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Milena Marques 145 
 
Oftalmo – Doenças da Córnea 
Anatomia da córnea: 
Estrutura circular, transparente e avascular que forma o 
envoltório/parede mais anterior do globo ocular, em 
continuidade com a esclera não transparente. É a janela 
através da qual os raios luminosos penetram no interior 
do olho. 
 Ocupa o 1/6 mais anterior da parede ocular e a esclera, 
que se continua com a córnea ocupa os 5/6. O que 
diferencia a córnea da esclera é que a córnea é 
transparente; 
 
 
Características gerais: 
• Diâmetro da superfície anterior: 11,7 mm (o vertical 
é 0,9 mm menor que o horizontal) 
o > 13 mm → megalocórnea 
o < 10,5 mm → microcórnea 
• Diâmetro da superfície posterior: 11,7 mm 
• Raio de curvatura da área central 
o Anterior 7,8 mm 
o Posterior 6,6 mm 
• Espessura da córnea 
o Central 0,52 mm 
o Periférica 0,65 mm 
OBS – a córnea apresenta-se mais curva na área central 
do que na periférica, mais no setor temporal do que 
nasal e mais inferior do que superior. → diminuir a 
aberração esférica 
Em sua porção central é mais fina do que na sua porção 
próxima da esclera. 
Composição da córnea – formada por 5 camadas: 
 
• Epitélio 
o Espessura de 50-100um (mais superficial) 
o 1 camada de células basais, 2-3 camadas de 
células em asa e 2 camadas de células 
superficiais 
o As células superficiais apresentam 
microvilosidades para aderência da camada 
de mucina do filme lacrimal. 
o Gradiente de maturação das células de 7 
dais 
Funções do epitélio: 
➢ Barreira mecânica contra microrganismos e 
material estranho → primeira barreira mecânica do 
globo ocular 
Milena Marques 145 
 
➢ Formação de uma superfície lisa para aderência do 
filme lacrimal 
➢ Barreira fisiológica à difusão de água, solventes e 
drogas. 
Metabolismo do epitélio 
➢ Glicose → 90% vêm do humor aquoso 
(metabolizada pelo ciclo de Krebs, via hexose 
monofosfato e vias anaeróbicas) 
➢ Oxigênio → vem do filme lacrimal 
➢ Aminoácidos, vitaminas e outros → filme lacrimal 
• Camada de Bowman - camada de tecido conjuntivo 
• Estroma 
o Corresponde a 90% da espessura da córnea 
o Formada por fibrilas colágenas e substância 
fundamental amorfa (glicosaminoglicano) 
Funções do estroma 
➢ Camada da córnea mais espessa e com maior 
resistência tecidual 
➢ 300-500 lamelas colágenas cruzam o tecido de 
limbo a limbo 
➢ Peso seco: 80% fibras colágenas, 15% substância 
fundamental e 5% células → camada com baixo 
metabolismo. 
Constituintes 
➢ Células: 
o Ceratócitos (fibroblastos diferenciados cuja a 
função é produção de colágeno diante da 
perda desse material) 
o Neurônios, melanócitos, PMN, plasmócitos e 
histiocitos 
➢ Fibras colágenas → tipo I (maioria), mas pode ser 
do tipo II e III. 
➢ Substâncias fundamental (proteoglicans) → keratan 
sulfato e dermatan sulfato (sulfato de condroitína) 
3:1 
• Membrana de Descemet 
o É a membrana basal do endotélio 
o Espessura de 2-3 um ao nascimento e 20-30 
um na velhice (cresce de espessura ao longo 
da vida) 
• Endotélio 
o Monocamada de células hexagonais 
especializadas 
o Não tem capacidade de mitose no adulto 
o Apresenta espessura de 5 um. 
o Uma vez perdida a célula endotelial, ela não 
se renova. 
Metabolismo do endotélio 
➢ Glicose e oxigeno → vem do humor aquoso 
➢ Extremamente rico em mitocôndrias 
➢ Alta taxa metabólica para manter a BOMBA 
ENDOTELIAL (Mecanismo ativo de secreção iônica) 
→ fundamental para transparência da córnea 
(controle da hidratação) 
Funções da córnea 
• Proteger o conteúdo intraocular 
• Refratar a luz → corresponde a 80% do poder de 
refração do olho (os outros 20% se dão no 
cristalino) 
Para conseguir exercer essas funções a córnea precisa 
de alguns requisitos como: 
➢ Ser transparente e avascular 
➢ Ter uma superfície lisa para aderência do 
filme lacrimal 
➢ Boa função pálpebra (espalhamento 
lacrimal) 
➢ Filme lacrimal qualitativamente e 
quantitativamente adequado. 
Controle da Hidratação da córnea: 
• É essencial para sua transparência 
• 78% da composição da córnea é de água (mais do 
que os outros tecidos do corpo) → necessário para 
manter a função da córnea 
• Deturgescência → nível adequado de hidratação da 
córnea. 
Mecanismos para manutenção da deturgescência 
Mecanismos que “aumentam a espessura da córnea” 
• Pressão intraocular: Quanto maior a pressão 
intraocular, mais humor aquoso vai ser empurrado 
em direção ao endotélio da córnea. 
o ↥ pressão intraocular → edema da córnea 
• Pressão de inchamento (swelling pressure) do 
estroma: é a pressão osmótica que a camada de 
estroma que promove a tendência a reter água 
Mecanismos que “diminuem a espessura da córnea” 
• Função de barreira do epitélio e do endotélio: o 
epitélio impede que a água entre pelo filme lacrimal 
e o endotélio pelo humor aquoso. 
• Evaporação do filme lacrimal 
 
Milena Marques 145 
 
• Bomba endotelial 
o Epitélio: transporte de íons Na+ e Cl- por 
transporte ativo para o filme lacrimal 
o Endotélio: transporte de Na+ e HCO3- por 
transporte ativo para o humor aquoso 
A bomba do endotélio é mais potente porque possui 
muitas mitocôndrias. 
 
 
Transparência da córnea: 
• A córnea transmite 90% do espectro da luz visível 
com exceção dos comprimentos de onda < 300 nm 
e > 1400 nm (funciona como um filtro) 
• Requisitos para sua transparência: 
o Ausência de vasos sanguíneos e linfáticos 
o Ausência de bainha de mielina ao redor dos 
nervos corneanos 
o Hidratação estromal adequada 
(deturgescência) 
Obs. – outros tecidos apresentam composição de fibras 
colágenas e substância fundamental semelhantes e não 
são transparentes (como a esclera) 
Teorias para transparência da córnea: 
1. Arranjo regular e ordenado das fibras colágenas 
2. Fibras colágenas de tamanho pequeno e 
uniforme 
3. Distância aproximada de 550 A. Se distância < 
2000 A → não há variação nos índices de 
refração e dispersão da luz = transparência. 
 
Patologias da córnea: 
1. Edema de córnea: 
• Perda de transparência da córnea 
• Tipos de edema: 
o Edema localizado → pós-operatório de 
cirurgia de catarata, trauma endotelial 
o Edema difuso → pós - transplante de 
córnea 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Milena Marques 145 
 
2. Ressecamento 
• Localizado – Ex. Dellen (forma de pires) → tumor, 
pós-cirurgia 
o Tratamento: lubrificantes oculares e tentar 
resolver a elevação que esta causando o 
ressecamento. 
 
• Difuso – olho seco 
• Ceratopatia filamentar → encontrado em pacientes 
com doença do colágeno como artrite reumatoide 
o Destruição das glândulas lacrimais → olho 
seco severo. 
o Complicação da ceratoconjuntive seca. 
 
• Ceratopatia de exposição 
o Lagoftalmo da hanseníase leva a um 
ressecamento progressivo → vascularização 
e cicatrização da córnea 
 
 
3. Depósitos 
• Substâncias orgânicas ou inorgânicas 
o Cálcio 
o Prata (argirose) 
o Hemossiderina: linha de Hudson-Stahly, 
Fleischer, Stoker 
o Cobre (anel de Kayser-Fleischer na doença 
de Wilson) 
Degeneração calcárea (deposito de cálcio) → pode 
ocorrer em pacientes com Ceratopatia de exposição sec 
a paralisia do 7 par ou queimadura por amônia 
 
Deposito fisiológico de 
hemossiderina da lagrima: 
Linha de Hudson-Sthali → 
fechamento fisiológico das 
duas pálpebras 
 
Anel de Fleischer → presente 
no ceratoconio (distofia da 
córnea, onde ela perde a forma 
arredondada e vai ficando fina) 
 
 
 
Milena Marques 145 
 
Depósito de prata: argirose 
 
Pigmentos: Fuso de Krukemberg – é um deposito 
retilíneo vertical em decorrência da liberação de 
pigmento pela parede posterior da íris 
o Isso é denominado de síndrome da 
dispersão pigmentar 
▪ Mais encontrado em homens 
na idade de 30-50 anos 
▪ Pode levar ao glaucoma 
pigmentar 
 
Degeneração Hepato-lenticular (encontrado na doença 
deWilson): deposito de cobre → anel de Kayser-
Fleischer. 
o Deficiência de celatoplasmina (acúmulo de 
cobre na córnea e no fígado → cirrose 
hepática e nos gânglios da base) 
 
Outros depósitos: 
• Anel ferruginosos → trauma com corpos estranhos 
• Sangue → hifema 
• Lipídeos 
• Córnea Verticillata → amiodarona, cloroquina, 
fenotiazida, indometacina e D. de Fabry 
• Mucopolissacarídeos: Hurler e Scheie 
 
 
Anel ferruginoso: trauma com corpo estranho; 
 
Hemorragia intra-estromal (já existiu um processo de 
cicatrização que levou a formação de vasos na córnea, 
ocorrendo a ruptura desse vaso) e opacificação pós-
hifema (hifema = acumulo de sangue na câmara 
anterior no humor aquoso – rompimento do circulo 
arterial da íris por aumento da pressão ocular) 
 
Depósito de lipídeo – arco corneano ou arco senil ou 
gerontópico (apartir da 30 anos) → processo 
degenerativo. 
 
Milena Marques 145 
 
Deposito de lipídeos – por mecanismo de 
neovascularização (pos trauma) 
 
Córnea Verticillata: amiodarona (em redemoinho ou 
catavento) → outras drogas: cloroquina 
o Não causa baixa de visão → não precisa 
suspender medicação 
o Doença de Fabry s: 
 
S. de Hunter → deposito de mucopolissacarídeos 
 
 
 
Outros depósitos 
• Cristais 
o Crysiasis (ouro) 
o Cistinose 
o Gamopatias monoclonais (mieloma 
múltiplo, linfoma maceglobulinico de 
Waldenstrom) 
 
• Distrofias 
o Central cristaliniana de Schnyder → 
deposito de colesterol 
▪ Diminui a acuidade visual 
 
o Granular → deposito de aminoácidos e 
fosfolipideos 
▪ Afeta a acuidade visual 
 
 
 
 
 
Milena Marques 145 
 
o Macular → deposito de glicosaminoglicans 
o Lattice → amiloide (mais frequente o 
professor comentou) 
 
4. Infiltração celular 
• Anel de Wessely → reação antígeno anticorpo 
(infecção por herpes, fungos, Acantameba) 
o Desencadeia o sistema complemento → 
fator quimiotático dos neurtrófilos 
(periferia para central) → reação 
imunológica in vivo. 
 
• Precipitados ceráticos → presença de PMN na 
câmara anterior com deposição no endotélio da 
córnea 
• Ceratites → úlcera de córnea central → neutrófilos 
no estroma com diminuição da transparência 
o Hipopio (acumulo de pus na câmara 
anterior → relacionado com infecções 
bacterianas e micóticas ) 
 
 
 
5. Vascularização 
• Pannus: inflamação (toxico, infeccioso, hipoxia..) 
• Blefaroceratoconjuntivites 
• Ceratites/ úlceras 
• Queimaduras químicas 
• Trauma perfurante 
• Lente de contato 
Invasão dos vasos (pannus) -> em molusco contagioso 
 
Blefaroceratoconjuntivite por Estafilococos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Milena Marques 145 
 
6. Cicatrização 
• Ceratites/úlceras 
• Trauma 
• Cirurgia: refrativa, transplante 
 
 
7. Hipoestesia 
• Ceratite neurotrófica (denervação parcial ou total 
da córnea) → neurotrofinas são importantes para 
epitélio do córnea → com lesão do trigemio → 
descamação do epitélio 
o Ceratite por HSV ou HZV 
o Lesão do V par craniano 
o Hansen 
o Siabetes 
o Disautonomia familiar (Riley-Day) 
o Outras 
 
8. Epiteliopatias 
• Epiteliopatia punteada – microerosões inespecíficas 
(professor comentou que não precisa saber as 
causas de cada localização) 
o Superior – lentes de contato, conj. Vernal, 
SLK 
o Interpalpebral – olho seco, hipoestesia, 
fotoceratite UV 
o Inferior – blefarite, exposição toxicidade de 
medicações 
 
 
• Ceratite epitelial punteada 
o Infecções virais 
o Ceratite punteada superficial de Thygeson 
 
 
Alterações da membrana de Descemet 
• Rupturas 
o Buftalmo (glaucoma congênito) → estrias 
de Haab (rompimento da membrana) 
o Trauma mecânico (parto) 
o Ceratocone agudo (hidropsia corneana) 
 
• Dobras 
o Edema (distrofias, pos-cirrugico, 
inflamação, rejeição) 
o Hipotonia ocular (menos humor aquoso) 
 
Milena Marques 145