Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

PARTO VAGINAL
PARTE 2
As fases clínicas do parto são processos fisiológicos que culminarão com o
parto propriamente dito, divididos em quatro períodos ou fases clínicas principais:
- Primeiro período, ou fase de dilatação;
- Segundo período, ou fase de expulsão;
- Terceiro período, ou secundamento;
- Quarto período, ou primeira hora pós-parto.
PRIMEIRO PERÍODO - DILATAÇÃO
Período de esvaecimento e dilatação do colo uterino e formação do
segmento inferior do útero e da “bolsa das águas”. Começa com contrações uterinas
(metrossístoles) intensas, dolorosas e regulares que se iniciam a cada 30 minutos e
vão aumentando de intensidade e frequência. Para um efetivo trabalho de parto,
essas contrações devem apresentar frequência regular entre duas e três contrações
a cada 10 minutos, intensidade em média de 40 mmHg e duração entre 30 e 90
segundos (média de 60 segundos).
A dilatação do orifício externo do colo tem por finalidade ampliar o canal e
completar a continuidade entre o útero e a vagina, sendo assim se formará um
espaço entre o útero e a vagina, no qual será coletado o líquido amniótico (bolsa
das águas) que auxiliará as contrações uterinas no deslocamento do istmo. A
pressão exercida pela apresentação fetal e pela bolsa das águas forma o segundo
fator responsável pela dilatação das porções baixas do útero
- Fase latente
Momento em que a parturiente percebe as contrações uterinas regulares,
pouco dolorosas. Normalmente, é o período até a dilatação de 3 a 5 cm, definido
como limite de dilatação da fase latente e o início da fase ativa. A dilatação nessa
fase é em média de 0,35 cm por hora, com duração variável, de difícil delimitação. A
fase latente é considerada prolongada quando se estende por mais de 20 horas nas
nulíparas e 14 horas nas multíparas.
- Fase ativa
Fase caracterizada por contrações dolorosas, com aumento gradual de
frequência e intensidade, levando à rápida dilatação do colo. Contrações regulares
(2-3 contrações/10min); Intensidade: 40 – 50 mmhg; Duração: 30 seg.
A fase ativa tradicionalmente se inicia com entre 3 e 4 cm; multíparas
evoluem, em média, 1,5 cm por hora, com 2,4 horas (máximo de 5,2 horas) de
duração, e nulíparas, 1,2 cm por hora, com 4,6 horas (máximo de 11,7 horas) de
duração.
A parada da dilatação foi definida como 2 horas sem alterações cervical,
enquanto parada de descida, como 1 hora sem descida fetal.
SEGUNDO PERÍODO - EXPULSÃO
O período se inicia com a dilatação cervical total estendendo-se até o
nascimento do feto. Tem duração média de aproximadamente 50 minutos para
nulíparas e 20 minutos para multíparas. Alguns fatores podem influenciar no tempo
de duração desse período; no caso de mulheres com pelve contraída, feto grande a
para idade gestacional ou com efeito de analgesia, esse período pode tornar-se
mais duradouro.
Os planos De Lee relacionam o posicionamento do ponto mais baixo do polo
cefálico fetal em relação às espinhas isquiáticas maternas, configurando a altura da
apresentação do feto. Tomamos como ponto zero o plano transversal das espinhas
isquiáticas, com os pontos máximos variando geralmente entre -3 cm e +3 cm.
Acima das espinhas, utilizamos as numerações negativas com a distância em
centímetros. Abaixo delas, ou seja, quanto mais próximo estamos do intróito vaginal,
utilizamos as numerações positivas.
TERCEIRO PERÍODO - DEQUITAÇÃO
Período também denominado de secundamento, delivramento ou decedura.
Corresponde ao período do nascimento do feto até a expulsão da placenta e
membranas. A descida da placenta provoca contrações uterinas pouco dolorosas e
novamente sensação de puxos maternos à medida que a placenta vai se
aproximando do canal vaginal.
Existem dois tipos de mecanismo de dequitação, conforme o local do útero
em que a placenta está inserida:
- Baudelocque-Schultze (BS): mecanismo central de decedura, em que a
placenta se encontra inserida posteriormente no fundo do útero: no momento
do descolamento, ocorrerá primeiro a exteriorização pela face fetal da
placenta, para então haver a eliminação do coágulo (hematoma
retroplacentário). Acontece em 85% dos casos;
- Baudelocque-Duncan (BD): mecanismo periférico, menos comum, de
secundamento, a placenta se encontra inserida na parede lateral do útero: no
momento do descolamento pela face materna, ocorre primeiro o sangramento
e logo em seguida a exteriorização da placenta.
Nesse processo de dequitação, independentemente do mecanismo, ocorre
perda de sangue de aproximadamente 300 a 500 mL, que normalmente é bem
tolerada pela paciente sem comorbidades.
O processo de dequitação dá-se em média de 5 a 10 minutos em 80% dos
casos, sendo considerado prolongado se acima de 30 minutos, quando
complicações hemorrágicas se tornam mais frequentes.
QUARTO PERÍODO - PRIMEIRA HORA PÓS PARTO
Denominado de quarto período de Greenberg, corresponde à primeira hora
após a dequitação. Nesse período, após o desprendimento da placenta, ocorre a
retração uterina com a formação de coágulos fisiológicos. Deve-se ter cuidado
particular nesse período, devido ao fato de que poderão ocorrer hemorragias
significativas, tendo como causa a atonia uterina.
Após 1 hora do parto, o útero evoluirá com a fase de contração uterina fixa,
por adquirir maior tônus, mantendo a hemostasia.

Mais conteúdos dessa disciplina