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 Natalia Quintino Dias 
 
Abdome agudo perfurativo 
O abdome agudo perfurativo constitui uma doença 
decorrente da perfuração de um segmento do 
tubo digestivo no abdome. 
Quadro clínico 
Dor abdominal de instalação súbita, já na sua 
máxima intensidade, difusa + franca peritonite em 
todos os quadrantes (“abdome em tábua”). 
Por ser um quadro grave, o paciente pode 
apresentar sinais de sepse, como: taquicardia, 
hipotensão, tempo de enchimento capilar 
lentificado, pulsos finos, oligúria, injúria renal 
aguda, disfunção respiratória e/ou rebaixamento 
do nível de consciência. 
Peritonite: caracterizada por: dor à 
descompressão, dor à percussão, aumento do 
tônus da parede abdominal em resposta à 
palpação (defesa), aumentos do tônus da parede 
abdominal em repouso (rigidez). 
-- Peritonite difusa: quando ocorre em múltiplas 
regiões/quadrantes abdominais. 
No abdome agudo perfurativo, a grande diferença 
em relação ao inflamatório é o caráter súbito da 
instalação da dor e o caráter difuso da peritonite. 
Laboratorialmente, há grande leucocitose com 
desvio, acompanhada das disfunções orgânicas: 
acidose metabólica e lactato elevado, elevação de 
ureia e creatinina, transtornos eletrolíticos etc. 
Etiologias 
Qualquer quadro que perfure do estômago ao reto 
é uma etiologia possível. 
A principal etiologia é a doença ulcerosa péptica 
perfurada (seja no estômago, seja no duodeno). O 
paciente tem os fatores de risco de doença 
ulcerosa péptica, e provavelmente queixa crônica 
de epigastralgia, além do hábito tabágico. Então, 
ele manifesta uma epigastralgia nova, intensa e 
súbita, seguida de generalização no abdome do 
quadro, acompanhado de sinais de peritonite em 
todas as regiões, com o abdome tenso, em tábua, 
e com grande queda do estado geral. 
Outras etiologias: 
-- No estômago: câncer gástrico perfurado; 
-- No duodeno e jejuno: ingestão de corpos 
estranhos (+ em pediatria e psiquiatria); 
-- No íleo: doença de Crohn e outras ileítes; 
-- No intestino grosso: diverticulite complicada 
perfurada, ou consequência de complicação de 
apendicite, volvo colônico ou câncer colorretal. 
Diagnóstico 
O objetivo é firmar-se o diagnóstico sindrômico: 
trata-se de um abdome agudo perfurativo. A busca 
pelo diagnóstico etiológico é feita durante a 
cirurgia. 
Para realizar o diagnóstico sindrômico: deve se 
basear na clínica + um dado radiológico 
(pneumoperitônio). 
 
Para diagnóstico do pneumoperitônio realiza-se a 
radiografia simples, que evidenciará o gás acima do 
fígado e abaixo do diafragma, à direita, 
tipicamente. 
Além disso, pode-se observar o Sinal de Rigler: 
trata-se do “sinal do duplo contraste”. Ao haver gás 
dentro e fora da alça intestinal, a sua parede fica 
bem delimitada e desenhada. 
 
A TC de abdome também poderia ser realizada, 
porém não é necessária, pois os achados são 
semelhantes (com maior sensibilidade) → fazer o 
exame que for mais rápido no momento. 
 Natalia Quintino Dias 
 
Se houver franca peritonite -> levar para o centro 
cirúrgico, dispensando a necessidade de realizar 
raio-X. 
Tratamento 
1º: Estabilizar o paciente com hidratação venosa + 
controle eletrolítico + ATB + medida de suporte 
avançado, se necessário (intubação, ventilação 
mecânica, drogas vasoativas). 
O tratamento é feito por laparotomia exploradora 
de urgência. Na abordagem, o objetivo é claro: 
identificar o sítio da perfuração; fechamento ou 
ressecção do foco de perfuração; irrigação copiosa; 
e limpeza da cavidade. 
Úlcera péptica perfurada 
Úlceras pequenas, paciente grave e sem 
tratamento adequado da doença péptica: deve-se 
realizar ulcerorrafia, epiplonplastia e limpeza da 
cavidade. 
Se úlcera gástrica, associar biópsia das bordas da 
úlcera. 
A ressecção gástrica se reserva aos casos sem 
perspectiva de controle clínico adequado, como 
aquele em que há úlcera na vigência do uso de 
inibidores da bomba de prótons. 
→ paciente com boa estabilização clínica pode se 
beneficiar de abordagem via videolaparoscopia. 
Outras etiologias 
Os demais territórios recebem tratamento 
individualizado, cuja ressecção ou não do 
segmento afetado dependerá da impressão pelo 
cirurgião do estado da alça e da cavidade. 
Via de regra, perfurações do delgado são tratadas 
com enterectomia segmentar e, dos cólons, com 
colectomias parciais (colectomia direita, 
colectomia esquerda e retossigmoidectomia). 
Resumo 
Abdome agudo perfurativo é resultado da 
perfuração de um segmento do tubo digestivo no 
abdome. 
Quadro clínico: dor abdominal súbita, máxima 
intensidade, difusa e com “abdome em tábua”. 
Associação com sinais sépticos, como taquicardia, 
hipotensão, oligúria, disfunção respiratória e 
rebaixamento do nível de consciência. 
Alterações laboratoriais, como acidose metabólica 
e aumento do lactato, alteração da função renal e 
de eletrólitos. 
A principal etiologia é a doença ulcerosa péptica 
perfurada. 
O diagnóstico pode ser feito clinicamente, e o 
primeiro exame de imagem que deve ser solicitado 
é a radiografia simples de abdome, para investigar 
se existe pneumoperitônio ou não. 
O tratamento, na maioria dos casos, é cirúrgico. 
Deve-se estabilizar o paciente com suporte, 
hidratação, controle de eletrólitos e 
antibioticoterapia.

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