Prévia do material em texto
Fios Cirúrgicos e Suturas → Sutura: união das bordas de uma ferida com fios específicos, de modo a promover melhor e mais rápida cicatrização → Com 0 dias, a sutura depende exclusivamente do ponto → A partir do 3º dia, 40-50% da sutura tem fibroblasto, ou seja, resistência → No 7º dia já tem força tecidual suficiente para que não precise dos pontos Fios cirúrgicos Origem → Biológicos (naturais) • Origem vegetal: algodão e linho • Origem animal: categute, colágeno e seda → Sintéticos • Nylon, dacron (poliéster), polipropileno, ácido poliglicólico, poliglactina, polidioxanona → Metálicos • Aço inoxidável • Sutura de esterno Assimilação pelo organismo → Absorvíveis • Categute simples (7 a 10 dias) • Categute cromado (15 a 20 dias) • Ácido poliglicólico e poliglactina (50 a 70 dias) • Poliglepranona (90 a 120 dias) • Polidioxanona (90 as 180 dias)] • Poligliconato (150 a 180 dias) • Para cicatrizações boas (crianças, jovens) usa-se fios que são rapidamente absorvidos → Não-absorvíveis • Algodão • Náilon • Polipropileno • Seda • Poliéster • Aço inoxidável Propriedades Físicas → Estrutura • Monofilamentares: Náilon, categute, polidioxanona, polipropileno, aço • Multifilamentares: Algodão, poliglactina, poliéster → Absorção de líquidos e capilaridade • Capilaridade é a capacidade do fio de transmitir o líquido por ele • Multifilamentares tem maior absorção de líquidos e maior capilaridade → maior reação tecidual e maior infecção • Categute tem a maior capilaridade → Diâmetro • Depende do local e da cirurgia → Força tênsil (diametro e natureza do fio) • Maior força tênsil em fios mais resistentes, inabsorvíveis ou absorvíveis de longa duração → pele, fáscia, aponeurose e tendões • Locais com menor força tênsil e delicados → fios mais finos que pode tirar com menos tempo • Regiões de maior tensão precisam manter mais dias → Força e segurança dos nós • Depende do coeficiente de fricção • Formado por 3 seminós: contensão, fixação e segurança (duplo, simples, simples todos quadrados) • Fios monofilamentares não absorvíveis são os piores neste quesito – necessita vários nós • Multifilamentares são mais fáceis de apertar → constrição e compressão maior → Memória • Capacidade do fio de retornar à sua forma original • Quanto maior memória, pior (náilon, prolene) • Fios sintéticos monofilamentares tem mais memória que multifilamentares Manuseio → Flexibilidade e facilidade de manuseio → Coeficiente de fricção → Arrasto tecidual → Visualização do fio no campo operatório Reação Tecidual → Antigenicidade e alergenicidade → Reação inflamatória → Potencial para multiplicação bacteriana Características do Fio Ideal → Grande resistência à torção e tração → Calibre fino e regular → Baixa retenção de fluidos e capilaridade → Flexível e de pouca elasticidade e memória → Ausência de reação tecidual → Fácil e confiável esterilização → Baixo custo Postulados de Van Winkle e Hasting • O fio de sutura deve ser tão forte quanto o tecido que está sendo suturado • A perda de resistência do fio deve ser compensada pelo ganho de resistência da cicatriz • As alterações biológicas provocadas no processo de cicatrização pelo fio de sutura devem ser conhecidas Tipos Principais → Categorização por cor: Categute simples e cromado - Origem: biológica - Assimilação: absorvível (rápida) - Estrutura: monofilamentar - Capilaridade: grande - Força: baixa - Força dos nós: alta (fricção) - Memória: baixa - Visualização no campo: ruim - Reação tecidual: alta - Custo: baixo Poliglactina (Vicryl) - Origem: sintético - Assimilação: absorvível (médio) - Estrutura: multifilamentar - Capilaridade: baixa (revestimento lubrificado) - Força: boa - Força dos nós: boa - Memória: regular - Visualização no campo: boa - Reação tecidual: mínima - Custo: moderado Polidioxanona (PDS) - Origem: sintético - Assimilação: absorvível (médio) - Estrutura: monofilamentar - Capilaridade: baixa - Força: boa (menor) - Força dos nós: boa - Memória: baixa - Visualização no campo: boa - Reação tecidual: mínima - Custo: alto Algodão - Origem: biológico - Assimilação: inabsorvível - Estrutura: multifilamentar - Capilaridade: alta - Força: regular - Força dos nós: boa - Memória: baixa - Visualização no campo: boa - Reação tecidual: alta - Custo: baixo Nylon - Origem: sintético - Assimilação: inabsorvível - Estrutura: monofilamentar - Capilaridade: baixa - Força: boa - Força dos nós: ruim - Memória: alta - Visualização no campo: boa - Reação tecidual: baixa - Custo: baixo Polipropileno (Prolene) - Origem: sintético - Assimilação: inabsorvível - Estrutura: monofilamentar - Capilaridade: baixa - Força: boa - Força dos nós: ruim - Memória: alta - Visualização no campo: boa - Reação tecidual: baixa - Custo: baixo, porém maior que o nylon Aço - Origem: sintético - Assimilação: inabsorvível - Estrutura: mono/multifilamentar - Capilaridade: baixa - Força: boa - Força dos nós: ruim - Memória: muito alta - Visualização no campo: boa - Reação tecidual: baixa - Custo: baixo Agulhas → Ponta, corpo e fundo (ou olho) → Cilíndrica: mais delicado → usa no intestino → Cortante: ponta triangular → usa na pele → Traumáticas ou Atraumáticas → Tipo da agulha (curva, reta ou semi-reta) é determinado pelo tecido ou estrutura em que vai ser usado Nós Cirúrgicos → 1º seminó – contenção → 2º seminó – fixador → Outros – segurança Após a realização do primeiro seminó, é necessário manter tração em uma das extremidades do fio Princípios → não deve ser cruzado, sob risco de rompimento → o 1º nó não deve estar frouxo → deve-se empregar forças iguais em ambos os braços do fio, sem deslocar o nó → aprender a fazer com luvas e com as duas mãos → os dedos indicadores acompanham o laço do nó, dirigindo-o e fixando-o no local apropriado e com tensão apropriada → na execução do 2º nó, evita-se a tração do 1º já executado, pois qualquer tração mais intensa removerá o primeiro nó → o número de nós varia de acordo com o tipo de fio empregado e de tecido Tipos de nós → Nó quadrado ou antideslizante (verdadeiro) → Nó comum ou deslizante (falso) → Nó duplo ou nó do cirurgião → Nó em roseta (alça) → Nó por torção Execução dos nós Manuais Instrumentais Mistas Suturas Objetivos → Aproximação → para ter força suficiente dos novos fibroblastos e epitelização → Recobrimento → Hemostasia Princípios → Antissepsia mecânica e química → Apresentação adequada das bordas → Hemostasia → Ausência de tensão → Evitar planos teciduais não preenchidos (‘espaços mortos’) → Remover corpos estranhos ou tecidos desvitalizados Técnica → Colocação da agulha no porta-agulha: junção do 1/3 distal com os 2/3 proximais da agulha, justaposto onde termina a agulha (nunca ultrapassa a agulha → ponto de maior tração e força tecidual) → Apresentação dos tecidos → Transfixação e extração das agulhas → Agulha entra em 90º → puxa a pele para cima → menos força tecidual para atravessar Classificação → Ponto simples: princípio dos quadrados perfeitos → 90% das vezes Mesma distância dos dois lados Nó duplo + Nó simples + Nó simples → Ponto simples invertido: subcutâneo para não atrapalhar cicatrização → Ponto em U (colchoeiro, donatti horizontal): em locais de tensão (ombro e dorso) → deixa mais tempo que 7 a 10 dias pois os locais costumam ter cicatrização mais lenta → Ponto em X → Ponto em X invertido → Ponto donatti (donatti vertical): longe, longe, perto, perto (na volta só derme) → Ponto de ângulo (ponto perseu/casanjo) → Pontotransfixante: vasos calibrosos → pegar estrutura lateral para fixar o vaso → São mais rápidas e hemostáticas → A ruptura do fio pode perder toda a linha de sutura → Utilizada em suturas intestinais, de aparelho urinário e fechamento de aponeuroses → Chuleio simples → Chuleio ancorado: aumenta a força tênsil e o processo hemosático → Barra grega (colchoeiro contínua) → Em bolsa: apendicectomia → desuso → Intradérmica