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Hemoptise Definição → É o sangramento proveniente da árvore traqueobrônquica ou pulmões, sendo exteriorizado através da tosse → Escarro hemoptoico: Sangramentos em pequena quantidade misturado com secreção de aspecto mucoide (escarro) → Hemoptise: Sangramentos em maior quantidade exteriorizado através da tosse. Hemoptise maciça é um sangramento que ameaça a vida do paciente (100 a 600ml em 24 horas) Hemoptise maciça • Quando a perda sanguínea é suficiente para pôr a vida do paciente em risco • É uma emergência médica, associada a mortalidade de 30 a 50% • Mecanismo do óbito: asfixia do sangue (impede a ventilação), não é comum choque hipovolêmico • Antes do tratamento definitivo o risco de morte permanece, mesmo após cessado o episódio de sangramento, porque a recidiva de hemoptise é imprevisível Anatomia Pulmonar → Sangue sai lado direito do coração → tronco da artéria pulmonar: sangue não oxigenado → alvéolos → troca gasosa → sistema venoso leva o sangue oxigenado → Então, diferente do resto do corpo a circulação predominante é a circulação de sangue não oxigenado → Os pulmões têm duplo sistema circulatório arterial – nutrem traqueia, brônquios, linfonodos regionais, pleura visceral e esôfago: Artérias pulmonares: 99% da circulação (raro para hemoptise) Artérias brônquicas: 1% da circulação (mais comum) → Padrão: um tronco intercostobrônquico à direita e 1 ou 2 artérias brônquicas à esquerda → As artérias costumam se originar da aorta ao nível de T5 e T6, sendo consideradas anômalas as originadas em outros níveis – variações anatômicas são comuns (8-35%) → As artérias brônquicas são ramos da aorta e das artérias intercostais (que irrigam os brônquios) → Fazem parte da circulação de suporte pulmonar e não tem função de trocas gasosas a nível dos alvéolos, como acontece nos ramos das artérias pulmonares → Os ramos das artérias brônquicas acompanham a árvore brônquica até os bronquíolos respiratórios, aonde se anastomosam com pequenos ramos das artérias pulmonares → Circulação do tronco da pulmonar: artéria com sangue não oxigenado → hematose ao nível dos alvéolos → sai o sangue oxigenado pelas veias Fisiopatologia → 95% das hemoptises são de origem da circulação BRÔNQUICA e 5% da circulação PULMONAR → O pulmão é perfundido por sangue desoxigenado das artérias pulmonares sob baixas pressões (12-16mmHg) → E recebe sangue oxigenado das artérias brônquicas sob pressões sistêmicas (100mmHg → essa variação de pressão que vai favorecer o paciente de ter quadros de sangramento) → Inflamação, Hipóxia, Neoplasia ou Trauma → estimulam fatores de crescimento endotelial e angiopoetina I → proliferação vascular brônquica (paredes finas e frágeis: mais susceptíveis ao sangramento) → expostos a variação de pressão → aumento de PA → Hemoptise Manifestações Clínicas → Sangramento em grande quantidade exteriorizado pela tosse → Diferenciar entre hemoptise, epistaxe (sangramento nasal) ou hematêmese (vômito com sangue) → diferenciar a fonte do sangramento → Boa forma de diferenciar é perguntar sobre tosse associada, quantidade de sangue, presença de vômito... → Anamnese completa (história pregressa, ocupacional), exame físico completo avaliando sinais e sintomas Causas Intrapulmonares → Lesão direta do parênquima pulmonar com hemorragia alveolar → Pode ocorrer por fratura de arcos costais, tórax instável ou trauma fechado → Lesão pulmonar de variado grau e manifestações clínicas → Apresenta dispneia e hipoxemia – grau variado → Abordagem: Intubação, suporte de oxigênio e fluidos → Potencialmente letal 1) Raio-x de tórax com infiltrado, atenuação grande dos dois lados do pulmão, ali que está a área da contusão pulmonar. 2) Exemplo de infiltrado difuso. 3) Tomografia onde é possível ver as imagens de vidro fosco que são sugestivas de sangramento alveolar por conta da contusão, e embaixo o pulmão terminou mais cedo pois tem um derrame pleural → Dilatação anormal dos brônquios – perdem sua função → Acúmulo de secreção → piora o transporte mucociliar → dificuldade de expectorar → Pode causar lesões que serão a origem do sangramento → Principais causas: pós infecção (pneumonia), tuberculose e fibrose cística (jovens/crianças) → No Brasil, são notificados aprox. 70 mil novos casos e 4,5 mil mortes por ano → Cavitação é a causa mais comum de hemoptise → Tanto doença em atividade quando sequela pós infecciosa → sangramento → Começa uma nodulação, um processo infeccioso incipiente, e vai espalhando, conforme demora o diagnostico essa pneumonia vai se espalhando e pode ter um comprometimento muito extenso pulmonar. → Os achados clássicos são as cavidades, nodulações em aspecto de arvore em brotamento → Pulmão opaco → Áreas aéreas dentro do pulmão → Dentro do pulmão há conteúdo destrutivo – com necrose, desbridas → Câncer de Pulmão → Câncer de Traqueia / Brônquios → Geralmente o sangramento é relacionado à erosão da mucosa brônquica → Diagnóstico através de biópsia (imagem é complementar) → Oclusão arterial periférica pulmonar → aumento da pressão brônquica → aporte extravasa o leito vascular → edema, congestão e hemorragia → Isquemia; estase trombótica do sangue; lesão do endotélio capilar e necrose → necrose de paredes alveolares → infarto pulmonar → hemorragia (alguns dias após o evento inicial) → Dispneia, dor localizada, hipoxemia e hemoptise (alerta, pois o quadro pode estar avançado) → Tomografia com contraste → falha de enchimento → Síndromes hemorrágicas pulmonares → Geralmente o paciente vai apresentar infiltrados pulmonares bilaterais, queda do nível de hemoglobina e hipoxemia → Causas: vasculites, coagulopatias, colagenoses ou doenças reumatológicas (geralmente doenças sistêmicas) Causas Extrapulmonares: → Trauma torácico Hemotórax; Tamponamento cardíaco; Ruptura aórtica; Fratura de arcos costais/esterno; Lesão traqueal/brônquica → Lesão na artéria intercostal ou mamária → Geralmente o sangramento é autolimitado e não requer cirurgia → Faz drenagem torácica até parar de sair conteúdo → Comprime o coração, desviando-o (pode desviar traqueia e mediastino) → Considerar cirurgia quando: 1500 ml imediatamente após a drenagem – ou um vaso mais calibroso 200ml/h por mais de 2-4 horas Paciente que precisou de transfusão Avaliar estado hemodinâmico → Potencialmente fatal – abordagem rápida → Geralmente ocorre 2,5 cm acima da carina → Dificuldade de intubação (pode causar a lesão, favorecendo sangramento) → Edema, hematoma, hemoptise e enfisema subcutâneo → Tratamento: proteção das vias aéreas, dependendo onde estiver a lesão tentar uma intubação seletiva – cirurgia geralmente necessária → Causas: tosse muito intensa, esforço respiratório, quadros infecciosos graves, corpo estranho ou traumatismo de aspiração em pacientes sob ventilação mecânica Outras causas: → Granulomatose de Wegener → Abuso de drogas (cocaína) → Endometriose → Síndrome Osler Weber Rendu: telangiectasias refratárias hereditárias → capilares frágeis (sangramento constante) → Iatrogênica → Estenose mitral → Insuficiência cardíaca grave → Coagulação intravascular disseminada → SARA → Toxicidade do O2 Abordagem inicial → Monitorização completa (saturação, FC, PA, padrão respiratório, acesso venoso calibroso para reposição de fluidos, coleta de exames de sangue, tipagem sanguínea) → Ofertar O2 suplementar → muito comum apresentar hipoxemia → Definir local de origem do sangramento, ou pelo menos o lado que está acometendo (através do raio-x de tórax) → Manter o decúbito lateral para o lado acometido (lado do sangramento) → preservao lado não acometido → reduz o risco de asfixia e de óbito do paciente até que consiga uma abordagem definitiva → Pacientes com hemoptise maciça necessita, de broncoscopia com urgência → Diagnóstica e terapêutica → Métodos de controle de sangramento: Lavagem com soro gelado + adrenalina Balão intrabrônquico (Fogarty) Separação da ventilação pulmonar Broncoscopia Flexível • Procedimento realizado mais rapidamente • Menos invasivo • Melhor capacidade para avaliar segmentos mais distais • Menor capacidade de aspiração de sangramento. Broncoscopia Rígida • Paciente em antestesia geral • Maior facilidade em realizar aspiração ou abordagens • Não avalia adequadamente segmentos pulmonares distais Arteriografia Brônquica • Após controle inicial do sangramento com a Broncoscopia e a garantia da via aérea pode-se realizar a Arteriografia • Vantagem: determinação do local exato de sangramento e embolização da artéria sangrante • Desvantagem: grande quantidade de contraste endovenoso empregado no exame e precisa de um centro de referência → Medicações antitussígenas (codeína) → Não ofertar broncodilatadores (também podem vasodilatar) → Aantibióticoterapia → Sempre tratar a causa base que levou a Hemoptise