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Hipotireoidismo Introdução → Hipotireoidismo é uma síndrome clínica resultante da produção ou ação deficiente dos hormônios tireoidianos, resultando em lentificação dos processos metabólicos. → Uma das doenças endócrinas mais comuns → Diagnóstico é feito usualmente por clínicos → Doença de tratamento exclusivamente clínico → Carregada de pré conceitos – se não for tratado pode ocorrer aumento de peso Tireoide → Glândula tireoide pesa em torno 10 a 20 g (ligeiramente maior em homens do que em mulheres) → Se localiza anteriormente à traquéia logo abaixo da cartilagem cricóide → É formada por: lobo direito; lobo esquerdo e istmo (que junta os dois lobos) → Microscopicamente a tireoide é composta de folículos esféricos, cada um composto por uma única camada de células foliculares ao redor de um lúmen preenchido com coloide principalmente tireoglobulina. → A tireoglobulina é uma molécula que contém os hormônios tireoideanos. Uma vez que a secreção chega aos folículos, deve ser reabsorvida através do epitélio folicular para o sangue, para poder realizar sua função no corpo → Secreta dois hormônios principais, a tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), ambos aumentam o metabolismo do organismo → O iodo é necessário para formar T3 e T4 → Um adulto deve ingerir cerca de 150mcg de iodo na forma de iodeto por dia. Para suprir essa necessidade, o sal de cozinha é suplementado (1gt Lugol = 6mg iodo) → O iodeto ingerido é absorvido pelo TGI. A maior parte do iodeto é rapidamente excretada pelos rins, mas cerca de 1/5 é seletivamente removido do sangue circulante pelas células da tireoide e usado para a síntese dos hormônios tireoideanos → A secreção tireoidiana é controlada principalmente pelo hormônio estimulante da tireoide (TSH) secretado pela adeno-hipófise → A hipófise fica localizada abaixo do hipotálamo e anteriormente fica o quiasma óptico. → A hipófise além de produzir o TSH, produz outros hormônios como ACTH, os hormônios sexuais, hormônio de crescimento, prolactina → Excesso de T3 e T4 → hipotálamo e hipófise → para de estimular a tireoide → diminui o TRH → diminui o TSH → diminui T3 e T4 → Falta de T3 e T4 → hipófise e hipotálamo → aumenta TRH → aumenta TSH → aumenta estímulo da tireoide Hormônios tireoideanos → T4 (TIROXINA) = 3,5,3',5'-tetraiodo-L-tironina → T3 (TRIIODOTIRONINA) = 3,5,3'- triiodotironina - a forma ativa do hormônio → O total plasmático de T4 é cerca de 45 vezes maior que o de T3 (90nM versus 2nM) → Principal fonte de produção de T3 = conversão de T4 em T3 (5' desiodação de T4 nos tecidos periféricos promovida pelas desiodases) → Circulam comumente ligados às proteínas plasmáticas (aumenta suas meias-vidas e assegura uma distribuição regular do hormônio nos tecidos alvos) → Somente 0,03% de T4 e 0,3% de T3 estão livres, a maioria está ligado → A entrada e a saída do hormônio nas células ocorre, em uma maior parcela, através de transportadores específicos que regulam a captação e o efluxo → No interior da célula, o T3 liga-se a receptores específicos localizados no núcleo, os receptores do hormônio tireoideano (TRs). → Os TRs medeiam a ação do hormônio ligando-se diretamente na região promotora dos genes alvos, regulando a transcrição em todos os tecidos → Em mamíferos = atuam em todos os órgãos e vias metabólicas → Principais efeitos Desenvolvimento de vários tecidos (SNC) Consumo de oxigênio Regulação da temperatura corporal Frequência cardíaca Metabolismo de CHO, PTN e GORD Participam da síntese e a degradação de muitos outros Fatores de crescimento e hormônios (efeitos secundários) Hipotireoidismo • Pode ocorrer em todas as faixas etárias • Na idade adulta acomete 2% das mulheres e 0,2% dos homens • No indivíduos com mais de 65 anos, a prevalência é de 6% em mulheres e de 2% nos homens • Hipotireoidismo Congênito incidência variando de 1:2.000 a 1:4.000 crianças nascidas vivas • Primário: por deficiência da glândula tireóide (95%) • Secundário: deficiência na secreção de TSH (hipófise) - (tumores, traumas, infecções vasculares, infiltrativas, inflamatórias ou congênitas). Perda de tecido funcional, defeitos funcionais na biossíntese ou liberação do TSH (mutações genéticas ou drogas como dopamina e glicocorticoides) • Terciário: estimulação inapropriada pelo TRH (hipotálamo) mais comum em crianças – irradiação, doenças infiltrativas, traumáticas ou neoplásicas • Periférico: ação reduzida dos hormônios tiroidianos nos órgãos-alvo (resistência aos hormônios tiroidianos- raro) - mutações em genes importantes na resposta do hormônios tiroidianos em tecidos-alvo • Congênito: distúrbio endócrino congênito mais frequente, uma das principais causas de retardo mental que pode ser prevenida Hipotireoidismo primário → Causa mais frequente = Tireoidite Autoimune Crônica (Tireoidite de Hashimoto) → Pós tratamento de Hipertireoidismo (cirurgia, radiação com I-131 ou uso de drogas antitiroidianas) → hipotireoidismo pós- iodo → Tireoidite pós-parto, subaguda, silenciosa ou tiroidite induzida por citocinas. → Deficiência ou excesso de iodo. → Doenças infiltrativas ou infecciosas, radioterapia externa, disgenesias da tiroide, defeitos funcionais na biossíntese e liberação dos hormônios tiroidianos ou defeitos congênitos na biossíntese dos hormônios da tiroide. → Uso de certos fármacos, que incluem agentes antitiroidianos: lítio, inibidores da tirosina-quinase, a interleucina-2 ou interferon-α (IFN-α), amiodarona, etc Tireoidite de Hashimoto • Tireoidite de hashimoto (TH) ou tireoidite linfocítica crônica é uma doença auto imune, caracterizada por infiltrado linfo- plasmocitário do parênquima tireoideano. • TH = incapacidade dos linfócitos T supressores em destruir clones de linfócitos sensibilizados por antígenos tireoidianos, com consequente citotoxicidade mediada por células "natural killer" e interação de linfócitos T helper com linfócitos B, produzindo anticorpos contra componentes tireoidianos. Anticorpo anti-tiroperoxidase (anti-TPO) Anticorpo anti-tireoglobulina (anti-Tgb) Anticorpos anti-tiroxina (T4) e antiotriiodotironina (T3) Hipotireoidismo subclínico • O hipotireoidismo subclínico (HSC) = TSH elevado, T4 e T3 normais • Prevalência na população geral em torno de 4% a 10% (maior no sexo feminino, idosos e inv. proporcional ao conteúdo de iodo na dieta). • No Brasil HSC = em mulheres adultas da cidade do RJ foi de 12,3%, alcançando 19,1% entre aquelas acima de 70 anos. • O HSC pode progredir para o hipotireoidismo clínico e manifesto, manter- se relativamente estável por longos períodos ou regredir para normalização da função tireoidiana • Cansaço excessivo (adinamia) • Sonolência • Nervosismo e irritabilidade • Depressão • Baixa libido • Falhas de memória • Tonturas • Obstipação intestinal • Voz grave e/ou rouca • Edema (face e MMII) → principalmente pálpebras edemaciadas • Intolerância ao frio (hormônios tireoidianos regulam a temperatura corporal) • Lentificação (raciocínio, fala, marcha) • Irregularidade menstrual • Lentificação do Reflexo de Aquileu • Bradicardia • Falhas de memória • Polimialgia/ poliartralgia • Palidez cutânea • Pele seca • Queda de cabelo e unhas frágeis • Ganho de peso (em média de até 5 kg) • Anemia • Aumento de colesterol/triglicerídeos • Alta de TSH • Baixa de T3 e T4 → O diagnóstico laboratorial é feito basicamente de dois exames: TSH e T4 livre TSH (0,45-4,5 mU/L) – população geral adulta T4 livre (0,6 a 1,3 ng/dL) – população geral adulta T3 total (80 a 180 ng/dl) – população geral adulta → Ac antiTPO (definir a presença de autoimunidade da tiroide no hipotiroidismoprimário) +/- 12,5% população geral → Tireoglobulina e Ac antiTireoglobulina • Não é rotina em pacientes com hipotiroidismo clínico ou subclínico • Pode ser considerada para pacientes sem anticorpos da tiroide para identificar pacientes com tireoidite autoimune – irregularidade na tireoide, alteração na textura • Pode ser considerada para os pacientes com hipotiroidismo subclínico para ajudar na avaliação do risco de progressão para hipotiroidismo. • Deve ser realizada em pacientes com hipotiroidismo e palpação anormal da tiroide (nódulo → tamanho, característica, se é vascularizado ou não) → Condições clínicas a serem consideradas para avaliação tiroidiana: Mulheres na idade fértil ou mais idosas, especialmente acima de 60 anos Mulheres grávidas Tratamento anterior de radiação da tiroide (iodo radioativo ou radiação terapêutica externa) Cirurgia tiroidiana ou disfunção tiroidiana prévia Diabetes mellitus tipo 1 Doença autoimune (vitiligo, síndrome de Sjögren, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide) Síndrome de Down e Síndrome de Turner História familiar de doença tiroidiana Presença de bócio e/ou positividade para ATPO Sintomas clínicos de hipotiroidismo Uso de drogas, tais como lítio, amiodarona, interferon alfa, sunitinib e sorafenib Hiperprolactinemia Dislipemia Anemia Insuficiência cardíaca → Depressão → Fibromialgia → Recuperação de doença sistêmica grave (geralmente é um hipotireoidismo transitório) → Insuficiência renal → Insuficiência Adrenal → Artrites → Doença Inflamatórias Musculares → Reposição Hormonal com LEVOTIROXINA SÓDICA (L-T4) – via oral → Não há benefício na administração de T4 associado com T3 → T3: quando o paciente tem deficiência na enzima de conversão de T4 para T3 → O ajuste da dose deve ser feito cada 6-8 semanas e após atingir nível adequado de TSH – reavaliação semestral ou anual → Dose em adulto jovem: 1,2 a 1,7 μg/kg/dia → A dose em idosos entre 1 a 1,5 μg/kg/dia Levotiroxina sódica • Nomes Comerciais: Euthyrox, Synthroid, Puran T4, Levóid... • Deve ser ingerido em jejum (ph ácido) – Intestino Delgado • Manter sem alimentação por mínimo 30 minutos pós medicação • Alteram absorção LT4: Doenças de má absorção Idade do paciente Medicações: inibidores da bomba de próton, antiácidos, sucralfato, Cálcio, sais de Fe • Anticonvulsivantes, rifampicina e sertralina: podem acelerar o metabolismo da levotiroxina (ajuste de dose) Hipotireoidismo subclínico (T3 e T4 normais): • TSH > 10mIU/L = TRATAR • TSH entre 4,5 e 10mIU/L = Há controvérsias • Orientação: reavaliar cada 6-12meses • Tratar quando = Acs + (progressão) e Dislipidemia (maior risco CV em <65anos) • Idosos (TSH entre 4,5 e 10mIU/L) = manter sem medicação = reavaliação semestral ou anual (menor risco eventos CV e mortalidade) Hipotireoidismo Congênito • Pode ser permanente ou transitório. • Tratamento: levotiroxina via oral em jejum • Recomenda-se a reavaliação após os 3 anos de idade com a suspensão da levotiroxina (L-T4) nas crianças em tratamento, que não apresentem etiologia do hipotireoidismo estabelecida • Início do tratamento deve ser mais precoce possível idealmente até 14 dias de vida • Dose recomendada pela Academia Americana de Pediatria é de 10-15 μg/kg/dia • A monitorização do tratamento do HC deve ser mais frequente nos primeiros anos da vida, pois o desenvolvimento cerebral é dependente da reposição hormonal • Acompanhamento até a idade adulta GESTANTES Hipotireoidismo pré concepção (manter TSH<1.2 mU/L) → aumenta a fertilidade TSH < 2,5 mU/L (1º trimestre) TSH < 2,5 a 3,0 mU/L (2º e 3º trimestres) Monitoramento a cada 6-8 semanas → Arritmias cardíacas, Doenças cardiovasculares, HAS, Depressão/Confusão mental, Anemias, Coma mixedematoso, Obesidade