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Júlia Assis Silva - Turma IV alfa SISTEMA SENSORIAL Neurofisiologia VISÃO GERAL E OBJETIVO ● Interação do ser vivo com o meio em que vive deve-se ao processamento das informações para desenvolver respostas comportamentais e adaptativas ao meio. ● Percepção do meio externo. ● O sistema nervoso funciona através de corrente elétrica. ● Precisamos de um mecanismo que faça a transdução de uma grandeza química ou física em corrente elétrica. ● Quem faz a transdução de uma grandeza química/física em corrente elétrica? os receptores sensoriais. ● Ex: termorreceptor, sensível a variação de temperatura, quando estimulado pela temperatura é capaz de gerar um potencial de ação. Converte a grandeza física em elétrica. ● Sensação: mais primitivo, resposta reflexa. Arco reflexo. ○ Ex: piso no prego, tenho a sensação e retiro o pé, apenas depois temos a percepção que pisamos em um prego. ● Percepção: estímulo alcança o córtex, temos a interpretação e o reconhecimento desse estímulo. 1 Tipos de receptores e estímulos que detectam ● Mecanorreceptores: ativado quando há deformação da estrutura. Tipos de receptores ● Receptores simples (terminação livre): dor, temperatura, quimiorreceptor. Estando no ambiente já começamos a estimulá-lo. ● Receptores neurais complexos (terminações nervosas encapsuladas): normalmente receptores de tato, corpúsculo de ruffini, de paccini, de meissner. ● Receptores sensoriais especiais (célula sensorial e logo abaixo um nervo 2 sensorial): quando a célula é estimulada ela libera neurotransmissores que estimulam o nervo que está acoplado à ela. Visão e audição. PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES PELO SISTEMA SENSORIAL ● Processamento é consciente. ● Sentidos especiais: o local dos receptores é específico (Visão, audição, equilíbrio, olfato e paladar) ● Sentidos somáticos: receptores espalhados de forma difusa ● Processamento inconsciente ● Estímulos somáticos: propriocepção em relação a força de contração. ● Estímulos viscerais INTEGRAÇÃO SENSÓRIO-MOTORA 3 ● Normalmente os receptores sensoriais são neurônios com o dendrito modificado ● Podem haver receptores que não são neurônios, mas sempre um receptor é aferente. ● Vias ascendente e descendente: sobem pela substância branca pelos fascículos ● Para subir esse estímulo via ascendente existe neurônios de até 3 ordens, ● O receptor é o neurônio de 1° ordem. ● Núcleo: onde ocorre sinapse dentro do SNC. Estão localizados dentro dos fascículos na substância branca. ● Exceto olfato e equilíbrio, todas as outras vias sensoriais chegam até o tálamo. ● Tálamo: distribui a informação para a área específica daquele estímulo. ● Ex: uma molécula que chega na língua desencadeia um estímulo (potencial de ação) que vai até o tálamo e depois para o córtex gustativo. No córtex é onde vamos nos tornar conscientes do processo, onde vamos processar a informação e ter a percepção. ● Se retirarmos o córtex visual não enxergamos pois não transformamos o potencial elétrico em imagens, estaríamos recebendo estímulo, o tálamo distribuiria mas é o córtex que interpreta as imagens e traduz os estímulos elétricos. 4 Característica dos receptores ● A única função do receptor é transformar o estímulo em potencial elétrico. ● Modalidade: cada um dos principais tipos de sensibilidade que podemos experimentar. ● Como dois tipos de receptores sensoriais detectam tipos diferentes de estímulos? Especificidade - Cada receptor é sensível a um tipo diferente de estímulo, a uma modalidade, e praticamente insensível a outras modalidades. ○ Ex: Bastonetes são muito sensíveis à luz, mas não ao som. ○ Como o frio pode causar dor se são modalidades diferentes? Depende da intensidade. Os receptores têm limiares diferentes, então quando alcança um determinado limiar o receptor de temperatura é desligado e o de dor ligado. ○ Alguns estímulos podem mudar a modalidade. Ex: conforme aumenta a temperatura, aumenta a frequência de PA, a partir de 45°C eu alcanço o limiar nociceptivo, eu deixo de sentir aumentar a temperatura e passo a sentir dor. O limiar é distinto da modalidade. ○ Cada modalidade tem o seu receptor 5 ○ Beliscão e dor: ativo dois receptores, o de tato e o de dor ● Como as diferentes fibras nervosas transmitem as diferentes modalidades sensoriais? Localização - Cada trato nervoso termina em uma área específica do SNC. O tipo de sensação sentida é determinada por onde aquele trato termina. ○ Dor do membro fantasma: ocorre estimulação do neurônio de 2° ordem. Continuamos sentindo a dor pois apesar de o membro não estar lá a área do cérebro está. ● Limiar: o estímulo tem que produzir potencial gerador suficiente para ativar as fibras aferentes primárias ● Intensidade: quantidade de estímulo de determinada modalidade, por receptor. ○ Como aumentar a intensidade? Aumentando a frequência de disparo tenho uma maior percepção de intensidade pois ocorre a somação dos potenciais de ação. Diminuir o intervalo entre as descargas nos neurônios sensoriais. E aumentando a quantidade de fibras. ○ Para cada disparo tem um PA e cada PA libera mais neurotransmissores aumentando a intensidade do estímulo ○ Duração do estímulo: tempo que dura a descarga dos neurônios sensoriais. Quanto mais dura o estímulo mais a intensidade. ○ Também tem relação com a somação ○ Como os neurônios usam o potencial de ação para codificar? Um estímulo fraco gera um potencial receptor fraco e consequentemente menos liberação de neurotransmissores. 6 ○ Intensidade do estímulo? número de receptores ativados (limiares distintos) – ex: uma água de 20°C estimula a temperatura com um limiar x, e a de 5°C estimula com limiar mais alto, o receptor é o mesmo mas o limiar de excitabilidade é diferente ● Adaptação: todos os receptores se adaptam a um estímulo depois de certo tempo. Ele para de disparar o potencial de ação mesmo na presença do estímulo ○ Adaptação rápida: receptores fásicos. Estimulado apenas quando a força do estímulo se altera. ■ Ex: corpúsculo de pacini, mecanoceptor. São úteis para informar sobre as deformações teciduais rápidas e inúteis sobre informações constantes do corpo. ○ Adaptação lenta: receptores tônicos. ■ Nociceptores, não podemos nos acostumar rápido com a dor. ○ Ex: corpo quente e entrar na piscina, depois acostumamos pois o receptor para de dispara mesmo com o estímulo ○ Na presença de um estímulo contínuo, primeiramente há alta frequência de impulsos, que diminuem com o passar do tempo. ○ No olho, os bastonetes e cones se adaptam mudando as concentrações de substâncias químicas sensíveis à luz. ■ Os bastonetes, células de visão noturna em preto e branco, são uma célula sensorial especial, estão acopladas ao nervo ocular, liberam o neurotransmissor glutamato. No dia essa liberação de glutamato é diminuída e a noite aumentada. 7 ● Campo receptivo: local abrangido por um conjunto de terminações de fibras. Quando estimulada ativa os receptores daquela modalidade. No centro do campo tem mais terminações. ○ Quanto menor o campo maior a capacidade de discriminação ○ O que é inibição lateral e como ela aumenta a percepção do local daquele estímulo? O receptor, neurônio de 2° ordem, inibe os localizados lateralmente a ele. ■ Capacidade do sistema sensorial de distinguir a estimulação de dois 8 pontos. ■ Bloqueio da disseminação lateral dos sinais excitatórios e consequente aumento do grau de contraste percebido no córtex sensorial. ■ Sinais de maior intensidade atingem mais fibras - Somação espacial. ● Quando dois neurônios de 1° ordem estimulam o mesmo neurônio de 2° ordem, leva para o tálamo e depois para o córtex e esse entende como um estímulo único. ● Não tem como dois neurônios de 1° ordem de modalidades diferentes estimularem o mesmo de 2° ordem ● Dois estímulos em ummesmo campo receptivo secundário são considerados apenas como um ponto, pois apenas um sinal é enviado para o cérebro ● Campo receptivo secundário: quando vários neurônios primários fazem comunicação com um único neurôniosecundário, esse campo é chamado 9 campo receptivo secundário. SOMESTESIA ● Todos os sentidos cujos receptores estão distribuídos de forma difusa no nosso organismo. Sentimos em todas as partes do corpo ● Ex: temperatura, propriocepção, tato e dor. ● Os sentidos especiais não são somestésicos (visão, olfato, equilíbrio, audição) ● Receptores de Meissner, terminações de Ruffini, corpúsculos de pacini, são receptores sensoriais de somestesia. 10 ● Substância cinzenta: núcleos sensoriais e motores. ● Substância branca: tratos de axônios que transportam informações para o encéfalo. ● Córtex somestésico: parte do cérebro que reconhece de onde se originam os tratos sensoriais. Localizado no lobo parietal ● Campo sensorial: localização de cada trato sensorial dentro do córtex. Tipos de fibras 11 ● Normalmente os mecanorreceptores (pacini, ruffini e meissner) usam as fibras do tipo Aβ ● Os tipos mais críticos de sinais sensoriais (que identificam a determinar a localização precisa na pele, as mínimas graduações de intensidade, etc) são todos conduzidos por fibras de condução mais rápida. ● Já o tato pouco localizado, pressão e cócegas (comichão e prurido) são transmitidos por fibras muito finas e mais lentas. Vias ascendentes somestésicas ● Existem três tipos de neurônio ● Os de 1° ordem, os de 2° ordem e os de 3° ordem ● 1° ordem: o que recebe o estímulo. Faz sinapse com o de 2° ordem que está dentro da medula. ○ É o receptor ● 2° ordem: leva a informação ao tálamo, onde faz sinapse com o de 3° ordem. ● Aonde ocorre a sinapse do de 1° ordem com o de 2° ordem é o que define a via 12 ascendente. ○ É onde haverá a decussação, ou seja, o cruzamento da linha média. ● 3° ordem: leva a informação ao córtex somestésico. ○ Sempre sai do tálamo em direção ao córtex. ● O estímulo sensorial vem das raízes dorsais dos nervos espinal. Porém, o local de condução da medula até o encéfalo tem dois locais diferentes. ○ Lemnisco medial: coluna dorsal ○ Espinotalâmico: anterolateral. Fazem sinapse nos cornos dorsais e depois cruzam para o lado oposto da medula e ascendem pelas colunas anterior e lateral da medula espinal. Tratos ● Lemnisco medial: a decussação ocorre no bulbo, ou seja, é no bulbo que o neurônio de 1° ordem vai se comunicar com o de 2° ordem. Leva informações proprioceptivas. ○ Tato discriminativo e vibração. Todos os estímulos dessas modalidades seguem esse trato, independente do campo receptivo ■ Tato discriminativo: consigo discriminar, identificar, o que estou sentindo. ○ Fibras mais grossas, mielinizadas e com velocidade menor. ○ Organização das fibras maior. ○ Logo quando entram pela coluna dorsal da medula as fibras se dividem em ramos medial e lateral que vão ascender juntos. ○ Entra por um lado sob ate o bulbo pelo mesmo lado (ipsilateral), aí muda de lado (decussam) (contralateral) e vai para o córtex ● A partir de quando o axônio sai do corpo vai para os fascículos, vias ascendentes, lemnisco medial ● Fascículo grácil: mais medial, leva informação de membro inferior ● Fascículo cuneiforme: informação de membros superiores. ● Espinotalâmico (anterior e lateral): a decussação ocorre ao nível da medula. Leva informações nociceptivas, de temperatura e tato grosseiro. ○ Tato grosseiro: apenas sinto que estou tocando algo ○ Normalmente fibras mielinizadas mais finas e com velocidade maior. ○ Menos organizado. ○ Transmite sinais que não precisam de localização muito precisa da fonte do sinal e que não requerem a discriminação de graduações finas da intensidade. 13 ○ Transmissão mais “grosseira” ● Essas duas vias chegam ao mesmo lugar, no córtex somestésico, só passam por caminhos diferentes. O trato é apenas o caminho. 14 15 ● O que diferencia as sensações? O tipo de estímulo, se estou alcançando o PA daquele receptor específico 16 ● Como consigo diferenciar os campos? em torno deles tem inibição. o neurônio do meio inibe os laterais ● Potencial gerador: tem amplitudes diferentes, depende do influxo de sódio, quanto mais canais ligante dependentes abrirem maior o potencial gerador ● Potencial de ação: tem amplitude sempre igual ● Substância de integração: cinzenta, sinapse, sempre neurônio secundário fascículo grácil, cuneiforme, espinotalâmico anterior e lateral. ● O neurônio de 1° ordem entra no corno dorsal, sai dele para o fascículo (ai depende de qual membro - sup ou inf) sobe ipsilateral, chega no bulbo e decussa ● Grácil (se for membro inferior) ● Cuneiforme (membros superiores) Lesão ● Coágulo bulbo direito - o que sobe ipsilateral na parte inferior do bulbo direito? via lemnisco medial, está afetada ● Não tem decussação pois tem coágulo, afeta parte vibracional e de tato discriminativo do lado direito ● Nocicepção: via espinotalâmica, entra na medula pelo lado direito (por exemplo), faz a decussação na medula e sobe pelo lado esquerdo, então no caso do coágulo não houve problema na dor, pois ele estava localizado no bulbo do lado direito. 17 ● Defeito na junção entre o crânio e a região cervical: é o bulbo que faz essa junção. ● Defeitos na circulação do líquido céfalo-raquidiano: circula pelo espaço subaracnóide, entre a aracnóide e a pia-máter. ● Perda da sensação de alteração de temperatura bilateralmente nos 4 membros: problemas no trato espinotalâmico. ● Ausência de percepção nociceptiva bilateralmente: defeito no trato espinotalâmico, que decussa na medula. Indica problemas na medula. O problema está antes da decussação, já que perdeu a sensibilidade dos dois lados. ○ Indica problemas na porção anterior da medula. ● Sensibilidade tátil e proprioceptiva intacta nos 4 membros: indica que não está havendo problemas na decussação da via lemnisco medial, que ocorre ao nível do bulbo. Essa via percorre a medula no funículo posterior, ou seja, a parte posterior da medula está intacta. ● A via espinotalâmica, que é responsável pelas percepções nociceptivas, de temperatura e tato grosseiro. O paciente relatou perda da sensação nociceptiva e de temperatura em todos os membros. ○ Essa via faz sua decussação ao nível da medula, isto é, quando elas vão cruzar o plano mediano para o outro lado. Isto indica que houve uma lesão em vias mais altas (a nível cervical), devido à alteração tanto nos membros superiores quanto nos inferiores. O acúmulo de LCR atinge o centro da medula e compromete a decussação da via protopática, dificultando a chegada da informação contralateral até o tálamo. ○ Se fosse em níveis mais baixos, de lombar, apenas os membros inferiores seriam comprometidos. ● Como a via epicrítica sobe ipsilateralmente e póstero medialmente do bulbo até o 18 tálamo, a via Lemnisco medial fica intacta. Exemplos ● Paciente com um coágulo no bulbo do lado direito. Quais são as funções sensoriais que estariam prejudicadas? ● Via espinotalâmica no lado direito: o estímulo é sentido do lado direito, vai até a medula, sofre a decussação na medula e sobe até o córtex pelo lado esquerdo. As funções ipsilaterais ao coágulo estariam ok. Tato grosseiro, dor e temperatura do lado direito estariam ok. ● Lado esquerdo: entra na medula, sofre a decussação e sobe pelo lado direito até o córtex. As funções contralaterais ao coágulo estariam prejudicadas, tato grosseiro, dor e temperatura do lado esquerdo prejudicados. ● Via lemnisco medial direita: estímulo entra pelo lado direito, sobe ipsilateralmente até o bulbo, onde decussaria para o lado esquerdo, porém como há o coágulo não é possível ocorrer a decussação. Então as funções de tato discriminativo e propriocepção do lado direito estariam prejudicadas. ● Via lemnisco medial esquerdo: estímulo entra pelo lado esquerdo, sobe ipsilateralmente até o bulbo e decussaria, porém como o coágulo está no lado direito ele não consegue fazer a decussação então há comprometimento das funções contralaterais ao coágulo. ● Resumindo: como a lesão foi no bulbo inferior as ações do lemnisco medial ipsilateral ao coágulo estariam prejudicadas o tato decussativo dolado direito não conseguiria decussar, entao o tato ipsilateral seria prejudicado sempre que houver uma lesão no bulbo inferior as ações do leminisco medial ipsilateral ao coagulo ficariam prejudicados e contralateral ao coagulo estariam ok no espinotalamico as ações ipsilateral estariam ok e contralateral estariam prejudicados 19