionais. A primeira delas é a utiliza- ção de veículos de comunicação, como televisão, rádio, revistas, jornais, 69Marketing no varejo on-line e off-line M aterial para uso exclusivo de aluno m atriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o com partilham ento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo. cinema, internet, redes sociais, etc. A segunda frente é o próprio ponto de venda, com destaque para o jornal da rede varejista que expõe produ- tos e preços e para os materiais impressos dentro da loja, como carta- zes, faixas chamando a atenção de produtos com preços promocionais. Campanhas institucionais concentram-se no desenvolvimento da consideração do consumidor, reforçando benefícios emocionais e o posicionamento da empresa. É um trabalho que deve ser planejado no longo prazo. Campanhas com foco no destaque de preços promocionais visam à conversão do consumidor, visam atraí-lo para o ponto de venda no curtíssimo prazo com o objetivo de gerar vendas. Nenhum dos objetivos de campanha pode ser considerado melhor ou mais importante, eles devem ser trabalhados de forma simultânea. Combinados produzem maior atratividade do varejista com seu público- -alvo do que se fossem desenvolvidos separadamente. Considerações finais O varejo, físico ou virtual, é o local onde o consumidor decide o que levará para casa. Para aumentarem suas vendas, cabe aos gestores va- rejistas conhecerem as preferências e o processo de decisão de com- pra de seus consumidores para organizar bens de consumo ou serviço de forma mais eficaz e eficiente do que os concorrentes. O varejo tem algumas ferramentas de marketing que podem ser tra- balhadas levando em consideração sua interação direta com os consu- midores, fator que poucos fabricantes contam. O varejo consegue adap- tar rapidamente volume e variedade de produtos vendidos, bem como ajusta imediatamente a precificação do que está vendendo. Nesse pon- to, o marketing varejista deve trabalhar e comunicar sua marca insti- tucional com o objetivo de melhorar a opinião de seus consumidores perante a empresa, o que gerará lealdade no longo prazo. 70 Gestão de Trade Marketing, Canais e Logística M at er ia l p ar a us o ex cl us ivo d e al un o m at ric ul ad o em c ur so d e Ed uc aç ão a D is tâ nc ia d a Re de S en ac E AD , d a di sc ip lin a co rre sp on de nt e. P ro ib id a a re pr od uç ão e o c om pa rti lh am en to d ig ita l, s ob a s pe na s da L ei . © E di to ra S en ac S ão P au lo .No espectro do marketing varejista, grandes redes podem desenvol- ver diferentes categorias de marcas próprias de acordo com a demanda média de seus consumidores e estabelecer relacionamento com dife- rentes fornecedores, oferecendo linhas de produtos com preços atraen- tes para seu consumidor com melhores margens para a empresa. Por fim, o plano de comunicação integrada do varejista é outro recur- so de marketing que deve ser trabalhado em duas frentes: dar destaque à marca institucional, com o objetivo de promover consideração, e, de forma combinada, oferecer preços promocionais para atrair consumi- dores ao ponto de venda para provocar conversão. Referências ALVAREZ, F. M. Trade marketing: a conquista do consumidor no ponto de venda. São Paulo: Saraiva, 2008. E-book. KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. E-book. PARENTE, J.; BARKI, E. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2014.