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Objetivos 1. Anatomia do esôfago e do estômago 2. Definição de gastrite VS gatropatia 3. Epidemiologia 4. Etiologia e fatores de risco 5. Fisiopatologia 6. Diagnóstico (classificação de gastrite e critérios para endoscopia) 7. Entender a H.pylori e sua relação com a gastrite 8. Quadro clínico 9. Tratamento 10. Diagnóstico diferencial Anatomia Apesar de o estômago ser fixo no nível da junção gastroesofágica (GE) e do piloro, sua grande porção média é móvel. O fundo representa a cúpula do estômago e é flexível e distensível. O estômago é limitado superiormente pelo diafragma e lateralmente pelo baço. O corpo do estômago representa a sua maior porção. O corpo também contém a maior parte das células parietais e tem como limites, à direita, a pequena curvatura, relativamente reta, e à esquerda, a grande curvatura, mais longa. Na incisura angular, a curvatura menor abruptamente se volta para a direita. É neste ponto que o corpo do estômago termina e o antro começa. Outro ângulo anatômico importante (ângulo de His) é formado pelo fundo gástrico com a borda esquerda do esôfago. Células parietais são responsáveis pela produção do HCL O tronco celíaco o é a principal fonte do suprimento sanguíneo para o estômago (Fig. 48-2). Existem quatro artérias principais – as artérias gástricas esquerda e direita, ao longo da pequena curvatura, e as artérias gastroepiploicas direita e esquerda ao longo da grande curvatura. Além disso, uma quantidade substancial de sangue pode ser suprida ao estômago proximal pelas artérias frênicas inferiores e pelos vasos curtos que ligam o estômago ao baço. A mais calibrosa artéria para o estômago é a artéria gástrica esquerda, e não é incomum (15% a 20%) que uma artéria hepática esquerda aberrante se origine dela. Consequentemente, a ligadura proximal da artéria gástrica esquerda ocasionalmente pode resultar em isquemia hepática aguda do lobo esquerdo do fígado. A artéria gástrica direita provém da artéria hepática (ou da artéria gastroduodenal). Gastrite Ana Caroline T8 Definição Inflamação do revestimento do estômago associada à lesão da mucosa gástrica. O estudo da gastrite é difícil porque, mesmo com alterações acentuadas da mucosa, ela é, na maioria das vezes, assintomática e sem aspectos radiológicos, gastroscópicos ou sorológicos específcos. Seu diagnóstico é, então, essencialmente histopatológico. Representa a resposta do estômago a uma agressão. Sendo o H.pylori (Helicobacter pylori) o fator etiológico mais frequentemente associado à gastrite. A maioria das pessoas infectadas pela bactéria pode desenvolver gastrite aguda e esta resolver de forma espontânea, porém após a infecção aguda, a maioria das gastrites evolui para uma gastrite crônica ativa, que é caracterizada histologicamente por células mononucleares, predominantemente de linfócitos, plasmócitos e macrófagos. Folículos linfoides com centros germinativos são vistos sendo característicos da infecção pelo HP. É importante ressaltar que a fase da vida humana com maior risco para a aquisição dessa infecção é durante a infância. Sendo os fatores de risco mais importantes: Elevada aglomeração de pessoas no domicílio Crianças compartilhando a cama com um adulto ou outra criança mais velha Ambientes insalubres Precariedade das condições habitacionais e peridomicilares Ausência de instalações sanitárias básicas (água potável, coleta de lixo, esgotamento sanitário) Práticas higiênicas inapropriadas Baixo nível de escolaridade dos pais Forma de transmissão da H.pylori Esta bactéria coloniza apenas o estômago ou outro epitélio que tenha sofrido algum tipo de metaplasia da mucosa gástrica. A transmissão do H. pylori ocorre de pessoa a pessoa, embora ainda seja desconhecido o modo de disseminação entre os seres humanos. Postula-se que as rotas de transmissão ocorram pelas vias oro-oral, feco- oral ou gastro-oral, veiculadas em meio aquático, tendo em vista que esse patógeno pode sobreviver por poucos dias em água fresca, água salgada, água destilada e água de torneira. - existe correlação inversa entre a prevalência do H.pylori e baixo índice de desenvolvimento humano. Gastrite crônica É uma condição inflamatória da mucosa gástrica que pode afetar as diferentes regiões do estômago e exibir graus diferentes de lesões Mas antes quais são as camadas histológicas do estômago Um pouco de histologia... No estômago, a camada mucosa apresenta epitélio cilíndrico simples, sendo a transição do epitélio esofágico (escamoso) para o gástrico bem marcado pela linha z Seu principal fator causal é o Helicobacter pylori, esta bactéria tem um longo período latente de infecção subclínica, durante o qual causa inflamação e dano da mucosa. A presença do H. pylori no estômago está sempre associada com lesão tecidual e achados histológicos de gastrite crônica ativa. Tipicamente, embora presente no antro e no corpo, o organismo é mais comumente encontrado no antro, onde encontra as condições ideais para sua sobrevivência. Histologicamente, observa- -se infiltrado infamatório composto de plasmócitos e linfócitos na lâmina própria (tecido conj.). A infamação ativa é evidenciada pela presença de neutróflos na camada glandular e na superfície epitelial. Graus variados de infamação podem ser detectados. Agregados linfoides são frequentemente observados na mucosa Existem três tipos de gastrite: pangastrite (predomina no no antro e no corpo), Na gastrite difusa de antro ocorre secreção de ácido normal ou aumentada, e ela pode estar associada à úlcera duodenal e pouca ou nenhuma atrofa. A persistência da infamação ocasiona o desenvolvimento de atrofa gástrica com hipocloridria ou acloridria. Essas alterações facilitam a migração proximal da bactéria e o desenvolvimento da gastrite do corpo ou multifocal, a qual tende a progredir para metaplasia intestinal e, depois, para o tipo intestinal do câncer gástrico (adenocarcinoma) Classificações Gastrite superficial indica a gastrite não atrófica O sistema Sydney: apresenta duas divisões: a histológica a e a endoscópica. A divisão histológica é composta por três ramos: - ramo topográfico: mostra a distribuição da gastrite (antro, corpo ou todo o estômago) - ramo morfológico: descreve as cinco variáveis histológicas (infamação crônica, atividade neutrofílica polimorfonuclear, atrofa glandular, metaplasia intestinal e densidade de H. pylori) e a intensidade de todos aspectos descritos (leve, moderada, acentuada). - A infamação crônica é caracterizada pelo aumento de linfócitos e plasmócitos. Após a erradicação do H. pylori, desaparece muito lentamente, levando cerca de 1 ano na mucosa de corpo e até 4 anos na de antro.8 - A atividade neutrofílica polimorfonuclear avalia a presença de polimorfonucleares entre o processo infamatório crônico mononuclear. Sua presença indica continuidade da infamação aguda e suas consequências. Desaparece 6 a 8 semanas após a erradicação do H. pylori. Sua persistência quase sempre indica falha no tratamento.8 - As gastrites crônicas podem se acompanhar de atrofa glandular, ou seja, a perda das glândulas especializadas de antro e/ou corpo como resultado de um processo infamatório prolongado e difuso ou de lesão tecidual acentuada (erosão, úlcera), tendo como consequência adelgaçamento da mucosa e redução da função secretora gástrica. - A metaplasia intestinal é uma reação adaptativa à infamação crônica da mucosa, na qual as células foveolares ou glandulares do estômago são substituídas por dois tipos de epitélio intestinal, os quais podem ser vistos pela coloração hematoxilina-eosina: 1) enterócitos absortivos, semelhantes aos do intestino delgado, com bordo em escova e células caliciformes totalmente desenvolvidas; e 2) células colunares com citoplasma esponjoso e sem bordoem escova. A metaplasia intestinal é dividida em três fenótipos pelas colorações Alcian blue e diamina férrica, como descrito por Jass e Filipe,9 denominadas completa (tipo I ou do intestino delgado) e incompleta (tipos II ou do intestino delgado e III ou colônica). Quando mais de um tipo coexiste em uma amostra, ela é classifcada de acordo com o tipo dominante presente na secção. O tipo I, o mais comum, está associado a baixo risco de câncer gástrico, enquanto o tipo III está fortemente relacionado à neoplasia. - ramo etiológico o Sistema Sydney Atualizado (Houston) estabeleceu que múltiplos fragmentos de biópsias deveriam ser obtidos para explorar os diferentes compartimentos da mucosa. Localizações diferentes de biópsias foram sugeridas na literatura internacional para mapear a mucosa, todas elas consistentes com a assertiva de que a mucosa do antro e a oxíntica devem ser “exploradas”, e também considerando a incisura angularis, a qual é “altamente informativa”, com o propósito de estabelecer a fase mais inicial da transformação atrófco-metaplásica, uma vez que essas alterações morfológicas ocorrem mais precocemente nessa topografa, havendo, posteriormente, uma propagação progressiva para toda a mucosa antral e fúndica. Recomenda-se ao menos 5 tipos de amostras de biópsia. A1 – A2 – grande e pequena curvatura do antro distal A3 – pequena curvatura na incisura angularis C1 – C2 – as paredes anterior e posterior do corpo proximal Qualquer lesão específca (úlcera, erosões etc.) deve ser biopsiada separadamente. O sistema Sydney atualizado reconhece três modelos morfológicos: gastrite aguda, gastrite crônica e formas especiais - gastrite aguda: normalmente é uma condição transitória .O diagnóstico baseia-se em um infltrado infamatório da mucosa predominantemente de neutróflos, sendo mínimo, se houver, o aumento de linfócitos e plasmócitos. Outros aspectos, como edema, erosões e hemorragia, são comuns - gastrite crônica: há um aumento de linfócitos e plasmócitos no interior da lâmina própria, não acompanhados de modelos organizados reconhecíveis como uma “forma especial”. A atividade da gastrite crônica é dada pelo infltrado de neutróflos que pode acompanhá-la na lâmina própria, criptas gástricas e epitélio superficial. - formas especiais: essa categoria contém uma variedade de entidades nas quais o epitélio ou o infltrado infamatório tem um modelo reconhecido, com implicações clínicas ou patogênicas estabelecidas, embora seja desconhecida a etiologia exata. Pode ser a manifestação gástrica de uma doença sistêmica. OLGA Piores são o 3 e o 4 Essa classificação não leva em consideração a avaliação de outro fator de risco relevante caracterizado pela metaplasia intestinal. Para suprir esta deficiência, a classificação de OLGIM foi criada e basicamente reproduz a mesma ideia de avaliar a localização de biópsias com aspectos histológicos, porém voltadas para a metaplasia intestinal. O racional para se propor esse sistema está no fato de a metaplasia intestinal ser mais fácil de avaliar histologicamente que o espectro “global” das lesões atróficas do sistema OLGA, Tanto o OLGA quanto o OLGIM distinguem a gastrite em 4 estágios avaliando as biópsias, os quais estão associados a um risco progressivo de câncer gástrico História natural da gastrite A maior causa de gastrite é o H. pylori. Ao longo dos anos, essa bactéria criou mecanismos para assegurar sua sobrevivência no ambiente ácido do estômago. A infamação aguda inicial pelo H. pylori afeta todo o estômago. Esse envolvimento por igual do antro e corpo pode ser o responsável pela profunda hipocloridria que ocorre logo após a infecção. Isso permite uma colonização maior da mucosa do corpo pelo H. pylori e a retenção da virulência dos organismos. A seguir, ocorre uma redução gradual da densidade bacteriana no corpo, como consequência do desenvolvimento da resposta imune, e uma alteração do perfl de quimocinas pode conduzir ao restabelecimento da função da célula parietal. Na maioria dos indivíduos, a produção de ácido continua a aumentar como consequência da recuperação das células parietais e da hipergastrinemia (aumento do hormônio gastrina, fazendo com que o estômago produza ácido gástrico – para dissolver e digerir alimentos – em excesso e aumenta a motilidade do estômago) induzida pelo H. pylori, tornando a mucosa oxíntica relativamente hostil à infecção pelo H. pylori. - células parietais (oxínticas) mais rosadas: produzem HCL - células principais (zimogênicas) mais azuladas: produzem pepsinogênio Outro fator importante para o resultado clínico da infecção pelo H. pylori é o estado secretor do hospedeiro. Existem diferentes modos de interação entre a secreção ácida gástrica e a gastrite associada ao H. pylori, dependendo do perfl secretor do hospedeiro antes da infecção. Em pessoas com perfl de secreção alta de ácido, a infecção pode conduzir a uma gastrite predominante de antro, com pouca ou nenhuma infamação no corpo – padrão de gastrite predominante de antro. Esse padrão é mais comum em áreas industrializadas do mundo e está associado a um maior risco para úlcera duodenal. Entretanto, em pessoas com baixa secreção de ácido, a infecção pelo H. pylori pode causar gastrite progressiva no antro e corpo, com consequente diminuição da secreção de ácido – gastrite difusa ou predominante de corpo. Esse padrão é mais prevalente nas camadas menos privilegiadas da população; está associada a hipocloridria, atrofa gástrica, úlcera gástrica e aumento da incidência de adenocarcinoma. Prevalência A sua frequência aumenta mais tarde, de forma linear com a idade. Existe um alto índice de gastrite crônica nos grupos etários acima de 50-60 anos. Estudos epidemiológicos mostram que a prevalência da gastrite crônica relacionada com o H. pylori depende da posição socioeconômica da população, sugerindo que a infecção é mais frequente em populações ou em países com baixo padrão de higiene ambiental, comparados com aqueles de padrão mais elevado. Nos países em desenvolvimento, as pessoas tornam-se infectadas pelo H. pylori mais precocemente que nos demais países e o nível socioeconômico representa o maior fator de risco para a infecção. Em países em desenvolvimento, quase todas as crianças estão infectadas aos 10 anos de idade Relação com doenças gástricas - Câncer gástrico: A gastrite crônica é uma condição pré-cancerosa e parece estar particularmente relacionada ao carcinoma gástrico do tipo intestinal. A carcinogênese gástrica é um processo multifatorial, relacionado com a interação de fatores genéticos do hospedeiro (secreção ácida gástrica e polimorfsmos genéticos nas citocinas pró-infamatórias), diversidade genética do H. pylori infectante (presença ou não de fatores virulentos – cepas com ilha de patogenicidade cag intactas) e fatores ambientais como os hábitos dietéticos e de higiene pessoal Gastrite crônica superficial gastrite atrófica metaplasia intestinal displasia câncer gástrico (antes da displasia são reversíveis) A extensão e a gravidade da infamação da mucosa gástrica, bem como o desfecho clínico da infecção, dependem de inúmeros fatores, entre os quais: a virulência da bactéria, a suscetibilidade genética do hospedeiro, a resposta imune, a idade em que ocorreu a infecção inicial e fatores ambientais. A inter-relação complexa entre esses fatores pode explicar por que somente uma minoria (menos de 1% dos infectados) desenvolverá câncer gástrico. A infamação gástrica de longa duração induzida pelo H. pylori frequentemente conduz à gastrite atrófca, que é considerada o primeiro passo importante na histogênese do câncer gástrico. Sua distribuição é geralmente multifocal e frequentemente associada à perda glandular e intestinalização da mucosa gástrica.26 A atrofa gástrica, principalmente quando afeta uma grandeparte do corpo gástrico, tem, como consequência, hipossecreção de ácido e níveis diminuídos de pepsinogênio. A baixa acidez do suco gástrico permite a colonização do estômago por outras bactérias, as quais, por sua vez, podem promover a formação de fatores carcinogênicos. A gastrite crônica atrófca está frequentemente associada à metaplasia intestinal (MI), e ambas estão intimamente relacionadas com a infecção pelo H. pylori - doença ulcerosa péptica: A gastrite parece, também, preceder a úlcera, sugerindo que ela é um fator de risco real para a doença ulcerosa (ocorre uma exposição do epitélio – barreira de proteção –, em vez de ser uma consequência desta. Gastrite e atrofa do antro tendem a aumentar o risco de úlcera péptica, enquanto a gastrite com atrofia do corpo tende a diminuí-lo. As úlceras gástricas ocorrem em mucosa enfraquecida por uma infecção de longa duração pelo H. pylori. Quanto mais severa é a gastrite, maior a possibilidade de haver diminuição das defesas da mucosa, o que permite a ocorrência da lesão produzida pelo ácido. As úlceras gástricas proximais costumam ocorrer em mucosa não secretora de ácido ou próximos à junção com a mucosa não secretora, mais frequentemente na pequena curvatura, na zona de transição entre a mucosa do antro e do corpo. - outras doenças: Algumas outras doenças gástricas, tais como pólipos ou tumores neuroendócrinos tipo I (carcinoides), estão também comumente associados à gastrite crônica. Os tumores neuroendócrinos tipo I (NET-I, carcinoides) são pequenos, multifocais, ocorrendo na gastrite crônica com atrofa severa do corpo, e estão relacionados com a acloridria causada pela atrofa total da mucosa do corpo. Em conexão com a mucosa normal do antro, a acloridria causa hipergastrinemia. Altos níveis de gastrina promovem hiperplasia das células enterocromafns no estômago, o que acaba resultando em lesões pequenas e hiperplásticas, frequentemente múltiplas, de tumores carcinoides. Os tumores neuroendócrinos tipo I estão frequentemente limitados à mucosa, à submucosa, e as metástases ocorrem em menos de 2,5% dos casos para os linfonodos e fígado. A anemia perniciosa é outra importante complicação tardia da gastrite crônica e está sempre associada com atrofia severa (total) da mucosa do corpo gástrico e com diminuição da secreção de fator intrínseco pela mucosa do corpo. Quadro clínico É considerada uma doença assintomática que pode ser confundida com a DRGE e a dispepsia funcional. Quando o clínico é procurado, as queixas são muito variáveis, podendo ocorrer desconforto e estufamento pós-prandial, náuseas, vômitos e dor epigástrica, geralmente relacionadas com a ingestão de determinados alimentos, bebidas alcoólicas ou conflitos emocionais. Diagnóstico Somente pode ser estabelecido por biópsia gástrica - endoscopia convencional de luz branca (CLB): Aceita- se que não há evidência de gastrite endoscópica quando a mucosa gástrica apresenta uma coloração rósea regular sem descoloração ou alterações estruturais, as pregas gástricas não são mais espessas que 5 mm e expande-se bem à insuflação de ar. Entretanto, as alterações infamatórias induzem à apoptose e dano glandular subsequente, o qual pode conduzir a regeneração, fbrose ou metaplasia. As alterações infamatórias, tais como mudanças estruturais ou de cor, são observadas nos achados endoscópicos e são denominados de gastrite endoscópica. Gastrite e H. pylori A maioria dos estudos publicados na literatura médica sobre o diagnóstico endoscópico da gastrite causada pelo H. pylori concluiu que a infecção não poderia ser diagnosticada somente com base em achados endoscópicos. ndicando que a presença da RAC é um sinal endoscópico sensível para identifcar pacientes com mucosa gástrica normal, excluindo virtualmente a infecção pelo H. pylori, enquanto que a sua ausência requer outras avaliações. RAC: distribuição uniforme das vênulas coletoras Gastrite endoscópica 1. Gastrite endoscópica enantematosa - - gastrite erosiva plana - gastrite erosiva elevada - gastrite endoscópica atrófica - gastrite endoscópica hemorrágica - gastrite endoscópica rugosa hiperplásica - gastrite endoscópica por refluxo enterogástrico - gastrite nodular Gastrite de estresse Ocorre após trauma, choque, sepse, hemorragia ou insuficiência respiratória e pode resultar em sangramento gástrico com risco de vida. Ela se caracteriza por múltiplas erosões superficiais (não ulcerativas) que começam na porção proximal ou secretora de ácido do estômago e progridem distalmente. Também podem ocorrer no contexto de doença do sistema nervoso central (úlcera de Cushing) ou como resultado de queimadura térmica envolvendo mais de 30% da superfície corporal (úlcera de Curling). As lesões de gastrite de estresse se modificam com o decorrer do tempo. Elas são consideradas lesões precoces caso ocorram nas primeiras 24 horas e caracterizadas por erosões múltiplas, rasas e com áreas discretas de eritema, associadas a uma hemorragia focal ou a um coágulo aderente. Se a lesão erosar para a submucosa, que contém o suprimento vascular, pode ocorrer sangramento importante. Resuminho... O que é gastrite? É a inflamação das paredes do estômago, ela pode durar por pouco tempo (aguda) ou por meses e até anos (crônica) Gastrite aguda Gastrites agudas são de aparecimento súbito e geralmente associadas a um agente causador como medicamentos (antiinflamatórios e corticoide) infecções e estresse físico ou psíquico podem levar a uma gastrite aguda. Alimentos contaminados com bactérias ou vírus também podem ocasionar a gastrite. Gastrite crônica Sabe-se que a bactéria H. pylori pode determinar uma gastrite crônica (quadro prolongado de gastrite). Esta bactéria sobrevive em ambientes ácidos, como é o estômago. No entanto, o Helicobacter pylori leva à destruição da barreira protetora que reveste a mucosa do estômago , permitindo que o suco gástrico agrida esta mucosa, o que leva à inflamação da mesma, caracterizando a gastrite. Como a infecção pela bactéria é crônica, a inflamação também segue este padrão. Gastrite crônica atrófica: Ocorre quando os anticorpos atacam o revestimento do estômago, provocando a diminuiçnao ou extinção das enzimas gástricas. A gastrite atrófica prejudica a absorção de vitamina B12 e pode levar ao quadro conhecido como anemia perniciosa . Causas: A gastrite possui diversas causam que incluem o abuso do álcool, ingestão de anti-inflamatórios por longa data, estresse e nervosismo, causas estas que promovem o enfraquecimento da mucosa estomacal, permitindo que o suco digestivos produzidos pelo estômago causem danos ao tecido que reveste o órgão. A gastrite pode ser promovida pela bactéria Helicobacter pylori, que vive no revestimento do estômago e que, se não for tratada, pode levar ao surgimento de úlceras e até mesmo ao câncer de estômago. Outras bactérias e vírus também podem causar infecções que levam à gastrite. Alguns fatores que relacionam-se ao desenvolvimento de gastrite: Analgésicos Idade avançada Alcoolismo Estresse emocional Doenças autoimunes Sintomas: Dor de estômago ou desconforto abdominal, logo após a refeição ou quando fica muito tempo sem comer nada; Abdômen inchado, principalmente após as refeições; Náusea e vômitos; Indigestão; Mal estar; Queimação no estômago; Gases Diagnóstico Gastrite aguda: diagnóstico baseia-se na história clínica e exame físico, sendo em geral desnecessário exames. Na suspeita de complicações, como a hemorragia, a endoscopia digestiva alta é o exame indicado. A endoscopia é um exame que permite avaliar detalhadamente a mucosa, mostrando alterações sugestivas de algum tipo de gastrite. Entretanto, 40% dos casos de gastrite crônica nada mostram. Por isso, considera-se que odiagnóstico das gastrites crônicas é, fundamentalmente, histológico, ou seja, pelo exame microscópico de fragmentos da mucosa. Tratamento O tratamento está relacionado ao agente causador. Nos casos de gastrite aguda associada ao uso de medicações anti-inflamatórias, sua suspensão e/ou substituição, associada ao uso de medicamentos que neutralizem, que inibam ou bloqueiem a secreção ácida do estômago, é o tratamento básico. Antagonistas H2 Inibidores da bomba de prótons (IBP), como omeprazol, esomeprazol, rabeprazol e pantoprazol Antibióticos. Prevenção !!! Evitar o uso de AINES e a aspirina, evitar o uso abusivo de bebidas alcoólicas e do cigarro. A utilização de água tratada bem como medidas de higiene pessoal como lavar as mãos antes de se alimentar) além dos cuidados no preparo e na conservação dos alimentos, previnem as infeccões alimentares que podem associar- se a gastrite